domingo, março 08, 2009

Seminário sobre conservação de azulejos no LNEC - Infohabitar 238

Infohabitar, Ano V, n.º 238

International Seminar, conservation of glazed ceramic tiles. 15-16 Abril 2009, LNEC

Junta-se, em seguida, um texto de divulgação de um seminário sobre conservação de azulejos que decorrerá brevemente no LNEC, chamando-se a atenção para o grande interesse técnico e patrimonial desta iniciativa e para se estar já muito próximo do final dos prazos para submissão de comunicações do tipo "extended abstract", que no entanto é ainda possível enviar pois o prazo foi alargado até o próximo dia 15 de Março.
Remete-se para o texto que se segue, elaborado pelo colega João Mimoso - e não pelo colega Delgado Rodrigues como foi por lapso anunciado pela divulgação do Infohabitar - , o desenvolvimento do tema deste excelente seminário, bem como as necessárias referências para contactos; e as imagens que desde já se juntam são apenas uma pequena introdução ao interesse que sem dúvida terá esta iniciativa.

A edição do Infohabitar






Fig. 01




International Seminar, conservation of glazed ceramic tiles. 15-16 Abril 2009, Laboratório Nacional de Engenharia Civil

A técnica de fabricação de azulejaria vidrada foi desenvolvida no Médio Oriente e chegou à Península Ibérica durante a época islâmica, com importantes centros fabris em Sevilha e Manises donde os azulejos se difundiram para Espanha e Portugal e posteriormente para Itália, Holanda e outros países, bem como para regiões ultramarinas com presença europeia.

Em Portugal os azulejos foram divulgados a partir de finais do séc.XV, época em que o rei D. Manuel I fez encomendas a fábricas andaluzes para decoração do Palácio Real de Sintra. Algumas décadas mais tarde já eram fabricados localmente, tendo-se tornado um meio preferido de acabamento decorativo das superfícies arquitecturais no séc. XVII. A decoração prevalecente a azul-cobalto sobre branco vítreo, que se associa imediatamente à arquitectura barroca do Brasil e de Portugal, desenvolveu-se para satisfazer uma moda influenciada pela porcelana Ming que os navios portugueses traziam da China.

A produção na Holanda, onde as mesmas influências originaram a decoração no famoso “azul de Delft” foi particularmente notável e os azulejos holandeses foram importados e largamente utilizados no Brasil e em Portugal. Após um século de declínio, a estética Arte Nova enquadrou um renascimento da azulejaria cujo resultado é hoje um notável património da Europa e das Américas.





Fig. 02

Os azulejos são um revestimento extremamente durável, como comprovam os muitos painéis várias vezes centenários que ainda se encontram quase intactos. No entanto, sofrem também da fraqueza inerente de serem materiais estratificados em que a camada vidrada se pode separar da chacota sempre que a água consegue penetrar entre ambas. Outras patologias frequentes são a fissuração do vidrado e o descolamento dos suportes.
Essas e outras fraquezas são frequentemente exacerbadas por intervenções inadequadas.

Não é raro encontrar azulejos, mesmo em interiores, em que mais da terça parte do vidrado já foi irremediavelmente perdida e com ela toda a decoração que continha, num processo de degradação em curso que a breve prazo conduzirá à perda de todo o painel azulejar.

A principal finalidade do seminário que se realizará em Lisboa de 15 a 16 de Abril de 2009 será reunir cientistas e conservadores de diversos países com património azulejar relevante para discutir os azulejos de interesse histórico, os seus processos de degradação e as técnicas de conservação e restauro.

O seminário será composto de palestras por oradores convidados oriundos de vários países com tradição azulejar, e de comunicações (em inglês) sobre o contexto histórico dos materiais e das técnicas de fabricação, a degradação e as suas causas, métodos e materiais de conservação e restauro, relatos de intervenções e seus resultados, necessidades de investigação e problemas por solucionar.

Os resumos alargados devem ser enviados até ao dia 28 de Fevereiro, mas no caso dos leitores deste boletim o prazo é alargado até ao dia 15 de Março pedindo, no entanto, que contactem os organizadores para azulejos@lnec.pt informando da vossa intenção de enviar uma contribuição escrita.

O site do seminário é: http://azulejos.lnec.pt/ onde podem ser consultados todos os outros dados de interesse para os participantes.

João Manuel Mimoso (Investigador Coordenador do LNEC)


O Infohabitar errou:
Apresentam-se as devidas desculpas aos colegas Delgado Rodrigues e João Manuel Mimoso pelo engano havido no registo e na divulgação da autoria do texto acima editado - que foi referido no Infohabitar, inicialmente, como tendo sido elaborado pelo colega Delgado Rodrigues - , engano esse que foi inteiramente da responsabilidade da edição do Infohabitar e que foi originado pela parceria organizativa entre os colegas Delgado Rodrigues e João Mimoso, que está a marcar a organização e a divulgação deste excelente Seminário sobre conservação de azulejos.



Fig. 03

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