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segunda-feira, novembro 27, 2017

Espaços comuns no edifício multifamiliar - Infohabitar 620

Infohabitar, Ano XIII, n.º 620

Espaços comuns no edifício multifamiliar: novo artigo e links para outros 4 artigos sobre o tema

por António Baptista Coelho

Caros leitores, nesta edição da Infohabitar, depois de uma pequena introdução encontrarão um novo artigo sobre a  temática dos espaços comuns em edifícios multifamiliares e links para outros quatro artigos sobre o mesmo tema. 

Fig-01: ao fundo edifício em Olivais Norte, Lisboa, projecto de Artur Pires Martins e Cândido Palma de Melo; um caso de referência na Arquitectura residencial portuguesa e um exemplo de protagonismo arquitectónio dos espaços comuns do edifício - neste caso galarias exteriores e torres verticais de acessos.

No início de setembro de 2017 a Infohabitar retomou as suas edições regulares, através da edição de um novo artigo em cada semana, logo à segunda-feira. Considerando que, durante um número muito significativo de semanas a Infohabitar editou artigos integrados no âmbito da série designada “Habitar e Viver Melhor”, lembrámo-nos de proporcionar uma desenvolvida e comentada revisão desta matéria, antes de prosseguirmos na edição desta série; uma revisão que inclui, sublinha-se, sistematicamente, novos artigos de reflexão e comentário sobre cada uma das matérias específicas tratadas em cada edição.

Neste sentido apresentam-se, em seguida, os títulos interactivos dos artigos da série “Habitar e Viver Melhor”, que abordam as temáticas dos espaços comuns em edifícios multifamiliares, e junta-se um novo artigo com reflexões sobre estas matérias. Em próximos artigos iremos continuar a disponibilizar reflexões sobre os diversos tipos de espaços habitacionais e domésticos, mais comuns, ou mais privados e personalizados.
Lembra-se que bastará ao leitor “clicar” no título do artigo que lhe interessa para o poder consultar.

Lembra-se, ainda, que por motivos totalmente alheios à Infohabitar, que muito lamentamos e que já apontámos, na Infohabitar, a maior parte dos artigos desta série editorial não conta, neste momento, com as respectivas ilustrações; estando, no entanto, disponíveis todos os seus textos, que se caracterizam por expressiva autonomia relativamente às referidas imagens; em tempo procuraremos ir repondo as referidas ilustrações, agora através de uma ferramenta integrada no próprio processo editorial do nosso blog/revista.

Finalmente regista-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sedeado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.

São os seguintes os quatro (4) artigos disponibilizados sobre a temática dos “Espaços comuns no edifício multifamiliar” (basta clicar sobre cada um para aceder ao respectivo texto):

- Espaços comuns habitacionais conviviais (e associativos)

- Inovação nos espaços comuns habitacionais (I)

- (Urgente) inovação nos espaços comuns habitacionais (II)

- Garagens comuns habitacionais


Inovar nos espaços comuns dos edifícios multifamiliares

(novo artigo)

As temáticas associadas e associáveis à matéria geral da habitação e, designadamente, ligadas à matéria específica dos “espaços comuns nos edifícios multifamiliares” são extremamente amplas e tão sensíveis como significantes; portanto, não queremos correr o risco de dar a ideia de as irmos tratar, aqui, de forma exaustiva, iremos sim abordar, a propósito, alguns tópicos considerados talvez mais relevantes e/ou oportunos, hoje em dia, e deixar algumas reflexões e ideias como pistas para posteriores incursões teórico-práticas.

Algo de essencial quando se aborda a natureza e o potencial funcional e vivencial dos espaços comuns em multifamiliares, e talvez matéria bastante esquecida ou nem sequer reconhecida, tem a ver com o papel tão diversificado como protagonista destes espaços – entradas interiores, exteriores e de transição interior/exterior, galerias interiores e exteriores, corredores, patins, etc. – na “construção” da tipologia do edifício multifamiliar e na sua específica caracterização.

E esta matéria por si só levar-nos-ia bem longe, designadamente, quando se considera ser mais do que a altura para desenvolvermos uma tão afirmada como “revolucionária” (re)invenção tipológica no multifamiliar, largando de vez a “ditadura” funcionalista que nos apresentou, praticamente, um muito reduzido leque tipológico (ex., esquerdo/direito, distribuição por galerias interiores ou exteriores e pouco mais, como bem sabemos) e avançando, decididamente numa ampla diversificação tipológica directamente associada a várias vertentes “modificadoras”, ligadas a uma ampla diversidade projectual de soluções:

- de acesso comum;

- de acesso privado;

- mistas, com acessos comuns e privados;

- do tipo esquerdo/direito (essencialmente, através de alterações dimensionais e de configuração geral);

- de acessos por galerias exteriores e/ou exteriores;

- de acessos mistos, do tipo esquerdo/direito e por galerias exteriores e/ou exteriores;

- que integram edifícios de transição entre o uni e o multifamiliar;

- que integram e articulam edifícios multifamiliares e edifícios de transição entre o uni e o multifamiliar;

- que integram conjuntos específicos de habitações (ex., pequenos apartamentos T0 e T1);

- que integram conjuntos relativamente diversificados de tipos de habitações;

- que integram diversos espaços de actividades comuns;

- que integram diversos equipamentos colectivos que servem os habitantes dos respectivos edifícios e outros da respectiva vizinhança;

- que integram conjuntos habitacionais e urbanos com expressiva presença ao nível da(s) respectivas vizinhança(s) próxima(s).

Não tenhamos dúvidas de que, se quisermos avançar numa concepção dos espaços comuns do edifício que seja devidamente adequada a cada uma destas tipologias de soluções e a agregações, cuidadosamente diversificadas, de algumas destas tipologias, esses espaços comuns devem reflectir o melhor possível a respectiva natureza da intervenção em termos espaço-funcionais e de adequada caracterização arquitectónica, incluindo aspectos de arquitectura e imagem urbanas; e sendo o trabalho tão cuidadoso como criativo os resultados serão, sem dúvida, frequentemente, tão inovadores como extremamente estimulantes para quem habitar tais soluções.

Fig-02: ao fundo edifício em Olivais Norte, Lisboa, projecto de Artur Pires Martins e Cândido Palma de Melo; um caso de referência na Arquitectura residencial portuguesa e um exemplo de protagonismo arquitectónio dos espaços comuns do edifício - neste caso galarias exteriores e torres verticais de acessos.

E podemos, ainda, avançar que nos melhores projectos, naqueles considerados “de referência”, tais aspectos foram devidamente considerados e, mais do que isso, bem usados na caracterização do “partido” próprio e “único” de cada uma dessas intervenções; numa atitude bem distinta da doentia repetição de soluções praticamente iguais, interior e exteriormente. E assim se procurará desenvolver, nos sítios mais diversos e potencialmente suscitadores de soluções únicas, soluções de espaços comuns estimulantes e valorizadoras de cada um desses sítios e da dinâmica de vida dos respectivos moradores.

Apenas para dar alguns exemplos deste sentido de reflexão, exemplos pouco “ponderados/estruturados” no sentido de serem casos reais que nos vieram à memória com grande naturalidade enquanto escrevemos estas palavras, podemos referir:

- Um caso no Norte da Alemanha em que entre dois blocos habitacionais alongados, com acessos por pequenas galerias/varandas muito humanizada, existe um amplo espaço comum com tecto envidraçado e múltiplo pé direito, usado para muitas actividades dominantemente de lazer, repouso e convívio “contido” (em pequenos grupos).

- Vários casos europeus em que a “massa” dos quarteirões habitacionais é sensivelmente desagregada e humanizada numa orgânica mistura de soluções habitacionais com acessos comuns e outras com acessos privatizados ao espaço público.

- Vários casos europeus e norte-americanos em que as galerias exteriores de acesso às habitações se desenvolvem em termos quase de pequenas ruas elevadas; havendo soluções em que o acesso a estes espaços continua a ser restrito aos habitantes de um dado conjunto edificado, e outras soluções em que o acesso é tornado basicamente público, embora sempre pedonal.

- Um caso parisiense em que em grandes edifícios multifamiliares em altura, o acesso às respectivas habitações se faz através de grandes varandas privativas, simulando-se, assim, o carácter da habitação unifamiliar, mas no quadro de um grande multifamiliar; e em que, naturalmente, os respectivos espaços comuns verticais também se caracterizam por estratégicas e estimulantes relações com o exterior.

- Casos portugueses de habitação cooperativa, realizados nos últimos três decénios, em que a principal unidade edificada não é o edifício, mas sim o quarteirão, sendo que a acessibilidade dos habitantes se faz, em parte, directamente, entre o respectivo miolo do quarteirão, definido como espaço de uso público pedonal, e as habitações térreas contíguas.

- Ainda outros casos portugueses de habitação económica realizada nos anos 60 do século passado, em que existe um sábio manejar da concepção dimensional e formal de galerias exteriores, estrategicamente conjugadas com acessos verticais, por vezes do tipo esquerdo/direito, conseguindo-se soluções extremamente interessantes na fusão entre funcionalidade e “imagibilidade”; por vezes atribuindo-se até um certo sentido agradavelmente lúdico à organização dos respectivos acessos.

- E ainda outros casos nacionais de habitação de promoção municipal, privada e cooperativa em que acontece uma estimulante concepção de espaços interiores de acesso (patins, átrios e galerias/corredores), bem dimensionados, estrategicamente pontuados pela luz natural e agradavelmente apropriáveis pelos respectivos moradores.

E, caros leitores, praticamente todos estes casos se integram nos principais parâmetros básicos que podem e devem marcar uma construção de habitação que seja racional e económica, pois, por exemplo, os principais volumes são caracterizados por forte regularidade geral formal e não existem sinuosidades construtivas significativas.

A título de um pequeno desabafo dá vontade de dizer que o limite de tais soluções estará na imaginação razoavelmente regrada de quem as concebe; só que por vezes a regulamentação acaba por ser um relativo obstáculo ao respectivo desenvolvimento.

E neste sentido convidam-se os leitores à consulta dos artigos sobre espaços exteriores privados que são facultados acima e que abordam as seguintes matérias.

Uma das matérias e que é essencial na estruturação geral e na concepção pormenorizada dos espaços comuns de edifícios multifamiliares é o claro e geral respeito e a expressiva salvaguarda da privacidade dos espaços domésticos interiores, bem como a cuidadosa consideração da privacidade dos espaços domésticos exteriores; e esta redacção respeita situações onde, por escolha projectual e programática, se aceita que em zonas domésticas exteriores, essencialmente afectas a usos privados, haja expressiva abertura visual, quando não até eventual interpenetração espacial relativamente aos respectivos espaços comuns de circulação. E sintetizando, a regra deve ser a expressiva salvaguarda da privacidade doméstica, exceptuando-se situações específicas em que se aceitam condições diversas. 

Outro aspecto a considerar na concepção dos espaços comuns de edifícios multifamiliares é que o eventual estímulo às relações conviviais entre vizinhos, deve ser sempre submetido à referida regra de respeito pela privacidade doméstica e pelo sossego doméstico (outra importante forma de privacidade), sendo que poderá ser promovido em situações cuidadosas e sempre privilegiando condições de convívio relativamente circunscrito; podendo haver, no entanto, um potencial de convívio alargado e eventual (ex., no interior de um quarteirão), mas que, neste caso, deverá ser sempre condominialmente bem condicionado e regrado , pois nunca faria sentido que os moradores fossem “obrigados” a suportar situações de convívio incomodativo e frequentes.

Um outro aspecto que já foi, acima, aflorado refere-se à expressão que pode ter a estrutura de acessos e de espaços comuns na imagem pública dos respectivos edifícios e mesmo das respectivas vizinhanças de proximidade. E não se trata aqui de defender qualquer “obrigatoriedade” conceptual, mas sim de sublinhar o importante papel que tais elementos podem e devem ter numa positiva e afirmada caracterização local; numa opção bem distinta de paisagens urbanas idênticas, descaracterizadas e a “perder de vista”.

Relativamente ao amplo leque de “espaços comuns” possíveis num dado edifício multifamiliar o limite estará, tal como se procurou apontar, na imaginação e na capacidade de cada projectista, nos objectivos estipulados para a respectiva intervenção residencial e no orçamento que esteja previsto para a mesma intervenção, embora este último aspecto não seja determinante numa estratégia de adequada diversificação dos espaços comuns, tal como se defendeu acima.

E, finalmente, abordam-se as garagens comuns como elementos que são, cada vez mais, protagonistas na vivência diária dos edifícios multifamiliares, mas que, incrivelmente, continuam, por regra, a ser tratadas apenas como elementos funcionais – e mesmo nesta matéria muitas vezes caracterizadas por péssima funcionalidade nas manobras. E não será altura de se encarar a concepção das garagens comuns com a dignidade que merecem espaços tão intensamente usados? Fica a questão, que é razoavelmente desenvolvida no artigo acima apontado.

e a estas matérias relativas aos “espaços comuns no edifício multifamiliar”, voltaremos (mas, tal como já se apontou, nos artigos acima disponibilizados encontrarão, desde já, um conjunto interessante de reflexões).

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIII, n.º 620
Espaços comuns no edifício multifamiliar: 4 artigos sobre o tema e um novo artigo
Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

domingo, abril 03, 2016

Espaços comuns habitacionais conviviais - Infohabitar n.º 576


Infohabitar, Ano XII, n.º 576

Espaços comuns habitacionais conviviais - Infohabitar n.º 576

– Infohabitar n.º 576
António Baptista Coelho
Artigo XCIII da Série habitar e viver melhor


Espaços comuns para além das circulações

Os principais aspectos motivadores do uso de espaços comuns suplementares aos estritamente dedicados a acessos e circulações, têm a ver com motivadoras condições de acessibilidade, espaciosidade, conforto ambiental – luz natural, isolamento acústico (proporcionando festas), climatização –, equipamento e arranjo interior. E que não haja qualquer dúvida que apenas quando estas condições são extremamente apetecíveis as pessoas terão alguma tendência a saírem dos seus “mundos privados” e a “arriscarem” um maior convívio condominial; e lembremos os espaços de estar dos hotéis e em que condições eles nos atraem mais, e a situação de atracção ou de repulsão é idêntica.

Lembremos que a agradabilidade geral e, diga-se até, uma estimulante curiosidade na vivência de qualquer espaço comum é, claramente, um factor que qualifica positivamente o seu uso, e estamos aqui a referirmo-nos aos espaços comuns estritamente necessários – patins, escadas, galerias -, enquanto que condições opostas aquelas, portanto definindo espaços comuns pouco agradáveis, porque com espaciosidade, desconforto ambiental – sem luz natural, acusticamente mal concebidos (reverberantes) e muito frios ou muito quentes consoante as estações –, e ambientalmente monótonos e pobres, são condições que tornam a vivência comum muito pouco agradável desde logo nas circulações que se têm de fazer, obrigatoriamente, no edifício e que levarão ao abandono de outros espaços comuns assim caracterizados.

Fig. 01:  é essencial que os espaços comuns sejam ambiental e pormenorizadamente agradáveis, estimulantes e verdadeiramente humanizados -   - habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Johan Nyrén.

Cuidados a ter na “invenção” de novos espaços comuns

Os problemas correntes em espaços comuns suplementares terão, frequentemente, a ver com aspectos de gestão e de harmonização no uso destes espaços, seja numa sua vivência normal, do dia-a-dia, pois um grupo limitado de vizinhos será, sempre, um motivo potencial quer de convivialidade, quer de conflito, seja em acções de usufruto desses espaços por grupos familiares específicos, por exemplo por ocasião de festas de aniversário.

Sobre esta matérias não haverá grandes receitas a não ser a elaboração de um regulamento de condomínio e específico de enquadramento do uso desses espaços que seja tão completo como simples e claro na sua compreensão, a existência de uma gestão de condomínio eficaz e com presença o mais possível contínua – o que poderá implicar gastos suplementares e/ou opções por condomínios de maior dimensão – e, na base de tudo isto um conjunto de espaços e de equipamentos de condomínio que aliem as referidas qualidades vivenciais a um máximo de facilidade de gestão e de manutenção, com um mínimo de potenciais más influências ambientais (por exemplo ruído, luz, movimentação) nos espaços comuns em maior contiguidade com os apartamentos.

Um problema corrente e inibidor do funcionamento de espaços comuns mais afirmados é qualquer sentido de “quase obrigatoriedade” no uso de outros espaços comuns que não aqueles estritamente necessários para o acesso à habitação; não tenhamos qualquer dúvida que qualquer dimensão comum suplementar à estritamente necessária tem de ser totalmente assumida como uma escolha própria de cada habitante, devendo haver uma separação maximizada entre espaços comuns “obrigatórios” (de acesso) e outros espaços comuns “alternativos”, só assim o convívio comum será uma opção livre e estimulante, de outra forma ele terá muito poucas possibilidades de se radicar e dinamizar.


Fig. 02: a questão da procura de espaços comuns que propiciem algum desenvolvimento de convívio natural entre vizinhos é matéria de relevante importância, designadamente, no mundo atual tão individualista e tão expressivamente protector da privacidade, sendo matéria que ganha enorme relevância quando se trata de soluções de edifícios com algum caráter comunitário ou de comunidade de serviços/equipamentos  - habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Gorän Mansson, Marianne Dahlbäck.

Convívio nos espaços comuns habitacionais

A principal e fundamental questão que se pode colocar é se em edifícios multifamiliares correntes, isto é, marcados essencialmente pelos respectivos apartamentos e sem objectivos específicos de uma vivência comum mais acentuada, haverá interesse no aprofundamento desta dimensão potencialmente mais convivial, ou, pelo menos, mais desafogada na caracterização do nível comum do edifício.

Sobre este assunto poderemos, desde já, apontar que haverá algumas opções a ter em conta: se a operação é marcada por objectivos específicos de economia; se é possível introduzir características de espaciosidade um pouco mais desafogadas em certas zonas estratégicas; e se há tendências de convivialidade comum que interesse apoiar e dinamizar.

E vale a pena reflectir que um pouco mais de espaço comum, além do estritamente necessário, pode custar muito pouco mais e proporcionar uma vivência comum no acesso aos apartamentos muito mais agradável, estimulante e, eventual e naturalmente convivial; e tais condições podem ser simplesmente previstas em patins e átrios ligeiramente mais espaçosos, bem cuidados e bem equipados, e com tais condições pode-se conseguir um edifício com uma dimensão “comum” que não sendo muito especial é, no entanto, muito mais especial do que os simples e tantas vezes claustrofóbicos espaços-canal de acesso rápido ao apartamento de cada um.

Por fim, deve ser sempre possível optar não por um edifício “multifamiliar”, mas por um verdadeiro edifício de “habitação colectiva”, onde haja um verdadeiro nível de habitar em comum, através de espaços, equipamentos e serviços comuns específicos, suplementares ao nível habitacional privativo.

Ainda além desta opção também deve ser possível a opção por uma habitação comunitária – em termos essencialmente funcionais e/ou em termos de verdadeira opção de vida –, em que tais espaços, equipamentos e serviços comuns específicos terão maior desenvolvimento e o nível habitacional privativo esteja, eventualmente, reduzido, essencialmente, aos espaços tipo suite privativa mínima – com diversos “pacotes” de equipamentos próprios; e mesmo esta opção mais comunitária pode ser tomada em conjugação com habitações privativas extensamente desenvolvidas (há muitos casos destes no Norte da Europa), pode caracterizar soluções com forte afinidades hoteleiras, em que o espaço comunitário alberga um leque bem definido de serviços, ou pode ter uma verdadeira dimensão comunitária de partilha de uma boa parte das actividades domésticas.

E a principal questão que se quer deixar, aqui, sublinhada, é que é possível e é desejável poder oferecer mais este leque de opções de viver em comum. De certa forma aqui também se trava a luta entre continuar a fazer sempre a mesma solução corrente – esquerdo/direito, patim pequeno etc. – depois prolongada por habitações sempre iguais – hall, zona de quartos, suite – ou saber oferecer verdadeira diversidade de soluções de habitar, que possam mexer, realmente, com o nosso dia-a-dia, desde que entramos no nosso prédio, até que nos retiramos para repousar um pouco no nosso quarto.

·          Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:
As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.
Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.
A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.
Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.
·        Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.
(iii) Para proporcionar a edição de imagens na Infohabitar, elas são obrigatoriamente depositadas num programa de imagens, sendo usado o Photobucket; onde devido ao grande número de imagens se torna muito difícil registar as respectivas autorias. Desta forma refere-se que, caso haja interesse no uso dessas imagens se consultem os artigos da Infohabitar onde, sistematicamente, as autorias das imagens são devidamente registadas e salientadas. Sublinha-se, portanto, que os vários albuns do Photobucket que são geridos pelo editor da Infohabitar constituem bancos de dados da Infohabitar, sendo essas imagens de diversas autorias, apontadas nos artigos da Infohabitar, pelo que deve haver todo o cuidado no seu uso; havendo dúvidas um contacto com o editor será sempre esclarecedor.

Infohabitar, Ano XII, n.º 576
Artigo XCIII da Série habitar e viver melhor

Os novos espaços comuns habitacionais conviviais, Infohabitar n.º 576


Editor: António Baptista Coelho – abc@ubi.pt, abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional, Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade da Beira Interior - MIAUBI
Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.



domingo, março 27, 2016

Inovação nos espaços comuns habitacionais - Infohabitar n.º 575

Inovação nos espaços comuns habitacionais - Infohabitar n.º 575

Infohabitar n.º 575
António Baptista Coelho
Artigo XCII da Série habitar e viver melhor


Inovar nos espaços comuns residenciais

Relativamente ao amplo leque de inovação ou de “outros espaços comuns” possíveis num dado edifício multifamiliar o limite estará na imaginação de cada projectista, nos objectivos estipulados para a respectiva intervenção residencial e no orçamento que esteja previsto para a mesma intervenção.

A ideia que, desde já, se aponta é que o caminho de super-diversificação de mini-espaços com as diversas utilidades que se tem desenvolvido, em diversos países, associado a condomínios de reduzida dimensão, não parece ter grande futuro pois acaba por se ter um conjunto de equipamentos de condomínio sem um mínimo de capacidade de auto-sustentação e de estímulo ao seu próprio uso.

Quando o condomínio tem dimensão apreciável e há folga financeira talvez seja interessante investir em conjuntos de espaços com utilidades bem fundamentadas e dimensões equilibradas e amplas, mais numa perspectiva de assegurar algumas valências essenciais e que serão sempre valorizadas ao longo dos decénios de vida do condomínio – como será o caso de um amplo jardim e de uma agradável sala de condomínio bem equipada – e desde que tais valências não comportem um esforço significativo na respectiva manutenção mensal.


Variadas valências condominiais

Outras valências condominiais mensalmente mais dispendiosas deverão der introduzidas com um cuidado máximo e ponderando, designadamente, o interesse de uma sua exploração autonomizada, embora com condições especiais para os condóminos.

Uma coisa é a imaginação criadora do promotor visando a oferta de múltiplos serviços comuns, que podem ir da biblioteca, á pequena sala de cinema, ao mini-ginásio e à pequena piscina. Outra coisa é oferecer actividades viáveis a médio prazo, considerando os seus custos de funcionamento. Mas aqui a dificuldade de uma tal oferta também não pode ser obstáculo ao seu desenvolvimento, e a existência de espaços disponíveis e multifuncionais será sempre um passo fundamental para o desenvolvimento de uma dimensão comum afirmada num edifício multifamiliar; se não existirem estes espaços nada será possível.


Fig. 01:  -  A imaginação pode fazer misturar tipologias unidas por espaços comuns exteriores, como neste caso em que na zona posterior de um edifício multifamiliar se desenvolvem pequenos estúdios/habitações com variadas potencialidades de uso (ex., habitações T0 e T1 para estadas periódicas de familiares dos habitantes dos fogos maiores do multifamiliar) - habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Bengt Hidemark, Ingemar Jönsson.


E assim, diversos tipos de actividades comuns poderão vir a ser sequencialmente introduzidas, adaptadas e alteradas, por decisão do condomínio desde que haja condições básicas de espaciosidade e de equipamento flexibilizadoras de tais decisões.

Naturalmente que numa outra dimensão de projecto e de vivência residencial estarão as unidades residenciais que associem um determinado número de habitações, frequentemente com pequena dimensão, a um amplo conjunto de espaços, serviços e equipamentos de uso comum e que são adoptados pelos residentes numa base obrigatória, ou, preferencialmente, julgo, numa base opcional e “à la carte”; espaços, serviços e equipamentos esses que poderão, por vezes com vantagem, servir outras pessoas da vizinhança que não sejam residentes no complexo/edifício, o que terá vantagens claras na dinamização do convívio e da integração social local.


Mais do que a “simples” espaciosidade sem outros objetivos

Nesta introdução a algumas outras notas sobre os “outros espaços comuns” possíveis num dado edifício multifamiliar apetece ainda dizer que parece ser sempre criticável é a abundância de espaços sem outro uso que não seja a simples e perdulária espaciosidade, pois é sempre possível suscitar ideias e ocupações e espaço a mais e sem qualquer utilidade não tem realmente interesse – e é fácil encontrar usos para amplos espaços comuns de entrada, e uma utilidade será, por exemplo, o desafogo espacial para se poder ver bem um grande mural artístico.

Provavelmente mais adequado do que estar a prever espaços e equipamentos comuns muito elaborados, mas essencialmente reservados aos habitantes do respectivo edifício, será mais adequado prever espaços e equipamentos multifuncionais que sirvam esses habitantes, mas que sejam potencialmente utilizados por outras pessoas, segundo regras a definir, garantindo-se, assim, uma maior base de sustentabilidade.

Atividades interessantes nos espaços comuns habitacionais

Talvez que um caminho interessante no desenvolvimento de outros tipos de espaços comuns passe pelo cuidadoso desenvolvimento daquelas actividades naturalmente mais praticadas, quando entramos no nosso edifício, como será o caso de uma adequada espaciosidade na porta de entrada, seguindo-se comodidade e funcionalidade na consulta do correio, e alternativas de acesso aos andares, por elevadores e por escadas, não obrigatoriamente concentradas.

Além destas possibilidades, naturalmente, muitas outras há, num leque de tipos de espaços que têm por limite a imaginação e o orçamento disponível, mas há dois aspectos fundamentais a considerar.

O primeiro é o respeito pela afirmação essencialmente privatizada da solução multifamiliar, que será o caso mais frequente, e que obrigará, sempre, a um eventual uso mais intenso dos espaços comuns suplementares, para além dos estritamente de acesso, claramente opcional, de modo a que não haja qualquer tipo de convivência “obrigatória”; apenas quando a opção multifamiliar for claramente marcada pela vivência de espaços e serviços comuns é de aceitar uma evidenciação especial de espaços comuns de estar e de convívio numa forte contiguidade com as principais zonas de acesso, e mesmo nestes casos será sempre agradável e estratégica a possibilidade de se poder aceder ao apartamento de cada um com um mínimo de convivialidade condominial, situação esta que torna o convívio sempre uma opção, tomada em liberdade de alternativas, o que é muito adequado.

O tipo de actividades realizáveis nestes espaços comuns suplementares talvez seja, numa primeira reflexão, o menos importante, pois desde que os espaços existam e sejam realmente apetecíveis e versáteis para diversos usos talvez seja até inteligente e estratégico deixar que sejam os condóminos a fazer certas opções funcionais, embora esta opção tenha o risco de um bloqueio democrático das opções a tomar; e portanto talvez seja mais seguro desenvolver-se um expressivo pré-arranjo e pré-equipamento, que permita desde logo um uso agradável, mas que proporcione, depois, opções suplementares (exemplo uma mesa de bilhar ou mais ma zona de estar).

O segundo aspecto fundamental a considerar é ter a noção clara que se a opção for a dinamização do uso de diversos tipos de espaços comuns ele só terão êxito se estiverem estrategicamente localizados na sua relação com as principais zonas de acesso ao edifício, se forem espaçosos, e se forem bem acabados, bem equipados e possibilitarem uma agradável relação paisagística e, eventualmente, física com o exterior (por exemplo, através de grandes janelas e terraços abrigados); não terá qualquer hipótese de uso intenso como espaço convivial uma sala de condomínio arrumada num espaço residual, mal acabado e equipado.


Fig. 02: não basta prever um dado espaço condominial de convívio, há que lhe proporcionar o máximo de condições para uma vivência eficaz (intensa e frequente) - habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Mats Molén.


Ainda além destas possibilidades e seguindo uma relação privilegiada com aquilo que as pessoas têm mais tendência a fazer no seu edifício, fora do seu apartamento, será interessante pensar no apoio específico a um amplo leque de actividades oficinais, artísticas ou profissionais, realizado e numa “bateria” de agradáveis gabinetes, por exemplo, concentrados num nível específico do edifício e que poderão ser servidos por um núcleo de serviços comuns sanitários e, eventual e potencialmente conviviais; ficará sempre a questão da razão de não se associarem estes espaços aos respectivos apartamentos, mas esta poderá ser mais uma valência desejada por muitos e raramente encontrada e tem muito a ver com a necessidade de se ter algum isolamento para um amplo leque de actividades.

Naturalmente que vários ou quase todos estes desenvolvimentos têm directa influência nos custos de desenvolvimento destes espaços, mas aqui há que ter em conta realmente, que será sempre assim: todo e qualquer metro quadrado suplementar é sempre um gasto não necessário, a não ser que estejamos a desenvolver soluções com valências comuns bem definidas – por exemplo zonas de estar com actividades específicas; e numa solução extrema é sempre possível desenvolver um edifício cujos espaços comuns são reduzidos ao estritamente necessário em termos de circulações.

Mas uma coisa é certa: “desperdiçar” grandes espaços comuns apenas pelo simples gosto do desafogo espacial e de vistas numa enorme zona de entrada que acaba apenas por ser usada nos circuitos de circulação que a atravessam entre portas de rua, caixas de correio e elevadores, faz muito pouco sentido, pois até o luxo espacial pode ser exibido de formas muito mais interessantes, por exemplo através de um espaço interior profusa e cuidadosamente recheado de plantas.

Um outro aspecto a ter em conta é a irracionalidade de se investir num enorme espaço de entrada luxuosamente acabado e passar a vida a entrar e sair do respectivo apartamento por patins e elevadores acanhados, que dão, depois, acesso a outros patins de garagem e a espaços de garagem apenas minimamente acabados e, tantas vezes, claustrofóbicos. Há aqui, portanto, algum trabalho a fazer para harmonizar intervenções nestes espaços comuns de acesso que são, afinal, intensamente usados.



·         Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:
As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.
Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.
A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.
Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.
·        Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.
(iii) Para proporcionar a edição de imagens na Infohabitar, elas são obrigatoriamente depositadas num programa de imagens, sendo usado o Photobucket; onde devido ao grande número de imagens se torna muito difícil registar as respectivas autorias. Desta forma refere-se que, caso haja interesse no uso dessas imagens se consultem os artigos da Infohabitar onde, sistematicamente, as autorias das imagens são devidamente registadas e salientadas. Sublinha-se, portanto, que os vários albuns do Photobucket que são geridos pelo editor da Infohabitar constituem bancos de dados da Infohabitar, sendo essas imagens de diversas autorias, apontadas nos artigos da Infohabitar, pelo que deve haver todo o cuidado no seu uso; havendo dúvidas um contacto com o editor será sempre esclarecedor.

Infohabitar, Ano XII, n.º 575
Artigo XCII da Série habitar e viver melhor

Inovação nos espaços comuns habitacionais, Infohabitar n.º 575


Editor: António Baptista Coelho – abc@ubi.pt, abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional
Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.



segunda-feira, setembro 30, 2013

Espaços comuns habitacionais (I) - Infohabitar 455


Infohabitar, Ano IX, n.º 455

Artigo XXXVI da Série habitar e viver melhor

A importância dos espaços comuns ou semi-privados nos edifícios multifamiliares (I)

António Baptista Coelho

Falamos, agora, um pouco, daqueles sítios e daqueles elementos do edifício ou do agregado de habitações, que podem ser verdadeiros protagonistas em termos de marcação de identidades estimulantes e de relações entre zonas mais públicas e mais privadas, em termos de se evidenciarem aspectos de apropriação natural e equilibrada, e mesmo em termos de caraterização de soluções de habitação que aproveitem e explorem, ao máximo, uma aliança activa entre o enorme potencial de riqueza e diversidade de pormenorização urbana e os elementos responsáveis por uma caracterização residencial marcada, quer por um sentido doméstico amplo, quer pela identidade de cada habitação.
Há, realmente, alguns elementos urbanos, como as entradas, as escadas, as passagens, as janelas próximas do nível da rua, os muros, as floreiras e outros elementos de pormenor, que podem caracterizar, muito positivamente, as vizinhanças urbanas, tanto com um interessante cunho individual, como com um estimulante caráter orgânico e diversificado (nada monótono), quer, ainda, criando imagens locais de ruas, pracetas e outros espaços de vizinhança local, agradavelmente marcados por uma mistura de um sentido urbano e residencial “único”.
Fig: exemplo de espaços comuns habitacionais em Olivais Norte - Lisboa

E há, depois, todo um amplo leque de espaços comuns, dominantemente interiores, que podem ser "manejados" de forma a caraterizar positivamente a solução residencial e atenção que estamos aqui a referir-nos:
(i) quer a grandes soluções de habitação apoiada estruturadas em torno de amplos e multifuncionais espaços comuns com muitas valências funcionais e "ambientais" (exemplo: uma residência com células habitacionais relativamente pouco desenvolvidas e amplos espaços e múltiplos serviços comuns e/ou on demand);
(ii) quer a pequenos multifamiliares cujos espaços comuns são estrategicamente reduzidos em termos de espaciosidade, mas estrategicamente muito bem pormenorizados em termos de atratividade e capacidade de apropriação;
(iii) quer a agrupamentos residenciais constituídos por agregados de edifícios unifamiliares e de muito pequenos multifamiliares, mas onde continua a haver um estartégico e natural sentido de comunidade optativa, mas sempre funcional em termos de aspetos como a identidade local, a segurança e a opção pelo convívio; e sublinha-se ser esta matéria que se julga ter hoje em dia grande importância;
(iv) quer, até, a uma forma de tratar o unifamiliar, na sua "pele" mais pública, que consiga atribuir-lhe um interessante sentido de cidade e de articulação numa relativa ou afirmada continuidade urbanística.
De certa forma podemos considerar que esta aproximação a determinadas soluções habitacionais tendo por base as caraterísticas dos respetivos espaços comuns, desde a sua expressiva presença até à sua relativa ou total ausência, corresponde a uma nova forma de desenvolvimento tipológico, que tem sempre de se relacionar com as caraterísticas das respetivas vizinhanças urbanas e paisagísticas; uma matéria que foi desenvolvida já em outros artigos desta série.
Importa ainda referir que a diversidade de aspetos caraterizadores dos espaços comuns, ou semiprivados, habitacionais não se esgotam nas grandes famílias tipológicas que são apontadas em seguida (das entradas comuns, aos patins, garagens, etc.), havendo variadas matérias a ter em conta e que, muitas vezes, resultam no desenvolvimento das soluções mais adequadas e estimulantes; e neste sentido importa, desde já, registar, que os espaços comuns, ou semiprivados, habitacionais podem e devem ser cuidadosamente manejados e (re)configurados em termos dimensionais, funcionais, de integração, qualitativos, identitários, “apropriativos”, conviviais, privatizadores, securizadores, etc. – e nos próximos artigos desta série apenas iremos aflorar um pouco esta estimulante matéria, que é responsável pela urgente e bem desejável reinvenção tipológica habitacional e urbana.
Fig: exemplo de espaços comuns habitacionais em Olivais Norte - Lisboa

Importa sublinhar que são estes espaços, elementos e aspetos qualitativos e quantitativos os verdadeiros potenciais autores de uma renovada tipologia do habitar, muito mais coerente seja em termos de adequação individual e familiar, seja em termos de vizinhança urbana e mesmo paisagística.
E não tenhamos dúvidas de que há um extenso manancial de criatividade tipológica do habitar (habitação e vizinhança), e um, ainda mais, extenso registo de soluções e dos seus principais resultados (humanos e urbanos), que estão disponíveis para ser ponderados e (re)aplicados e devidamente "reformatados" pelos projetistas, numa perspetiva que se carateriza por estar bem sustentada em termos muito diversificados, desde aspetos de integração urbana e vicinal a uma estimulante adequação aos modos de vida e aos desejos domésticos específicos de famílias e de gostos individuais; e uma tal perspetiva não afeta nem aspetos funcionais e de segurança, que têm as suas “normas” de aplicação específicas, nem aspetos de economia da construção, que têm também as suas recomendações específicas.
Houve, sim, durante boa parte do Século XX, uma ideia, que se revelou errada, de que todos “teriam” de habitar de forma idêntica e que, em síntese, quase que só havia duas tipologias distintas, que eram o uni ou o multifamiliar, sendo que este último era, até, por vezes, ridiculamente, idêntico na sua estruturação de espaços comuns, mesmo em edifícios com dimensões e altura bem distintas. Fomos aceitando tal ideia, que hoje se entende que não faz sentido, assim como fomos sendo habituados a soluções domésticas organizadas segundo uma mesma “regra” funcional, o que também não parece estar correto; mas hoje em dia podemos começar a pensar diferente e a diversificar, atenta e coerentemente, tipologias de edifícios de habitação e mistos (habitação e serviços) e tipologias domésticas que sejam amigas de diversas formas de habitar.
Podemos ainda referir que o atual conhecimento relativamente aos mais diversos aspetos da qualidade habitacional – conforto ambiental, funcionalidade, segurança, acessibilidade, etc. – permite autonimizar, pelo menos parcialmente, o necessário cumprimento destes aspetos do desenvolvimento de soluções habitacionais diversificadamente organizadas.
Mas há, no entanto, um aspeto que é essencial em tudo isto e que se liga a uma significativa qualidade arquitetónica do projeto, pis, afinal, (re)inventar boas tipologia exige excelente arquitetura, uma arquitetura com qualidade, que não estará, naturalmente, ao alcance de todos os projetistas e que exige que, do lado dos habitantes utentes, haja processos seguros para a sua respetiva apreciação e desejada validação, caso contrário podemos estar a aceitar soluções funcionalmente incoerentes e até perdulárias em termos de espaços e de custos. E se há um setor habitacional onde todos estes cuidados qualitativos são essenciais, pois estamos a tratar de bens públicos, ele é o da habitação de interesse social; até porque no setor da habitação privada o mecanismo do mercado e até da arquitetura de autor poderá ir equilibrando uma variada e, talvez, adequada oferta de soluções residenciais – embora eta adequação tenda a acontecer, essencialmente, nos setores menos económicos da habitação privada (uma matéria que fica para posterior desenvolvimento).
São os seguintes os espaços comuns ou semi-privados mais correntes, que se consideram e que serão abordados em diversos e futuros artigos desta série:
·        Entradas comuns e sua pormenorização.
  • Átrios e outros espaços comuns conviviais ou específicos.
  • Elevadores.
  • Escadas comuns.
  • Patins de distribuição para habitações.
  • Galerias interiores (corredores).
  • Galerias exteriores.
  • Garagens.
  • Aspectos qualitativos gerais nos espaços comuns e respectiva pormenorização.
  • Elementos “verdes”.
Fig: exemplo de espaços comuns habitacionais em Olivais Norte - Lisboa

Desde já se salienta haver aspetos fundamentais numa qualificação humana e arquitectónica dos espaços comuns residenciais e nestes aspetos e a título de significativo exemplo, assume uma importância fundamental a possibilidade de se ter luz natural pois, afinal, tal como refere o Arq. Ch. Labbé “quando se sai do elevador e há luz natural, pode-se conversar, favorece-se a convivialidade pela qualidade do espaço que se desenvolve”. (1)
E, naturalmente, que a luz natural e as respetivas zonas mais iluminadas e mais em sombra, não estará sozinha num leque fundamental de qualidades do habitar a ter em conta nos espaços comuns e semi-privados.
Não se irá, em próximos artigos desta série, fazer uma viagem exaustiva por todos esses tipos de espaços e elementos, mas apenas proporcionar algumas indicações e alguns exemplos de tais soluções, que se julga serem diretamente responsáveis por uma boa parte da satisfação que se pode viver no habitar.
E guardaremos, sempre, espaço de reserva para podermos ir debatendo o (re)aplicar e a (re)conceção de tipologias do habitar estimulantemente inovadoras, relativamente ao “árido” menu tipológico que nos foi legado por um modernismo corrente e “de mercado”, que não soube ou não quis inspirar-se no grande modernismo que tanto inovou de forma adequada e ao serviço de novas formas de viver a casa e a cidade.
(1) Monique Eleb; Anne Marie Chatelet – Urbanité, sociabilité et intimité des logements d’aujourd’hui.  Paris : Éditions de l’Épure, 1997 (Col. Recherche d’Architecture), p. 85.
Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.
(ii) Para proporcionar a edição de imagens no Infohabitar, elas são obrigatoriamente depositadas num programa de imagens, sendo usado o Photobucket; onde devido ao grande número de imagens se torna muito difícil registar as respectivas autorias. Desta forma refere-se que, caso haja interesse no uso dessas imagens se consultem os artigos do Infohabitar onde, sistematicamente, as autorias das imagens são devidamente registadas e salientadas. Sublinha-se, portanto, que os vários albuns do Photobucket que são geridos pelo editor do Infohabitar constituem bancos de dados do Infohabitar, sendo essas imagens de diversas autorias, apontadas nos artigos do Infohabitar, pelo que deve haver todo o cuidado no seu uso; havendo dúvidas um contacto com o editor será sempre esclarecedor.


Editor: António Baptista Coelho - abc@lnec.pt
INFOHABITAR Ano IX, nº455
A importância dos espaços comuns ou semi-privados nos edifícios multifamiliares (I)
Grupo Habitar (GH) e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do LNEC
Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.