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terça-feira, novembro 13, 2018

664 - O DESENHO E A HUMANIZAÇÃO DO HABITAR - Infohabitar 664

INFOHABITAR N.º 664
O DESENHO E A HUMANIZAÇÃO DO HABITAR

Conjunto de 16 artigos e um texto de apresentação

 

Caros leitores da revista semanal Infohabitar com a presente edição, damos continuidade a uma tipologia editorial, em que se procura voltar a focar e divulgar artigos e séries editoriais já desenvolvidas há algum tempo, mas versando temáticas intemporais.

Julgamos que quando uma revista técnica e científica como a nossa atinge um significativo “tempo de vida” – neste caso 14 anos – e expressão editorial – a caminho dos 700 artigos – corre-se o risco de textos que deixaram de estar numa primeira linha editorial, mas que continuam com o mesmo interesse e oportunidade, poderem ficar um pouco esquecidos “nas prateleiras arquivadoras”, neste caso “na nuvem arquivista” e, a partir desta consideração, surgiu a ideia de voltar a colocar “bem à mão”, à distância de um rápido “clic”, conjuntos temáticos de artigos, por vezes muito bem articulados, entre si, outras vezes marcados por uma salutar diversidade, como é o caso actual.

E é assim que, na presente edição da Infohabitar, se sugere a leitura de uma série de 16 artigos, editados entre 2005 e 2008, desenvolvidos por 4 autores e que têm em comum a abordagem do grande tema: O DESENHO E A HUMANIZAÇÃO DO HABITAR.

Lembra-se que esta matéria relativa ao DESENHO E À HUMANIZAÇÃO DO HABITAR constitui um dos 35 temas editoriais da Infohabitar.

Regista-se, ainda, que esta matéria relativa ao DESENHO E À HUMANIZAÇÃO DO HABITAR corresponde a um dos sete grandes temas abordados num estudo amplo sobre a matéria do “habitar humanizado”, apresentado e desenvolvido em duas publicações editadas e disponibilizadas pela Livraria do LNEC (apontadas em seguida) e no n.º 18 dos Opúsculos da Editora Dafne – neste caso, com o título “Entre casa e cidade, a humanização do habitar”.

COELHO, António Baptista - Habitação Humanizada: Uma apresentação geral, Lisboa, LNEC, Memória n.º 836, 2007, 40 p., 19 fig., ISBN 978-972-49-2117-4.
COELHO, António Baptista - Habitação Humanizada, Lisboa, LNEC, Tese e Programas de Investigação TPI n.º 46. Lisboa: LNEC, 2007. 574 p., 121 fig., ISBN 978-972-49-2120-4.

A matéria global do “habitar humanizado” refere-se ao habitar espaços domésticos e urbanos e corresponde a um estudo de investigação, desenvolvido no quadro de uma “habilitação em arquitetura e urbanismo”, realizado e discutido no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), considerando-se que o interesse no desenvolvimento deste tema decorreu, quase diretamente, da necessidade sentida de se aprofundarem aspetos ainda considerados menos objetivos e que no entanto caracterizam, claramente, pela sua existência ou ausência, múltiplas situações domésticas e urbanas.
Trata-se, assim, de um tema cuja importância se julga ser evidente numa altura em que o “mal habitar” casa e cidade continua a marcar, em todo o mundo, um elevadíssimo número de famílias e as periferias e os vazios urbanos de grandes cidades, uma importância que resulta, tanto da necessidade de se considerarem, diretamente, os múltiplos aspetos de uma sensível humanização dos quadros do habitat humano, como da importância de se estar alerta relativamente às recorrentes simplificações relativas a áreas mínimas habitacionais mal concebidas (“cegamente” funcionalizadas), e à doentia repetição de projetos-tipo mal concebidos e mal aplicados em termos urbanos.


A “forma convidativa” no habitar, aqui num exemplo projectado pelo Arq. Paulo Alzamora, numa acção de regeneração urbana e habitacional, de um conjunto de realojamento da C.M. de Vila Nova de Gaia, na Qt.ª do Guarda Livros (139 fogos, 2001); em primeiro plano uma intervenção artística de jovens moradores.
“Tudo o que projetamos deve ser adequado a cada situação que surja; em outras palavras não deve ser apenas confortável mas também estimulante – e é esta adequação fundamental e ativa que eu gostaria de de designar como «forma convidativa»: a forma que possui mais afinidade com as pessoas.”
Herman Hertzberger, Lições de Arquitetura, 1996 (1991), p.174.

Nestas matérias da qualidade do desenho e da caracterização das paisagens urbanas e do habitar, reentramos, naturalmente, em áreas com um perfil arquitectónico muito chegado à esfera da criatividade de cada projectista quando reflecte sobre uma dada solução e constrói, sequencialmente, uma dada solução residencial e urbana. No entanto o que aqui se defende e será, nas páginas seguintes, desenvolvido, é, essencialmente, que o projecto de troços de cidade, feito de exteriores e de edifícios, tem de ser um projecto extensa e intensamente ponderado, designadamente, nas matérias da relação estreita entre a humanização, o desenho e a funcionalidade. Não é por o espaço ser maior, do que no fogo e no edifício, que ele exige uma atenção menor. A escala é outra, as funções são outras, a imagem é outra, mas a atenção e o cuidado têm de ser os suficientes.
Naturalmente o construir uma dada imagem urbana não é o construir de uma habitação, há outras preocupações, há referências públicas e cívicas, há um tempo de uso que tem de aguentar uma escala temporal e uma intensidade de uso muito mais longa e exigente, mas tudo isto provavelmente exige é mais tempo/cuidado de concepção, do que aquele que dirigimos a uma habitação, pois estamos a projectar para um grande número e para necessidades, que frequentemente até não serão, em parte, conhecidas.
Uma matéria essencial que será tratada nesta parte do trabalho é a caracterização das soluções, considerando-se que tal condição é fundamental para o desenvolvimento de sítios urbanos e habitacionais com identidade e geradores de sentimentos de apropriação. No entanto e desde já se refere que se julga que esta preocupação com a identidade poderá ser uma resultante natural de um projecto e de uma obra atentos e bem qualificados.
Desta forma também se clarifica que não se visa aqui, nem tal seria possível, qualquer tipo de indicação formal, mas sim uma indicação ao nível da preocupação com a qualidade do projecto arquitectónico global.
Os estudos de Amos Rapoport são fundamentais nesta matéria da humanização do habitar e, portanto, faz-se aqui apenas uma referência breve a algumas das sua ideias consideradas “chave” tendo em vista esse objectivo, mas, neste caso concreto de uma forma centrada no desenho.
Tal como sublinha Rapoport “a habitação e as suas envolventes são regiões privadas por excelência contrastando com a natureza pública da cidadania como uma totalidade, o Bairro se existe proporciona-nos um elemento mediatizador: semi-público, semi-privado, etc. Se estes elementos falham, o sistema pode falhar. Qualquer cidade pode ser considerada como uma selecção de subsistemas com vários graus de publicidade e privacidade, frontalidade/posterioridade e separados por diversas barreiras e mecanismos… Domínio privado, variável; transições, semipúblico  e semiprivado, muito variáveis; domínio público medianamente variável” - Amos Rapoport, “Aspectos humanos de la forma urbana – Hacia una confrontación de las Ciências Sociales com el diseño de la forma urbana”,1978 (1977), p. 265.
Mas além desta preocupação com um reflexo projectual nos diversos “níveis” do desenho do habitar, de forma a que haja uma leitura consistente do que se deseja seja uma cidade vitalizada e humanizada, tem de haver, naturalmente, um gradual  aprofundamento da qualidade do desenho e de uma sua positiva caracterização.




Listam-se, em seguida (ordenados de acordo com a respectiva apresentação), alguns dos subtemas tratados nos artigos, associados ao tema editorial  relativo ao DESENHO E À HUMANIZAÇÃO DO HABITAR cujos títulos específicos e links são, depois, disponibilizados mais abaixo:

Vizinhanças amigáveis

Políticas de Arquitectura na União Europeia

Nuno Portas e o espaço público

Nova arquitectura na Universidade de Aveiro

Humanização do espaço público

Notas ribeirinhas

Gonçalo Ribeiro Telles no Jardim da Gulbenkian

Fazer cidade, a exposição de Raúl Hestnes Ferreira

Hestnes Ferreira, Teotónio Pereira e Teixeira Trigo

Acerca da Casa – António Reis Cabrita

Espaços públicos amigos das crianças e dos idosos

Protagonismo do verde urbano

Escala humana

Espaços públicos conviviais


Sequências urbanas


Fiquem, então,caros leitores com algumas das muitas páginas da nossa pequena história editorial; e boas leituras,

António Baptista Coelho
Editor da Infohabitar, Presidente da GHabitar, investigador principal com habilitação em Arquitectura e Urbanismo (LNEC), doutor em Arquitetura (FAUP), Arquiteto (ESBAL).

Notas práticas:
. a listagem dos artigos mantém a respetiva ordem cronológica editorial (dos mais recentes para os menos recentes);
. os artigos são disponibilizados no seu formato editorial original;
. para aceder ao artigo basta fazer ctrl + click sobre o seu endereço eletrónico (disponibilizado a seguir ao respetivo título); ou sobre o próprio título (quando este está ligado diretamente ao respetivo ebdereço eletrónico – ao passar o rato/mouse sobre o título essa ligação fica evidente).  


(Tema geral)

O DESENHO E A HUMANIZAÇÃO DO HABITAR

Sobre as fundamentais vizinhanças amigáveis I - António Baptista Coelho (n.º 220, 3 Nov. 08, 4 págs., 3 figs.).
IDENTIDADE ESCOCESA - Políticas de Arquitectura na União Europeia, artigo de João Ferreira Bento (n.º 190, 30 Março, 2008, 6 págs., 3 figs.).
Opiniões de Nuno Portas sobre o espaço público – relato de António Baptista Coelho (n.º 103, 15 Set. 06, 15p., 5 fig.).
Uma viagem pela nova arquitectura na Universidade de Aveiro: reportagem fotográfica informal – Pedro Romana Baptista Coelho e António Baptista Coelho (n.º 101, 1 Set., 7p. 16 fig.).
Sobre a humanização do espaço público – António Baptista Coelho (n.º 98, 10 Ago 06, 8p. 7 fig.).
Humanização e vitalização do espaço público: Cadernos Edifícios (N.º 4 ) – artigo de António Baptista Coelho (n.º 90, 27 Jun. 06, 3p. 2 fig.).
Notas ribeirinhas de Lisboa – António Baptista Coelho (n.º 75, 22 Mar. 06, 7p. 9fig.).
Infohabitar/reportagem: com Gonçalo Ribeiro Telles no Jardim da Gulbenkian – António e Pedro Baptista Coelho (n.º 71, 26 Fev. 06, 4p.).
Acerca de la Casa – Curso em Sevilha, Relato – António Reis Cabrita (n.º 46, 13 Out. 05, 9 p., 3 fig.).

Finalmente salienta-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, acolhido no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.


Infohabitar, Ano XIV, n.º 664
O DESENHO E A HUMANIZAÇÃO DO HABITAR
Conjunto de 16 artigos

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

terça-feira, julho 24, 2018

650 - QUALIDADE NO HABITAR - Infohabitar 650

INFOHABITAR N.º 650
QUALIDADE NO HABITAR
Conjunto de 12 artigos

 

Caros leitores da revista semanal Infohabitar com a presente edição, damos continuidade a uma nova tipologia editorial, em que se procura voltar a focar e divulgar artigos e séries editoriais já desenvolvidas há algum tempo, mas versando temáticas intemporais.

Julgamos que quando uma revista técnica e científica como a nossa atinge um significativo “tempo de vida” – neste caso 14 anos – e expressão editorial – a caminho dos 700 artigos – corre-se o risco de textos que deixaram de estar numa primeira linha editorial, mas que continuam com o mesmo interesse e oportunidade, poderem ficar um pouco esquecidos “nas prateleiras arquivadoras”, neste caso “na nuvem arquivista” e, a partir desta consideração, surgiu a ideia de voltar a colocar “bem à mão”, à distância de um rápido “clic”, conjuntos temáticos de artigos, por vezes muito bem articulados, entre si, outras vezes marcados por uma salutar diversidade, como é o caso actual.

E é assim que, na presente edição da Infohabitar, se sugere a leitura de uma série de 12 artigos, editados entre 2007 e 2011, realizados por 5 autores e que terão em comum, essencialmente, poderem ser considerados como abordando o grande tema da QUALIDADE NO HABITAR .

E lembra-se que esta matéria da QUALIDADE NO HABITAR constitui um dos 35 temas editoriais da Infohabitar.

Naturalmente que, tal como acontece sempre quando se estruturam grandes grupos temáticos, a afinidade entre o referido grande tema (acima apontado) e a temática específica de cada artigo, varia em cada um deles, mas este é um risco que se corre, premeditadamente, e que se considera menos importante do que a oportunidade de uma nova “visibilidade” a artigos/textos já aqui editados há algum tempo e que poderiam correr o risco de serem pouco consultados, por estarem “longe da vista” ou relativamente pouco acessíveis.

Chamamos a atenção para o relato de uma sessão de homenagem a Nuno Teotónio Pereira realizada no LNEC e para os dois excelentes artigos intitulados A CIDADE HABITÁVEL (I e II) de António Reis Cabrita: realmente, a não perder.

Fiquem, então, com muitas, julgadas, boas páginas da nossa pequena história editorial,

Boas leituras,

António Baptista Coelho
Editor da Infohabitar, Presidente da GHabitar, investigador principal com habilitação em Arquitectura e Urbanismo (LNEC), doutor em Arquitetura (FAUP), Arquiteto (ESBAL).

Notas práticas:
. a listagem dos artigos mantém a respetiva ordem cronológica editorial (dos mais recentes para os menos recentes);
. os artigos são disponibilizados no seu formato editorial original;
. para aceder ao artigo basta fazer ctrl + click sobre o seu endereço eletrónico (disponibilizado a seguir ao respetivo título); ou sobre o próprio título (quando este está ligado diretamente ao respetivo ebdereço eletrónico – ao passar o rato/mouse sobre o título essa ligação fica evidente).  


(Tema geral)
QUALIDADE NO HABITAR 

Qualidade Arquitectónica e Satisfação Residencial, Parte II - artigo de António Baptista Coelho (n.º 245, 4 Mai. 2009, 9 págs., 5 figs.).

Qualidade Arquitectónica e Satisfação Residencial, Parte I - artigo de António Baptista Coelho (n.º 244, 27 Abr. 2009, 12 págs., 10 figs.).

Sobre o que faz o bom-habitar III: algumas sínteses e ainda, e sempre, as perplexidades - artigo de António Baptista Coelho (n.º 211, 25 Ago. 2008, 5 págs., 3 figs.).

O bom-habitar II : alguns comentários iniciais e algumas perplexidades - artigo de António Baptista Coelho (n.º 210, 18 Ago. 2008, 6 págs., 3 figs.).

O bom-habitar I : uma introdução ao bom-habitar do bairro, da vizinhança e do edifício - artigo de António Baptista Coelho (n.º 209, 10 Ago. 2008, 6págs., 6 figs.).

A CIDADE HABITÁVEL (II) - artigo de António Manuel Reis Cabrita (n.º 193, 20 Abril, 2008, 19 págs., 15 figs.).

A CIDADE HABITÁVEL (I) - artigo de António Manuel Reis Cabrita (n.º 192, 14 Abril, 2008, 14 págs., 14 figs.).

Mais e melhor habitação, mais e melhor cidade - artigo de António Baptista Coelho (n.º 188, 16, Março, 2008, 6 págs., 7 figs.).

Homem rico - Homem pobre - artigo de Celeste Ramos (n.º 177, 03 Janeiro 2008, 9 pág., 8 fig.)

Promoção da Qualidade do Habitar, Coimbra 11 de Outubro de 2007 - relato por António Baptista Coelho (n.º 162, 19 Out. 07, 12 p., 9 fig.).

A qualidade do habitar, no início do século XXI, na Europa – I, António Baptista Coelho (n.º 161, 11 Out. 07, 9 p., 6 fig.).





Notas finais:
Finalmente salienta-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, acolhido no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.


Infohabitar, Ano XIV, n.º 650
QUALIDADE NO HABITAR Conjunto de 12 artigos

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

terça-feira, março 14, 2006

74 - 5ª Sessão do Grupo Habitar, em Évora - Os idosos e a cidade envelhecida - Infohabitar 74


 - Infohabitar 80

Finalmente a conclusão da Bouça, de Siza Vieira, pela iniciativa cooperativa




O próximo dia 25 de Abril será marcado pela conclusão do famoso e agora totalmente renovado Bairro da Bouça, no Porto, situado entre a linha do caminho de ferro e a Rua da Boavista, projectado por Siza Vieira, com as primeiras ideias apontadas antes de Abril de 1974 e cuja arquitectura urbana e habitacional foi, depois do 25 de Abril de 74, desenvolvida no âmbito do plano de habitação de emergência SAAL (Serviço Ambulatório de Apoio Local), sendo então o conjunto previsto apenas parcialmente construído (1977), seja na parte habitacional, seja nos respectivos espaços públicos.


Em Abril de 2004, portanto há apenas dois anos, foram iniciadas as obras de regeneração urbana e habitacional do pequeno Bairro, que incluíram a profunda reabilitação construtiva e em termos de conforto ambiental dos 56 fogos preexistentes – acção esta feita com os moradores no local –, a conclusão do plano inicial com o desenvolvimento de 72 novas habitações, a criação de um estacionamento subterrâneo e todos os espaços públicos que irão dar coesão urbana à renovada intervenção.



Faz-se ainda um especial destaque a uma cuidadosa, sistemática e eficaz acção de gestão e enquadramento social de uma intervenção de elevada complexidade, seja pela mistura entre obras de requalificação e novas obras, seja pela harmonização de situações sociais e familiares extremamente diversificadas, seja pela necessária harmonização formal de inúmeras apropriações feitas pelos habitantes ao longo de quase trinta anos, seja ainda pelo objectivo de conciliar o controlo de custos, pois trata-se de uma obra financiada pelo INH, com o acabamento de uma obra charneira e marcante da arquitectura portuguesa do século XX e designadamente da história da habitação de interesse social em Portugal.



O perfil deste artigo é apenas alertar para este evento único, pois passados uns muito escassos dois anos após o início desta iniciativa, a Cooperativa Águas Férreas, especialmente constituída para o efeito pelas cooperativas CETA e Sete Bicas e pela Associação de Moradores da Bouça, marca o 25 de Abril de 2006, com a conclusão da Bouça de Siza Vieira.


Para este resultado muitos contribuíram, mas faz-se aqui uma referência especial, ao nível da obra, para o Arq. Álvaro.Siza.Vieira e o seu gabinete, e neste designadamente para o Arq. António.Madureira, na coordenação da obra para o Eng. José.Coimbra e no desenvolvimento da obra para a FDO Construções SA. Ao nível dos promotores têm de ser nomeados os incansáveis José.Ribeiro, Arnaldo.Lucas e Guilherme.Vilaverde, por parte das cooperativas, aos quais muito se deve, mas também deverá ser destacada a colaboração do INH, desde a primeira hora e designadamente o empenho do Director da Delegação no Porto, Defensor.de.Castro e do próprio Presidente do INH, Teixeira.Monteiro.
No próximo dia 25 de Abril de 2006, pela manhã e marcando este evento, o INH – Instituto Nacional de Habitação, e a FENACHE – Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica, decidiram promover, a partir das 10.00h, uma mesa de debate sobre as experiências do SAAL, que conta com a participação dos Arquitectos Álvaro.Siza.Vieira e Nuno.Portas.
O Grupo Habitar (GH) já esteve na Bouça, numa fase avançada da sua construção, em Maio de 2005 (juntam-se imagens dessa altura) e conta vir a fazer um artigo pormenorizado e ilustrado sobre este novo exemplo de inovação e de eficácia da cooperação habitacional, agora numa intervenção complexa de regeneração urbana e habitacional a custos controlados; para já ficam os sinceros e entusiastas parabéns do GH a todos os que para mais esta excelente obra cooperativa contribuíram.
António.Baptista.Coelho
Pres. Dir. Grupo.Habitar

quinta-feira, outubro 13, 2005

46 - “ACERCA DE LA CASA” – Curso em Sevilha – Relato de António Reis Cabrita - Infohabitar 46

 - Infohabitar 46

“ACERCA DE LA CASA” – Curso em Sevilha

Relato de António Reis Cabrita

Realizou-se entre 5 e 9 de Setembro último na Universidade Internacional da Andaluzia em Sevilha a 3ª edição do Curso sobre Habitação intitulado de “Acerca de la Casa”, este ano com o sub-título “El estado de la questión”, para o qual fui convidado para realizar uma intervenção. Escolhi o tema “Habitação para o futuro” o qual se inseria bem no tema geral porque a intenção sob a designação do subtítulo era mais identificar soluções para o futuro do que fazer diagnósticos. O tema da “Habitação para o futuro“ correspondia a um trabalho de investigação realizado no LNEC para a Fundação de Ciência e Tecnologia e por mim coordenado no qual participaram mais activamente investigadores do LNEC (arq.º João Pedro e arq.ª Isabel Plácido) e bolseiros exteriores (arq.º Luís Morgado, arq.ª, Sara Eloy e Arq.ª Joana Mourão).

O curso era destinado a arquitectos e estudantes de arquitectura finalistas e foi coordenado pelo arq.º Francisco Torres, também coordenador das edições anteriores e com importante currículo de professor e profissional ligado à habitação em sentido amplo.

Embora fosse um curso eminentemente disciplinar teve alguma abertura ao papel das Ciências Sociais na reflexão e no projecto da habitação, nomeadamente pela participação da socióloga francesa Monique Eleb conhecida pelos seus trabalhos sobre a cidade e a habitação.

O curso desenvolveu-se durante uma semana iniciando-se todos os dias com uma palestra mais desenvolvida (2H), seguida de uma comunicação de apresentação de projectos de habitação relativos à temática, portanto mais curta (1H), e terminando na parte final da tarde com Mesas Redondas (2H 30), cumprindo assim um horário andaluz que prevê sempre um almoço tardio e uma sesta. Além da participação com a minha palestra assisti a mais duas palestras e a duas Mesas Redondas bem como a três comunicações de apresentação de trabalhos de que darei em seguida breve relato. Esta organização de matérias ao longo do dia pareceu-me eficaz para manter a participação da assistência.

Esta nota informativa que venho partilhar com os membros e simpatizantes do Grupo Habitar não pode infelizmente ser um relato aprofundado dos muitos temas e aspectos relativos à temática e de elevado interesse que foram abordados em Sevilha. Talvez o possa fazer em outra oportunidade e de viva voz. Neste momento farei portanto apenas uma pequena resenha das intervenções o que permite apenas perceber o tipo de temas abordado.



Apresentação do Curso

A Apresentação do Curso foi realizada pelo arq.º Francisco.Torres na qual justificou o tema geral relacionando-o com a actual situação da produção habitacional com poucos modelos novos respondendo ás novas necessidades e, ao invés, com a multiplicação de imagens, sejam de mercado sejam reveladoras de radicalismos arquitectónicos, fruto de algum autismo de promotores e de arquitectos, ainda que por razões distintas, face à sociedade, contudo são imagens muito difundidas pelos media. Referiu também a importância de novos modos de promoção e de produção que combinam facetas típicas do sector público com outras do sector privado se se conseguir que reúnam os aspectos positivos de um e outro sector.



Palestras desenvolvidas

José Ramon Serrano (Prof. da Escola Técnica Superior de Arquitectura de Sevilha)


Pela sua elevada preparação académica apresentou de forma sintética um conjunto de factores ou exigências que caracterizam, em geral, a actual modernidade mutável ou “líquida”, e que afectam a habitação em particular, de que se relatam em seguida apenas alguns:

- exigência de grande aprofundamento do conhecimento do que é o espaço habitável humano de proximidade onde quer que uma pessoa esteja;

- alargamento da interdisciplinaridade na análise e na produção, não só pelas disciplinas técnicas como foi tradicional, depois completadas pelas ciências sociais mas também agora pela semiologia e pelas artes visuais;

- exploração de novas possibilidades tecnológicas resolvendo velhas/novas utopias e contradições: abertura para o exterior mantendo o seu valor de refúgio; pré-fabricação e bricolage; flexibilidade conjugando construção e desconstrução; ter comodidade e segurança estando na (ou com a) natureza; etc.;

- integração no espaço e na linguagem formal a virtualidade crescente de referências quotidianas (mais informação e imagens que objectos), o dinamismo dos percursos de vida e a afirmação do individual antes da, e sobrepondo-se à, criação de laços sociais, etc.).

Considerando estas referências abordou a dificuldade em poder definir modelos arquitectónicos estáveis uma vez que os programas e as referências estão em evolução e de forma pouco clara e têm uma expressão muitas vezes apenas virtual ou imaginária. Por esta razão as arquitecturas mais valorizadas pelos críticos e pelos media especializados são as que exprimem uma certa radicalidade, seja no sentido do minimalismo seja no sentido da organicidade, além de outras propostas que se refugiam no regresso ao primeiro moderno ou pela sobreposição de registos como faz por ex.º Rem Koolhaas).

A sua exposição profundamente ilustrada terminou com a referência a um grande projecto urbano residencial misto na periferia de Valência concebido por um arquitecto valenciano que trabalha em Barcelona, Vicent Guallart, em que surgem algumas ideias antes por ele afloradas a nível mais teórico, como seja:

- prioridade à movimentação pedonal no espaço da proximidade;

- bairro residencial com emprego de serviços e equipamentos colectivos não disseminados;

- loteamento respeitando o cadastro;

- mistura social e etária, acessibilidade inclusiva;

- conjugar apartamentos pequenos de diferentes tipologias com muito pequenas áreas sociais privadas e com espaços de convívio e lazer partilhados com os fogos vizinhos.

Os projectos dos edifícios são depois realizados por arquitectos famosos (Manuel Gausa, Toyo Ito, Abalos & Herreros, Torres Nadal, etc.).

Monique Eleb


Apresentou um conjunto de condições e problemas que ilustram, relativamente à sociedade urbana actual, e particularmente à francesa, a situação de desajuste entre o tipo de casa que é “oferecido” nos edifícios multifamiliares e as necessidades inerentes às novas condições de vida na sociedade urbana de que destacou apenas alguns:

- ritmos de vida dos membros do mesmo agregado de co-habitação não síncronos;

- novas relações de dependência e afirmação de independências;

- novos modos de conviviabilidade internos e externos aos agregados;

- novas aspirações tipológicas (a moradia no multifamiliar);

- necessidade de contemplar espaços autónomos para adolescentes e idosos perto/junto das suas famílias);

- retomar a mistura social, mesmo em cada edifício;

- abertura da casa ao exterior: a espaços exteriores, ou semi-exteriores, privados e verdes.

Depois retomou este discurso ao apresentar um conjunto de propostas de arquitectos franceses, umas mais recentes (séc. XXI), outras mais antigas (anos 70 do séc. passado), umas de arquitectos mais conhecidos como P. Chemetov, Piano, Jean Nouvel, outras de arquitectos menos conhecidos mas experientes em projectos de habitação.

Nestes projectos propunham-se uma ou mais das seguintes soluções:

- baixa altura (3 ou 4 pisos);

- habitação combinando duplex com loft;

- mistura social;

- alojamentos com suites junto à entrada, ou autónomas mas perto desta;

- espaço exterior privado significativo;

- fácil acesso ao exterior comum ou público;

- espaços mais confinados para refeições especiais;

- importância dos arrumos (mesmo fora do fogo).

A propósito refira-se que no regulamento municipal para urbanismo/habitação em Paris é obrigatório destinar em cada edifício 25% da área para alojamentos de tipo social (em França há cerca de 3 níveis de habitação social ou apoiada). Aliás foi referido que a mesma obrigatoriedade existe hoje em Sevilha, só que o valor sobe para 30%. Também foi referido que em Paris é obrigatório ter um espaço comum em todos os edifícios onde se preveja residirem mais de 100 pessoas.






António Reis Cabrita


A minha intervenção reflectia essencialmente os resultados de um dos três Estudos do Projecto de investigação intitulado “A Habitação do Futuro”, concretamente sobre “Tipologias Emergentes” porque foi o que coordenei mais directamente.

A abordagem que fiz tratava na sua parte inicial muitos dos aspectos referidos por Monique Eleb e por Ramon Moreno e, na parte final da apresentação incluía, entre muitas outras, as soluções preconizadas por M. Eleb. Cumprindo a habitual metodologia do LNEC e como o objectivo do referido Projecto também era, essencialmente, o de apresentar o ponto de situação europeu sobre o tema, a abordagem das questões sociológicas e tipológicas foi feita de forma sistemática e extensa, tipo de exposição que não é possível reproduzir aqui mas que talvez possa vir a ser apresentada oportunamente a interlocutores nacionais.

Curiosamente o Projecto de investigação abordou um conjunto de outros aspectos que entendemos serem centrais na nova modernidade, com relevo para as TIC e para a ecologia, mas que foram pouco ou nada abordados pelos dois outros palestrantes, embora um os tenha referidos como tendo sido nucleares no anterior curso de “Acerca de la Casa”.



Mesas Redondas


É muito difícil transmitir ideias arrumadas a partir de uma Mesa Redonda nomeadamente pela multiplicidade de contribuições da Mesa e da assistência. Como referi antes só assisti a duas Mesas Redondas tendo participado na primeira como membro da Mesa.

O tema central da 1ª Mesa Redonda era a inovação e que tipo de inovação. Rapidamente o debate polarizou-se em torno do mercado versus a inovação arquitectónica. Esta inovação tende a ser mais ampla do que a inovação habitacional, sendo rara na habitação para o grande número. Além disso, como questiona Monique Eleb, interessa saber se os arquitectos produzem o tipo de inovação que verdadeiramente interessa às pessoas. Neste sentido sublinhou-se a importância dos factores arquitectónicos residenciais para a identidade habitacional das pessoas, ou seja a consideração das culturas e das características específicas dos grupos sociais, devendo ter-se muito cuidado em que estes aspectos não sejam postos em causa, nomeadamente nos aspectos que as pessoas depois não podem transformar ou se apropriar.

Um outro grande vector do debate centrou-se no papel do mercado, nomeadamente questionando se este podia resolver todas as necessidades de inovação por estar interessado em satisfazer essas necessidades mas apenas para vender mais. Foi referido que esta seria uma via um tanto ingénua na medida em que o mercado, neste caso, tem um papel dúplice porque, por um lado, cria imagens de referência nos media e no “marketing” às quais vem depois dar resposta com aproximações geralmente de qualidade muito inferior comparativamente com o que aquelas imagens idílicas que promoveu sugeriam. Contudo o mercado através das disponibilidades de consumo (tipos de casa, tipos de equipamentos e serviços) satisfaz muitas das necessidades mais ou menos genuínas mais ou menos positivas. Então qual o papel dos arquitectos:

(i) será apenas fazer uma arquitectura imposta por fora?

(ii) será fazer uma macro arquitectura ou arquitectura da envolvente para que depois os bens de consumo, a autoconstrução e os tempos livres resolvam o recheio em sentido amplo ?

Participei neste debate pouco acrescentando e pouco resolvendo, contudo pus também “em cima da mesa” a necessidade de pensar “a casa do futuro” e a inovação também em função de objectivos novos sobre a cidade como a ecologia, a escassez de recursos, as obrigações sociais e de sustentabilidade por parte da economia privada, a necessidade de contemplar a diversidade social e de entender a complexidade urbana reforçando os instrumentos de participação, de controlo democrático e a responsabilidade de técnicos e políticos. Perante estas questões houve imediatamente a reacção de questionar se a Universidade deveria participar em reflexões e estratégias reformistas, mesmo que de um reformismo radical, ou se deveria antes trabalhar e propor modelos ideais que sirvam como objectivos de referência para a sociedade e o sector produtivo lato senso.

(para ilustrar um pouco a temática abordada e o ambiente geral em que decorreu o curso juntam-se duas imagens expressivas da tradicional arquitectura residencial sevilhana, relativas à chamada Casa de Pilatos, em Sevilha)





A 2ª Mesa Redonda tinha como tema a envolvente à habitação e os edifícios. Contudo o tempo, mais que o debate foi monopolizado por uma longa intervenção de Monique Eleb sobre a importância do 2º Movimento Moderno, dos anos 50 e 60, período em que se valorizou os conceitos de “habitat residencial humanizado” e de “unidade de vizinhança”, com os seus standards, de origem britânica, teoria que hoje importa recuperar para a reabilitação urbana.

Contudo o Prof. José Ramon Serrano ainda apelou para que a actividade disciplinar de arquitectura residencial promovesse, tanto por uma via científica de tratamento sistemático da informação técnica e dos modelos tipológicos ( à semelhança do trabalho do LNEC apresentado), como pela via da concepção radical de ideias espaciais e formais dos arquitectos em resposta a solicitações estéticas de uma nova arquitectura residencial, explorada pelos arquitectos de vanguarda e que ele apresentou na sua palestra, concluindo que cabe às escolas e aos profissionais, e provavelmente ao mercado, combinar as duas linhas.



Comunicações de apresentação de trabalhos


Como referi antes, só pude assistir a três comunicações deste tipo, todas elas muito interessantes, mas tratando-se da apresentação de projectos residenciais pelos seus autores é quase impossível reproduzi-las aqui com eficácia e economia.

Arq.º Rafael de la Hoz

Trata-se do filho de um muito conhecido Presidente da União Internacional de Arquitectos. Apresentou projectos de habitação multifamiliar para a classe média com uma arquitectura de qualidade e profissionalismo. Referem-se aqui apenas algumas questões laterais aos seus projectos mas com interesse para a arquitectura portuguesa.

A primeira é sobre a importância da colaboração continuada entre uma empresa de construção/promoção (sempre a mesma) empenhada na qualidade da arquitectura e da obra e um mesmo arquitecto, também de qualidade, empenhado no diálogo e na concertação positiva em torno de boas e eficazes soluções, este é o caso que se passa com ele.

A segunda refere-se ao facto de a Fundação Tusquets ter um prémio de arquitectura ao qual só se podem candidatar edifícios com pelo menos 25 anos de construídos para que se avalie se resistiram funcional e fisicamente ao tempo.

A terceira refere-se a aspectos interessantes da legislação espanhola relacionada com o projecto e a construção e que recomendam que só ganharíamos em conhecê-la melhor: (i) a importância dada à intervenção do arquitecto durante a obra até ao fim desta, auferindo por isso nesta fase 30% do total dos honorários; (ii) a exigência de que os espaços comuns dos edifícios multifamiliares sejam bem iluminados e bem ventilados por via natural.

Arq.ª Izaskun Moreno

Esta é uma arquitecta membro de uma equipa jovem que se tem apresentado a concursos com projectos de elevada inovação de elevada inovação formal e funcional e com preocupação de sustentabilidade, além disso estes arquitectos fazem a apresentação dos seus trabalhos de forma aliciante e inovadora usando as novas tecnologias. São soluções com algum radicalismo e não concretizáveis com simplicidade, por isso estes arquitectos têm tido prémios e menções honrosas mas não para construir. Seria interessante que os estudantes finalistas das nossas escolas conhecessem estes trabalhos.

Arq.º Vicent Guallart

É o arq.º já referido a propósito da proposta de expansão urbana em Valência denominada “Sociopolis”. Apresentou uma interessante obra concluída como segunda residência multifamiliar à borda do Mediterrâneo, um projecto urbano de um outro bairro de expansão urbana para Valência em que utilizou maquetas virtuais, simplificadas mas dinâmicas, para dar imagens de soluções volumétricas alternativas que se transformavam umas nas outras embora com a mesma densidade. Este procedimento permitia verificar ao mesmo tempo a evolução de várias características como a escala, a iluminação natural do espaço urbano, etc..

Fez também a apresentação do projecto de uma torre que foi a sua contribuição arquitectónica no conjunto urbano da referida “Sociopolis”. Nesta torre explora o conceito de espaço comum partilhado por 2 ou 3 fogos pequenos do mesmo piso, tendo cada fogo um espaço reduzido (o mínimo exigido pela lei espanhola de 25m2/pessoa) ficando no espaço partilhado as actividades de estar, convívio e lazer e uma cozinha grande, arrumos, etc., ambos muito equipados, ficando atribuída em média a cada agregado de co-habitação cerca de 115m2 de área útil dos quais 90m2 são partilhados. Na torre, de cerca de 30 pisos, há diversas soluções quer de tipos de fogos, quer de tipos de espaços partilhados. Os fogos correspondem ao que no estudo do LNEC se denomina de habitação para pequenos grupos de co-habitação com modo de vida urbano e dinâmico, mas aqui assumidos de uma forma mais radical.

Conclusão

Estreio-me nesta nova forma “bloguiana” de comunicar experiências. É aparentemente uma forma um pouco seca e fria mas, muitas vezes é a que é possível hoje, outras formas por ventura mais ricas e sofisticadas provavelmente acabariam por não se concretizar. Peço desculpa a todos e especialmente aos arquitectos a quase falta de imagens. Os organizadores do Curso pensam vir a publicar os trabalhos apresentados tal como o fizeram nas anteriores edições de “Acerca de la Casa”.

Aguardo comentários “bloguianos” esperando que eles me estimulem a reagir para cumprir o novo procedimento comunicacional até ao fim.

Até breve.

António Reis Cabrita



Foi com grande prazer e sem recurso a pormenores de apresentação, tornados desnecessários, porque o bom e velho amigo, arquitecto, professor, investigador coordenador do LNEC e membro da Direcção do Grupo Habitar, António Reis Cabrita é bem conhecido de todos, que se apresentou a primeira, das sua colaborações no Infohabitar.

Este é um texto cheio de conteúdos variados, todos com grande interesse, motivadores de reflexão e aprofundamento, e todos ligados às nossas matérias do habitar. Fica “não no ar” a ideia de, entre nós, e com um perfil semelhante podermos realizar uma acção deste tipo, naturalmente da iniciativa do Grupo Habitar.

Sendo embora um texto com alguma dimensão optou-se pela sua edição integral de forma a permitir-se a sua leitura mais adequada.

ABC