segunda-feira, agosto 24, 2020

Apropriação e caracterização dos exteriores privados – Infohabitar – Infohabitar # 744

 Ligação direta (clicar) para:  725 Artigos Interactivos, edição revista, ilustrada e comentada - 38 temas e mais de 100 autores.

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 744

 

Apropriação e caracterização dos exteriores privados – Infohabitar Infohabitar # 744

Por António Baptista Coelho (texto e imagens)

 

Edição: terça-feira, 25 de agosto de 2020

 

Editorial:

Caros leitores da Infohabitar,

Continuando em um dos temas “centrais” da nossa revista: os espaços do habitar, vamos aprofundando, semana a semana, esta matéria, neste caso no âmbito dos espaços exteriores privados, matéria esta cuja importância esteve e está tão evidenciada em virtude do confinamento doméstico a que estivemos e ainda, em parte, estamos “obrigados”, no sentido de se procurar reduzir e, se possível, ajudar a estancar, a pandemia que sofremos.

E aproveita-se a oportunidade para voltar a sublinhar a importância que continua a ter o distanciamento social, conseguido sempre que possível através do teletrabalho e todas as medidas de proteção própria e dos outros, que são muito favorecidas com o uso sistemático, maximizado e cuidadoso de máscara e a continuidade dos cuidados de higiene.

Esta renovada viagem pelos espaços do habitar está a ser e continuará a ser feita, nas próximas semanas.

Lembra-se, finalmente, que serão sempre muito bem-vindas eventuais ideias comentadas a propósito dos artigos aqui editados e propostas de novos artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com ao meu cuidado),

despeço-me, até à próxima semana, com saudações calorosas e desejos de muita força e de boa saúde,

Lisboa, Encarnação, em 24 de agosto de 2020

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar



Apropriação e caracterização dos exteriores privados Infohabitar # 744

António Baptista Coelho



Notas de enquadramento

Relativamente às matérias associadas ao desejável equilíbrio entre apropriação e positiva caraterização dos espaços exteriores privados – portanto, fazermos dos nossos quintais e varandas espaços marcados pelas nossas ideias de uso e de ocupação e mesmo, um pouco, “espelhos” dos nossos gostos em termos de uso do exterior e, simultaneamente, elementos positivos em termos de visibilidade pública ou comum – serão, em seguida, abordados os seguintes subtemas:

·      Problemas correntes no exterior privado

·      Questões de apropriação e de uso do exterior privado

·      Opções essenciais no exterior urbano privado

·      Caraterização do exterior urbano privado

 

 

 

Problemas correntes no exterior privado

Os problemas mais correntes em espaços exteriores privados ligam-se a aspectos de desconforto ambiental, insegurança no uso por crianças, apropriação indevida desses espaços com marquises envidraçadas e criação de problemas de falta de privacidade relativamente a vizinhos.

Sobre os aspectos de desconforto por negativa exposição solar e reduzida protecção relativamente aos ventos dominantes, trta-se de matérias muito ligadas quer à orientação, quer à pormenorização da proteção desses espaços; podendo resumir-se que no que toca à insolção e no hemisfério Norte a referida orientação preferencial deverá ser entre E e SSW, no sentido de se poder ter insolação abundante, mas não excessiva, designadamente, quando a exposição é muito direcionada a poente – tendo-se em conta que é muito difícil reduzir a exposição solar a poente já se falou acima; no que toca aos ventos dominantes é matéria que tem de ser considerada caso a caso, mas aqui a pormenorizaçãoo da proteção pode ter efeito razoavelmente eficaz.

Ainda em termos de conforto ambiental importa salientar a questão do ruído, uma condição que pode reduzir muito oy mesmo inviabilizar o uso do exterior privado, sendo matéria que terá de ser considerada também logo no início da conceção pois torna-se muito difícil melhorar o conforto sonoro de zonas exteriores ruidosas – muito expostas a fontes de ruído.

Relativamente à insegurança no uso por crianças e tal como se apontou no estudo do LNEC que tem sido citado, frequentemente (ITA 2), nunca é demais chamar a atenção para o espaço livre mínimo que deve ser previsto nos orifícios ou faixas livres nas guardas dos espaços exteriores privados e elevados (varandas, "loggias" e terraços), para a altura do seus parapeitos, para a inexistência de elementos horizontais nas guardas (facilitando a subida) e para o perigo que representam as guardas opacas, excitando a natural curiosidade das crianças; e nunca é demais salientar que tais condições devem ser igualmente cumpridas em todos os vãos exteriores e elevados das habitações.

Nestes aspectos associados ao conforto ambiental e à segurança no uso Dreyfuss e Tribel referem que há que ter em conta que as varandas/balcões (1): diminuem a iluminação natural dos compartimentos contíguos, o que implica a previsão de amplos vãos envidraçados; e podem provocar sensações de vertigem muito negativas, a compensar não só pela altura dos parapeitos e pelo desenho das guardas, mas também por espessuras, recuos e elementos intermédios (ex., floreiras largas). Portanto prever baterias verticais de varandas/balcões implica um cuidado acrescido no desenho dos compartimentos que lhes são contíguos.

É, portanto, extremamente importante a questão das quedas de altura (ex., de crianças, idosos) devido ao deficiente desenho de guardas de varandas e outros espaços exteriores privados elevados, deve ser devidamente considerado, evitando-se, designadamente, guardas baixas e que as crianças possam usar estas guardas e outros elementos construídos (ex., foreiras) para subir (escalar), ou possam passar entre elementos das mesmas guardas; não faz qualquer sentido que o desenho destes elementos não seja devidamente considerado tendo em conta estes aspetos.

Importa ainda sublinhar que todos este tipo de cuidados em termos de pormenorização de espaços exteriores privados deve ser harmonizado, por um lado, com a boa visibilidade paisagística (ampla ou de “grande plano”) que deve ser possível a partir de espaços exteriores privados elevados e tendo-se em conta a visibilidade a partir de posições sentadas nos próprios espaços e nos espaços interiores contíguos, por outro lado e naturalmente com a proteção da privacidade que deve ser sempre cuidadsamente considerada e ainda, por outro lado, com o respeito do conforto ambiental em habitações e espaços comuns ou de uso público contíguos e próximos.

 


Fig. 01:  é essencial que o exterior privado seja tão agradável como seguro, estimulando-se, assim um seu uso intenso e prolongado como verdadeira extensão do interior doméstico  e/ou mesmo como espaço onde são possíveis usos domésticos exteriores muito específicos - exteriores privados muito bem protegidos de vistas comuns ou públicas, de habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Kim Dalgaard, Tue Traerup Madsen.

 

Questões de apropriação e de uso do exterior privado

No que se refere à apropriação indevida dos espaços exteriores privados com marquises envidraçadas, considera-se que ou esta ocupação está devidamente programada e prevista em projecto, ou deve ter “tolerância zero”, e há aliás regulamentação específica, pois não faz qualquer sentido o verdadeiro “assassínio” que se faz de excelentes fachadas com o caos inestético da intervenção livre de cada um nas suas varandas e outros espaços exteriores privativos.

No que toca aos potenciais problemas de privacidade estes são, naturalmente, essenciais para o uso intenso do exterior privado, assim como a matéria associada à regulação e clarificação do seu uso, por exemplo para diversas atividades, como criação de animais e outras atividades com caráter mais rural.

Considera-se que há pormenorizações que tornam mais difíceis tais encerramentos caóticos de varandas e balcões com marquises envidraçadas, assim como há soluções que os facilitam.

Sublinha-se que com esta tomada de posição não se está a negar o interesse, mesmo arquitectónico, das marquises envidraçadas – aliás bem provado em múltiplos exemplos da história da Arquitetura –, mas apenas a sublinhar-se que elas devem ter uma previsão específica, seja através de uma conceção prévia, como elementos activos e positivos nos respetivos alçados e nos diversos espaços da habitação e, por exemplo, com papel positivo no aproveitamento passivo da energia solar, seja através de um projecto-tipo, obrigatoriamente respeitado por todos aqueles que pretendam encerrar um dos balcões ou varandas do edifício, e sempre que o efeito final de uma tal acção esteja devidamente acautelado.

Naturalmente que esta forma de actuar tem de ter aplicação em todos os tipos de espaços exteriores privativos, não se limitando aqueles mais evidentes a partir dos espaços públicos; tem de haver sempre projectos-tipo que harmonizem as intervenções de ocupação parcial e de apropriação desses espaços exteriores e tem de haver uma estratégia de contínua visibilidade mútua e de vigilância “oficial” periódica mas activa capaz de garantir ordem e civismo na ocupação destes espaços.

Frequentemente a razão para não se desenvolverem espaços destes tipos é que eles depois serão anarquicamente ocupados, mas, também frequentemente, pouco se faz para garantir o ordenamento nessa ocupação.



Fig. 02: a "velha" e extremamente crítica questão da "marquisação" deveria ter respostas perfeitamente claras e "obrigatórias" de modo a salvaguardar-se a dignidade e a qualidade da imagem urbana dos edifícios, por exemplo, através de soluções perfeitamente definidas (pré-definidas)  e bem harmonizadas com os respetivos projetos (realizadas pelos projetistas dos edifícios) - exterior de habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Johan Nyrén.



Opções essenciais no exterior urbano privado

O que podemos considerar como opções essenciais em termos de previsão de espaços exteriores privados corresponde:

·      ao nível dos edifícios, ao desenvolvimento de adequadas tipologias edificadas e domésticas que integrem bem esses espaços, em termos de imagem pública e em termos de adequada complementaridade com os respetivos espaços interiores domésticos;

·      e ao nível do espaço público, ou talvez melhor dito, ao nível da própria arquitetura urbana, ao desenvolvimento de tipologias urbanas pormenorizadas, quase sempre em termos de quarteirões fechados ou semi-abertos, em que parte significativa do exterior está ocupado por prquenos quintais ou pátios privativos, ligados aos pisos térreos e mesmo a outros pisos mais elevados – tendo que existir, naturalmente, regras bem definidas em termos da ocupação e das imagens públicas aqui produzidas.

Sobre esta última matéria há, ainda, que sublinhar o interesse que tem a escolha entre rodear edifícios de verdadeiras “manchas de óleo” de espaços públicos “áridos”, desvitalizados e quase abandonados – pois é impossível trabalhar para uma vitalização global de uma tal quantidade de espaços públicos – e optar-se por uma ocupação térrea significativamente marcada por quintais e pátios privativos, que concentra o espaço público em continuidades muito mais reduzidas, controláveis, equipáveis e vitalizáveis ( e portanto com um arranjo e uma manutenção mais económicos) e que atribui às habitações do rés-do-chão uma outra dimensão vivencial e de leque de actividades possíveis – desde a horticultura e floricultura ao convívio com animais domésticos.

Esta escolha parece lógica e há formas de controlar e harmonizar a intervenção apropriadora dos habitantes, seja tapando parte da vista pública e privatizando, agradavelmente, tais espaços de pátio ou quintal, seja obrigando à referida disciplina dos projectos-tipo de quaisquer equipamentos e anexos a introduzir, seja dinamizando o arranjo de tais espaços que tenham vista pública, por exemplo, através da participação pública nesse arranjo, e, até, por exemplo, mediante concursos que dinamizem a estima privada e pública de cada rua, de cada praceta e de cada quintal.

E sublinha-se o interesse que todas estas medidas acrescentam ao objetivo principal destas reflexões que é fazer uma habitação mais apropriável, mais satisfatória e mais estimulante.





Fig. 03: os espaços exteriores privados não podem caracterizar-se por quaisquer características de “residualidade”, têm de ser verdadeiros e muito positivos elementos protagonistas do conjunto integrado dos respectivos espaços domésticos e das suas influências públicas, em termos de uma adequada e rica caraterização da imagem urbana local, tal como aqui acontece nesta verdadeira zona de estar doméstica ao ar livre  - exterior de habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Henrik Haremst.



Caraterização do exterior urbano privado

Segundo Alexander, os terraços, pátios e jardins contíguos e privativos dos pisos térreos habitacionais devem caracterizar-se sem ambiguidades, por uma clara abertura ao exterior público ou por um forte bloqueio da comunicação visual com esse exterior (2) (mas respeitando a comunicabilidade do interior privado sobre o exterior).

Mas é perfeitamente possível associar uma tal abertura, em zonas frontais, a um recato mais marcado em zonas de traseiras, uma variação que só enriquecerá as respectivas imagens urbanas.

A permanência no exterior privativo pode ser motivada ou pode ser desmotivada e tudo tem a ver com a localização, o dimensionamento e a pormenorização de cada espaço exterior privativo.

Preverem-se espaços exteriores privativos apenas porque “ficam bem” numa determinada fachada de um dado edifício, não faz qualquer sentido, sendo, provavelmente, muito preferível a opção por janelas de sacada ou mesmo por mínimas varandas de assomar, soluções estas que irão permitir aquela liberdade “mínima” de se poder “sair”, facilmente, do espaço privado doméstico, por exemplo, para fumar um cigarro ou simplesmente para se apreciar o ar exterior, o que é sem dúvida importante como liberdade fundamental no uso de um espaço doméstico.

Mas ao optar-se por se fazer um espaço exterior privativo elevado ou térreo, então há que o projectar com um máximo de atenção e de cuidado, considerando, designadamente, os aspectos que foram aqui apontados e tendo presente que estes espaços não podem caracterizar-se por quaisquer características de “residualidade”, têm de ser verdadeiros elementos protagonistas do conjunto integrado dos respectivos espaços domésticos e das eventuais influências públicas que estes espaços tenham; e acredite-se que havendo aspectos de residualidade e de menor atenção a estes espaços o resultado será a sua transformação em verdadeiros espaços residuais, mal usados e abandonados.

 

Notas

(1) D. Dreyfuss; J. Tribel, "La Cellule-Logement", p. 29.

(2) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 590 e 591.

 

Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.

 

O presente artigo corresponde a uma nova versão, revista e desenvolvida, do artigo publicado no número 573 da Infohabitar em 13 de março de 2016.

 

Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 744

 

Apropriação e caraterização dos exteriores privados Infohabitar # 744

 

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

 

abc.infohabitar@gmail.com

abc@lnec.pt

 

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).

terça-feira, agosto 18, 2020

Motivar o uso dos espaços exteriores privados – Infohabitar # 743

Ligação direta (clicar) para:  725 Artigos Interactivos, edição revista, ilustrada e comentada - 38 temas e mais de 100 autores.

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 743


Motivar o uso dos espaços exteriores privados – Infohabitar # 743

Por António Baptista Coelho (texto e imagens)

 

Edição: terça-feira, 18 de agosto de 2020

 

Editorial:

Estimados leitores da nossa Infohabitar,

Continuando em um dos temas “centrais” da nossa revista: os espaços do habitar, vamos aprofundando, semana a semana, esta matéria, praticamente, visando-se, esta semana, a temática da melhor motivação de um uso intenso e prolongado dos espaços exteriores privados, matéria esta cuja importância esteve e está tão evidenciada em virtude do confinamento doméstico a que estivemos e ainda, em parte, estamos “obrigados”, no sentido de se procurar reduzir e, se possível, ajudar a estancar, a pandemia que sofremos.

E aproveita-se a oportunidade para voltar a sublinhar a importância que continua a ter o distanciamento social, conseguido sempre que possível através do teletrabalho e todas as medidas de proteção própria e dos outros, que são muito favorecidas com o uso sistemático, maximizado e cuidadoso de máscara e a continuidade dos cuidados de higiene.

Esta renovada viagem pelos espaços do habitar está a ser e continuará a ser feita, nas próximas semanas.

Lembra-se, finalmente, que serão sempre muito bem-vindas eventuais ideias comentadas a propósito dos artigos aqui editados e propostas de novos artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com ao meu cuidado),

despeço-me, até à próxima semana, com saudações calorosas e desejos de muita força e de boa saúde,

Lisboa, Encarnação, em 17 de agosto de 2020

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar


 

Motivar o uso dos espaços exteriores privados – Infohabitar # 743

António Baptista Coelho

 

Notas de enquadramento sobre um uso mais intenso e prolongado dos espaços exteriores privados

Aproveita-se, aqui, numa aplicação aos espaços exteriores privados, um dos objetivos definidos pelo Arquitecto Jan Gehl para uma adequada vivência do exterior de uso público: proporcionar e apoiar, por todas as formas possíveis, quer um uso mais intenso, diversificado e potencialmente convivial, quer um uso o mais prolongado possível e, portanto, mais adequado, confortável e bem avizinhado (este último termo é meu), por adequadas proximidades e contiguidades, desse mesmo exterior.

Num sentido mais amplo e integrador, que é sempre essencial, poderemos mesmo referir que será de uma maximizada e adequada relação entre usos intensos e prolongados de espaços exteriores de uso público e de espaços e “locais” exteriores privados – considerando nestes até os simples vãos domésticos privados e comuns (janelas e portas) –, que resultará boa parte do sucesso de uns e de outros espaços e locais exteriores; considerando-se, naturalmente, neste relacionamento desde os aspetos de incentivo à relação mútua entre tais espaços, aos aspetos de separação física e/ou de vistas, enquadramento físico e/ou de vistas e transição/passagem caraterizadas entre uns e outros.

Nunca será excessivo registar que tal relacionamento é uma das caraterísticas mais marcantes dos tecidos de arquitetura urbana tradicional com maior longevidade em termos de múltiplas e integradas vivências habitacionais, comerciais, oficinais e culturais. Tecidos estes bem marcados por relações muito diretas entre os múltiplos conteúdos funcionais e formais/visuais que recheiam o interior dos seus edifícios e toda a complexidade da vida que marca os seus espaços com uso público; relações essas que, frequentemente, se “esquivam” ao nível físico do edifício para conjugar espaços interiorizados e tendencialmente privados com espaços exteriopres de uso público, frequentemente, também marcados por uma expressiva escala humana.

Em seguida serão abordados alguns dos subtemas que também se consideram como marcantes na referida e desejada perspetiva de um adequado incentivo do uso dos espaços exteriores privados, tendo-se em conta, designadamente, as seguintes matérias específicas:

Os hábitos e os usos mais ligados e historicamente consistentes com diversas tipologias de exteriores privados.

As condições de conforto e de funcionalidade que se consideram como expressivamente motivadoras do uso do exterior privado.

As opções de encerramento e proteção no exterior privado; matéria esta que, de certa forma, corresponde a uma caraterização mais aberta ou mais protegida desse exterior.

A estratégia de estruturação e enquadramento de vistas nos exteriores privados; matéria esta que, afinal, foi já claramente apontada neste ítem de enquadramento.

E algumas questões exploratórias referidas aos aspetos de apropriação mais e menos desejáveis nos espaços exteriores privados, mas com visibilidade pública ou comum.


Hábitos interessantes no exterior privado

Alexander refere (1) que o jardim, o terraço e o pátio domésticos foram, ao longo da história, espaços realmente habitados, privados e aprazíveis, ainda que pequenos eram verdadeiros “compartimentos” da casa, embora sem tecto construído, constituindo verdadeiras salas de estar e saletas ao ar livre.

Naturalmente que uma tal virtualidade doméstica estava, naturalmente, mais associada aos grupos sociais mais favorecidos – lembremos Roma e a disparidade das condições domésticas entre quem vivia em Villas ou em Insula –, mas que hoje em dia poderá ser “reciclada” para um uso muito mais universal e vulgarizado, até porque espaços sem janelas e quase sem instalações são espaços, em princípio, mais baratos de construir do que os espaços domésticos interiores.

Naturalmente que para se conseguirem bons resultados na criação de verdadeiro espaços domésticos de estar, de convívio e de refeições no exterior privativo há que os orientar e proteger, muito bem, relativamente às condições de insolação e de ventos dominantes, tendo-se em conta as condições de conforto de Inverno, mas também as de conforto de Verão – pois, por exemplo, uma varanda desprotegida e mal ventilada, orientada a poente não será um espaço adequado nos meses mais quentes e influenciará muito negativamente os compartimentos contíguos.

Para além de tais exigências “estruturantes” em termos de conforto ambiental há que pormenorizar muito bem os referidos espaços domésticos de estar, de convívio e de refeições no exterior privativo, caraterizando-os, ainda, adequadamente,  como suficientemente encerrados ou “entreabertos”, marcando-os com configurações bem afirmadas, nomeadamente, nos cantos, e com zonas, dimensionalmente úteis, cobertas ou bem protegidas por toldos e pérgulas.

E complementar mas vitalmente estes ambientes deverão ser expressivamente recatados em relação ao exterior público e claramente revelados e exibidos no interior doméstico, nomeadamente, através de janelas panorâmicas, que propiciem uma estratégica e sempre estimulante fusão e/ou graduação de espaços interiores e exteriores com significativa espaciosidade e impressiva qualidade ambiental.

 





Fig. 01:  pequenos pátios privados no terraço de multifamiliares, mas com todo o caráter de exteriores "térreos" – vita geral do edifício e vista do espaço exterior privado de uma habitação (no último piso do edifício) do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Ralph Erskine.

Entre outros aspetos é muito interessante esta profunda e afirmada integração tipológica de caraterísticas multi e unifamiliares, sempre ao serviço, quer da boa cidade do pormenor, quer da oferta de habitações diversificadas e adequadas a variados modos e desejos de habitar; matéria esta que ultrapassa, claramente, este nível de abordagem, correspondendo sim a um aspeto determinante na própria tipificação do edifício e da respetiva arquitetura urbana.


Condições de conforto e funcionalidade no uso do exterior privado

Como características desejáveis nos espaços para permanência no exterior privado, além de terem uma adequada insolação e estarem protegidos do vento e proporcionarem vistas exteriores agradáveis e úteis, salienta-se a respectiva capacidade para aceitarem conjuntos de mobiliário de exterior e equipamentos para lazer e tempos livres, capazes de motivarem o estar no exterior de pessoas, isoladamente ou em grupo.

Como condições mínimas, por exemplo, uma varanda deve disponibilizar espaço para um pequeno grupo de pessoas sentadas em torno de uma mesa ou para duas cadeiras de repouso lado a lado, enquanto um quintal privado deve proporcionar uma zona pavimentada para se realizarem pequenas festas e convívios domésticos.

Segundo Alexander, os espaços exteriores elevados mais usados são aqueles com dimensões mínimas de cerca de 1.80m (outro patamar ainda mais reduzido é definido pela dimensão mínima de 1.20m), total ou parcialmente reentrantes nos volumes edificados, ou "amparados" em saliências desses mesmos volumes, porque são sentidos como mais privados (relativamente a vizinhos), abrigados e seguros. (2)

Utilizando elementos de um estudo que realizei para o LNEC em 2000 (ITA 2, “Do bairro e da vizinhança à habitação”), e em termos de conforto ambiental no exterior é essencial que os espaços exteriores privativos estejam resguardados dos ventos e tenham agradável exposição ao Sol, essencialmente, de manhã e ao fim da tarde.

Por exemplo, o uso das "loggias", sendo mais satisfatório do que o uso de varandas com idênticas configurações (porque expressivamente mais protegidas e mesmo mais caraterizadas como espaços verdadeiramente domésticos), é também mais sensível à escolha das melhores orientações, relativamente ao Sol, aos ventos dominantes, à proximidade dos ângulos dos edifícios e à altura ao solo (o vento aumenta próximo desses ângulos e com a referida altura) e aos ruídos exteriores.

E sobre esta última temática Lamure é, mesmo, da opinião que não se podendo desenvolver "loggias" com excelentes condições de conforto ambiental mais vale atribuir esses espaços ao interior dos respectivos fogos (3), o que parece ser uma opção a considerar e a discutir.

Naturalmente que a existência de apetecíveis espaços exteriores privados, ambiental e fisicamente “quase interiores” suscita a bem conhecida problemática da “marquisação” anárquica, assunto que merece abordagem específica, mas sobre o qual, desde já, se sublinha que não só não proporciona, quase sempre, espaços domésticos adequados, como prejudica e muito, quase sempre, em termos de conforto ambiental, os respetivos compartimentos contíguos; e para além de tudo isto acaba com a possibilidade da vivência de um adequado espaço exterior privado, anulando, assim, criticamente uma das dimensões de vivência da respetiva habitação, o que é, no mínimo, uma opção expressivamente desvalorizadora desse espaço doméstico.

 


Fig. 02: um exemplo do que pode ser a grande diversidade de espaços exteriores privados, aqui exemplificado através de uma solução muito “ligeira”, quase informal e muito naturalizada em termos de separação entre espaços privado e comum ou de uso público; no extremo oposto poderemos ter pequenos pátios e/ou jardins privados e murados acima da altura do olhar de quem passa – exterior de habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Greger Dahlström.


Opções de encerramento e proteção no exterior privado

As opções de encerramento e proteção no exterior privado correspondem a uma matéria, por um lado, associada diretamente, a uma caraterização mais aberta ou mais protegida desse exterior, tal como tem sido abordada e que é realmente essencial; mas, também, ligada à própria caraterização arquitectónica da respetiva habitação e do respetivo edifício, matéria esta última que irá ficar para abordagem específica em outra oportunidade.

No que se refere  um aspecto fundamental em tudo isto e que pode mesmo anular toda a potencialidade de uso do exterior privativo, caso não seja adequadamente considerado, salienta-se a necessidade de serem disponibilizadas perfeitas condições de segurança nesses espaços para o recreio de crianças; condições estas ligadas, essencialmente, à anulação ou muito expressiva redução dos riscos de queda das crianças para o exterior do respectivo espaço e de intrusão facilitada a partir do exterior.

No que se refere a uma caraterização mais aberta ou mais protegida do exterior privado, julga-se importante destacar, desde já, três opções de actuação muito dirigidas para a crítica questão das “varandas envidraçadas”:

·      uma primeira que passa pela previsão inicial e devidamente concebida/projetada de um encerramento de determinados espaços por “varandas envidraçadas” (“marquises”), ou, se preferirmos, pela judiciosa previsão de espaços ou de um espaço do tipo “jardim de inverno”;

·      uma segunda opção que passa pela oferta de espaços abertos mas cujo encerramento seja opcional, embora esteja perfeitamente pré-clarificado e pré-definido em termos das suas soluções e imagens pormenorizadas, de modo a que em todo o conjunto do edifício seja produzida uma imagem global adequada e programada (eventualmente, com algumas varandas fechadas e outras mantidas abertas);

·      e uma terceira opção referida à essencial tolerância zero relativamente a qualquer encerramento por “marquises” que não esteja convenientemente previsto e que, portanto, resultará sempre na grave deterioração da imagem e do próprio valor cultural e mesmo imobiliário do respectivo edifício e suas “frações”.



Fig. 03:  exemplo de uma “varanda envidraçada” que alia uma excelente vista paisagística a uma excelente e muito digna imagem pormenorizada e urbana da sua própria aparência (uma solução de verdadeira transparência no encerramento de uma varanda) - exterior de habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Johan Nyrén.


Vistas nos exteriores privados

Tal como já se apontou, uma outra matéria determinante no uso dos espaços exteriores privativos refere-se às vistas que eles devem propiciar, que devem ser interessantes e mutuamente vitalizadoras e “pacificadoras” sobre a rua e o ambiente envolvente, e à inexistência de quebras de intimidade doméstica, seja do exterior sobre estes espaços, seja a partir destes espaços sobre idênticos espaços privativos contíguos ou da vizinhança em grande proximidade.

Nesta matéria o principal comentário que há que fazer é o da ausência de sentido que tem qualquer varanda, ou outro espaço exterior privativo, cujo uso prejudique a intimidade e o conforto de outros espaços privados contíguos ou próximos; assim como não tem, também, sentido, nem “futuro” qualquer espaço exterior física e legalmente privado, mas visualmente muito devassado, ou por vizinhos ou por utentes de espaços contíguos comuns ou de uso público.

Trata-se, afinal, de uma estratégia de estruturação e enquadramento de vistas a partir dos e sobre os exteriores privados; matéria esta que foi já apontada no ítem de introdução a esta matéria. Visa-se, assim, um sensível e vital equilíbrio entre vistas vitalizadoras e naturalmente “securizadoras” do espaço de uso público, a partir dos espaços privados, vistas agradáveis a partir destes espaços e ausência de vistas intrusivas sobre estes espaços.


Sobre a apropriação dos/nos espaços exteriores privados

Finalmente e de modo bastante resumido apontam-se algumas questões exploratórias referidas aos aspetos de apropriação mais e menos desejáveis nos espaços exteriores privados, mas com visibilidade pública ou comum.

E resumidamente podemos sublinhar que os espaços exteriores privados constituem-se, por um lado, como elementos estratégicos muito importantes como fatores de apropriação das habitações pelos seus moradores, designadamente, no arranjo de floreiras e outros elementos naturais e no mobilar de tais zonas, mas podem fazer arriscar a imagem global e necessariamente digna do respetivo edifício devido a apropriações excessivas e/ou mal previstas e uniformizadas.

Trata-se, assim, aqui de um equilíbrio sensível e difícil, que importa assegurar e para o qual contará muito a comunicação aos habitantes do que pode vir a ser um edifício com uma imagem global estimulante e atraente, que irá ganhando com as marcas do tempo e da respetiva ocupação, ou, pelo contrário, o que poderá vir a ser um edifício anarquicamente apropriado e, portanto, com uma imagem, no mínimo, desinteressante, mas, por vezes, mesmo dissonante e muito negativa.

 

 

Notas

(1)  Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 672 e 673.

(2) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 687 e 688.

(3) Claude Lamure, "Adaptation du Logement à la Vie Familiale", p. 210.



Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.

 

O presente artigo corresponde a uma nova versão, revista e desenvolvida, do artigo publicado no número 572 da Infohabitar em 5 de março de 2016.

 

Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 743

 

Motivar o uso dos espaços exteriores privados – Infohabitar # 743

 

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

 

abc.infohabitar@gmail.com

abc@lnec.pt

 

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).


terça-feira, agosto 11, 2020

Seminário internacional NUTAU 2020 International Seminar – Infohabitar # 742

Ligação direta (clicar) para:  725 Artigos Interactivos, edição revista, ilustrada e comentada - 38 temas e mais de 100 autores.

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 742

Edição: terça-feira, 11 de agosto de 2020

Seminário internacional NUTAU 2020    International Seminar – Infohabitar # 742

13º Seminário Internacional NUTAU 2020 – Valorização de resíduos da arborização urbana – potencial para pesquisas e projetos de urbanismo, arquitetura e design

Editorial:

Muito estimados leitores da nossa Infohabitar,

Este número da nossa revista semanal cumpre uma missão de divulgação que proporciona um agrado muito especial ao autor destas linhas e, posso dizê-lo, a muitos dos amigos e colegas que têm participado com a Infohabitar desde o seu início, pois estamos a cooperar na divulgação de mais uma edição do seminário internacional do NUTAU – Núcleo de Pesquisa em Tecnologia da Arquitetura, do Urbanismo e do Design da Universidade de São Paulo.

O NUTAU e o seu seminário internacional, ligados à bem conhecida Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAUUSP, acrescentam à grande importância que a FAUUSP tem, desde sempre, nos domínios da pequisa em Arquitetura e Urbanismo, uma já longa, afirmada e sempre consolidada tradição de inovação e grande qualidade de uma investigação multidisciplinar, teoricamente bem baseada e bem aplicada e uma abordagem multifacetada, tão dirigida para a atualidade do grande Brasil, como para as temáticas, as experiências e os debates internacionais mais necessários, estimulantes e atuais ; e nunca será excessivo salientar a falta que fazem mais iniciativas deste tipo e com este elevado nível de qualidade no âmbito da investigação em Arquitetura, Urbanismo e Habitat Humano.

Fiquem, então, caros leitores, com a divulgação pormenorizada do 13º Seminário Internacional NUTAU 2020 – Valorização de resíduos da arborização urbana – potencial para pesquisas e projetos de urbanismo, arquitetura e designa realizar online em 17 e 18 de novembro de 2020, salientando-se que a chamada para artigos decorrerá até 14 de setembro próximo.

A Infohabitar e o seu editor  registam aqui saudações calorosas e desejos de pleno êxito a todos os organizadores desta 13.ª edição do NUTAU e à Professora Cyntia Santos Malaguti de Sousa, coordenadora da Comissão Organizadora do evento, acrescentando um abraço saudoso à grande amiga Professora Sheila Walbe Ornstein, que também coopera nesta iniciativa.

 

Lisboa, Encarnação, em 10 de agosto de 2020

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar

 

 

 

13 Seminário internacional International Seminar

NUTAU 2020

Apresentação

O Núcleo de Pesquisa em Tecnologia da Arquitetura, do Urbanismo e do Design da Universidade de São Paulo - NUTAUUSP, vinculado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - FAUUSP, dedica-se ao desenvolvimento, coordenação e difusão de investigação científica e multidisciplinar nas diversas áreas abrangidas pela tecnologia da arquitetura, do urbanismo e do design, focadas no contexto e em demandas do país, buscando também constante diálogo com a experiência internacional. Como parte de suas atividades regulares, desde 1996 o NUTAU vem organizando seminários internacionais bienais,abordandotemas emergentes e significativos para o avanço do conhecimento em suas áreas de atuação.


Neste ano, o 13º Seminário Internacional NUTAU 2020, programado para o mês de novembro, será realizado inteiramente on-line, tendo como tema central a “Valorização de resíduos da arborização urbana”, procurando discutir seu potencial para pesquisas e projetos em suas áreas de atuação. Fundamenta esta escolha o reconhecimento da importância da arborização urbana para as cidades, tanto por razões ambientais quanto estéticas. Ela propicia inúmeros benefícios às condições locais, purificando o ar, reduzindo o ruído, tornando o solo urbano mais permeável, mitigando a formação de “ilhas de calor” e protegendo a fauna; além disso promove efeitos significativos no paisagismo, criando maior beleza cênica, zonas de sombra, ambientes para descanso e contemplação. Por outro lado, seu planejamento e sua gestão envolvem um conjunto de atividades complexas, onerosas e diversas interações, muitas vezes conflituosas, com a infraestrutura urbana, com agentes públicos e privados. 


Entre estas atividades, será dado destaque àquelas relacionadas ao manejo arbóreo, poda, remoção de árvores e destinação desses resíduos, com o objetivo de explorar e divulgar iniciativas e estudos promissores, da perspectiva da sustentabilidade, da economia circular e da abordagem sistêmica. O manejo de tais resíduos, que abrangem não apenas folhas, sementes e pequenos galhos secos, mas também seções maiores e troncos inteiros, representam, para diversas cidades brasileiras, volumes e custos consideráveis. Grande parte deles ainda é descartada em lixões e aterros; em poucos locais seu destino é a compostagem ou a geração de energia pela queima. Ainda que as duas últimas alternativas propiciem uma destinação ambientalmente adequada destes resíduos e formas de aproveitamento, não exploram o melhor potencial de boa parte deles como matéria-prima, na perspectiva do uso em cascata, preconizado pela economia circular. Existem experiências internacionais muito relevantes nesta direção, inclusive com geração de renda, integração de diferentes elos da cadeia produtiva, agentes públicos, privados e comunidade científica; entretanto o Brasil ainda está muito distante de uma abordagem mais sistêmica do problema. 


Mais recentemente o assunto tem despertado o interesse de pesquisadores de diferentes universidades brasileiras, evidenciando o potencial do emprego destes materiais em diferentes configurações e combinações, seja no espaço urbano, na arquitetura ou no design, como elemento construtivo, mobiliário urbano, móveis, pequenos objetos de madeira, auxílio a barreiras acústicas, entre outras aplicações. Da mesma forma, designers e arquitetos empreendedores têm desenvolvido projetos empregando estes materiais de forma inovadora, abrindo nichos de mercado promissores, embora de forma ainda tímida e empírica, manifestando dificuldade de acesso à informação científica sistematizada sobre o tema. 


Assim, considerando a lacuna identificada, a importância do assunto no contexto urbano, o crescente interesse pelo tema no país, e acreditando no potencial da USP na articulação dos diferentes atores envolvidos, em prol do avanço, da articulação e da disseminação da pesquisa científica aplicada ao urbanismo, à arquitetura e ao design, é que surgiu a proposta deste evento.

 

Eixos de abordagem


1.      Planejamento e manejo da arborização urbana; reflexos na geração de resíduos

Reflexões e análises voltadas ao planejamento, implantação, monitoramento e avaliação dos efeitos urbanísticos, sociais e ambientais da arborização urbana; espécies utilizadas, inventário arbóreo, condições de vida da vegetação, interações com a infraestrutura urbana, atores intervenientes e conflitos; sistema de manejo incluindo poda, remoção e destinação dos resíduos arbóreos. 


2.      Projetos e experiências de valorização dos resíduos arbóreos urbanos

Relatos e avaliações de experiências e seus resultados, no âmbito do setor público ou privado, abrangendo resíduos arbóreos e sua utilização na forma de madeira serrada, painéis, componentes construtivos, equipamento ou mobiliário urbano, jogos ou objetos lúdicos, pequenos objetos de madeira (POM) ou outros subprodutos; promoção/divulgação de coleções de objetos criados a partir desses resíduos. Podem ainda envolver capacitação de pessoas, geração de emprego e renda nestas atividades.


3.      Requisitos técnicos e rotas tecnológicas para desenvolvimento de componentes e produtos 

Pesquisas e experimentos científicos voltados a sistemas de identificação, classificação e caracterização de resíduos arbóreos; ensaios para identificação de propriedades, trabalhabilidade; preparação, tratamento, recuperação e beneficiamento; desenvolvimento e aplicação de resíduos da arborização em diferentes configurações, combinações, contextos e funções, assim como a definição de requisitos técnicos e de possibilidades tecnológicas de aproveitamento. Pode abranger estudos prospectivos, comparativos e revisão sistemática de literatura sobre o tema.


4.      Estratégias para gestão dos resíduos da arborização urbana em cascata

Estudos e planos de gestão dos resíduos da arborização urbana, inclusive formas de sua institucionalização, abrangendo sistemas de utilização em cascata, envolvimento e articulação de diferentes elos da cadeia de coleta, classificação, beneficiamento, produção e distribuição; relações entre agentes públicos e privados; bases de dados, sistemas de informação e capacitação; rastreamento, regulamentação e certificação de materiais e produtos.

 

Público-alvo

Academia

Faculdades de Arquitetura e Urbanismo, Design, Engenharia Civil, Engenharia de Materiais, Engenharia Florestal, Engenharia Sanitária e Ambiental, Direito Ambiental, Gestão Pública

Setor público e serviços terceirizados

Órgãos ambientais, serviços relativos à arborização urbana, empresas de saneamento, empresas distribuidoras de energia, prestadores de serviço de limpeza urbana, municipalidades e subprefeituras, 

Profissionais

Associações, profissionais e empresas de urbanismo, arquitetura e design.

 

Submissão de artigos

Os trabalhos submetidos devem ser artigos completos, desenvolvidas por até três autores e direcionados a um dos quatro eixos de abordagem do evento, contemplando resultados de pesquisas avançadas ou já concluídas e contendo entre 3.000 e 4.000 palavras no total. A versão em word do templatepara envio de artigos está disponível em: https://www.even3.com.br/nutau2020/, plataforma online de inscrição e submissão de trabalhos. Os artigos devem ser submetidos até 14/09, sem identificação dos autores no corpo do texto nem no nome do arquivo, para que possam ser objeto de avaliação cega pelo Comitê Científico. 


Para submissão de artigos é necessário criar uma conta gratuita no sistema, o que pode ser feito a partir de uma conta do Facebook ou com inserção de e-mail e criação de uma senha. É neste ambiente e através do e-mail informado que serão realizados o envio dos arquivos, a divulgação dos resultados, a inscrição nos módulos do evento, disponibilização de cartas de aceite, certificados etc.

 

  

 Prazos e valores

Submissão de artigos (português ou inglês)

até 14/09

 

gratuita

Resultado avaliações

até 13/10

 

 

Envio artigos finais (português ou inglês)

até 26/10

estudantes e professores da USP

R$ 100,00

 

 

Profissionais e professores externos

R$ 200,00

Envio apresentações (bilíngue)

até 13/11

 

 

Inscrição no evento

até 16/11

por módulos 1, 2, 3, 4

gratuita

 


Estrutura do evento – Programa


Dia 17 de novembro

Manhã

 

 

8h45 às 9h00

abertura

Planejamento e manejo da arborização urbana; reflexos na geração de resíduos

9h00 às 10h00

sessão temática 1

6 apresentações de 5 min + 5 min para debates cada

10h00 às 10h15

 

intervalo

10h15 às 11h45

mesa redonda 1

4 apresentações de 20 min + 10 min para debates

11h45 às 12h00

 

intervalo

12h00 às 13h00

conferência internacional 1

1 palestra de 45 min + 15 min para debates

Tarde

 

Projetos e experiências de valorização dos resíduos arbóreos urbanos

14h00 às 15h00

sessão temática 2

6 apresentações de 5 min + 5 min para debates cada

15h00 às 15h15

 

intervalo

15h15 às 16h45

mesa redonda 2

4 apresentações de 20 min + 10 min para debates

16h45 às 17h00

 

intervalo

17h00 às 18h00

conferência internacional 2

1 palestra de 45 min + 15 min para debates

 


Dia 18 de novembro

Manhã

 

Requisitos técnicos e rotas tecnológicas para desenvolvimento de componentes e produtos

9h00 às 10h00

sessão temática 3

6 apresentações de 5 min + 5 min para debates cada

10h00 às 10h15

 

intervalo

10h15 às 11h45

mesa redonda 3

4 apresentações de 20 min + 10 min para debates

11h45 às 12h00

 

intervalo

12h00 às 13h00

conferência internacional 3

1 palestra de 45 min + 15 min para debates

Tarde

 

Estratégias para gestão dos resíduos da arborização urbana em cascata

14h00 às 15h00

sessão temática 4

6 apresentações de 5 min + 5 min para debates cada

15h00 às 15h15

 

intervalo

15h15 às 16h45

mesa redonda 4

4 apresentações de 20 min + 10 min para debates

16h45 às 17h00

 

intervalo

17h00 às 18h00

conferência internacional 4

1 palestra de 45 min + 15 min para debates

18h00 às 18h15

Encerramento

 

 

 

NUTAU

Conselho Deliberativo

Prof. Dra. Ranny Loureiro Xavier Nascimento Michalski (FAUUSP) - Presidência

Prof. Dra. Cyntia Santos Malaguti de Sousa (FAUUSP) – Coordenação Científica

Prof. Dr. André Leme Fleury (EPUSP)

Prof. Dr. Bruno Roberto Padovano (FAUUSP)

Prof. Dr. Gilson Schwartz (ECAUSP)

Prof. Dr. João Carlos de Oliveira Cesar (FAUUSP)

Prof. Dra. Sheila Walbe Ornstein (FAUUSP)

Prof. Dr. Silvio Burrattino Melhado (EPUSP)

 

Comitê organizador

Prof. Dra. Cyntia Santos Malaguti de Sousa (FAUUSP) - Coordenação

Prof. Dra. Alessandra Rodrigues Prata Shimomura (FAUUSP)

Prof. Dr. André Leme Fleury (EPUSP)

Prof. Dra. Ranny Loureiro Xavier Nascimento Michalski (FAUUSP)

Prof. Dra. Sheila Walbe Ornstein (FAUUSP)

Prof. Dr. Tomás Queiroz Ferreira Barata (FAUUSP)

Caio Dutra Profírio de Souza (mestrando do PPG-Design FAUUSP)

Clara Bartholomeu (aluna do curso de graduação em design FAUUSP/POLIMI)

Bruno Novaes (aluno do PPG-Design UNESP)

 

Informações e contato

site institucionalhttp://www.usp.br/nutau2020/

 

inscrição/submissãohttps://www.even3.com.br/nutau2020/


facebookhttps://www.facebook.com/nutau2020


instagramhttps://www.instagram.com/nutau.usp/

 

e-mailnutau2020@usp.br

 

 

Agosto de 2020

 

A Coordenação da Comissão Organizadora do NUTAU 2020

 

 

Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações. 

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 742

Edição: terça-feira, 11 de agosto de 2020


Seminário internacional NUTAU 2020    International Seminar – Infohabitar # 742

13º Seminário Internacional NUTAU 2020 – Valorização de resíduos da arborização urbana – potencial para pesquisas e projetos de urbanismo, arquitetura e design

 

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil(LNEC), em Lisboa.

 

abc.infohabitar@gmail.com

abc@lnec.pt

 

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).