quarta-feira, março 30, 2022

Sobre as necessidades habitacionais mais específicas dos idosos “I” (versão de trabalho) – Infohabitar # 810

 Ligação direta (clicar) para:  listagem interactiva de 800 Artigos, edição revista em janeiro de 2022- 38 temas e mais de 100 autores

Sobre as necessidades habitacionais mais específicas dos idosos “I” (versão de trabalho) - Infohabitar # 810 

Infohabitar, Ano XVIII, n.º 810

Edição: quarta-feira, 30 de março de 2022

Nova série editorial sobre Habitação Intergeracional Adaptável e Cooperativa – iv 

 

Caros leitores da Infohabitar,

 A Infohabitar continua a desenvolver uma nova série de artigos, que avançam, exploratoriamente, na matéria da Habitação Intergeracional Adaptável e Cooperativa, na sequência de alguns artigos introdutórios à temática de investigação intitulada Habitação Adaptável Intergeracional – Cooperativa a Custos Controlados (PHAI3C), já aqui editados há algum tempo; mas agora tratando-se de avançar no tema, numa perspetiva de trabalho de investigação em desenvolvimento – e daí o título do artigo “versão de trabalho” – , mas que dará, espera-se, para poder divulgar e discutir matérias tão interessantes como urgentes.

Lembra-se que serão muito bem-vindos os comentários e novas sobre os artigos aqui editados e propostas de novos artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com , ao meu cuidado).

Despeço-me, até à próxima semana, enviando saudações calorosas e desejos de muita força e saúde para todos os caros leitores e seus familiares,    

 Lisboa, em 30 de março de 2022

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar

Sobre as necessidades habitacionais mais específicas dos idosos “I” – Infohabitar # 810

texto geral de António Baptista Coelho, a propósito das ideias, textos e opiniões dos numerosos autores que são registados ao longo do texto

 

Notas introdutórias ao novo conjunto de artigos sobre habitação integeracional

O presente artigo inclui-se numa série editorial dedicada a uma reflexão temática exploratória, que integra a fase preliminar e “de trabalho”, dedicada à preparação e estruturação de um amplo processo de investigação teórico-prático, intitulado Programa de Habitação Aadaptável Intergeracional Cooperativa a Custos Controlados (PHAI3C); programa/estudo este que está a ser desenvolvido, pelo autor destes artigos, no Departamento de Edifícios do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), e que integra o Programa de Investigação e Inovação (P2I) do LNEC, sublinhando-se que as opiniões expressas nestes artigos são, apenas, dos seus autores – o autor dos artigos e promotor do PHAI3C e os numerosos autores citados no texto.

Neste sentido salienta-se o papel visado para o presente artigo e para os que lhe darão continuidade, no sentido de se proporcionar uma divulgação que possa resultar numa desejável e construtiva discussão alargada sobre estas muito urgentes e exigentes matérias da habitação mais adequada para idosos e pessoas fragilizadas.

Nesta perspetiva e tendo-se em conta a fase preliminar e de trabalho da referida investigação, salienta-se que a forma e a extensão do texto que é apresentado no artigo reflete uma assumida apresentação comentada, minimamente estruturada, de opiniões e resultados de múltiplas pesquisas, de muitos autores, escolhidos pela sua perspetiva temática focada e por corresponderem a estudos razoavelmente recentes; forma esta que fica patente no significativo número de citações – salientadas em itálico –, algumas delas longas e incluídas na língua original.

Julga-se que não se poderia atuar de forma diversa quando se pretende, como é o caso, chegar, cuidadosamente, a resultados teórico-práticos funcionais e aplicáveis na prática, e não apenas a uma reflexão pessoal sobre uma matéria bem complexa como é a habitação intergeracional adaptável desenvolvida por uma cooperativa a custos controlados e em parte dedicada a pessoas fragilizadas.

 

Nota introdutória à temática do Programa de Habitação Adaptável Intergeracional – Cooperativa a Custos Controlados (PHAI3C)

Considerando-se o atual quadro demográfico e habitacional muito crítico, no que se refere ao crescimento do número das pessoas idosas e muito idosas, a viverem sozinhas e com frequentes necessidades de apoio, a actual diversificação dos modos de vida e dos desejos habitacionais, e a quase-ausência de oferta habitacional e urbana adequada a tais necessidades e desejos, foi ponderada o que se julga ser a oportunidade do estudo e da caracterização de um Programa de Habitação Adaptável Intergeracional (PHAI), adequado a tais necessidades e a uma proposta residencial naturalmente convivial, eficazmente gerida e participada e financeiramente sustentável, resultando daqui a proposta de uma Cooperativa a Custos Controlados (3C).

O PHAI3C visa o estudo e a proposta de soluções urbanas e residenciais vocacionadas para a convivência intergeracional, adaptáveis a diversos modos de vida, adequadas para pessoas com eventuais fragilidade físicas e mentais, mas sem qualquer tipo de estigma institucional e de idadismo, funcionalmente mistas e com presença urbana estimulante. O PHAI3C irá procurar identificar e caracterizar tipos de soluções adequadas e sensíveis a uma integração habitacional e intergeracional dos mais frágeis num quadro urbano claramente positivo e em soluções edificadas que possam dar resposta, também, a outras novas e urgentes necessidades habitacionais (ex., jovens e pessoas sós), num quadro residencial marcado por uma gestão participada e eficaz, pela convivialidade espontânea e social e financeiramente sustentável.

Trata-se, tal como se aponta no título do artigo, de uma “versão de trabalho” e, portanto, a um artigo cujos conteúdos poderão ainda ser substancialmente revistos até se atingir uma versão estabilizada da temática referida no título; no entanto, em virtude da metodologia usada, que se considera bastante sólida, marcada pelo recurso a abundantes referências de fontes, devidamente apontadas e sistematicamente comentadas no sentido da respetiva aplicação ao PHAI3C, e tendo-se em conta a utilidade de se poder colocar à discussão os muitos aspetos registados no sentido da sua possível aplicação prática no PHAI3C, considerou-se ser interessante a divulgação desta temática/problemática nesta fase de “versão de trabalho”, que, no entanto, foi já razoavelmente clarificada – como exemplo do posterior tratamento para passagem a uma versão mais estável teremos, provavelmente, referências bibliográficas mais reduzidas e boa parte delas em português, assim como comentários mais desenvolvidos; mas mesmo este desenvolvimento irá sendo influenciado pelo(s) caminho(s) concreto(s) tomado(s) pelos diversos temas e artigos que integram, desde já, a estrutura pensada para o designado documento-base do PHAI3C, que surgirá, em boa parte, da ligação razoavelmente sequencial entre os diversos temas abordados em variados artigos.

Ainda um outro aspeto que se sublinha marcar, desde o início, o teor do referido documento-base do PHAI3C (a partir do qual serão gerados vários documentos específicos: mais de enquadramento e mais práticos) é o sentido teórico-prático que privilegia uma abordagem mais integrada e exemplificada da temática global da habitação intergeracional adaptável e cooperativa, apontando-se exemplos e ideias concretas logo desde as partes mais de enquadramento da abordagem da temática como as que se desenvolvem neste artigo.

Finalmente, solicita-se a compreensão dos leitores para lapsos e problemas de edição que, sem dúvida, acontecem no texto que se segue, mas a opção era prolongar, excessivamente, o período de elaboração de um texto que, afinal, se pretende seja essencialmente prático; as próximas edições serão complementarmente revistas e melhoradas.

Sobre as necessidades habitacionais mais específicas dos idosos “I” – Infohabitar # 810

Considerando-se a extensão do tema este é apresentado, aqui na Infohabitar, em dois artigos a editar em semanas consecutivas, sendo as matérias de cada semana realçadas a negrito na listagem que se segue; os itens (iii) a (v) serão, portanto, editados na próxima semana.

 

Subtemáticas do presente item :

(i) Sobre as necessidades habitacionais mais específicas dos idosos: reflexão geral

(ii) Capacidade de escolha e de participação na habitação adequada aos idosos

(iii) Possibilidade de uma revolução na qualidade de vida dos idosos

(iv) Habitação com prestação de cuidados

(v) Sustentabilidade ambiental e novas soluções habitacionais

Avança-se, em seguida, para uma reflexão global sobre as necessidades habitacionais mais específicas dos idosos, tentando-se tratá-las numa perspetiva que nunca esquece o que as condições habitacionais especialmente habilitadoras de uma vida diária funcional, agradável e segura para os habitantes idosos são, também, globalmente, condições que aprofundam os mesmos aspetos de qualidade residencial aplicados a todos os habitantes.

Estas matérias ligam-se muito aos aspetos associados ao conceito designado por « habitação para a vida », que deverão influenciar tanto a nova promoção, como aspetos específicos da reabilitação habitacional; podendo, neste caso, apurarem-se « pacotes » de intervenções hierarquizados em termos de condições e qualidades consideradas como mais importantes e mais urgentes.

Tal como se constata na listagem acima apresentada, onde se incluem as subtemáticas abordadas neste item, iremos em primeiro lugar avançar para uma reflexão global, mas sintética, sobre esta matéria, passando, depois, para uma prospetiva do que poderá ser, ou deverá ser, a nossa vida residencial e urbana quando idosos, avançando-se, depois, primeiro, para a consideração de aspetos importantes associados à previsão de uma habitação que possa integrar e facilitar cuidados de bem-estar e de saúde aos seus habitantes e, por fim, para a referência à importância de se respeitarem os aspetos associados à sustentabilidade nas referidas intervenções.

(i) Sobre as necessidades habitacionais mais específicas dos idosos: reflexão geral

No sentido específico do PHAI3C e no âmbito de uma identificação dos mais sólidos caminhos a seguir para  responder, positiva e sensivelmente, às necessidades habitacionais de uma população envelhecida vários documentos e estudos são de grande interesse, salientando-se, aqui, o estudo editado por Margaret Edwards, intitulado Meeting the housing needs of an an ageing population e que é, em seguida, citado e comentados. (1)

 

A título de comentários gerais com importância para a estruturação do PHAI3C juntam-se, em seguida, excertos do documento, devidamente referidos à respetiva página. 

. The oldest age groups and particularly those reporting poor health are the most likely to need adaptations.

Groups who may be planning to move to move to retirement housing for rent or sale in future but may need information, support or new provision. (pg. 7)

The growing importance of the home in people’s lives as they age.

The evidence from research shows that as people age their homes become more significant in defining their identity and shaping their lives. Not only are people less willing and likely to move home in older age but they also spend proportionately more time within the home.

The implications for planners are that as people get older they:

. Are less likely to perceive their homes as principally a financial resource (e.g. to release equity) and more as part of their identity and security.

. Will experience proportionately greater costs associated with occupying the home for longer periods e.g. heating and light.

. Will be most acutely aware of the immediate environment around their homes and changes over time.

. Are often highly motivated to stay at home but may require greater access to information about the help/support available and perhaps incentives to encourage pre-emptive action. (pg. 16)

Research suggests that the number of people who plan and act (moving to sheltered housing, adapting homes, housing maintenance, moving to better designed home) in advance to avoid housing difficulties is currently low.

factors influencing decisions to move people identified the following in decreasing importance: (pg. 17)

. Feeling unable to look after one self

. Being isolated

. Unable to get out & about

. Having an accident and nobody to help

. Safety in home & neighbourhood

. Current demand is not a good indicator of need and future choices

Planners should be wary of examining current trends in demand as reflecting preferences and indicating future patterns of decision-making. This is because there are other factors at work, for example:

. Little choice is available for those in public housing services, access is via eligibility systems and people will take what is offered (CPA, Housing Corporation 2002).

. There are few social care services or supported accommodation facilities that meet the needs of people from BME groups, their choices are severely restricted.

. Fear of accidents in the home or neighbourhood changes can encourage people to move when they would prefer to stay in the area (Counsel & Care, Lancaster University 2003).

. Space is a significant factor influencing choices

There is a largely erroneous assumption that people automatically require less living space as they age, particularly as they become frailer or are living alone or as a couple.

… in the past often currently reflect this assumption (CPA 2002). When asked most people wish to maintain the space they are accustomed to.

. Sheltered housing units (particularly in the public sector) are experienced as too small and not allowing people to live normally, have visitors & friends to stay, maintain privacy and move around safely (CPA 2002).

. There is a growing role for grandparents as informal care providers to grandchildren including significant numbers who take on full parenting when their own children are unable to do so. Grandparents provide some 60% of childcare (Generations Review 2003). This trend will continue and the need for adequate space for grandchildren to be accommodated full time in the home, visit or stay overnight will increase.

. Ensure that new build and adaptations to property designed for older people allow sufficient space to live an active life and remain connected to family & friends i.e. two bedrooms, living space large enough for hobbies to be undertaken as well as dining, watching TV, living space large enough to accommodate furniture you would find in a family home. (pg. 18)

. The percentage of people driving in old age will increase. Planners should assume that people will continue to need space to park and manoeuvre their cars close to their homes into old age.

Então como será? O velho pode ser reequipado e mantido em termos espaciais, e ou reconvertido com espaços mais folgados; o novo tem de ser espaçoso. No entanto há aqui uma ambiguidade importante entre mais espaço e mais compartimentos

Portanto deveriam haver grande cuidado na programação rodoviária e pedonal da VP isto é estratégico; lembrar acidentes, seja com idosos como vívtimas, seja com idosos como culpados

Research suggests that the majority of older people have no preference to live in communities exclusively for people of the same age. … (Joseph Rowntree Foundation 2002).

Implications for planners:

. In developing strategies for older people’s housing needs it is important to consider how they enable social integration whilst responding to potential anxieties about neighbourhood problems such as noise and

Responses to the housing needs of older people usually occur only when an individual faces a crisis or is in considerable difficulty and comes to the attention of agencies. Solutions at this stage tend to be one of the following:

. Arranging a move from their home into residential care, sheltered or very sheltered/extra care accomodation

. Enabling someone to stay at home through services like personal care, meals, providing equipment and adaptations, and day care.

. Care & Repair or handyperson services to help people deal with backlog of maintenance and access problems.

In the housing field there is little or no strategic planning in response to the fact that there will be an increasing number of people living into old age in owner occupied homes that are themselves old. This approach will become increasingly untenable given the trends outlined in this report.

Why is there so little strategic housing planning for an ageing population? (pg. 24)

 


Fig. 01 : uma imagem do programa intitulado « Vila dos Idosos », em São Paulo, Brasil ; uma intervenção do programa Morar no Centro da Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (COHAB), que integra 145 unidades para pessoas idosas, realizado em 2003-2007, com projeto de Arquitetura de VIGLIECCA&ASSOC – Arq.º Hector Vigliecca e Associados. Mais imagens deste conjunto acompanharão os próximos artigos desta série, tendo sido recolhidas no âmbito do 3.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono (3.º CIHEL) promovido pelas FAU- Mack, FAU-USP e IAU-USP.

(ii) Capacidade de escolha e de participação na habitação adequada aos idosos

No sentido específico do PHAI3C o estudo de Nigel Appleton intitulado More Choice, Greater Voice a toolkit for producing a strategy for accommodation with care for older people aborda uma matéria que além de importante, pois refere-se à vital capacidade de escolha e de participação dos idosos em termos das suas condições e soluções habitacionais, está operacionalmente estruturada em recomendações de boa prática para a instalação de habitação associada a cuidados de bem-estar e saúde para idosos. (2)

A título de comentários gerais com importância para os conteúdos técnicos do PHAI3C juntam-se e comentam-se, em seguida, excertos do referido estudo, devidamente referidos à respetiva página, embora, desde já se sublinhem os aspetos mais associados às facetas ligadas à capacidade de escolha e à participação dos idosos. 

1. are there crime issues in the area and if there are how are these to be addressed in the design of the development?

 2. will the development be within 400 metres of: • a general store • a newsagents • a post office • a library • a pharmacy • a health centre or doctor’s surgery • places of worship • transport link such as a bus stop if not, how do the developers propose to ensure access to these services as part of “lifetime neighbourhoods”?

3. what consideration has been given to improving access to local amenities through the use of dropped kerbs, controlled crossings, provision of accessible street furniture, and so on?

 4. will the design ensure the accessibility of the development for those with impaired mobility or sensory impairment.

5. has a detailed “access statement” been provided?

6. will an appropriate balance be struck between policies to restrict car use and adequate parking for motor vehicles, given increasing levels of car ownership among those 80+ how much car parking space is to be provided for staff and visitors?

7. will there be facilities for the storage and charging of pavement vehicles?

 8. will cycle storage be provided for staff and residents?  the accommodation

9. what is the mix of units proposed? all units should be en suite, normally with showers. two bed roomed units should be the norm for retirement developments. extracare schemes may warrant a mix of one and two bed units. (pg. 10)

10. how imaginative is the range of communal facilities? for example, day opportunities: it suite, art and craft facilities, fitness suite, day care or health.

11. what arrangements are secured for the staffing and servicing of these facilities?

12. are the units designed to space and design principles congruent with lifetime homes and energy efficiency standards?

13. are lifts to be provided to all areas in development of more than entrance level?

14. what arrangements are envisaged to provide a positive role for residents in the design, development and management of the proposed facility?

15. will a proportion of the units be available for sale or rent at levels judged to be “affordable”? 

impact -int

16. what will the physical and visual impact of the development be on the surrounding area?

 17. what impact will the population of the scheme have on the age profile of the ward?

18. what will the cumulative impact be on demand for gp services in the area? (refer to age profile of gp service area or health impact assessment).

19. will the facilities of the scheme be available to those in the surrounding community and if so on what terms?

20. what will the impact of the scheme be on the local labour market?

 21. are the arrangements proposed for the storage and collection of waste appropriate?

22. does the design for the site provide adequate access for specialist and emergency vehicles such as waste collection vehicles, fire tenders and ambulances?

 23. are the landscaping and perimeter arrangements so designed as to reduce potential crime and ensure easy maintenance?

24. would the properties be considered good design if developed in mainstream housing for sale?

25. are the properties characterful?

26. what consideration has been given to the provision of green space?

27. what is the build quality of the properties?

28. does the design incorporate flexible space for independent living? (pg. 11)

Em termos de objetivos estratégicos que devem basear e estruturar o desenvolvimento do edificado, Nigel Appleton, no mesmo estudo, defende os seguintes caminhos de liberdade de escolha e de participação: (pg. 13)

• the recognition of old age as a time of growth and development rather than of passive decline

• an approach in the development and management of services and accommodation that offers whole solutions for whole lifestyles

• a commitment to systems that provide genuine options and real choice

• an approach grounded in the rights of older and disabled citizens, and that recognises the consequences in the sharing of risk, and

• an aspiration that the outcome should be accommodation for older people that provides a context for care, rather than being dictated or constrained by care needs.

No mesmo estudo sublinham-se os seguintes « fatores-chave » influenciadores das escolhas e das soluções de habitação com apoios para idosos (pg. 13 e 14) :

• the majority of older people will live until the very end of their lives in general housing and may need adaptations and other forms of help and advice to cope with their homes.

• an increasing proportion of older people are homeowners (around 75-80% in most places) and they will be reluctant to transfer into rented accommodation in old age and see the value of the equity in their homes eroded.

 • much specialised accommodation is in sheltered housing, some of which is now quite old and lacks the space standards and facilities now accepted as normal.

• the average age of those living in such accommodation has moved upwards very rapidly in the last two decades, bringing higher levels of need for support that the design of these buildings does not always allow.

 • some sheltered schemes have seen the retreat of amenities, such as shops, access to doctors and pharmacy and proximity to public transport – making independent life for their residents more difficult.

• new models of enhanced and extra care housing have emerged, offering not only the possibility of supporting higher levels of dependency but also an environment for a lively and active old age.

 • local authority residential care provision is generally housed in buildings that are now showing the limitations of their design concepts, even when the fabric is in good condition, whilst dedicated staff add enormous value to the lives of those who live in such homes the pattern is inherently institutional. local authorities have generally found it unfeasible to continue the direct provision of such accommodation.

 • in the private sector the provision of traditional residential care in relatively small units is financially precarious and many providers continue to leave the market.

• while the nursing home sector continues to provide a context for the care of the more physically dependent and mentally confused older people, the steadily rising cost makes it imperative that other solutions are explored.

• the significant growth of the oldest section of the older population brings with it marked increases in the number of those with dementia and other forms of cognitive impairment. For them there is a desire to provide something more than the alternative of being cared for at home or going straight into a nursing home. while the support of older people with such conditions in sheltered housing is sometimes difficult, there are housing based models – often involving the use of new technology to manage risk – where a good quality of life can be achieved.

• expectations among older people will continue to increase, in relation to their physical surroundings and access to facilities – but also in their right to be consulted and to participate in decisions that affect their lives.

 • traditionally, the attention of the local authority has been focused almost exclusively on identifying and meeting the accommodation and care needs of those who met the eligibility criteria for statutory funding. An increasing proportion of older people have the financial resources to fund their access to accommodation and care but do require information, advice and assistance in making sound decisions. the strategic orbit of the local authority and its partners should include these self-funders, the facilitation of appropriate accommodation and care options for them and the provision of information, advice and assistance.

Nigel Appleton avança depois para a defesa de um amplo leque de respostas residenciais e de apoios de bem-estar e saúde. (pg. 15)

The introduction of new forms, such as extra care housing or housing based forms of accommodation for people with dementia, must be balanced by the phasing out of some older accommodation and models of care. the introduction of a wider range of choices for those who want to own all or part of their accommodation, irrespective of their care needs, will imply a reduction in the proportion for rent. the process of change must be carefully handled to inform and involve those who will be most directly affected: current and future tenants and residents.

As a consequence:

 • we see a greater drive towards the personalisation of accommodation and accommodation-related care and support services.

• we envisage a future in which the services for older people living in general housing will become more comprehensive and connected, offering information, advice and practical support in managing the home and maintaining an independent life within it.

 • we see a probable reduction in conventional sheltered housing to rent, through the withdrawal of the older or less attractive stock, together with an overall reduction in traditional residential care in both public and private sectors.

 • we expect that these developments will be more than balanced by the development of extra care housing and housing-based provision for people with dementia, alongside the enhancement of some existing sheltered stock and the increasing development of new retirement housing communities.

• we see all of these models being offered on the basis of a range of tenures from renting, through shared ownership to outright sale.

• we look for this range of accommodation options being supported by a matching range of care and support services that allow people to delay or eliminate moves into more specialised accommodation: fulfilling the aspiration of most older people that they should stay in their existing home for as long as possible.

Nigel Appleton salienta, ainda, no texto que se segue, que « o futuro será caraterizado pelas aspirações da geração de idosos que está a despontar e não simplesmente pela análise/satisfação das suas necessidades » ; e nestas aspirações há que salientar « o desejo de ter controlo sobre as suas vidas » e um cuidado específico sobre a previsão de condições habitacionais adequadas para a integração de cuidados de apoio, se e quando este se tornarem necessários.

… in looking to future patterns of provision we need to be conscious that the future will be characterised by the aspirations of a rising generation of older people rather than simply by an assessment of their needs. if we are not to design-in obsolescence then those aspirations need to be taken seriously. we do know something of the aspirations of older people. the key one is that older people have, whatever their circumstances, is the same one they will have pursued throughout their lives from childhood and adolescence, through adulthood and into old age: the desire to have control over their own lives. it is the desire to remain in control that motivates people to struggle on against enormous odds when their existing housing situation becomes difficult.

... there is too a concern about eventual access to care. they want reassurance that the accommodation they occupy is suitably designed and equipped so that when the need for care arises, it does not necessarily precipitate a move. they want to know that the care they require can be provided without a complete surrender of privacy, autonomy and lifestyle. (pg. 30)

closely linked with all these aspirations are concerns about financial autonomy. that they should maintain control of the resources they have built up through their working life – and have a degree of control over how those resources are used – is important to them. They want to maintain their status as home owners, if that is their choice, not to see their capital drained through the narrow accommodation options available to meet their care needs when they arise.

… for that minority of older people who enter old age as tenants and have limited other financial resources, exercising the same degree of choice will be difficult unless providers are willing to offer genuinely mixed tenure schemes in which social renters and home owners live side by side they will contribute to, rather than dilute, the emergence of a two class old age.

Depois Nigel Appleton sublinha o que parece ser, desde já, um dos aspetos-chave de uma ampla reflexão teórico-prática sobre as soluções mais adequadas para idosos: a muito ampla « qualidade física do espaço habitacional que ocupam » ; tal como se aponta em seguida :

long standing research from the Joseph Rowntree Foundation [ JRF ]established that the physical quality of the housing that they occupy is the most important factor in explaining the satisfaction of older people with their housing. the assumption that older people are happier in smaller houses was not borne out by the research.

more recent research from JRF concludes that the combination of independence and security offered by housing with care schemes is highly attractive to older people.

the researchers further concluded that: “accommodation that was very small impacted on residents’ lifestyle, and had implications for care delivery. Greater emphasis is needed on ‘space for living’.” We can summarise some of these key aspirations of older people as a checklist, .... this checklist should be expanded to reflect local aspirations and consultation with local older people.

the proposed range of accommodation and care should ensure: (pg. 31)

. real options for people in a range of personal and housing circumstances.

. locations that provide access to a range of facilities and services.

.  provide actual and perceived security in the scheme and its surroundings.

.  recognise and provide for a diversity of lifestyle choices.

.  provide a flexible offer of service that is built on positive presumptions about old age.

E finalmente o referido autor salienta um punhado de recomendações finais onde se sublinhou a relação muito desejável entre os apoios sociais e habitacionais: (pg. 46)

… a typical set of recommendations from a study of this kind might be:

 1) establish a shared vision

2) create a dedicated project management team

3) give further thought to the issues of leadership and champions such as through those that inform the local area agreement

4) give fresh consideration to the relationship between adult social care services and housing to improve the correlation of the policy development

5) integrate the priorities of the older people’s strategy into corporate strategy and priorities

6) work to develop an integrated portal to services

7) develop information resources to facilitate choice and access to service

8) institute a review of all rented sheltered housing with a view to achieving a reduction in the level of conventional sheltered housing to rent, an increase in leasehold provision and the development of enhanced sheltered schemes for both rent and sale.

9) progress plans for the provision of extra care housing and to review the future role of inhouse residential care

10) develop a housing based dementia care facility

11) identify potential sources of capital and revenue investment

 

Notas :

1 - 2006 II Building our Futures Harding, Ed; Edwards, Margaret – Meeting the housing needs of an an ageing population. Londres: International Longevity Centre UK, Building Our Futures Steering Group Members 2006.

2 - Appleton, Nigel – More Choice, Greater Voice a toolkit for producing a strategy for accommodation with care for older people. Londres: Housing Learning & Improvement Network (Housing LIN),  2008. **

 

Notas editoriais gerais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

Sobre as necessidades habitacionais mais específicas dos idosos “I” (versão de trabalho)  – Infohabitar # 810

Infohabitar, Ano XVIII, n.º 810

Edição: quarta-feira, 30 de março de 2022

 

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

 

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abc@lnec.pt

 

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).