Ambientes e Equipamentos Comuns Multifuncionais em Soluções Residenciais Intergeracionais (I) – infohabitar # 986
Informa-se que para aceder (fazer download) do mais recente Catálogo Interativo da Infohabitar, que está tematicamente organizado em mais de 20 temas e tem links diretos para os 960 artigos da Infohabitar, existentes em janeiro de 2025 (documento pdf ilustrado e com mais de 80 pg), usar o link seguinte:
https://drive.google.com/file/d/1FGRm5wfskdl54Lf7BhoDTmojcBDiveSf/view?usp=sharing
Infohabitar, ano XXII, n.º 986
Edição:
quarta-feira 15 de Julho de 2026
Editorial
Mesmo bem perto do final do estudo teórico-prático do PHAI3C -
Programa de Habitação Adaptável Intergeracional Cooperativa a Custos Controlado,
agora aqui referido, frequentemente, como “uma nova forma de habitar adaptável,
intergeracional, equipada e participada”, continuamos a propor um pequeno
conjunto de artigos associados aos diversos níveis físicos residenciais e onde
tentamos sintetizar conjuntos de conclusões e, essencialmente, de opiniões
práticas e de apoio à conceção arquitectónica no âmbito de uma intergeracionalidade
residencial equipada e participada.
Depois de termos abordado, no artigo 984 de 1 de julho, os “microespaços”
intergeracionais, domésticos e adaptáveis, e no artigo 985 de 8 de julho os espaços
e ambientes comuns de entrada e circulação nesse tipo de soluções, passamos, no
presente artigo, a uma primeira abordagem dos Ambientes e Equipamentos Comuns
Multifuncionais em Soluções Residenciais Intergeracionais; ficarão por tratar, com
brevidade, num último artigo de conteúdo do estudo/série editorial, alguns
aspetos a privilegiar nas respetivas vizinhanças.
Vamos avançar nesta fase final de uma forma estratégica, realizando
reflexões claramente opinativas sobre os referidos níveis físicos residenciais,
mas não tentando esgotar tal reflexão de uma única vez, e num único artigo e
por isso a designação “I” que remata o título do presente artigo, que é
dedicado aos designados “Ambientes e Equipamentos Comuns Multifuncionais em
Soluções Residenciais”.
Como nota final a confissão de a extensão do presente artigo ter
inviabilizado uma sua ilustração ao nível do último artigo da série; ilustração
essa que ficará, promete-se, para uma reedição deste artigo.
Com as minhas saudações cordiais,
António Baptista Coelho
Editor
da infohabitar
Ambientes e Equipamentos Comuns
Multifuncionais em Soluções Residenciais Intergeracionais (I) – infohabitar #
986
1. Introdução aos artigos de
remate do estudo sobre intergeracionalidade residencial adaptável equipada e
particidada (PHAI3C)
Nas matérias associadas a propostas concretas e mais
conclusivas de apoio à conceção de soluções de habitação intergeracional
adaptável, equipada e participada, o estudo realizado (PHAI3C) tem já um conjunto razoável
de artigos, que são devidamente referidos no final do presente artigo e com os
seus links específicos para os respetivos textos completos.
Este conjunto de artigos onde procuramos apresentar, essencialmente, opiniões práticas e de apoio à
conceção arquitectónica no âmbito de uma intergeracionalidade residencial
equipada e participada já
abordou as seguintes matérias:
- Sobre a natureza básica da intergeracionalidade residencial –
infohabitar # 974
- Bases e objetivos de uma adequada
intergeracionalidade residencial – infohabitar # 975
- O que se julga essencial para uma ampla intergeracionalidade
residencial (I) – infohabitar # 967
- Intergeracionalidade Residencial e
Habitaterapia – infohabitar # 972
- Aproximação ao dimensionamento de conjuntos residenciais
intergeracionais – infohabitar # 973
- Microespaços
e Ambientes Privados Intergeracionais, Domésticos e Adaptáveis (I)-
infohabitar # 984
– Espaços e Ambientes Comuns de Entrada e
Circulação em Soluções Residenciais Intergeracionais, Equipadas, Adaptáveis e
Participadas (I) – infohabitar # 985
No
presente artigo e no seguinte (falta em princípio apenas um artigo de conteúdo para
concluir a série editorial e o respetivo estudo) a editar na infohabitar vamos continuar
a desenvolver a matéria da intergeracionalidade residencial, adaptável,
equipada e participada sequenciando exatamente a partir do artigo referido
aqui, por último, na listagem acima (sublinhado), e que abordou os “Espaços
e Ambientes Comuns de Entrada e Circulação Intergeracionais
e Adaptáveis”, avançando para os seguintes
níveis físicos residenciais, em falta, e portanto e sequencialmente para os
espaços (marcados a negrito em seguida): comuns multifuncionais, e de
vizinhança próxima.
Mantendo um essencial sentido prático e evitando-se, portanto,
reflexões muito longas e que se julgam pouco necessárias, tendo-se em conta a
extensão que este estudo já tem – visível nos 75 artigos já aqui editados e
sempre interactivamente disponíveis no artigo Soluções Residenciais Adaptáveis
Intergeracionais e Participadas: base
documental - infohabitar # 983 - vamos avançar nesta fase final de uma forma estratégica,
realizando reflexões claramente opinativas sobre os referidos níveis físicos
residenciais, mas não tentando esgotar tal reflexão de uma única vez, e num
único artigo e por isso a designação “I” que remata o título do presente
artigo, que é dedicado aos designados “Ambientes e Equipamentos Comuns
Multifuncionais em Soluções Residenciais Intergeracionais”.
2. Conjunto de
Ambientes e Equipamentos Comuns Multifuncionais em Soluções Residenciais
Intergeracionais
Numa perspetiva que fará talvez lembrar os incontornáveis “padrões/patterns”
de Christopher Alexander, que aliás são sempre importantes em qualquer processo
de projecto de arquitectura, apontamos, em seguida, e comentamos numa
primeira “viagem de descoberta”, um conjunto amplo de espaços e de “condições” aplicáveis e que se consideram
de grande interesse no desenvolvimento de “Ambientes e Equipamentos Comuns
Multifuncionais em Soluções Residenciais Intergeracionais”.
Considerando-se a extensão desta temática específica
neste artigo “I”, as notas, em seguida, apresentadas são, individualmente,
pouco desenvolvidas e relacionam-se, essencialmente, com o uso e a vivência
destes espaços comuns residenciais e intergeracionais por pessoas mais idosas e
recentemente mudadas de “habitações familiares” e/ou por pequenos agregados
familiares e/ou por pessoas pouco dedicadas a “lides domésticas”;
relativamente a condições de uso mais genéricas e mais específicas do uso por
pessoas condicionadas na mobilidade e na perceção existem já, naturalmente,
muitos estudos aplicáveis, embora, há que registar, realizados numa “lógica”
que julgo ser excessivamente funcionalista e que, portanto, urge revisitar.
Considerando-se a diversidade dos aspetos em seguida
apontados os respetivos itens foram ordenados apenas e para já alfabeticamente;
até porque se considera que, posteriormente poderão vir a ser revistos,
completados e então talvez estruturados e até porque nesta primeira versão
deste artigo talvez o que mais interesse é apontar um máximo de subitens
temáticos a considerar, e isto cumpre-se, logo, nos respetivos títulos.
2.1. Aplicar um partido e desenvolvimento gerais dos espaços e equipamentos comuns adequados à natureza e caraterísticas específicas e locais da intervenção residencial intergeracional equipada
Evidentemente que cada local de intervenção tem os
seus aspetos específicos em termos de exigências e possibilidades
regulamentares ligadas a áreas gerais, altura máxima e até número de fogos, mas
relativamente a este último aspeto esta nova forma de habitar deve poder ter as
suas especificidades pois um conjunto de pequenos fogos com espaços comuns
variados e eventualmente com um menor rácio de estacionamentos privados não é o
mesmo do que uma intervenção residencial corrente.
Consequentemente um conjunto, por exemplo, com 12
fogos, se for possível e aconselhável, não terá, em princípio, áreas e
equipamentos comuns tão desenvolvidos como um conjunto para 40 fogos ou ainda
um outro para 100 fogos, ou mais, se tal for também considerado possível e
adequado.
Poderemos ter, aqui, ter vários caminhos a seguir:
- um deles a partir de uma “regra” simples de
somatório de uma dada área comum por cada fogo da intervenção;
- outro, que corresponda a aspetos e objetivos
específicos da mesma, que poderão marcar, por exemplo, por um especial
desenvolvimento das áreas e/ou equipamentos comuns, sendo que neste caso será
justo que os desejáveis apoios oficiais se apliquem, apenas, até uma dada
dimensão espacial geral e/ou perfil de equipamentos;
- outro ainda, considerando a localização da
intervenção que, estando por exemplo, junto a excelentes equipamentos públicos
poderá provavelmente poupar em equipamentos e espaços próprios;
- outro ainda que considere especificamente o carácter
mais privado ou mais convivial e comum da intervenção e que poderá influenciar
no respetivo desenvolvimento do seu “pequeno mundo” comum;
- e ainda outro caminho que tenha em conta a
possibilidade de alguns dos espaços e equipamentos comuns da intervenção
poderem ter uma valência local alargada, sendo portanto usados pela comunidade
da zona, aspeto este que, naturalmente, deverá ser devidamente considerado no
respetivo desenvolvimento.
2.2. Apoiar a identidade, a dignidade e a controlada apropriação dos ambientes e equipamentos comuns intergeracionais
Os ambientes e equipamentos comuns intergeracionais deve(m)
caraterizar-se por um subtil equilíbrio entre a identidade específica da
intervenção – designação, mas também evidentes aspetos arquitectónicos gerais e
pormenorizados – e uma identidade onde deve ser marcante o seu essencial
conteúdo residencial e um seu respetivo e afirmado carácter digno e sóbrio, com
um pequeno conjunto de aspetos que potenciem a apropriação pelos respetivos
moradores onde pontuam aspetos genéricos ligados a uma cuidada/quase simulada
informalidade, que torne os diversos tipos de espaços criados, específica e
globalmente acolhedores e razoavelmente diversificados e atraentes, e aspetos
específicos de adequada e estimulante relação entre interior e exterior, de
integração cuidada e estratégica de elementos de vegetação e de apurada
pormenorização.
Estas condições são muito sensíveis, devem marcar todo
o desenvolvimento dos espaços comuns da intervenção, mas deverão ter uma
aplicação especialmente muito cuidada nas suas principais zonas de estadia,
onde os moradores irão, desejavelmente, ter vontade de permanecer durante
longos e repetidos períodos diários, dando repetida e aprofundada atenção a
muitos pormenores com variadas naturezas (por exemplo, desde os “relacionais”
aos mais puramente de tratamento formal pormenorizado); sendo um cuidado que
exige, evidentemente, atenção muito específica na conceção arquitectónica
ambiental, espacial e funcional, e excelente apuro num essencial e muito
adequado projeto de arquitectura de interiores, não fazendo qualquer sentido
que este último, por exemplo, não exista, ou seja “remendado” por curiosos.
2.3. Apoiar e estimular uma excelente dinâmica de movimentação e estadia, clarificada e segura nos diversos espaços e equipamentos comuns e multifuncionais da intervenção residencial intergeracional
Tendo-se em conta o conforto e a
funcionalidade gerais e a potencial existência de moradores com
condicionamentos físicos e de perceção, a estruturação das principais
acessibilidades e das mais estimulantes zonas e subzonas de estadia, cuja
“rede” geral carateriza o conjunto dos espaços comuns da intervenção residencial
intergeracional equipada deve ser extremamente clara, evidenciada, mentalmente
bem antecipável e bem memorizável e servida por excelentes condições de
acessibilidade física e de segurança no uso corrente e em condições de
emergência.
Isto não pode significar qualquer tipo de
monotonia na organização geral e na respetiva volumetria e caraterização formal
global e pormenorizada; o projeto de arquitectura tem de o garantir.
E isto também não significa que toda a “malha”
de acessos e zonas de estadia e paragem tenha um mesmo grau de clareza de
leitura, podendo existir outras “camadas” de propostas de acessibilidade e
estadia ou paragem, e respetivas leituras, que se irão embebendo nos moradores
ao longo do tempo, adequadas a diversos usos e gostos de habitar e
enriquecedoras da solução comum de habitar na sua totalidade. Por outras palavras é muito importante que
exista uma grande clareza, facilidade e segurança no uso nos principais
percursos internos e de eventual evacuação, mas que, simultaneamente, sejamos
agradável, curiosa e sequencialmente, “convidados” a permanecer numa série de
espaços e subespaços, que nos oferecem, por exemplo, excelentes e variadas
condições de estar, ler, refletir com alguma privacidade e até “passar pelas
brasas”, conviver, jogar e aprender fora dos nossos espaços privados; e é
importante que tais sequências que jogam com os principais percursos interiores
e de relação interior/exterior funcionem bem nos seus dois principais sentidos
– que podemos designar simplificadamente como “de entrada” ou “de saída” – mas
de certa forma juntando-lhes um outro muito variado e criativo conjunto de
pequenos percursos alternativos, que nos possam positivamente “desencaminhar” e
estimular, quando temos tempo para “gastar”.
2.4. Apoiar, sempre, s acessibilidades correntes, especiais, eventuais e de emergência na intervenção residencial intergeracional equipada
Em uma intervenção residencial
intergeracional equipada há que cumprir todas as regulamentações de segurança
aplicáveis em termos habitacionais, mas há que ter exigências redobradas,
tendo-se em conta essencialmente aspetos de:
- acessibilidade por pessoas com
condicionamentos físicos e de perceção, traduzindo-se, designadamente, em
excelentes condições de pormenorização das zonas de circulação horizontais e
verticais, facilitando a movimentação eventualmente lenta com excelentes
condições ergonómicas, de aderência de piso e de apoios à movimentação, mas
fazendo-o de forma a que tais cuidados estejam perfeitamente integrados num
ambiente não “estigmatizado” como sendo dedicado a pessoas com tais
condicionalismos;
- acessibilidade eventual por macas
estrategicamente bem facilitada, também nos ascensores;
- excelentes condições de acessibilidade e
de evacuação de emergência, física, ambiental e sinaleticamente bem asseguradas
– ex., distâncias a percorrer, tipos de pisos, soluções e sistemas de
desenfumagem, iluminação e sinalética de emergência, etc. – e, novamente, tendo
especificamente em conta pessoas com condicionamentos físicos e de perceção;
- e excelentes condições de potencial
isolamento de cada fogo e de cada secção da intervenção em situações de
emergência por eventual eclosão de incêndio; matérias estas que, tal como
todas as aqui apontadas, deverão ser ponderadas e especificadas por
especialistas, mas que neste caso específico se liga, designadamente, quer
à eventual existência de moradores cuja evacuação de emergência seja
provavelmente muito demorada, porque se deslocam lentamente.
Julga-se, no entanto, que as condições
de acessibilidade acima referidas deverão ter uma judiciosa aplicação na
globalidade das zonas comuns e evidentemente nos seus principais e
estruturantes percursos de acesso e eventual evacuação de emergência, não
inviabilizando, no entanto, a existência de determinadas caraterísticas
espaciais e ambientais bem localizadas ou pontuais e que possam obrigar
a esforços acrescidos por parte de pessoas com esse tipo de condicionamentos,
mas sempre apoiados por excelentes condições de ergonomia e de apoio à
deslocação; esta é uma condição que exigirá reflexão suplementar,
designadamente nas condições de gerais de acessibilidade nos espaços comuns por
pessoas em cadeiras de rodas, julgando-se estas condições muito importantes,
mas que devem ser tratadas de um modo não “estigmatizante” da solução –
exemplo, podem existir mecanismos prontos a serem usados quando necessários
e podem até existir reservas espaciais para eventual integração de equipamentos
suplementares de apoio a deslocações verticais (considerando-se aqui o bem
previsível envelhecimento de uma parte substancial dos residentes).
2.5. Considerar especificamente a ergonomia e a segurança dos espaços comuns da intervenção residencial intergeracional equipada
A questão da ergonomia bem pormenorizada e
da associada segurança das comunicações comuns já foi globalmente apontada, mas
no entanto a questão do bom desenho de rampas e designadamente de escadas
merece uma atenção específica, quer porque por exemplo escadas bem desenhadas e
apoiadas são verdadeiras “ferramentas” de apoio a uma movimentação saudável e
mesmo uma excelente forma de exercício físico, muito adequadas aos mais idosos,
até talvez mais do que as rampas, e esta é opinião de alguns médicos
especialistas, quer porque as escadas assim desenvolvidas, ambientalmente
estimulantes (ex., luz natural e vistas) e formalmente muito atraentes e bem
pormenorizadas podem e devem constituir verdadeiros elementos de dinamização da
animação interior da intervenção e mesmo, eventualmente, de apoio à
caraterização formal da mesma.
Será da responsabilidade do bom projecto
de pormenor integrar tais condições de modo tão adequado que elas surjam como
qualidades gerais da intervenção e não associáveis a qualquer tipo de cuidado
mais específico.
2.6. Considerar especificamente a identidade e apropriação nos espaços comuns da intervenção residencial intergeracional equipada
Tendo-se bem em conta o carácter geral e
básico de uma intervenção residencial intergeracional equipada, marcado por uma
desejável “convivência” e complementaridade entre espaços afirmadamente
privados e espaços comuns que devem ser voluntariamente bem vivíveis e mesmo
animados, todo o tratamento de pormenor destes mesmos espaços e, de forma muito
especial, dos espaços comuns de paragem e de estadia ou de prática de uma
qualquer atividade, tem de assegurar, de certa forma, a continuidade do já
referido tratamento nas zonas de entrada comuns, caraterizando-se por um subtil equilíbrio entre a identidade específica da
intervenção e uma identidade onde deve ser marcante o seu essencial conteúdo
residencial e um seu respetivo e afirmado carácter digno e sóbrio, com um
pequeno conjunto de aspetos que potenciem a apropriação pelos respetivos
moradores onde pontuam aspetos genéricos ligados a uma cuidada/quase simulada
informalidade e variados aspetos específicos de integração cuidada e
estratégica de elementos que potenciem a apropriação geral dos diversos espaços,
mas não colocando em causa a sua referida identidade e dignidade globais.
2.7. Considerar um amplo e estimulante “menu” potencial de vários tipos de espaços e equipamentos comuns na intervenção residencial intergeracional equipada
2.7.1. Pequena introdução ao “partido” arquitectónico global das intervenções residenciais intergeracionais e equipadas
- Não se
pretendendo fazer qualquer tipo de menu básico relativo aos espaços, equipamentos
e serviços comuns e próximos existentes numa intervenção residencial intergeracional,
equipada e adaptável, pois a boa natureza destas soluções decorrerá, em
primeiro lugar, da sua qualidade e diversidade arquitectónica formal e
programática, bem assente numa sua excelente localização e adequação específica
a cada localização, desenvolvem-se, em seguida mais à frente, variados tipos de
“padrões” comuns e de proximidade ao nível espacial e de equipamentos e
serviços, que poderão constar de tais intervenções.
- Por outro
lado o essencial interesse de cada intervenção radicará, talvez, tanto na
sua localização, como na qualidade dos seus espaços privados, como na riqueza e
até originalidade dos seus espaços e equipamentos comuns: localização e
aqui tenho vontade de repetir “localização” e respetivos aspetos de “centralidade”
e boa paisagem, qualidade residencial estrita e muito rica não passando
especialmente por grandes tipologias, e a referida e em seguida desenvolvida riqueza
dos seus espaços e equipamentos comuns ou muito próximos, incluindo-se os
importantes aspetos de vizinhança próxima (a abordar em próximo artigo), são
uma tríade de aspetos essenciais a ter em conta, e que terá de ser bem
unificada e valorizada por um excelente projeto de verdadeira Arquitectura
Urbana.
- Importa também
ter sempre presente, que aqui, e em seguida, vamos apenas fazer um menu
inicial, naturalmente complementável (nos itens do menu e no seu respetivo e
unitário desenvolvimento) e não vamos entrar em equipamentos coletivos eventualmente
associados à intervenção e que sirvam a comunidade local; iremos apenas nesta
matéria apontar um leque desejável dos mesmos em termos de tipologias e de
alguns aspetos julgados essenciais.
- Importa
ter sempre presente e vamos tentar ter sempre em mente a relativa ou mesmo
profunda economia que deve marcar as intervenções; evidentemente que com
muitos meios podemos gerar verdadeiros “palácios” intergeracionais, mas o que é
incrível é constatarmos que em soluções existentes e muito caras, a qualidade da
respetiva arquitectura interior é, por vezes, extremamente problemática;
portanto, julga-se que numa situação financeiramente “oposta” será possível
fazer muito bem com clara economia de custos iniciais e de manutenção.
- Há sempre
que ter em conta que cada um dos espaços e equipamentos considerados, em
seguida, e posteriormente a complementar, poderão ter espaciosidade e
desenvolvimento muito diversificados; por exemplo uma “biblioteca” pode ser
um grande espaço, em boa parte “forrado” de livros e onde decorram também
variadas atividades, ou pode ser um módulo vertical com pouco mais de cem
livros e revistas, mas se existir será óptimo; e um atelier de artes pode ser
um amplo e bem iluminado espaço bem equipado por exemplo até para serigrafia,
mas pode ser resumido a uma bancada móvel onde estejam acumulados alguns tipos
de materiais e elementos de apoio simples a formas sumárias de desenho,
aguarela, pastel, etc., e que possa ser transportada, recolocada e arrumada
conforme a necessidade.
Neste mesmo
sentido certos espaços e equipamentos poderão ser excessivos considerando a
dimensão da intervenção, enquanto que intervenções muito grande poderão exigir
maior desenvolvimento de determinadas valências; e podendo até algumas delas
apoiarem diversas intervenções próximas.
- E importa
ter sempre presente que alguns ou até muitos dos tipos de espaços, subespaços,
cuidados e equipamentos seguintes poderão estar mutuamente integrados nos
mesmos espaços mais gerais, com utilização polivalente associada a nulas ou
reduzidas adaptações específicas ou com usos temporalmente desfasados.
2.7.2. Aspetos mais gerais e de objetivos de uma intervenção residencial intergeracional e equipada
Levar-nos-ia
bem longe este subtítulo, mas ficaremos, para já, apenas pela indicação da
ideia-chave que deve sempre nortear uma intervenção residencial intergeracional
e equipada, já aqui repetida de várias formas, e que é proporcionar habitação
adequada e muito bem projetada para formas de habitar com alguma especificidade
e variedade exigencial e natureza sociocultural dos seus habitantes,
juntando-lhe bons apoios domiciliários, mais um “pequeno mundo” comum
verdadeiramente apetecível, designadamente em termos de um excelente conjunto
de espaços e de equipamentos praticamente impossíveis de obter ao nível privado
(a não ser por “ricos”) e premeditada mas opcionalmente convivial, e isto tudo
num local estimulante e razoavelmente central e/ou muito bem servido de
acessibilidades. Os objetivos específicos de cada intervenção são essenciais
para a sua vital identidade, mas evidentemente dependerão de cada programa,
local e partido arquitectónico específico.
2.7.3. Pequeno “menu” introdutório de tipos de espaços
e/ou equipamentos comuns (ordem
alfabética)
E chegamos,
assim, a um pequeno e primeiro “menu” introdutório de tipos de espaços e/ou
equipamentos comuns a integrar em soluções residenciais intergereacionais e equipadas,
que pouco mais é do que uma listagem longa e posteriormente complementável em
termos de tipos e nos seus conteúdos exploratórios.
(i) Anfiteatro ou sala de reuniões e conferências – as designações aqui apontadas
têm alguma “solenidade”, que poderá não existir, de facto, concentrando-se as
atividades respetivas e afins numa simples sala ampla e multifuncional, que até
poderá corresponder à principal e quase única sala de estar da intervenção,
desde que esta se possa converter, minimamente, para esses tipo de funções e
para outras – como festas periódicas – desde que tal transformação seja
realmente facilitada pela respetiva caraterização do mobiliário a movimentar (ex.,
sofás bem confortáveis mas não espacialmente exagerados, como tantos hoje
existem) e pela sua capacidade de arrumação eventual, assim como pela existência
de capacidade de arrumação de mobiliários específicos (ex., cadeiras para reuniões
alargadas e mesas para apoio às mesmas).
No entanto referimos, acima, “anfiteatro”, e
aqui sublinhámos “teatro”, porque no programa específico de uma intervenção
deste tipo um tal elemento pode existir como aspeto forte da solução (ex., usos
variados como pólo infomartivo/formativo, prática teatral, visionamento de
cinema, etc.), embora que até também eventualmente marcado por alguns outros aspetos
multifuncionais.
(ii) Atelier de artes – que como acima se
exemplificou pode ser reduzido a uma bancada móvel de apoio à prática
artística. Não tenhamos qualquer dúvida de que em situações de grande
disponibilidade temporal e até de eventualmente crítica desocupação, o início de
uma prática livre e “gozada” das tecnologias artísticas mais simples em termos
de meios técnicos (como o desenho, o lápis de cor e a aguarela/guache, etc.)
pode ser um extraordinário caminho a seguir por pessoas com as mais variadas
idades, quadros socioculturais e até experiência anterior. Evidentemente que
será sempre de optar por uma adequada e informal orientação ou até por um
simples acompanhamento, indicação de técnicas básicas e orientação pontual e
sequencial. E não tenhamos quaisquer dúvidas de que a prática artística inicial
e continuada muito ganha com adequada luz natural e artificial, outras boas
condições de conforto ambiental – ventilação, térmica e sossego sonoro – e um
privilegiar do contacto com a natureza, por exemplo “simulada” e concentrada
num pequeno jardim/pátio comum; isto porque os temas naturais sempre foram
considerados pelos mestres como essenciais para a arte, mas também porque desta
forma se concentram excelentes efeitos em pessoas eventualmente mais sensíveis
e, naturalmente, em todos nós.
De certa forma o consubstanciar de vários aspetos a
privilegiar num espaço residencial como o que estamos aqui a abordar é
concretizado num espaço comum amplo e multifuncional, bem iluminado, ligado a
um exterior minimamente ajardinado, caraterizado por estimulantes zonas de transição
interior/exterior e onde poderão decorrer sessões informais de “desenho” e
aguarela, por exemplo, havendo aqui apenas de prever adequadas condições de
durabilidade e manutenção dos respetivos acabamentos.
(iii) Bar – naturalmente que esta é uma valência incontornável
quando se visa a geração de convívio e poderá ser muito diversificada e
dimensionalmente variada, desde um quase recanto com um móvel/bar até
facilmente relocalizável, até um espaço amplo de sala/bar com serviço de balcão
e de mesas baixas e/ou altas; sendo que aqui se refere “serviço” de modo amplo,
não considerando portanto qualquer tipo de serviço específico. Importa naturalmente
considerar aqui a acessibilidade a bebidas que terá de estar bem condicionada.
(iv) Biblioteca – que deve conter variados tipos de
documentos, com destaque para: livros de ficção estimulantes mais atuais ou
mais “clássicos”, mas sempre estimulantes; revistas monográficas bem ilustradas
e variadas (há excelentes exemplos portugueses e em outras línguas); romance
histórico; biografias; livros de exploração histórica; banda desenhada; secção
de não ficção bem escolhida; livros de arte; livros sobre viagens e
zonas/cidades do mundo; etc. Mas, atenção, as secções aqui apontadas não o são
por acaso! É essencial cativar leitores, porque a leitura pode ocupar muito
positivamente muito tempo. E voltamos a lembrar que cada seção destas pode ter
10 ou 100 documentos.
Sendo até
provavelmente muito adequado e eficaz que uma boa parte do espólio da
biblioteca possa ser constituído por documentação oferecida ou emprestada pelos
próprios residentes; e assim devidamente assinalada caso a caso. Uma opção que
poderá aliviar o conteúdo doméstico privado de cada habitação, mas mantendo a documentação
bem próxima e acessível.
(v) Zona de jornais e revistas – integrada ou não na
biblioteca, podendo estar por exemplo mais próxima da zona de entrada e atuando
como verdadeiro “chamariz” para estadias furtuitas e até potencialmente
conviviais.
(vi) Cozinha gourmet – pode ser interessante existir
uma zona de cozinha bem equipada e que poderá ser usada pelos residentes em
eventos comuns ou privados – o que neste caso exige atenção à respetiva
formatação espacial e funcional – e por eventuais serviços de catering.
(vii) Esplanada – a existência de um espaço de esplanada ricamente
localizado nos limares de transição interior/exterior e bem protegido dos
excessos climáticos é um excelente fator de enriquecimento ambiental e
funcional da solução, para além de dever constitui-se como reserva de expansão
da espaciosidade de variadas atividades interiores; sendo aqui também a respetiva
adaptabilidade nos usos e na respetiva ocupação por diversos tipos de
mobiliário e pela geração de eventuais bons espaços “vagos” e excelentes para
festas, aspetos a privilegiar – e aqui novamente há que ter em conta a respetiva
capacidade de arrumação estratégica e periódica de elementos de mobiliário.
(viii) Estufa para jardinagem – uma estufa para jardinagem
poderá ser simplesmente concretizada associada a uma agradável zona de estar
envidraçada do tipo “jardim de Inverno”, ou até deslocada para a vizinhança
direta e associada a espaços de jardim e pátios ajardinados, mas pode
corresponder a uma excelente “ferramenta” de apoio efetivo a uma afirmada
prática de jardinagem a realizar em espaços privados e comuns.
(ix) Gabinete de apoio de enfermagem – trata-se de espaço equipado
a concretizar de acordo com dados técnicos específicos já existentes; mas
reforçando-se que deverá ter uma presença muito sóbria e ligada ao gabinete para
consultas de medicina.
(x) Gabinete de atendimento geral – trata-se de espaço equipado
a concretizar de acordo com dados técnicos específicos já existentes; mas
reforçando-se que deverá ter uma presença muito sóbria e que poderá ser tratada
de modo muito caraterizado como zona de estar e conversa; havendo depois um
gabinete de trabalho específico onde não haverá atendimento.
(xi) Gabinete de gestão – trata-se de espaço equipado a
concretizar de acordo com dados técnicos específicos já existentes; mas
reforçando-se que deverá ter uma presença muito sóbria.
(xii) Gabinete médico – trata-se de espaço equipado
a concretizar de acordo com dados técnicos específicos já existentes; mas
reforçando-se que deverá ter uma presença muito sóbria e ligada ao gabinete de
apoio de enfermagem.
(xiii) “Galeria” de arte e zona de exposições
temporárias – trata-se de uma valência muito interessante e que poderá ser
cumprida facilmente pela integração de exposições em determinadas paredes de
circulações importantes e/ou bem localizadas e/ou de paredes importantes de
espaços multifuncionais; e as exposições poderão ir acumulando algumas compras de
arte do condomínio (ex., serigrafias), por exemplo, devidamente votadas entre
os residentes, ou, quando em zona de mostras temporárias, poderão ser usadas
para divulgar as práticas artísticas dos residentes e/ou outras suas formas de
atividade (ex., artesanato, coleccionismo, etc.) e/ou, por exemplo, pequenas
exposições por artistas convidados, associadas ou não a palestras pelos próprios.
(xiv) Ginásio – ou sala de exercícios físicos, que poderá/deverá
integrar (i) uma zona de equipamentos específicos para variados tipos de
exercícios físicos de manutenção e melhoria do bem-estar físico e (ii) outra para
prática de exercícios físicos em grupo – podendo esta última zona estar
integrada numa sala multifuncional. Julga-se ser esta valência de grande
importância e muito poder ganhar no seu contributo para o bem-estar dos
residentes, se for pelo menos minimamente acompanhada por um profissional, e
podendo até estar aberta a inscrições externas ao condomínio.
(xv) Jardim de Inverno – espaço que já aqui foi
referido e que poderá existir como “prolongamento” e enriquecimento espacial de
uma ampla zona de estar, assegurando, ainda e eventualmente, o seu
relacionamento com espaços de relação interior/exterior e com espaços exteriores
comuns.
(xvi) Lareira (espaço à) – espaço que poderá existir
como “prolongamento” e enriquecimento espacial de uma ampla zona de estar e que
poderá ter uma presença essencialmente simbólica e de criação de um forte pólo convivial,
ou até integrar a estratégia geral de climatização usando-se por exemplo uma
lareira a gás devidamente instalada e segura.
(xvi) Locais/recantos para estar sozinho mas
“acompanhado” – voltamos a relembra os incontornáveis “patterns” de Alexander com este potencial
para estar relativamente sozinho mas relativamente “acompanhado” em pequenas
zonas de estar “de um só lugar”, ou de lotação muito, muito reduzida (em que boa
parte dos lugares são só para impulsionar o uso por pessoas isoladas ou em
pares), que devem estar muito bem localizados, em termos de conforto ambiental
global (luz, ventilação, térmica e relativo sossego sonoro ou
afastamento/isolamento de fontes de ruído) e de vistas estratégicas naturais e
outras; constituindo-se em verdadeiros “chamarizes” que tragam residentes,
mesmo “renitentes” para os espaços comuns, onde poderemos estar confortável e
relativamente sossegados, mas agradavelmente acompanhados ou pelo menos acompanhando
“à distância” a vida comum condominial. Este tipo de pequenos subespaços
deverão existir associados a: salas, zonas de comunicação, zonas de entrada e
zonas de transição interior/exterior.
Parece oportuno comentar que a existência destas
microzonas de estar “privado” nos espaços comuns, constitui a “situação oposta”
à necessidade de existência de uma espaciosidade estratégica para convívios nos
espaços domésticos; caso contrário estes espaços privados ficam muito
negativamente limitados nos seus usos.
(xvii) Microzonas de estar marcando zonas de acesso e
circulação – na
prática este tipo de microzonas correspondem a uma aplicação pontual de
pequenos pólos de estar, marcando zonas estratégicas das circulações (ligação com
elevadores, extremidades de circulações, mudanças de linearidade das circulações),
sendo essencialmente pólos de estar “para vista”, mas que poderão proporcionar
também um estar relativamente sozinho em pequenas zonas de estar de lotação
muito, muito reduzida (em que boa parte dos lugares são só para impulsionar o
uso por pessoas isoladas ou em pares)
(xviii) Módulos de trabalho profissional – numa zona estrategicamente
localizada da intervenção poderão existir módulos de trabalho “profissional” ou
especializado dificilmente integráveis nos apartamentos ou preferidos pelos
moradores no sentido de uma continuidade de práticas de atividade com clara
separação relativamente ao espaço doméstico. A existência de alguns equipamentos
comuns ao conjunto destes módulos será de considerar, mas atenção à respetiva gestão
corrente.
(xix) Módulos/suites para pernoitas eventuais – sem grande desenvolvimento
importará considerar esta possibilidade, que no entanto terá de ser “ferreamente”
gerida para não se transformar por exemplo numa forma encapotada de “alojamento”
deficiente e que na prática estará sempre associada a intervenções de maior
dimensão e podendo ter múltiplos tipos de utilidade com especial relevo para
familiares visitantes.
(xx) Oficina – praticamente tudo o que se referiu para o atelier de
artes se poderá aplicar para um espaço oficinal que integre bancadas de
trabalho equipadas, ferramentas adequadas e boas condições ambientais próprias
e em termos de isolamento relativamente ao condomínio e excelentes condições de
durabilidade e de manutenção - podendo até contribuir sempre que necessário para
a sua própria manutenção e para a manutenção dos espaços domésticos privados.
Um aspeto que não é comum ao atelier de artes é que dificilmente estas
condições poderão ser “miniaturizadas” e concentradas num elemento móvel.
(xxi) Piscina interior ou exterior coberta – chegamos a um daqueles
espaços e equipamentos que embora caros, correspondem a uma condição extremamente
apreciada pelos potenciais moradores e muito difícil de obter privadamente e
designadamente em termos de um adequado dimensionamento e de uma adequada e
simples manutenção.
E deixámos para o fim a sua principal vantagem que é o
seu papel fulcral em termos de apoio ao bem-estar e à saúde humana e
designadamente quando visamos pessoas mais sensíveis; pois realmente pode ser
muito importante para a dinâmica de uma intervenção residencial intergeracional
e equipada a existência de uma piscina bem dimensionada para poder apoiar
sessões aquáticas de exercício de grupo ou individuais (hidroginástica, etc.),
mas também uma prática de natação livre em algumas poucas faixas individuais
(ex., três faixas); e lembremos que uma piscina pouco funda e não especialmente
longa (ex., 12,5m), o permite e que estando coberta pode ser usada todo o ano,
e numa base diária com horário muito alargado e devidamente organizado.
(xxii) Recantos de estar – os “recantos” ou microzonas diversificadas
de estar constituem a própria “razão” de existir das maiores zonas de estar;
que só terão real capacidade de usos se contiverem excelentes desses recantos e
microzonas de estar, mais formais ou mais informais, com variados tipos de lugares
sentados e mesas de apoio e com variados outros tipos de mobiliário de apoio;
portanto nos “antípodas” de soluções globalmente “decoradas” com a mesma “família”
de mobiliário de estar.
(xxiii) Recantos internet – sabemos que os acessos
informáticos e à internet são cada vez mais “pessoais” e agilizados em termos
de equipamentos, que nos permitem “circular” e usá-los nos mais variados tipos
de espaços privados, comuns e públicos; mas no entanto e durante muito tempo
ainda existirão infoexcluídos e para os apoiar talvez que a existência, simples
de prever, de uns poucos “recantos internet”, com computador, visor e
teclado/rato, mais dois espaços para estar sentado e um mínimo de privacidade,
pode ser uma condição interessante e enriquecedora dos espaços comuns.
(xxiv) Sala de estar informal – provavelmente o principal espaço
e elemento que integra e carateriza o conjunto dos espaços comuns de uma
intervenção residencial intergeracional equipada é a sua zona ou sala de estar,
tendo-se já referido que ela só “viverá” se forem bem estruturadas e razoavelmente
diversificadas as suas essenciais microzonas de estar e esta é uma regra tão
básica que até nas nossas salas de estar privadas funciona, ainda que no limite
possa existir apenas uma grande microzona.
Outro aspeto a ter presente é que este espaço deve ser
basicamente multifuncional e relativamente informal no sentido de ser norteado
essencialmente por aspetos de apoio a um real conforto e à existência de
condições que possam rivalizar com o excelente sossego e privacidade domésticos.
Ainda outro aspeto importante é que múltiplos
subespaços que são aqui considerados poderão integrar-se com esta zona de estar
principal, podendo esta situação ajudar a enriquecer ambiental e espacialmente o
grande e icónico espaço de estar.
(xxv) Sala de estar mais formal – como se acabou de apontar,
considera-se que o principal espaço de estar de uma intervenção residencial intergeracional
equipada deverá caraterizar-se por alguma informalidade, no sentido de um
máximo conforto e funcionalidade, e por uma equilibrada polivalência, todos
estes aspetos avessos a uma caraterização mais formal.
No entanto as referidas informalidade e polivalência
não podem ser, de nenhuma forma, sinónimo de pouco cuidado no mobilar e no
equipamento e tratamento formal destes ambientes, que na prática simbolizam o
resspetivo condomínio; devendo assim haver uma cuidada formalidade na respetiv
arquitectura de interiores, servida por afirmados aspetos de durabilidade e por
uma estratégica evidenciação de materiais e texturas naturais, que são sempre sinónimo
de dignidade e de apropriação.
(xxvi) Sala de leitura – uma sala ou um amplo recanto
extremamente cuidado e sossegado, bem iluminado e avizinhado poderá
articular-se com a principal zona de estar ou dela estar destacado, podendo até
conjugar-se com outros espaços aqui referidos; mas a sua existência e até a sua
relativa autonomização de una zona de biblioteca mais formal, ou pelo contrário
a sua assimilação (minimalista) a um simples móvel/biblioteca, constitui uma
excelente condição que propicia a leitura numa agradável base corrente e também
agradavelmente autonomizada de uma leitura mais doméstica e privada; uma
leitura funcional e reservada, mas também de certa forma aberta ao convívio
potencial, o que pode ser excelente para os referidos objetivos naturalmente
conviviais destes espaços comuns.
(xxvii) Sala de jantar comum – a existência de uma zona de
sala de jantar comum pode constituir-se num aspeto com diversos objetivos numa
intervenção residencial intergeracional equipada: pode assumir-se como o
parceiro natural da referida “cozinha gourmet”; pode constituir uma
interessante valência utilizável “com marcação”, para realização de refeições
de grupos alargados (familiares e de amigos); e pode afirmar-se como espaço
eventualmente mais formal da intervenção (aspeto este que merece posterior desenvolvimento
específico).
Um aspeto que importa sublinhar é que esta zona não
tem de se assumir centrada numa qualquer grande mesa comum – desenvolvendo-se
praticamente com a formalidade de um restaurante corrente ou, pelo contrário,
poderá assumir uma configuração comunitária como essa; e afinal o essencial é a
existência do espaço e a sua contiguidade com zonas de serviço e
especificamente de copa e de cozinha, devendo ser a sua natureza organizativa
adaptável a múltiplas pequenas mesas ou a conjuntos destas mesas agrupadas em eventuais
longas mesas conviviais.
(xxviii) Sala ou zona de jogos de mesa e convívio – focando-nos
nos tradicionais jogos de cartas, gamão, xadrez e damas, etc., que propiciam algum
convívio natural, para além do recreio do jogo, considera-se esta previsão faz
todo o sentido nos espaços comuns de uma intervenção residencial intergeracional
equipada.
(xxix) Sala de jogos de ténis de mesa (ping-pong), matraquilhos
e outros equipamentos idênticos – esta é uma previsão que tem muito interesse
considerando-se a sua direta relação com a prática de atividade física, mas que
obrigará a uma reserva especial específica e bem localizada e relativamente isolada,
devido aos ruídos produzidos na sua prática.
(xxx) Sala de Snooker/Bilhar – sendo uma possibilidade bastante
específica, ela tem muito interesse considerando-se a sua direta relação com a
prática de atividade física e mental (reflexão e ação no âmbito do jogo), muito
adequada praticamente sem limite de idade, mas que obrigará a uma reserva
especial e específica, podendo, no entanto associar-se na vizinhança de zonas
de estar diversas, desde que razoavelmente sossegadas.
(xxxi) Sala de TV e projeção audiovisual – esta é uma previsão que pode
ter dimensionamento e caraterização muito diversos, desde uma instalação
integrada em outros espaços de estar, até uma atribuição mais específica e
caraterizada; sendo importante que em qualquer dos casos a sua localização
agrida ao mínimo uma fruição calma e sossegada das principais zonas de estar.
(xxxii) Salão ou sala de convívio – trata-se de uma previsão
difícil de considerar de forma autonomizada, devendo, sim, existir a
possibilidade de se realizarem convívios bastante alargados – residentes e alguns
convidados – num espaço ou em espaços (associados para o efeito) que possam ter
outras valências correntes e provavelmente sempre numa relação direta com zonas
amplas do exterior comum e na contiguidade de espaços de apoio e serviço (ex.
cozinha, copa, etc.).
(xxxiii) SPA - Banho de imersão medicinal ou de
bem-estar – a existência
de adequadas condições para o máximo aproveitamento dos bem conhecidos benefícios
para a saúde de um agradável e prolongado banho de imersão, provavelmente
associado a algum tipo de hidromassagem – deverão ser adequadamente previstas,
provavelmente integrando um pequeno centro de SPA, e com uma agradável
caraterização ambiental, bem distinta de um carácter “medico-funcional”, o que
obriga, por exemplo, a uma boa relação com o exterior e mesmo com elementos
naturais; e evidentemente há que terem conta o número potencial de utentes e as
suas potenciais condições de movimentação (banheiras com acessibilidade com
carateristicas específicas).
A existência destas condições e tendo em conta a
eventual abertura deste ao uso externo ao condomínio, deverão ser desenvolvidos
espaços próprios e de apoio (ex., vestiários) comuns a todo o SPA.
(xxxiv) SPA – Gabinete de massagens – no âmbito de um pequeno ou
grande SPA e tendo em conta a eventual abertura deste ao uso externo ao
condomínio, poderá desenvolver-se um
serviço de massagens, que obrigará a espaços próprios e de apoio (ex., vestiários)
comuns a todo o SPA.
(xxxv) SPA - Jacuzzi – considerando-se uma sua provável integração
num pequeno centro de SPA, poderá ser assegurada a instalação de um jacuzzi, com
uma agradável caraterização ambiental, bem distinta de um carácter “medico-funcional”,
o que obriga, por exemplo, a uma boa relação com o exterior e mesmo com
elementos naturais e com espaços próprios e de apoio (ex., vestiários) comuns a
todo o SPA.
(xxxvi) SPA - Sauna – provavelmente integrando um pequeno
centro de SPA, poderá existir uma instalação de sauna com uma agradável
caraterização ambiental, e apoiada por espaços próprios e de apoio (ex., vestiários)
comuns a todo o SPA.
(xxxvii) SPA, nota geral: existindo um pequeno SPA ele
poderá ser aberto à comunidade, condição esta que obrigará a uma gestão
específica e a uma localização e acesso específicos; esta problemática deverá
ser abordada numa perspectiva de grande eficácia, podendo a resposta final
configurar um pequeno SPA privativo do condomínio e com instalações e gestão simplificadas.
(xxxviii) Zona de estar associada à entrada principal – na contiguidade ou
mesmo integrando a principal entrada do conjunto residencial intergeracional e
equipado deverá existir uma pequena zona de estar acolhedora e funcionalmente
clarificadora do carácter e funcionamento da intervenção, podendo ser aqui o
local certo para cuidadosa integração do conjunto de caixas de correio dos
residentes.
(xxxix) Zonas de apoio a serviços correntes;
matéria, que pela sua dimensão e naturezas específicas diversas, obrigará a um
seu desenvolvimento específico e posterior – aqui cabe uma verdadeira “família” de espaços
potencialmente com alguma diversidade, mas entre os quais há que evidenciar um
eventual conjunto de equipamentos de confecção de refeições (ex., cozinha e
copa, mais subespaços de apoio), outros de apoio ao tratamento de roupas ligado
aos espaços comuns e eventualmente aos espaços domésticos, outros ligados à manutenção corrente da
intervenção e aqui também mais dedicados aos seus espaços comuns ou alargados a
intervenções domésticas contratadas especificamente e “à la carte”, e ainda outros
que façam o back office centralizado
do apoio a intervenções de bem-estar e de apoio à saúde dos residentes e
contratadas também especificamente e “à la carte”.
Relação com equipamentos coletivos eventualmente
associados à intervenção residencial intergeracional – duas opçoes essenciais – na eventual integração de
equipamentos coletivos na intervenção deverão concretizar-se duas opções
alternativas: (i) ou o equipamento tem uma natureza convivial e/ou uurbana
extremamente marcada, como será o caso de um bar, de um restaurante, de um
conjunto de lojas e outros equipamentos com esta natureza, e neste caso todas
as relações com os espaços comuns da intervenção serão de acarinhar, embora
marcados os respetivos limites de responsabilidade; (ii) ou o equipamento tem
uma natureza de apoio à saúde, de apoio social, de apoio residencial oficial,
por exemplo a idosos, ou com idêntica natureza de “índole mais pública”, e
neste caso deve existir uma total separação e mesmo distanciamento claro e o
mais possível evidenciado entre os respetivos acessos e os acessos à
intervenção residencial que temos estado a abordar. São intervenções distintas,
embora potencialmente albergadas no mesmo complexo edificado.
2.7.4. Considerar muito
especificamente a grande clareza de orientação nos vários tipos de espaços
comuns da intervenção intergeracional equipada
Este aspeto
da grande clareza de orientação nos espaços comuns da intervenção
intergeracional equipada já foi globalmente abordado no presente artigo, mas
merece um pouco mais de atenção, porque, na prática e com a idade, tendemos a
fazer mais confusões nos nossos percursos, mesmo os mais habituais.
E não se
julga que uma tal preocupação seja facilmente resolvida, por exemplo, com
simples soluções gráficas e cromáticas, aplicadas às zonas de entrada dos
fogos, circulações e outros espaços comuns, considerando-se que, tanto mais
tais soluções “identificadoras” sejam circunscritas às portas de entrada dos
fogos, tanto menos elas terão êxito; sendo muito importante que se desenvolva
uma marcação mais “sólida” das principais e diversas zonas da intervenção,
clarificando-se, ao máximo, os principais percursos de ligação entre os fogos e
os acessos principais e de emergência, mas não afetando o carácter residencial
global da intervenção.
Um outro
aspeto interessante a ter em conta é a possível integração de alguns destes
percursos em “caminhos” que levem também a outros “pontos” importantes e/ou
interessantes do respetivo conjunto residencial ou, até, que façam parte de
pequenos percursos de deambulação dos habitantes que assim o desejem; mas esta
última possibilidade é talvez a mais sensível.
2.7.5. Considerar um máximo apoio às ações de
circulação de serviço e a eventuais acessos de emergência na intervenção intergeracional
equipada
Muito do
que aqui se tem referido aplica-se a aspetos de acessibilidade comum e que
podemos designar de “principal” ou corrente por parte dos moradores da
intervenção intergeracional equipada, mas evidentemente que os aplicáveis
aspetos de acessibilidade de emergência têm de estar garantidos e ao longo de
todos os percursos potencialmente usados e servindo todos os espaços comuns e
que os serviços de apoio ao residentes e os serviços de manutenção, com
destaque para os de limpeza corrente dos espaços comuns, possam ser assegurados
com um máximo de eficácia – períodos curtos de realização, eficácia do
resultado a curto e longo prazos e economia de custos.
2.7.6. Cuidar dos adequado relacionamentos entre as
zonas comuns multifuncionais e os acessos aos fogos na intervenção residencial
intergeracional equipada
A questão
de se assegurar um adequado relacionamento visual, apropriado (em termos de
identidade e de adequação visual), funcional, digno e estimulante entre as
zonas comuns e os acessos aos fogos que integram a intervenção intergeracional
equipada, é uma matéria básica da respetiva intervenção arquitectónica, que já
aqui foi abordada, mas que tem presença específica e talvez mesmo protagonista
no respetivo projeto.
Diversas
soluções têm sido aplicadas e que podem e devem ser revisitadas, algumas delas
“jogando” nos aspetos de dignificação, sobriedade e grande encerramento visual
e privatização de tais “limiares”, outras, talvez num extremo oposto projetual,
no tornar parcialmente permeável, em termos visuais, esse limiar, embora de
forma bem controlada pelo morador, mais, e frequentemente, alguns outros
aspetos de identificação e apropriação da zona comum contígua, por exemplo, com
zonas de sentar informal, ou alargamento para instalação de um espaço de
sentar, e/ou “nicho” onde se pode instalar um elemento de arte, e/ou espaços
e/ou elementos para introdução de elementos de vegetação ou flores – isto
naturalmente quando em galerias exteriores.
Mais uma vez uma opção poderá ser oferecer soluções “mistas” e/ou adaptáveis que possam ser escolhidas por cada morador ou aplicadas em zonas distintas da intervenção; julgando-se que nestes casos haverá sempre que harmonizar minimamente as situações mais “opostas”, de modo a que na globalidade a intervenção continue a ter uma adequada unidade, evitando-se até potenciais estigmas na pós-ocupação.
2.7.7. Desenvolver
adequadas condições de comunicabilidade visual nos espaços comuns da
intervenção residencial intergeracional equipada
Os espaços
comuns da intervenção intergeracional equipada não se podem limitar a uma
estratégia de acessibilidades físicas, tendo que integrar uma outra de
“acessibilidades” visuais, estimulante e ao serviço, em cada local, dos
respetivos objetivos de projeto, bloqueando vistas onde necessário e fazendo
comunicar espaços também onde seja mais adequado e tendo, evidentemente, o cuidado
de não se ultrapassarem aspetos de segurança, antes pelo contrário procurando
aprofundá-los ao máximo, mas sempre numa perspetiva agradavelmente residencial.
2.7.8. Desenvolver
adequadas condições de conforto ambiental nos espaços comuns da intervenção residencial
intergeracional equipada
O assegurar de adequadas condições de
isolamento térmico, proteção solar e contra o vento e também de isolamento
sonoro é muito importante quando queremos dotar os espaços comuns de um elevado
potencial de uso, estadia e mesmo convivialidade como é o que se deseja numa
intervenção intergeracional equipada.
Naturalmente que tais condições muito têm
a ver com as condições locais concretas de cada intervenção e com as respetivas
soluções arquitetónicas adoptadas; mas atenção aos grandes átrios envidraçados
e com vários “pés direitos”, muito interessantes em zonas com pouca insolação,
mas exigindo reforçadas condições de orientação, sombreamento e ventilação nas
nossas latitudes.
2.7.9. Desenvolver as relações com o
exterior e os respetivos espaços de transição marcando os espaços comuns da
intervenção residencial intergeracional equipada
De forma diversa já fomos abordando, neste
artigo e no que o antecedeu, aspetos que integram as relações com o exterior a
partir dos espaços comuns de uma intervenção intergeracional equipada, mas interessa,
talvez, reforçar:
- quer os aspetos essenciais que podem e
devem marcar o próprio “partido” arquitectónico mais exterior da solução, onde
tais aspetos de relação interior/exterior e vice versa podem ser usados como
elementos fortes de caraterização ou apenas como elementos suplementares da
dita;
- quer a importância e a especificidade
dos espaços e elementos de transição e relação entre interioridade e
exterioridade considerados como “tema” básico de toda a solução arquitectónica
e com diversas presenças na mesma.
Importará a propósito desta matéria, mas
com evidente aplicação em muitas outras aqui apontadas, que estes aspetos não
são, evidentemente, exclusivos de uma dada de uma intervenção intergeracional
equipada; no entanto o potencial projetual aqui existente e a sua sensibilidade
e relação com um projeto final muito adequado a uma grande diversidade de
necessidades e modos de habitar tornam-nos especialmente interessantes para
serem usados em soluções residenciais deste tipo.
2.7.10. Desenvolver átrios com
múltiplos pés direitos polarizados e/ou alongados nos espaços comuns da
intervenção residencial intergeracional equipada
O desenvolvimento de átrios com múltiplos
pés direitos polarizados e/ou alongados albergando grande parte dos espaços
comuns da intervenção residencial intergeracional equipada é uma possibilidade
que tem de se harmonizar com a dimensão da mesma, com os usos possíveis nos
amplos espaços térreos assim criados e com a sua adequada ventilação natural,
iluminação natural, proteção relativamente à insolação e segurança contra riscos
de incêndios.
São, claramente, soluções muito ricas em
termos de imagens e usos proporcionados, seja em termos comuns, seja na
marcação individualizada dos respetivos fogos – quase “exteriores”, mas com
acessos confortáveis; mas dependem dos custos associados e de uma adequada
harmonização com as respetivas condições de conforto ambiental; e há excelentes
soluções até nacionais que podem ser visitadas e estudadas.
2.7.11. Desenvolver e apoiar a integração de elementos da natureza e verdes nos espaços comuns da intervenção residencial intergeracional equipada
A integração de elementos da natureza e
verdes nos espaços comuns da intervenção residencial intergeracional equipada é
um aspeto que tem vindo a ser aqui apontado, sistematicamente, em diversos
itens, no entanto a sua importância obriga ao respetivo registo específico,
acrescentando-se, aqui, apenas, que a sua previsão deve implicar a sua
cuidadosa programação, designadamente, em termos de dimensionamento e
constituição das floreiras e locais para vasos, existência de iluminação
adequada (quando aplicável) e existência de pontos de água para rega e/ou de
rega automática.
2.7.12. Desenvolver uma forma geral
equilibradamente uniforme e/ou variada nos espaços comuns da intervenção
residencial intergeracional equipada
Já perto do remate desta reflexão sobre a
caraterização dos espaços comuns de uma intervenção
residencial intergeracional equipada voltamos, de certo modo, a aspetos
abordados no início desta pequena “viagem”, considerando que a respetiva forma
geral deve ser equilibradamente uniforme e/ou equilibradamente diversificada
consoante o partido arquitectónico aplicado caso a caso, a tipologia edificada
geral, e, naturalmente, a dimensão de cada intervenção.
Estas considerações não são óbvias, porque
ao avançar-se numa renovada tipologia de habitar e com expressivo potencial de convívio
vicinal há que antecipar ao máximo aspetos ligados à sua imagem final, pois não
podemos esquecer que estamos a procurar fazer conviver pessoas e agregados
muito distintos, muitas pessoas com potenciais idiossincrasias complexas ou
mesmo difíceis, como será o caso de muitos idosos e de pessoas sós e com
hábitos muito marcados, e que, portanto, há que tentar proporcionar-lhes uma
solução que também tenha uma imagem global realmente apelativa, para além de um
conteúdo funcional e formal adequado.
2.7.13. Dispor elementos decorativos
nas paredes dos espaços comuns da intervenção residencial intergeracional
equipada
Depois de um aspeto tão estruturante como
foi o último, aborda-se, brevemente, um aspeto também formal, mas de grande
pormenor, que é a possível disposição de elementos decorativos nas paredes dos
espaços comuns da intervenção residencial intergeracional equipada.
E sobre esta matéria importa,
essencialmente referir que a “filosofia” aplicada no arquitectura de interiores
de tais espaços comuns não pode ser a mesma dos “frios”, impessoais e mínimos
espaços comuns de conjuntos residenciais correntes; tem de haver um “salto em
frente” e verdadeiramente qualitativo, em termos de residencialidade, calor
humano, apropriação e identidade, mas que tem de ser adequado a uma ampla
diversidade de caraterísticas etárias e socioculturais e a todos os aspetos de
acessibilidade e segurança aplicáveis.
2.7.14. Prever, conjuntamente, uma
grande facilidade de manutenção e uma grande dignidade e atratividade de imagem
geral e particularizadas nos espaços comuns da intervenção residencial intergeracional
equipada
Trata-se de uma matéria que foi sendo
abordada ao longo desta reflexão, há que prever, conjuntamente, uma grande
facilidade de manutenção e uma grande dignidade e atratividade de imagem geral
e particularizadas na globalidade dos espaços comuns da intervenção residencial
intergeracional equipada.
De certa forma há que conciliar o que é,
aparentemente, pouco conciliável, ambientes envolventes, calorosos,
razoavelmente marcantes, bem pormenorizados, atraentes e apropriáveis e
condições extremamente funcionais na sua limpeza, manutenção e reparação.
2.7.15. Ter em conta a dimensão
social da intervenção residencial intergeracional equipada e a sua
aplicação mais concentrada ou mais
distribuída
Conclui-se, para já, esta reflexão,
razoavelmente sistemática, sobre as caraterísticas desejáveis na globalidade dos
espaços comuns de uma intervenção residencial intergeracional equipada com uma
brevíssima abordagem de um aspeto “estrutural” nesta matéria e que tem a ver
com as respetivas dimensões sociais talvez preferenciais, considerando problemáticas
tão variadas, mas tão essenciais, como:
- a positiva diversidade dos potenciais
contatos sociais;
- o possível limite “superior” de vizinhos
a partir do qual tal um tal potencial de convivência fica dificultado por
excesso de relações potenciais e até por eventuais problemas de gestão do
condomínio;
- números de pequenos fogos associados que
sejam eventualmente mais adequados para poderem ter cuidados de manutenção
razoavelmente centralizados – e aqui o conhecimento hoteleiro pode ser bem
importante;
- números de residentes que sejam
eventualmente mais adequados para poderem ter cuidados ao nível de apoios de
bem-estar e mesmo de saúde com alguma adequação – e aqui provavelmente as
informações dos equipamentos coletivos residenciais de apoio a idosos podem ser
de grande utilidade;
- e uma idêntica reflexão considerando os
números de residentes que possam justificar cuidados de gestão local e
continuada mais “firmes” e sustentados – números estes que provavelmente serão
elevados.
Tendo em conta tudo isto e provavelmente
mais alguns aspetos ainda a juntar, haverá que avançar para intervenções que
podemos designar como mais “concentradas” ou mais “distribuídas”, e sendo que
neste último caso poderão existir condições de apoios vários e de gestão
aplicadas globalmente, desde que a referida repartição seja territorialmente
adequada.
2.7.16. Ter em conta o conjunto de
aspetos de dimensionamento dos espaços e equipamentos comuns da intervenção
residencial intergeracional
Esta reflexão não é mais do que uma “porta
aberta” a posteriores desenvolvimentos salientando-se, apenas, que, para uma
dada opção arquitectónica numa intervenção residencial intergeracional
equipada, importará ter em conta, designadamente:
- o local, evidentemente, e os seus
condicionalismos urbanos e desejáveis aspetos de centralidade;
- os parâmetros bem conhecidos associados
aos diversos patamares de custos do edificado associados às suas diferentes
alturas e respetivos equipamentos e condições de segurança;
- os diversos tipos de acessibilidade geral
possíveis e desejáveis;
- as diversas caraterísticas domésticas
associadas aos possíveis tipos de fogos, com destaque para os respetivos
aspetos de conforto ambiental;
- as fundamentais questões ainda pouco
exploradas e associáveis aos aspetos gerais de dimensionamento social da
intervenção.
E, finalmente, um importantíssimo aspeto “numérico”
e potencialmente regulamentar ou recomendativo a desenvolver e referido ao
dimensionamento geral dos espaços comuns da intervenção e designadamente aos
espaços associados a espaços e equipamentos comuns que não sejam de acesso aos
fogos; e aqui, já o referimos, há uma realidade ligada a uma ideia de que todo
o metro quadrado dedicado a estes últimos espaços acaba por ser, de certo modo,
subtraída aos respectivos espaços domésticos, mas esta não pode ser uma
realidade que marque, porque estamos aqui a abordar uma nova tipologia
residencial que, sendo nova, não pode regular-se pelos dados que caraterizam
outras distintas tipologias.
Mas, naturalmente, esta razão da novidade
tipológica residencial não justifica uma extensão excessiva dos respetivos
espaços comuns, devendo existir alguns parâmetros razoáveis de áreas comuns ou
até uma sua razoável gradação e sendo que o respetivo desenvolvimento para além
destas áreas será sempre possível, mas provavelmente não terá apoios oficiais
específicos ou, melhor, irá tendo uma sequencial redução dos mesmos consoante
esse desenvolvimento.
Notas muito breves sobre a continuidade e conclusão do estudo relativo à Habitação Intergeracional, Equipada, Adaptável e Participada
No próximo e último artigo de conteúdo do estudo e respectiva série
editorial irei voltar a tentar opinar de modo informal e o mais possível
discursivo, mas com bastante brevidade, sobre o que julgo ser mais
importante nas vizinhanças de soluções marcadas por intergeracionalidade
residencial, multifuncionalidade, apoio de equipamentos e serviços e adequada
integração urbana e paisagística. E assim se irá concluir, para já, a
divulgação de conteúdos associados ao estudo sobre renovadas soluções
residenciais intergeracionais, equipadas, adaptáveis e participadas – o estudo
designado por “Programa de Habitação Adaptável Intergeracional Cooperativa a
Custos Contolados – PHAI3C”.
Anexo: Listagem dos artigos sobre propostas concretas de apoio à conceção de soluções de habitação intergeracional adaptável, equipada e participada (PHAI3C) – com links/ligações diretas aos respetivos textos, Ctrl + clique ir para ligação
. COELHO, António Baptista – Infohabitar, Ano XXI, n.º 955 – Perfis de projeto de uma
nova forma de habitar adaptável, intergeracional, equipada e participada –
infohabitar # 955, Lisboa,
quarta-feira, 26 de novembro de 2025. (6 p.)
. COELHO, António Baptista – Infohabitar, Ano XXI, n.º 957 – Enquadramento de novas
soluções residenciais intergeracionais, adaptáveis, equipadas, participadas e
económicas (PHAI3C) – Infohabitar # 957, Lisboa, quarta-feira, 10 de dezembro de 2025. (5
p.)
. COELHO, António Baptista – Infohabitar, Ano XXII, n.º 965 – Pormenorização
residencial criadora de ambientes estimulantes, multifuncionais e
intergeracionais (I) – infohabitar # 965, Lisboa, quarta-feira 18 de fevereiro de 2026. (12 p. 6 figg.)
Notas editoriais
gerais:
Embora
a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo
corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada
por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos
artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais
dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da
exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
No
mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a
utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por
exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva
responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as
respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.
Para
se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da
Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa
de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a
tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo
GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à
respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas
e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do
teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou
negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi
recebido na edição.
Oportunamente
haverá novidades no sentido do gradual, mas expressivo, incremento das
exigências editoriais da Infohabitar, da diversificação do seu corpo editorial
e do aprofundamento da sua utilidade no apoio à qualidade arquitectónica
residencial, com especial enfoque na habitação de baixo custo.
Ambientes e Equipamentos Comuns Multifuncionais em Soluções Residenciais Intergeracionais (I) – infohabitar # 986
Informa-se que para aceder (fazer download) do mais recente
Catálogo Interativo da Infohabitar, que está tematicamente organizado em mais
de 20 temas e tem links diretos para os 960 artigos da Infohabitar,
existentes em janeiro de 2025 (documento pdf ilustrado e com mais de 80
pg), usar o link seguinte:
https://drive.google.com/file/d/1FGRm5wfskdl54Lf7BhoDTmojcBDiveSf/view?usp=sharing
Infohabitar, ano XXII, n.º 986
Edição:
quarta-feira 15 de Julho de 2026
Editor:
António Baptista Coelho
Arquitecto/ESBAL
– Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP –
Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal
com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo pelo LNEC.
Os aspetos técnicos do lançamento da Infohabitar
e o apoio continuado à sua edição foram proporcionados por diversas pessoas,
salientando-se, naturalmente, a constante disponibilidade e os conhecimentos
técnicos do doutor José Romana Baptista Coelho.
Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa
para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na
Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).



