Microespaços e Ambientes Privados Intergeracionais, Domésticos e Adaptáveis (I)- infohabitar # 984
Informa-se que para aceder (fazer download) do mais recente
Catálogo Interativo da Infohabitar, que está tematicamente organizado em mais
de 20 temas e tem links diretos para os 960 artigos da Infohabitar,
existentes em janeiro de 2025 (documento pdf ilustrado e com mais de 80
pg), usar o link seguinte:
https://drive.google.com/file/d/1FGRm5wfskdl54Lf7BhoDTmojcBDiveSf/view?usp=sharing
Infohabitar, ano XXII, n.º 984
Edição:
quarta-feira 1 de Julho de 2026
Editorial
Afinal e após termos “quase finalizado” no último artigo, da semana
passada, o estudo teórico-prático do PHAI3C - Programa de Habitação
Adaptável Intergeracional Cooperativa a Custos Controlado, agora aqui
referido, frequentemente, como “uma nova forma de habitar adaptável,
intergeracional, equipada e participada”, não iremos, para já, fazer o então referido
intervalo de reflexão, mas sim, e aproveitando a “embalagem”, avançar para um pequeno conjunto de artigos
associados aos diversos níveis físicos residenciais e onde tentaremos
sintetizar conjuntos de conclusões e, essencialmente, de opiniões práticas e de
apoio à conceção arquitectónica no âmbito de uma intergeracionalidade
residencial equipada e participada.
Vamos avançar nesta fase final de uma forma estratégica, realizando
reflexões claramente opinativas sobre os referidos níveis físicos residenciais,
mas não tentando esgotar tal reflexão de uma única vez, e num único artigo e
por isso a designação “I” que remata o título do presente artigo, que é
dedicado aos designados “microespaços” intergeracionais, domésticos e
adaptáveis.
Com as minhas saudações cordiais,
António Baptista Coelho
Editor
da infohabitar
Microespaços e Ambientes Privados Intergeracionais,
Domésticos e Adaptáveis (I)- infohabitar
# 984
1. Introdução aos artigos de remate do estudo sobre intergeracionalidade residencial adaptável equipada e particidada (PHAI3C)
Nas matérias associadas a propostas concretas e mais
conclusivas de apoio à conceção de soluções de habitação intergeracional
adaptável, equipada e participada, o estudo realizado (PHAI3C) tem já um conjunto razoável
de artigos, que são devidamente referidos no final do presente artigo e com os
seus links específicos para os respetivos textos completos.
Este conjunto de artigos onde procuramos apresentar, essencialmente, opiniões práticas e de apoio à
conceção arquitectónica no âmbito de uma intergeracionalidade residencial
equipada e participada já
abordou as seguintes matérias:
- Sobre a natureza básica da intergeracionalidade residencial –
infohabitar # 974
- Bases e objetivos de uma adequada
intergeracionalidade residencial – infohabitar # 975
- O que se julga essencial para uma ampla intergeracionalidade
residencial (I) – infohabitar # 967
- Intergeracionalidade Residencial e
Habitaterapia – infohabitar # 972
- Aproximação ao dimensionamento de conjuntos residenciais
intergeracionais – infohabitar # 973
No
presente artigo e em próximos a editar na infohabitar vamos desenvolver a
matéria da intergeracionalidade residencial, adaptável, equipada e participada
sequenciando exatamente a partir do artigo referido aqui, por último, na
listagem acima (sublinhado), e que abordou uma “Pormenorização
residencial criadora de ambientes estimulantes, multifuncionais e
intergeracionais”, avançando para os seguintes níveis físicos residenciais e
portanto e sequencialmente para os espaços: domésticos, comuns essencialmente
de circulação, comuns multifuncionais, e de vizinhança próxima.
Mantendo um essencial sentido prático e evitando-se, portanto, reflexões muito longas e que se julgam pouco necessárias, tendo-se em conta a extensão que este estudo já tem – visível nos 73 artigos já aqui editados e sempre interactivamente disponíveis no artigo Soluções Residenciais Adaptáveis Intergeracionais e Participadas: base documental - infohabitar # 983 - vamos avançar nesta fase final de uma forma estratégica, realizando reflexões claramente opinativas sobre os referidos níveis físicos residenciais, mas não tentando esgotar tal reflexão de uma única vez, e num único artigo e por isso a designação “I” que remata o título do presente artigo, que é dedicado aos designados “microespaços” intergeracionais, domésticos e adaptáveis.
Fig. 03: uma simulação arquitectónica apenas “experimental” e associável a uma intervenção residencial e urbana, adaptável e participada - realizada com base em diversas ferramentas de IA (conjuntos de microespaços domésticos)
2. Conjunto de “microespaços” e
condições/ambientes privados intergeracionais, domésticos e adaptáveis
Numa perspetiva que faz evidentemente lembrar os sempre incontornáveis “padrões/patterns”
de Christopher Alexander, que aliás são sempre essenciais considerar,
apontamos, em seguida, e comentamos numa primeira “viagem de descoberta”, um
conjunto amplo de espaços e de “condições” domésticas, ou ambientes
domésticos, a eles aplicáveis e que se consideram de grande interesse no desenvolvimento
de espaços domésticos privativos associados a soluções residenciais
intergeracionais, adaptáveis e equipadas.
Considerando-se a diversidade dos microespaços e
condições/ambientes a ter em conta optou-se, para já, pela sua apresentação em simples
ordem alfabética; posteriormente poderemos, eventualmente, avançar para uma
apresentação mais estruturada.
Considerando-se a extensão desta temática específica
neste artigo “I”, as notas, em seguida, apresentadas são, individualmente,
pouco ddesenvolvidas e relacionam-se, essencialmente, quer com a existência
potencial de um espaço doméstico pouco extenso e de reduzida tipologia, quer
com o seu uso por pessoas mais idosas e recentemente mudadas de “habitações
familiares” e/ou por pequenos agregados familiares e/ou por pessoas pouco
dedicadas a “lides domésticas”; relativamente a condições de uso mais
genéricas existem já, naturalmente, muitos estudos aplicáveis, embora, há que
registar, realizados numa “lógica” que julgo ser excessivamente funcionalista e
que, portanto, urge revisitar e reformular – mas esta “viagem” ficará para
outras calendas, embora se possa, desde já, antecipar nos comentários específicos
que se seguem.
(i) Aplicar
boas condições de comunicação e de segurança no controlo das acessibilidades na habitação
Deve ser muito fácil o contacto a partir da habitação
com a entrada no edifício e extremamente clara a visibilidade sobre o espaço
contíguo à porta da habitação, sendo esta muito segura mesmo quando entreaberta;
julga-se que no equipamento de controlo de acesso e comunicação poderá ser
integrado um botão de emergência (com funcionalidades a definir).
(ii) Apoiar
uma movimentação fácil e segura na habitação
Usar uma habitação de forma adequada e
segura em termos dos aspetos de movimentação é condição básica para podermos
tirar o máximo partido em termos de frequência de uso e de duração do uso dos
diversos microespaços que integram essa habitação, reduzindo-se bloqueios
físicos e visuais e dinamizando-se a apropriação e o usufruto de todos os
espaços domésticos.
Nesta matéria entram aspetos específicos
como, naturalmente, os de um adequado dimensionamento de vãos de porta e
passagens, tendo-se em conta usos eventuais por pessoas em cadeira de rodas, os
de uma adequada antecipação de percursos, de equilibrado bloqueio e permissão
de vistas e de diversificação mas também atraente continuidade dos pavimentos,
considerando aqui de modo muito específico as questões ligadas à regularidade
destes pavimentos e à sua segurança contra escorregamento, mesmo molhados e à
facilidade da sua manutenção; aspetos estes que assumem importância especial
quando os habitantes são idosos e fragilizados.
Para além de tudo isto haverá ainda que
ter em conta importantes aspetos de apoio a eventuais evacuações de emergência;
aspetos estes que deverão ser considerados de modo particular e específico.
(iii) Apropriar a zona de entrada da habitação
Para além de dever ser arquitectonicamente
bem marcada e acolhedora, a zona de entrada na habitação deve poder ser
apropriada pelos moradores, havendo espaços disponíveis para encostar
mobiliário e elementos decorativos nas paredes. Sabemos que o espaço será relativamente
sempre reduzido, mas mesmo assim podem ser razoavelmente cumpridas estas
condições.
Quanto à apropriação pelo lado comum do
acesso ela será abordada nos “espaços comuns de circulação”, mas desde já se
aponta que a condição essencial é uma grande dignidade e alguma, controlada,
domesticidade, devendo a apropriação poder ser aceite e até incentivada, mas
dentro de regras consensualizadas e clarificadas.
A possibilidade de existência de um “sinal”
de iluminação e semi-transparência a partir do espaço comum, mas que não
comprometa a segurança, será sempre uma condição muito estimulante.
(iv) Arrumar
livros e/ou memorabilia (coisas dignas de memória) na habitação
Livros e memorabilia – objetos e imagens
dignas de memória – ajudam muito na criação de um estimulante, envolvente e
agradavelmente protector ambiente doméstico; condição esta que é essencial,
designadamente, quando encaramos “expatriados” de habitações familiares e vividas durante muitos anos.
No entanto há que ter em conta alguns
aspetos práticos, entre os quais se salientam os seguintes: por vezes existe
uma reduzida prática de acumulação de tais elementos e, assim, por exemplo um
elemento específico para tal finalidade poderá ficar desagradavelmente sub
utilizado; outras vezes existe uma grande quantidade de tais elementos e será
sempre difícil acolhê-los; e há gostos de habitar marcados por uma forte e dita
“racionalidade” ou minimalismo nestas áreas e que, assim, não irão encarar
positivamente tais condições.
Considerando tudo isto talvez que a melhor
solução seja a existência de um espaço maior na zona de estar e eventualmente
outros mais pequenos na entrada e na zona de quarto que possam ser ocupados por
mobiliário adequado a uma tal finalidade ou por outras opções facultativas
(ex., um aparador, mais um sofá, parede cheia de quadros e outros elementos
pendurados).
(v) Cozinhar
(e conviver) na habitação
As opções pelo espaço para cozinhar
poderão ser marcadas por uma escolha básica entre a integração na zona de estar
ou a existência de um espaço específico parcial ou mesmo totalmente
“independente”; sendo que se refere, desde já, que esta última opção será
provavelmente a mais adequada ao assumir do “cozinhar” até mesmo como uma importante
atividade, no dia-a-dia ou como passatempo que marque, por exemplo, a
aposentação.
Sendo assim considera-se que as condições
funcionais amplas de apoio ao cozinhar não são “negociáveis” (ainda que possam
ficar por utilizar), e mesmo quando haja integração na zona de estar devem ser
maximizadas designadamente no sentido de afetarem o menos possível o conforto
no uso da habitação.
Um outro aspeto que importará ter em conta
é a possibilidade de se associar o cozinhar com as refeições em espaço próprio
e dignificado, o que poderá ser até extremamente positivo para um uso mais rico
e autonomizado da zona de estar.
Em qualquer condição escolhida as “imagens”
do espaço e dos diversos mobiliários fixos e equipamentos para cozinhar devem
estar extremamente integradas na respectiva e global arquitectura de interiores
sendo extremamente dignificadas e atraentes, para além de muito funcionais e
seguras no uso e permitindo, por exemplo, o uso por pessoas sentadas; podemos
sintetizar referindo que a respetiva e essencial funcionalidade e segurança no
uso não tem de ser expressa na respetiva imagem, afinal hoje em dia até nos
laboratórios se procuram “domesticar” os respetivos ambientes.
(vi) Desenvolver
um ambiente geral e subambientes clarificados e bem legíveis na habitação
Esta é uma daquelas condições que
alfabeticamente só aqui surge, mas que estruturalmente deve estar à cabeça
desta listagem, sendo que é fundamental por diversas razões, entre as quais, em
primeiro lugar, as da segurança e
agradabilidade no uso diário e eventualmente por pessoas com dificuldades de
movimentação e/ou de percepção e porque a eventual contenção de espaciosidades
e tipologias deve ser harmonizada por uma excelente regularidade formal geral
em termos de volumetrias, enfiamentos visuais e fácil antecipação da
organização da habitação.
(vii) Desenvolver
arrumações especiais adequadas, ergonómicas e atraentes – pessoais, de cozinha,
de casa de banho e gerais na habitação
Espaços razoavelmente contidos devem
contar com arrumações específicas adequadas e bem localizadas, caso contrário
tenderão para um caos no respetivo uso e apropriação; e o exemplo típico é o
que acontece, por regra, nas caravanas, onde todo o espaço é aproveitado e ao
máximo e de forma por vezes camuflada.
Tal como acabou de ser apontado, deveria
ser evidente que a existência de excelentes condições funcionais e estratégicas
de arrumação em ambiente doméstico não significa que as respetivas imagens “tenham
de ser” friamente funcionais.
No âmbito deste estudo há que acrescentar
que todas as arrumações devem ser projetadas com um máximo de condições de
ergonomia e segurança no uso e privilegiando-se o seu uso por pessoas com
dificuldades de movimentação e/ou de perceção, sendo que todas as outras pessoas
irão com isso ganhar em termos de conforto e estímulo no uso.
(viii) Desenvolver
o tratamento dos vãos exteriores como elementos geradores de microespaços atraentes,
funcionais e saudáveis na habitação
Neste particular temos mesmo o sentido do
microespaço doméstico muito evidenciado, porque a ideia que se quer passar é
que em qualquer projeto de arquitetura de interiores, mas de forma muito
evidenciada quando existem condições de espaciosidade mais contidas, há que
tirar o máximo partido arquitectónico e de uso pelos moradores das zonas que
estão na contiguidade e na proximidade dos vãos exteriores, seja por adequado
tratamento destes últimos – ex., bandeiras que permitam um seu uso
diversificado, peitoris largos e úteis, etc. –, seja pelo privilegiar de tais pequenas
zonas em termos de uso e de arranjo dos espaços domésticos contíguos; uma
grande janela não pode ser só “uma janela grande” em termos dimensionais, tem
de ser um pequeno “acontecimento” arquitectónico extremamente marcante por si
só e como elemento de uma composição que deve ser, depois, ativa e diversamente
participada pelo habitante.
Evidentemente que a fenestração tem tudo a
ver com a essencial insolação e o também essencial e respetivo controlo por
orientação e sombreamento, sendo estes aspetos fundamentais para uma habitação
que apoie o bem-estar e a saúde dos seus habitantes, em geral, e daqueles mais
fragilizados em particular.
(ix) Desenvolver
um espaço globalmente bem isolado em termos sonoros e térmicos na habitação
Nesta matéria encaramos, por um lado, a
habitação integrada num edifício intergeracional como uma “célula” que deve ser
extremamente autonomizada e adequada em termos do seu respetivo isolamento
térmico e sonoro, por razões ligadas a podermos estar em presença de moradores
extremamente sensíveis a estes aspetos de conforto ambiental; como importa
também que exista uma grande autonomização sonora de cada habitação
relativamente a outras habitações e aos espaços comuns, pois só assim se poderá
aplicar uma verdadeira e diversificada estratégia intergeracional e de
aceitação positiva de múltiplas exigências, necessidades e gostos pessoais,
afinal, apenas separados por “simples”
paredes (ex., pessoas mais e menos ruidosas, pessoas que exigem um máximo de
sossego, pessoas que gostem de ouvir música, etc.); como ainda é muito
importante que mesmo no interior de cada habitação a sua eventual menor
espaciosidade possa ser bem compensada pela maximização do isolamento sonoro e
térmico entre várias das suas microzonas.
Naturalmente que o isolamento sonoro e o
seu controlo são aspetos fundamentais para uma habitação que apoie o bem-estar
e a saúde dos seus habitantes, em geral, e daqueles mais fragilizados em
particular, existindo microzonas domésticas onde tais condições são vitais,
como é o caso das zonas de dormir e de estar.
(x) Desenvolver
uma iluminação interior criadora de ambientes atraentes e funcionais e seguros na habitação
Considerando-se que, realmente, a
iluminação natural e artificial é (re)criadora dos respetivos espaços
interiores e de relação interior-exterior e tem uma importância enorme na saúde
e no bem-estar dos habitantes e na sua segurança (movimentação e variadas
atividades) – provada por inúmeros estudos científicos –, é essencial e assume
uma importância ainda maior quando estamos num quadro de ambientes domésticos
espacialmente contidos, como é o caso, que o projecto de iluminação natural e
artificial assuma importância vital e não seja (des)considerado como é habitual
em tantos casos.
Projectar espaços domésticos também com a
luz natural e artificial é complementar um dado espaço com novos e quase
insuspeitados ambientes que definem microespaços extremamente apetecíveis e
diversificados e que, quando escurece e é de noite, recriam o ambiente dando-lhe
quase novas formas e aspetos específicos de agradabilidade e de envolvência.
E, evidentemente, a essencial leitura clara
e segura dos espaços domésticos depende diretamente da sua adequada e
estratégica iluminação, sendo ainda mais importante, em termos de legibilidade
de segurança quando os habitantes podem ter condicionamentos vários em termos
de mobilidade e de perceção.
Para além de tudo isto haverá ainda que
ter em conta importantes aspetos de apoio a eventuais evacuações de emergência;
aspetos estes que deverão ser considerados de modo particular e específico.
(xi) Desenvolver
uma ventilação natural criadora de ambientes atraentes, agradáveis, saudáveis e
seguros na habitação
O que se referiu com a iluminação natural
tem bastante a ver com os aspetos de ventilação natural, que estão,
designadamente, ligados ao projeto de pormenor dos vãos exteriores, com o
respetivo controlo das entradas/saídas do ar e com a essencial estratégia de
circulação do ar no interior da habitação, privilegiando-se a ventilação
cruzada e que faça um adequado varrimento da volumetria interior dos diversos
microespaços domésticos.
Caso tais condições sejam cumpridas e
tendo em conta os associados aspetos de orientação solar e de sombreamento das fachadas,
será possível um uso adequado dos diversos microespaços domésticos, não
existindo locais do fogo pouco ou nada usados porque não sendo aí possível um
tal controlo.
Outros aspetos que podem afetar de forma
grave a agradabilidade do interior de uma habitação e designadamente de uma que
seja espacia e/ou tipologicamente reduzida, é a deficiente ventilação das casas
de banho e dos espaços onde se cozinha; e aqui haverá escolhas essenciais a
fazer, seja em termos de devermos usar as melhores soluções técnicas
disponíveis, pois até em termos de segurança são aspetos muito sensíveis; seja
em termos das opções a fazer por proporcionar, ou não, vãos exteriores – ou
quase exteriores - a esses espaços de casa de banho e de cozinha, aspetos estes
que nos levam longe em matéria de projecto de arquitectura.
Finalmente um outro aspeto muito
importante tem a ver com uma atenção especial que deve ser dedicada à
ventilação quando possam existir pessoas acamadas ou com exigências específicas
de apoio e de uso dos espaços domésticos, seja por exigências próprias, seja
pela necessidade de total isolamento de tais condições relativamente às
habitações contíguas ou próximas.
(xii) Desenvolver
microespaços cromáticos e até texturais na habitação
Evidentemente que ao estarmos a considerar
a estruturação de uma dada habitação em microespaços, estamos a prever, também,
a sua e respectiva estrututação cromática, que deverá ser muito cuidadosa no
sentido de aproveitar aos máximo os variados aspetos estratégicos da cor
interior, vitalizando ambientes, tornando-os visualmente mais folgados – o que
será muito útil em casos de um dimensionamento mais controlado –, mas também
procurando uma certa unidade global do espaço doméstico, que lhe permita uma
leitura geral impactante, ainda que com variações locais, ajudando a
caraterizar microespaços e panos de parede estratégicos, seja apenas pela cor,
seja também pela judiciosa aplicação de algumas texturas, com natural destaque
para as naturais, que se revelam extremamente humanizadoras e geradoras de
satisfação.
(xiii) Dispor
móveis “familiares” e/ou especiais na habitação
Quando, eventualmente, deixamos uma nossa
habitação familiar (por aí termos criado a família e por a ela estarmos muito
familiarizados) e fazemos um downsizing ou rightsizing para uma
outra habitação mais pequena em termos dimensionais gerais e/ou em termos
tipológicos – sendo esta última possibilidade aquela que parece ser a mais
adequada –, deveríamos poder fazer também um razoável downsizing dos
nossos bens pessoais e familiares – mobiliário, bens pessoais, outro recheio e
memorabilia – com os quais pretendemos conviver na nova habitação; não
parecendo ser possível tudo lá “encaixar”, mas também não parecendo
saudável e humano despojarmo-nos das
nossas memórias inertes, mas para nós bem vivas; e por isso a capacidade de
aceitação da nova habitação relativamente à instalação de mobiliário deve ser
extremamente significativa e deve marcar variados microespaços da mesma, sendo
muito pouco agradável e adequado uma reduzida e quase caricata solução do tipo
“e aqui tem um espaço reservado para encostar um móvel de família”.
Se optarmos por um downsizing
tipológico, por exemplo de um T4 para um T2, mas mantendo por exemplo uma
excelente zona de estar, julga-se que esta condição é perfeitamente exequível,
havendo apenas que equilibrar espaços de parede para encosto de móveis e espaço
de parede para pendurar quadros e outros elementos.
Mas uma condição parece ser estratégica: é
que uma tal disponibilidade de paredes deve marcar TODA a habitação e não apenas a sua zona de estar,
proporcionando, por exemplo, encostar um pequeno móvel antigo e envidraçado na
casa de banho ou outro na zona de cozinha ou até num corredor largo; mas
atenção, que tais condições obrigam a uma cuidadosa pormenorização da respetiva
arquitetura de interiores, marcada por um tratamento global de todo o fogo, sem
“funcionalismos” sem sentido nas casas de banho e cozinha e com um global
objetivo de humanização e “domesticação” (homifying) de todo o espaço
doméstico; e não haja dúvida que num tal processo é claramente muito favorável
a existência de um adequado acompanhamento profissional . e digo “adequado” por
não fazer aqui qualquer sentido a introdução de opiniões e aconselhamentos que
não sejam marcadas por um grande sentido de participação e respeito pelos habitantes.
(xiv) Dispor quadros e elementos decorativos nas paredes da habitação
O que se acabou de referir relativamente
ao mobiliário, aplica-se em boa parte à interessante disponibilidade de paredes
para serem valorizadas e, por sua vez, para valorizarem a habitação com
conjuntos de elementos gráficos e artísticos diversos; e é sempre possível
aplicar soluções simplificadas de pequenos suportes a certas alturas, onde
depois os habitantes simplesmente pousam quadros variados, evitando-lhes,
assim, a sempre difícil composição de um dado pano de parede com um conjunto de
elementos de decoração e arte (apenas relativamente fácil para poucos) e
proporcionando-lhes a simples e estimulante substituição, total ou parcial, de
tais elementos ao longo do tempo, uma condição que por si própria pode reforçar
a positiva apropriação da habitação e dar mais um pouco de vitalidade ao espaço
doméstico.
E nesta matéria não são só elementos
gráficos/artísticos a considerar, mas também a importantíssima marcação de
ambientes com variadas fotografias ou até com estratégicos espelhos, que acabam
por aumentar visualmente os espaços.
(xv) Dormir,
descansar na habitação
As questões ligadas ao espaço da cama ou
camas, ou à zona de dormir e descansar, têm sido extensamente tratadas pro
estudos muito funcionais, mas aqui o que nos interessa mais é, por um lado:
considerar que a existência de um espaço privatizável para instalar uma cama
deve ser um aspeto a privilegiar sempre, sendo a tipologia “T0/quarto
simples sem recanto para dormir” altamente criticável, a não ser, talvez, em
situações muito específicas ligadas por exemplo a habitação “periódica” para
estudantes, em que uma tal opção será sempre muito preferível ao quarto duplo
ou à quase “camarata”; e, por outro lado, considerar que decorativamente a cama
e a zona de cama podem assumir aspetos e um caráter de zona de estar, sendo a
cama potencialmente convertida num sofá fundo, o que não sendo fácil parece ser
uma solução a explorar – e foi explorada até por grandes Arquitectos nas suas
próprias habitações, como foi o caso de Charles Moore.
Para além destes aspetos, talvez mais
estruturais, há aspetos interessantes em que poderemos associar à zona de
quarto, independente ou mesmo em recanto ou privatizada por uma ampla porta de
correr, outras atividades, como o estudo e o trabalho em casa, que ganham muito
com os aspetos de privacidade e sossego que marcam tendencialmente a zona de
quarto, mas tal condição exige um pouco mais espaço suplementar embora possa
ser “conquistada”, estrategicamente, por um pontual e pormenorizado alargamento
de uma zona de passagem obrigatória e/ou embebida por exemplo em vãos de janela
(como acontece em algumas cadeias de hotéis mais em conta).
Uma coisa é certa, julga-se que será
sempre de associar à zona de quarto outros microespaços domésticos (ex., ler,
estudar, ouvir música, aceder a varanda), ainda que tais surjam também noutros
pontos da habitação, numa agradável redundância de possibilidades de uso, que é
também factor de aparente maior espaciosidade.
Finalmente um outro aspeto muito
importante tem a ver com uma atenção especial que deve ser dedicada às diversas
condições de conforto ambiental na “zona de quarto” – ventilação natural e
artificial, insolação controlada, controlo da luz natural com possibilidade de
total obscurecimento, isolamento sonoro e conforto térmico – e de vistas
interiores e exteriores estimulantes, de forma geral e sempre que possam existir pessoas acamadas ou com
exigências específicas de apoio e de uso dos espaços domésticos, o que é, afinal,
condição básica e geral num conjunto residencial intergeracional.
(xvi) Entrar no espaço privado da habitação
Acima já se abordou em parte esta “micromatéria”,
quando tratámos a apropriação do espaço de entrada na habitação, mas agora
faz-se um direcionamento específico à “condição” de se “entrar no nosso espaço
privado/doméstico” ou de entrarmos no “espaço privado de outrem”, situações com
alguma semelhança, mas também bem distintas e que muito ganham pelos aspetos
que podem e devem trazer uma positiva caraterização a uma dada habitação.
Iremos aqui ser muito breves nestas
matérias, referindo, apenas, que a referida condição “de entrar” se inicia,
realmente, fora da porta de entrada, quando paramos junto dela e sentimos o
microespaço que aí nos rodeia – ou que tantas vezes, infelizmente, aí não
existe –, matéria a que nos dedicaremos ao tratar os espaços comuns do
edifício; e se prolonga então, depois da porta, por uma zona de entrada que
deve ser um pouco o “cartão de visita” da nossa habitação, mas também o
informal ambiente de boas-vindas que nos acolhe diariamente, e que, depois, tem
como principal papel encaminhar-nos para as principais zonas da nossa habitação;
e, já agora, em sentido contrário apoiar-nos numa fácil e clarificada saída do
espaço doméstico.
Acrescenta-se, apenas, que no caso de
estarmos em presença de uma habitação tipologicamente reduzida, a tentação
poderá ser a de nos abstermos de um tal espaço em favor da zona de estar, e,
então, provavelmente esta última vai transformar-se, negativamente, num grande
hall de entrada.
(xvii) Estimular
a leitura na habitação
Sendo ainda um daqueles que leem e que
está até a recuperar a leitura após o incrível impacto que o acesso global à
informação na WWW exerceu e exerce em todos nós, considero que uma verdadeira
habilitação de alguns espaços domésticos para um estímulo natural da leitura em
diversos microespaços judiciosamente distribuídos é algo que contribui para o
bem-estar e a saúde praticamente ao nível do que aqui se referiu para a
iluminação natural e a ventilação, por exemplo.
E num tempo em que os meios de comunicação
estão, infelizmente, e como regra tão vulgarizados e repetitivos, uma ativa
habilitação de espaços para ler, por exemplo, num quarto, mas também num
recanto da sala, numa mesinha da varanda e até numa banheira bem colocada junto
de uma pequena janela, são aspetos que podem ajudar a que a cultura e a
saudável “fuga” associadas à leitura, se ligue diariamente à nossa vida, sendo
que, não esqueçamos, as pessoas mais idosas e aposentadas terão todo um enorme
potencial para se dedicarem a essa leitura, ainda que não o tenham feito
anteriormente; há até agora livros recomendados para vários objetivos de
leitura e para variados estados de alma.
E tendo-se em conta a enorme vulgarização
de grandes smartphones e de tablets, um tal favorecimento da leitura por
microespaços domésticos a ela dedicados, também será muito útil para tais usos.
(xviii) Estudar ou trabalhar em casa
Aqui chegados apetece dizer, primeiro, que
havendo microespaços de leitura, zonas excelentes perto de janelas, mesas
estimulantes em termos conviviais e,
como se verá, outros tipos de microespaços com variadas valências, se
associarmos um tablet potente ou um microcomputador portátil a tais condições
teremos à nossa disposição um amplo e apetecível leque de locais onde estudar e
trabalhar em casa; o que está certo, mas que não substituirá uma zona mais
específica, ainda que multifuncional, para uma atividade mais exigente seja em
termos de elementos de apoio corrente (ex., algum tipo de arquivo físico), seja
em termos de sossego ou mesmo isolamento, ou até mesmo possibilidade de receber
pessoas estranhas à família, mas não a essa mesma atividade.
Julga-se que esta última questão ligada a
um trabalho “em casa” mais exigente em condições específicas, poderá obrigar ou
à alocação de um pequeno quarto para o efeito, ainda que sempre com um
potencial em reserva, por exemplo para a pernoita eventual de um hóspede, ou,
no mínimo, de um razoável microespaço específico e bem marcado, marginalmente
integrado na zona de estar ou ligado a uma zona de circulação, sendo que no
caso de a integração ser na zona de estar, dever existir uma zona de cozinha e
refeições razoavelmente espaçosa e que possa ser usada alternativamente pela
família quando a zona de trabalho estiver ativa com pessoas estranhas à mesma.
(xix) Facilitar
ações de limpeza e arrumação simples e seguras na habitação
Lembramos que um dos objetivos deste
estudo sobre intergeracionalidade residencial é não só proporcionar excelentes
condições habitacionais e de convívio aos mais idosos, mas também oferecer boas
condições de vivência diária a pessoas isoladas, casais jovens e a quem queira
habitar de modo informal, em zonas centrais, ainda que em fogos razoavelmente
pequenos e com funcionais apoios de vizinhança e domésticos diversos, entre os
quais se destacam apoios variados e “à la carte” às lides da casa (ex., ex.
limpeza e arrumação periódicas, e até outros serviços do tipo hoteleiro).
Sendo assim temos objetivos praticamente
comuns de facilitação das ações domésticas de limpeza e manutenção, se
associarmos essas condições genéricas ligadas a uma forma de habitar
estrategicamente mais “hoteleira” e que é por muitos hoje em dia desejada, a
idênticas condições que devem caracterizar as habitações de pessoas mais idosas
e que também desejam tais tipos de apoios ou, se ainda aptos para as lides da
casa, desejando que nela existam condições espaciais, funcionais e de
acabamentos que facilitem, agilizem e funcionalizem as ações diárias de
manutenção da habitação, deixando-nos muito mais livres e deisponíveis para um
enorme leque de estimulantes atividades.
Tais condições têm a ver com aspetos
dimensionais e de pormenorização e com uma relação direta entre tais aspetos e
os processos mais eficazes de limpeza e de manutenção que são utilizados, muito
provavelmente, na indústria hoteleira e que deverão ser neste sentido bem
estudados nas suas possíveis aplicações (ex., há camas que têm um dispositivo
elevatório que permite que o “fazer a cama” seja muito mais fácil, porque
realizado praticamente à altura da cintura, há pormenores que facilitam a
limpeza, há pavimentos que proporcionam excelentes condições de limpeza, etc.).
(xx) Lazer
e “estar” na sala/saleta na habitação
Não haverá muito para aqui referir, para
já, pois as grandes opções na zona dita “de estar” dependem muito de nela se
conjugarem refeições e estar ou não, estando as refeições associadas ao espaço
para cozinhar.
A existência de microespaços para instalar
mobiliário familiar, a existência de paredes decoráveis, a existência de
microespaços de apoio à leitura e ao trabalho em casa e de outros, como se verá
à frente, dedicados à audição musical e ao assistir à televisão, são todos
aspetos que têm de caraterizar frequentemente a zona de estar, que será assim,
essencialmente, uma agregação de microespaços específicos e que assim poderá
funcionar existindo espaço e dimensões suficientes; caso contrário
transforma-se numa espécie de mostruário de mobiliário e num espaço quase
avesso a ser usado e até às vezes assim mantido para se mostrar às visitas.
A referida localização da zona de
refeições junto com o espaço para cozinhar, “liberta” o estar para as suas
outras atividades, tornando-as mais possíveis, e designadamente proporcionando
a existência na zona de estar de um verdadeiro microespaço de “estar” e de
convívio, que ganha com a existência de diversas possibilidades para estar
sentado e com a ausência de certos sofás dimensionalmente muito exagerados.
E naturalmente que a zona de estar é o
espaço “certo”, quer para uma relativa mostra da nossa identidade pessoal e
familiar, por exemplo em termos de memorabilia, quer para se assumir como o
espaço tendencialmente mais “comum” dento da globalidade doméstica privada;
isto se esta mesma valência não for passada para um espaço de refeições e de
cozinhar.
(xxi) Lazer
no exterior privado na habitação
Desde o Covid que a existência de um
espaço exterior privado, que esteja, pelo menos, minimamente dimensionado para
se instalarem, por exemplo, duas pequenas cadeiras e uma mesinha, é uma
condição muito bem-vinda em termos domésticos; no entanto, a memória é curta e
parece que tais benefícios começam a ser novamente esquecidos.
Quando o espaço é um pouco controlado
tendemos a esquecer os benefícios de um exterior privado, mesmo pequeno, mas
podemos ter a certeza que a existência de uma tal dimensão é algo muito
apreciado por muitos moradores, sendo que a associação desta condição à
existência de algum “verde privado” aumenta significativamente os benefícios
para o bem-estar e a saúde dos moradores e designadamente para os mais
fragilizados; condições estas bem atestadas por estudos científicos.
Nesta perspetiva e em outras perspectivas
culturalmente bem fundamentadas, a condição de total bloqueio à marquização da
zona de estar privada no exterior deve ser claramente garantida.
Naturalmente que as questões ligadas ao
uso corrente em total segurança, com relevo para as quedas em altura, devem
marcar estes espaços exteriores privados, assim como todos os vãos exteriores
domésticos, e tendo em conta múltiplas ações aí possíveis e situações de risco
agravado devido a pavimentos molhados ou húmidos.
(xxii) Ouvir
música na habitação
Hoje ouvimos música nos tablets e nos
smartphones, podendo ouvi-la com excelentes auscultadores e, assim, de forma
autónoma e sem incomodar ninguém, praticamente em qualquer um dos espaços
habilitado com um algum conforto e relativo afastamento dos principais focos de
vida doméstica.
No entanto será sempre interessante
considerarmos uma possibilidade de criação de um microespaço habilitado para
uma tal atividade, realizada com música realmente efetiva em termos “ambientais”,
por exemplo na zona de quarto ou na zona de trabalho em casa se tal existir; e
não nos esqueçamos que há várias gerações com grande coleções de vinis, que
fazem parte da sua identidade e que muito ganham com uma audição bem experimentada
com boas “aparelhagens hi-fi”.
(xxiii) Prever
introdução de apoios à movimentação na habitação
Estas novas soluções residenciais
intergeracionais não são, nunca é demais repetir, quaisquer novos tipo de
equipamentos de apoio a idosos, e não devem ter qualquer tipo de “marca” ou
estigma ligado a apoios residenciais a pessoas condicionadas na mobilidade ou
na perceção.
Considera-se que, portanto e mesmo ao
nível doméstico, não deve haver tais tipos de “marcas”, mas sim, apenas
aspetos, aqui referidos, ligados a segurança no uso diário, usos eventuais de
emergência, clareza de organização, boa leitura dos espaços, adequados
dimensionamentos e pormenorização e facilidade concreta de limpeza e de
manutenção; tudo o resto deverá poder ser posteriormente instalado com
facilidade, se necessário e quando necessário, e aqui pontuam naturalmente os
apoios à movimentação, por exemplo, através de pegas, barras, suportes e até
mesmo calhas de tecto com mecanismos elevatórios; nada estará previamente
instalado se tal não for necessário, mas os espaços e os posicionamentos devem estar
bem previstos, sendo fáceis as respetivas instalações (ex., não iremos nunca
aplicar barras de apoio em painéis do tipo “pladur”).
Naturalmente que os espaços comuns deverão
ter idêntica filosofia, mas obrigando a distintos cuidados a considerar quando
se abordarem esses espaços.
(xxiv) Proporcionar
contacto direto com a natureza na habitação
Em muitos estudos científicos ficaram
provados os benefícios para o bem-estar e a saúde que estão ligados ao contacto
com a vegetação; e é interessante registar que tais benefícios se estendem a
meios profissionais marcados por muita tensão e até a doentes em hospitais
psiquiátricos.
Neste sentido julga-se ser essencial que
em qualquer habitação intergeracional como as que aqui estão a ser abordadas,
exista, pelo menos, uma pequena varanda de estar onde se integre uma floreira
ou espaço adequado a um conjunto de vasos, com condições de manutenção bem seguras
(uso próprio e quedas de altura) e facilitadas, por exemplo, em termos da
altura de trabalho.
(xxv) Proporcionar
instalações adequadas na habitação
Tal como se tem feito no sentido de se
tornarem as instalações elétricas seguras relativamente a crianças é essencial
que elas sejam agora tornadas seguras e fáceis de usar para pessoas idosas e
com condicionamentos de movimentação e perceção.
(xxvi) Realizar passatempos “sujos”
Quando nos reformamos passamos a ter mais
tempo para passatempos que, desejavelmente, já tínhamos antes ou até para novos
passatempos ou mesmo novas atividades; e neste sentido existirão atividades
cuja prática produz sujidade e que, portanto, poderão exigir condições
específicas de desempenho.
Julga-se que tais condições poderão ser
preferencialmente atendidas em espaços oficinais multiuso e comuns, mas poderão
também existir em microespaços específicos e multifuncionais integrados em
zonas mais fáceis de limpar.
(xxvii) Tomar
banho de imersão e tomar duche na habitação
Quando nos reformamos passamos a ter mais
tempo para tomar banho de imersão e estão cientificamente provados os
benefícios deste banho para o nosso bem-estar e saúde; no entanto muitas
banheiras e sítios onde se “encaixam” banheiras têm um mínimo de condições para
o respetivo uso como equipamento de banho de imersão, sendo afinal quase só “pratos
de duche” extremamente incómodos e até perigosos.
E nem se fala de situações praticamente
claustrofóbicas e quase sem ventilação e sem luz articial, e natural nem se
fala; mas o banho de imersão merece tratamento específico como microespaço
doméstico em condições autonomizadas da restante casa de banho; e não estamos a
pensar nas soluções “da moda” integradas em suites, mas apenas em proporcionar
um espaço e uma banheira adequados para umas excelentes horas de lazer e
hidroterapia, que também podem ser de leitura.
Quanto às condições de banho por duche
estas devem ser extremamente facilitadas, até em condições de mobilidade
condicionada, e garantidas em termos de segurança no uso e designadamente
contra o perigosíssimo risco de queda por escorregamento em zona húmida.
(xxviii) Tomar
refeições e conviver na habitação
A prática de refeições foi sempre um pouco
subalternizada pelos funcionalistas, que acabaram por a estruturarem em
refeições informais (na cozinha) e formais, na sala-comum, “caindo” aí, logo, a
tradicional “sala de jantar”, que afinal sempre foi o sítio, por excelência, do
convívio doméstico (e daí a posição da mesa na sequência da entrada de muitas
casas tradicionais).
Quando estamos a considerar habitações não
especialmente espaçosas e tipologicamente reduzidas (com poucos quartos,
portanto): ou juntamos a mesa na sala-comum e esta tende a ficar um pouco
“cheia”; ou optamos por integrar um microespaço com uma boa mesa convivial na
zona onde se cozinha, desafogando-se, assim, a zona de estar para a suas várias
atividades possíveis, e deste modo ganhando-se, duplamente, convívio no
estar e convívio na zona de refeições.
(xxix) Usar
a casa de banho com à-vontade na habitação
Tal como se aponta relativamente à
proposta autonomização da microzona para a banheira de imersão, assim se aponta
também para os restantes elementos funcionais de uma casa de banho tradicional,
podendo ser até o wc “cubiculizado”, mas há que ter em conta a espaciosidade
adaptável para posteriores exigências de acessibilidade e uso por condicionados
na mobilidade; portanto fiquemos só, talvez, com uma autonomização da zona
de banheira, que afinal será condição suficiente para autonomizar o restantes
espaço de casa de banho e desta forma irá proporcionar uma clara e renovada/recuperada
dimensão vivencial à casa de banho.
(xxx) Ver televisão na habitação
Embora pessoalmente cada vez veja menos TV
de uma forma mais continuada, assim como muitos de nós, limitando-me a usá-la
como plataforma para ver filmes escolhidos, não podemos esquecer a importância
da televisão como meio de comunicação extremamente eficaz com os mais idosos e
fragilizados e um meio que, inclusivamente, pode ser usado como ferramenta de
concentração de outros meios e tecnologias de informação e comunicação muito
úteis para a segurança, o bem-estar e a saúde desses grupos geracionais.
Fica por considerar se a TV pode/deve
continuar a ser considerada como ponto central da sala-comum, sendo que os
modelos panorâmicos praticamente convertem a sala numa sala quase exclusiva
para ver TV, ou se também consideramos que a sua importância como elemento de
comunicação e de companhia pode levar a aconselhá-la, por exemplo, também na
zona de cozinha e no espaço de quarto, naturalmente, com modelos pequenos.
Outra hipótese é esta função de TV um
pouco “omnipresente” na habitação poder ser assegurada por um portátil com tal
valência e que poderá e deverá ter outras funções como lazer e trabalho.
Quanto ao ecrã tendencialmente “gigante”
na zona da sala, se estiver firmemente agarrado à parede passa a ser uma outra
janela, ou um grande quadro entre outros quadros, deixando-se a cada um a opção
do respetivo uso mais pontual ou mais contínuo.
Notas muito breves sobre a continuidade do estudo relativo à Habitação Intergeracional, Adaptável e Participada
Confesso
que acabei por ir um pouco mais longe do que pretendia no início deste artigo.
Em próximos artigos irei voltar a tentar
opinar de modo informal e o mais possível discursivo, sobre o que julgo ser
mais importante na conceção de espaços comuns e de vizinhança em soluções
marcadas por intergeracionalidade residencial, multifuncionalidade, apoio de
equipamentos e serviços e adequada integração urbana.
Irei também, provavelmente, desenvolver
mais um pouco e em artigo específico, quer os aspetos mais gerais e exigenciais
relativos aos “microespaços” e condições/ambientes privados intergeracionais,
domésticos e adaptáveis, quer os aspetos tipológicos relativos às habitações
onde se integram esses “microespaços”.
Anexo: Listagem dos artigos sobre
propostas concretas de apoio à conceção de soluções de habitação
intergeracional adaptável, equipada e participada (PHAI3C) – com links/ligações diretas aos
respetivos textos, Ctrl + clique ir para ligação
. COELHO, António Baptista – Infohabitar, Ano XXI, n.º 955 – Perfis de projeto de uma
nova forma de habitar adaptável, intergeracional, equipada e participada –
infohabitar # 955, Lisboa,
quarta-feira, 26 de novembro de 2025. (6 p.)
. COELHO, António Baptista – Infohabitar, Ano XXI, n.º 957 – Enquadramento de novas
soluções residenciais intergeracionais, adaptáveis, equipadas, participadas e
económicas (PHAI3C) – Infohabitar # 957, Lisboa, quarta-feira, 10 de dezembro de 2025. (5
p.)
. COELHO, António Baptista – Infohabitar, Ano XXII, n.º 965 – Pormenorização
residencial criadora de ambientes estimulantes, multifuncionais e
intergeracionais (I) – infohabitar # 965, Lisboa, quarta-feira 18 de fevereiro de 2026. (12 p. 6 figg.)
Notas editoriais
gerais:
Embora a edição dos artigos editados na
Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se
tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico
e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o
pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e
comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
No mesmo sentido, de natural responsabilização
dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração
dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc.,
é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que
deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.
Para se tentar assegurar o referido e adequado
nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma
quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou
que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na
Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição
dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se
circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é
pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser
de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado
tal e qual foi recebido na edição.
Oportunamente haverá novidades no sentido do
gradual, mas expressivo, incremento das exigências editoriais da Infohabitar,
da diversificação do seu corpo editorial e do aprofundamento da sua utilidade
no apoio à qualidade arquitectónica residencial, com especial enfoque na
habitação de baixo custo.
Microespaços
e Ambientes Privados Intergeracionais, Domésticos e Adaptáveis (I)- infohabitar # 984
Informa-se que para aceder (fazer
download) do mais recente Catálogo Interativo da Infohabitar, que está
tematicamente organizado em mais de 20 temas e tem links diretos para os 960
artigos da Infohabitar, existentes em janeiro de 2025 (documento pdf
ilustrado e com mais de 80 pg), usar o link seguinte:
https://drive.google.com/file/d/1FGRm5wfskdl54Lf7BhoDTmojcBDiveSf/view?usp=sharing
Infohabitar, ano XXII, n.º 984
Edição: quarta-feira 1 de Julho de 2026
Editor: António Baptista Coelho
Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas
Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da
Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura
e Urbanismo pelo LNEC.
Os aspetos técnicos do lançamento da Infohabitar
e o apoio continuado à sua edição foram proporcionados por diversas pessoas,
salientando-se, naturalmente, a constante disponibilidade e os conhecimentos
técnicos do doutor José Romana Baptista Coelho.
Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa
para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na
Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).


