Espaços e Ambientes Comuns de Entrada e Circulação em Soluções Residenciais Intergeracionais, Equipadas, Adaptáveis e Participadas (I) – infohabitar # 985
Informa-se que para aceder (fazer download) do mais recente
Catálogo Interativo da Infohabitar, que está tematicamente organizado em mais
de 20 temas e tem links diretos para os 960 artigos da Infohabitar,
existentes em janeiro de 2025 (documento pdf ilustrado e com mais de 80
pg), usar o link seguinte:
https://drive.google.com/file/d/1FGRm5wfskdl54Lf7BhoDTmojcBDiveSf/view?usp=sharing
Infohabitar, ano XXII, n.º 985
Edição:
quarta-feira 8 de Julho de 2026
Fig. 01: uma simulação arquitectónica apenas “experimental” e associável a uma intervenção residencial e urbana, intergeracional, equipada, adaptável e participada - realizada com base em diversas ferramentas de IA (vários tipos de espaços comuns)
Editorial
Aproximando-nos, rapidamente, da conclusão do estudo teórico-prático do PHAI3C
- Programa de Habitação Adaptável Intergeracional Cooperativa a Custos
Controlado, agora aqui referido, frequentemente, como “uma nova forma de
habitar adaptável, intergeracional, equipada e participada”, avançamos num pequeno
conjunto de artigos associados aos diversos níveis físicos residenciais e onde
tentaremos sintetizar conjuntos de conclusões e, essencialmente, de opiniões
práticas e de apoio à conceção arquitectónica no âmbito de uma
intergeracionalidade residencial equipada e participada.
Depois de termos abordado, no artigo 984 de 1 de julho último, os “microespaços”
intergeracionais, domésticos e adaptáveis, passamos, no presente artigo, a uma
primeira abordagem dos “Espaços e
Ambientes Comuns de Entrada e Circulação em Soluções Residenciais
Intergeracionais, Equipadas, Adaptáveis e Participadas”.
Nos dois próximos artigos iremos abordar, em princípio, os espaços e equipamentos comuns multifuncionais desejavelmente existentes numa intervenção residencial intergeracional, equipada, adaptável e participada e, depois, os aspetos de vizinhança contígua e próxima considerados mais adequados.
Vamos avançar nesta fase final de uma forma estratégica, realizando
reflexões claramente opinativas sobre os referidos níveis físicos residenciais,
mas não tentando esgotar tal reflexão de uma única vez, e num único artigo e
por isso a designação “I” que remata o título do presente artigo, que é
dedicado aos designados
Com as minhas saudações cordiais,
António Baptista Coelho
Editor
da infohabitar
Fig. 02: uma simulação arquitectónica apenas “experimental” e associável a uma intervenção residencial e urbana, intergeracional, equipada, adaptável e participada - realizada com base em diversas ferramentas de IA (vários tipos de espaços comuns)
Espaços e Ambientes Comuns de Entrada e Circulação em Soluções Residenciais Intergeracionais, Equipadas, Adaptáveis e Participadas (I) – infohabitar # 985
1. Introdução aos artigos de remate do estudo sobre intergeracionalidade residencial adaptável equipada e particidada (PHAI3C)
Nas matérias associadas a propostas concretas e mais
conclusivas de apoio à conceção de soluções de habitação intergeracional
adaptável, equipada e participada, o estudo realizado (PHAI3C) tem já um conjunto razoável
de artigos, que são devidamente referidos no final do presente artigo e com os
seus links específicos para os respetivos textos completos.
Este conjunto de artigos onde procuramos apresentar, essencialmente, opiniões práticas e de apoio à
conceção arquitectónica no âmbito de uma intergeracionalidade residencial
equipada e participada já
abordou as seguintes matérias:
- Sobre a natureza básica da intergeracionalidade residencial –
infohabitar # 974
- Bases e objetivos de uma adequada
intergeracionalidade residencial – infohabitar # 975
- O que se julga essencial para uma ampla intergeracionalidade
residencial (I) – infohabitar # 967
- Intergeracionalidade Residencial e
Habitaterapia – infohabitar # 972
- Aproximação ao dimensionamento de conjuntos residenciais
intergeracionais – infohabitar # 973
- Microespaços
e Ambientes Privados Intergeracionais, Domésticos e Adaptáveis (I)-
infohabitar # 984
No
presente artigo e em próximos (faltam em princípio dois artigos para concluir a
série editorial e o respetivo estudo) a editar na infohabitar vamos continuar a
desenvolver a matéria da intergeracionalidade residencial, adaptável, equipada
e participada sequenciando exatamente a partir do artigo referido aqui, por
último, na listagem acima (sublinhado), e que abordou os “Microespaços
e Ambientes Privados Intergeracionais, Domésticos e Adaptáveis”, avançando para os seguintes níveis físicos
residenciais, em falta, e portanto e sequencialmente para os espaços (marcados
a negrito em seguida): domésticos, comuns essencialmente de circulação, comuns
multifuncionais, e de vizinhança próxima.
Mantendo um essencial sentido prático e evitando-se, portanto,
reflexões muito longas e que se julgam pouco necessárias, tendo-se em conta a
extensão que este estudo já tem – visível nos 74 artigos já aqui editados e
sempre interactivamente disponíveis no artigo Soluções Residenciais Adaptáveis
Intergeracionais e Participadas: base
documental - infohabitar # 983 - vamos avançar nesta fase final de uma forma estratégica,
realizando reflexões claramente opinativas sobre os referidos níveis físicos
residenciais, mas não tentando esgotar tal reflexão de uma única vez, e num
único artigo e por isso a designação “I” que remata o título do presente
artigo, que é dedicado aos designados “Espaços e Ambientes Comuns de Entrada e
Circulação em Soluções Residenciais Intergeracionais, Equipadas, Adaptáveis e
Participadas”.
(nota sobre a ilustração: ela apenas foca os
espaços de circulação)
Fig. 03: uma simulação arquitectónica apenas
“experimental” e associável a uma intervenção residencial e urbana, intergeracional,
equipada, adaptável e participada - realizada com base em diversas ferramentas
de IA (vários tipos de espaços comuns)
2. Conjunto de Espaços e Ambientes
Comuns de Entrada e Circulação em Soluções Residenciais Intergeracionais,
Equipadas, Adaptáveis e Participadas
Numa perspetiva que fará talvez lembrar os incontornáveis “padrões/patterns”
de Christopher Alexander, que aliás são sempre importantes em qualquer processo
de projecto de arquitectura, apontamos, em seguida, e comentamos numa
primeira “viagem de descoberta”, um conjunto amplo de espaços e de “condições” aplicáveis e que se consideram
de grande interesse no desenvolvimento de Espaços e Ambientes Comuns de Entrada e
Circulação em Soluções Residenciais Intergeracionais, Equipadas, Adaptáveis e
Participadas.
Considerando-se a extensão desta temática específica
neste artigo “I”, as notas, em seguida, apresentadas são, individualmente,
pouco desenvolvidas e relacionam-se, essencialmente, com o uso e a vivência
destes espaços comuns residenciais e intergeracionais por pessoas mais idosas e
recentemente mudadas de “habitações familiares” e/ou por pequenos agregados
familiares e/ou por pessoas pouco dedicadas a “lides domésticas”;
relativamente a condições de uso mais genéricas e mais específicas do uso por pessoas
condicionadas na mobilidade e na perceção existem já, naturalmente, muitos
estudos aplicáveis, embora, há que registar, realizados numa “lógica” que julgo
ser excessivamente funcionalista e que, portanto, urge revisitar.
Considerando-se a diversidade dos aspetos em seguida
apontados os respetivos itens foram ordenados apenas e para já alfabeticamente;
até porque se considera que, posteriormente poderão vir a ser revistos,
completados e então talvez estruturados e até porque nesta primeira versão
deste artigo talvez o que mais interesse é apontar um máximo de subitens
temáticos a considerar, e isto cumpre-se, logo, nos respetivos títulos.
Fig. 04: uma simulação arquitectónica apenas
“experimental” e associável a uma intervenção residencial e urbana, intergeracional,
equipada, adaptável e participada - realizada com base em diversas ferramentas
de IA (vários tipos de espaços comuns)
(i) Aplicar
uma forma geral adequada à natureza e caraterísticas específicas e locais da
intervenção residencial intergeracional equipada
Evidentemente que cada local de intervenção tem os
seus aspetos específicos em termos de exigências e possibilidades
regulamentares ligadas a áreas gerais, altura máxima e até número de fogos, mas
relativamente a este último aspeto esta nova forma de habitar deve poder ter as
suas especificidades pois um conjunto de pequenos fogos com espaços comuns
variados e eventualmente com um menor rácio de estacionamentos privados não é o
mesmo do que uma intervenção residencial corrente; e, em primeiro lugar, há
exigências formais e funcionais muito específicas e das quais dependem parte do
sucesso destas intervenções e que estão muito ligadas a aspetos específicos de
altura máxima, número de fogos mínimo e máximo, número e tipos de fogos por
cada troço horizontal específico e por cada piso, existência de um amplo e
adequado nível térreo desejavelmente em boa relação com o solo e a presença
estratégica de natureza, etc..
Um “etc” que é em seguida “aproximado” e que já também
o foi em outros artigos apontados no ítem 1 deste artigo.
(ii) Apoiar a identidade, a dignidade e a controlada apropriação das zonas de entrada da intervenção residencial intergeracional equipada
As zonas de entrada da intervenção residencial
intergeracional equipada e designadamente a(s) sua(s) entrada(s) principal(ais)
deve(m) caraterizar-se por um subtil equilíbrio entre a identidade específica
da intervenção – designação, mas também evidentes aspetos arquitectónicos
gerais e pormenorizados – e uma identidade onde deve ser marcante o seu
essencial conteúdo residencial e um seu respetivo e afirmado carácter digno e
sóbrio, com um pequeno conjunto de aspetos que potenciem a apropriação pelos
respetivos moradores onde pontuam aspetos genéricos ligados a uma cuidada/quase
simulada informalidade, que torne os acessos acolhedores e razoavelmente
evidenciados e atraentes, e aspetos específicos de integração cuidada e
estratégica de elementos de vegetação, de adequada e estimulante relação entre
interior e exterior, e, finalmente, de uma apurada pormenorização dos espaços
interiores de entrada comuns de receção.
(iii) Apoiar
uma movimentação fácil, estimulante e segura na intervenção residencial
intergeracional equipada
Tendo-se em conta o conforto e a
funcionalidade gerais e a potencial existência de moradores com
condicionamentos físicos e de perceção, a estruturação das principais
acessibilidades que organizam a intervenção residencial intergeracional
equipada deve ser extremamente clara, evidenciada, mentalmente bem antecipável
e bem memorizável e servida por excelentes condições de acessibilidade física e
de segurança no uso corrente e em condições de emergência.
Isto não pode significar qualquer tipo de
monotonia na organização dos acessos e na respetiva volumetria e caraterização
formal geral e pormenorizada; o projeto de arquitectura tem de o garantir.
E isto também não significa que toda a
“rede” de acessos tenha esse mesmo grau de clareza de leitura, podendo existir
outras “camadas” de acessibilidade e sua leitura, que se irão embebendo nos
moradores ao longo do tempo, adequadas a diversos usos e gostos de habitar e
enriquecedoras da solução de habitar na sua totalidade.
(iv) Assegurar
as acessibilidades correntes, eventuais e de emergência na intervenção
residencial intergeracional equipada
Em uma intervenção residencial intergeracional equipada há que cumprir todas as regulamentações de segurança aplicáveis em termos habitacionais, mas há que ter exigências redobradas, tendo-se em conta essencialmente aspetos de:
- acessibilidade por pessoas com
condicionamentos físicos e de perceção, traduzindo-se, designadamente, em
excelentes condições de pormenorização das zonas de circulação horizontais e
verticais, facilitando a movimentação eventualmente lenta com excelentes
condições ergonómicas, de aderência de piso e de apoios à movimentação, mas
fazendo-o de forma a que tais cuidados estejam perfeitamente integrados num
ambiente não “estigmatizado” como sendo dedicado a pessoas com tais
condicionalismos;
- acessibilidade eventual por macas
estrategicamente bem facilitada, também nos ascensores;
- excelentes condições de acessibilidade e
de evacuação de emergência, física, ambiental e sinaleticamente bem asseguradas
– ex., distâncias a percorrer, tipos de pisos, soluções e sistemas de
desenfumagem, iluminação e sinalética de emergência, etc. – e, novamente, tendo
especificamente em conta pessoas com condicionamentos físicos e de perceção;
- e excelentes condições de potencial
isolamento de cada fogo e de cada secção da intervenção em situações de
emergência por eventual eclosão de incêndio; matéria esta que, tal como
todas as aqui apontadas, deverão ser ponderadas e especificadas por
especialistas, mas que neste caso específico se liga, designadamente, quer
à eventual existência de moradores cuja evacuação de emergência seja
provavelmente muito demorada, porque se deslocam lentamente, ou mesmo que
estejam acamados, obrigando a uma sua evacuação específica; entende-se que
tais matérias têm enorme sensibilidade e desde já se sugere que a presença de
moradores acamados ou cuja movimentação seja extremamente difícil não seja
aceite como possível no início da ocupação da intervenção, que se repete
é um conjunto habitacional e não um equipamento de apoio ao bem-estar e à saúde,
podendo tal condição física e de perceção evoluir com a respetiva ocupação, de
modo natural, como em qualquer edifício habitacional corrente e sendo objeto de
enquadramentos vários em tudo idênticos aos aplicáveis num edifício
habitacional corrente.
No entanto sugere-se que, tendo em conta a
natureza específica desta intervenção residencial intergeracional equipada,
onde é muito provável a existência de um significativo número de moradores
idosos, sejam claramente reforçadas as respetivas condições de segurança no uso
normal e em situações de emergência, com incidência nos respetivos espaços
comuns de entrada e de circulação e tendo-se, também, em conta as respetivas
condições de isolamento e de segurança dos respetivos fogos e designadamente
das suas portas privativas.
Fig. 05: uma simulação arquitectónica apenas
“experimental” e associável a uma intervenção residencial e urbana, intergeracional,
equipada, adaptável e participada - realizada com base em diversas ferramentas
de IA (vários tipos de espaços comuns)
(v) Considerar
especificamente a ergonomia e a segurança das comunicações verticais comuns na
intervenção residencial intergeracional equipada
A questão da ergonomia bem pormenorizada e
da associada segurança das comunicações verticais comuns já foi globalmente
apontada, mas no entanto a questão do bom desenho de rampas e designadamente de
escadas merece uma atenção específica, quer porque por exemplo escadas bem
desenhadas e apoiadas são verdadeiras “ferramentas” de apoio a uma movimentação
saudável e mesmo uma excelente forma de exercício físico, muito adequadas aos
mais idosos, até talvez mais do que as rampas, e esta é opinião de alguns
médicos especialistas, quer porque as escadas assim desenvolvidas,
ambientalmente estimulantes (ex., luz natural e vistas) e formalmente muito atraentes
e bem pormenorizadas podem e devem constituir verdadeiros elementos de
dinamização da animação interior da intervenção e mesmo, eventualmente, de
apoio à caraterização formal da mesma.
Evidentemente que não estamos a visualizar
longas escadas em soluções dominantemente verticalizadas, mas sim zonas de
escada servindo conjuntos edificados de baixa altura, provavelmente, bem
ligados a espaços térreos comuns e de vizinhança contígua e estrategicamente
naturalizados; e mesmo assim existindo acessibilidades alternativas por
ascensores eles próprios bem desenhados e pormenorizados.
(vi) Considerar
especificamente a identidade e apropriação nos espaços comuns da intervenção
residencial intergeracional equipada
Tendo-se bem em conta o carácter geral e
básico de uma intervenção residencial intergeracional equipada, marcado por uma
desejável “convivência” e complementaridade entre espaços afirmadamente
privados e espaços comuns que devem ser voluntariamente bem vivíveis e mesmo
animados, todo o tratamento de pormenor dos mesmos espaços e designadamente dos
espaços comuns de circulação tem de assegurar, de certa forma, a continuidade do
já referido tratamento nas zonas de entrada comuns, caraterizando-se por um subtil equilíbrio entre a
identidade específica da intervenção e uma identidade onde deve ser marcante o
seu essencial conteúdo residencial e um seu respetivo e afirmado carácter digno
e sóbrio, com um pequeno conjunto de aspetos que potenciem a apropriação pelos
respetivos moradores onde pontuam aspetos genéricos ligados a uma cuidada/quase
simulada informalidade e variados aspetos específicos de integração cuidada e
estratégica de elementos que potenciem a apropriação geral dos acessos, mas não
colocando em causa a sua referida identidade e dignidade global.
Provavelmente e à medida que nos
aproximamos das entradas dos fogos e nestas mesmas, uma muito cuidadosa e digna
informalidade pode ir sendo mais reforçada, sendo que nas respetivas portas
privadas e suas diretas contiguidades, poderão existir elementos de apropriação
e identidade reforçados e a estudar com muito cuidado, pois devem servir esta
finalidade e não colocar em causa a referida identidade e dignidade do conjunto
habitacional e devem ser “à prova” de uma vivência continuada e que tende a
“facilitar” em intervenções menos cuidadas e condominialmente controladas.
(vii) Considerar
especificamente a opção básica entre acessibilidade funcional e acessibilidade
“convivial” nos espaços comuns da intervenção residencial intergeracional equipada
Considera-se praticamente vital para o
êxito de uma intervenção residencial intergeracional equipada que exista, bem
programada, arquitectonicamente e em termos de acessibilidade
básica/”estrutural”, uma opção “A” de entrada em que o morador escolhe ir fácil
e “privadamente” para a sua habitação, logo, desde a principal entrada no
conjunto residencial, e uma opção “B” de entrada em que o morador prefere
passar, com igual facilidade, por zona ou zonas comuns multifuncionais e bem
apetecíveis do piso térreo da intervenção, antes de se dirigir os acessos
específicos que o encaminham para a sua habitação; e até aqui se demorar,
eventualmente, convivendo, se assim o desejar.
Esta opção será, provavelmente,
determinante do potencial de convívio voluntário que marque uma dada intervenção
residencial intergeracional equipada, não fazendo qualquer sentido, quer opções
“obrigatórias” de passagem por zonas ditas “convivais”, quer a integração
destas zonas em sítios praticamente residuais e “escondidos”, difíceis de
aceder e que irão ficar desertos.
(viii) Considerar
especificamente vários tipos de espaços que marquem vários tipos de
“acontecimentos” ao longo dos espaços comuns da intervenção residencial intergeracional
equipada
Nunca esquecendo que a intervenção
residencial intergeracional equipada que é, aqui, visada, se carateriza por
expressivos aspetos de economia inicial e de manutenção, importa ter em conta
que, globalmente, os espaços comuns de circulação de uma intervenção
residencial intergeracional equipada não podem ser, apenas, funcionais espaços
“canais”, eles têm de se assumir como espaços caraterizados, agradáveis e
estimulantes de um seu uso “obrigatório” – ações correntes de entrar e sai de
casa – mas também de uma vontade, muito positiva, de sair de casa até sem razão
específica, para ir até “à rua” ou ir até alguns dos espaços e equipamentos
proporcionados na intervenção.
Nesta perspetiva e para além dos
necessários aspetos funcionais e de segurança nos usos (corrente e em
emergências) estes espaços comuns de circulação de uma uma intervenção
residencial intergeracional equipada têm de ser claramente “espaços positivos”,
atraentes e estimulantes; e para tal não podem ser “frios”, não podem ser
monótonos e não podem ser todos “iguais”; têm de ser minimamente “vibrantes” e
diversificados, marcados por elementos interessantes e por situações
arquitectónicas interessantes.
E têm de assim ser, sendo económicos de
construir e de manter e marcando por um sempre essencial sentido residencial;
como o fazer ficará da responsabilidade de quem os irá projectar e, apenas,
como exemplo, pois a situação é distinta, podemos lembrar tantas e tão
diversas soluções aplicadas nos longos corredores hoteleiros.
Provavelmente a arquitectura de interiores
terá aqui algo a dizer, mas antes a própria natureza das circulações, a sua
formalização, a existência de alguns alargamentos “pontuais”, que não
prejudiquem a visibilidade de segurança, a presença vital e estratégica da luz
natural e a essencial e bem adequada solução de marcação da ligação aos espaços
privados; são todas matérias a considerar.
(ix) Considerar
muito bem a questão da altura geral ligada à principal solução de
acessibilidade da intervenção residencial intergeracional equipada
Já se
referiu que a altura geral de uma dada solução edificada tem muito a ver com os
respetivos condicionamentos legais aplicáveis, mas quando estamos a reflectir
sobre uma intervenção residencial intergeracional equipada, uma renovada
solução de habitar que tem de ser, obrigatoriamente, extremamente humanizada e
humanizadora para ter viabilidade, não nos podemos esquecer que a perceção
forte de edifícios muito altos é muito avessa a uma tal humanização, assim como
a escala humana também o é e, consequentemente a apropriação humana também
muito sofre com tais esmagamentos de escala e mesmo as essenciais ligações
através da voz humana, que são essenciais para uma tal humanização, também não
sobrevivem a grandes alturas habitacionais.
Sendo assim
e se quisermos avançar por soluções em que as acessibilidades às habitações
seja evidenciada através de galerias “abertas” e pontões, não parece ser
humanamente adequada a opção por edifícios altos, que resultam em inúmeras
“camadas” de galerias sobrepostas e “impessoais”, para além de muito “soltas”
da respetiva vizinhança contígua; sendo o caminho adequado soluções em que as
galerias possam funcionar, um pouco, como “varandas” de contacto e/ou
observação mútuos.
Sobram as
soluções decididamente “em altura”, que podemos caricaturar, sem intenções
negativas, de “hoteleiras”, e que vivem de grandes elementos verticais de
acessibilidade mecânica e, depois, de alongados corredores de distribuição;
soluções estas que poderão ser matizadas e suavizadas por excelentes relações
com a luz natural e a paisagem envolvente, mais alguns alargamentos
estratégicos e bem apropriáveis e atraentes dos respetivos corredores, mais um
excelente e integral tratamento arquitectónico detalhado dos mesmos e,
naturalmente, pelo controlo das “alas” de distribuição para os fogos, que não
podem ser muito longas; e ficando por tratar a identificação de cada vão
privado, que tem de ser muito cuidada.
E haverá
com certeza possibilidades de soluções mistas, que possam, assim, até
proporcionar opções residenciais um pouco distintas na forma de aceder ao fogo,
embora integradas numa mesma intervenção residencial intergeracional equipada.
(x) Considerar
muito especificamente a grande clareza de orientação nos espaços comuns da
intervenção intergeracional equipada
Este aspeto
da grande clareza de orientação nos espaços comuns da intervenção
intergeracional equipada já foi globalmente abordado no presente artigo, mas
merece um pouco mais de atenção, porque, na prática e com a idade, tendemos a
fazer mais confusões nos nossos percursos, mesmo os mais habituais.
E não se
julga que uma tal preocupação seja facilmente resolvida, por exemplo, com
simples soluções gráficas e cromáticas, aplicadas às zonas de entrada dos
fogos, considerando-se que, tanto mais tais soluções “identificadoras” sejam
circunscritas às portas de entrada dos fogos, tanto menos elas terão êxito;
sendo muito importante que se desenvolva uma marcação mais “sólida” da zona de
entrada em cada fogo privado, e que, eventualmente, a respetiva localização
deste fogo possa ser também graficamente antecipada em diversos “pontos”
estratégicos do percurso, que se considera que deve ser estruturante, entre
este fogo e o principal acesso exterior ao respetivo conjunto habitacional.
E
evidentemente que não basta “pintar”, “colorir” e sinalizar há que fazê-lo de
modo bem integrado na solução de arquitectura, o que não é fácil, mas é
possível, e há bons exemplos, e/ou há que marcar volumétrica e/ou
ambientalmente os percursos e os seus remates.
Um outro
aspeto interessante a ter em conta, que no entanto importa considerar
cuidadosamente, é a possível integração de alguns destes percursos em
“caminhos” que levem também a outros “pontos” importantes e/ou interessantes do
respetivo conjunto residencial ou, até, que façam parte de pequenos percursos
de deambulação dos habitantes que assim o desejem; mas esta última
possibilidade é talvez a mais sensível.
(xi) Considerar
um máximo apoio às ações de circulação de serviço e a eventuais acessos de
emergência na intervenção intergeracional equipada
Muito do
que aqui se tem referido aplica-se a aspetos de acessibilidade comum e que
podemos designar de “principal” ou corrente por parte dos moradores da
intervenção intergeracional equipada, mas evidentemente que os aplicáveis
aspetos de acessibilidade de emergência têm de estar garantidos e ao longo de
todos os percursos potencialmente usados e que os serviços de apoio ao
residentes e os serviços de manutenção, com destaque para os de limpeza
corrente dos espaços comuns, possam ser assegurados com um máximo de eficácia –
períodos curtos de realização, eficácia do resultado a curto e longo prazos e
economia de custos.
(xii) Cuidar
dos adequado relacionamentos entre as zonas comuns e os acessos aos fogos na
intervenção residencial intergeracional equipada
A questão
de se assegurar um adequado relacionamento visual, apropriado (em termos de
identidade e de adequação visual), funcional, digno e estimulante entre as
zonas comuns e os acessos aos fogos que integram a intervenção intergeracional
equipada, é uma matéria básica da respetiva intervenção arquitectónica, que já
aqui foi abordada, mas que tem presença específica e talvez mesmo protagonista
no respetivo projeto.
Diversas soluções têm sido aplicadas e que podem e devem ser revisitadas, algumas delas
“jogando” nos aspetos de dignificação, sobriedade e grande encerramento visual
e privatização de tais “limiares”, outras, talvez num extremo oposto projetual,
no tornar parcialmente permeável, em termos visuais, esse limiar, embora de
forma bem controlada pelo morador, mais, e frequentemente, alguns outros
aspetos de identificação e apropriação da zona comum contígua, por exemplo, com
zonas de sentar informal, ou alargamento para instalação de um espaço de
sentar, e/ou “nicho” onde se pode instalar um elemento de arte, e/ou espaços
e/ou elementos para introdução de elementos de vegetação ou flores – isto
naturalmente quando em galerias exteriores.
Mais uma
vez uma opção poderá ser oferecer soluções “mistas” e/ou adaptáveis que possam
ser escolhidas por cada morador ou aplicadas em zonas distintas da intervenção;
julgando-se que nestes casos haverá sempre que harmonizar minimamente as
situações mais “opostas”, de modo a que na globalidade a intervenção continue a
ter uma adequada unidade, evitando-se até potenciais estigmas na pós-ocupação.
Uma solução
basicamente “mista” mas com identidade específica é aquela associada a espaços
amplos comuns cobertos, com vários “pés-direitos” e marginados por galerias de
acesso que assim são interiores, mas mantendo um carácter de grande abertura
ambiental, onde abrem as portas dos fogos mas também outros vãos dos mesmos,
embora translúcidos de modo a serem privatizados.
(xiii) Desenvolver
adequadas condições de comunicabilidade visual nos espaços comuns da
intervenção residencial intergeracional equipada
Os espaços
comuns da intervenção intergeracional equipada não se podem limitar a uma
estratégia de acessibilidades físicas, tendo que integrar uma outra de
“acessibilidades” visuais, estimulante e ao serviço, em cada local, dos
respetivos objetivos de projeto, bloqueando vistas onde necessário e fazendo
comunicar espaços também onde seja mais adequado e tendo, evidentemente, o
cuidado de não se ultrapassarem aspetos de segurança, antes pelo contrário
procurando aprofundá-los ao máximo, mas sempre numa perspetiva agradavelmente residencial.
(xiv) Desenvolver
adequadas condições de conforto ambiental nos espaços comuns da intervenção
residencial intergeracional equipada
O assegurar de adequadas condições de
isolamento térmico, proteção solar e contra o vento e também de isolamento
sonoro é muito importante quando queremos dotar os espaços comuns de um elevado
potencial de uso, estadia e mesmo convivialidade como é o que se deseja numa intervenção
intergeracional equipada.
Naturalmente que tais condições muito têm
a ver com as soluções adoptadas, mas mesmo em galerias exteriores é possível
ter em conta algumas condições desse tipo, assim como a ventilação nos
corredores comuns e o sombreamento dos eventuais grandes átrios comuns e
cobertos.
E voltamos a registar a possibilidade e
mesmo o interesse arquitectónico e vivencial de soluções mistas, que permitam a
escolha inicial dos modos de habitar mais desejados: mais abertos ao exterior
através de galerias comuns que podem até ser intensamente ajardinadas; mais
encerrados em corredores interiores relativamente largos e com extremidades bem
marcadas e atraentes; e mais potencialmente conviviais marginando grandes
átrios cobertos e com vários níveis de altura.
Fig. 06: uma simulação arquitectónica apenas
“experimental” e associável a uma intervenção residencial e urbana, intergeracional,
equipada, adaptável e participada - realizada com base em diversas ferramentas
de IA (vários tipos de espaços comuns)
(xv) Desenvolver
agradáveis corredores comuns de circulação na intervenção residencial
intergeracional equipada
Já aqui e a propósito de várias
subtemáticas fomos abordando as possíveis caraterísticas dos corredores comuns e
de circulação da intervenção intergeracional equipada, mas julga-se que esta é
uma matéria essencial para o êxito da mesma e que tem de lidar com um amplo
leque de fatores de projeto entre os quais se destacam desde já:
- as questões de espaciosidade em termos
de largura, que não pode ser nem apertada nem excessiva e que tem de se
harmonizar com a respetiva altura livre;
- as questões ligadas ao desenvolvimento
em comprimento de troços uniformes do corredor, que não podem ser excessivos
com graves riscos de monotonia e desapropriação;
- as questões ligadas à iluminação
artificial, que deve ser bem harmonizada em termos de serviço geral, apoio às
entradas dos fogos e marcação preferencial do percurso/piso facilitando a
movimentação;
- a existência de eventuais sancas e/ou
sancas/barras de apoio a meia altura (matéria esta sensível e a refletir);
- e as questões de harmonização entre as
suas condições visuais de “residencialidade” e mesmo de alguma “domesticidade”
dos acabamentos e as suas respetivas condições de segurança contra incêndio,
facilidade de manutenção e durabilidade e/ou facilidade de substituição.
(xvi) Desenvolver
agradáveis galerias exteriores ou semi-exteriores como espaços comuns de
circulação da intervenção residencial intergeracional equipada
Já aqui e a propósito de várias
subtemáticas fomos abordando as possíveis caraterísticas das galerias
exteriores ou semi-exteriores comuns e de circulação da intervenção
intergeracional equipada, mas julga-se que esta é uma matéria essencial para o
êxito da mesma e que tem de lidar com um amplo leque de fatores de projeto
entre os quais se destaca os que são referidos em seguida, que se iniciam com
uma quase-repetição dos referidos para os corredores, mas que, depois, integram
aspetos específicos:
- as questões de espaciosidade em termos
de largura, que não pode ser nem apertada nem excessiva e que tem de se
harmonizar com a respetiva altura livre;
- as questões ligadas ao desenvolvimento
em comprimento de troços uniformes da galeria, que não podem ser excessivos com
graves riscos de monotonia e desapropriação;
- as questões ligadas à iluminação
artificial, que deve ser bem harmonizada em termos de serviço geral, apoio às
entradas dos fogos e marcação preferencial do percurso/piso facilitando a
movimentação;
- a existência de eventuais sancas e/ou
sancas/barras e/ou corrimãos de apoio a meia altura (matéria esta sensível e a
refletir);
- as questões de harmonização entre as
suas condições visuais de “residencialidade” e mesmo de alguma “domesticidade”
dos acabamentos e as suas respetivas condições de segurança contra incêndio,
facilidade de manutenção e durabilidade e/ou facilidade de substituição –
matérias estas que são menos problemáticas pois as galerias exigem acabamentos
exteriores e, portanto, basicamente mais resistentes do que os interiores;
- as questões ligadas à frequente
integração de elementos de vegetação nas galerias, seja em canteiros integrados
no edificado, seja em espaços ocupáveis por vasos dos moradores;
- as questões ligadas à possível ocupação
por mobiliário exterior privado de pequenas “bolsas” espaciais das galerias,
que não podem estar no espaço de circulação das mesmas – possibilidade esta que
merece reflexão pois exige forte regulamentação e controlo condominiais;
- as questões ligadas aos aspetos de
segurança contra inundações repentinas e sua influência na acessibilidade e
mesmo no interior das habitações;
- e as importantes questões ligadas à
acessibilidade em segurança mesmo com pisos molhados – sem escorregamento.
(xvii) Desenvolver
as relações com o exterior e os respetivos espaços de transição dos espaços
comuns de circulação da intervenção residencial intergeracional equipada
De forma diversa já fomos abordando, neste
artigo, aspetos que integram as relações com o exterior a partir dos espaços
comuns de circulação de uma intervenção intergeracional equipada, mas falta,
talvez, apontar:
- quer os aspetos essenciais que podem e
devem marcar o próprio “partido” arquitectónico mais exterior da solução, onde
tais aspetos de relação interior/exterior e vice versa podem ser usados como
elementos fortes de caraterização ou apenas como elementos suplementares da
dita;
- quer a importância e a especificidade
dos espaços e elementos de transição e relação entre interioridade e
exterioridade considerados como “tema” básico de toda a solução arquitectónica
e com diversas presenças na mesma.
Importará a propósito desta matéria, mas
com evidente aplicação em muitas outras aqui apontadas, que estes aspetos não
são, evidentemente, exclusivos de uma dada de uma intervenção intergeracional
equipada; no entanto o potencial projetual aqui existente e a sua sensibilidade
e relação com um projeto final muito adequado a uma grande diversidade de
necessidades e modos de habitar tornam-nos especialmente interessantes para
serem usados em soluções residenciais deste tipo.
(xviii) Desenvolver
átrios com múltiplos pés direitos polarizados e/ou alongados nos espaços comuns
de circulação da intervenção residencial intergeracional equipada
O desenvolvimento de átrios com múltiplos
pés direitos polarizados e/ou alongados nos espaços comuns de circulação da
intervenção residencial intergeracional equipada é uma possibilidade que tem de
se harmonizar com a dimensão da mesma, com os usos possíveis nos amplos espaços
térreos assim criados e com a sua adequada ventilação natural, iluminação
natural, proteção relativamente à insolação e segurança contra riscos de
incêndios.
São, claramente, soluções muito ricas em
termos de imagens e usos proporcionados, seja em termos comuns, seja na
marcação individualizada dos respetivos fogos – quase “exteriores”, mas com
acessos confortáveis; mas dependem dos custos associados e de uma adequada
harmonização com as respetivas condições de conforto ambiental; e há excelentes
soluções até nacionais que podem ser visitadas e estudadas.
(xix) Desenvolver
e apoiar a integração de elementos da natureza e verdes nos espaços comuns de
circulação da intervenção residencial intergeracional equipada
A integração de elementos da natureza e
verdes nos espaços comuns de circulação da intervenção residencial intergeracional
equipada é um aspeto que tem vindo a ser aqui apontado, sistematicamente, em
diversos itens, no entanto a sua importância obriga ao respetivo registo
específico, acrescentando-se, aqui, apenas, que a sua previsão deve implicar a
sua cuidadosa programação, designadamente, em termos de dimensionamento e
constituição das floreiras e locais para vasos, existência de iluminação
adequada (quando aplicável) e existência de pontos de água para rega e/ou de
rega automática.
(xx) Desenvolver
entradas adequadas na intervenção residencial intergeracional equipada
Iniciou-se
esta abordagem que uma referência aos aspetos a privilegiar numa entrada
principal da intervenção residencial intergeracional equipada, mas importa ter
em consideração, designadamente, dois aspetos relativos aos acessos a esta
tipologia residencial:
- Importa
considerar, por um lado, o quase vital interesse da existência de
acessibilidades alternativas, que evidenciem a respetiva condição de ambiente
residencial usado com total liberdade pelos seus residentes, mas condições
estas que devem ser muito bem geridas em termos da essencial segurança no uso
do condomínio.
- É
importante ter em conta a eficácia das acessibilidades “de serviço” ao
conjunto, integrando seus eventuais espaços e equipamentos comuns exteriores;
sendo esta uma matéria onde poderemos, julga-se, procurar inspiração nas
idênticas funcionalidades de equipamentos de hotelaria; e lembrando que a
existência deste tipo de acessibilidades de serviço pode ser também muito útil
para acessos com carácter mais reservado, por exemplo entradas/saídas de
material de apoio de saúde e outros tipos de serviços pouco agradáveis em
termos de visibilidade mais geral.
Fig. 07: uma simulação arquitectónica apenas
“experimental” e associável a uma intervenção residencial e urbana, intergeracional,
equipada, adaptável e participada - realizada com base em diversas ferramentas
de IA (vários tipos de espaços comuns)
(xxi) Desenvolver
uma forma geral equilibradamente uniforme e/ou variada na intervenção
residencial intergeracional equipada
Já perto do remate desta reflexão sobre a
caraterização dos espaços comuns de uma intervenção
residencial intergeracional equipada voltamos, de certo modo, a aspetos
abordados no início desta pequena “viagem”, considerando que a respetiva forma
geral deve ser equilibradamente uniforme e/ou equilibradamente diversificada
consoante o partido arquitectónico aplicado caso a caso, a tipologia edificada
geral, e, naturalmente, a dimensão de cada intervenção.
Estas considerações não são óbvias, porque ao avançar-se numa renovada tipologia de habitar e de convívio vicinal há que antecipar ao máximo aspetos ligados à sua imagem final, pois não podemos esquecer que estamos a procurar fazer conviver pessoas e agregados muito distintos, muitas pessoas com potenciais idiossincrasias complexas ou mesmo difíceis, como será o caso de muitos idosos e de pessoas sós e com hábitos muito marcados, e que, portanto, há que tentar proporcionar-lhes uma solução que também tenha uma imagem global realmente apelativa, para além de um conteúdo funcional e formal adequado.
(xxii) Dispor
elementos decorativos nas paredes dos espaços comuns de circulação e de entrada
da intervenção residencial intergeracional equipada
Depois de um aspeto tão estruturante como
foi o último, aborda-se, brevemente, um aspeto também formal, mas de grande
pormenor, que é a possível disposição de elementos decorativos nas paredes dos
espaços comuns de circulação e de entrada da intervenção residencial
intergeracional equipada.
E sobre esta matéria importa,
essencialmente referir que a “filosofia” aplicada no arquitectura de interiores
de tais espaços comuns não pode ser a mesma dos “frios”, impessoais e mínimos
espaços comuns de conjuntos residenciais correntes; tem de haver um “salto em
frente”, em termos de residencialidade, calor humano, apropriação e identidade,
mas que tem de ser adequado a uma ampla diversidade de caraterísticas etárias e
socioculturais e a todos os aspetos de acessibilidade e segurança aplicáveis.
(xxiii) Prever,
conjuntamente, uma grande facilidade de manutenção e uma grande dignidade e
atratividade de imagem geral e particularizadas nos espaços comuns de
circulação e de entrada da intervenção residencial intergeracional equipada
Tratata-se de uma matéria que foi sendo
abordada ao longo desta reflexão, há que prever, conjuntamente, uma grande
facilidade de manutenção e uma grande dignidade e atratividade de imagem geral
e particularizadas nos espaços comuns de circulação e de entrada da intervenção
residencial intergeracional equipada.
De certa forma há que conciliar o que é,
aparentemente, pouco conciliável, ambientes envolventes, calorosos,
razoavelmente marcantes, bem pormenorizados, atraentes e apropriáveis e
condições extremamente funcionais na sua limpeza, manutenção e reparação.
E é interessante ter aqui em conta que a
opção por galerias exteriores comuns de acesso conseguirá esta harmonização de
condições talvez bastante mais facilmente e naturalmente do que a solução com
corredores interiores comuns.
(xxiv) Ter
em conta a dimensão social da intervenção residencial intergeracional equipada e a sua aplicação
mais concentrada ou mais distribuída
Conclui-se, para já, esta primeira
reflexão, razoavelmente sistemática, sobre as caraterísticas desejáveis nos
espaços comuns de acesso e circulação de uma intervenção residencial
intergeracional equipada com uma brevíssima abordagem de um aspeto “estrutural”
nesta matéria e que tem a ver com as respetivas dimensões sociais talvez
preferenciais, considerando problemáticas tão variadas, mas tão essenciais,
como: a positiva diversidade dos potenciais contatos sociais, seja no mesmo
tramo ou patim de acessos, seja em termos da totalidade da operação; o possível
limite “superior” de vizinhos a partir do qual tal um tal potencial de
convivência fica dificultado por excesso de relações potenciais e até por
eventuais problemas de gestão do condomínio; números de pequenos fogos
associados que sejam eventualmente mais adequados para poderem ter cuidados de
manutenção razoavelmente centralizados – e aqui o conhecimento hoteleiro pode
ser bem importante; números de residentes que sejam eventualmente mais
adequados para poderem ter cuidados ao nível de apoios de bem-estar e mesmo de
saúde com alguma adequação – e aqui provavelmente as informações dos
equipamentos coletivos residenciais de apoio a idosos podem ser de grande
utilidade; e uma idêntica reflexão considerando os números de residentes que
possam justificar cuidados de gestão local e continuada mais “firmes” e
sustentados – números estes que provavelmente serão elevados.
Tendo em conta tudo isto e provavelmente
mais alguns aspetos ainda a juntar, haverá que avançar para intervenções que
podemos designar como mais “concentradas” ou mais “distribuídas”, e sendo que
neste último caso poderão existir condições de apoios vários e de gestão
aplicadas globalmente, desde que a referida repartição seja territorialmente
adequada.
(xxv) Ter
em conta o conjunto de aspetos de “tipo de acessos”, altura do edificado e
dimensão da intervenção residencial intergeracional equipada
Esta pequena reflexão não é mais do que
uma “porta aberta” a posteriores desenvolvimentos salientando-se, apenas, que,
para uma dada opção arquitectónica numa intervenção residencial intergeracional
equipada, importará ter em conta: o local, evidentemente, e os seus
condicionalismos urbanos e desejáveis aspetos de centralidade; os parâmetros
bem conhecidos associados aos diversos patamares de custos do edificado
associados às suas diferentes alturas e respetivos equipamentos e condições de
segurança; os diversos tipos de acessibilidade possíveis e desejáveis; as
diversas caraterísticas domésticas associadas aos possíveis tipos de fogos, com
destaque para os respetivos aspetos de conforto ambiental; e as questões
associáveis aos aspetos gerais de dimensionamento social da intervenção.
Tais matérias foram aqui estrategicamente
apontadas pois os espaços de entrada e especialmente os de circulação são
realmente estruturantes da globalidade da intervenção edificada.
Fig. 08: uma simulação arquitectónica apenas “experimental” e associável a uma intervenção residencial e urbana, intergeracional, equipada, adaptável e participada - realizada com base em diversas ferramentas de IA (vários tipos de espaços comuns)
Notas
muito breves sobre a continuidade e conclusão do estudo relativo à Habitação
Intergeracional, Equipada, Adaptável e Participada
Nos dois próximos artigos, que rematam, para já, o presente estudo irei voltar
a tentar opinar de modo informal e o mais possível discursivo, sobre o que
julgo ser mais importante na conceção de espaços comuns multifuncionais e,
depois, de vizinhanças de soluções marcadas por intergeracionalidade
residencial, multifuncionalidade, apoio de equipamentos e serviços e adequada
integração urbana.
Anexo: Listagem dos artigos sobre propostas concretas de apoio à conceção de soluções de habitação intergeracional adaptável, equipada e participada (PHAI3C) – com links/ligações diretas aos respetivos textos, Ctrl + clique ir para ligação
. COELHO, António Baptista – Infohabitar, Ano XXI, n.º 955 – Perfis de projeto de uma
nova forma de habitar adaptável, intergeracional, equipada e participada –
infohabitar # 955, Lisboa,
quarta-feira, 26 de novembro de 2025. (6 p.)
. COELHO, António Baptista – Infohabitar, Ano XXI, n.º 957 – Enquadramento de novas
soluções residenciais intergeracionais, adaptáveis, equipadas, participadas e
económicas (PHAI3C) – Infohabitar # 957, Lisboa, quarta-feira, 10 de dezembro de 2025. (5
p.)
. COELHO, António Baptista – Infohabitar, Ano XXII, n.º 965 – Pormenorização
residencial criadora de ambientes estimulantes, multifuncionais e
intergeracionais (I) – infohabitar # 965, Lisboa, quarta-feira 18 de fevereiro de 2026. (12 p. 6 figg.)
Notas editoriais
gerais:
Embora
a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo
corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada
por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos
artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais
dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da
exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
No
mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a
utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por
exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva
responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as
respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.
Para
se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da
Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa
de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a
tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo
GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à
respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas
e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do
teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou
negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi
recebido na edição.
Oportunamente
haverá novidades no sentido do gradual, mas expressivo, incremento das
exigências editoriais da Infohabitar, da diversificação do seu corpo editorial
e do aprofundamento da sua utilidade no apoio à qualidade arquitectónica
residencial, com especial enfoque na habitação de baixo custo.
Espaços e Ambientes Comuns de Entrada e Circulação em Soluções Residenciais Intergeracionais, Equipadas, Adaptáveis e Participadas (I)- infohabitar # 985
Informa-se que para aceder (fazer download) do mais recente
Catálogo Interativo da Infohabitar, que está tematicamente organizado em mais
de 20 temas e tem links diretos para os 960 artigos da Infohabitar,
existentes em janeiro de 2025 (documento pdf ilustrado e com mais de 80
pg), usar o link seguinte:
https://drive.google.com/file/d/1FGRm5wfskdl54Lf7BhoDTmojcBDiveSf/view?usp=sharing
Infohabitar, ano XXII, n.º 985
Edição:
quarta-feira 8 de Julho de 2026
Editor: António Baptista Coelho
Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas
Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da
Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura
e Urbanismo pelo LNEC.
Os aspetos técnicos do lançamento da Infohabitar
e o apoio continuado à sua edição foram proporcionados por diversas pessoas,
salientando-se, naturalmente, a constante disponibilidade e os conhecimentos
técnicos do doutor José Romana Baptista Coelho.
Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa
para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na
Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).








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