quarta-feira, julho 22, 2026

Vizinhanças de Soluções Residenciais Intergeracionais (I) – infohabitar # 987

Vizinhanças de Conjuntos Residenciais Intergeracionais (I) – infohabitar # 987

Informa-se que para aceder (fazer download) do mais recente Catálogo Interativo da Infohabitar, que está tematicamente organizado em mais de 20 temas e tem links diretos para os 960 artigos da Infohabitar, existentes em janeiro de 2025 (documento pdf ilustrado e com mais de 80 pg), usar o link seguinte:

https://drive.google.com/file/d/1FGRm5wfskdl54Lf7BhoDTmojcBDiveSf/view?usp=sharing

Infohabitar, ano XXII, n.º 987

Edição: quarta-feira 22 de Julho de 2026 

 

 

Fig. 01: uma simulação arquitectónica apenas “experimental” e associável a uma intervenção residencial e urbana, intergeracional, equipada, adaptável e participada - realizada com base em diversas ferramentas de IA (vários tipos de vizinhanças de intervenções residenciais intergeracionais)

 

Editorial

Mesmo numa quase-conclusão do estudo teórico-prático do PHAI3C - Programa de Habitação Adaptável Intergeracional Cooperativa a Custos Controlado, agora aqui referido, frequentemente, como “uma nova forma de habitar adaptável, intergeracional, equipada e participada”, continuamos com um pequeno conjunto de artigos associados aos diversos níveis físicos residenciais e onde tentamos sintetizar conjuntos de conclusões e, essencialmente, de opiniões práticas e de apoio à conceção arquitectónica no âmbito de uma intergeracionalidade residencial equipada e participada.

Depois de termos abordado, no artigo 984 de 1 de julho, os “microespaços” intergeracionais, domésticos e adaptáveis, no artigo 985 de 8 de julho os espaços e ambientes comuns de entrada e circulação nesse tipo de soluções, e no artigo 986 de 15 de julho os espaços e equipamentos comuns nessas intervenções, concluímos, no presente artigo, uma primeira viagem aos diversos níveis físicos das Soluções Residenciais Intergeracionais, com uma primeira abordagem, bastante informal, aos tipos e caraterísticas das respetivas vizinhanças, essencialmente contíguas, mas também envolventes, desta renovada forma de habitar.

Como se tem aqui apontado, avançámos nesta fase final do estudo de uma forma estratégica, realizando reflexões claramente opinativas sobre os referidos níveis físicos residenciais, mas não tentando esgotar tal reflexão de uma única vez, e num único artigo e por isso a designação “I” que remata o título do presente artigo, que é dedicado às designadas “Vizinhanças de Soluções Residenciais Intergeracionais”.

Como nota final a confissão de a extensão do presente estudo e também desta sua fase final ter inviabilizado uma sua extensa ilustração; ilustração esta e  um provável maior desenvolvimento de conteúdos que ficarão, promete-se, para uma reedição deste artigo.

Com as minhas saudações cordiais,

António Baptista Coelho

Editor da infohabitar

Azambuja, Casais de Baixo, Casa das Vinte, 22 de Julho de 2026

 


Fig. 02: uma simulação arquitectónica apenas “experimental” e associável a uma intervenção residencial e urbana, intergeracional, equipada, adaptável e participada - realizada com base em diversas ferramentas de IA (vários tipos de vizinhanças de intervenções residenciais intergeracionais)

 

Vizinhanças de Conjuntos Residenciais Intergeracionais (I) – infohabitar # 987

1. Introdução aos artigos de remate do estudo sobre intergeracionalidade residencial adaptável equipada e particidada (PHAI3C)

Nas matérias associadas a propostas concretas e mais conclusivas de apoio à conceção de soluções de habitação intergeracional adaptável, equipada e participada, o estudo realizado (PHAI3C) tem já um conjunto razoável de artigos, que são devidamente referidos no final do presente artigo e com os seus links específicos para os respetivos textos completos.

Este conjunto de artigos onde procuramos apresentar, essencialmente, opiniões práticas e de apoio à conceção arquitectónica no âmbito de uma intergeracionalidade residencial equipada e participada já abordou as seguintes matérias:

- Sobre a natureza básica da intergeracionalidade residencial – infohabitar # 974

- Bases e objetivos de uma adequada intergeracionalidade residencial – infohabitar # 975

- O que se julga essencial para uma ampla intergeracionalidade residencial (I) – infohabitar # 967

- Enquadramento de novas soluções residenciais intergeracionais, adaptáveis, equipadas, participadas e económicas – Infohabitar # 957

- Perfis de projeto de uma nova forma de habitar adaptável, intergeracional, equipada e participada – infohabitar # 955

- Intergeracionalidade Residencial e Habitaterapia – infohabitar # 972

- Aproximação ao dimensionamento de conjuntos residenciais intergeracionais – infohabitar # 973

- Pormenorização residencial criadora de ambientes estimulantes, multifuncionais e intergeracionais (I) – infohabitar # 965

- Microespaços e Ambientes Privados Intergeracionais, Domésticos  e Adaptáveis (I)- infohabitar # 984

  Espaços e Ambientes Comuns de Entrada e Circulação em Soluções Residenciais Intergeracionais, Equipadas, Adaptáveis e Participadas (I) – infohabitar # 985

- Ambientes e Equipamentos Comuns Multifuncionais em Soluções Residenciais Intergeracionais (I) – infohabitar # 986

- ( e no presente artigo) Vizinhanças de Conjuntos Residenciais Intergeracionais (I) – infohabitar # 987

(todos os links estão no anexo final deste artigo)

No presente artigo vamos continuar a desenvolver a matéria da intergeracionalidade residencial, adaptável, equipada e participada sequenciando avançando para o nível físico residencial, em falta, e portanto referido às respetivas vizinhanças próximas.

Mantendo um essencial sentido prático e evitando-se, portanto, reflexões muito longas e que se julgam pouco necessárias, tendo-se em conta a extensão que este estudo já tem – visível nos 76 artigos já aqui editados e sempre interactivamente disponíveis no artigo Soluções Residenciais Adaptáveis Intergeracionais e  Participadas: base documental - infohabitar # 983 - vamos avançar nesta fase final de uma forma estratégica, realizando reflexões claramente opinativas sobre os referidos níveis físicos residenciais, mas não tentando esgotar tal reflexão de uma única vez, e num único artigo e por isso a designação “I” que remata o título do presente artigo, que é dedicado às designadas “Vizinhanças de Soluções Residenciais Intergeracionais”. 

 

Fig. 03: uma simulação arquitectónica apenas “experimental” e associável a uma intervenção residencial e urbana, intergeracional, equipada, adaptável e participada - realizada com base em diversas ferramentas de IA (vários tipos de vizinhanças de intervenções residenciais intergeracionais)

 

2. Conjunto de aspetos aplicáveis às vizinhanças de proximidade de Soluções Residenciais Intergeracionais

Numa perspetiva que fará talvez lembrar os incontornáveis “padrões/patterns” de Christopher Alexander, que aliás são sempre importantes em qualquer processo de projecto de arquitectura, apontamos, em seguida, e comentamos numa primeira “viagem de descoberta”, um conjunto amplo de espaços e de “condições” aplicáveis e que se consideram de grande interesse no desenvolvimento das “Vizinhanças de Soluções Residenciais Intergeracionais”.

Considerando-se a extensão desta temática específica neste artigo “I”, as notas, em seguida, apresentadas são, individualmente, pouco desenvolvidas e relacionam-se, essencialmente, com o uso e a vivência destes espaços comuns residenciais de vizinhança e intergeracionais por pessoas mais idosas e recentemente mudadas de “habitações familiares” e/ou por pequenos agregados familiares e/ou por pessoas pouco dedicadas a “lides domésticas”; relativamente a condições de uso mais genéricas e mais específicas do uso por pessoas condicionadas na mobilidade e na perceção existem já, naturalmente, muitos estudos aplicáveis, embora, há que registar, realizados numa “lógica” que julgo ser excessivamente funcionalista e que, portanto, urge revisitar.

Considerando-se a diversidade dos aspetos em seguida apontados os respetivos itens foram ordenados apenas e para já alfabeticamente; até porque se considera que, posteriormente poderão vir a ser revistos, completados e então talvez estruturados e até porque nesta primeira versão deste artigo talvez o que mais interesse é apontar um máximo de subitens temáticos a considerar, e isto cumpre-se, logo, nos respetivos títulos.

2.1. Aplicar um partido e desenvolvimento gerais dos espaços de vizinhança adequados à natureza e caraterísticas específicas e locais da intervenção residencial intergeracional equipada

Evidentemente que cada local de intervenção tem os seus aspetos específicos em termos de exigências e possibilidades regulamentares ligadas a áreas gerais, altura máxima e até número de fogos e que tudo isto terá influência direta na conceção dos respetivos espaços de vizinhança.

No entanto julga-se que, praticamente por regra, estas intervenções residenciais deverão ter uma sua dimensão exterior afirmada, não só e tal como foi apontado noutros artigos, através da existência de pequenos espaços exteriores privados e bem úteis em cada fogo, mas também pela expressiva dinamização do contacto com o solo térreo exterior, quer em pequenos espaços privativos do tipo pátio ou mesmo pequeno jardim/horta, quer em espaços comuns bem desenvolvidos, mais urbanos e “duros”, ou mais naturalizados, mas sempre com a estratégica presença da natureza, quer em espaços exteriores e semiexteriores que prolonguem conteúdos funcionais e ambientais comuns interiores (ex., esplanada de café).

Complementarmente poderemos ter, aqui, vários caminhos a seguir:

- um deles considerando a localização da intervenção que, estando por exemplo, junto a excelentes equipamentos públicos poderá provavelmente “poupar” em espaços e equipamentos exteriores e de vizinhança próprios;

- outro que considere especificamente o carácter mais privado ou mais convivial e comum da intervenção e que poderá influenciar no respetivo desenvolvimento do seu “pequeno mundo” exterior e comum;

- e ainda outro caminho que tenha em conta a possibilidade de alguns dos espaços e equipamentos exteriores comuns da intervenção poderem ter uma valência local alargada, sendo portanto usados pela comunidade da zona, aspeto este que, naturalmente, deverá ser devidamente considerado no respetivo desenvolvimento financeiro.

2.2. Apoiar a identidade, a dignidade e a controlada apropriação das vizinhanças intergeracionais

Os ambientes e equipamentos comuns intergeracionais que integrem as respetivas vizinhanças deve(m) caraterizar-se por um subtil equilíbrio entre a identidade específica da intervenção – designação, mas também evidentes aspetos arquitectónicos gerais e pormenorizados – e uma identidade onde deve ser marcante o seu essencial conteúdo residencial e um seu respetivo e afirmado carácter digno e sóbrio, com um pequeno conjunto de aspetos que potenciem a apropriação pelos respetivos moradores onde pontuam aspetos genéricos ligados a uma cuidada/quase simulada informalidade, que torne os diversos tipos de espaços criados, específica e globalmente acolhedores e razoavelmente diversificados e atraentes, e aspetos específicos de adequadas e estimulantes relações: de identidade geral e respetiva integração local; de aproximação/afastamento; entre exterior e interior e entre interior e exterior; de integração cuidada e estratégica de elementos de vegetação; e de apurada, rica mas sóbria pormenorização.

Estas condições são muito sensíveis, devem marcar todo o desenvolvimento da vizinhança, mas deverão ter uma aplicação especialmente muito cuidada nas suas principais zonas aproximação, entrada e estadia, que os moradores irão usar frequentemente e/ou onde irão, desejavelmente, ter vontade de permanecer durante longos e repetidos períodos diários, dando repetida e aprofundada atenção a muitos pormenores com variadas naturezas (por exemplo, desde os “relacionais” aos mais puramente de tratamento formal pormenorizado); sendo um cuidado que exige, evidentemente, atenção muito específica na conceção arquitectónica ambiental, espacial e funcional, e excelente apuro num essencial e muito adequado projeto de pormenorização de arquitectura; sendo aqui especialmente interessante no exterior de vizinhança que a passagem das estações e a própria passagem dos anos sejam atraentemente evidenciadas.

2.3. Apoiar e estimular uma excelente dinâmica de movimentação e estadia, clarificada e segura nos diversos espaços e equipamentos que integram a  vizinhança da intervenção residencial intergeracional

Tendo-se em conta o conforto e a funcionalidade gerais e a potencial existência de moradores com condicionamentos físicos e de perceção, a estruturação das principais acessibilidades e das mais estimulantes zonas e subzonas de estadia, cuja “rede” geral carateriza o conjunto dos espaços de vizinhança da intervenção residencial intergeracional equipada deve ser extremamente clara, evidenciada, mentalmente bem antecipável e bem memorizável e servida por excelentes condições de acessibilidade física e de segurança no uso corrente e em condições de emergência.

Isto não pode significar qualquer tipo de monotonia na organização geral e na respetiva volumetria e caraterização formal global e pormenorizada; o projeto de arquitectura tem de o garantir.

E isto também não significa que toda o conjunto de espaços de vizinhança tenha um mesmo grau de clareza de leitura, podendo existir diversas “camadas” de propostas de acessibilidade e estadia ou paragem, e respetivas leituras, que se irão embebendo nos moradores ao longo do tempo, adequadas a diversos usos e gostos de habitar e enriquecedoras da solução comum de habitar na sua totalidade.  Por outras palavras é muito importante que exista uma grande clareza, facilidade e segurança no uso nos principais percursos externos e de eventual evacuação, mas que, simultaneamente, sejamos agradável, curiosa e sequencialmente, “convidados” a permanecer numa série de espaços e subespaços; e é importante que tais sequências que jogam com os principais percursos exteriores e de relação interior/exterior funcionem bem nos seus dois principais sentidos – que podemos designar simplificadamente como “de entrada” ou “de saída” – mas de certa forma juntando-lhes um outro muito variado e criativo conjunto de pequenos percursos alternativos, que nos possam positivamente “desencaminhar” e estimular, quando temos tempo para “gastar”.

2.4. Apoiar, sempre, as acessibilidades correntes, especiais, eventuais e de emergência na vizinhança direta e indireta da intervenção residencial intergeracional equipada

Em uma intervenção residencial intergeracional equipada há que cumprir todas as regulamentações de segurança aplicáveis em termos habitacionais, mas há que ter exigências redobradas, tendo-se em conta essencialmente aspetos de:

- acessibilidade por pessoas com condicionamentos físicos e de perceção, traduzindo-se, designadamente, em excelentes condições de pormenorização das zonas de circulação, facilitando a movimentação, eventualmente lenta, com excelentes condições ergonómicas, de aderência de piso e de apoios à movimentação, mas fazendo-o de forma a que tais cuidados estejam perfeitamente integrados num ambiente não “estigmatizado” como sendo dedicado a pessoas com tais condicionalismos;

- acessibilidade eventual por macas estrategicamente bem facilitada;

- excelentes condições de acessibilidade e de evacuação de emergência, física, ambiental e sinaleticamente bem asseguradas – ex., distâncias a percorrer, tipos de pisos, iluminação e sinalética de emergência, etc. – e, novamente, tendo especificamente em conta pessoas com condicionamentos físicos e de perceção;

- e excelentes condições de apoio exterior a eventuais ações de emergência, facilitando, por exemplo, o estacionamento rápido e bem localizado de uma viatura em intervenção de emergência, no acesso do respetivo pessoal de intervenção ao interior do edifício e aos seus principais espaços exteriores de vizinhança; matérias estas que, tal como todas as aqui apontadas, deverão ser ponderadas e especificadas por especialistas.

2.5. Considerar especificamente a ergonomia e a segurança no uso das vizinhanças da intervenção residencial intergeracional equipada

A questão da ergonomia bem pormenorizada e da associada segurança das comunicações comuns já foi globalmente apontada, mas no entanto a questão do bom desenho, muito bem pormenorizado,  de rampas, escadas e corrimãos de apoio  merece uma atenção específica, quer porque por exemplo escadas bem desenhadas e apoiadas são verdadeiras “ferramentas” de apoio a uma movimentação saudável e mesmo uma excelente forma de exercício físico, muito adequadas aos mais idosos, até talvez mais do que as rampas, e esta é opinião de alguns médicos especialistas, quer porque as rampas, escadas e plataformas assim desenvolvidas, ambientalmente estimulantes e formalmente muito atraentes e bem pormenorizadas podem e devem constituir verdadeiros elementos de dinamização formal e funcional  da envolvente  da intervenção, dos seus principais acessos e mesmo, eventualmente, de apoio à caraterização formal do conjunto da intervenção.

Será da responsabilidade do bom projecto de pormenor integrar tais condições de modo tão adequado que elas surjam como qualidades gerais da intervenção e não associáveis a qualquer tipo de cuidado mais específico.

2.6. Considerar especificamente a identidade e apropriação nos espaços comuns e privados da vizinhança direta da intervenção residencial intergeracional equipada

Tendo-se bem em conta o carácter geral e básico de uma intervenção residencial intergeracional equipada, marcado por uma desejável “convivência” e complementaridade entre espaços afirmadamente privados e um amplo e estimulante leque de espaços comuns que devem ser voluntariamente bem vivíveis e mesmo animados, todo o tratamento de pormenor destes mesmos espaços e, de forma muito especial, dos espaços comuns de paragem e de estadia ou de prática de uma qualquer atividade, na envolvente da intervenção, tem de aantecipar, de certa forma, a continuidade do já referido tratamento nas zonas de entrada comuns, caraterizando-se por um subtil equilíbrio entre a identidade específica da intervenção e uma identidade onde deve ser marcante o seu essencial conteúdo residencial e um seu respetivo e afirmado carácter digno e sóbrio, com um pequeno conjunto de aspetos que potenciem a apropriação pelos respetivos moradores onde pontuam aspetos genéricos ligados a uma cuidada/quase simulada informalidade e variados aspetos específicos de integração cuidada e estratégica de elementos que potenciem a apropriação geral dos diversos espaços, mas não colocando em causa a sua referida identidade e dignidade globais.

 

 

Fig. 04: uma simulação arquitectónica apenas “experimental” e associável a uma intervenção residencial e urbana, intergeracional, equipada, adaptável e participada - realizada com base em diversas ferramentas de IA (vários tipos de vizinhanças de intervenções residenciais intergeracionais)

 

2.7. Considerar um amplo e estimulante “menu” potencial de vários tipos de espaços e equipamentos comuns e privados na vizinhança da intervenção residencial intergeracional equipada

2.7.1. Pequena introdução ao “partido” arquitectónico global das vizinhanças das intervenções residenciais intergeracionais e equipadas

- Não se pretendendo fazer qualquer tipo de menu básico relativo aos espaços e  equipamentos existentes na vizinhança de uma intervenção residencial intergeracional, equipada e adaptável, pois a boa natureza destas soluções decorrerá, em primeiro lugar, da sua qualidade e diversidade arquitectónica formal e programática, bem assente numa sua excelente localização e adequação específica a cada localização, desenvolvem-se, em seguida mais à frente, variados tipos de “padrões” comuns e de proximidade ao nível espacial e de equipamentos e serviços, que poderão constar de tais intervenções.

- Por outro lado o essencial interesse de cada intervenção radicará, talvez, tanto na sua localização, como na qualidade dos seus espaços privados, como na riqueza e até originalidade dos seus espaços de vizinhança: localização e aqui tenho vontade de repetir “localização” e respetivos aspetos de “centralidade” e boa paisagem, qualidade residencial estrita e muito rica não passando especialmente por grandes tipologias, e a referida e em seguida desenvolvida riqueza dos seus espaços e eventuais equipamentos comuns ou muito próximos, incluindo-se os importantes aspetos de vizinhança próxima, são uma tríade de aspetos essenciais a ter em conta, e que terá de ser bem unificada e valorizada por um excelente projeto de verdadeira Arquitectura Urbana.

- Importa também ter sempre presente, que aqui, e em seguida, vamos apenas fazer um menu inicial, naturalmente complementável (nos itens do menu e no seu respetivo e unitário desenvolvimento) e não vamos entrar em equipamentos coletivos eventualmente associados à intervenção e que sirvam a comunidade local; iremos apenas nesta matéria apontar um leque desejável dos mesmos em termos de tipologias e de alguns aspetos julgados essenciais.

- Importa ter sempre presente e vamos tentar ter sempre em mente a relativa ou mesmo profunda economia que deve marcar as intervenções; evidentemente que com muitos meios podemos gerar verdadeiros “palácios” intergeracionais, mas o que é incrível é constatarmos que em soluções existentes e muito caras, a qualidade da respetiva arquitectura exterior é, por vezes, extremamente problemática; portanto, julga-se que numa situação financeiramente “oposta” será possível fazer muito bem com clara economia de custos iniciais e de manutenção.

- Há sempre que ter em conta que cada um dos espaços e eventuais equipamentos considerados, em seguida, e posteriormente a complementar, poderão ter espaciosidade e desenvolvimento muito diversificados; por exemplo um pátio comum  multifuncional pode ter variadíssimas dimensões e associadas caraterizações de escala e de pormenor; e uma tipologia de verde privado pode variar entre um grande canteiro e um pequeno pátio com faixas ajardinadas ou para prática hortícola.

Neste mesmo sentido certos espaços e equipamentos poderão ser excessivos considerando a dimensão da intervenção, enquanto que intervenções muito grandes poderão exigir maior desenvolvimento de determinadas valências; e podendo até algumas delas apoiarem diversas intervenções próximas.

- E importa ter sempre presente que alguns ou até muitos dos tipos de espaços, subespaços, cuidados e equipamentos seguintes poderão estar mutuamente integrados nos mesmos espaços mais gerais, com utilização polivalente associada a nulas ou reduzidas adaptações específicas ou até com usos temporalmente desfasados.

2.7.2. Aspetos mais gerais e objetivos a visar na vizinhança de uma intervenção residencial intergeracional e equipada

Levar-nos-ia bem longe este subtítulo, mas ficaremos, para já, apenas pela indicação da ideia-chave que deve sempre nortear uma intervenção residencial intergeracional e equipada, já aqui repetida de várias formas, e que é proporcionar um espaço de habitar adequado e muito bem projetado para formas de habitar com alguma especificidade e variedade exigencial e natureza sociocultural dos seus habitantes, juntando-lhe bons apoios domiciliários, mais um “pequeno mundo” comum verdadeiramente apetecível, designadamente em termos de um excelente conjunto de espaços de vizinhança próxima e, eventualmente, de equipamentos praticamente impossíveis de obter ao nível privado (a não ser por “ricos”) e premeditada mas opcionalmente convivial, e isto tudo num local estimulante e razoavelmente central e/ou muito bem servido de acessibilidades.

Os objetivos específicos de cada intervenção são essenciais para a sua vital identidade, mas evidentemente dependerão de cada programa, local e partido arquitectónico específico.

 

 

Fig. 05: uma simulação arquitectónica apenas “experimental” e associável a uma intervenção residencial e urbana, intergeracional, equipada, adaptável e participada - realizada com base em diversas ferramentas de IA (vários tipos de vizinhanças de intervenções residenciais intergeracionais)

 

2.7.3. Pequeno “menu” introdutório de tipos de espaços e/ou equipamentos privados e comuns na vizinhança de uma intervenção residencial equipada (ordem alfabética)

E chegamos, assim, a um pequeno e primeiro “menu” introdutório de tipos de espaços e/ou equipamentos comuns e privados a integrar na vizinhança direta de soluções residenciais intergereacionais e equipadas, um menu que pouco mais é do que uma listagem longa e posteriormente complementável em termos tipológicos e seus conteúdos, para já, um pouco exploratórios.

(i) Entradas comuns dos residentes: principal e secundárias

A entrada principal do condomínio deve ter uma adequada “contrapartida” exterior devidamente assinalada, em termos de dignidade e representatividade, mas também muito marcada por agradável e acolhedor carácter residencial.

Outro aspeto importante é a sua adequada agradabilidade  em termos de protecção contra chuva, vento e mesmo excesso de insolação.

Ainda outro importante aspeto é a sua funcionalidade no apoio às atividades e pequenos padrões de atividade que aí serão frequentes (ex., descarregar compras vindo de táxi, esperar táxi, sentar enquanto se espera por alguém, etc.).

Considera-se importante a existência de outras entradas, designadamente “de serviço”, onde por exemplo seja possível encostar carrinhas de entrega domiciliária de alimentos e outros bens, e que esteja bem equipada exteriormente e internamente bem ligada aos principais acessos interiores; e eventualmente uma outra entrada que sirva mais diretamente os espaços exteriores comuns e privados do condomínio, proporcionando-lhes variadas funcionalidades em termos de cuidados de manutenção e um interessante “espírito” de relação entre exteriores.

Naturalmente que esta múltipla acessibilidade que é residencialmente muito agradável e estimulante no uso dos exteriores, terá de ser devidamente equipada em termos de controlos de acesso, comunicações com fogos e eventualmente portuária e equipamentos específicos de vigilância e segurança.

Estas últimas matérias são bem importantes e mais vale prevenir, devendo ser devidamente tratadas em termos de configurações arquitectónicas pormenorizadas e estratégia de visibilidades de segurança e de acompanhamento natural dos usos do exterior a partir do próprio exterior e dos vãos de janela do edificado; sem quaisquer tipos de “zonas mortas” ou pouco visíveis.

Uma última matéria a ter em conta nesta temática é que tem de existir uma claríssima definição espacial, de demarcação de responsabilidades de manutenção/vigilância e de controlo de acessos entre as zonas comuns exteriores e eventuais zonas exteriores promovidas pela intervenção mas com fruição pública e vicinal; não podem existir quaisquer zonas ambíguas em termos de usos aí permitidos.

E atenção que todos estes aspetos têm de se ligar a um “padrão” de movimentação e de perceção que se pode considerar “corrente” e um outro padrão de movimentação e perceção/orientação que é o adequado para o que podemos designar de “slow living” e que é o que deve ser adoptado nestas intervenções, sendo adequado para os mais sensíveis e excelente para os restantes moradores.

(i) Espaço informal multifuncional para convívio, reuniões e espetáculos ao ar livre  – as designações aqui apontadas têm alguma “solenidade”, que poderá não existir, de facto, podendo concentrar-se as atividades respetivas e afins num simples grande espaço multifuncional, que poderá ser contíguo ao principal espaço de estar interior e/ou de relação interior/exterior, proporcionando-se um amplo espaço multifuncional com variadas valências.

Trata-se, provavelmente, do principal espaço e elemento que integra e carateriza o conjunto dos espaços comuns exteriores de uma intervenção residencial intergeracional equipada e ela só “viverá” se forem bem estruturadas e razoavelmente diversificadas as suas essenciais microzonas de estar e de atividades.

Outro aspeto a ter presente é que este espaço deve ser basicamente multifuncional e relativamente informal no sentido de ser norteado essencialmente por aspetos de apoio a um real conforto e à existência de condições que possam rivalizar e “contrastar”, quer com o excelente sossego e privacidade domésticos, quer com idênticas condições de estar comum mas possíveis nos espaços interiores da intervenção.

Ainda outro aspeto importante é que múltiplos subespaços que são aqui considerados poderão integrar-se com esta zona de estar principal, podendo esta situação ajudar a enriquecer ambiental e espacialmente o grande e icónico espaço de estar exterior.

Uma matéria que importa sublinhar é a condição essencial de existência de mobiliário de exterior verdadeiramente confortável e ambientalmente bem protegido, caso contrário poucos usarão o exterior comum.

Em termos de essencial multifuncionalidade há que prever diversos usos gerais desta espaço e para tal é necessário disponibilizar adequada condições de arrumação provisória ou até sazonal do respetivo mobiliário – ex., mobiliário habitual e muito confortável, que poderá ser substituído em ocasiões fortuitas por mobiliário adequado a eventos com muitos participantes.

Numa intervenção com grande dimensão poderá existir um espaço mais específico para reuniões e espetáculos ao ar livre, por exemplo em dias agradáveis e noites estivais.

(ii) Esplanadas – a existência de um espaço de esplanada bem localizado nos limares de transição interior/exterior e bem protegido dos excessos climáticos é um excelente fator de enriquecimento ambiental e funcional da solução, para além de dever constitui-se como reserva de expansão da espaciosidade de variadas atividades interiores e exteriores.

A possibilidade de existência de uma esplanada contígua a um eventual equipamento de restauração e/ou convival (ex., café/bar), será também um aspetos a considerar.

No entanto a existência de uma esplanada convivial e condominial é um aspeto específico a privilegiar, podendo esta ter possibilidade de encerramento parcial e de climatização (ex., ventoinhas superiores e aquecimentos a gás)  para permitir uso alargado durante todo o ano.

(iii) Estufa para jardinagem – uma estufa para jardinagem poderá ser simplesmente concretizada associada a uma agradável zona de estar envidraçada  tipo “jardim de Inverno”, ou até deslocada para a vizinhança direta e associada a espaços de jardim e pátios ajardinados, mas pode corresponder a uma excelente “ferramenta” de apoio efetivo a uma afirmada prática de jardinagem a realizar em espaços privados e comuns.

(iv) Jardim de Inverno – espaço que já aqui foi referido e que poderá existir como “prolongamento” e enriquecimento espacial de uma ampla zona de estar, ou articulado com a zona de esplanada condominial, assegurando, ainda e eventualmente, o seu relacionamento com espaços de relação interior/exterior e com espaços exteriores comuns.

(v) Jardim e/ou “micro-bosque – a existência de uma zona ajardinada de modo extremamente cuidado e eficaz – espécies bem escolhidas, manutenção facilitada e pouca necessidade de rega – é uma exigência praticamente incontornável num espaço comum exterior de uma intervenção residencial intergeracional.

Ficará por definir, naturalmente, a sua extensão e a sua “natureza” (mais “formal” ou mais “bravia”), que dependerá da própria dimensão da intervenção, das suas caraterísticas urbanas e do respetivo partido arquitectónico, podendo variar entre uma zona intensa e micro-pormenorizada marcando “pontualmente” um pátio comum relativamente pequeno, até a possibilidade de desenvolvimento de um “micro-bosque” dimensionalmente bem definido; e pode haver até uma aliança entre uma zona ajardinada e um “micro-bosque” (quem quiser aprofundar esta última tipologia natural específica, ela está amplamente explorada na WWW).

(vi) Lareira exterior (zona de) – espaço que poderá existir como “prolongamento” e enriquecimento espacial de uma ampla zona de estar e que poderá ter uma presença essencialmente simbólica e de criação de um forte pólo convivial; formalmente ela corresponde a uma zona em que se recria, de forma controlada, uma fogueira no exterior, perto de zonas de estadia e num espaço razoavelmente protegido; podendo estar articulado com uma zona de refeições informais no exterior.

(vii) Locais/recantos para estar sozinho mas “acompanhado” – voltamos a relembra os incontornáveis “patterns” de Alexander com este potencial para estar relativamente sozinho mas relativamente “acompanhado” em pequenas zonas de estar “de um só lugar”, ou de lotação muito reduzida (e em que boa parte dos lugares são só para impulsionar o uso por pessoas isoladas ou em pares), que devem estar muito bem localizados, em termos de conforto ambiental global e de vistas estratégicas naturais e outras; constituindo-se em verdadeiros “chamarizes” que tragam residentes, mesmo “renitentes” para os espaços comuns exteriores, onde poderemos estar confortável e relativamente sossegados, mas agradavelmente acompanhados ou pelo menos acompanhando “à distância” a vida comum condominial. Este tipo de pequenos subespaços deverão existir associados e na vizinhança de espaços mais amplos.

Parece oportuno comentar que a existência destas microzonas de estar “privado” nos espaços comuns, constitui a “situação oposta” à necessidade de existência de uma espaciosidade estratégica para convívios nos espaços domésticos.

(viii) Microzonas de estar marcando zonas de acesso e circulação – na prática este tipo de microzonas correspondem a uma aplicação pontual de pequenos pólos de estar, marcando zonas estratégicas das circulações (ex, extremidades de circulações, mudanças de linearidade das circulações), sendo essencialmente pólos de estar “para vista”, mas que poderão proporcionar também um estar relativamente sozinho em pequenas zonas de estar de lotação muito reduzida.

(ix) Oficina de apoio à jardinagem – trata-se de um espaço oficinal que integre bancadas de trabalho equipadas, ferramentas adequadas e boas condições ambientais próprias e em termos de isolamento relativamente ao restante condomínio e excelentes condições de durabilidade e de manutenção - podendo até contribuir sempre que necessário para a própria manutenção dos diversos espaços do condomínio.

Naturalmente será opcional à existência de idêntico espaço integrado na edificação principal  e poderá estar associado à referida “estufa” e mesmo a um espaço multifuncional para a prática oficinal de tempos-livres.

(x) Piscina exterior, eventualmente, sazonal – chegamos a um daqueles espaços e equipamentos que embora caros, correspondem a uma condição extremamente apreciada pelos potenciais moradores e muito difícil de obter privadamente e designadamente em termos de um adequado dimensionamento e de uma adequada e simples manutenção.

Já abordámos a sua principal vantagem em termos de apoio ao bem-estar e à saúde humana e designadamente quando visamos pessoas mais sensíveis, e podemos aqui apontar que tendo-se em conta esta mesma vantagem parece ser de privilegiar a sua previsão com carácter de funcionamento contínuo ao longo do ano e em horário muito alargado, o que parece remeter para a solução de integração, total ou parcial,  na edificação principal, e como equipamentos interior comum.

Pode no entanto surgir aproveitando parte do exterior comum e com uma solução de cobertura espaçosa, que permita o seu uso e em boas condições de conforto, durante todo o ano; sendo eventualmente possível a sua abertura total ou parcial qundo o clima assim o permita.

Naturalmente e em intervenções com reduzidas limitações financeiras poderão existir: uma piscina interior mais ligada ao tipo de funções de apoio à saúde e ao bem-estar apontadas; e uma outra piscina exterior e com uso eventualmente sazonal com funções essencialmente de recreio e convívio. Mas esta possibilidade depende muito das condições locais e do orçamento disponível,

(xi) Recantos de estar sem ou com mesas – os “recantos” ou microzonas diversificadas de estar constituem a própria “razão” de existir das maiores zonas de estar; que só terão real capacidade de usos se contiverem excelentes desses recantos e microzonas de estar, mais formais ou mais informais, com variados tipos de lugares sentados e mesas de apoio e com variados outros tipos de mobiliário exterior de apoio, mais e menos confortável, apoiando estadas curtas ou prolongadas (e até a sesta no exterior); portanto nos “antípodas” de soluções globalmente “decoradas” com a mesma “família” de mobiliário de estar.

(xii) Recinto(s) para equipamentos de recreio infantil – tratando-se de uma intervenção intergeracional faz todo o sentido a existência de um recinto com equipamentos para recreio infantil, com dimensão, caraterização e desenvolvimento diversificados e adequados, consoante dimensão da intervenção, bem relacionados com zonas de estar dos adultos, mas razoavelmente separados das suas principais zonas de estadia.

A possibilidade de existência de um “parque infantil” mais desenvolvido e que tenha uso público vicinal é também uma possibilidade e considerar.

(xiii) Recinto(s) para exercício físico com e sem equipamentos – parece ser essencial a existência de um espaço deste tipo, que deverá integrar alguns equipamentos fixos de exercício físico adequados e duráveis, acompanhados das respetivas instruções de uso; e alternativa ou, melhor, complementarmente poderá existir um outro espaço, bem enquadrado por elementos de vegetação, e onde será muito agradável a prática de variados exercícios físicos ao ar livre e em “comunhão” com a natureza; quaisquer deles deverão ser discretamente integrados na globalidade dos espaços comuns exteriores, mas os últimos exigem uma mais cuidada integração e uma apurada envolvência natural.

(xiv) Recintos para prática desportiva – evidentemente que a existência de recintos “regulamentares” para a prática desportiva no exterior deverá ser devidamente considerada, sempre que exista espaço disponível e orçamento adequado para o efeito; sendo de considerar as modalidades cujo dimensionamento e equipamento sejam mais económicos – ex., cesto de basquete instalado em empena de edifício e com “meio campo” de jogo contíguo, e modalidades com raquete que precisem de recintos mais pequenos.

Mas esta possibilidade e a sua respectiva caraterização depende muito das condições locais e do orçamento disponível, não havendo qualquer dúvida que se trata de um potencial excelente para qualquer condomínio exterior e com interesse redobrado quando podemos incentivar pessoas mais idosas para algumas práticas desportivas.

(xv) SPA – Jacuzzi,  Banho de imersão de bem-estar – a existência de adequadas condições para o máximo aproveitamento dos bem conhecidos benefícios para a saúde de um agradável e prolongado banho de imersão  associado a hidromassagem, tal como acontece em pequenas piscinas de Jacuzzi, deverão ser adequadamente previstas, provavelmente integrando um pequeno centro de SPA, tal como foi apontado quando se abordaram os equipamentos comuns interiores em intervenções residenciais, ou integrada numa zona específica e devidamente isolada do espaço exterior condominial, e em boa relação com com elementos naturais.

A existência destas condições deverá ser eficazmente prevista em termos da sua gestão e manutenção. Alternativamente esta possibilidade poderá integrar um centro de SPA aberto ao uso externo ao condomínio, e naturalmente associada a  espaços próprios e de apoio (ex., vestiários) comuns a todo o SPA.

(xvi) Zonas de apoio a serviços correntes; matéria, que pela sua dimensão e naturezas específicas diversas, obrigará a um seu desenvolvimento específico e posterior   aqui cabe uma verdadeira “família” de espaços potencialmente com alguma diversidade, mas que nesta matéria ligada ao desenvolvimento dos espaços comuns condominiais se liga essencialmente ao arrumar de ferramentas e manutenção das mesmas, mas podendo incluir espaços para maquinaria específica e devendo incluir arrumações sazonais ou eventuais para variados tipos de mobiliário exterior (ex., desde mesas a chapéus de sol).

(xvii) Zona de estar associada à entrada principal – na contiguidade ou mesmo integrando a principal entrada do conjunto residencial intergeracional e equipado poderá existir uma pequena zona exterior de estar acolhedora e funcionalmente clarificadora do carácter e funcionamento da intervenção.

(xviii) Zona de jogos de mesa e convívio – focando-nos nos tradicionais jogos de mesa, que propiciam algum convívio natural, para além do recreio do jogo, considera-se que esta previsão faz todo o sentido nos espaços comuns exteriores de uma intervenção residencial intergeracional equipada; afinal vemo-los, frequentemente, e de forma espontânea em mesas e cadeiras fixas situadas em espaços ajardinados e sombreados; mas aqui poderão existir, também, condições mais flexíveis de uso com mesas e cadeiras amovíveis.

(xix) Zona de refeições no exterior – a existência de uma zona de apoio a refeições informais no exterior comum do condomínio pode constituir-se num aspeto ativador do respetivo convívio, ou pode até tornar-se em assunto de discórdia devido a usos menos regrados destas instalações, frequentemente, associáveis a espaços e equipamentos para se poder grelhar alimentos ao ar livre.

Por um lado esta prática do “grelhar ao ar livre” é fulcral em termos do convívio tradicional, familiar e vicinal, estando ligada também a festividades cíclicas; por outro lado os fumos e cheiros associados podem ser motivo de incómodos e conflitos. A existência deste tipo de condições ficará, portanto, para consideração específica, devendo ser localizada e equipada de modo a poder afetar ao mínimo a vivência condominial e devendo ser objeto de regras claras de utilização.

Considerando-se a prática geral de tomar refeições ao ar livre ela deverá ser claramente possível e bem apoiada, tendo-se em conta, nomeadamente, os respetivos elementos de mobiliário, a respetiva proteção contra o sol, o vento e mesmo a chuva e sua proximidade  com zonas de serviço e especificamente de copa e de cozinha, devendo ser a sua natureza organizativa adaptável a múltiplas pequenas mesas ou a conjuntos destas mesas agrupadas em eventuais longas mesas conviviais; uma possibilidade naturalmente interessante é a contiguidade desta zona com a zona interior com idênticas valências, proporcionando-se a agradável alternativa para as refeições correntes e a união dos espaços em ocasiões especiais.

(xx) Zona para mesa(s) de ténis de mesa (ping-pong) – esta é uma previsão que tem muito interesse considerando-se a sua direta relação com a prática de atividade física, mas que obrigará a uma reserva “marginal” especial específica, devido aos ruídos produzidos na sua prática; e podendo servir, eventualmente, como apoio às refeições no exterior.

Relação com equipamentos coletivos eventualmente associados à intervenção residencial intergeracional – duas opçoes essenciais – na eventual integração de equipamentos coletivos na intervenção deverão concretizar-se duas opções alternativas: (i) ou o equipamento tem uma natureza convivial e/ou uurbana extremamente marcada, e forte conteúdo de uso público e livre, como será o caso de um “Parque Infantil” ou de uma zona exterior com equipamentos de exercício físico fixos, e neste caso todas as relações com os espaços comuns da intervenção serão de acarinhar, embora marcados os respetivos limites de responsabilidade; (ii) ou o equipamento tem uma natureza muito independente em termos de gestão e potencialmente diversificada, como um conjunto de campos desportivos vedados, ou uma piscina exterior, ou um SPA, e neste caso deve existir uma total separação entre os respetivos acessos e os acessos à intervenção residencial que temos estado a abordar. São intervenções distintas, embora potencialmente albergadas numa mesma zona geral.

 

 

Fig. 06: uma simulação arquitectónica apenas “experimental” e associável a uma intervenção residencial e urbana, intergeracional, equipada, adaptável e participada - realizada com base em diversas ferramentas de IA (vários tipos de vizinhanças de intervenções residenciais intergeracionais)

 

2.7.4. Considerar muito especificamente a grande clareza de orientação nos vários tipos de espaços da vizinhança direta de uma da intervenção intergeracional equipada

Este aspeto da grande clareza de orientação nos espaços comuns exteriores da intervenção intergeracional equipada já foi globalmente abordado, mas merece um pouco mais de atenção, porque, na prática e com a idade, tendemos a fazer mais confusões nos nossos percursos, mesmo os mais habituais.

E não se julga que uma tal preocupação seja facilmente resolvida, por exemplo, com simples soluções gráficas e cromáticas, pontualmente, considerando-se que, tanto mais tais soluções “identificadoras” sejam circunscrita, tanto menos elas terão êxito; sendo muito importante que se desenvolva uma marcação mais “sólida” das principais e diversas zonas da intervenção, clarificando-se, ao máximo, os principais percursos e os acessos principais e de emergência, mas não afetando o carácter residencial global da intervenção.

Um outro aspeto interessante a ter em conta é a possível integração de alguns destes percursos em “caminhos” que levem também a outros “pontos” importantes e/ou interessantes do respetivo conjunto residencial ou, até, que façam parte de pequenos percursos de deambulação dos habitantes que assim o desejem.

2.7.5.  Considerar um máximo apoio às ações de circulação de serviço e a eventuais acessos de emergência na vizinhança da intervenção intergeracional equipada

Muito do que aqui se tem referido aplica-se a aspetos de acessibilidade comum e que podemos designar de “principal” ou corrente por parte dos moradores da intervenção intergeracional equipada, mas evidentemente que os aplicáveis aspetos de acessibilidade de emergência têm de estar garantidos e ao longo de todos os percursos potencialmente usados e servindo todos os espaços comuns e que os serviços de apoio ao residentes e os serviços de manutenção, com destaque para os de limpeza corrente dos espaços comuns, possam ser assegurados com um máximo de eficácia – períodos curtos de realização, eficácia do resultado a curto e longo prazos e economia de custos. 

2.7.6.  Cuidar dos adequados relacionamentos entre as zonas comuns multifuncionais e os acessos aos fogos na intervenção residencial intergeracional equipada

A questão de se assegurar um adequado relacionamento visual, apropriado (em termos de identidade e de adequação visual), funcional, digno e estimulante entre as zonas comuns e os acessos aos fogos que integram a intervenção intergeracional equipada, é uma matéria básica da respetiva intervenção arquitectónica, que já aqui foi abordada, e que tem de ter presença específica e talvez mesmo protagonista no respetivo projeto.

Quando aqui abordamos os exteriores comuns da intervenção tais relações dizem respeito, essencialmente, aos potencialmente muito estimulantes e atraentes contactos entre os percursos comuns e os acessos a pequenos jardins e pátios térreos privativos; contactos estes que poderão interessar não apenas fogos térreos, mas também outros próximos do nível térreo (neste caso através de escadas).

Esta possibilidade tem diversas virtualidades: amplia muito o leque de tipos/formas de habitar oferecidas aos moradores; assegura uma interessante conformação do “interior de quarteirão” e área geral ocupada pelos espaços exteriores da intervenção; pode ser arquitectónica e formalmente muito bem aproveitada em termos gerais e de apropriação pelos moradores; e propicia uma intensa vitalização direta dos respetivos espaços exteriores comuns e contíguos.  

Diversas soluções têm sido aplicadas e que podem e devem ser revisitadas, algumas delas “jogando” nos aspetos de dignificação, sobriedade e grande encerramento visual e privatização dos respetivos “limiares”, outras, talvez num extremo oposto projetual, no tornar parcialmente permeável, em termos visuais, esse limiar, embora de forma bem controlada pelo morador, mais, e frequentemente, alguns outros aspetos de identificação e apropriação da zona comum contígua.

2.7.7.   Desenvolver adequadas condições de comunicabilidade visual nos espaços de vizinhança direta da intervenção residencial intergeracional equipada

Os espaços comuns da intervenção intergeracional equipada não se podem limitar a uma estratégia de acessibilidades físicas, tendo que integrar uma outra de “acessibilidades” visuais, estimulante e ao serviço, em cada local, dos respetivos objetivos de projeto, bloqueando vistas onde necessário e fazendo comunicar espaços também onde seja mais adequado e tendo, evidentemente, o cuidado de não se ultrapassarem aspetos de segurança, antes pelo contrário procurando aprofundá-los ao máximo, mas sempre numa perspetiva agradavelmente residencial.

2.7.8.   Desenvolver adequadas condições de conforto ambiental nos espaços de vizinhança da intervenção residencial intergeracional equipada

O assegurar de adequadas condições de exposição e  proteção solar e contra o vento e também de algum isolamento sonoro é muito importante quando queremos dotar os espaços comuns exteriores de um elevado potencial de uso, estadia e mesmo convivialidade como é o que se deseja numa intervenção intergeracional equipada.

Naturalmente que tais condições muito têm a ver com as condições locais concretas de cada intervenção e com as respetivas soluções arquitetónicas adoptadas.

2.7.9. Desenvolver as relações com o interior e os respetivos espaços de transição marcando os espaços de vizinhança da intervenção residencial intergeracional equipada

De forma diversa já fomos abordando, noutros artigos desta série editorial, aspetos que integram as relações entre exterior e o interior numa intervenção intergeracional equipada, mas interessa, talvez, reforçar:

- quer os aspetos essenciais que podem e devem marcar o próprio “partido” arquitectónico mais exterior da solução, onde tais aspetos de relação interior/exterior e vice versa podem ser usados como elementos fortes de caraterização ou apenas como elementos suplementares da dita; e aqui a presença do “pequeno mundo” exterior comum da mesma deve ser também protagonista, equer pela sua resença específica, quer pela sua relativa e “misteriosa ausência” – ex., interior de quarteirão bastante encerrado;

- quer a importância e a especificidade que podem ter os espaços e elementos de transição e relação entre interioridade e exterioridade, numa relação mútua e considerados como “tema” básico de toda a solução arquitectónica e com diversas presenças na mesma.

Importará a propósito desta matéria, mas com evidente aplicação em muitas outras aqui apontadas, que estes aspetos não são, evidentemente, exclusivos de uma dada de uma intervenção intergeracional equipada; no entanto o potencial projetual aqui existente e a sua sensibilidade e relação com um projeto final muito adequado a uma grande diversidade de necessidades e modos de habitar tornam-nos especialmente interessantes para serem usados em soluções residenciais deste tipo.

2.7.10. Desenvolver e apoiar a integração de elementos da natureza e verdes na vizinhança da intervenção residencial intergeracional equipada

A integração de elementos da natureza e verdes nos espaços comuns exteriores da intervenção residencial intergeracional equipada é um aspeto que tem vindo a ser aqui apontado, sistematicamente, em diversos itens, no entanto a sua grande importância obriga ao respetivo registo específico, acrescentando-se, aqui, apenas, que a sua previsão deve implicar a sua cuidadosa programação, designadamente, em termos de escolha de espécie e de conjuntos de espécies (dx., arboretos), respetivos dimensionamentos e relações mútuas, tipos de manutenção exigida, privilegiando-se espécies mais resistentes e fáceis de manter, existência de pontos de água para rega e/ou de rega automática e possíveis conteúdos autóctones das espécies dominantes aplicadas – o que se julga sempre muito interessante, até em termos éticos e formativos amplos.

2.7.11. Desenvolver uma forma geral equilibradamente uniforme e/ou variada na vizinhança da intervenção residencial intergeracional equipada

Já perto do remate desta reflexão sobre a caraterização dos espaços comuns exteriores de uma intervenção residencial intergeracional equipada voltamos, de certo modo, a aspetos abordados no início desta pequena “viagem”, considerando que a respetiva forma geral deve ser equilibradamente uniforme e/ou equilibradamente diversificada consoante o partido arquitectónico aplicado caso a caso, a tipologia edificada geral, e, naturalmente, a dimensão de cada intervenção.

Estas considerações não são óbvias, porque ao avançar-se numa renovada tipologia de habitar e com expressivo potencial de convívio vicinal há que antecipar ao máximo aspetos ligados à sua imagem final, pois não podemos esquecer que estamos a procurar fazer conviver pessoas e agregados muito distintos, muitas pessoas com potenciais idiossincrasias complexas ou mesmo difíceis, como será o caso de muitos idosos e de pessoas sós e com hábitos muito marcados, e que, portanto, há que tentar proporcionar-lhes uma solução que também tenha uma imagem global realmente apelativa, para além de um conteúdo funcional e formal adequado.

2.7.12. Dispor elementos específicos de arte na vizinhança da intervenção residencial intergeracional equipada

Depois de um aspeto tão estruturante como foi o último, aborda-se, brevemente, um aspeto também formal, mas de grande pormenor, que é a possível disposição de elementos artísticos em pontos estratégicos dos espaços exteriores comuns da intervenção residencial intergeracional equipada.

Tem de haver, aqui, um “salto em frente” qualitativo, em termos de residencialidade, calor humano, apropriação e identidade, mas que tem de ser adequado a uma ampla diversidade de caraterísticas etárias e socioculturais.

E esta “arte pública” não tem de ser dispendiosa, pois pode limitar-se a um dado painel de azulejos, por exemplo.  

2.7.13. Prever, conjuntamente, uma grande facilidade de manutenção e uma grande dignidade e atratividade de imagem geral e particularizadas na vizinhança da intervenção residencial intergeracional equipada

Trata-se de uma matéria que foi sendo abordada ao longo desta reflexão, há que prever, conjuntamente, uma grande facilidade de manutenção e uma grande dignidade e atratividade de imagem geral e particularizadas na globalidade dos espaços comuns exteriores da intervenção residencial intergeracional equipada e incidindo, quer sobre os seus aspetos mais fixos e “construídos”, quer sobre os seus elementos de equipamento e mobiliário exteriores diversificados.

De certa forma há que conciliar o que é, aparentemente, pouco conciliável, ambientes envolventes, calorosos, razoavelmente marcantes, bem pormenorizados, atraentes e apropriáveis e condições extremamente funcionais na sua limpeza, manutenção e reparação.

2.7.14. Ter em conta a diversidade dos espaços exteriores de vizinhança de uma intervenção residencial intergeracional equipada

Esta é uma daquelas condições “iniciais” e/ou estruturantes no desenvolvimento do conjunto dos espaços exteriores de vizinhança de uma intervenção residencial intergeracional equipada, que não pode ser abordado como sobrante ou residual e como algo que se trata, “no fim” do projeto e com uma fácil indicação do tipo de pavimento e da “família” de mobiliário exterior a usar; pois há que ter em conta uma sua adequada diversidade em termos de espaços, microespaços e variados elementos constituintes, e ainda que eventual e marcadamente integrados num grande e regular espaço exterior.  

2.7.15. Ter em conta a existência de uma verdadeira paisagem noturna específica, atraente e segura, nos espaços exteriores comuns e espaços exteriores com uso público na intervenção residencial intergeracional equipada

Este é um daqueles aspetos que fica praticamente tratado no seu respetivo título: “Ter em conta a existência de uma verdadeira paisagem noturna específica, atraente e segura, nos espaços exteriores comuns e espaços exteriores com uso público na intervenção residencial intergeracional equipada”; porque o que a seguir importa desenvolver é o seu projecto específico de iluminação e porque a possibilidade de existir essa “outra” paisagem noturna e de final de tarde é um elemento cuja riqueza vicinal não pode ser descartado.

2.7.16. Ter em conta a existência real de espaços exteriores de condomínio na intervenção residencial intergeracional equipada

O título deste ítem, que refere de certo modo de forma óbvia, que importa ter em conta a “existência real” de espaços exteriores condominiais nestas intervenções, explica-se, essencialmente, por duas razões: que mesmo em pequenas e limitadas intervenções residenciais intergeracionais há que tudo fazer para que os espaços comuns tenham uma interessante componente exterior (ex., que num limite mínimo poderá ser uma grande varanda/terraço); e que tal condição exige realmente desenho de arquitectura urbana.  

2.7.17. Ter em conta um desejável cuidado equilíbrio entre espaços exteriores comuns e espaços exteriores com uso público na intervenção residencial intergeracional equipada

Este é um daqueles aspetos que muito longe nos levaria, pela sua potencial importância básica no desenvolvimento desta soluções de habitar e pela sua grande relação com o partido arquitectónico específico que deve ter cada intervenção.

Trata-se de um aspeto tão claro como valioso e como sensível, pois é evidente que, por exemplo, a grande proximidade entre equipamentos exteriores de uso público e intervenções residenciais desta tipo é um elemento estruturante e potencialmente muito positivo para a respetiva vivência residencial e urbana, mas há que “separar bem as respetivas águas”, os respetivos acessos e as respetivas condições de uso e controlos de uso.

2.7.18. Ter em conta a grande importância da dimensão social da intervenção residencial intergeracional equipada e a sua aplicação  mais concentrada ou mais distribuída

Conclui-se, para já, esta reflexão, razoavelmente sistemática, sobre as caraterísticas desejáveis na globalidade dos espaços comuns exteriores de uma intervenção residencial intergeracional equipada, quase repetindo-se, uma brevíssima abordagem de um aspeto “estrutural” nesta matéria e que tem a ver com as respetivas dimensões sociais talvez preferenciais, considerando problemáticas tão variadas, mas tão essenciais, como:

- a positiva diversidade dos potenciais contatos sociais;

- o possível limite “superior” de vizinhos a partir do qual tal um tal potencial de convivência fica dificultado por excesso de relações potenciais e até por eventuais problemas de gestão do condomínio;

- associações de pequenos fogos e seus “reflexos” exteriores que sejam eventualmente mais adequados para poderem ter cuidados de manutenção razoavelmente centralizados – e aqui o conhecimento hoteleiro pode ser bem importante;

- números de residentes que sejam eventualmente mais adequados para poderem dar uso frequente e adequado a determinados tipos de equipamentos exteriores;

- e uma idêntica reflexão considerando os números de residentes que possam justificar cuidados de gestão local e continuada mais “firmes” e sustentados – números estes que provavelmente serão elevados.

Tendo em conta tudo isto e provavelmente mais alguns aspetos ainda a juntar, haverá que avançar para intervenções que podemos designar como mais “concentradas” ou mais “distribuídas”, e sendo que neste último caso poderão existir condições de apoios vários e de gestão aplicadas globalmente, desde que a referida repartição seja territorialmente adequada.

2.7.19. Ter em conta o conjunto de aspetos de dimensionamento dos espaços e equipamentos da vizinhança direta da intervenção residencial intergeracional

Esta reflexão não é mais do que uma “porta aberta” a posteriores desenvolvimentos salientando-se, apenas, que, para uma dada opção arquitectónica numa intervenção residencial intergeracional equipada, importará ter em conta, designadamente:

- o local, evidentemente, e os seus condicionalismos urbanos e desejáveis aspetos de centralidade;

- os parâmetros bem conhecidos associados aos diversos patamares de custos do edificado associados às suas diferentes alturas e respetivos espaços exteriores habitualmente associados e respetivas  condições de segurança no uso;

- os diversos tipos de acessibilidade geral possíveis e desejáveis;

- as fundamentais questões ainda pouco exploradas e associáveis aos aspetos gerais de dimensionamento social da intervenção e considerando-se, o mais possível, as associadas questões específicas ligadas ao incentivo do uso do exterior.

E, finalmente, um importantíssimo aspeto “numérico” e potencialmente regulamentar ou recomendativo a desenvolver e referido ao dimensionamento geral dos espaços comuns exteriores da intervenção e designadamente aos espaços associados a espaços e equipamentos comuns que não sejam de acesso aos fogos; e aqui importa sublinhar bem que estamos a abordar uma nova tipologia residencial que, sendo nova, não pode regular-se pelos dados que caraterizam outras distintas tipologias.

Mas, naturalmente, esta razão da novidade tipológica residencial não justifica uma extensão excessiva dos respetivos espaços comuns, neste caso exteriores, devendo existir alguns parâmetros razoáveis de áreas comuns ou até uma sua razoável gradação e sendo que o respetivo desenvolvimento para além destas áreas será sempre possível, mas provavelmente não terá apoios oficiais específicos ou, melhor, irá tendo uma sequencial redução dos mesmos consoante esse desenvolvimento.

  

Fig. 07: uma simulação arquitectónica apenas “experimental” e associável a uma intervenção residencial e urbana, intergeracional, equipada, adaptável e participada - realizada com base em diversas ferramentas de IA (vários tipos de vizinhanças de intervenções residenciais intergeracionais)

Notas muito breves sobre a continuidade e conclusão do estudo relativo à Habitação Intergeracional, Equipada, Adaptável e Participada

No próximo e, para já, último artigo do estudo e respectiva série editorial irei editar um texto sintético com ligações interativas a todos os artigos editados na Infohabitar e ligados ao  estudo sobre renovadas soluções residenciais intergeracionais, equipadas, adaptáveis e participadas – estudo designado por “Programa de Habitação Adaptável Intergeracional Cooperativa a Custos Contolados – PHAI3C”.

 

Anexo: Listagem dos artigos sobre propostas concretas de apoio à conceção dos diversos níveis físicos de soluções de habitação intergeracional adaptável, equipada e participada (PHAI3C) – com links/ligações diretas aos respetivos textos, Ctrl + clique ir para ligação

. COELHO, António Baptista  – Infohabitar, Ano XXI, n.º 955 – Perfis de projeto de uma nova forma de habitar adaptável, intergeracional, equipada e participada – infohabitar # 955, Lisboa, quarta-feira, 26 de novembro de 2025. (6 p.)

. COELHO, António Baptista  – Infohabitar, Ano XXI, n.º 957 – Enquadramento de novas soluções residenciais intergeracionais, adaptáveis, equipadas, participadas e económicas (PHAI3C) – Infohabitar # 957, Lisboa, quarta-feira, 10 de dezembro de 2025. (5 p.)

. COELHO, António Baptista – Infohabitar, Ano XXII, n.º 965 – Pormenorização residencial criadora de ambientes estimulantes, multifuncionais e intergeracionais (I) – infohabitar # 965, Lisboa, quarta-feira 18 de fevereiro de 2026. (12 p. 6 figg.)

. COELHO, António Baptista – Infohabitar, Ano XXII, n.º 967 – O que se julga essencial para uma ampla intergeracionalidade residencial (I) – infohabitar # 967, Lisboa, quarta-feira 4 de Março de 2026. (10 p. 5 fgg.)

. COELHO, António Baptista – Infohabitar, Ano XXII, n.º 972 – Intergeracionalidade Residencial e Habitaterapia – infohabitar # 972, Lisboa, quarta-feira 15 de Abril de 2026. (9 p. 6 figg.)

. COELHO, António Baptista – Infohabitar, Ano XXII, n.º 973 – Aproximação ao dimensionamento de conjuntos residenciais intergeracionais – infohabitar # 973, Lisboa, quarta-feira 22 de Abril de 2026. (9 p. 4 figg.)

. COELHO, António Baptista – Infohabitar, Ano XXII, n.º 974 – Sobre a natureza básica da intergeracionalidade residencial – infohabitar # 974,  Lisboa, quarta-feira 29 de Abril de 2026. (6 p., 1 fig.)

. COELHO, António Baptista – Infohabitar, Ano XXII, n.º 975 – Bases e objetivos de uma adequada intergeracionalidade residencial – infohabitar # 975, Lisboa, quarta-feira 6 de Maio de 2026. (11 p., 6 figg.)

. COELHO, António Baptista – Infohabitar, Ano XXII, n.º 984 – Microespaços e Ambientes Privados Intergeracionais, Domésticos  e Adaptáveis (I)- infohabitar # 984, Azambuja, quarta-feira 1 de Julho de 2026. (10p., 3 figg.)

. COELHO, António Baptista – Infohabitar, Ano XXII, n.º 985 –  Espaços e Ambientes Comuns de Entrada e Circulação em Soluções Residenciais Intergeracionais, Equipadas, Adaptáveis e Participadas (I) – infohabitar # 985, Azambuja, quarta-feira 8 de Julho de 2026. (13p., 8 figg.)

. COELHO, António Baptista – Infohabitar, Ano XXII, n.º 986 – Ambientes e Equipamentos Comuns Multifuncionais em Soluções Residenciais Intergeracionais (I) – infohabitar # 986,, Azambuja, quarta-feira 8 de Julho de 2026. (15p., 4 figg.)

. COELHO, António Baptista – Infohabitar, Ano XXII, n.º 987 - Vizinhanças de Conjuntos Residenciais Intergeracionais (I) – infohabitar # 987 (presente artigo)

 

 

 

Notas editoriais gerais:

Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Oportunamente haverá novidades no sentido do gradual, mas expressivo, incremento das exigências editoriais da Infohabitar, da diversificação do seu corpo editorial e do aprofundamento da sua utilidade no apoio à qualidade arquitectónica residencial, com especial enfoque na habitação de baixo custo.

 

Vizinhanças de Conjuntos Residenciais Intergeracionais (I) – infohabitar # 987

Informa-se que para aceder (fazer download) do mais recente Catálogo Interativo da Infohabitar, que está tematicamente organizado em mais de 20 temas e tem links diretos para os 960 artigos da Infohabitar, existentes em janeiro de 2025 (documento pdf ilustrado e com mais de 80 pg), usar o link seguinte:

https://drive.google.com/file/d/1FGRm5wfskdl54Lf7BhoDTmojcBDiveSf/view?usp=sharing

Infohabitar, ano XXII, n.º 987

Edição: quarta-feira 22 de Julho de 2026

 

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo pelo LNEC.

abc.infohabitar@gmail.com

Os aspetos técnicos do lançamento da Infohabitar e o apoio continuado à sua edição foram proporcionados por diversas pessoas, salientando-se, naturalmente, a constante disponibilidade e os conhecimentos técnicos do doutor José Romana Baptista Coelho.

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).

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