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terça-feira, agosto 14, 2018

653 - Casos habitacionais e urbanos de referência - Infohabitar 653

INFOHABITAR N.º 653
CASOS HABITACIONAIS E URBANOS (estudo, análise e divulgação) 

Conjunto de 27 artigos

 

Nota prévia:

Avisam-se os estimados leitores de que nas próximas duas semanas a Infohabitar estará ausente, para umas pequenas férias e que retomaremos as edições semanais habituais na próxima segunda-feira dia 3 de setembro; deixa-se, no entanto, com o presente artigo o que se julga ser um muito amplo e excelente “pacote” de links para um conjunto tão diversificado como interessante de casos de referência urbanos e habitacionais, que merecem renovada e continuada atenção.

 

Caros leitores da revista semanal Infohabitar com a presente edição, damos continuidade a uma nova tipologia editorial, em que se procura voltar a focar e divulgar artigos e séries editoriais já desenvolvidas há algum tempo, mas versando temáticas intemporais.

Julgamos que quando uma revista técnica e científica como a nossa atinge um significativo “tempo de vida” – neste caso 14 anos – e expressão editorial – a caminho dos 700 artigos – corre-se o risco de textos que deixaram de estar numa primeira linha editorial, mas que continuam com o mesmo interesse e oportunidade, poderem ficar um pouco esquecidos “nas prateleiras arquivadoras”, neste caso “na nuvem arquivista” e, a partir desta consideração, surgiu a ideia de voltar a colocar “bem à mão”, à distância de um rápido “clic”, conjuntos temáticos de artigos, por vezes muito bem articulados, entre si, outras vezes marcados por uma salutar diversidade, como é o caso actual.

E é assim que, na presente edição da Infohabitar, se sugere a leitura de uma série de 27 artigos, editados entre 2007 e 2011, realizados por 9 autores e que têm em comum a abordagem do grande tema referido a CASOS HABITACIONAIS E URBANOS (estudo, análise e divulgação).

E lembra-se que esta matéria dos CASOS HABITACIONAIS E URBANOS (estudo, análise e divulgação) constitui um dos 35 temas editoriais da Infohabitar.

Chamamos a atenção, muito especificamente, nesta série editorial para a grande diversidade de casos abordados e, naturalmente, para um perfil de abordagem onde se procura, sistematicamente, associar aspectos práticos a aspectos de enquadramento qualitativo e exigencial.

Lembra-se, mais uma vez, que melhores espaços habitacionais – e há quem defenda que todo o espaço construído pelo homem é espaço de habitar – são determinantes de uma melhor qualidade de vida diária a curto, médio e longo prazos.

Uma série de temas são apresentados nos 27 artigos cujos links se disponibilizam, em seguida, e apenas para despertar o interesse dos leitores salientam-se, desde já, alguns deles: o excelente e sempre inovador Bairro de Alvalade, em Lisboa, abordado por vários autores e sob variadas perspectivas; diversos casos de referência do Prémio IHRU, com destaque para conjuntos tipologicamente humanizados e diversificados; a nova Bouça de Siza Vieira, realizada com iniciativa cooperativa; duas pequenas casas, uma de Ralph Erskine e outra Eduardo Anahory, na Arrábida; um excelente caso habitacional e urbano ainda ligado ao velho SAAL, o Bairro Luta pela Casa – em Carnaxide, Oeiras; nas palavras do grande amigo Arquitecto Duarte Nuno Simões, o relembrar do saudoso arquitecto Filipe Oliveira Dias com um seu projecto de habitação de interesse social premiado, realizado em coautoria com o arquitecto Rui Almeida, no Monte de São João, Porto; lembranças formativas/informativas sobre as metodologias das Habitações Económicas da Federação das Caixas de Previdência e dos Prémios INH e IHRU; a evolução da produção de Habitações de Interesse Social em São Paulo; um artigo sobre a excelente inovação tipológica residencial proporcionada pela Residência Madre Maria Clara (conjunto de diversos tipos de unidades residenciais e de equipamentos de apoio a idosos) – na Outurela, em Oeiras (promoção municipal); e vários artigos sobre a importância da promoção de habitação de interesse social pelas Cooperativas de Habitação Económica, associadas na FENACHE.

Fiquem, então, com algumas das muitas páginas da nossa pequena história editorial,
tratando-se, neste caso, do que se julga ser uma muito estimulante selecção de casos de referência urbanos e residenciais.

Boas leituras,

António Baptista Coelho
Editor da Infohabitar, Presidente da GHabitar, investigador principal com habilitação em Arquitectura e Urbanismo (LNEC), doutor em Arquitetura (FAUP), Arquiteto (ESBAL).

Notas práticas:
. a listagem dos artigos mantém a respetiva ordem cronológica editorial (dos mais recentes para os menos recentes);
. os artigos são disponibilizados no seu formato editorial original;
. para aceder ao artigo basta fazer ctrl + click sobre o seu endereço eletrónico (disponibilizado a seguir ao respetivo título); ou sobre o próprio título (quando este está ligado diretamente ao respetivo ebdereço eletrónico – ao passar o rato/mouse sobre o título essa ligação fica evidente).  


(Tema geral)
CASOS HABITACIONAIS E URBANOS (estudo, análise e divulgação) 

Falar de Arquitectura falando de qualidade - Sobre a Casa de Ralph Erskine – artigo de Luís Morgado (n.º 314, 3 Out. 10, 10 págs., 14 figs.) .

Casos de Referência dos primeiros 5 anos do Prémio IHRU – II: o Outeiro da Forca, em Portalegre - António Baptista Coelho (n.º 358, 16 Ago. 11, 9 págs., 9 figs.).

Casos de Referência dos primeiros 5 anos do Prémio IHRU – I: a nova Bouça, no Porto - António Baptista Coelho (n.º 357, 3 Ago. 11, 8 págs., 11 figs.).

Habitação de interesse social no bairro de Alvalade - artigo de António Carvalho (n.º 313, 26 Set. 10, 7 págs., 6 figs.) .

Um caso de estudo – Bairro Luta pela Casa – Carnaxide - artigo de João Rainha Castro (n.º 311, 12 Set. 10, 6 págs., 6 figs.) .

Cruzamento da Av. EUA/Av. Roma: adaptabilidade e atractividade - artigo de António Carvalho (n.º 310, 3 Set. 10, 5 págs., 4 figs.) .

Percepção rápida da QUALIDADE: Conjunto habitacional premiado no Calhariz de Benfica - artigo de Luís Morgado (n.º 308, 18 Ago. 10, 4 págs., 2 figs.)

Atractividade e agradabilidade – Residência Madre Maria Clara – Outurela - artigo de João Rainha Castro (n.º 307, 10 Ago. 10, 6 págs., 7 figs.) .

A NHC, Nova Habitação Cooperativa e os Prémios INH-IHRU Alguns casos urbanos e habitacionais de referência – artigo de António Baptista Coelho (n.º 227, 22 Dezembro 2008 12 págs., 12 figs.) .

Alvalade, de Faria da Costa. uma cidade na cidade - o mistério de Alvalade, III – artigo de António Baptista Coelho (n.º 179, 17 Janeiro 2008 18 págs., 11 figs.).

Alvalade, de Faria da Costa. uma cidade na cidade - o mistério de Alvalade, II – artigo de António Baptista Coelho (n.º 178, 10 Janeiro 2008 15 págs., 8 figs.).

Alvalade, de Faria da Costa. uma cidade na cidade - o mistério de Alvalade, I – artigo de António Baptista Coelho (n.º 176, 28 Dezembro 2007 13 págs., 5 figs.).

Evolução da produção de Habitações de Interesse Social em São Paulo - artigo de João Cantero (n.º 172, 29 Novembro 2007, 13 págs., 15 figs.).

Reposição da Casa-abrigo Eduardo Anahory: Arrábida, 1960 – um artigo de Pedro Taborda (n.º 168, 9 Nov. 07, 25 p. 17 fig.)

Um prémio residencial formativo – texto de António Baptista Coelho (n.º 156, 6 Set. 07) .

Humanização e densificação urbana – texto de António Baptista Coelho (n.º 155, 30 Ago. 07).

Notas sobre a integração urbana e paisagística – artigo de António Baptista Coelho (n.º 154, 23 Ago. 07).

Cooperativas de habitação e adequação de espaços de vizinhança e domésticos – artigo de António Baptista Coelho (n.º 153, 17 Ago. 07).

Cooperativas de habitação, reabilitação e sustentabilidade – artigo de António Baptista Coelho (n.º 152, 9 Ago. 07).

Sobre Alvalade, um comentário - Pedro Taborda (n.º 135, 20 Abr. 07, 2 p., 1 fig.).

Análise arquitectónica residencial do Bairro de Alvalade e designadamente das suas “células sociais – António Baptista Coelho (n.º 133, 06 Abr. 07, 15 p., 16 fig.).

O conjunto de habitações sociais do Monte de São João – Duarte Nuno Simões, com ilutração de António Baptista Coelho (n.º 129, 08 Mar. 07).



Finalmente salienta-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, acolhido no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.


Infohabitar, Ano XIV, n.º 653
CASOS HABITACIONAIS E URBANOS (estudo, análise e divulgação)
 Conjunto de 27 artigos

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

domingo, setembro 12, 2010

311 - UM CASO DE ESTUDO – BAIRRO LUTA PELA CASA - CARNAXIDE - Infohabitar 311

Infohabitar, Ano VI, n.º 311
Artigo da semana por João Rainha Castro

Estamos já na contagem decrescente para o 1.º Congresso Habitação no Espaço Lusófono, o 1.º CIHEL, que decorrerá entre 22 e 24 de Setembro próximos, no Grande Auditório do ISCTE-IUL, em Lisboa, por isso continuamos a insistir na divulgação deste grande evento sobre as matérias do habitar falado em português, mas continuamos, nesta edição, logo após esta divulgação, a publicação do artigo semanal do Infohabitar.



Fig. 00: o logo do 1.º CIHEL - realizado no âmbito do Curso de design Gráfico da Escola Secundária de Sacavém

O tema do 1.º CIHEL é o desenho e realização de bairros e agrupamentos residenciais para populações com baixos rendimentos, tema que será abordado em 5 conferências, 20 palestras e mais cerca de outras 30 comunicações, constantes do CD de Actas, por oradores provenientes de diversos países da lusofonia.

As intervenções estão organizadas em quatro temáticas: Políticas e programas – considerando situações de escala relativamente reduzida e a importância da reabilitação; Infraestruturas e equipamentos – considerando perfis de habitabilidade, papel do espaço público e serviços urbanos e sociais; Soluções habitacionais e modos de vida – considerando velhas e novas formas de habitar, desejos e necessidades; e Materiais e tecnologias – considerando aspectos de escassez de recursos e ligados às diversas facetas da sustentabilidade.

O site do 1.º CIHEL é o http://cihel01.wordpress.com/about/ e nele poderá realizar desde já a sua inscrição; e tenham, por favor, em atenção que há já um número significativo de inscrições.

Julgamos que bem a propósito se edita, esta semana, no Infohabitar um artigo sobre um excelente pequeno bairro ou agrupamento residencial para pessoas com baixos rendimentos: o BAIRRO LUTA PELA CASA - em CARNAXIDE.

UM CASO DE ESTUDO – BAIRRO LUTA PELA CASA - CARNAXIDEJoão Rainha Castro

Situado no limite Noroeste da Vila de Carnaxide, o Bairro de interesse Social “Luta pela Casa” é um exemplo real de integração de um equipamento de habitação social na malha edificada e consolidada de Carnaxide.



Fig. 01

Uma ampla mancha construída onde edifícios de 3 pisos (r/c + 2), moradias geminadas e 3 blocos de 5 pisos, num total de 100 habitações, se agrupam, harmonizam e organizam entre si criando variados espaços, ora mais contidos e semiprivados ora mais descomprimidos e públicos, definindo hierarquias de usos e ocupação.

Ao deambular como que perdido por entre os blocos construídos, subindo as escadas, atravessando pátios, descendo rampas, por entre sombras criadas pelas copas das árvores frondosas que pontuam os espaços livres deixados entre blocos, somos levados a perceber que o que tem nome de “Bairro” tem realmente vida de Bairro e que, ao caminhar, somos cumprimentados com vigorosos e nada desconfiados “bom dia” ou “boa tarde”.



Fig. 02

O bairro tem vida para além da patente no interior das habitações. No “ringue” de jogos e parque infantil as crianças lançam bolas e jogam ao berlinde enquanto os familiares mais velhos se sentam nos bancos dispostos na periferia destes espaços.



Fig. 03

Há, ainda, vários cafés, a esteticista, um espaço de escritórios, a escola básica e o pavilhão desportivo, todos estes serviços interligados por uma única via rodoviária (artéria motorizada do bairro). Interessante constatar que o bairro foi desenhado com largas circulações e atravessamentos pedonais que vencem desníveis, distâncias e que são hoje amplamente utilizados.

Pela forma como podemos vivenciar e experienciar o “ Bairro Luta pela Casa” é fácil perceber que este reúne em si um enorme rol de qualidades arquitectónicas habitacionais.



Fig. 04

Interessante, porém, é focar uma característica fundamental presente no exemplo retratado, que resulta da apropriação dos utilizadores, sendo por isso uma qualidade que não é mensurável no projecto – Apropriação.

Esta qualidade encontra-se amplamente manifestada, sendo traduzida na forma como cada um aceitou o seu espaço e o tornou seu, apropriando-se deste e tornando-o singular. É muito interessante perceber que esta marcação, mais ou menos ténue, foi e é praticada das mais variadas formas, e onde nuns locais vemos um grelhador com a casota do cão, num outro vemos uma pequena horta muito bem tratada e verdejante e num outro ainda vemos um jardim semiprivado já que todos podemos vislumbrar e até tocar e cheirar.



Fig. 05

Este apropriar será certamente consequência da adaptabilidade - outra das qualidades arquitectónica patentes no empreendimento. Adaptabilidade urbana como marca territorial perceptível que resulta na densificação urbana cuidadosa entre os edifícios diferenciados e os seus espaços exteriores de usos diversos e positivamente apropriados e bem responsabilizados.

Todas as qualidades arquitectónicas habitacionais acrescentam valor aos empreendimentos. Mas no exemplo do “Bairro Luta pela Casa”, a apropriação é lapidar onde o exterior urbano, a sua clareza e orientação, a forma como os seus espaços são definidos e diferenciados se traduzem na geração e identificação de momentos fortes de surpresa e variabilidade.



Fig. 06

Notas sobre a operação e o projecto arquitectónico do “Bairro Luta pela Casa”:O projecto teve origem na associação de moradores: A LUTA PELA CASA, a operação, com a dimensão de 100 habitações, foi iniciada em Julho de 1975 e a obra teve início em Maio de 1977.
O projecto foi realizado no âmbito do Serviço de Apoio Ambulatório Local (SAAL), serviço SAAL/Lisboa e Centro/Sul, com coordenação do Arq.º Manuel Madruga, e Brigada Técnica constituída por vários técnicos e designadamente por Dante Pinto Macedo e Fernando Machado Menezes.

Breves notas do editor:O autor, João Rainha Castro, é Arquitecto Partner do Gabinete QUADRANTE Arquitectura, licenciado em Arquitectura em 98-2003 no Instituto Superior Técnico (IST), frequenta, actualmente, o Programa de Doutoramento em Arquitectura e Desenho Urbano do DECA do Instituto Superior Técnico.
Este programa de doutoramento em Arquitectura é participado pelo LNEC e específica e sistematicamente pelos doutorados do seu Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU), com participações do seu Núcleo de Ecologia Social (NESO).

Advertência ao leitor
Nota da edição: embora os artigos editados na revista Infohabitar sejam previamente avaliados e editorialmente trabalhados pela edição da revista, eles respeitam, ao máximo, o aspecto formal e o conteúdo que são propostos, inicialmente pelos respectivos autores, sublinhando-se que as matérias editadas se referem, apenas, aos pontos de vista, perspectivas e mesmo opiniões específicas dos respectivos autores sobre essas temáticas, não correspondendo a qualquer tomada de posição da edição da revista sobre esses assuntos.

Infohabitar, Ano VI, n.º 311
Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte, 12 de Setembro de 2010

terça-feira, agosto 10, 2010

307 - ATRACTIVIDADE E AGRADABILIDADE – RESIDÊNCIA MADRE MARIA CLARA - OUTURELA - Infohabitar 307



Infohabitar, Ano VI, n.º 307
Artigo de João Rainha Castro

Situado na Portela de Carnaxide, numa malha urbana de bairros de cariz social e equipamentos públicos que os servem, o Centro de Dia e Residência para Pessoas Idosas implanta-se como um edifício diferenciador e até singular.





Fig. 01

O edifício funciona como um contraponto ao carácter arquitectónico do bairro residencial e tenta estabelecer um forte sentido de identidade arquitectónica para as comunidades vizinhas, através dos seus materiais particulares, coloridos e texturados.




Fig. 02

O piso térreo é construído por ardósia preta que contrasta com a transparência de vidros grandes dos espaços sociais e públicos. As 60 habitações dispostas no sentido sudoeste-nordeste são distribuídas por quatro pisos, ligados por um espaço central flexível, permitindo pontos de encontro entre utilizadores e visitantes. A circulação e vazios que se criam são parte integrante da estratégia bioclimática pensada para o edifício, a par de um jardim exterior tem a funcionalidade de ser como que uma extensão do espaço público quando este é aberto, procurando desta forma ser também elemento capaz de desenhar espaço público entre as várias tensões urbanas que estão presentes na paisagem.




Fig. 03

É esta aptidão para atrair, cativando a atenção sobre si, desenvolvendo um meio residencial cuidado, atraente e singular que nos permite conferir a atractividade como característica muito presente no empreendimento na Portela. Neste equipamento é evidente o cuidado formal, estético e criativo, recorrendo ao ritmo das fachadas e à cor, características visuais fortes e muito presentes, para promover um construído capaz de marcar o território, desenhando um objecto quase que iconográfico num local de génese social com inúmeros blocos de habitação que são a antítese da aposta realizada no equipamento em apreço. A capacidade criativa e iconográfica da composição construída, bem organizada no lote, desenhando todos os espaços com igual rigor e não deixando nenhum elemento ao acaso >> unificando, traduz-se num equipamento onde a característica atractividade é presença constante.



Fig. 04

No equipamento em apreço esta característica complementa-se e é celebrada com uma outra característica >> agradabilidade arquitectónica residencial, tendo sido desenvolvidas e implementadas soluções que não só contribuem como garante do conforto e bem estar material e funcional, como desenham espaços salubres, cómodos e aprazíveis para o utilizador, onde a multiplicidade de condições naturais de conforto ambiental foram consideradas, abordadas e implementadas na arquitectura como estratégia de trabalho.

É evidente que desde cedo a adequação climática foi uma preocupação, implantado o edifício sobre o eixo Sudoeste-Nordeste, numa estratégia urbana e arquitectónica de promover a entrada de luz natural não só nas habitações como nas circulações, ainda que controlando a entrada do sol de forma cuidada. De igual forma, o edifício desenha-se perpendicular ao eixo da via, minimizando assim a exposição aos ruídos exteriores.






Fig. 05

A existência de um pátio que se abre para um amplo jardim com elementos naturais como árvores e plantas (abertura paisagística) permite a implementação de um ambiente familiar/acolhedor, que se alia ao desenho cuidado de todos os espaços garantindo o conforto ergonómico e funcionalidade do equipamento. Ainda de referir que a ventilação natural dos espaços de circulação é assegurada.




Fig. 06

O Centro de Dia e Residência para Pessoas Idosas é um exemplo cuidado onde se vislumbram com evidência duas características correlativas ao conforto e aspecto da qualidade arquitectónica residencial >> atractividade e agradabilidade



Fig. 07

Autoria do projecto de Arquitectura da RESIDÊNCIA MADRE MARIA CLARA
Arquitectos Cristina Veríssimo, Diogo Burnay e Patrícia Ribeiro; e Arquitecta Paisagista Inês Norton de Matos Promotor: Município de Oeiras
Construtor: Mota Engil, SGPS, S.A. Construção: 2007

Breves notas do editor sobre o presente artigo:


O autor, João Rainha Castro, é Arquitecto Partner do Gabinete QUADRANTE Arquitectura, licenciado em Arquitectura em 98-2003 no Instituto Superior Técnico (IST), frequenta, actualmente, o Programa de Doutoramento em Arquitectura e Desenho Urbano do DECA do IST.

Este programa de doutoramento em Arquitectura é participado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil e especificamente pelos doutorados do seu Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU), com participações do seu Núcleo de Ecologia Social (NESO).

Nota da edição: embora os artigos editados na revista Infohabitar sejam previamente avaliados e editorialmente trabalhados pela edição da revista, eles respeitam, ao máximo, o aspecto formal e o conteúdo que são pro postos, inicialmente pelos respectivos autores, sublinhando-se que as matérias editadas se referem, apenas, aos pontos de vista, perspectivas e mesmo opiniões específicas dos respectivos autores sobre essas temáticas, não correspondendo a qualquer tomada de posição da edição da revista sobre esses assuntos.

Infohabitar, Ano VI, n.º 307
Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte, 10 de Agosto de 2010