Mostrar mensagens com a etiqueta cidade e natureza. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cidade e natureza. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, novembro 27, 2018

666 - NATUREZA, TEMPO, CIDADE E LUGAR - Infohabitar 666

INFOHABITAR N.º 666
NATUREZA, TEMPO, CIDADE E LUGAR
Conjunto de 25 artigos e um texto de apresentação

 

Caros leitores da revista semanal Infohabitar com a presente edição, damos continuidade a uma tipologia editorial, em que se procura voltar a focar e divulgar artigos e séries editoriais já desenvolvidas há algum tempo, mas versando temáticas intemporais.

Julgamos que quando uma revista técnica e científica como a nossa atinge um significativo “tempo de vida” – neste caso 14 anos – e expressão editorial – a caminho dos 700 artigos – corre-se o risco de textos que deixaram de estar numa primeira linha editorial, mas que continuam com o mesmo interesse e oportunidade, poderem ficar um pouco esquecidos “nas prateleiras arquivadoras”, neste caso “na nuvem arquivista” e, a partir desta consideração, surgiu a ideia de voltar a colocar “bem à mão”, à distância de um rápido “clic”, conjuntos temáticos de artigos, por vezes muito bem articulados, entre si, outras vezes marcados por uma salutar diversidade, como é o caso actual.

E é assim que, na presente edição da Infohabitar, se sugere a leitura de uma série de 25 artigos, editados entre 2006 e 2012, desenvolvidos por 4 autores e que têm em comum a abordagem do grande tema: NATUREZA, TEMPO, CIDADE E LUGAR.

Lembra-se que estas matéria relativas à NATUREZA, TEMPO, CIDADE E LUGAR constituem um dos 35 temas editoriais da Infohabitar.

Regista-se, ainda, que estas matérias relativa à NATUREZA, TEMPO, CIDADE E LUGAR correspondem a um dos sete grandes temas abordados num estudo amplo sobre a matéria do “habitar humanizado”, apresentado e desenvolvido em duas publicações editadas e disponibilizadas pela Livraria do LNEC (apontadas em seguida) e no n.º 18 dos Opúsculos da Editora Dafne – neste caso, com o título “Entre casa e cidade, a humanização do habitar”.

COELHO, António Baptista - Habitação Humanizada: Uma apresentação geral, Lisboa, LNEC, Memória n.º 836, 2007, 40 p., 19 fig., ISBN 978-972-49-2117-4.
COELHO, António Baptista - Habitação Humanizada, Lisboa, LNEC, Tese e Programas de Investigação TPI n.º 46. Lisboa: LNEC, 2007. 574 p., 121 fig., ISBN 978-972-49-2120-4.

A matéria global do “habitar humanizado” refere-se ao habitar espaços domésticos e urbanos e corresponde a um estudo de investigação, desenvolvido no quadro de uma “habilitação em arquitetura e urbanismo”, realizado e discutido no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), considerando-se que o interesse no desenvolvimento deste tema decorreu, quase diretamente, da necessidade sentida de se aprofundarem aspetos ainda considerados menos objetivos e que no entanto caracterizam, claramente, pela sua existência ou ausência, múltiplas situações domésticas e urbanas.
Trata-se, assim, de um tema cuja importância se julga ser evidente numa altura em que o “mal habitar” casa e cidade continua a marcar, em todo o mundo, um elevadíssimo número de famílias e as periferias e os vazios urbanos de grandes cidades, uma importância que resulta, tanto da necessidade de se considerarem, diretamente, os múltiplos aspetos de uma sensível humanização dos quadros do habitat humano, como da importância de se estar alerta relativamente às recorrentes simplificações relativas a áreas mínimas habitacionais mal concebidas (“cegamente” funcionalizadas), e à doentia repetição de projetos-tipo mal concebidos e mal aplicados em termos urbanos.

“... A noção de paisagem urbana é fundamental” (Gonçalo Byrne).

“É fundamental, para fazer mexer a cidade, que nos instrumentos de planificação e de planeamento estratégico quer de escala menor, se inclua a noção de paisagem, que é cada vez mais importante... o arquitecto deveria ter na sua formação esta percepção, porque a paisagem é cada vez mais uma questão de arquitectura e uma questão de cidade. A noção de paisagem urbana é fundamental.”
Gonçalo Byrne (2004)
(Inês Moreira dos Santos e Rui B. Duarte, “Estruturas de mudança - entrevista com Gonçalo Byrne”, Arquitectura e Vida, n.º 49, 2004, p. 51)

Aborda-se uma perspectiva ecológica e humana ampla, que considera e articula a actual grande importância que tem – e deve recuperar – o lugar, como sítio “único”, com identidade específica, e a também actual grande importância da protecção e do protagonismo da natureza e do verde urbano.
É este um capítulo cuja temática deve, natruralmente, muito a Christian Norberg-Schulz, e assim teria de ser iniciado com mais um dos seus fundamentais conceitos (1968): “No passado os bandidos viviam fora das muralhas, hoje estão dentro. A cidade respira brutalidade e sentimos o desejo de fugir-lhe para encontrar a paz. Por isso procuramos proteger e conservar a natureza;... com o passar do tempo não poderemos fugir mais; o arquitecto moderno deve contribuir para sanar esta situação, criando um novo ordenamento e uma nova e significativa unidade entre a paisagem e a obra do homem.” - Christian Norberg-Schulz, “A paisagem e a obra do homem”, Arquitectura, n.º 102, 1968, pp.52-58.
Trata-se de reconcilar a cidade com a paisagem, objectivo este muito importante para a cidade de hoje e crucial para a grande cidade de hoje e, afinal, tal como disse Maria Celeste Ramos, no âmbito dos trabalhos do Júri do Prémio INH 2006, “a árvore acrescenta beleza e não a tira”, e a beleza e a “frescura” do verde urbano são altamente necessárias na cidade de hoje.
O arquitecto moderno deve, assim,  “contribuir para um novo ordenamento e uma nova e significativa unidade entre a paisagem e a obra do homem”, palavras sábias e antecipadoras de Norberg-Schulz, já em 1968, numa altura em que as novas grande cidades mundiais estavam, ainda, em início de “explosão”.
Depois de se ter desenvolvido uma pequena incursão no manancial temático da matéria da integração urbana e habitacional, uma matéria que se considera ser de primeira linha, no hoje fundamental enquadramento da qualidade arquitectónica, este último capítulo deste trabalho exploratório sobre o habitar humanizado é também, de certa forma, a conclusão desta pequena aventura por territórios que, bem sabemos, estão e são pouco cartografáveis, mas cujo melhor conhecimento é essencial num mundo actual em que, como dizia Norberg-Schulz, as muralhas das cidades já não servem para nos defendermos dos malfeitores, e em que é na identidade reforçada do habitar próprio e de vizinhança, no seu papel de “centro do mundo” de cada um, e na máxima recuperação de uma natureza positivamente humanizada, que se joga e jogará a prevalência, no mundo urbano, do sentido humano mais genuíno e do sentido cívico mais genuíno.
A ideia geral que se propõe, como plataforma para futuros trabalhos, e que levou, no presente estudo, à separação entre as temáticas gémeas da integração e da caracterização, que podem e devem ser, naturalmente, ponderadas em conjunto, é que a primeira, a integração, tratada no último capítulo, pode constituir uma importante e eficaz linha da frente na introdução dos cuidados de coerência contextual e paisagística em medidas práticas ligadas à urgente melhoria do nosso ambiente construído e natural, enquanto a segunda, a caracterização, que está a ser abordada neste capítulo, embora incorpore matérias também parcialmente associadas a aspectos facilmente convertidos em exigências específicas de qualidade do ambiente e da construção, como é a matéria da ecologia do habitar, incorpora outras matérias de caracterização profunda do habitar, designadamente, em termos de escala humana e de natureza cultural, que obrigam a um aprofundado esforço de sistematização, a realizar, nomeadamente, através do estudo bem ponderado de casos de referência.




Listam-se, em seguida (ordenados de acordo com a respectiva apresentação), alguns dos subtemas tratados nos artigos, associados ao tema editorial  NATUREZA, TEMPO, CIDADE E LUGAR cujos títulos específicos e links são, depois, disponibilizados mais abaixo:

Arquitectura da paisagem

Importância do verde urbano

Olivais Norte

Porque Morrem as Cidades os Velhos e as Árvores

Jardins e habitar

Jardim

A árvore na cidade

A natureza da paisagem

O Céu de Lisboa

A árvore suporte do mundo no espaço urbano

Importância da árvore urbana

A Cidade e o Equinócio de Outono

Qualidade do ambiente urbano

A cidade e o equinócio da Primavera

A Cidade e o Carnaval

O Natal, o Solstício de Inverno e a Cidade


Fiquem, então,caros leitores com algumas das muitas páginas da nossa pequena história editorial; e boas leituras,

António Baptista Coelho
Editor da Infohabitar, Presidente da GHabitar, investigador principal com habilitação em Arquitectura e Urbanismo (LNEC), doutor em Arquitetura (FAUP), Arquiteto (ESBAL).

Notas práticas:
. a listagem dos artigos mantém a respetiva ordem cronológica editorial (dos mais recentes para os menos recentes);
. os artigos são disponibilizados no seu formato editorial original;
. para aceder ao artigo basta fazer ctrl + click sobre o seu endereço eletrónico (disponibilizado a seguir ao respetivo título); ou sobre o próprio título (quando este está ligado diretamente ao respetivo ebdereço eletrónico – ao passar o rato/mouse sobre o título essa ligação fica evidente).  


(Tema geral)

NATUREZA, TEMPO, CIDADE E LUGAR

Arquitectura da paisagem e imagens do final de Outono - António Baptista Coelho (n.º 419, 9 Dez. 12, 4 págs., 8 figs.).
Importância do verde urbano - artigo de Arno Rieder; Notícias do 2.º CIHEL; Revista Brasileira de Gestão Urbana - Arno Rieder (n.º 393, 13 Mai. 12, 3 págs., 3 figs.).
Olivais Norte: modernismo e natureza (i) - António Baptista Coelho (n.º 305, 25 Jul. 10, 12 págs., 10 figs.).
Porque Morrem as Cidades os Velhos e as Árvores. Porque Morre e um País III - Celeste Ramos (n.º 232, 2 Fev. 09, 13 págs., 6 figs.).
Porque Morrem as Cidades os Velhos e as Árvores. Porque Morre e um País II - Celeste Ramos (n.º 230, 19 Jan. 09, 14 págs., 7 figs.).
Porque Morrem as Cidades os Velhos e as Árvores. Porque Morre e um País I - Celeste Ramos (n.º 229, 12 Jan. 09, 13 págs., 6 figs.).
Os jardins e o habitar (II) – artigo de António Baptista Coelho e textos da da London Tree Officers Association (n.º 202, 22 de Jun. 2008, 9 págs., 8 figs.).
O Jardim Ampliado – artigo de Milton Botler (n.º 197, 19 Maio, 2008, 9 págs., 7 figs.).
Sobre os jardins e o habitar (I) notas iniciais e um primeiro enquadramento – artigo de António Baptista Coelho (n.º 196, 12 Maio, 2008, 6 págs., 6 figs.).
Paisagens II: algumas notas sobre a árvore na cidade - Texto e fimagens de António Baptista Coelho sobre palestra de Maria Celeste Ramos (n.º 186, 9, Março, 2008, 6 págs., 4 figs.).
Paisagem I: sobre a natureza da paisagem - artigo de António Baptista Coelho (n.º 184, 24 Fevereiro 2008, 6 págs., 6 figs.)
DIA DA MÃE – texto de Celeste Ramos (n.º 139, 10 Mai. 07, p., fig.).
O Céu de Lisboa (e mais um texto complementar) - Celeste Ramos (n.º 136, 20 Abr. 07, 8 p., 6 fig.).
A Cidade e o Solstício de Inverno - Maria Celeste Ramos (n.º 118, 21 Dez. 06).
Cidade relógio de horas – Maria Celeste Ramos, ilustração de ABCoelho (n.º 113, 16 Nov. 06, 9p., 7 fig.).
A Cidade e o Equinócio de Outono II, desenhar com a natureza – Celeste Ramos (n.º 107, 5 Out. 06, 11p. 6fig.).
A Cidade e o Equinócio de Outono I, o esplendor da luz – Celeste Ramos, ilustração de António Baptista Coelho (n.º 105, 28 Set. 06, 9p. 8 fig.).
Qualidade do ambiente urbano II – o jardim e acidade ontem e hoje – Maria Celeste Ramos com colaboração e imagens de António Baptista Coelho (n.º 83, 7 Mai. 06, 7 p., 7fig.).
Qualidade do ambiente urbano I – a natureza às portas da cidade – Maria Celeste Ramos com colaboração e imagens de António Baptista Coelho (n., 82, 1 Mai. 06, 7 p., 7fig.).
A cidade e o equinócio da Primavera – Celeste Ramos com imagens de António Baptista Coelho (n.º 76, 28 Mar. 06, 6p. 5fig.).
A Cidade e o Carnaval, festa de antecipação do Equinócio da Primavera – Maria Celeste Ramos com imagens de António Baptista Coelho (n.º 73, 10 Mar. 06, 3p. 2 fig.).
O Natal, o Solstício de Inverno e a Cidade – Maria Celeste Ramos (n.º 59, 16 Dez. 05, 4p. 3fig.).

Finalmente salienta-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, acolhido no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.


Infohabitar, Ano XIV, n.º 666
NATUREZA, TEMPO, CIDADE E LUGAR
Conjunto de 25 artigos

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

terça-feira, agosto 11, 2015

Verde Urbano Desenhado - II n.º 545 Infohabitar



O 3.º CIHEL recebeu 118 propostas de artigos; está na altura de nos inecrevermos.

Infohabitar, Ano XI, n.º 545

Nota prévia da edição: durante agosto a Infohabitar continuará a ser editada semanalmente, embora o dia de edição possa "deslizar" um pouco.

Verde Urbano Desenhado - II

António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns apontamentos/desenhos livres realizados sobre a temática do verde urbano.
Todos este desenhos foram realizados, no próprio local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa, o nosso bairro modernista por excelência que importa revalorizar com urgência e designadamente no âmbito da recente PNAP - Política Nacional de Arquitetura e Paisagem.
Fazem-se, em alguns casos, comentários curtos e práticos, abordando o "desenho" e também, por vezes, matérias de urbanismo e habitat humano.

A edificação suavizada pela vegetação


Desenho 1: como se sabe a vegetação urbana e designadamente as árvores de arruamento são elementos suavizadores da edificação e, sempre que necessário, cumprem também um estratégico papel de camuflagem de edifícios menos interessantes. Naturalmente a múltipla função de melhoria do conforto ambiental e da saúde proporcionada pelas árvores e zonas verdes está sempre presente.


A edificação positivamente "camuflada" pela vegetação



Desenho 2: parte do que se referiu no desenho 1 aqui se lembra, pois árvores e zonas verdes amplas são excelentes elementos de enquadramento da massa edificada, podendo estabelecer-se jogos cromáticos e volumétricos muito interessantes, sempre que haja a necessária sabedoria para tanto da parte de quem coordena o projeto urbano e de paisagem.  

nosso bairro modernista de referência - Olivais Norte - e a PNAP


Desenho 3: Olivais Norte/Encarnação, em Lisboa é um bairro a conhecer - facilmente visitável a partir da estação de Metro da Encarnação (situada bem a meio do bairro) - onde arquitetura modernista, verde urbano bem escolhido e, essencialmente, um excelente modelo de "convívio" entre peões e veículos, são matérias bem evidenciadas/visíveis. E sublinha-se que por ocasião da publicação da fundamental Política Nacional de Arquitetura e Paisagem - PNAP, Resolução do Conselho de Ministros n.º 45/2015, será essencial começar a preparar Olivais Norte no sentido da sua verdadeira devolução a uma estima lisboeta e nacional adequadas, pois este bairro pode e deve ser um excelente elemanto de valorização da cultura urbana de lisboeta e portuguesa.

Uma das excelentes obras modernistas de Olivais Norte; e a arquitetura veículo de cultura  



Desenho 4: apontamento simples dos aspetos principais de uma volumetria modernista em contraste positivo com formas naturais; o apontamento rápido, tão caro aos arquitetos, pode ser uma via de verdadeiro estudo dos aspetos de apuramento e sobriedade formal da boa arquitetura, uma arquitetura que, tal como sublinhou Tadao Ando, "deve estar plena de cultura"; e neste acso temos um bairro cheio de uma arquitetura cheia de cultura, sob diversas formas

Forçar um apontamento desenhado "simples", depurado


Desenho 5: há que "forçar", com o máximo de naturalidade a geração de esquissos/apontamentos "simples", depurados, que fixem o essencial do "recanto" urbano que nos despertou a atenção; esta é em primeiro lugar uma intenção de prática de desenho, só aparentemente fácil, pois exige extrema concentração e em continuidade (ainda que durante 2/3/4 minutos), e talvez sequencialmente passa a ser uma intenção de estudo urbano, em que poderemos procurar o que ali está que nos interessa aprofundar em termos de arquitetura urbana.

A questão da escala humana deve estar sempre presente



Desenho 6: julgo que no excelente documentário sobre Tadao Ando, intitulado "Tadao Ando from emptiness to infinity", o arquiteto referiu que no remate de um esquisso desenha-se uma pessoa; julgo que ele o terá referido, se não o fez apresento desde já as minhas desculpas, mas lembro-me que foi das primeiras coisas que o meu primeiro professor de desenho, o meu Pai, Arquitecto, me ensinou, integrar apontamentos humanos no desenho, para "dar escala", para sentirmos a escala do espaço que estamos a esboçar; e em Olivais Norte a escala humana está verdadeiramente por todo o lado e no meio até dos grandes edifícios, sendo o verde urbano um seu excelente veículo.


Infohabitar, Ano XI, n.º 545
Verde Urbano Desenhado - II
Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.


domingo, junho 28, 2015

539 - Alguns desenhos comentados sobre cidade e natureza humanizada - Innfohabitar 539




O 3.º CIHEL recebeu 118 artigos.

Infohabitar, Ano XI, n.º 539

Alguns desenhos comentados sobre cidade e natureza humanizada
António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns desenhos realizados sobre a temática a natureza e da cidade, ou da natureza, em pleno, na cidade e o seu interesse e força de expressão.
Todos estes desenhos foram realizados, no próprio local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa (o esboço rápido foi feito no local e o acabamento, por vezes, realizado posteriormente).
Em cada um deles fazem-se alguns comentários curtos e práticos, por vezes, abordando o "desenho" e matérias de urbanismo.

A cidade e a natureza



Desenho 1: há um certo sentido de paisagem pormenorizada e viva, em jardins animados por pequenos animais, e quanto mais completo for o ambiente natural maior será a biodiversidade.

A cidade e a natureza pormenorizada


Desenho 2: é interessante ensaiar técnicas de desenho diferentes em temas/"modelos" bem conhecidos, da flora e da fauna; e as aguadas com uma base monocromática permitem uma certa liberdade de expressão. 

O verde urbano que se aproxima da natureza não artificial

Desenho 3: a natureza planeada e tratada pelo homem - trata-se de um pormenor do jardim que rodeia a Igreja de Santo Eugénio na Encarnação -, quando bem estruturada/acompanhada e com algumas dezenas de anos, aproxima-se muito do que poderá ser um bosque "natural", proporcionando uma experiência de "frescura", de profundidade, algum "mistério", e contínua diversidade de espetáculo, ao longo do dia e ao longo do ano, extremamente rica para todos, para todas as idades e muito especificamente para o "homo-urbanus".

O verde urbano como espetáculo e fonte de bem-estar e inspiração


Desenho 4: prolongando-se o anterior comentário, este apontamento (realizado de forma muito mais livre e em que se procurou aproximar o que se desenhou de uma sensação que pareceu marcar o local), exemplifica a ideia, bem real, de que o verde urbano, quando razoavelmente completo e dimensionado (atenção para não se fazerem minúsculas e ridículas "ilhas" de natureza que servem para muito pouco; mais vale planear e tratar bem boas árvores de arruamento), proporciona descontração, reflexão natural e agradável, afastamento estratégico à cidade (pois ela está próxima e no entanto "bem longe"), e muitos outros aspetos mentais e físicos de bem-estar e de saúde.

O verde urbano como fonte de inspiração e inovação


Desenho 5: prolongando-se o anterior comentário, o verde urbano, quando razoavelmente completo e minimamente extenso, conseguindo simular a natureza mais "selvagem" em composições bem perto de nós, é verdadeiramente "libertador"; e aqui procurou-se uma experiência de desenho mais livre em cores e formas.

A cidade e a natureza viva


Desenho 6: tal como se referiu no início deste artigo, há um certo sentido de paisagem pormenorizada e viva, em jardins animados por pequenos animais, e quanto mais completo e cuidado for o ambiente natural maior será a biodiversidade.

Infohabitar, Ano XI, n.º 539
Alguns desenhos comentados sobre cidade e natureza humanizada
Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional


Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

domingo, junho 21, 2015

538 - Alguns desenhos comentados sobre cidade e campo


http://labhab.fau.usp.br/3cihel/ 
O 3.º CIHEL recebeu 118 propostas de artigos.

Infohabitar, Ano XI, n.º 538

Alguns desenhos comentados sobre cidade e campo
António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns desenhos realizados sobre a temática da cidade e do campo e de suas possíveis e positivas misturas.
Alguns destes desenhos foram realizados, no próprio local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa (o esboço rápido foi feito no local e o acabamento realizado posteriormente); outros desenhos foram realizados, à mão livre, a partir de imagens de fotografias do autor ou por vezes recolhidas na imprensa.
Em cada um deles fazem-se alguns comentários curtos e práticos, por vezes, abordando o "desenho" e matérias de urbanismo.

A cidade densa, habitada pelos elétricos


Desenho 1: a cidade densa, "tradicional", "habitada" / marcada pelos elétricos e seus percursos, foi e será sempre motivo de desenho, de certa forma temos elementos muito expressivos e que se deslocam quase sem ruído, como se fossem "pequenos edifícios móveis", que para além de tudo o resto são imagens "vivas" de uma história relativamente recente, mas que já é expressivamente diversa em termos de visualidade dos próprios veículos, embora mantendo-se atual ma sua utilidade.


Elétricos como pequenos "edifícios dinâmicos"



Desenho 2: novamente a cidade densa, "tradicional", "habitada" / marcada pelos elétricos e seus percursos; agora tentando-se um apontamento, mais rápido em termos de execução e simultaneamente mais dinâmico em termos da própria expressão desenhada, e a cor, onde se joga como "amarelo" e as sombras interiores; que nos dão as interioridades destes veículos, que são como pequenos "edifícios dinâmicos".  


A natureza salientada por preexistências construídas


Desenho 3: a natureza salientada por preexistências construídas, trata-se de uma memória construída de um pequeno aqueduto, ligado a um poço, existente em Olivais-Norte/Encarnação, criando-se um quadro em que a natureza é sublinhada pelo enquadramento fortíssimo que faz desta quase ruína, em que o tempo "parou" e que ali ficou a lembrar uma memória bem diversa da realidade dos edifícios bem altos que rodeiam esta "ilha" natural e que aqui foram premeditadamente omitidos no desenho.


Novamente os elétricos como marcas dinâmicas de uma recente história urbana


Desenho 4: Novamente os elétricos como marcas dinâmicas de uma recente história urbana, agora num registo gráfico mais realista e demorado, sendo, julga-se, interessante a comparação com os registos mais rápidos e expressivos acima editados; e aqui fica talvez evidenciada a questão da escala humana que é evidenciada pela sóbria, mas bem cadenciada, circulação dos elétricos e naturalmente também pela sua cor muito viva  e contrastante.


Edifícios integrados na natureza



Desenho 5: esta sóbria integração entre edifícios e natureza, ou este diálogo mudo mas forte entre uma arquitetura racional e depurada e uma natureza humanamente planeada e que joga em contraponto formal e cromático, orgânico e mutante, com essa racionalidade formal bem projetada, só é possível com bom urbanismo e com boa arquitetura, como acontece em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa. O apontamento desenhado, na sua expressiva liberdade de traços e manchas, procura captar essa falsa facilidade de "casamento", que apenas foi possível com qualidade de projeto de edifícios e idêntca qualidade de projeto paisagístico - numa das primeiras intervenções urbanas de arquitetos paisagistas em forte aliança com o projeto urbano de pormenor.


Desenhar a natureza, desenhar árvores



Desenho 6: e novamente a natureza na sua força orgânica e mesmo pitoresca - não tenhamos medo da palavra -, que nos oferece espetáculo urbano (trata-se de um jardim de bairro) gratuito, diário e mutante ao longo de todo o ano; o protagonismo das árvores e das de folha caduca em particular é assunto chave, e há que estudar "coberturas de solo" adequadas ao nosso clima, marcado por períodos quentes e sem chuva; e, já agora, pensar mais em árvores e arbustos regionalmente caraterísticos. E as árvores são um tema de desenho sempre renovado, vamos sempre redesenhando árvores de modo diverso, sempre descobrindo novas formas de as representar, na sua complexidade e formas gerais.


Infohabitar, Ano XI, n.º 538
Alguns desenhos comentados sobre cidade e campo
Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.


domingo, dezembro 09, 2012

419 - Arquitectura da paisagem e imagens do final de Outono (artigo Infohabitar); novidades do 2.º CIHEL - Infohabitar 419

Infohabitar, Ano VIII, n.º 419



Sobre o 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono

Tema: "Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento", no âmbito da lusofonia: 2.º CIHEL, LNEC, Lisboa, 13 a 15 de março de 2013 - http://2cihel.lnec.pt/2cihel.html

Nota ao leitor: um pouco mais abaixo, no Artigo n.º 418, encontrará um texto ilustrado e desenvolvido sobre a temática do Congresso e as condições do Centro de Congressos do LNEC

Tema e objectivo principal: O 2.º CIHEL irá tratar a temática da “Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento”, e visar a fundação de um fórum socio-técnico de caráter transnacional falado em português, dirigido para a construção de laços fortes e duráveis de cooperação técnica e económica na referida grande área temática.

Conclui-se esta breve síntese salientando que são agora importantes todos os apoios organizativos ao 2.º CIHEL cujas modalidades poderão ser consideradas em pormenor, como, por exemplo, inscrições no congresso, documentação e divulgação associada ao congresso e participação na referida exposição - aspetos estes facilmente tratados através da inscrição no Congresso, facilmente realizada no site - http://2cihel.lnec.pt/2cihel.html - ou através de um contato com a respetiva organização, em organizacao2cihel@lnec.pt.

Como importantes novidades a salientar há que fazer uma referência especial para o apoio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) ao Congresso, que será presidido pelo respetivo Secretário Executivo.

O Conselho Internacional dos Arquitectos de Língua Portuguesa (CIALP) também já integrou o 2.º CIHEL e haverá, em breve, notícias relativas a novas e importantes parcerias na área da construção, da sustentabilidade ambiental e da tecnologia, desenvolvidas com entidades académicas.

Salienta-se ainda que a Ordem dos Arquitectos (OA), no âmbito do seu Conselho Regional de Admissão Sul, decidiu que a participação no 2.º CIHEL e no seu Workshop prévio contarão para a formação obrigatória em temáticas opcionais dos estágios de ingresso na O.A. e com um nº significativo de créditos (8 créditos); esta última matéria será em breve objeto de maior divulgação no Infohabitar e no site do Congresso, mas sublinha-se que as respetivas condições de inscrição (175 € incluindo IVA) são idênticas e pouco superiores às já existentes para as inscrições de estudantes no Congresso.

Já na semana que vem termos mais novidades e iremos iniciar uma maior divulgação das temáticas previstas e já entregues para apresentação no Congresso; deram já entrada mais de 120 comunicações completas.

Artigo Infohabitar semanal

Arquitectura da paisagem e imagens do final de Outono

António Baptista Coelho


Fig. 1

“É fundamental, para fazer mexer a cidade, que nos instrumentos de planificação e de planeamento estratégico quer de escala menor, se inclua a noção de paisagem, que é cada vez mais importante... o arquitecto deveria ter na sua formação esta percepção, porque a paisagem é cada vez mais uma questão de arquitectura e uma questão de cidade. A noção de paisagem urbana é fundamental.”
Gonçalo Byrne (2004) (1)

Após esta citação que conclui com um treferência à paisagem urbana, e considerando-a numa perspectiva acertadamente ampla, associam-se neste artigo alguns textos retirados do estudo intitulado "Habitação Humanizada", editado pela Livraria do LNEC em 2007/2008, que acompanham um conjunto de imagens recolhidas num final de Outono em Olivais Norte e no jardim da Alameda Central da Encarnação em Lisboa.

Fig. 2

A ideia deste artigo é salientar a importância da paisagem natural no espaço urbano e designadamente o espetáculo sempre mutante e sempre diverso e estimulante das estações, do seu próprio reflexo na natureza e do próprio tempo atmosférico como elementos que são, sempre, de grande atratividade, designadamente, quando se desenvolve uma verdadeira “arte do lugar”; e a arte do lugar ganha-se em Arquitecturas de bons autores, concretizadas por exemplo, em pequenas ruas, troços de rua e em edifícios com uma arquitectura sólida, sóbria, radicada e atraente, como as imagens ilustram, ao percorrerem, num final de Outono e, vboa parte delas, numa manhã de nevoeiro, algumas das tervenções bem desenhadas de exteriores e de edifícios (de habitação de interesse social) em Olivais Norte/Encarnação, Lisboa (realizados cerca de 1960).


Fig. 3

Salienta-se, assim, direta e indiretamente, o interesse de uma perspectiva de intervenção urbanística ecológica e humana ampla, que considere e articule a actual grande importância que tem – e deve recuperar – o lugar, como sítio “único”, com identidade específica, e a também actual grande importância da protecção e do protagonismo da natureza e do verde urbano. Matérias que, provavelmente, nunca tiveram a oportunidade que hoje têm neste século das cidades e das megacidades.
Estas matérias devem, naturalmente, muito a Christian Norberg-Schulz, e por isso se lembra aqui um dos seus fundamentais conceitos (1968): “No passado os bandidos viviam fora das muralhas, hoje estão dentro. A cidade respira brutalidade e sentimos o desejo de fugir-lhe para encontrar a paz. Por isso procuramos proteger e conservar a natureza;... com o passar do tempo não poderemos fugir mais; o arquitecto moderno deve contribuir para sanar esta situação, criando um novo ordenamento e uma nova e significativa unidade entre a paisagem e a obra do homem.” (2)

Trata-se assim de reconcilar a paisagem e a obra do homem, e a cidade com a paisagem feita pelo homem, objectivo este muito importante para a cidade de hoje e crucial para a grande cidade de hoje e, afinal, tal como disse Maria Celeste Ramos, no âmbito dos trabalhos do Júri do Prémio INH 2006, “a árvore acrescenta beleza e não a tira”, e a beleza e a “frescura” do verde urbano são altamente necessárias na cidade de hoje.


Fig. 4

O arquitecto moderno deve, assim, “contribuir para um novo ordenamento e uma nova e significativa unidade entre a paisagem e a obra do homem”, palavras sábias e antecipadoras de Norberg-Schulz, já em 1968, numa altura em que as novas grande cidades mundiais estavam, ainda, em início de “explosão”, e palavras que se julga poderem ser bem complementadas e reequacionadas, na actualidade e numa perspectiva prática e de capacidade de aplicação, que é a privilegiada neste trabalho, por uma opinião de Sidónio Pardal (2003): “No domínio do desenho urbano tudo depende do mérito do urbanista, da sua capacidade de conceber e projectar os espaços urbanos e também as paisagens agro-silvo-pastoris que constituem um desafio da maior relevância que tem sido desprezado. A educação nestes domínios deve alicerçar-se sobre os padrões de casos exemplares, o conhecimento científico, a erudição das artes e suas obras de referência, a memória histórica e o convívio com a tradição.”(3)


Fig. 5

Sobre o verde urbano importa ter presente que ele ajuda a uniformizar alguns aspectos de uma paisagem comum, concretizando envolventes acolhedoras e representativas da diversidade da natureza e do próprio mundo; e para além deste aspecto suavizador e humanizador o verde urbano também é habitualmente associado ao lazer, situação/solução que é também muito útil na suavização dos múltiplos aspectos menos humanos da sociedade actual.


Fig. 6

Provavelmente a identidade fortíssima que caracteriza cada elemento natural como único (presença marcante de uma natureza rica e sempre diferente e renovada) e, paralelamente, o agradável contraste entre esse elemento natural, ali humanizado, e a racionalidade da edificação citadina (por exemplo: fila de árvores ao longo das ruas, trepadeira sobre muro, vasos de plantas em janelas, etc.), produzem efeitos finais que muito contribuem para dar sentido e carácter aos lugares, verdadeiramente humanizando-os, ao mesmo tempo que se contribui para condições de estímulo e surpresa nos percursos e na paisagem urbana.

E para que não haja dúvidas, sublinha-se que não se está aqui a fazer uma qualquer defesa “cega” do chamado “verde urbano”, mas sim uma defesa, muito forte, de um urbanismo feito considerando a grande importância que tem, realmente, a cidade bem integrada no meio natural e os elementos da natureza bem integrados na cidade, que, desta forma, para além de ganhar em conforto, assim se humaniza e caracteriza.



Fig. 7

E de certa forma e se atentarmos nas imagens que acompanham este texto, a qualidade de uma dada intervenção paisagística proporciona-nos uma intensificação da forma como sentimos a natureza, o que é extremamente interessante para todos e designadamente para pessoas que vivam muito a cidade.

E assim se considera o verde urbano concebido por uma Arquitectura Paisagista bem qualificada uma ferramenta cuja importância em termos de caracterização e de humanização da paisagem urbana continua a ser descurada, ainda que, felizmente, exemplos históricos e alguns, talvez poucos, novos exemplos demonstrem a potência arquitectónica real que pode ter, por exemplo, uma árvore de arruamento, um alinhamento arbóreo, uma composição de árvores e de edifícios, um caminho pedonal que passa quase sob um maciço arbóreo e um muro ou uma fachada cobertos por uma trepadeira.



Fig. 8

Mas atenção, para se fazer isto bem, com respeito pela cultura que é a nossa e pelo sítio em que se actua, é necessário saber fazer arquitectura da edificação e da paisagem de uma forma simples, mas realmente sabedora, sem apêndices inúteis e sem excessos de conteúdo; com uma pormenorização muito rica, mas depurada e cuidadosa; afinal uma boa Arquitectura, tal com a dos edifícios, mas com as suas próprias regras, ferramentas e partes de técnica e de criatividade; uma matéria muito mais séria do que a de fazer simples e até dignos "espaços ajardinados".

E nestas matérias não se pode deixar de apontar, quer a necessidade desse aprofundamento de uma essencial criatividade na paisagem natural feita pelo homem, quer a igual necessidade de sobriedade e de radicação cultural, quer finalmente, a crítica necessidade de uma manutenção posterior dos espaços de jardim, que lhes respeite e desenvolva, cuidadosa e sensivelmente, formas, ambientes e pormenores e que não abastarde e, até, por vezes, destrua, essas mesmas formas e esses mesmos ambientes, tão criativamente criados por vezes há dezenas de anos e tão cuidadosamente desenvolvidos ao longo dessas dezenas de anos; e esta é uma matéria que deveria merecer o cuidado específico de técnicos, cidadãos e autarquias, não se deixando cometer verdadeiras barbaridades em nome de técnicas de jardinagem ditas normais e necessárias, e a culpa não é de quem maneja a radical serra mecânica, mas sim de quem não controla adequadamente estes trabalhadores.



Fig. 9

Apenas como breves notas finais de reflexão sobre o tema da Arquitectura da Paisagem podemos sublinhar: (i) que a arquitectura da paisagem tem uma importância essencial, que é frequente e diversamente referida por projectistas, como ligada ao carácter/identidade dos sítios, e lembremos que Christian Norberg-Schulz defende que a caracterização é a verdadeira matéria da arquitectura; (ii) que a arquitectura da paisagem tem, naturalmente, uma importante perspectiva ecológica, ambiental e paisagística, que é e que será, cada vez mais, verdadeiramente determinante no projecto urbano e residencial; (iii) e por fim podemos ainda sublinhar que a arquitectura da paisagem tem também uma efectiva e variada importância porque proporciona o contacto frequente com a natureza, seja no dia-a-dia, seja em situações potencialmente agrestes que caracterizam a vida urbana actual.

Afinal a paisagem é cada vez mais uma questão de arquitectura e uma questão de cidade.

Notas:

(1) Inês Moreira dos Santos e Rui Barreiros Duarte (entrevistadores), “Estruturas de mudança - entrevista com Gonçalo Byrne”, Arquitectura e Vida, n.º 49, 2004, p. 51.
(2) Christian Norberg-Schulz, “A paisagem e a obra do homem”, Arquitectura, n.º 102, 1968, pp.52-58.
(3) Rui Barreiros Duarte (entrevistador), “Por um urbanismo de princípios – entrevista com Sidónio Pardal”, Arquitectura e Vida, n.º 43, 2003, pp.40-47.

Notas editoriais:
(i) A edição dos artigos no âmbito do blogger exige um conjunto de procedimentos que tornam difícil a revisão final editorial designadamente em termos de marcações a bold/negrito e em itálico; pelo que eventuais imperfeições editoriais deste tipo são, por regra, da responsabilidade da edição do Infohabitar, pois, designadamente, no caso de artigos longos uma edição mais perfeita exigiria um esforço editorial difícil de garantir considerando o ritmo semanal de edição do Infohabitar.
(ii) Por razões idênticas às que acabaram de ser referidas certas simbologias e certos pormenores editoriais têm de ser simplificados e/ou passados a texto corrido para edição no blogger.
(iii) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.

Infohabitar a Revista do Grupo Habitar


Infohabitar, Ano VIII, n.º 419

Arquitectura da paisagem e imagens do final de Outono (artigo Infohabitar); novidades do 2.º CIHEL

Editor: António Baptista Coelho

Edição de José Baptista Coelho

Lisboa, Encarnação - Olivais Norte