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terça-feira, agosto 11, 2015

Verde Urbano Desenhado - II n.º 545 Infohabitar



O 3.º CIHEL recebeu 118 propostas de artigos; está na altura de nos inecrevermos.

Infohabitar, Ano XI, n.º 545

Nota prévia da edição: durante agosto a Infohabitar continuará a ser editada semanalmente, embora o dia de edição possa "deslizar" um pouco.

Verde Urbano Desenhado - II

António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns apontamentos/desenhos livres realizados sobre a temática do verde urbano.
Todos este desenhos foram realizados, no próprio local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa, o nosso bairro modernista por excelência que importa revalorizar com urgência e designadamente no âmbito da recente PNAP - Política Nacional de Arquitetura e Paisagem.
Fazem-se, em alguns casos, comentários curtos e práticos, abordando o "desenho" e também, por vezes, matérias de urbanismo e habitat humano.

A edificação suavizada pela vegetação


Desenho 1: como se sabe a vegetação urbana e designadamente as árvores de arruamento são elementos suavizadores da edificação e, sempre que necessário, cumprem também um estratégico papel de camuflagem de edifícios menos interessantes. Naturalmente a múltipla função de melhoria do conforto ambiental e da saúde proporcionada pelas árvores e zonas verdes está sempre presente.


A edificação positivamente "camuflada" pela vegetação



Desenho 2: parte do que se referiu no desenho 1 aqui se lembra, pois árvores e zonas verdes amplas são excelentes elementos de enquadramento da massa edificada, podendo estabelecer-se jogos cromáticos e volumétricos muito interessantes, sempre que haja a necessária sabedoria para tanto da parte de quem coordena o projeto urbano e de paisagem.  

O nosso bairro modernista de referência - Olivais Norte - e a PNAP


Desenho 3: Olivais Norte/Encarnação, em Lisboa é um bairro a conhecer - facilmente visitável a partir da estação de Metro da Encarnação (situada bem a meio do bairro) - onde arquitetura modernista, verde urbano bem escolhido e, essencialmente, um excelente modelo de "convívio" entre peões e veículos, são matérias bem evidenciadas/visíveis. E sublinha-se que por ocasião da publicação da fundamental Política Nacional de Arquitetura e Paisagem - PNAP, Resolução do Conselho de Ministros n.º 45/2015, será essencial começar a preparar Olivais Norte no sentido da sua verdadeira devolução a uma estima lisboeta e nacional adequadas, pois este bairro pode e deve ser um excelente elemanto de valorização da cultura urbana de lisboeta e portuguesa.

Uma das excelentes obras modernistas de Olivais Norte; e a arquitetura veículo de cultura  



Desenho 4: apontamento simples dos aspetos principais de uma volumetria modernista em contraste positivo com formas naturais; o apontamento rápido, tão caro aos arquitetos, pode ser uma via de verdadeiro estudo dos aspetos de apuramento e sobriedade formal da boa arquitetura, uma arquitetura que, tal como sublinhou Tadao Ando, "deve estar plena de cultura"; e neste acso temos um bairro cheio de uma arquitetura cheia de cultura, sob diversas formas

Forçar um apontamento desenhado "simples", depurado


Desenho 5: há que "forçar", com o máximo de naturalidade a geração de esquissos/apontamentos "simples", depurados, que fixem o essencial do "recanto" urbano que nos despertou a atenção; esta é em primeiro lugar uma intenção de prática de desenho, só aparentemente fácil, pois exige extrema concentração e em continuidade (ainda que durante 2/3/4 minutos), e talvez sequencialmente passa a ser uma intenção de estudo urbano, em que poderemos procurar o que ali está que nos interessa aprofundar em termos de arquitetura urbana.

A questão da escala humana deve estar sempre presente



Desenho 6: julgo que no excelente documentário sobre Tadao Ando, intitulado "Tadao Ando from emptiness to infinity", o arquiteto referiu que no remate de um esquisso desenha-se uma pessoa; julgo que ele o terá referido, se não o fez apresento desde já as minhas desculpas, mas lembro-me que foi das primeiras coisas que o meu primeiro professor de desenho, o meu Pai, Arquitecto, me ensinou, integrar apontamentos humanos no desenho, para "dar escala", para sentirmos a escala do espaço que estamos a esboçar; e em Olivais Norte a escala humana está verdadeiramente por todo o lado e no meio até dos grandes edifícios, sendo o verde urbano um seu excelente veículo.


Infohabitar, Ano XI, n.º 545
Verde Urbano Desenhado - II
Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.


segunda-feira, junho 08, 2015

536 - Desenhos rápidos em Olivais Norte - Infohabitar 536

O 3.º CIHEL recebeu 118 propostas de artigos.

Infohabitar, Ano XI, n.º 536

Desenhos rápidos em Olivais Norte

António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, desenhos rápidos realizados, no local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa; o esboço rápido foi feito no local e o acabamento realizado posteriormente. Em cada um deles fazem-se alguns comentários práticos, por vezes, abordando o "desenho" e matérias de urbanismo.

 Contraste entre edificado e meio natural 


Desenho 1: é sempre interessante o contraste entre o edificado e o meio natural, que propicia tratamentos expressivos de um e de outro; em termos urbanísticos é excelente a solução de integração entre as duas malhas urbanas contíguas e bem distintas de Olivais Norte (pequenos edifícios multifamiliares modernistas) e Encarnação (pequenas moradias "tradicionais"), assegurada por um pequeno pinhal alongado, que constitui uma óptimo espaço de passeio.

O bem-estar na envolvente da habitação



Desenho 2: um gato esboçado no local e acabado, depois, em casa; é interessante considerar que quando nos sentimos bem em determinadas vizinhanças e soluções urbanas e naturais, esse sentido de bem-estar alarga-se a todos os seres vivos que aí vivem.

Biodiversidade no espaço urbano




Desenho 3: um par de melros esboçados no local e acabados, depois, em casa, com alguma tentativa de cor; a ligação adequada entre edifícios e zonas "verdes", com reforço destas últimas, é essencial para a dinamização da biodiversidade local (matéria de sustentabilidade ambiental).

Veículos positivamente "camuflados" pelo verde urbano e sob prioridade pedonal


Desenho 4: de vez em quando apetece voltar aos desenhos monocromáticos com base no azul, "a cor da sombra", traçado a caneta e livremente marcado com aguada, ainda no local, trata-se de um meio simples e que por vezes resulta em apontamentos expressivos; o modernismo urbano exemplar de Olivais Norte adequados exemplos de mistura entre zonas verdes e vias para veículos, que resultam numa excelente "camuflagem" dos mesmos - apenas se lamenta que não se comece a introduzir, sistematicamente, e de forma intensa, barreiras físicas à velocidade dos veículos motorizados em todas as zonas dominantemente residenciais (aqui em Olivais Norte elas foram já muito bem introduzidas junto a escolas, mas precisamos de mais).

A natureza na proximidade estratégica dos espaços residenciais


Desenho 5: é interessante experimentar a fusão cromática entre o azul, "básico", e o verde natural, sentimos, por vezes, que se trata, afinal de cores com grande afinidade; é essencial proporcionar a fruição de espaços "intensos" de natureza na proximidade estratégica dos espaços residenciais.

Azul, "a cor da sombra"


Desenho 6: e novamente um apontamento a azul e a amigabilidade do verde urbano, das árvores urbanas, na harmonização de um conteúdo rodoviário, que em Olivais Norte foi muito bem estruturado e geometrizado, procurando-se, sempre, que o peão tenha as melhores condições de movimentação e de uso intenso do exterior.

Infohabitar, Ano XI, n.º 535
Desenhos rápidos em Olivais Norte
Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.