segunda-feira, novembro 02, 2009

270 - Três acções sobre o habitar e a cidade em Novembro de 2009 - Infohabitar 270

Infohabitar, Ano V, n.º 270
Apresenta-se a edição n.º 270 do Infohabitar, onde se faz a divulgação de três acções a realizar em Novembro, com o apoio do Grupo Habitar, e todas associadas às amplas temáticas do habitar melhor uma melhor cidade.

As acções são, em seguida, sintetizadas, por ordem sequencial de realização, salientando-se que a acção de 24 de Novembro, no LNEC, conta já com um número significativo de inscritos.

Apresentação do livro
"Habitação de interesse social em Portugal,

1988-2005"

Terça-feira dia 3 de Novembro de 2009 às 18h 30, na FNAC do Centro Comercial Colombo, em Lisboa, terá lugar a apresentação do livro "Habitação de interesse social em Portugal, 1988-2005" com a presença e intervenção dos autores e dos prefaciadores, arquitectos Nuno Teotónio Pereira e Raúl Hestnes Ferreira.

Juntam-se imagens da capa e do interior do livro, bem como um brevíssimo comentário e refere-se que haverá, em princípio, uma apresentação do mesmo livro no Porto, no início de Dezembro, provavelmente associada a uma palestra sobre a temática da excelente promoção de habitação de interesse social realizada pelas Habitações Económicas da Federação das Caixas de Previdência e que constituirá a 18.ª Sessão Técnica do Grupo Habitar; naturalmente, esta acção merecerá uma próxima divulgação específica aqui no Infohabitar.


Fig. 01: capa do livro


Fig. 02: exemplo do conteúdo do livro

Os melhores exemplos de habitação de interesse social estão ligados a uma arquitectura de vizinhanças e continuidades urbanas, feita de pequenos agrupamentos de edifícios bem caracterizados e marcados pela harmonização entre qualidade arquitectónica e satisfação dos moradores.

É sobre isso que fala este livro, num caminho, que julgamos essencial, de registo e valorização dos muitos casos de referência identificados no período que correspndeu às 18 edições do Prémio INH - portanto entre 1988 e 2005; um caminho que consideramos útil para que o que de melhor foi feito, nos últimos anos em Portugal em habitação e cidade de interesse social possa servir como base informativa para as intervenções ainda necessárias.

É este um dos perfis deste livro servir de registo de muitos bons exemplos habitacionais e urbanos, contribuindo-se para a anulação das terríveis tábuas-rasas que nos fazem voltar, contantemente, aos círculos viciosos da má qualidade residencial na habitação de interesse social: aos projectos-tipo sem qualidade e doentiamente repetidos, às soluções isoladas e segregadas da vital continuidade urbana, à concentração excessiva de realojamento, às misturas sociais disparatadas, e à total inadequação entre projectos e modos de habitar.

É contra tudo isto que este livro quer contribuir e, já agora, não poderia deixar de apontar o interesse e a urgência que tem também o estudo de outros excelentes períodos desta habitação em Portugal, com natural relevo para a longa e excelente fase das HE-FCP e do GTH da CML.

Conferência dupla do Prof. Arq.º Miguel Vitale sobre:
Grafologias, Imagem e Paisagens Urbanas e
Habitar em Santa-Fé, ArgentinaQuinta-feira,

5 de Novembro de 2009, 18h. 00
Lisboa, Centro de Congressos do ISCTE – IUL
Av.ª das Forças Armadas, Auditório B 104


Fig. 03: O ISCTE-IUL projecto de Raul Hestnes Ferreira

Na quinta-feira dia 5 de Novembro de 2009 às 18h 00, no Centro de Congressos do ISCTE-IUL, Avª das Forças Armadas, Auditório B 104, terá lugar a Conferência dupla do Prof. Arq.º Miguel Vitale sobre: Grafologias, Imagem e Paisagens Urbanas; e Habitar em Santa-Fé, Argentina.

Esta palestra é realizada no âmbito das actividades de investigação, divulgação e discussão do Grupo Habitar e do Departamento de Arquitectura e Urbanismo e do Centro de Estudos em Arquitectura e Áreas Metropolitanas do ISCTE-IUL, com o apoio dos Núcleos de Arquitectura e Urbanismo (NAU) e Ecologia Social (NESO) do Laboratório Nacional de Engenharia Civil.

No âmbito das actividades do Grupo Habitar (GH), constitui a sua 17ª Sessão Técnica do GH.



Fig. 04: organizadores da Conferência do Prof. Arq.º Miguel Vitale

Miguel Vitale é Arquitecto, Professor na FADU, Faculdade de Arquitetura, Diseño e Urbanismo, Universidad Nacional del Litoral, Santa Fe, Argentina, Responsável/coordenador da Rede Iberoamericana sobre "Problemáticas Urbanas Contemporâneas" que envolve diversos grupos de investigação universitários, designadamente, na Argentina, no Chile, no Brasil e em Espanha, além dos Núcleos de Ecologia Social e de Arquitectura e Urbanismo do LNEC, em Portugal; desenvolve ainda uma intensa actividade de conferencista e publica com regularidade.




Fig. 05: o interior do ISCTE-IUL, projecto de Raul Hestnes Ferreira

Junta-se, em seguida, o programa da Conferência do Prof. Arq.º Miguel Vitale e salienta-se que a entrada é livre, sem necessidade de inscrição prévia, ficando apenas condicionada à lotação do respectivo auditório.

Programa da Sessão:

18h 00: abertura dos trabalhos pelos membros da mesa:

Prof. Doutor Arq. Paulo Tormenta Pinto, fundador do Grupo Habitar e Presidente do DAU do ISCTE
Doutor Arq. António Baptista Coelho, Presidente da Direcção do Grupo Habitar, Investigador e Chefe do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU) do LNEC
Doutora Marluci Menezes, Investigadora e Chefe do Núcleo de Ecologia Social (NESO) do LNEC, que fará uma breve apresentação do conferencista.

18h 15: conferência de Miguel Vitale sobre: Grafologias, Imagem e Paisagens Urbanas
18h 45: intervalo e/ou pequeno debate intercalar
19h.00: conferência de Miguel Vitale sobre: Habitar em Santa-Fé, Argentina
19h 30: debate final
Contactos: Alice Espada, secretariado.dau@iscte.pt, Departamento de Arquitectura e Urbanismo ISCTE – IUL, Ala Autónoma, Sala 335, Avenida das Forças Armadas, 1649-026 Lisboa, tel. 21 7903060, secretariado.dau@iscte.pt




Fig. 06: Bairros Vivos, Cidades Vivas, Conferência a 24 de Novembro no LNEC.

COMEMORAÇÃO DOS 40 ANOS DO NÚCLEO DE ARQUITECTURA E URBANISMO DO LABORATÓRIO NACIONAL DE ENGENHARIA CIVIL
TERÇA-FEIRA DIA 24 DE NOVEMBRO DE 2009
CONFERÊNCIA: BAIRROS VIVOS, CIDADES VIVAS

Importante: devido ao número de inscrições já confirmadas a Conferência será realizada no "velho" e excelente grande Anfiteatro do LNEC, situado logo junto da entrada principal do Laboratório, a dois passos da Avenida do Brasil.

O Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU) do Departamento de Edifícios (DED) do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) irá fazer 40 anos de actividade no próximo dia 24 de Novembro de 2009. Com vista a marcar este dia irá ter lugar uma conferência comemorativa no Anfiteatro do Centro de Congressos do LNEC, sob o tema “Bairros Vivos, Cidades Vivas”, tema este que se considera ser na actualidade um objectivo central do desenvolvimento urbano.






Figs 07 e 08: o LNEC

A conferência “Bairros Vivos, Cidades Vivas” terá como oradores várias individualidades que desenvolveram actividade ou que cooperaram de perto com o NAU ao longo destes 40 anos. Pretende-se que este encontro crie espaço para uma reflexão colectiva sobre a situação presente e futura da investigação em arquitectura e urbanismo, numa perspectiva multidisciplinar.

A conferência está aberta a todos os que nela queiram participar.
A inscrição é gratuita e obrigatória, para o respectivo Secretariado: apinho@lnec.pt e Telf.: + 351 21 844 35 15.

Junta-se o respectivo programa.

10.00 – Recepção dos participantes e entrega de documentação

10.30 – Sessão de abertura

Carlos Pina
(Vice-Presidente do LNEC)
José Vasconcelos Paiva(Director do Departamento de Edifícios do LNEC entre 1990 e 2009)
António Baptista Coelho(Chefe do NAU)

11.00 – Painel Bairros Vivos
Moderadora: Maria João Freitas
(Vogal da Direcção do IHRU)

Oradores:

Gonçalo Byrne(Arquitecto)
João Appleton
(Engenheiro Civil)
José Aguiar(Arquitecto)

12.10 – Debate

12.30 – Almoço (livre)

14.00 – Painel Cidades Vivas
Moderador: Vitor Campos(Director-Geral da DGOTDU)

Oradores:

Alexandre Alves Costa
(Arquitecto)
Khaled Ghoubar(Arquitecto)
Paulo Machado(Sociólogo)
Jorge Saraiva(Engenheiro mecânico)
Helena Roseta
(Arquitecta)

16.00 – Debate

16.30 – Intervalo

17.00 – Painel NAU: Memórias com futuro
Moderador: Francisco Silva Dias
(Provedor da Arquitectura)

Oradores:

António Baptista Coelho(Chefe do NAU desde 2002)
António Reis Cabrita
(Chefe do NAU entre 1981 e 2002)
Nuno Portas
(Chefe do NAU entre 1969 e 1981)

18.15 – Debate, seguido de encerramento da Conferência

A conferência está aberta a todos os que nela queiram participar.
A inscrição é gratuita e obrigatória, para o respectivo Secretariado
: apinho@lnec.pt e Telf.: + 351 21 844 35 15.



Infohabitar, Ano V, n.º 270
Editor: Grupo Habitar
Coordenador editorial: António Baptista CoelhoLisboa, Encarnação – Olivais Norte,2 de Novembro de 2009Edição de José Baptista Coelho

segunda-feira, outubro 26, 2009

269 - Uma cidade atraente feita de densidades e imagens estimulantes - Infohabitar 269

artigo de António Baptista Coelho

Infohabitar, Ano V, n.º 269
Série habitar e viver melhor, VII:
Uma cidade atraente feita de densidades e imagens vitalizadoras


Nota inicial à presente edição deste artigo: o artigo que se segue corresponde a uma edição revista, comentada e significativamente complementada e re-ilustrada, de um artigo anteriormente publicado no Infohabitar, e que aqui é integrado na Série "habitar e viver melhor"; a ilustração é, no entanto, ainda genérica e indicativa, podendo vir a ser, posteriormente, realizada, em novas edições,numa opção mais desenvolvida e sistemática, que inclua um número significativo de figuras comentadas.

Segundo Christian Norberg-Schulz, o encontro implica proximidade e densidade em termos espaciais, e este autor defende, também, que o encontro - podemos dizer a convivialidade - decorre também da variedade, afirmações estas que muito longe nos levarão quando nos lembramos dos grandes conjuntos habitacionais repetidos até à náusea. E Norberg-Schulz sublinha que uma tal exigência de variedade obrigará, simultaneamente, a um cuidar específico da unidade e da caracterização, isto para que se garanta salvaguarde a, sempre fundamental, criação de uma totalidade, um lugar.

Há, assim, que aprofundar proximidade, densidade e diversidade na arquitectura urbana pormenorizada quando se pretende um espaço residencial e citadino convivial, um objectivo fundamental numa qualquer solução de habitar, mas vital quando as relações de sociabilidade e vitalidade nas vizinhanças próximas são dos principais meios que os habitantes dispõem para prosseguirem uma vida diária mais estimulante, como acontece quando estas pessoas têm poucos meios para procurarem tais condições longe dessas suas vizinhanças de proximidade; condição esta que de forma alguma põe em causa o papel estruturante destas vizinhanças próximas quando se trata de outros grupos sociais mais favorecidos.





Fig. 01: Realojamento da CM de Lisboa na Travessa do Sargento Abílio, Arq. Paulo Tormenta Pinto (2001, 91 habitações).

E, tal como se aponta acima, há que perseguir e aprofundar tais condições de densifificação e de diversidade urbano-residencial num quadro de cuidadosa unificação e estimulante caracterização das respectivas imagens urbanas de proximidade. E engana-se quem imagina que são objectivos opostos tais condições de diversidade e de unidade de imagens, ainda cumulativamente no tal quadro de uma densificação estratégica - porque muito cuidadosa e ao serviço de determinados e variáveis objectivos humanos e urbanos -, e estão aí muitas malhas citadinas coesas e estimulante e harmoniosamente diversificadas para provar que tais condições se podem aliar; mas aqui e como em muitas outras situações muito depende da qualidade e do avisado controlo de qualidade do projecto de arquitectura urbana pormenorizada, e uma qualidade que está muito mais além da "simples" qualidade quantitativa e "material".




Fig. 02: parte do grande, recente e bem vitalizado conjunto cooperativo do Vale Formoso de Cima em Lisboa, urbanismo de António Piano e Eduardo Campelo (2006).

É ainda Christian Norberg-Schulz que defende que a densidade não chega, naturalmente, para a criação dessa totalidade, sendo necessária uma afirmada continuidade urbana, uma continuidade marcada e enriquecida nas suas imagens urbanas ppelas referidas condições estratégicas de densidade e de diversidade; e, afinal, è nesta perspectiva que, tal como sublinha Norberg-Schulz, uma experiência urbana é muito frequentemente descrita com termos como: dentro, entre, sob, sobre, à frente, atrás, perto de; termos que indicam uma organização espacial variada, mas integrada (1).

A densidade está na ordem do dia: começou a estar na mente de muitos, há alguns anos, por razões talvez mais formais, ou talvez mais sociais, consoante a formação de quem sobre ela reflectia; e hoje em dia as razões ligadas à desvitalização urbana de tantos centros desertificados e de tantas periferias inacabadas e desterradas e ao evidente e sempre presente potencial de forte crescimento dos preços dos combustíveis, vão trazendo a densidade para a primeira linha das preocupações relativas a uma melhor cidade, mais agradável e mais sustentável, tantos em termos ambientais, como de qualidade de uma vivência mais intensa e funcional e formalmente mais rica.

É interessante pensar que o redescobrir da densidade aconteceu numa altura em que a www estava a marcar a nossa vida e as nossas redes de relações, possibilitando, exactamente, o "reinocastelo" ou o "aquário" individual de cada um (situações estas bem diversas de: reino ou de quaário/prisão), longe de quase todos os outros, fisicamente, entenda-se! Será que não foi uma certa nostalgia desse contacto físico e uma nostalgia que nunca o foi, verdadeiramente, num pequeno grupo de arquitectos urbanitas que terá feito renascer essa fome de densidade física e de verdadeiro espectáculo urbano, ainda antes dele ser funcional e economicamente necessário?

Estas questões da densidade têm muito a ver com toda a matéria da imagem urbana - matéria esta sempre menorizada na sua essencial importância (que merece urgentes e aprofundadas reflexões práticas) -, que, por sua vez, tem tudo a ver com uma verdadeira qualidade arquitectónica aplicada, cuidadosamente, ao desenho urbano de pormenor. O que significa que será, provavelmente, possível densificar mais do que o correntemente previsto, com ganhos habitacionais evidentes, em termos de proximidade a zonas centrais e vitalização e convivialidade na cidade, e também com ganhos para uma imagem da cidade mais rica, mais diversificada e estimulante. Mas para tal, e tal como já se defendeu nesta reflexão, não basta "um qualquer desenho de arquitecto", pois este patamar de resultados só será possível com a intervenção de uma Arquitectura muito bem qualificada e, simultaneamente, com exigentes e estratégicos controlos dessa mesma qualidade arquitectónica.



Fig. 03: conjunto de habitação de interesse social bem integrado no casco antigo de Barcelona, de Josep Llinàs Carmona (1995).

Naturalmente, todo um processo como este não é compatível com quaisquer tipos de soluções pré-feitas e repetidas de outros sítios, para outros sítios e para outros habitantes. Estas intervenções têm de ser "fatos" bem à medida e fatos de grandes alfaiates, é o mínimo que se pode exigir para acções que vão marcar e, desejavelmente, revitalizar e enriquecer, culturalmente, partes estratégicas da cidade central e periférica, e só assim se entenderá que em tais sítios, com tais tipos de objectivos e com um muito elevado e enquadrado patamar qualitativo, de perfil muito amplo, sejam eventual e "pontualmente" aceites aumentos das densidades correntemente aceites.

Todas estas condicionantes têm a ver com a exigência de que tais soluções redensificadas, terão de ter a arte e o engenho para, mesmo com mais densidade, não transigirem nos aspectos fundamentais de segurança, privacidade, acessibilidade, conforto ambiental no exterior e relação com a escala humana e serem mesmo elementos postivamente influenciadores de uma afirmada convivialidade e de um quadro de imagems urbanas atraente e coracterizador; e será até possível dizer que tais soluções de densificação devem ser, em boa parte, baseadas, exactamente, na necessidade de melhoria deste mesmo amplo e exigente leque de condições, por exemplo no que se refere a melhores condições de conforto ambiental e de segurança no uso dos espaços exteriores.

Passemos então, sinteticamente, em revista estes tipos de condições, que se considera poderem ser associadas a intervenções com densidades significativas.

Sendo este o caminho que é urgente seguir no fazer melhor cidade e melhor habitação, mais de que limites impostos pelo afastamento entre edifícios os aspectos a ter em conta devem privilegiar as condições mais adequadas de relacionamento entre a vida doméstica e a vida urbana, no espaço público, e nesta matéria uma importante limitação está na situação de as crianças perderem a percepção da proximidade do solo, desde que estando acima de seis pisos e Sidónio Pardal sublinha que, a partir desta altura, "diminui, de algum modo, a percepção telúrica da casa" (2); ora, perder-se esta percepção de ligação com a terra e com o espaço público deveria ser um elemento condicionador de uma equilibrada, mas afirmada, densificação da cidade.




Fig. 04, a Unidade Residencial João Barbeiro, Beja, de Raúl Hestnes Ferreira e Manuel Miranda (1984, 48 habitações).

Este enfoque no facilitar do uso das vizinhanças urbanas pelas crianças é fundamental pois liga-se a aspectos de melhor formação e socialização dos futuros cidadãos - uma condição que seria só ela merecedora de apurados cuidados de concepção residencial -, porque proporciona, através de uma tal possibilidade, um significativo potencial de conhecimento e de convívio natural entre os familiares dessas crianças (quando as acompamham e quando se visitam nas suas habitações), porque se associa a fundamentais aspectos de visibilidade e proximidade de segurança, a partir das habitações, relativamente aos espaços exteriores onde brincam as crianças, porque as condições mais adequadas para um uso intenso do exterior pelas crianças são, em boa parte, também responsáveis pela dinamização desse uso pelo amplo grupo dos cidadãos "seniores", e, finalmente, porque, considerando tudo isto assim se potenciam condições gçobais que estimulam o uso mais intenso dos exteriores residenciais e urbanos e o desenvolvimento de boas condições de segurança pública nas respectivas vizinhanças. Sinteticamente, zonas urbanas e residenciais mais densas, mais baixas e com afirmadas condições de continuidade e de identidade urbana serão, tendencialmente, zonas mais usadas, porque mais agradáveis, mais apropriáveis e mais seguras.



Fig. 05: o renovado conjunto portuense da Bouça de Siza Vieira e António Madureira; renovado e completado pela inicativa cooperativa (2006).

Há assim o renovar dos caminhos que nos levam para soluções urbanas não muito altas, mas que atinjam uma muito significativa densidade habitacional através de um desenho ele próprio denso e arquitectonicamente bem trabalhado. E nesta perspectiva há que sublinhar que uma zona com alta densidade e baixa altura proporciona um carácter urbano intenso e contínuo, com edifícios bem próximos uns dos outros (3), desde que não se prejudicando aspectos essenciais de conforto em termos de luz natural, ventilação e relativo sossego acústico. E é até possível referir que uma malha deste tipo será, potencialmente, muito agradável em termos de conforto ambiental, sendo, por exemplo, climaticamente muito adequada durante o Verão, através de sombras frescas porque tendencialmente contínuas e densas, podendo não ser a densidade sentida como excessiva em termos formais, porque se entenderá, directamente, a justificação climática dessas ricas e orgânicas densidades.

Os exemplos da arquitectura tradicional citadina portuguesa oferecem, naturalmente, um manancial praticamente inesgotável de soluções com este tipo de condições, mas atenção que não se está a fazer, aqui, nenhum manifesto revivalista, pois é possível e desejável fazer novo com tais objectivos específicos.



Fig. 06: a Baixa de Coimbra


Continuando a aprofundar esta ideia de mais densidade sem altura excessiva e visando-se o objectivo do desenvolvimento de espaços urbanos vivos e plenamente satisfatórios consideram-se, em seguida, alguns aspectos de imagem urbana e residencial de pormenor, muito influenciados por estudos ingleses nestas matérias (4).

A densificação deve suportar, fisicamente, uma condição de equilibrado e muito reduzido atravessamento de cada núcleo urbano, proporcionando-se um certo sentido de protecção física e psicológica de quem ali vive relativamente ao exterior urbano. Não se defende aqui a criação de ilhas, mas sim de espaços de vizinhança urbana cujas ligações privilegiadas à cidade sejam essencialmente dominadas pelos seus residentes, onde os veículos da envolvente não dominem e onde os estranhos possam ser naturalmente identificados e visualmente acompanhados, condições estas óptimas para um uso da rua intenso por crianças e idosos; e nesta matéria são óptimas as soluções muito densificadas e com grande número de vãos domésticos e até de espaços exteriores privados (pátios, quintais e eventuais acessos directos ao espaço público) bem relacionados com o nível da rua.

Há um conjunto de aspectos que sempre marcam soluções urbanas e residenciais que harmonizam densidade, identidade positiva, funcionalidade, vitalidade urbana, sentido de vizinhança e um conjunto de qualidades diversificado que podemos sintetizar na ideia de agradabilidade residencial (ex., sossego, equilíbrio de temperaturas, privacidade, segurança, boa gestão local, etc.); entre tais aspectos lembram-se, desenvolvem-se e e comentam-se, em seguida, aqueles que referi num estudo editado no LNEC em 1998 (5):

. Evitar o atravessamento integral da “nossa” zona residencial, tanto por veículos a ela estranhos (ruído, insegurança, poluição, incómodo nocturno devido aos faróis), como por caminhos pedonais com grande continuidade urbana (evitar contactos entre crianças e estranhos à área de residências); evitando-se, até, evidenciar as ligações ao “exterior” da “nossa” zona.

. Onde haja intenso movimento pedonal, a aproximação final a cada grupo de fogos (até cerca de 20), deve ser feita para servi-los exclusivamente; construindo-se, assim, um sentimento de pertença e de identidade que poderá ajudar a equilibrar alguns aspectos, eventualmente, menos positivos da densificação.

. As distâncias entre veículos e entrada do edifício habitacional devem ser cuidadosamente consideradas, harmonizando-se as desvantagens ambientais com as vantagens funcionais; e atenção que a densificação implica um potencial de uso rodoviário muito intenso e que só será possível privilegiar o peão, com êxito, se o estacionamento e o tráfegos de veículos estiver adequadamente resolvido.

. Os grupos de estacionamentos publicamente visíveis não devem exceder um determinado número de unidades em cada localização; caso contrário a paisagem urbana perde boa parte da sua qualidade.

. O recreio de crianças em espaços públicos deve merecer toda a atenção, constituindo-se, mesmo, em um dos elementos urbanos estruturadores das soluções; e atenção que em zonas densificadas esta questão tem de ser objecto de cuidados reforçados – e quem visite as “células sociais” de Alvalade, em Lisboa, com os recreios das suas Escolas Primárias e os seus jardins de vizinhança bem rodeados de habitação e sem tráfego de atravessamento entende como é bem possível respeitar esta condição.

. Desenvolvimento de espaços mistos (peões e veículos) agradáveis e atraentes ("amenity open spaces"), conjugando caminhos e acessos de veículos, áreas pavimentadas e ajardinadas, caracterizadamente multifuncionais e em favor do recreio livre e seguro das crianças. De certa forma e sinteticamente trata-se de fazer o espaço público residencial de vizinhança do habitar, no respeito dos seus condicionalismos próprios de durabilidade e de equilíbrio ambiental e paisagístico, mas caracterizados por uma amenidade e uma atractividade que estejam, claramente, ao serviço de um habitar o exterior, em segurança e com agrado, por todos os habitantes, sendo que as crianças são os habitantes mais exigentes. E atenção que a densificação obriga a cuidados específicos em termos de tipos de arranjos, durabilidade e gestão.

Referi no citado estudo do LNEC que o agrupamento de fogos sem ser em blocos contínuos e uniformes tem vantagens para a privacidade, para a redução do número de utentes por zona exterior equipada e para o consequente aumento da identificação com o sítio de residência.




Fig. 07: a Baixa de Coimbra


Mantenho esta ideia, mas clarifico-a sublinhando que a referência a “blocos contínuos e uniformes” corresponde às soluções em que se projectam edifícios repetidos e desligados dos seus sítios de implantação, enquanto, pelo contrário, é fundamental que a continuidade do edificado e a respectiva continuidade de espaços exteriores sejam projectadas em total integração. «Nada de mais, é assim que se deve fazer sempre!» - poderão comentar sobre este assunto; mas bem sabemos que entre o que se deve e o que se faz há grandes diferenças, e devemos ter a certeza que em qualquer caso e, muito mais, quando se pretende densificar um determinado conjunto, é essencial um projecto desenvolvido pormenorizadamente a três dimensões, que tanto configure, atraentemente, o edificado como formalize, adequada e amavelavelmente, os espaços livres que lhes são contíguos, uma opção que, por sinal, é também fundamental para se criarem espaços interiores e exteriores com melhores condições ambientais (insolação, ventilação, luz natural, resguardo acústico).

Finalmente, quando se densifica é essencial salvaguardar as questões de privacidade e, nestas, as relações com zonas pedonais são, habitualmente, críticas, devendo ser objecto de um cuidadoso projecto que assegure distâncias mínimas a vãos domésticos e a respectiva protecção, em termos de interposição de barreiras e de elementos de bloqueio da intrusão visual exterior.

Nestas questões de densidade é de grande importância considerar, por um lado, os aspectos de conforto ambiental e de microclima e, por outro lado, as questões ligadas à distância inter-pessoal, estudadas por Claude Lamure (6), pois muito de uma boa solução de densificação, ou muitos dos possíveis problemas com a densidade, têm a ver com uma dupla adequação: climática/ambiental, e social.

Para concluir, para já, esta breve reflexão sobre os aspectos de densificação urbana lembramos um interessante estudo de Bartolomeu Costa Cabral (7) onde este projectista verificou que a percentagem de ocupação da construção (8) é determinante para a definição do número de pisos. E este arquitecto, ao comparar as percentagens utilizadas em diversos empreendimentos realizados pela Federação das Caixas de Previdência durante os anos 60 com as que podem ser calculadas em zonas antigas, obteve valores muito diversos: 12 a 13% para as primeiras e 50 a 60% para as segundas.



Fig. 08, um pormenor do denso, agradavelmente contínuo e apropriável Bairro de Alvalade, Lisboa, urbanismo de Faria da Costa

Tomando isto em conta, Bartolomeu Costa Cabral continua o seu raciocínio considerando que todo o terreno livre tem de ter um destino definido e, assim, implica um custo que incide também sobre os fogos desenvolvidos; e conclui que um conjunto residencial será tanto mais económico quanto maior for o número de fogos e a sua percentagem de ocupação, valor este que, como refere Bartolomeu Costa Cabral, “tem de ser compatível com todas as necessidades de espaço livre”.

Um pouco mais à frente, no mesmo estudo (9), o autor aponta, referindo estudos ingleses, que “entrando apenas com certos «standards» de afastamento, as formas de maior «rendimento» são as de tipo páteo, seguindo-se as de tipo banda e por último a forma pontual, dado que permitem regressivamente maior percentagem de ocupação de solo.” E, logo a seguir, Bartolomeu Costa Cabral refere como aspectos limitativos da densificação as questões de estacionamento superficial, jogos e logradouro, “independentes das formas de agrupamento”.

Se nos lembramos que, na altura, havia uma forte limitação em todo este processo, por quase ausência de desenvolvimento de garagens subterrâneas de estacionamento, somos levados a concluir que há, hoje em dia, uma clara potencialidade de desenvolvimento de soluções densificadas, desde que aproveitando, e bem, os espaços e os equipamentos da cidade consolidada, cerzindo o espaço urbano e desde que tais soluções sejam feitas com uma qualidade arquitectónica verdadeiramente garantida, caso contrário nem vale a pena pensar em densificar pois os resultados podem ser verdadeiramente catastróficos; e o leitor acredite que não tenho quaisquer dúvidas nos benefícios potenciais d e uma cuidadosa densificação seja para uma cidade mais feliz seja para habitantes mais felizes, mas não podemos ter, neste caso, quaisquer dúvidas em termos da qualidade das intervenções pois há “em jogo” o bem-estar e mesmo a segurança de muitos habitantes e a viabilidade de partes estratégicas da cidade.

Para rematar, para já, esta matéria e lembrando a indicação de Bartolomeu Costa Cabral relativamente a soluções de agrupamentos residenciais densificados e com um significativo somatório de espaços de implantação de edifícios e de exteriores comuns ou privatizados, podemos afirmar que soluções deste tipo, para além de permitirem alturas baixas nos edifícios, com as vantagens acima apontadas, tornam praticamente obrigatório o tratamento dos exteriores (10), pois, afinal, acaba por sobrar “pouco” para o espaço público, e sendo pouco ele será quase obrigatoriamente bem tratado.

(1) Christian Norberg-Schulz, "Habiter", p. 55.
(2) Sidónio Pardal; P. Correia; M. Costa Lobo, "Normas Urbanísticas, Vol. II", p. 69.
(3) National Board of Urban Planning, "Bostadens Grannskap (Housing Environment), Recomendations for Planning".
(4) Greater London Council, "Low Rise High Density Housing Study".
(5) “Do bairro e da vizinhança à habitação”, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, ITA n.º 2.
(6) Claude Lamure ("Adaptation du Logement à la Vie Familiale", pp. 56 e 57) considera a seguinte tabela de distâncias interpessoais: íntima, de 0 a 0.50m; pessoal, de 0.50 a 1.25m, considerando-se que abaixo de 0.75m é possível agarrar alguém, simplesmente, estendendo-se os braços e que até 1.25m é sempre possível o apertar de mãos (cumprimento formal); social, de 1.25 a 3.50m, considerando-se que até 2.10m se situa a distância da conversa informal e da clara visibilidade da fisionomia dos parceiros de conversa, enquanto entre 2.10 e 3.50m de distância entre pessoas, as conversas tornam-se formais e a atenção abarca toda a silhueta humana e não especificamente a cara; e pública, acima de 3.50m; mas devendo, sempre, respeitar-se os limiares básicos de 1.25m (possibilidade de apertar mãos) e de 1.50m (2x0.75m), que é o limite de segurança mútua relativamente ao acto de agarrar o outro, estendendo os braços.
(7) Bartolomeu Costa Cabral, "Formas de Agrupamento de Habitação", pp. 18 a 20.
(8) Id. Ibid, p. 18 - “Percentagem de ocupação da construção: ou seja uma relação entre a soma das áreas de implantação dos diferentes edifícios e a área do terreno considerado.”
(9) Id. Ibid., pp.19 e 20.
(10) Claire e Michel Duplay, "Methode Ilustrée de Création Architecturale", p. 134.

Nota editorial: embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.



Infohabitar, Ano V, n.º 269
Lisboa, Encarnação – Olivais Norte,
26 de Outubro de 2009Edição de José Baptista Coelho

Label: habitação, habitação humanizada, cidade humanizada

domingo, outubro 18, 2009

268 - Vivências e vivendas III - Notas sobre casas e quem as sonha - Infohabitar 268

artigo de António Baptista Coelho
Infohabitar, Ano V, n.º 268

Como foi referido no primeiro artigo desta série a ideia de escrever sobre "a vivenda", em termos gerais, mas essencialmente sobre os aspectos de humanização do habitar suscitados pela ideia de "vivenda", decorreu, directamente, de um óptimo artigo de Miguel Esteves Cardoso, intitulado “Vivenda Boa Esperança” e que foi editado no jornal Público. (1)

Lembrei-me, depois, de associar às palavras a editar sobre este assunto, algumas ideias com as quais abri, há poucos anos, um estudo realizado, publicado e disponível no LNEC sobre o título “habitação humanizada” (2), para o qual se poderão dirigir aqueles que queiram aprofundar estas temáticas.
E foi assim que, ao longo de três artigos, se apontaram algumas notas numa primeira aproximação um pouco mais "solta" sobre estas matérias do que aquela que se apresenta no referido estudo.

Estamos, hoje em dia, confrontados com uma serena, mas profunda, revolução das formas de habitar e dos conteúdos vivenciáveis, que estão a marcar e irão estruturar este novo século das cidades; e isto enquanto ainda nos debatemos com problemas críticos em termos de falta de qualidade de vida e especificamente de uma vida urbana que ligue, como tem de ser, uma habitação e uma cidade que sejam positiva e intensamente habitadas.

E assim, enquanto confrontados com a impossibilidade de habitarmos a ficção ou a realidade virtual, aqueles que continuam a insistir em viver a cidade e as diversas cidades que nela se integram, têm a responsabilidade de resgatar, "reabilitar" e aprofundar, estrategicamente, a importância dos sonhos do habitar - e a referência à estratégia liga-se ao habitar a cidade; isto embora tais sonhos sejam bem difíceis, face à destruição que continua a desenvolver-se das paisagens urbanas e rurais.

Mas atenção que tais sonhos habitáveis têm, obrigatoriamente, de transbordar dos nossos mundos domésticos e chegarem e marcarem, positivamente, a cidade habitada das vizinhanças e dos eixos urbanos, só assim tais sonhos serão viáveis.


Fig. 01

E, tal como fica bem expresso no seguinte texto de Manuel Blanco, mesmo o novo reino tecnológico continua, felizmente, a conviver com testemunhos fortes de um habitar expressivamente humanizado.

“Uma construção simples numa aldeia francesa permitiu a Herzog & de Meuron destilar a essência da arquitectura doméstica (Casa Rudin, Leymen), … E uma prenda em forma de casa pequena do norteamericano Robert Venturi para a sua mãe converteu-se na imagem mais reproduzida das últimas décadas no mundo da arquitectura (Casa Vanna Venturi, Philadelphia)…

No mundo doméstico apreciamos mais a intimidade e voltamos, uma e outra vez, à imagem da casa dos nossos sonhos. Nos anos sessenta, Robert Venturi ... um telhado de duas águas, uma grande chaminé e uma entrada como se tivera sido desenhada por uma criança marcava um dos ícones culturais mais significativos da segunda metade deste século...

Nas águas convulsas do final do milénio, Herzog & de Meuron voltam a destilá-la simples e completa, e o arquétipo reaparece na Casa Rudin, de Leymen. Parece que procuramos a segurança do conhecido...

Mas em paralelo voltamos a ter o excesso, de novo, herdeiro de S. Simeon de Hearst, magistralmente retratado por Orson Wells em Citizen Kane. O poderio da Microsoft reflecte-se na nova casa (ou palácio?) do seu dono, que responde à nossa voz e aos nossos mais pequenos desejos como se fora a gruta de Ali Babá e o génio da lâmpada de qualquer conto encantado... reconhece os convidados, recorda as suas preferências, temperaturas favoritas e as suas vidas ou transporta-os navegando nos seus grandes écrans aos limites do hiperespaço. É uma casa que se ocupa das nossas necessidades, levando ao limite o conceito de edifício inteligente, onde o importante não é a sua arquitectura...

A possibilidade de um isolamento conectado pode modificar de forma importante a ocupação do território na nossa sociedade. O teletrabalho, o teleshopping, os acessos rápidos a produtos culturais ou de diversão e escapa e a necessidade de espaço – cada vez mais caro e restrito nas nossas cidades – podem produzir uma retorno a meios naturais e a uma arquitectura dispersa. Et in Arcadia ego (e eu na Arcádia) ... Uma versão idílica de um mundo feliz onde a arquitectura e o espectáculo se misturaram com os nossos sonhos, onde o poder dos meios de comunicação criou novas estrelas que vão transformando, com outros monumentos, a nossa paisagem quotidiana.” (3)

Temos, assim, múltiplas ferramentas e embora elas estejam por todo o lado, e tenham inegável utilidade, voltamos, julgo que, felizmente, "uma e outra vez, à imagem da casa dos nossos sonhos"; haverá, assim, ainda, esperança para esse sonho e para tudo aquilo que ele nos proporciona de uma qualidade de habitar muito para lá da simples satisfação funcional.



Fig. 02
E sobre este vital caminho do aprofundar doméstico e urbano dos desejáveis sonhos de habitar, é oportuno reflectir sobre duas frases de Josep Muntañola, a seguir transcritas de um excelente livro deste autor (4), e onde se apontam a potencialidade da poesia e o ponto focal estratégico do habitar como meio privilegiado de pensar a Arquitectura:

Diz Muntañola que, “tal como indica e muito bem Ch. Norberg-Schulz citando Heidegger, é justamente através da interelação entre o construir, o habitar e o pensar que a arquitectura pode ser poética... «A poesia é aquilo que primeiro liga o homem à terra e assim o introduz no habitar», assinala Heidegger a partir de uma poesia de Hölderlin.”

E Muntañola sublinha, ainda, que, segundo Heidegger, “a poesia estrutura a natureza do habitar... Poeticamente o homem habita... Mas a capacidade poética só é possível se o homem se apropria enquanto homem afável, com «coração» (afectivamente), e reconciliado com o seu próprio habitar (kindness em inglês, charis em grego).”

Teremos assim um objectivo de criação de um melhor habitar, mais humanizado, através de caminhos específicos de poesia/afectividade, apropriação e provavelmente empatia de quem habita relativamente a um espaço habitado e desejavelmente sonhado, seja directamente, seja através dos especialistas desse sonho e da procura e identificação dessas empatias. E este processo tem de ser muito especialmente positivo, "dialogante", mas relativamente "passivo", quer nos aspectos de adequação a cada habitante e família habitante, o que nos leva naturalmente para fundamentais características de adaptabilidade, seja nos aspectos ligados à atractividade e ao sentido urbano e cívico, também necessárias nas estruturas do habitar.

Sobre esta matéria que trata de harmonias muito difíceis, mas essenciais, entre um habitar doméstico e urbano positivamente humanizado e sonhado, por cada um, mas igualmente bem marcado pelo sentido cívico apontam-se mais algumas palavras de Norberg-Schulz, que nos ajudarão a encontrar os melhores caminhos nesta essencial plataforma entre qualidade arquitectónica e satisfação profunda de quem habita casa e cidade, uma plataforma em que é necessário encontrarmos uma Arquitectura que sonhe alto, mas com os pés bem na terra, que marque bons desenhos para as gerações futuras terem testemunhos efectivos do seu passado, mas que, nas casas que faz e nas cidades que compõe, seja, também, verdadeiramente amável, compreensiva e amiga dos sonhos dos habitantes, pois só assim a habitação e a cidade habitada cumprirão o seu fundamental interesse social.




Fig. 03

Escreveu, então, Norberg-Schulz:

“Tentei demonstrar que a existência do homem depende do estabelecimento de uma imagem ambiental significativa e coerente do “espaço existencial”. Também assinalei que tais imagens pressupõem a existência de certas estruturas ambientais(ou arquitectónicas) concretas, recusando admitir que esses princípios perdem significado por causa da televisão e demais meios de comunicação rápida.

Que devemos então pedir ao espaço arquitectónico para que o homem possa continuar a designar-se como humano? Em primeiro lugar devemos pedir uma estrutura representável que ofereça abundantes possibilidades de identificação.

A tarefa do arquitecto é ajudar o homem a encontrar um sítio existencial onde firmar-se, concretizando as suas imaginações e fantasias sonhadas. Os conceitos de casa, cidade e país são ainda válidos. Dão um estrutura ao novo entorno «aberto» e tornam possível que possamos ser cidadãos do mundo.” (5)

E afinal parece que tudo isto tem muito a ver com "o arquitecto", que deve "ajudar o homem a encontrar um sítio existencial onde firmar-se, concretizando as suas imaginações e fantasias sonhadas!"

E ficamos com uma magistral definição de arquitecto:

"O arquitecto é um ser que caminha sobre a espuma das paisagens
e vive encantado pelas sombras que sobrevivem à flor da relva exactamente
no lugar onde as outras pessoas nunca passam
perguntam os mestres no cruzamento das traves onde
descansa o arquitecto curiosamente maravilhados pelo silêncio
que se desprende das paredes
consumindo a casa toda a partir do traço exacto
que descai do tecto
em direcção ao corpo
da terra
...
eis o arquitecto debruçado sobre a mesa com a aflição
dos guerreiros
...
o arquitecto é o abismo que atormenta o sonho"

Foram palavras do poeta José António Gonçalves.
Notas:

(1) Miguel Esteves Cardoso, “Vivenda Boa Esperança”, Jornal Público, 16 de Setembro, 2009.
(2) António Baptista Coelho, Habitação Humanizada – TPI 46, LNEC, Lisboa, Julho de 2006, 577 p., 121 fig; e Habitação Humanizada: Uma apresentação geral – Memória 836, LNEC, Lisboa, 2007, 40 p., 19 fig.
(3) Manuel Blanco, “Arquitectura fin de siglo – El mayor espectáculo del mundo”, GEO, Esp. , n.º 162, 2000.
(4) Josep Muntañola, Poética y arquitectura, Barcelona, Editorial Anagrama, 1981, pp. 59 e 60.
(5) Christian Norberg-Schulz, Existencia, Espacio y Arquitectura, Barcelona, Editorial Blume, trad. Adrian Margarit, 1975, p. 135.


Nota editorial: embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.

Infohabitar Ano V, n.º 268
Lisboa, Encarnação – Olivais Norte
18 de Outubro de 2009
Edição de José Baptista Coelho

Label: habitação, habitação humanizada, arquitectura e satisfação habitacional

sábado, outubro 10, 2009

267 - Aplicações do Sistema Estrutural Tipo Árvore – SETA em programas funcionais com viés de interesse social - Infohabitar 267

Aplicações do Sistema Estrutural Tipo Árvore – SETA em programas funcionais com viés de interesse social: ocupação sustentável do uso em terrenos de difícil topografia

Artigo de Décio Gonçalves

Infohabitar, Ano V, n.º 267

Apresenta-se nesta edição do Infohabitar o artigo de um nosso novo colaborador da nossa revista o Doutor Décio Gonçalves que nos apresenta um tema inovador na concepção habitacional numa perspectiva de grande ligação entre os aspectos de concepção espacial e construtiva e com um impacto ambiental minimizado.

Damos as boas-vindas a este novo colega do Infohabitar, graduado em Engenharia mecânica e civil, Mestre e doutor em Arquitectura e Urbanismo, e esperamos que a temática por ele abordada possa ajudar no "velho" caminho do Grupo habitar, que sempre foi o de tornar a nossa revista, quer num espaço de divulgação plural, relativamente às muitas maneiras desejáveis no (re)pensar as temáticas da habitação e do habitar, quer num fórum cada vez mais alargado de encontro e discussão por parte dos muitos colegas do espaço da lusofonia, e neste caso, numa contribuição directamente enquadrada pela excelente FAUUSP.

Décio Gonçalves, é doutorado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAUUSP, São Paulo – São Paulo, e-mail: dg@usp.br

No final do artigo anexa-se uma breve resenha curricular.

O editor do Infohabitar
António Baptista Coelho
Aplicações do Sistema Estrutural Tipo Árvore – SETA em programas funcionais com viés de interesse social: ocupação sustentável do uso em terrenos de difícil topografia

Artigo de Décio Gonçalves


Resumo
As Habitações de Interesse Social – HIS quando consideradas de forma conceitual e objetiva são destinadas às camadas da população de baixo poder aquisitivo. Lamentavelmente, nas grandes cidades brasileiras prevalece a improvisação, convivendo com um certo descaso da sociedade como um todo. O tema deve envolver e ser permeado por uma nova aproximação conceitual que privilegie uma cultura de valores voltada para conciliar avanço tecnológico e exercício da cidadania, ou seja, todo cidadão tem o direito a morar e viver com dignidade.

Este é o propósito do SETA, chamar a atenção para o tema, e de forma concreta, sugerir uma alternativa singular de concepção projetual e construtiva. O SETA tem esta pretensão, pondo à discussão uma resolução possível para se pensar e construir artefatos arquitetônicos com características diferenciadas, empregando material madeira, legal e certificada, de forma ecológica e sustentável. Este sistema estrutural modular e pré-fabricado necessita de apenas três pontos de apoio no solo, causando um mínimo impacto ao ambiente, requerendo exíguo espaço para canteiro de obras, reduzido número de equipamento e pessoal para o sistema de montagem, sendo que o prazo estimado para sua implantação é de 90 a 120 dias.


Abstract
Social Interest Housings - SIH, just thought in objective and conceptual contexts, are destined for the low-income people. Unfortunately, in the big Brazilian cities, prevails the improvisation of thinking about it, in a whole sense. The central theme has to involve and to be permeated with a new conceptual approach that privileges a valuable culture having the concern to put together technological advance and citizenship exercise, in other words, each citizen has the right to dwell and live in dignity. This is the purpose of the structural system, named SETA, to pay attention to the SIH issues, and in concrete way, to suggest a singular alternative of projetual and construction conceptions.
SETA has this intention as well, to put it right at possible resolution to think and construct architectonic artifacts with differential characteristics, using the legal and certificated wood material, in ecological and sustainable ways. This modular and prefabricated structural system needs only three support points on the soil, causing minimal impact to the environment, requires short space for the working area, reduced number of equipments and tools for the assembly system and the estimated time for its implementation is 90 to 120 days approximately.
Keywords: magazine, wood, architecture, engineering, structural system, social interest housings, citizenship exercise, hard topography lands.


1. Introdução

A realidade da ocupação urbana no Brasil, no que se refere às Habitações de Interesse Social – HIS reflete a tendência acentuada de localizar-se no entorno das grandes cidades em terrenos considerados difíceis (região de morros).
Sua característica predominante é alojar uma população de menor poder aquisitivo e carente de informações para reivindicar seus próprios direitos. Histórica e culturalmente resta a esta população os piores terrenos, devido aos seus parcos recursos financeiros e técnicos para construção de moradias.

Ainda que, a criação do Estatuto da Cidade em 2001 no Brasil tenha dado um alento à questão, constata-se que a maior parte dos empreendimentos para HIS carece de mínimas qualidades projetuais aceitáveis, nos seus mais variados aspectos, tais como: interferência no ambiente inadequada, flexibilidade e personalização projetual inexistentes, total falta de sintonia com os anseios e necessidades dos usuários.

Estas edificações são constituídas basicamente por três tipos de habitações: 1) simples barracos em favelas alocados nas encostas, em áreas invadidas sujeitas à desocupação judicial; 2) casas humildes desprovidas de um mínimo conforto, executadas pelo processo de autoconstrução, nos loteamentos ditos populares; 3) habitações uni ou multifamiliares construídas através de programas habitacionais com a participação do Estado. Via de regra, neste último tipo, de forma exemplar, os projetos arquitetônicos, pensados para implantações em terraplanos, são reutilizados ipse literis em terrenos ditos difíceis, acarretando desastres de grandes proporções, ocasionando prejuízos financeiros, além de irreparáveis perdas humanas.






Figura 1 – Desastre em encosta – Fonte: Farah (2003) (1)

Dentro deste panorama, seria redundante relatar o número crescente e alarmante de acidentes gerados a partir deste procedimento, causando, entre outros: 1) desastres nas encostas; 2) presença de solos erodidos, resultando assoreamento de fundos de vales e várzeas, criando assim, condições favoráveis de inundações nas baixadas.

A “entrega das chaves” passou a ser um simples ato sem nenhum comprometimento com as obrigações inerentes em relação aos usuários destas habitações. Esta “entrega” deve ser precedida pela interação de uma equipe multidisciplinar de suporte aos usuários, como: médicos (as), assistentes sociais, psicólogos (as), sanitaristas, técnicos (as) em construção e manutenção do artefato arquitetônico, entre outros. Além do mais, deve ser seguido de acompanhamento técnico através de avaliação da pós-ocupação – APO, eficiente e constante, tudo isto, visando às questões essenciais e primordiais, ou seja, a segurança e o bem estar destes usuários.
Este artigo propõe, como um objetivo geral, uma abordagem alternativa para este tema, que leva em consideração a concepção projetual de um programa funcional para HIS, que ausculte a necessidade, a vontade e o desejo do usuário; feita através da proposição do emprego de um sistema estrutural que utiliza um material renovável, como a madeira legal e certificada, portanto extraída de modo sustentável.

2. Metodologia

Definido o tema do SETA (sistema estrutural tipo árvore), foram iniciados experimentos no laboratório do LAME/FAUUSP para a resolução da questão proposta, através da elaboração de uma maquete inicial (sem preocupações dimensionais, apenas tendo o foco da configuração espacial que atendesse hipóteses e condicionantes colocadas). Concluída esta fase, partiu-se para a análise inicial do projeto estrutural, onde foram determinadas as dimensões dos elementos estruturais relevantes, como também verificada a estabilidade geral do sistema estrutural, e em seguida, elaboradas as respectivas representações gráficas.

Estabelecidas as dimensões básicas, foi confeccionada uma maquete final (baseada na inicial que já havia definida a configuração espacial do sistema estrutural) na escala 1:50, com varetas de plástico de quatro milímetros de diâmetro - que se aproximou da realidade dos cálculos estruturais estabelecidos nesta análise inicial: quatorze centímetros para a primeira laje e quinze para as demais lajes, inclusive a da cobertura (fig. 5).
A seguir, foram elaboradas maquetes específicas de elementos estruturais relevantes como o módulo, onde aparece o pilar, dito “diamante” de apoio [DA], a treliça espacial [TE] e demais elementos (fig. 3), bem como uma maquete na escala 1:25 de uma Residência unifamiliar (fig. 4)
.


Também, foi executada uma ligação metálica [LM], em plástico, na escala 1:10 para se ter uma ideia espacial da resolução de um elemento estrutural essencial ao sistema, onde são alojadas vinte e quatro barras em uma só ligação (as dimensões das [LM]s e os demais elementos constituintes faltantes, serão definidas na análise final) (fig. 6).

Estão previstos testes de laboratório com maquetes já com o material madeira e suas ligações metálicas em escalas convenientes, tomando-se como pressupostos teóricos, o texto do Professor Lobo Carneiro (1993) (2) da UFRJ, que trata da “análise dimensional e da teoria da semelhança e dos modelos físicos”. Neste estágio, prevê-se que os cálculos estruturais estejam concluídos em nível de análise final.

Para a realização destes eventos, estão sendo mantidos contatos com a Escola Politécnica da USP – EPUSP/LEM e Agência de Inovação da USP, pensando-se em um possível Pós-Doutorado, assim como, a construção de um protótipo através da parceria privada e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP, via Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica - PITE.
3. Características do seta: especificidades que potencializam o seu uso para HIS



Figura 2 – Concepção dos pilares: Obra: Sagrada Família – Fonte: INSTITUTO TOMIE OHTAKE (2004) (3)

3.1Concepção projetual

O projeto do SETA foi pensado segundo abordagem que privilegiou uma Arquitetura que tivesse sérias preocupações com a Natureza, sua preservação e que causasse o mínimo impacto ao ambiente. Para tal, tornou-se fundamental a escolha de um sistema construtivo que atendesse tais requisitos, a começar por ter poucos pontos de contato com o solo, fosse um sistema modular, pré-fabricado, dotado de racionalidade construtiva, e empregasse um material renovável no seu elemento constituinte mais relevante (a estrutura), e também, confortável ao tato. Ao mesmo tempo, exigisse o menor dispêndio de energia para o seu processamento, recaindo a escolha na madeira legal e certificada (entendida como de origem legal e com certificação pelo IBAMA, através de selo verde, atendendo as normas do FSC – Conselho de Manejo Florestal).

Colocadas todas estas hipóteses e condicionantes, além de outras, o sistema estrutural ideal escolhido foi o que remeteu a imagem metafórica da árvore, fazendo-se alusão à obra do Arquiteto catalão Antoni Gaudí, na obra Sagrada Família, em Barcelona na Espanha.

Outra característica projetual relevante é a questão dos aspectos bioclimáticos envolvidos na concepção deste sistema estrutural, entre outros, a aeração natural, que em função das características específicas (vazios) do sistema estrutural projetado. Este sistema é composto por planos de laje [PL] com envergaduras superiores a 30 m (fig. 5), sustentados por três pilares, “diamantes” de apoio [DA], caracterizando as três treliças espaciais [TE], que ligam estes “diamantes”, resultando assim a aeração natural, tanto no aspecto da ventilação cruzada [1], quanto do efeito “chaminé” [2] (fig. 3).




Figura 3 – Módulo do SETA na escala 1:25 – Foto do LAMEM/FAUUSP – (setembro de 2007)


3.2 Caracterização da Tecnologia

Função da Tecnologia

O SETA é uma estrutura espacial que possui um design diferenciado das estruturas normalmente utilizadas. Ela tem por principais características ser modularizada, ser feita em madeira e poder ser implantada em terrenos de declividade variada.

O fato de a estrutura ser modular possibilita a otimização do processo de montagem de mega-estruturas, pois requer espaços exíguos no canteiro de obras, redução da mão de obra não especializada e não há a necessidade de uso de equipamentos pesados. O desenho desse sistema estrutural é singelo por possuir estruturas de sustentação e nós (I) particulares, além de possibilitar a aplicação da estrutura em terrenos de alturas variadas, já que as colunas ajustam-se em função de diferentes declividades do solo, como mostrado na fig. 4.




Figura 4 – Detalhes de modelo de construção utilizando SETA – Fonte: foto do autor (2007)

Figura 5 – Maquete na escala 1:50 da concepção do sistema estrutural – Fonte: foto do autor (2009)



Figura 6 – Maquete de uma ligação metálica na escala 1:10 – Fonte: foto do autor (dezembro de 2007)



Figura 7 – Maquete digitalizada pelo Engenheiro Marcos Monteiro, autor do projeto estrutural, em nível de análise inicial (2005)

As ligações metálicas [LM] (fig. 6) transladam os esforços nas barras, de maneira a simular, as fibras dos componentes de uma árvore (no caso da árvore, nós rígidos, enquanto que, nas treliças espaciais, nós articulados). Desta forma, possibilitam que estes esforços sejam contínuos ao longo da estrutura, resultando em reduções das dimensões das peças, trazendo como conseqüência, uma esbelteza das formas da estrutura (os comprimentos das peças de madeira são no máximo de quatro metros, para compatibilizar com os comprimentos das carrocerias usuais de caminhões).


Estas ligações apresentam-se como um dos elementos constituintes do SETA de maior relevância na função desta tecnologia, pois tornam possível uma configuração espacial do sistema estrutural agradável ao olhar e essencialmente lógica.

Esta constatação pode ser notada na fig. 7, uma maquete digitalizada deste sistema estrutural, resultado de um pensar sob o enfoque da aparência orgânica da árvore, de forma metafórica, apresentando nuanças plásticas das mais variadas de: leveza, fluidez e ritmo, isto graças a sua concepção, permeada de racionalidade e simplicidade projetual e construtiva.


3.3 Maquetes físicas e modelos reduzidos
As maquetes físicas (ou simplesmente maquetes, a menos que se refira neste artigo às digitalizadas) e os modelos reduzidos foram desenvolvidos em escalas convenientes, com dimensões já definidas em projeto estrutural, em nível de análise inicial, resultando a estabilização geral do sistema. As dimensões dos elementos principais da estrutura foram calculadas pelo Engenheiro e Professor da E. E. MAUÁ/SP, e titular da firma PLANEAR ENGENHARIA, Marcos Monteiro, através do software MIX, nacional, desenvolvido pelo Engenheiro Sérgio Pinheiros de Medeiros, com larga aceitação nos escritórios de projetos estruturais, e segundo a NBR 7190 de agosto de 1997 – Projeto de estruturas de madeira (1997) (4).

Cabe aqui uma abordagem, ainda que rápida, devido ao próprio propósito do artigo, das especificidades complexas que envolvem trabalhar-se com modelos físicos com finalidades de aferições de propriedades físicas em testes de laboratório.
Recorre-se ao Professor Lobo Carneiro como suporte teórico para esclarecer boa parte desta complexidade que envolvem aspectos relacionados à modelagem, suas interações, similitudes ou mesmo desvios quanto aos resultados definidos em cálculo que pressupõe a aplicação da escala 1:1. Iniciando com o conceito fundamental, o da homogeneidade dimensional. Lobo Carneiro acentua que: “O princípio da homogeneidade dimensional consiste em que toda equação que exprima uma lei física ou descreva um processo físico deve ser homogênea, relativamente a cada grandeza de base. Desse modo, essa equação continuará válida, se forem mudadas as magnitudes das unidades fundamentais”.

Segundo este Professor, quando se trata de análise dimensional, “adota-se comumente a forma explícita em que uma das variáveis, a variável dependente, é a incógnita do problema”. Enfatiza, também em seu texto que, mesmo que a análise dimensional seja incapaz de descobrir a formulação completa da lei física, ele provê indicações valiosas “sobre combinações dos parâmetros envolvidos, de modo a reduzir o número de variáveis a incluir nas equações”. Continuando, afirma que “se dois processos físicos são semelhantes, é possível prever o comportamento de um deles quando é conhecido o comportamento do outro”. Lobo Carneiro vai mais além, quando escreve: “Na experimentação por meio de modelos, os dois processos físicos semelhantes são o protótipo e seu modelo; neste caso, utiliza-se o modelo por ser mais fácil ensaiá-lo em laboratório do que ensaiar diretamente o protótipo”. De seu texto apreende-se, também que, a primeira condição para esta abordagem, é a semelhança geométrica, apesar de não ser esta em si suficiente, pois “um modelo não é simples maquete”.

No desenvolvimento do SETA, foi executada uma maquete na escala 1:25 como prova, entre outras, da possibilidade do sistema atender diversos programas funcionais, no caso, uma Residência unifamiliar de 385 m2 (fig. 4), com a resolução de vedos internos e externos em dry-wall.

Neste estudo de caso foram empregados beirais de 1,20 m que protegem a estrutura das intempéries de forma adequada, pisos (internos: tábuas largas, e externos: placas moduladas de concreto leve), fechamentos com caixilhos de madeira em vidro e venezianas, e trama geométrica estrutural de 1,20 m na forma de triângulo equilátero, entre outros.
O SETA remete através das ramificações verticais sucessivas, a imagem da aparência orgânica da árvore, possibilitando atingir-se, sob o enfoque de uma abordagem nova, em que:

. Cargas horizontais provenientes primordialmente dos ventos sejam estabilizadas pelo conjunto de treliças espaciais dispostas segundo um triângulo equilátero, portando os esforços escoam ao longo dos lados desse triângulo;
. Grandes vãos (superiores a 12 m) entre pilares, adequados a suportar estruturas de porte.

Além destas características que o diferenciam, segundo Dias (2008) (5): “O SETA tem um grande potencial de gerar recursos no mercado de créditos de carbono, e ser registrado como uma tecnologia limpa na Organização das Nações Unidas - ONU, uma vez que a utilização de madeira na construção é uma garantia efetiva de sequestro de carbono pelas plantas”.

Resultou deste projeto, o Pedido de Patente depositado junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial - INPI sob no P.I. 0.600.454-7 com o título “SISTEMA ESTRUTURAL MODULAR TIPO ÁRVORE”, em 27/01/2006, do qual a Universidade de São Paulo - USP figura como Titular.

Também desenvolveu-se, uma Tese de Doutorado (defesa em 12/12/2007) na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP - FAUUSP sob a orientação do Arquiteto, Professor e Doutor Arnaldo Antonio Martino, cujo título é “SISTEMA ESTRUTURAL TRELIÇADO MODULAR EM MADEIRA – SET 2M.

A par desse fato, o referido Projeto foi encaminhado pela Agência de Inovação da USP para a sua inserção no Programa de Investigação do Estado de São Paulo – PIT/SP, sendo que o Relatório de Investigação da Tecnologia foi concluído em setembro de 2007.

O mesmo sistema foi premiado em Concurso Público Federal pelo Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CONFEA, sendo a certificação ocorrida durante o WORLD ENGINNER’S CONVENTION 2008 – WEC 2008
(2-6 dezembro de 2008). A segunda parte do prêmio prevê a participação em evento correlato no território nacional em 2009 (o autor optou pelo CTHab´ 2009, a realizar-se na cidade de Florianópolis, em novembro).


3.4 Representações gráficas do SETA – Programa funcional HIS

Esclarece-se que, na banca de Qualificação da Tese do autor, realizada com a presença dos Arquitetos Arnaldo A. Martino (orientador) e Marcos Acayaba, ambos da FAUUSP, e do Engenheiro Nilson Franco do IPT/SP, foi recomendada à elaboração de provas com programas funcionais, pois a concepção em si do sistema proposto atendia aspectos da área da Engenharia, enquanto elemento essencialmente estrutural, mas não caracterizava o viés de Arquitetura, com toda a tensão que o termo carrega, além do que, o Doutorado era em Arquitetura.

Para tornar factível essa demanda foram pensados cinco estudos de casos: 1) Estudo de caso I: “Residência unifamiliar” com dois pavimentos mais a cobertura, com área construída de 385,70 m2 (fig. 7); 2) Estudo de caso II: “Residência multifamiliar” com dois pavimentos mais a cobertura, área construída 815,70 m2; 3) Estudo de caso III: ”Pousada” com dois pavimentos mais a cobertura, área construída de 815,70 m2; 4) Estudo de caso IV: “Residência unifamiliar térrea II”, com um pavimento mais a cobertura, área construída de 192,80 m2 e 5) Estudo de caso V: “Residência unifamiliar térrea I” com um pavimento mais a cobertura, área construída de 188,90 m2.

Para contextualizar este artigo, foi escolhido o Estudo de caso II, acrescentando-se mais um pavimento para comportar maior aproveitamento de células habitacionais (nove no total), fazendo com que sua área total atinja algo em torno de 1.200,00 m2 (áreas: úteis + comuns). Esta decisão foi em função de sua interface com o tema das Habitações de Interesse Social – HIS, tão caro às Universidades de Arquitetura e Engenharia.

A seguir, seguem algumas pranchas digitalizadas do projeto arquitetônico, enquanto Estudo de caso II, contendo dois pavimentos tipos mais a cobertura (a Residência multifamiliar – para HIS, foco deste artigo, prevê três pavimentos mais a cobertura, sendo que o pavimento tipo é comum a ambos os estudos de casos):


Figura - 8


Figura - 9


Figura – 10


3.5 Maquetes do SETA do programa funcional: Residência multifamiliar para HIS
Foram confeccionadas duas maquetes para este programa funcional (fig. 11): à esquerda, um SETA (módulo estrutural) com três pavimentos mais a cobertura na escala 1:100 e à direita, uma implantação com três SETA´s na escala 1:1000.


Figura 11 - Maquetes das HIS – Fonte: Foto do autor (Junho 2009)


4.Madeira legal e certificada: de uso predominante no SETA
O material empregado no SETA é a madeira legal e certificada (além dela, apenas o aço está presente, pois constitui as ligações metálicas) proveniente de reserva renovável, sendo que sua produção contribui para a melhoria ambiental, além de ser, um material orgânico, agradável ao tato e confortável ao ser humano.

As florestas, das quais provêm à madeira, sequestram o gás carbônico durante a noite e o devolvem durante o dia na forma de oxigênio, minimizando as conseqüências danosas ao meio ambiente do efeito estufa (aquecimento da temperatura da crosta da Terra com o passar do tempo devido, prioritariamente, às atividades humanas desordenadas).

A madeira é provida de qualidades de excelência para construções civis, dotada de características únicas de aplicabilidade, pela sua facilidade de manuseio e alto índice de trabalhabilidade, apresentando, apesar de sua densidade diminuta em relação a outros materiais, grande resistência mecânica.

Embora suscetível ao apodrecimento e ao ataque de organismos em circunstâncias específicas, a madeira tem sua durabilidade natural prolongada quando previamente tratada com substâncias preservativas.

Deve ser salientada, neste ponto, a relevância do projeto estrutural ser desenvolvido de modo a serem previstos detalhes construtivos que garantam maior durabilidade do material empregado, evitando-se a exposição excessiva aos raios solares e à chuva.

Com relação à resistência ao fogo, apesar da madeira ser considerado um material inflamável, quando apresenta dimensões superiores a 25 mm ela é mais lentamente consumida pelo fogo. Isto ocorre porque, quando o fogo atinge a madeira destrói rapidamente a superfície, formando uma fina camada de compostos resistentes ao fogo que retarda sua propagação em direção ao interior da peça, fazendo também com que o incêndio perca velocidade.

Com relação à tecnologia em si, na etapa de projeto já é possível visualizar uma vantagem do sistema, pois seu design favorece a distribuição de esforços, de forma a diminuir o número de apoios necessários. Além disso, ainda nesta etapa, na realização dos cálculos estruturais verifica-se que a estrutura possui menor peso, o que acarreta em fundações menos robustas.

Como se pôde ver, até então a tecnologia, além de uma inovação de produto pode ser observada como uma inovação de processo, dado que este processo de montagem é muito particular frente o das tecnologias similares. Em comparação ao processo padrão realizado pelas tecnologias similares, a mesma requer pouco espaço no canteiro de obras, isso porque os módulos da estrutura podem ser transportados em pallets (II), o que ocupa menos espaço no veículo de carga.

A quantidade de mão de obra não especializada (operários) pode ser diminuída. Contudo, faz-se necessário ao menos um profissional carpinteiro no canteiro de obras. A quantidade de equipamentos no canteiro de obras também é reduzida, dado o menor peso da estrutura, o que exclui a necessidade de tratores e máquinas de içamento pesadas, sendo necessária apenas uma pequena grua (guindaste menor, mais simples).

Além disto, a madeira possui grande flexibilidade ao meio ambiente, apresentando possibilidades de aproveitamento, com perda irrelevante de material nas reformas e ampliações, além de um fator altamente relevante - a baixa demanda de quantidade de energia para a sua extração e processamento quando comparado a outros materiais. Segundo o Arquiteto Murcutt (2003) (6):

Nós estamos caminhando para um ponto no qual, dentro de vinte e cinco anos, onde tudo o que projetarmos, terá que ser pensado em termos de seu impacto sobre o meio ambiente. Necessita-se de 1 (um) quilojoule para produzir 1 (um) quilograma de madeira serrada e, 5 (cinco) quilojoules para uma madeira trabalhada (como por exemplo, uma cadeira). Necessita-se de quarenta e dois quilojoules para produzir 1 (um) quilograma de aço e 140 kg (cento e quarenta), para produzir 1kg de alumínio.
Apesar de todas estas especificidades que fazem da madeira um excelente material nas construções civis, seu emprego no Brasil é pífio, em relações aos países ditos desenvolvidos.

Para se ter uma noção do emprego racional da madeira, segundo Freitas (1982) (7) em termos construtivos, comparativamente em relação à situação das construções em madeira no Brasil e no mundo, por exemplo, nos EUA e Canadá, 90% das habitações isoladas são construídas em madeira. No Japão, (1986) (8), conforme pesquisa, 77,4% do total de unidades habitacionais foram construídas com estrutura de madeira. Para o mesmo ano, 81,5% das novas unidades de casas isoladas e geminadas foram construídas em madeira.

5. Conclusões
Pelo exposto, tem-se a pretensão de afirmar que o SETA se apresenta como uma interessante alternativa para aplicação na temática que envolve as HIS. Esta suposição se fundamenta nas características projetuais singulares, na relação custo benefício adequada, bastando lembrar que em se aplicando o conceito Rendimento estrutural da construção (R), definido pela relação: área construída (m2) por material madeira empregado (m3), (R) é da ordem de 14,50. Isto significa que são necessários apenas 1 m3 de madeira para se obter 14,50 m2 de área construída.

O SETA tem especificidades singulares para se pensar em HIS de forma racional e ecológica, competindo em condições, no mínimo, em pé de igualdade com os materiais usuais de mercado: concreto armado, concreto protendido, aço, entre outros. Foram aferidos custos por m2 de estrutura (material + mão de obra): madeira = R$ 363,23 e o aço = R$ 353,70 (levantamento de junho de 2007). Estes valores mostraram-se compatíveis, apesar do preço do aço já se encontrar nos dias atuais em patamar de economia de escala, o que ainda infelizmente não ocorre com a madeira, quando considerada para uso em sistemas estruturais.

Deve-se também considerar neste processo, todo o envolvimento de fatores ecológicos, bem como a inserção do artefato arquitetônico no solo, se verificar através de somente três pontos de apoio. As montagens dos elementos constituintes do SETA processam-se através da utilização de: 1) recursos simples, exigindo equipamentos e ferramentais disponibilizados correntemente no mercado da construção civil; 2) equipe composta por um número reduzido de pessoal; 3) prazo de execução exíguo (da ordem de 90 a 120 dias), devido às suas características projetuais de concepção e de construção.

Possibilita o completo reuso da estrutura em outros locais, dependendo das conveniências pública ou privada, com exceção dos elementos de concreto fixados no solo. Salienta-se, também, que o SETA, insere-se no conceito que para se pensar e construir uma obra de qualidade com baixo custo de construção deve-se introduzir altos níveis de racionalidade e criatividade na concepção do espaço e da construção.


6. Notas

(I) Nó é um elemento da construção que tem por função reunir e fixar os componentes longitudinais da estrutura (as arestas).
(II) Pallet é um estrado de madeira, metal ou plástico que é utilizado para movimentação de cargas. A função do pallet é otimizar o transporte de cargas, que é conseguido através da empilhadeira e a paleteira.


7. Referências bibliográficas

(1) FARAH, Flavio (2003). HABITAÇÃO E ENCOSTAS. São Paulo: Publicação Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT/SP, São Paulo.
(2) LOBO CARNEIRO, (1993), Fernando. Análise Dimensional e Teoria da Semelhança e dos Modelos Físicos. 2a. Edição, Editora UFRJ, Rio de Janeiro.
(3) INSTITUTO TOMIE OHTAKE (Org), 2004. GAUDÍ: A PROCURA DA FORMA. Instituto Tomie Ohtake. São Paulo.
(4) NBR 7190 (1997). Projeto de estruturas de madeira. Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, Rio de Janeiro.
(5) DIAS, Susana (2008) SETA – tecnologia que une chance de lucro e preocupação socioambiental. In: Revista CONECTA da ciência ao mercado, Programa de Investigação Tecnológica – PIT/SP, São Paulo.
(6) MURCUTT, Glenn (2003). A dialogue with editor: interview. GA Global Architecture –houses. Tokyo, n.75, p.8-15.
(7) FREITAS, A.R. de (1982). Potencial de utilização de madeiras em construções. In: ENCONTRO BRASILEIRO EM PRESERVAÇÃO DE MADEIRAS. São Paulo, Anais... São Paulo: ABPM.
(8) JAPAN, Ministry of Construction (1986). Housing in Japan '86. Tokyo: Ministry of Construction.

8. Bibliografia básica
(1) CARNEIRO, Fernando L. (1980). Galileo e a Teoria da Semelhança Física. Seminário Internacional 350 Anos dos Discorsi Intorno a Due Nuove Scienze, de Galileu Galilei, São Paulo, Marco-Zero e COPPE/UFRJ.
(2) LANGHAAR, H.L. (1965). Dimensional Analysis and Theory of Models. New York, Johs Wiley & Sons.
(3) NATTERER, Julius. (1998). Construire en bois II. Lausanne, Suisse, Presses Polytechniques et universitaires.
(4) OTTO, Frei. (1985). Architecture et BIONIQUE: constructions naturelles. Éditions Delta & Spes.
(5) PALÁCIOS, J. (1960). Analyse Dimensionale. 1a. Ed. Paris. Guthier-Villars.
(6) PFEIL, Walter; Michèle. (2003). Estruturas de Madeira. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC.
(7) REBELLO, Yopanan Conrado Pereira. (2000). A Concepção Estrutural e a Arquitetura. São Paulo: Zigureta.
(8) VASCONCELOS, Augusto Carlos de. (2000). Estruturas da Natureza: Um estudo da interface entre Biologia e Engenharia. São Paulo.

Resenha curricular:
Décio Gonçalves é graduado em Engenharia Mecânica pelo Instituto Mauá de Tecnologia (1966) e tem também uma graduação em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia Armando Álvares Penteado (1976).
É Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Instituto Presbiteriano Mackenzie (2002) e Doutor em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - USP com a tese "Sistema estrutural treliçado modular em madeira - SET 2M" (dezembro/2007).
Este sistema estrutural recebeu registro de patente junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial - INPI, sendo a USP titular do invento, com o título "Sistema estrutural tipo árvore - SETA". O mesmo sistema foi premiado em novembro de 2008 pelo Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - CONFEA na área de Engenharia para produtos patenteados ou patenteáveis com viés inovativo.

O autor é consultor em Engenharia e Arquitetura de projetos arquitetônicos e execuções de obras civis de pequeno, médio e grande porte, pesquisador nas áreas de Arquitetura e Engenharia, especificamente na adequação do SETA aos diversos programas funcionais arquitetônicos entre os quais se destacam: residências uni e multifuncionais, shoppings centers, centros de pesquisa, centros de convivência , entre outros, programas estes, de carácter público ou privado. Salienta-se que a adequação do SETA aos diversos programas funcionais apresenta uma interface bem definida com questões recorrentes relacionadas aos interesses sociais.


Infohabitar, Ano V, n.º 267
Lisboa, Encarnação – Olivais Norte, 11 de Outubro de 2009
Edição de António Baptista Coelho
Pubicado por José Baptista Coelho