sábado, janeiro 22, 2011

330 - Lançamento do livro ENERGIA SOLAR PASSIVA e novo artigo "Os outros sítios que habitamos, além da nossa casa" - Infohabitar 330

Infohabitar, Ano VII, n.º 330A presente edição do Infohabitar está estruturada em duas partes:

Uma primeira parte em que se convidam os leitores para a 20.ª Sessão Técnica do Grupo Habitar, que integra o lançamento do livro ENERGIA SOLAR PASSIVA e uma conferência sobre este tema, tão actual.

E uma segunda parte em que se edita um novo artigo da Série habitar e viver melhor, o n.º X desta série, intitulado "Os outros sítios que habitamos, além da nossa casa".


Lançamento do livro ENERGIA SOLAR PASSIVA e conferência sobre o tema na Biblioteca do LNEC, em Lisboa, pelas 15h.00 da próxima Quinta-feira dia 27 de Janeiro.
Na presente edição o Infohabitar volta a sublinhar o grande interesse do próximo lançamento, com conferência de apresentação, do livro do Arq.º Francisco Moita, intitulado " ENERGIA SOLAR PASSIVA", que decorrerá, na próxima Quinta-feira dia 27 de Janeiro, pelas 15h 00, numa sessão técnica na Biblioteca do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

Esta sessão técnica contará com intervenções de investigadores e técnicos do LNEC, da Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e do Grupo Habitar, salientando-se a apresentação da obra pelo Investigador do LNEC, Eng.º Pina dos Santos, a intervenção do Eng.º João Bernardo, Director do Serviço de Energias Renováveis, da DGEG e, naturalmente, uma palestra, sobre a temática da energia solar passiva, assegurada por Francisco Moita, autor da obra agora lançada.

Esta obra, agora numa 2ª edição revista e actualizada, vem preencher a lacuna deixada pela sua 1ª edição (ed. INCM, 1987), esgotada logo após o seu lançamento em 1987 e sempre procurada.

Salienta-se que esta iniciativa, que é de entrada livre, não obrigando a inscrição prévia (embora naturalmente limitada à lotação da sala), corresponde à 20.ª Sessão Técnica do Grupo Habitar, conta com o apoio do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU) do LNEC e integra-se num conjunto de iniciativas com as quais o LNEC pretende dinamizar e diversificar a utilização da sua Biblioteca.

António Baptista Coelho
Editor Infohabitar, Pres. Dir. Grupo Habitar, Chefe do NAU do LNEC



Fig. 01: capa do livro do Arq.º Francisco Moita, "ENERGIA SOLAR PASSIVA"


O Livro: breve sínteseO livro ENERGIA SOLAR PASSIVA demonstra como a Natureza, neste caso o Sol – a principal fonte de energia na Terra! - pode ajudar a reduzir as necessidades energéticas diárias dos edifícios, permitindo o pleno desempenho das suas múltiplas funções.

A Primeira Parte deste livro apresenta ao leitor, os processos térmicos, as regras de construção e as tecnologias solar passivas mais adequadas para o nosso clima, a aplicar nos edifícios, com vista à optimização do conforto higrotérmico e ao mínimo consumo de energia.

A Segunda Parte expõe, através de vários exemplos, um método simplificado de cálculo do contributo da energia solar passiva no aquecimento dos edifícios, a que o leitor, mesmo sem conhecimentos muito aprofundados, pode recorrer num acto de consulta prática e expedita.

Este livro tem o patrocínio da Direcção Geral de Energia e Geologia.

O AutorFrancisco Filipe de Oliveira Moita concluiu o curso de Arquitectura (Dipl. Ing. Architekt) na Universidade de Stuttgart - RFA, em 1976, onde exerceu actividade profissional até 1978, tendo-se especializado no domínio da Arquitectura Bioclimática e Energeticamente Eficiente.
Exerceu a actividade docente na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa nas cadeiras de Planeamento Urbano e de Projecto de Arquitectura de 1978 até 1992.

Ao longo das últimas três décadas, tem sido um divulgador da Arquitectura Solar Passiva e da Eficiência Energética nos Edifícios, através da realização de vários artigos técnicos e de diversas conferências e cursos de formação sobre estas matérias. O autor tem desenvolvido a actividade de arquitecto, aplicando sempre os princípios da utilização passiva da energia solar e da eficiência energética em diversos edifícios, encontrando-se alguns deles aqui referenciados.

O recurso a fontes de energia renováveis e a utilização de técnicas e materiais tradicionais nos edifícios, visando uma arquitectura ambientalmente mais responsável, são uma obrigação ética do arquitecto actual face à futura (in)sustentabilidade do planeta.


O livro "Energia Solar Passiva": NOTA DE IMPRENSAENERGIA SOLAR PASSIVA é um livro onde se explicam os processos térmicos nos edifícios e as regras a aplicar na sua construção, visando uma arquitectura ambientalmente mais responsável e racional.

Aborda o tema da qualidade térmica dos edifícios no que estes dependem do projecto arquitectónico, da sua envolvente, dos seus espaços e elementos construtivos, com vista à sua adequação ao nosso clima, à optimização do conforto higrométrico e à redução do consumo de energia.

O tema está, e vai estar cada vez mais, na ordem do dia da construção, por razões de sustentabilidade ambiental e económica. Esta publicação vem assim preencher uma lacuna na bibliografia portuguesa dedicada à tecnologia arquitectónica bioclimática.

No livro ENERGIA SOLAR PASSIVA descrevem-se, numa primeira parte, as várias matérias teóricas, com relevo para a geometria da incidência solar, o conforto ambiental e o desempenho passivo dos principais elementos construtivos da envolvente dos edifícios. Na segunda parte desenvolve-se a aplicação destes conhecimentos a um método de cálculo simplificado que permite determinar o desempenho térmico passivo dos edifícios, aplicado a alguns casos concretos e com a documentação de muitos quadros contendo valores auxiliares para avaliação do desempenho térmico dos vários materiais e elementos da construção.

Inclui ainda, em anexo, diagramas solares e valores micro climáticos muito úteis para o entendimento do aproveitamento solar e micro climático e para a aplicação do método.

O livro está profusamente ilustrado com centenas de desenhos, quadros e tabelas várias que em muito facilitam a sua leitura e entendimento por um público vasto e diversificado.

ENERGIA SOLAR PASSIVA tem a autoria do arquitecto Francisco Moita, especialista em arquitectura bioclimática, estudioso e divulgador da Arquitectura Solar Passiva e da Eficiência Energética, e é editado pela Argumentum, conhecida editora dedicada aos temas de arquitectura e urbanismo.

As características desta publicação recomendam-na para uso no ensino destas matérias em cursos de arquitectura e de engenharia civil, tanto ao nível teórico como prático neste caso em disciplinas de projecto e recomendam-na para uso corrente na prática profissional de projecto de arquitectura.



Fig. 02: capa do livro do Arq.º Francisco Moita, "ENERGIA SOLAR PASSIVA"

Índice da obra
Energia Solar Passiva,
Princípios Teóricos e Método Simplificado de Cálculo
– Um instrumento de trabalho para Arquitectos e Engenheiros.

1ª Parte (Princípios Teóricos)

Introdução
Nota Histórica I


Capítulo 1 – O Sol e a Terra;(Energia do Sol; Movimentos da Terra; Atmosfera Terrestre; Altura Solar; Radiação Solar; Clima).
Nota Histórica II

Capítulo 2 – Pressupostos Exteriores ao Edifício (Definição; Localização; Forma; Orientação e Afastamento; Vegetação).
Nota Histórica III

Capítulo 3 – Pressupostos Constituintes do Edifício (Definição; Envolvente; Fenestração; Sombreamento; Ventilação).
Nota Histórica IV

Capítulo 4 – Tecnologias Solar Passivas (Ganho Directo; Ganho Indirecto; Estufas)
Nota Histórica V

Apêndice A (Diagramas Solares; Dados Climáticos; Conceitos Físicos; Glossário)
Nota Histórica VI

2ª Parte - Método Simplificado de Cálculo do Contributo de Energia Solar Passiva para aquecimento de edifícios de habitação permanente- Um instrumento de Trabalho para Arquitectos Engenheiros

Introdução

Capítulo 1 – Apresentação do Método
(Generalidades; Coeficiente Global de Perdas; Estimativa do Perfil das Necessidades Térmicas; Estimativa do Perfil do Contributo Térmico Solar e Aquecimento Suplementar Necessário; Massa de Acumulação Térmica).


Exemplos(Escola Rural; Casa Rural – recuperação; Casa Solar Passiva – habitação unifamiliar)

Apêndice A (Factor Tampão; Contributos Térmicos Internos; Correcção do Factor de Conversão Solar; Quantificação da Massa Térmica Primária e Secundária)

Apêndice B (Dados Físicos; Dados Climáticos)

Bibliografia
Dados técnicos do livro:Editora: ARGUMENTUM, Edições, Estudos e Realizações, Lda.
Rua Antero de Figueiredo, 4-C, 1700-041 Lisboa, Tel: (+351) 21 394 0547 Fax: (+351) 21 394 0548
geral@argumentum.pt

A obra está já a ser divulgada pela DINALIVRO, no site http://www.bookhouse.pt/ e no Facebook.



Artigo da semanaOs outros sítios que habitamos, além da nossa casa
Artigo X, da série habitar e viver melhorpor António Baptista Coelho
As vizinhanças de proximidade podem e devem ser sítios que podemos considerar, também, como nossos verdadeiros espaço de habitar, positivamente marcados pelos grupos sociais que aí habitam e atraentemente integrados na continuidade urbana; de certa forma numa natural variação de um tema que se harmoniza numa espécie de melodia urbana mais ampla, que deve integrar todo o espaço, desde a porta de entrada da habitação e das vistas que dela se têm sobre uma envolvente - que tem de ser positivamente estimulante - até aos pólos e centros urbanos mais vivos.


Importa ter, também sempre presente que uma cidade feita de vizinhanças vivas tem também de ser uma cidade naturalmente multifuncional, pois é fundamental o papel de outras funções, para além da habitação, na constituição de uma cidade, diariamente, mais viva e mais estimulante, em termos de actividades vistas e partilhadas.



Fig. 01: "uma cidade feita de vizinhanças vivas tem também de ser uma cidade naturalmente multifuncional"

Voltamos, assim, uma e outra vez, a uma múltipla abordagem de um dinâmico jogo da glória diário que marque, positivamente, as sequências e os percursos que ligam o centro da cidade, aos bairros, às referidas vizinhanças e, depois, às portas das habitações.

Mas neste jogo e nas sequências paisagísticas e funcionais que o integram e lhe devem dar, em cada sítio, um carácter único, há que fazer uma referência específica a um dos principais elementos aglutinadores desses percursos e dessas sequências: elementos estes que podemos designar como os “terceiros espaços ou sítios” , e que são lugares estratégicos e privilegiados para a convivialidade mais urbana ou mais vicinal, sendo, portanto, elementos fundamentais para um amplo espaço de habitar verdadeiramente mais agradável e estimulante.

Bastará lembrar os últimos exemplos práticos referidos e imaginar, por exemplo, o que seria o Bairro de Alvalade, em Lisboa, sem o seu amplo e diversificado conjunto de “terceiros espaços”, terceiros porque não verdadeiramente públicos, como é o caso dos seus largos passeios, mas também não privados como as casas de cada família.

E não teremos qualquer dúvida sobre o papel protagonista destes “cafés”, destas esplanadas, destes espaços de mercado, destas zonas de exposição e transição onde se expõem as mais diversas mercadorias, destas paragens de transportes públicos, destas salas de espera logo ali junto ao passeio, destas zonas de paragem junto aos quiosques de jornais, e de outros “terceiros espaços” de serviços e de lazer, não apenas como elementos funcionais do habitar de uma cidade viva, mas como verdadeiras facetas que integram, desejavelmente, o habitar diário de cada um de nós, entre o trabalho e a casa.

Trata-se do pequeno, porque pormenorizado e disseminado, mas fundamental, mundo urbano dos “terceiros espaços” aqueles que nem são totalmente anónimos, nem são inteiramente familiares, que se ligam a diversas actividades económicas e culturais, mas que, por vezes, assumem um verdadeiro estatuto de elemento protagonista da cena urbana e designadamente da cena de rua urbana, e falamos de espaços e elementos tão simples como a mesa do café da esquina, o recanto preferido de um pequeno restaurante sob a arcada, a livraria em que entramos frequentemente, a nossa banca de jornais habitual, os enfiamentos de que mais gostamos de um dado jardim ou de uma dada correnteza de lojas, etc., etc.

E trata-se, afinal, de sítios que habitamos, verdadeiramente, no nosso dia-a-dia, onde nos detemos, habitualmente, pensando sobre aqueles sítios e, tantas vezes, sobre tudo o resto, sítios que têm de ter (embora muitas vezes não o tenham) a capacidade de fazerem coesão urbana, de fazerem cidade e rua em continuidade, de proporcionarem espaços entre o mais público e o mais privado e de proporcionarem bases óptimas de convivialidade natural, e, sendo assim, de solidariedade natural, pois são sítios onde estamos com outros e vemos outros num quadro urbano unificado e que nos marca a todos.



Fig. 02: "trata-se, afinal, de sítios que habitamos, verdadeiramente, no nosso dia-a-dia, onde nos detemos, habitualmente"

As ruas, no sentido amplo de “ruas”, portanto integrando muitos “vocábulos” do espaço público, como por exemplo, largos e pracetas, ruelas e passagens, jardins e miradouros, são, realmente, o lugar certo de integração dos “terceiros espaços ou terceiros sítios”, lugares estratégicos e privilegiados para a convivialidade mais urbana ou mais vicinal; e há que referir que este conceito de “terceiro sítio” foi desenvolvido por Ray Oldenburg (1), e que este autor o liga, de forma destacada, por exemplo, ao café da esquina, à livraria, ao bar, ao cabeleireiro, etc.

“Terceiros sítios”, pois, como refere Oldenburg, estão para além dos outros dois sítios principais, na vida de cada um, o sítio de trabalho e o sítio doméstico; e espaços que, são “sítios de estadia no coração da comunidade”, como refere esse autor, e assim se entende a sua importância na construção de um sentido de comunidade e de solidariedade, observando o outro, falando com ele, interagindo com ele.

E, finalmente, é bem interessante lembrar que já Christopher Alexander (2) tinha plena consciência da importância que os “terceiros sítios” têm na satisfação residencial e, por isso, defendia que em cada vizinhança residencial deve existir um local público exterior, agradavelmente protegido e estrategicamente localizado em termos de acessibilidade e de vistas, que proporcione condições de estadia no exterior, em condições que podem ser mais ou menos formais, mas que sempre ganharão se forem associadas a um equipamento, por exemplo um pequeno “café” com esplanada, pois, desta forma, alguém irá tomar conta e dar vida a este “terceiro espaço” habitacional.

Notas:
(1) Ray Oldenburg, “The Great Good Place : Cafes, coffee shops, bookstores, bars, hair salons and other hangouts at the heart of a community”, 1999 (1989).
(2) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", p. 323.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.

Infohabitar a Revista do Grupo HabitarEditor: António Baptista Coelho

Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte
Infohabitar, Ano VII, n.º 330, 22 de Janeiro de 2011

domingo, janeiro 16, 2011

329 - SEMINÁRIO SOBRE A HABITAÇÃO EM PONTE DA BARCA E LANÇAMENTO DE NOVO LIVRO SOBRE ENERGIA SOLAR PASSIVA - Infohabitar 329

Infohabitar, Ano VII, n.º 329
A edição do Infohabitar, o Grupo Habitar e o Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do LNEC manifestam a sua tristeza e enviam uma mensagem de solidariedade para as famílias afectadas pelas chuvas intensas e pelos muito graves deslizamentos de terra na envolvente do Rio de Janeiro.

Na presente edição o Infohabitar anuncia duas próximas iniciativas.

(i) A primeira, que será desenvolvida, já, na próxima Quinta-feira dia 20 de Janeiro, é o Seminário “Intervenção na habitação de âmbito social, desafios e oportunidades", promovido pela Câmara Municipal de Ponte da Barca, numa parceria alargada com outras entidades.
O cartaz de divulgação, o respectivo programa e uma imagem da belíssima Ponte da Barca são apresentados mais à frente, chamando-se a atenção para se tratar de uma iniciativa com entrada livre, mas obrigando a inscrição prévia.

(ii) A segunda iniciativa corresponde ao lançamento e apresentação do livro do Arq.º Francisco Moita, intitulado " ENERGIA SOLAR PASSIVA", que decorrerá, uma semana depois, na Quinta-feira dia 27 de Janeiro, pelas 15h 00, na Biblioteca do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa, e que contará, entre outras intervenções, com uma apresentação da obra pelo Investigador do LNEC Eng.º Pina dos Santos, e com uma palestra, sobre a temática da energia solar passiva, assegurada pelo autor da obra agora lançada - um programa pormenorizado será em breve divulgado.

Esta iniciativa, que é de entrada livre, não obrigando a inscrição prévia (embora naturalmente limitada à lotação da sala), corresponde à 20.ª Sessão Técnica do Grupo Habitar, conta com o apoio do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU) do LNEC e integra-se num conjunto de iniciativas com as quais o LNEC pretende dinamizar e diversificar a utilização da sua Biblioteca.


António Baptista Coelho
Editor Infohabitar, Pres. Dir. Grupo Habitar, Chefe do NAU do LNEC


Fig. 01: cartaz do Seminário “Intervenção na habitação de âmbito social, desafios e oportunidades", a realizar em Ponte da Barca

SEMINÁRIO SOBRE A HABITAÇÃO
20 de Janeiro de 2011
“Intervenção na habitação de âmbito social, desafios e oportunidades”

Auditório da EPRALIMA, Ponte da Barca
Inscrição gratuita, mas obrigatória.
As inscrições devem ser realizadas até 18 de Janeiro para:
Câmara Municipal de Ponte da Barca
Praça Dr. José Lacerda, 4980-620 Ponte da Barca
Tel: 258488272 Fax: 258488272
E-mail: voluntariado@cm-pontedabarca.pt



Fig. 02: uma imagem da belíssima Ponte da Barca


Programa do Seminário
9h00
ABERTURA DO SECRETARIADO
9h30
SESSÃO DE ABERTURA
Fernanda Maria Rosa do Carmo Julião (*)
Secretária de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades
Pita Guerreiro Governador Civil
António Correia Director do Centro Distrital da Segurança Social de Viana do Castelo
António Vassalo Abreu Presidente da Câmara Municipal de Ponte da Barca
António José Mendes Baptista (*) Presidente do Conselho Directivo do IHRU – Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana
Ricardo Jorge Gomes Armada Vereador do Pelouro da Saúde e Acção Social da Câmara Municipal de Ponte da Barca
António José de Sousa Castro Brito Presidente do Centro Paroquial e Social de Lavradas

10h30
I Painel
“As políticas de habitação e a importância dos apoios à reabilitação urbana” Arq. Rui Ramos Loza, Director da Delegação do Porto do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU)

Pausa para café

“O exemplo da recuperação do Centro Histórico de Guimarães ”. Arq. Alexandra Parada Barbosa Gesta, Vereadora da Câmara Municipal de Guimarães, responsável pela Divisão do Gabinete Técnico Local, pela Reabilitação Urbana e integra a equipa coordenadora do projecto urbanístico “Guimarães, Capital Europeia da Cultura 2012.”
Moderador: Eng. José Alberto Sequeira de Castro Pontes
Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ponte da Barca

Pausa para almoço

14h00
II Painel
“Habitação Saudável” Arq. António Baptista Coelho
Investigador Principal com Habilitação e chefe do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil; Presidente da Direcção do Grupo Habitar; integra a Direcção da Nova Habitação Cooperativa
“Responsabilidade Social e os Bairros Municipais” Dr. Luís Natal Marques – Administrador da Empresa Municipal, Gebalis – Gestão dos Bairros Municipais de Lisboa.
Moderadora: Prof. Doutora Fátima Matos
Professora Auxiliar no Departamento de Geografia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e Investigadora no Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território.

Pausa para café

15h45
III Painel
“A importância do plano estratégico para a habitação”
Dr.ª Teresa Sá Marques - Professora Associada no Departamento de Geografia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
“Exemplo de boas práticas e Cidadania”
Dr. João António Nogueira - Presidente do Conselho de Administração da BRAGAHABIT.
Moderadora: Dr.ª Helena Maria Silva Morais de Rocha Areias
Professora da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Católica Portuguesa de Braga

(*) a confirmar.


Fig. 03: capa do livro do Arq.º Francisco Moita, "ENERGIA SOLAR PASSIVA"

Lançamento e apresentação do livro
"ENERGIA SOLAR PASSIVA"
do Arq.º Francisco Moita


O lançamento e apresentação do livro do Arq.º Francisco Moita, intitulado "ENERGIA SOLAR PASSIVA", decorrerá na Quinta-feira dia 27 de Janeiro, pelas 15h 00, na Biblioteca do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa, e que contará, entre outras intervenções, com uma apresentação da obra pelo Investigador do LNEC Eng.º Pina dos Santos, e com uma palestra, de Francisco Moita, sobre a temática da energia solar passiva, tendo em conta a actualidade deste tema.


O Livro: breve síntese O livro ENERGIA SOLAR PASSIVA demonstra como a Natureza, neste caso o Sol – a principal fonte de energia na Terra! - pode ajudar a reduzir as necessidades energéticas diárias dos edifícios, permitindo o pleno desempenho das suas múltiplas funções.

A Primeira Parte deste livro apresenta ao leitor, os processos térmicos, as regras de construção e as tecnologias solar passivas mais adequadas para o nosso clima, a aplicar nos edifícios, com vista à optimização do conforto higrotérmico e ao mínimo consumo de energia.

A Segunda Parte expõe, através de vários exemplos, um método simplificado de cálculo do contributo da energia solar passiva no aquecimento dos edifícios, a que o leitor, mesmo sem conhecimentos muito aprofundados, pode recorrer num acto de consulta prática e expedita.

Este livro tem o patrocínio da Direcção Geral de Energia e Geologia.


O Autor Francisco Filipe de Oliveira Moita concluiu o curso de Arquitectura (Dipl. Ing. Architekt) na Universidade de Stuttgart - RFA, em 1976, onde exerceu actividade profissional até 1978, tendo-se especializado no domínio da Arquitectura Bioclimática e Energeticamente Eficiente.
Exerceu a actividade docente na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa nas cadeiras de Planeamento Urbano e de Projecto de Arquitectura de 1978 até 1992.

Ao longo das últimas três décadas, tem sido um divulgador da Arquitectura Solar Passiva e da Eficiência Energética nos Edifícios, através da realização de vários artigos técnicos e de diversas conferências e cursos de formação sobre estas matérias. O autor tem desenvolvido a actividade de arquitecto, aplicando sempre os princípios da utilização passiva da energia solar e da eficiência energética em diversos edifícios, encontrando-se alguns deles aqui referenciados.

O recurso a fontes de energia renováveis e a utilização de técnicas e materiais tradicionais nos edifícios, visando uma arquitectura ambientalmente mais responsável, são uma obrigação ética do arquitecto actual face à futura (in)sustentabilidade do planeta.

O livro "Energia Solar Passiva": NOTA DE DIVULGAÇÃO ENERGIA SOLAR PASSIVA é um livro onde se explicam os processos térmicos nos edifícios e as regras a aplicar na sua construção, visando uma arquitectura ambientalmente mais responsável e racional.

Aborda o tema da qualidade térmica dos edifícios no que estes dependem do projecto arquitectónico, da sua envolvente, dos seus espaços e elementos construtivos, com vista à sua adequação ao nosso clima, à optimização do conforto higrométrico e à redução do consumo de energia.

O tema está, e vai estar cada vez mais, na ordem do dia da construção, por razões de sustentabilidade ambiental e económica. Esta publicação vem assim preencher uma lacuna na bibliografia portuguesa dedicada à tecnologia arquitectónica bioclimática.

No livro ENERGIA SOLAR PASSIVA descrevem-se, numa primeira parte, as várias matérias teóricas, com relevo para a geometria da incidência solar, o conforto ambiental e o desempenho passivo dos principais elementos construtivos da envolvente dos edifícios. Na segunda parte desenvolve-se a aplicação destes conhecimentos a um método de cálculo simplificado que permite determinar o desempenho térmico passivo dos edifícios, aplicado a alguns casos concretos e com a documentação de muitos quadros contendo valores auxiliares para avaliação do desempenho térmico dos vários materiais e elementos da construção.

Inclui ainda, em anexo, diagramas solares e valores micro climáticos muito úteis para o entendimento do aproveitamento solar e micro climático e para a aplicação do método.

O livro está profusamente ilustrado com centenas de desenhos, quadros e tabelas várias que em muito facilitam a sua leitura e entendimento por um público vasto e diversificado.

ENERGIA SOLAR PASSIVA tem a autoria do arquitecto Francisco Moita, especialista em arquitectura bioclimática, estudioso e divulgador da Arquitectura Solar Passiva e da Eficiência Energética, e é editado pela Argumentum, conhecida editora dedicada aos temas de arquitectura e urbanismo.

As características desta publicação recomendam-na para uso no ensino destas matérias em cursos de arquitectura e de engenharia civil, tanto ao nível teórico como prático neste caso em disciplinas de projecto e recomendam-na para uso corrente na prática profissional de projecto de arquitectura.


Fig. 04: capa do livro do Arq.º Francisco Moita, "ENERGIA SOLAR PASSIVA"


Dados técnicos do livro: Editora: ARGUMENTUM, Edições, Estudos e Realizações, Lda.
Rua Antero de Figueiredo, 4-C, 1700-041 Lisboa, Tel: (+351) 21 394 0547 Fax: (+351) 21 394 0548
geral@argumentum.pt

A obra está já a ser divulgada pela DINALIVRO, no site http://www.bookhouse.pt/ e no Facebook.


Notas editoriais: (i) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.

Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte
Infohabitar, Ano VII, n.º 329, 16 de Janeiro de 2011

domingo, janeiro 09, 2011

328 - "CASA. Propriedades que adquire com o «encasado»”, por Célia Faria e colóquio internacional " Habitar, pensar, investigar, fazer" - Infohabitar 328


Infohabitar, Ano VII, n.º 328
Aos leitores do Infohabitar:
Antes de referirmos a edição da semana, o Infohabitar e o Grupo Habitar manifestam a sua profunda tristeza pelo recente falecimento de Malangatana, um grande Pintor mocambicano e do mundo que fala português, cuja última exposição foi aqui divulgada na passada semana: é mais um daqueles que nos fazem não acreditar na ideia de que não há pessoas insubstituíveis; à família e aos amigos os nossos sinceros sentimentos.
António Baptista Coelho
Editor do Infohabitar, Pres. da Direcção do Grupo Habitar, Chefe do NAU do LNEC



A edição do Infohabitar continua os seus trabalhos, ainda neste início de 2011, com a divulgação de um colóquio internacional intitulado:
"Habitar, pensar, investigar, fazer"Colóquio Internacional - Departamento de Arquitectura da Universidade Autónoma de Lisboa,14/ 15 de Janeiro de 2011Cujo cartaz, programa e elementos de contacto são referidos mais à frente.


E com a edição. já em seguida, de um novo artigo, de uma nova colaboradora do nosso Infohabitar; trata-se do artigo de Célia Faria, intitulado
CASA. Propriedades que adquire com o “encasado”
por Célia Faria (*)

Dir-se-á, fenomenologicamente: “eu sou porque pertenço aqui e o meu ser encontra-se sempre em construção”. E, se a habitação é o suporte da domesticidade, aquilo a que chamamos CASA torna-se assim não apenas uma coisa, um objecto físico material mas, sobretudo, uma CONSTRUÇÃO SIMBÓLICA no espaço.

Enquanto forma construída, a casa acolhe o espaço abrigado, habitável e torna-se o cenário privilegiado da minha existência respondendo de modo eficaz, como dispositivo de uso, aos hábitos, aos desejos, às expectativas, etc., do indivíduo.

Quando o homem habita, está localizado no espaço e exposto a determinado contexto ambiental, conjugando duas dimensões, o ser íntimo de cada um e a forma como este trabalha a sua intimidade com aquilo que de fora a envolve, ou seja, a publicidade.

Apesar de ser produto de uma construção mental, a habitabilidade incorpora, igualmente, uma expressão do uso através do utilizador. Isto acontece porque a Arquitectura, para dar resposta às funções da vida humana, cria condições ao sujeito permitindo-lhe atribuir significado ao espaço em função da interpretação sensível que deste faz.

Por outro lado, assumindo-se como uma arte e uma técnica, a Arquitectura dá forma aos objectos garantindo que estes sejam realizáveis enquanto edificações que proporcionam lugares com habitabilidade.

Para além de exibir imagens não apenas sujeitas à percepção da materialidade dos objectos que a suportam, a Arquitectura fornece, também, ao homem lugares de residência que definem um habitat artificial: ambiente humanizado que serve de cenário à vida quotidiana.




Fig. 01: Rachel Whiteread, "house",1993 - fonte: "The art of Rachel Whiteread", Thames & Hudson, Londres, 2004.

Enquanto, algumas respostas do ser humano a determinados estímulos são consequências de uma aprendizagem cultural ou da relação individual com o meio (subjectiva), outras, pelo contrário, são baseadas em factores biológicos (inatos ou adquiridos) que transcendem culturas e indivíduos em particular.

Assim, o mundo onde o Homem vive, de algum modo essa espécie de mundo mental, não passa de um conjunto de representações significativas que identificam quem as usa, relacionadas com a escala doméstica, a casa, onde o sujeito se expõe totalmente. Há outras, as representações colectivas que se relacionam com as primeiras, as individuais, enquadrando-as, e por esse motivo, conferindo-lhes também sentido: elas pertencem ao espaço onde interagimos com os outros.

A casa resulta então de uma construção no espaço, ligada à apropriação sobre a qual o corpo tem determinado comportamento, tornando-se a forma onde se desenvolve a habitação como acto. Essa habitação não se reduz à materialidade, ao desenho ou a uma lógica de organização, mas, será antes uma espécie de narrativa que se altera através de cada acontecimento na vida dos seus habitantes, porque permanece identificável enquanto forma e identifica quem a habita a partir dos tipos de uso que permite.

Apropriamo-nos da casa dando-lhe o carácter que deve ter de acordo com um programa que não está apenas no objecto casa, mas também na mente do sujeito. O espaço definido pela casa é um espaço qualificado que, na medida dessa qualificação, se torna reconhecível por quem o utiliza enquanto espaço que acolhe a domesticidade.


Fig. 02: Rachel Whiteread, "stairs", 2001 - fonte: "The art of Rachel Whiteread", Thames & Hudson, Londres, 2004.

O que «em casa» implica não é o habitante que descobre a forma na qual inscreve as suas acções mas sim a forma que sugere as acções pelas quais ele descobre um determinado modo de habitar, consequência de uma experiência que envolve todos os nossos sentidos. E esta experiência resulta na atribuição de valor sobre as categorias dos sentidos que formam as nossas reacções ao espaço.

A casa traduz um espaço do desejo, resultante de construções mentais no plano do raciocínio, e que diferem de sujeito para sujeito. Enquanto os raciocínios descritivos, que segundo a psicologia servem para estabelecer a objectividade dos factos, os normativos permitem a justificação de acções.

Deste modo, a arquitectura não é apenas uma estrutura abstracta que podemos adaptar a um determinado dispositivo espacial para conseguirmos habitar o espaço, mas uma modelação de lógicas funcionais e simbólicas do habitar. O sentido passa a ser simbólico. E é a lógica simbólica que origina a função. Dormir, por exemplo, não é só uma função, mas também uma representação (condição antropológica da arquitectura).

E é entre as dimensões do real e da fantasia que a relação do sujeito com a Arquitectura comporta sempre que se encontra o conceito de CASA.


(*) A autora, Célia Joaquina Fernandes faria, é Arquitecta e Mestre em Estudos do Espaço e do Habitar em Arquitectura, pela FA- UTL, passando, a partir de agora, a integrar o corpo de redactores do Infohabitar.


Fig. 00: Cartaz de divulgação do Colóquio Internacional - DA/UAL CEACT: "Habitar, pensar, investigar, fazer"

Habitar
pensar
investigar
fazer

Colóquio Internacional - DA/UAL CEACTAuditório do Departamento de Arquitectura da Universidade Autónoma de Lisboa
14/ 15 Janeiro 2011

Fazer a casa colectiva
Investigar a Habitação
Pensar a Habitação

Metodologia do colóquio
:
O colóquio será composto um dia e meio (sexta todo o dia e sábado de manhã) de debate dedicado ao tema da habitação individual e colectiva na cidade contemporânea, integrando diversas visões, não só do panorama da arquitectura nacional e internacional, mas também de outras disciplinas como a da história, da antropologia e da sociologia. Procurar-se-á uma abordagem centrada na arquitectura que estabeleça pontes com outras linhas de pensamento e de investigação, inclusive com elementos audiovisuais. O modelo do colóquio centra-se na exposição de vários oradores por painel, seguida de debate moderado por Arquitectos.

Programa:

Painel 01 Sexta – 14 de Janeiro de 2011
9h00 às 13h30m

Abertura do ColóquioMiguel Faria (UAL), Flavio Barbini (DA UAL) e Filipa Ramalhete (CEACT)

Fazer a casa colectivaJoão Luís Carrilho da Graça (DA UAL)
Casas
Pensar a HabitaçãoRicardo Carvalho (DA UAL)
Da cidade campo à cidade difusa

Pausa para café

Investigar a HabitaçãoAntónio Baptista Coelho (LNEC)
Investigar e pensar o habitar: o percurso do NAU do LNRC, seguido de algumas notas sobre o habitar da casa e da cidade

Fazer a casa colectivaLopez & Rivera Arquitectos (Espanha)
Adyacencias, paisajes y galerias

Painel 02 Sexta - 14 de Janeiro de 201115h00 às 18h00

Pensar a Habitação
Ana Vaz Milheiro (ISCTE e DA UAL)
Habitação colectiva nos trópicos - casos da África Portuguesa

Investigar a Habitação
Ricardo Agarez (Reino Unido, University College of London)
Pragmática da habitação colectiva modernista. Problemas e soluções em Lisboa nos anos de 1950

Fazer a casa colectivaFrédéric Druot (França)
+ PLUS Large Scale Housing. an excepcional case
Debate moderado por Pedro Campos Costa (DA UAL)

Painel 03 Sábado – 15 de Janeiro de 201110h00 às 13h30

Pensar a HabitaçãoAna Tostões (IST)
Pensar, habitar e construir

Investigar a Habitação
Maria Helena Barreiros (DA UAL)
Unidades de habitação "antes-da-letra": da radicalidade do projecto pombalino

Fazer a casa colectivaManuel Aires Mateus Arquitecto (DA UAL Portugal)
Condições de vida
Debate moderado por Manuel Graça Dias (DA UAL/FAUP)

Auditório do Departamento de Arquitectura da Universidade Autónoma de LisboaCusto da inscrição: 25€
Contactos: Sónia Chaves, Departamento de Arquitectura da Universidade Autónoma de Lisboa
Boqueirão de Ferreiros nº 11, 1200-185 Lisboa
Tel.: 213 929 267
Fax: 213 977 164
dp.arq@universidade-autonoma.pt
www.ual.pt


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.
Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte
Infohabitar, Ano VII, n.º 328, 9 de Janeiro de 2011

sábado, janeiro 01, 2011

327 - Ideias e Projectos de José Forjaz - Infohabitar 327

Infohabitar, Ano VII, n.º 327

Neste início de um novo ano de 2011 o Infohabitar continua e inicia as suas edições (do ano, o sétimo de edições com continuidade) "de mansinho", divulgando e sublinhando duas excelentes exposições, que ainda poderão ver , durante a próxima semana, até ao dia 9 de Janeiro de 2011.

Na Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea da Câmara Municipal de Almada.
Horário: Terça a Sexta, das 10h às 18h; Sábado e Domingo das 13h às 18h (encerra Segunda-feira e feriados)

Uma oportunidade verdadeiramente a não perder.
Referimo-nos às exposições:

José Forjaz Arquitecto: Ideias e Projectose
Malangatana: Novos sonhos a preto e brancoA Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea apresenta, desde 23 de Outubro de 2010, a exposição José Forjaz Arquitecto. Ideias e Projectos relativa à obra do Arquitecto português residente em Moçambique.

Na mesma Casa da Cerca está também disponível a exposição “Novos Sonhos a Preto e Branco”, do Pintor Malangatana, amigo, desde há muitos anos, do Arquitecto José Forjaz.

Chama-se a atenção dos leitores para o pouco tempo que têm disponível para poderem ver estas duas excelentes exposições.
Salienta-se, ainda, que o catálogo da exposição integra textos de Ana Isabel Ribeiro, João Paulo Borges Coelho, José Forjaz , Lucien le Grange, Raul Hestnes Ferreira e Salvatore Dierna.
Faz-se notar que as imagens que acompanham este artigo, com excepção da n.º 01, são de António Baptista Coelho e têm como único objectivo divulgar as exposições, possuindo definição/qualidade mínima .

A edição do Infohabitar





Fig. 01: folheto de divulgação da exposição - Câmara Municipal de Almada
Organização da exposição: Câmara Municipal de Almada, Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea

Informações: Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea, Rua da Cerca nº 2
2800 - 050 Almada, Tel.: 21 272 49 50 , Fax. 21 272 49 79
email: casadacerca@cma.m-almada.pt
site: www.m-almada.pt/casadacerca

MAIS INFORMAÇÕES: Vanda Piteira, Tel. 21 272 49 50 vpiteira@cma.m-almada.pt




Fig. 02: um pormenor de um dos quadros da exposição de Mestre Malangatana (neste caso uma das pinturas sobre pedra mármore).




Fig. 03: vista geral de uma das salas da exposição do Arquitecto José Forjaz

Site do Atelier de José Forjaz: "José Forjaz Arquitectos"
http://www.joseforjazarquitectos.com/

Comentários de quem muito apreciou as "Ideias e Projectos" de José Forjaz
Seguem-se alguns breves e simples comentários sobre a exposição "Ideias e Projectos" do Arquitecto José Forjaz, com uma desculpa prévia de me dedicar, essencialmente, aos aspectos do habitar e até de um habitar de "pequena escala"; ainda que a exposição abarque outras intervenções de grande dimensão edificada, urbana e territorial.Devo confessar, em primeiro lugar, que a casa na Malveira da Serra (de 1962), de José Forjaz, no artigo em tempo publicado na Revista Arquitectura, foi para mim uma daquelas obras que me acompanhou, em termos formativos e de inspiração, ao longo dos anos de Arquitectura nas Belas Artes e mesmo depois quando iniciei a prática profissional e fiz algumas casas.
Tendo dito isto devo ainda salientar que numa altura em que Lisboa esteve marcada por exposições sobre "casas", no âmbito da trienal, e em que se "falou de casas", teria ficado a perder muito se não tivesse tido a oportunidade de passar algum tempo a ver as casas, os edifícios e os projectos de José Forjaz e a ler os comentários de autor que integram os respectivos painéis expositivos.
É de grande interesse , na exposição, poder ver e ler sobre obras marcadas por objectivos de grande adequação a usos domésticos específicos e a sítios bem caracterizados, para, depois, irmos passando por programas em que o habitar se reveste de novos contornos mais gregários e cívicos.
É também de grande interesse acompanhar as preocupações e os objectivos do autor no que se refere ao tratar os níveis de privacidade e de comunidade domésticos e de relacionamento com o espaço público, e mesmo com o espaço "comum" de cada casa, conquistando-se novos entre-espaços de vivência que enriquecem o programa tanto em termos mais formais/funcionais como numa forte caracterização e humanização da solução.
Mas deixa-se para cada um a leitura mais particular dos diversos programas e ambiências das "casas" de José Forjaz, que parecem "colar-se", intimamente às histórias das diversas famílias e sítios de construção, que são interessantemente comentadas pelo autor.
Outro aspecto de grande importância é a forma de projectar em grande relação com a natureza e as características do clima local, usando-se espaços sombreados e elementos de sombramento e de filtro, capazes de garantirem boas condições de conforto ambiental de uma forma positivamente passiva, sem recurso a tecnologias mecânicas consumidoras de energia; um objectivo que hoje em dia e no futuro se revela e revelará cada vez mais importante.
E nesta perspectiva é também muito salutar ver referências específicas à utilização de casas com pátios privativos, até relativamente reduzidos, mas que expandem economicamente o espaço doméstico, enquanto lhe proporcionam excelentes condições de conforto climático térmico e em termos de ventilação cruzada. E o que dizer do cuidado que o autor dirige para o desenho da fenestração e dos vãos de iluminação zenital, tanto numa perspectiva de construção de um ambiente de luz natural, como dando o devido valor aos lugares-janela.
Outra questão fundamental que atravessa, praticamente, toda a exposição é o recursos a tecnologias construtivas locais, simples de realização e capazes de garantirem resultados fiáveis e duráveis em termos de qualidade construtiva, enquanto participam activamente na dinamização da economia local e da promoção e valorização da mão-de-obra local; e assim é possível observar o uso de alvenarias portantes e de abobadilhas feiras em obra, com excelentes resultados formais e construtivos, sendo ainda possível observar interessantes porpostas em termos de instalações prediais realizadas com meios reduzidos.
Ainda um outro aspecto a sublinhar é a vertente de concepção de equipamentos colectivos ou comunitários com valências habitacionais e/ou cívicas, realizados com aquele tipo de preocupações de conforto ambiental passivo e de racionalidade e economia construtiva, e associando-lhes aspectos, igualmente importantes, de racionalidade na organização do programa, tendo em vista, entre outros objectivos, as melhores condições de segurança urbana e de aproveitamento maximizado dos espaços exteriores "privativos" na expansão funcional das actividades interiores.
Julga-se e tem-se a certeza que o autor assim o entende, que estas vertentes de trabalho assumem e assumirão grande importância no desenvolvimento de acções sustentadas e participadas de melhoria das extensas zonas urbanas e habitacionais informais que existem em muitos países em desenvolvimento. E salienta-se, finalmente, que há também uma referência específica, na exposição, a uma operação de melhoria de uma zona desse tipo.
Devo ainda confessar que considero ter usado (bem) algum tempo a registar não só as obras expostas mas os comentários que as acompanham, pois trata-se de matéria a que pretendo dedicar, posteriormente, muito mais atenção, não só devido á qualidade das soluções específicas, mas também porque elas integram todo um conjunto de objectivos de projecto (atrás muito brevemente apontados), que julgo assumirem, hoje em dia, um interesse renovado e evidente, quando abordamos o habitar, em geral, e um habitar para o maior número, que não esqueça os fundamentais aspectos da humanização e da urbanidade; mas acreditem que estas breves notas foram escritas apenas ao sabor da memória e daquilo que mais me marcou nesta exposição, a não perder, que fala muito bem de "casas", tanto daquelas que vivemos em privado, como das outras que devemos viver em comunidade, e que delas fala com uma especial naturalidade, que decorre, talvez, de quem projecta com paixão e com calma.
E, finalmente, dois pedidos de desculpas e duas notas de parabéns: as desculpas por me ter dedicado à exposição de José Forjaz e não à de Malangatana, mas afinal trata-se de um artigo muito direccionado ao habitar e que em nada faz esquecer o grande interesse das obras deste grande pintor moçambicano; as desculpas pelo uso de algumas imagens das exposições, justificada apenas pelo objectivo de estimular visitas; e os parabéns para o espaço das exposições, a excelente Casa da Cerca, onde sempre se volta com muito gosto e uma calma única, e para a grande qualidade formal e organizativa das duas exposições agora apresentadas.
O editor do Infohabitar
António Baptista Coelho





Fig. 04: o excelente espaço da Casa da Cerca - em baixo à direita a entrada para a exposição de Mestre Malangatana e ao cimo da escada a entrada para a exposição do Arquitecto José Forjaz.

Apenas para ajudar a despertar o interesse por uma visita a esta exposição, apresentam-se, em seguida, alguns poucos pormenores da exposição de José Forjaz, que, mais uma vez se sublinha, se caracteriza por grande extensão e qualidade dos edifícios e projectos apresentados, que são devida e sistematicamente comentados pelo Arquitecto José Forjaz; a reduzida qualidade das reproduções deve-se, apenas, a tratar-se de fotografias tiradas a título ilustrativo, pelo autor destas linhas, não correspondendo de nenhum modo à muito elevada qualidade das imagens e do arranjo gráfico dos painéis expostos, desenvolvidos pelo Atelier de José Forjaz.




Fig. 05: imagem de um dos painéis da exposição; autoria do painel: "José Forjaz Arquitectos"




Fig. 06: imagem de um dos painéis da exposição; autoria do painel: "José Forjaz Arquitectos"




Fig. 07: imagem de um dos painéis da exposição; autoria do painel: "José Forjaz Arquitectos"




Fig. 08: imagem de um dos painéis da exposição; autoria do painel: "José Forjaz Arquitectos"

Edita-se, em seguida, um texto extraído de uma nota de divulgação da Câmara Municipal de Almada sobre a exposição de José Forjaz patente na Casa da Cerca

"JOSÉ FORJAZ ARQUITECTO. IDEIAS E PROJECTOS

Em 1997 a Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea realizou a primeira exposição de Arquitectura – Raul Chorão Ramalho, Arquitecto – dando continuidade ao fundamento da sua actividade: a vocação para o Desenho. Desde então, com regularidade, outros percursos profissionais foram aqui apresentados divulgando diferentes obras de arquitectos e urbanistas portugueses e também estrangeiros, como foi o caso de Alvar Aalto e de Vilanova Artigas.

A presente exposição – José Forjaz Arquitectos. Ideias e Projectos – com carácter antológico, tem início em 1962 e permite acompanhar, através de dezenas de trabalhos, a actividade inicial individual do Arquitecto, que depois se vai fundindo ao longo dos anos na produção colectiva do Atelier, no domínio da Arquitectura, do Desenho Urbano e do Design em diferentes temas e programas, sobretudo desenvolvida no continente africano.

A obra que se descobre nesta exposição, localizada ou projectada para Portugal Moçambique, África do Sul, Tanzânia ou Suazilândia, ao mesmo tempo que dá conta de parte da geografia de trabalho deste Arquitecto, evidencia uma caminho que se foi consolidando a par de uma ética de ser Arquitecto e fazer Arquitectura.

Por esta razão também permanece em Moçambique para onde foi definitivamente em 1975, sendo indissociável do seu percurso profissional tanto a dimensão do exercício de uma cidadania activa e interveniente, que se traduz nos diversos cargos que ocupou após a independência daquele país, como a dimensão de pedagogo que concretiza quer enquanto director da Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico da Universidade Eduardo Mondlane (Maputo), entre 1988 e 2009, quer ainda como professor visitante de universidades e faculdades nos Estados Unidos, em Itália, na África do Sul e na Índia.

Esta exposição pretende assim contribuir tanto para a divulgação da obra deste Arquitecto como para a possibilidade de com ela e através dela, abrir caminho ao debate público em torno da Arquitectura, do Urbanismo e da intervenção no espaço público.

A exposição está patente até 9 de Janeiro de 2011."


Clique, em seguida, para ter mais informações sobre as exposições num site da Câmara Municipal de Almada
http://prod.cmav2.acd.pt/portal/page/portal/CASA_CERCA/DESTAQUES/DETALHE/?cerca_destaques_detalhe=41760616&cboui=41760616

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.

Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte
Infohabitar, Ano VII, n.º 327, 1 de Janeiro de 2011