terça-feira, dezembro 01, 2020

Uma habitação ligada à natureza e bem estimulante (bons espaços e ambientes domésticos I) – Infohabitar # 757

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Infohabitar, Ano XVI, n.º 757

Edição: terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Uma habitação ligada à natureza e bem estimulante (bons espaços e ambientes domésticos I) – Infohabitar # 757

 

Caros leitores da Infohabitar, 

Continuando em um dos temas “centrais” da nossa revista: os espaços do habitar, vamos aprofundando, em cada semana, esta matéria, neste caso específico no âmbito de um global e adequado desenvolvimento dos espaços e ambientes domésticos.

Esta viagem pelos espaços do habitar continuará a ser feita nas próximas semanas editoriais da Infohabitar, apenas com eventuais intervalos mais dedicados à divulgação de iniciativas julgadas especialmente interessantes ou a outras matérias mais ligadas a datas específicas.

Lembra-se, novamente, que serão sempre muito bem-vindas eventuais ideias comentadas sobre os artigos aqui editados e propostas de novos artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com , ao meu cuidado).

Considerando a atual e ainda muito crítica evolução da pandemia, voltar a sublinhar-se a vital importância do distanciamento social, conseguido, designadamente, pelo cumprimentos das obrigações legais agora definidas, através do teletrabalho e do confinamento obrigatório em determinados períodos do dia e da semana e de todas as medidas de proteção própria e dos outros, que são muito favorecidas com o uso sistemático, maximizado e cuidadoso de máscara – seja no interior seja nos espaços públicos – e por um reforço dos cuidados de higiene próprios e relativamente à sistemática  higienização dos ambientes e dos objetos que usamos no dia-a-dia.

Não tenhamos dúvida de que boa parte do combate à pandemia passa por estes nossos esforços pessoais e familiares, que terão de se enraizar nos nossos hábitos diários, mesmo quando no horizonte temos já as vacinas

Despeço-me, até à próxima semana, enviando saudações calorosas e desejos de força e de boa saúde para todos os caros leitores  e seus familiares,    

Lisboa, Encarnação, em 30 de novembro de 2020

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar

 

Uma habitação ligada à natureza e bem estimulante (bons espaços e ambientes domésticos I) – Infohabitar # 757

António Baptista Coelho

(texto e imagens)

Resumo

No presente artigo desenvolve-se uma reflexão sobre os aspetos que caraterizam o que podemos considerar como "bons espaços e ambientes domésticos", abordando-se as matérias “básicas” da relação com a natureza e da previsão de boas condições de conforto ambiental, e de como uma habitação pode ser verdadeiramente agradável e estimulante, numa abordagem que se baseia nos modos como as crianças sentem e vivem o seu espaço doméstico de grande proximidade.

Reflectimos, assim, um pouco, sobre a importância do conforto ambiental e da força imaginativa dos nossos mundos domésticos, numa dupla perspectiva que nos poderá proporcionar uma habitação agradável e globalmente estimulante.

 

1. Em primeiro lugar: respeitar a relação com a natureza no espaço habitacional

É, de certa forma, consensual que para oferecer bons espaços e ambientes domésticos há, em primeiro lugar, que respeitar, nesses espaços, a relação global e múltipla com a natureza e, designadamente, com o movimento aparente do Sol; e se imaginarmos espaços expressivamente isolados/separados de tais relações teremos, sem dúvida, espaços muito desagradáveis e mesmo tendencialmente muito pouco habitáveis (ex., no limite, os odiados calabouços medievais, isolados da natureza, do mundo vivo e mesmo praticamente do passar do tempo e, cumulativamente, sem qualquer conforto e espacialmente mínimos).

Escreveu Ken Kern que:

"as relações com as horas do dia, as estações e a orientação solar formam uma parte inconsciente da experiência do homem, do mesmo modo que a necessidade de isolamento e de sociabilidade.... Uma casa de vidro, por exemplo, com a sua acessibilidade e transparência, conduziria à satisfação do aspecto social e extrovertido da natureza humana e da sua ânsia de expansão. A natureza introvertida do homem, por outro lado, pode procurar os confins das suas origens cavernícolas... em espaços obscuros e misteriosos. De qualquer modo, o encerramento de um espaço não deve entrar em conflito com a expansividade de outro. Ambos são igualmente necessários e essenciais....O espaço não tem de ser necessariamente restringido pelos seis planos de um compartimento desenhado e construído de maneira convencional. O espaço pode ser ilimitado ou pode estar apenas parcialmente confinado". (1)

Estas importantes palavras de Ken Kern levam-nos muito longe e muito fundo, tanto nas matérias, aqui abordadas, da relação global com a natureza e da sua importância essencial na construção do bom habitar, como na matéria mesma da boa arquitectura do habitar e de uma sua exigente e múltipla qualificação, que, para ser ainda mais sensível e sentida, deverá funcionar de forma “una” e especificamente caracterizada em cada intervenção, aliando-se, com grande naturalidade, aspetos múltiplos da composição arquitectónica  com aspetos básicos do bem-estar e da relação com o meio natural e o mundo vivo e cíclico, como é, por exemplo, uma adequada e estimulante insolação dos diversos espaços domésticos ao longo do dia e ao longo do ano.

E é bem interessante ter presente que, por exemplo,  a importância da insolação na satisfação e mesmo na alegria de se habitar uma dada casa é algo de fundamental; e nesta matéria e julga-se a propósito lembra-se que Rodríguez Villasante referiu (2) que num extenso conjunto de empreendimentos de habitação de interesse social na envolvente de Madrid, não se detectaram manifestações de insatisfação para com os espaços/fogo, nem transferência para eles de aspetos de culpa por condições de existência menos agradáveis, mas como única excepção destacaram-se queixas de habitantes que reclamavam por falta de luz e de insolação nas suas habitações, que estavam orientadas a Norte. (3)

E nunca será demais sublinhar que tais aspetos de relação com o meio natural, com a luz do dia, com o luar, com o vento, com os reflexos da luz do Sol nos interiores se têm de casar/integrar com os aspetos da comunicabilidade entre espaços interiores, exteriores e de transição, e ainda com os tão importantes aspetos de relação com as vistas exteriores mais próximas e/ou paisagísticas; e tudo isto num respeito ou num adequado e adaptável serviço ao conjunto das funções residenciais.

Fig. 01: um espaço habitacional (i) que tem de ser concebido em aliança com o espaço naturalizado envolvente e devidamente intervencionado em termos paisagísticos e (ii) tendo em conta os diversos aspetos de conforto ambiental que esse espaço envolvente proporciona diretamente e nas habitações contíguas e próximas.


2. Importância determinante do conforto ambiental no espaço habitacional

A ideia que se quer aqui sublinhar é a importância determinante do conforto ambiental, com destaques específicos para a insolação, a luz natural, a ventilação (4), o isolamento de ruídos e o isolamento térmico, para uma verdadeira satisfação com o espaço doméstico. De certa maneira podemos dizer que tudo o resto se constrói sobre esta base de adequado conforto ambiental de que se conhecem já, bem, os respectivos aspectos técnicos.

São os seguintes os aspectos julgados fundamentais para um adequado conforto ambiental doméstico.

2.1. Máxima, mas cuidada, insolação e iluminação natural abundante e geral

Chama-se a atenção para a influência que têm estas condições no bem-estar físico e psicológico e na alegria de viver, e basta lembrar os dias cinzentos que a muitos deprimem para imaginar a influência que tem uma casa em que mal se veja o Sol e onde se tenha de estar, quase sempre, de luz acesa.

Naturalmente que a luz e a radiação solar não poderão ser em excesso e para isso importa trabalhar, seja em aspetos básicos de orientação e dimensionamento dos vãos exteriores, seja na sua adequada configuração e eventual proteção (ex., palas de sombreamento).

E é interessante referir que a melhor caracterização do habitar em termos de espaço arquitectónico decorre, em grande parte, interior mas também exteriormente, de um adequado e arquitectonicamente bem integrado e pormenorizado aproveitamento e controlo dessas adequadas condições de insolação, luz natural, ventilação, relação com o bem-estar higrotérmico e conjugação com as vistas exteriores, mas evidentemente não esquecendo as vistas próprias.

De certa forma a arquitectura residencial pode e deve retirar boa parte do seu carácter próprio e desejavelmente quase único de uma adequada e sensível habilitação ao meio natural em que se deverá integrar, lembrando, afinal, a sua razão básica e fundadora de abrigo e protecção em total integração na natureza.

2.2. Diversas zonas e compartimentos bem orientados

A orientação dos diversos compartimentos habitacionais deve ser desenvolvida relativamente ao movimento aparente do Sol, respeitando, sempre que possível, a velha e boa estratégia do acordar com o Sol nascente, das cozinhas mais frescas e protegidas e da protecção do Sol poente, designadamente, nos espaços mais ocupados ao final da tarde ou a partir desta altura do dia.

E há muito escrito sobre a importância que tem poder-se viver um dia-a-dia marcado pelos ritmos naturais, um dia-a-dia que, depois, se estende, com agradável naturalidade, ao próximo acompanhamento da mudança das estações do ano, matéria esta que, evidentemente, se liga à existência de uma expressiva componente de verde urbano.

2.3. Ventilação cruzada eficiente e "positiva"

O espaço habitacional deve ser cuidadosamente “varrido” por uma ventilação cruzada, que se desenvolva, portanto, entre duas fachadas opostas, condição esta que é de grande importância para a renovação do ar interior, para o controlo da humidade no ar interior, e para o desejável equilíbrio da temperatura interior, associada também a aspetos de ventilação; e tais “exigências” seriam suficientes para “proibir” a existência de habitações “mono-orientadas”, também narcadas por muito negativas condições de vistas exteriores numa única direção geral.

A referida ventilação cruzada eficiente e “positiva” deve ser assegurada, designadamente, pela localização da cozinha e instalações sanitárias "exteriores" a sotavento, no edifício – fachada do edifício oposta ao lado de onde sopra habitualmente o vento – proporcionando-se que os gases e cheiros nocivos ou desagradáveis sejam estratégica e rapidamente evacuados pelos vãos exteriores, não invadindo a casa); e nesta ventilação é fundamental que ela seja estrategicamente considerada “varrendo” o máximo do volume interno da habitação; uma condição que, por exemplo, no Verão é fundamental para um bem-estar que muito ultrapassa os aspectos apenas físicos.

E naturalmente que esta estratégia de ventilação terá de ser devidamente suportada por vãos exteriores e interiores bem configurados e equipados (ex., "bandeiras" específicas de ventilação, dispositivos de ventilação integrados nos vãos, etc.).

2.4. Ausência de continuidades e contiguidades perturbadoras em termos acústicos

Nesta matéria Dreyfuss e Tribel consideram que o isolamento razoável entre duas partes da mesma habitação só é possível mediante a separação por duas portas, ou por uma parede suficientemente espessa e pesada, por exemplo, entre a sala e um quarto contíguo e que certas contiguidades não devem ser permitidas (5); e há que sublinhar que a ausência de ruído é uma condição básica da satisfação residencial, provada em muitos estudos.

Mas a estratégia de proteção acústica tem de ser muito ampla e associada:

·      aos ruídos produzidos no interior da própria habitação;

·      aos ruídos produzidos em habitações vizinhas (destacando-se habitações superiores) e em espaços e equipamentos comuns do edifício (ex., ascensores e escadas comuns);

·     e aos ruídos exteriores mais diversos.

2.5. Conforto higro-térmico

O conforto higrotérmico tem relações diretas e indiretas com quase todos os aspetos que acabaram de ser apontados e depende de matérias específicas construtivas e de pormenor, com natural destaque para os aspetos de isolamento, sendo importante referir que este conforto tem quadros específicos e bem distintos no Inverno e no Verão, que muitas vezes não são globalmente considerados, e constitui matéria crítica no bem-estar e na saúde dos habitantes, mas com especial incidência naqueles mais sensíveis - crianças, idosos e doentes.


2.6. Nota breve sobre a grande importância específica e da integração dos diversos aspetos do conforto ambiental doméstico

Muito brevemente aqui se registam dois aspetos:

·      O primeiro refere-se à vital importância específica que têm os diversos aspetos do conforto ambiental doméstico, que foram aqui apenas muito sinteticamente apontados, com o objetivo de se disponibilizar uma reflexão de síntese e relacionada com as outras matérias em seguida abordadas.

O segundo tem a ver com a importância destes aspetos de conforto ambiental doméstico serem considerados de forma integrada, nas suas diversas matérias (insolação, higrotérmica, iluminação natural, ventilação, acústica), seja no que se refere ao interior doméstico, seja no que tem a ver com a relação entre este interior e o exterior envolvente, e ainda com a própria vivência estimulante deste exterior; esta matéria parece óbvia, mas não o é, infelizmente, e o projeto de arquitetura tem tudo a ver com tal integração.

Fig. 02: um espaço habitacional (i) que tem de ser concebido em aliança com os diversos aspetos do conforto ambiental e que (ii) é (tem de ser) muito mais do que um espaço de estritas funcionalidades e de "frios" dimensionamentos físicos.

3. Uma habitação verdadeiramente agradável e estimulante - a partir de como as crianças a sentem e vivem (segundo Gilles Barbey)

Vamos, então, em frente neste pequeno mundo doméstico e pensemos, um pouco, globalmente, sobre o que poderá ser o caminho de uma verdadeira satisfação, que ultrapasse os referidos aspectos ambientais; e nesta perspectiva podemos recorrer e generalizar, nos itens seguintes, algumas conclusões de um estudo de Gilles Barbey sobre como as crianças imaginam e lêem as casas. (6)

3.1. Uso dinâmico do espaço habitacional

Barbey salienta o que refere ser um uso dinâmico do espaço, expresso em dimensões de habitações, que embora muito grandes não são monumentais:

·      os quartos individuais têm aspecto agradável e estão ligados e atravessados por túneis e corredores, sugerindo itinerários e direcções, capazes de proporcionarem condições exploratórias e aventurosas nas habitações;

·      e a casa é considerada como um labirinto reconfortante, embora não perdendo alguns aspectos que produzem receios.

Desenvolve-se, assim, uma integração ponderada entre espaços de circulação e outros compartimentos e favorece-se, assim, uma estruturação que joga na surpresa e nas alternativas de ligações entre espaços, assim como na forte caracterização de alguns desses espaços.

Julga-se que esta forma de desenvolver uma habitação é um excelente caminho de positiva subjugação dos aspectos funcionais a valores de caracterização doméstica fundamentais e que têm também a ver com um certo sentido lúdico, estimulante do próprio prazer de usar uma casa que seja um cenário de vida estimulante e curioso, mesmo depois de muitos anos de vivência.

Uma condição que, tal como tem sido apontado, também há que favorecer ao nível do micro-urbanismo de vizinhança e que, naturalmente, deverá transparecer, de forma atraente nas relações entre esses mundos mais domésticos  e estes mundos mais públicos, mas ainda muito íntimos.

3.2. Habitações caracterizadas por uma ambivalência básica

Gilles Barbey aponta, também, que as crianças imaginam casas caracterizadas por uma ambivalência básica, como elemento vertical que se ergue do solo, ou corpo concentrado, que é lugar de lançamento da pessoa na sociedade e concha de abrigo, independência e protecção; portanto, uma casa que é simultaneamente concha protectora e elemento de relacionamento urbano.

E cá temos, novamente, matéria fundamental para uma reflexão prática que sublinha o interesse de uma conjugação maximizada entre um sentido de integração de cada casa na continuidade urbana protectora e sinais sóbrios, mas claros, de identidade e de apropriação de cada sítio que se habita em casa, no café, no jardim de vizinhança, etc.

3.3. Habitações que suscitam sentimentos de permanência e relações de afetividade

E, finalmente, o referido Gilles Barbey evidencia, na imaginação doméstica infantil, as ideias de permanência e de afectividade relacionadas com a de eficácia, porque as casas vernáculas proporcionam, frequentemente, um sentimento agradável e seguro de permanência, relacionado tanto com os valores socioculturais, como com as características locais, topográficas, geológicas e climáticas; e aqui os desenhos referidos por Barbey referem-se a imagens tradicionais confirmando que as crianças procuram, naturalmente, a permanência e a duração encontradas na natureza e nas casas vernáculas.

E não será que todos nós não nos sentimos melhor em habitações e espaços residenciais marcados por tais aspectos de agradabilidade e de permanência?

Notas de remate

Pensou-se, assim, um pouco, sobre a dupla e, desejavelmente, integrável importância do conforto ambiental e da força imaginativa dos nossos mundos domésticos: uma dupla perspectiva que nos poderá garantir uma habitação tão agradável/confortável como imaginativa e estimulante.

Nesta reflexão sobre os aspetos que parecem ser essenciais na concepção arquitectónica residencial iremos, na próxima semana, abordar outras matérias também ligadas ao desenvolvimento de "bons espaços e ambientes domésticos", não nos limitando aos que se podem caraterizar como "simplesmente" funcionais.


Notas:

(1) Ken Kern, "La Casa Autoconstruida", p. 113.

(2) Tomáz Rodríguez Villasante, et al, "Retrato de Chabolista con Piso", p. 135.

(3) Em Portugal recomenda-se que os fogos tenham dupla exposição, sendo uma das fachadas orientada entre E-SE e SW (quartos orientados entre E-SE e S-SE, sala entre S-SE e SW); aceitam-se fogos com exposição simples, desde que a fachada não esteja orientada entre NE e SW (Ministério do Equipamento Social, "Recomendações Técnicas para Habitação Social", Artº 4.2.1.5); no entanto continuam a acontecer situações de não cumprimento desta condição.

(4) "Deverá ficar assegurada a ventilação transversal do conjunto de cada habitação, em regra por meio de janelas dispostas em duas fachadas opostas"; assim se regista no Artº 72, "Regulamento Geral das Edificações Urbanas", e no entanto continuamos a visitar casos de mono-orientação.

(5)  Dreyfuss e Tribel consideram que certas contiguidades não devem ser permitidas: canalizações de água ao longo de paredes de quartos e salas; equipamentos hidráulicos encostados a paredes de quartos; cozinhas sobrepostas a quartos; quartos contíguos a salas de fogos vizinhos e a escadas e galerias comuns. (D. Dreyfuss; J. Tribel, "La Cellule-Logement", p. 25).

(6) Gilles F. Barbey, "Man-Environment Interactions, Evaluations and Applications-Part3, Anthropological Analysis of the Home Concept: Some Considerations Based on the Intrepretations of  Childrens' Drawings", pp. 146 a 149.


O presente artigo corresponde a uma edição ampliada, modificada e revista do artigo que foi editado na Infohabitar, em 22/06/2014, com o n.º 488.

Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XVI, n.º 757

Uma habitação ligada à natureza e bem estimulante (bons espaços e ambientes domésticos I) – Infohabitar # 757 

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

abc.infohabitar@gmail.com

abc@lnec.pt

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).

 

terça-feira, novembro 24, 2020

Espaços comuns habitacionais conviviais - Infohabitar # 756

Ligação direta (clicar) para:  725 Artigos Interactivos, edição revista, ilustrada e comentada - 38 temas e mais de 100 autores.

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 756 

Edição: terça-feira, 24 de novembro de 2020

 

Espaços comuns habitacionais conviviais - Infohabitar # 756

 

Caros leitores da Infohabitar,

Continuando em um dos temas “centrais” da nossa revista: os espaços do habitar, vamos aprofundando, semana a semana, esta matéria, neste caso específico no âmbito do adequado e diversificado desenvolvimento de espaços comuns habitacionais naturalmente motivadores de um convívio informal e agradavelmente acplhedor.

Esta viagem pelos espaços do habitar continuará a ser feita nas próximas semanas editoriais da Infohabitar, apenas com eventuais intervalos mais dedicados à divulgação de iniciativas julgadas especialmente interessantes ou a outras matérias mais ligadas a datas específicas.

Lembra-se, novamente, que serão sempre muito bem-vindas eventuais ideias comentadas sobre os artigos aqui editados e propostas de novos artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com , ao meu cuidado).

Considerando a atual e ainda muito crítica evolução da pandemia, voltar a sublinhar-se a vital importância do distanciamento social, conseguido, designadamente, pelo cumprimentos das obrigações legais agora definidas, através do teletrabalho e do confinamento obrigatório em determinados períodos do dia e da semana e de todas as medidas de proteção própria e dos outros, que são muito favorecidas com o uso sistemático, maximizado e cuidadoso de máscara – seja no interior seja nos espaços públicos – e por um reforço dos cuidados de higiene próprios e relativamente à sistemática  higienização dos ambientes e dos objetos que usamos no dia-a-dia.

Não tenhamos dúvida de que boa parte do combate à pandemia passa por estes nossos esforços pessoais e familiares, que terão de se enraizar nos nossos hábitos diários, mesmo quando no horizonte temos já as vacinas; tal como defendem os especialistas.

Despeço-me, até à próxima semana, enviando saudações calorosas e desejos de força e de boa saúde para todos os caros leitores  e seus familiares,    

Lisboa, Encarnação, em 23 de novembro de 2020

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar



Espaços comuns habitacionais conviviais - Infohabitar # 756

António Baptista Coelho

(texto e imagens)


Resumo

Depois de uma pequena introdução que se pretende justificativa da abordagem estrategicamente limitada à temática da convivialidade nos espaços comuns, que é feita no artigo, passa-se a uma reflexão sobra a dimensão conceptual de tais espaços para além da sua básica função circulatória.

Sequencialmente abordam-se os cuidados julgados essenciais na (re)”invenção” de espaços comuns habitacionais e do respetivo papel na estruturação e caraterização de tipolologias de edifícios.

Finalmente avança-se para o “coração” temático do artigo, referido ao papel e às possíveis diversas facetas do estímulo do convívio nos espaços comuns habitacionais e, consequentemente, da respetiva relação com formas de habitação mais partilhadas, cooperativas ou coletivas, concluindo-se com o apontamento do interesse deste tipo de desenvolvimentos na criação de edifícios dirigidos para o coohousing intergeracional.

 

Introdução

A reflexão e a discussão sobre a convivialidade nos espaços comuns habitacionais é uma daquelas matérias que, por si só, podem e devem marcar teses teórico-práticas, como tem acontecido, mas talvez de forma pouco intensa e continuada; talvez um pouco porque mesmo entre os profissionais da concepção arquitectónica e residencial a “forma” do espaço comum basicamente circulatório e legalmente prescrito é matéria naturalmente assumida e praticamente não discutível e discutida.

No presente artigo não se ira desenvolver uma reflexão minimamente aprofundada do tema, das virtualidades e do, julgado, esquecimento a que têm estado votados os espaços comuns habitacionais, mas apenas algumas notas subtemáticas a propósito desta matéria que é, sem dúvida, extremamente rica e extensa, designadamente, ao nível da criação arquitectónica do edifício residencial.

1. Espaços comuns residenciais para além das circulações

Os principais aspectos motivadores do uso de espaços comuns suplementares aos estritamente dedicados a acessos e circulações, têm a ver com motivadoras condições de acessibilidade, espaciosidade, conforto ambiental – luz natural, isolamento acústico (proporcionando festas), climatização –, equipamento e arranjo interior.

Nesta matéria julga-se que não deve haver qualquer dúvida que apenas quando condições como as que acabaram de ser referidas são extremamente apetecíveis, em determinados espaços comuns de edifícios residenciais, as pessoas terão alguma tendência a saírem dos seus “mundos privados” e a “arriscarem” um maior convívio condominial; e, a título de exemplo, lembremos os espaços de estar dos hotéis e em que condições eles nos atraem mais, e a situação de atracção ou de repulsão é idêntica.

Lembremos que a agradabilidade geral e, diga-se até, uma estimulante curiosidade na vivência de qualquer espaço comum – curiosidade esta estrategicamente liga a atais condições  (ex., janelas marcando estrategicamente determinados espaços e/ou sequências de circulação e estar) – é, claramente, um factor que qualifica positivamente o seu uso.

E salienta-se que estamos aqui a referir os espaços comuns estritamente necessários – patins, escadas, galerias –, enquanto que condições opostas aquelas, portanto definindo espaços comuns pouco agradáveis, porque com espaciosidade, desconforto ambiental – sem luz natural, acusticamente mal concebidos (reverberantes) e muito frios ou muito quentes consoante as estações –, e ambientalmente monótonos e pobres, são condições que tornam a vivência comum muito pouco agradável desde logo nas circulações que se têm de fazer, obrigatoriamente, no edifício e que levam, frequentemente, ao quase-abandono de outros espaços comuns assim caracterizados.

Fig. 01:  é essencial que os espaços comuns sejam ambiental e pormenorizadamente agradáveis, estimulantes e verdadeiramente humanizados, e muitas vezes tais condições nem obrigam a condições espaciais de espaciosidade e de “luxo” nos acabamentos, tal como se julga ser , aqui, evidente neste patim habitacional  - habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Johan Nyrén.

2. Cuidados a ter na (re)“invenção” de espaços comuns residenciais

Os problemas correntes em espaços comuns que podemos designar de “suplementares”, porque previstos acima do que é estritamente exigível em termos de acesso às habitações e aspetos regulamentares aplicáveis, terão, frequentemente, a ver com aspectos de gestão e de harmonização no uso destes espaços, seja numa sua vivência normal, do dia-a-dia, pois um grupo limitado de vizinhos será, sempre, um motivo potencial quer de convivialidade, quer de conflito, seja em acções de usufruto desses espaços por grupos familiares específicos (por exemplo, quando se aceite que, de acordo com regras previamente estabelecidas, possam decorrer pequenas festas familiares em alguns desses espaços).

Sobre esta matérias não haverá grandes receitas prévias a considerar para uma adequada (con)vivências em tais quadros residenciais a não ser a elaboração de um regulamento de condomínio específico de enquadramento do uso desses espaços que seja tão completo como simples e claro na sua compreensão, a existência de uma gestão de condomínio eficaz e com presença o mais possível contínua – o que poderá implicar gastos suplementares e/ou opções por condomínios de maior dimensão – e, na base de tudo isto um conjunto de espaços e de equipamentos de condomínio que aliem as referidas qualidades vivenciais a um máximo de facilidade de gestão e de manutenção, com um mínimo de potenciais más influências ambientais (por exemplo ruído, luz, movimentação) nos espaços comuns em maior contiguidade com os apartamentos.

Um problema corrente e inibidor do funcionamento de espaços comuns mais afirmados é qualquer sentido de “quase obrigatoriedade” no uso de outros espaços comuns que não aqueles estritamente necessários para o acesso à habitação; não tenhamos qualquer dúvida que qualquer dimensão comum suplementar à estritamente necessária tem de ser totalmente assumida como uma escolha própria de cada habitante, devendo haver uma separação relativamente maximizada – embora o mais natural possível – entre espaços comuns “obrigatórios” (de acesso) e outros espaços comuns “alternativos”, só assim o convívio comum será uma opção livre e estimulante, de outra forma ele terá muito poucas possibilidades de se radicar e dinamizar.

No que se refere mesmo à referida (re)”invenção de espaços comuns residenciais o que basicamente se recomenda é que, por um lado, na sua base, seja desenvolvida uma cuidadosa análise do que tem sido feito e do que tem resultado de muitas dessas experiências, por outro lado, que não fiquemos reféns de soluções que parecem únicas óbvias e que, frequentemente se caraterizam , praticamente, pela “anulação” de tais espaços, designadamente, em termos da sua presença, das funções aí possíveis e das formas aí praticáveis e, finalmente, que possamos encarar tal (re)”invenção” ao serviço das atuais tantas e tão diversificadas novas exigências, necessidades e gostos habitacionais.

3. “Novos” espaços comuns e tipos de edifícios

Naturalmente que o desenvolvimento de novos ou renovados tipos de espaços comuns habitacionais deve marcar a (re)criação de tipologias de edifícios habitacionais menos correntes ou mesmo relativamente inovadores.

E aqui talvez seja interessante parametrizar situações opostas e relativamente extremas, designadamente: soluções de espaços comuns muito encerrados, não especialmente desafogados e sem presença de luz natural, vistas e outros elementos naturais; e soluções de espaços comuns caracterizados, prática ou mesmo integralmente, como espaços públicos ou de uso público, muito espaçosos e abertos à natureza e/ou à cidade e a vistas paisagísticas. E atente-se que aqui a vontade foi caraterizar situações opostas e “limite”, pois mesmo a primeira solução, muito encerrada, poderá configurar ambientes extremamente qualificados, residencializados e atraentes.

Mais uma vez se sublinha o interesse que terá uma análise teórico-prática, aprofundada e bem ilustrada de excelentes soluções de um outro tipo, tendo em conta especificamente, quer a satisfação ampla dos respetivos habitantes, de preferência ao longo de um extenso período temporal – por exemplo, cobrindo mais do que uma geração de habitantes e, portanto, a mutação das suas necessidades e anseios habitacionais e urbanos –, quer a importância urbana e mesmo histórica e cultural de tais intervenções, faceta esta que é urgente considerar em muitas operações urbanas.

E salienta-se que, naturalmente, entre a solução do tipo “grande hotel residencial” e “pequenas ruas residenciais elevadas e abertas à paisagem”, muitas outras soluções mistas, de transição, funcional e formalmente inovadoras e, muito especialmente, muitas soluções quase-únicas, porque super-radicadas em situações urbanas e/ou naturais específicas, serão possíveis e desejáveis, enriquecendo a paisagem urbana e diversificando apetecivelmente a oferta residencial e urbana.

E sempre, evidentemente, a estruturação dos respetivos espaços comuns habitacionais e a sua caracterização, global e pormenorizada, deverá marcar identitariamente cada um dos edifícios e complexos edificados assim criados, tornando-os bem distintos e apropriáveis e bem diversos da mole, indistinta, monótona e triste que marca boa parte da produção habitacional actual, desde a habitação dita de luxo à dita “social”.

Fig. 02: a questão da procura de espaços comuns que propiciem algum desenvolvimento de convívio natural entre vizinhos é matéria de relevante importância, designadamente, no mundo atual tão individualista e tão expressivamente protector da privacidade, sendo matéria que ganha enorme relevância quando se trata de soluções de edifícios com algum caráter comunitário ou de comunidade de serviços/equipamentos; na imagem temos uma das muitas soluções possíveis de galerias habitacionais exteriores, neste caso agradavelmente espaçosas, formal e funcionalmente orgânicas, harmonizando circulação comum e pequenas bolsas de convívio doméstico e integrando urbanidade e natureza  - habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Gorän Mansson, Marianne Dahlbäck.

4. Convívio nos espaços comuns habitacionais

A principal e fundamental questão que se pode colocar é, talvez, se em edifícios multifamiliares correntes, isto é, marcados essencialmente pelos respectivos apartamentos e sem objectivos específicos de uma vivência comum mais acentuada, haverá interesse no aprofundamento desta dimensão potencialmente mais convivial, ou, pelo menos, mais desafogada na caracterização do nível comum do edifício.

Sobre este assunto poderemos, desde já, apontar que haverá algumas opções a ter em conta e designadamente:

·      se a operação é marcada por objectivos específicos de economia;

·      se é possível introduzir características de espaciosidade um pouco mais desafogadas em certas zonas estratégicas;

·      e se há tendências de convivialidade comum que interesse apoiar e dinamizar.

E vale a pena reflectir que um pouco mais de espaço comum, além do estritamente necessário, pode custar muito pouco mais e proporcionar uma vivência comum no acesso aos apartamentos muito mais agradável, estimulante e, eventual e naturalmente convivial; e tais condições podem ser simplesmente previstas em patins e átrios ligeiramente mais espaçosos, bem cuidados e bem equipados, e com tais condições pode-se conseguir um edifício com uma dimensão “comum” que não sendo muito especial é, no entanto, muito mais especial do que os simples e tantas vezes claustrofóbicos espaços-canal de acesso rápido ao apartamento de cada um.

E há, talvez, pelo menos, mais dois outros aspectos a considerar: o primeiro ligado ao “valor”, até bastante objetivo, que poderemos atribuir ao convívio natural, seja no bem-estar proporcionado entre vizinhos, seja em aspetos tão objetivos como uma maior estima pelo edifício e uma maior facilidade e eficácia da respetiva gestão local; e o segundo ligado ao próprio sentido do convívio local e residencial de proximidade, que, se julga, que mesmo quando praticamente limitado a simples relações de boa vizinhança , até relativamente formal (por ex., habilitação espacial e ambiental que favoreça a simples saudação e, consequentemente, o reconhecimento mútuo) torna o habitar local muito mais agradável, “pacífico”, com reduzidas tensões ligadas à proximidade entre pessoas e mesmo, tendencialmente prático em termos da criação de algumas relações de vizinhança potencialmente úteis na vida diária.

5. Espaços comuns e “habitação coletiva”

Por fim, deve haver a possibilidade de optar não por um edifício “multifamiliar”, mas por um verdadeiro edifício de “habitação colectiva”, onde haja um verdadeiro nível de habitar em comum, através de espaços, equipamentos e serviços comuns específicos, suplementares ao nível habitacional privativo.

Ainda além desta opção também deve ser possível a opção por uma habitação comunitária – em termos essencialmente funcionais e/ou em termos de verdadeira opção de vida –, em que tais espaços, equipamentos e serviços comuns específicos terão maior desenvolvimento e o nível habitacional privativo esteja, eventualmente, reduzido, essencialmente, aos espaços tipo suite privativa mínima – com diversos “pacotes” de equipamentos próprios; e mesmo esta opção mais comunitária pode ser tomada em conjugação com habitações privativas extensamente desenvolvidas (há muitos casos destes no Norte da Europa), pode caracterizar soluções com forte afinidades hoteleiras, em que o espaço comunitário alberga um leque bem definido de serviços, ou pode ter uma verdadeira dimensão comunitária de partilha de uma boa parte das actividades domésticas.

E a principal questão que se quer deixar, aqui, sublinhada, é que é possível e é desejável poder oferecer mais este leque de opções de viver em comum. De certa forma aqui também se trava a luta entre continuar a fazer sempre a mesma solução corrente – esquerdo/direito, patim pequeno etc. – depois prolongada por habitações sempre iguais – hall, zona de quartos, suite – ou saber oferecer verdadeira diversidade de soluções de habitar, que possam mexer, realmente, com o nosso dia-a-dia, desde que entramos no nosso prédio, até que nos retiramos para o nosso mundo doméstico e mesmo para o nosso espaço muito privativo, que pode ser o nosso quarto.

6. Espaços comuns e coohousing intergeracional

Considerando-se o atual quadro demográfico e habitacional muito crítico, no que se refere ao crescimento do número das pessoas idosas e muito idosas, a viverem sozinhas e com frequentes necessidades de apoio, a actual diversificação dos modos de vida e dos desejos habitacionais, e a quase-ausência de oferta habitacional e urbana adequada a tais necessidades e desejos, parece ser muito oportuno o desenvolvimento de soluções residenciais adaptáveis a diversos modos de vida e necessidades habitacionais, nas quais se integram as necessidades e anseios específicos de pessoas idosas, mas integrados num quadro residencial naturalmente intergeracional e que seja marcado, no dia-a-dia, por uma proposta residencial naturalmente convivial, eficazmente gerida e participada e financeiramente sustentável.

E assim se dá um pequeno passo desde o desenvolvimento de um edifício de habitação coletiva, porque marcado por espaços comuns tendencialmente conviviais para o que podemos designar de uma solução integrada num Programa de Habitação Adaptável Intergeracional (PHAI), desenvolvido por uma Cooperativa a Custos Controlados (3C); programa este que foi já objeto de desenvolvimento específico aqui na Infohabitar, e que se encontra em estudo no LNEC.

Brevíssimas notas conclusivas

A modo de breves notas conclusivas apenas se refere que esta matéria do desenvolvimento dos espaços comuns residenciais tem importância básica seja no desenvolvimento dos espaços domésticos, seja na conformação das soluções de edifícios e mesmo de arquitetura urbana de pormenor, sendo de grande interesse e oportunidade, numa altura marcada pela grande diversidade de necessidades e modos de vida domésticos, o estudo aprofundado e prático do que foi feito de mais interessante em termos da diversidade de soluções de espaços comuns residenciais e dessas respetivas relações domésticas e de pequena escala urbana.

 

     Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.

 

O presente artigo corresponde a uma edição ampliada, modificada e revista do artigo que foi editado na Infohabitar, em 03/04/2016, com o n.º 576.


Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 756

Espaços comuns habitacionais conviviais - Infohabitar # 756

 

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

 

abc.infohabitar@gmail.com

abc@lnec.pt

 

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).