terça-feira, setembro 01, 2015

548 - CIHEL em São Paulo 8 a 11 setembro 2015 - Infohabitar 548

Nota prévia: devido à presença do editor no 3.º CIHEL, a Infohabitar não se publica na semana que vem - a semana do CIHEL.


O CIHEL Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono: de Lisboa (2010 e 2013), a São Paulo em Setembro de 2015.

Vale bem a pena consultar a programação pormenorizada das comunicações, que está disponível em:   http://labhab.fau.usp.br/3cihel/?page_id=13

Sobre o CIHEL

O Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono (CIHEL) nasceu em finais de 2009 no âmbito de um conjunto de vontades, dinamizadas pelo Grupo Habitar (hoje GHabitar - APPQH); o grande objetivo do CIHEL sempre foi divulgar e discutir conhecimentos e também constituir um fórum sociotécnico transnacional falado em português, dirigido para a construção de laços fortes e duráveis de cooperação técnica e económica na respetiva grande área temática do habitat humano, da cidade e do território neste nosso ainda novo século com tantas problemáticas por resolver e com tanto potencial.
Neste artigo, faz-se a apresentação sintética da próxima edição, que terá lugar já na próxima semana em São Paulo e lembram-se as primeiras duas edições.








1.º CIHEL, 2010 – “Desenho e realização de bairros para populações com baixos rendimentos

Lembra-se que o 1.º CIHEL foi realizado, em Lisboa, em Setembro de 2010, no ISCTE-IUL, com o essencial apoio e a organização da escola de Arquitetura deste Instituto e dos Professores Paulo Tormenta Pinto e António Reis Cabrita.
https://cihel01.wordpress.com/about/ (se a ligação não abrir, basta procurar "1.º cihel" e estará disponível o respetivo site para consulta).

O  1.º CIHEL juntou cerca de 300 pessoas durante 3 dias e integrou um seminário inicial, uma feira do livro e uma exposição realizada pelo CIAUD da FAUTL.








2.º CIHEL, 2013: “Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento”.
O 2.º CIHEL, 2013 foi realizado, em Março de 2013, também em Lisboa, no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), organizado pelo LNEC, com idêntico apoio dos referidos colegas Paulo Tormenta Pinto e Reis Cabrita, mais os do Prof. Miguel Amado e Eng.º Fernando Pinho e da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, que simultaneamente concretizou o 1.º CCRSEEL - Congresso de Construção e Reabilitação Sustentável de Edifícios no Espaço Lusófono .
http://2cihel.lnec.pt/apresentacao.html (se a ligação não abrir, basta procurar "2.º cihel" e estará disponível o respetivo site para consulta)
O  2.º CIHEL juntou cerca de 450 pessoas ao longo de toda uma semana, até porque esteve em ligação com outras iniciativas entre as quais se destacam/sintetizam: a apresentação e visita ao Programa da Câmara Municipal de Lisboa, "Bairros e Zonas de Intervenção Prioritária BIP-ZIP"; um Fórum do CIALP - Conselho Internacional dos Arquitectos de Língua Portuguesa; um evento da  Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas (SECP) e da AICEP-Portugal Global, com apoio do Instituto do Território (IT) integrando um grupo de empresários da diáspora lusófona; três exposições e uma grande feira do livro.
Sublinha-se que tanto o 1.º CIHEL como o segundo tiveram o essencial apoio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa  - CPLP -  e que o Senhor Secretário Executivo da CPLP, embaixador Murade Murargy, presidiu e fez uma intervenção na sessão de abertura do 2.º CIHEL.
Salienta-se, ainda, que nos dois congressos e entre tantos outras       cooperações individuais, houve apoios que viabilizaram os congressos por parte: da Câmara Municipal de Lisboa (CML), através da colega arquiteta então Vereadora da Habitação, Helena Roseta, que presidiu ao 1.º CIHEL; do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU); do Centro de Investigação em Arquitectura Urbanismo e Design da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa (CIAUD-FAUL); da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL); da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT); do Laboratório de Engenharia de Angola (LEA); e da Ordem dos Arquitetos (OA).
Em termos pessoais muitos foram os apoios vitais, mas há que destacar: o Prof. Arq.º António Gameiro, da Universidade Agostinho Neto de Angola, um elemento-chave em toda a dinâmica do CIHEL, bem como todo uma muito significativa presença de altos quadros angolanos no 2.º CIHEL, o Prof. Anselmo Cani, da Universidade Eduardo Mondlane de Moçambique, vários amigos e colegas da grande FAU-USP, entre os quais a Profª Sheila Ornstein e o Prof. Khaled Ghoubar, a Dr.ª Teresa Fonseca do LNEC e a Prof.ª Teresa Madeira do ISCTE, o Arq.º Pedro Baptista Coelho e a Técnica Anabela Manteigas, e o inestimável apoio do colega jornalista da RDP e membro da CPLP Gabriel Baguet Júnior, que realizou uma excelente cobertura do 2.º CIHEL, dando-lhe uma grande e expressiva dimensão.











3.º CIHEL, em São Paulo, setembro de 2015  - HABITAÇÃO: Urbanismo, Cultura e Ecologia dos Lugares
De 8 a 11 de setembro de 2015, o 3º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono (3.º CIHEL) acontece pela primeira vez fora de Portugal, na cidade de São Paulo.
O 3º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono (CIHEL) decorre em setembro de 2015 na grande São Paulo com a organização direta de um excelente grupo integrado por algumas das maiores escolas de arquitetura e urbanismo brasileiras e lusófonas. Este 3.º CIHEL irá, assim, sem dúvida, manter e até reforçar o rumo de extraordinário crescimento havido ao longo das primeira e segunda edições do CIHEL.
O 3.º CIHEL é organizado de forma conjunta pelas Faculdades de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP) e da Universidade Presbiteriana Mackenzie (FAU Mackenzie) e pelo Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (IAU USP), com o apoio do Laboratório de Habitação e Assentamento Humanos (LabHab-FAUUSP).
Em Portugal o 3.º CIHEL tem apoios: do Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura (DECA) da Universidade da Beira Interior (UBI) e dos seu Centro de Investigação em Arquitetura, Reabilitação, Cidade, Habitat e Edificação (CIARCHE, em formação), do Centro de Administração e Políticas Públicas  do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (CAPP-ISCSP), do Centro de Investigação em Urbanismo, Arquitectura e Design / Faculdade de Arquitectura (CIUAD-FA) da Universidade de Lisboa, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), do GHabitar APPQH, do Comitê Português de Coordenação da Habitação Social (CECODHAS) e do Secretariado Permanente do CIHEL.
O 3.º CIHEL pretende desenvolver uma abordagem ampla e multifacetada da temática HABITAÇÃO: Urbanismo, Cultura e Ecologia dos Lugares, no momento em que se desenvolvem planos para produção habitacional em larga escala e para a reurbanização de extensas áreas em vários dos países da lusofonia, tendo presente a influência da construção/reabilitação habitacional e do crescimento urbano. Paralelamente, começam a se consolidar novas formas de intervenção urbanística em assentamentos precários, resultado da vontade social e política da aplicação de novos instrumentos urbanísticos.
A estrutura organizativa do 3.º CIHEL está patente no seu site, mas desde já se sublinha o trabalho e a dedicação das três coordenadoras:
Prof. Dra. Camila D’Ottaviano – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU USP).
Prof. Dra. Denise Antonucci  – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie (FAU Mackenzie).
Prof. Dra. Lúcia Zanin Shimbo –  Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU USP).

O 3.º CIHEL pretende desenvolver uma abordagem ampla e multifacetada da temática HABITAÇÃO: Urbanismo, Cultura e Ecologia dos Lugares, no momento em que se desenvolvem planos para produção habitacional em larga escala e para a reurbanização de extensas áreas em vários dos países da lusofonia, tendo presente a influência da construção/reabilitação habitacional e do crescimento urbano. Paralelamente, começam a se consolidar novas formas de intervenção urbanística em assentamentos precários, resultado da vontade social e política da aplicação de novos instrumentos urbanísticos.
Este 3.º CIHEL visa incluir, também, as novas temáticas para o III ONU-HABITAT / Habitat III (Third United Nations conference on housing and sustainable urban development), definidas durante o 7º Fórum Urbano Mundial, em abril de 2014, que teve lugar em Medellín, Colômbia, proporcionando o melhor conhecimento da grande amplitude temática, e das problemáticas, potencialidades e especificidades das matérias tratadas.

As temáticas do CIHEL

Ainda de um modo informal, mas para se ter uma ideia do que começa a ser o acervo disciplinar e temático do Congresso,listam-se, em seguida, as temáticas abordadas nos dois primeiros CIHEL e previstas para o 3.º CIHEL; e lembra-se que estamos a tratar, desde já, de cerca de 300 comunicações científicas e técnicas e de algumas dezenas de palestras, matéria esta que poderá/deverá permitir o seu respetivo tratamento aprofundado e a sua melhorada e ampla divulgação de formas a considerar em breve.
Temas do 1.º CIHEL - Desenho e realização de bairros para populações com baixos rendimentos
I.             Políticas e programas
II.           Infraestruturas e equipamentos
III.          Soluções habitacionais e modos de vida
IV.         Materiais e tecnologias
Temas do 2.º CIHEL - Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento:
V.          Integrar a reabilitação urbana e habitacional
VI.         Sistemas, processos, tecnologias e materiais de construção
VII.       Práticas de investigação e intervenção urbana e habitacional
VIII.     Integrar a reabilitação urbana e habitacional
IX.         Sistemas, processos, tecnologias e materiais de construçãO
X.          Integrar a reabilitação urbana e habitacional
XI.         Sistemas, processos, tecnologias e materiais de construção
XII.       Práticas de investigação e intervenção urbana e habitacional
Temas do 3.º CIHEL - HABITAÇÃO: Urbanismo, Cultura e Ecologia dos Lugares:
I.             Programas e Políticas Públicas em Habitação
II.           Projetos Habitacionais
III.          Informalidade e Precariedade do Habitat
IV.         Tecnologia e Custos
V.          Habitat, Paisagem e Ambiente
No âmbito do 3.º CIHEL  decorrerão: Palestras Plenárias; Mesas Redondas; Sessões Temáticas; Oficinas Técnicas; Visitas Guiadas; e pela primeira vez um concurso académico sobre as temáticas do habitar .

É PORTANTO UM EVENTO A NÃO PERDER!


Imagem de um dos núcleos da Universidade da Beira Interior, na Covilhã, bem junto à Serra da Estrela.

Previsões para o 4.º CIHEL – temas do Habitat III e UBI, Covilhã  

Está desde já previsto que o 4.º CIHEL poderá abordar as temáticas que serão tratadas no Habitat III.

Prevê-se, assim, que, na sequência do que foi apontado relativamente à aproximação temática entre o 3.º CIHEL e o III ONU-HABITAT - Third United Nations conference on Housing and Sustainable Urban Development, o 4.º CIHEL seja, em princípio, realizado exatamente sobre a temática tratada no Habitat III, que decorrerá em Quito, Equador, em Outubro de 2015.

Pretende-se, desta forma, que o 3.º CIHEL - Setembro de 2015, São Paulo, contribua para as matérias a tratar no Habitat III - Outubro de 2016, Quito -, e que, depois, estas temáticas sejam devidamente tratadas e aprofundadas, novamente em português e no âmbito do espaço lusófono, no 4.ª CIHEL, em Março de 2017, em Portugal, na Universidade da Beira Interior, na Covilhã, Portugal; com organização da UBI e especificamente da Área de Arquitetura desta Universidade – áreas de ensino e de investigação.
Considera-se, no entanto, que haverá, durante o próximo ano, um enriquecimento e desenvolvimento deste programa, dependendo esta possibilidade do interesse de várias entidades que já se mostraram com vontade de participar ativamente neste "movimento" CIHEL.

Entidades que apoiaram o 1.º e 2.º CIHEL


E neste sentido, de entidades que criaram e têm apoiado o CIHEL desde sempre, importa salientar o Grupo Habitar - Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional (APPQH), hoje em dia designado GHabitar - APPQH; e a Federação Nacional de Coooperativas de Habitação Económica ( de Portugal), a FENACHE, que tem sido sempre um dos principais pilares do CIHEL.

Importa ainda referir com destaque a Câmara Municipal de Lisboa (CML), o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) e o CIAUD da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, que foram apoios essenciais do 1.º e 2.º CIHEL.  





Secretariado do CIHEL
Salienta-se que todas estas matérias das temáticas dos futuros CIHEL e da sua respetiva localização serão, tal como têm sido, devidamente debatidas e decididas, colegialmente, no âmbito do Secretariado do CIHEL, que se reúne sistematicamente em cada edição do Congresso.

Breves notas finais,

O CIHEL será o que os seus dinamizadores quiserem e conseguirem que ele seja, mas não tenhamos dúvida de que no CIHEL encontramos uma concentração única de colegas e de entidades extremamente conhecedoras dos principais aspetos práticos e teóricos a considerar na programação e no acompanhamento da qualidade do "habitar"; uma condição que parece ser estratégica numa altura em que no mundo da lusofonia importa ter grande e urgente atenção com as carências quantitativas e qualitativas de habitação e de espaço urbano qualificado,

Poderemos, assim, a partir do CIHEL geral ideias práticas e úteis que poderão melhorar a vida diária e ao longo de muitos anos de muitas famílias; isso passa pela vontade e disponibilidade de muitos colegas e instituições: o CIHEL limita-se a facilitar o início desse processo,


Bem hajam todos,



António Baptista Coelho

Coordenador do Secretariado do CIHEL, Presidente da GHabitar - APPQH, editor da Infohabitar, professor catedrático convidado da UBI e investigacor do LNEC

terça-feira, agosto 25, 2015

Verde Urbano Desenhado - IV - n.º 547 Infohabitar

 


O 3.º CIHEL - Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono, recebeu
118 propostas de artigos e está já aí, de 8 a 11 de setembro de 2015, em São Paulo;
vai ser uma oportunidade única de discutirmos, em português, alguns dos temas
principais que marcam as matérias do habitar e do urbanismo, ainda neste princípio
do século das cidades e quase na véspera do Habitat III.

Contamos com todos em São Paulo,

Bem hajam,

António Baptista Coelho
Coordenador da Área de Arquitetura, Universidade da Beira Interior (UBI), Covilhã,
Portugal, Editor da Infohabitar e dinamizador do CIHEL 

Infohabitar, Ano XI, n.º 547

Verde Urbano Desenhado - IV
António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns apontamentos/desenhos livres realizados sobre a temática do verde urbano.
Todos este desenhos foram realizados, no próprio local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa.
Fazem-se, em alguns casos, comentários curtos e práticos, abordando o "desenho" e também, por vezes, matérias de urbanismo e habitat humano.

O verde urbano consegue simular a natureza em plena cidade
Desenho 1: através de uma essencial e cuidadosa manutenção de preexistências e de um trabalho de arquitetura paisagista adequado é possível fazer o verde urbano simular a natureza, em conjuntos densos de árvores, praticamente em pleno meio urbano; em termos de prática de desenho, é sempre surpreendente a força volumétrica das sombras.


O nosso bairro modernista de referência - Olivais Norte

Desenho 2: Olivais Norte/Encarnação, em Lisboa é um bairro a conhecer - facilmente visitável a partir da estação de Metro da Encarnação (situada bem a meio do bairro) - onde arquitetura modernista, verde urbano bem escolhido e, essencialmente, um excelente modelo de "convívio" entre peões e veículos, são matérias bem evidenciadas/visíveis; em termos de prática de desenho trata-se aqui de um exercício de "azuis" - do céu às sombras - sendo que o verde natural surge em boa parte da mistura com o amarelo.


O verde urbano integra-se na/e dá coesão à continuidade urbana
Desenho 3: as árvores de arruamento (designação sempre interessante) suavizam o edificado e articulam-se com ele aprofundando aspetos positivos de continuidade urbana, por vezes, quase envolvente, ajudando a criar sítios bem caraterizados e a "esconder" arquiteturas menos interessantes (o que não é o caso); em termos de desenho é sempre positiva a prática de se tentar expressar o que é natural e o que é construído (suave/orgânico e rígido/racional).


O ambiente natural em meio urbano é veículo importante da escala humana


Desenho 4: realmente o ambiente natural em meio urbano e designadamente os maciços arbóreos são elementos privilegiados de expressão evidenciada da escala humana, em termos de uso pelo homem e em termos da relação da sua escala (humana) com a dos edifícios; em termos de desenho o desafio sempre presente no desenho de quadros naturais é a captura do essencial entre uma infinidade de pormenores que nos chamam a atenção - uma excelente prática para o treino do projeto arquitetónico.


A sempre renovada relação entre edifícios e árvores

Desenho 5: este é o tema-base do excelente e modernista Olivais-Norte, a sempre renovada relação entre edifícios e árvores - renovada pelos pormenores e aspetos estruturantes que vamos sempre redescobrindo em cada esquisso e renovada também pelo próprio ciclo das estações; em termos de desenho já acima se referiu o excelente exercício de se procurar expressar a relação harmonizada entre formas construídas e naturais. 


A experiência do meio natural em plena cidade

Desenho 6: proporcionar ao citadino estar num meio natural bastante completo e agradavelmente "habitável", ainda que "a dois passos" de uma rua comercial animada, é proporcionar qualidade urbana e qualidade de vida; em termos de prática de desenho chama-se aqui a atenção para o equilíbrio que importa desenvolver entre a marcação de contornos e a sua diluição - que ajuda a dar um sentido estimulante de profundidade.


Infohabitar, Ano XI, n.º 547
Verde Urbano Desenhado - IV
Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional


Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

quarta-feira, agosto 19, 2015

Verde Urbano Desenhado - III - Infohabitar 546

http://labhab.fau.usp.br/3cihel/ 
Inscreva-se no 3.º CIHEL

Infohabitar, Ano XI, n.º 546


Verde Urbano Desenhado - III

António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns apontamentos/desenhos livres realizados sobre a temática do verde urbano.
Todos os desenhos foram realizados, no próprio local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa.
Fazem-se, em alguns casos, comentários curtos e práticos, abordando o "desenho" e também, por vezes, matérias de urbanismo e habitat humano.

Preexistências num jardim modernista

Desenho 1: as velhas, mas fortes memórias das velhas quintas com olivais permanecem bem vivas em jardins - que infelizmente já estiveram melhor cuidados - e que se integram de forma muito positiva entre altos edifícios sobre "pilotis"; podemos esquecer o edificado e imaginarmos que estamos em plena natureza, mas pontualmente humanizada.


O verde urbano "perdoa" a massa edificada

Desenho 2: já se apontou nesta série editorial que um intenso e qualificado verde urbano, com árvores de arruamento bem estruturadas e com boa escala humana, criam espaço, criam zonas positivas de apropriação pedonal por baixo das suas copas e "brigam" positiva e visualmente com edifícios, eventualmente, menos interessantes, promovendo-se, assim, a um verde verdadeiramente protagonista e qualificador.

O verde urbano apenas "apontado"

Desenho 3: lembra-se o Desenho 1 deste artigo e refere-se que neste esquisso procurou-se fixar o essencial da natureza e da preexistência; um tipo de exercício que é essencial a quem pratica desenho, que não é fácil, mas que progride, lenta mas seguramente, com a prática.


Um verde urbano protagonista e já com "história"


Desenho 4: o verde urbano protagonista e modernista de Olivais Norte, já com mais de 50 anos de idade dá escala, cor, movimento, carácter e interesse à imagem urbana deste excelente pequeno bairro lisboeta, tão bom de viver como de visitar, e agora facilmente a partir da estação de Metro da Encarnação, que abre bem no coração de Olivais Norte. 

O nosso bairro modernista de referência - Olivais Norte


Desenho 5: Olivais Norte/Encarnação, em Lisboa é um bairro a conhecer - facilmente visitável a partir da estação de Metro da Encarnação (situada bem a meio do bairro) - onde arquitetura modernista, verde urbano bem escolhido e, essencialmente, um excelente modelo de "convívio" entre peões e veículos, são matérias bem evidenciadas/visíveis.

Um verde urbano que faz esquecer, positivamente, o espaço urbano


Desenho 6: é também função do verde urbano fazer esquecer o espaço urbano, sempre que assim desejemos, e para tal ele tem de ser estruturado e mantido de forma a proporcionar uma simulação de natureza, mas muito humanizada e "usável"/passeável; a ideia gráfica é tentar dar uma "ideia/mancha desenhada e cromática" de uma "ideia mental" de uma zona verde que vive, por si, independentemente dos edifícios que a contornam, embora de forma descontínua - "modernista".

Infohabitar, Ano XI, n.º 546
Verde Urbano - III
Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.


terça-feira, agosto 11, 2015

Verde Urbano Desenhado - II n.º 545 Infohabitar



O 3.º CIHEL recebeu 118 propostas de artigos; está na altura de nos inecrevermos.

Infohabitar, Ano XI, n.º 545

Nota prévia da edição: durante agosto a Infohabitar continuará a ser editada semanalmente, embora o dia de edição possa "deslizar" um pouco.

Verde Urbano Desenhado - II

António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns apontamentos/desenhos livres realizados sobre a temática do verde urbano.
Todos este desenhos foram realizados, no próprio local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa, o nosso bairro modernista por excelência que importa revalorizar com urgência e designadamente no âmbito da recente PNAP - Política Nacional de Arquitetura e Paisagem.
Fazem-se, em alguns casos, comentários curtos e práticos, abordando o "desenho" e também, por vezes, matérias de urbanismo e habitat humano.

A edificação suavizada pela vegetação


Desenho 1: como se sabe a vegetação urbana e designadamente as árvores de arruamento são elementos suavizadores da edificação e, sempre que necessário, cumprem também um estratégico papel de camuflagem de edifícios menos interessantes. Naturalmente a múltipla função de melhoria do conforto ambiental e da saúde proporcionada pelas árvores e zonas verdes está sempre presente.


A edificação positivamente "camuflada" pela vegetação



Desenho 2: parte do que se referiu no desenho 1 aqui se lembra, pois árvores e zonas verdes amplas são excelentes elementos de enquadramento da massa edificada, podendo estabelecer-se jogos cromáticos e volumétricos muito interessantes, sempre que haja a necessária sabedoria para tanto da parte de quem coordena o projeto urbano e de paisagem.  

nosso bairro modernista de referência - Olivais Norte - e a PNAP


Desenho 3: Olivais Norte/Encarnação, em Lisboa é um bairro a conhecer - facilmente visitável a partir da estação de Metro da Encarnação (situada bem a meio do bairro) - onde arquitetura modernista, verde urbano bem escolhido e, essencialmente, um excelente modelo de "convívio" entre peões e veículos, são matérias bem evidenciadas/visíveis. E sublinha-se que por ocasião da publicação da fundamental Política Nacional de Arquitetura e Paisagem - PNAP, Resolução do Conselho de Ministros n.º 45/2015, será essencial começar a preparar Olivais Norte no sentido da sua verdadeira devolução a uma estima lisboeta e nacional adequadas, pois este bairro pode e deve ser um excelente elemanto de valorização da cultura urbana de lisboeta e portuguesa.

Uma das excelentes obras modernistas de Olivais Norte; e a arquitetura veículo de cultura  



Desenho 4: apontamento simples dos aspetos principais de uma volumetria modernista em contraste positivo com formas naturais; o apontamento rápido, tão caro aos arquitetos, pode ser uma via de verdadeiro estudo dos aspetos de apuramento e sobriedade formal da boa arquitetura, uma arquitetura que, tal como sublinhou Tadao Ando, "deve estar plena de cultura"; e neste acso temos um bairro cheio de uma arquitetura cheia de cultura, sob diversas formas

Forçar um apontamento desenhado "simples", depurado


Desenho 5: há que "forçar", com o máximo de naturalidade a geração de esquissos/apontamentos "simples", depurados, que fixem o essencial do "recanto" urbano que nos despertou a atenção; esta é em primeiro lugar uma intenção de prática de desenho, só aparentemente fácil, pois exige extrema concentração e em continuidade (ainda que durante 2/3/4 minutos), e talvez sequencialmente passa a ser uma intenção de estudo urbano, em que poderemos procurar o que ali está que nos interessa aprofundar em termos de arquitetura urbana.

A questão da escala humana deve estar sempre presente



Desenho 6: julgo que no excelente documentário sobre Tadao Ando, intitulado "Tadao Ando from emptiness to infinity", o arquiteto referiu que no remate de um esquisso desenha-se uma pessoa; julgo que ele o terá referido, se não o fez apresento desde já as minhas desculpas, mas lembro-me que foi das primeiras coisas que o meu primeiro professor de desenho, o meu Pai, Arquitecto, me ensinou, integrar apontamentos humanos no desenho, para "dar escala", para sentirmos a escala do espaço que estamos a esboçar; e em Olivais Norte a escala humana está verdadeiramente por todo o lado e no meio até dos grandes edifícios, sendo o verde urbano um seu excelente veículo.


Infohabitar, Ano XI, n.º 545
Verde Urbano Desenhado - II
Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.


sábado, agosto 01, 2015

544 - Verde Urbano Desenhado I - n.º 544 Infohabitar


http://labhab.fau.usp.br/3cihel/ 

Infohabitar, Ano XI, n.º 544

Verde Urbano Desenhado - I
António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns apontamentos/desenhos livres realizados sobre a temática do verde urbano.
Todos este desenhos foram realizados, no próprio local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa.
Fazem-se, em alguns casos, comentários curtos e práticos, abordando o "desenho" e também, por vezes, matérias de urbanismo e habitat humano.


Harmonização entre verde urbano e edifícios altos
Desenho 1: em Olivais Norte/Encarnação, Lisboa – o nosso bairro modernista por excelência a conhecer, facilmente, a partir da estação de Metro da Encarnação (situada bem a meio do bairro) – o verde urbano harmoniza os edifícios altos sobre pilares – piso térreo vazado proporcionando continuidade de vistas naturais.

Ruas muito naturais e urbanas
Desenho 2: as ruas assumem fortíssimo conteúdo natural, realizadas nos anos 60 do século XX, pela primeira vez em Portugal com a participação de paisagistas e com uma excelente qualidade urbanística; e não é por terem esse forte conteúdo natural que são menos urbanas: há aqui muito a (re)aprender.


O verde urbano e os edifícios integram-se com naturalidade
Desenho 3: verde urbano e os edifícios integram-se com naturalidade, mas nesta “naturalidade” o principal segredo é a excelente qualidade urbana e paisagística da envolvente e a excelente qualidade de desenho de arquitetura do edificado, que se carateriza por elevada sobriedade e pormenorização (matéria a desenvolver nesta série editorial).


Um exemplo de ligação entre natureza e espaço urbano - Olivais Norte

Desenho 4: - o verde urbano assume expressão fortemente naturalizada e marcada por árvores preexistentes (ex., oliveiras) e pela introdução de espécies rústicas (com manutenção simplificada, embora de crescimento relativamente lento) mas com excelente imagem, como os medronheiros.



Naturalização do espaço urbano incentiva biodiversidade

Desenho 5: a naturalização do espaço urbano incentiva a biodiversidade, que proporciona “espetáculo” natural aos habitantes da cidade e designadamente às crianças.



O verde urbano é espetáculo sempre renovado

Desenho 6: o verde urbano é espetáculo sempre renovado, sempre novo com o passar do ano.
Dos troncos despidos às massas de folhas marcadas por sombras e variadas tonalidades de verde e azul, as árvores são um dos temas de eleição de quem desenha; e aprende-se muito com elas desde a proporção geral, à modelação formal, ao claro/escuro, às misturas cromáticas e, naturalmente, ao equilíbrio entre a síntese formal e a indicação do pormenor.

Infohabitar, Ano XI, n.º 544
Verde Urbano Desenhado - I
Editor: António Baptista Coelho abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.