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quarta-feira, agosto 05, 2026

Pequena reflexão sobre muitos anos de estudos habitacionais –  infohabitar # 989

Informa-se que para aceder (fazer download) do mais recente Catálogo Interativo da Infohabitar, que está tematicamente organizado em mais de 20 temas e tem links diretos para os 960 artigos da Infohabitar, existentes em janeiro de 2025 (documento pdf ilustrado e com mais de 80 pg), usar o link seguinte:

https://drive.google.com/file/d/1FGRm5wfskdl54Lf7BhoDTmojcBDiveSf/view?usp=sharing

Infohabitar, ano XXII, n.º 989

Edição: quarta-feira 5 de Agosto de 2026

 

 

Fig. 01: apenas globalmente ilustrativa, realizada com apoio de IA

 

Editorial

Depois de uma semana (a passada) em que se concluiu, praticamente, um extenso estudo intitulado Programa Habitacional Adaptável Intergeracional Cooperativa a Custos Controlados PHAI3C, agora aqui referido, frequentemente, como “uma nova forma de habitar adaptável, intergeracional, equipada e participada”, tive natural vontade de parar um pouco, até porque a altura do ano assim o pode sugerir, mas no entanto irei nesta edição fazer uma espécie de pequeno ponto de situação sobre os temas que marcaram a minha vida de estudos habitacionais no LNEC,  no GHabitar e aqui na Infohabitar; tema ao qual voltarei de modo mais circunstanciado em futuros artigos.

Sublinho não se tratar de qualquer “artigo curricular” que pouco sentido agora faria, mas essencialmente de uma tentativa de equacionar um amplo conjunto de estudos, apoiando-se, assim, a eventual identificação de trabalhos e estudos que poderei vir a realizar, sequencialmente, num futuro próximo.

Boa leituras é o que se deseja e naturalmente será muito bom poder ter contribuições vossas em todas estas matérias, seja a título de sugestões, seja mesmo como artigos propostos para publicação.

E não posso deixar de registar aqui o nascimento, há menos de uma hora, em Lisboa, do meu neto Artur ...

Com as minhas saudações cordiais e desejos de boas férias, se for o caso,

António Baptista Coelho

Editor da infohabitar

Azambuja Casais de Baixo, Casa das Vinte, 5 de Agosto de 2026

 

 

Pequena reflexão sobre muitos anos de estudos habitacionais –  infohabitar # 989

1. Muitos anos de estudos habitacionais e uma referência essencial a quem me ajudou neste caminho

Entre o início da década de 1980 e os dias de hoje, decorreram cerca de 45 anos (“anos redondos”), e para um outro artigo mais ponderado e referenciado ficarão importantes aspetos que foram marcando este caminho.

Mas desde já e em primeiro lugar uma referência ao meu primeiro mentor profissional o meu Pai, Arq.º António Baptista Coelho, que me ajudou em muitos variados aspetos ao longo do curso e no início da profissão e que me indicou a possibilidade – que lhe foi referida pelo seu amigo Paz Branco – de, ainda a terminar o 5.º ano de Arquitectura na excelente ESBAL, me poder inscrever no Instituto Superior Técnico para a possibilidade de vir a fazer um “Estágio Escolar” no bem conhecido e excelente Núcleo de Arquitectura (NA) do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), o primeiro grupo de investigação em Arquitectura e Habitação que existiu e trabalhou em Portugal, e do qual já conhecia variados trabalhos que usei ao longo do curso, e designadamente de Nuno Portas e Reis Cabrita.

Uma outra pessoa a quem muito devo encontrei-a, logo de seguida, a chefiar o então NA (depois Núcleo de Arquitectura e Urbanismo, NAU) do LNEC, quando iniciei o referido Estágio Escolar – então explicitamente referido como “não remunerado” – e esta foi e é o António Reis Cabrita, hoje um Grande Amigo, e que foi o meu segundo mentor profissional, coautor de muitos trabalhos e sempre bem presente ao longo das décadas no LNEC e, agora já, fora do Laboratório.

Mais tarde e na sequência de extensos trabalhos teórico-práticos tive o privilégio da amizade e do apoio, sempre presente, por parte dos amigos engenheiros Defensor de Castro e Hermano Vicente, do então muito grande Instituto Nacional de Habitação, INH  (hoje IHRU), e dos cinco amigos e grandes líderes da incontornável Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica, Dr. Barreiros Mateus, Carlos Coradinho, Orlando Vargas, Guilherme Vilaverde e, atualmente, o Manuel Tereso.

E devo ainda destacar a querida Anabela Manteigas, que tanto me ajudou a secretariar o NAU no decénio em que o chefiei, mas também os amigos e colegas Duarte Nuno Simões, Vasco Folha, Clemente Ricon, Carlos Ameida Marques, Paulo Tormenta Pinto, Carlos Nuno Lacerda Lopes, Rogério Galante e Inês Daniel de Campos, e o grande e sempre presente Manuel Correia Fernandes; mais os amigos engenheiros Fernando Pinho, Teixeira Trigo, Grandão Lopes e João Lanzinha; e ainda, mas nunca por último, os colegas e investigadores lusófonos (do Brasil, Angola e Moçambique) Sheila Walbe Ornstein, Khaled Ghoubar, Jaime Comiche, António Gameiro, Geraldo Gomes Serra, Camila D’Ottaviano, Denise Antonucci, Lúcia Shimbo, Angelica Benatti Alvim e Sílvia Mikami.

Referência também devida aos muitos e bons amigos do Grupo Habitar, hoje GHabitar, e do Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono (CIHEL, cuja 6.ª edição está em gestação), mais uma antepenúltima referência aos arquitectos Nuno Teotónio Pereira e ao Raúl Hestnes Ferreira que tive a honra de conhecer e com eles ainda cooperar um pouco; seguida de uma penúltima mas bem sentida referência à minha família e muito especificamente ao filho e colega Pedro Baptista Coelho, meu coautor e que me substituiu, parcialmente, na organização do 2.º CIHEL; e finalmente de uma última referência e essenciais desculpas  a quem, aqui, me “esqueci” nesta pequena viagem de agradecimentos sentidos, porque nada somos sem os outros e designadamente sem os amigos: Bem hajam todos!   

2. Notas breves sobre o vital carácter teórico-prático dos estudos habitacionais desenvolvidos

Apenas quase “en passant”, mas porque se julga essencial, há que sublinhar que, evidentemente, os estudos apontados, e cujos resultados em livros e relatórios serão discriminados num outro artigo mais pormenorizado e referenciado, se basearam, numa primeira linha, na existência de uma rica bibliografia existente no NA/NAU do LNEC, na riquíssima Biblioteca do Laboratório, que é incontornável em qualquer estudo sobre habitação em Portugal, e na minha crescente biblioteca pessoal, iniciada anteriormente pelo meu Pai, e que fui desenvolvendo ao longo dos anos, preferindo ir gastando alguns escudos/euros nesse sentido, em vez de requisitar livros através do LNEC – mas isto é uma linha muito pessoal de amor aos livros e que muito ultrapassa as matérias do habitar.

No entanto e desde os primeiros estudos sobre habitação de interesse social, apoiados diretamente também em casos práticos de referência, e mesmo no âmbito de um extenso e inicial trabalho sobre “espaços exteriores em novas áreas residenciais”, sempre acompanhados por visitas a bairros considerados de referência, por natural indicação de Reis Cabrita, procurei ir desenvolvendo os “paralelismos” possíveis entre a informação bibliográfica e a informação retirada da prática; condição esta que julgo ser essencial.

Nos estudos sobre qualidade arquitectónica residencial e sobre humanização do habitar foram determinantes outras facetas de informação prática: por um lado, (i) as viagens anuais de integração no Júri do Prémio INH/IHRU, ao logo de cerca de um quarto de século, e nas quais eram feitas análises rápidas mas bastante completas aos conjuntos habitacionais de interesse social que concorriam ao Prémio ( e foram várias centenas de visitas técnicas bem discutidas ao londo desse extenso período temporal); (ii) por outro lado as três campanhas de estudos de avaliação pós-ocupação multidisciplinar de várias dezenas de conjuntos de habitação de interesse social que coordenei e ajudei a desenvolver no NAU do LNEC; e (iii) ainda por outro lado o riquíssimo contacto com a realidade múltipla da promoção habitacional cooperativa das Cooperativas da FENACHE, com as quais cooperei e coopero ativamente, e através das quais pude e posso acompanhar todo um meritório processo de promoção habitacional participada; e suplementarmente a FENACHE ainda me proporcionou algumas vitais saídas do País com conhecimento de outras realidades da promoção habitacional de interesse social.

Ainda nos estudos sobre qualidade arquitectónica residencial e sobre humanização do habitar, com extensão para as atualmente vitais matérias do habitar informal, foram muito importantes os significativos períodos em que os colegas de São Paulo, Campinas e São Carlos me convidaram para realizar seminários no Brasil, e as incursões que o LNEC me proporcionou a Cabo Verde, Guiné, Angola e Moçambique – não muitas nem muito extensas mas muito ricas.

No âmbito do estudo sobre intergeracionalidade residencial recém-concluído, ainda que a título relativamente provisório, destaco as importantes possibilidades de visitas proporcionadas por algumas cooperativas e por alguns municípios e ainda a própria atividade do Grupo Habitar – hoje GHabitar – que ajudei a criar; mas não tenho quaisquer dúvidas que este estudo merece agora um seu desenvolvimento prático e de análise local de casos de referência; veremos se tal será possível pois há uma série de casos identificados em Portugal e designadamente em Espanha (ex., Galiza, Valladolid, Madrid, Barcelona e Toledo) que muito importaria poder visitar no âmbito da proposta intergeracionalidade residencial equipada.

3. Breves notas sobre os vários temas a que me dediquei entre 1980/81 e 2026

Desde já se salienta que são apenas umas notas muito breves sobre cada um dos vários temas a que dediquei uma parte significativa de cerca de 45 anos da minha vida, ficando para outra oportunidade o respetivo desenvolvimento temático, incluindo as referências bibliográficas e eventuais pequenos resumos dos livros e relatórios produzidos, bem como, desejavelmente, algumas linhas prospectivas sobre os seus respectivos, desejáveis e possíveis desenvolvimentos.

3.1. Espaços exteriores em novas áreas residenciais

Ao entrar como Estagiário Escolar no NAU/LNEC – estágio de um ano a tempo parcial – e depois oficialmente – após concurso público bastante concorrido –, fui recebido por Reis Cabrita e ainda por Nuno Portas e foi-me possibilitado escolher uma determinada área de estudo, tendo escolhido as matérias ligadas à Arquitectura Urbana e respectivos espaços exteriores residenciais.

Considerando-se que na altura – há cerca de 45 anos atrás – não existiam, em português, indicações recomendativas e indicativas significativas e atualizadas, sobre os diversos aspetos qualitativos e tipológicos que poderiam e deveriam ser seguidos na conceção de novos espaços exteriores de áreas residenciais, foi realizado um extenso estudo bibliográfico com algum apoio prático local/nacional, sobre tais aspetos, sendo estes depois reordenados e clarificados num conjunto de livros/relatórios do LNEC que foram divulgados.

Foram desenvolvidas quatro linhas subtemáticas: exigencial, tipológica, comportamental e de apoio mais prático.

Estes  estudos tiveram coautoria de António Reis Cabrita.

3.2. Recomendações para habitação de interesse social

Tive a oportunidade de participar na elaboração das Recomendações Técnicas para Habitação Social (RTHS, editadas em 1984), tendo desenvolvido, essencialmente, uma busca de elementos e dados numéricos relativos a áreas e dimensões mínimas e recomendáveis das habitações, aplicadas anteriormente em Portugal e existentes na altura em diversos países europeus ou preconizadas por entidades internacionais.

Este estudo também abarcou as questões ligadas aos diversos tipos e respetivas definições de áreas, sendo o seu objetivo final apoiar diretamente a indicação das áreas máximas registadas nas RTHS para a nova habitação de interesse social portuguesa, iniciada então cerca de 1984 com apoio direto do INH.

O estudo geral foi multidisciplinar e multiinstitucional e foi coordenado, em boa parte, por António Reis Cabrita

3.3. Habitação evolutiva e adaptável

Assegurei boa parte dos estudos ligados ao apoio direto à designada “Habitação Popular Evolutiva para Cabo Verde”, estudo este organizado em diversas subtemáticas, umas mais recomendativas e outras de sugestão de “esquemas” gerais para  projetos práticos e que tiveram alguns reflexos concretos em Cabo Verde, no apoio à regularização de assentamentos informais/espontâneos.

Estes  estudos tiveram coautoria e coordenação de António Reis Cabrita.

Conjugadamente realizei estudos de caso de  habitação evolutiva em Portugal e sequencialmente avancei para um estudo geral sobre “Habitação Evolutiva e Adaptável”, concretizado num livro editado pelo LNEC e onde se foca a adaptabilidade habitacional como uma qualidade vital na promoção de habitação económica; mais tarde considerei que esta matéria poderia ter sido, em grande parte,   aproveitada para a minha tese de doutoramento em Arquitectura.

Estes  últimos estudos tiveram, ainda, coautoria de António Reis Cabrita.

Prova pública para Assistente de Investigação do LNEC

Todos os temas atrás apontados foram apresentados e discutidos em prova pública realizada no CDIT do LNEC, com sequencial passagem de Estagiário de Investigação a Assistente de Investigação.   

3.4. Qualidade Arquitectónica Residencial

Posteriormente avancei para o estudo dos diversos “Rumos e Factores que integram a Qualidade Arquitectónica Residencial”.

Temas desenvolvidos: acessibilidade e comunicabilidade; espaciosidade, funcionalidade e capacidade; agradabilidade, segurança e durabilidade; convivialidade e privacidade; apropriação e adaptabilidade; atratividade, domesticidade e integração.

Este estudo integrou o desenvolvimento do que foi a minha tese de doutoramento em Arquitectura (Vol 2 de 3), composta ainda: por um volume de introdução e enquadramento (vol 1 de 3, nunca editado) e por um último volume (vol 3 de 3) de desenvolvimento detalhado dos diversos níveis físicos residenciais na perspectiva de muitos autores – praticamente numa perspectiva de “verbetes” em que por vezes um mesmo aspeto específico é apresentado com diversas opções de abordagem: o que se considera ser muito rico em termos de desenvolvimento da respetiva investigação. Este estudo deu origem a dois livros editados pelo LNEC.

Mais tarde e talvez já com uma experiência mais sedimentada voltei a esta temática e desenvolvi um novo livro, também editado pelo LNEC,  em que revejo e talvez clarifique as referidas 15 qualidades acima apontadas.

Ainda no âmbito deste leque de qualidades foram desenvolvidos estudos específicos sobre Arquitectura Residencial e Saúde e sobre Segurança pública.

Prova pública na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP)

O tema apontado em “3.4.” foi apresentado e discutido na FAUP para obtenção do doutoramento em Arquitectura.

3.5. Avaliação pós-ocupação da habitação

Retirando-se e tratando-se – trabalho cuidadoso de  escolha e síntese – muitos dos aspetos identificados, organizados e estruturados no estudo que acabou de ser referido, foi possível avançar para um conjunto de instrumentos de análise prática (i) dos projectos e (ii) dos conjuntos residenciais já ocupados, há mais de 5 anos, tendo sido, posteriormente, realizadas, ao longo de um extenso período temporal, três campanhas deste tipo, por mim organizadas e coordenadas, e integrando análises multidisciplinares residenciais que incluíram a avaliação pelos próprios moradores; análises estas cujos resultados foram entregues ao INH no sentido da melhoria da promoção da habitação de interesse social.

Estes  estudos tiveram colaboração de uma ampla equipa do LNEC e apoio de António Reis Cabrita.

3.6. Habitação Humanizada

Considerando que desde há algum tempo tinha vontade de tentar desenvolver algumas matérias que talvez possam ser consideradas menos objetivas, mas que julgava que muito influenciavam a qualidade e a satisfação residencial e de forma muito expressiva, avancei e concluí um estudo sobre o que designei “Habitação Humanizada”, que deu origem a algumas publicações, uma delas exterior ao LNEC e disponível na WWW (Dafne Editora).

O estudo – aquilo a que por graça chamei “a molécula” – sobre habitação humanizada organiza-se de forma genérica nas seguintes grandes temáticas: escalas e tempos do habitar, as humanidades e o habitar, habitar cidades amigas, história(s) e tipologia(s) do habitar, o desenho e a humanização do habitar, um habitar integrado, natureza cidade e lugar.

O estudo integrou, ainda, um conjunto de propostas de investigação nesta bem apetecível área de uma tão desejável humanização do habitar e foi, depois, utilizado e um pouco mais comentado numa série de artigos editados aqui na Infohabitar:

Pensa-se ainda em voltar, pelo menos, a algumas desta linhas temáticas, tentando aprofundá-las e dar-lhes mais conteúdos em termos práticos e exemplificativos.

Prova pública para Habilitado em Arquitectura e Urbanismo

O tema apontado em “3.6.” foi apresentado e discutido na Biblioteca do LNEC para obtenção do grau de Habilitado em Arquitectura e Urbanismo.

3.7. História da habitação de interesse social portuguesa desde o 25 de Abril

Aproveitando-se o material muito rico que foi sendo recolhido ao longo de cerca de 25 anos como representante do LNEC nas visitas pormenorizadas e discutidas (reuniões locais com os respetivos promotores e projectistas) a mais de 600 conjuntos de habitação de interesse social, realizadas, anualmente, no âmbito do Prémio INH/IHRU, foram realizados dois livros (um editado pelo INH e outro pela Livros Horizonte) e capítulos de livros de apresentação destes conjuntos, desenvolvidos entre cerca de 1984 e 2014, e também e complementarmente, do excelente decénio entre 1975 e 1985 que foi muito positivamente marcado pela iniciativa cooperativa habitacional da FENACHE.

3.8. Qualidade dos diversos níveis físicos habitacionais

As questões ligadas a uma abordagem qualitativa dos diversos níveis físicos residenciais, desde a vizinhança próxima, ao edifício e às habitações pormenorizadas, passando pelos seus estratégicos interníveis de relação e de passagem, foram abordados, primeiro, quando do estudo ligado à prova de doutoramento (item 3.4.), mas foram depois retomadas, de uma forma talvez mais prática, propositiva e estruturada num estudo que deu origem a uma longa sequência de artigos na Infohabitar intitulada “Série habitar e viver melhor” – Tema 6 da Infohabitar – que se irá procurar retomar e sintetizar proximamente.

No entanto os muitos artigos sobre o grande leque de níveis físicos residenciais estão disponíveis no Tema 6 do catálogo interactivo, em:

https://drive.google.com/file/d/1FGRm5wfskdl54Lf7BhoDTmojcBDiveSf/view?usp=sharing

3.9. Habitação informal

A matéria da designada “habitação informal” tinha sido já abordada no âmbito do apoio direto à designada “Habitação Popular Evolutiva para Cabo Verde” (item 3.3 do presente artigo), foi periodicamente abordada em artigos e palestras em vários países da Lusofonia e nas visitas que aí foram sendo possíveis e num livro editado em coautoria (Escolar Editora).

Sequencialmente esta matéria foi especificamente abordada no apoio á melhoria das condições habitacionais do Bairro do Alto da Cova da Moura, na Amadora perto de Lisboa, estudo teórico-prático este que coordenei durante um ano e no qual desenvolvi uma metodologia de pré-análise do bairro, que permitiu avançar, depois e sequencialmente para a respetiva análise detalhada, unidade a unidade, que foi por mim coordenada e participada tendo sido a respetiva metodologia de análise realizada por outros colegas do LNEC.

3.10. Habitação intergeracional equipada

O último tema estudado referiu-se ao desenvolvimento do estudo teórico-prático do PHAI3C - Programa de Habitação Adaptável Intergeracional Cooperativa a Custos Controlado, agora aqui referido, frequentemente, como “uma nova forma de habitar adaptável, intergeracional, equipada e participada”.

De certa forma considerou-se que toda a informação recolhida e todas as reflexões desenvolvidas sobre habitação e especificamente sobre habitação de interesse social poderiam agilizar a abordagem deste tema, que foi considerado oportuno e urgente na sociedade atual e em Portugal especificamente.

No último artigo aqui editado – “Uma nova forma de habitar adaptável, intergeracional, equipada e participada: Catálogo Geral Interativo do Estudo PHAI3C (77 artigos) –  infohabitar # 988” – apresenta-se o catálogo de síntese e de “entrada” ao referido estudo PHAI3C com a sua apresentação geral e o registo estruturado dos respetivos conjuntos/listagens de artigos já editados e que integram, para já, a totalidade do respetivo trabalho de investigação.

(3.11.) Desenho e Arquitectura (numa prática didática)

Esta temática da relação entre o Desenho “livre” e a Arquitectura (numa perspectiva didática) é bastante distinta das anteriores, e foi por mim desenvolvida, durante três anos, e aplicada ao ensino do 1.º ano de Desenho no Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade da Beira Interior, curso que tinha ajudado a criar e a estruturar bastantes anos antes, e onde fui convidado a ensinar há poucos anos, como Professor Catedrático Convidado.

Trata-se de uma matéria que me é muito “cara” e que pretendo continuar a desenvolver também a nível editorial e na sequência de uma “Sebenta” que nessa altura divulguei, oportunamente, quando professor e no sentido do respetivo enquadramento didático.

(3.12)…

Que tema virá a seguir? Já tenho algumas ideias, para além da atrás apontada e referida a uma clarificação e simplificação da matéria tratada no âmbito da abordagem sistemática dos diversos níveis físicos residenciais (item 3.8, do presente artigo)

Brevíssima nota bibliográfica

Volto a referir que este pequeno relato nada tem de “curricular”, pois esse tempo passou, mas foi realizado com o prazer muito especial de quem estudou e estuda estes temas com muito gosto e considerando, até, o interesse que esta exposição possa ter para quem se queira dedicar a estas excelentes e bem importantes matérias do habitar e do bem habitar, que, aliás, reganharam, atualmente uma nova e sempre perigosa urgência (entenda-se este termo “perigosa” como referido aos bem conhecidos riscos de fazer rapidamente e menos bem). E tal como já apontei também estou a usar este texto como dinâmica prospetiva de apoio à eventual identificação e escolha de próximos temas de aprofundamento.

Falta reafirmar que em futuro ou futuros artigos serão referenciados os livros e relatórios realizados em cada um dos títulos acima apontados; mas para quem quiser desde já aprofundar tais áreas sugere-se uma consulta ao catálogo interactivo da Infohabitar, em seguida disponibilizado, e  onde tais temas estão razoavelmente organizados:

https://drive.google.com/file/d/1FGRm5wfskdl54Lf7BhoDTmojcBDiveSf/view?usp=sharing

 

 Notas editoriais gerais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

(iv) Oportunamente haverá novidades no sentido do gradual, mas expressivo, incremento das exigências editoriais da Infohabitar, da diversificação do seu corpo editorial e do aprofundamento da sua utilidade no apoio à qualidade arquitectónica residencial, com especial enfoque na habitação de baixo custo.

 

Pequena reflexão sobre muitos anos de estudos habitacionais –  infohabitar # 989

Informa-se que para aceder (fazer download) do mais recente Catálogo Interativo da Infohabitar, que está tematicamente organizado em mais de 20 temas e tem links diretos para os 960 artigos da Infohabitar, existentes em janeiro de 2025 (documento pdf ilustrado e com mais de 80 pg), usar o link seguinte:

https://drive.google.com/file/d/1FGRm5wfskdl54Lf7BhoDTmojcBDiveSf/view?usp=sharing

Infohabitar, ano XXII, n.º 989

Edição: quarta-feira 5 de Agosto de 2026

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo pelo LNEC.

abc.infohabitar@gmail.com

 Os aspetos técnicos do lançamento da Infohabitar e o apoio continuado à sua edição foram proporcionados por diversas pessoas, salientando-se, naturalmente, a constante disponibilidade e os conhecimentos técnicos do doutor José Romana Baptista Coelho.

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).

 

 

 

 

  

domingo, janeiro 01, 2017

600 - De 1980 a 2016: um percurso nos estudos sobre Habitat Humano e Arquitetura - Infohabitar 600

(chama-se a atenção para notas importantes sobre o 4.º CIHEL, que são apresentadas no final deste artigo)

Infohabitar, Ano XIII, n.º 600

De 1980 a 2016: um percurso nos estudos sobre Habitat Humano e Arquitetura

António Baptista Coelho

Em primeiro lugar há que referir que o principal objetivo deste artigo é a aproximação à identificação da linha condutora temática que atravessa e carateriza os principais estudos e trabalhos, realizados pelo autor deste texto, todos eles na área do habitat humano e na respetiva relação com as matérias da arquitetura urbana. É também essencial registar, desde já, que muitos dos trabalhos e estudos que são, em seguida, apontados, foram realizados em cooperação com vários colegas e amigos, entre os quais há que destacar o excelente e “único” trabalho que, tantas vezes, foi realizado em estreita e ótima cooperação com o grande amigo e grande especialista nessas áreas, António Reis Cabrita (coautor de vários dos estudos em seguida apontados).


Racionalização do uso do espaço na habitação

Este relato de um conjunto de temas de investigação na área do habitat humano, desenvolvidos pelo autor deste artigo, inicia-se cerca de 1980 com a participação em estudos que visaram a avaliação da qualidade na habitação e a racionalização das soluções de uso do espaço na habitação, através da definição de conceitos de medição de áreas e da fixação de coeficientes relacionando os referidos conceitos, com o objetivo de se apoiar a elaboração das "Recomendações Técnicas para Habitação Social".
Alguns anos mais tarde estas matérias e outras, mais qualitativas, foram retomadas com a participação na edição do "Guia do Consumidor de Habitação”, promovido pelo Instituto Nacional de Defesa do Consumidor. O Guia teve uma "Pré-Publicação" em setembro de 1991; e sublinham-se neste estudo os seguintes temas: importância da habitação e da sua escolha; ideia de habitação alargada ao exterior residencial; adequação da casa à vida familiar; qualidade do sitio onde está a casa; e principais características desejáveis dos espaços e equipamentos da habitação.
Alguns anos depois, esta temática teve continuidade com a participação na elaboração do ”Habitat II Plano Nacional de Ação - Habitação”, concluído em 1998 e no qual se salientam os seguintes temas: bases para uma política de habitação; promoção de habitação; mercado da habitação; aspetos institucionais; política de solosgestão do parque habitacional; habitação e urbanismo, qualificação dos conjuntos residenciais; avaliação da política de habitação; articulação da política de habitação com as políticas do desenvolvimento sustentável e da coesão social; casos exemplares.


Espaços exteriores urbanos


Focando-se, agora, o habitat humano numa sua essencial perspetiva referida ao exterior, foram desenvolvidos os estudos sobre espaços exteriores urbanos – designados por “Estudos sobre espaços exteriores em novas áreas residenciais”, essencialmente entre 1983 e 1986, mas retomados em 1998 e atualmente (estudo em curso); estando editado, pelo LNEC, o livro “Espaços exteriores em novas áreas residenciais”.
Estes estudos visaram a definição de um leque de elementos de conceção ligados ao urbanismo de pormenor numa altura em que, em Portugal, havia ainda muito pouca informação técnica e científica sobre esta matéria, razão que levou o então Núcleo de Arquitetura (NA) do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) a dirigir a investigação para esta área; e julga-se que esta abordagem mantém toda a atualidade passados mais de trinta anos sobre o arranque do estudo, pelo que se está a preparar o retomar editorial do tema.
Os estudos traduziram-se na preparação de um conjunto de documentos de apoio à análise e conceção de espaços exteriores urbanos e habitacionais, tendo-se em vista a criação de uma plataforma geral de conhecimentos sobre o tema, capaz de informar, essencialmente na perspetiva arquitetónica, posteriores estudos mais pormenorizados que incidam sobre o mesmo tema. Os estudos desenvolveram-se de modo a privilegiar-se uma perspetiva humana e urbanística relacionada com empreendimentos residenciais completos e integrados nas suas envolventes.
Os estudos abrangeram, nomeadamente, as seguintes áreas:
- Os elementos e fatores que estruturam uma Nova Área Residencial (NAR).
- As relações mútuas entre os espaços exteriores de uma Nova Área Residencial e os comportamentos humanos.
- As necessidades humanas e as exigências funcionais dos espaços exteriores de uma Nova Área Residencial.
- A malha exterior, dominante ou predominantemente, pedonal de uma Nova Área Residencial.
Mais tarde esta temática foi retomada com a edição de uma publicação monográfica do LNEC (Cadernos Edifícios n.º 4) sobre a “Humanização e vitalização do espaço público”, considerando-se ser de grande interesse que as edições do LNEC continuem a desenvolver esta temática, eventualmente, privilegiando a referida divulgação de boas práticas.
Considera-se que os estudos sobre espaços exteriores residenciais foram extensamente desenvolvidos no NA do LNEC e salienta-se que se considera, hoje em dia, muito oportuna a realização de estudos de caso comentados sobre esta temática, especialmente dedicados à realidade portuguesa, e que possam servir como elementos disseminadores de boas práticas. Paralelamente a esta linha de trabalhos julga-se ser de grande interesse promover a discussão e a divulgação de ideias sobre os conceitos de estruturação do exterior residencial e urbano, considerando, quer as novas intervenções, quer as ações de requalificação e regeneração.
E convém ter aqui presente que estávamos em 1983, portanto, muito antes das atuais e essenciais preocupações com a estruturação e regeneração de espaços públicos urbanos.

Autoconstrução e evolução habitacional

Entre 1987 e 1989 iniciou-se uma linha de estudos de apoio ao processo de autoconstrução de edifícios unifamiliares evolutivos em Cabo Verdeentão designada “Habitação Popular Evolutiva” - , retomando-se a tradição dos estudos de habitação evolutiva que tinham marcado o início da atividade do NAU do LNEC e, por outro lado, antecipando-se variados aspetos de enquadramento da conceção arquitetónica dirigidos para o apoio a intervenções em zonas urbanas e habitacionais informais.
Nesta temática: caracterizaram-se os tipos de lotes de terreno que servem de base à concretização dos referidos edifícios; definiram-se as várias funções da habitação e os seus espaços próprios de realização, relativamente às suas respetivas prioridades e ao faseamento da construção; explicitaram-se, para cada tipo de espaço ou compartimento habitacional, as funções que nele podem ser exercidas ao longo das três fases de construção previstas; e desenvolveu-se uma estratégia de faseamento, mais adequada ou mais provável, de espaços, elementos de construção, instalações e equipamentos.
Sublinha-se que se julga que esta temática da habitação popular evolutiva e por autoconstrução deveria ser dinamizada, seja em estudos de caso, seja em estudos propositivos, uns e outros bem ligados às realidades específicas dos países de língua oficial portuguesa e que ainda se debatem com problemas habitacionais críticos; e sublinha-se, também, que o LNEC, através da sua eficaz multidisciplinaridade e da sua prática, pode ser um agente privilegiado nestes trabalhos.


Adaptabilidade residencial e urbana


Sequencialmente, cerca de 1990 (e pontualmente retomado em 2014), desenvolveu-se, de forma ampla, o estudo da temática da adaptabilidade residencial e urbana, que deu origem a um livro editado pelo LNEC, intitulado “Habitação evolutiva e adaptável”.
O estudo fundamentou-se no entendimento da habitação como um processo em contínua evolução e adaptação, porque devendo conciliar, mediante determinadas soluções de habitat, os desejos e as preferências das famílias e das pessoas ao longo das suas fases de evolução/desenvolvimento, respetivamente, como agregados e como indivíduos.
Neste estudo procurou-se aprofundar as diversas modalidades e tipos de evolução e de adaptabilidade que são possíveis em agrupamentos de habitações, tanto ao nível do exterior como do interior residencial, e passaram-se "em revista" os principais aspetos e preocupações básicas desta área temática, os critérios urbanísticos e económicos aplicáveis e, ainda, os critérios arquitetónicos que podem estruturar o desenvolvimento de programas habitacionais evolutivos, adaptáveis e participados.
Salienta-se, finalmente, nesta matéria, a enorme importância que se considera poder ser assumida pela adaptabilidade residencial, no presente e no futuro próximo, seja em aspetos ligados a uma ampla perspetiva de sustentabilidade, seja na associada vertente da satisfação dos moradores.


Qualidade arquitetónica do habitat humano


Entre 1994 e 2000, no LNEC, desenvolveram-se uma série de estudos teórico-práticos que resultaram numa temática de doutoramento em Arquitetura, na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, no sentido de se procurar avançar na possível aproximação entre a essencial qualidade arquitetónica urbana e residencial e a, associada, liberdade de conceção arquitetónica residencial e as matérias, igualmente importantes, de uma adequada e sensível satisfação dos moradores e habitantes e, também, de uma adequada construção e “reconstrução” de um espaço urbano e de uma cidade formal e funcionalmente dignos, amplamente adequados (considerando uma renovada e verdadeira noção de funcionalidade) e, consequentemente, estimáveis e protagonistas de um meio urbano e natural que contribua positivamente para o nosso património cultural.
Neste sentido foram elaborados dois “manuais”, que deram continuidade a uma linha de investigação, do então Núcleo de Arquitetura e Urbanismo (NAU) do LNEC, e que proporcionaram, diretamente, a continuidade de outros estudos sobre o tema no mesmo NAU. Passados alguns anos sentiu-se a necessidade de se revisitar a temática, agora de uma forma talvez ainda mais “pessoal”, o que deu origem à edição de um novo livro e a uma atual dinâmica relativamente à edição de dois novos livros (em fase de preparação).
Salienta-se, assim, que esta temática deu origem a três livros editados pelo LNEC: “Qualidade Arquitectónica Residencial - Rumos e fatores de análise”; “Do bairro e da vizinhança à habitação - Tipologias e caracterização dos níveis físicos residenciais”; e finalmente, já em 2012, o livro “Habitação e Arquitetura: Contributos para uma habitação e um espaço urbano com mais qualidade”.



Gestão do parque habitacional

Cerca de 2000 foi desenvolvido um amplo estudo, que deu origem a um guião recomendativo para orientação da gestão dos parques habitacionais públicos, privilegiando-se os parques habitacionais de arrendamento público, bem como um processo integrado de requalificação e gestão do mesmo parque.
Neste estudo abordam-se aspetos de conhecimento clarificado da situação existente, sob a forma de um diagnóstico esquemático, e desenvolvem-se, depois, os aspetos relativos ao adequado enquadramento geral e pormenorizado do tema e consequentes tipificações das soluções ou instrumentos práticos que poderão ser aplicados no desenvolvimento de um processo, que se deseja integrado, de requalificação e de gestão desse Parque, que vise esta gestão ao nível físico, social e económico, no respeito de uma fundamental perspetiva de auto-sustentatibilidade participada pelos respetivos moradores.

Avaliação Pós-Ocupação - APO

Entre 1995 e 2004 e com o objetivo de se atingirem as melhores soluções de habitação de interesse social, foram estudados os programas residenciais existentes, através de processos de análise retrospetiva ou de “Avaliação Pós-Ocupação” (APO) multidisciplinares e visando variadas situações residenciais. Este tipo de estudos constitui, hoje em dia, provavelmente o tipo de abordagem mais avançada que se realiza no domínio da averiguação da qualidade e da satisfação residencial, sendo desenvolvido em instituições de renome como a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e em diversos outros centros de estudos americanos e europeus com os quais o NA/NAU desenvolveu múltiplos contatos.
Foram realizadas pelo LNEC para o Instituto Nacional de Habitação (atual Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, IHRU), estruturadas e coordenadas pelo autor deste texto, três APO que proporcionaram um adequado conhecimento de um período de promoção de habitação de interesse social com cerca de 10 anos (análise pormenorizada de cerca de 30 bairros).
A metodologia de APO desenvolvida no LNEC (NAU e NESO) aprecia a arquitetura urbana, o comportamento da construção e a satisfação residencial dos moradores através de uma forte integração interdisciplinar entre a Arquitetura/Urbanismo, as Ciências Sociais e a Engenharia/Construção, tendo-se em conta a análise dos projetos, mas também a análise local; constituindo, assim, uma aproximação aprofundada à satisfação dos habitantes de conjuntos residenciais desenvolvidos com controlo de custos e segundo as indicações qualitativas e dimensionais das Recomendações Técnicas para Habitação Social (RTHS).


Habitação de Interesse Social em Portugal (HIS) 


Entre 2004 e 2009 e, depois, há pouco anos, foram realizados diversos estudos e livros sobre a promoção de habitação de interesse social portuguesa nos últimos decénios - vinte a trinta anos de habitação de interesse social (HIS) em Portugal.
Nesta temática foram editados quatro livros, um pelo LNEC, outro pelo INH, outro pela editora Livros Horizonte e outro (mais recente, pelo IHRU): “Apresentação de 3 Empreendimentos Habitacionais Meritórios Financiados pelo INH e Concluídos em 1991” (LNEC); “Instituto Nacional de Habitação, 1984 – 2004: 20 anos a promover a construção de habitação social” (INH); “Habitação de Interesse Social em Portugal: 1988 – 2005” (Livros Horizonte); "Sobre os «anos dourados» dos conjuntos cooperativos de habitação económica” - capítulo no livro “Habitação para o Maior Número. Portugal, os Anos de 1950-1980” (IHRU e CML, 2014).
Esta matéria corresponde a um dos principais campos disciplinares/temáticos desenvolvidos pelo autor deste artigo, que acompanhou praticamente toda a principal produção de HIS portuguesa nos últimos 25 anos (representante do LNEC no Júri do Prémio INH e IHRU entre 1990 e 2013), e ainda com importantes incursões de investigação na promoção cooperativa habitacional entre 1975 e 2004, pela sua relação direta com o cooperativismo habitacional (integra a Comissão Técnica da Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica).
Atualmente parece interessante e muito útil tentar verter a rica experiência da HIS portuguesa em documentos de divulgação alargada e, até eventualmente, “simplificada” (no âmbito de uma sua adequada capacidade de comunicação), que possam ser úteis em outros sítios do mundo e designadamente no âmbito da lusofonia.


Habitação humanizada ou humanização do habitar


Depois, entre 2006 e 2009, avançou-se para a matéria designada como Habitação humanizada ou “habitar humanizado”; e nesta temática foram editados três livros; dois pelo LNEC e um na editora Dafne.
Esta matéria do “habitar humanizado”, pois trata-se do habitar espaços domésticos e urbanos, corresponde a um trabalho de “habilitação em arquitetura e urbanismo” realizado e discutido no LNEC, considerando-se que o tema decorreu, quase diretamente, da necessidade sentida de se aprofundarem aspetos ainda considerados menos objetivos e que, no entanto, caraterizam, claramente, pela sua existência ou ausência, múltiplas situações domésticas e urbanas. Trata-se de um trabalho amplo, que se considera ter sido positivamente estruturado, mas cujo adequado aproveitamento, designadamente em termos editoriais e formativos/de divulgação, não foi ainda devidamente desenvolvido.
Trata-se, assim, de um tema cuja importância se julga ser evidente numa altura em que o “mal habitar” casa e cidade marca elevadíssimo números de famílias e as periferias e os vazios urbanos de grandes cidades, uma importância que resulta, tanto da necessidade de se considerarem, diretamente, os múltiplos aspetos de uma sensível humanização dos quadros do habitat humano, como da importância de se estar alerta relativamente às recorrentes simplificações relativas a áreas mínimas habitacionais mal concebidas (“cegamente” funcionalizadas), e à doentia repetição de projetos-tipo mal concebidos e mal aplicados em termos urbanos. Trata-se, assim de uma matéria em que se visa avançar, em breve, em termos editoriais e de divulgação/formação.
As subtemáticas do “habitar humanizado”, ainda pouco exploradas são as seguintes: escalas e tempos do habitar; humanidades e habitar; habitar cidades amigas; história e tipologias do habitar; desenho do habitar; habitar integrado; natureza, cidade e lugar habitados.
E registam-se os títulos dos três livros já editados: “Habitação humanizada” (LNEC); “Habitação Humanizada: Uma apresentação geral” (LNEC); e “Entre casa e cidade, a humanização do habitar” (Dafne).

Disponível em: http://dafne.pt/pt/coleccoes/opusculos

Fichas Técnicas sobre Habitação e Saúde


Nos anos de 2009 e 2010 foi realizado um estudo em cooperação com a Direcção Geral da Saúde (DGS), integrado no Plano nacional de Ação Ambiente e Saúde (PNAAS), e que foi concluído com a elaboração do livro “Manual para projetos: Fichas Técnicas sobre Habitação e Saúde”, tendo sido desenvolvidos, pelo autor deste texto, os seguintes capítulos/fichas do livro: "Bem-estar na envolvente residencial"; "Bem-estar e tipos de soluções habitacionais"; "Problemas sociais na habitação"; e "Bem-estar e conforto ambiental no interior habitacional".

Análise das condições de habitabilidade

Entre 2010 e 2012 foi estruturado e coordenado o estudo prático intitulado “Análise das condições de habitabilidade do edificado existente no Bairro do Alto da Cova da Moura (BACM)”, uma ação de preparação da intervenção urbana, arquitetónica e construtiva numa malha urbana informal/”clandestina” situada próximo de Lisboa (cerca de 1000 edifícios e 2000 habitações).
Desenvolveu-se uma caraterização pormenorizada do edificado do BACM, procurando-se englobar o maior leque de situações habitacionais e urbanas existentes e tendo-se passado de uma consideração, inicial, relativamente “isolada” da caracterização de cada edifício, quase como se ele estivesse implantado num “plano de trabalho” teórico que não contava para a sua análise; para a devida consideração de alguns elementos, considerados como críticos, de proximidade e de vizinhança, seja relativos a aspetos de conforto ambiental, seja ligados a aspetos de segurança contra risco de incêndio; mas sempre numa opção de associação complementar entre estes elementos e os restantes elementos de análise considerados edifício/lote a edifício/lote e tendo-se em conta uma análise do existente muito diretamente associada às respetivas propostas de reabilitação.

Cidade Informal

Em anos subsequentes e aproveitando-se, quer o conhecimento obtido neste último estudo/trabalho prático (BACM), quer diversas deslocações ao Brasil, a Angola/Luanda e a Moçambique/Maputo, foram estudados os aspetos associados à temática da Cidade Informal do Século XXI; uma matéria que foi, sequencialmente prosseguida no âmbito da organização dos Congressos CIHEL e que se conta vir a desenvolver em breve.
De certa forma, hoje em dia, a sociedade é a cidade e, portanto procurar compreender a cidade contemporânea será sempre fator vital no caminho da melhor qualidade de vida, sendo que, infelizmente, não podemos ter certezas sobre como atuar, pois a história urbana é curta; e, como é sabido, em África e na América do Sul continua o enorme êxodo de famílias que não encontram trabalho em zonas rurais para aos assentamentos precários em zonas suburbanas de megacidades, que têm continuado a crescer prodigiosamente mesmo numa altura que já anunciava a crise económica que temos estado a viver. É, portanto, tema vital e urgente, que acaba por retomar boa parte das matérias estudadas quase 30 anos antes para Cabo Verde, tal como foi apontado neste texto (e, aliás, retomadas em recentes missões a cabo Verde).

Importância do espaço público

É interessante considerar que, por esta altura, e por diversas razões, aconteceu um retomar do estudo da importância do espaço público, qualificado e requalificado para que seja mais e melhor habitado e, sendo mais habitado, poder ser mais estimado e qualificado; matéria que se baseia numa reconstrução da coesão urbana marcada pela escala e uso humanos, pelo desenvolvimento de adequados estímulos visuais e funcionais, em termos de imagem urbana, por uma cuidadosa e vitalizada densificação e pela adequada reinvenção de novas tipologias habitacionais, mistas e urbanas; estando todos estes aspetos integrados num objetivo de verdadeira reabilitação da paisagem urbana local, que há que preservar e reconstruir, designadamente, nos seus aspetos orgânicos e ligados ao respetivo caráter do lugar e na criação de uma cidade mais amiga e mais passeável; matérias estas que poderão ser, em breve, vertidas numa publicação – embora já amplamente editadas na revista na WWW Infohabitar.

Novas e renovadas tipologias habitacionais e urbanas

Outras matérias que nos preocupam e motivam há muito tempo, e que têm sido igualmente editadas na Infohabitar, são as associadas às novas e renovadas tipologias habitacionais e urbanas, adequadas à disponibilização de condições habitacionais apropriadas para um amplo leque de necessidades, de hábitos habitacionais e de tipos de agregados familiares e de pessoas sós; numa busca e reanálise de soluções de arquitetura urbana: (i) que podem ser também muito apropriadas para se contribuir, estrategicamente, para a vitalização da cidade com novos habitantes e, especialmente, com habitantes muito disponíveis para participar nessa vitalização; (ii) e que são, frequentemente, muito estimulantes em termos das respetivas imagens urbanas.

Cidades afetivas

Naturalmente que este tipo de reflexões se ligam, intimamente, a uma estruturação e reestruturação urbana e paisagística que privilegie uma cidade mais coesa, mais estruturada, mais vicinal e mais imagética (uma cidade, globalmente, mais afetiva); matéria que volta a colocar bem presente a grande importância de se abordar, de forma bem adequada, a matéria do exterior urbano, um exterior que engloba o edificado e que deve ser uma espécie de “interior” no que se refere à essencial dinamização de usos.
Lembram-se, assim, aqui, os estudos sobre espaços exteriores realizados no LNEC há mais de 30 anos e aqui já apontados e que se julga, portanto, merecerem adequado e urgente desenvolvimento, que tenha em conta, quer os mais atuais desenvolvimentos temáticos e projetuais, quer as suas essenciais raízes históricas, mais longínquas (sobre a origem das povoações/cidades), e mais recentes e “revolucionárias”, associadas à “explosão” das megacidades e das megaperiferias informais.


A arquitetura nos países em desenvolvimento


Este é, afinal, um novelo temático que tem estado presente, sequencialmente, neste relato, que foi já abordado, pelo autor deste texto, num recente livro partilhado, intitulado Que arquitetura nos países em desenvolvimento?” (Escolar Editora, 2014) e, nele, através do tema/capítulo específico “Arquitectura e habitação em países em desenvolvimento”; e um tema que será, em breve, desenvolvido na mesma editora, agora relativamente à matéria da “sociedade do futuro: cidades do futuro” (título aproximado).


Desenho livre e arquitetura urbana qualificada


Uma matéria “paralela”, mas naturalmente essencial, quando se abordam estas temáticas de uma cidade mais amiga, mais sensível e mais humana é o papel da imagem urbana e arquitetónica na obtenção desses resultados e, sequencialmente, o papel do próprio “desenho”, esboçado e livre, nas análises e nos processos de projeto arquitetónico e urbano, na interpretação do que de melhor temos e na proposta de bons novos e renovados espaços de arquitetura urbana; e é nesta perspetiva e neste quadro de intenções que se integram as mais recentes produções do autor deste artigo, a saber: a “Pequena Sebenta de Desenho Livre para estudantes de Arquitetura e outros que queiram desenhar melhor: 100 Notas práticas para quem quer aprender a desenhar melhor à mão livre (e com a mente bem dirigida)” (edição de autor, setembro, 2016); e o artigo “Desenho livre e ensino de Arquitetura” (revista, Branca 01, dezembro 2016).



Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono CIHEL


Paralelamente a estes últimos desenvolvimentos temáticos foram estruturados quatro Congressos Internacionais da Habitação no Espaço Lusófono (CIHEL), que trataram muitos dos temas abordados neste artigo: o primeiro no ISCTE, Lisboa, em 2010, sobre o tema da “qualidade do habitat residencial para populações com baixos rendimentos e mobilizando recursos modestos” (60 comunicações); o segundo no LNEC, Lisboa, em 2013, sobre a temática “habitação, cidade, território e desenvolvimento” (140 comunicações); o terceiro na FAU-USP e na FAU-Mack, São Paulo, em 2015, sobre o tema “habitação: urbanismo, cultura e ecologia dos lugares” (100 comunicações); e o quarto (em preparação final), na UBI/Covilhã e iniciado no Porto/Domus Social e CMPorto, em 2017 (4.º CIHEL), sobre o tema geral “a cidade habitada” (cerca de 180 comunicações entregues); e ficam, naturalmente, bem evidentes o paralelismos temáticos, e o enorme potencial associado aos temas que têm sido apresentados no CIHEL (que se considera ser trabalho a fazer proximamente).
E desde já se considera que o CIHEL está, neste momento, numa fase de viragem clara no sentido de poder tornar-se uma plataforma técnico-científica bastante útil no âmbito dos vitais temas do habitat humano no crescente mundo da lusofonia.


Breves notas finais
Um relato em forma de síntese é sempre demasiado curto e demasiado longo, assim aconteceu com este, que, no entanto, parece poder abrir ideias em termos da  aproximação a uma clara identificação da linha condutora temática que atravessa e carateriza os principais estudos e trabalhos realizados pelo autor deste texto e que foram aqui apontados, parecendo ser também bastante útil no apoio à desejada continuidade dessa linha de trabalhos e de temas todos eles na área do habitat humano em relação íntima com as matérias da arquitetura urbana; mas esta reflexão de continuidade, baseada neste texto, deverá ser feita daqui a algum tempo, amadurecendo-se a anotação dos diversos aspetos aqui registados.
Outra utilidade deste relato é disponibilizar aos leitores da Infohabitar o conhecimento destes estudos e reflexões pois é a falar que nos entendemos e a falar poderemos cooperar melhor e fazer avançar mais estas apaixonantes matérias.
E, naturalmente, com este artigo procurou-se “comemorar”, com alguma dignidade, a Edição n.º 600 da nossa Infohabitar, que será a primeira de 2017; aproveitando-se para agradecer aos leitores toda a paciência e a continuidade do interesse (ainda esta última semana houve dias com mais de 800 acessos diários). 
Lisboa e Encarnação, 1 de Janeiro de 2017
António Baptista Coelho
Editor da Infohabitar
PS: os livros editados pelo LNEC estão disponíveis na Livraria do LNEC

Notas sobre o 4.º CIHEL:
Comunica-se a todos aqueles interessados em inscreverem-se no 4.º CIHEL e, designadamente, aos autores de comunicações enviadas ao 4.º CIHEL, que terão, obrigatoriamente, de realizar as respetivas inscrições no Congresso, conforme indicações constantes do site do Congresso,
e que a plataforma informática na qual são feitas as inscrições está já disponível, com acesso a partir do site do 4.º CIHEL.

Nota importante: esclarece-se que os membros da Comissão Dinamizadora Internacional do 4.º CIHEL, do Secretariado do CIHEL e da GHabitar estão integrados na categoria de inscrição designada "Autor de Comunicação de Entidade Apoiante", e devem, portanto inscrever-se nesta categoria mesmo que não sejam autores de comunicação.

www.4cihel2017.ubi.pt


Lembra-se que 26 de dezembro de 2016 foi a data limite para receção das comunicações completas; posteriormente, poderão ser, ainda, solicitadas algumas correções de pormenor aos respetivos autores, correções estas que terão de ser realizadas em prazo muito curto – chamando-se a atenção para a obrigatoriedade de inscrição de, pelo menos, um dos autores.

Sobre a Semana CIHEL 2017 e designadamente sobre:

·        - os conferencistas convidados para as 1.as Conferências CIHEL, no Porto;
·        - e sobre os palestrantes que integram das Mesas-Redondas do Congresso, na Covilhã,

serão muito em breve disponibilizadas informações (no site do 4.º CIHEL e aqui na Infohabitar); as Mesas-Redondas estão já praticamente “fechadas” e as Conferências encontram-se numa fase avançada de organização.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIII, n.º 600

De 1980 a 2016: um percurso nos estudos sobre Habitat Humano e Arquitetura


Editor: António Baptista Coelho –abc@ubi.pt, abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional
Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade da Beira Interior - MIAUBI
Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.