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segunda-feira, janeiro 15, 2018

627 - Uma nova funcionalidade doméstica - Infohabitar n.º 627

Infohabitar, Ano XIV, n.º 627

Número total de visualizações de página da Infohabitar em 15 de Janeiro de 2018 às 9h,00 (de Portugal): 999,964

CAROS LEITORES, ESTÁ MESMO, MESMO A  SER  ULTRAPASSADA A “BARREIRA" DO MILHÃO DE VISUALIZAÇÕES EM 14 ANOS DE EDIÇÕES DA INFOHABITAR

Parabéns a todos os autores e leitores que editaram e leram os nossos artigos; e vamos tentar chegar aos dois milhões mais cedo (antes dos 28 anos de edições), e para isso precisamos de artigos e de divulgação – artigos que nos sejam enviados (para abc.infohabitar@gmail.com) e uma divulgação que cada um de vós possa fazer no vosso “círculo” profissional e pessoal de contactos.

PS: e acreditem que, há 14 anos atrás, começámos mesmo com o contador a "0"; foi difícil, mas agora dá bastante prazer.


Fig. 01: Embora se critique neste artigo o mau uso e a continuidade de um uso datado e inadequado do funcionalismo arquitectónico habitacional é urgente lembrar e divulgar os excelentes exemplos de um adequado funcionalismo urbano e arquitectónico dominantemente residencial, que seria bem importante resgatar, recuperando as suas imagens urbanas e divulgando as suas excelentes realizações - no esboço, uma vista do exemplar e actualmente tão pouco estimado Bairro de Olivais Norte em Lisboa, um verdadeiro caso de referência nacional e europeu que assim deveria/deverá ser tratado.


Edita-se o artigo da Série “Habitar e Viver Melhor” n.º CIV

Uma nova funcionalidade doméstica

por António Baptista Coelho

Uma nova funcionalidade doméstica - o tais, bem conhecidos, espaços funcionais domésticos, mas agora bem personalizados, diversos, agradáveis e envolventes


Uma nova e mais adequada funcionalidade doméstica
O que se procura apontar no texto que se segue é a possibilidade e a oportunidade de se seguirem outros caminhos na concepção dos espaços habitacionais privados que não sejam os que são, habitualmente, associados a aspectos específicos de funcionalidade e mesmo de alguma “maquinização” das actividades que marcam a nossa vivência doméstica.
Tais ideias referem-se, essencialmente, aos espaços de cozinha e de casa de banho, embora outros espaços e subespaços da casa também possam e devam ser reencarnados numa perspectiva que não lhes negue as suas exigências funcionais, mas que as recoloque, finalmente, sob a alçada de uma agradável e vital caracterização doméstica; acabando de vez com a ideia de “máquinas de habitar”, assim reconvertidas a máquinas habitáveis e “domesticadas”.
E de certa forma esta mesma perspectiva de recuperação do sentido doméstico, agradável, envolvente, sossegado/calmo, caloroso, agradavelmente expressivo e identitário do habitar e especificamente dos espaços da habitação, é um caminho que vai continuar a ser abordado em próximos textos, referidos aos desejáveis subespaços que têm de compor/integrar e vitalizar/caracterizar os espaços maiores da habitação; e neste sentido obrigando-os a determinadas condições de adaptabilidade e versatilidade no seu uso e na sua apropriação.
Neste sentido e desenvolvendo um exercício que será interessante e muito rico alargar a múltiplos espaços habitacionais, iremos, em seguida, reflectir um pouco nesta perspectiva, e especificamente sobre as duas sub-tipologias espaciais domésticas que estão mais ligadas a essa “tradição” funcionalista, designadamente, os espaços de cozinha e de casa de banho. Naturalmente que sabemos não se tratar apenas de uma “tradição” funcionalista, pois, evidentemente, tais espaços têm exigências funcionais específicas e rigorosas, no que se refere a aspectos de segurança no uso, higiene, facilidade de limpeza, manutenção e “cadeias” funcionais aconselháveis, mas parece ser tempo de salvaguardar tais exigências, mas, no mínimo, harmonizando-as tendo em conta alguma novidade e/ou redescoberta associadas a um expressivo e eventualmente dominante sentido de domesticidade, sendo tempo de reencarar tais espaços com essa abertura de espírito e considerando, mesmo, que estas novas ou renovadas opções possam ter, eventualmente, expressão directa na própria caracterização das respectivas habitações.
E neste sentido abordam-se, em seguida, os espaços de cozinha e de casa de banho, fazendo-se uma pequena nota final sobre os espaços/elementos de arrumação e outros espaços ditos “de serviço”.

Fig. 02: está na altura de olharmos as "velhas" tipologias de vizinhança próxima e de edifício e habitação, nas suas mútuas relações e agregações, com outros olhos, inspirando-nos nelas para se iventarem "novas" tipologias "pós-funcionalistas".

Novas e antigas cozinhas

O espaço de cozinha constitui, historicamente, o núcleo e o coração de actividade da habitação, pelo menos quando pensamos na habitação popular, aquela que sempre foi, naturalmente, dominante e onde não existia pessoal dedicado à preparação e ao servir das refeições, e um coração da vida doméstica onde a preparação, o servir e o tomar as refeições era natural motivo de convívio familiar; um convívio que se passava também antes e depois das refeições e ao longo do seu alongado processo de preparação e que tinha e tem naturais “prolongamentos”, designadamente, no acompanhamento do recreio e do trabalho de casa/estudo das crianças e em muitas outras tarefas da “lide” doméstica que, globalmente, aconteciam também na cozinha ou “grande cozinha familiar”.
No âmbito da promoção habitacional intensiva que marcou o Século XX e em certo período histórico marcado pelas essenciais preocupações higienistas, seguidas das suas sequenciais preocupações funcionalistas, e numa altura em que muitas famílias ainda tinham apoios domésticos diversificados, seja no âmbito da família alargada, seja por parte de pessoal de serviço doméstico (muitas vezes reduzido já ao mínimo), assistiu-se como que a uma especialização da cozinha, tendo ficado o tratamento de roupas um pouco “pendurado” (sem espaço ou com pouco espaço específico atribuído), isto porque a tendência de funcionalização e especialização não conseguia servir bem todas as tantas funções entretanto identificadas; e assim certas funções da antiga cozinha multifuncional e convivial foram sendo menorizadas e integradas em espaços por vezes exíguos e mal localizados (ex., em espaços claramente residuais), enquanto as importantes funções de convívio natural e de refeições informais foram estrategicamente esquecidas ou então ridiculamente concentradas em pequenas mesas escamoteáveis e tantas vezes muito mal localizadas.
E, naturalmente, a regulamentação oficial fez eco desta “evolução”, que foi, inicialmente, positiva no sentido de se regrarem situações sem higiene/segurança e sem qualquer sentido funcional, mas que foi negativa porque empobreceu clara e gradualmente, ao longo do Século XX, toda a concepção arquitectónica doméstica (incluindo-se aqui, incrivelmente, não só a designada “habitação social/mínima”, mas a quase totalidade da promoção habitacional, que assim foi “simplificada”), seja no sentido do que seria uma importante continuidade cultural, seja no sentido da adaptabilidade a tantos e variados modos de viver a habitação.
E lembremos que hoje em dia, então, é que não há “pessoal doméstico”, que fique como que confinado aos espaços de “serviço”, a não ser em casos de excepção, e, portanto, estas considerações têm todo o sentido, devendo influenciar ou uma relação forte entre cozinha e estar, eventualmente, gerando-se amplos espaços de convívio familiar do tipo “sala de família”, ou uma redescoberta da grande cozinha familiar, multifuncional e convivial, a qual acaba por poder libertar o espaço de sala para funções mais específicas e/ou mais reservadas. E, já agora, lembremos as designações tantas vezes usadas para as cozinhas domésticas: espaços de serviço, zonas de água, zonas húmidas, etc – e vá lá que regulamentarmente elas sempre contaram como “área habitável” (a mais “valiosa” em termos regulamentares).  
 

Novas casas de banho

Quanto às “casas de banho” importa sublinhar a possibilidade de desenvolvimento da “figura” do espaço de banho com um sentido caracterizador e caracterizado por determinadas formas de viver a habitação. Situação que poderá ligar-se ao desenvolvimento de associações entre espaços de banho e outros espaços de estar, dormir e lazer com forte carácter identitário e relativamente privativo, embora espacialmente pouco controlado em termos dimensionais. O exemplo de um tal espaço é o sítio de banho de uma das casas do Arq.º Charles Moore, que se integra num espaço de estar e assume mesmo uma posição destacada neste espaço.
O sentido desta solução liga-se à recuperação de formas de banho tradicionais/antigas, que se associavam com flexibilidade aos diversos espaços da habitação, assumindo-se o banho como acto de prazer, além de função higiénica, acto esse expressivamente ambulatório, pois podia acontecer tanto junto a uma lareira, como numa grande cozinha multifuncional, neste caso por razões práticas de proximidade com a fonte de água quente.
De certa forma esta matéria de uma desejável recuperação do sentido amplo, de lazer e de prazer, do banho doméstico liga-se por um lado, ao interesse da separação entre funções higiénicas e de satisfação de necessidades básicas e o acto do banho, designadamente do banho de imersão, como função que tem também evidentes vantagens em termos da saúde, a tal “saúde pela água” (SPA), actualmente tão divulgada em equipamentos de turismo, mas que evidentemente deveria ter o seu papel garantido na habitação corrente.
Tudo isto tem também a ver com uma urgente opção de dignificação da “casa de banho” doméstica, resgatada da sua designação de “instalação/instalações sanitária/s” e que pode/deve assim deixar de ser relegada para os espaços interiores sobrantes das soluções habitacionais, ganhando direitos “de janela”, de desafogo espacial e de dignidade, identidade e até uma importante afectuosidade de acabamentos; em vez da fria disponibilização de um pequeno “mausoléu” de concentração de canalizações, serviços higiénicos e, por outro lado, luxos incoerentes em termos de “equipamentos sanitários” e de revestimentos até absurdamente impermeáveis).
E será sempre interessante reconsiderar a opção por um banho que possa ir mudando de sítio, conforme desejos e aspectos práticos (o caso do banho dos bebés é um bom exemplo deste tipo de banho), ou pela consideração do banho de imersão como elemento “central” de uma dada organização de um dado espaço doméstico estruturador da respectiva habitação – o que acontece no referido exemplo da casa de Charles Moore.
Importa ainda ter em conta que uma casa de banho pode e deve proporcionar uma expressiva apropriação em termos de arranjo geral, podendo constitui-se como extensão de um mundo muito pessoal, por exemplo, pela profusão de plantas tropicais e pela introdução de peças de mobiliário e de equipamento sanitário especiais, como é o caso de algum mobiliário especial e de uma velha banheira. De certo modo o que aqui se pode reforçar é o sentido de “casa de banho” personalizada e confortável, sendo para tal essencial a existência de boas condições de luz  e ventilação naturais.
E não tenhamos dúvidas que nada disto é compatível com espaços de “casa de banho” (realmente de “instalações sanitárias”) mínimos e interiores (tantas vezes encaixando mal até uma exígua banheira).


Fig. 03: a habitação ganha em carácter/identidade e verdadeiras funcionalidades com variadas e estimulantes misturas de usos e apropriações, que, no entanto, exigem um natural suporte dimensional e de estruturação doméstica.


Espaços/elementos de arrumação: breves notas

Sobre uma nova forma de encarar os espaços e elementos/equipamentos destinados à arrumação doméstica, apenas se lembra que é vital para um bom uso da habitação que ela integre uma adequada capacidade de arrumação (capacidade para mobilar, armários embutidos e compartimentos específicos), e que é possível estruturar a habitação com uma tal capacidade, deixando-a camuflada ou até parcial e estrategicamente visível, mas sempre bem “subjugada” na sua aparência e modo de usar a um ambiente expressivamente doméstico; não faz sentido é esquecer tais necessidades e/ou tratá-las sem sensibilidade de concepção, “colando”, posteriormente, “arrumos” a espaços anteriormente pormenorizados sem se considerar tal necessidade. 

Outros espaços “de serviço”: breves notas

Numa perspectiva de sensível “domesticação” da “velha” funcionalidade doméstica e visando-se uma promoção habitacional económica, não fará, talvez, muito sentido avançar com outras exigências funcionais muito desenvolvidas, podendo ser, eventualmente, preferível a junção dessas funcionalidades em diversos espaços domésticos, que para tal sejam suplementarmente dimensionados e proporcionando-se, assim, uma expressiva multifuncionalidade em diversos subespaços da habitação; e apenas a título de exemplo podemos imaginar a integração de máquinas de tratamento de roupa em casas de banho espaçosas, o desenvolvimento de uma varanda fechada que possa ser usada, em parte, para estender a roupa  e, em parte, como pequena zona de estar, a existência de espaço suplementar na cozinha para se poder passar a ferro e a existência de largos corredores de circulação, arrumação e estar especializado (ex., para leitura e estudo).

Como comentário a estas reflexões e na sua sequência, parece ser adequado apontar a oportunidade de se ir no sentido de se reequacionar a globalidade das “ditas” e bem conhecidas funcionalidades domésticas; e um pouco nesta perspectiva  em próximos artigos desta série iremos abordar a riquíssima matéria dos subespaços domésticos.

Notas finais:
Finalmente salienta-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sedeado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIV, n.º 627
Uma nova funcionalidade doméstica

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

terça-feira, setembro 02, 2014

498 - Oferta diversificada de espaços domésticos específicos II- Infohabitar 498

Artigo LX da Série habitar e viver melhor

Infohabitar, Ano X, n.º 498

Oferta diversificada de espaços domésticos específicos II: variedade espacial e funcionalidade doméstica

Artigo LVX da Série habitar e viver melhor


Funcionalidade expressiva, mas dirigida para certas funções domésticas e não para determinados compartimentos


Tal como se tem apontado nesta série de artigos, as matérias da funcionalidade doméstica deverão ser específica e criteriosamente consideradas nas zonas de cozinha, tratamento de roupa e de instalações sanitárias, que são aquelas que suportam boa parte dos mais intensos serviços domésticos.

No entanto é fundamental destacar, desde já, que a funcionalidade doméstica não pode ser aplicada “cegamente” aos referidos compartimentos, mas especificamente às funções de preparação de refeições, de higiene pessoal e de tratamento de roupas que aí se desenvolvem, considerando-se que há muito mais vida doméstica para lá de tais funções nestes mesmos compartimentos e é deste “para lá” das funções que decorrerá boa parte do interesse das soluções domésticas, e será neste caminho que surgirão as “cozinhas salas de família”, os “quartos de banho” e os espaços de roupas domésticos; e atenção que não se está aqui a tratar de “habitação de luxo”, pois por vezes é uma questão de larguras úteis e do tal suplemento espacial estratégico

Nesta temática salienta-se que uma das ideias que continuam a estruturar as preocupações funcionais domésticas é o facilitar ao máximo a “lide da casa” nos seus variados aspectos e numa altura em que, cada vez mais, não há ninguém especificamente dedicado a uma tal lide, e essa facilitação encontra já um excelente apoio em muitos estudos funcionais e designadamente nos estudos que desde há muitos anos foram desenvolvidos pelo Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do LNEC e editados por esse Laboratório Nacional.


Funcionalidade doméstica privilegiando o convívio na habitação


E, nos restantes compartimentos habitacionais, a funcionalidade tem de ser devidamente conjugada com as outras qualidades domésticas e expressivamente embebida nos mais diversos elementos que integram o espaço doméstico.

Ainda nestas temáticas importa sublinhar que devem existir condições de funcionalidade e agradabilidade do estar/lazer da família e das actividades domésticas diárias, que na vida actual, das zonas urbanas, constituem as principais oportunidades de convívio entre os elementos do mesmo agregado familiar (ex., preparar e tomar refeição da noite/lavar e arrumar louça e utensílios/ver TV/conversar).

De certa forma o que aqui se propõe é que as zonas onde há um maior investimento em tarefas domésticas possam ser também as zonas com um potencial de convivialidade acrescido, uma condição que tem implicações seja numa funcionalidade maximizada das tarefas “obrigatórias” e funcionalmente mais exigentes, seja na protecção do convívio familiar relativamente a aspectos de desagradabilidade associados, como é o caso dos ruídos e cheiros produzidos.


Funcionalidade doméstica expressivamente aplicada à arrumação  


Outra das ideias que importa aprofundar e que, muitas vezes, é pouco atendida refere-se à oferta de uma (muito) boa capacidade de arrumação doméstica, tanto ao nível de arrumações especializadas, pormenorizadamente concebidas e estrategicamente localizadas (ex., roupeiros gerais e de quarto, despensa ou armário-despensa de cozinha), como ao nível da capacidade de disposição de mobiliário.

Nesta matéria é muito importante sublinhar que a capacidade geral de arrumação tem duas importantes consequências na habitabilidade e na “felicidade” doméstica, pois liberta realmente espaço habitável, espaço livre entre mobiliário, proporcionando, suplementarmente, alternativas de arrumação e de escolha de mobiliário, e porque ao proporcionar tais condições se constitui talvez no principal elemento de apropriação da habitação pelos seus habitantes, o que é, sem dúvida, algo de fundamental para uma profunda satisfação residencial.

E lembremos que é sempre desejável a proposta de soluções alternativas de arrumação de mobiliário numa dada solução de habitação.


Funcionalidade doméstica, apropriação pessoal e desafogo


Considerar que a espaciosidade dos espaços e compartimentos domésticos deve permitir a personalização espacial (ex., partes de parede livres para afixação de cartazes e desenhos, pequena varanda com prateleiras ou poial para constituir uma colecção de plantas em vasos, etc.).

Privilegiar que em cada espaço doméstico exista "espaço livre" verdadeiramente protagonista, seja para funções concretas (ex., circulação e recreio infantil), seja para a fruição do próprio espaço livre, que é fundamental para um sentido de espaço agradavelmente unificado; e há que considerar, esta perspectiva de “espaço livre” em relação com compartimentos e espaços ocupados pelas "mobílias completas" que são habitualmente usadas. Um espaço livre que é especialmente importante nos casos de habitantes jovens e idosos.

Segundo Sven Thiberg ("Housing Research and Design in Sweden", p. 157), a existência de espaços livres de mobiliário nos compartimentos habitacionais (livres) é importante, tanto para o recreio das crianças e o trabalho em casa, como para aumentar a flexibilidade dos espaços a diversos arranjos de mobiliário e simplificar os arranjos temporários (ex., festas familiares), por outro lado, a existência de espaços livres de mobiliário, amplos e bem proporcionados, nomeadamente, em vestíbulos e casas de banho, facilita os cuidados com crianças e doentes e a movimentação de idosos e deficientes.


Fig. 1

Funcionalidade doméstica e relação interior-exterior


Em termos de ideia geral e estruturadora de uma adequada organização doméstica salienta-se o interesse de se privilegiar um estimulante relacionamento entre todos os elementos e espaços de relação entre o interior doméstico e as zonas exteriores ao fogo, sejam elas os espaços comuns do edifício ou tratando-se do próprio espaço exterior e ambiente de vizinhança. Esta é uma matéria que, por si só pede um amplo desenvolvimento, no entanto há aqui temas de grande sensibilidade e potencial formal/funcional como são as condições de segurança bem integradas na imagem do edifício – isto é ganhar a relação com o exterior não a perdendo na pormenorização da segurança contra intrusão (o que não é fácil) [fig.] – e o integral aproveitamento da possibilidade de relação directa ou indirecta com o exterior e o máximo aproveitamento das melhores condições de insolação, iluminação natural e ventilação, equilibradamente compatibilizadas com os diversos conteúdos funcionais dos compartimentos.

A configuração e a localização dos vãos exteriores deve atender, nomeadamente, aos seguintes aspectos: relação com as funções mais prováveis em cada compartimento; insolação desejável e protecção da radiação solar, considerando a respectiva orientação; ventilação desejável e, mesmo em condições adversas, bem controlável; vistas exteriores próximas e paisagísticas funcionais e/ou interessantes (por exemplo de um piso térreo sobre um maciço de vegetação, ou sobre uma animada zona urbana); privacidade, que tem a ver com a natureza do compartimento em causa; e iluminação natural adequada aos usos dominantes de cada espaço ou compartimento, definida considerando a importância fundamental da iluminação na satisfação residencial.

O conforto ambiental geral dos diversos espaços e compartimentos domésticos deve estar de acordo com as seguintes exigências básicas: a cozinha deve receber boa luz natural ao longo de todo o dia; a sala deve receber Sol de manhã ou a partir do meio da tarde; os quartos devem receber Sol de manhã e estarem protegidos do Sol poente; as casas de banho devem ter janelas ou, no mínimo, um excelente processo de ventilação forçada; a entrada do fogo e os corredores devem receber luz do dia.

Notas editoriais:
·       (i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
·       (ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

INFOHABITAR Ano X, nº 498
Artigo LX da Série habitar e viver melhor

Oferta diversificada de espaços domésticos específicos II: variedade espacial e funcionalidade doméstica

Editor: António Baptista Coelho – abc.infohabitar@gmail.com

GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional



domingo, junho 29, 2014

489 - Bons espaços e ambientes domésticos II - Infohabitar 489

Infohabitar, Ano X, n.º 489

Artigo LIII da Série habitar e viver melhor

Bons espaços e ambientes domésticos II

António Baptista Coelho

Na semana passada iniciámos uma reflexão sobre os aspetos que caraterizam "bons espaços e ambientes domésticos", abordando as matérias da relação com a natureza e da previsão de boas condições de conforto ambiental, e de como uma habitação pode ser verdadeiramente agradável e estimulante, baseando-se em como as crianças a sentem e vivem.
Reflectimos, assim, um pouco, sobre a importância do conforto ambiental e da força imaginativa dos nossos mundos domésticos, numa dupla perspectiva que nos garantiria uma habitação agradável e imaginativa. Passemos, agora, a outros aspectos, mas ainda não aos que podem ser considerados como específica e "exclusivamente" funcionais. 
Fig. 01: é sempre essencial considerar a importância que tem a relação com o "exterior habitacional", ou de vizinhança próxima, ou exterior mais diretamente "habitável"; nunca é excessivo chamar a atenção para este condicionalismo, que pode constituir um dos aspetos "chave" na qualificação positiva de uma da intervenção de construção nova ou de reabilitação urbana e habitacional.

Relação com os espaços exteriores envolventes

Uma outra reflexão sobre o que pode ajudar a caracterizar um bom espaço doméstico é a sua relação com os espaços exteriores envolventes. De certa forma trata-se aqui de um aspecto duplo, pois tem a ver, quer com o aproveitamento arquitectónico doméstico das relações entre espaços interiores e exteriores, e a este tema voltaremos pois a sua importância é tal que pode fundamentar boa parte da qualidade de uma dada solução residencial (ex., espaços de transição, pátios, varandas, janelas estratégicas, etc., etc.), quer com o aspecto, associado, de aproveitamento doméstico da variedade e do interesse visual e funcional das vistas sobre o exterior (ex., poder acompanhar com a vista uma criança a brincar na rua, assistir ao movimento urbano junto a uma paragem de autocarro, ver o automóvel estacionado, desfrutar, ao máximo, as vistas urbanas e paisagísticas disponíveis no local etc.).


Fig. 02: sobre as questões associadas à espaciosidade doméstica muito se escreveu, mas talvez falte ainda pensar bastante, designadamente, sobre os aspetos de verdadeira adequação dos diversos sub-espaços da habitação às suas diversas sub-funções e sobre como isto tudo tem a ver com um projeto de arquitetura verdadeiramente qualificado e sensível aos modos como habitualmente se habitam, ocupam e apropriam os espaços domésticos; e talvez em tudo isto a questão mais "objetiva" das áreas perca, eventualmente, um pouco da sua importância, em favor das questões ligadas aos dimensionamentos, à flexibilidade de uso das diversas zonas e à adaptabilidade geral da habitação. 

Espaciosidade doméstica e desafogo espacial
Depois do conforto ambiental, da imaginação na organização doméstica e da relação entre interior e exterior passemos a um primeiro aspecto mais objectivo: a espaciosidade, aqui considerada na sua perspectiva de desafogo espacial, um aspecto que, como sabemos, está sempre presente na apreciação que toda a gente faz de uma habitação: a casa é espaçosa, a sala é espaçosa, etc.
A esta matéria voltaremos nesta série editorial, mais à frente, quando pensarmos mais um pouco sobre como fazer quartos, salas e outros espaços domésticos mais agradáveis, para já importa ter a noção de que:
·      há limiares de espaciosidade que são fundamentais na própria apreciação que se faz dessa espaciosidade – quando há compartimentos com áreas iguais ou superiores a cerca de 25m² a respectiva habitação é considerada espaçosa; (7)
·      há dimensões e configurações interiores cuja incoerência funcional e de imagem anulam até as suas eventuais boas condições de espaciosidade (ex., salas alongadas e estreitas, quartos pequenos e altos, etc.);
·      que a existência de desníveis (de pavimento e diferenças de alturas nos tectos dos compartimentos) contribui para uma leitura atraente do espaço interior, produzindo uma impressão de espaço alargado/dilatado e apoiando a sua diversificação funcional e ambiental (8) (embora possa ser, por vezes, pouco funcional);
·      e que, pelo contrário, a distribuição de uma habitação em vários níveis distintos (ex., duplex) pode reduzir o sentimento de desafogo espacial.


Fig. 03: as "velhas" questões da(s) funcionalidade(s) doméstica pode ter (i) uma consideração básica associada a entender-se serem ainda raras as situações em que há uma previsão verdadeiramente eficaz de tais funcionalidades e não numa perspetiva de uma funcionalidade "parada no tempo" e muitas vezes ligada aos estudos funcionais rígidos e incompletos do passado século, e (ii) deve ter uma "nova" consideração, flexível e "aberta", devidamente harmonizada com novos modos de vida e de relação entre casa e trabalho; isto para lá dos aspetos associados à exigência de um excelente projeto de arquitetura como único elemento que poderá verdadeiramente validar uma organização doméstica muito marcada pela funcionalidade.
   
Funcionalidades domésticas
E chegamos, finalmente, à área das funcionalidades domésticas, mas, mesmo aqui não iremos fazer uma abordagem corrente dos diversos espaços pois concorda-se com Julienne Loic, quando esta afirma que "a organização da habitação pouco se modificou, enquanto a intrusão do telefone, do computador pessoal (ou doméstico) e, essencialmente, da televisão provocam a justaposição do espaço denso das comunicações directas no espaço de estar familiar.
Esta situação, não sendo traduzida na estrutura e na composição do fogo, pode contribuir para o enfraquecimento da coesão do grupo familiar". (9)
Segundo o referido autor, o novo factor na harmonização entre casa e modo de vida é o tempo-livre, que pode ser gozado em casa, actualmente, de variadíssimos modos; e assim lá ficamos nós com a ideia que, talvez, para servir a criação de espaços domésticos mais indutores de felicidade devamos organizar habitações estruturadas no sentido do lazer doméstico e, assim, podemos ultrapassar boa parte da estrutura doméstica funcional que se pode considerar “clássica”e que tem sido tão escalpelizada em muitos estudos.
E se juntarmos a esta perspectiva de uma habitação desenvolvida como centro de lazer doméstico, a ideia, igualmente coerente e exigente de uma habitação sede de vários tipos de trabalho não doméstico, teremos as tradicionais funções da habitação a retirarem-se para uma expressão minimizada, isto desde que estejamos numa lógica espacial equilibrada, em que devamos harmonizar e distribuir com parcimónia uma totalidade de metros quadrados.


Novas funcionalidades habitacionais
Naturalmente que novas funções residentes no espaço doméstico obrigarão a um acréscimo de compartimentos, ou, em alguns casos, a um acréscimo de zonas e recantos específicos no leque corrente dos espaços domésticos, gerando-se soluções habitacionais que se poderão caracterizar, objectivamente, por tipologias intermédias (ex., sala que se prolonga por um espaçoso recanto, relativamente autónomo, com cerca de 6m²); estaríamos, assim, em presença, por exemplo, de um T3+.
E sublinha-se que esta possibilidade teria grande interesse na diversificação da oferta de soluções domésticas, pois este tipo de incremento poderia recair na sala, na cozinha, em um dos quartos, numa varanda que assim se transformaria em terraço e, até, numa casa de banho que assim seria promovida ao estatuto de uma verdadeira “sala de banhos”; e nada disto é criticável pois poderemos assim aproximarmo-nos muito mais fielmente do modo de querer habitar de muitas pessoas.

Funcionalidade doméstica básica e facilidade de manutenção
E nesta pequena viagem pelo modo de fazer melhores habitações, mais diversificadas e adequadas a mais pessoas, deixámos para o fim algumas referências à funcionalidade e à segurança nos espaços domésticos; e deixámos estas notas para o final, porque consideramos que há já muitos estudos sobre estas matérias e porque, existindo tais estudos, e sendo os seus aspectos fácil e, por vezes, obrigatoriamente implementados não faria sentido estar aqui a fazer qualquer síntese de tais assuntos.
Segundo Claude Lamure, a facilidade de manutenção deveria estruturar, tanto a disposição relativa entre paredes e equipamentos, deixando livres espaços mínimos para que a limpeza se faça com facilidade, como a escolha dos tipos específicos de pavimentos e revestimentos, de acordo com critérios de facilidade de limpeza e de não evidenciação da sujidade (ex., uma má solução é a escolha de um revestimento de piso com acabamento "branco brilhante" para "zonas húmidas" e/ou muito usadas, porque têm sempre uma aparência suja e, mais tarde, “riscada” devido à frequência das limpezas e tipo de acabamento superficial). (10)
Já escrevi este último parágrafo há alguns anos (“Do bairro e da vizinhança à habitação”, LNEC, ITA 2) e ele continua a encerrar todo um conjunto de ideias fundamentais para podermos ter habitações que verdadeiramente nos satisfazem, porque são simples de usar. Mas devo fazer aqui uma referência para a necessidade imperiosa de, nos dias de hoje, conceber habitações em que as funções domésticas “obrigatórias” (cozinhar, tratar a roupa, limpar e arrumar a casa) possam ser realizadas com um mínimo de esforço e com uma eficácia máxima durante uma vida útil da habitação que seja muito extensa; isto é, hoje em dia, fundamental e não pode haver quaisquer transigências nesta matéria, pois não há desculpas para um técnico não conhecer todo o completo compêndio de soluções e de alternativas de soluções que descrevem, pormenorizadamente, como cumprir este pacote de exigências funcionais; quando muito, entre o corpo regulamentar e recomendativo e o mundo de informação editado em papel e disponível na www, a relativa dificuldade estará na escolha da melhor informação.

Acessibilidade doméstica

Outras duas matérias obrigarão a uma atitude técnica em boa parte idêntica à que acabou de ser referida para os aspectos funcionais, mas são merecedoras, já de seguida, de uma atenção específica: trata-se dos aspectos de acessibilidade e uso doméstico por pessoas condicionadas na sua mobilidade e dos aspectos de segurança.
No que se refere à previsão das condições domésticas específicas para pessoas condicionadas na sua mobilidade elas estão regulamentadas, mas poderão ser desenvolvidas de uma forma mais elaborada:
Seja em todos os aspectos que facilitem as condições de melhor funcionalidade doméstica, para todos nós e especificamente para idosos com eventuais deficiências na respectiva autonomia, tal como foram acima apontadas (super-eficácia no conjunto de funções “obrigatórias”) …
Seja em habitações e intervenções habitacionais concebidas objectivamente para pessoas com problemas de mobilidade, ou outros problemas (ex., mentais), e onde será possível levar a concepção a um apuro de pormenor capaz de poder fazer um pouco mais felizes as pessoas que têm a infelicidade de serem portadoras dessas deficiências; dimensões, tipos de mobiliário e de equipamentos, texturas, capacidade de limpeza rápida, cores, vistas interiores e exteriores estratégicas, nível de “inteligência” e de automatismo na gestão do interior doméstico e nas tecnologias de comunicação, são todas áreas onde é possível intervir para fazer melhores habitações para muitas pessoas.

Segurança doméstica

Finalmente, no que se refere aos aspectos de segurança doméstica e utilizando, em boa parte, um conjunto de notas elaboradas para um trabalho do LNEC, há que contemplar as seguintes áreas de trabalho:
·      Segurança contra riscos de incêndio no interior da habitação; por previsão da sua evacuação (segundo a regulamentação existente).
·      Segurança relativamente aos riscos de queda através dos vãos exteriores e em espaços exteriores privados e elevados; utilizando bases de referência existentes na documentação e no corpo regulamentar de diversos países europeus.
·      Segurança contra intrusões, sem que se converta a imagem da habitação na de uma fortaleza, fechada e gradeada; o que seria uma situação muito pouco congruente com a índole acolhedora e firmemente selectiva, mas aberta, que deve caracterizar o aspecto exterior de uma habitação. É de considerar, ainda, que os pisos térreos, sendo aqueles que têm de ser mais protegidos, são os mais directamente observados por grande número de habitantes; e logo, uma sua imagem gradeada ou entaipada afectará muita gente.
·      Segurança doméstica por boa adequação funcional aos vários tipos de utentes. É importante considerar que os cuidados de espaciosidade suplementar, de clarificação e facilitação funcional e de segurança suplementar com as crianças têm também utilidade para os adultos com deficiências físicas e psicológicas e para os idosos; que também têm dificuldade em alcançar e levantar objectos, tendência para escorregar em escadas, etc. Por outro lado os idosos também exigem, em princípio, espaço suplementar e zonas amplas e desimpedidas, de certo modo para substituir as faculdades de reacção mais rápidas e o vigor que foram perdendo. E nesta matérias é importante ter em conta que tais cuidados devem ir até um elevado nível de pormenor (ex., a simples mudança de cor de um pavimento pode constituir uma barreira traiçoeira para uma pessoa com deficiência na visão, que pode julgar que se trata de uma diferença de nível).
Mas, repete-se, que estes tipos de matérias estão devidamente apresentados em estudos e em regulamentos específicos, cuja consulta e cumprimento são, naturalmente, essenciais para quem projecta habitação.
Aqui, a ideia é apenas registar a sua existência, pois aqui estamos concentrados nas muitas matérias que se têm deixado, essencialmente, ao livre arbítrio e á maior ou menor capacidade de projectar Arquitectura de quem tem a responsabilidade de conceber uma dada habitação.
E afinal não se trata apenas de tratar um pouco daquilo que poucos têm tratado, mas também, tal como aponta Gilles Barbey, "de prestar mais atenção aos aspectos menos evidentes e mais afectivos da habitação, porque eles podem incluir os significados mais profundos e as influências mais fortes sobre o nosso comportamento". (11)

Algumas notas pré-conclusivas

Pensou-se, assim, um pouco, sobre a importância do conforto ambiental e da força imaginativa dos nossos mundos domésticos, numa dupla perspectiva que nos poderá garantir uma habitação agradável e imaginativa. Na próxima semana continuaremos a desenvolver os aspetos que caraterizam "bons espaços e ambientes domésticos", não nos limitando aos que se podem caraterizar como específica e "exclusivamente" funcionais, que serão, sempre, afinal, aqueles mais fáceis de considerar - pois podemos já imaginar ferramentas informáticas de apoio ao projeto de arquitetura em que estas matérias estritamente funcionais/dimensionais, eventualmente associadas a matérias regulamentares ligadas, por exemplo, a aspetos de acessibilidade e segurança, possam ser já contempladas de forma relativamente "automatizada".
O que será sempre difícil e estimulante é associar tais aspetos de "funcionalidade" e "espaciosidade" aos outros múltiplos aspetos de conceção arquitectónica, visando-se a satisfação ampla de quem habita e usa os espaços projetados.

Notas:
(7) Jacqueline Palmade; Manuel Perianez, "Des HLM à la Conquete de l'Espace", pp. 46 e 47.
(8) Claire e Michel Duplay, "Methode Ilustrée de Création Architecturale", pp. 141 e 142.
(9) Julienne Loic, "Du Logement Consolidé à d'autres Habitats", p. 43.
(10) Claude Lamure, "Adaptation du Logement à la Vie Familiale", pp. 194 e 195.
(11) Gilles F. Barbey, "Man-Environment Interactions, Evaluations and Applications-Part3, Anthropological Analysis of the Home Concept: Some Considerations Based on the Intrepretations of  Childrens' Drawings", p. 149.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.


INFOHABITAR Ano X, nº 489
Editor: António Baptista Coelho - abc@lnec.pt
Universidade da Beira Interior (UBI), Secção Autónoma de Arquitetura (SAA), Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura (DECA) 
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional
Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), NUT
BONS ESPAÇOS E AMBIENTES DOMÉSTICOS II
Artigo LIII da Série habitar e viver melhor


Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

domingo, maio 27, 2012

395 - VIZINHANÇAS CONVIVIAIS E FUNCIONAIS (artigo); e Notícias do Infohabitar - Infohabitar 395

Infohabitar, Ano VIII, n.º 395

Aos leitores do Infohabitar,

Editam-se, em seguida, notícias do 2.º CIHEL, seguidas do artigo da semana, que corresponde ao Artigo XII, da série habitar e viver melhor.

Notícias do 2.º CIHEL

Notas sobre o 2.º CIHEL - 2.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono, que terá lugar no LNEC em março de 2013 sobre o tema "Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento":

(i) Estamos quase a um mês do final do prazo para recepção dos resumos das propostas de comunicações, que continuam a ser recebidas a bom ritmo.

(ii) O site do 2.º CIHEL está já em acertos e estará activo já antes do final de Maio.

(iii) As diversas Comissões de enquadramento e apoio ao 2.º CIHEL estão em conclusão.

(iv) Há perspectivas de novos importantes apoios institucionais.

(v) Há inciativas associadas ao 2.º CIHEL que serão oportunamente apresentadas.

(vi) A prevista actualização do logótipo do CIHEL foi já concluída e é em seguida apresentada. Esta iniciativa será objecto de um artigo específico onde serão apresentadas as diversas propostas, concretizadas no âmbito das actividades lectivas do Curso Profissional de Técnico de Design Gráfico da Escola Secundária de Sacavém.





O (novo) logótipo renovado do 2.º CIHEL

E remetem-se os leitores para o recente artigo nesta revista onde se faz a apresentação pormenorizada do Congresso e dos respectivos contactos:

http://infohabitar.blogspot.pt/2012/04/2-cihel-lisboa-lnec-marco-2013.html

A Direcção e o O Presidente da Comissão Científica do 2.º CIHEL: António Baptista Coelho, António Reis Cabrita, Jorge Grandão Lopes e Paulo Tormenta Pinto

ARTIGO DA SEMANA - ARTIGO DA SEMANA - ARTIGO DA SEMANA

VIZINHANÇAS CONVIVIAIS E FUNCIONAIS
Artigo XIV, da série habitar e viver melhor
António Baptista Coelho

VIZINHANÇAS CONVIVIAIS E FUNCIONAIS

INTRODUÇÃO

Antes de avançar mais nesta ideia de vizinhança há que esclarecer que o que aqui se propõe como ideia de vizinhança é, de certo modo, a constituição de soluções de agrupamento de edifícios e de espaços exteriores públicos que proporcionem a possibilidade de se constituírem relações de vizinhança naturais, não “impostas”, entre quem usa/habita aí e na respectiva envolvente; é isto que se tem em mente e não qualquer ideia de uma convivialidade obrigatória ou concentracionária, através de acessos obrigatórios por determinados “pontos”, e por espaços de circulação em que as pessoas se acotovelem – ou sejam "obrigadas" a constantes relações "olhos nos olhos" – e acredita-se mesmo que estas últimas condições terão, até, como consequência frequente a ausência de uma vizinhança positivamente efectiva e eventualmente afectiva, podendo mesmo resultar em conflitos frequentes entre utentes.

VIZINHANÇAS CONVIVIAIS

Só que, numa perspectiva positiva, também possível, há que constatar que muitos dos nossos espaços de habitar edifícios e partes de cidade são, objectivamente, avessos a qualquer possibilidade de convívio natural, muito provavelmente por ausência de uma tal preocupação, e o que se defende é que deve ser possível o convívio, por opção de quem convive, e que para tal possibilidade muito contribuirá uma solução urbana e habitacional humanizada e amiga de uma tal possibilidade natural e livremente assumida desse convívio; julga-se que uma tal possibilidade deveria ser, mesmo, um direito de quem habita, um direito que se concretizaria em cenários activos urbanos e residenciais propícios à eclosão de um tal convívio, e que deixariam, portanto, a cada um, a escolha entre conviver ou não conviver com os seus vizinhos.

Afinal vamos descobrindo que não somos máquinas e que os sentimentos têm uma importância fundamental no nosso bem-estar e na nossa saúde; e para o desenvolvimento de agrado, satisfação e sentimentos positivos no habitar, essa possibilidade de algum convívio vicinal será, sem dúvida, um aspecto importante.



Fig.01

Mas à possibilidade convivial importa juntar, no espaço público de uma cidade habitada, a qualidade “gémea” do espaço que estimula e agrada, a qualidade de um espaço convidativo. E nesta matéria, à qual voltaremos várias vezes, é fundamental reinventar um espaço urbano que nos cative através de um desenho sensível e de um constante e sequencial investimento num espaço público que seja cada vez mais intensa e densamente usado, como espaço de estar e não apenas como passagem, em si próprio, nas suas ruelas e pracetas, e na continuidade da sua vida urbana, nas suas lojas de esquina e passagens curiosas, pois, afinal, e tal como escreveu o Arq.º Adson Lima, “assim como uma família se torna no que ela é nos espaços de uma casa, uma comunidade inteira forja-se nos espaços comuns de uma cidade.” (1)

Afinal, cada vez mais, e mais urgentemente, o habitar tem de voltar a ser entendido e vivido, verdadeiramente, numa perspectiva ampla, como entidade viva, que contribua para a vida da vizinhança, do bairro e da cidade. E portanto, quando pensamos nas vizinhanças urbanas, que são as células de uma cidade, elas devem integrar, além das habitações, pequenos equipamentos adequados ao serviço das diversas necessidades dos habitantes, mas também ao estímulo do convívio natural e mesmo de uma verdadeira extensão do habitar para além das paredes da casa de cada um.

São, por exemplo, os pequenos cafés e restaurantes estrategicamente situados em esquinas e passagens, que se tornam verdadeiros prolongamentos das nossas casas, e também todo um leque de outros equipamentos de proximidade e de acessibilidade que tornam a cidade circunvizinha mais habitável e amigável, que podem prestar serviços específicos, mas onde seja também possível o estar e o convívio espontâneo, quando se leva a roupa a engomar, quando se acompanha o filho à escola, quando se vai ao ginásio, etc., etc.



Fig. 02

Uma cidade de vizinhanças caracterizadas por imagens enriquecidas por uma estimulante diversidade de soluções habitacionais, que correspondam a necessidades e gostos específicos, bem como a diversos objectivos urbanos.

E numa cidade assim habitada há que acolher uma grande diversidade de soluções habitacionais, desde a habitação corrente, num multifamiliar, à pequena habitação apoiada e integrada num conjunto de espaços comuns, soluções estas que além de corresponderem a necessidades específicas irão enriquecer a textura vital da cidade.

Para além desta oferta de diversos tipos de habitar tem de ser aprofundada, com urgência, a capacidade agregadora e dinamizadora do estar no exterior. E a este título salienta-se que quanto maiores e menos definidos os espaços públicos, mais complexos e difíceis se tornam para a sua desejável vitalização num quadro de adequado tratamento e manutenção. E seria grave, nesta matéria, esquecer o sentido lúdico, de verdadeiro jogo, que deve marcar habitações e espaços urbanos, sendo a sua pedonalização em espaços mais segmentados e diversificados a condição directa para uma sua maior amigabilidade e sentido lúdico, pois aí circula-se por exemplo a pé e mesmo em automóvel, mas muito devagar, e ao fazê-lo vamo-nos ligando funcional e afectivamente aos sítios que percorremos, enquanto ajudamos a criar aí boas condições de segurança; numa situação bem distinta da que acontece no dito urbanismo a 50 e a 90 km/hora.



Fig. 03

VIZINHANÇAS FUNCIONAIS

Depois de se ter apontado a importância da criação de espaços de vizinhança de proximidade que constituam verdadeiros prolongamentos, seja da habitação sobre a cidade, seja da cidade sobre a proximidade directa da habitação é naturalmente útil apontar quais os caminhos a privilegiar nestes espaços. Um apontamento que, aliás, foi já avançado quando se sublinhou o protagonismo das crianças e dos idosos no uso destas vizinhanças.

E assim o aqui se sublinha sobre este título referido á funcionalidade das vizinhanças é que o principal cuidado, a este nível, é a máxima adequação funcional e ambiental a um uso intenso e prolongado por crianças, jovens e idosos; considerando, naturalmente, que a previsão de condições adequadas aos habitantes funcionalmente mais sensíveis, que serão as crianças e os idosos, resolve as questões de funcionalidade dos restantes grupos etários.

Nesta matéria vamos ainda referir alguns aspectos que se consideram estratégicos.

O primeiro é que fazer vizinhanças funcionalmente adequadas e atraentes para crianças constitui, provavelmente, um desafio de elevadíssima exigência, cuja caracterização ultrapassa claramente o perfil deste trabalho. Apenas se aponta que, por um lado, é evidente que um objectivo deste tipo não se pode resumir à boa integração de um “parque infantil” adequadamente “normalizado”, pois o que aqui se sugere é uma Arquitectura da vizinhança residencial e urbana que possa ir cooperando na própria formação da criança, garantindo-lhe adequadas e evolutivas condições de recreio, mais enquadrado ou mais livre, de segurança e de estímulo ao uso do espaço público; e nesta perspectiva é oportuna a consideração das conclusões de um estudo de Robin Moore sobre um parque infantil de vizinhança, usado como "atalho" pelos residentes e bem protegido da circulação e do estacionamento de veículos, que se revelou como sendo usado como verdadeiro centro social e de informação para a vizinhança, com picos naturais de uso pela comunidade, em geral, aos fins de tarde e especialmente aos sábados (2).

Um segundo aspecto é que é sempre mais fácil dizer que não há espaço para instalar locais de recreio desportivo para os jovens, do que ter o trabalho real de os integrar de forma a que jovens e não jovens os possam usar intensamente e sem prejuízos para o sossego da vizinhança (3). Evidentemente que não é por terem zonas de prática desportiva que os jovens deixarão os “maus caminhos”, mas é, frequentemente, ridícula a ausência de previsão de equipamentos deste tipo, ainda que informais e adaptados, enquanto, logo ali ao lado, se desenvolvem relvados de enquadramento e tantas vezes votados ao fracasso como espaços “verdes”, por problemas de manutenção.


Fig. 04

E, finalmente, um terceiro aspecto, igualmente estruturante, é que, tal como já se sublinhou, as vizinhanças de proximidade residenciais e urbanas devem oferecer um máximo de condições de funcionalidade aos peões, privilegiando-se nestes as crianças e os idosos; e será útil considerar o desenho funcional do conjunto dos espaços prioritariamente pedonais, assim criados, tendo em vista o seu uso como grande espaço de recreio e de brincadeiras.

Alexander refere como intervalo óptimo para paragens de transportes públicos (do tipo "mini-autocarros") o valor de 200m, ao longo das vias principais e em todas as direcções (4). Alexander considera o "centro mínimo" como um conjunto constituído pela paragem, um quiosque jornaleiro, um "café" contíguo, árvores e bancos exteriores.

Os recintos exteriores constituem os objectivos da circulação, os pontos para onde o tráfego nos conduz. Sem eles, como diz Cullen (5) o tráfego tornar-se-ia absurdo). E o citado autor qualifica "o recinto, ou o compartimento exterior", como "o meio mais eficaz e mais imediato de provocar nas pessoas essa sensação de posição ou de identificação com aquilo que as rodeia." E, como refere Cullen, tendo-se definido "o aqui" tem de existir "a sensação de além e é precisamente na forma com se estabelece a relação entre esta duas qualidades que reside o dramatismo das relações espaciais". Podendo-se definir uma hierarquia de dramatismos espaciais dentro de cada nível de intimidade ou convivialidade e nas fronteiras entre esses níveis.

"Há linhas privilegiadas susceptíveis de ocupação" (6), nomeadamente, porque proporcionam excelentes vistas imediatas sobre aspectos únicos ou contrastantes da paisagem do local.

Falou-se de funcionalidade nas vizinhanças e, como se viu, não se falou de estacionamentos, dimensões de circulação de veículos, etc., etc., é que se considera que tais aspectos além de variarem muito com cada sítio de intervenção se caracterizam, essencialmente, pela referida subordinação ao uso pelos peões e à criação de um pequeno mundo de apoio ao recreio (chamem-lhes “zonas 30”, zonas de acalmia de trânsito, ou outra qualquer designação). São estes os elementos fundamentais para uma vizinhança agradável e geradora de satisfação, os restantes aspectos funcionais quantitativos estão suficientemente estudados, e sobre há suficientes dados e muitos especialistas com adequado conhecimento, que tem de ser prático além de teórico, e a este nível das vizinhanças residenciais e urbanas todos os aspectos funcionais associados directa ou indirectamente ao uso dos veículos e aqueles ligados aos necessários equipamentos colectivos, também já razoavelmente estabilizados em termos quantitativos (7), têm de ser harmonizados com as referidas condições de agradabilidade pedonal e, diria ainda, de criação de um ambiente global fortemente humanizado e atraente, aspectos estes a que se dedicam as próximas linhas deste livro.

Notas:

(1) Adson Cristiano Bozzi Ramatis LIMA, «Habitare e habitus — um ensaio sobre a dimensão ontológica do ato de habitar» in http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp450.asp, consultado em 30.09.2008.

(2) Entre as diversas características que foram consideradas responsáveis pelo êxito deste parque infantil destacam-se as seguintes (Robin Moore, "Patterns of Activity in Time and Space: The Ecology of a Neighbourhood Playground", pp. 128 e 129): localização próxima da habitação (afastamento de cerca de 61m a um máximo de 91m), permitindo uso informal e frequente ("idas e vindas"); para além disto o "jardim" será tanto mais usado quanto mais visível ele for e quanto mais livre a sua utilização (sem horários); grande diversidade das brincadeiras e dos equipamentos propostos, tornando o "parque" bem identificável entre os seus congéneres; perfeita ligação com o restante espaço pedonal, considerando-se este equipamento como parte integrante do espaço contínuo de brincadeiras que é o espaço pedonal da área residencial; promoção dos agrupamentos humanos, tanto com bancos e zonas protegidas para os grupos se juntarem recatadamente, como pela existência de certos equipamentos bem relacionados com grupos etários mais velhos (ex., recintos desportivos), fortemente demarcados das zonas para os mais jovens, mas permitindo interacções mútuas (ex., vistas, comunicação vocalizada, etc.); relacionamento com outras actividades, também participadas por adultos, como realização de passatempos, artesanato, etc; E, podemos acrescentar, a boa acessibilidade a quiosques de venda de revistas e jornais, bem como a "cafés/pastelarias" e respectivas esplanadas.

(3) Tal como refiro num estudo do LNEC (“Do bairro e da vizinhança à habitação”, Lisboa, LNEC, ITA 2, 1998), mesmo em condições espaciais muito exíguas haverá sempre sítio para a instalação de: campos "mini" (ex., minibasquetebol); "recantos" para prática de Basquetebol (ex., um cesto aplicado numa empena cega e uma zona de pavimento liso contígua); paredes para treinar Ténis; peladinhas para futebol com balizas simplificadas; percursos para corrida e exercícios de manutenção aproveitando as diversas zonas pedonais.

(4) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", p. 121.

(5) Gordon Cullen, "Paisagem Urbana", p. 27, 31 e 36.

(6) Gordon Cullen, "Paisagem Urbana", p. 26.

(7) Há, no entanto, que comentar julgar-se que a previsão de equipamentos colectivos deveria ser revista tendo em conta a sua fundamental contribuição para a coesão e vitalidade urbanas e obstar-se a que a sua previsão possa resultar em situações negativas nesses aspectos; situações estas que podem ser observadas, quer em numerosos exemplos, realizados nas últimas dezenas de anos, em que a introdução de enormes equipamentos resultou na criação de verdadeiras barreiras e obstáculos à fundamental continuidade urbana, quer em situações, já apontadas, de excesso de previsão de equipamentos influenciando na desvitalização dos espaços públicos contíguos.


Notas editoriais:

(i) A edição dos artigos no âmbito do blogger exige um conjunto de procedimentos que tornam difícil a revisão final editorial designadamente em termos de marcações a bold/negrito e em itálico; pelo que eventuais imperfeições editoriais deste tipo são, por regra, da responsabilidade da edição do Infohabitar, pois, designadamente, no caso de artigos longos uma edição mais perfeita exigiria um esforço editorial difícil de garantir considerando o ritmo semanal de edição do Infohabitar.


(ii) Por razões idênticas às que acabaram de ser referidas certas simbologias e certos pormenores editoriais têm de ser simplificados e/ou passados a texto corrido para edição no blogger.


(iii) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.



Infohabitar a Revista do Grupo Habitar

Infohabitar, Ano VIII, n.º 395


Editor: António Baptista Coelho


Edição de José Baptista Coelho


Lisboa, Encarnação - Olivais Norte