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terça-feira, agosto 16, 2011

358 - Outeiro da Forca, Portalegre - Casos de Referência dos primeiros 5 anos do Prémio IHRU – II - Infohabitar 358

Infohabitar, Ano VII, n.º 358

Nota editorial:

Com o presente artigo tem continuidade uma nova série editorial no Infohabitar, que à semelhança de outras séries da nossa revista, terá uma edição alternada por outros artigos tematicamente autónomos ou também integrados em séries editoriais específicas.

Iremos editar “Casos de Referência dos primeiros 5 anos do Prémio IHRU” – Prémio Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana –, numa iniciativa que irá divulgar imagens e comentários técnicos de descrição e análise sumária de alguns dos candidatos às primeiras cinco edições daquele Prémio e que se fundamenta no interesse que sempre teve, tem e terá a divulgação de boas práticas de habitat (num sentido lato e verdadeiro de habitat), neste caso associadas a quatro grandes linhas de actividade específicas e que são, em seguida, apontadas:


(i) Promoção de novos conjuntos de habitação de interesse social - numa faceta de actividade em que o Estado e os seus parceiros têm de continuar activos, embora numa perspectiva mais delimitada e provavelmente cada vez mais atenta à adequação das soluções específicas aplicadas e sua qualidade arquitectónica.


(ii) Reabilitação de velhos edifícios e de conjuntos edificados, também com o objectivo específico de disponibilização de habitação de interesse social – um objectivo cujo interesse aqui se sublinha de forma bem evidenciada – ou de outras categorias habitacionais; estas acções de reabilitação habitacional estão e devem estar estrategicamente integradas em centros históricos e em outras malhas urbanas carentes de vitalização e melhoria física, numa faceta de actuação que, hoje em dia, assume importância estratégica e multifacetada, seja para os respectivos habitantes, seja para a cidade que se quer urgentemente mais e melhor habitada.


(iii) Reabilitação de velhos edifícios não-habitacionais para melhoria das suas condições de uso e de conforto no uso, considerando a manutenção das suas funcionalidades básicas ou a respectiva reconversão, total ou parcial, a novos usos; uma faceta de actuação também vital numa perspectiva de melhoria consolidada e durável da globalidade do tecido urbano.


(iv) (e finalmente) Reabilitação de espaços exteriores públicos ou de uso público, numa faceta de actuação com uma importância igualmente estratégica e ainda não devidamente considerada na sua urgência, no seu interesse e nas suas exigências específicas de projecto, obra e manutenção/gestão; afinal, será de uma adequada redinamização do uso dos nossos espaços públicos urbanos, em termos de frequência e intensidade de uso, que decorrerá boa parte da vitalização urbana dessas áreas e não bastam arranjos “de aspecto” para assegurar o êxito destas operações.


Em termos informativos refere-se que o Júri do Prémio IHRU integra representantes das seguintes instituições: Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, Ordem dos Arquitectos e Ordem dos Engenheiros. Em 2007 e porque este Prémio constituiu uma edição única do Prémio INH/IHRU (o Instituto Nacional de Habitação deu lugar ao IHRU no decurso do Prémio), o Júri integrou, ainda, representantes ANMP, da AECOP, da ANEOP e da FENACHE.


Numa primeira reunião do Prémio IHRU é feita uma pré-selecção dos empreendimentos a visitar e é elaborado um programa de visitas. Na última reunião, efectuada após as deslocações aos empreendimentos seleccionados, e após a revisão comentada das respectivas visitas (imagens projectadas) e de uma natural e sistemática discussão técnica o Júri atribui os respectivos Prémios e Menções.


Mais se esclarece que os candidatos aos Prémio IHRU, um prémio exclusivamente honorífico, concorrem nas variantes Construção ou Reabilitação: sendo que na primeira variante (Construção), há várias vertentes/categorias de concurso - Promoção Municipal e Regional, Promoção Cooperativa e Promoção Privada – enquanto na variante Reabilitação há, actualmente (à data da escrita deste artigo), há também várias vertentes de concurso - Reabilitação Isolada de Imóveis, Reabilitação ou Qualificação de Espaço Público e Reabilitação Integrada de Conjuntos Urbanos.


Sublinha-se, no entanto e desde já, que a apresentação dos casos de referência de candidatos ao Prémio IHRU, que irá sendo assegurada pelo Infohabitar, não dará importância significativa a estas vertentes “oficiais” do Prémio, preferindo salientar as quatro grandes linhas de actividade específicas acima apontadas, bem como aspectos específicos e interessantes de cada intervenção e optando por divulgar de forma não sistemática, não exaustiva, temporalmente não ordenada, e “em pé de igualdade” entre casos que obtiveram Prémios, outros que mereceram Menções Honrosas e ainda outros que não tiveram destaque especial no Prémio, mas que o autor destas linhas considera serem também casos com muito interesse e que, portanto, terá utilidade a sua divulgação; pois, afinal, a própria divulgação de casos de referência muito diversificados tem uma utilidade própria e, como bem sabemos, a cidade não se faz apenas de exemplos excepcionais, mas também de casos de referência com aspectos específicos e meritórios cuja divulgação é importante.


E de certa forma o Prémio IHRU tem a sua existência específica, que se vai cumprindo anualmente, e aqui no Infohabitar estamos num outro contexto de divulgação bem distinto e naturalmente mais flexível, até porque os comentários que acompanham as imagens dos conjuntos, edifícios e espaços que irão sendo divulgados, são apenas e naturalmente da responsabilidade do autor do artigo – com a excepção referida às citações das respectivas actas do Júri e/ou dos textos de apresentação dos respectivos catálogos do Prémio (devidamente assinaladas), que são anualmente ditados pelo IHRU.


Salienta-se, finalmente, que será fortemente privilegiada uma componente de ilustração e de imagens dos casos de referência editados, reduzindo-se os textos de comentário e reflexão ao máximo e caracterizando-os por uma perspectiva informal “de visitante” interessado da respectiva intervenção; e que se convidam os respectivos autores, promotores e habitantes a complementarem e a comentarem as respectivas obras e/ou os próprios comentários do Infohabitar, através de simples envios via e-mail à edição do Infohabitar, que, depois e logo que seja possível integrará os respectivos textos e, eventuais, imagens, nos respectivos artigos, ou, e em alternativa (casos de contribuições com dimensão e interesse significativos), poderá decidir pela sua edição autonomizada, se o respectivo autor autorizar esta possibilidade.


Considerando-se que não decorreu, ainda, a cerimónia de entrega dos Prémios IHRU 2011, não serão editados no Infohabitar até essa data candidaturas respeitantes a este anos de 2011.


O editor do Infohabitar
António Baptista Coelho



Casos de referência do Prémio IHRU – II: o Outeiro da Forca, em Portalegre

António Baptista Coelho



Fig. 01



Será, em seguida, comentado e globalmente apresentado, nos seus aspectos urbanos e arquitectónicos, o conjunto/quarteirão com 52 fogos no Outeiro da Forca, Portalegre, promovido pelo Município de Portalegre, com o projecto do Atelier de Arquitectura Carlos Gonçalves, Lda.



“Este conjunto de habitação colectiva, explorando as potencialidades do terreno, organiza-se a partir de um extenso pátio conformado por bandas de habitação e comércio que, através da adaptação à topografia e de um diálogo visual com a envolvente, se desenvolve em interessantes sequências espaciais. É de realçar a forma como é permitida a acessibilidade e a mobilidade em plataformas com diferentes níveis que, funcionando simultaneamente como espaços autónomos, definem e caracterizam o espaço central como unidade.

A partir de espaços conviviais de grande interesse, promovem-se relações de vizinhança de proximidade e, paralelamente, criam-se condições para que esta vivência comunitária se possa articular com os espaços envolventes, no sentido de continuidade urbana.”

Foi uma citação integral do texto de apresentação do catálogo do Prémio INH/IHRU 19.ª Edição; salienta-se que este texto de apresentação integra a acta do júri do respectivo Prémio, tendo sido, portanto, elaborado, conjuntamente, pelo respectivo Júri.




Fig. 02


Quando visitamos o Outeiro da Forca e o procuramos sentir com alguma calma, talvez que uma das primeiras ideias que retemos é que continua a valer a pena procurar estruturar e compor pequenas/humanas vizinhanças residenciais, globalmente marcadas por uma imagem com grande dignidade, uma dignidade que constitui uma vantagem importante para a respectiva integração urbana, tantos em termos físicos como sociais.





Fig. 03


Um aspecto que importa destacar é a pedonalização do miolo do quarteirão, criando-se um espaço de segurança e de agradabilidade, que é naturalmente seguro, porque envolvido por vãos domésticos, mas que se encontra estrategicamente acessível a partir das vias próximas, que envolvem o quarteirão alongado.





Fig. 04


Outro aspecto importante é a própria imagem geral do quarteirão, uma imagem digna e atraente na sua relação com a cidade e uma imagem marcada por uma escala geral humanizada, predominantemente marcada por edifícios de rés-do-chão mais dois ou, no máximo três pisos; e edifícios multifamiliares que continuam a relacionar-se com algumas memórias de um fazer de arquitectura tradicional, designadamente, nos seus extensos panos brancos, nos seus socos bem marcados e nos seus vão evidenciados e bem recortados.


Mas um outro aspecto importa ainda ser salientado ao nível desta nova vizinhança urbana, que é tratar-se de um quarteirão numericamente equilibrado em termos do número de habitações que integra: 52 fogos, um número muito próximo do que é aconselhado por diversos autores, quando se pretende proporcionar um conjunto de condições adequadas para o desenvolvimento do convívio vicinal – primeiro entre crianças e, depois, talvez entre adultos.




Fig. 05


E, finalmente, e ainda ao nível de uma urbanidade de proximidade, quando este conjunto foi visitado, verificou-se estarmos em presença de um quarteirão equipado/recheado com diversas actividades municipais e de outros tipos o que se considera ser um caminho muito meritório no sentido da vitalização local. Se estas actividades se mantiveram, como se deseja, será matéria para outra visita.




Fig. 06


Passando, agora, ao edifício salienta-se a opção por uma solução em que os dois fogos existentes em cada piso são estrategicamente separados por uma reentrância de “espaço vazio”, o que tem uma dupla vantagem: assegura total separação entre esses fogos, pois não têm paredes contíguas (são separados por esse espaço vazio e pelas escadas comuns); e proporciona aos espaços comuns horizontais (patins de acesso às habitações) excelentes condições de luz natural, vista sobre o espaço público e natural capacidade e apropriação. De certa forma e sem dúvida de modo bem premeditado houve aqui um ensaio de procurar que estes pequenos edifícios multifamiliares pudessem ter características, em parte, aproximadas às dos edifícios unifamiliares, num assumir de um reforço da individualidade das habitações e da sua relação mais directa com o espaço livre.





Fig. 07


Finalmente ao nível da habitação estamos em presença de uma solução muito positivamente racionalizada na sua atribuição de espaços domésticos específicos e, assim, naturalmente, uma solução com significativo potencial de adaptabilidade a diferentes modos de vida, através d diversas atribuições funcionais dos compartimentos; e isto num quadro de espaciosidade bastante económico.




Fig. 08

Ainda ao nível das opções domésticas sublinha-se o interesse do expressivo desenvolvimento da cozinha, que poderá funcionar um pouco como zona de convívio e que é caracterizada por excelentes e pouco frequentes condições de iluminação natural através de janelas em duas paredes, que atribuem a este espaço um sentido de “clareza/alegria”, fazendo-o parecer maior do que é e possibilitando que o próprio estendal exterior e acessível por uma dessas janelas esteja expressivamente retirado da vista mais pública (encontram-se “embebidos” na tal reentrância “vazia” do edificado que separa os dois fogos existentes em cada nível).




Fig. 09

Finalmente, duas últimas notas: uma para o interesse da pormenorização arquitectónica onde se destacam, naturalmente, os “lugares-janela” que para além de estarem ligados à identidade específica desta intervenção, de certa forma, proporcionam uma intensa e económica repetição de vãos sem os problemas de monotonia associados, habitualmente, a uma tal condição ; e a outra, uma breve referência a ter-se evidenciado nesta análise, essencialmente, a qualidade do projecto de arquitectura urbana aqui aplicado.


Notas finais:

- a intervenção no Outeiro da Forca foi Menção Honrosa do Prémio INH/IHRU 2007



Bibliografia:

PAMPULHA, Rogério; PEREIRA, Teresa; FORJAZ, Isabel - Prémio INH/IHRU 19.ª Edição. Lisboa, Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, 2007 (Dep. Legal 261148/07)

Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.


Infohabitar, Ano VII, n.º 358


16 de Agosto de 2011


Editor: António Baptista Coelho

Edição de José Baptista Coelho

Lisboa, Encarnação - Olivais Norte

quinta-feira, agosto 23, 2007

154 - Notas sobre a integração urbana e paisagística – artigo de António Baptista Coelho - Infohabitar 154

  - Infohabitar 154


A importância da integração urbana e paisagística: a propósito de alguns casos de promoção municipal destacados no PRÉMIO INH/IHRU 2007



Na sequência da edição, aqui no Infohabitar, da acta de apreciação e designação de prémios e menções respeitantes ao PRÉMIO INH/IHRU 2007 – 19ª EDIÇÃO, cujos resultados foram conhecidos em 3 de Julho de 2007, em cerimónia que decorreu no auditório da Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, continua-se, hoje, nesta nossa revista, um percurso mais pormenorizado sobre o mesmo conjunto de soluções urbanas e residenciais.




Fig. 01: Vista do conjunto no Outeiro da Forca, Portalegre, 52 fogos promovidos pelo Município de Portalegre com o projecto do Atelier de Arquitectura Carlos Gonçalves.

Sublinham-se, desde já, três aspectos estruturantes nesta pequena sequência de artigos semanais a editar ao longo de Agosto de 2007:

.Trata-se de uma perspectiva de análise pessoal e “de trabalho”, desenvolvida pelo autor destas linhas no âmbito da sua participação no Júri do Prémio como representante do Laboratório Nacional de Engenharia Civil; e portanto uma perspectiva que não se tem de articular, plenamente, com a análise do Júri.

. Na sequência do que acabou de ser referido, optou-se por não referir quaisquer aspectos associados ao respectivo destaque no Prémio; e sublinha-se que a designação (ficha técnica), limita-se a repetir, praticamente na íntegra, a já divulgada na referida Acta do Júri e no respectivo Catálogo do Prémio.

. E, finalmente, aproveitou-se esta oportunidade para falar, apenas um pouco, sobre temas que se julga estarem na ordem do dia em termos de procura de boas soluções de habitar a casa e a cidade; e é sob o título dessas temáticas que se agrupam os conjuntos apresentados nesta pequena sequência de artigos.


Fig. 02: Uma vista de um dos 12 fogos distribuídos por Aguiã, Guilhadeses e Tabaçô promovidos pelo Município de Arcos de Valdevez, com projecto coordenado pelo arquitecto Carlos Machado.

Salientam-se, em seguida, os temas tratados nas passadas semanas e no presente artigo (tema sublinhado):

(i) Cooperativas de habitação, reabilitação e sustentabilidade ambiental e social.

(ii) Cooperativas de habitação e adequação de espaços de vizinhança e domésticos bem pormenorizados.

(iii) A importância da integração urbana e paisagística.

E, finalmente, aponta-se o tema a editar na próxima semana:

(iv) Sobre a relação entre soluções humanizadas, densificação e escala humana.



A importância da integração urbana e paisagística: a propósito de alguns casos de promoção municipal destacados no PRÉMIO INH/IHRU 2007

Nota: as soluções aqui apresentadas mereceram diversos destaques no PRÉMIO INH/IHRU 2007.


Fig. 03: Um aspecto representativo da dignidade urbana que marca o conjunto no Outeiro da Forca, promoção da C. M. de Portalegre.

Outeiro da Forca, Portalegre, 52 fogos


Conjunto no Outeiro da Forca, Portalegre, 52 fogos promovidos pelo Município de Portalegre e construídos pela empresa José Coutinho, S.A., com o projecto do Atelier de Arquitectura Carlos Gonçalves, Lda.


O conjunto promovido pela CM de Portalegre caracteriza-se por uma dupla qualidade geral:

. uma qualidade urbana, através da criação de uma verdadeira e já vitalizada vizinhança de proximidade pedonal;

. e uma qualidade edificada, mediante a criação de uma solução de edifício em que seja nos espaços comuns, seja nos espaços domésticos, temos a oportunidade de percorrer e viver sequências estimulantes em termos de formas, cor e luz natural.




Fig. 04: O alongado, atraente e vitalizado miolo pedonal de vizinhança do conjunto no Outeiro da Forca, Portalegre.


O alongado miolo pedonal de vizinhança, que serve um muito equilibrado número de cerca de 50 fogos, encontra-se bem vitalizado, seja pelas entradas dos edifícios, seja por equipamentos bem abertos para o contínuo pedonal e já em pleno funcionamento.




Fig. 05: As entradas dos edifícios podendo observar-se os espaços vazios que proporcionam excelentes condições de luz natural nos patins comuns e nas cozinhas.




No edifício há que salientar as soluções positivamente imaginativas que caracterizam os pequenos espaços comuns como expressivamente domésticos, plenos de alegria, de capacidade de apropriação e de envolventes matizes de cor e de luz natural.

Finalmente no interior doméstico destaques para os corredores muito mobiláveis e para as cozinhas plenas de luz natural – janelas em duas paredes exteriores – , que são verdadeiras pequenas salas de família.




Fig. 06: Os corredores muito mobiláveis.




Fig. 07: As cozinhas plenas de luz natural, que são verdadeiras pequenas salas de família.

O que se destaca talvez mais nesta solução é a rara e muito positiva sequência que se cria entre um exterior de quarteirão assumidamente público, um interior de quarteirão protegido e pedonalizado, marcado pela vizinhança de proximidade e bem vitalizado por equipamentos já activos, um interior de edifício cujos acessos têm estimulantes sequências espaciais, que se prolongam por variações de formas, de cor e de luz natural, que assumidamente dão presença forte e agradável a este pequeno mundo comum, e , finalmente, um espaço doméstico confortável e funcional.




Fig. 8: Um dos pequenos núcleos de um total de 12 fogos distribuídos por Aguiã, Guilhadeses e Tabaçô, promovidos pelo Município de Arcos de Valdevez.

Aguiã, Guilhadeses e Tabaçô, Arcos de Valdevez



12 fogos distribuídos por Aguiã, Guilhadeses e Tabaçô promovidos pelo Município de Arcos de Valdevez, construídos pela empresa Sociedade de Construções do Bico, Lda, sendo o projecto e a coordenação do arquitecto Carlos Machado.

Nestes pequenos núcleos de realojamento em Aguiã, Guilhadeses e Tabaçô, promovidos pelo município de Arcos de Valdevez, destaca-se a sensibilidade de se ter desenvolvido uma acção de integração paisagística, naturalmente, associada a uma forte adequação tipológica ao modo de vida, essencialmente rural, das famílias para as quais foram feitas as habitações.




Fig. 9: Micro-núcleos de realojamento em Aguiã, Guilhadeses e Tabaçô, promovidos pelo município de Arcos de Valdevez, numa sensível aproximação ao habitar rural, que também serve, naturalmente, a integração paisagística.

A ideia aqui cumprida é que sempre que assim é desejado se deve proporcionar que as famílias carentes de habitação possam habitar, em condições adequadas, os locais onde antes viviam em más condições. Um objectivo que é também de primeira linha relativamente à fundamental integração social dessas famílias.

Um outro aspecto também associado a estas importantes matérias da adequação tipológica tem a ver com uma solução de casa que joga numa forte complementaridade e continuidade entre espaços domésticos exteriores, interiores e de transição, o que fica bem evidenciado na sequência entre cozinha, alpendre de cozinha, quintal privado e telheiro de serviço neste mesmo quintal.


Fig. 10: Uma solução de casa que joga numa forte complementaridade e continuidade entre espaços domésticos exteriores, interiores e de transição.

Ainda nestas matérias de adequação humana da solução doméstica há que sublinhar o desenvolvimento térreo do fogo, sem desníveis, facilitando a vida diária de pessoas idosas, e o excelente desenvolvimento da grande cozinha de convívio.




Fig. 11: As excelentes cozinhas conviviais de Aguiã, Guilhadeses e Tabaçô; e na sua contiguidade há espaçosos alpendres multifuncionais.

Alguns breves comentários finais sobre o Prémio INH

Cinco aspectos merecem um destaque especial no remate da apresentação destes dois conjuntos municipais, destacados no PRÉMIO INH/IHRU 2007 e aqui abordados genericamente, embora numa perspectiva razoavelmente marcada pelo tema da integração urbana e paisagística:

(i) O primeiro aspecto põe em relevo a ligação que existe entre este assunto fortemente arquitectónico da integração urbana e paisagística e as matérias associadas ao desenvolvimento de vizinhanças de proximidade, e à excelente possibilidade de se fazerem casas realmente adequadas aos diversificados mundos familiares e pessoais dos muitos seus habitantes; matérias estas sumariamente apontadas na parte final do último artigo desta série.

(ii) O segundo aspecto refere-se à importância que tem o desenvolvimento de uma relação estreita/íntima, funcional e caracterizadamente coerente entre as soluções gerais de ocupação/integração topográfica, urbana e paisagística e as soluções gerais domésticas adoptadas; dá vontade de dizer que é desta apenas aparente “complexificação” que nascem, frequentemente, valores projectuais especiais e muito positivos.

(iii) O terceiro aspecto reduz-se a poucas palavras e tem a ver com a fundamental expressão da escala humana; pois é ela que acaba por ser, frequentemente, um importante agente de elementos de integração urbana e/ou paisagística. E é interessante apreciar-se os modos distintos mas igualmente efectivos com que se expressa a escala humana nos dois conjuntos que aqui foram apresentados.

(iv) O quarto aspecto reduz-se também a poucas palavras e refere-se ao continuar a privilegiar intervenções com pequenos números de fogos e naturalmente com números equilibrados de fogos e com misturas equilibradas e sustentáveis de fogos e de equipamentos vivos; a bem conhecida “pequena escala” geral.

(v) E, finalmente, o quinto aspecto, também muito ligado a todos os outros aqui apontados, e especialmente ao dessa “pequena escala”, que é o reafirmar da importância da dignidade residencial e urbana que tem de marcar as intervenções, uma dignidade crucial seja na desejada integração social, seja nos objectivos de integração urbana e paisagística aqui especificamente visados.

As fotografias são de António Baptista Coelho, excepto as imagens das habitações de Arcos de Valdevez, que são do Arq. José Clemente Ricon.

Casais de Baixo, Azambuja, 23 de Agosto de 2007
Editado por José Baptista Coelho, 23 de Agosto de 2007.