terça-feira, julho 23, 2019

695 - Esboços recentes de edifícios e árvores I – Infohabitar 695

Infohabitar, Ano XV, n.º 695   

Por António Baptista Coelho (imagens e textos)

(nota prévia: a Série “Habitar e Viver Melhor” será continuada  dentro de algumas semanas)
Retomando-se o que é já uma tradição da Infohabitar continua-se a edição de alguns esboços recentes, associando-se, por regra, sintéticos comentários informais, julgados oportunos, seja numa perspetiva de Arquitectura/Habitar (quando adequado), seja considerando notas informais no sentido do próprio fazer do esboço/desenho, aqui, sublinha-se, numa perspetiva de clara informalidade e sentido prático - eventualmente útil a quem, como o autor, continua a desenhar numa base diária, procurando, sempre, alguma melhoria –ainda que esta, sendo sempre relativa, discutível e sensível, exigisse bastante mais paciência, calmo sentido de observação prévia e de “projeto” do próprio esboço, e isto tudo, naturalmente, obrigasse a muitas mais horas de prática (sempre agradável, há que confessar).
Salienta-se que boa parte dos esboços aguarelados que se seguem foram realizados na zona central e "verde", do bairro de Olivais Norte em Lisboa, um bairro modernista exemplar (de cerca de 1955/1965, considerando o respetivo projeto), e talvez "o bairro" modernista exemplar português, que é urgente requalificar e dar a conhecer pois alia a uma excelente qualidade de vida e a uma arquitetura urbana original e extremamente qualificada, uma evidente atualidade nas suas preocupações de sustentabilidade ambiental  - ex., intervenções multidisciplinares incluindo (à data, lembra-se) arquitetos paisagistas integração expressiva de verde urbano em grande "manchas" mais simples de manter, e orientação dos edifícios segundo o movimento aparente do Sol de modo a "rentabilizar" a respetiva insolação dos espaços das habitações.


Fig. 01: Os edifícios, com tamanho significativo (4 grandes habitações por piso e cerca de 10 pisos) ganham continuidade urbana com as árvores que os vão alternando. o desenho procurou ser sintético, com tinta preta à prova de água, preparando a aguada posterior, feita sobre um papel com grão fino.


Fig. 02: Verdadeiros edifícios modernistas, sobre "pilotis", ou talvez melhor dito sobre grandes pilares quadrangulares, sobre os quais "repousam" grandes vigas a todo o comprimento do edifício, que ganha uma evocativa imagem de "ponte" ou até de viagem; mas para a ter é preciso e vale bem a pena ir lá, e é bem fácil, basta sair na estação do Metro da Encarnação, em Lisboa, e estão mesmo lá; e já agora atentem em como foi possível aos projectistas - Arq.os Artur Pires Martins e Cândido Palma de Melo e Eng.º Jaime Periera Gomes - realizarem toda a organização interior da habitações com base numa estrutura perfeitamente regular.  O esboço procurou o jogo de perspectiva com um forte primeiro plano.


Fig. 03: As árvores urbanas em dois papéis distintos e, neste caso, bem complementares, como elementos protagonistas em primeiro plano, ao longo da zona verde central de Olivais Norte, e como elementos "de acompanhamento" ou contraponto, neste caso em segundo plano, entremeando os blocos habitacionais. No esboço os primeiros planos foram reforçados com traços negros o mais possível "soltos". 


Fig. 04: Os grandes choupos, plantados provavelmente nos anos de 1960, estarão pretes, talvez, a cumprir a sua esperança de vida, sendo importante pensar a sua substituição também por árvores assumidamente "verticais", que jogam com os blocos altos. No esboço as árvores e as extremidades dos blocos (à esquerda) registam a verticalidade que a própria folha de papel cumpre (ao alto) e, globalmente, há uma tentativa de alguma uniformização de tonalidades, que surgem razoavelmente misturadas.


Fig. 05: Neste esboço, um pouco exagerado na exuberância e proximidade entre a vegetação e o edificado, procura-se dar a noção do papel cénico que a vegetação desenvolvida entre os edifícios, assume em termos de vistas das habitações sobre tais espaços naturalizados; vistas esta talvez mais efectivas entre o 1.º e o 4.º andares, e naturalmente na zona "térrea" (embora elevada) vazada.


Fig. 06: Um esboço de um dos cul de sac que partem da rodovia anelar de distribuição, proporcionando pequenas vizinhanças com escalas bem humanizadas (pela altura dos edifícios e pela cobertura arbórea) e ambientes de sossego (agora em boa parte reconquistado depois da EMEL chegar ao bairro), proporcionando soluções "únicas" de total abertura dos espaços comuns dos edifícios sobre a sua envolvente pública; a ver no local. No esboço apostou-se no contraste entre a linearidade dos edifícios e a organicidade das árvores e procurou-se apontar rapidamente as formas dos automóveis (uma procura que continua).


Fig. 07: Nesta fotografia deixaram-se os dedos para se dar a noção do tamanho real deste e de alguns dos esboços acima apresentados; um pequeno livro de esboços como este vai connosco para todo o lado e está, assim, sempre à mão.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 695

Esboços recentes de edifícios e árvores II – Infohabitar 695


Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no
Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) –, em Lisboa



Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

terça-feira, julho 16, 2019

694 - Catálogo interactivo da Infohabitar

Caros Leitores da Infohabitar,
Esta semana mantém-se em "primeira página" editorial o últim o Catálogo Interactivo da nossa revista. Boas leituras, é o que se deseja.
Saudações calorosas do António Baptista Coelho (editor)

terça-feira, julho 09, 2019

694 - Catálogo Interactivo de 693 artigos da Infohabitar - INFOHABITAR 694


CATÁLOGO INTERACTIVO DE 704 ARTIGOS DA INFOHABITAR


EDIÇÃO ESPECIAL EDIÇÃO ESPECIAL EDIÇÃO ESPECIAL EDIÇÃO ESPECIAL

INFOHABITAR N.º 705

Infohabitar: 15 anos de edições, 36 temas, mais de 100 autores, 704 artigos e quase 1.150.000 visualizações


Caros leitores,


Esta edição do catálogo da Infohabitar foi substituída por uma nova versão actualizada, revista e comentada (Infohabitar n.º 705), acessível em:
https://infohabitar.blogspot.com/2019/10/700-artigos-interactivos-edicao-revista.html

António Baptista Coelho
Editor da Infohabitar, Presidente da GHabitar, investigador principal com habilitação em Arquitectura e Urbanismo (LNEC), doutor em Arquitetura (FAUP), Arquiteto (ESBAL).






terça-feira, julho 02, 2019

693 - Esboços recentes de árvores e edifícios II – Infohabitar 693


Infohabitar, Ano XV, n.º 693                     

Esboços recentes de árvores e edifícios II – Infohabitar 693


por António Baptista Coelho (imagens e textos)

(nota prévia: a Série “Habitar e Viver Melhor” será continuada  dentro de algumas semanas)

Retomando-se o que é já uma tradição da Infohabitar continua-se a edição de alguns esboços recentes, associando-se, por regra, sintéticos comentários informais, julgados oportunos, seja numa perspetiva de Arquitectura/habitar (quando adequado), seja considerando notas informais no sentido do próprio fazer do esboço/desenho, aqui, sublinha-se, numa perspetiva de clara informalidade e sentido prático - eventualmente útil a quem, como o autor, continua a desenhar numa base diária, procurando, sempre, alguma melhoria (ainda que esta, sendo sempre relativa, exige muita paciência e obrigaria a muitas mais horas de prática).

Salienta-se que boa parte dos esboços aguarelados que se seguem foram realizados na zona central e "verde", do bairro de Olivais Norte em Lisboa, um bairro modernista exemplar (de cerca de 1955/1965, considerando o respetivo projeto), e talvez "o bairro" modernista exemplar português, que é urgente requalificar e dar a conhecer pois alia a uma excelente qualidade de vida e a uma arquitetura urbana original e extremamente qualificada, uma evidente atualidade nas suas preocupações de sustentabilidade ambiental  - ex., intervenções multidisciplinares integrando arquitetos paisagistas integração expressiva de verde urbano em grande "manchas" mais simples de manter, orientação dos edifícios segundo o movimento aparente do Sol de modo a "rentabilizar" a respetiva insolação dos espaços das habitações.




Fig. 01: Como um "teatro" a primeira fila de grandes árvores prepara e enquadra a "cena" de sequências bem "coladas" de espaços verdes e edificados, espaços estes onde as árvores são já mais pequenas e existem também grandes arbustos. Fotografou-se todo o caderno para se ter uma ideia da versatilidade associado ao desenho num caderno A6, que desdobrado, como é o caso, permite desenhos A5 (já razoáveis em termos dimensionais); cabe num bolso e numa pequena bolsa, vai connosco para todo o lado sem problemas e guarda os desenhos em segurança - atenção que nem todos os desenhos que têm sido aqui apresentados foram realizados neste formato, havendo uma variação entre o A6 e o A3 (menos frequentes).




Fig. 02: É aqui bem patente a mistura orgânica. "natural" e visualmente estimulante de diferentes espécies de verde urbano (árvores maiores e menores, grandes e pequenos arbustos e cobertura de solo). O esboço/desenhoprocurou usar, com alguma naturalidade, os negros nas sombras próprias e projetadas; e conseguiu-se neste esboço uma tonalidade global julgada interessante, entre os verdes e so castanhos rosados. 



Fig. 03: O, já referido, "entremear" entre grandes blocos duplos  -  fundidos por extensas galerias comuns com acessibilidade alternativa (é também possível aceder aos fogos por comunicações verticais) - e conjuntos de árvores e grandes arbustos que propiciam uma estimulante paisagem de proximidade ás habitações contíguas. No esboço procurou-se jogar com um estimulante contraste entre traços bem "negros" e zonas texturadas com tais traços (mais em primeiro plano) e manchas de cor razoavelmente uniformes, sendo tal uniformidade mais marcante nas paredes dos edifícios - a construção é naturalmente muito mais uniforme nas suas cores do que os elementos da natureza.



Fig. 04: sendo embora este artigo dedicado ao tema da  relação entre árvores e edifícios, esta imagem quer relevar o interesse da existência de paisagens "naturais" humanizadas e parcialmente "construídas", em que a escala de uso e de imagem é muito dada pelos bancos de jardim e mesmo pela dimensão do perfil dos respetivos caminhos. O desenho, premeditadamente, muito livre e "simplificado", procurou apostar nos contrastes naturais entre algumas manchas e o traçar em primeiro plano, neste caso servido pelo uso de "marcadores". 



Fig. 05: é extremamente interessante proporcionar num meio urbano consolidado a possibilidade de deambular,  prazenteiramente, por caminhos cujos meandros construídos nos fazem lembrar percursos mais naturais, numa natureza "reforçada", projetualmente (arquitetura pisagista) em termos de cores e de texturas distintas; e o desenho investe nestes aspetos, desde a procura do evidenciar do "caminho", que nos leva a mergulhar no desenho, à perspetiva tentada com tal caminho, com as árvores e com a maior nitidez em primeiro plano e menor no fundo, e ainda com o aproveitar das texturas pormenorizadas e expressivas e as cores quentes em primeiro plano.




Fig. 06: trata-se aqui de um apontamento muito livre (faltam as pequenas vias de acesso local) dedicado aos impasses residenciais que envolvem o coração "circular" de Olivais Norte, constituídos por alongadas e muito humanizadas bandas de edifícios arquitetonicamente despojados, mas que se "casam" perfeitamente com uma extensa mancha de pinhal. Árvores e edifícios numa integração que se procurou apontar neste esquisso aguarelado.



Fig. 07: árvores e edifícios, dando-se primazia àquelas no coração/pulmão "verde" do Bairro de Olivais Norte, num ensinamento ainda hoje bem vivo e excelente em termos de qualidade de vida diária que, infelizmente, pouca "escola" fez. O desenho procurou sublinhar o espetáculo sazonal e diário das estações, estando os velhos  ainda atrasados na sua folhagem no início da Primavera; o desenho apostou nos traços negros e acentuados que procuram seguir as expressivas verticais livremente ramificadas dos altos e velhos choupos.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 693

Esboços recentes de árvores e edifícios II – Infohabitar 693


Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no LNEC
Laboratório Nacional de Engenharia Civil, em Lisboa


Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).


terça-feira, junho 25, 2019

692 - Esboços recentes de árvores e edifícios I – Infohabitar 692


Infohabitar, Ano XV, n.º 692                     

Esboços recentes de árvores e edifícios I – Infohabitar 692

por António Baptista Coelho
(imagens e alguns pequenos textos)

(nota prévia: a Série “Habitar e Viver Melhor” será continuada  dentro de algumas semanas)

Retomando-se o que é já uma tradição da Infohabitar editam-se, em seguida, alguns esboços recentes, associando-se, por vezes, sintéticos comentários informais, sempre que é considerado oportuno, seja numa perspectiva de Arquitectura/habitar (quando adequado), seja considerando notas informais no sentido do próprio fazer do esboço/desenho.


Todos os esboços aguarelados que se seguem foram realizados na zona central e "verde", do bairro de Olivais Norte em Lisboa, um bairro modernista exemplar, e talvez "o bairro" modernista exemplar português, que é urgente requalificar e dar a conhecer pois alia uma excelente qualidade de vida a a uma arquitectura urbana original extremamente qualificada e actual nas suas preocupações de sustentabilidade ambiental.


Fig. 01: As árvores dialogam com os grandes edifícios sobre "pilotis", na zona central do bairro, verdadeiramente "biface" na sua composição edificada e "verde".
No que se refere ao esboço procurou-se acentuar o contraste entre a rigidez dos edifícios e a maleabilidade das árvores. 


Fig. 02: O verde urbano medeia entre edifícios que, na altura, anos 1960, correspondiam a diferentes "categorias" de habitação social.
No esboço procurou-se dinamizar o resultado final através de uma certa liberdade de expressão de traços variados. e há, também, a continuada procura de uma perspectiva motivadora e de um "caminho" central que nos conte algo.



Fig. 03: A Arquitectura Paisagista que em Olivais Norte teve finalmente lugar de expressão protagonista aplicou formas, texturas e cores diferentes.
O desenho em si não tem grande história e o trabalho a mais havido talvez não tenha resultado da melhor forma - mas também se aprende com este tipo de situações.



 Fig. 04: Nesta vista as grandes árvores, hoje em dia já envelhecidas (terão, talvez, mais de 50 anos), assumem afirmado protagonismo relativamente ao edificado.
O esboço procura definir planos de profundidade e, naturalmente, a perspectiva.



Fig. 05: O, já referido, cuidado da Arquitectura Paisagista na mistura e composição com diversas espécies arbóreas.
O esboço procurou alguma fidelidade a essa diversidade.


Fig. 06: Novamente o diálogo sereno, mas afirmado, entre grandes árvores e grandes edifícios de excelente Arquitectura.
O desenho procurou usar com liberdade o traço negro, tanto no início do esboço, como na sua fase final "de acabamento". 


Fig. 07: A cuidada diversidade de espécies arbóreas, o sentido de "cena" e, naturalmente, a escala humana.
O esboço seguiu a liberdade de "traçar".


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 692

Esboços recentes de árvores e edifícios I – Infohabitar 692



Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no LNEC –
Laboratório Nacional de Engenharia Civil, em Lisboa


Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

terça-feira, junho 18, 2019

691 - Notas suplementares sobre a inovação no espaço doméstico – Infohabitar 691

Infohabitar, Ano XV, n.º 691                      

Notas suplementares sobre a inovação no espaço doméstico – Infohabitar 691


Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor”
por António Baptista Coelho (texto e imagem)

Sequem-se algumas notas suplementares sobre a relação entre a inovação no interior doméstico e as respectivas pormenorização habitacional e qualidade arquitectónica interior

Introdução

Em seguida, serão brevemente abordados alguns aspectos de relação entre a satisfação habitacional e o desenvolvimento de soluções domésticas que podem ser consideradas inovadoras ou menos correntes e que, habitualmente, estão ligadas a uma perspectiva que favorece uma assinalável e dupla/dual condição de adaptação e de apropriação desses espaços e ambientes domésticos. 

Não se irá fazer, aqui, qualquer tipo de “revisão da matéria dada” ao longo dos numerosos textos já divulgados e “multilateralmente” associáveis a esta perspectiva muito interessante e dual de melhor adaptabilidade e apropriação doméstica, mas tão somente reflectir um pouco sobre alguns dos seus aspectos mais estimulantes e que, por isso, estarão, sem dúvida, ligados a posteriores e futuros desenvolvimentos desta temática.


Sobre (as) características de originalidade doméstica

Apontam-se, em seguida, e como base que fica para esta reflexão, algumas das características, ditas, “de originalidade” no habitar – um atributo aqui associado à inovação doméstica – estudadas e propostas num estudo de Jacqueline Palmade e Manuel Perianez, dirigido para um amplo leque de compartimentos habitacionais – a indicação, destes autores, refere-se a aspectos considerados como «duplamente» [ou reforçadamente] originais (1) ( e salienta-se que o pequeno desenvolvimento que segue e comenta cada “título”, apresentado a “itálico”, é da exclusiva responsabilidade do autor deste artigo, mas mantendo-se a sua ordenação original):

- Compartimento muito espaçoso (área superior ou igual a 25m²) – apenas quando esse espaço "a mais" corresponder a usos considerados como "a mais", portanto distintos daqueles funcionalmente ligados ao respectivo compartimento.
É interessante esta noção de uma espaciosidade a relevar, que pode estar associada, por exemplo,  à possibilidade de exercício de outras funções, associáveis ou mesmo bem distintas das consideradas como mais ligadas ao respectivo compartimento; e pode haver uma ligação bem aparente ou uma mais camuflada, por exemplo, através de mobiliário com usos versáteis/flexíveis.

- Cozinha do tipo "montra", integrada na sala.
Pode estar aqui a ser considerado o espaço de cozinha como elemento de atractividade e de identidade específica da sala onde se integra, para além dos respectivos conteúdos funcionais associáveis; e é interessante considerar que este sentido de “montra”não restringe a “linguagem”formal/funcional aplicada nesse espaço ou subespaço de cozinha.

- Cozinha aberta sobre a sala.
Esta condição pode associar-se, designadamente, a duas condições distintas: uma de relação franca entre os dois espaços de sala e de cozinha, mas mantendo-se a “identidade” e espaciosidade de cada um deles; e outra em que a zona de cozinha e designadamente a sua bancada abre francamente sobre a sala, numa perspectiva de grande integração entre os dois espaços – eventualmente, numa formalização de um grande espaço do tipo “sala de família”.

- Cozinha-bancada de preparação.
Trata-se de uma “simples” redução da cozinha a uma caracterização/presença mínima e minimizada de bancada de preparação de refeições, elas próprias “mínimas”, provavelmente, ao serviço de um uso da habitação em que raramente se preparam, realmente, refeições; reduzindo-se o “serviço de cozinha”, quase apenas a operações de aquecimento de pratos pré-cozinhados – e mesmo assim fica por “resolver” a questão da louça suja e da sua “presença” em termos de cheiros,por exemplo.

- Cozinha muito grande (>12m²).
A existência de uma grande cozinha, mais tradicional ou mais moderna, é uma opção que pode marcar uma habitação, até na respectiva estruturação de entradas e acessibilidades entre os diversos compartimentos; na prática é uma solução que se aproxima da “sala de família”, mas marcando-se expressivamente a presença e o protagonismo da cozinha e dos seus diversos subespaços, incluindo, deignadamente, o de refeições, que podem ser formais e informais e o de arrumação de alimentos.

- Compartimento com janela dando sobre a sala.
Trata-se de uma situação que pode assumir, designadamente, duas condições bastantes distintas: ou referindo-se a um “simples” e relativamente reduzido espaço de alcova, ou até a mais do que um espaço deste tipo; ou tratando-se de um “verdadeiro” compartimento com maior dimensão e funcionalmente mais flexível (do que uma alcova), constituindo-se, assim, uma situação do tipo compartimento em dois espaços (sendo um deles o principal).

- Pequena sala de estar ("saleta").
Trata-se de uma opção que foi relativamente frequente no espaço doméstico até que a “revolução funcionalista” erradicou a “saleta”, considerando-a, provavelmente, funcionalmente repetidora das funções da sala de estar, o que não é verdade e empobrece, expressivamente, as funções e actividades associáveis, globalmente, ao estar, ao lazer e à recepção domésticas; e neste caso da “saleta” a espaciosidade nem é o aspecto mais determinante, sendo essencial a sua boa localização e o seu potencial de apropriação e de identidade.

(Fig. 01) Uma saleta pode "resumir-se" a um cuidadoso e bem colocado alargamento de um corredor doméstico.

- Sala com dupla exposição - não será inovação, mas é sem dúvida condição de qualidade bem acrescida.
Uma qualidade bem acrescida em termos não apenas ambientais (conforto ambiental), mas de espaciosidade (ou sentido aparente de espaciosidade), de comunicabilidade, por relação com diversos ambientes e condições ambientais e, ainda, por melhor adequação a diversas “partições” funcionais do espaço da sala. 

- Sala com duplo pé-direito.
Uma situação com alguma semelhança da referida, atrás, para a sala com dupla exposição e uma condição que se liga, frequentemente, à marcação de um sentidop doméstico e de “fogo” expressivo: o “coração da casa”, que, simultaneamente se eleva e a unifica.

- Sala com duplo pé-direito e galerias evidenciadas.
Trata-se de uma quase especificação da condição anterior e que, naturalmente, exige que a habitação possua condições de espaciosidade significativas.

- Panos de parede envidraçados, frequentemente entre cozinha e sala.
A existência de “panos envidraçados”, por exemplo, através de planos em tijolo de vidro, “fenestração” interior e outras situações semelhantes nos seus resultados em termos de iluminação natural e comunicabilidade, relaciona-se com questões de conforto ambiental interior, designadamente, proporcionando-se a maior penetração da luz natural e, também, com questões de representatividade doméstica e de flexibilização funcional do interior da habitação.

- Bipartição da planta, com duas partes do fogo quase independentes.
Esta é uma solução bem interessante, designadamente, no que proporciona em termos de condições de intergeracionalidade na habitação, apoiando-se a vivência em comum, opcional, de pessoas da mesma família e d diversas gerações, mas respeitando-se e servindo-se, simultaneamente, a sua vivência doméstica autónoma.

- Casa (sala) de banho muito grande (>12m²) com destino multifuncional.
Esta é uma daquelas situações que foi mais anulada pela “revolução doméstica funcionalista”, que reduziu a casa/sala de banho ao mero exercício das funções sanitárias, designando-as, mesmo, de “instalações sanitárias”.

- Circulações indirectas e apertadas.
Esta interessante ideia liga-se, julgo, ao proporcionar alternativas de circulação domésticas entre as principais zonas da habitação, sendo umas mais directas, espaçosas e representativas e outras, eventualmente, menos directas, mais de serviço e, quem sabe, até mais “secretas”.

Caberá aqui o comentário de que poderíamos ampliar esta "colecção" de aspectos ditos inovadores, designadamente, numa sua dupla relação seja com a fundamental matéria de uma adaptabilidade doméstica activa, seja com os aspectos de apropriação, que, aliás, são, em seguida, abordados.


Sobre as características de apropriação inovação domésticas


Os mesmos autores, Jacqueline Palmade e Manuel Perianez, apontaram, ainda, alguns aspectos que se consideram muito interessantes numa dupla perspectiva de apropriação e inovação na habitação – e neste caso deixa-se ao leitor a opinião destes autores livre de comentários suplementares, embora qualquer questão de menor clareza nos textos que se seguem seja, apenas, da responsabilidade de quem fez a respectiva tradução com o máximo de cuidado, mas sempre  com alguma liberdade (portanto a responsabilidade é do autor deste artigo):

 - Acentuação do características estéticas e arquitectónicas, valorizando-se espaços, volumes e características de luminosidade mediante a definição de subespaços e de iluminações indirectas.

- Atenuação do carácter de modernidade e austeridade, nomeadamente, através de "forros" e revestimentos naturais, especialmente em madeira ou têxteis, e da aplicação de tons cromáticos "quentes", animando ambientes basicamente definidos a "preto e branco".

- Recuperação/criação de sítios específicos, pela divisão em duas partes dos compartimentos considerados inutilmente grandes, porque para muitos o espaço com uso concreto é mais importante do que o espaço do olhar; o aspecto positivo é a criação de espaços privados para cada criança, ou zonas para pernoita de visitas, ou zonas de serviço doméstico ou para prática de passatempos e para o trabalho não doméstico. Desenvolvem-se, assim, concreta ou imaginariamente, como referem os citados autores, espaços de reserva, reorientando-se e imprimindo-se a marca pessoal nos espaços da habitação.

- Transformação das cozinhas, tendo como objectivo último aproximá-las das características das cozinhas tradicionais, "com janelas, e onde se podem tomar refeições".

- Criação de espaços de arrumação, fundidos nos espaços arquitectónicos e, consequentemente, evitando um excesso de móveis e em ressonância positiva com os ambientes e elementos de base; esta estratégia parece também permitir uma certa neutralidade/simplicidade das arrumações, com vantagens financeiras e no campo da integração de diversos tipos de mobiliário.

- Criação de uma entrada interior e exterior; estar do lado de fora da porta da habitação sem possibilidade de abrigo e ser obrigado a penetrar no interior do fogo com os sapatos sujos, porque não há espaço para os limpar ou mudar, são situações muito pouco apreciadas. Por outro lado, é muito forte a vontade de ter uma zona tampão entre exterior e interior privado, marcando a entrada e servindo para o atendimento de pessoas estranhas ao fogo.

Lendo-se estes aspectos alguns anos depois de os mesmos terem sido adequadamente aproveitados num livro editado pelo LNEC, importa registar, aqui, que algumas destas últimas matérias são, com alguma naturalidade, susceptíveis de debate; e ainda bem! No entanto e usando, aqui, uma “costela” de projectista habitacional, não podemos deixar de sublinhar que, em boa parte ou quase globalmente, partilhamos e expressivamente estas ideias.


Notas:
(1) PALMADE, Jacqueline ; PERIANEZ, Manuel –  "Des HLM à la Conquete de l'Espace", Plan Urbanisme Construction et Architecture (PUCA), Programme Conception et Usage de l’Habitat (CUH), CSTB, Paris, 1986.
Os mesmos autores, Jacqueline Palmade e Manuel Perianez, tê outros trabalhos sobre este mesmo importante e interessante tema: por exemplo, « Des HLM à la conquête de l'espace : la REX de Saint-Ouen, de Jean Nouvel et Pierre Soria » , 1988.
Salienta-se que se procurou fazer, neste artigo, uma citação o mais possível rigorosa dos textos dos referidos autores, Jacqueline Palmade e Manuel Perianez, mas algumas deficiências no arquivo de referência podem ter prejudicado essas citações, designadamente, no que se refere à designação da fonte original; circunstância esta pela qual se apresentam, desde já, as devidas desculpas aos referidos autores e aos leitores. Caso algum leitor possa assegurar a melhoria da respectiva citação, solicita-se o e agradece-se o respectivo contacto (para abc.infohabitar@gmail.com).



Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 691

Notas suplementares sobre a inovação no espaço doméstico – Infohabitar 691


Editor: António Baptista Coelho
Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no LNEC –
Laboratório Nacional de Engenharia Civil, em Lisboa



Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).