terça-feira, abril 02, 2019

681 - Tipologias da arrumação doméstica – Infohabitar 681

Infohabitar, Ano XV, n.º 681                      
Tipologias da arrumação doméstica – Infohabitar 681
Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor”
por António Baptista Coelho (texto e imagem)


Sobre as tipologias da arrumação doméstica

No que se refere às escolhas básicas a considerar em termos de tipologias de arrumações domésticas, podemos ter duas soluções distintas, uma mais urbana e outra mais rural: (i) a arrumação em "roupeiros de cozinha", que permite grande acessibilidade a todos os géneros e produtos guardados, uma fácil monitorização do seu estado de conservação e de eventuais faltas, assim como uma forte capacidade de arrumação num espaço relativamente reduzido, mas que tem de ser formalmente regular; (ii) e no caso de predominância de um modo de vida mais rural, há a necessidade de apoiar capacidades de arrumação culinária centradas em despensas amplamente dimensionadas, e que podem ser integradas em espaços mal orientados, e até com configurações irregulares e acabamentos sumários, cuja capacidade de arrumação será tanto maior, quanto mais elevado for o grau de auto-suficiência da habitação.

Em tudo isto há que dar a devida atenção à grande quantidade de produtos comestíveis que, cada vez mais, são adquiridos, de uma vez só, em grandes acções de abastecimento, que exigem elevada capacidade de arrumação doméstica.

Aponta-se, em seguida, uma síntese tipológica de arrumações domésticas desenvolvida por Sven Thiberg (1) : armário vestibular multifuncional no “hall” de entrada do fogo; arrumação geral, numa posição central e funcionalmente neutra; roupeiros nos quartos ou em pequenas circulações comuns equipadas com grandes roupeiros e configurando zonas íntimas; armário de lavandaria, com diversos espaços específicos para diversos usos; armário para produtos alimentares, com diversos espaços específicos para diversos usos - equipamento alternativo à tradicional despensa de cozinha e que pode ter uma utilidade ampla, podendo até servir também como copa.


Fig. 01: é sempre possível e desejável inovar na definição de usos domésticos, incluindo as respectiva tipologias de arrumação - na imagem o que poderemos designar como "corredor/sala", incluindo recantos de estar e múltiplas soluções para arrumação de livros.  

A arrumação na cozinha, talvez o "nó górdio" da arrumação doméstica

A elevada pressão funcional que se exerce na cozinha não deve obrigar a que este espaço tenha, obrigatoriamente, um carácter de espaço de "arrumação" ou de "montra" de máquinas electrodomésticas ou de exercício de actividades quase laboratoriais. Se estas forem as opções dos habitantes, naturalmente, tudo bem, mas a cozinha pode ser um compartimento muito caloroso e amigável, onde as máquinas se integrem sem se dar por elas, e onde se desenvolve a apropriação doméstica através de diversos tipos de acabamentos.

Refere-se, ainda, que alguns electrodomésticos poderão emigrar para outros espaços de serviço próximos – por exemplo, no caso de uma pequena lavandaria doméstica – ou serem concentrados num pequeno espaço próprio, acusticamente isolado, que liberta a cozinha para a sua função culinária e convivial.

A  arrumação em armários fixos de cozinha é “regra” em todas as habitações, mas as condições de capacidade, diversidade e funcionalidade da respectiva arrumação, com destaque para a ergonomia e segurança no seu uso, podem ser e são habitualmente muito distintas, exigindo, portanto, um adequado projecto bem pormenorizado e que tenha, também, em conta a respectiva “imagem” criada: mais funcional/racional; mais “doméstica”/”quente”; mais integrável com mobiliário móvel, etc.

A despensa de cozinha, a “velha” despensa de cozinha, que estava e pode continuar a estar associada, geralmente, à arrumação de comestíveis diversos e exigindo preparação elaborada, pode ser, eventualmente, substituída por um despenseiro integrado no mobiliário fixo da cozinha e com uma eficaz estruturação dos diversos espaços de arrumação disponíveis – despenseiro este que, se diga, praticamente nunca existe. Salienta-se, ainda, a excelente adequação de uma pequena despensa, fresca e sem luz natural, para a existência de uma garrafeira.

A arrumação, dita, geral

A arrumação, dita, geral parece estar, desde há bastante tempo, esquecida, pois na realidade ocupa espaços, teoricamente, “melhor” utilizados directamente como espaço habitável.

No entanto uma “despensa geral”, adequadamente dimensionada e funcionalizada pode ser um trunfo na arrumação doméstica, libertando espaço para outras funções e/ou sendo utilizada para as mais diversas funções (ex., arrumação: estruturada de livros menos usados, do vestuário de Inverso ou de Verão, de ferramentas diversas, de brinquedos fora de uso, etc.).

As funções de arrumação geral podem, naturalmente, também serem cumpridas em armários embutidos e com diversas partes e elementos disponibilizados para arrumações específicas, devendo cumprir-se, aqui, globalmente, o tipo de exigências assinaladas para os roupeiros dos quartos, mas talvez com redução da importância da arrumação específica de roupas de vestir.

A arrumação nos quartos: reflexões complementares

Já se abordou, nesta série editorial, a matéria da arrumação nos quartos e a ideia aqui é apenas sublinhar que a sua disponiblização deve tender para o desenvolvimento de verdadeiros quartos de vestir e de apoio a diversas tipologias de arrumação pessoal, sempre que haja disponibilidade para tal, pois assim se liberta a zona de dormir e de outras actividades pessoais de lazer e trabalho de um teor funcional específico, pois não tenhamos dúvidas que a melhor arrumação é aquela mais ergonómica e mais pormenorizada no apoio às inúmeras necessidades de arrumação - por exemplo, desde as camisas, aos casacos longos e desde os sapatos às malas e sacos variados.

O quarto de hotel é a prova da adequação do que acabou de ser apontado e nele temos, quase sempre, a zona de vestir "destacada" da zona principal onde se integra a cama ou camas; naturalmente que este exemplo deverá crescer, funcional e dimensionalmente,  num programa doméstico.

Quando há condicionantes económicas uma possibilidade é disponibilizar uma ampla e complementar capacidade de arrumação num espaço neutral e comum a todos os habitantes do respectivo fogo, por exemplo, num corredor.

Em termos de aproveitamento espacial os roupeiros são excelentes desde que ocupando o máximo da altura disponível e estando organizados em diversas valências de arrumação, sendo, assim necessariamente caracterizados por adequadas condições de capacidade, diversidade e funcionalidade da respectiva arrumação, com destaque para a ergonomia e segurança no seu uso, exigindo, portanto, um adequado projecto bem pormenorizado e que tenha, também, em conta a respectiva “imagem” criada, sendo, provavelmente, desejável uma imagem “neutral”, talvez com acabamentos naturais ou idênticos aos da paredes contíguas. Quando esse tipo de cuidados de adequada estruturação pormenorizada da arrumação não existem, os roupeiros podem vir a tornar-se em sítios de potencial "arrumação" caótica, que, a prazo, se torna mais num problema do que numa vantagem.

Notas:
(1) Sven Thiberg(Ed.), "Housing Research and Design in Sweden", p. 186.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 681
Tipologias da arrumação doméstica – Infohabitar 681

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo/LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil



Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

terça-feira, março 26, 2019

680 - Pormenorização da arrumação doméstica – Infohabitar 680

Infohabitar, Ano XV, n.º 680
Pormenorização da arrumação doméstica – Infohabitar 680
Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor”
por António Baptista Coelho (texto e imagem)

Nota editorial: continua-se, com este artigo, a publicação da Série editorial “Habitar e Viver Melhor”, cujo último artigo foi publicado, aqui na Infohabitar,  em fevereiro último, com o título: “O cromatismo residencial - Infohabitar 676”.


Pormenorização da arrumação doméstica

A arrumação doméstica já foi estudada, nesta série editorial, naturalmente integrada na abordagem dos espaços domésticos de uso basicamente comum, desta forma e em seguida apenas se irão referir alguns aspectos da arrumação muito associados a matérias de pormenorização.

Tal como salienta Claude Lamure "a disposição dos volumes de arrumação fixos e a sua incorporação no edifício permitem melhorar muito a economia de espaço habitável, a facilidade de manutenção e o conforto nas circulações". (1)

Fig. 01: a pormenorização da arrumação doméstica pode e deve ser uma forma de caracterização positiva dos respectivos espaços.


A arrumação relaciona-se com a área da habitação: cresce em fogos maiores e menores

A necessidade de arrumação cresce, naturalmente, consoante cresce a ocupação da habitação; uma condição raramente cumprida, tendendo-se a manter a capacidade de arrumação doméstica muito constante.

De certa forma a arrumação deve ser proporcional ao número de quartos da habitação, à semelhança do que acontece, regulamentarmente, com o número de casas de banho. 
Interessa, ainda, considerar que, no caso das habitações serem muito reduzidas, em termos de número de compartimentos e da sua área verdadeiramente habitável, também há que exigir a existência de uma significativa capacidade de arrumação, neste caso talvez mais “embutida” (ex., roupeiros integrados, mobiliário fixo), pois, de outra forma, essa reduzida espaciosidade poderá ficar, rapidamente, “obstruída” e infuncional, pela disposição dos mais diversos elementos de uso diário e ocasional.


Uma arrumação formalmente neutral

A capacidade de arrumação deve ser disponibilizada, por regra, através de soluções formais e funcionais extremamente neutrais e de grande sobriedade ou então de forma "camuflada", ou mesmo escondida, sendo sobriamente disponibilizada nos sítios certos e com as condições funcionais adequadas. Uma condição que deveria ser generalizada pois, por vezes, um determinado elemento de arrumação condiciona o tipo de arranjo doméstico do respectivo espaço, o que faz pouco sentido, afectando o potencial de apropriação da habitação, a partir da sua “mobilaridade”.

E, nesta perspectiva, sublinha-se, por exemplo, a integração entre portas normais e portas de roupeiros, que resulta, habitualmente, em soluções de grande continuidade e sobriedade, desenvolvendo-se um ambiente agradavelmente unificado e íntimo, por exemplo, no acesso a quartos e a casas de banho realizados como que através de roupeiros, como se se tratasse de passagens secretas.

Esta é uma matéria que pode inaugurar uma outra pequena faceta de desenvolvimento destas temáticas que influenciam um habitar mais feliz, pois trata-se de uma possibilidade de se conceberem habitações muito lúdicas no sentido de proporcionarem usos bem apropriados e múltiplos, e o desenvolvimento de vários níveis de uso gradativamente mais secretos, ou então inusitados na sua conjugação com outros espaços domésticos.


Uma arrumação atraente

Mas, no entanto, é sabido que uma boa capacidade de arrumação judiciosa e atraentemente disseminada pelos diversos compartimentos, com "pontes fortes" e tipologicamente bem distintos, na cozinha, copa, casas de banho, entrada, quartos e escritório, é um forte argumento na atractividade de uma dada proposta doméstica.

Teremos assim uma arrumação sóbria e atraente, o que nos conduz, com naturalidade, a soluções caracterizadamente funcionais ou mesmo funcionalistas.


A arrumação no mobiliário

Nunca será excessivo registar que a principal parte de uma arrumação doméstica deve ser cumprida, de forma integrada, em diversos elementos de mobiliário que equipam os diversos compartimentos e espaços domésticos; sendo que o principal factor para uma boa capacidade de mobiliário, na habitação, tem a ver com a disponibilidade de muitos metros de paredes lineares, sem vãos próprios e livres de manobras de vãos contíguos.

E a propósito deste aspecto, ou desta importante qualidade doméstica ligada à respectiva capacidade para integrar mobiliário, há que sublinhar que ela é cumulativamente determinante da capacidade de apropriação que toda a habitação deve proporcionar e em “quantidade”; sendo que, no limite, ela poderá ser suficiente para as necessidades de arrumação domésticas, afinal, cumprindo-se a velha tradição de não haver grandes elementos fixos, sendo tudo ou quase tudo arrumado em “móveis”.

E ainda a propósito deste assunto não se resiste a comentar que mesmo um aspecto “tão funcional” como a arrumação doméstica, tem uma dimensão tão humana e qualitativa como aquela associada à apropriação.


E, porque não, uma arrumação multifuncional?

Esta é uma temática cuja abordagem terá de ficar, aqui, um pouco pelos aspectos mais gerais, mas será sempre interessante reflectir em soluções espaço-funcionais em que determinados “recantos” domésticos possam ser apropriados por arrumações ou por outros usos domésticos, numa opção que pode marcar períodos específicos da “vida” da habitação, e que deve ter suporte em soluções construtivas que sejam facilmente reversíveis.


A arrumação: habitual parente pobre, mas, realmente, o grande aliado de uma boa estruturação doméstica

Embora a arrumação tenda a ser um pouco esquecida nas soluções domésticas importa sublinhar que uma sua adequada e estratégica provisão proporciona o adequado funcionamento da habitação e confere-lhe um elevado potencial de adaptabilidade funcional e a diversos modos de vida.

E nunca é de desperdiçar, tal como sublinha Christopher Alexander, o reforço do isolamento acústico entre compartimentos e espaços contíguos (quartos/quartos, quartos/salas, quartos/circulações e circulações/salas) que pode ser proporcionado pela interposição de roupeiros embutidos. (2)

Nas pequenas habitações, dimensionalmente muito contidas, será aconselhável que a integração dos dispositivos de arrumação se faça numa total aliança com a pormenorização arquitectónica responsável pela própria configuração da espacialidade e da ambiência interior.

Referimo-nos s uma estruturação doméstica que seja verdadeiramente “resiliente”, apoiando e facilitando excelentes e bem evidentes condições de arrumação e “limpeza” espacial, associadas a estimulantes condições de clareza e atractividade na leitura dos diversos espaços e subespaços; e que aceite um grau bastante sensível de desarrumação corrente (resultante de uma casa bem “vivida”), mas sem perder o essencial dessa clareza e atractividade de leitura de espaços razoavelmente arrumados e estruturados.


Notas:
(1) Claude Lamure, "Adaptation du Logement à la Vie Familiale", p. 195.
(2) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 799 e 800.




Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 680
Pormenorização da arrumação doméstica – Infohabitar 680

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo/LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil



Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

terça-feira, março 19, 2019

679 - Novos desenhos em março de 2019, 3.ª parte - Infohabitar 679

Infohabitar, Ano XV, n.º 679
Novos desenhos em março de 2019, 3.ª parte  - Infohabitar 679
por António Baptista Coelho (texto e imagens)

Caros leitores da Infohabitar,

Prolongando-se e reafirmando-se o que pode ser já considerado como uma tradição informal da nossa revista, que é a edição de esboços e desenhos, boa parte deles aguarelados, edita-se esta semana um conjunto de desenhos à mão, ou esboços, ou apontamentos, ou esquissos livres, realizados nos respectivos sítios e coloridos posteriormente.
Casos a caso pode, ou não, haver lugar a alguns comentários, sendo, provavelmente, a regra a ausência dos mesmos; mas havendo-os eles poderão referir-se aos modos de fazer do respectivo desenho e/ou aos temas de arquitectura urbana neles ilustrados.
É, talvez, oportuno apontar, aqui, a dádiva de prazer/alegria que estes esquissos pintados nos proporcionam e o interesse que existe no natural acompanhamento dos modos de fazer neles empregues, seja em termos de escolha e enquadramento do tema, seja no que se refere às formas de expressão “gráfica” neles usados; e por aqui fico para não transformar este artigo que se quer “desenhado” em mais um essencialmente escrito.
Fiquem, então, caros leitores com mais alguns “rabiscos” deste vosso editor e tenham coragem para começar ou continuar a brincar e rabiscar, à vontade e por puro prazer - num quadro de urbansketching (esquisso urbano) e de treesketching (esquisso de arvoredo), ... brinca-se um pouco, mas aproveita-se para aconselhar este esquisso de árvores/arbustos, que se julga essencial para todos aqueles que queiram melhorar ou iniciar a prática do desenho livre.
E se quiserem, então depois, ler um pouco mais sobre os referidos modos de fazer e rabiscar, podem a ceder a uma pequena Sebenta que já editei sobre o tema e que está disponível em (quando possível haverá uma 2.ª edição, reformulada e aumentada, e não se deixem intimidar pelo título, bem longo, e onde o que interessa é a indicação de se irem apontar “100 notas práticas para quem quer praticar/aprender a desenhar melhor à mão livre”):

Saudações calorosas e bons “rabiscos” bem “à vontade”, enquanto passeiam, vale bem a pena, acreditem!

António Baptista Coelho



Fig. 01: (sobre o Desenho) procurou-se marcar a profundidade, sendo esta clarificadora de uma composição que se pretendeu, também, clara e contida nos elementos que contém, mas não esquecendo os seus aspectos fundamentais; (sobre a Arquitectura Urbana) estes três elementos fundamentais – a natureza, essencialmente, marcada pelas grandes árvores; o edificado “limpo” dos grandes edifícios modernistas, lançados sobre a natureza; e a preexistência de uma infraestrutura de águas da antiga quinta, ao fundo – são exemplares, na sua presença e combinação e raros em Portugal, devendo merecer urgente e profunda atenção de habitantes e poderes públicos.




Fig.02: (sobre o Desenho) tentou-se “fixar” o enquadramento real que se tem “no sítio” e no qual parte significativa de um dos grandes edifícios é vista através dos arcos da preexistência (o que não foi fácil, mas parece poder permitir um enquadramento interessante e funciona naturalmente como elemento de reforço da profundidade do desenho); (sobre a Arquitectura Urbana) e aqui voltamos a ter os referidos três elementos fundamentais – a natureza; o edificado dos edifícios modernistas; e a preexistência de um pequeno aqueduto da antiga quinta, agora em primeiro plano – excelentes, na sua presença caracterizadora do sítio e do bairro onde se mora (Olivais Norte/ Encarnação).





Fig.03: (sobre o Desenho) este esquisso integra um pequeno grupo de três, que são seguidamente apresentados e onde se procurou aliar a forte expressão da profundidade, a simplicidade do “traço” e dos elementos representados, e o reforço gráfico e “plástico” das árvores, que são, afinal, as protagonistas destes esquissos; (sobre a Arquitectura Urbana) trata-se de um pequeno exercício de síntese da “filosofia” arquitectónica modernista, que expressa o bom casamento entre natureza e edificado, que é, afinal, bem possível, apenas dependendo de uma excelente qualidade do projecto de arquitectura urbana e paisagística.   





Fig. 04: (sobre o Desenho) este esquisso integra o pequeno grupo de três, que foi referido e onde se procurou aliar a expressão da profundidade (neste caso acompanhada pela indicação do caminho pedonal que “passeia” pelo jardim), a simplicidade do “traço” e dos elementos representados, e o reforço gráfico e “plástico” das árvores, aqui mais explorado com a aplicação livre do traço negro; (sobre a Arquitectura Urbana) os aspectos aqui mais evidenciados já foram referidos atrás, mas aproveita-se para lembrar a importância que o modernismo arquitectural deu à circulação pedonal, aqui tratada, em Olivais Norte, Lisboa, de forma verdadeiramente exemplar, mesmo ao nível europeu – falta “só” dar o devido realce a este bairro e, naturalmente, acabar, de vez, com os atentados à sua traça original e iniciar as respectivas ações de reabilitação.





Fig. 05: (sobre o Desenho) este esquisso integra e conclui o referido pequeno grupo de três, onde se procurou aliar a expressão da profundidade, a simplicidade do “traço” e dos elementos representados, e o reforço gráfico e “plástico” das árvores, aqui ainda mais explorado e acentuado com a aplicação livre e intensa dos traços negros.




Fig. 06: (sobre o Desenho) um esquisso que procurou ser muito depurado ou simplificado nos volumes/elementos apontados e na indicação de profundidade (o tronco em primeiro plano, que merecia, talvez, um pouco mais de traços a negro/negro).




Fig. 07: (sobre o Desenho) e termina-se, novamente, com os pássaros, neste caso gaivotas, “apanhadas” (em memória) instantaneamente em diversas posições, e logo esboçadas, “no sítio”, juntando-se, variados apontamentos no mesmo desenho e com natural liberdade criativa.



Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 679
Novos desenhos em março de 2019, 3.ª parte - Infohabitar 679

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo/LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil



Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

terça-feira, março 12, 2019

678 - Novos desenhos em março de 2019, 2.ª parte - Infohabitar 678


Infohabitar, Ano XV, n.º 678
Novos desenhos em março de 2019, 2.ª parte  - Infohabitar 678
por António Baptista Coelho (texto e imagens)

Caros leitores da Infohabitar,

Prolongando-se e reafirmando-se o que pode ser já considerado como uma tradição informal da nossa revista, que é a edição de esboços e desenhos, boa parte deles aguarelados, edita-se esta semana um conjunto de desenhos à mão, ou esboços, ou apontamentos, ou esquissos livres, realizados nos respectivos sítios e coloridos posteriormente.
Casos a caso poder, ou não haver lugar a alguns comentários, sendo, provavelmente, a regra a ausência dos mesmos; mas havendo-os eles poderão referir-se aos modos de fazer do respectivo desenho e/ou aos temas de arquitectura urbana neles ilustrados.
É, talvez, oportuno apontar, aqui, a dádiva de prazer/alegria que estes esquissos pintados nos proporcionam e o interesse que existe no natural acompanhamento dos modos de fazer neles empregues, seja em termos de escolha e enquadramento do tema, seja no que se refere às formas de expressão “gráfica” neles usados; e por aqui fico para não transformar este artigo que se quer “desenhado” em mais um essencialmente escrito.
Fiquem, então, caros leitores com mais alguns “rabiscos” deste vosso editor e tenham coragem para começar ou continuar a brincar e rabiscar, à vontade e por puro prazer (num quadro de urbansketching e de treesketching, ... brinco um pouco).
E se quiserem, então depois, ler um pouco mais sobre os referidos modos de fazer e rabiscar, podem a ceder a uma pequena Sebenta que já editei sobre o tema e que está disponível em (quando possível haverá uma 2.ª edição, reformulada e aumentada, e não se deixem intimidar pelo título, bem longo, e onde o que interessa é a indicação de se irem apontar “100 notas práticas para quem quer aprender a desenhar melhor à mão livre”):

Saudações calorosas e bons “rabiscos” bem “à vontade”, enquanto passeiam,

António Baptista Coelho




Fig. 01 - (sobre o Desenho) a busca da expressão desenhada da profundidade do “cenário”, leva-nos a relembrar tanto do que foi lido sobre o assunto, mas agora sentido bem “na pele”; e aqui também podemos evidenciar o interesse da marcação de sombras afirmadas e  esquematizadas e de um expressivo realce dos elementos protagonistas do desenho (neste caso as árvores).



Fig.02 - (sobre o Desenho) ainda a busca da expressão desenhada da profundidade existente no tema/enquadramento escolhido, leva-nos a forçar, realmente, a altura do desenho que é dedicada “ao chão” – aqui ocupando sensivelmente um pouco mais de metade da altura do desenho (e parece valer a pena, mas quando esboçamos temos de forçar mesmo a dar este “respiro” ao “chão” que se desenha e que tem de ter desafogo para poder conter essa expressão de profundidade).




Fig.03 - (sobre o Desenho) as árvores vão ocupando, naturalmente, “o palco” do tema e do enquadramento escolhidos, não só pela plasticidade invernal global, mas também por serem importantes elementos de referência e de expressão da, acima, referida profundidade; (sobre a Arquitectura Urbana) é sempre interessante atentar no excelente e raro equilíbrio atingido, aqui em Olivais Norte/Encarnação, no diálogo entre Arquitectura dos edifícios e Arquitectura da paisagem (naturalizada) – uma das primeiras intervenções assim desenvolvidas, em Portugal, e ainda hoje uma das mais “perfeitas” e “únicas”, e que por isso deveria merecer um muito especial cuidado em termos de preservação e recuperação da sua paisagem global e pormenorizada.




Fig. 04 - (sobre o Desenho) aqui é mesmo quase só “treesketching” e procurou-se dar um toque de outono já tardio; e lembra-se a vital importância do apontamento das sombras, vitalizadoras do esboço.




Fig. 05 - (sobre o Desenho) um apontamento muito rápido e bastante esquemático (que dá sempre que pensar relativamente ao poder de síntese e de escolha do que se aponta e do que se deixa de lado); (sobre a Arquitectura Urbana) um esboço/símbolo dos edifícios no “verde urbano” e de um “verde urbano” público que (quando bem mantido) pode ser assumido quase como grandes pátios naturais separando e enriquecendo os edifícios contíguos.




Fig. 06 - (sobre o Desenho) e para concluir este artigo voltamos aos pássaros, constantes e fiéis companheiros de quem passeia, calmamente, no verde urbano, designadamente, a horas bem matinais; e que vão sendo observados nas mais variadas situações momentâneas, depois livremente associados num único esboço.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 678
Novos desenhos em março de 2019, 2.ª parte - Infohabitar 678

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo/LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil



Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.



terça-feira, março 05, 2019

677 - Novos desenhos em março de 2019, 1.ª parte - Infohabitar 677

Infohabitar, Ano XV, n.º 677
Novos desenhos em março de 2019, 1.ª parte  - Infohabitar 677
por António Baptista Coelho (texto e imagens)

Caros leitores da Infohabitar,

Prolongando-se e reafirmando-se o que pode ser já considerado como uma tradição informal da nossa revista, que é a edição de esboços e desenhos, boa parte deles aguarelados, edita-se esta semana um conjunto de desenhos à mão, ou esboços, ou apontamentos, ou esquissos livres, realizados nos respectivos sítios e coloridos posteriormente.
Em cada caso específico (cada esboço) pode, ou não, haver lugar a comentários na respectiva legenda, sendo, provavelmente, a regra a ausência dos mesmos; mas havendo-os eles poderão referir-se aos modos de fazer do respectivo desenho e/ou aos temas de arquitectura urbana neles ilustrados.
É, talvez, oportuno apontar, aqui, a dádiva de prazer/alegria que estes esquissos pintados nos proporcionam e o interesse que existe no natural acompanhamento dos modos de fazer neles empregues, seja em termos de escolha e enquadramento do tema, seja no que se refere às formas de expressão “gráfica” neles usados; e por aqui fico para não transformar este artigo que se quer “desenhado” em mais um essencialmente escrito.
Fiquem, então, caros leitores, com mais alguns “rabiscos” deste vosso editor e tenham coragem para começar ou continuar a brincar e rabiscar, à vontade e por puro prazer (num quadro de urbansketching e de treesketching, ... ).
E se quiserem, então depois, ler um pouco mais sobre os referidos modos de fazer e rabiscar, podem a ceder a uma pequena Sebenta que já editei sobre o tema e que está disponível em :
Logo que seja possível haverá uma 2.ª edição, reformulada e aumentada, e não se deixem intimidar pelo título, bem longo, e onde o que interessa é a indicação de se irem apontar “100 Notas práticas para quem quer aprender a desenhar melhor à mão livre”.

Saudações calorosas e bons “rabiscos”, bem “à vontade”, e de preferência enquanto passeiam,

António Baptista Coelho



Fig. 01 – (sobre o desenho) procura do enquadramento que permita agilizar  o esboço de um dos lados sem prejudicar o quadro da vista; (sobre a Arquitectura urbana) um conjunto modernista praticamente exemplar, também na manutenção e valorização de preexistências (Olivais Norte, bem junto ao Metro da Encarnação).





Fig.02 - (sobre o desenho) a continuidade da procura do melhor “contraste” entre formas naturais e construídas, para além da sempre presente e bem difícil procura da redução do esquisso ao essencial.





Fig.03 - (sobre o desenho) uma aguarela esquissada que parece ter “saído” com alguma naturalidade e ausência de pormenores excessivos.





Fig. 04 - (sobre o desenho) um desenho alongado, uma “tipologia” de desenho livre onde parece haver sempre espaço para o que faltae onde, neste caso, o esquisso das árvores parece ter “saído” mais natural do que o dos edifícios; (sobre a Arquitectura urbana) um conjunto modernista praticamente exemplar e a visitar Olivais Norte.





Fig. 05 - (sobre o desenho) um desenho livre onde se procurou reforçar profundidades e expressão formal intensa das formas naturais.





Fig. 06 - (sobre o desenho) qual a razão que nos leva a desenhar a sépia? Será o seu tom mais quente? ...



Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 677
Novos desenhos em março de 2019, 1.ª parte - Infohabitar 677

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo/LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil



Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.