quinta-feira, julho 22, 2010

Interrupção de uma semana na edição do Infohabitar

Caros leitores do Infohabitar, tal como terão já percebido, devido a ausências em trabalho dos elementos que garantem a edição do Infohabitar e a uma descoordenação entre os mesmos, a nossa revista sofreu uma imprevista interrupção editorial de uma semana, situação que, praticamente não acontecia desde o seu início.

Pelo facto apresentamos as nossa sinceras desculpas.

Desde já se anuncia que na tarde do próximo domingo dia 25 de Julho será retomada a edição semanal corrente, com o artigo intitulado:


-->Olivais Norte: modernismo e natureza (i)
Com os melhores cumprimentos,

O editor do Infohabitar
António Baptista Coelho

domingo, julho 11, 2010

304 - VIV(ER)ACIDADE: Reviver a vizinhança na mega-cidade europeia - Infohabitar 304

António Baptista Coelho

Infohabitar, Ano VI, n.º 304

Introdução
Este artigo integra um início de reflexão prática sobre como no tempo das mega-cidades poderemos trabalhar e suavizar a frequente falta de humanização dos espaços urbanos que habitamos e, simultaneamente, os problemas sociais e funcionais sentidos, como cada vez mais graves, nas grandes cidades congestionadas, através de uma ampla e sensível revalorização das vizinhanças que habitamos.

De certa forma "dando-se a volta" aos problemas reais e aproveitando-se ao máximo as também reais potencialidades das cidades e designadamente das cidades europeias.

Visam-se e foca-se a atenção em intervenções e vizinhanças desenvolvidas em grandes zonas urbanas, ou mega-cidades europeias, onde há problemas sociourbanísticos e arquitectónicos efectivos e onde tais problemas têm merecido respostas arquitectónicas interessantes; e regista-se que não é por haver menor interesse sobre a mega-cidade americana e asiática, mas apenas, porque devemos começar por matérias que conhecemos melhor, nos seus aspectos de identidade urbana e vivencial nas suas células de vizinhanças; e suspeita-se, que os aspectos agora apontados se aplicam, muito provavelmente e em boa parte a outras realidades urbanas, mas o reduzido conhecimento que se tem destas realidades não permite, para já, reflexões sobre elas direccionadas.

A ideia-base deste primeiro exercício sobre o viver da cidade e o reviver das suas vizinhanças privilegia, também, a percepção e, sempre que possível, a leitura local de situações de introdução de pequenos novos agregados de habitação de interesse social na continuidade urbana e integrando equipamentos de vizinhança conviviais; uma opção que se liga à reflexão sobre como reviver a vizinhança e a cidade e que permitirá úteis comparações com o que se tem passado em Portugal, ultimamente, nesta tipologia de intervenções - uma realidade que tem sido estudada, entre nós, com algum desenvolvimento e objecto de publicações de síntese.




Fig. 01: Reinventar boas escalas humanas no pequeno bairo municipal do Telheiro, em Matosinhos (2002), um conjunto que além de proporcionar habitação funcionalmente adequada e bem desenhada, revitaliza a vizinhança e a zona urbana onde se integra, Arquitectura de Manuel Correia Fernandes.
De uma nova cidade viva e amigável aos "segredos" de uma cidade marcada pelo peão e pela integração social.

Importa aprofundar os modos preferenciais como se estabelecem relações directas entre o visitante "a pé" e as diversas zonas urbanas, proporcionando-se uma afirmada continuidade funcional e de leitura com os espaços de vizinhança; isto numa perspectiva que também cumpre a ideia do viver a grande cidade e as suas grandes infraestruturas de acessibilidade, revivendo as suas vizinhanças mais humanizadas.

E importa procurar entender melhor como pequenas, bem disseminadas, "cirúrgicas" e arquitectonicamente bem qualificadas intervenções habitacionais e urbanas,que sejam veículos de diversas modalidades de habitação de interesse social (ex., desde habitações para pessoas sem recursos a habitações específicas para jovens e idosos), visualmente impossíveis de destrinçar e identificar, entre si e relativamente aos respectivos contextos urbanos, podem ajudar os bairros a viverem melhor, mais coesos, preenchidos e atraente e equilibradamente diversificados em termos funcionais e de imagem urbana, enquanto, e simultaneamente, tais operações podem integrar equipamentos locais em falta nas respectivas vizinhanças, e também enquanto se aprofundam os aspectos de melhor fusão entre tipos de tráfego e de conteúdos urbanos, visando-se, sempre, naturalmente, uma vida nas vizinhanças que seja agradável, funcional e também estimulante ou estrategicamente urbana.


Uma habitação de interesse social que seja motivo de introdução de pequenos conjuntos de boa Arquitectura

Procura-se, assim, avançar, um pouco mais, numa habitação de interesse social que seja motivo de introdução de pequenos conjuntos de boa Arquitectura, bem disseminados na cidade, revitalizando as suas vizinhanças com melhores condições de habitabilidade, novos habitantes e novos equipamentos conviviais.

Estamos no tempo das mega-cidades e, se não queremos ser esmagados pelos seus problemas críticos, está na altura de reforçarmos valores essenciais de ecologia urbana, como a (re)densificação e (re)vitalização estratégicas, a criação de vizinhanças intimistas, a integração e suavização de tráfegos e a diversificação e adequação da habitação aos novos desejos e necessidades habitacionais. Somos cada vez mais citadinos, mas “cidade sem habitação não faz sentido”, como defende Correia Fernandes, e, assim, há que harmonizar cidade viva e cidade agradavelmente vivida em vizinhanças humanizadas.

Importa associar estas preocupações a uma cuidadosa perspectiva formal, porque "na cidade o que interessa não é o espaço, mas sim o interior do espaço e o horizonte situado nesse interior. O conceito de «clareza labiríntica» (apontado por Aldo van Eyck para se referir ao que deve caracterizar tanto uma casa como uma cidade) é descritor das situações urbanas. Esta clareza suaviza os limites do espaço e do tempo e facilita os encontros casuais, as relações e as convenções. Favorece o desenvolvimento dos limiares, de espaços onde se produz a relação, e que se vão moldando à força de serem usados." (1)

O traço comum dassoluções que se procuram ... é, assim, a relação adequada e formalmente estimulante entre cidade e habitar, servida por uma boa solução de Arquitectura e aplicada numa dimensão física e funcional equilibrada, seja pela sua integração urbana, seja por um sentido básico de intimidade residencial, procurando-se identificar linhas de referência sobre como trabalhar e suavizar a frequente falta de humanização dos espaços onde vivemos e, simultaneamente, os problemas sociais e funcionais aí sentidos.

Pretende-se vir a apurar intervenções e vizinhanças em grandes zonas urbanas europeias, onde tais problemas têm merecido respostas arquitectónicas interessantes, marcadas pelo objectivo de se "habitar a cidade" ou "viver a cidade"; objectivo sempre importante, mas que se torna crucial quando os habitantes são pessoas com problemas socioculturais, e que assim poderão ter mais possibilidades de se integrarem, positivamente, na vida urbana.

O objectivo de melhor viver a cidade é servido pelas soluções de habitação de interesse social e de micro-urbanismo “que melhor se adaptam à sua localização na cidade, às suas características de morfologia urbana e que introduzem melhorias nas respectivas envolventes” (2), num aprofundamento dos valores de proximidade e cidade viva que pode equilibrar a vida doméstica pouco satisfatória de muitas pessoas. Estas matérias assumem especial urgência e sensibilidade por estarmos no limiar de uma nova crise habitacional europeia, uma crise que tem a ver com as faltas de habitação ligadas à persistência de um parque habitacional sem condições, à imigração, à maior esperança de vida, e ao crescimento do número de pequenos agregados familiares.






Fig. 02: um exemplo de introdução de um novo edifício de habitação de interesse social, participando na revitalização funcional e formal de um velho bairro de Lisboa, junto ao Lago do Conde Barão (2004), Arquitectura de Eugénio Castro Caldas e Nuno Távora.


Novas soluções de habitação de interesse social para novos grupos de carenciados
"A sociedade terá novos e amplos subgrupos: pessoas que vivem sós, dinkies (casais com rendimentos e sem filhos), famílias monoparentais e idosos, todos com referências étnicas e culturais diversas. Cada um terá as suas próprias expectativas sobre como gostaria que fosse a sua habitação, mas surpreendentemente quase todos preferirão um apartamento em ambiente urbano ... vantagens de uma infraestrutura pública, serviços, oferta cultural variada e ambiente com apoio a deficientes, serão as razões que os levam a escolher o estilo de vida urbano, em vez das urbanizações ajardinadas das periferias." (3) E assim se demonstra que somos cada vez menos "normalizáveis" em termos de necessidades residenciais e urbanas.

Será, então, necessário, que o "continente residencial europeu" (4) cresça, ainda, ligado à urgente reabilitação urbana e habitacional e às velhas e novas carências de muitos grupos sociais, mas não mais associado a um habitar repetitivo, não mais pela “simples” satisfação de exigências quantitativas, e ainda menos através dos "produtos habitacionais" fornecidos nos subúrbios dormitórios, e que contribuíram para os problemas urbanos que sentimos. O continente residencial europeu tem de crescer, estrategicamente, de forma disseminada e diversificada, de acordo com um amplo leque de exigências ambientais, funcionais, sociais, de integração e de desenho de arquitectura.

Considera-se elevado o potencial de influência, em Portugal, dos casos a estudar, no respeito desta nova perspectiva de "habitação de interesse social", seja porque estes se ligam, quase todos, à adequada disseminação urbana de uma habitação de interesse social com elevada qualidade de concepção, seja porque, actualmente, se conhece grande parte do que de melhor se tem feito no nosso País neste tipo de intervenções; condição esta que permitirá cuidadosas e úteis reflexões comparativas, bem como um direccionamento estratégico para as melhores soluções e processos e, eventualmente, até para aqueles agentes, que. em termos de concepção e de promoção, melhor têm actuado em habitação de interesse social nas últimas dezenas de anos, muitas vezes inovando de forma coerente e bem fundamentada.

Como elementos de base deste desenvolvimento salienta-se que em 2006 e 2009 foram editados dois livros sobre cerca de 300 conjuntos portugueses de habitação de interesse social, realizados nas últimas duas dezenas de anos, (5) entre os quais há casos de referência por associarem a intenção de revitalização das suas vizinhanças e zonas citadinas, enquanto proporcionam habitação condigna às pessoas e famílias que os habitam.



Fig. 03: pormenor de uma pequena rua pedonal (na altura inacabada) e integrando variadas tipologias habitacionais directamente vitalizadoras do espaço público e da continuidade urbana, no bairro Bo01, em Malmö, iniciado em 2001 com a exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", e actualmente concluído e habitado.

Actualmente é fundamental desenvolver um estudo teórico e prático sobre como dinamizar o VIVER A CIDADE , pois se já vai sendo conhecida a sua prática em Portugal, esta pode e deve receber oportunos e estimulantes ensinamentos resultantes da respectiva experiência europeia.

Há, assim, a vontade, aqui sublinhada de poder mostrar, por imagens e comentários, designadamente, em futuros artigos desta série sobre o VIVER A CIDADE, que é possível viver melhor as cidades, com vitalidade, enquanto se faz viver e habitar a cidade pelos mais diversos grupos sociais e nas mais variadas misturas desses grupos sociais e de tipologias habitacionais e urbanas, salientando-se que esta estimulante possibilidade, de que há alguns exemplos nas maiores cidades de Portugal e muitos casos práticos nas maiores cidades da Europa, tem muito a ver com um projecto de Arquitectura urbana tão bem qualificado em termos de desenho, como humanizado em termos de ambiente geral e de capacidade de apropriação das suas vizinhanças.

Notas:(1) Javier MOZAS, Aurora PER - Densidad: nueva vivienda colectiva, 2004, p. 70.
(2) Josep Maria MONTANER e Zaida Muxí MARTÌNEZ (dir.), Habitar el presente, Vivienda en España, Ministerio de Vivienda, 2006, p. 32.
(3) Javier MOZAS, Aurora PER - Densidad: nueva vivienda colectiva, 2004, p. 70.
(4) Título da revista "Arquitectura Viva", N.º 64 de 1999.
(5) O último destes livros encontra-se ainda disponível, foi editado pela Livros Horizonte em 2009, na colecção "Horizonte de Arquitectura" e intitula-se "Habitação de interesse social em Portugal 1988-2005", e os autores são António e Pedro Baptista Coelho.


Nota da edição: embora os artigos editados na revista Infohabitar sejam previamente avaliados e editorialmente trabalhados pela edição da revista, eles respeitam, ao máximo, o aspecto formal e o conteúdo que são propostos, inicialmente pelos respectivos autores, sublinhando-se que as matérias editadas se referem, apenas, aos pontos de vista, perspectivas e mesmo opiniões específicas dos respectivos autores sobre essas temáticas, não correspondendo a qualquer tomada de posição da edição da revista sobre esses assuntos.
Infohabitar, Ano VI, n.º 304Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte, 11 de Julho de 2010

segunda-feira, julho 05, 2010

303 - Caminhos da habitação e do urbanismo na cidade central ou na cidade "velha" - Infohabitar 303

António Baptista Coelho

Infohabitar, Ano VI, n.º 303


Divulgação prévia: 1.º CIHEL
O Grupo Habitar e o Infohabitar aproveitam a oportunidade para continuarem a divulgar o 1.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono, o 1.º CIHEL, que terá lugar entre 22 e 24 de Setembro no ISCTE, junto a Entrecampos em Lisboa, numa parceria com a respectiva escola de Arquitectura.
Chama-se a atenção para a disponibilização no artigo n.º 301 do Infohabitar de uma apresentação pormenorizada do 1.º CIHEL.
Neste Congresso pretende-se alargar o debate sobre a habitação e o habitar, num sentido amplo, às realidades sociais dos países lusófonos em geral e dos de África em particular, realidades essas fisicamente distantes mas afectivamente próximas, privilegiando-se, nesta primeira edição do Congresso, uma reflexão sobre a promoção de bairros e agrupamentos residenciais para populações com baixos rendimentos.
Fig. 00: 1.º CIHEL - Linha gráfica: a linha gráfica do 1.º CIHEL e designadamente o seu símbolo foram realizados por alunos do 12.º ano do Curso Profissional de Design Gráfico da Escola Secundária de Sacavém, incluindo um concurso de ideias para o respectivo símbolo.
Este tema da promoção de bairros e agrupamentos residenciais para populações com baixos rendimentos será desenvolvido no 1.º CIHEL, em 5 conferências principais e em 20 palestras/comunicações, por um grupo de oradores provenientes de diversos países da lusofonia, organizadas nas temáticas: das políticas e dos programas; das infraestruturas e dos equipamentos; das soluções habitacionais e dos modos de vida; e dos materiais e das tecnologias. Uma consulta ao Infohabitar n.º 301 (basta correr um pouco a informação no écran) bastará para ficar esclarecido relativamente às temáticas tratadas e às conferências já confirmadas.
Este é um primeiro Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono a que se deverão seguir outros sobre outras perspectivas complementares nas amplas áreas do habitar e da cidade. Pretende-se criar, na sequência deste 1º Congresso, um grupo, ou uma rede, para assegurar o próximo Congresso e desenvolver outros eventos nestas matérias.
O infohabitar irá manter, em próximas edições, uma informação actualizada sobre a organização do 1.º CIHEL e designadamente sobre as temáticas abordadas nas palestras/comunicações, actualmente em fase de apreciação final pela Comissão Científica, e sobre os eventos paralelos ao Congresso.
Informações complementares serão dadas pelo Secretariado do 1.º CIHEL:
Departamento de Arquitectura e Urbanismo ISCTE – IUL, Ala Autónoma, Sala 335, Avenida das Forças Armadas, 1649-026 Lisboa
ou pelo telefone: +351 21 7903060; ou pelo mail: cihel01@gmail.com
António Baptista Coelho e Paulo Tormenta Pinto (Direcção); António Reis Cabrita (Pres. da Comissão Científica)
Edita-se, em seguida, o artigo semanal do Infohabitar
Caminhos da habitação e do urbanismo na cidade central ou na cidade "velha"
António Baptista Coelho
O artigo integra algumas reflexões de síntese sobre os caminhos da habitação e do urbanismo na cidade central ou na cidade "velha", reflexões estas cujo autor estudou, ao longo de bastantes anos, essencialmente a habitação de interesse social, o novo realojamento, a habitação popular e o espaço público urbano: são portanto reflexões de um não-especialista nas áreas da reabilitação; ou será que o fazer bem a nova habitação de interesse social e o renovar e reabilitar bem o espaço público urbano não constituem elementos fundamentais numa adequada estratégia de reabilitação urbana e habitacional?
O artigo integra a intervenção do autor, sobre o tema, na sessão sobre "reabilitação urbana e habitacional", que correspondeu à 19.ª Sessão Técnica do Grupo Habitar e que foi realizada em 16 de Junho de 2010, no Cais de Gaia, numa parceria com a CidadeGaia SRU e com a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.



Fig. 01

A ideia que quero sublinhar é que um habitar mais feliz, porque mais humanizado em termos de escala e de expansão sobre o espaço público terá muito a ver com uma relação aprofundada entre espaço doméstico e espaço citadino; e é no casco antigo das cidades que o espaço doméstico fica mais próximo do espaço público.
A cidade precisa da vitalidade da habitação, e a habitação precisa da vida citadina, e por isso temos de enfrentar, rapidamente, os actuais problemas de falta de habitações vitalizadoras dos centros históricos, e de falta de vida urbana nas periferias.
Tal como refere o arquitecto Herman Hertzberger, nas suas Lições de Arquitectura (1), “uma casa é uma cidade em miniatura e uma cidade é uma casa enorme”; mas para que a cidade seja esta casa enorme, tem de proporcionar um complemento funcional mas também um verdadeiro suplemento de alma ao habitante, tal como diz Jorge Silva Melo: “um café aqui, um apartamento em cima, a rua larga, o Tejo ao fundo (neste caso o Douro), passeios, gente que se encontra, gente que se salva, que se reencontra …” (2)
Afinal, escadas, galerias, passeios, pracetas, lojas e cafés fazem parte do espaço do habitar, enriquecendo-o e proporcionando até eventuais compensações entre casa e cidade.
Podemos redescobrir e reinventar soluções de habitar baseadas na cidade tradicional, aquela em que o comércio se estende sobre a rua, aquela em que são as próprias portas dos fogos e das lojas que estruturam e vitalizam as ruas, aquelas em que estar em casa é estar perto de poder estar a uma mesa de “café”, aquelas em que estar num jardim é também estar na cidade, soluções estas que são, por exemplo, extremamente úteis no desenvolvimento de uma cidade habitada, que seja, o mais possível, naturalmente segura, pois estruturada por espaços urbanos naturalmente defensáveis e vigiados nas suas margens vivas.


Fig. 02

E neste re-habitar da cidade há que privilegiar os mais idosos e dos mais jovens, que são, afinal, aqueles habitantes que mais usam a cidade, que tanto podem dar de vida à cidade e aos quais a cidade tanto pode dar em termos de quadro de vida formativo e de lazer.
E é essencial que na habitação que se faça de novo ou se reabilite se aproximem as habitações do espaço urbano, designadamente, pela humanização das soluções multifamiliares e por novas soluções de moradias bem agregadas compactas e densificadas.
Julga-se ser este um objectivo muito importante: vitalizar a cidade com jovens e pequenos agregados familiares para os quais tal possibilidade será um elemento fundamental na manutenção ou na redescoberta do interesse, da riqueza e da vitalidade e funcionalidade na vida diária em meio urbano denso; enquanto no caso dos seniores o resultado será a contribuição para a manutenção da vitalidade individual, em termos físicos e mentais – e mesmo com excelentes efeitos na sua saúde.
Nas acções de reabilitação e de introdução de novos edifícios há que ter em conta a grande urgência de intervenção em tantos casos que chegam ao risco colapso, e aos inúmeros casos de condições de habitabilidade críticas; uma matéria que exige uma abordagem específica e bem ponderada no que se refere ao estabelecimento de patamares mínimos de habitabilidade, que assegurem condições adequadas de saúde na habitação, mas que não inviabilizem, na prática, um processo dinâmico de reabilitação urbana e habitacional.
Mas para se refazer uma cidade bem habitada não basta seguir critérios objectivos de ordenamento, porque o habitante necessita de emoção na relação com o espaço urbano, assumindo-se as intervenções de arquitectura urbana como oportunidades de abertura ao mundo e à vida, tal como refere o arqº Yves Lyon, numa perspectiva de urbanidade melhorada e re-humanizada, e aqui é obrigatório citar Gordon Cullen (3), quando este escreve que: “o conformismo mata, aniquila; enquanto a diferenciação, pelo contrário, é fonte de vida" e que “a composição de um conjunto urbano é potencialmente uma das mais emotivas e variadas fontes de prazer”.


Fig. 03


Este caminho tem de ser construído numa cidade do vagar que, naturalmente, encontra importantes modelos na cidade histórica e diferenciada, marcada por usos mistos e veículo de cultura.
Mas, tal como escreveu António Pinto Ribeiro (4), “a maioria das nossas cidades tem perdido a escala que seria mais adequada à sua fruição enquanto espaço, arquitectura, urbanismo e coreografia, porque a medida do cidadão pedestre … tem sido preterida em favor da do automóvel... Neste sentido, seria desejável que a cidade voltasse a ter como medidas de planeamento o peão e o utente do transporte público. Tal corresponderia… a uma ligação mais epidérmica com o espaço e à possibilidade de se instalar durabilidade no tempo de gozo da cidade”; acabei de citar
E o prazer de quem habita, realmente, a cidade, percorrendo-a, parando, conversando, optando, subitamente, por um outro percurso, decidindo permanecer um pouco mais na mesa daquele pequeno café, da qual se vê a rua e quem passa, deve ser o objectivo de quem reabilita a cidade; tão simples como isso, proporcionar a “tentação de andar só mais cem metros, e depois mais outros cem”; escreveu-o Edmund White sobre Paris (5), mas podia tê-lo feito sobre qualquer cidade viva e à escala do homem.
O tema central em toda esta matéria é como nos aproximarmos de uma expressiva amabilidade nos ambientes urbanos e, afinal, poder viver num ritmo mais humano, em ambientes atraentes, saudáveis e conviviais, levará a uma predisposição para a cultura e para a arte, e provavelmente o contrário também é verdadeiro e um ambiente marcado pela arte e pelas indústrias culturais será um meio sensibilizador para a adopção de formas de vida e de ambientes globalmente mais sustentáveis.


Fig. 04

E a opção pela cultura é também, hoje em dia, na nossa Europa, um investimento que cada vez mais dará resultados económicos, e sobre esta matéria lembra-se o sub-título de um artigo sobre Tom Fleming e as suas pequenas indústrias culturais e criativas, que aponta: “Quando a economia falha, sobra a cultura”. (6) E não é possível deixar aqui de lembrar, bem a propósito, que na União Europeia a cultura contribui mais para a economia do que os automóveis e que, mesmo em Portugal, a cultura, era, já em 2006, o terceiro contribuinte para o nosso PIB (7).
E conclui-se esta breve reflexão com uma citação, “de síntese”, retirada à “Carta de Leipzig sobre as Cidades Europeias Sustentáveis” (8), e onde se refere:
“Entendemos que as nossas cidades têm qualidades culturais e arquitectónicas únicas, uma forte capacidade de inclusão social e excelentes oportunidades de desenvolvimento económico. São centros de conhecimento e fontes de crescimento e inovação. Mas, ao mesmo tempo, debatem-se com problemas demográficos, desigualdade social, exclusão social de grupos populacionais específicos, falta de alojamento adequado a preços acessíveis e problemas ambientais. A longo prazo, as cidades não poderão desempenhar a sua função de motor de progresso social e crescimento económico descrita na Estratégia de Lisboa se não conseguirmos manter o equilíbrio social no interior de cada uma e entre elas, preservando a diversidade cultural e fixando elevados padrões de qualidade para o planeamento urbanístico, a arquitectura e o ambiente.”


Fig. 05

Conclui-se com um poema de Constantino Cavafis, intitulado "A CIDADE"
Não encontrarás outro país nem outras praias,
levarás por todo o lado e com custo a tua cidade;
caminharás nas mesmas ruas,
envelhecerás nos mesmos subúrbios,
ficarás grisalho nas mesmas casas.
Chegarás sempre a esta cidade;
Não esperes outra,
não há barco nem caminho para ti.
Ao arruinar a tua vida nesta parte da terra,
Destroçaste-a em todo o universo.
A CIDADE - Constantino Cavafis, 1863 (Alexandria) - 1933
Notas:
(1) Herman Hertzberger, Lições de Arquitetura, São Paulo, Martins Fontes, 1996 (1991),p.193.
(2) Artigo saído no Jornal Público de 22 de Janeiro de 2005
(3) Gordon CULLEN. Paisaje Urbano – Tratado de estética urbanística, Barcelona, 1977 (1971), pp. 13 e 15.
(4) António Pinto Ribeiro, “Abrigos: condições das cidades e energia das culturas”, 2004, p. 18.
(5) Edmund WHITE, O Flâneur – Um passeio pelos Paradoxos de Paris. São Paulo, Companhia das Letras, Colecção “O Escritor e a Cidade”, 2001 - excerto retirado do artigo de Andréia Azevedo Soares, intitulado “O Flâneur – Um passeio pelos Paradoxos de Paris – Passear por uma Paris menos óbvia”, saído no suplemento “Fugas” do jornal “ Público” de 2002/09/28. Este mesmo livro foi, entretanto, editado entre nós pela editora ASA na Colecção “O Escritor e a Cidade.”
(6) Abel Coentrão, “Tom Fleming - Quando a economia falha, sobra a cultura”, Público, 3 de Fevereiro 2008.
(7) Joana Gorjão Henriques - “É a cultura, estúpido!”, Público, 16 de Novembro 2006.
(8) Carta de Leipzig sobre as Cidades Europeias Sustentáveis – adoptada na reunião informal dos Ministros responsáveis pelo Desenvolvimento Urbano e Coesão Territorial, em 24 e 25 de Maio de 2007, em Leipzig (CdR 163/2007 EN-EP/hlm, 9 págs.).
Nota da edição: embora os artigos editados na revista Infohabitar sejam previamente avaliados e editorialmente trabalhados pela edição da revista, eles respeitam, ao máximo, o aspecto formal e o conteúdo que são propostos, inicialmente pelos respectivos autores, sublinhando-se que as matérias editadas se referem, apenas, aos pontos de vista, perspectivas e mesmo opiniões específicas dos respectivos autores sobre essas temáticas, não correspondendo a qualquer tomada de posição da edição da revista sobre esses assuntos.
Infohabitar, Ano VI, n.º 303
Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte, 4 de Julho de 2010

domingo, junho 27, 2010

302 - Reabilitação urbana na 19.ª Sessão Técnica do Grupo Habitar em Vila Nova de Gaia com a CidadeGaia SRU - Infohabitar 302

A temática da reabilitação urbana na 19.ª Sessão Técnica do Grupo Habitar em parceria com a CidadeGaia SRU e com a C.M de Vila Nova de Gaia, em 2010/06/16 - Reportagem fotográfica
Infohabitar, Ano VI, n.º 302

Divulgação prévia: 1.º CIHEL
O Grupo Habitar e o Infohabitar aproveitaram a oportunidade de realização dsta 19.º Sessão Técnica do GH, para abrirem, oficialmente, em Vila Nova de Gaia, as inscrições para o 1.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono, o 1.º CIHEL, que terá lugar entre 22 e 24 de Setembro no ISCTE, junto a Entrecampos em Lisboa, numa parceria com a respectiva escola de Arquitectura.

Chama-se a atenção para a próxima conclusão do 1.º prazo de inscrições - final do presente mês de Junho - e para a disponibilização no anterior artigo, Infohabitar n.º 301, de uma apresentação sintética do 1.º CIHEL.

Neste Congresso pretende-se alargar o debate sobre a habitação e o habitar, num sentido amplo, às realidades sociais dos países lusófonos em geral e dos de África em particular, realidades essas fisicamente distantes mas afectivamente próximas, privilegiando-se, nesta primeira edição do Congresso, uma reflexão sobre a promoção de bairros e agrupamentos residenciais para populações com baixos rendimentos.




1.º CIHEL - Linha gráfica: a linha gráfica do 1.º CIHEL e designadamente o seu símbolo foram realizados por alunos do 12.º ano do Curso Profissional de Design Gráfico da Escola Secundária de Sacavém, incluindo um concurso de ideias para o respectivo símbolo.
Este tema da promoção de bairros e agrupamentos residenciais para populações com baixos rendimentos será desenvolvido no 1.º CIHEL, em 5 conferências principais e em 20 palestras/comunicações, por um grupo de oradores provenientes de diversos países da lusofonia, organizadas nas temáticas: das políticas e dos programas; das infraestruturas e dos equipamentos; das soluções habitacionais e dos modos de vida; e dos materiais e das tecnologias.

INSCRIÇÕES ABERTAS NO 1.º CIHEL, CONSULTE O RESPECTIVO ENDEREÇO DO SITE DO CONGRESSO ONDE PODERÁ REALIZAR A RESPECTIVA INSCRIÇÃO: http://cihel01.wordpress.com/

Uma consulta ao Infohabitar n.º 301 (basta correr um pouco a informação no écran) bastará para ficar esclarecido relativamente às temáticas tratadas e às conferências já confirmadas; ou, alternativamente, clicar no endereço seguinte: http://infohabitar.blogspot.com/2010/06/1-cihel-congresso-internacional.html.

Este é um primeiro Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono a que se deverão seguir outros sobre outras perspectivas complementares nas amplas áreas do habitar e da cidade. Pretende-se criar, na sequência deste 1º Congresso, um grupo, ou uma rede, para assegurar o próximo Congresso e desenvolver outros eventos nestas matérias.

O infohabitar irá manter, em próximas edições, uma informação actualizada sobre a organização do 1.º CIHEL e designadamente sobre as temáticas abordadas nas palestras/comunicações, actualmente em fase de apreciação final pela Comissão Científica, e sobre os eventos paralelos ao Congresso.

Informações complementares serão dadas pelo Secretariado do 1.º CIHEL:
Departamento de Arquitectura e Urbanismo ISCTE – IUL, Ala Autónoma, Sala 335, Avenida das Forças Armadas, 1649-026 Lisboa
ou pelo telefone: +351 21 7903060; ou pelo mail: cihel01@gmail.com

António Baptista Coelho e Paulo Tormenta Pinto (Direcção); António Reis Cabrita (Pres. da Comissão Científica)

Edita-se, em seguida, o artigo semanal do Infohabitar

A REABILITAÇÃO URBANA E HABITACIONAL foi o Tema da 19.ª Sessão Técnica do Grupo Habitar em parceria com a CidadeGaia SRU e com a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia em 16 de Junho de 2010, Auditório das CAVES CÁLEM, Cais de Gaia - Reportagem fotográfica
Reportagem de António Baptista Coelho, com base em elementos fornecidos pelos oradores



Fig. 02

Na tradição editorial que faz sistematicamente o registo dos eventos técnicos participados pelo Grupo Habitar, faz-se, em seguida a reportagem fotográfica informal da 19.º Sessão Técnica do Grupo Habitar.

A temática da REABILITAÇÃO URBANA E HABITACIONAL foi o Tema da 19.ª Sessão Técnica do GH, realizada numa fundamental parceria a CidadeGaia Sociedade de reabilitação Urbana (SRU) e com a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia durante todo o dia 16 de Junho de 2010, no Cais de Gaia no Auditório das Caves Cálem.

Tal como acontece em quase todos os eventos participados pelo Grupo Habitar esta 19.ª Sessão Técnica sobre as temáticas da reabilitação urbana e habitacional só foi possível com a cooperação de algumas entidades e pessoas, às quais se faz aqui o devido registo e agradecimento público, e assim se agradece ao Senhor Dr. Luís Filipe Menezes Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e ao senhor Dr. Mário Fontemanha, Vereador da mesma Câmara Municipal; agradece-se, também à CidadeGaia Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU), nas pessoas do seu Presidente Senhor Eng.º Mota e Silva e do seu Administrador, Senhor César Oliveira, que é também Presidente da Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia.

O Grupo Habitar agradece, também, as intervenções dos colegas do LNEC, doutora arqª Ana Pinho e Assistente de Investigação Eng.º Civil António Vilhena, bem como ao arquitecto João Nascimento, ao Prof. Doutor Gonçalves Guimarães, à Prof. Dr.ª Fernanda Paula Oliveira e, continuando a seguir a ordem das intervenções, ao bom amigo Prof. Arq.º Manuel Correia Fernandes que encerrou os trabalhos, e que integra a direcção do GH.
O Grupo Habitar refere, ainda, mais uma vital participação do seu Vice-presidente e Administrador da CidadeGaia SRU, Eng.º Defensor de Castro, e agradece a todos os participantes nesta excelente 19.ª Sessão Técnica, que ficou marcada por um extraordinária participação pública.

Aproveita-se a oportunidade para referir que o GH e a CidadeGaia SRU estão a desenvolver esforços no sentido de se poder facultar no próprio site da CidadeGaia SRU um máximo de elementos sobre as palestras realizadas na 19.ª Sessão Técnica do GH, e, complementarmente convidam-se os respectivos intervenientes para editarem as suas intervenções aqui no Infohabitar.




Fig. 03

10h 00: Recepção dos Participantes.

10h 30: Abertura da 19.ª Sessão Técnica do GH, com as seguintes intervenções:

Dr. Mário Fontemanha, Vereador da Câmara Municipal de Vila Nova de GaiaTema da intervenção: apresentação geral da sessão e enquadramento da realidade da reabilitação urbana em Vila Nova de Gaia

Doutor Arq.º António Baptista Coelho, Presidente da Direcção do GH
Tema da intervenção: apresentação geral da sessão e algumas reflexões de síntese sobre o tema dos "caminhos da habitação e do urbanismo na cidade central" (intervenção esta que será editada em próximo artigo do Infohabitar).

Breve resenha curricular: nasceu em 1956 no Sítio da Nazaré, licenciado em Arquitectura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (ESBAL), doutor em Arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), Investigador Principal com Habilitação do Laboratório Nacional de Engenharia Civil ( LNEC ), Chefe do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo ( NAU ) do LNEC, Presidente da Direcção do Grupo Habitar, Editor da revista na www Infohabitar, Director da Nova Habitação Cooperativa (NHC) e da NHC Social, autor e 1.º autor de mais de 300 artigos e publicações, entre as quais 12 livros.

11h 00: Sessão da manhã
Mesa da sessão: Dr. Mário Fontemanha e Arq.º António Baptista Coelho

Intervenções:

Dr.ª Arq.ª Ana Pinho, Bolseira de Pós-doutoramento do LNEC e associada do GH
Tema da intervenção: "Reabilitação de Edifícios vs Reabilitação Urbana: As contradições persistentes em Portugal".



Fig. 04: intervenção da Arq.ª Ana Pinho

Breve resenha curricular: Licenciada em Arquitectura pela Escola Superior Artística do Porto (ESAP) e doutorada em Planeamento Urbanístico pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, coma tese "Conceitos e Políticas Europeias de reabilitação Urbana". Desenvolve actividade de investigação na área da reabilitação urbana e habitacional desde 2001 no Núcleo de Arquitectura e Urbanismo ( NAU ) do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, onde se destaca a coordenação do Guia Técnico de Reabilitação Habitacional. Tem ainda uma ampla experiência de docência, tendo leccionado em cursos de Arquitectura, Engenharia Civil e Planeamento urbano em várias Universidades nacionais. Colabora ainda regularmente em diversos cursos de mestrado e doutoramento. Actualmente tem trabalhado principalmente no âmbito das políticas de reabilitação urbana em Portugal e na UE.



Fig. 05:

Eng.º António Vilhena, Assistente de Investigação do LNEC, doutorando
Tema da intervenção: “Avaliação do estado da conservação de edifícios considerando prioridades de actuação”.




Fig. 06: intervenção do Eng.º António Vilhena

Breve resenha curricular: Licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico (IST), no ramo de Estruturas e Construção, Mestre em Engenharia Física pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), na área de especialização de Ambiente em Edifícios e Doutorando em Engenharia no IST. Iniciou e desenvolve actividade contínua no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), onde tem participado em estudos em conservação dopatrimónio, revestimentos de paredes e de coberturas, qualidade de empreendimentos, patologia da construção e avaliação do estado de conservação de edifícios, destacando-se, nestas matérias, a coordenação partilhada do estudo de análise das condições de habitabilidade do edificado do Bairro do Alto da Cova da Moura. Paralelamente desenvolve actividade como projectista e Docente Universitário, designadamente, na licenciatura em Engenharia Civil da Universidade Independente, no Mestrado Integrado em Arquitectura e na Licenciatura em Engenharia Civil da Universidade de Évora e no Mestrado de Conservação e Reabilitação de Interiores da Escola Superior de Artes Decorativas da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva.

12h 00: Debate

12h 30: intervalo para almoço

14h 30: Sessão da tarde
Mesa da sessão: Senhor César Oliveira, Presidente da Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia e Administrador da CidadeGaia SRU e Arq.º António Baptista Coelho
Intervenções:

Arq.º João NascimentoTema da intervenção: “Projecto de Recuperação e Valorização do Castelo de Paderne”.


Fig. 07: intervenção do Arq.º João Nascimento

Breve resenha curricular: João Paulo Martins Nacimento nasceu em 16 de Junho de 1984 em Paderne, em 2003 ingressa na Universidade da Beira Interior (UBI), no curso de Mestrado em Arquitectura. Tem duas experiências académicas no estrangeiro, no âmbito do Programa Sócrates/Erasmus, em Gdansk (2005/2006) e no âmbito do Programa de Bolsas Luso-Brasileiras Santander Universidades em 2008, em Porto Alegre. Participou em variadas conferências e workshops e integrou a Direcção do Núcleo de Estudantes de Arquitectura da UBI (NAUBI). Em 2007 desempenhou, na UBI, as funções de Monitor da cadeira de Projecto I, regida pelos professores arquitectos Helder Oliveira e Keil do Amaral. Na actividade extra-académica colaborou em estágios de Verão e como freelancer em diversos projectos. Em 2009 defendeu o seu Projecto Final de Curso sob o tema "Projecto de Recuperação e Valorização do Castelo de Paderne”.


Fig. 08:



Fig. 09

Prof. Dr. Gonçalves Guimarães, Arqueólogo, Director do Solar Condes de Resende
Tema da intervenção: “Aspectos de enquadramento da arqueologia em meio urbano”.


Fig. 10: intervenção do Dr. Gonçalves Guimarães

Breve resenha curricular: O Prof. Dr. Joaquim António Gonçalves Guimarães nasceu em Mafamude em 1951, é técnico superior da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e desde 1987 director do Solar Condes de Resende, sendo secretário da associação Amigos do Solar Condes de Resende, é ainda mesário-mor da Confraria Queirosiana, director do Gabinete de História, Arqueologia e Património, membro fundador do Instituto Português de Sinologia e da Academia Eça de Queirós, investigador convidado do Grupo de Estudos de História da Viticultura Duriense e do Vinho do Porto da Associação Portuguesa de História da Vinha e do Vinho e membro de muitas outras instituições culturais e científicas. Licenciado em História e mestre em Arqueologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, é docente universitário, tem acompanhado e dirigido numerosos levantamentos de património e escavações arqueológicas - Quinta da Ervamoira, Igreja do Castelo de Gaia em São salvador do Mundo - e publicou mais de cento e cinquenta trabalhos de investigação.

16h 00: Intervalo para café

16h 30: Sessão da tarde (continuação)
Mesa da sessão: Senhor César Oliveira, Presidente da Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia e Administrador da CidadeGaia SRU e Arq.º António Baptista Coelho



Fig. 11: intervenção da Dr.ª Fernanda Paula Oliveira

Prof. Dr.ª Fernanda Paula Oliveira, Assistente da FDUC
Tema da intervenção: “O regime transitório do novo RJRU”.

Breve resenha curricular: é docente da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (FDUC) desde 1991, tendo leccionado Direito Administrativo, Direito do Urbanismo e Direito do Ordenamento do Território nos cursos de Direito e de Administração Público-Privada. Investigadora do Centro de Estudos de Direito do Ordenamento Urbanismo e Ambiente (CEDOUA) da FDUC e co-responsável por várias disciplinas de Direito do urbanismo em cursos de Formação, Pós-Graduação e Mestrado em diferentes Universidade e Centros de Estudo, foi docente do Centro de Estudos e Formação Autárquica (CEFA), da Universidade Internacional da Figueira da Foz e do Instituto Baissaya Barreto. Elaborou diversos estudos e pareceres, presta assessoria jurídaica na área do urbanismo à C. M do Porto, é membro da Assembleia Municipal de Santa Maria da Feira e é autora e co-autora de vários artigos e publicações.




Fig. 12


Fig. 13

Prof. Arq.º Manuel Correia Fernandes, membro da Direcção do GH
Tema da intervenção: “Comentários sobre os actuais processos de reabilitação urbana”.



Fig. 14: intervenção do Arq.º Manuel Correia Fernandes

Breve resenha curricular: Manuel Correia Fernandes, nascido em 1941, diploma-se em Arquitectura pela Escola Superior Belas Artes do Porto (ESBAP) onde é docente até 2009. Foi membro e presidente eleito dos Conselhos Directivo, Científico e Pedagógico e da Assembleia de Representantes da ESBAP e da FAUP, Director do Curso de Mestrado em Metodologias de Intervenção no Património Arquitectónico da FAUP, Professor de Cursos de Mestrado nas Faculdades de Engenharia e de Economia da UP e Coordenador dos Cursos de Verão da Associação das Universidades da Região Norte (AURN). Consultor e perito em organismos e instituições públicas e privadas, participa activamente na vida cívica, social e política da cidade e do país. Foi dirigente da Associação e da Ordem dos Arquitectos Portugueses. Membro da Comissão Executiva do Conselho de Administração da Sociedade Porto 2001 até Novembro/99, foi responsável pelo Programa de Revitalização e Requalificação Urbana da Baixa do Porto. Autor de trabalhos publicados em livros, revistas e jornais da especialidade e colaborador regular da imprensa diária. Exerce, no Porto e ininterruptamente desde 1966, a profissão de arquitecto, em regime livre.

18h 00: Debate final e encerramento dos trabalhos



Fig. 15

Nota da edição: embora os artigos editados na revista Infohabitar sejam previamente avaliados e editorialmente trabalhados pela edição da revista, eles respeitam, ao máximo, o aspecto formal e o conteúdo que são propostos, inicialmente pelos respectivos autores, sublinhando-se que as matérias editadas se referem, apenas, aos pontos de vista, perspectivas e mesmo opiniões específicas dos respectivos autores sobre essas temáticas, não correspondendo a qualquer tomada de posição da edição da revista sobre esses assuntos.
Infohabitar, Ano VI, n.º 302
Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte, 27 de Junho de 2010