Mostrar mensagens com a etiqueta Cláudia Weigert. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cláudia Weigert. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, abril 13, 2009

242 - 1as Jornadas Técnicas do NAU e do GH - 31 Março 2009 LNEC - Infohabitar 242

Infohabitar, Ano V, n.º 242


1as Jornadas Técnicas do NAU e do GH - 31 Março 2009 LNEC
António Baptista Coelho


Faz-se em seguida uma pequena reportagem das 1.as Jornadas Técnicas do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do LNEC e do Grupo Habitar – GH, um evento com dimensão flexível, destinado à apresentação e discussão informal de diversos temas técnicos da qualidade do habitar, a escolher em cada ano, e estruturado, por regra, com uma parte de apresentação de casos concretos e uma outra parte reservada a uma conferência sobre um dado tema.

Nota: houve problema com as imagens respectivas


As 1ªs Jornadas Técnicas do NAU e do GH foram dedicadas ao tema: Saúde e Habitação (I).
Estas Jornadas foram associadas ao acto de cedência ao LNEC do acervo documental sobre habitação e urbanismo do Arq.º Nuno Teotónio Pereira, uma decisão que muito honrou o Laboratório, onde desde há cerca de 40 anos se desenvolvem estudos sobre o habitar, e que constitui motivo de fundadas esperanças na sua dinamização e aprofundamento.



(Fig. 01)

A parte dos casos concretos foi assegurada pela apresentação comentada dos conjuntos residenciais que se destacaram no Prémio IHRU Construção 2008, pelo Arq.º António Baptista Coelho (NAU e GH), a quem coube a representação do LNEC no respectivo Júri.

Seguiu-se a palestra sobre o tema “Saúde e Habitação”, pela Arq.ª Cláudia Weigert, Assessora da Divisão de Saúde Ambiental da Direcção Geral da Saúde, que nos proporcionou um enquadramento global e exemplificado das relações entre saúde e habitação com um enfoque específico nas matérias associadas ao Plano Nacional de Habitação e Saúde, actualmente em desenvolvimento com a participação de diversas entidades, entre as quais o LNEC, e que terá um remate importante, com a próxima conclusão de um guião de apoio à elaboração de planos locais e municipais de enquadramento da importância que têm os objectivos de saúde na promoção habitacional; assunto a que iremos voltar aqui no Infohabitar, proximamente, e que terá uma ampla divulgação, por parte da Direcção Geral da Saúde, antes do final de 2009, com uma grande acção que será amplamente divulgada.




(Fig. 02)

Depois foi desenvolvida uma intervenção sobre o mesmo tema pelo Arq.º António Reis Cabrita (NAU, ap. e GH), um investigador que desenvolveu diversos trabalhos sobre o tema da habitação e da saúde, ao longo da sua carreira no LNEC e que nos trouxe um amplo enquadramento e uma oportuna discussão deste tema.




(Fig. 03)

Finalmente foram feitas várias intervenções no âmbito do acto de cedência ao LNEC do acervo documental sobre habitação e urbanismo do Arq.º Nuno Teotónio Pereira, numa sequência dos vários arquitectos que chefiaram o Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do LNEC, ao longo dos quase 40 anos da sua existência oficial – arquitectos António Baptista Coelho, António Reis Cabrita e Nuno Portas –, e depois dos engenheiros José Vasconcelos Paiva – Director do Departamento de Edifícios do LNEC – e Carlos Matias Ramos – Presidente do LNEC, concluindo-se a sessão com uma intervenção extremamente interessante por parte de Nuno Teotónio Pereira, na qual ele fez uma pequena história da sua vida como projectista e estudioso dos temas habitacionais e urbanos, fazendo, simultaneamente, uma estimulante súmula das matérias que integram os cerca de 50 caixotes de documentação sobre aqueles temas e que integram o espólio que cedeu ao LNEC e que estará em breve disponível para consulta na Biblioteca do Laboratório.




(Fig. 04)

Aproveita-se este meio para saudar e agradecer aos anteriores Chefes do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do LNEC, arquitectos Nuno Portas e António Reis Cabrita, a sua fundamental participação, assim como aqui de agradece à direcção do Departamento de Edifícios do LNEC, na pessoa do seu Director Eng. Vasconcelos Paiva e ao Conselho Directivo do LNEC, nas pessoas dos seus Presidente e Vice Presidente engenheiros Carlos Matias Ramos e Carlos Pina, pelo total apoio a esta ideia, que resultou numa extraordinária tarde de discussão técnica e de fundamental memória.

E regista-se aqui um agradecimento ao Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) pela matéria que possibilitou a exposição relativa ao Prémio IHRU Construção 2008 e deixa-se aqui um muito especial e sentido agradecimento à colega Arq.ª Cláudia Weigert e à Direcção Geral da Saúde, a que pertence, pela oportunidade de se relançar, nesta sessão, a discussão da vital temática da saúde e do habitar.




(Fig. 05)

Relativamente ao amigo e colega Nuno Teotónio Pereira salienta-se aqui, mais uma vez e de forma simples, a importância duma longa e muito rica carreira, e de uma vida cheia e útil à sociedade, marcada pela contínua aliança entre a produção teórica, a acção de projecto e a intervenção cívica e política; testemunhada numa obra extensa e multifacetada, que marcou várias gerações, e uma obra que nunca se sobrepôs a uma sua presença extremamente humana e solidária.

Na sessão de 31 de Março de 2009, no Pequeno Auditório do LNEC, Reis Cabrita e Nuno Portas falaram de Nuno Teotónio com a pertinência que provém da longa convivência, e foi de grande interesse ficar com uma ideia muito mais verdadeira das razões e de alguns aspectos concretos que marcaram o arranque da investigação em arquitectura residencial, em Portugal, no LNEC, entre 1961 e 1969, no remate da fundamental experiência das Habitações Económicas e no arranque do Fundo de Fomento da Habitação, uma história que se terá de fazer e que tudo tem a ver com o nascimento do Núcleo de Arquitectura do LNEC, hoje o seu Núcleo de Arquitectura e Urbanismo, um grupo de investigação que durante cerca de 4º anos assegurou, no nosso País, o principal pólo de estudos teóricos e práticos em habitação de interesse social, espaços exteriores residenciais, qualidade residencial e, depois, outras matérias como a reabilitação e a análise de espaços já habitados, num leque de mais de 400 trabalhos, algumas dezenas deles disponíveis na Livraria do LNEC.




(Fig. 06)

Regista-se também aqui que, tal como foi apontado em 31 de Março, Nuno Teotónio teve sempre como objectivo o fazer cidade viva com habitação humanizada e através de uma obra multidisciplinarmente participada e que visa o futuro; e em toda esta matéria lembremos aspectos tão importantes, que desde sempre foram por ele aprofundados na teoria e na prática, como é o caso da integração paisagística, da criação de vizinhanças conviviais, da experimentação tipológica cuidadosa, inovadora e em estreita relação com a adequação aos modos de habitar, da dignidade e da atractividade de uma imagem urbana pormenorizada, da marcação da escala humana e da integração da arte na arquitectura. Temas estes que, tal como se percebe, têm hoje total actualidade e pertinência.

E afinal, tudo isto tem a ver com uma frase de Nuno Teotónio, que tem hoje crítica oportunidade e que sublinha que: “é chegada a hora de reconhecer o interesse público da arquitectura, enquanto organiza, qualifica e humaniza o espaço; disciplinar a ocupação do território; exigir produções de qualidade através da atribuição das respectivas responsabilidades... (“Tempos, Lugares, Pessoas”, p. 103)




(Fig. 07)

Concentrando-nos, agora, nas áreas mais ligadas à habitação e lembrando o que foi referido na sessão de 31 de Março pelo Eng. Matias Ramos, Teotónio Pereira tem uma muito meritória experiência como técnico e investigador no domínio da habitação de interesse social em Portugal ao longo de um período temporal muito significativo, com relevo para os cerca de 25 anos de dinâmica actividade no âmbito das Habitações Económicas – Federação de Caixas de Previdência, um período em que se firmaram os laços técnicos entre a Federação e o LNEC, depois continuados durante a actividade do Fundo de Fomento da Habitação e finalmente aprofundados nos 23 anos de actividade do INH, e actualmente do IHRU.




(Fig. 08)

No final dos anos quarenta Teotónio Pereira dá assessoria a Miguel Jacobetty na construção das células sociais do bairro de Alvalade em Lisboa; depois, passados cerca de 20 anos é co-autor com os arquitectos António Pinto de Freitas e Nuno Portas, contando com o engenheiro Ruy Gomes no “projecto de construção”, do único Prémio Valmor que foi atribuído à habitação de interesse social, nas torres habitacionais construídas em Olivais Norte; e depois, passados cerca de 25 anos é co-autor, com o arquitecto Pedro Botelho e contando com o engenheiro Teixeira Trigo na parte construtiva, de um conjunto de habitação social, promovido pelo município de Oeiras, em Laveiras Caxias, e que foi Prémio INH. E o que o Eng. Matias Ramos salientou com estas referências foi, por um lado, a dimensão geracional, continuada e aprofundada de uma vida que é ela própria uma pequena história vivida do projecto e da promoção da habitação apoiada pelo Estado em Portugal, e, por outro, a constante e aprofundada relação com uma tecnologia da construção tão aprofundada como sensível à cuidada inovação arquitectónica e residencial.

Antes de concluir este artigo há que sublinhar que Nuno Teotónio tem sido, também, um leitor assíduo deste nosso Infohabitar e um seu redactor, o que se deve aqui saudar também, com um carinho muito especial.




(Fig. 09)

Finalmente regista-se, aqui, o agradecimento público do LNEC, feito no decurso da sessão de 31 de Março, pela honra da cedência de um acervo documental de habitação e urbanismo, que é muito rico, pelo seu perfil temático, pela sua sistemática constituição ao longo de mais de meio século e pelo seu conteúdo, constituído por várias centenas de documentos, entre livros, revistas, actas de reuniões nacionais e internacionais, relatórios e compilações de artigos de jornais; um acervo que, tal como se referiu, estará em breve disponível para consulta na Biblioteca do LNEC.
E desde já se faz um primeiro pré-anúncio para uma nova sessão técnica, que acontecerá, também no LNEC, em 24 de Novembro próximo, no âmbito das 2.as Jornadas Técnicas do NAU e do GH, para apresentação e discussão do tema “Bairros Vivos – Cidades Vivas”, e por ocasião do 40º aniversário da fundação do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do LNEC, durante todo um dia para o qual serão convidados a intervir alguns dos muitos colegas que pelo NAU passaram e um evento para o qual estão desde já todos convidados.

Infohabitar: Lisboa, Encarnação – Olivais Norte
12 de Abril de 2009
Edição de José Baptista Coelho


8.ª Assembleia-geral do Grupo Habitar
Na sequência das 1ªs Jornadas Técnicas do NAU e do GH, realizadas na tarde de 31 de Março de 2009, e no âmbito dos trabalhos dos associados do Grupo Habitar, realizou-se na sede do GH no LNEC a sua 8.ª Assembleia-geral, que decorreu com intensa participação e uma ordem de trabalhos essencialmente virada para futuras realizações, anexando-se, em seguida, para memória futura, algumas imagens da sessão.





(Fig. 10)




(Fig. 11)




(Fig. 12)

Infohabitar: Lisboa, Encarnação – Olivais Norte
12 de Abril de 2009
Edição de José Baptista Coelho

segunda-feira, março 23, 2009

240 - Nuno Teotónio Pereira, 31 de Março de 2009, no LNEC - Infohabitar 240

Infohabitar, Ano V, n.º 240
Algumas, poucas, palavras sobre o arquitecto Nuno Teotónio Pereira e convite para as 1as Jornadas Técnicas do NAU e do GH e o acto de cedência ao LNEC do acervo documental sobre habitação e urbanismo de Nuno Teotónio
António Baptista Coelho



Fig. 00: LNEC – NAU e GH

Na tarde da terça-feira, dia 31 de Março, na Sala 2 do Centro de Congressos do LNEC, entre as 14h 30 e as 17h 30, decorrerá, com entrada livre e sem necessidade de confirmação de presença, o acto de cedência ao LNEC do acervo documental sobre habitação e urbanismo do Arq.º Nuno Teotónio Pereira, integrado no âmbito das 1.as Jornadas Técnicas do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do LNEC e do Grupo Habitar.
(chama-se a atenção para a capacidade da sala, de cerca de 40 lugares)

Faz-se, em seguida, um breve e sempre incompleto resumo da actividade do arquitecto Nuno Teotónio Pereira, ilustra-se o texto com imagens de algumas das excelentes soluções de habitação e cidade, por ele desenvolvidas, inicia-se e termina-se o texto com palavras do próprio Nuno Teotónio e anexa-se, finalmente o programa da tarde de 31 de Março de 2009.


Fig. 01

“Se olharmos para o interior da profissão é uma evidência que muitos arquitectos têm dificuldade em arranjar trabalho ou são obrigados a desempenhar tarefas fora do quadro profissional; e que estas dificuldades vão acentuar-se com a proliferação desmesurada de cursos de Arquitectura a que se vem assistindo.

E se olharmos para a produção do espaço edificado entre nós, não só persiste uma elevada percentagem de projectos feitos por curiosos ou técnicos não qualificados, como até alguns dos que levam porventura a assinatura de arquitecto não ultrapassam uma triste mediocridade: a qualidade continua a ser uma excepção e o nível da produção corrente é claramente insatisfatório — o que significa que o direito à (boa) Arquitectura não está ao alcance de todos.

Colmatar este défice — eis aqui um desafio bem digno de ser assumido pela profissão nesta celebração dos 50 anos do Congresso de 48, em prol do interesse público e da qualidade de vida dos portugueses. E este desiderato, que implica obrigatoriamente, sem porém nesta se esgotar, a revogação do tristemente célebre 73/73, poderá fazer com que tantos jovens arquitectos à procura de trabalho possam encontrar oportunidade de se devotarem à profissão que com tanto entusiasmo escolheram, constituindo um estímulo para o aperfeiçoamento da prática de todos nós.”

Nuno Teotónio Pereira, sobre “o problema da habitação e o I Congresso Nacional de Arquitectura”, em 24.8.98



Fig. 02: os arquitectos Nuno Teotónio Pereira, Vasco Folha e Raúl Hestnes Ferreira e o engenheiro José Teixeira Trigo, no INH, numa acção do Grupo Habitar

Breve nota curricular

Nuno Teotónio Pereira nasceu em Lisboa, em1922. Arquitecto pela Escola de Belas Artes de Lisboa, é Doutorado “honoris causa” pelas Universidades do Porto e Técnica de Lisboa, é autor e co-autor de numerosos edifícios, conjuntos urbanos, projectos, estudos, livros, artigos e comunicações sobre Arquitectura, Habitação, Património, Urbanismo e Território.

Sócio Correspondente da Academia Nacional de Belas Artes, foi Presidente do Movimento de Renovação da Arte Religiosa, da Cooperativa Cultural PRAGMA, do Centro Nacional de Cultura, da Associação dos Arquitectos Portugueses e do Conselho de Arquitectos da Europa; é Membro de Honra do Grupo Habitar (GH), em cujas actividades tem participado intensamente.

Resistente contra a ditadura, foi membro da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos, foi coordenador do jornal clandestino Direito à Informação, participou nas vigílias contra a guerra colonial da Igreja de S. Domingos e da Capela do Rato e no Boletim Anti-Colonial; foi libertado da prisão política de Caxias a seguir ao 25 de Abril, tendo sido depois dirigente do Movimento de Esquerda Socialista. Em 1995 recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, e em 2004 foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante, aquando da exposição no Centro Cultural de Belém, sobre os 60 anos de actividade do seu atelier, denominada «Arquitectura e Cidadania».

2º Prémio Nacional de Arquitectura da Fundação Gulbenkian em 1961, Prémios Valmor de 1968, 1971 e 1975, com menções honrosas em 1987 e 1988 (com Nuno Portas), Prémio Aica em 1985, Prémio Instituto Nacional de Habitação em 1992 (com Pedro Botelho) e Menção do Júri do mesmo Prémio INH em 1994 (com Pedro Botelho), Prémio Espiga de Ouro da Câmara Municipal de Beja em 1993, Prémio Municipal de Lisboa Eugénio dos Santos em 1995, com menção honrosa em 1997 (os dois com Bartolomeu Costa Cabral), Prémio Aquisição-Arquitectura da Academia Nacional de Belas Artes, em 2007, pelo conjunto da obra.

Conciliou uma intensa actividade de projecto e obra de arquitectura e urbanismo em regime de profissão liberal, no quadro de um atelier profissional e formativo, com uma constante participação cívica, o desenvolvimento da investigação aplicada e uma importante actividade como técnico consultor das Habitações Económicas – Federação das Caixas de Previdência; instituição que marcou um quarto de século com inúmeros casos de referência na promoção de habitação de interesse social em Portugal.

Participou no Inquérito à Arquitectura Regional em Portugal, foi delegado português no Comité do Habitat da União Internacional dos Arquitectos e realizou e publicou livros, artigos e diversos estudos entre os quais se destacam: a "Evolução das Formas de Habitação Pluri-Familiar em Lisboa"; “Prédios e Vilas de Lisboa” (Livros Horizonte, 1995); “Escritos” (edições FAUP, 1996); “Tempos, Lugares, Pessoas” (Público/Contemporânea, 1996); e “Património Arquitectónico da Segurança Social (Secretaria de Estado da Segurança Social, 1997); ensaios sobre a arquitectura do Estado Novo; entradas em diversos dicionários; e numerosos artigos e comunicações.




Fig. 03: o bloco das Águas Livres, construído em Lisboa entre 1953 e 1956, em co-autoria com Bartolomeu Costa Cabral, um edifício que marcou a nossa arquitectura do habitar, pela inovação na promoção privada de edifícios de habitação.


Autor e co-autor: de conjuntos de habitação de interesse social, moradias e outros edifícios em vários pontos do País (Vila do Conde, Barcelos, Lisboa, Universidade de Aveiro); das igrejas das Águas (1949/1953), de Almada, de Boidobra e do Sagrado Coração de Jesus em Lisboa (1961), em co-autoria com Nuno Portas, que foi Prémio Valmor 1975; de vizinhanças e torres habitacionais muito humanas em Olivais Norte-Lisboa, em co-autoria com António Pinto de Freitas e Nuno Portas, às quais (torres) foi atribuído o Prémio Valmor 1967, o único dedicado à habitação social; do bloco das Águas Livres, em co-autoria com Bartolomeu Costa Cabral, um edifício que, também, marcou a nossa arquitectura do habitar; do edifício de escritórios na Rua Braancamp em Lisboa conhecido por Franjinhas (1965/1968), em co-autoria com João Braula Reis, que foi Prémio Valmor 1971; da sede da Companhia de Seguros Fidelidade; da Caixa Geral de Depósitos na Horta; do conjunto da EPUL no Alto do Restelo, em Lisboa (1972/1973), em co-autoria com vários colegas; dos grandes e excelentes conjuntos de habitação municipal de Oeiras em Laveiras (Caxias) e no Alto da Loba, realizados em co-autoria com Pedro Botelho, dos quais o primeiro foi Prémio INH Municipal em 1991; e dos Planos de Urbanização do Crato, Fronteira e Castelo de Vide.



Fig. 04: uma das torres habitacionais muito humanas em Olivais Norte-Lisboa, em co-autoria com António Pinto de Freitas e Nuno Portas, e com projecto estrutural do Eng.º Ruy Gomes, às quais foi atribuído o Prémio Valmor 1967, o único até agora dedicado a à habitação de interesse social.

É um dos autores da reconstrução dos Paços do Concelho de Lisboa e co-autor do Estudo de Recuperação e Revitalização do Palácio Nacional de Mafra, do Auditório Municipal de Linda-a-Velha, do Plano de Pormenor 5 do Parques das Nações e do Programa Polis na Covilhã – ordenamento da Praça do Município e requalificação ambiental e urbana das zonas das ribeiras da Goldra e Carpinteira. No início de 2009 Nuno Teotónio Pereira aderiu a uma iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa que visa ajudar a resolver os problemas dos bairros da cidade com o apoio de um arquitecto de renome; e, assim, em cooperação com outros colegas, está a procurar solucionar “os pequenos grandes problemas” de Alvalade.



Fig. 05: imagens do grande e excelente conjunto urbano de habitação municipal de Oeiras em Laveiras (Caxias), em co-autoria com Pedro Botelho e com projecto estrutural do Eng.º José Teixeira Trigo, que foi Prémio INH Municipal em 1991.

De 1957 a 1974 trabalhou em associação com Nuno Portas e a partir de 1984 com Pedro Botelho, no Concurso para o Centro Cultural de Belém (menção honrosa), no Elevador de Santa Justa, também com Irene Buarque (1º prémio), Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (2º prémio), Reconversão de Cacilhas (2º prémio) e nos projectos do interface do Cais do Sodré (estações do Metropolitano, REFER e Transtejo) e dois edifícios integrados na reconstrução do Chiado.



Esta foi uma síntese, certamente imperfeita e incompleta, da extensa e multifacetada obra de uma pessoa, que sempre a associou a uma notável acção cívica e formativa, e que marcou várias gerações de arquitectos e de todos aqueles ligados às matérias do habitar, da cidade e de uma activa participação cidadã.
Falta agradecer, em nome do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU) do/e do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e do Grupo Habitar, associação técnica e científica com sede no NAU do LNEC, a honra desta cedência do acervo documental de habitação e urbanismo do Arq.º Nuno Teotónio Pereira, um acervo muito rico, quer pelo seu conteúdo, quer pela sua organização prévia, quer pelo perfil temático que reflecte; e sublinhar que este acervo acervo ficará disponível para consulta na Biblioteca do LNEC, será no Laboratório cuidado e divulgado da melhor maneira que soubermos e pudermos e terá, assim, uma utilidade que desejamos será sempre crescente.

Aproveita-se a oportunidade para saudar os anteriores Chefes do NAU do LNEC, arquitectos Nuno Portas e António Reis Cabrita, que participaram, plenamente, nesta iniciativa, assim como a direcção do Departamento de Edifícios do LNEC, na pessoa do seu Director Eng. Vasconcelos Paiva e o Conselho Directivo do LNEC, na pessoa do seu Presidente Eng. Carlos Matias Ramos pelo total apoio a esta ideia.

Finalmente regista-se aqui um agradecimento ao Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) pela matéria que possibilitará a exposição relativa ao Prémio IHRU Construção 2008; e, naturalmente, um muito especial agradecimento à colega Arq.ª Cláudia Weigert e à Direcção Geral de Saúde, a que pertence, pela excelente oportunidade de se poder associar a cedência do acervo do Arq.º Nuno Teotónio a uma sessão prática de divulgação e discussão sobre o habitar, numa perspectiva que, todos sabemos, estar totalmente ligada ao modo de viver e actuar do Nuno Teotónio.


António Baptista Coelho

Chefe do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do LNEC, Presidente da Direcção do Grupo Habitar



Fig. 06: imagem do grande e excelente conjunto urbano e de habitação municipal no Alto da Loba, Paço de Arcos - Oeiras, em co-autoria com Pedro Botelho, que foi Menção do Júri do Prémio INH em 1994.

Antes de se anexar o convite para as Jornadas de 31 de Março, conclui-se este breve registo com uma frase de Nuno Teotónio Pereira (“Tempos, Lugares, Pessoas”, p. 103):

“É chegada a hora de reconhecer o interesse público da arquitectura, enquanto organiza, qualifica e humaniza o espaço; disciplinar a ocupação do território; exigir produções de qualidade através da atribuição das respectivas responsabilidades... É preciso que o direito à Arquitectura chegue a todos, dentro de um quadro de competitividade que tenha por critério a qualidade técnica e cultural.”




Fig. 07: imagens da 1.ª Assembleia Geral Eleitoral do Grupo Habitar, no LNEC, em 3 de Dezembro de 2003.




Convite para as 1as Jornadas Técnicas do NAU e do GH e o acto de cedência ao LNEC do acervo documental sobre habitação e urbanismo de Nuno Teotónio Pereira na Sala 2 do Centro de Congressos do LNEC, entre as 14h 30 e as 17h 30 da terça-feira 31 de Março de 2009

Serão realizadas no LNEC, com uma periodicidade flexível, as Jornadas Técnicas do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo – NAU e do Grupo Habitar – GH, um evento com dimensão igualmente flexível, destinado à apresentação e discussão informal de diversos temas técnicos da qualidade do habitar, e estruturado, por regra, com uma parte de apresentação de casos concretos e uma outra parte reservada a uma conferência ou diversas intervenções teórico-práticas sobre um dado tema.

As 1ªs Jornadas Técnicas do NAU e do GH serão dedicadas ao tema:
Saúde e Habitação (I)
Estas Jornadas estão associadas ao acto de cedência ao LNEC do acervo documental sobre habitação e urbanismo do Arq.º Nuno Teotónio Pereira, uma decisão que muito honra o Laboratório, onde desde há cerca de 40 anos se desenvolvem estudos sobre o habitar, e que constitui motivo de fundadas esperanças na sua dinamização e aprofundamento.

A entrada é livre, mas limitada à capacidade da sala (cerca de 40 lugares).

Programa:

. 14h 30: abertura dos trabalhos.

. 14h 35: apresentação comentada dos conjuntos residenciais que se destacaram no Prémio IHRU Construção 2008, pelo Arq.º António Baptista Coelho (NAU e GH).

. 15h 00: palestra sobre o tema “Saúde e Habitação”, pela Arq.ª Cláudia Weigert, Assessora da Divisão de Saúde Ambiental da Direcção Geral de Saúde.

. 15h 40: intervenção sobre o mesmo tema pelo Arq.º António Reis Cabrita (NAU ap., e GH).

. 16h 00: outras intervenções curtas sobre o mesmo tema.

. 16h 15: intervenção do Conselho Directivo do LNEC e outras intervenções no âmbito do acto de cedência ao LNEC do acervo documental sobre habitação e urbanismo do Arq.º Nuno Teotónio Pereira.

. 17h. 00: encerramento dos trabalhos.




Fig. 08: imagem tratada de Laveiras/Caxias


Núcleo de Arquitectura e Urbanismo, Av. do Brasil 101, 1700 – 066 Lisboa.
Grupo Habitar - APPQH, Av. do Brasil 101, 1700 – 066 Lisboa.
Contactos: António Baptista Coelho, abc@lnec.pt Tel. 218443679/Fax. 218443028
telem: 914 631 004
Edição de José Baptista Coelho, em 23 de Março de 2009
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte