quarta-feira, abril 27, 2022

Acessibilidade residencial e habitantes fragilizados “II” (versão de trabalho) – Infohabitar # 814

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Acessibilidade residencial e habitantes fragilizados “II” (versão de trabalho) – Infohabitar # 814

Infohabitar, Ano XVIII, n.º 814

Edição: quarta-feira , 27 de Abril de 2022

Nova série editorial sobre Habitação Intergeracional Adaptável e Cooperativa – vii 

 

Caros leitores da Infohabitar,

 A Infohabitar continua a desenvolver uma nova série de artigos, que avançam, exploratoriamente, na matéria da Habitação Intergeracional Adaptável e Cooperativa, na sequência de alguns artigos introdutórios à temática de investigação intitulada Habitação Adaptável Intergeracional – Cooperativa a Custos Controlados (PHAI3C), já aqui editados há algum tempo; mas agora tratando-se de avançar no tema, numa perspetiva de trabalho de investigação em desenvolvimento – e daí o título do artigo “versão de trabalho” – , mas que dará, espera-se, para poder divulgar e discutir matérias tão interessantes como urgentes.

Lembra-se que serão muito bem-vindos os comentários e novas sobre os artigos aqui editados e propostas de novos artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com , ao meu cuidado).

Despeço-me, até à próxima semana, enviando saudações calorosas e desejos de muita força e saúde para todos os caros leitores e seus familiares,    

 Lisboa, em 27 de abril de 2022

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar


Acessibilidade residencial e habitantes fragilizados “II” (versão de trabalho) – Infohabitar # 814

texto geral de António Baptista Coelho, a propósito das ideias, textos e opiniões dos numerosos autores que são registados ao longo do texto

 

Notas introdutórias ao novo conjunto de artigos sobre habitação integeracional

O presente artigo inclui-se numa série editorial dedicada a uma reflexão temática exploratória, que integra a fase preliminar e “de trabalho”, dedicada à preparação e estruturação de um amplo processo de investigação teórico-prático, intitulado Programa de Habitação Aadaptável Intergeracional Cooperativa a Custos Controlados (PHAI3C); programa/estudo este que está a ser desenvolvido, pelo autor destes artigos, no Departamento de Edifícios do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), e que integra o Programa de Investigação e Inovação (P2I) do LNEC, sublinhando-se que as opiniões expressas nestes artigos são, apenas, dos seus autores – o autor dos artigos e promotor do PHAI3C e os numerosos autores citados no texto.

Neste sentido salienta-se o papel visado para o presente artigo e para os que lhe darão continuidade, no sentido de se proporcionar uma divulgação que possa resultar numa desejável e construtiva discussão alargada sobre estas muito urgentes e exigentes matérias da habitação mais adequada para idosos e pessoas fragilizadas.

Nesta perspetiva e tendo-se em conta a fase preliminar e de trabalho da referida investigação, salienta-se que a forma e a extensão do texto que é apresentado no artigo reflete uma assumida apresentação comentada, minimamente estruturada, de opiniões e resultados de múltiplas pesquisas, de muitos autores, escolhidos pela sua perspetiva temática focada e por corresponderem a estudos razoavelmente recentes; forma esta que fica patente no significativo número de citações – salientadas em itálico –, algumas delas longas e incluídas na língua original.

Julga-se que não se poderia atuar de forma diversa quando se pretende, como é o caso, chegar, cuidadosamente, a resultados teórico-práticos funcionais e aplicáveis na prática, e não apenas a uma reflexão pessoal sobre uma matéria bem complexa como é a habitação intergeracional adaptável desenvolvida por uma cooperativa a custos controlados e em parte dedicada a pessoas fragilizadas.

 

Nota introdutória à temática do Programa de Habitação Adaptável Intergeracional – Cooperativa a Custos Controlados (PHAI3C)

Considerando-se o atual quadro demográfico e habitacional muito crítico, no que se refere ao crescimento do número das pessoas idosas e muito idosas, a viverem sozinhas e com frequentes necessidades de apoio, a actual diversificação dos modos de vida e dos desejos habitacionais, e a quase-ausência de oferta habitacional e urbana adequada a tais necessidades e desejos, foi ponderada o que se julga ser a oportunidade do estudo e da caracterização de um Programa de Habitação Adaptável Intergeracional (PHAI), adequado a tais necessidades e a uma proposta residencial naturalmente convivial, eficazmente gerida e participada e financeiramente sustentável, resultando daqui a proposta de uma Cooperativa a Custos Controlados (3C).

O PHAI3C visa o estudo e a proposta de soluções urbanas e residenciais vocacionadas para a convivência intergeracional, adaptáveis a diversos modos de vida, adequadas para pessoas com eventuais fragilidade físicas e mentais, mas sem qualquer tipo de estigma institucional e de idadismo, funcionalmente mistas e com presença urbana estimulante. O PHAI3C irá procurar identificar e caracterizar tipos de soluções adequadas e sensíveis a uma integração habitacional e intergeracional dos mais frágeis num quadro urbano claramente positivo e em soluções edificadas que possam dar resposta, também, a outras novas e urgentes necessidades habitacionais (ex., jovens e pessoas sós), num quadro residencial marcado por uma gestão participada e eficaz, pela convivialidade espontânea e social e financeiramente sustentável.

Trata-se, tal como se aponta no título do artigo, de uma “versão de trabalho” e, portanto, a um artigo cujos conteúdos poderão ainda ser substancialmente revistos até se atingir uma versão estabilizada da temática referida no título; no entanto, em virtude da metodologia usada, que se considera bastante sólida, marcada pelo recurso a abundantes referências de fontes, devidamente apontadas e sistematicamente comentadas no sentido da respetiva aplicação ao PHAI3C, e tendo-se em conta a utilidade de se poder colocar à discussão os muitos aspetos registados no sentido da sua possível aplicação prática no PHAI3C, considerou-se ser interessante a divulgação desta temática/problemática nesta fase de “versão de trabalho”, que, no entanto, foi já razoavelmente clarificada – como exemplo do posterior tratamento para passagem a uma versão mais estável teremos, provavelmente, referências bibliográficas mais reduzidas e boa parte delas em português, assim como comentários mais desenvolvidos; mas mesmo este desenvolvimento irá sendo influenciado pelo(s) caminho(s) concreto(s) tomado(s) pelos diversos temas e artigos que integram, desde já, a estrutura pensada para o designado documento-base do PHAI3C, que surgirá, em boa parte, da ligação razoavelmente sequencial entre os diversos temas abordados em variados artigos.

Ainda um outro aspeto que se sublinha marcar, desde o início, o teor do referido documento-base do PHAI3C (a partir do qual serão gerados vários documentos específicos: mais de enquadramento e mais práticos) é o sentido teórico-prático que privilegia uma abordagem mais integrada e exemplificada da temática global da habitação intergeracional adaptável e cooperativa, apontando-se exemplos e ideias concretas logo desde as partes mais de enquadramento da abordagem da temática como as que se desenvolvem neste artigo.

Finalmente, solicita-se a compreensão dos leitores para lapsos e problemas de edição que, sem dúvida, acontecem no texto que se segue, mas a opção era prolongar, excessivamente, o período de elaboração de um texto que, afinal, se pretende seja essencialmente prático; as próximas edições serão complementarmente revistas e melhoradas.

Acessibilidade residencial e habitantes fragilizados “II” – Infohabitar # 814

Considerando-se a extensão do tema este é apresentado, aqui na Infohabitar, em dois artigos a editar, em princípio, em semanas consecutivas, sendo as matérias de cada semana realçadas a negrito na listagem que se segue; o item (i) foi, portanto, editado na última semana.

 

Subtemáticas do presente item :

(i) Aspetos globais de acessibilidade residencial

(ii) Envelhecimento e aptidões urbanas e domésticas

 (ii) Envelhecimento e aptidões domésticas e urbanas

Neste item, referido à temática geral da relação entre o envelhecimento e as aptidões domésticas e urbanas dos habitantes aborda-se, primeiro, o desejável desenvolvimento da acessibilidade na habitação, portanto num sentido mais doméstico e interiorizado e passa-se, a seguir, para a consideração da acessibilidade ao nível urbano da vizinhança, em termos das relações entre serviços locais e pessoas fragilizadas.

 
Fig. 02 : uma imagem do programa intitulado « Vila dos Idosos », em São Paulo, Brasil ; uma intervenção do programa Morar no Centro da Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (COHAB), que integra 145 unidades para pessoas idosas, realizado em 2003-2007, com projeto de Arquitetura de VIGLIECCA&ASSOC – Arq.º Hector Vigliecca e Associados. Mais imagens deste conjunto acompanharão os próximos artigos desta série, tendo sido recolhidas no âmbito do 3.º Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono (3.º CIHEL) promovido pelas FAU- Mack, FAU-USP e IAU-USP.
Acessibilidade na habitação

Tratando-se de uma já « velha matéria » ligada à qualificação habitacional, considera-se ser já tempo de a encarar de uma forma muitoi natural e ampla, seja visando-se a sua incorporação tendencial e efetiva em toda a promoção habitacional, seja tendo todo o cuidado com a desejável ausência de quaisquer sinais visuais associados, designadamente, aos apoios à movimentação e a uma funcionalidade específica para pessoas fragilizadas e, portnto, « embebendo » e integrando totalmente estes elementos e cuidados na arquitetura de interiores da habitação, seja aplicando um máximo de bom-senso nas escolhas funcionais, espaciais e organizativas a fazer em termos  de diversas tipologias habitacionais (ex., considerando que a ocupação térrea será sempre a mais indicada para pessoas com grande dificuldade de movimentação). E, naturalmente, as intervenções no âmbito do PHAI3C devrão seguir este tipo de indicações qualitativas em termos de acessibilidade.

Margie Scotts, Kay Saville-Smith e Bev James, no estudo intitulado International trends in accessible housing for people with disabilities: Working Paper 2 (6), apresentam um recente conjunto de políticas e programas da UE, dos EUA, do Japão e da Austrália que visam considerar as questões de acessibilidade ao nível físico e da perceção como tendencialmente integradas na promoção habitacional corrente, salientando-se que este estudo identifica definições e níveis de qualidade associados a estas matérias da acessibilidade que são considerados muito úteis no sentido específico do PHAI3C e que, em seguida, se apontam e comentam.

It has increasingly been recognised internationally that if disabled people are to participate in social, economic and familial life they must be able to access the sites in and around which those interactions occur, whether those be domestic or other buildings, transport, or public spaces. (pg. 3)

Access to buildings and spaces can be set at different levels of functionality for disabled people. Milner and Madigan (2004) identify a continuum of accessibility for domestic buildings that moves from: (pg. 3)

. Negotiable where a building allows only for assisted access and provides some movement around the lower levels, but does not necessarily provide access to a toilet.

. Visitability where a building allows independent wheelchair entry to the property, access to lower levels, ability to move between rooms and access to the toilet.

. Liveable where there is unassisted wheelchair access to the lowest level of a building and the ability to move between rooms, access to a usable bathroom, toilet and a bedroom.

. Adaptable where the whole house or flat is retrofitted or purpose built to give the desired level of accessibility that will be required through the occupant’s social and life cycle changes over at least a 30 year period.

. Universal where a whole house or flat is fully accessible to an unassisted wheelchair user or person with other functional impairments.

Julga-se muito interessante e útil este « escalonamento » de níveis de acessibilidade, assim como se consideram muito úteis as seguintes definições também retiradas do estudo de Margie Scotts, Kay Saville-Smith e Bev James. (pg. 3)

Universal design

An approach to the design, construction and adaptation of standard housing to meet the needs of all home owners regardless of their age, ability, or social situation. Universal design benefits all age groups. Also known as Universal Housing and Adaptable Housing. Achieving uptake in the social housing market; but its adoption in private dwellings has been limited.

Life Span Housing

Housing that can accommodate changes in human ability over a person’s lifespan, enabling the occupants to live and remain in their homes as long as possible. Also known as Lifetime Homes in the United Kingdom, Lifecycle Housing in Norway and Adaptable Housing in Australia.

Inclusive Design

A way of designing products and environments so they are usable by everyone regardless of age, ability or circumstance. Remove barriers in the social, technical, political and economic processes underpinning building and design.

Barrier-free Design

To be active, a disabled person should be able to commute between home, work and other destinations. Barrier-free design ensures that the whole built and transport environment meets the needs of people with physical, sensory or cognitive disabilities.

Aprofundando e esclarecendo o conceito life span houses ou life time homes desenvolve-se uma ideia de habitação adaptável aos diversos ciclos da vida e, designadamente, ao envelhecimento, proporcionando, sequencialmente, conversões e reversões adequadas a diversas necessiades e desejos habitacionais, numa perspetiva que pode ser muito interessante para o PHAI3C.

The United Kingdom Government promotes Life Time Homes and has developed building standards relating to this, although the design features are not compulsory. Life Time homes incorporate design features for accessible and adaptable housing in any setting t increase choice, independence and longevity of tenure. The design allows for flexible living arrangements over the lifetime of the occupants and the dwelling. In addition to the normal ground and first floors, most houses have a full basement, accessible, useable roof voids, and concrete intermittent floors. These features allow basements and roof voids to be furnished or left to be fitted out when needed as extra living space as families grow or age. Concrete intermittent floors permit non-load bearing walls to be moved for room size flexibility and providing sound barriers. The Life Time Homes Standards relate only to the structural design and construction. For people with mobility impairments, lifts can be installed with minimal disturbance and cost. (pg. 8 e 9)

Surge depois o conceito mais específico de uma habitação modificada ou, eventualmente, modificável no sentido de um apoio efetivo à vida diária de pessoas condicionadas na mobilidade e/ou na perceção e um conjunto de programas específicos de apoio à aplicação dessas adaptações domésticas, visando-se, particularmente, as ações desse tipo aplicadas a pessoas com poucos recursos, abrangendo proprietários, senhorios e arrendatários (pg.10 e 11).

Naturalmente importa ter em conta que nas ações de adaptação « primária » ou « secundária » de habitações a pessoas fragilizadas é e será, cada vez mais, determinante a integração de tecnologias assistenciais, onde se podem integrar as ligadas a facilitar a comunicação e, neste sentido, e continuando a citar o referido estudo de Margie Scotts, Kay Saville-Smith e Bev James (pg. 13), podemos considerar diversas tipologias de tecnologias assistenciais, que terão, evidentemente, exigências de instalação e de articulação espacial específicas. (7)

. Smart Homes

. Tele Medicine

. Tele Care

. Community Alarms

. Teleaid

. Alarms, either user or automatically triggered.

. Telechecking

. Regular wellbeing checks by telephone.

. Telemonitoring

. Telephone monitoring and devices that provide remote monitoring of

health status (e.g. heartbeat and breathing).

Trends are: (pg. 14)

. The cost of devices and systems is reducing as the technology platforms they use become mainstream. The rapidly growing technology is diffusing down from high-end luxury applications, to lower income markets, as it becomes cheaper and more available.

.  The next generation of disabled and older people are more open to using technology and have more familiarity, knowledge and information about its uses.

. Wireless technology and mobile phones are reducing installation and maintenance costs and have the potential to eventually do away with the need for costly fixed wiring installations.

. As more universal design housing comes into the market, the cost of fitting AT and necessary modifications will reduce. Universal design and barrier free design is far cheaper and easier to build AT into or install later. (Dewsbury et al., 2001; Tinker et al.,

São ainda os mesmos autores que referem alguns pontos-chave no futuro da habitação para pessoas fragilizadas, salientando-se que os sublinhados são nossos. (pg. 17)

.  An individual approach to accessible housing does not meet the needs for disabled people for accessible communities, social and work environments.

. Housing modification schemes are unlikely, in current form, to be a sufficient response to meet growing need.

.  Universal design features do not meet all the housing needs that arise for people with moderate or severe individual disabilities. The need for customised modification will remain.

. The influence of the accessible housing movement is increasing as policy discourses between ageing-in-place and disability converge and the political influence of older disabled people grows.

. The current generation of younger disabled, and the next generation of older disabled people are more open to use of assistive technologies.

.  Mainstreaming new accessible housing design through regulation will have a limited effect in the short to medium term. Most disabled people will live in existing stock.

. Consumer resistance to universal design homes is definite but on evidence, can be overcome with attention to good aesthetic design.

.  The realignment of the stock will require increased capacity and expertise and will take time.

.  The efficient use of existing accessible housing stock is increasingly becoming a focus of attention in some countries.

Finalmente citamos ainda o estudo de Margie Scotts, Kay Saville-Smith e Bev James, no que se refere a uma muito significativa súmula do que estes autores consideram ser os benefícios das Tecnologias de Assistência na habitação para pessoas fragilizadas. (pg. 14)

The benefits of AT in the homes of disabled people are that they reduce accidents in the home, help to overcome architectural disability (thereby reducing the need for home care services, hospital and rest home admissions), and allow people to maintain their independence and quality of life. AT increases the level of real and perceived safety by monitoring the individual and their environment for hazards, and alerts caregivers quickly when a person is in difficulty. However, there is considerable debate as to the quantum of benefits associated with these types of developments, the rapidity with which those benefits are felt, and the range of benefits (Bayer et al., 2005; Tinker et al., 2004; Dewsbury et al., 2001; Edge et al., 2000).

Acessibilidade, serviços locais e pessoas fragilizadas

Tal como tem sido e será salientado neste trabalho o desenvolvimento de vizinhanças amigáveis para pessoas fragilizadas – em termos funcionais, ergonómicos e « ambientais » – é um cuidado essencial quando se visa a adequada integração urbana e o vital estímulo à movimentação e socialização dessas pessoas, sendo igualmente vital para que estes espaços de intervenção sejam também estimulantes para todos os seus outros habitantes ; uma condição essencial para a respetiva integração e valia urbana das novas intervenções como as integradas no PHAI3C.

É assim importante e no sentido específico do PHAI3C ter em conta um conjunto de indicações urbanas objetivas e qualificadoras de cada local  de intervenção, tal como é referido por Alan Burnett no seu estudo intitulado In the right place Accessibility, local services and older people (8); pois um conjunto edificado intergeracional e equipado pode até ser exemplar, em si próprio, em termos de acessibilidades, mas estar urbanística e paisagisticamente segregado, e pode até ser bastante periférico, mas ter bons transportes e equipamentos de vizinhança).

Neste sentido e como comentários gerais com importância para a estruturação do PHAI3C juntam-se e comentam-se, em seguida, excertos do documento que acabou de ser referido (a marcação a negrito é nossa). (pg. 3 a 7)

. Accessibility planners should take into account the barriers to pedestrian journeys, including hilly terrain. Poor-quality pavements, inadequate street lighting, noise and pollution, threats to safety and inconsiderate and/or indifferent behaviour towards older, possibly vulnerable, people should be addressed. (pg. 3)

. While no definitive distance/time thresholds are appropriate for all situations and sub-groups of the population there are some, such as ‘200 metres to a bus-stop’ or ‘10 minutes to a local surgery’ which have gained widespread acceptance.

. Although the differential thresholds suggested by Witten and colleagues (2003) are not specifically designed on the basis of the needs of older people they are of intrinsic value. For example: park = 750 metres; GP surgery and church = 1,000 metres; banks = 1,500 metres; fruit and vegetable shops and supermarkets = 2,000 metres; community centres and social services = 3,000 metres; hospitals and accident and emergency clinics = 5,000 metres… bus-stop = 500 metres

. Older women are more likely than older men to live alone and the proportion increases with advancing age. Seventy-one per cent of women aged 85 and over who live in private households lived alone in 2001.

. Car use declines with age. Fewer older women have access to cars compared with men of the same age.

Um aspeto de grande importância na escolha dos locais de integração de intervenções habitacionais adequadas a idosos e na arquitetura urbana das respetiva vizinhanças, que deve ser muito pormenorizada pessoas, é a vital questão da segurança dos peões relativamente aos veículos, um tema que é crítico atualmente em Portugal, pois está marcado por « números negros » de idosos atropelados em zonas urbanas, sendo urgente a introdução de um « código da rua », em complemento ao existente Código da Estrada.

E nesta matéria Alan Burnett aponta aspetos bem importantes, seja em termos da importância de bons transportes públicos e de passes para idosos, seja no que se refere aos hábitos e às fragilidades dos mais idosos enquanto peões: (pg. 7)

.  Although they walk less than people in younger age groups, older people are considerably more likely to be killed, as pedestrians, in a road accident. People aged 70 and over walked on average nearly a third less than the population as a whole. In 2002, however, 3.7 per 100,000 of the population aged 70 and over were killed as pedestrians in road accidents, compared with a rate of 1.3 per 100,000 for the population as a whole.

. The ‘environmental’ barriers to making food shopping journeys on foot are ably described by Glass and Balfour (2003). They cite poor-quality pavements, hilly terrain, inadequate street lighting, noise and pollution, threats to safety and inconsiderate and/or indifferent behaviour towards older, often vulnerable, people as ‘tipping points’: i.e. these constitute key elements in the decision whether to go out, or not and if so when, and where.

Alan Burnett sublinha finalmente (pg. 17) que « o acesso a uma hierarquia de equipamentos usados habitualmente por idosos pode e deve ser considerado/medido aplicando-se diversas distâncias-limite », e conclui o seu estudo com 30 páginas de uma excelente bibliografia temática anotada.


Notas :

6 - Scotts, Margie;  Saville-Smith,  Kay;  James, Bev – International trends in accessible housing for people with disabilities: Working Paper 2. CRESA; Public Policy & Research, 2007.

 7 - Retirado da pg. 13 do referido estudo de do estudo de Margie Scotts, Kay Saville-Smith e Bev James:

 Smart Homes - Built-in devices and systems run by a central computer. Typically include remote control and sensor activated devices, time-of-day dependant heating and lighting, internal and external lighting, automatic doors, windows, home security alarm systems, and/or telemedicine systems.

Tele Medicine - Monitors for heart beat, breathing, blood pressure etc, linked to hospital assistance services. For people needing continuous check ups.

Community Alarms - Typically focused on safety in the home with passive sensors or alarms connected to a call centre. Alarms are triggered automatically or manually when hazards are detected or accidents such as falls occur. Also includes time of day dependent devices, for example to control lighting, heating.

Tele Care can also be as simple as regular telephone calls to check on a person’s wellbeing.

Teleaid - Alarms, either user or automatically triggered.

Telechecking - Regular wellbeing checks by telephone.

Telemonitoring - Telephone monitoring and devices that provide remote monitoring of health status (e.g. heartbeat and breathing).

8 - Burnett, Alan – In the right place Accessibility, local services and older people. Londres:  Help the Aged, 2005.** (http://217.35.77.12/CB/england/papers/pdfs/2005/in_the_right_place.pdf.)

 

Notas editoriais gerais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

Acessibilidade residencial e habitantes fragilizados “II” (versão de trabalho) – Infohabitar # 814

Infohabitar, Ano XVIII, n.º 814

Edição: quarta-feira, 27 de abril de 2022

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

 

abc.infohabitar@gmail.com

abc@lnec.pt

 

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).

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