Mostrar mensagens com a etiqueta cidade amiga dos peões. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cidade amiga dos peões. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, janeiro 29, 2019

672 - Os usos pedonais devem estruturar uma cidade bem habitada - Infohabitar 672

Infohabitar, Ano XV, n.º 672
Os usos pedonais podem e devem estruturar uma cidade bem habitada - Infohabitar 672
por António Baptista Coelho (texto e imagem)


Poder viver um espaço urbano com vagar 

Assim como na nossa vida pessoal a calma e a ponderação são essenciais para podermos ir vivendo em harmonia com os outros e de acordo com os nossos projectos de vida, bem ao contrário de um percurso pessoal marcado pela “correria” e apenas por objectivos de curto prazo e tantas vezes insignificantes, assim como um simples almoço pausado e bem acompanhado nos dá alento e nos enriquece a meio da nossa jornada diária, bem ao contrário de um lanche apressado, em pé e solitário, que apenas nos fornece a energia física para essa jornada, esquecendo as outras energias que são, pelo menos, igualmente importantes; a vivência de um espaço urbano com vagar e atenção proporciona tudo mais para além da simples experiência funcional de uma deslocação entre dois quaisquer sítios da cidade.
Globalmente, a diferença está entre experiências simplesmente funcionais, superficiais e até quase “maquinais” e vivências verdadeiramente humanas, calorosas, eventualmente compartilhadas e sempre enriquecedoras em termos do que nos é dado ver, viver e experimentar no âmbito de sensações, memórias e renovadas e estimulantes informações. E o homem não, realmente, uma máquina, é um ser humano que, para além de se alimentar em termos de aspectos associados à sua sobrevivência física estrita, desde há muito – talvez desde há cerca de 1000.000 anos – se “alimenta” de convivência e partilha, histórias e conversas, ambientes estimulantes e arte, e, consequentemente, no espaço urbano, se “alimenta” de muito mais do que os simples – embora tantas vezes mal previstos – aspectos funcionais.
E para que tal condição se possa cumprir, o homem urbano – e atente-se aqui nesta expressão – precisa de poder usar e gozar os seus espaços urbanos com vagar, devendo, naturalmente, poder também poder usar a cidade de modo funcional, ninguém o nega, evidentemente; mas usar a cidade deve ser possível, simultaneamente, com pressa e com vagar, “correndo” apressado entre duas paragens de transportes públicos ou flanando lentamente pelos passeios bordejados de montras de lojas; e mesmo na opção apressada é bem possível e desejável que o homem urbano possa gozar de essenciais momentos de acalmia e relativo sossego – por exemplo, em transportes públicos confortáveis e onde até pode haver uma agradável música de ambiente (e tudo existe aqui em Portugal, embora muito pontualmente).

Fig. 01: a possibilidade de viver a cidade com vagar está intimamente ligada aos usos pedonais

A possibilidade de viver a cidade com vagar está intimamente ligada aos usos pedonais

Esta oportunidade de se usar a cidade com vagar deve marcar todo o espaço urbano, desde as suas vizinhanças residenciais aos seus centros mais animados, naturalmente, através de sequências de percursos bem estruturados e equipados e mediante soluções em cada caso adequadas e estimulantes, seja marcadas por ambientes residenciais mais intimistas e mesmo quase domésticos, seja por continuidades de espaços públicos bem animados, polarizadores e representativos.
Esta possibilidade de viver a cidade com vagar está intimamente ligada aos usos pedonais, ao homem a pé, mais ou menos apressado, parando momentaneamente para se orientar, trocando algumas palavras casuais, apreciando um dado enquadramento urbano, sentando-se alguns minutos para descansar um pouco ou apreciar uma dada vista, circulando entre montras, motivado pelo simples e excelente prazer de ir vendo as novidades e que motiva o uso dos fundamentais espaços de transição entre interior e exterior também tão caracterizadores do espaço urbano (pisos térreos fortemente marcados por montras, entradas amplas de lojas, espaços côncavos e protegidos que desmultiplicam montras, esplanadas protegidas, etc.).
E os usos pedonais, garantes desse rico e vital potencial do uso da cidade com vagar, não podem ser considerados como um “dado adquirido”, como algo que sempre aconteceu e acontecerá, mesmo sem condições adequadas para tal: têm de ser devidamente apoiados, motivados e mesmo defendidos relativamente a outros tráfegos, com natural destaque para os motorizados “clássicos” (automóveis e motorizadas), mas considerando, também, os novos tráfegos alternativos, referidos, aqui, essencialmente à circulação de bicicletas e, bem recentemente, de trotinetas.

Circulação pedonal e outros tipos de circulação (novos e velhos tráfegos)

Que ninguém aqui veja uma posição contra qualquer tipo de “novo tráfego”, inovador em termos da flexibilidade (e velocidade) permitida nas deslocações unipessoais e naturalmente amigo do ambiente; pois bem-vindos eles são e serão, por essas razões e pela diversidade de alternativas de circulação assim proporcionadas, pois esta posição refere-se, apenas, a:
- Uma defesa da tal essencial possibilidade do uso da cidade (espaço urbano e peri-urbano) com vagar e portanto a pé, uma possibilidade que deveria ser expressiva e objectivamente apoiada, designadamente, por medidas concretas de melhoria das respectivas condições de acessibilidade, agradabilidade e segurança ampla nos percursos, continuidade dos percursos e respectivas articulações com os transportes públicos, tratamento paisagístico global e pormenorizado dos percursos, muito adequada e estratégica integração de equipamentos de apoio à circulação e à estadia nos cenários diurno e nocturno e expressiva divulgação dos recursos e dos percursos pedonais funcionais e temáticos que vão sendo adequadamente estruturados e melhorados; medidas estas que deveriam merecer, pelo menos, tanto cuidado, tanta importância e tanta divulgação como acontece com as actualmente tão mediáticas vias para ciclistas.
E há que sublinhar que não é realmente um dado adquirido que os generalizados “passeios” funcionem bem e em continuidade, sendo que é, frequentemente, um facto que para uma boa activação de adequados e estimulantes percursos pedonais (longos, “cadenciados”, apoiados, paisagisticamente ricos, etc.) nem serão necessários grandes investimentos, é, sim, necessário, uma extrema sensibilidade no levantamento das condições existentes, estratégica intervenção “curativa” na resolução das descontinuidades inseguras e infuncionais e uma adequada acção de divulgação destes percursos.  
- E a uma, hoje bem oportuna, defesa de uma movimentação pedonal urbana diversificada, estimulante e livre, face aos tráfegos tradicionalmente inimigos do peão, mas também, actualmente, face aos novos tráfegos alternativos e ambientalmente positivos de ciclistas e utentes de trotinetas, pois não parece fazer muito sentido que o peão (urbano e peri-urbano), que não teve, ainda, direito a planos efectivos e continuados de melhoria das suas condições de uso funcional e com vagar da cidade – tal como acabou de ser apontado e defendido – tenha agora de conviver no que era o seu “santuário” protector das zonas de passeio, com esses novos tráfegos e, designadamente, com o seu exercício pouco ou nada regulado, que o deveria ser, julga-se, quando tais tráfegos, estando claramente integrados nos passeios, deveriam estar submetidos a prioridade pedonal; e assistindo-se, até, a complexas e, julga-se, discutíveis situações de passagens pedonais subsequentes – uma de “passadeira” através vias de circulação automóvel e logo seguida de outra a atravessar uma faixa para bicicletas.

Os usos pedonais podem e devem estruturar para uma cidade bem habitada

Aqui chegados, nesta opinião/reflexão sobre a importância de se poder ter uma adequada e estimulante circulação pedonal urbana, importa sublinhar que é, neste sentido, que se julga que os usos pedonais podem e devem estruturar uma cidade bem habitada, desde as suas vizinhanças mais residenciais aos seus pólos mais animados, e que não faz qualquer sentido continuarmos a quase esquecer esta importância, até porque, muito provavelmente, haverá sempre ganhos numa adequada e continuada integração de tráfegos (“clássicos” e “novos”).
E termina-se esta reflexão, que poderá ter continuidade em outros artigos sobre esta temática, com a ideia de que a  as actividades associadas à movimentação e à permanência pedonal, nas suas vertentes mais funcionais e fluidas ou mais de lazer e marcadas pelo vagar e pelo deambular, podem e  devem caracterizar muito positivamente uma expressiva continuidade urbana, ao serviço dos seus habitantes e visitantes, desempenhando, ainda, uma função quase de acalmia e de bálsamo na vivência diária e eventual desses espaços; proporcionando opções expressivamente funcionais e de circulação, mas também outras expressivamente de lazer e de permanência, retirando-se, assim, uma forte mais-valia dos nossos espaços urbanos.
Falta, no entanto, fazer aqui uma referência destacada e oportuna à necessidade e oportunidade, já concretizada em outros países da Europa, de se avançar, nestas matérias, de forma integrada, também através de um novo “Código da Rua”, que venha, finalmente, acompanhar o velho “Código da Estrada”. 

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 672
- Infohabitar 672

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar,– Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).


Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

terça-feira, outubro 23, 2018

661 - HABITAR CIDADES AMIGAS - Infohabitar 661

INFOHABITAR N.º 661

HABITAR CIDADES AMIGAS - CONVIVIAIS, ACESSÍVEIS, PARA TODOS, E SEGURAS


Conjunto de 29 artigos e um texto de apresentação

 

Caros leitores da revista semanal Infohabitar com a presente edição, damos continuidade a uma tipologia editorial, em que se procura voltar a focar e divulgar artigos e séries editoriais já desenvolvidas há algum tempo, mas versando temáticas intemporais.

Julgamos que quando uma revista técnica e científica como a nossa atinge um significativo “tempo de vida” – neste caso 14 anos – e expressão editorial – a caminho dos 700 artigos – corre-se o risco de textos que deixaram de estar numa primeira linha editorial, mas que continuam com o mesmo interesse e oportunidade, poderem ficar um pouco esquecidos “nas prateleiras arquivadoras”, neste caso “na nuvem arquivista” e, a partir desta consideração, surgiu a ideia de voltar a colocar “bem à mão”, à distância de um rápido “clic”, conjuntos temáticos de artigos, por vezes muito bem articulados, entre si, outras vezes marcados por uma salutar diversidade, como é o caso actual.

E é assim que, na presente edição da Infohabitar, se sugere a leitura de uma série de 29 artigos, editados entre 2005 e 2012, desenvolvidos por 9 autores e que têm em comum a abordagem do grande tema referido à temática do HABITAR CIDADES AMIGAS.

Lembra-se que esta matéria do HABITAR CIDADES AMIGAS constitui um dos 35 temas editoriais da Infohabitar.

Regista-se, ainda, que esta matéria do HABITAR CIDADES AMIGAS corresponde a um dos sete grandes temas abordados num estudo amplo sobre a matéria do “habitar humanizado”, apresentado e desenvolvido em duas publicações editadas e disponibilizadas pela Livraria do LNEC (apontadas em seguida) e no n.º 18 dos Opúsculos da Editora Dafne – neste caso, com o título “Entre casa e cidade, a humanização do habitar”.
COELHO, António Baptista - Habitação Humanizada: Uma apresentação geral, Lisboa, LNEC, Memória n.º 836, 2007, 40 p., 19 fig., ISBN 978-972-49-2117-4.
COELHO, António Baptista - Habitação Humanizada, Lisboa, LNEC, Tese e Programas de Investigação TPI n.º 46. Lisboa: LNEC, 2007. 574 p., 121 fig., ISBN 978-972-49-2120-4.

A matéria global do “habitar humanizado” refere-se ao habitar espaços domésticos e urbanos e corresponde a um estudo de investigação, desenvolvido no quadro de uma “habilitação em arquitetura e urbanismo”, realizado e discutido no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), considerando-se que o interesse no desenvolvimento deste tema decorreu, quase diretamente, da necessidade sentida de se aprofundarem aspetos ainda considerados menos objetivos e que no entanto caracterizam, claramente, pela sua existência ou ausência, múltiplas situações domésticas e urbanas.
Trata-se, assim, de um tema cuja importância se julga ser evidente numa altura em que o “mal habitar” casa e cidade continua a marcar, em todo o mundo, um elevadíssimo número de famílias e as periferias e os vazios urbanos de grandes cidades, uma importância que resulta, tanto da necessidade de se considerarem, diretamente, os múltiplos aspetos de uma sensível humanização dos quadros do habitat humano, como da importância de se estar alerta relativamente às recorrentes simplificações relativas a áreas mínimas habitacionais mal concebidas (“cegamente” funcionalizadas), e à doentia repetição de projetos-tipo mal concebidos e mal aplicados em termos urbanos.


A cidade ... é o espaço público.
“A grande diferença da cidade para o edifício é que a cidade é uma obra que gera espaços compartilhados onde as pessoas estão condenadas a encontrar-se; é o espaço público. O facto de ser compartilhada justifica a gestão democrática, ou seja, a gestão que não exclui.”
Gonçalo Byrne (2004) - Inês Moreira dos Santos e Rui Barreiros Duarte (entrevistadores), “Estruturas de mudança - entrevista com Gonçalo Byrne”, Arquitectura e Vida, n.º 49, 2004, p. 51.

É fundamental passar a considerar as cidades como sistemas obrigatoriamente amigos dos humanos e designadamente daqueles mais sensíveis e desprotegidos. Temos de fazer tudo para que as nossas cidades sejam amigas dos seus habitantes. Amigas no sentido da protecção e do apoio a quem nelas habita, e entre estes, privilegiando-se, naturalmente, os grupos sociais mais sensíveis e mais significativos.
Há assim que privilegiar uma aproximação estratégica à satisfação residencial e urbana num quadro amplo de consideração do habitar a casa, o bairro e a cidade, considerando  a presença e a importância dos grupos de habitantes mais sensíveis. Deste modo chegamos ao objectivo operacional de fazer cidades e bairros amigos das crianças e dos idosos e para isso é importante conhecer o melhor possível as soluções urbanas que têm sido usadas com algum êxito nesse sentido, designadamente, nos anos, que nem foram muitos, das grandes cidades modernas, por exemplo, tal como é abordado num trabalho relativamente recente de Francis Tibbalds - Francis Tibbalds, “Making People-Friendly Towns, Londres”, 2000 (1992).
Junta-se, em seguida, uma citação longa do pediatra Mário Cordeiro e do arquitecto Tiago Queiroz , que integra um excelente texto integrado no n.º 4 dos Cadernos Edifícios do LNEC [i] (editado em Março de 2006), e que sintetiza bem os riscos e os benefícios da cidade, numa perspectiva que visa exactamente uma cidade humanizada e vitalizada, e uma cidade amiga dos habitantes mais sensíveis.
(Mário Cordeiro e Tiago Queiroz, “A cidade, a criança e a saúde, contributos para uma mudança de paradigmas”, Lisboa e LNEC, Cadernos Edifícios n.º4, “Humanização e vitalização dos espaços público”, Março de 2006)
“O aparecimento e desenvolvimento das cidades representou um salto qualitativo na história da Humanidade, proporcionando, pela primeira vez ao ser humano, um espaço de tempo, tranquilidade, calma e «folga», associado à possibilidade de conservação de alimentos e de água, bem como de melhor defesa contra inimigos, predadores e catástrofes naturais.
O melhor ambiente vivido nas cidades teve um impacto muito positivo na saúde das populações, e a passagem de uma sociedade de «sobrevivência diária» para uma sociedade de relativa abundância trouxe com ela as profissões especializadas, as trocas comerciais, o intercâmbio de géneros, culturas e pessoas, a escolarização, as artes e ofícios e os pensadores, filósofos e políticos. As crianças, que anteriormente passavam imediatamente da infância à adultícia, ganharam, entre muitas outras coisas, o direito à adolescência.
Actualmente, o conceito de cidade e a sua prática sofreram algumas disrupções, distorções e desvios, criando novos e intensos problemas, no cerne do qual estão os sistemas de transportes, a poluição, a perda de identidades e de sentimentos de pertença, e a descaracterização do espaço público, designadamente a «perda da rua» enquanto espaço lúdico, relacional e estético. As crianças e jovens são os primeiros, a par dos idosos, a sofrer com isso. Não se creia, contudo, que a culpa está nas cidades, mas sim na forma como por vezes estão a ser planeadas e geridas. As cidades são, para a população pediátrica, uma janela de oportunidade, e têm largos benefícios em termos culturais, sociais e de saúde.
Assim, o que há a fazer é rever criteriosamente, de uma forma transdisciplinar, quais são as necessidades do ser humano e de que modo as estruturas existentes lhes podem responder, sem recorrer a soluções tão demagógicas como ineficazes, do tipo «implodir para refazer de novo.»
Redimensionar os espaços de habitação, a sua articulação e a multiculturalidade e carácter transgeracional, redimensionar os espaço comercial, lúdico e laboral, e fazer cada vez mais da cidade um aglomerado de «pequenas aldeias» (bairros), como ainda existem em tantas delas, em que as grandes deslocações sejam muito mais limitadas e os percursos a pé sejam privilegiados, em que as hipóteses de encontro de pessoas da família, amigos, vizinhos seja maior, em que os serviços de educação, saúde, sociais, etc, possam articular-se mais facilmente, poderá ser um desafio à nossa capacidade, mas ao mesmo tempo um desafio intelectualmente estimulante, com efeitos práticos de grande mais-valia, e que beneficiará as crianças e adolescentes de uma forma indelével. Há que reconhecer, evidentemente, o que está mal, mas condenar as cidades sem entender onde está o cerne da questão, poderá ser destruir uma das mais maravilhosas construções sociais que a Humanidade alguma vez produziu.”
É de grande importância considerar e dar relevo, nesta perspectiva de trabalho que privilegia a humanização do habitar, às condições específicas que as cidades ofereçam como espaços amigáveis relativamente aos seus habitantes. Por um lado é essencial que cada um, na sua vizinhança e no seu bairro se sinta rodeado por um espaço globalmente seguro, amigável e afectuoso, que se desenvolva em continuidade. Por outro lado é essencial que o critério de amigabilidade do espaço citadino habitável seja respeitador daqueles mais sensíveis a meios urbanos agrestes e perigosos. Logo, fica bem claro que os espaços urbanos e residenciais têm de ser desenvolvidos considerando-se os grupos sociais que mais carecem de protecção e de enquadramento, e nestes as crianças e os idosos sobressaem claramente.
Finalmente não pode haver dúvidas sobre a oportunidade de se pensar aqui na questão da cidade como universo de base do espaço habitável que se deseja humanizado e especialmente atraente e motivador. É a cidade/povoação, num sentido amplo e consistente, que nos interessa como quadro da humanização do habitar, pois só a cidade, e de certa forma no seu todo, pode e deve oferecer quadros globais que harmonizem o sossego, a segurança e a apropriação nos bairros e nas vizinhanças com a animação, a gradabilidade e a riqueza de um verdadeiro tecido urbano; e sublinha-se que se usa e usará aqui a designação de “cidade” com o significado de espaço urbano coeso e vivo; a cidade de que aqui se fala pode ser uma pequena mas equilibrada povoação.



Listam-se, em seguida (ordenados de acordo com a respectiva apresentação), alguns dos subtemas tratados nos artigos, associados ao tema editorial  HABITAR CIDADES AMIGAS cujos títulos específicos e links são, depois, disponibilizados mais abaixo:

Cuidados e cuidadores

Um país em envelhecimento

Prevenção do crime através da concepção do espaço

Cidade amiga do peão

A Rua

Cidade amigável e habitada

Segurança urbana

Cidades amigas, cidades seguras

Cidade melhor harmonizada e humanizada

O peão

Espaços pedonais

Densidades vitalizadoras

(in)Segurança em zonas de residências

Uma cidade naturalmente segura

Cidades verdadeiramente habitadas e seguras

Cidades desejadas e seguras

Os velhos na cidade velha

A cidade e o recreio

Os idosos e a cidade envelhecida

As cidades são os locais mais desejáveis para viver e trabalhar - textos de Adrian M. Joyce comentados

Cidade habitada

As cidades e os idosos 

Fiquem, então,caros leitores com algumas das muitas páginas da nossa pequena história editorial; e boas leituras,

António Baptista Coelho
Editor da Infohabitar, Presidente da GHabitar, investigador principal com habilitação em Arquitectura e Urbanismo (LNEC), doutor em Arquitetura (FAUP), Arquiteto (ESBAL).

Notas práticas:
. a listagem dos artigos mantém a respetiva ordem cronológica editorial (dos mais recentes para os menos recentes);
. os artigos são disponibilizados no seu formato editorial original;
. para aceder ao artigo basta fazer ctrl + click sobre o seu endereço eletrónico (disponibilizado a seguir ao respetivo título); ou sobre o próprio título (quando este está ligado diretamente ao respetivo ebdereço eletrónico – ao passar o rato/mouse sobre o título essa ligação fica evidente).  


(Tema geral)

HABITAR CIDADES AMIGAS
Infohabitar, Ano X, n.º 477 - Uma atratividade made in Portugal – por Paulo Machado (2 pp., 1 fig.) - http://infohabitar.blogspot.pt/2014/03/uma-atratividade-made-in-portugal.html
Eu amo, eu cuido! Marilice Costi (n.º 420, 16 Dez. 12, 2 págs., 3 figs.).
Um país em envelhecimento - artigo de Paulo Machado e divulgação: de Sessão Técnica LNEC; Visita Técnica e 12.ª Assembleia-geral do Grupo Habitar - (artigo) Paulo Machado (n.º 384, 11 Mar. 12, 4 págs., 2 figs.).
CONSTRUIR SEGURANÇA: Prevenção do crime através da concepção do espaço – Daniela Fernandes (n.º 334, 20 Fev. 11, 7 págs., 11 figs.).
Sobre uma cidade amiga do peão (i): espaços pedonais estruturados e estruturadores da cidade - António Baptista Coelho (n.º 354, 9 Jul. 11, 7 págs., 4 figs.).
A Rua — será que a podemos perder? – Wilson Zacarias (n.º 335, 27 Fev. 11, 18 págs., 10 figs.).
Uma cidade amigável e habitada, feita de fachadas permeáveis e de vida urbana - António Baptista Coelho (n.º 299, 23 Mai. 10, 6 págs., 6 figs.).
Sobre a segurança urbana - alguns aspectos gerais de reflexão - António Baptista Coelho (n.º 298, 16 Mai. 10, 3 págs., 2 figs.).
Cidades amigas, cidades seguras - Parte I - António Baptista Coelho (Infohabitar, Ano VI, n.º 281, Janeiro 17, 2010, 10 p., 8 fig.)
Cidades amigas, cidades seguras - Parte II - António Baptista Coelho (Infohabitar, Ano VI, n.º 282, Janeiro 24, 2010, 10 p., 15 fig.)
Cidade melhor harmonizada e humanizada: parte II - António Baptista Coelho (Infohabitar, Ano V, n.º 260, Agosto 24, 2009, 8 p., 4 fig.)
Cidade melhor: o peão – parte I, António Baptista Coelho (Infohabitar, Ano V, n.º 259, Agosto 14, 2009, 6 p., 3 fig.).
Uma cidade atraente feita de densidades vitalizadoras - António Baptista Coelho (n.º 234, 16 Fev., 09, 6 p., 3 fig.).
(IN)SEGURANÇA EM ZONAS DE RESIDÊNCIAS. O ESPAÇO DA OPORTUNIDADE – artigo de Teresa V. Heitor (n.º 181, 31 Janeiro 2008, 11 págs., 4 figs.)
Sobre uma cidade naturalmente segura - António Baptista Coelho (n.º 158, 20 Set., 07, 23 p., 10 fig.).
À volta da cidade: sobre cidades verdadeiramente habitadas e amigáveis - António Baptista Coelho (n.º 148, 12 Jul. 07, 12 p., 8 fig.).
Cidades desejadas e seguras (I): o problema da habitação tornou-se o problema da cidade – António Baptista Coelho (n.º 134, 13 Abr., 2007, 8 p., 10 fig.) .
Os velhos na cidade velha – Celeste Ramos, ilustração de António Baptista Coelho (n.º 104, 21 Set. 06, 12p., 7 fig.).
A cidade e o recreio, o espaço e o tempo – espaço de alegria e de formação do cidadão – Celeste Ramos, ilustração de António Baptista Coelho (n.º 99, 17 Ago. 06, 6p., 5 fig.).
5.ª Sessão Técnica do Grupo Habitar - Évora: Os idosos e a cidade envelhecida, com o Grupo Habitar e a Câmara de Évora, relato de António Baptista Coelho (n.º 74, 14 Mar. 06, 4p. 9fig.).
Os idosos na cidade e a cidade envelhecida – Sessão Técnica do Grupo Habitar – António Baptista Coelho,(n.º 55, 28 Nov. 05, 7 p., 7 fig.).
Os Velhos – a Cidade e a Sociedade – Maria Celeste Ramos (n.º 49, 2 Nov. 05, 4 p., 3 fig.).
As cidades são os locais mais desejáveis para viver e trabalhar II – objectivos/desafios e alguns comentários - textos de Adrian M. Joyce, comentados por António Baptista Coelho, (n.º 22, 17 Mai. 05, 6 p., 1 fig.).
As cidades são os locais mais desejáveis para viver e trabalhar I - textos de Adrian M. Joyce comentados por António Baptista Coelho(n.º 21, 29 Abr. 05, 3 p.).
Por uma cidade habitada - António Baptista Coelho (n.º 15, 16 Mar. 05, 2 p., 1 fig.).
Habitação sem cidade algumas notas de António Baptista Coelho sobre um texto do Arq. Luis Fernández-Galiano (n.º 14, 13 Mar. 05,1p.).
Dos bairros do crime ao verdadeiro problema da habitação - António Baptista Coelho (n.º 12, 09 Mar. 05, 2 p., 1 com.).
Sobre as cidades e os idosos - comentário de António Baptista Coelho (n.º 9, 28 Fev. 05, 1 p.).

Finalmente salienta-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, acolhido no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.


Infohabitar, Ano XIV, n.º 661
HABITAR CIDADES AMIGAS
Conjunto de 29 artigos

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).
Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

vitalização dos espaços público”, Março de 2006.

terça-feira, junho 19, 2018

Um peão um pouco triste I

Pequenos Comentários Infohabitar #1
Um peão um pouco triste I - Pequenos Comentários Infohabitar #1

(Nota explicativa: edita-se esta opinião pessoal, abrindo-se, informalmente, uma secção “informal” e, portanto, “não numerada” da Infohabitar, que, promete-se, será tematicamente muito ampla)


Há alguns anos, quando se iniciou,e muito bem, em Portugal,a introdução dos circuitos cicláveis ou para ciclistas, tive a oportunidade de referir em alguns encontros técnicos, uma preocupação pessoal e quase perplexidade (“positiva”, é claro), relativa à ausência ou quase ausência, numa salutar simultaneidade, de medidas de expressiva dinamização da circulação pedonal, naturalmente, em eficaz integração com uma adequada e tendencialmente  melhorada estrutura de transportes públicos (funcionais e durante toda a semana);
e lembro-me de lembrar (desculpem-me a expressão) que uma melhorada e eficaz estrutura pedonal também tinha e tem, suplementarmente, um extraordinário potencial em termos de uso lúdico e em lazer da cidade, o tal fundamental “flanar”por uma cidade do vagar, que, não tenhamos dúvidas, dá muita vida à cidade e para ela ganha muitos habitantes (em estadias e percursos frequentes e prolongados), desde os jovens aos mais idosos, proporcionando, como “suplemento de alma” funcional (desculpem novamente a expressão) verdadeiros ganhos de eficácia e de dinâmica urbana na vida da cidade, dos seus bairrros e das suas vizinhanças; e uma estrutura pedonal que, em boa parte, já existe, faltando, essencialmente, “atar” continuidades estratégicas, e equipar pontual e também estrategicamente, seja em termos de mobiliário e verde urbanos, seja na vital ligação a transportes públicos funcionais (e faltando, também, divulgar adequadamente essas continuidades).
Hoje em dia, quando se assiste a uma introdução muito expressiva de novos apoios à circulação em bicicleta – e muito bem, pois o objetivo evidente e positivo é tentar torná-la uma verdadeira alternativa aos outros tipos de mobilidade – não deixa de ser, pouco agradável e, julga-se, pouco adequado que os bem “velhos peões” se vejam “invadidos”, nos seus velhos passeios, por novos percursos “oficializados”, inclusive com “passadeiras” em plenos passeios, que parecem dar prioridade ao ciclista. E então agora, para além dos veículos motorizados o peão tem de deixar passar as bicicletas a não ser nas respetivas “passadeiras”; mas pensar no peão, nas suas condições, nos seus circuitos e nas suas continuidades e prioridades, parece que ficou para outras calendas ou então não se trata de preocupação prioritária!
Que ninguém veja neste texto algo contra a introdução do tráfego ciclista na cidade, nem tal faria qualuer sentido, evidentemente; vejam, apenas, a amargura de um peão convicto que continua a sentir-se esquecido e que agora, para além dos automobilistas tem também de ter expressivo cuidado com os ciclistas; e, já agora, lembrem-se de desenvolver e divulgar, adequadamente, “regras” de convivialidade entre os diversos tipos de tráfego urbano antes de começarem a acontecer numerosos  problemas graves (mas que sejam “regras” verdadeiramente adequadas e funcionais).

António Baptista Coelho

(uma opinião estritamente pessoal)

domingo, junho 28, 2015

539 - Alguns desenhos comentados sobre cidade e natureza humanizada - Innfohabitar 539




O 3.º CIHEL recebeu 118 artigos.

Infohabitar, Ano XI, n.º 539

Alguns desenhos comentados sobre cidade e natureza humanizada
António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns desenhos realizados sobre a temática a natureza e da cidade, ou da natureza, em pleno, na cidade e o seu interesse e força de expressão.
Todos estes desenhos foram realizados, no próprio local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa (o esboço rápido foi feito no local e o acabamento, por vezes, realizado posteriormente).
Em cada um deles fazem-se alguns comentários curtos e práticos, por vezes, abordando o "desenho" e matérias de urbanismo.

A cidade e a natureza



Desenho 1: há um certo sentido de paisagem pormenorizada e viva, em jardins animados por pequenos animais, e quanto mais completo for o ambiente natural maior será a biodiversidade.

A cidade e a natureza pormenorizada


Desenho 2: é interessante ensaiar técnicas de desenho diferentes em temas/"modelos" bem conhecidos, da flora e da fauna; e as aguadas com uma base monocromática permitem uma certa liberdade de expressão. 

O verde urbano que se aproxima da natureza não artificial

Desenho 3: a natureza planeada e tratada pelo homem - trata-se de um pormenor do jardim que rodeia a Igreja de Santo Eugénio na Encarnação -, quando bem estruturada/acompanhada e com algumas dezenas de anos, aproxima-se muito do que poderá ser um bosque "natural", proporcionando uma experiência de "frescura", de profundidade, algum "mistério", e contínua diversidade de espetáculo, ao longo do dia e ao longo do ano, extremamente rica para todos, para todas as idades e muito especificamente para o "homo-urbanus".

O verde urbano como espetáculo e fonte de bem-estar e inspiração


Desenho 4: prolongando-se o anterior comentário, este apontamento (realizado de forma muito mais livre e em que se procurou aproximar o que se desenhou de uma sensação que pareceu marcar o local), exemplifica a ideia, bem real, de que o verde urbano, quando razoavelmente completo e dimensionado (atenção para não se fazerem minúsculas e ridículas "ilhas" de natureza que servem para muito pouco; mais vale planear e tratar bem boas árvores de arruamento), proporciona descontração, reflexão natural e agradável, afastamento estratégico à cidade (pois ela está próxima e no entanto "bem longe"), e muitos outros aspetos mentais e físicos de bem-estar e de saúde.

O verde urbano como fonte de inspiração e inovação


Desenho 5: prolongando-se o anterior comentário, o verde urbano, quando razoavelmente completo e minimamente extenso, conseguindo simular a natureza mais "selvagem" em composições bem perto de nós, é verdadeiramente "libertador"; e aqui procurou-se uma experiência de desenho mais livre em cores e formas.

A cidade e a natureza viva


Desenho 6: tal como se referiu no início deste artigo, há um certo sentido de paisagem pormenorizada e viva, em jardins animados por pequenos animais, e quanto mais completo e cuidado for o ambiente natural maior será a biodiversidade.

Infohabitar, Ano XI, n.º 539
Alguns desenhos comentados sobre cidade e natureza humanizada
Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional


Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.