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terça-feira, outubro 23, 2018

661 - HABITAR CIDADES AMIGAS - Infohabitar 661

INFOHABITAR N.º 661

HABITAR CIDADES AMIGAS - CONVIVIAIS, ACESSÍVEIS, PARA TODOS, E SEGURAS


Conjunto de 29 artigos e um texto de apresentação

 

Caros leitores da revista semanal Infohabitar com a presente edição, damos continuidade a uma tipologia editorial, em que se procura voltar a focar e divulgar artigos e séries editoriais já desenvolvidas há algum tempo, mas versando temáticas intemporais.

Julgamos que quando uma revista técnica e científica como a nossa atinge um significativo “tempo de vida” – neste caso 14 anos – e expressão editorial – a caminho dos 700 artigos – corre-se o risco de textos que deixaram de estar numa primeira linha editorial, mas que continuam com o mesmo interesse e oportunidade, poderem ficar um pouco esquecidos “nas prateleiras arquivadoras”, neste caso “na nuvem arquivista” e, a partir desta consideração, surgiu a ideia de voltar a colocar “bem à mão”, à distância de um rápido “clic”, conjuntos temáticos de artigos, por vezes muito bem articulados, entre si, outras vezes marcados por uma salutar diversidade, como é o caso actual.

E é assim que, na presente edição da Infohabitar, se sugere a leitura de uma série de 29 artigos, editados entre 2005 e 2012, desenvolvidos por 9 autores e que têm em comum a abordagem do grande tema referido à temática do HABITAR CIDADES AMIGAS.

Lembra-se que esta matéria do HABITAR CIDADES AMIGAS constitui um dos 35 temas editoriais da Infohabitar.

Regista-se, ainda, que esta matéria do HABITAR CIDADES AMIGAS corresponde a um dos sete grandes temas abordados num estudo amplo sobre a matéria do “habitar humanizado”, apresentado e desenvolvido em duas publicações editadas e disponibilizadas pela Livraria do LNEC (apontadas em seguida) e no n.º 18 dos Opúsculos da Editora Dafne – neste caso, com o título “Entre casa e cidade, a humanização do habitar”.
COELHO, António Baptista - Habitação Humanizada: Uma apresentação geral, Lisboa, LNEC, Memória n.º 836, 2007, 40 p., 19 fig., ISBN 978-972-49-2117-4.
COELHO, António Baptista - Habitação Humanizada, Lisboa, LNEC, Tese e Programas de Investigação TPI n.º 46. Lisboa: LNEC, 2007. 574 p., 121 fig., ISBN 978-972-49-2120-4.

A matéria global do “habitar humanizado” refere-se ao habitar espaços domésticos e urbanos e corresponde a um estudo de investigação, desenvolvido no quadro de uma “habilitação em arquitetura e urbanismo”, realizado e discutido no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), considerando-se que o interesse no desenvolvimento deste tema decorreu, quase diretamente, da necessidade sentida de se aprofundarem aspetos ainda considerados menos objetivos e que no entanto caracterizam, claramente, pela sua existência ou ausência, múltiplas situações domésticas e urbanas.
Trata-se, assim, de um tema cuja importância se julga ser evidente numa altura em que o “mal habitar” casa e cidade continua a marcar, em todo o mundo, um elevadíssimo número de famílias e as periferias e os vazios urbanos de grandes cidades, uma importância que resulta, tanto da necessidade de se considerarem, diretamente, os múltiplos aspetos de uma sensível humanização dos quadros do habitat humano, como da importância de se estar alerta relativamente às recorrentes simplificações relativas a áreas mínimas habitacionais mal concebidas (“cegamente” funcionalizadas), e à doentia repetição de projetos-tipo mal concebidos e mal aplicados em termos urbanos.


A cidade ... é o espaço público.
“A grande diferença da cidade para o edifício é que a cidade é uma obra que gera espaços compartilhados onde as pessoas estão condenadas a encontrar-se; é o espaço público. O facto de ser compartilhada justifica a gestão democrática, ou seja, a gestão que não exclui.”
Gonçalo Byrne (2004) - Inês Moreira dos Santos e Rui Barreiros Duarte (entrevistadores), “Estruturas de mudança - entrevista com Gonçalo Byrne”, Arquitectura e Vida, n.º 49, 2004, p. 51.

É fundamental passar a considerar as cidades como sistemas obrigatoriamente amigos dos humanos e designadamente daqueles mais sensíveis e desprotegidos. Temos de fazer tudo para que as nossas cidades sejam amigas dos seus habitantes. Amigas no sentido da protecção e do apoio a quem nelas habita, e entre estes, privilegiando-se, naturalmente, os grupos sociais mais sensíveis e mais significativos.
Há assim que privilegiar uma aproximação estratégica à satisfação residencial e urbana num quadro amplo de consideração do habitar a casa, o bairro e a cidade, considerando  a presença e a importância dos grupos de habitantes mais sensíveis. Deste modo chegamos ao objectivo operacional de fazer cidades e bairros amigos das crianças e dos idosos e para isso é importante conhecer o melhor possível as soluções urbanas que têm sido usadas com algum êxito nesse sentido, designadamente, nos anos, que nem foram muitos, das grandes cidades modernas, por exemplo, tal como é abordado num trabalho relativamente recente de Francis Tibbalds - Francis Tibbalds, “Making People-Friendly Towns, Londres”, 2000 (1992).
Junta-se, em seguida, uma citação longa do pediatra Mário Cordeiro e do arquitecto Tiago Queiroz , que integra um excelente texto integrado no n.º 4 dos Cadernos Edifícios do LNEC [i] (editado em Março de 2006), e que sintetiza bem os riscos e os benefícios da cidade, numa perspectiva que visa exactamente uma cidade humanizada e vitalizada, e uma cidade amiga dos habitantes mais sensíveis.
(Mário Cordeiro e Tiago Queiroz, “A cidade, a criança e a saúde, contributos para uma mudança de paradigmas”, Lisboa e LNEC, Cadernos Edifícios n.º4, “Humanização e vitalização dos espaços público”, Março de 2006)
“O aparecimento e desenvolvimento das cidades representou um salto qualitativo na história da Humanidade, proporcionando, pela primeira vez ao ser humano, um espaço de tempo, tranquilidade, calma e «folga», associado à possibilidade de conservação de alimentos e de água, bem como de melhor defesa contra inimigos, predadores e catástrofes naturais.
O melhor ambiente vivido nas cidades teve um impacto muito positivo na saúde das populações, e a passagem de uma sociedade de «sobrevivência diária» para uma sociedade de relativa abundância trouxe com ela as profissões especializadas, as trocas comerciais, o intercâmbio de géneros, culturas e pessoas, a escolarização, as artes e ofícios e os pensadores, filósofos e políticos. As crianças, que anteriormente passavam imediatamente da infância à adultícia, ganharam, entre muitas outras coisas, o direito à adolescência.
Actualmente, o conceito de cidade e a sua prática sofreram algumas disrupções, distorções e desvios, criando novos e intensos problemas, no cerne do qual estão os sistemas de transportes, a poluição, a perda de identidades e de sentimentos de pertença, e a descaracterização do espaço público, designadamente a «perda da rua» enquanto espaço lúdico, relacional e estético. As crianças e jovens são os primeiros, a par dos idosos, a sofrer com isso. Não se creia, contudo, que a culpa está nas cidades, mas sim na forma como por vezes estão a ser planeadas e geridas. As cidades são, para a população pediátrica, uma janela de oportunidade, e têm largos benefícios em termos culturais, sociais e de saúde.
Assim, o que há a fazer é rever criteriosamente, de uma forma transdisciplinar, quais são as necessidades do ser humano e de que modo as estruturas existentes lhes podem responder, sem recorrer a soluções tão demagógicas como ineficazes, do tipo «implodir para refazer de novo.»
Redimensionar os espaços de habitação, a sua articulação e a multiculturalidade e carácter transgeracional, redimensionar os espaço comercial, lúdico e laboral, e fazer cada vez mais da cidade um aglomerado de «pequenas aldeias» (bairros), como ainda existem em tantas delas, em que as grandes deslocações sejam muito mais limitadas e os percursos a pé sejam privilegiados, em que as hipóteses de encontro de pessoas da família, amigos, vizinhos seja maior, em que os serviços de educação, saúde, sociais, etc, possam articular-se mais facilmente, poderá ser um desafio à nossa capacidade, mas ao mesmo tempo um desafio intelectualmente estimulante, com efeitos práticos de grande mais-valia, e que beneficiará as crianças e adolescentes de uma forma indelével. Há que reconhecer, evidentemente, o que está mal, mas condenar as cidades sem entender onde está o cerne da questão, poderá ser destruir uma das mais maravilhosas construções sociais que a Humanidade alguma vez produziu.”
É de grande importância considerar e dar relevo, nesta perspectiva de trabalho que privilegia a humanização do habitar, às condições específicas que as cidades ofereçam como espaços amigáveis relativamente aos seus habitantes. Por um lado é essencial que cada um, na sua vizinhança e no seu bairro se sinta rodeado por um espaço globalmente seguro, amigável e afectuoso, que se desenvolva em continuidade. Por outro lado é essencial que o critério de amigabilidade do espaço citadino habitável seja respeitador daqueles mais sensíveis a meios urbanos agrestes e perigosos. Logo, fica bem claro que os espaços urbanos e residenciais têm de ser desenvolvidos considerando-se os grupos sociais que mais carecem de protecção e de enquadramento, e nestes as crianças e os idosos sobressaem claramente.
Finalmente não pode haver dúvidas sobre a oportunidade de se pensar aqui na questão da cidade como universo de base do espaço habitável que se deseja humanizado e especialmente atraente e motivador. É a cidade/povoação, num sentido amplo e consistente, que nos interessa como quadro da humanização do habitar, pois só a cidade, e de certa forma no seu todo, pode e deve oferecer quadros globais que harmonizem o sossego, a segurança e a apropriação nos bairros e nas vizinhanças com a animação, a gradabilidade e a riqueza de um verdadeiro tecido urbano; e sublinha-se que se usa e usará aqui a designação de “cidade” com o significado de espaço urbano coeso e vivo; a cidade de que aqui se fala pode ser uma pequena mas equilibrada povoação.



Listam-se, em seguida (ordenados de acordo com a respectiva apresentação), alguns dos subtemas tratados nos artigos, associados ao tema editorial  HABITAR CIDADES AMIGAS cujos títulos específicos e links são, depois, disponibilizados mais abaixo:

Cuidados e cuidadores

Um país em envelhecimento

Prevenção do crime através da concepção do espaço

Cidade amiga do peão

A Rua

Cidade amigável e habitada

Segurança urbana

Cidades amigas, cidades seguras

Cidade melhor harmonizada e humanizada

O peão

Espaços pedonais

Densidades vitalizadoras

(in)Segurança em zonas de residências

Uma cidade naturalmente segura

Cidades verdadeiramente habitadas e seguras

Cidades desejadas e seguras

Os velhos na cidade velha

A cidade e o recreio

Os idosos e a cidade envelhecida

As cidades são os locais mais desejáveis para viver e trabalhar - textos de Adrian M. Joyce comentados

Cidade habitada

As cidades e os idosos 

Fiquem, então,caros leitores com algumas das muitas páginas da nossa pequena história editorial; e boas leituras,

António Baptista Coelho
Editor da Infohabitar, Presidente da GHabitar, investigador principal com habilitação em Arquitectura e Urbanismo (LNEC), doutor em Arquitetura (FAUP), Arquiteto (ESBAL).

Notas práticas:
. a listagem dos artigos mantém a respetiva ordem cronológica editorial (dos mais recentes para os menos recentes);
. os artigos são disponibilizados no seu formato editorial original;
. para aceder ao artigo basta fazer ctrl + click sobre o seu endereço eletrónico (disponibilizado a seguir ao respetivo título); ou sobre o próprio título (quando este está ligado diretamente ao respetivo ebdereço eletrónico – ao passar o rato/mouse sobre o título essa ligação fica evidente).  


(Tema geral)

HABITAR CIDADES AMIGAS
Infohabitar, Ano X, n.º 477 - Uma atratividade made in Portugal – por Paulo Machado (2 pp., 1 fig.) - http://infohabitar.blogspot.pt/2014/03/uma-atratividade-made-in-portugal.html
Eu amo, eu cuido! Marilice Costi (n.º 420, 16 Dez. 12, 2 págs., 3 figs.).
Um país em envelhecimento - artigo de Paulo Machado e divulgação: de Sessão Técnica LNEC; Visita Técnica e 12.ª Assembleia-geral do Grupo Habitar - (artigo) Paulo Machado (n.º 384, 11 Mar. 12, 4 págs., 2 figs.).
CONSTRUIR SEGURANÇA: Prevenção do crime através da concepção do espaço – Daniela Fernandes (n.º 334, 20 Fev. 11, 7 págs., 11 figs.).
Sobre uma cidade amiga do peão (i): espaços pedonais estruturados e estruturadores da cidade - António Baptista Coelho (n.º 354, 9 Jul. 11, 7 págs., 4 figs.).
A Rua — será que a podemos perder? – Wilson Zacarias (n.º 335, 27 Fev. 11, 18 págs., 10 figs.).
Uma cidade amigável e habitada, feita de fachadas permeáveis e de vida urbana - António Baptista Coelho (n.º 299, 23 Mai. 10, 6 págs., 6 figs.).
Sobre a segurança urbana - alguns aspectos gerais de reflexão - António Baptista Coelho (n.º 298, 16 Mai. 10, 3 págs., 2 figs.).
Cidades amigas, cidades seguras - Parte I - António Baptista Coelho (Infohabitar, Ano VI, n.º 281, Janeiro 17, 2010, 10 p., 8 fig.)
Cidades amigas, cidades seguras - Parte II - António Baptista Coelho (Infohabitar, Ano VI, n.º 282, Janeiro 24, 2010, 10 p., 15 fig.)
Cidade melhor harmonizada e humanizada: parte II - António Baptista Coelho (Infohabitar, Ano V, n.º 260, Agosto 24, 2009, 8 p., 4 fig.)
Cidade melhor: o peão – parte I, António Baptista Coelho (Infohabitar, Ano V, n.º 259, Agosto 14, 2009, 6 p., 3 fig.).
Uma cidade atraente feita de densidades vitalizadoras - António Baptista Coelho (n.º 234, 16 Fev., 09, 6 p., 3 fig.).
(IN)SEGURANÇA EM ZONAS DE RESIDÊNCIAS. O ESPAÇO DA OPORTUNIDADE – artigo de Teresa V. Heitor (n.º 181, 31 Janeiro 2008, 11 págs., 4 figs.)
Sobre uma cidade naturalmente segura - António Baptista Coelho (n.º 158, 20 Set., 07, 23 p., 10 fig.).
À volta da cidade: sobre cidades verdadeiramente habitadas e amigáveis - António Baptista Coelho (n.º 148, 12 Jul. 07, 12 p., 8 fig.).
Cidades desejadas e seguras (I): o problema da habitação tornou-se o problema da cidade – António Baptista Coelho (n.º 134, 13 Abr., 2007, 8 p., 10 fig.) .
Os velhos na cidade velha – Celeste Ramos, ilustração de António Baptista Coelho (n.º 104, 21 Set. 06, 12p., 7 fig.).
A cidade e o recreio, o espaço e o tempo – espaço de alegria e de formação do cidadão – Celeste Ramos, ilustração de António Baptista Coelho (n.º 99, 17 Ago. 06, 6p., 5 fig.).
5.ª Sessão Técnica do Grupo Habitar - Évora: Os idosos e a cidade envelhecida, com o Grupo Habitar e a Câmara de Évora, relato de António Baptista Coelho (n.º 74, 14 Mar. 06, 4p. 9fig.).
Os idosos na cidade e a cidade envelhecida – Sessão Técnica do Grupo Habitar – António Baptista Coelho,(n.º 55, 28 Nov. 05, 7 p., 7 fig.).
Os Velhos – a Cidade e a Sociedade – Maria Celeste Ramos (n.º 49, 2 Nov. 05, 4 p., 3 fig.).
As cidades são os locais mais desejáveis para viver e trabalhar II – objectivos/desafios e alguns comentários - textos de Adrian M. Joyce, comentados por António Baptista Coelho, (n.º 22, 17 Mai. 05, 6 p., 1 fig.).
As cidades são os locais mais desejáveis para viver e trabalhar I - textos de Adrian M. Joyce comentados por António Baptista Coelho(n.º 21, 29 Abr. 05, 3 p.).
Por uma cidade habitada - António Baptista Coelho (n.º 15, 16 Mar. 05, 2 p., 1 fig.).
Habitação sem cidade algumas notas de António Baptista Coelho sobre um texto do Arq. Luis Fernández-Galiano (n.º 14, 13 Mar. 05,1p.).
Dos bairros do crime ao verdadeiro problema da habitação - António Baptista Coelho (n.º 12, 09 Mar. 05, 2 p., 1 com.).
Sobre as cidades e os idosos - comentário de António Baptista Coelho (n.º 9, 28 Fev. 05, 1 p.).

Finalmente salienta-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, acolhido no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.


Infohabitar, Ano XIV, n.º 661
HABITAR CIDADES AMIGAS
Conjunto de 29 artigos

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).
Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

vitalização dos espaços público”, Março de 2006.

domingo, março 09, 2014

475 - Viver ao nível térreo - I - Infohabitar 475


Infohabitar, Ano X, n.º 475

Viver ao nível térreo - I

Habitações térreas e opções domésticas e urbanas

Artigo XLIX da Série habitar e viver melhor

António Baptista Coelho

Habitação ligada ao espaço público          

            Uma das grandes opções de viver o habitar – habitação e vizinhança e vice-versa – joga-se, sempre que tal é possível (e assim foi, frequentemente, ao longo de milénios), na escolha de habitações que tenham relação direta com o espaço público ou de uso público, ou indireta através de espaços exteriores de uso privado (quintais e pátios privativos); uma opção que se sintetiza com a ideia de poder “viver ao nível térreo”, ou bem perto dele e um viver ao nível térreo que é, também, viver mais intensamente a natureza e o exterior de vizinhança.
            Uma tal opção é determinante da adaptabilidade do habitar assim escolhido e vivido, seja numa perspetiva de adequação prévia a determinados modos de vida, eventualmente, mais ruralizados, seja  na perspetiva de resposta a determinados desejos habitacionais e de vivência da respetiva vizinhança de proximidade e do seu eventual potencial de convívio e de contato mais “livre” com o exterior, o “ar-livre”, a natureza e o espaço urbano localmente disponíveis.
            Trata-se, afinal, de um importante fator de adequação e de “liberdade” nas soluções de habitar que se escolhem, e um fator que, infelizmente, tem sido muito desprezado em favor das, tantas vezes “estafadas”, soluções-tipo de edifícios "tipo esquerdo-direito."


Fig. 01

Imagem urbana estimulante

            E sublinha-se o também  muito importante papel que estas soluções cumprem na modelação pormenorizada de uma imagem urbana estimulante, porque diversificada e por vezes orgânica e até lúdica, no acompanhamento visual e físico que proporciona aos percursos pedonais contíguos, fazendo, de certo modo, sentir, mais fortemente, nesses percursos o ambiente residencial envolvente e caraterizador, seja pela quase-contiguidade dos vãos domésticos, seja pela presença evidenciada de zonas de limiar e de proteção ou enquadramento da essencial privacidade doméstica - ex., sebes naturais, muros bem promenorizados, diferenças de nível estratégicas, sequências de vistas bem estruturadas e marcadas pelo verde urbano, que nesta solução de evidenciação de um nível térreo residencial e com exteriores privados, pode ser um verde privado, mas com fruição pública, aspeto este de grande importância na gestão do exterior.

Ligação habitação-rua

            Sobre a ligação habitação-rua importa aprofundar as possibilidades vivenciais e arquitetónicas que uma diversidade de relacionamento entre esses dois mundos de privacidade e convivialidade pode e deve proporcionar com o duplo objectivo de uma cidade mais variada, atraente e mesmo equilibradamente surpreendente, e de uma habitação marcada pela identidade – das características formais da solução (exemplo: volumes, cores e desníveis dos acessos privados, e diferentes agregações dos mesmos).


Fig. 02

Tipologias com acessos diretos ao exterior 

            E a ideia que se quer aqui deixar é ser plenamente possível e social e economicamente bem sustentável apostar em soluções deste tipo, que aplicam média/alta densidade habitacional com edifícios de baixa altura (até eventualmente sem elevadores), em que boa parte das respetivas habitações têm acessos diretos a exteriores privados (exemplo: três pisos em que as habitações térreas têm acesso direto ao exterior e as em 1.º andar também têm acessos por escada a pequenos talhões privativos).

Ligação entre edifício e rua

            Sobre a ligação edifício-rua já desenvolvemos, em outros artigos desta série, um conjunto de ideias que se considera básico, mas falta talvez imaginar o que poderia ser uma entrada comum, provavelmente de um conjunto de habitações não excessivamente dimensionado em termos sociais e físicos, e onde nos sentíssemos tão individualizados e identificados com a proximidade “imediata” da nossa “concha” doméstica, como verdadeiramente estimulados, tanto pela proximidade e uso intensos: (i) dos nossos pequenos espaços exteriores privados, (ii) do espaço público que os contorna e serve, (iii) e da própria vizinhança marcada por um sentido agradável e protegido de um conjunto de vizinhos em que o convívio é claramente apoiado, mas sempre de forma “não imposta”, havendo alternativas de acesso que o garantam.

Identidade e habitação

           Sobre a ligação habitação-edifício e igualmente numa perspectiva do que poderia ser uma tal relação, julga-se que são importantes os aspectos de marcação da identidade da habitação, de segurança maximizada na aproximação à porta da habitação e de vigilância, a partir do interior, quando se acede à habitação, de privacidade dos espaços domésticos relativamente a vistas das vizinhanças envolventes e com uso público (e naturalmente a partir de vãos domésticos alheios), e mesmo de uma equilibrada antecipação dos ambientes exteriores e interiores domésticos, em aspectos que não podem fazer arriscar a dignidade do ambiente comum do edifício e da sua presença na respetiva vizinhança urbana.


Fig. 03

Vantagens do viver ao nível térreo

            Esta matéria do “viver ao nível térreo” e, consequentemente, do habitar de uma forma que, potencialmente, pode estar intimamente ligada ao “exterior”, ao “ar-livre”, “à rua” e, portanto à natureza, à cidade e mesmo à paisagem de proximidade, é matéria que merece aprofundamento e desenvolvimento posteriores e cuidadosos, que serão, apenas minimamente explorados em próximo artigo desta série, mas desde já se sublinham algumas relações a privilegiar no desenvolvimento deste “filão” de reflexão projetual (sobre o “viver ao nível térreo”):
(i)           com a diversificação e adequação tipológica habitacional;
(ii)          com os importantes aspetos de harmonização a necessidades específicas de acessibilidade;
(iii)         com as “novas” preocupações de densificação urbana;
(iv)         com a sustentabilidade ambiental e social urbanas;
(v)          com um urbanismo renovado e mais humano;
(vi)         e com uma oferta habitacional mais caraterizada e potencialmente apropriável  pelos seus habitantes (fisicamente e em termos de identidade).

Editor: António Baptista Coelho
INFOHABITAR Ano X, nº475
Artigo XLIX da Série habitar e viver melhor
Viver ao nível térreo - I
Grupo Habitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional
e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do LNEC
Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

quinta-feira, outubro 18, 2012

412 - Os percursos de uma cidade habitada e a defesa da Arquitectura Urbana - Infohabitar 412

Infohabitar Ano VIII, N.º 412

ARTIGO XXII DA SÉRIE HABITAR E VIVER MELHOR
  Os percursos de uma cidade habitada e a defesa da Arquitectura Urbana
António Baptista Coelho

Em primeiro lugar importa registar que se considera que o jogo das relações entre rua e casa e entre exterior e interior é, mais do muitos outros aspectos que podem (e devem) ser tomados em conta no que se refere à matéria urbanística, o verdadeiro ligante de uma intervenção urbana e de habitar consistente em termos de presente e futuro e em termos de interesses humanos e sociais.
E desde logo se pode apontar que o principal objectivo é criar e melhorar tais relações qualificando-as como verdadeiros “percursos íntimos, coesos e ricos entre (cidade) «rua» e «casa»”, e é esta uma matéria específica, apenas apontada neste artigo, e que terá de ficar para outras oportunidades em termos de aprofundamento da relação com sinal “superior” e associada à relação das vizinhanças com “a cidade mais central”, um conceito que é ele próprio muito estimulante e gerador de discussão, pois a cidade tem de ser policêntrica e tem de viver, também, nas vizinhanças de proximidade e nos seus pólos conviviais mais intensos e/ou alargados.




Em segundo lugar um brevíssimo comentário sobre a condição de, quando, se reflectir, aqui, em outros artigos desta série, sobre “as medidas do homem e as medidas da cidade”, matéria que se considera essencial na abordagem e na devida caracterização dos tais percursos vivos que devem relacionar interiores e exteriores de vizinhança, se usar o termo “medidas”, não apenas numa perspectiva dimensional e de bases para-dimensionais, mas também numa perspectiva fundamental de definição de escalas de intervenção adequadas e caracterizadoras e, ainda, mesmo de apontamento de recomendação de cuidados e acções preferenciais tando em vista o bem-estar humano e uma adequada e rica vivência/utilização citadina; matérias estas consideradas de grande importância, designadamente, no século das cidades, das mega-cidades e de um mundo mega-urbanizado.
Em terceiro lugar sublinhar que quando se comentarem neste nesta série de artigos outras matérias de desenvolvimento desta temática dos “percursos íntimos, coesos e ricos entre (cidade) «rua» e «casa»”, que poderá ser mais sintetizada, por exemplo, referindo-nos, por exemplo, simplesmente, aos “percursos de uma cidade habitada”, estaremos a abordar diversas matérias do projecto urbano e residencial de pormenor, designadamente, tendo em conta as características mais interessantes a favorecer:
  • nos “pontos e zonas de ligação entre exteriores de uso público e interiores dominantemente domésticos;
  • nas ruas e nos quarteirões associados a vizinhanças de proximidade;
  • nos sítios de passagem, transição e vivência que são “motivos” essenciais de uma cidade viva e estimulante;
  • nos sítios singulares e com carácter assinalável sem os quais nunca houve nem haverá cultura urbana;
  • no leque de espaços de percurso e de identidade que constituem a vital rede capilar da vida citadina, ela própria fundação do carácter maior da respectiva cidade;
  • e, finalmente, nas próprias, múltiplas e variadas relações, privilegiadas e mesmo caracterizadoras, que em todo este quadro físico se tem de estabelecer com os mais diversos tipos e soluções de edifícios; matéria última esta que consideramos essencial na reflexão sobre uma fundamental diversidade de oferta de soluções de habitar domésticas e urbanas.
Serão, assim, estas as matérias a tratar e comentar, sempre que possível, sublinhando-se que a ideia central nesta reflexão é sublinhar a importância de se passar, hoje em dia, decididamente, de uma fase disciplinar, que foi longa, em que a Arquitectura de edifícios e o Urbanismo eram considerados e abordados como disciplinas sensível ou até claramente distintas, o que frequentemente resultava mesmo em serem “opostas” em termos de objectivos e resultados fundamentais, para passarmos a um tempo em que Arquitectura e o Urbanismo se fundam totalmente e onde, nesta fusão, se entenda o papel central dos referidos relacionamentos, relações, transições, limiares, fusões tipológicas de edificado e espaço exterior, percursos estruturantes, pólos estratégicos, etc. ; e em poucas palavras no primado da do relacionameno mútuo e afirmado de espaços e ambientes, numa arquitectura urbana estratégica e atraentemente integrada.




Falta talvez referir que o o homem, e as suas necessidades e exigências, consideradas de uma forma ampla e verdadeira, e portanto não “fundamentalisticamente” racionalizadas, tem de ser o centro e objectivo-base de toda esta reflexão, havendo ainda que dar o devido relevo aos homens mais sensíveis, que são os idosos e as crianças.
Falta talvez também registar que as actuais tendências de uma cidade mega, densa e mediana ou fortemente informal, como quadro do presente e do futuro próximo, é uma situação que torna mais complexas e críticas as questões acima apontadas; e repete-se: mais complexas, mas também mais críticas e tendencialmente muito urgentes.
Também falta referir que tudo isto se liga à necessidade de passarmos a tratar de Arquitectura Urbana “a sério”, numa natural mas forte relação exterior/interior, projecto do edifício/projecto do espaço exterior, uso público/uso privado ou comum, intervenção/paisagem/ambiente, matéria que, parecendo à primeira vista relativamente pacífica, não o é, pois, designadamente, boa parte das escolas de Arquitectura são escolas de Arquitectura da edificação e até da edificação tendencialmente isolada.
E finalmente, e decorrendo bastante directamente desta última matéria da Arquitectura Urbana (AU), esta mesma AU tem de começar a ser tomada como verdadeira matriz tipológica do edificado e, também provavelmente, e em última instância, quase o contrário também deverá ser considerado, numa perspectiva de um edificado que, de tão denso e “contínuo”, possa também ele ser em boa parte matriz da referida e reinterpretada Arquitectura Urbana.
Apenas para proporcionar algumas leituras em paralelo, que se julga serem sempre úteis, cita-se, em seguida, uma pequena parte de um, desenvolvido em Fevereiro de 2005 por Adrian M. Joyce, no âmbito de um grupo de trabalho do Architect’s Council of Europe, Conseil des Architectes d’Europe, da European Construction Technology Platform (ECTP); e comenta-se, sequencialmente esta citação: (1)
“As cidades são constituídas por edifícios, ruas, praças, jardins, e pelos espaços entre eles, e são suportadas por infra estruturas de serviços e de transportes. As relações mútuas, ou a arquitectura, destes vários elementos dá carácter à cidade. A qualidade da sua arquitectura tem um impacto fundamental no bem-estar daqueles que vivem e trabalham nas cidades. É necessário perceber melhor essas relações e as diversas formas em que os seus impactos são sentidos em situações urbanas. O desafio será então integrar as conclusões resultantes em políticas de desenvolvimento, decisões de ordenamento e no próprio desenho das cidades e dos seus componentes”.




E este desafio é “inteiro” no conceito que põe em relevo, trata-se da importância que é fulcral atribuir, hoje, nas nossas cidades, à arquitectura urbana ou, caso se queira, ao urbanismo de pormenor; é daqui que irá resultar o carácter identitário, a força de atractividade, o interesse da paisagem urbana; e é essencial sublinhar que isto só se faz com um verdadeiro saber fazer da relação entre edificado e espaço livre numa perspectiva que privilegie a continuidade urbana e uma dupla intenção de funcionalidade e “visualidade” do desenho (uma qualidade de desenho coerente com o local e com o habitante).

O texto de  Adrian M. Joyce, acima citado, chama também a atenção para a questão da variabilidade das situações e das soluções e é também desta matéria que decorre o interesse dos recantos de vizinhança, das sequências urbanas, dos bairros e conjuntos e, finalmente, das próprias cidades assim compostas. E no final o texto acima foca-se a questão do como verter a síntese de tudo isto em instrumentos aplicáveis à regulação do urbano, regulação esta que é essencial, mas que não pode nunca cercear a tal variabilidade e a tal qualidade, mas que deveria, também, garanti-las, a bem da cidade e dos cidadãos.
E quase se termina este artigo com as palavras de um urbanista que também falou destas matérias, imagine-se já há em 1991, e fazendo uma excelente história-síntese das intervenções nos espaços públicos; trata-se de Michel Sablet que refere, num livro que se recomenda e que manteve toda a actualidade: (2)
  • "As operações de renovação baseadas no zoning e no arejamento do tecido quebraram a continuidade da rede de espaços públicos e muitas vezes equiparam, mas não arranjaram/resolveram” (Sablet, p. 28).
  • “A 1ª geração de espaços colectivos: ou a mediocridade sempre viva, o vazio grandiloquente, o espaço urbano lixo/resíduo, a arquitectura de cidade que se reduz e reduz o espaço público a volumes cortados pela arquitectura (contra-senso semântico e resultado morno) e às super-formas” (Sablet, p.31).
  • “A 2ª geração de espaços colectivos: ou o miserabilismo, o culto intelectual do vazio monumental, a tradição clássica requentada, a grandiloquência e o pastiche monumentais exaltando o desprezo pela rua” (Sablet, p. 32).
  • “A 3ª geração de espaços colectivos: ou a boa consciência, os redutores de escala recriam espaços com volumes interessantes, mas os grandes planos continuam a ser espaços de circulação, um princípo de esforços para modelar sub-espaços entre os imóveis, mas ficamos pela organização da Carta de Atenas, e o reduzido e medíocre mobiliário tem um papel muito elementar” (Sablet, p. 33).
  • “A 4ª geração de espaços colectivos: ou as atribulações da adolescência, a rua pedonal deixa de ser um modelo uniforme, os abrigos abrigam algo, a vegetação já não está «encaixada», a iluminação pública tem o seu papel, já não se trata de vias pedonais alinhadas, a água já não é elemento «estrangeiro»” (Sablet, p. 34).
  • “A 5ª geração de espaços colectivos ou a metamorfose urbana: Espaço verde? Praça? Fonte? O que importa. Concepção global e interpenetração das funções criam urbanidade” (Sablet, p. 36).
Será esta urbanidade, concebida a partir de uma concepção global e da interpenetração das funções o objectivo da defendida e re-interpretada Arquitectura Urbana, feita das tais múltiplas e estimulantes relações, que deverão estar sempre claramente ao serviço do homem habitante e privilegiando, designadamente, os grupos mais sensíveis, como as crianças e os idosos, até porque quando se faz uma cidade que é, assim, estruturalmente, mais amigável, se faz, também, uma cidade mais cívica, culta e rica em termos de conteúdos.
Mas deixem fazer uma última reflexão sobre esta matéria, que traduz a necessidade vital de tudo isto passar a ser bem “legível” por todos e não apenas matéria de espacialistas, pois só assim poderemos dar o necessário salto qualitativo; quando todos exigirmos uma cidade habitada assim feita.
Pois não podemos esquecer que, tal como diz o poeta José António Gonçalves (3):

“O arquitecto é um ser que caminha sobre a espuma das paisagens
e vive encantado pelas sombras que sobrevivem à flor da relva exactamente
no lugar onde as outras pessoas nunca passam
...”

Notas
(1) António Baptista Coelho, “As cidades são os locais mais desejáveis para viver e trabalhar II, objectivos/desafios e alguns comentários”, artigo editado em 17 de Maio 2005 na revista Infohabitar.
(2) Michel de Sablet, “Des espaces urbains agréables à vivre – places, rues, squares et jardins”, 1991.
(3) Sobre o grande poeta madeirense José António Gonçalves, não conseguimos, infelizmente, identificar a obra específica, entre os seus muitos livros de poesia, onde está editado o texto onde se integra a citação com que se termina este artigo, no entanto deixam-se três links para a obra deste grande escritor:
http://manuelcarvalho.8m.com/biografiagoncalves.html
http://manuelcarvalho.8m.com/jag1.html
http://poesiaseprosas.no.sapo.pt/jose_antonio_goncalves/poetas_joseantoniogoncalves01.htm
Notas editoriais:
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(iii) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.

Infohabitar a Revista do Grupo Habitar

Infohabitar, Ano VIII, n.º 412

Os percursos de uma cidade habitada e a defesa da Arquitectura Urbana

Editor: António Baptista Coelho

Edição de José Baptista Coelho

Lisboa, Encarnação - Olivais Norte