Mostrar mensagens com a etiqueta casos de referência. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta casos de referência. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, agosto 14, 2018

653 - Casos habitacionais e urbanos de referência - Infohabitar 653

INFOHABITAR N.º 653
CASOS HABITACIONAIS E URBANOS (estudo, análise e divulgação) 

Conjunto de 27 artigos

 

Nota prévia:

Avisam-se os estimados leitores de que nas próximas duas semanas a Infohabitar estará ausente, para umas pequenas férias e que retomaremos as edições semanais habituais na próxima segunda-feira dia 3 de setembro; deixa-se, no entanto, com o presente artigo o que se julga ser um muito amplo e excelente “pacote” de links para um conjunto tão diversificado como interessante de casos de referência urbanos e habitacionais, que merecem renovada e continuada atenção.

 

Caros leitores da revista semanal Infohabitar com a presente edição, damos continuidade a uma nova tipologia editorial, em que se procura voltar a focar e divulgar artigos e séries editoriais já desenvolvidas há algum tempo, mas versando temáticas intemporais.

Julgamos que quando uma revista técnica e científica como a nossa atinge um significativo “tempo de vida” – neste caso 14 anos – e expressão editorial – a caminho dos 700 artigos – corre-se o risco de textos que deixaram de estar numa primeira linha editorial, mas que continuam com o mesmo interesse e oportunidade, poderem ficar um pouco esquecidos “nas prateleiras arquivadoras”, neste caso “na nuvem arquivista” e, a partir desta consideração, surgiu a ideia de voltar a colocar “bem à mão”, à distância de um rápido “clic”, conjuntos temáticos de artigos, por vezes muito bem articulados, entre si, outras vezes marcados por uma salutar diversidade, como é o caso actual.

E é assim que, na presente edição da Infohabitar, se sugere a leitura de uma série de 27 artigos, editados entre 2007 e 2011, realizados por 9 autores e que têm em comum a abordagem do grande tema referido a CASOS HABITACIONAIS E URBANOS (estudo, análise e divulgação).

E lembra-se que esta matéria dos CASOS HABITACIONAIS E URBANOS (estudo, análise e divulgação) constitui um dos 35 temas editoriais da Infohabitar.

Chamamos a atenção, muito especificamente, nesta série editorial para a grande diversidade de casos abordados e, naturalmente, para um perfil de abordagem onde se procura, sistematicamente, associar aspectos práticos a aspectos de enquadramento qualitativo e exigencial.

Lembra-se, mais uma vez, que melhores espaços habitacionais – e há quem defenda que todo o espaço construído pelo homem é espaço de habitar – são determinantes de uma melhor qualidade de vida diária a curto, médio e longo prazos.

Uma série de temas são apresentados nos 27 artigos cujos links se disponibilizam, em seguida, e apenas para despertar o interesse dos leitores salientam-se, desde já, alguns deles: o excelente e sempre inovador Bairro de Alvalade, em Lisboa, abordado por vários autores e sob variadas perspectivas; diversos casos de referência do Prémio IHRU, com destaque para conjuntos tipologicamente humanizados e diversificados; a nova Bouça de Siza Vieira, realizada com iniciativa cooperativa; duas pequenas casas, uma de Ralph Erskine e outra Eduardo Anahory, na Arrábida; um excelente caso habitacional e urbano ainda ligado ao velho SAAL, o Bairro Luta pela Casa – em Carnaxide, Oeiras; nas palavras do grande amigo Arquitecto Duarte Nuno Simões, o relembrar do saudoso arquitecto Filipe Oliveira Dias com um seu projecto de habitação de interesse social premiado, realizado em coautoria com o arquitecto Rui Almeida, no Monte de São João, Porto; lembranças formativas/informativas sobre as metodologias das Habitações Económicas da Federação das Caixas de Previdência e dos Prémios INH e IHRU; a evolução da produção de Habitações de Interesse Social em São Paulo; um artigo sobre a excelente inovação tipológica residencial proporcionada pela Residência Madre Maria Clara (conjunto de diversos tipos de unidades residenciais e de equipamentos de apoio a idosos) – na Outurela, em Oeiras (promoção municipal); e vários artigos sobre a importância da promoção de habitação de interesse social pelas Cooperativas de Habitação Económica, associadas na FENACHE.

Fiquem, então, com algumas das muitas páginas da nossa pequena história editorial,
tratando-se, neste caso, do que se julga ser uma muito estimulante selecção de casos de referência urbanos e residenciais.

Boas leituras,

António Baptista Coelho
Editor da Infohabitar, Presidente da GHabitar, investigador principal com habilitação em Arquitectura e Urbanismo (LNEC), doutor em Arquitetura (FAUP), Arquiteto (ESBAL).

Notas práticas:
. a listagem dos artigos mantém a respetiva ordem cronológica editorial (dos mais recentes para os menos recentes);
. os artigos são disponibilizados no seu formato editorial original;
. para aceder ao artigo basta fazer ctrl + click sobre o seu endereço eletrónico (disponibilizado a seguir ao respetivo título); ou sobre o próprio título (quando este está ligado diretamente ao respetivo ebdereço eletrónico – ao passar o rato/mouse sobre o título essa ligação fica evidente).  


(Tema geral)
CASOS HABITACIONAIS E URBANOS (estudo, análise e divulgação) 

Falar de Arquitectura falando de qualidade - Sobre a Casa de Ralph Erskine – artigo de Luís Morgado (n.º 314, 3 Out. 10, 10 págs., 14 figs.) .

Casos de Referência dos primeiros 5 anos do Prémio IHRU – II: o Outeiro da Forca, em Portalegre - António Baptista Coelho (n.º 358, 16 Ago. 11, 9 págs., 9 figs.).

Casos de Referência dos primeiros 5 anos do Prémio IHRU – I: a nova Bouça, no Porto - António Baptista Coelho (n.º 357, 3 Ago. 11, 8 págs., 11 figs.).

Habitação de interesse social no bairro de Alvalade - artigo de António Carvalho (n.º 313, 26 Set. 10, 7 págs., 6 figs.) .

Um caso de estudo – Bairro Luta pela Casa – Carnaxide - artigo de João Rainha Castro (n.º 311, 12 Set. 10, 6 págs., 6 figs.) .

Cruzamento da Av. EUA/Av. Roma: adaptabilidade e atractividade - artigo de António Carvalho (n.º 310, 3 Set. 10, 5 págs., 4 figs.) .

Percepção rápida da QUALIDADE: Conjunto habitacional premiado no Calhariz de Benfica - artigo de Luís Morgado (n.º 308, 18 Ago. 10, 4 págs., 2 figs.)

Atractividade e agradabilidade – Residência Madre Maria Clara – Outurela - artigo de João Rainha Castro (n.º 307, 10 Ago. 10, 6 págs., 7 figs.) .

A NHC, Nova Habitação Cooperativa e os Prémios INH-IHRU Alguns casos urbanos e habitacionais de referência – artigo de António Baptista Coelho (n.º 227, 22 Dezembro 2008 12 págs., 12 figs.) .

Alvalade, de Faria da Costa. uma cidade na cidade - o mistério de Alvalade, III – artigo de António Baptista Coelho (n.º 179, 17 Janeiro 2008 18 págs., 11 figs.).

Alvalade, de Faria da Costa. uma cidade na cidade - o mistério de Alvalade, II – artigo de António Baptista Coelho (n.º 178, 10 Janeiro 2008 15 págs., 8 figs.).

Alvalade, de Faria da Costa. uma cidade na cidade - o mistério de Alvalade, I – artigo de António Baptista Coelho (n.º 176, 28 Dezembro 2007 13 págs., 5 figs.).

Evolução da produção de Habitações de Interesse Social em São Paulo - artigo de João Cantero (n.º 172, 29 Novembro 2007, 13 págs., 15 figs.).

Reposição da Casa-abrigo Eduardo Anahory: Arrábida, 1960 – um artigo de Pedro Taborda (n.º 168, 9 Nov. 07, 25 p. 17 fig.)

Um prémio residencial formativo – texto de António Baptista Coelho (n.º 156, 6 Set. 07) .

Humanização e densificação urbana – texto de António Baptista Coelho (n.º 155, 30 Ago. 07).

Notas sobre a integração urbana e paisagística – artigo de António Baptista Coelho (n.º 154, 23 Ago. 07).

Cooperativas de habitação e adequação de espaços de vizinhança e domésticos – artigo de António Baptista Coelho (n.º 153, 17 Ago. 07).

Cooperativas de habitação, reabilitação e sustentabilidade – artigo de António Baptista Coelho (n.º 152, 9 Ago. 07).

Sobre Alvalade, um comentário - Pedro Taborda (n.º 135, 20 Abr. 07, 2 p., 1 fig.).

Análise arquitectónica residencial do Bairro de Alvalade e designadamente das suas “células sociais – António Baptista Coelho (n.º 133, 06 Abr. 07, 15 p., 16 fig.).

O conjunto de habitações sociais do Monte de São João – Duarte Nuno Simões, com ilutração de António Baptista Coelho (n.º 129, 08 Mar. 07).



Finalmente salienta-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, acolhido no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.


Infohabitar, Ano XIV, n.º 653
CASOS HABITACIONAIS E URBANOS (estudo, análise e divulgação)
 Conjunto de 27 artigos

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

terça-feira, agosto 16, 2011

358 - Outeiro da Forca, Portalegre - Casos de Referência dos primeiros 5 anos do Prémio IHRU – II - Infohabitar 358

Infohabitar, Ano VII, n.º 358

Nota editorial:

Com o presente artigo tem continuidade uma nova série editorial no Infohabitar, que à semelhança de outras séries da nossa revista, terá uma edição alternada por outros artigos tematicamente autónomos ou também integrados em séries editoriais específicas.

Iremos editar “Casos de Referência dos primeiros 5 anos do Prémio IHRU” – Prémio Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana –, numa iniciativa que irá divulgar imagens e comentários técnicos de descrição e análise sumária de alguns dos candidatos às primeiras cinco edições daquele Prémio e que se fundamenta no interesse que sempre teve, tem e terá a divulgação de boas práticas de habitat (num sentido lato e verdadeiro de habitat), neste caso associadas a quatro grandes linhas de actividade específicas e que são, em seguida, apontadas:


(i) Promoção de novos conjuntos de habitação de interesse social - numa faceta de actividade em que o Estado e os seus parceiros têm de continuar activos, embora numa perspectiva mais delimitada e provavelmente cada vez mais atenta à adequação das soluções específicas aplicadas e sua qualidade arquitectónica.


(ii) Reabilitação de velhos edifícios e de conjuntos edificados, também com o objectivo específico de disponibilização de habitação de interesse social – um objectivo cujo interesse aqui se sublinha de forma bem evidenciada – ou de outras categorias habitacionais; estas acções de reabilitação habitacional estão e devem estar estrategicamente integradas em centros históricos e em outras malhas urbanas carentes de vitalização e melhoria física, numa faceta de actuação que, hoje em dia, assume importância estratégica e multifacetada, seja para os respectivos habitantes, seja para a cidade que se quer urgentemente mais e melhor habitada.


(iii) Reabilitação de velhos edifícios não-habitacionais para melhoria das suas condições de uso e de conforto no uso, considerando a manutenção das suas funcionalidades básicas ou a respectiva reconversão, total ou parcial, a novos usos; uma faceta de actuação também vital numa perspectiva de melhoria consolidada e durável da globalidade do tecido urbano.


(iv) (e finalmente) Reabilitação de espaços exteriores públicos ou de uso público, numa faceta de actuação com uma importância igualmente estratégica e ainda não devidamente considerada na sua urgência, no seu interesse e nas suas exigências específicas de projecto, obra e manutenção/gestão; afinal, será de uma adequada redinamização do uso dos nossos espaços públicos urbanos, em termos de frequência e intensidade de uso, que decorrerá boa parte da vitalização urbana dessas áreas e não bastam arranjos “de aspecto” para assegurar o êxito destas operações.


Em termos informativos refere-se que o Júri do Prémio IHRU integra representantes das seguintes instituições: Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, Ordem dos Arquitectos e Ordem dos Engenheiros. Em 2007 e porque este Prémio constituiu uma edição única do Prémio INH/IHRU (o Instituto Nacional de Habitação deu lugar ao IHRU no decurso do Prémio), o Júri integrou, ainda, representantes ANMP, da AECOP, da ANEOP e da FENACHE.


Numa primeira reunião do Prémio IHRU é feita uma pré-selecção dos empreendimentos a visitar e é elaborado um programa de visitas. Na última reunião, efectuada após as deslocações aos empreendimentos seleccionados, e após a revisão comentada das respectivas visitas (imagens projectadas) e de uma natural e sistemática discussão técnica o Júri atribui os respectivos Prémios e Menções.


Mais se esclarece que os candidatos aos Prémio IHRU, um prémio exclusivamente honorífico, concorrem nas variantes Construção ou Reabilitação: sendo que na primeira variante (Construção), há várias vertentes/categorias de concurso - Promoção Municipal e Regional, Promoção Cooperativa e Promoção Privada – enquanto na variante Reabilitação há, actualmente (à data da escrita deste artigo), há também várias vertentes de concurso - Reabilitação Isolada de Imóveis, Reabilitação ou Qualificação de Espaço Público e Reabilitação Integrada de Conjuntos Urbanos.


Sublinha-se, no entanto e desde já, que a apresentação dos casos de referência de candidatos ao Prémio IHRU, que irá sendo assegurada pelo Infohabitar, não dará importância significativa a estas vertentes “oficiais” do Prémio, preferindo salientar as quatro grandes linhas de actividade específicas acima apontadas, bem como aspectos específicos e interessantes de cada intervenção e optando por divulgar de forma não sistemática, não exaustiva, temporalmente não ordenada, e “em pé de igualdade” entre casos que obtiveram Prémios, outros que mereceram Menções Honrosas e ainda outros que não tiveram destaque especial no Prémio, mas que o autor destas linhas considera serem também casos com muito interesse e que, portanto, terá utilidade a sua divulgação; pois, afinal, a própria divulgação de casos de referência muito diversificados tem uma utilidade própria e, como bem sabemos, a cidade não se faz apenas de exemplos excepcionais, mas também de casos de referência com aspectos específicos e meritórios cuja divulgação é importante.


E de certa forma o Prémio IHRU tem a sua existência específica, que se vai cumprindo anualmente, e aqui no Infohabitar estamos num outro contexto de divulgação bem distinto e naturalmente mais flexível, até porque os comentários que acompanham as imagens dos conjuntos, edifícios e espaços que irão sendo divulgados, são apenas e naturalmente da responsabilidade do autor do artigo – com a excepção referida às citações das respectivas actas do Júri e/ou dos textos de apresentação dos respectivos catálogos do Prémio (devidamente assinaladas), que são anualmente ditados pelo IHRU.


Salienta-se, finalmente, que será fortemente privilegiada uma componente de ilustração e de imagens dos casos de referência editados, reduzindo-se os textos de comentário e reflexão ao máximo e caracterizando-os por uma perspectiva informal “de visitante” interessado da respectiva intervenção; e que se convidam os respectivos autores, promotores e habitantes a complementarem e a comentarem as respectivas obras e/ou os próprios comentários do Infohabitar, através de simples envios via e-mail à edição do Infohabitar, que, depois e logo que seja possível integrará os respectivos textos e, eventuais, imagens, nos respectivos artigos, ou, e em alternativa (casos de contribuições com dimensão e interesse significativos), poderá decidir pela sua edição autonomizada, se o respectivo autor autorizar esta possibilidade.


Considerando-se que não decorreu, ainda, a cerimónia de entrega dos Prémios IHRU 2011, não serão editados no Infohabitar até essa data candidaturas respeitantes a este anos de 2011.


O editor do Infohabitar
António Baptista Coelho



Casos de referência do Prémio IHRU – II: o Outeiro da Forca, em Portalegre

António Baptista Coelho



Fig. 01



Será, em seguida, comentado e globalmente apresentado, nos seus aspectos urbanos e arquitectónicos, o conjunto/quarteirão com 52 fogos no Outeiro da Forca, Portalegre, promovido pelo Município de Portalegre, com o projecto do Atelier de Arquitectura Carlos Gonçalves, Lda.



“Este conjunto de habitação colectiva, explorando as potencialidades do terreno, organiza-se a partir de um extenso pátio conformado por bandas de habitação e comércio que, através da adaptação à topografia e de um diálogo visual com a envolvente, se desenvolve em interessantes sequências espaciais. É de realçar a forma como é permitida a acessibilidade e a mobilidade em plataformas com diferentes níveis que, funcionando simultaneamente como espaços autónomos, definem e caracterizam o espaço central como unidade.

A partir de espaços conviviais de grande interesse, promovem-se relações de vizinhança de proximidade e, paralelamente, criam-se condições para que esta vivência comunitária se possa articular com os espaços envolventes, no sentido de continuidade urbana.”

Foi uma citação integral do texto de apresentação do catálogo do Prémio INH/IHRU 19.ª Edição; salienta-se que este texto de apresentação integra a acta do júri do respectivo Prémio, tendo sido, portanto, elaborado, conjuntamente, pelo respectivo Júri.




Fig. 02


Quando visitamos o Outeiro da Forca e o procuramos sentir com alguma calma, talvez que uma das primeiras ideias que retemos é que continua a valer a pena procurar estruturar e compor pequenas/humanas vizinhanças residenciais, globalmente marcadas por uma imagem com grande dignidade, uma dignidade que constitui uma vantagem importante para a respectiva integração urbana, tantos em termos físicos como sociais.





Fig. 03


Um aspecto que importa destacar é a pedonalização do miolo do quarteirão, criando-se um espaço de segurança e de agradabilidade, que é naturalmente seguro, porque envolvido por vãos domésticos, mas que se encontra estrategicamente acessível a partir das vias próximas, que envolvem o quarteirão alongado.





Fig. 04


Outro aspecto importante é a própria imagem geral do quarteirão, uma imagem digna e atraente na sua relação com a cidade e uma imagem marcada por uma escala geral humanizada, predominantemente marcada por edifícios de rés-do-chão mais dois ou, no máximo três pisos; e edifícios multifamiliares que continuam a relacionar-se com algumas memórias de um fazer de arquitectura tradicional, designadamente, nos seus extensos panos brancos, nos seus socos bem marcados e nos seus vão evidenciados e bem recortados.


Mas um outro aspecto importa ainda ser salientado ao nível desta nova vizinhança urbana, que é tratar-se de um quarteirão numericamente equilibrado em termos do número de habitações que integra: 52 fogos, um número muito próximo do que é aconselhado por diversos autores, quando se pretende proporcionar um conjunto de condições adequadas para o desenvolvimento do convívio vicinal – primeiro entre crianças e, depois, talvez entre adultos.




Fig. 05


E, finalmente, e ainda ao nível de uma urbanidade de proximidade, quando este conjunto foi visitado, verificou-se estarmos em presença de um quarteirão equipado/recheado com diversas actividades municipais e de outros tipos o que se considera ser um caminho muito meritório no sentido da vitalização local. Se estas actividades se mantiveram, como se deseja, será matéria para outra visita.




Fig. 06


Passando, agora, ao edifício salienta-se a opção por uma solução em que os dois fogos existentes em cada piso são estrategicamente separados por uma reentrância de “espaço vazio”, o que tem uma dupla vantagem: assegura total separação entre esses fogos, pois não têm paredes contíguas (são separados por esse espaço vazio e pelas escadas comuns); e proporciona aos espaços comuns horizontais (patins de acesso às habitações) excelentes condições de luz natural, vista sobre o espaço público e natural capacidade e apropriação. De certa forma e sem dúvida de modo bem premeditado houve aqui um ensaio de procurar que estes pequenos edifícios multifamiliares pudessem ter características, em parte, aproximadas às dos edifícios unifamiliares, num assumir de um reforço da individualidade das habitações e da sua relação mais directa com o espaço livre.





Fig. 07


Finalmente ao nível da habitação estamos em presença de uma solução muito positivamente racionalizada na sua atribuição de espaços domésticos específicos e, assim, naturalmente, uma solução com significativo potencial de adaptabilidade a diferentes modos de vida, através d diversas atribuições funcionais dos compartimentos; e isto num quadro de espaciosidade bastante económico.




Fig. 08

Ainda ao nível das opções domésticas sublinha-se o interesse do expressivo desenvolvimento da cozinha, que poderá funcionar um pouco como zona de convívio e que é caracterizada por excelentes e pouco frequentes condições de iluminação natural através de janelas em duas paredes, que atribuem a este espaço um sentido de “clareza/alegria”, fazendo-o parecer maior do que é e possibilitando que o próprio estendal exterior e acessível por uma dessas janelas esteja expressivamente retirado da vista mais pública (encontram-se “embebidos” na tal reentrância “vazia” do edificado que separa os dois fogos existentes em cada nível).




Fig. 09

Finalmente, duas últimas notas: uma para o interesse da pormenorização arquitectónica onde se destacam, naturalmente, os “lugares-janela” que para além de estarem ligados à identidade específica desta intervenção, de certa forma, proporcionam uma intensa e económica repetição de vãos sem os problemas de monotonia associados, habitualmente, a uma tal condição ; e a outra, uma breve referência a ter-se evidenciado nesta análise, essencialmente, a qualidade do projecto de arquitectura urbana aqui aplicado.


Notas finais:

- a intervenção no Outeiro da Forca foi Menção Honrosa do Prémio INH/IHRU 2007



Bibliografia:

PAMPULHA, Rogério; PEREIRA, Teresa; FORJAZ, Isabel - Prémio INH/IHRU 19.ª Edição. Lisboa, Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, 2007 (Dep. Legal 261148/07)

Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.


Infohabitar, Ano VII, n.º 358


16 de Agosto de 2011


Editor: António Baptista Coelho

Edição de José Baptista Coelho

Lisboa, Encarnação - Olivais Norte

quinta-feira, agosto 30, 2007

155 - Humanização e densificação urbana – texto de António Baptista Coelho - Infohabitar 155

  - Infohabitar 155


Sobre a relação entre soluções humanizadas, densificação e escala humana: a propósito de alguns casos destacados no PRÉMIO INH/IHRU 2007



Fig. 01: Vista do conjunto de 47 fogos na Alta de Lisboa, promovido pela SGAL em cooperação com a Câmara Municipal de Lisboa, com projecto do Gabinete Frederico Valsassina Arquitectos e a coordenação do arquitecto Bernardo Lacasta.

Na sequência da edição, aqui no Infohabitar, da acta de apreciação e designação de prémios e menções respeitantes ao PRÉMIO INH/IHRU 2007 – 19ª EDIÇÃO, cujos resultados foram conhecidos em 3 de Julho de 2007, em cerimónia que decorreu no auditório da Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, continua-se, hoje, nesta nossa revista, um percurso mais pormenorizado sobre o mesmo conjunto de soluções urbanas e residenciais.



Fig. 02: Vista geral do conjunto de 271 fogos no Amparo, Funchal, promovido pela Imopro, em cooperação com o IHM – Investimentos Habitacionais da Madeira – com projecto e coordenação da arquitecta Carla Baptista e do arquitecto Freddy Ferreira César.

Sublinham-se, desde já, três aspectos estruturantes nesta pequena sequência de artigos semanais que foram editados no Infohabitar ao longo de Agosto de 2007 e que são rematados com o presente artigo:

. Trata-se de uma perspectiva de análise pessoal e “de trabalho”, desenvolvida pelo autor destas linhas no âmbito da sua participação no Júri do Prémio como representante do Laboratório Nacional de Engenharia Civil; e portanto uma perspectiva que não se tem de articular, plenamente, com a análise do Júri.

. Na sequência do que acabou de ser referido, optou-se por não referir quaisquer aspectos associados ao respectivo destaque no Prémio; e sublinha-se que a designação (ficha técnica), limita-se a repetir, praticamente na íntegra, a já divulgada na referida Acta do Júri e no respectivo Catálogo do Prémio.

. E, finalmente, aproveitou-se esta oportunidade para falar, apenas um pouco, sobre temas que se julga estarem na ordem do dia em termos de procura de boas soluções de habitar a casa e a cidade; e é sob o título dessas temáticas que se agrupam os conjuntos apresentados nesta pequena sequência de artigos.



Fig. 03: Vista do conjunto de 21 fogos em Relva, Ponta Delgada, promovidos pela empresa Engenheiro Luís Gomes, em cooperação com a Secretaria Regional de Habitação dos Açores, com projecto coordenado pelos arquitectos Miguel Rocha e Miguel Saraiva.

Salientam-se, em seguida, os temas tratados nas passadas semanas e no presente artigo (tema sublinhado):

(i) Cooperativas de habitação, reabilitação e sustentabilidade ambiental e social.

(ii) Cooperativas de habitação e adequação de espaços de vizinhança e domésticos bem pormenorizados.

(iii) A importância da integração urbana e paisagística.

(iv) Sobre a relação entre soluções humanizadas, densificação e escala humana.


Fig. 04: Vista do conjunto de 36 fogos em Vila Praia de Âncora, Caminha, promovidos pela empresa Sobreiros e Ribeiro, com projecto e coordenação do arquitecto Delfim Sobreiro.


Sobre a relação entre soluções humanizadas, densificação e escala humana: a propósito de alguns casos de promoção municipal destacados no PRÉMIO INH/IHRU 2007

Nota: as soluções aqui apresentadas mereceram diversos destaques no PRÉMIO INH/IHRU 2007.




Fig. 05: Uma vista do conjunto de 47 fogos na Alta de Lisboa, promovido pela empresa SGAL em colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa

Alta de Lisboa, Lisboa, 47 fogos


Conjunto de 47 fogos na Alta de Lisboa, promovido pela empresa SGAL S.A. em cooperação com a Câmara Municipal de Lisboa, construído pela empresa Teodoro Gomes Alho, S.A., com projecto do Gabinete Frederico Valsassina Arquitectos, Lda e a coordenação do arquitecto Bernardo Lacasta.

Neste conjunto acima de tudo e em primeira linha destacam-se dois aspectos, que, aliás, interagem na criação de um efeito global muito positivo, são estes aspectos:

. uma exemplar integração topográfica, que marca toda a intervenção e que em cada zona responde ao desnível com soluções específicas ao nível do espaço exterior e das soluções edificadas;

. e uma excelente relação de integração funcional e de imagens entre tipologias unifamiliares em bandas densas e blocos multifamiliares recintando espaços exteriores pedonais.



Fig. 06: Uma vista do conjunto de 47 fogos na Alta de Lisboa, promovido pela empresa SGAL em colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa


Fig. 07: Uma vista do conjunto de 47 fogos na Alta de Lisboa, promovido pela empresa SGAL em colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa

Mas para além destes aspectos há ainda que referir alguns outros, entre os quais se destacam:

. a estimulante diversificação tipológica dos edifícios unifamiliares, todos eles bem marcados por uma forte integração topográfica e pelo pleno aproveitamento de pequenos espaços exteriores privativos, estrategicamente recatados das vistas públicas;

. o interessante e vitalizador entremear das bandas unifamiliares por passagens pedonais e por pequenas pracetas de lazer exemplarmente ajardinadas;

. a rara ligação entre tipologias uni e multifamiliares construindo um verdadeiro quarteirão interiormente pedonalizado;

. a excelente integração, no miolo deste quarteirão, de um importante equipamento residencial para pessoas com deficiência;

. a imagem assumidamente urbana e atraente deste quarteirão, que, de certo modo, antecipa e marca o que será a futura imagem urbana da zona;

. e, finalmente, o cuidado que foi aplicado em todos os pequenos espaços de remate e de finalização de ruas e de passagens, dando-se-lhes a importância urbana que lhes é realmente devida, pois são espaços muito perto do nosso olhar.




Fig. 08: Uma vista do conjunto de 271 fogos no Amparo, Funchal, promovidos pela empresa Imopro em cooperação com o IHM – Investimentos Habitacionais da Madeira.

Amparo, Funchal, 271 fogos


Conjunto de 271 fogos no Amparo, Funchal, promovidos pela empresa Imopro, S.A. em cooperação com o IHM – Investimentos Habitacionais da Madeira –, construídos pela empresa Sótrabalho, S.A., e com projecto e coordenação da arquitecta Carla Baptista e do arquitecto Freddy Ferreira César.

É necessário e urgente aprendermos a fazer bem e numa maior escala urbana aquilo que já conseguimos fazer, frequentemente, ao nível do edifício de habitação fisicamente bem integrado e humanizado.

Tal necessidade não nega a fundamental importância do desenvolvimento de pequenas intervenções citadinas com reduzidos números de fogos, mas liga-se à necessidade de se poder intervir, de forma claramente requalificadora, em acções cuja importância lhes atribua funções de referência local e processual.


Fig. 09: Uma vista do conjunto de 271 fogos no Amparo, Funchal, promovidos pela empresa Imopro em cooperação com o IHM – Investimentos Habitacionais da Madeira.

A intervenção no sítio do Amparo, no Funchal, tem estas características, mas, além delas, é ainda o resultado de um processo conceptual correcto e “natural” com o qual se conseguiu harmonizar um número significativo de fogos e uma assinalável massa de construção:

. seja a uma topografia complexa;

. seja a uma envolvente ainda marcada pela pequena escala;

. seja a importantes preexistências;

. seja à sempre presente e exuberante vegetação madeirense, que aqui tem honras de verdadeira aliada do edificado.


Fig. 10: Uma vista do conjunto de 271 fogos no Amparo, Funchal, promovidos pela empresa Imopro em cooperação com o IHM – Investimentos Habitacionais da Madeira.

E para além de tudo isto:

. fez-se arquitectura urbana com desenhos de vãos e de portadas, graficamente expressivos;

. aplicou-se, com fundamentada inovação, uma tipologia de galerias exteriores que se constitui numa verdadeira oferta à cidade e à paisagem;

. reduziram-se, com aparente simplicidade, problemas ambientais de proximidade a vias rodoviárias;

. introduziu-se um verde urbano em múltiplas e ricas formas, tirando-se partido da sua riqueza básica;

. "embebeu-se" o equipamento no habitar;

. criaram-se atraentes e motivadoras sequências pedonais;

. e, acima de tudo, vitalizou-se a habitação com equipamentos conviviais, nos sítios certos de esquinas, passagens e transparências.



Fig. 11: O conjunto de 21 fogos em Relva, Ponta Delgada, promovidos pela empresa Engenheiro Luís Gomes em cooperação com a Secretaria Regional de Habitação dos Açores.

Relva, Ponta Delgada, 21 fogos


O conjunto de 21 fogos em Relva, Ponta Delgada, promovidos pela empresa Engenheiro Luís Gomes, S.A. em cooperação com a Secretaria Regional de Habitação dos Açores, construídos pela empresa Sanibetão, S.A., e com projecto coordenado pelo arquitecto Miguel Rocha e pelo arquitecto Miguel Saraiva.

O pequeno conjunto habitacional na Relva, Ponta Delgada, tem uma qualidade sóbria mas emotiva, que resulta de um interessante equilíbrio entre:

. o excelente controlo da escala edificada bem marcada pela dimensão e usos humanos;

. a bem doseada diversificação de uma imagem urbana assumidamente contínua;

. e uma evidenciada conjugação de distintas tipologias, quase que numa positiva recriação de um pequeno pedaço de cidade.



Fig. 12: O conjunto de 21 fogos em Relva, Ponta Delgada, promovidos pela empresa Engenheiro Luís Gomes em cooperação com a Secretaria Regional de Habitação dos Açores.



Fig. 13: O conjunto de 21 fogos em Relva, Ponta Delgada, promovidos pela empresa Engenheiro Luís Gomes em cooperação com a Secretaria Regional de Habitação dos Açores.

Para além disto, que não é pouco, pois imagina-se facilmente o que muitos fariam face ao objectivo de realizar um pequeno número de edifícios unifamiliares em bandas, evidencia-se nesta solução:

. uma excelente integração topográfica, que é “casada” com a rentabilização da luz natural no interior doméstico;

. e uma interessante relação entre espaços privativos fechados e abertos, uma relação que proporciona uma positiva integração do estacionamento automóvel e o desenvolvimento de vários tipos de usos exteriores no interior dos lotes.

Finalmente evidencia-se uma solução que alia o unifamiliar a uma forte continuidade urbana e a uma rara marcação da escala humana, aliás uma escala que marca todo o miolo interior doméstico.




Fig. 14: O conjunto de 36 fogos em Vila Praia de Âncora, Caminha, promovidos pela empresa Sobreiros e Ribeiro.

Vila Praia de Âncora, Caminha, 36 fogos


O conjunto de 36 fogos em Vila Praia de Âncora, Caminha, promovidos pela empresa Sobreiros e Ribeiro, Lda. e construídos pela empresa Aurélio Martins Sobreiro & Filhos, S.A., com projecto e coordenação do arquitecto Delfim Sobreiro.

Simplicidade e racionalidade construtiva e arquitectónica, continuidade urbana e definição de uma vizinhança de proximidade (ainda que não inteiramente aproveitada por ausência da intervenção municipal), desenvolvimento de uma solução tipológica edificada pouco frequente e muito estimulante e criação de espaços domésticos envolventes e acolhedores, são estes alguns dos principais aspectos deste conjunto habitacional em Vila Praia de Âncora.


Fig. 15: O conjunto de 36 fogos em Vila Praia de Âncora, Caminha, promovidos pela empresa Sobreiros e Ribeiro.

Há, no entanto, quatro aspectos que são merecedores de um destaque especial:

. um deles é a forte aliança que está bem evidenciada entre qualidade e racionalidade construtiva e qualidade arquitectónica, o que é um importante caminho a seguir;

. o outro é a atraente e estruturante imagem urbana, que se constitui num elemento positivo de referência no local de implantação e que é bem pontuada pela escala humana;

. outro aspecto é a solução de pequena galeria interior de distribuição, bem larga e bem iluminada zenitalmente, que configura um verdadeiro e estimulante espaço de transição entre a rua e a habitação e que conforme subimos vai sendo estimulantemente diferente, devido à variação nas condições de luz natural;

. e finalmente, no interior doméstico há aspectos de pormenorização bem conseguidos, seja em termos de durabilidade, seja em termos de imagem doméstica, como é o caso da parede em tijolo aparente.



Alguns breves comentários finais sobre o Prémio INH


Sete aspectos projectuais merecem uma referência especial no remate da apresentação destes que se destacaram no PRÉMIO INH/IHRU 2007 e aqui abordados genericamente, embora numa perspectiva razoavelmente marcada pelo tema da relação entre soluções humanizadas, densificação e escala humana:

(i) O primeiro aspecto põe em relevo a ligação que existe entre estas matérias da escala humana e da densificação e o assunto da integração urbana e paisagística, referido no último artigo; bastará uma pequena observação das soluções, aqui apresentadas, das moradias na Alta de Lisboa e do conjunto na Relva para se ter a noção da relação estreita entre integração paisagística e escala humana; e bastará voltar a observar o grande quarteirão no Amparo e mesmo o pequeno quarteirão em Vila Praia de Âncora para se ter bem presente o enorme potencial de relação entre integração urbana e paisagística e densificação.

(ii) O segundo aspecto vai recuperar as matérias associadas ao desenvolvimento de vizinhanças de proximidade, também especificamente abordadas num outro artigo desta série, e aponta as relações estreitas que se podem desenvolver entre esta criação de vizinhanças e o favorecimento da densificação, e aqui também se evidenciam os conjuntos na Alta de Lisboa – designadamente na sua parte de quarteirão misto (constituído por edifícios uni e multifamiliares) –, e naturalmente o grande quarteirão no Amparo, num caso e noutro marcados por expressivas intenções de incentivo a relações de vizinhança marcadas pela espontaneidade.

(iii) O terceiro aspecto refere-se, especificamente, ao grande interesse que há no desenvolvimento de relações directas entre escala humana e elementos arquitectónicos, relações estas ainda mais interessantes quando se trata de intervenções residenciais. É, naturalmente, um velho e bom tema de arquitectura, mas é sempre com um gosto muito especial que se visitam soluções tão directamente relacionadas com as dimensões humanas como é o caso das dinâmicas frentes de moradias na Alta de Lisboa e como fica tão expressivamente evidenciado, embora com uma grande gentileza – o que é também factor de humanização – nas frentes das moradias na Relva.

E ainda sobre esta matéria da humanização há que salientar a excelente preocupação que na Alta de Lisboa houve com um verde público protagonista e também cheio de escala, não foi por se tratar de moradias que se esqueceu esse verde, e há que sublinhar o enorme cuidado na pormenorização de diferentes soluções de moradia, no pequeno conjunto da Relva, e todas tão bem “casadas” com o terreno e tão intérpretes da dimensão e dos próprios gestos do homem.

(iv) O quarto aspecto é difícil de explicar em poucas palavras porque se refere a uma aposta, plenamente ganha, de fazer um elevado número de fogos, concentrando esse grande número de fogos num espaço urbano muito contido e com grande escala física, e associando a este perigoso desafio a ideia de marcar, fortemente, esta intervenção com a escala humana, naturalmente, não só porque se tratava de arquitectura para os homens habitarem, mas porque assim se iria provavelmente obter uma apreciável suavização da percepção que se teria dessa concentração e dessa grande escala física. Naturalmente que se fala aqui do excelente conjunto do Amparo e julga-se, que tal como foi dito que se trata de uma aposta plenamente ganha, e aliás houve todos os cuidados preparatórios para um tal resultado, cuidados estes que também jogaram com a integração e com o verdadeiro desenho urbano, aquele que tem já apontamentos de arte urbana.

(v) O quinto aspecto, que é também difícil de sintetizar, sublinha a atenção que há que dirigir para a verdadeira conjugação e interacção entre habitação e outras actividades citadinas, e isto tem tudo a ver com as matérias da densificação e da escala humana. A cidade densificada de que se gosta e que se vive com prazer é a cidade das actividades que não são só o habitar, especificamente, a cidade na qual se vai a uma loja e a um café, naturalmente, quando se sai ou antes de entrar em casa, onde vivem famílias e pessoas sós, novos e velhos. Se retiramos a uma cidade densificada boa parte dos conteúdos funcionais que fazem parte do habitar a cidade, mas que não são, especificamente, habitação, ficamos com os famosos dormitórios citadinos e então, então, vamos sentir muito negativamente o peso da densidade.



Fig. 16: Uma vista do conjunto do quarteirão uni e multifamiliar, integrando equipamento residencial, na Alta de Lisboa, promovido pela empresa SGAL em cooperação com a Câmara Municipal de Lisboa

E sobre estas matérias, que importa estudar, os exemplos aqui disponíveis do quarteirão na Alta de Lisboa, que integra, de forma perfeita, um equipamento residencial para deficientes, e do grande quarteirão no Amparo, Funchal, que para além de outros diversos equipamentos, está tão agradavelmente vitalizado por inúmeros pequenos “cafés” com esplanadas, que estão, aliás já cheios de vida, são verdadeiros casos de referência, que reafirmam que habitar não pode, não deve ser apenas “da porta para dentro”, pois se o for não se está a habitar a cidade e quando não se habita a cidade, criam-se problemas de desintegração social e não se contribui para a verdadeira riqueza social e cultural da vida citadina, e assim se terá um habitar incompleto e que não poderá satisfazer os seus habitantes.



Fig. 17: Uma das inúmeras pequenas esplanadas do conjunto de 271 fogos no Amparo, Funchal, promovidos pela empresa Imopro em cooperação com o IHM – Investimentos Habitacionais da Madeira. O habitar tal como deve ser, estendendo-se, bem vivo, para fora da soleira da porta de casa.

(vi) O sexto aspecto é rápido na sua referência e tem a ver com a relação estreita e muito eficaz que pode e deve ser estabelecida entre aspectos de humanização, densificação e escala humana e as fundamentais preocupações de dignidade e atractividade da imagem urbana e aqui estes conjuntos na Alta de Lisboa, no Amparo, na Relva e em Vila Praia de Âncora são todos bons exemplos desta opção, que, como é sabido, é fundamental em termos de integração social e urbana.

(vii) E, finalmente, o sétimo e último aspecto é tão importante como rápido de apontar aqui, trata-se da necessidade urgente que há de se aprender ou reaprender a fazer habitação urbana densificada e qualificada, designadamente por uma forte humanização, e esta é uma matéria que tem tanto a ver com a hoje crucial reabilitação e regeneração urbana – em acções de reconversão e preenchimento – como com o estudo e o ensaio cuidados de novas e velhas soluções tipológicas de edifícios, fogos e equipamentos urbanos. Mas atenção ao risco de se procurar a densificação como um fim em si mesma, tal seria um erro bem grave, assim como outro erro seria considerar a densificação pouco compatível com aspectos humanizadores, como são a escala humana e a integração de verde urbano, tal não é verdade tal como se prova com as imagens do Amparo.

ABC, Casais de Baixo, Azambuja, 29 de Agosto de 2007
As fotografias são de António Baptista Coelho, excepto as imagens de Vila Praia de Âncora, que são do Arq. José Clemente Ricon.

Edição:
Encarnação-Olivais Norte, por José Baptista Coelho, 30 de Agosto de 2007.