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quinta-feira, setembro 06, 2007

156 - Um prémio residencial formativo – texto de António Baptista Coelho - Infohabitar 156

  - Infohabitar 156


Um prémio residencial formativo

Nota: as imagens referem-se aos trabalhos do Júri do Prémio INH/IHRU 2007, cuja composição se refere no final do artigo.





Fig. 01: uma sessão de análise e discussão participada pelo Júri do Prémio e por representantes dos promotores, projectistas e construtores de um conjunto candidato.

O Prémio do Instituto Nacional de Habitação foi um prémio honorífico que teve este ano de 2007 um seu prolongamento no Prémio INH/IHRU – Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana 2007, cujos premiados e mencionados foram apresentados e estão disponíveis em diversos artigos, editados no Infohabitar ao longo de Agosto de 2007.

Faz-se, em seguida, uma apresentação sintética da metodologia do Prémio INH, que decorreu ao longo de 18 edições, entre 1989 e 2006, metodologia esta que foi igualmente utilizada no último Prémio INH/IHRU 2007, e que, tal como se poderá apreciar, se caracteriza por um importante papel formativo.


Aspectos de enquadramento do Prémio INH


O Prémio do Instituto Nacional de Habitação (Prémio INH), que se prolongou este ano de 2007 pelo Prémio INH/IHRU 2007, e que se irá, em seguida, designar simplesmente como Prémio, proporcionou, ao longo das suas edições, uma aproximação anual sistemática entre promotores, projectistas e construtores de mais de 600 conjuntos habitacionais de todo o País, e os membros dos respectivos júris de avaliação, caracterizados por uma composição multidisciplinar e multi-institucional.

O Prémio destina-se a apurar e a divulgar, em cada ano, os melhores conjuntos de habitação de interesse social realizados em Portugal nas três modalidades genéricas de promoção que são possíveis: municipal, cooperativa e privada.





Fig. 02: mais uma sessão de análise e discussão do Júri do Prémio.


Uma tal aproximação, já concretizada em mais de 600 análises que integram sistematicamente, sessões de debate local, faz parte da metodologia do Prémio, que desde sempre quis ser uma ferramenta prática de melhoria da qualidade habitacional, não se limitando, portanto, a uma importante acção de realce e divulgação das melhores intervenções habitacionais do ano – pela atribuição de Prémios e Menções com divulgação em cerimónias próprias e nos excelentes catálogos anuais do Prémio –, mas também actuando, directamente, em cada intervenção candidata ao Prémio, tanto para evidenciar o que está bem, como para indicar o que se julga estar mal ou precisar de correcção.

Com este objectivo central o Prémio aborda, de forma integrada, os aspectos de qualidade da promoção, da qualidade arquitectónica e da qualidade construtiva dos conjuntos residenciais, tentando, também, considerar a satisfação dos respectivos moradores. Salienta-se ainda que, sendo uma instituição dinâmica, a metodologia do Prémio tem vindo a ser actualizada, destacando-se, em 2004, a junção de novos critérios de análise ligados à integração e valorização paisagística.

Salientam-se, em seguida, primeiro, os critérios de análise do Prémio (retirados do respectivo Regulamento), e depois os principais aspectos da metodologia aplicada e as suas reais potencialidades em termos de ferramenta de melhoria da qualidade do habitar.


Critérios de análise do Prémio INH


O prémio INH não é (só?!) um prémio de arquitectura!





Fig. 03: mais uma sessão de análise e discussão do Júri do Prémio.

Critérios de análise do Prémio (retirados do respectivo Regulamento):

“Como critérios de selecção e valorização estabelecem-se os relevantes na optimização global da relação custo/qualidade da habitação (esta avaliada como um processo integrado que envolve a urbanização, a edificação, o alojamento e considere os aspectos de promoção, concepção, construção e utilização pela população), procurando soluções que melhor conduzam à realização de uma habitação condigna.” Sendo “especialmente ponderados o desenvolvimento do empreendimento em termos de programação, prazos, custos e estrutura de financiamento, incluindo:

. a salvaguarda e valorização da qualidade da paisagem global;

. o modelo e a integração urbanística com a compreensão da aptidão dos espaços e dos valores naturais e culturais existentes;

. a imagem e a organização arquitectónica;

. as técnicas e a racionalidade construtiva, integrando valores de caracterização local e aplicando soluções, tecnologias e materiais amigos do ambiente que reduzam o consumo de energia;

. a compatibilização das instalações e equipamentos;

. a integração, quando for caso disso, de equipamento de exterior de desporto e de lazer atendendo a todas as classes etárias;

. a apropriação pelos utilizadores, quer no interior quer no exterior dos edifícios.”
O texto foi retirado do Regulamento do Prémio INH; a bold marcaram-se as alterações incluídas já na edição de 2004, que demonstram o dinamismo e o crescendo de exigência do Prémio INH. Sublinha-se ainda que estas alterações foram, em primeiro lugar, da iniciativa da Arq.ª paisagista Maria Celeste Ramos, que assegurou a representação da Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas (APAP) no Júri do Prémio desde 1999.

Salienta-se, ainda, que os parâmetros de avaliação adoptados no Prémio são os estabelecidos nas Recomendações Técnicas (RTHS), acima referidas, considerando-se ainda “as propostas de inovação no domínio da concepção e das novas tecnologias, designadamente as que correspondem a uma melhor satisfação das exigências de conforto, segurança, habitabilidade, e durabilidade, de racionalidade construtiva e redução de custos”, ponderando-se “não só o investimento inicial, como também os custos inerentes à conservação, utilização, reposição e a sua correcta repartição numa estrutura global de custos.”

E o Regulamento do Prémio INH salienta ainda que “todos estes factores serão considerados globalmente, de tal modo que será sobre sua harmonização e equilíbrio que incidirá a avaliação final tendo em conta a maior premência de acréscimo de qualidade global do ambiente e das paisagens humanizadas.”


O Prémio INH como fórum de discussão e disseminação da qualidade residencial


Considerando a referida multiplicidade, desejavelmente integrada, de critérios, o Prémio torna-se, assim, motivo de intensa discussão, entre as diversas formações que integram o Júri, discussão centrada num equilíbrio de diversos factores, a saber: a satisfação dos habitantes; uma arquitectura enriquecedora do património urbano, paisagístico e ambiental; a qualidade da construção numa perspectiva ampla e que inclui preocupações de sustentabilidade; e um processo de promoção eficaz.




Fig. 04: mais uma sessão de análise e discussão do Júri do Prémio.

E uma discussão sobre o que é sistematicamente visto nos locais, espaços exteriores, edifícios e habitações, e não apenas em projectos e fotografias.

Como já se salientou o Prémio integrou um aspecto fundamental que se concretizou em mais de 600 acções de dinamização da qualidade residencial, refiro-me às sistemáticas reuniões de análise e discussão sobre as características de cada empreendimento candidato, realizadas em cada local, com a presença do Júri e dos promotores, construtores e projectistas de cada empreendimento.

As candidaturas anuais ao Prémio são facultativas e dependem apenas de o potencial conjunto residencial candidato ter concluído a respectiva obra no ano anterior.

O próprio processo do Prémio proporciona uma excelente oportunidade de ouvir, e ser ouvido por, muitos promotores, construtores e projectistas, com importantes experiências na promoção habitacional, actuando-se, não isoladamente, mas numa equipa que integra um conjunto diversificado de áreas de conhecimento e de práticas profissionais, unificadas pelo grande tema do habitar.


O Prémio INH como elemento de divulgação da qualidade residencial


O Prémio tem sido uma oportunidade única de conhecer a mais recente fase da habitação apoiada pelo Estado em Portugal, por visita directa a cerca de um terço de toda a promoção realizada.





Fig. 05: mais uma sessão de análise e discussão do Júri do Prémio.

É também essencial referir que nada disto teria sido possível sem a continuidade do interesse do Instituto Nacional de Habitação, hoje Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana e porque a vitalidade das Instituições e das iniciativas se deve essencialmente a pessoas, é fundamental referir a importância que, para a história do Prémio, tiveram, ao longo destes anos, muitos elementos do INH, quer no desenvolvimento de todas as campanhas anuais, quer integrando os Júris; e entre eles a justiça obriga à referência evidenciada dos Engenheiros Defensor de Castro e Hermano Vicente e dos Arquitectos Clemente Ricon, Vasco Folha e Rogério Pampulha, tendo sido este último o principal organizador das diversas edições do Prémio.

Finalmente, uma outra faceta do Prémio, que integrou e com destaque a sua metodologia na área de divulgação de boas práticas residenciais, foi a edição anual do respectivo Catálogo do Prémio, uma edição sempre cuidada e realizada com critérios técnicos de divulgação, dirigida pelo Arq. Rogério Pampulha. E não é excessivo sublinhar a importância desta edição anual, realizada num número significativo de exemplares e distribuída gratuitamente, isto num panorama editorial português que até há poucos anos era muito pobre em termos de edições nesta área, assumindo-se o Catálogo do PINH como uma das poucas “revistas” sobre habitação existentes em Portugal.





Fig. 06: mais uma sessão de análise e discussão do Júri do Prémio.



Refere-se em seguida Composição do Júri do PRÉMIO INH/IHRU 2007 – 19ª EDIÇÃO:


Associação Nacional dos Municípios Portugueses: Arq. Armindo Alves Costa.

Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas: Arq.ª Paisagista Maria Celeste Ramos.

Associação das Empresas de Construção e Obras Públicas: Dr. Luís Filipe Ferreira da Silva e Eng.ª Teresa Nogueira Simões.

Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas: Eng.ª Joana Vaz.

Associação Nacional de Empreiteiros de Obras Públicas: Eng.ª Maria João Surrécio.

Federação Nacional das Cooperativas de Habitação Económica: Senhor Manuel Tereso.

Ordem dos Arquitectos: Eng. Jorge Menezes Torres.

Ordem dos Engenheiros: Arq.ª Paula Petiz.

Laboratório Nacional de Engenharia Civil: Arq. António Baptista Coelho

Instituto Nacional de Habitação: Eng. José Teixeira Monteiro (Presidente do Júri); Dr. Jorge Morgado Ferreira e Eng. Paulo Reis; Arq. José Clemente Ricon; Arq. Rogério de Oliveira Pampulha

Relembra-se que o PRÉMIO INH/IHRU 2007 – 19ª EDIÇÃO decorreu ainda no decurso do funcionamento do Instituto Nacional de Habitação, instituto este que no início do mês de Junho de 2007 ampliou as suas áreas de actuação e passou a designar-se Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU).

Casais de Baixo, Azambuja, 5 de Setembro de 2007
Editado por José Baptista Coelho: Encarnação – Olivais Norte, 6 de Setembro de 2007

quinta-feira, agosto 30, 2007

155 - Humanização e densificação urbana – texto de António Baptista Coelho - Infohabitar 155

  - Infohabitar 155


Sobre a relação entre soluções humanizadas, densificação e escala humana: a propósito de alguns casos destacados no PRÉMIO INH/IHRU 2007



Fig. 01: Vista do conjunto de 47 fogos na Alta de Lisboa, promovido pela SGAL em cooperação com a Câmara Municipal de Lisboa, com projecto do Gabinete Frederico Valsassina Arquitectos e a coordenação do arquitecto Bernardo Lacasta.

Na sequência da edição, aqui no Infohabitar, da acta de apreciação e designação de prémios e menções respeitantes ao PRÉMIO INH/IHRU 2007 – 19ª EDIÇÃO, cujos resultados foram conhecidos em 3 de Julho de 2007, em cerimónia que decorreu no auditório da Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, continua-se, hoje, nesta nossa revista, um percurso mais pormenorizado sobre o mesmo conjunto de soluções urbanas e residenciais.



Fig. 02: Vista geral do conjunto de 271 fogos no Amparo, Funchal, promovido pela Imopro, em cooperação com o IHM – Investimentos Habitacionais da Madeira – com projecto e coordenação da arquitecta Carla Baptista e do arquitecto Freddy Ferreira César.

Sublinham-se, desde já, três aspectos estruturantes nesta pequena sequência de artigos semanais que foram editados no Infohabitar ao longo de Agosto de 2007 e que são rematados com o presente artigo:

. Trata-se de uma perspectiva de análise pessoal e “de trabalho”, desenvolvida pelo autor destas linhas no âmbito da sua participação no Júri do Prémio como representante do Laboratório Nacional de Engenharia Civil; e portanto uma perspectiva que não se tem de articular, plenamente, com a análise do Júri.

. Na sequência do que acabou de ser referido, optou-se por não referir quaisquer aspectos associados ao respectivo destaque no Prémio; e sublinha-se que a designação (ficha técnica), limita-se a repetir, praticamente na íntegra, a já divulgada na referida Acta do Júri e no respectivo Catálogo do Prémio.

. E, finalmente, aproveitou-se esta oportunidade para falar, apenas um pouco, sobre temas que se julga estarem na ordem do dia em termos de procura de boas soluções de habitar a casa e a cidade; e é sob o título dessas temáticas que se agrupam os conjuntos apresentados nesta pequena sequência de artigos.



Fig. 03: Vista do conjunto de 21 fogos em Relva, Ponta Delgada, promovidos pela empresa Engenheiro Luís Gomes, em cooperação com a Secretaria Regional de Habitação dos Açores, com projecto coordenado pelos arquitectos Miguel Rocha e Miguel Saraiva.

Salientam-se, em seguida, os temas tratados nas passadas semanas e no presente artigo (tema sublinhado):

(i) Cooperativas de habitação, reabilitação e sustentabilidade ambiental e social.

(ii) Cooperativas de habitação e adequação de espaços de vizinhança e domésticos bem pormenorizados.

(iii) A importância da integração urbana e paisagística.

(iv) Sobre a relação entre soluções humanizadas, densificação e escala humana.


Fig. 04: Vista do conjunto de 36 fogos em Vila Praia de Âncora, Caminha, promovidos pela empresa Sobreiros e Ribeiro, com projecto e coordenação do arquitecto Delfim Sobreiro.


Sobre a relação entre soluções humanizadas, densificação e escala humana: a propósito de alguns casos de promoção municipal destacados no PRÉMIO INH/IHRU 2007

Nota: as soluções aqui apresentadas mereceram diversos destaques no PRÉMIO INH/IHRU 2007.




Fig. 05: Uma vista do conjunto de 47 fogos na Alta de Lisboa, promovido pela empresa SGAL em colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa

Alta de Lisboa, Lisboa, 47 fogos


Conjunto de 47 fogos na Alta de Lisboa, promovido pela empresa SGAL S.A. em cooperação com a Câmara Municipal de Lisboa, construído pela empresa Teodoro Gomes Alho, S.A., com projecto do Gabinete Frederico Valsassina Arquitectos, Lda e a coordenação do arquitecto Bernardo Lacasta.

Neste conjunto acima de tudo e em primeira linha destacam-se dois aspectos, que, aliás, interagem na criação de um efeito global muito positivo, são estes aspectos:

. uma exemplar integração topográfica, que marca toda a intervenção e que em cada zona responde ao desnível com soluções específicas ao nível do espaço exterior e das soluções edificadas;

. e uma excelente relação de integração funcional e de imagens entre tipologias unifamiliares em bandas densas e blocos multifamiliares recintando espaços exteriores pedonais.



Fig. 06: Uma vista do conjunto de 47 fogos na Alta de Lisboa, promovido pela empresa SGAL em colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa


Fig. 07: Uma vista do conjunto de 47 fogos na Alta de Lisboa, promovido pela empresa SGAL em colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa

Mas para além destes aspectos há ainda que referir alguns outros, entre os quais se destacam:

. a estimulante diversificação tipológica dos edifícios unifamiliares, todos eles bem marcados por uma forte integração topográfica e pelo pleno aproveitamento de pequenos espaços exteriores privativos, estrategicamente recatados das vistas públicas;

. o interessante e vitalizador entremear das bandas unifamiliares por passagens pedonais e por pequenas pracetas de lazer exemplarmente ajardinadas;

. a rara ligação entre tipologias uni e multifamiliares construindo um verdadeiro quarteirão interiormente pedonalizado;

. a excelente integração, no miolo deste quarteirão, de um importante equipamento residencial para pessoas com deficiência;

. a imagem assumidamente urbana e atraente deste quarteirão, que, de certo modo, antecipa e marca o que será a futura imagem urbana da zona;

. e, finalmente, o cuidado que foi aplicado em todos os pequenos espaços de remate e de finalização de ruas e de passagens, dando-se-lhes a importância urbana que lhes é realmente devida, pois são espaços muito perto do nosso olhar.




Fig. 08: Uma vista do conjunto de 271 fogos no Amparo, Funchal, promovidos pela empresa Imopro em cooperação com o IHM – Investimentos Habitacionais da Madeira.

Amparo, Funchal, 271 fogos


Conjunto de 271 fogos no Amparo, Funchal, promovidos pela empresa Imopro, S.A. em cooperação com o IHM – Investimentos Habitacionais da Madeira –, construídos pela empresa Sótrabalho, S.A., e com projecto e coordenação da arquitecta Carla Baptista e do arquitecto Freddy Ferreira César.

É necessário e urgente aprendermos a fazer bem e numa maior escala urbana aquilo que já conseguimos fazer, frequentemente, ao nível do edifício de habitação fisicamente bem integrado e humanizado.

Tal necessidade não nega a fundamental importância do desenvolvimento de pequenas intervenções citadinas com reduzidos números de fogos, mas liga-se à necessidade de se poder intervir, de forma claramente requalificadora, em acções cuja importância lhes atribua funções de referência local e processual.


Fig. 09: Uma vista do conjunto de 271 fogos no Amparo, Funchal, promovidos pela empresa Imopro em cooperação com o IHM – Investimentos Habitacionais da Madeira.

A intervenção no sítio do Amparo, no Funchal, tem estas características, mas, além delas, é ainda o resultado de um processo conceptual correcto e “natural” com o qual se conseguiu harmonizar um número significativo de fogos e uma assinalável massa de construção:

. seja a uma topografia complexa;

. seja a uma envolvente ainda marcada pela pequena escala;

. seja a importantes preexistências;

. seja à sempre presente e exuberante vegetação madeirense, que aqui tem honras de verdadeira aliada do edificado.


Fig. 10: Uma vista do conjunto de 271 fogos no Amparo, Funchal, promovidos pela empresa Imopro em cooperação com o IHM – Investimentos Habitacionais da Madeira.

E para além de tudo isto:

. fez-se arquitectura urbana com desenhos de vãos e de portadas, graficamente expressivos;

. aplicou-se, com fundamentada inovação, uma tipologia de galerias exteriores que se constitui numa verdadeira oferta à cidade e à paisagem;

. reduziram-se, com aparente simplicidade, problemas ambientais de proximidade a vias rodoviárias;

. introduziu-se um verde urbano em múltiplas e ricas formas, tirando-se partido da sua riqueza básica;

. "embebeu-se" o equipamento no habitar;

. criaram-se atraentes e motivadoras sequências pedonais;

. e, acima de tudo, vitalizou-se a habitação com equipamentos conviviais, nos sítios certos de esquinas, passagens e transparências.



Fig. 11: O conjunto de 21 fogos em Relva, Ponta Delgada, promovidos pela empresa Engenheiro Luís Gomes em cooperação com a Secretaria Regional de Habitação dos Açores.

Relva, Ponta Delgada, 21 fogos


O conjunto de 21 fogos em Relva, Ponta Delgada, promovidos pela empresa Engenheiro Luís Gomes, S.A. em cooperação com a Secretaria Regional de Habitação dos Açores, construídos pela empresa Sanibetão, S.A., e com projecto coordenado pelo arquitecto Miguel Rocha e pelo arquitecto Miguel Saraiva.

O pequeno conjunto habitacional na Relva, Ponta Delgada, tem uma qualidade sóbria mas emotiva, que resulta de um interessante equilíbrio entre:

. o excelente controlo da escala edificada bem marcada pela dimensão e usos humanos;

. a bem doseada diversificação de uma imagem urbana assumidamente contínua;

. e uma evidenciada conjugação de distintas tipologias, quase que numa positiva recriação de um pequeno pedaço de cidade.



Fig. 12: O conjunto de 21 fogos em Relva, Ponta Delgada, promovidos pela empresa Engenheiro Luís Gomes em cooperação com a Secretaria Regional de Habitação dos Açores.



Fig. 13: O conjunto de 21 fogos em Relva, Ponta Delgada, promovidos pela empresa Engenheiro Luís Gomes em cooperação com a Secretaria Regional de Habitação dos Açores.

Para além disto, que não é pouco, pois imagina-se facilmente o que muitos fariam face ao objectivo de realizar um pequeno número de edifícios unifamiliares em bandas, evidencia-se nesta solução:

. uma excelente integração topográfica, que é “casada” com a rentabilização da luz natural no interior doméstico;

. e uma interessante relação entre espaços privativos fechados e abertos, uma relação que proporciona uma positiva integração do estacionamento automóvel e o desenvolvimento de vários tipos de usos exteriores no interior dos lotes.

Finalmente evidencia-se uma solução que alia o unifamiliar a uma forte continuidade urbana e a uma rara marcação da escala humana, aliás uma escala que marca todo o miolo interior doméstico.




Fig. 14: O conjunto de 36 fogos em Vila Praia de Âncora, Caminha, promovidos pela empresa Sobreiros e Ribeiro.

Vila Praia de Âncora, Caminha, 36 fogos


O conjunto de 36 fogos em Vila Praia de Âncora, Caminha, promovidos pela empresa Sobreiros e Ribeiro, Lda. e construídos pela empresa Aurélio Martins Sobreiro & Filhos, S.A., com projecto e coordenação do arquitecto Delfim Sobreiro.

Simplicidade e racionalidade construtiva e arquitectónica, continuidade urbana e definição de uma vizinhança de proximidade (ainda que não inteiramente aproveitada por ausência da intervenção municipal), desenvolvimento de uma solução tipológica edificada pouco frequente e muito estimulante e criação de espaços domésticos envolventes e acolhedores, são estes alguns dos principais aspectos deste conjunto habitacional em Vila Praia de Âncora.


Fig. 15: O conjunto de 36 fogos em Vila Praia de Âncora, Caminha, promovidos pela empresa Sobreiros e Ribeiro.

Há, no entanto, quatro aspectos que são merecedores de um destaque especial:

. um deles é a forte aliança que está bem evidenciada entre qualidade e racionalidade construtiva e qualidade arquitectónica, o que é um importante caminho a seguir;

. o outro é a atraente e estruturante imagem urbana, que se constitui num elemento positivo de referência no local de implantação e que é bem pontuada pela escala humana;

. outro aspecto é a solução de pequena galeria interior de distribuição, bem larga e bem iluminada zenitalmente, que configura um verdadeiro e estimulante espaço de transição entre a rua e a habitação e que conforme subimos vai sendo estimulantemente diferente, devido à variação nas condições de luz natural;

. e finalmente, no interior doméstico há aspectos de pormenorização bem conseguidos, seja em termos de durabilidade, seja em termos de imagem doméstica, como é o caso da parede em tijolo aparente.



Alguns breves comentários finais sobre o Prémio INH


Sete aspectos projectuais merecem uma referência especial no remate da apresentação destes que se destacaram no PRÉMIO INH/IHRU 2007 e aqui abordados genericamente, embora numa perspectiva razoavelmente marcada pelo tema da relação entre soluções humanizadas, densificação e escala humana:

(i) O primeiro aspecto põe em relevo a ligação que existe entre estas matérias da escala humana e da densificação e o assunto da integração urbana e paisagística, referido no último artigo; bastará uma pequena observação das soluções, aqui apresentadas, das moradias na Alta de Lisboa e do conjunto na Relva para se ter a noção da relação estreita entre integração paisagística e escala humana; e bastará voltar a observar o grande quarteirão no Amparo e mesmo o pequeno quarteirão em Vila Praia de Âncora para se ter bem presente o enorme potencial de relação entre integração urbana e paisagística e densificação.

(ii) O segundo aspecto vai recuperar as matérias associadas ao desenvolvimento de vizinhanças de proximidade, também especificamente abordadas num outro artigo desta série, e aponta as relações estreitas que se podem desenvolver entre esta criação de vizinhanças e o favorecimento da densificação, e aqui também se evidenciam os conjuntos na Alta de Lisboa – designadamente na sua parte de quarteirão misto (constituído por edifícios uni e multifamiliares) –, e naturalmente o grande quarteirão no Amparo, num caso e noutro marcados por expressivas intenções de incentivo a relações de vizinhança marcadas pela espontaneidade.

(iii) O terceiro aspecto refere-se, especificamente, ao grande interesse que há no desenvolvimento de relações directas entre escala humana e elementos arquitectónicos, relações estas ainda mais interessantes quando se trata de intervenções residenciais. É, naturalmente, um velho e bom tema de arquitectura, mas é sempre com um gosto muito especial que se visitam soluções tão directamente relacionadas com as dimensões humanas como é o caso das dinâmicas frentes de moradias na Alta de Lisboa e como fica tão expressivamente evidenciado, embora com uma grande gentileza – o que é também factor de humanização – nas frentes das moradias na Relva.

E ainda sobre esta matéria da humanização há que salientar a excelente preocupação que na Alta de Lisboa houve com um verde público protagonista e também cheio de escala, não foi por se tratar de moradias que se esqueceu esse verde, e há que sublinhar o enorme cuidado na pormenorização de diferentes soluções de moradia, no pequeno conjunto da Relva, e todas tão bem “casadas” com o terreno e tão intérpretes da dimensão e dos próprios gestos do homem.

(iv) O quarto aspecto é difícil de explicar em poucas palavras porque se refere a uma aposta, plenamente ganha, de fazer um elevado número de fogos, concentrando esse grande número de fogos num espaço urbano muito contido e com grande escala física, e associando a este perigoso desafio a ideia de marcar, fortemente, esta intervenção com a escala humana, naturalmente, não só porque se tratava de arquitectura para os homens habitarem, mas porque assim se iria provavelmente obter uma apreciável suavização da percepção que se teria dessa concentração e dessa grande escala física. Naturalmente que se fala aqui do excelente conjunto do Amparo e julga-se, que tal como foi dito que se trata de uma aposta plenamente ganha, e aliás houve todos os cuidados preparatórios para um tal resultado, cuidados estes que também jogaram com a integração e com o verdadeiro desenho urbano, aquele que tem já apontamentos de arte urbana.

(v) O quinto aspecto, que é também difícil de sintetizar, sublinha a atenção que há que dirigir para a verdadeira conjugação e interacção entre habitação e outras actividades citadinas, e isto tem tudo a ver com as matérias da densificação e da escala humana. A cidade densificada de que se gosta e que se vive com prazer é a cidade das actividades que não são só o habitar, especificamente, a cidade na qual se vai a uma loja e a um café, naturalmente, quando se sai ou antes de entrar em casa, onde vivem famílias e pessoas sós, novos e velhos. Se retiramos a uma cidade densificada boa parte dos conteúdos funcionais que fazem parte do habitar a cidade, mas que não são, especificamente, habitação, ficamos com os famosos dormitórios citadinos e então, então, vamos sentir muito negativamente o peso da densidade.



Fig. 16: Uma vista do conjunto do quarteirão uni e multifamiliar, integrando equipamento residencial, na Alta de Lisboa, promovido pela empresa SGAL em cooperação com a Câmara Municipal de Lisboa

E sobre estas matérias, que importa estudar, os exemplos aqui disponíveis do quarteirão na Alta de Lisboa, que integra, de forma perfeita, um equipamento residencial para deficientes, e do grande quarteirão no Amparo, Funchal, que para além de outros diversos equipamentos, está tão agradavelmente vitalizado por inúmeros pequenos “cafés” com esplanadas, que estão, aliás já cheios de vida, são verdadeiros casos de referência, que reafirmam que habitar não pode, não deve ser apenas “da porta para dentro”, pois se o for não se está a habitar a cidade e quando não se habita a cidade, criam-se problemas de desintegração social e não se contribui para a verdadeira riqueza social e cultural da vida citadina, e assim se terá um habitar incompleto e que não poderá satisfazer os seus habitantes.



Fig. 17: Uma das inúmeras pequenas esplanadas do conjunto de 271 fogos no Amparo, Funchal, promovidos pela empresa Imopro em cooperação com o IHM – Investimentos Habitacionais da Madeira. O habitar tal como deve ser, estendendo-se, bem vivo, para fora da soleira da porta de casa.

(vi) O sexto aspecto é rápido na sua referência e tem a ver com a relação estreita e muito eficaz que pode e deve ser estabelecida entre aspectos de humanização, densificação e escala humana e as fundamentais preocupações de dignidade e atractividade da imagem urbana e aqui estes conjuntos na Alta de Lisboa, no Amparo, na Relva e em Vila Praia de Âncora são todos bons exemplos desta opção, que, como é sabido, é fundamental em termos de integração social e urbana.

(vii) E, finalmente, o sétimo e último aspecto é tão importante como rápido de apontar aqui, trata-se da necessidade urgente que há de se aprender ou reaprender a fazer habitação urbana densificada e qualificada, designadamente por uma forte humanização, e esta é uma matéria que tem tanto a ver com a hoje crucial reabilitação e regeneração urbana – em acções de reconversão e preenchimento – como com o estudo e o ensaio cuidados de novas e velhas soluções tipológicas de edifícios, fogos e equipamentos urbanos. Mas atenção ao risco de se procurar a densificação como um fim em si mesma, tal seria um erro bem grave, assim como outro erro seria considerar a densificação pouco compatível com aspectos humanizadores, como são a escala humana e a integração de verde urbano, tal não é verdade tal como se prova com as imagens do Amparo.

ABC, Casais de Baixo, Azambuja, 29 de Agosto de 2007
As fotografias são de António Baptista Coelho, excepto as imagens de Vila Praia de Âncora, que são do Arq. José Clemente Ricon.

Edição:
Encarnação-Olivais Norte, por José Baptista Coelho, 30 de Agosto de 2007.

quinta-feira, julho 19, 2007

149 - PRÉMIO INH/IHRU 2007 – 19ª EDIÇÃO - Infohabitar 149


  - Infohabitar 149

ESCLARECIMENTO PRÉVIO (anexado ao artigo em 2007-08-02)


Foi recebido na sede do Grupo Habitar, em 2007-08-02, datado de 2007-07-24, um ofício da Direcção Municipal de Gestão Urbanística – Unidade de Projecto do Alto do Lumiar (ref.ª OF/1073/DMGU/UPAL/07), que refere o seguinte, relativamente ao conjunto de 47 fogos na Alta de Lisboa, promovido pela SGAL, S.A, com o projecto do Gabinete Frederico Valsassina Arquitectos, Lda. e a coordenação do arquitecto Bernardo Lacasta (transcreve-se na íntegra o texto que nos foi enviado):

Assunto: Prémio INH/IHRU 2007 de Promoção Privada. www.infohabitar.blogspot.com

Ex.mos Senhores,

De acordo com a informação disponibilizada no vosso blogue, o prémio em referência terá sido atribuído ao empreendimento de um conjunto de 47 fogos na Alta de Lisboa, promovido pela SGAL, S.A, com o projecto do Gabinete Frederico Valsassina Arquitectos, Lda. e a coordenação do arquitecto Bernardo Lacasta. (...)

Ora, a informação que identifica o empreendimento como privado não é correcta.
A promoção dos referidos 47 fogos foi realizada pela Câmara Municipal de Lisboa, ao abrigo do Programa Especial de Realojamento (PER), com o apoio financeiro do INH, e executado/construído no âmbito de um Contrato-Quadro PER, celebrado com a SGAL, em 1996, para adaptar «o Plano do Alto do Lumiar, na sua componente de realojamento, (...) aos princípios do Programa Especial de Realojamento (...)».
Pelo exposto, solicitamos de V. Exas. a necessária correcção da informação disponibilizada.

Com os melhores cumprimentos,
Nota da edição do Infohabitar

A coordenação do Infohabitar muito agradece a informação prestada pela Direcção Municipal de Gestão Urbanística – Unidade de Projecto do Alto do Lumiar, informação esta a que dá o máximo de divulgação que lhe é possível, e aproveita para reafirmar que o artigo que se segue apenas regista o conteúdo da Acta de apreciação do Júri do Prémio INH/IHRU 2007, sem quaisquer outros elementos complementares, por parte da edição do Infohabitar; condição esta que, consequentemente, não torna possível qualquer mudança do referido texto, que foi um texto colectivo, do referido Júri, e que foi devidamente tornado público na cerimónia de atribuição do Prémio INH/IHRU 2007, que teve lugar no Auditório da Biblioteca Almeida Garrett no passado dia 3 de Julho de 2007, e onde esteve presente, entre muitos outros técnicos, um representante da SGAL para receber o respectivo Prémio.

Mais se refere que o Infohabitar apenas teve como objectivo contribuir para a melhor divulgação de uma iniciativa muito meritória como é o Prémio INH/IHRU e que, naturalmente, nada teve a ver com a organização deste mesmo Prémio, pelo que se considera que quaisquer alterações na designação dos premiados, editadas aqui no Infohabitar, terão de ser apontadas pela própria organização do Prémio INH/IHRU 2007; condição esta que, sucedendo, será imediatamente divulgada no Infohabitar.

O coordenador do Infohabitar

António Baptista Coelho

PRÉMIO INH/IHRU 2007 – 19ª EDIÇÃO

Edita-se, em seguida, a acta de apreciação e designação de prémios e menções respeitantes ao PRÉMIO INH/IHRU 2007 – 19ª EDIÇÃO, cujos resultados foram conhecidos em 3 de Julho de 2007, numa cerimónia muito concorrida, que decorreu no auditório da Biblioteca Almeida Garrett, tendo contado com diversas comunicações, e com a intervenção do Secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, Professor João Ferrão, que presidiu à sessão..

A ideia é divulgar mais amplamente um texto que foi tornado público no decorrer da referida cerimónia, sem quaisquer outros comentários suplementares; apenas com a junção de uma imagem respeitante a cada um dos conjuntos premiados e mencionados.

Salienta-se que a autoria do texto que se segue é do colectivo do Júri do PRÉMIO INH/IHRU 2007 – 19ª EDIÇÃO, que se refere em seguida:

Associação Nacional dos Municípios Portugueses:
Arq. Armindo Alves Costa.

Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas:
Arq.ª Paisagista Maria Celeste Ramos.

Associação das Empresas de Construção e Obras Públicas:
Dr. Luís Filipe Ferreira da Silva e Eng.ª Teresa Nogueira Simões.

Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas:
Eng.ª Joana Vaz.

Associação Nacional de Empreiteiros de Obras Públicas:
Eng.ª Maria João Surrécio.

Federação Nacional das Cooperativas de Habitação Económica:
Senhor Manuel Tereso.

Ordem dos Arquitectos:
Arq.ª Paula Petiz.

Ordem dos Engenheiros:
Eng. Jorge Menezes Torres.

Laboratório Nacional de Engenharia Civil:
Arq. António Baptista Coelho

Instituto Nacional de Habitação:
Eng. José Teixeira Monteiro (Presidente do Júri).
Dr. Jorge Morgado Ferreira e Eng. Paulo Reis.
Arq. José Clemente Ricon.
Arq. Rogério de Oliveira Pampulha


Refere-se que o PRÉMIO INH/IHRU 2007 – 19ª EDIÇÃO decorreu ainda no decurso do funcionamento do Instituto Nacional de Habitação, instituto este que no início do mês de Junho de 2007 ampliou as suas áreas de actuação e passou a designar-se Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU).



APRESENTAÇÃO

Apresentam-se os empreendimentos candidatos ao PRÉMIO INH/IHRU 2007 – 19ª EDIÇÃO, concluídos no ano de 2006 e promovidos por Municípios, Empresas Privadas e Cooperativas de Construção e Habitação.

No corrente ano, registaram-se vinte e nove candidaturas, das quais oito são de Promoção Municipal, doze de Promoção Privada e nove de Promoção Cooperativa.

O Júri incluiu representantes das seguintes instituições:
Associação Nacional dos Municípios Portugueses, Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, Associação das Empresas de Construção e Obras Públicas, Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas, Associação Nacional de Empreiteiros de Obras Públicas, Federação Nacional das Cooperativas de Habitação Económica, Ordem dos Arquitectos, Ordem dos Engenheiros, Laboratório Nacional de Engenharia Civil e Instituto Nacional de Habitação .

Numa primeira reunião, o júri deliberou visitar todos os empreendimentos, tendo elaborado o respectivo programa de visitas. Na última reunião, efectuada após as deslocações às obras, o júri decidiu atribuir:


O Prémio INH/IHRU 2007 de Promoção Privada ao empreendimento :


- 47 fogos na Alta de Lisboa, promovido pela empresa SGAL, S.A., construído pela empresa Teodoro Gomes Alho, S.A., com o projecto do Gabinete Frederico Valsassina Arquitectos, Lda e a coordenação do arquitecto Bernardo Lacasta.

Neste conjunto residencial destaca-se a forte relação entre o edificado e a morfologia do terreno, bem como, a forma como se articula com o conjunto de habitação colectiva adjacente.
O desenho dos espaços exteriores, de grande agradabilidade, identifica-se com o espírito do local e das formas de habitar nesta zona de periferia, contribuindo também para uma valorização do território urbano sob o ponto de vista ambiental.
Tanto nos logradouros como interior das habitações, é explorada uma interessante relação entre o espaço e a luz natural, potenciada pelo uso dos materiais e pelos detalhes construtivos.




Fig. 01: 47 fogos na Alta de Lisboa, promovido pela empresa SGAL.


O Prémio INH/IHRU 2007 de Promoção Cooperativa no âmbito da Habitação a Custos Controlados, ao empreendimento :


- 32 fogos em Talhô, Paços de Ferreira, promovido pela cooperativa Habipaços, C.R.L., construído pela empresa Manuel Roriz de Oliveira, S.A., e com o projecto e coordenação do arquitecto Paulo Bettencourt.

Este empreendimento, com uma imagem sóbria e visualmente serena, apresenta-se como uma intervenção que influencia de forma positiva a zona urbana em se insere.
Os espaços exteriores, bem dimensionados e bem tratados, incluindo parterre-vert, interagem com os espaços de habitação, espacialmente interessantes, de que realça o elevado nível de construção.
De referir, também, a forma como se desenvolvem os acessos aos edifícios, onde as rampas, em complemento com as escadas, se assumem como base dos edifícios, resolvendo problemas de mobilidade.




Fig. 02: 32 fogos em Talhô, Paços de Ferreira, promovido pela cooperativa Habipaços.


Em ex-aequo, foi atribuído o Prémio INH/IHRU 2007 de Promoção Cooperativa no âmbito do Estatuto Fiscal Cooperativo, aos empreendimentos:


- 72 fogos na Bouça, Porto, promovidos pela cooperativa Águas Férreas, C.R.L., construídos pela empresa FDO – Construções, S.A., com o projecto e a coordenação do arquitecto Álvaro Siza Vieira e do arquitecto António Madureira.

Trata-se de um notável conjunto habitacional, referência de um período muito significativo do nosso passado recente, de que se realça o facto de ter sido reabilitado e concluído com a colaboração dos moradores de origem, trinta anos após a sua concepção e execução parcial.
A forma como se articulam o edificado e o espaço aberto, através da forma e exposição das fachadas que delimitam espaços ajardinados que se abrem à envolvente urbana, potencia a diversidade de usos, e permite também uma regulação climática.
É de grande relevância o tratamento exemplar da luz, nesta obra de grande beleza formal e actualidade.




Fig. 03: 72 fogos na Bouça, Porto, promovidos pela cooperativa Águas Férreas.


- 101 fogos em Ponte da Pedra, Matosinhos, promovidos pela NORBICETA, U.C.H., construídos pela empresa J.Gomes, S.A., com projecto coordenado pelo arquitecto António Carlos de Oliveira Coelho.

Este empreendimento destaca-se pela sua preocupação de sustentabilidade com instalação de equipamentos para o aproveitamento de energia solar, para reciclagem e consumo racional de água, além da selecção dos resíduos sólidos, enquadrando-se no programa europeu Sustainable Housing in Europe. Estes aspectos são implementados num projecto equilibrado, dotado de espaços exteriores verdes, abundantes relativamente à massa edificada e ao número de habitantes a acolher.
Estes espaços são também valorizados com intervenções de arte urbana e parterre d’ eau que complementam os elementos de natureza viva implantados no espaço público, orientando-se também pelo conceito de circuito fechado com vista ao tratamento e economia de água.
Numa perspectiva de futuro, é um exemplo pioneiro a seguir por todos os promotores de habitação de interesse social.




Fig. 04: 101 fogos em Ponte da Pedra, Matosinhos, promovidos pela NORBICETA U.C.H.


O Prémio INH/IHRU 2007 de Promoção Municipal, não foi atribuído.


Foram distinguidos com Menção Honrosa, os seguintes empreendimentos:

52 fogos em Outeiro da Forca, Portalegre, promovidos pelo Município de Portalegre e construídos pela empresa José Coutinho, S.A., com o projecto do Atelier de Arquitectura Carlos Gonçalves, Lda.

Este conjunto de habitação colectiva, explorando as potencialidades do terreno, organiza-se a partir de um extenso pátio conformado por bandas de habitação e comércio que, através da adaptação à topografia e de um diálogo visual com a envolvente, se desenvolve em interessantes sequências espaciais. É de realçar a forma como é permitida a acessibilidade e a mobilidade em plataformas com diferentes níveis que, funcionando simultaneamente como espaços autónomos, definem e caracterizam o espaço central como unidade.
A partir de espaços conviviais de grande interesse, promovem-se relações de vizinhança de proximidade e, paralelamente, criam-se condições para que esta vivência comunitária se possa articular com os espaços envolventes, no sentido de continuidade urbana.




Fig. 05: 52 fogos em Outeiro da Forca, Portalegre, promovidos pelo Município de Portalegre.


21 fogos em Relva, Ponta Delgada, promovidos pela empresa Engenheiro Luís Gomes, S.A. e construídos pela empresa Sanibetão, S.A., com projecto coordenado pelo arquitecto Miguel Rocha e pelo arquitecto Miguel Saraiva.

Este conjunto habitacional afirma-se positivamente pelas tipologias de habitação adoptadas, pela forma como se associam os fogos, e pela sábia maneira como o conjunto se implanta no solo. A forma e cor harmonizam-se com a envolvente edificada e com os enquadramentos visuais que se vão estabelecendo com o mar.
As habitações são espacialmente interessantes, intensamente marcadas pela escala humana, e tipologicamente respondem às expectativas de uma população ainda com características de vida rural.




Fig. 06: 21 fogos em Relva, Ponta Delgada, promovidos pela empresa Engenheiro Luís Gomes.
36 fogos em Vila Praia de Âncora, Caminha, promovidos pela empresa Sobreiros e Ribeiro, Lda. e construídos pela empresa Aurélio Martins Sobreiro & Filhos, S.A., com projecto e coordenação do arquitecto Delfim Sobreiro.

Deste conjunto habitacional, com uma imagem exterior sóbria, sobressai a forma como se desenvolvem os acessos às habitações através de galeria interior, bem dimensionada e dotada de luz natural.
O edificado evidencia-se pela robustez da construção e pela pormenorização cuidada.
O conjunto, com espaços abertos bem dimensionados que proporcionam a presença de elementos verdes, aparece como uma intervenção que valoriza o espaço urbano em que se insere.




Fig. 07: 36 fogos em Vila Praia de Âncora, Caminha, promovidos pela empresa Sobreiros e Ribeiro.

271 fogos no Amparo, Funchal, promovidos pela empresa Imopro, S.A. e construídos pela empresa Sótrabalho, S.A., com projecto e coordenação da arquitecta Carla Baptista e do arquitecto Freddy Ferreira César.

Este empreendimento, confirmando a qualidade da metodologia adoptada na concepção do projecto, surpreende pela sua dimensão, pela forma como se relaciona com o território, e como consegue gerar dinâmicas urbanas.
No conjunto de edifícios de habitação colectiva, comércio e equipamentos o declive das coberturas vai-se ajustando ao declive natural do terreno, ao mesmo tempo que os edifícios se soltam do solo, como que levitando. Desta forma consegue-se um sábio efeito de transparências no nível térreo, assim como se imprime qualidade visual e climática aos espaços.
De salientar a grande qualidade das zonas verdes colectivas, com uma imagem “acabada,”e exuberante, e a forma como estas se relacionam com o edificado, permitindo que o conjunto se leia como “unidade”.




Fig. 08: 271 fogos no Amparo, Funchal, promovidos pela empresa Imopro.


12 fogos em Abraveses, Viseu, promovidos pela cooperativa Chevis, C.R.L.. e construídos pela empresa Abrantina, S.A., com o projecto coordenado pelo arquitecto Francisco Simões.

Deste conjunto residencial de grande interesse, realça-se a capacidade que houve no ajuste entre o loteamento e o programa específico dos moradores. Assim, foi possível criar uma unidade habitacional que se organiza com base num pátio central, protegido da agitação do ambiente urbano em que se insere, que estimula fortemente as relações de vizinhança.
Destaca-se, também, a inteligente adaptação do edificado à morfologia do terreno, reforçando-se os princípios da intervenção e enriquecendo os conceitos de habitar que lhe são subjacentes.




Fig. 09: 12 fogos em Abraveses, Viseu, promovidos pela cooperativa Chevis.


18 fogos na Rua Gonçalo Cristovão, Porto, promovidos pela cooperativa de Santo Ildefonso, C.R.L. e construídos pela empresa J.Gomes, S.A., com o projecto coordenado pelo arquitecto Jofre Bispo.

Este edifício de habitação colectiva, com situação previligiada na cidade, destaca-se pela sua sobriedade e pela qualidade da construção.
A coexistência da habitação e da sede da cooperativa, localizada no piso térreo, permite gerar dinâmicas enriquecedoras nas relações com o espaço público.
As habitações têm uma interessante espacialidade, reforçada por uma pormenorização e por uma execução cuidadas, especialmente as carpintarias.




Fig. 10: 18 fogos na Rua Gonçalo Cristovão, Porto, promovidos pela cooperativa de Santo Ildefonso.


O Júri decidiu, ainda, atribuir as seguintes Menções:

- 12 fogos distribuídos por Aguiã, Guilhadeses e Tabaçô promovidos pelo Município de Arcos de Valdevez, construídos pela empresa Sociedade de Construções do Bico, Lda, sendo o projecto e a coordenação do arquitecto Carlos Machado.

Nestas intervenção realça-se a metodologia seguida por este muncípio, que procura fixar as famílias rurais nos seus locais de origem, realojando-as em habitações com tipologias que se adequam e valorizam os seus modos de habitar.




Fig. 11: 12 fogos distribuídos por Aguiã, Guilhadeses e Tabaçô promovidos pelo Município de Arcos de Valdevez.


- 21 fogos em Horta das Figueiras, Évora, promovidos pela cooperativa CHC, C.R.L. construídos pela empresa Algomape, Lda, com o projecto coordenado pelo arquitecto Nuno O Neill.

Este conjunto habitacional, inserido-se num contínuo edificado e permitindo a interacção de várias camadas sociais, ajusta-se ao ecosistema urbano e humano pré-existente.
O empreendimento confirma a possibilidade de se poder resolver as necessidades habitacionais das famílias mais carenciadas, sem descurar a qualidade do espaço.
Esta cooperativa, em parceria com o município, promove assim a construção de habitações com qualidade para o arrendamento apoiado.




Fig. 12: 21 fogos em Horta das Figueiras, Évora, promovidos pela cooperativa CHC.


INSTITUTO NACIONAL DE HABITAÇÃO, 30 DE MAIO DE 2007.


As imagens que ilustram o texto são de António Baptista Coelho, com excepção das figuras 02, 03, 07, 10 e 11, cuja autoria é de José Clemente Ricon.

Preparado para edição por António Baptista Coelho em 15 de Julho de 2007.
Editado por José Baptista Coelho em 19 de Julho de 2007.