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domingo, fevereiro 10, 2013

426 - Sobre o 2.º CIHEL, e artigo: O Prémio IHRU reabilitação para os espaços públicos do Bairro do Lagarteiro no Porto - Infohabitar 426


Infohabitar, Ano IX, nº426





Importante: Considerando a proximidade do 2.º Congresso Internacional Habitação no Espaço Lusófono (2.º CIHEL) e 1.º Congresso CRSEEL evidenciam-se, já de seguida, os principais artigos/links sobre este evento:

Site do 2.º CIHEL; com acesso a ficha de inscrição e quadro de apoios

Temas do 2.º CIHEL e do 1.º Congresso CRSEEL - as 137 comunicações já entregues sobre: habitação, cidade, território e desenvolvimento - António Baptista Coelho e Anabela Manteigas (n.º 421, 31 Dez. 12, 14 págs., 10 figs.).

2.º CIHEL - "Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento", no âmbito da lusofonia: 2.º CIHEL, LNEC, Lisboa, 13 a 15 de março de 2013 - Comissões do 2.º CIHEL (n.º 418, 2 Dez. 12, 9 págs., 12 figs.).

2nd CIHEL - International Congress on Housing in the Lusophone Territory - António Baptista Coelho e Elisabete Arsénio (n.º 403, 23 Jul. 12, 6 págs., 5 figs.).

E lembra-se que é ainda possível realizar a inscrição no Congresso a preço reduzido até 15 de fevereiro de 2013.

Participante não estudante:
- Congresso: 290 euros
- Conjunto Congresso e Workshop: 350 euros

Participante estudante - 1º e 2º ciclos
- Congresso: 120 euros
- Conjunto Congresso e Workshop: 150 euros

A frequência conjunta do workshop e do Congresso tem condições especiais para estudantes; incluindo-se os arquitectos recém-licenciados e a realizarem a formação obrigatória - o conjunto Workshop e Congresso representa um total de 8 créditos de Formação em Temáticas Opcionais de ingresso na O.A.
Consideram-se como estudantes os estudantes do 1.º e 2.º Ciclos de estudos (licenciatura e mestrados), neste caso o custo de incrição compreende a participação nas sessões do encontro, coffee-breaks, documentação de apoio e certificado de participação; não inclui almoços nem programa social; deverá ser anexada à ficha de inscrição comprovativo de matrícula atualizado.


Artigo: O Prémio IHRU reabilitação para os espaços públicos do Bairro do Lagarteiro no Porto
António Baptista Coelho

Breve introdução ao Prémio IHRU e seus antecedentes

No dia 6 de fevereiro de 2013 foram entrregues os Prémios IHRU Construção e Reabilitação 2012, na habitual cerimónia pública promovida pelo Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU).

O Prémio IHRU é herdeiro do Prémio INH (Instituto Nacional de Habitação), embora seja realizado num quadro diferente de premiação e de análise das candidaturas, e correponde a uma "tradição técnica" que se considera como extremamente importante pois corresponde a um acompanhamento das intervenções de construção nova de habitação de interesse social e de reabilitação habitacional e urbana com um historial global já com 24 anos de atividade contínua e que, em seguida, se sintetiza.

O Prémio INH para a construção nova de habitação de interesse social apoiada pelo Estado teve a sua primeira edição em 1989 (Prémio INH), seguindo-se 18 anos de Prémio INH, um (1) ano de Prémio INH/IHRU em 2007 e cinco (5) anos de Prémio IHRU; portanto os referidos 24 anos de premiação e acompanhamento ou observatório da promoção de habitação de interesse social ou a "Custos Controlados".

O Prémio IHRU para a reabilitação teve a sua origem no Prémio RECRIA, que foi gerido primeiro pelo IGAPHE e depois pelo INH e que teve edições entre 1999 e o início do Prémio IHRU em 2008 (último Prémio RECRIA em 2007).

Lembra-se, ainda, que o carácter do Prémio INH sempre foi exclusivamente honorífico, enquanto o Prémio RECRIA atribuía um valor pecuniário correspondente a determinadas percentagens da comparticipação total concedida pelo Instituto; e salienta-se que o "novo" Prémio IHRU, atribuído desde 2008, em várias modalidades de construção nova e de reabilitação, é também um Prémio exclusivamente honorífico.



Fig. 01

O Prémio IHRU reabilitação para os espaços públicos do Bairro do Lagarteiro no Porto: ficha técnica

Tendo referido, com grande brevidade, o quadro em que são entregues os Prémios IHRU, faz-se em seguida um, também breve, comentário ao projecto e obra de reabilitação dos espaços públicos do Bairro do Lagarteiro, no Porto, uma promoção que foi destacada com o Prémio IHRU 2012 na vertente "Reabilitação e Qualificação de Espaço Público".

E referimo-nos à natureza de "comentário" deste pequeno texto, pois será, sem dúvida, importante voltar a uma análise desta intervenção de uma forma mais alongada e pormenorizada em outras oportunidades.

Como ficha técnica desta intervenção, sublinha-se que foi promovida pela Câmara Municipal do Porto (CMP) - Gestão de Obras Públicas da CMP, E. M., e que foi realizada com apoio financeiro do IHRU, com projeto coordenado pelo Arq.º Paulo Tormenta Pinto e pelo Arq.º Paisagista João Ferreira Nunes - Proap, Lda. e construção da empresa Construtora da Huíla - Irmãos Neves, Lda.



Fig. 02
Sobre a intervenção nos espaços públicos do Bairro do Lagarteiro no Porto: alguns comentários

Em primeiro lugar importa referir que o Bairro Lagarteiro é uma unidade urbana e habitacional socialmente sensível e que qualquer intervenção aí realizada é complexa e igualmente sensível, seja nos "partidos" escolhidos em termos de linhas de atuação, seja nos esperados "diálogos" entre novas soluções urbanas e "habitáveis" aplicadas e as suas respetivas formas de apropriação pelos habitantes.

Importa ainda referir que a intervenção nos espaços públicos tem de ser acompanhada ou até antecipada pela melhoria das condições funcionais e de imagem dos respetivos edifícios, uma condição que terá sido já cumprida em boa parte do Bairro e que é crucial para o êxito da intervenção.

Há ainda que registar a importância da intervenção "paralela" na revitalização e melhoria dos equipamentos colectivos locais e na sua maximizada fusão com a estrutura habitacional e urbana do Bairro; uma condição também já em boa parte assegurada, seja no interior do Bairro, seja na sua vizinhança de proximidade.

E finalmente e como remate destas notas de enquadramento importa sublinhar, quer a importância do diálogo social continuado com os habitantes, seja a sua participação direta e/ou indireta na própria gestão local do Bairro, seja a continuidade e efetividade da presença municipal no apoio ao desenvolvimento da intervenção; todas estas condições que se julga estarem presentes na atual vida do Bairro


Fig. 03

O Prémio IHRU reabilitação para os espaços públicos do Bairro do Lagarteiro no Porto: alguns comentários

Passa-se, agora, a alguns comentários de maior pormenor sobre a tipologia da intervenção nos espaços públicos do Lagarteiro; notas estas desenvolvidas na sequência de pequenos textos retirados da respetiva apreciação desenvolvida pelo Júri do Prémio IHRU 2012.

Na ata do Júri do Prémio referiu-se ser este um "Projeto estruturado num conceito claro e ajustado à realidade do bairro, que qualifica o espaço público de uma maneira sustentável e ambientalmente correta, marcada por uma adequada e extensa intervenção paisagísitica e estruturada por uma opção de conceção arquitetónica com expressiva qualidade e sobriedade."

Por vezes o espaço público é "redesenhado" negativamente, com base na aplicação de soluções gerais até menos adequadas do que as originais, considerando-se que o estado de frequente desajuste e de infuncionalidade a que se chegou decorre de erros de conceção e não, como por vezes acontece, de "simples" problemas de gestão ou mesmo da própria ausência de uma gestão, pelo menos, mínima. Outras vezes o espaço público, ao ser "redesenhado", é abordado de forma "superficial", não havendo talvez a coragem de se avançar numa verdadeira reconversão de acessibilidades, funcionalidades e conteúdos/imagens, reconversão esta que evidentemente exige aprofundada sensibilidade na sua identificação e na respetiva escolha de novas soluções, quando estas são claramente necessárias.

O que se julga ter acontecido, e bem, no Lagarteiro, foi o assumir quer da importância da gestão corrente e de proximidade e dos seus necessários reflexos na própria estruturação da solução de redesenho, quer a coragem de se assumir um verdadeiro redesenho em termos gerais e de pormenor, e neste redesenho ter-se assumido também a importância de um verdadeiro "verde urbano" atuante e sustentável e de adequadas condições de durabilidade e de facilidade de manutenção, e até de "dificultação" de determinadas ações de vandalismo (ex., pinturas em paredes e muros).

Fig. 04

Depois, a ata do Júri salientou "o sensível cuidado dirigido para uma pormenorização que, além de servir a conceção global, é marcada por uma adequada atratividade e durabilidade."

Já se referiram aqui os aspetos associados ao que se julga ser a adequada pormenorização pública no renovado Lagarteiro, importa talvez apontar a forma subtil, mas bem forte, com que dos pormenores duráveis resulta uma imagem global tão impressiva, como sóbria e também atraente; e já agora a forma como pormenores "duros"/construídos se ligam com um verde urbano bem aplicado e durável, e a forma como tudo isto se harmoniza com a imagem agradável e sobriamente renovada do edificado.

E, finalmente, o Júri realçou "as condições de acessibilidade e mobilidade em todo o espaço público e em relação à sua envolvente (do Bairro), integrando-se, deste modo, esta área habitacional no tecido urbano da cidade do Porto."

De certa forma ficou para o final o que deveria ser, mas nem sempre é, bem evidente: que os conjuntos urbanos, todos eles e não apenas os "de interesse social", vivem, em boa parte, do modo como se ligam à continuidade urbana, do modo como são acessíveis a partir "da cidade" e do modo como com ela dialogam em termos de vias e, essencialmente, de ruas. E não tenhamos dúvidas de que os conjuntos urbanos aos quais apenas vai quem lá vive são meios privilegiados para se aprofundarem diferenças socioculturais. E, naturalmente, no renovado Lagarteiro tudo se fez para se abrir o Bairro à sua envolvente e à relação com a cidade, numa opção bem diferente daquela que marcava a solução preexistente - solução esta que, é também preciso dizê-lo, estava bem influenciada por uma dada "escola" de urbanismo, que teve o seu tempo de experimentação.


Fig. 05

Algumas (poucas) palavras de remate

Como se disse na abertura deste pequeno artigo, foram estas, apenas, algumas notas de comentário sobre uma intervenção de requalificação urbanística e habitacional, que se julga estar marcada por uma sóbria e efetiva qualidade em termos de conceção arquitectónica (geral e paisagística), mas uma conceção que, para além disso, parece conseguir construir pontes tão subtis como verdadeiramente expressivas com a respetiva e desejada apropriação e satisfação pelos habitantes.

Naturalmente, tal ideia de harmonização entre qualidade de "desenho" e satisfação residencial e urbana só poderá ser devidamente verificada com mais algum tempo de vivência do renovado Bairro, mas sente-se a existência de uma perspetiva com claro sinal positivo, na forma como a intervenção parece estar a ser vivida e usada.

Um outro aspeto importante e ainda mais sensível parece ser a possível aliança que aqui se avançou entre uma intervenção bem (re)desenhada e um "partido" em que não se nega um estimulante sentido de atratividade, embora dignamente marcado pela sobriedade e urbanidade das soluções.

E tudo isto pode, sem dúvida, ser útil em termos do replicar de soluções de intervenção em outros conjuntos de habitação de interesse social carecidos de requalificação no seu edificado e nos seus espaços públicos.

Em tudo isto um outro aspeto que importa apontar é a tranquila e positiva "revolução" que tem vindo a acontecer nos bairros de interesse social geridos pela Câmara Municipal do Porto (CMP), onde se renovam sóbria e funcionalmente os edifícios e espaços envolventes, dotando-os de adequadas condições de conforto e de agradabilidade das respetivas imagens públicas, e uma "revolução" que se pode considerar ela própria exemplar. E nesta matéria quer as Menções Honrosas do Prémio IHRU a operações de reabilitação de conjuntos da CMP em anos anteriores - Bairro Pio XII em 2008, Bairro do Lordelo do Ouro em 2011 -, quer esta atribuição do Prémio IHRU à intervenção no Bairro do Lagarteiro, são provas claras da qualidade e continuidade/vitalidade desta ação.
Há no entanto que referir aqui a grande importância que tem a integração entre a intervenção de requalificação nos espaços públicos e nos edifícios; uma situação que à data da visita do Júri do Prémio IHRU 2012 ao conjunto não estava ainda assegurada.


Fig. 06

Terminou-se já esta pequena reflexão sobre a excelente intervenção nos espaços públicos do Bairro do Lagarteiro, mas aproveita-se a oportunidade de se tratar este assunto da requalificação de conjuntos de habitação de interesse social para se lançar uma matéria que se julga ser interessante e oportuna.

Trata-se de um aspeto que se refere ao apontar de um possível quadro de intervenções de requalificação urbana em que a implantação original dos edifícios não seja matéria "intocável", propondo-se, sim, a possibilidade de se realizarem algumas (re)densificações e alguns preenchimentos pontuais e estratégicos, que possam reforçar, quer a fundamental continuidade urbanística e de sequências de imagens, quer o próprio equilíbrio económico da intervenção, quer ainda a melhoria do seu equipamento urbano (ex., novos edifícios com lojas térreas). Repete-se e sublinha-se que esta apreciação nada tem a ver especificamente com o que foi feito, e bem, no Lagarteiro, mas sim com o quadro global que tem marcado, em Portugal, a reabilitação de conjuntos de habitação de interesse social e onde a redensificação é considerada como praticamente "impossível", numa perspetiva bem diferente daquela que tem marcado operações com alguma identidade, realizadas em outros países da Europa.

Mas este aspeto é algo que deve ficar para outras reflexões, lembrando-se o que se julga ser o grande equilíbrio de projeto de requalificação aplicado no renovado Lagarteiro e cujos resultados práticos procuraremos revisitar em outras oporunidades.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.


Editor: António Baptista Coelho
Ano IX, nº426
Sobre o 2.º CIHEL, e artigo: O Prémios IHRU para os espaços públicos do Bairro do Lagarteiro no Porto
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte



domingo, outubro 02, 2011

363 - Quarteirão de unifamiliares densos em Padinho, Vila do Conde - Infohabitar 363

Infohabitar, Ano VII, n.º 363


Casos de Referência dos primeiros 5 anos do Prémio IHRU – V:
Quarteirão de unifamiliares densos em Padinho, Vila do Conde

Nota editorial:
Com o presente artigo tem continuidade uma nova série editorial no Infohabitar, que à semelhança de outras séries da nossa revista, terá uma edição alternada por outros artigos tematicamente autónomos ou também integrados em séries editoriais específicas.
Iremos editar “Casos de Referência dos primeiros 5 anos do Prémio IHRU” – Prémio Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana –, numa iniciativa que irá divulgar imagens e comentários técnicos de descrição e análise sumária de alguns dos candidatos às primeiras cinco edições daquele Prémio e que se fundamenta no interesse que sempre teve, tem e terá a divulgação de boas práticas de habitat (num sentido lato e verdadeiro de habitat), neste caso associadas a quatro grandes linhas de actividade específicas e que são, em seguida, apontadas:


(i) Promoção de novos conjuntos de habitação de interesse social - numa faceta de actividade em que o Estado e os seus parceiros têm de continuar activos, embora numa perspectiva mais delimitada e provavelmente cada vez mais atenta à adequação das soluções específicas aplicadas e sua qualidade arquitectónica.


(ii) Reabilitação de velhos edifícios e de conjuntos edificados, também com o objectivo específico de disponibilização de habitação de interesse social – um objectivo cujo interesse aqui se sublinha de forma bem evidenciada – ou de outras categorias habitacionais; estas acções de reabilitação habitacional estão e devem estar estrategicamente integradas em centros históricos e em outras malhas urbanas carentes de vitalização e melhoria física, numa faceta de actuação que, hoje em dia, assume importância estratégica e multifacetada, seja para os respectivos habitantes, seja para a cidade que se quer urgentemente mais e melhor habitada.


(iii) Reabilitação de velhos edifícios não-habitacionais para melhoria das suas condições de uso e de conforto no uso, considerando a manutenção das suas funcionalidades básicas ou a respectiva reconversão, total ou parcial, a novos usos; uma faceta de actuação também vital numa perspectiva de melhoria consolidada e durável da globalidade do tecido urbano.


(iv) (e finalmente) Reabilitação de espaços exteriores públicos ou de uso público, numa faceta de actuação com uma importância igualmente estratégica e ainda não devidamente considerada na sua urgência, no seu interesse e nas suas exigências específicas de projecto, obra e manutenção/gestão; afinal, será de uma adequada redinamização do uso dos nossos espaços públicos urbanos, em termos de frequência e intensidade de uso, que decorrerá boa parte da vitalização urbana dessas áreas e não bastam arranjos “de aspecto” para assegurar o êxito destas operações.


Em termos informativos refere-se que o Júri do Prémio IHRU integra representantes das seguintes instituições: Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, Ordem dos Arquitectos e Ordem dos Engenheiros. Em 2007 e porque este Prémio constituiu uma edição única do Prémio INH/IHRU (o Instituto Nacional de Habitação deu lugar ao IHRU no decurso do Prémio), o Júri integrou, ainda, representantes ANMP, da AECOP, da ANEOP e da FENACHE.
Numa primeira reunião do Prémio IHRU é feita uma pré-selecção dos empreendimentos a visitar e é elaborado um programa de visitas. Na última reunião, efectuada após as deslocações aos empreendimentos seleccionados, e após a revisão comentada das respectivas visitas (imagens projectadas) e de uma natural e sistemática discussão técnica o Júri atribui os respectivos Prémios e Menções.
Mais se esclarece que os candidatos aos Prémio IHRU, um prémio exclusivamente honorífico, concorrem nas variantes Construção ou Reabilitação: sendo que na primeira variante (Construção), há várias vertentes/categorias de concurso - Promoção Municipal e Regional, Promoção Cooperativa e Promoção Privada – enquanto na variante Reabilitação há, actualmente (à data da escrita deste artigo), há também várias vertentes de concurso - Reabilitação Isolada de Imóveis, Reabilitação ou Qualificação de Espaço Público e Reabilitação Integrada de Conjuntos Urbanos.
Sublinha-se, no entanto e desde já, que a apresentação dos casos de referência de candidatos ao Prémio IHRU, que irá sendo assegurada pelo Infohabitar, não dará importância significativa a estas vertentes “oficiais” do Prémio, preferindo salientar as quatro grandes linhas de actividade específicas acima apontadas, bem como aspectos específicos e interessantes de cada intervenção e optando por divulgar de forma não sistemática, não exaustiva, temporalmente não ordenada, e “em pé de igualdade” entre casos que obtiveram Prémios, outros que mereceram Menções Honrosas e ainda outros que não tiveram destaque especial no Prémio, mas que o autor destas linhas considera serem também casos com muito interesse e que, portanto, terá utilidade a sua divulgação; pois, afinal, a própria divulgação de casos de referência muito diversificados tem uma utilidade própria e, como bem sabemos, a cidade não se faz apenas de exemplos excepcionais, mas também de casos de referência com aspectos específicos e meritórios cuja divulgação é importante.
E de certa forma o Prémio IHRU tem a sua existência específica, que se vai cumprindo anualmente, e aqui no Infohabitar estamos num outro contexto de divulgação bem distinto e naturalmente mais flexível, até porque os comentários que acompanham as imagens dos conjuntos, edifícios e espaços que irão sendo divulgados, são apenas e naturalmente da responsabilidade do autor do artigo – com a excepção referida às citações das respectivas actas do Júri e/ou dos textos de apresentação dos respectivos catálogos do Prémio (devidamente assinaladas), que são anualmente ditados pelo IHRU.
Salienta-se, finalmente, que será fortemente privilegiada uma componente de ilustração e de imagens dos casos de referência editados, reduzindo-se os textos de comentário e reflexão ao máximo e caracterizando-os por uma perspectiva informal “de visitante” interessado da respectiva intervenção; e que se convidam os respectivos autores, promotores e habitantes a complementarem e a comentarem as respectivas obras e/ou os próprios comentários do Infohabitar, através de simples envios via e-mail à edição do Infohabitar, que, depois e logo que seja possível integrará os respectivos textos e, eventuais, imagens, nos respectivos artigos, ou, e em alternativa (casos de contribuições com dimensão e interesse significativos), poderá decidir pela sua edição autonomizada, se o respectivo autor autorizar esta possibilidade.
Considerando-se que não decorreu, ainda, a cerimónia de entrega dos Prémios IHRU 2011, não serão editados no Infohabitar até essa data candidaturas respeitantes a este anos de 2011.

Casos de Referência dos primeiros 5 anos do Prémio IHRU – V:
Quarteirão de unifamiliares densos em Padinho, Vila do Conde
Infohabitar, Ano VII, n.º 363
António Baptista Coelho



Fig. 01: imagem do projecto - implantação

32 fogos em Padinho – Vial do Pinheiro, promovidos pelo Município de Vila do Conde, construídos pela empresa António da Silva Campos, Lda., com o projecto e a coordenação do arquitecto Miguel Sousa.

“Este conjunto habitacional formado por edifícios unifamiliares de dois pisos, em banda contínua, distingue-se pela harmonização entre a construção e os diferentes espaços exteriores, privados e colectivos protegidos e intimistas, bem equipados onde não faltam árvores ornamentais que climatizam todo o conjunto. É um programa que tem em conta as características vivenciais das famílias que se pretendem realojar, uma população rural ligada ao cultivo da terra.”

Foi uma citação integral do texto de apresentação do catálogo do Prémio IHRU 2008; salienta-se que este texto de apresentação integra a acta do júri do respectivo Prémio, tendo sido, portanto, elaborado, conjuntamente, pelo respectivo Júri.



Fig. 02

Estamos em presença de uma solução de realojamento, desenvolvida pela Câmara Municipal de Vila do Conde, no âmbito de um quadro técnico de referência e já extensa e regularmente aplicado, que procura: (i) aplicar ao máximo soluções domésticas bastante estudadas, mas conjugadas em soluções urbanas e locais bem distintas e caracterizadas; (ii) disponibilizar o realojamento, de forma estrategicamente disseminada, perto dos sítios onde ele é realmente necessário; e (iii) aplicar uma tipologia de habitar, a que iremos dedicar algumas linhas de desenvolvimento, mas que se caracteriza, em termos gerais, por uma evidente escala humana e pela adequação a modos de vida rurais ou ruralizados.

Em termos de integração paisagística e urbana constata-se uma relação urbana coesa e em agradável continuidade com a envolvente, numa solução cuja identidade unifamiliar é interessantemente harmonizada com uma escala “quase urbana” de quarteirão horizontalizado, mas atraentemente denso.

Consegue-se assim aproximar o espaço ainda muito ruralizado que se respira no local à introdução de um pequeno pólo urbano/quarteirão com dimensão e carácter muito ligados à escala humana, e que, depois, é interiormente marcado por quintais de diversos tipos, numa reafirmação dessa mesma ruralidade, mas agora de certa forma muito integrada na referida continuidade urbana pontual/local.



Fig. 03

Estamos em presença de uma solução unifamiliar densificada de bandas contínuas, que oferecem uma imagem urbana “una” na sua envolvente exterior e que depois, após passagem em zonas de “entrada” estrategicamente estranguladas, oferece a habitantes e visitantes, no grande miolo do respectivo quarteirão, grandes pátios traseiros comuns, que se caracterizam por um uso pedonal diversificado e vitalizado pelas ligações directas às habitações, realizadas através de pequenos quintais/pátios privados delimitados por muros baixos.

Temos, assim, uma solução de bandas de edifícios unifamiliares que rodeiam e delimitam uma ampla zona pedonal perfeitamente segura para ser usada por crianças e idosos numa proximidade directa e às suas habitações.

E o acesso estratégico por parte de veículos parece ter sido, também, adequadamente considerado.



Fig. 04

De certa forma estamos em presença de uma solução de quarteirão que assume, praticamente, o sentido de “grande” edifício multifamiliar, mas horizontalmente desenvolvido, marcado por acessos comuns e de uso público, numa ambiguidade que irá, provavelmente, resguardando de usos menos adequados os amplos espaços exteriores comuns/públicos do interior do quarteirão; e uma condição de prevenção que é fortemente complementada pela total proximidade entre estes espaços e as janelas e outros vãos domésticos.

Por outro lado e de forma interessantemente ambígua, ou agradavelmente surpreendente, é neste mesmo âmago de espaço pedonal e “interiorizado” do miolo de quarteirão que podemos ter acesso, através de portas sóbrias e opacas a quintais privativos murados, alongados e com dimensão já interessante, estruturados numa banda construída autonomizada e destacada das habitações.



Fig. 05

Temos assim as vantagens de alguma proximidade urbana e eventualmente de algum convívio vicinal e de recreio juvenil potenciadas pela própria organização em quarteirão envolvendo um amplo espaço pedonal, não se perdendo as características específicas (vantagens) do habitar unifamiliar e havendo, depois, um conteúdo “ruralizado” específico (os referidos quintais alongados) que marca presença, de forma subtil, na vivência desse mesmo terreiro pedonal; numa condição ou situação de envolvências consecutivas, que tem também interesse específico em termos de carácter do lugar.

E, de certa forma, este conjunto de opções têm tudo a ver com a sensível aproximação, por parte do projectista e do promotor – ambos municipais, sublinha-se – a uma adequação a modos de vida eventualmente tão ruralizados, como “urbanizados”, deixando-se a cada família e a cada habitante uma excelente liberdade de opção/acção.




Complementarmente o que sucede nesta intervenção é uma especialização estratégica dos espaços exteriores sujeitos à manutenção e gestão pública: atente-se no elevado número de pequenos pátios privados, frontais e posteriores, que servem as bandas de moradias; atente-se no espaço pedonalizado público concentrado que preenche o interior do quarteirão; e atente-se, também aos amplos quintais agrícolas privados, mas resguardados da vista pública (permitindo alguma liberdade de apropriação sem se prejudicar a imagem urbana da vizinhança).

Finalmente e em termos urbanos há que sublinhar o carácter razoavelmente pedonalizado que marca o conjunto, onde se conseguiu uma boa “convivência” entre estruturas rodoviárias, envolventes, e pedonais, que preenchem o amplo miolo do quarteirão e que proporcionam adequadas condições para o recreio e, espera-se, mesmo para o convívio local; e tudo isto sob excelentes condições de vigilância natural a partir das habitações.



Fig. 07

Um aspecto de pormenor mas com grande interesse em termos de utilidade como ferramenta de integração urbana é o papel de remate e mesmo de alguma "camuflagem" de construções preesistentes e vizinhas que é assumido pelas continuidades/bandas de quintais agrícolas murados.

No que se refere à solução doméstica unifamiliar já se referiu que ela é estudada e depois aplicada de modos razoavelmente diversificados, produzindo-se algumas imagens orgânicas e com capacidade de caracterização e atractividade, relativamente aos seus moradores.



Fig. 08

Salienta-se, ainda, que esta solução unifamiliar densificada, mas, frequentemente, com pátios contíguos, para além dos amplos quintais rurais murados, tem um elevado potencial de adequação e de apropriação relativamente ao realojamento de famílias muito habituadas a uma vivência em grande relação com o exterior.



Fig. 09

E finalmente não se poderia deixar de sublinhar que esta solução urbana e habitacional se integra numa verdadeira política habitacional municipal, que vem sendo desenvolvida, desde há bastantes anos e julga-se com êxito, em termos dos já referidos objectivos de disseminação do realojamento nas zonas onde ele é necessário, de adequação tipológica e humana dessas soluções habitacionais e de preocupação com a sua qualidade urbana e arquitectónica, numa acção, que se sublinha tem sido baseada nos próprios técnicos municipais.



Fig. 10

Notas finais:

- A intervenção em Padinho, Vila do Conde que foi aqui brevemente apresentada e comentada foi distinguida com Menção Honrosa no Prémio IHRU 2008.



Bibliografia:

INSTITUTO DA HABITAÇÃO E DA REABILITAÇÃO URBANA; coord. Rogério Pampulha, Teresa Pereira e Isabel Forjaz, fotografias de António Baptista Coelho e Promotores – Prémio IHRU de Construção e Reabilitação 2008. Lisboa: IHRU, 2008, 55 pág.

Notas editoriais:


(i) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.

Infohabitar, Ano VII, n.º 363
2 de Outubro de 2011
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte

quinta-feira, agosto 25, 2011

359 - Exemplo de realojamento na Alta de Lisboa: Casos de Referência dos primeiros 5 anos do Prémio IHRU – III - Infohabitar 359

Infohabitar, Ano VII, n.º 359

Casos de Referência dos primeiros 5 anos do Prémio IHRU – III: Conjunto de realojamento na Alta de Lisboa

Nota editorial:

Com o presente artigo tem continuidade uma nova série editorial no Infohabitar, que à semelhança de outras séries da nossa revista, terá uma edição alternada por outros artigos tematicamente autónomos ou também integrados em séries editoriais específicas.


Iremos editar “Casos de Referência dos primeiros 5 anos do Prémio IHRU” – Prémio Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana –, numa iniciativa que irá divulgar imagens e comentários técnicos de descrição e análise sumária de alguns dos candidatos às primeiras cinco edições daquele Prémio e que se fundamenta no interesse que sempre teve, tem e terá a divulgação de boas práticas de habitat (num sentido lato e verdadeiro de habitat), neste caso associadas a quatro grandes linhas de actividade específicas e que são, em seguida, apontadas:


(i) Promoção de novos conjuntos de habitação de interesse social - numa faceta de actividade em que o Estado e os seus parceiros têm de continuar activos, embora numa perspectiva mais delimitada e provavelmente cada vez mais atenta à adequação das soluções específicas aplicadas e sua qualidade arquitectónica.


(ii) Reabilitação de velhos edifícios e de conjuntos edificados, também com o objectivo específico de disponibilização de habitação de interesse social – um objectivo cujo interesse aqui se sublinha de forma bem evidenciada – ou de outras categorias habitacionais; estas acções de reabilitação habitacional estão e devem estar estrategicamente integradas em centros históricos e em outras malhas urbanas carentes de vitalização e melhoria física, numa faceta de actuação que, hoje em dia, assume importância estratégica e multifacetada, seja para os respectivos habitantes, seja para a cidade que se quer urgentemente mais e melhor habitada.


(iii) Reabilitação de velhos edifícios não-habitacionais para melhoria das suas condições de uso e de conforto no uso, considerando a manutenção das suas funcionalidades básicas ou a respectiva reconversão, total ou parcial, a novos usos; uma faceta de actuação também vital numa perspectiva de melhoria consolidada e durável da globalidade do tecido urbano.


(iv) (e finalmente) Reabilitação de espaços exteriores públicos ou de uso público, numa faceta de actuação com uma importância igualmente estratégica e ainda não devidamente considerada na sua urgência, no seu interesse e nas suas exigências específicas de projecto, obra e manutenção/gestão; afinal, será de uma adequada redinamização do uso dos nossos espaços públicos urbanos, em termos de frequência e intensidade de uso, que decorrerá boa parte da vitalização urbana dessas áreas e não bastam arranjos “de aspecto” para assegurar o êxito destas operações.


Em termos informativos refere-se que o Júri do Prémio IHRU integra representantes das seguintes instituições: Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, Ordem dos Arquitectos e Ordem dos Engenheiros. Em 2007 e porque este Prémio constituiu uma edição única do Prémio INH/IHRU (o Instituto Nacional de Habitação deu lugar ao IHRU no decurso do Prémio), o Júri integrou, ainda, representantes ANMP, da AECOP, da ANEOP e da FENACHE.


Numa primeira reunião do Prémio IHRU é feita uma pré-selecção dos empreendimentos a visitar e é elaborado um programa de visitas. Na última reunião, efectuada após as deslocações aos empreendimentos seleccionados, e após a revisão comentada das respectivas visitas (imagens projectadas) e de uma natural e sistemática discussão técnica o Júri atribui os respectivos Prémios e Menções.


Mais se esclarece que os candidatos aos Prémio IHRU, um prémio exclusivamente honorífico, concorrem nas variantes Construção ou Reabilitação: sendo que na primeira variante (Construção), há várias vertentes/categorias de concurso - Promoção Municipal e Regional, Promoção Cooperativa e Promoção Privada – enquanto na variante Reabilitação há, actualmente (à data da escrita deste artigo), há também várias vertentes de concurso - Reabilitação Isolada de Imóveis, Reabilitação ou Qualificação de Espaço Público e Reabilitação Integrada de Conjuntos Urbanos.


Sublinha-se, no entanto e desde já, que a apresentação dos casos de referência de candidatos ao Prémio IHRU, que irá sendo assegurada pelo Infohabitar, não dará importância significativa a estas vertentes “oficiais” do Prémio, preferindo salientar as quatro grandes linhas de actividade específicas acima apontadas, bem como aspectos específicos e interessantes de cada intervenção e optando por divulgar de forma não sistemática, não exaustiva, temporalmente não ordenada, e “em pé de igualdade” entre casos que obtiveram Prémios, outros que mereceram Menções Honrosas e ainda outros que não tiveram destaque especial no Prémio, mas que o autor destas linhas considera serem também casos com muito interesse e que, portanto, terá utilidade a sua divulgação; pois, afinal, a própria divulgação de casos de referência muito diversificados tem uma utilidade própria e, como bem sabemos, a cidade não se faz apenas de exemplos excepcionais, mas também de casos de referência com aspectos específicos e meritórios cuja divulgação é importante.


E de certa forma o Prémio IHRU tem a sua existência específica, que se vai cumprindo anualmente, e aqui no Infohabitar estamos num outro contexto de divulgação bem distinto e naturalmente mais flexível, até porque os comentários que acompanham as imagens dos conjuntos, edifícios e espaços que irão sendo divulgados, são apenas e naturalmente da responsabilidade do autor do artigo – com a excepção referida às citações das respectivas actas do Júri e/ou dos textos de apresentação dos respectivos catálogos do Prémio (devidamente assinaladas), que são anualmente ditados pelo IHRU.


Salienta-se, finalmente, que será fortemente privilegiada uma componente de ilustração e de imagens dos casos de referência editados, reduzindo-se os textos de comentário e reflexão ao máximo e caracterizando-os por uma perspectiva informal “de visitante” interessado da respectiva intervenção; e que se convidam os respectivos autores, promotores e habitantes a complementarem e a comentarem as respectivas obras e/ou os próprios comentários do Infohabitar, através de simples envios via e-mail à edição do Infohabitar, que, depois e logo que seja possível integrará os respectivos textos e, eventuais, imagens, nos respectivos artigos, ou, e em alternativa (casos de contribuições com dimensão e interesse significativos), poderá decidir pela sua edição autonomizada, se o respectivo autor autorizar esta possibilidade.


Considerando-se que não decorreu, ainda, a cerimónia de entrega dos Prémios IHRU 2011, não serão editados no Infohabitar até essa data candidaturas respeitantes a este anos de 2011.

A edição do Infohabitar



Casos de Referência dos primeiros 5 anos do Prémio IHRU – III: Conjunto de realojamento na Alta de Lisboa (47 fogos)

António Baptista Coelho



Fig. 01

Conjunto de 47 fogos na Alta de Lisboa, promovido pela empresa SGAL, S.A., construído pela empresa Teodoro Gomes Alho, S.A., com o projecto do Gabinete Frederico Valsassina Arquitectos, Lda e a coordenação do arquitecto Bernardo Lacasta.

Julga-se que a referência a 47 fogos se refere apenas às bandas unifamiliares, que foram objecto da análise no âmbito do referido Prémio. Destaca-se, no entanto que o presente artigo de análise genérica incide sobre o conjunto de edifícios uni e multifamiliares e os respectivos quarteirões urbanos, aliás, desenvolvidos em intensa e agradável continuidade funcional e de imagens.

“Neste conjunto residencial destaca-se a forte relação entre o edificado e a morfologia do terreno, bem como, a forma como se articula com o conjunto de habitação colectiva adjacente.

O desenho dos espaços exteriores, de grande agradabilidade, identifica-se com o espírito do local e das formas de habitar nesta zona de periferia, contribuindo também para uma valorização do território urbano sob o ponto de vista ambiental.

Tanto nos logradouros como interior das habitações, é explorada uma interessante relação entre o espaço e a luz natural, potenciada pelo uso dos materiais e pelos detalhes construtivos.”

Foi uma citação integral do texto de apresentação do catálogo do Prémio INH/IHRU 19.ª Edição; salienta-se que este texto de apresentação integra a acta do júri do respectivo Prémio, tendo sido, portanto, elaborado, conjuntamente, pelo respectivo Júri.



Fig. 02

Estamos em presença de uma solução de realojamento, desenvolvida pela empresa SGAL, S.A. em grande articulação/parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, marcada por uma clara e racionalizada atractividade e que podemos e iremos utilizar para reflectir sobre diversos e importantes aspectos de uma intervenção urbana e habitacional tipologicamente adequada e bem integrada.

Relação urbana coesa e em agradável continuidade entre uma solução de edifício unifamiliar densificado e uma solução de quarteirão que integra edifícios multifamiliares com dimensão reduzida/humanizada.




Fig. 03

Uma solução unifamiliar densificada de bandas contínuas e com pequenos pátios traseiros privativos contíguos, que cria continuidade urbana, embora estes edifícios sejam expressivamente baixos e as bandas sejam longas.

Uma solução de bandas de edifícios unifamiliares que, no entanto, integra muito positivamente espaços ajardinados públicos e uma estrutura pedonal estratégica.




Fig. 04

Uma solução de quarteirão híbrido em termos tipológicos, e que integra, positivamente três tipologias de habitar funcionalmente bem distintas, mas unificadas pela sua imagem em termos de arquitectura urbana, são elas as seguintes: a tipologia unifamiliar em bandas densificadas já apontada; a tipologia multifamiliar de baixa altura, também já apontada; e uma tipologia de habitar “especial” com imagem idêntica à do multifamiliar, mas que se refere a um equipamento residencial para um grupo social específico.

Esta diversidade tipológica estrategicamente concentrada num território relativamente pequeno e bem delimitado é referência para o que pode e deve ser uma oferta diversificada e bem disseminada de variados tipos de habitar, que em termos de imagem urbana tenha um resultado tão digno como atraente – o que é, naturalmente, aqui o caso.




Fig. 05

Por outro lado e complementarmente o que sucede nesta intervenção é uma redução e concentração estratégica dos espaços exteriores sujeitos à manutenção e gestão pública: atente-se no elevado número de pequenos pátios privados, frontais e posteriores, que servem as bandas de moradias; atente-se no espaço pedonalizado público concentrado que preenche o interior do quarteirão mais urbano (definido por bandas de unifamiliares e de multifamiliares); e atente-se, também, no espaço de miolo deste último quarteirão que está reservado ao uso pelos utentes do equipamento referido e que se integra muito positivamente no interior pedonalizado do quarteirão.

Finalmente e em termos ainda mais urbanos há que sublinhar o carácter razoavelmente pedonalizado que marca o conjunto, onde se conseguiu uma boa “convivência” entre estruturas rodoviárias e pedonais.




Fig. 06

No que se refere à solução doméstica unifamiliar densificada ela é muito interessante pois baseia-se num rebaixamento volumétrico da edificação, desenvolvendo-se os seus pisos mais baixos e os respectivos quintais/pátios posteriores numa larga zona “escavada”, que constitui o miolo dos quarteirões alongados e unifamiliares, numa solução que resulta, tal como já se apontou, numa escala pública muito baixa e aproximada à própria escala humana, um objectivo que é também servido pela própria pormenorização dos pequenos pátios frontais marcados por volumes térreos salientes, pérgulas e portões baixos e “horizontais”.





Fig. 07

O miolo da solução doméstica unifamiliar aproveita, com naturalidade, a referida opção de desenvolvimento das habitações numa zona “escavada”, abrindo-se vista estimulantemente mergulhantes sobre a sala-comum que se prolonga visual e estrategicamente sobre o pátio posterior.




Fig. 08

E finalmente faz-se notar que esta solução unifamiliar densificada, mas com dois pátios (frontal/eventualmente de estacionamento e posterior/de serviço e/ou convivial) tem um elevado potencial de adequação e de apropriação relativamente ao realojamento de famílias muito habituadas a uma vivência em grande relação com o exterior.



Fig. 09

Notas finais:


- a intervenção de nova construção na Alta de Lisboa que foi aqui brevemente apresentada e comentada foi Prémio INH/IHRU 2007


Bibliografia:

PAMPULHA, Rogério; PEREIRA, Teresa; FORJAZ, Isabel - Prémio INH/IHRU 19.ª Edição. Lisboa, Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, 2007 (Dep. Legal 261148/07)

Infohabitar, Ano VII, n.º 359


25 de Agosto de 2011



Editor: António Baptista Coelho




Edição de José Baptista Coelho




Lisboa, Encarnação - Olivais Norte

terça-feira, agosto 16, 2011

358 - Outeiro da Forca, Portalegre - Casos de Referência dos primeiros 5 anos do Prémio IHRU – II - Infohabitar 358

Infohabitar, Ano VII, n.º 358

Nota editorial:

Com o presente artigo tem continuidade uma nova série editorial no Infohabitar, que à semelhança de outras séries da nossa revista, terá uma edição alternada por outros artigos tematicamente autónomos ou também integrados em séries editoriais específicas.

Iremos editar “Casos de Referência dos primeiros 5 anos do Prémio IHRU” – Prémio Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana –, numa iniciativa que irá divulgar imagens e comentários técnicos de descrição e análise sumária de alguns dos candidatos às primeiras cinco edições daquele Prémio e que se fundamenta no interesse que sempre teve, tem e terá a divulgação de boas práticas de habitat (num sentido lato e verdadeiro de habitat), neste caso associadas a quatro grandes linhas de actividade específicas e que são, em seguida, apontadas:


(i) Promoção de novos conjuntos de habitação de interesse social - numa faceta de actividade em que o Estado e os seus parceiros têm de continuar activos, embora numa perspectiva mais delimitada e provavelmente cada vez mais atenta à adequação das soluções específicas aplicadas e sua qualidade arquitectónica.


(ii) Reabilitação de velhos edifícios e de conjuntos edificados, também com o objectivo específico de disponibilização de habitação de interesse social – um objectivo cujo interesse aqui se sublinha de forma bem evidenciada – ou de outras categorias habitacionais; estas acções de reabilitação habitacional estão e devem estar estrategicamente integradas em centros históricos e em outras malhas urbanas carentes de vitalização e melhoria física, numa faceta de actuação que, hoje em dia, assume importância estratégica e multifacetada, seja para os respectivos habitantes, seja para a cidade que se quer urgentemente mais e melhor habitada.


(iii) Reabilitação de velhos edifícios não-habitacionais para melhoria das suas condições de uso e de conforto no uso, considerando a manutenção das suas funcionalidades básicas ou a respectiva reconversão, total ou parcial, a novos usos; uma faceta de actuação também vital numa perspectiva de melhoria consolidada e durável da globalidade do tecido urbano.


(iv) (e finalmente) Reabilitação de espaços exteriores públicos ou de uso público, numa faceta de actuação com uma importância igualmente estratégica e ainda não devidamente considerada na sua urgência, no seu interesse e nas suas exigências específicas de projecto, obra e manutenção/gestão; afinal, será de uma adequada redinamização do uso dos nossos espaços públicos urbanos, em termos de frequência e intensidade de uso, que decorrerá boa parte da vitalização urbana dessas áreas e não bastam arranjos “de aspecto” para assegurar o êxito destas operações.


Em termos informativos refere-se que o Júri do Prémio IHRU integra representantes das seguintes instituições: Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, Ordem dos Arquitectos e Ordem dos Engenheiros. Em 2007 e porque este Prémio constituiu uma edição única do Prémio INH/IHRU (o Instituto Nacional de Habitação deu lugar ao IHRU no decurso do Prémio), o Júri integrou, ainda, representantes ANMP, da AECOP, da ANEOP e da FENACHE.


Numa primeira reunião do Prémio IHRU é feita uma pré-selecção dos empreendimentos a visitar e é elaborado um programa de visitas. Na última reunião, efectuada após as deslocações aos empreendimentos seleccionados, e após a revisão comentada das respectivas visitas (imagens projectadas) e de uma natural e sistemática discussão técnica o Júri atribui os respectivos Prémios e Menções.


Mais se esclarece que os candidatos aos Prémio IHRU, um prémio exclusivamente honorífico, concorrem nas variantes Construção ou Reabilitação: sendo que na primeira variante (Construção), há várias vertentes/categorias de concurso - Promoção Municipal e Regional, Promoção Cooperativa e Promoção Privada – enquanto na variante Reabilitação há, actualmente (à data da escrita deste artigo), há também várias vertentes de concurso - Reabilitação Isolada de Imóveis, Reabilitação ou Qualificação de Espaço Público e Reabilitação Integrada de Conjuntos Urbanos.


Sublinha-se, no entanto e desde já, que a apresentação dos casos de referência de candidatos ao Prémio IHRU, que irá sendo assegurada pelo Infohabitar, não dará importância significativa a estas vertentes “oficiais” do Prémio, preferindo salientar as quatro grandes linhas de actividade específicas acima apontadas, bem como aspectos específicos e interessantes de cada intervenção e optando por divulgar de forma não sistemática, não exaustiva, temporalmente não ordenada, e “em pé de igualdade” entre casos que obtiveram Prémios, outros que mereceram Menções Honrosas e ainda outros que não tiveram destaque especial no Prémio, mas que o autor destas linhas considera serem também casos com muito interesse e que, portanto, terá utilidade a sua divulgação; pois, afinal, a própria divulgação de casos de referência muito diversificados tem uma utilidade própria e, como bem sabemos, a cidade não se faz apenas de exemplos excepcionais, mas também de casos de referência com aspectos específicos e meritórios cuja divulgação é importante.


E de certa forma o Prémio IHRU tem a sua existência específica, que se vai cumprindo anualmente, e aqui no Infohabitar estamos num outro contexto de divulgação bem distinto e naturalmente mais flexível, até porque os comentários que acompanham as imagens dos conjuntos, edifícios e espaços que irão sendo divulgados, são apenas e naturalmente da responsabilidade do autor do artigo – com a excepção referida às citações das respectivas actas do Júri e/ou dos textos de apresentação dos respectivos catálogos do Prémio (devidamente assinaladas), que são anualmente ditados pelo IHRU.


Salienta-se, finalmente, que será fortemente privilegiada uma componente de ilustração e de imagens dos casos de referência editados, reduzindo-se os textos de comentário e reflexão ao máximo e caracterizando-os por uma perspectiva informal “de visitante” interessado da respectiva intervenção; e que se convidam os respectivos autores, promotores e habitantes a complementarem e a comentarem as respectivas obras e/ou os próprios comentários do Infohabitar, através de simples envios via e-mail à edição do Infohabitar, que, depois e logo que seja possível integrará os respectivos textos e, eventuais, imagens, nos respectivos artigos, ou, e em alternativa (casos de contribuições com dimensão e interesse significativos), poderá decidir pela sua edição autonomizada, se o respectivo autor autorizar esta possibilidade.


Considerando-se que não decorreu, ainda, a cerimónia de entrega dos Prémios IHRU 2011, não serão editados no Infohabitar até essa data candidaturas respeitantes a este anos de 2011.


O editor do Infohabitar
António Baptista Coelho



Casos de referência do Prémio IHRU – II: o Outeiro da Forca, em Portalegre

António Baptista Coelho



Fig. 01



Será, em seguida, comentado e globalmente apresentado, nos seus aspectos urbanos e arquitectónicos, o conjunto/quarteirão com 52 fogos no Outeiro da Forca, Portalegre, promovido pelo Município de Portalegre, com o projecto do Atelier de Arquitectura Carlos Gonçalves, Lda.



“Este conjunto de habitação colectiva, explorando as potencialidades do terreno, organiza-se a partir de um extenso pátio conformado por bandas de habitação e comércio que, através da adaptação à topografia e de um diálogo visual com a envolvente, se desenvolve em interessantes sequências espaciais. É de realçar a forma como é permitida a acessibilidade e a mobilidade em plataformas com diferentes níveis que, funcionando simultaneamente como espaços autónomos, definem e caracterizam o espaço central como unidade.

A partir de espaços conviviais de grande interesse, promovem-se relações de vizinhança de proximidade e, paralelamente, criam-se condições para que esta vivência comunitária se possa articular com os espaços envolventes, no sentido de continuidade urbana.”

Foi uma citação integral do texto de apresentação do catálogo do Prémio INH/IHRU 19.ª Edição; salienta-se que este texto de apresentação integra a acta do júri do respectivo Prémio, tendo sido, portanto, elaborado, conjuntamente, pelo respectivo Júri.




Fig. 02


Quando visitamos o Outeiro da Forca e o procuramos sentir com alguma calma, talvez que uma das primeiras ideias que retemos é que continua a valer a pena procurar estruturar e compor pequenas/humanas vizinhanças residenciais, globalmente marcadas por uma imagem com grande dignidade, uma dignidade que constitui uma vantagem importante para a respectiva integração urbana, tantos em termos físicos como sociais.





Fig. 03


Um aspecto que importa destacar é a pedonalização do miolo do quarteirão, criando-se um espaço de segurança e de agradabilidade, que é naturalmente seguro, porque envolvido por vãos domésticos, mas que se encontra estrategicamente acessível a partir das vias próximas, que envolvem o quarteirão alongado.





Fig. 04


Outro aspecto importante é a própria imagem geral do quarteirão, uma imagem digna e atraente na sua relação com a cidade e uma imagem marcada por uma escala geral humanizada, predominantemente marcada por edifícios de rés-do-chão mais dois ou, no máximo três pisos; e edifícios multifamiliares que continuam a relacionar-se com algumas memórias de um fazer de arquitectura tradicional, designadamente, nos seus extensos panos brancos, nos seus socos bem marcados e nos seus vão evidenciados e bem recortados.


Mas um outro aspecto importa ainda ser salientado ao nível desta nova vizinhança urbana, que é tratar-se de um quarteirão numericamente equilibrado em termos do número de habitações que integra: 52 fogos, um número muito próximo do que é aconselhado por diversos autores, quando se pretende proporcionar um conjunto de condições adequadas para o desenvolvimento do convívio vicinal – primeiro entre crianças e, depois, talvez entre adultos.




Fig. 05


E, finalmente, e ainda ao nível de uma urbanidade de proximidade, quando este conjunto foi visitado, verificou-se estarmos em presença de um quarteirão equipado/recheado com diversas actividades municipais e de outros tipos o que se considera ser um caminho muito meritório no sentido da vitalização local. Se estas actividades se mantiveram, como se deseja, será matéria para outra visita.




Fig. 06


Passando, agora, ao edifício salienta-se a opção por uma solução em que os dois fogos existentes em cada piso são estrategicamente separados por uma reentrância de “espaço vazio”, o que tem uma dupla vantagem: assegura total separação entre esses fogos, pois não têm paredes contíguas (são separados por esse espaço vazio e pelas escadas comuns); e proporciona aos espaços comuns horizontais (patins de acesso às habitações) excelentes condições de luz natural, vista sobre o espaço público e natural capacidade e apropriação. De certa forma e sem dúvida de modo bem premeditado houve aqui um ensaio de procurar que estes pequenos edifícios multifamiliares pudessem ter características, em parte, aproximadas às dos edifícios unifamiliares, num assumir de um reforço da individualidade das habitações e da sua relação mais directa com o espaço livre.





Fig. 07


Finalmente ao nível da habitação estamos em presença de uma solução muito positivamente racionalizada na sua atribuição de espaços domésticos específicos e, assim, naturalmente, uma solução com significativo potencial de adaptabilidade a diferentes modos de vida, através d diversas atribuições funcionais dos compartimentos; e isto num quadro de espaciosidade bastante económico.




Fig. 08

Ainda ao nível das opções domésticas sublinha-se o interesse do expressivo desenvolvimento da cozinha, que poderá funcionar um pouco como zona de convívio e que é caracterizada por excelentes e pouco frequentes condições de iluminação natural através de janelas em duas paredes, que atribuem a este espaço um sentido de “clareza/alegria”, fazendo-o parecer maior do que é e possibilitando que o próprio estendal exterior e acessível por uma dessas janelas esteja expressivamente retirado da vista mais pública (encontram-se “embebidos” na tal reentrância “vazia” do edificado que separa os dois fogos existentes em cada nível).




Fig. 09

Finalmente, duas últimas notas: uma para o interesse da pormenorização arquitectónica onde se destacam, naturalmente, os “lugares-janela” que para além de estarem ligados à identidade específica desta intervenção, de certa forma, proporcionam uma intensa e económica repetição de vãos sem os problemas de monotonia associados, habitualmente, a uma tal condição ; e a outra, uma breve referência a ter-se evidenciado nesta análise, essencialmente, a qualidade do projecto de arquitectura urbana aqui aplicado.


Notas finais:

- a intervenção no Outeiro da Forca foi Menção Honrosa do Prémio INH/IHRU 2007



Bibliografia:

PAMPULHA, Rogério; PEREIRA, Teresa; FORJAZ, Isabel - Prémio INH/IHRU 19.ª Edição. Lisboa, Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, 2007 (Dep. Legal 261148/07)

Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.


Infohabitar, Ano VII, n.º 358


16 de Agosto de 2011


Editor: António Baptista Coelho

Edição de José Baptista Coelho

Lisboa, Encarnação - Olivais Norte