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domingo, março 17, 2013

431 - O 2.º CIHEL e o 1.º CCRSEEL terminaram, viva o Congresso - Infohabitar 431

Infohabitar, Ano IX, n.º 431

Caros  leitores do Infohabitar, saudando-os a todos em  nome de todos aqueles que asseguraram o que julgamos ter sido um excelente Congresso e sobre o qual naturalmente iremos editar, ao longo do tempo, alguns artigos de informação, análise e reflexão em termos de futuro, e com a firme promessa da continuidade de vitalização deste processo, referimos que o Congresso e as suas atividades associadas terminaram na passada sexta-feira dia 15 de março, registando aqui a edição do Infohabitar um agradecimento a todos os intervenientes no Congresso e um desejo sincero que os congressistas possam ter voltado às suas cidades e aos seus países em paz e em viagens que tenham sido agradáveis.

Ao 2.º CIHEL - Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono - associou-se o 1.º Congresso CRSEEL - Construção e Reabilitação Sustentável de Edifícios no Espaço Lusófono e a outras atividades, entre as um conjunto de ações de empresários da diáspora lusófona promovidas pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas e pela AICEP Portugal Global com apoio do IT (Instituto do Território), um Workshop, um Forum do CIALP - Conselho Internacional dos Arquitectos de Língua Portuguesa -, sobre a prática profissional na lusofonia, exposições, uma delas do CIALP sobre o modernismo na lusofonia e outra sobre a última edição do Prémio do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, uma visita técnica organizada pela Câmara Municipal de Lisboa aos Bairros e Zonas de Intervenção Prioritária - (BIP - ZIP) e uma pequena mas excelente feira do livro técnico.


O Congresso ficou a dever-se à forte participação dos seus Congressistas mas também  e numa primeira linha ao LNEC, Grupo Habitar e FUNDCIC, à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e ao seu GEOTPU, à Câmara Municipal de Lisboa, à Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa e ao seu CIAUD, ao Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, e ao Laboratório de Engenharia de Angola.
Hà inda que sublinhar as excelentes e fundamentais parcerias com o CIALP e a AICEP-Portugal Global , que julgamos deverem ser aprofundadas e alargadas em próximas realizações.
Devemos também sublinhar os apoios do Banco BIC e da TAP e a essencial parceria (media partner) da RDP África.
E muitas outras entidades apoiaram o Congresso em termos institucionais, o que agradecemos.

O "desenvolvimento do território, da cidade e da promoção habitacional", no âmbito da lusofonia, foram os temas discutidos no 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL, num congresso internacional, organizado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa, de 13 a 15 de março de 2013, e no âmbito de uma semana de intensas atividades acima resumida e ainda consultável em http://2cihel.lnec.pt/; atividades e matérias estas consultáveis no Livro do Congresso que está disponível na Livraria do LNEC.


O Congresso mereceu o Alto Patrocínio do Senhor Presidente da República, foi presidido pelo Senhor Secretário Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que assumiu, claramente, esta mesma presidência, o que muito nos orgulha, e contou com muito significativas participações de colegas de toda a CPLP.

Por isto mesmo temos desde já plena certeza que o Congresso atingiu o seu principal objetivo de aprofundar as bases de um fórum sociotécnico transnacional e falado em português, dirigido para a construção de laços duráveis de cooperação na respetiva grande área temática, seja pela realização em outros países da CPLP dos próximos congressos, seja pelo desenvolvimento continuado de outras atividades com utilidade socioeconómica.

Bem hajam todos aqueles que, com o seu trabalho e boa-vontade, proporcionaram a realização deste evento e lhe deram a força que lhe permitirá continuar de um modo mais participado e mais útil,


Obrigado a todos,

António Baptista Coelho
Presidente da Comissão Organizadora

Paulo Tormenta Pinto
Presidente da Comissão Científica




domingo, março 10, 2013

430 - Congresso sobre Habitação Cidade e Território 11 a 15 de março LNEC Liboa - Infohabitar 430

Infohabitar, Ano IX, n.º 430

Na semana do Congresso: é ainda possível a inscrição no 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL http://2cihel.lnec.pt/



O "desenvolvimento do território, da cidade e da promoção habitacional", no âmbito da lusofonia, são os temas a discutir no 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL,um congresso internacional, organizado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa, de 13 a 15 de março de 2013.

O 2.º CIHEL está associado ao 1.º Congresso CRSEEL - Construção e Reabilitação Sustentável de Edifícios no Espaço Lusófono e a outras atividades, entre as quais um Workshop, um Forum do CIALP - Conselho Internacional dos Arquitectos de Língua Portuguesa, sobre a prática profissional na lusofonia, o lançamento de um portal sobre a cidade e o território desenvolvido pelo Instituto do Território e pelo LNEC, exposições, uma delas sobre a última edição do Prémio do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, e uma visita técnica apoiada pela Câmara Municipal de Lisboa.



O 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL, realizado no Centro de Congressos do LNEC, visa aprofundar as bases de um fórum sociotécnico transnacional e falado em português, dirigido para a construção de laços duráveis de cooperação na respetiva grande área temática, seja pela realização em outros países da CPLP dos próximos congressos, seja pelo desenvolvimento continuado de outras atividades com utilidade socioeconómica.


Considera-se que proporcionar algo tão oportuno como a divulgação, numa mesma língua comum, das características das boas ideias e experiências de habitação, vizinhança, cidade e ordenamento territorial, são aspetos que podem ajudar, de forma determinante, a escolher bons caminhos em termos de boas práticas, com reflexos no bem-estar das famílias, numa bem informada poupança no investimento público, numa boa ligação entre resolução de problemas sociais e dinamização da economia e numa nova retoma do problema da habitação num século em que habitação e cidade têm de aprender a conviver de forma mutuamente favorável e mesmo estimulante.


E salienta-se que a temática da “Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento” é de grande oportunidade numa altura em que se desenvolvem planos para elevados números de habitações e para a reurbanização de extensas áreas em vários dos países da lusofonia, que se debatem com críticas carências habitacionais e de ordenamento urbanístico, e privilegiando-se a abordagem do habitar, num sentido amplo e o seu papel como meio vital de desenvolvimento socioeconómico dos respetivos países.


O 2. CIHEL é promovido e organizado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e pelo FUNDCIC, a partir da iniciativa do Grupo Habitar (GH) – associação técnica e científica sem fins lucrativos com sede no Núcleo de Arquitetura e Urbanismo (NAU) do LNEC. Salienta-se que ao 2.º CIHEL se aliou o 1.º Congresso Construção e Reabilitação Sustentável de Edifícios no Espaço Lusófono (1.º CCRSEEL), desenvolvido pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL).
Sublinham-se também os apoios determinantes que foram proporcionados ao Congresso por parte das seguintes entidades: Câmara Municipal de Lisboa (CML); Centro de Investigação em Arquitectura, Urbanismo e Design (CIAUD) da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa; Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU); e Laboratório de Engenharia de Angola (LEA).


Sublinha-se, finalmente, que o Congresso tem o Alto Patrocínio do Senhor Presidente da República, é presidido pelo Senhor Secretário Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, e tem os apoios institucionais do Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, e do Ministério dos Negócios Estrangeiros, através da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.


E salienta-se a parceria estratégica entre o Congresso, o Conselho Internacional dos Arquitectos de Língua Portuguesa (CIALP) e a Ordem dos Arquitectos.


Atividades associadas ao Congresso e realizadas na mesma semana de 11 a 15 de março de 2013:


-Visita técnica aos Bairros e Zonas de Intervenção Priorirária (BIP-ZIP) da Câmara Municipal de Lisboa, na tarde do dia 11 de março.


-1.ª reunião AICEP/CECP/CIHEL/ Instituto do Território/IT (com grupo de empresários lusófonos e inscrições por convite);


-Fórum promovido pelo Conselho Internacional dos Arquitectos de Língua Portuguesa (CIALP), sobre prática profissional nos   países da lusofonia, com intervenção dos respetivos Bastonários e Presidentes;


-1.º Workshop CIHEL, apoiado pela AICEP, pela SECP e pelo IT (inscrições em conjunto com  Congresso);


-Congresso: cerca de 140 comunicações sobre oito temas e 12 intervenções convidadas, incluindo apresentação de portal informático lusófono, sobre habitação e cidade,desenvolvido pelo IT e pelo LNEC;


-Exposições: "Modernismo na Lusofonia: Arquitectura dos anos 40/50/60"; "O Prémio IHRU Construção e Reabilitação 2012"; : "Exposição experimental".

Pequena feira do livro técnico: presença de editoras/livrarias e lançamento de três livros e uma revista.

Por tudo isto julga-se que para muitos técnicos, industriais, investigadores, empresários, e outros decisores será importante a participação no 2.º CIHEL, com inscrições abertas no site do Congresso, em: http://2cihel.lnec.pt/

domingo, fevereiro 24, 2013

428 - 2.º CIHEL, Sessão Iluminação Natural e artigo "Acalmia de trânsito" - Infohabitar 428

Revista Infohabitar, Ano IX, nº428

A presente edição da Infohabitar continua a divulgar o já próximo 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL, cujo programa, que se recomenda, pode ser consultado na Infohabitar n.º 427 (facilmente acessível correndo um pouco este site) - de 13 a 15 de março, no LNEC, em Lisboa; semana de atividades associadas a começar dia 11 de março com visita técnica (BIP-ZIP organizada pela CML)

Salienta-se, também, a muito próxima realização no LNEC da Sessão Técnica Edifícios n.º 14, dedicada ao tema "A Iluminação natural nos edifícios - Uma abordagem no contexto do conforto e da eficiência energética", a realizar no LNEC no dia 5 de março de 2013, entre as 14h30 e as 17h30, com intervenção do Investigador Dr. António Santos, uma sessão que vivamente se recomenda e que se aponta, sinteticamente, a seguir à referência ao 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL.

Depois destas divulgações edita-se o artigo da semana na Infohabitar, intitulado "A acalmia de trânsito nas vizinhanças", artigo este que é o n.º XXVII da Série habitar e viver melhor, e que se associa a uma referência circunstanciada à intenção, que se aplaude, da Câmara Municipal de Lisboa, recentemente divulgada, de introduzir "Zonas 30" num amplo conjunto de bairros e zonas lisboetas.





2.º CIHEL, 1.º CCRSEEL - um congresso a não perder, no LNEC, Lisboa, de 13 a 15 de março; workshop 12 e 13 de março; visita técnica 11 de março

2.º CIHEL, 1.º CCRSEEL, sessão CIALP, visita BIP ZIP e outras atividades, Programa geral de uma semana sobre o habitar e a cidade a não perder, de 11 a 15 de março de 2013 no LNEC em Lisboa

2.º CONGRESSO INTERNACIONAL DA HABITAÇÃO NO ESPAÇO LUSÓFONO - 2.º CIHEL - e 1.º Congresso da Construção e Reabilitação Sustentável de Edifícios no Espaço Lusófono - 1.º CCRSEEL http://2cihel.lnec.pt/ - no âmbito de uma SEMANA cheia de atividades, de 11 A 15 DE MARÇO 2013 - CONGRESSO 13 A 15 - NO LNEC EM LISBOA.

O "desenvolvimento do território, da cidade e da promoção habitacional", no âmbito da lusofonia, serão os temas a discutir no 2.º CIHEL,um congresso internacional, organizado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa, de 13 a 15 de março de 2013, associado a outras atividades, entre as quais uma visita aos Bairros e Zonas de Intervenção Prioritária (Câmara Municipal de Lisboa), um Workshop, o 1.º Congresso CRSEEL - Construção e Reabilitação Sustentável de Edifícios no Espaço Lusófono - promovido pela FCT-UNL, e uma ação do CIALP - Conselho Internacional dos Arquitectos de Língua Portuguesa, sobre a prática profissional na lusofonia. O Congresso e as restantes atividades e , a realizar no Centro de Congressos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa, visa lançar as bases de um fórum sociotécnico transnacional e falado em português, dirigido para a construção de laços fortes e duráveis de cooperação técnica e económica na respetiva grande área temática, seja pela realização em outros países da CPLP dos próximos congressos, seja pelo desenvolvimento continuado de outras atividades com utilidade socioeconómica.

As inscrições são feitas através do envio da ficha de inscrição, disponível no site do 2.º CIHEL em http://2cihel.lnec.pt/inscricoes.html e enviada para o Secretariado do 2.º CIHEL para o email: formacao@lnec.pt

A Iluminação natural nos edifícios: Uma abordagem no contexto do conforto e da eficiência energética

A iluminação constitui um dos principais fatores condicionantes da qualidade ambiental no interior dos edifícios. A sua principal função consiste em proporcionar um ambiente visual interior adequado, assegurando as condições de iluminação necessárias à realização das atividades visuais. Essas condições devem incluir a garantia dos mais adequados níveis de iluminação, a existência de conforto visual para os ocupantes, a minimização dos impactes energéticos e, ainda, os benefícios mais subjetivos, decorrentes da utilização da luz natural em vez da luz artificial e do contacto com o ambiente exterior através dos vãos envidraçados.


Docência: António Santos (LNEC)

Local, data e horário: A Sessão Técnica terá lugar no Centro de Congressos do LNEC, no dia 5 de março de 2013 entre as 14:30 e as 17:30.
Mais informações em: http://www.lnec.pt/congressos/eventos/pdfs/ste14.pdf


ARTIGO XXVII DA SÉRIE HABITAR E VIVER MELHOR

A ACALMIA DE TRÂNSITO NAS VIZINHANÇAS


António Baptista Coelho

O estudioso e urbanista Spiro Kostof (1) disponibilizou, em uma das suas fundamentais obras, um conjunto de conclusões sobre os espaços para trânsito misto , de peões e veículos, em conjuntos residenciais, aspectos estes que foram isolados no âmbito de um dos últimos estudos realizados no LNEC, neste caso, sobre o tema irmão de uma “habitação humanizada” (2) - solução integrada de habitar e de cidade/paisagem mais humanizada.

Refere então Kostof que:

“O mais importante aspecto do apoio ao peão (após todos os falhanços em áreas urbanas centrais e em zonas pedonais e comerciais específicas) liga-se não ao desenho de pólos comerciais, mas sim ao de vizinhanças residenciais ... através de um novo tipo de rua residencial designado Woonerf, literalmente «living yard» (pátio residencial), por Niek De Boer da Universidade Técnica de Twente em 1963: uma rua cuja principal função não é a circulação e o estacionamento automóvel, mas sim o andar a pé e o recreio.

"Nos meados dos anos 70 após vários ensaios o Woonerf foi nacionalmente adoptado na Holanda e mereceu um sinal de tráfego distinto.

"O pedido de redesenho/reconfiguração de uma determinada rua parte dos seus respectivos residentes.

"Os elementos que distinguem claramente das restantes vias são so seguinte tipo: pavimentos com aspecto ambíguo que distinguem da imagem da estrada; elementos de acalmia de tráfego de veículos; e inserção de verde urbano e de estacionamento repartido de forma a bloquear linhas de vista com continuidade...

"O conceito (de Woonerf, ou pátio/vizinhança residencial) na Alemanha transformou-se no de «rua viva/vivível» (Wohnstrasse) e acabou por ser exportado para os USA ...

"(e reinterpretado) por Duhany (que aplicou o seguinte tipo de aspectos): ruas mudam de carácter do formal para o informal, volumes são bem definidos, vistas fechadas, há uma paisagem de rua partilhada com o carro, mas desenhada em torno das necessidades e dos prazeres pedonais ... e descobriu-se que é necessário nova regulamentação neste sentido pois de contrário estas ideias são frequentemente ilegais” (Kostof, ob. cit., pp.240 a 242).



Fig. 1


Continuando, ainda, com breves citações, interligadas, da referida obra de Kostof, agora numa perspectiva de consideração mais envolvente sobre estas temáticas de um habitar e de um espaço urbano mais "à escala" de usos humanos mais amigáveis, que traduzam uma cidade que para além de funcional seja também um fundamental espaço de lazer (recreação ou recriação) e de uma vivência realmente agradável e estimulante, há que ter em conta os seguintes aspectos:

“O tráfego automóvel tornou-se a experiência central e incontornável do reino do espaço público ... e a regulamentação ao enfatizar o tráfego rápido e a abundância de zonas de estacionamento ... nas palavras de Duany e Plater-Zyberk «criam receitas virtuais de desintegração urbana». ...

"Duany e Plater-Zyberk propõem uma arma contra mais avanços do automóvel em território do peão: a TND a Traditional Neighborhood Development ordinance (código de Desenvolvimento Tradicional das Vizinhanças, DTV), um código genérico de urbanidade, consolidador da sabedoria vernacular de determinadas zonas urbanas preexistentes, desenvolvendo novos standards e dimensões para ruas.

(e assim) "A habitação animadora da rua é reinventada no DTV como tipologia habitacional standard, o andar a pé é encorajado pela localização de lojas a distância flanante de casa, os passeios têm um mínimo de 3,7m quando há lojas e as árvores de arruamento são obrigatórias” (Kostof, p.242).

“No passado a rua era o lugar onde as classes sociais se misturavam. Era o palco de cerimónias solenes e espectáculos improvisados, de observação humana, de comércio e de recreio... esta rua do passado era um sítio pouco saneado, física e moralmente, mas era também escola e palco de urbanidade... Em tudo isto o contentor contava, com certeza, mas não era o que mais contava... É por isso que não entendo o reviver do contentor sem um compromisso solene de o reinvestirmos com verdadeiro vigor urbano, com urbanidade.

"Enquanto... escaparmos à tensão social, agendarmos encontros com amigos e alegremente passearmos sozinhos em caixas de metal reluzentes, climatizadas e musicais, a rua renascida será um local que gostamos de visitar talvez frequentemente, mas não habitar – um espaço de brincadeira, um museu. E também constituirá o sítio de enterro das nossas esperanças de exorcizar a pobreza e os problemas ao confrontá-los diariamente; o sítio de enterro das nossas esperanças de aprender uns com os outros; o sítio de enterro da excitação não ensaiada, da acumulação do conhecimento dos modos de ser e viver e dos benefícios residuais de uma vida pública” (Kostof, p.243).

Ainda nesta matéria da “acalmia do trânsito”, mais um excelente conceito, que tudo tem a ver com um habitar mais amigável e que fui buscar aos colegas da engenharia de trânsito – o outro foi, já há alguns anos, a “vizinhança de proximidade” –, importa ter em conta:

. o desenho viário específico, que se julga poder e dever ser revisto considerando-se, agora, as especificidades do apoio à implementação de um fluxo de trânsito mais amigo do peão, embora tendo evidentemente em conta as funcionalidades rodoviárias e certas regras básicas de segurança, e, a propósito, lembra-se que os pontos potenciais de colisão sobem de 3, nos entroncamentos, para 16 nos cruzamentos de duas vias (3);

. e a decisão de se apoiar, especificamente, a circulação em bicicleta, como actividade recreativa e como meio de deslocação, decisão que tem implicações funcionais seja também no desenho viário específico, pois há que acautelar a segurança e o bem-estar de ciclistas (relativamente a veículos motorizados) e de peões (relativamente a ciclistas), seja nas respectivas previsões de acesso e arrumação em edifícios e habitações.



Fig. 2

E a propósito deste apoio específico ao tráfego de bicicletas, que se julga ser estratégico, importa no entanto cuidar que ele não se "sobreponha", ainda que pontualmente, a uma vital redinamização de uma rede densa e muitifuncional de percursos pedonais (mais funcionais, mais de lazer paisagístico, mais turísticos, mais historico-culturais, etc.). É essencial repensar e ir dando reforçada continuidade e apoios múltiplos e estratégicos (em termos de ligações com os vários tipos de tráfego motorizado) a esta maçha pedonal, articulando-se a rede ciclista com ela numa perspectiva de aliança, em que o peão possa ter sempre um predomínio estratégico.

Como última nota nesta reflexão sobre a acalmia de trânsito sublinha-se que se julga fundamental o direito dos peões à segurança relativamente aos veículos, pelo menos, nos seus “santuários” residenciais e de vida urbana, uma condição que se prolonga, naturalmente, pelo direito ao sossego, ao bem-estar ambiental e ao sentido de “à vontade” que são próprios de sítios onde o peão é “rei”, mas num reinado bem vitalizado pela proximidade funcional de veículos. A cidade de hoje pode permitir-nos tais condições, de certo modo as melhores em zonas de peões, conjugadas com uma adequada funcionalidade e vitalidade urbana, e um tal cocktail citadino e residencial como este poderá ser um aspecto determinante de uma vida diária verdadeiramente satisfatória e motivadora.

Artigo de António Baptista Coelho

Como elementos complementares a este artigo salienta-se a intenção da Câmara Municipal de Lisboa (CML) de criar, com brevidade, várias "Zonas 30" em diversas zonas da cidade: no centro hitórico de Carnide e no Bairro do Arco do Cego até final de março; e até ao final de 2013 num amplo conjunto de bairros de Lisboa e lembra-se o que tem sido a excelente política daCML no apoio aos percursos para bicicletas, percursos estes que começam a ter uma interessante continuidade na cidade e que se julga poderão ser devidamente articulados, seja com as novas "Zonas 30", seja com uma desejável e urgente redinamização de uma rede pedonal, tal como acima se aponta.

Citando-se uma recente notícia da Agência Lusa (editada no jornal Público e em outros meios de informação), registam-se mais algumas informações julgadas relevantes sobre este assunto da criação de "Zonas 30":

"«Este projeto foi aprovado no Plano Diretor Municipal (PDM) e abrange 30 bairros. Vamos começar por estes seis: Carnide, Arco Cego, Estacas, S. Miguel, Charquinho e Encarnação», disse hoje o vereador da Mobilidade, Nunes da Silva, à agência Lusa.

"Afirmando que dados da Autoridade Nacional da Segurança Rodoviária (ANSR) «indicam que a sinistralidade tem vindo a descer no país, mas não tem tido a mesma redução nas zonas urbanas», o vereador frisou que em Lisboa a maioria das vítimas em acidentes com automóveis são peões, em particular, nessas zonas habitacionais.

"Numa tentativa de reduzir esses acidentes, a Câmara de Lisboa vai iniciar algumas obras naqueles bairros para instalação de passadeiras sobre-elevadas, pistas antiderrapantes junto a equipamentos escolares e sinalização adequada de forma a reduzir a velocidade dos atuais 50 quilómetros/hora para 30 quilómetros/hora. No PDM está previsto que as «zonas 30» sejam implementadas em zonas residenciais, com elevada atividade comercial, na proximidade de equipamentos escolares ou de vias cicláveis.

"Além de se reduzir os acidentes, pretende-se também proteger os bairros do tráfego de atravessamento indesejado, reduzir a poluição ambiental e o ruído provocado pelos veículos e assegurar a segurança rodoviária para todos os utilizadores, especialmente peões e ciclistas.

"Nunes da Silva frisou que serão distribuídos panfletos pelos bairros em causa para informar os residentes da estatística dos acidentes nos locais, das obras que serão feitas e da alteração da velocidade.

"A Câmara de Lisboa iniciou este projeto «zona 30» em 2009 mas nessa altura visou apenas o Bairro Azul."


Como nota final, de esclarecimento, que se agradece a um amigo e colega, sublinha-se a diferença clara entre "woonerfs" e "zonas de 30"; ambos os conceitos de desenho têm sido promovidos na Holanda mas são diferentes, sendo que nas zonas de 30 há espaços destinados aos veículos (e nem sempre os dos veículos automóveis são partilhados com os das bicicletas, apesar da baixa velocidade imposta a todos) e espaços destinados aos peões, enquanto nos "Woonerfs" há partilha completa dos espaços por todos os utentes.

 

Notas:

(1) Spiro Kostof, “The City Assembled – The elements of urban form through history”, 2004 (1992).

(2) “Habitação Humanizada”, Lisboa e LNEC, 2007; disponível em duas versões editorias na Livraria do LNEC.

(3) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 248 e 249.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.


Editor: António Baptista Coelho
Ano IX, nº428
ARTIGO XXVII DA SÉRIE HABITAR E VIVER MELHOR
A ACALMIA DE TRÂNSITO NAS VIZINHANÇAS
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte

domingo, fevereiro 10, 2013

426 - Sobre o 2.º CIHEL, e artigo: O Prémio IHRU reabilitação para os espaços públicos do Bairro do Lagarteiro no Porto - Infohabitar 426


Infohabitar, Ano IX, nº426





Importante: Considerando a proximidade do 2.º Congresso Internacional Habitação no Espaço Lusófono (2.º CIHEL) e 1.º Congresso CRSEEL evidenciam-se, já de seguida, os principais artigos/links sobre este evento:

Site do 2.º CIHEL; com acesso a ficha de inscrição e quadro de apoios

Temas do 2.º CIHEL e do 1.º Congresso CRSEEL - as 137 comunicações já entregues sobre: habitação, cidade, território e desenvolvimento - António Baptista Coelho e Anabela Manteigas (n.º 421, 31 Dez. 12, 14 págs., 10 figs.).

2.º CIHEL - "Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento", no âmbito da lusofonia: 2.º CIHEL, LNEC, Lisboa, 13 a 15 de março de 2013 - Comissões do 2.º CIHEL (n.º 418, 2 Dez. 12, 9 págs., 12 figs.).

2nd CIHEL - International Congress on Housing in the Lusophone Territory - António Baptista Coelho e Elisabete Arsénio (n.º 403, 23 Jul. 12, 6 págs., 5 figs.).

E lembra-se que é ainda possível realizar a inscrição no Congresso a preço reduzido até 15 de fevereiro de 2013.

Participante não estudante:
- Congresso: 290 euros
- Conjunto Congresso e Workshop: 350 euros

Participante estudante - 1º e 2º ciclos
- Congresso: 120 euros
- Conjunto Congresso e Workshop: 150 euros

A frequência conjunta do workshop e do Congresso tem condições especiais para estudantes; incluindo-se os arquitectos recém-licenciados e a realizarem a formação obrigatória - o conjunto Workshop e Congresso representa um total de 8 créditos de Formação em Temáticas Opcionais de ingresso na O.A.
Consideram-se como estudantes os estudantes do 1.º e 2.º Ciclos de estudos (licenciatura e mestrados), neste caso o custo de incrição compreende a participação nas sessões do encontro, coffee-breaks, documentação de apoio e certificado de participação; não inclui almoços nem programa social; deverá ser anexada à ficha de inscrição comprovativo de matrícula atualizado.


Artigo: O Prémio IHRU reabilitação para os espaços públicos do Bairro do Lagarteiro no Porto
António Baptista Coelho

Breve introdução ao Prémio IHRU e seus antecedentes

No dia 6 de fevereiro de 2013 foram entrregues os Prémios IHRU Construção e Reabilitação 2012, na habitual cerimónia pública promovida pelo Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU).

O Prémio IHRU é herdeiro do Prémio INH (Instituto Nacional de Habitação), embora seja realizado num quadro diferente de premiação e de análise das candidaturas, e correponde a uma "tradição técnica" que se considera como extremamente importante pois corresponde a um acompanhamento das intervenções de construção nova de habitação de interesse social e de reabilitação habitacional e urbana com um historial global já com 24 anos de atividade contínua e que, em seguida, se sintetiza.

O Prémio INH para a construção nova de habitação de interesse social apoiada pelo Estado teve a sua primeira edição em 1989 (Prémio INH), seguindo-se 18 anos de Prémio INH, um (1) ano de Prémio INH/IHRU em 2007 e cinco (5) anos de Prémio IHRU; portanto os referidos 24 anos de premiação e acompanhamento ou observatório da promoção de habitação de interesse social ou a "Custos Controlados".

O Prémio IHRU para a reabilitação teve a sua origem no Prémio RECRIA, que foi gerido primeiro pelo IGAPHE e depois pelo INH e que teve edições entre 1999 e o início do Prémio IHRU em 2008 (último Prémio RECRIA em 2007).

Lembra-se, ainda, que o carácter do Prémio INH sempre foi exclusivamente honorífico, enquanto o Prémio RECRIA atribuía um valor pecuniário correspondente a determinadas percentagens da comparticipação total concedida pelo Instituto; e salienta-se que o "novo" Prémio IHRU, atribuído desde 2008, em várias modalidades de construção nova e de reabilitação, é também um Prémio exclusivamente honorífico.



Fig. 01

O Prémio IHRU reabilitação para os espaços públicos do Bairro do Lagarteiro no Porto: ficha técnica

Tendo referido, com grande brevidade, o quadro em que são entregues os Prémios IHRU, faz-se em seguida um, também breve, comentário ao projecto e obra de reabilitação dos espaços públicos do Bairro do Lagarteiro, no Porto, uma promoção que foi destacada com o Prémio IHRU 2012 na vertente "Reabilitação e Qualificação de Espaço Público".

E referimo-nos à natureza de "comentário" deste pequeno texto, pois será, sem dúvida, importante voltar a uma análise desta intervenção de uma forma mais alongada e pormenorizada em outras oportunidades.

Como ficha técnica desta intervenção, sublinha-se que foi promovida pela Câmara Municipal do Porto (CMP) - Gestão de Obras Públicas da CMP, E. M., e que foi realizada com apoio financeiro do IHRU, com projeto coordenado pelo Arq.º Paulo Tormenta Pinto e pelo Arq.º Paisagista João Ferreira Nunes - Proap, Lda. e construção da empresa Construtora da Huíla - Irmãos Neves, Lda.



Fig. 02
Sobre a intervenção nos espaços públicos do Bairro do Lagarteiro no Porto: alguns comentários

Em primeiro lugar importa referir que o Bairro Lagarteiro é uma unidade urbana e habitacional socialmente sensível e que qualquer intervenção aí realizada é complexa e igualmente sensível, seja nos "partidos" escolhidos em termos de linhas de atuação, seja nos esperados "diálogos" entre novas soluções urbanas e "habitáveis" aplicadas e as suas respetivas formas de apropriação pelos habitantes.

Importa ainda referir que a intervenção nos espaços públicos tem de ser acompanhada ou até antecipada pela melhoria das condições funcionais e de imagem dos respetivos edifícios, uma condição que terá sido já cumprida em boa parte do Bairro e que é crucial para o êxito da intervenção.

Há ainda que registar a importância da intervenção "paralela" na revitalização e melhoria dos equipamentos colectivos locais e na sua maximizada fusão com a estrutura habitacional e urbana do Bairro; uma condição também já em boa parte assegurada, seja no interior do Bairro, seja na sua vizinhança de proximidade.

E finalmente e como remate destas notas de enquadramento importa sublinhar, quer a importância do diálogo social continuado com os habitantes, seja a sua participação direta e/ou indireta na própria gestão local do Bairro, seja a continuidade e efetividade da presença municipal no apoio ao desenvolvimento da intervenção; todas estas condições que se julga estarem presentes na atual vida do Bairro


Fig. 03

O Prémio IHRU reabilitação para os espaços públicos do Bairro do Lagarteiro no Porto: alguns comentários

Passa-se, agora, a alguns comentários de maior pormenor sobre a tipologia da intervenção nos espaços públicos do Lagarteiro; notas estas desenvolvidas na sequência de pequenos textos retirados da respetiva apreciação desenvolvida pelo Júri do Prémio IHRU 2012.

Na ata do Júri do Prémio referiu-se ser este um "Projeto estruturado num conceito claro e ajustado à realidade do bairro, que qualifica o espaço público de uma maneira sustentável e ambientalmente correta, marcada por uma adequada e extensa intervenção paisagísitica e estruturada por uma opção de conceção arquitetónica com expressiva qualidade e sobriedade."

Por vezes o espaço público é "redesenhado" negativamente, com base na aplicação de soluções gerais até menos adequadas do que as originais, considerando-se que o estado de frequente desajuste e de infuncionalidade a que se chegou decorre de erros de conceção e não, como por vezes acontece, de "simples" problemas de gestão ou mesmo da própria ausência de uma gestão, pelo menos, mínima. Outras vezes o espaço público, ao ser "redesenhado", é abordado de forma "superficial", não havendo talvez a coragem de se avançar numa verdadeira reconversão de acessibilidades, funcionalidades e conteúdos/imagens, reconversão esta que evidentemente exige aprofundada sensibilidade na sua identificação e na respetiva escolha de novas soluções, quando estas são claramente necessárias.

O que se julga ter acontecido, e bem, no Lagarteiro, foi o assumir quer da importância da gestão corrente e de proximidade e dos seus necessários reflexos na própria estruturação da solução de redesenho, quer a coragem de se assumir um verdadeiro redesenho em termos gerais e de pormenor, e neste redesenho ter-se assumido também a importância de um verdadeiro "verde urbano" atuante e sustentável e de adequadas condições de durabilidade e de facilidade de manutenção, e até de "dificultação" de determinadas ações de vandalismo (ex., pinturas em paredes e muros).

Fig. 04

Depois, a ata do Júri salientou "o sensível cuidado dirigido para uma pormenorização que, além de servir a conceção global, é marcada por uma adequada atratividade e durabilidade."

Já se referiram aqui os aspetos associados ao que se julga ser a adequada pormenorização pública no renovado Lagarteiro, importa talvez apontar a forma subtil, mas bem forte, com que dos pormenores duráveis resulta uma imagem global tão impressiva, como sóbria e também atraente; e já agora a forma como pormenores "duros"/construídos se ligam com um verde urbano bem aplicado e durável, e a forma como tudo isto se harmoniza com a imagem agradável e sobriamente renovada do edificado.

E, finalmente, o Júri realçou "as condições de acessibilidade e mobilidade em todo o espaço público e em relação à sua envolvente (do Bairro), integrando-se, deste modo, esta área habitacional no tecido urbano da cidade do Porto."

De certa forma ficou para o final o que deveria ser, mas nem sempre é, bem evidente: que os conjuntos urbanos, todos eles e não apenas os "de interesse social", vivem, em boa parte, do modo como se ligam à continuidade urbana, do modo como são acessíveis a partir "da cidade" e do modo como com ela dialogam em termos de vias e, essencialmente, de ruas. E não tenhamos dúvidas de que os conjuntos urbanos aos quais apenas vai quem lá vive são meios privilegiados para se aprofundarem diferenças socioculturais. E, naturalmente, no renovado Lagarteiro tudo se fez para se abrir o Bairro à sua envolvente e à relação com a cidade, numa opção bem diferente daquela que marcava a solução preexistente - solução esta que, é também preciso dizê-lo, estava bem influenciada por uma dada "escola" de urbanismo, que teve o seu tempo de experimentação.


Fig. 05

Algumas (poucas) palavras de remate

Como se disse na abertura deste pequeno artigo, foram estas, apenas, algumas notas de comentário sobre uma intervenção de requalificação urbanística e habitacional, que se julga estar marcada por uma sóbria e efetiva qualidade em termos de conceção arquitectónica (geral e paisagística), mas uma conceção que, para além disso, parece conseguir construir pontes tão subtis como verdadeiramente expressivas com a respetiva e desejada apropriação e satisfação pelos habitantes.

Naturalmente, tal ideia de harmonização entre qualidade de "desenho" e satisfação residencial e urbana só poderá ser devidamente verificada com mais algum tempo de vivência do renovado Bairro, mas sente-se a existência de uma perspetiva com claro sinal positivo, na forma como a intervenção parece estar a ser vivida e usada.

Um outro aspeto importante e ainda mais sensível parece ser a possível aliança que aqui se avançou entre uma intervenção bem (re)desenhada e um "partido" em que não se nega um estimulante sentido de atratividade, embora dignamente marcado pela sobriedade e urbanidade das soluções.

E tudo isto pode, sem dúvida, ser útil em termos do replicar de soluções de intervenção em outros conjuntos de habitação de interesse social carecidos de requalificação no seu edificado e nos seus espaços públicos.

Em tudo isto um outro aspeto que importa apontar é a tranquila e positiva "revolução" que tem vindo a acontecer nos bairros de interesse social geridos pela Câmara Municipal do Porto (CMP), onde se renovam sóbria e funcionalmente os edifícios e espaços envolventes, dotando-os de adequadas condições de conforto e de agradabilidade das respetivas imagens públicas, e uma "revolução" que se pode considerar ela própria exemplar. E nesta matéria quer as Menções Honrosas do Prémio IHRU a operações de reabilitação de conjuntos da CMP em anos anteriores - Bairro Pio XII em 2008, Bairro do Lordelo do Ouro em 2011 -, quer esta atribuição do Prémio IHRU à intervenção no Bairro do Lagarteiro, são provas claras da qualidade e continuidade/vitalidade desta ação.
Há no entanto que referir aqui a grande importância que tem a integração entre a intervenção de requalificação nos espaços públicos e nos edifícios; uma situação que à data da visita do Júri do Prémio IHRU 2012 ao conjunto não estava ainda assegurada.


Fig. 06

Terminou-se já esta pequena reflexão sobre a excelente intervenção nos espaços públicos do Bairro do Lagarteiro, mas aproveita-se a oportunidade de se tratar este assunto da requalificação de conjuntos de habitação de interesse social para se lançar uma matéria que se julga ser interessante e oportuna.

Trata-se de um aspeto que se refere ao apontar de um possível quadro de intervenções de requalificação urbana em que a implantação original dos edifícios não seja matéria "intocável", propondo-se, sim, a possibilidade de se realizarem algumas (re)densificações e alguns preenchimentos pontuais e estratégicos, que possam reforçar, quer a fundamental continuidade urbanística e de sequências de imagens, quer o próprio equilíbrio económico da intervenção, quer ainda a melhoria do seu equipamento urbano (ex., novos edifícios com lojas térreas). Repete-se e sublinha-se que esta apreciação nada tem a ver especificamente com o que foi feito, e bem, no Lagarteiro, mas sim com o quadro global que tem marcado, em Portugal, a reabilitação de conjuntos de habitação de interesse social e onde a redensificação é considerada como praticamente "impossível", numa perspetiva bem diferente daquela que tem marcado operações com alguma identidade, realizadas em outros países da Europa.

Mas este aspeto é algo que deve ficar para outras reflexões, lembrando-se o que se julga ser o grande equilíbrio de projeto de requalificação aplicado no renovado Lagarteiro e cujos resultados práticos procuraremos revisitar em outras oporunidades.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.


Editor: António Baptista Coelho
Ano IX, nº426
Sobre o 2.º CIHEL, e artigo: O Prémios IHRU para os espaços públicos do Bairro do Lagarteiro no Porto
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte



domingo, fevereiro 03, 2013

425 - Sobre o 2.º CIHEL: temas, organização e continuidade - Infohabitar 425


Infohabitar, Ano IX,  nº425

Importante: Considerando a proximidade do 2.º Congresso Internacional Habitação no Espaço Lusófono (2.º CIHEL) e 1.º Congresso CRSEEL evidenciam-se, já de seguida, os principais artigos/links sobre este evento:

Site do 2.º CIHEL; com acesso a ficha de inscrição e quadro de apoios
2.º CIHEL - "Habitação, Cidade, Território e Desenvolvimento", no âmbito da lusofonia: 2.º CIHEL, LNEC, Lisboa, 13 a 15 de março de 2013 - Comissões do 2.º CIHEL (n.º 418, 2 Dez. 12, 9 págs., 12 figs.).
2nd CIHEL - International Congress on Housing in the Lusophone Territory - António Baptista Coelho e Elisabete Arsénio (n.º 403, 23 Jul. 12, 6 págs., 5 figs.).


Sobre o 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL: temas, organização e desejada continuidade

António Baptista Coelho

Salienta-se que ao 2.º CIHEL em boa hora se aliou o 1.º Congresso Construção e Reabilitação Sustentável de Edifícios no Espaço Lusófono (1.º CCRSEEL), desenvolvido pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL).

Grandes temas do 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL

São oito as temáticas do 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL, referidas, de a) a h).  Refere-se a seguir ao título do tema o número de trabalhos a apresentar e já recebidos, registando-se, depois, uma síntese "mínima" de cada tema.
a) Programas e políticas urbanas e habitacionais - 25 comunicações
Apresentar e discutir programas e políticas urbanas e habitacionais associadas à temática do congresso, considerando as políticas públicas e sectoriais e a importância da reabilitação e da gestão, considerando uma realidade marcada, frequentemente, por necessidades críticas e por reduzidos meios de ação, e tendo em conta uma perspetiva associada ao desenvolvimento da sociedade e aos amplos objetivos de sustentabilidade.
b) Cidade habitada, território e ambiente - 23 comunicações
Desenvolver ligações entre ambiente, acessibilidades numa perspetiva multimodal, território, paisagem e uma cidade viva, que se deseja possa ser dinamizadora de um desenvolvimento sustentável, coerente e integrado e aliado da paisagem natural. A investigação e a formação sobre a cidade e a evolução do habitat humano, tendo em conta o "novo" mundo urbano, de megacidades e megaperiferias. Considerar a cidade como espaço de vida, de cultura, de vitalização territorial, para a competitividade e coesão social e territorial. Ter em conta os equilíbrios: cidade-campo; cidade habitada e cidade industriosa; mundo urbano dinâmico –ambiente adequado, considerando também as estratégias de adaptação e mitigação face a riscos naturais e tecnológicos.
c) Da urbanidade no espaço público à cidade informal -10 comunicações
Aprofundar as perspetivas de humanização do mundo urbano, como espaço bem habitado e equipado, tendo em conta diversos perfis de infraestruturação e as potencialidades do espaço público e dos serviços urbanos e sociais. Desenvolver os aspetos de análise, reorganização, acupuntura urbana e preenchimento positivo da cidade, atendendo a fatores de segurança. Considerar formas mais adequadas de reabitar o centro e reordenar periferias. Apresentar e discutir processos e ações de intervenção e reurbanização na "cidade informal", a promoção de um sentimento de pertença e a prevenção contra a criminalidade e as incivilidades.
d) O habitar nas comunidades rurais - 2 comunicações
A caracterização do habitar nas comunidades rurais, considerado como padrão urbano determinante e vitalizador na organização das sociedades em desenvolvimento,e como processo emergente em contextos já mais estruturados, mas marcados por uma crescente sensibilidade sobre o ambiente e pela reinterpretação de velhos modos de vida e pela perspetiva do “regresso ao campo”.
e) Da habitação de interesse social à diversificação tipológica - 17 comunicações
Visar a discussão do direito, do acesso e do apoio à habitação e as práticas mais adequadas aos diversos atores sociais, institucionais e económicos associados à promoção habitacional. Perspetivar uma diversificação e adequação estratégica das soluções habitacionais (da habitação à vizinhança). Discutir opções de realojamento adequadas. Considerar a relação entre soluções habitacionais, modos de vida e exigências funcionais e de conforto, tendo em conta velhas e novas formas de habitar, desejos e necessidades e relações entre família e vizinhança e entre vizinhança e cidade.Ter em conta as inovações nos modos de vida e o papel da integração das novas tecnologias na cidade e no espaço doméstico.
f)  Integrar a reabilitação urbana e habitacional - 11 comunicações
Visar a relação entre habitar e reabilitar, considerando a múltipla importância do construir no construído e do preenchimento e da densificação no incremento de uma ampla sustentabilidade urbana, abrangendo ainda a questão dos vazios urbanos. Considerar as principais ferramentas da reabilitação urbana e habitacional com destaque para as análises de habitabilidade. Perspetivar uma reabilitação urbana e habitacional vitalizadora, socialmente integradora, funcionalmente diversificada e valorizadora.
g) Sistemas, processos, tecnologias e materiais de construção - 31 comunicações
Apresentar e discutir sistemas, processos, tecnologias e materiais direcionados para a construção nova e para a  reabilitação habitacional e urbana, considerando aspetos ligados à relação custo-benefício e, designadamente, à escassez de recursos, às técnicas e meios localmente disponíveis e à adequação em termos de conforto ambiental; considerar a ligação destas matérias às diversas facetas da sustentabilidade – ambiental, económica e sociocultural.
h) Práticas de investigação e intervenção urbana e habitacional - 22 comunicações
Adaptação das comunidades e dos habitantes às propostas urbanísticas e arqutetónicas; o desgaste das soluções construtivas e a quantificação do investimento na manutenção; a evolução de usos e necessidades urbanas e domésticas; a relação com os moradores e a respetiva participação; a aplicação de diversos processos de análise da satisfação, com destaque para Avaliação Pós-Ocupação (APO). A multidisciplinaridade na intervenção urbana e habitacional.



Pequena síntese organizativa do 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL
Em termos organizativos a apresentação das mais de 140 comunicações entregues é assegurada nas manhãs dos dias 14 e 15 de março em sessões simultâneas, que decorrerão em sete salas do Centro de Congressos, tendo-se tentado realizar uma distribuição cuidadosa dos conteúdos das comunicações, tanto por tema e por sala, como por subtemática tratada; de modo a que quem participa no Congresso possa ter apresentações focadas em temáticas afins. Naturalmente que este processo terá, sem dúvida, muitas imperfeições, mas na prática tentou-se realmente esta estratégia, o que levou até à conjugação de comunicações de vários temas numa mesma sala/sessão, quando há assuntos com afinidade e, naturalmente, porque o número diferente de comunicações em cada tema assim obriga.
Outro cuidado havido refere-se à provável edição do livro do Congresso cumprindo esta mesma lógica, na sua parte editada em papel, que segue exatamente a divisão por temas e salas acima indicada, de modo a facilitar-se a escolha e o acompanhamento das diversas comunicações e sessões.
A edição dos textos completos das comunicações no CD seguirá, muito provavelmente, uma ordem simples de consulta referida ao n.º de ordem com que as comunicações foram chegando ao secretariado (ex., A001 a A025; C001 a C010); isto porque se considera que o acesso ao CD será feito habitualmente com o objetivo de consulta de uma dada comunicação, sendo neste caso essencial uma forma simples de acesso à mesma (ex., N.º de ordem geral tal como indicado, título do trabalho, autores do trabalho).
Nas tardes dos dias 13, 14 e 15 de março os trabalhos decorrerão sempre em plenário, centrados nas cerca de 12 intervenções convidadas.
Prevê-se ainda que nos intervalos da manhã e da tarde dos dias 14 e 15 se realizem breves intervenções de apresentação de livros, junto às respetivas editoras.




Algumas notas sobre o 2.º CIHEL e sobre o CIHEL   
O principal objetivo deste 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL e das suas atividades associadas é a constituição de um fórum sociotécnico do mundo da lusofonia e com afirmada continuidade temporal, que possa ter uma utilidade clara e crescente na grande área temática “da habitação, cidade, território e desenvolvimento", visando-se a dinamização de um processo que assegure, numa base de realizações itinerantes, os próximos Congressos e atividades intercalares com forte caráter prático e de utilidade socioeconómica.
Neste sentido espera-se que seja aliciante o programa previsto, onde se destacam: as cerca de 12 intervenções convidadas e as 140 comunicações a apresentar no Centro de Congressos do LNEC, em sete salas, de 13 a 15 de março de 2013; a pequena "feira do livro" técnico que se espera poder assegurar no átrio do Centro de Congressos; as exposições previstas, com destaque para a que vai ser organizada pelo CIALP, sobre património de origem portuguesa no âmbito da lusofonia; o workshop que antecede o Congresso; e a visita técnica que está em estudo.
Do 1.º para o 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL, estamos a passar de 5 para cerca de 12 intervenções convidadas, e de 50 para mais de 140 comunicações, tendo crescido fortemente na promoção de atividades associadas; esperemos, então, que o 3.º CIHEL e, quem sabe, outras atividades intercalares, possam aprofundar a utilidade desta iniciativa no apoio ao bem-estar das populações e nos amplos territórios onde se fala português. 
E como nada se pode fazer sem ser num grupo coeso, julga-se que é de grande oportunidade a operacionalização do Secretariado Permanente do CIHEL, que foi esboçado no final do 1.º Congresso, mas que deveria, agora, assumir uma atividade continuada e estratégica - designadamente através da criação de uma Comissão Coordenadora -, no lançamento e enquadramento dos próximos Congressos e outras tipologias de eventos e instrumentos de discussão, formação, divulgação e partilha de informação, nesta grande área dos habitares no espaço lusófono; habitares estes que, tal como se aponta neste 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL, têm a ver com o ambiente, o território, a cidade e um desenvolvimento adequado e sustentado.



Regista-se também o interesse, por parte das pessoas e entidades que apoiaram na realização do 1.º e 2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL, de se desenvolver e aprofundar a cooperação com outras pessoas e entidades que visem o mesmo leque de objectivos, associados a um melhor habitar no mundo de língua portuguesa.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.


Editor: António Baptista Coelho
Ano IX,  nº425
Notas sobre os temas, a organização e a continuidade do 2.º CIHEL,
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte, SEM DATA (em actualização periódica)