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segunda-feira, setembro 10, 2018

655 - APROFUNDAR A SUSTENTABILIDADE NO HABITAR - infohabitar 655

INFOHABITAR N.º 655

APROFUNDAR A SUSTENTABILIDADE NO HABITAR


Conjunto de 22 artigos

 

Caros leitores da revista semanal Infohabitar com a presente edição, damos continuidade a uma tipologia editorial, em que se procura voltar a focar e divulgar artigos e séries editoriais já desenvolvidas há algum tempo, mas versando temáticas intemporais.

Julgamos que quando uma revista técnica e científica como a nossa atinge um significativo “tempo de vida” – neste caso 14 anos – e expressão editorial – a caminho dos 700 artigos – corre-se o risco de textos que deixaram de estar numa primeira linha editorial, mas que continuam com o mesmo interesse e oportunidade, poderem ficar um pouco esquecidos “nas prateleiras arquivadoras”, neste caso “na nuvem arquivista” e, a partir desta consideração, surgiu a ideia de voltar a colocar “bem à mão”, à distância de um rápido “clic”, conjuntos temáticos de artigos, por vezes muito bem articulados, entre si, outras vezes marcados por uma salutar diversidade, como é o caso actual.

E é assim que, na presente edição da Infohabitar, se sugere a leitura de uma série de 22 artigos, editados entre 2005 e 2013, realizados por 15 autores e que têm em comum a abordagem do grande tema referido à temática da SUSTENTABILIDADE NO HABITAR, aproveitando-se para lembrar que , em Portugal, o Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) – grupo de investigação estruturado por Nuno Portas em Novembro de 1969 – foi pioneiro na investigação em Habitação numa perspectiva integrada entre as matérias da Arquitectura e das Ciências Sociais.

E lembra-se que esta matéria da SUSTENTABILIDADE NO HABITAR constitui um dos 35 temas editoriais da Infohabitar.

Listam-se, em seguida (ordenados de acordo com a respectiva apresentação), alguns dos temas tratados nos artigos cujos links são disponibilizados mais abaixo:

- Factores que influenciam a certificação energética de edificios habitacionais.
- Energia solar passiva.
- Os outros sítios que habitamos, além da nossa casa.
- Cidades mais Inclusivas e Sustentáveis
- A Sustentabilidade na EPUL – da Obra Nova à Reabilitação.
- Arquitectura e Sustentabilidade.
- Cidades vivas, cultas e creativas.
- Cidades e ecologia.
- O primeiro empreendimento cooperativo de construção sustentável em Portugal – Ponte da Pedra em Matosinhos.
- O lixo é também responsabilidade nossa.
- Cidades Sustentáveis.
- Acessibilidades e mobilidades urbanas.
- Humanização do habitar.
- Regulamentação térmica e sustentabilidade na habitação.
- Prémio Europeu de Energia Sustentável 2007 para projecto europeu SHE e conjunto residencial cooperativo na Ponte da Pedra.
- Cidades humanizadas e sustentáveis.
- Estratégias de flexibilidade na arquitectura doméstica holandesa: da conversão à multifuncionalidade.
- Habitar o espaço público com sustentabilidade.
- Qualidade na habitação: arquitectura, cidade e gestão.
- Ordenamento, revitalização da memória e Prémio INH.


Fiquem, então,caros leitores com algumas das muitas páginas da nossa pequena história editorial:

e boas leituras,

António Baptista Coelho
Editor da Infohabitar, Presidente da GHabitar, investigador principal com habilitação em Arquitectura e Urbanismo (LNEC), doutor em Arquitetura (FAUP), Arquiteto (ESBAL).

Notas práticas:
. a listagem dos artigos mantém a respetiva ordem cronológica editorial (dos mais recentes para os menos recentes);
. os artigos são disponibilizados no seu formato editorial original;
. para aceder ao artigo basta fazer ctrl + click sobre o seu endereço eletrónico (disponibilizado a seguir ao respetivo título); ou sobre o próprio título (quando este está ligado diretamente ao respetivo ebdereço eletrónico – ao passar o rato/mouse sobre o título essa ligação fica evidente).  


(Tema geral)

APROFUNDAR A SUSTENTABILIDADE NO HABITAR

Espuma PU de óleo vegetal na arquitetura: alternativa ecológica para isolamento térmico de sistemas de cobertura -  Grace Tibério Cardoso, Francisco Vecchia e Salvador Claro Neto  (n.º 442, 3 JUN. 13, 10 págs., 8 figs.).

Factores que influenciam a certificação energética de edificios habitacionais - Pedro Almeida (n.º 439, 13 MAI. 13, 7 págs., 4 figs.).

Moradia Ideal: Colaboração para Cidades mais Inclusivas e Sustentáveis - António Baptista Coelho (n.º 325, 19 Dez. 10, 9 págs., 4 figs.).

A Sustentabilidade na EPUL – da Obra Nova à Reabilitação - Sara Ribeiro e João da Veiga Gomes (n.º 235, 23 Fev. 09, 6 pág., 5 fig.).

Arquitectura Sustentável, 3 e 4 de Outubro 2008: Relato II- António Baptista Coelho (n.º 219, 27 Out. 08, 18 págs., 15 figs.) .

Arquitectura Sustentável, 3 e 4 de Outubro 2008: Relato I - António Baptista Coelho (n.º 218, 20 Out. 08, 20 págs., 10 figs.) .

Arquitectura sustentável: além do ambiente - António Baptista Coelho (n.º 217, 13 Out. 08, 15 págs., 9 figs.) .

Cidades e ecologia – Joana Mourão (n.º 203, 30 Jun. 2008, 7 págs., 5 figs.).

O primeiro empreendimento cooperativo de construção sustentável em Portugal – artigo de José Coimbra (n.º 198, 25 Maio, 2008, 12 págs., 11 figs.).

O lixo é também responsabilidade nossa – um artigo da Arq.ª Marilice Costi (n.º 185, 2, Março, 2008, 4 págs, 4 figs. de ABCoelho).

Acessibilidades, Mobilidades e (in)Sustentabilidades Urbanas: A Cidadania em Causa - João Lutas Craveiro (n.º 137, 26 Abr. 07, 8 p., 5 fig.).

Humanização do habitar: algumas reflexões – António Baptista Coelho (n.º 130, 15 Mar. 07) .

Regulamentação térmica e sustentabilidade na habitaçã– António Baptista Coelho, Fausto Simões e Pina dos Santos (n.º 128, 01 Mar, 07).

Cidades humanizadas e sustentáveis: alguns caminhos de aprofundamento - António Baptista Coelho (n.º 120, Jan. 04 07).

A propósito da iniciativa “Por um Território Sustentável” – António Baptista Coelho (n.º 115, 29 Nov., 06, 9p., 15 fig.).

O Prémio INH, algumas notas, António Baptista Coelho (n.º 86, 28, Mai. 06,).

Habitar o espaço público com sustentabilidade, notas da 2ª Conferência Habitar, Faro 25 Março 06 – relato de António Baptista Coelho (n.º 81, 23 Abr. 06, 9p. 17 fig.).

Qualidade na habitação: arquitectura, cidade e gestão - António Baptista Coelho (n.º 43,  4 Out. 05, 4 p., 3 fig.).

Ordenamento, revitalização da memória e Prémio INH - Maria Celeste Ramos (n.º 42, 27 Set. 05, 6p., 6 fig., 2 com.).



Finalmente salienta-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, acolhido no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.


Infohabitar, Ano XIV, n.º 655

APROFUNDAR A SUSTENTABILIDADE NO HABITAR

 Conjunto de 22 artigos

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

quarta-feira, novembro 29, 2006

115 - A propósito da iniciativa “Por um Território Sustentável” – reportagem de António Baptista Coelho - Infohabitar 115

 - Infohabitar 115

E a propósito de um dia de trabalho que associou um fórum de discussão à inauguração do primeiro empreendimento cooperativo de construção sustentável em Portugal, promovido pela cooperativa NORBICETA, na 2ª Fase do conjunto da Ponte da Pedra - Matosinhos



Uma iniciativa FENACHE – INH – C. M. DE MATOSINHOS
O Fórum “Por um Território Sustentável” teve lugar a 28 de Novembro de 2006 no Salão Nobre do Município de Matosinhos

Este texto serve essencialmente para acompanhar um conjunto de imagens que ilustram o que foi o dia de trabalho e de divulgação das temáticas da sustentabilidade urbana e residencial, assegurado por uma parceria entre a Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE), o Instituto Nacional de Habitação (INH) e a Câmara Municipal de Matosinhos, por ocasião da inauguração daquele que foi considerado o primeiro empreendimento cooperativo de construção sustentável em Portugal, promovido pela NORBICETA, UCRL (cooperativas Nortecoop, As Sete Bicas e Ceta), na 2ª Fase do conjunto da Ponde da Pedra em Matosinhos .




Com comentários muito reduzidos faz-se um pouco o programa ilustrado deste dia de trabalhos, abre-se o “apetite” para uma visita ao conjunto acabado e faz-se o link para o site do projecto europeu SHE, Sustainable Housing in Europe ( www.she.coop )
Finalmente, porque se julga que cada artigo deverá acrescentar sempre um pouco mais de matéria informativa/formativa, e com os devidos créditos à Newsletter 2 do projecto SHE, datada de Novembro de 2005, faz-se uma pequena resenha de citações sobre os aspectos técnicos de sustentabilidade que caracterizam cada um dos oito projectos-piloto SHE, entre os quais se integra este conjunto na Ponte da Pedra.

Lembra-se ainda que quem queira conhecer um pouco mais desta excelente iniciativa cooperativa na Ponte da Pedra pode facilmente continuar a ler o Infohabitar, pois imediatamente de seguida há um artigo pormenorizado sobre o que ela tem de inovação em termos de construção sustentável, da autoria de um dos seus principais responsáveis técnicos o Eng. José Coimbra.


Programa: sequência de temas/intervenções sob o tema, “por um Território Sustentável”:






(i) Intervenção de Guilherme Vilaverde, Presidente da Direcção da FENACHE – Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica, FCRL.

(ii) Intervenção do Eng. José Teixeira Monteiro, Presidente do Conselho Directivo do INH – Instituto Nacional de Habitação.

(iii) Intervenção do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos
E não seria possível deixar aqui de referir o que foi conseguido numa parceria estratégica entre as cooperativas de habitação associadas na FENACHE, o Instituto Nacional de Habitação e a Câmara Municipal de Matosinhos.
Conseguiu-se não só desenvolver um conjunto residencial onde se aplicam diversas soluções ambientalmente sustentáveis, mas também fazê-lo, ao mesmo tempo que se realizou um conjunto habitacional e urbano de habitação de interesse social, e isso, tal como foi sublinhado nestas intervenções é algo que fica para a história da habitação de interesse social portuguesa.






(iii) Intervenção intitulada “Projecto SHE (Sustainable Housing in Europe) – da Teoria à Prática”, por Alain Lusardi, Arq. Coordenador do Projecto SHE.
Foi uma intervenção que equacionou o projecto SHE no seu conjunto e nas suas potencialidade técnicas, sociais e de disseminação de uma nova forma de fazer pedaços positivos de cidade habitada; e havendo aqui lugar apenas a alguns comentários muito genéricos, confesso que entre as muitas coisas com muito interesse que Alain Lusardi referiu, gostaria aqui de sublinhar que, tal como ele disse, um dos objectivos do SHE foi procurar, ponderar e aplicar soluções de sustentabilidade verdadeiramente práticas, verdadeiramente possíveis de serem adoptadas no dia-a-dia da prática habitacional e residencial.







(iv) Intervenção intitulada “O Empreendimento da Ponte da Pedra – Por uma Cidade Sustentável”, pelo Arq. Carlos Coelho, Coordenador do Projecto do Empreendimento.
Também muito haveria aqui a referir sobre a intervenção de Carlos Coelho, mas fiquemos por algo de muito importante e que é a constatação de que muitos aspectos de verdadeira sustentabilidade urbana e residencial, associados, designadamente, à recuperação de uma zona antes ocupada por uma indústria poluente e degradada, e ao implementar de um conjunto de objectivos urbanos coesos, que visam o fazer cidade humanizada e vitalizada, estavam já premeditadamente garantidos ainda antes de se pensar aqui na Ponte da Pedra no projecto SHE, como elementos vitais a aplicar neste conjunto e que caracterizaram, logo, a 1ª fase desta Ponte da Pedra; e este é um ensinamento importante a retirar relativamente à eficácia de pequenos concursos de projecto bem enquadrados. E depois, depois foi associar estas ideias aos objectivos de sustentabilidade do SHE, ao mesmo tempo que se fez uma agradável pequena variação da imagem urbana (isto entre a 1ª e a 2ª fases).






(v) Intervenção intitulada “Novos Desafios para o Futuro das Cidades – A Perspectiva do Município”, pelo Arq. Luís Miranda, Director Municipal da Câmara Municipal de Matosinhos
Sobre esta interveção de um excelente projectista de habitação urbana, como é o caso do colega Luís Miranda, da CM de Matosinhos, nada é possível dizer, a não ser que foi exemplar, seja pelos conteúdos temáticos abordados, seja pela clareza e fluidez da apresentação, seja pelo interessantíssimo encadeamento de ideias; felizmente foi distribuído o respectivo texto integral, aliás, tal com aconteceu com as restantes intervenções técnicas.

Em seguida foi desenvolvido um longo e muito participado debate que cobriu, praticamente, todas as temáticas abordadas e que contou com a intervenção do Dr. Ricardo Bexiga, Vogal do Conselho Directivo do INH.








Pela parte da tarde seguiu-se a sessão de encerramento, com duas outras intervenções estruturantes:

do Dr. Guilherme Pinto, Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos;


e, finalmente, do Prof. Dr. João Ferrão, Secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades

Iniciando-se a segunda parte da jornada de trabalho partiu-se para o empreendimento da PONTE DA PEDRA, em Leça do Balio, Matosinhos e procedeu-se à visita e à inauguração deste conjunto da PONTE DA PEDRA (2ª fase), o Primeiro Empreendimento Cooperativo de Construção Sustentável em Portugal, promovido pela NORBICETA, UCRL.

Sobre este empreendimento “as imagens falam” um pouco, mas recomenda-se uma visita; e vamos deixar as imagens da Ponte da Pedra falar enquanto, em seguida, e com os devidos créditos à Newsletter 2 do projecto SHE, datada de Novembro de 2005, se fazem, desta mesma Newsletter, citações dos aspectos técnicos de sustentabilidade que caracterizam cada um dos oito projectos-piloto SHE, entre os quais se integra este conjunto na Ponte da Pedra.

Consórcio Cooperativo - CCICASA, Teramo, Projecto Teramo, 60 eco – residências:sistemas solares activos (fotovoltaico e térmico);
- alvenaria com elevada inércia e alto isolamento térmico;
- isolamento acústico;
- uso de materiais naturais e não-tóxicos;
- redução de campos eléctricos e electromagnéticos;
- ventilação natural nocturna;
- aquecimento central radiante com caldeira de elevada eficiência;
- reutilização e reciclagem de água;
- iluminação com reduzido consumo de energia.






Consórcio Cooperativo-COIPES, Veneza., Projecto Preganziol , 70 eco – residências:
orientação dos edifícios;
- sistemas solares activos (fotovoltaico e térmico);
- refrigeração centralizada também com energia geotérmica e sistemas radiantes a baixa temperatura;
- optimização de fluxos de energia com o ambiente por concepção arquitectónica (arq. bioclimática);
- isolamento acústico;
- ausência de viaturas em espaços comuns; vias pedonais e vias para bicicletas distintas e uso de terra compactada em vez de asfalto nos pavimentos para circulação de viaturas;
- reciclagem de água e filtro de depuração de água não potável;
- redireccionamento e utilização de um pequeno curso de água para arrefecimento interior no Verão.






Consórcio Cooperativo - COPALC, Bolonha, Projecto Ozzano, 12 eco – residências:- sistemas solares activos (fotovoltaico e térmico);
- alvenaria com elevada inércia e alto isolamento térmico;
isolamento acústico;
- uso de materiais naturais e não-tóxicos;
- redução de campos eléctricos e electromagnéticos;
- ventilação natural e ventilação nocturna;
- aquecimento central radiante com caldeira de elevada eficiência;
- reutilização e reciclagem de água;
- iluminação com reduzido consumo de energia;
- protecção solar muito eficaz;
- contadores de consumo de energia térmica em cada habitação.






Organização de Habitação Social – RINGGAARDEN, Aarhus, Projecto Aarhus, 130 eco-residências:- objectivo energético: consumo inferior a 30kw/m2/ano;
- condições de iluminação natural optimizadas sem problemas de sobreaquecimento;
- varanda interior como zona térmica tampão;
- sistema de armazenamento térmico (material de mudança de fase);
- ventilação natural intensificada com torres de vento;
- materiais renováveis e ambientalmente optimizados;
- utilização de todos os sistemas conhecidos para poupança de água.






Consórcio Cooperativo - COPES, Pesaro, Projecto Villa Fastiggi, 130 eco-residências:

- apoio ao desenvolvimento da nova legislação local sobre arquitectura bioclimática;
- vias pedonais e vias para bicicletas independentes;
- melhoramento das ligações entre vias interiores e exteriores;
- isolamento acústico do edifício e da zona habitacional;
- redução dos campos electromagnéticos;
- gestão do ciclo da água à escala da chuva e da redução de níveis de consumo doméstico;
- controlo do impacto solar: ganhos solares no Inverno e estratégias passivas de arrefecimento para o Verão, dispositivos de sombreamento, ventilação natural, elevada inércia térmica e bom isolamento térmico;
- novo parque urbano que respeita as características da zona envolvente e as hortas familiares;
- evitar níveis de iluminação exterior excessivos e melhorar a iluminação natural no interior dos edifícios;
- sistemas centralizados de aquecimento a baixa temperatura com caldeiras de alta eficiência e com apoio de colectores solares térmicos.







Consórcio Cooperativo-CONSEDI, Brescia, Projecto Mazzano 40 eco – residências:
- sistemas solares activos (fotovoltaico e térmico);
- alvenaria com elevada inércia e alto isolamento térmico;
- isolamento acústico;
- uso de materiais naturais e não-tóxicos;
- redução de campos eléctricos e electromagnéticos;
- aquecimento central radiante com caldeira de elevada eficiência;
reutilização e reciclagem de água;
- iluminação com reduzido consumo de energia.


Consórcio de Cooperativas – NORBICETA, Porto, Matosinhos, 101 eco-residências:- sistemas solares térmicos activos;
- alvenaria com elevada inércia térmica;
- uso de materiais naturais e não-tóxicos;
- tratamento optimizado da envolvente para minimizar pontes térmicas;
isolamento acústico;
- reutilização e reciclagem de água;
- controlo de resíduos resultantes da construção e processo de recolha selectiva;
- sistemas de poupança de água: dupla descarga de 3/6 litros, redutor de fluxo e colector de água da chuva na cobertura e nos jardins;
- gestão de resíduos com dispositivos de recolha selectiva de lixo produzido prelos habitantes;
- renovação do ar interior por extracção centralizada controlada.
iluminação com reduzido consumo de energia.






Organização de Habitação Social - OPAC38, Grenoble, Projecto Bourgoin-Jallieu, 61 eco-residências:
- relação harmoniosa entre o edifício e a envolvente;
- controlo de resíduos resultantes da construção e processo de recolha selectiva;
- alvenaria com forte inércia térmica, uso de tijolo de argila;
- criação de “estufas” dentro da habitação para captação de energia solar passiva;
- 60m2 de painéis solares térmicos e 20m2 de painéis fotovoltaicos;
- água quente fornecida por sistema centralizado a gás natural;
- ventilação de exaustão controlada;
- sistemas de poupança de energia para área públicas e privadas;
- sistemas de poupança de água: dupla descarga de 3/6 litros, redutor de fluxo e colector de água da chuva na cobertura;
- gestão central de reparação e manutenção;
- gestão de resíduos com dispositivos de recolha selectiva de lixo produzido pelos habitantes;
- conforto visual: iluminação natural em habitações e áreas comuns.

Relembra-se que estes textos-resumo, com citações dos aspectos técnicos de sustentabilidade que caracterizam cada um dos oito projectos-piloto SHE, foram retirados da Newsletter 2 do projecto SHE, de Novembro de 2005.






Os comentários finais e ponderados sobre esta jornada e sobre o interesse deste caminho residencial e urbano cooperativo marcado pela sustentabilidade e pelo controlo de qualidade e de custos, terão de ficar para um outro artigo, que já aqui se promete; fica a soberba beleza da imagem da arte e da arquitectura ligadas, também uma marca evidente de sustentabilidade social e cultural.




Lisboa e Encarnação/Olivais-Norte, 29 de Novembro de 2006

António Baptista Coelho

domingo, julho 23, 2006

95 - Ambiente e construção sustentável numa promoção cooperativa na Ponte da Pedra, Matosinhos - um artigo de José Coimbra - Infohabitar 95


 - Infohabitar 95


Notas iniciais:
É com grande satisfação que o Infohabitar acentua, com este artigo, a sua vertente tecnológica, caminho este que se pretende harmonizar, nas futuras edições da nossa revista/blog, com a continuidade das temáticas que têm merecido a nossa atenção.
O Eng. José Coimbra, que hoje, pela primeira vez, aqui assina um excelente artigo tem, entre outras funções, importantes responsabilidades técnicas na Cooperativa de Habitação As Sete Bicas e na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) e foi um dos elementos-chave no incentivo e no levar à prática de uma pioneira intervenção de habitação de interesse social ambientalmente sustentável, assegurada pela promoção cooperativa e apoiada pelo Instituto Nacional de Habitação; um exemplo, actualmente em acabamento, e que, sem dúvida, ajudará a marcar um novo e essencial caminho na promoção habitacional em Portugal.
O texto que se segue é da autoria do Eng. José Coimbra, refere-se à segunda fase do indicado conjunto da Ponte da Pedra, em Matosinhos, e será integrado numa publicação subordinada ao tema “Ambiente e Construção Sustentável”, desenvolvida em colaboração com o Instituto do Ambiente e que já integra uma primeira avaliação do referido conjunto, à qual se seguirão outras análises e avaliações mais completas e detalhadas.

A edição



Ficha técnica da segunda fase do conjunto da Ponte da Pedra, em Matosinhos:
Intervenientes: Promotor: NORBICETA – União de Cooperativas de Habitação, U.C.R.L. (Nortecoope, As Sete Bicas, Seta).
Projecto: Carlos Coelho – Consultores, Lda.
Controlo Técnico: CPV, Controle e Prevenção de Riscos, S.A.
Construção: J. GOMES Sociedade de Construções do Cávado, S.A.
Coordenação de Higiene, Segurança e Saúde: SOPSEC Sociedade de Prestação de Serviços de Engenharia Civil, Lda.
Financiamento da Construção: Instituto Nacional de Habitação – INH
Projecto – piloto comunitário, subsidiado e apoiado pelo Projecto SHE, Sustainable Housing in Europe





Dados gerais:
Área de implantação: 3105 m2
Área bruta de construção: 14.852,40 m2 (101 fogos)





O Conjunto residencial da Ponte da Pedra, promovido pela NORBICETA – União de Cooperativas de Habitação, U.C.R.L., situado em Matosinhos, substituiu uma zona industrial degradada, valorizando o local de implantação, na medida em que, para além da operação habitacional, se procedeu a uma acção de regeneração ambiental e urbana.
Este Conjunto Residencial é constituído por uma primeira fase que conta com 6 Blocos, os quais contemplam 150 habitações, um equipamento educativo e cultural a norte do novo arruamento e um equipamento desportivo a meio da área habitacional.
A segunda fase do Empreendimento, constituída por 2 blocos (Bloco 7 e Bloco 8 – 101 habitações, tipologia T2 e T3), prevê ainda a criação de um equipamento infantil, parque público e espelho de água, peça escultórica, com zonas ajardinadas e vias pedonais em todo o Empreendimento.
Esta segunda fase, ainda em construção e com data de conclusão prevista para Setembro (Lote 7) e Novembro (Lote 8) de 2006, representa a participação portuguesa no Projecto SHE (Sustainable Housing in Europe) e surge na sequência da candidatura desta fase a esse mesmo Projecto.
O Projecto SHE é um projecto-piloto desenvolvido a nível europeu, co-financiado pela UE, incluindo-se no Eixo nº 4 – Cidades do Futuro e Herança Cultural, do 5º Programa Quadro de Investigação: Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
O Projecto tem como objectivo demonstrar a viabilidade da Habitação Sustentável do ponto de vista económico, ambiental, social e cultural, utilizando, para tal, construções cooperativas europeias.
Durante o uso das habitações, serão desenvolvidas acções de monitorização a esses níveis com o propósito de demonstrar, com resultados concretos, a viabilidade, importância e vantagem da construção sustentável. Em Portugal, o Projecto foi desenvolvido em parceria pela NORBICETA – União das Cooperativas de Construção, U.C.R.L., pelo Departamento de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e pela Federação Nacional das Cooperativas de Habitação Económica, U.C.R.L, dando assim origem ao Primeiro Empreendimento Cooperativo de Construção Sustentável em Portugal.

De seguida, são apresentadas as medidas aplicadas no projecto SHE de Ponte da Pedra, de acordo com os critérios do Sistema " Líder A ".







Local e Integração:

O projecto da Ponte da Pedra 2ª Fase demonstra preocupações na análise do local e das suas características, nomeadamente através do levantamento prévio das especificidades do local e da sua integração no projecto, destacando-se a procura de gestão de águas locais, assegurando as funções ecológicas do solo (C2).
Para além deste aspecto, é ainda relevante o facto de o empreendimento se localizar numa antiga zona industrial, tendo recuperado uma zona degradada, o que constitui um factor de destaque no que respeita à selecção do local – análise macro e planeamento (C1).
Existem também nas proximidades ao local várias amenidades (farmácia, banco, lojas de comida, etc.) e acesso a transportes públicos.

Recursos:

As medidas aplicadas demonstram uma efectiva preocupação na adequada gestão energética, que passam pela utilização de medidas solares passivas, melhorando o desempenho energético passivo do edifício (C10), e activas que permitirão reduzir o consumo de electricidade (C11) e de gás, aproveitando energia solar para AQS, ou seja, recorrendo a formas de energia renovável (C14).
Existem também medidas que permitem uma adequada gestão da água no interior das habitações (chuveiros com válvulas termostáticas para controlo de temperatura, autoclismos com dupla descarga de 3 e 6 litros, aproveitamento de águas pluviais para a sanita, etc.), contribuindo, desta forma, para a redução do consumo de água para abastecimento doméstico (C16).
No exterior dos apartamentos são também aplicadas medidas para reduzir os consumos de água em espaços comuns e exteriores (C17), nomeadamente através do aproveitamento de águas recuperadas para rega da totalidade dos jardins da urbanização e da introdução de sensores de humidade que permitem detectar a necessidade de rega.
O facto de se ter implementado um sistema de recolha e armazenamento das águas pluviais, de escorrência superficial na área do empreendimento e de infiltração nas garagens, depois utilizadas, como referido, nas sanitas e rega de jardins, contribui efectivamente para a gestão de águas localmente (C20).
Verificou-se uma preocupação na utilização de materiais locais (C22) preferencialmente localizados na zona centro norte, num raio de aproximadamente 100 km, apresentando certificados de qualidade.

Ambiente Interior:

Relativamente ao ambiente interior, é evidente a introdução de medidas para a redução de ruído, através do reforço do isolamento acústico (C42), quer nas paredes exteriores, quer nas zonas interiores mais sensíveis (quartos).
A adequada ventilação e contributo natural (C36) das habitações, associada à ausência de aparelhos de ar condicionado, irá permitir estabelecer padrões adequados de qualidade de ar interior, nomeadamente no que respeita à prevenção de micro contaminações (C38), por exemplo legionella.
As medidas aplicadas para reforçar o isolamento térmico, bem como as medidas solares passivas e activas referidas, permitirão obter valores de conforto térmico (C39) adequados no interior das habitações.
Pelo que se pode observar na visita ao local, os níveis de iluminação (C40) deverão também ser bastante confortáveis, nomeadamente através do aproveitamento da iluminação natural (C41) considerada no dimensionamento das janelas.

Gestão Ambiental e Inovação:

A sensibilização dos futuros moradores é assegurada nos vários momentos de desenvolvimento e de apresentação do Empreendimento (encontros conjuntos que reúnem promotor, construtor, projectista e autarquia e que são apoiados pela emissão de Dossiers actualizados sobre o Empreendimento).
As acções de sensibilização culminam com a edição do Manual do Cooperador Proprietário de Uso e de Manutenção do Imóvel, distribuído aquando da entrega das habitações, documento este que divulga informação ambiental (C48) relevante sobre o edifício e sua adequada utilização.
Para além deste aspecto é ainda de referir que será desenvolvida uma monitorização energética e ambiental, social e económica (implicadas pelo projecto SHE), que permitirá acompanhar e controlar o desempenho do edifício.

Notas complementares:
O Instituto Superior Técnico, sob a orientação do Professor Manuel Pinheiro da Secção de Hidráulica e Recursos Hídricos e Ambientais, e ao abrigo do Sistema Líder A (Sistema Ambiental de Reconhecimento da construção sustentável), irá proceder à avaliação ambiental do Empreendimento da Ponte da Pedra 2ª Fase, promovido pela NORBICETA – União de Cooperativas de Habitação, U.C.R.L.
O referido grupo de investigação do IST está agora a desenvolver os critérios segundo os quais será possível proceder à avaliação e certificação ambiental de empreendimentos, e à identificação dos “casos de estudo“ considerados mais significativos a este nível.
Julho de 2006
José Coimbra
Nota do editor: a este importante exemplo de aliança entre promoção de habitação de interesse social e construção que integra critérios práticos de sustentabilidade, voltaremos, designadamente, por ocasião da sua próxima inauguração.