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terça-feira, outubro 30, 2018

662 - HISTÓRIA(S) E TIPOLOGIAS DO HABITAR - Infohabitar 662

INFOHABITAR N.º 662
HISTÓRIA(S) E TIPOLOGIAS DO HABITAR

Conjunto de 27 artigos e um texto de apresentação

 

Caros leitores da revista semanal Infohabitar com a presente edição, damos continuidade a uma tipologia editorial, em que se procura voltar a focar e divulgar artigos e séries editoriais já desenvolvidas há algum tempo, mas versando temáticas intemporais.

Julgamos que quando uma revista técnica e científica como a nossa atinge um significativo “tempo de vida” – neste caso 14 anos – e expressão editorial – a caminho dos 700 artigos – corre-se o risco de textos que deixaram de estar numa primeira linha editorial, mas que continuam com o mesmo interesse e oportunidade, poderem ficar um pouco esquecidos “nas prateleiras arquivadoras”, neste caso “na nuvem arquivista” e, a partir desta consideração, surgiu a ideia de voltar a colocar “bem à mão”, à distância de um rápido “clic”, conjuntos temáticos de artigos, por vezes muito bem articulados, entre si, outras vezes marcados por uma salutar diversidade, como é o caso actual.

E é assim que, na presente edição da Infohabitar, se sugere a leitura de uma série de 27 artigos, editados entre 2005 e 2012, desenvolvidos por 9 autores e que têm em comum a abordagem do grande tema das HISTÓRIA(S) E TIPOLOGIAS DO HABITAR.

Lembra-se que esta matéria das HISTÓRIA(S) E TIPOLOGIAS DO HABITAR constitui um dos 35 temas editoriais da Infohabitar.

Regista-se, ainda, que esta matéria das HISTÓRIA(S) E TIPOLOGIAS DO HABITAR corresponde a um dos sete grandes temas abordados num estudo amplo sobre a matéria do “habitar humanizado”, apresentado e desenvolvido em duas publicações editadas e disponibilizadas pela Livraria do LNEC (apontadas em seguida) e no n.º 18 dos Opúsculos da Editora Dafne – neste caso, com o título “Entre casa e cidade, a humanização do habitar”.

COELHO, António Baptista - Habitação Humanizada: Uma apresentação geral, Lisboa, LNEC, Memória n.º 836, 2007, 40 p., 19 fig., ISBN 978-972-49-2117-4.
COELHO, António Baptista - Habitação Humanizada, Lisboa, LNEC, Tese e Programas de Investigação TPI n.º 46. Lisboa: LNEC, 2007. 574 p., 121 fig., ISBN 978-972-49-2120-4.

A matéria global do “habitar humanizado” refere-se ao habitar espaços domésticos e urbanos e corresponde a um estudo de investigação, desenvolvido no quadro de uma “habilitação em arquitetura e urbanismo”, realizado e discutido no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), considerando-se que o interesse no desenvolvimento deste tema decorreu, quase diretamente, da necessidade sentida de se aprofundarem aspetos ainda considerados menos objetivos e que no entanto caracterizam, claramente, pela sua existência ou ausência, múltiplas situações domésticas e urbanas.
Trata-se, assim, de um tema cuja importância se julga ser evidente numa altura em que o “mal habitar” casa e cidade continua a marcar, em todo o mundo, um elevadíssimo número de famílias e as periferias e os vazios urbanos de grandes cidades, uma importância que resulta, tanto da necessidade de se considerarem, diretamente, os múltiplos aspetos de uma sensível humanização dos quadros do habitat humano, como da importância de se estar alerta relativamente às recorrentes simplificações relativas a áreas mínimas habitacionais mal concebidas (“cegamente” funcionalizadas), e à doentia repetição de projetos-tipo mal concebidos e mal aplicados em termos urbanos.

“Ele também avança no jogo da caverna” – uma inovadora tipologia residencial e urbana em Hamburgo, Aufbruch in Hamm-Süd, Arq. Czerner und Czerner, 2000.
“Só o homem constrói habitações que variam de acordo com requisitos, clima e padrão cultural... ele também avança no jogo da caverna, para métodos cada vez mais refinados de espaços fechados. Pouco a pouco ele empenha-se em dar forma a tudo o que o cerca.”
Steen Eiler Rasmussen, “Arquitetura Vivenciada”, 1998 (1986), p.32

Há que sublinhar que à questão tipológica se atribui uma importância fulcral na conquista de um habitar humanizado e arquitectonicamente valioso, desde que a “velha” questão da tipologia seja agora considerada e seguida numa perspectiva por um lado extremamente ligada à prática – constatação da vida das gentes nas soluções habitacionais que foram sendo inventadas – e por outro muito construtiva ou orgânica e extremamente solta de preconceitos, mas muito fiel à história e à tradição dos habitares humanos.
Procura-se avançar, essencialmente, em dois aspectos fundamentais:
- O primeiro é a grande importância específica que tem a matéria tipológica ligada ao habitar o meio urbano, e nesta linha fica muito evidenciada a importância que tem uma sedimentada prática de projecto/desenho de arquitectura em tudo o que nos leve para reflexões mais sistematizadas, designadamente, sobre as tipologias humanizadas, suas formas e conteúdos preferenciais.
- O outro é a grande ligação que existe entre as matérias e os estudos ligados às utopias do habitar e às utopias urbanas e a sua respectiva humanização, e, mediando, temos os aspectos “centrais” da concepção e do projecto; e saliente-se que tais matérias consideradas mais utópicas e/ou ligadas às raízes mais profundas dos conceitos de habitar e de cidade, são fundamentais na construção de uma matéria tipológica habitacional que realmente nos toque em profundidade e nos motive na busca de melhores e mais humanizadas soluções residenciais.
O que se procura clarificar e propor é que a matéria tipológica associada à da humanização do habitar e da cidade possa continuar a merecer abordagens específicas, marcadas pela igualdade de tratamento entre os referidos objectivos humanos e cívicos e objectivos mais formais e projectuais, que se consideram tão essenciais para um avanço fundamentado e prático nesta matéria, como são os objectivos de humanização e caracterização, que são os mais considerados neste trabalho. E numa época bem marcada pela multiplicidade dos contextos urbanos e residenciais e pela diversidade dos modos de vida e dos desejos de como habitar, fica claramente evidente a importância desta linha de estudos.
Nesta matéria das tipologias habitacionais as “Lições de Arquitectura” de Hertzberger  - Herman Hertzberger, “Lições de Arquitetura”, trad. Eduardo Lima Machado, 1996 (1991) - são fundamentais, pois ele nelas traça uma linha sequencial e bem articulada de concepção dos espaços residenciais extremamente ligada à pormenorização coerente e fundamentada da casa, do edifício e da rua/zona de proximidade, privilegiando a humanização do habitar e sublinhando aspectos verdadeiramente “construtores” de tipologias e de variações tipológicas residenciais, e designadamente:
- as soleiras e os espaços de acesso aos fogos;
- as vistas estratégicas sobre o exterior e sobre o interior, pontos de expressão de hospitalidade e que podem fazem transparecer ou mesmo expandir, controladamente, os espaços domésticos, ajudando a combater situações de solidão (hoje tão frequentes);
- os espaços comuns como zonas de algum recreio juvenil vigiado e de convívio, ou mesmo com papel de “rua” quando os seus utentes assim o necessitam (ex. idosos);
- os edifícios integrando uma estimulante variedade de acessos privados e/ou geminados, em diversos níveis e configurações;
- e os espaços do tipo “rua de convivência”, considerados e pormenorizados como verdadeiras  “salas de estar comunitárias” (ou jardins considerados como salas de estar ao ar livre), combatendo-se o automóvel preponderante, a descontinuidade física, as densidades reduzidas (número de fogos e número de habitantes/fogo) e a falta de conforto do espaço público face a um interior doméstico cada vez mais cativante, apoiando-se o recreio infantil e a diversidade de contactos casa/rua, e vitalizando-se/polarizando-se o espaço público com um máximo de acessos directos a fogos bem identificados e apropriáveis.
Há aqui, portanto, um léxico de “pequenos” elementos de composição do habitar que podem ser os verdadeiros protagonistas da composição de variadíssimas tipologias de habitar – e atente-se no sublinhado –, como se dos fogos e de uma sua aturada pormenorização passássemos, por exemplo, para a rua, a praceta, o pequeno quarteirão, sem uma nota de importância especial para o edifício, e note-se a carga de relação com o habitante, com a casa habitada, com o sítio “super-humanizado” que é esta casa, que desta forma se atinge; fica, assim, de pé, uma ideia concretizadora de um reforço da importância dos espaços privados – a casa – e públicos – a rua, a praceta, por exemplo – e de uma, eventual, possibilidade de maior apagamento do edifício, como “obra” isolada e, quem sabe, mais protagonista, bem como dos espaços colectivos desse edifício, a não ser que estes tenham condições de assumir um verdadeiro protagonismo formal e funcional, que seja considerado importante numa dada situação/solução urbana específica.



Listam-se, em seguida (ordenados de acordo com a respectiva apresentação), alguns dos subtemas tratados nos artigos, associados ao tema editorial  das HISTÓRIA(S) E TIPOLOGIAS DO HABITAR cujos títulos específicos e links são, depois, disponibilizados mais abaixo:

As grandes cidades e a origem das cidades

Composição de edifícios habitacionais

Origens da cidade

Cidade densa

Casa-pátio

Habitação multifamiliar em Lisboa nos anos de 1950

Arquitectura e Habitação: velhos aliados – a Arquitectura e o Problema Português da Habitação, 1948-2008

Nos 60 anos do 1.º Congresso Nacional de Arquitectura , textos de, e organizados por, Nuno Teotónio Pereira

Relação entre o Habitar e a História

O habitar, da proto-história aos romanos

Prémio INH/IHRU 2007

20 Anos de habitação social portuguesa

Arquitectura da habitação social portuguesa recente

Cidades à beira-rio e o rio como paisagem

O Espaço Como Dominação e Consciência

Premiados e mencionados no Prémio INH 2006

Arquitectura por arquitectas

Edifício COPAN

O conjunto de habitações sociais do Monte de São João - um texto de análise do Arq.ºDuarte Nuno Simões


Fiquem, então,caros leitores com algumas das muitas páginas da nossa pequena história editorial; e boas leituras,

António Baptista Coelho
Editor da Infohabitar, Presidente da GHabitar, investigador principal com habilitação em Arquitectura e Urbanismo (LNEC), doutor em Arquitetura (FAUP), Arquiteto (ESBAL).

Notas práticas:
. a listagem dos artigos mantém a respetiva ordem cronológica editorial (dos mais recentes para os menos recentes);
. os artigos são disponibilizados no seu formato editorial original;
. para aceder ao artigo basta fazer ctrl + click sobre o seu endereço eletrónico (disponibilizado a seguir ao respetivo título); ou sobre o próprio título (quando este está ligado diretamente ao respetivo ebdereço eletrónico – ao passar o rato/mouse sobre o título essa ligação fica evidente).  


(Tema geral)

HISTÓRIA(S) E TIPOLOGIAS DO HABITAR

COELHO, António Baptista – IInfohabitar, Ano XIII, n.º 607, terça-feira, abril 18, 2017, As grandes cidades e a origem das cidadeshttp://infohabitar.blogspot.pt/2017/04/as-grandes-cidades-e-origem-das-cidades_18.html , ( 3 pp., 2 figg.).
Composição de edifícios habitacionais e conhecimento histórico - I - António Baptista Coelho (n.º 445, 24 JUN. 13, 4 págs., 4 figs.).
Notas gerais sobre as origens da cidade e uma pequena introdução à cidade densa e quase sem ruas (i) - António Baptista Coelho (n.º 383, 4 Mar. 12, 4 págs., 3 figs.).
"O limite do habitar: o exposto e o recluso", seguido de "casa-pátio: uma tipologia muito versátil" - Décio Gonçalves e António baptista Coelho (n.º 287, 28 Fev. 10, 6 págs., 7 figs.).
Sobre a casa-pátio: elementos de enquadramento - António Baptista Coelho (Infohabitar, Ano VI, n.º 283, Janeiro 31, 2010, 6 p., 3 fig.)
Arquitectura e Habitação: velhos aliados – a Arquitectura e o Problema Português da Habitação, 1948-2008, Artigo de António Baptista Coelho (n.º 208, 1 Ago. 2008, 5 págs., 4 figs.).
Nos 60 anos do 1.º Congresso Nacional de Arquitectura , textos de, e organizados por, Nuno Teotónio Pereira (n.º 206, 20 Jul. 2008, 9 págs., 7 fig.).
Relação entre o Habitar e a História - I , António Baptista Coelho (n.º 167, 2 Nov. 07, 6 p., 4 fig.).
O habitar, da proto-história aos romanos – Paços de Ferreira 12 e 13 de Outubro - António Baptista Coelho (n.º 164, 25 Out. 07, 20 p., 27 fig.).
Prémio INH/IHRU 2007 – 19ª Edição - Júri do Prémio INH/IHRU 2007 (n.º149, 19 Jul. 07, 11 p.,12 fig.) .
20 Anos de habitação social portuguesa - António Baptista Coelho (n.º 143, 7 Jun. 07, 16 p., 10 fig.).
Arquitectura da habitação social portuguesa recente – resenha de Sheila Walbe Ornstein (n.º 142, 31 Mai. 07, p., 4 fig.).
Cidades à beira-rio e o rio como paisagem: a civilização que nasceu da água - Celeste Ramos com a colaboração e ilustração de António Baptista Coelho (n.º 100, 24 Ago. 06, 10p., 9 fig.).
O Espaço Como Dominação e Consciência – artigo de Maria Luiza Forneck, ilustração de Susana Abreu, sobre as Missões Jesuítas no Sul do Brasil (n.º 97, 4 Ago. 06, 6p., 7 fig.).
Outros destaques no Prémio INH 2006 – António Baptista Coelho (n.º 92, 9 Jul., 9p., 19 fig.).
Premiados e mencionados no Prémio INH 2006 – António Baptista Coelho e Maria Celeste Ramos (n.º 91, 3 Jul 06, 10p., 18 fig.).
Prémio INH 2006: candidaturas da promoção privada, parte II – reportagem de António Baptista Coelho (n.º 89, 23 Jun. 06, 5p., 16 fig.).
Prémio Instituto Nacional de Habitação 2006: as candidaturas da promoção privada, parte I – reportagem de António Baptista Coelho (n.º 88, 17 Jun. 06, 7p., 17 fig.).
Prémio Instituto Nacional de Habitação 2006: candidaturas municipais e de entidade pública empresarial – reportagem de António Baptista Coelho (n.º 87, 11 Jun. 06, 6p. 14fig.).
Prémio InstitutoNacional de Habitação 2006: candidaturas cooperativas – reportagem de António Baptista Coelho (n.º 86, 4 Jun. 06).
Arquitectura no feminino – texto de Celeste Ramos com imagens de António Baptista Coelho do conjunto residencial projectado pela Arqª Ana Valente e promovido pela CM de Esposende (n.º 77, 4 Abr. 06, 6p. 6fig.).
As grandes cidades e a origem das cidades – António Baptista Coelho (n.º 41, ABC, 22 Set. 05, 4 p., 2 fig.).
Edifício COPAN: marco de revitalização habitacional em São Paulo – Parte II – um artigo do Arq.º Walter Galvão e da Prof.ª Sheila Ornstein (n.º 28, 27 Jun. 05, 5 p., 4 fig.).
Edifício COPAN: marco de revitalização habitacional em São Paulo – Parte I - um artigo do Arq.º Walter Galvão e da Prof.ª Sheila Ornstein (n.º 27, 22 Jun. 05, 7 p., 3 fig., 3 com.).


Finalmente salienta-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, acolhido no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.


Infohabitar, Ano XIV, n.º 662
HISTÓRIA(S) E TIPOLOGIAS DO HABITAR
Conjunto de 27 artigos

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

segunda-feira, junho 27, 2005

EDIFÍCIO COPAN: MARCO DE REVITALIZAÇÃO HABITACIONAL EM SÃO PAULO – Parte II - GALVÃO, Walter; ORNSTEIN, Sheila - Infohabitar 28


 - Infohabitar 28

EDIFÍCIO COPAN: MARCO DE REVITALIZAÇÃO HABITACIONAL EM SÃO PAULO – Parte II


GALVÃO, Walter José Ferreira (1). ORNSTEIN. Sheila Walbe (2).
(1) Arquiteto. Especialista em Conforto ambiental e Conservação de Energia e Mestrando na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP). Alameda Franca 1336. CEP 01422.001 São Paulo/SP/Brasil e.mail walterga@usp.br. (2) Professora titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP) e bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Rua do Lago 876, Cidade Universitária, São Paulo/SP/Brasil. CEP 05508-080 e.mail sheilawo@usp.br.

Nos últimos anos a Prefeitura do Município de São Paulo esforça-se para recuperar a região central e o COPAN busca ser modelo desta recuperação. Desde os anos 90 o prédio vive um período de revitalização física e social. Em recente levantamento feito para pesquisa de Avaliação Pós Ocupação (APO), ainda não concluída, verificamos dados favoráveis nesta busca de revitalização. O número de moradores é de 2038, com médias por apartamento de 1 morador (kitchenettes e apartamentos de 1 dormitório) e 2 moradores (apartamentos de 2 e 3 dormitórios).
A maioria (36%) dos apartamentos kitchenettes e de 1 dormitório tem renda mensal entre 344,82 euros e 689,65 euros e 45,5% dos apartamentos de 2 e 3 dormitórios tem renda acima de 1.034,48 euros1 (Galvão, 2004). Estes valores estão acima dos padrões médios de rendimentos para São Paulo, visto que segundo o Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade (IETS) a renda real domiciliar per capita na cidade é de 201,03 euros – estudo baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano de 2003 – www.iets.org.br
Também foi feita uma profunda reestruturação de instalações (elétricas e hidráulicas) e os equipamentos de combate a incêndios são mantidos conforme a periodicidade determinada pelas Normas Técnicas Brasileiras. A limpeza das áreas comuns do prédio é ponto de destaque, visto que 97% dos moradores dos blocos A, C e D, bem como 100% dos moradores blocos E e F – alguns dos universos amostrais considerados na pesquisa de Avaliação Pós Ocupação – assinalaram que este quesito é “bom” ou “ótimo”.


Figura 04 – Entrada principal da galeria do térreo. Fonte – Eduardo Aquino – SPMB/Projects


Figura 05 – Locais de observação do mapa comportamental realizado na galeria do pavimento térreo.


A galeria do pavimento térreo também se revitaliza. Em mapa comportamental – identifica atividades e comportamentos padrão que se repetem no tempo e no espaço, pode ser aplicado em ambientes externos ou internos (Ornstein, Bruna e Roméro, 1995) – realizado do dia 14 de março ao dia 18 de março de 2005 para a APO citada, pôde-se verificar que, em típico dia da semana de 8:00 hs às 18:00hs, entram pelos cinco acessos da galeria 9.068 pessoas, em sua grande maioria para ir de uma rua à outra por um local seguro e limpo. Este fato está servindo de grande estímulo para o retorno do comércio de qualidade.



Figura 06 – Vista interna da galeria do térreo próximo à entrada 03. Fonte: Walter J. F. Galvão


Figura 07 – Vista interna da galeria do térreo próxima à entrada 01. Fonte: Walter J. F. Galvão
Citado no Guiness Book como o maior edifício de apartamentos da América Latina, este gigantesco prédio, que na década de 50 era ícone de uma grande metrópole que surgia, ainda tem forças para ser exemplo de reestruturação de uma importante região da cidade de São Paulo.
(1) Foi adotado o seguinte valor para conversão de reais (moeda corrente no Brasil) para euros: 1,00 euro = 2,90 reais – fonte: Banco do Brasil (www.bancodobrasil.com.br). Valores para fechamento do dia 17/06/2005.

Referências bibliográficas
- BARBARA, Fernanda. Duas tipologias habitacionais: o Conjunto Ana Rosa e o Edifício COPAN. Contexto e análise de dois projetos realizados em São Paulo na década de 1950. São Paulo. Dissertação (mestrado). Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. 2004
- BOTEY, Josep M. A.. Oscar Niemeyer. Obras e Proyectos. Barcelona, Gustavo Gili, 1996.
- GALVÃO, Walter José Ferreira. Análise de aplicação de questionários como medida para aferir a opinião de usuários em grandes conjuntos de apartamentos: o caso do edifício COPAN/SP. Seminário Internacional NUTAU 2004. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo
- HEISE, Tatiana; BARRETO, Jule. O COPAN renova-se. Revista Urbs. n. 1 , p. 8-15, 1997.
- MENDOÇA, Denise Xavier de. Arquitetura Metropolitana São Paulo Década de 50: análise de 4 edifícios - Copan, Sede do jornal o Estado de São Paulo, Itália e Conjunto Nacional. São Carlos. Dissertação (mestrado). Escola de Engenharia de São Carlos – Universidade de São Paulo, 1989.
- ORNSTEIN, Sheila Walbe; BRUNA, Gilda Collet; ROMÉRO Marcelo de Andrade. Ambiente Construído e Comportamento: a Avaliação Pós-Ocupação e a qualidade ambiental, São Paulo, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo /Studio Nobel/Fundação de Pesquisas Ambientais, 1995.
- SAMPAIO, Maria Ruth do Amaral .PEREIRA, Paulo César Xavier. Habitação em São Paulo.Ins. de Estudos Avançados São Paulo: IEA da Universidade de São Paulo V. 17 n. 48 p. 167 – 183. 2003


Sítios consultados
- www.bancodobrasil.com.br
- www.iets.org.br

quarta-feira, junho 22, 2005

EDIFÍCIO COPAN: MARCO DE REVITALIZAÇÃO HABITACIONAL EM SÃO PAULO – Parte I - GALVÃO, Walter; ORNSTEIN, Sheila - Infohabitar 27

 - Infohabitar 27


Caros colegas e leitores do Infohabitar,
É com honra e um gosto que advém de uma amizade já longa e consolidada que o Infohabitar e eu próprio vos apresentamos um excelente artigo elaborado pela Professora Sheila Ornstein e pelo Arquitecto Walter Galvão, ambos da prestigiada Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP).
A Professora Sheila Ornstein tem um longo e muito rico currículo em diversas áreas do conhecimento da arquitectura e do urbanismo, com um destaque especial para as matérias ligadas à hoje tão crucial Avaliação Pós-Ocupação (APO) no campo habitacional e em outros campos da arquitectura – apenas a título de exemplo bastará dizer que ainda há poucas semanas esteve em Lisboa para participar num evento sobre APO na área escolar – e pertence ao NUTAU – Núcleo de Pesquisa em Tecnologia da Arquitetura e do Urbanismo da FAUUSP – núcleo este com quem o Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU) do LNEC, a que pertenço, colabora activamente desde já há bastantes anos. O Arquitecto Walter Galvão é um jovem e promissor valor da pesquisa habitacional e arquitectónica brasileira e paulistana, que está a realizar o seu percurso académico na excelente FAUUSP, que tem colaborado de forma muito dinâmica com a Professora Sheila Ornstein e que, no trabalho que se segue, demonstra bem o seu real valor e tudo aquilo que dele é legítimo esperar.
Devo ainda aqui expressar a grande alegria por mais este contributo no Infohabitar dos amigos e colegas da outra margem do Atlântico. Assim podemos realmente pensar em construir um Infohabitar que seja realmente um jornal informal mas especializado da ampla temática do habitar em língua portuguesa; bem hajam pela vossa contribuição.
Considerando o interesse e a extensão do artigo que se segue, ele é dividido em duas partes (Parte I e II), cuja edição no Infohabitar será sequencial (separada por um intervalo de alguns dias) e terá a devida divulgação via e-mail.


EDIFÍCIO COPAN: MARCO DE REVITALIZAÇÃO HABITACIONAL NO CENTRO DE SÃO PAULO, BRASIL – Parte I


GALVÃO, Walter José Ferreira (1);
ORNSTEIN, Sheila Walbe (2).
(1) Arquiteto. Especialista em Conforto ambiental e Conservação de Energia e Mestrando na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP). Alameda Franca 1336. CEP 01422.001 São Paulo/SP/Brasil e.mail walterga@usp.br. (2) Professora titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP) e bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Rua do Lago 876, Cidade Universitária, São Paulo/SP/Brasil. CEP 05508-080 e.mail sheilawo@usp.br.

Projetado em 1952 por Oscar Niemeyer, com colaboração do arquiteto Carlos Alberto Cerqueira Lemos, o edifício COPAN surgiu numa época de profundas transformações em São Paulo. A economia da capital paulistana se fortalecia, aquecendo o mercado imobiliário e ocasionando uma verdadeira “febre construtiva” na cidade (Mendonça, 1989). Neste momento de prosperidade os novos paradigmas de São Paulo eram gigantismo, adensamento populacional, verticalização, dentre outros (Barbara, 2004). A cidade crescia rapidamente e ansiava por símbolos representativos de sua nova condição de “grande metrópole” (Mendonça, 1989). Por sua monumentalidade estrutural, tipologia variada de apartamentos e forma arrojada o COPAN pode ser considerado um destes símbolos.

Figura 01 – Vista do COPAN. Fonte: Maria Lúcia Padovani

No ambicioso projeto inicial lançado pela Companhia Panamericana de hotéis (COPAN) – empresa criada na década de 50 pelo Banco Nacional Imobiliário [BNI] para administrar o empreendimento, tanto a Companhia Panamericana, bem como o BNI não existem mais – o conjunto era composto por dois edifícios, um onde funcionaria um hotel para 600 apartamentos e outro residencial. Os dois prédios deveriam ser ligados por uma marquise abrigando cinema, teatro, lojas e praças internas. O edifício do hotel não foi construído. Inicialmente o edifício residencial deveria ter 900 apartamentos, mas dois blocos, que teriam apartamentos de 4 dormitórios, foram redesenhados para kitchenettes e apartamentos de 1 dormitório (Botey, 1996).
As obras foram iniciadas em 1952, mas somente em 1961 as partes de alvenaria estavam prontas. O COPAN efetivamente construído tem 1.160 apartamentos divididos em 6 blocos e área comercial no térreo com 72 lojas além de cinema que hoje é ocupado por igreja evangélica. Entre a área comercial do térreo e a torre de apartamentos existem dois pavimentos intermediários, um onde funciona o escritório da Companhia Telefonica e outro que a administração do edifício utiliza para exposições e eventos.
A torre de apartamentos tem 32 andares assim distribuídos: Bloco A com 64 apartamentos de 2 dormitórios; blocos C e D com 128 apartamentos de 3 dormitórios; Blocos B, E e F com 968 apartamentos tipo kitchenettes e de 1 dormitório. O edifício possui 20 elevadores no total e 221 vagas para automóveis em 2 subsolos. A área construída total é de 116,152m² (www.copansp.com.br).

Figura 02 – Planta do pavimento térreo (galeria).


Figura 03 – Planta do pavimento tipo.


Nos anos 70 o COPAN entrou num processo de degradação, acompanhando a decadência do próprio centro de São Paulo. Grandes empresas, bancos, comércio de luxo, hotéis e equipamentos de lazer saíram da região e, com eles, o interesse imobiliário (Sampaio e Pereira, 2003). Muitos edifícios encortiçaram-se e galerias se degradaram, diminuindo sobremaneira a qualidade habitacional na área. Por ser um dos principais símbolos dos ideais de “morar no centro”, criou-se a imagem que o prédio havia se transformado num grande cortiço vertical e, de fato, os problemas eram muitos. Segundo Heise e Barreto (1997) ...faltava água regularmente... e a fiação elétrica, corroída... ficava imersa em vazamentos d’água permanentes”.
(Nota: o artigo continua e conclui na próxima edição do Infohabitar)



Referências bibliográficas

- BARBARA, Fernanda. Duas tipologias habitacionais: o Conjunto Ana Rosa e o Edifício COPAN. Contexto e análise de dois projetos realizados em São Paulo na década de 1950. São Paulo. Dissertação (mestrado). Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. 2004
- BOTEY, Josep M. A.. Oscar Niemeyer. Obras e Proyectos. Barcelona, Gustavo Gili, 1996.
- GALVÃO, Walter José Ferreira. Análise de aplicação de questionários como medida para aferir a opinião de usuários em grandes conjuntos de apartamentos: o caso do edifício COPAN/SP. Seminário Internacional NUTAU 2004. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo
- HEISE, Tatiana; BARRETO, Jule. O COPAN renova-se. Revista Urbs. n. 1 , p. 8-15, 1997.
- MENDOÇA, Denise Xavier de. Arquitetura Metropolitana São Paulo Década de 50: análise de 4 edifícios - Copan, Sede do jornal o Estado de São Paulo, Itália e Conjunto Nacional. São Carlos. Dissertação (mestrado). Escola de Engenharia de São Carlos – Universidade de São Paulo, 1989.
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Sítios consultados
- www.bancodobrasil.com.br
- www.iets.org.br