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terça-feira, agosto 11, 2020

Seminário internacional NUTAU 2020 International Seminar – Infohabitar # 742

Ligação direta (clicar) para:  725 Artigos Interactivos, edição revista, ilustrada e comentada - 38 temas e mais de 100 autores.

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 742

Edição: terça-feira, 11 de agosto de 2020

Seminário internacional NUTAU 2020    International Seminar – Infohabitar # 742

13º Seminário Internacional NUTAU 2020 – Valorização de resíduos da arborização urbana – potencial para pesquisas e projetos de urbanismo, arquitetura e design

Editorial:

Muito estimados leitores da nossa Infohabitar,

Este número da nossa revista semanal cumpre uma missão de divulgação que proporciona um agrado muito especial ao autor destas linhas e, posso dizê-lo, a muitos dos amigos e colegas que têm participado com a Infohabitar desde o seu início, pois estamos a cooperar na divulgação de mais uma edição do seminário internacional do NUTAU – Núcleo de Pesquisa em Tecnologia da Arquitetura, do Urbanismo e do Design da Universidade de São Paulo.

O NUTAU e o seu seminário internacional, ligados à bem conhecida Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAUUSP, acrescentam à grande importância que a FAUUSP tem, desde sempre, nos domínios da pequisa em Arquitetura e Urbanismo, uma já longa, afirmada e sempre consolidada tradição de inovação e grande qualidade de uma investigação multidisciplinar, teoricamente bem baseada e bem aplicada e uma abordagem multifacetada, tão dirigida para a atualidade do grande Brasil, como para as temáticas, as experiências e os debates internacionais mais necessários, estimulantes e atuais ; e nunca será excessivo salientar a falta que fazem mais iniciativas deste tipo e com este elevado nível de qualidade no âmbito da investigação em Arquitetura, Urbanismo e Habitat Humano.

Fiquem, então, caros leitores, com a divulgação pormenorizada do 13º Seminário Internacional NUTAU 2020 – Valorização de resíduos da arborização urbana – potencial para pesquisas e projetos de urbanismo, arquitetura e designa realizar online em 17 e 18 de novembro de 2020, salientando-se que a chamada para artigos decorrerá até 14 de setembro próximo.

A Infohabitar e o seu editor  registam aqui saudações calorosas e desejos de pleno êxito a todos os organizadores desta 13.ª edição do NUTAU e à Professora Cyntia Santos Malaguti de Sousa, coordenadora da Comissão Organizadora do evento, acrescentando um abraço saudoso à grande amiga Professora Sheila Walbe Ornstein, que também coopera nesta iniciativa.

 

Lisboa, Encarnação, em 10 de agosto de 2020

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar

 

 

 

13 Seminário internacional International Seminar

NUTAU 2020

Apresentação

O Núcleo de Pesquisa em Tecnologia da Arquitetura, do Urbanismo e do Design da Universidade de São Paulo - NUTAUUSP, vinculado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - FAUUSP, dedica-se ao desenvolvimento, coordenação e difusão de investigação científica e multidisciplinar nas diversas áreas abrangidas pela tecnologia da arquitetura, do urbanismo e do design, focadas no contexto e em demandas do país, buscando também constante diálogo com a experiência internacional. Como parte de suas atividades regulares, desde 1996 o NUTAU vem organizando seminários internacionais bienais,abordandotemas emergentes e significativos para o avanço do conhecimento em suas áreas de atuação.


Neste ano, o 13º Seminário Internacional NUTAU 2020, programado para o mês de novembro, será realizado inteiramente on-line, tendo como tema central a “Valorização de resíduos da arborização urbana”, procurando discutir seu potencial para pesquisas e projetos em suas áreas de atuação. Fundamenta esta escolha o reconhecimento da importância da arborização urbana para as cidades, tanto por razões ambientais quanto estéticas. Ela propicia inúmeros benefícios às condições locais, purificando o ar, reduzindo o ruído, tornando o solo urbano mais permeável, mitigando a formação de “ilhas de calor” e protegendo a fauna; além disso promove efeitos significativos no paisagismo, criando maior beleza cênica, zonas de sombra, ambientes para descanso e contemplação. Por outro lado, seu planejamento e sua gestão envolvem um conjunto de atividades complexas, onerosas e diversas interações, muitas vezes conflituosas, com a infraestrutura urbana, com agentes públicos e privados. 


Entre estas atividades, será dado destaque àquelas relacionadas ao manejo arbóreo, poda, remoção de árvores e destinação desses resíduos, com o objetivo de explorar e divulgar iniciativas e estudos promissores, da perspectiva da sustentabilidade, da economia circular e da abordagem sistêmica. O manejo de tais resíduos, que abrangem não apenas folhas, sementes e pequenos galhos secos, mas também seções maiores e troncos inteiros, representam, para diversas cidades brasileiras, volumes e custos consideráveis. Grande parte deles ainda é descartada em lixões e aterros; em poucos locais seu destino é a compostagem ou a geração de energia pela queima. Ainda que as duas últimas alternativas propiciem uma destinação ambientalmente adequada destes resíduos e formas de aproveitamento, não exploram o melhor potencial de boa parte deles como matéria-prima, na perspectiva do uso em cascata, preconizado pela economia circular. Existem experiências internacionais muito relevantes nesta direção, inclusive com geração de renda, integração de diferentes elos da cadeia produtiva, agentes públicos, privados e comunidade científica; entretanto o Brasil ainda está muito distante de uma abordagem mais sistêmica do problema. 


Mais recentemente o assunto tem despertado o interesse de pesquisadores de diferentes universidades brasileiras, evidenciando o potencial do emprego destes materiais em diferentes configurações e combinações, seja no espaço urbano, na arquitetura ou no design, como elemento construtivo, mobiliário urbano, móveis, pequenos objetos de madeira, auxílio a barreiras acústicas, entre outras aplicações. Da mesma forma, designers e arquitetos empreendedores têm desenvolvido projetos empregando estes materiais de forma inovadora, abrindo nichos de mercado promissores, embora de forma ainda tímida e empírica, manifestando dificuldade de acesso à informação científica sistematizada sobre o tema. 


Assim, considerando a lacuna identificada, a importância do assunto no contexto urbano, o crescente interesse pelo tema no país, e acreditando no potencial da USP na articulação dos diferentes atores envolvidos, em prol do avanço, da articulação e da disseminação da pesquisa científica aplicada ao urbanismo, à arquitetura e ao design, é que surgiu a proposta deste evento.

 

Eixos de abordagem


1.      Planejamento e manejo da arborização urbana; reflexos na geração de resíduos

Reflexões e análises voltadas ao planejamento, implantação, monitoramento e avaliação dos efeitos urbanísticos, sociais e ambientais da arborização urbana; espécies utilizadas, inventário arbóreo, condições de vida da vegetação, interações com a infraestrutura urbana, atores intervenientes e conflitos; sistema de manejo incluindo poda, remoção e destinação dos resíduos arbóreos. 


2.      Projetos e experiências de valorização dos resíduos arbóreos urbanos

Relatos e avaliações de experiências e seus resultados, no âmbito do setor público ou privado, abrangendo resíduos arbóreos e sua utilização na forma de madeira serrada, painéis, componentes construtivos, equipamento ou mobiliário urbano, jogos ou objetos lúdicos, pequenos objetos de madeira (POM) ou outros subprodutos; promoção/divulgação de coleções de objetos criados a partir desses resíduos. Podem ainda envolver capacitação de pessoas, geração de emprego e renda nestas atividades.


3.      Requisitos técnicos e rotas tecnológicas para desenvolvimento de componentes e produtos 

Pesquisas e experimentos científicos voltados a sistemas de identificação, classificação e caracterização de resíduos arbóreos; ensaios para identificação de propriedades, trabalhabilidade; preparação, tratamento, recuperação e beneficiamento; desenvolvimento e aplicação de resíduos da arborização em diferentes configurações, combinações, contextos e funções, assim como a definição de requisitos técnicos e de possibilidades tecnológicas de aproveitamento. Pode abranger estudos prospectivos, comparativos e revisão sistemática de literatura sobre o tema.


4.      Estratégias para gestão dos resíduos da arborização urbana em cascata

Estudos e planos de gestão dos resíduos da arborização urbana, inclusive formas de sua institucionalização, abrangendo sistemas de utilização em cascata, envolvimento e articulação de diferentes elos da cadeia de coleta, classificação, beneficiamento, produção e distribuição; relações entre agentes públicos e privados; bases de dados, sistemas de informação e capacitação; rastreamento, regulamentação e certificação de materiais e produtos.

 

Público-alvo

Academia

Faculdades de Arquitetura e Urbanismo, Design, Engenharia Civil, Engenharia de Materiais, Engenharia Florestal, Engenharia Sanitária e Ambiental, Direito Ambiental, Gestão Pública

Setor público e serviços terceirizados

Órgãos ambientais, serviços relativos à arborização urbana, empresas de saneamento, empresas distribuidoras de energia, prestadores de serviço de limpeza urbana, municipalidades e subprefeituras, 

Profissionais

Associações, profissionais e empresas de urbanismo, arquitetura e design.

 

Submissão de artigos

Os trabalhos submetidos devem ser artigos completos, desenvolvidas por até três autores e direcionados a um dos quatro eixos de abordagem do evento, contemplando resultados de pesquisas avançadas ou já concluídas e contendo entre 3.000 e 4.000 palavras no total. A versão em word do templatepara envio de artigos está disponível em: https://www.even3.com.br/nutau2020/, plataforma online de inscrição e submissão de trabalhos. Os artigos devem ser submetidos até 14/09, sem identificação dos autores no corpo do texto nem no nome do arquivo, para que possam ser objeto de avaliação cega pelo Comitê Científico. 


Para submissão de artigos é necessário criar uma conta gratuita no sistema, o que pode ser feito a partir de uma conta do Facebook ou com inserção de e-mail e criação de uma senha. É neste ambiente e através do e-mail informado que serão realizados o envio dos arquivos, a divulgação dos resultados, a inscrição nos módulos do evento, disponibilização de cartas de aceite, certificados etc.

 

  

 Prazos e valores

Submissão de artigos (português ou inglês)

até 14/09

 

gratuita

Resultado avaliações

até 13/10

 

 

Envio artigos finais (português ou inglês)

até 26/10

estudantes e professores da USP

R$ 100,00

 

 

Profissionais e professores externos

R$ 200,00

Envio apresentações (bilíngue)

até 13/11

 

 

Inscrição no evento

até 16/11

por módulos 1, 2, 3, 4

gratuita

 


Estrutura do evento – Programa


Dia 17 de novembro

Manhã

 

 

8h45 às 9h00

abertura

Planejamento e manejo da arborização urbana; reflexos na geração de resíduos

9h00 às 10h00

sessão temática 1

6 apresentações de 5 min + 5 min para debates cada

10h00 às 10h15

 

intervalo

10h15 às 11h45

mesa redonda 1

4 apresentações de 20 min + 10 min para debates

11h45 às 12h00

 

intervalo

12h00 às 13h00

conferência internacional 1

1 palestra de 45 min + 15 min para debates

Tarde

 

Projetos e experiências de valorização dos resíduos arbóreos urbanos

14h00 às 15h00

sessão temática 2

6 apresentações de 5 min + 5 min para debates cada

15h00 às 15h15

 

intervalo

15h15 às 16h45

mesa redonda 2

4 apresentações de 20 min + 10 min para debates

16h45 às 17h00

 

intervalo

17h00 às 18h00

conferência internacional 2

1 palestra de 45 min + 15 min para debates

 


Dia 18 de novembro

Manhã

 

Requisitos técnicos e rotas tecnológicas para desenvolvimento de componentes e produtos

9h00 às 10h00

sessão temática 3

6 apresentações de 5 min + 5 min para debates cada

10h00 às 10h15

 

intervalo

10h15 às 11h45

mesa redonda 3

4 apresentações de 20 min + 10 min para debates

11h45 às 12h00

 

intervalo

12h00 às 13h00

conferência internacional 3

1 palestra de 45 min + 15 min para debates

Tarde

 

Estratégias para gestão dos resíduos da arborização urbana em cascata

14h00 às 15h00

sessão temática 4

6 apresentações de 5 min + 5 min para debates cada

15h00 às 15h15

 

intervalo

15h15 às 16h45

mesa redonda 4

4 apresentações de 20 min + 10 min para debates

16h45 às 17h00

 

intervalo

17h00 às 18h00

conferência internacional 4

1 palestra de 45 min + 15 min para debates

18h00 às 18h15

Encerramento

 

 

 

NUTAU

Conselho Deliberativo

Prof. Dra. Ranny Loureiro Xavier Nascimento Michalski (FAUUSP) - Presidência

Prof. Dra. Cyntia Santos Malaguti de Sousa (FAUUSP) – Coordenação Científica

Prof. Dr. André Leme Fleury (EPUSP)

Prof. Dr. Bruno Roberto Padovano (FAUUSP)

Prof. Dr. Gilson Schwartz (ECAUSP)

Prof. Dr. João Carlos de Oliveira Cesar (FAUUSP)

Prof. Dra. Sheila Walbe Ornstein (FAUUSP)

Prof. Dr. Silvio Burrattino Melhado (EPUSP)

 

Comitê organizador

Prof. Dra. Cyntia Santos Malaguti de Sousa (FAUUSP) - Coordenação

Prof. Dra. Alessandra Rodrigues Prata Shimomura (FAUUSP)

Prof. Dr. André Leme Fleury (EPUSP)

Prof. Dra. Ranny Loureiro Xavier Nascimento Michalski (FAUUSP)

Prof. Dra. Sheila Walbe Ornstein (FAUUSP)

Prof. Dr. Tomás Queiroz Ferreira Barata (FAUUSP)

Caio Dutra Profírio de Souza (mestrando do PPG-Design FAUUSP)

Clara Bartholomeu (aluna do curso de graduação em design FAUUSP/POLIMI)

Bruno Novaes (aluno do PPG-Design UNESP)

 

Informações e contato

site institucionalhttp://www.usp.br/nutau2020/

 

inscrição/submissãohttps://www.even3.com.br/nutau2020/


facebookhttps://www.facebook.com/nutau2020


instagramhttps://www.instagram.com/nutau.usp/

 

e-mailnutau2020@usp.br

 

 

Agosto de 2020

 

A Coordenação da Comissão Organizadora do NUTAU 2020

 

 

Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações. 

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 742

Edição: terça-feira, 11 de agosto de 2020


Seminário internacional NUTAU 2020    International Seminar – Infohabitar # 742

13º Seminário Internacional NUTAU 2020 – Valorização de resíduos da arborização urbana – potencial para pesquisas e projetos de urbanismo, arquitetura e design

 

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil(LNEC), em Lisboa.

 

abc.infohabitar@gmail.com

abc@lnec.pt

 

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).

 

segunda-feira, novembro 05, 2018

663 - Avaliação Pós-Ocupação, na arquitetura, no urbanismo e no design - Infohabitar 663

INFOHABITAR N.º 663

Avaliação Pós-Ocupação, na arquitetura, no urbanismo e no design: da teoria à prática

Apresentação do livro intitulado:
"Avaliação Pós-Ocupação, na arquitetura, no urbanismo e no design: da teoria à prática"
Organizadores: Rosaria Ono, Sheila Walbe Ornstein, Simone Barbosa Villa e Ana Judite Galbiatti Limongi França


     É com muita satisfação que a Infohabitar divulga um novo livro, recentemente editado no Brasil, que apresenta, com desenvolvimento, a metodologia e diversos processos associados à teoria e à prática da Avaliação Pós-Ocupação (APO) – em inglês Post-occupancy evaluation (POE).

     A APO tem tido uma extensa e profunda aplicação no Brasil, designadamente, através do empenhado e continuado esforço de diversos professores e pesquisadores, com destaque para vários colegas da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), havendo que registar, entre eles, a Professora Titular Sheila Walbe Ornstein, a quem nos liga uma longa amizade, que já nos deu a honra de participar nesta nossa revista por diversas vezes, que acompanhou uma das nossas práticas de APO (no LNEC), e que tem extensa bibliografia nesta temática.

     Para quem não é, minimamente, conhecedor do que se pretende com as APO, que foram já realizadas em Portugal e no LNEC, no então Núcleo de Arquitectura e Urbanismo, junta-se um pequeno texto explicativo da pesquisadora brasileira Marilice Costi - editado há alguns anos também aqui na Infohabitar.

      “Uma APO é um tipo de avaliação retrospectiva feita em ambientes construídos após certo tempo de ocupação. Surgiu no período de 1940-50 nos EUA, quando, pela primeira vez, a opinião dos usuários passou a fazer parte de pesquisas exploratórias executadas por geógrafos e psicólogos. A partir daí, os antropólogos e os arquitetos passaram a estudar as relações ambiente-comportamento apropriando-se de métodos das áreas da Psicologia, da Geografia, da Antropologia, da Sociologia e da Engenharia.
     “Tal avaliação é adotada para diagnosticar e recomendar novos projetos. Feita de forma sistêmica e realimentadora, pode propor modificações e reformas no ambiente, pois aprofunda conhecimentos sobre ele. Sua aplicabilidade encontra campo tanto em edificações de porte quanto em pequenos prédios, tanto em interiores quanto em pequenos objetos. Feita por especialistas-avaliadores, ela é o estudo da performance do ambiente considerando-se a opinião de seus ocupantes. É o que a diferencia de Avaliações de Desempenho.
     “Uma APO serve para aferir erros e acer­tos para que se possa monitorar a qualidade. Utiliza-se métodos ou multimétodos, avaliações rigorosas e siste­máticas, tanto em ambientes internos quanto em externos. Para faze-la, é necessário conhecer o ser humano e suas fases de vida, seu comportamento ambiental, como ele se apropria dos espaços, como marca território, como faz interferências, como adapta os locais às suas necessidades.”

(Marilice Costi AVALIAÇÃO PÓS-OCUPAÇÃO (APO): MONITORANDO A ARQUITETURA! - Infohabitar n.º 246)

     Como comentário pessoal, muito dirigido à aplicação de APO a conjuntos residenciais, e tendo coordenado três processos de APO – no LNEC designados de Análises Retrospectivas multidisciplinares (realizados já há cerca de 10 anos) – a três extensos conjuntos de bairros e conjuntos de habitação de interesse social financiados pelo então INH – hoje IHRU – gostaria de referir, apenas, que aplicámos uma análise dupla, aos projectos e aos conjuntos habitados, abordando matérias de Arquitectura e Urbanismo, Engenharias e Ciências Sociais, com equipas multidisciplinares, utilizando ferramentas de análise pre´-preparadas, entrevistas a responsáveis e habitantes, levantamentos fotográficos e inquéritos postais a todos os habitantes.

     A idéia-base foi procurar entender como é que um dado conjunto de soluções urbanas e habitacionais, realizadas segundo um conjunto recomendativo específico (Recomendações Técnicas de Habitação Social), projectadas por diversos arquitectos e engenheiros e habitadas pelo menos há cinco anos, respondiam aos seus habitantes em termos de satisfação global e específica no que se refere a um amplo leque de elementos (ex., espaço exterior, edifício, espaços comuns, habitação, compartimentos habitáveis, construção, manutenção, relações de vizinhança  no bairro e no edifício, etc.).
     Os resultados obtidos foram úteis no sentido de se apoiar, então, o INH/IHRU com um amplo conjunto de aspectos avaliativos e caracterizadores que puderam ser usados no acompanhamento e eventual aconselhamento de novas intervenções de habitação de interesse social.

     Mas considera-se que a APO tem outras múltiplas e aprofundadas utilidades, seja numa grande diversidade de análises a diversos tipos de edifícios e espaços urbanos, seja visando-se variados objectivos específicos, mas sempre numa perspectiva básica de se procurar assegurar espaços de “habitar” (no sentido amplo do termo) mais adequados e verdadeiramente mais satisfatórios para os seus utentes, harmonizando-se esta vital satisfação, com a também desejada qualidade arquitectónica e construtiva.

     O livro agora publicado tem o grande interesse de proporcionar uma ampla perspectiva sobre a natureza global, as bases teóricas e práticas e as aplicações específicas da APO, através do testemunho directo de um conjunto de importantes pesquisadores da USP, que dedicaram parte da sua vida ao estudo e à aplicação prática da APO no Brasil em diversos quadros de aplicação: é, assim, uma oportunidade única para conhecer melhor o interesse e oportunidade da APO.

     Salienta-se, portanto, a  publicação do novo livro, intitulado, "Avaliação Pós-Ocupação, na arquitetura, no urbanismo e no design: da teoria à prática", realizado por um amplo conjunto de autores e co-organizado pelas professoras  Rosaria Ono, Sheila Walbe Ornstein, Simone Barbosa Villa e Ana Judite Galbiatti Limongi França.

     Este livro é resultado de mais de 30 anos de estudo teórico-prático da APO na FAU-USP e contempla os seus avanços e desdobramentos em anos recentes.

     Haverá um lançamento no ENTAC 2018 (12.11), Foz do Iguaçu e na Livraria Cultura (29.11) em São Paulo.

     Apresenta-se, em seguida, o link para a editora do livro aqui apresentado:


     Junta-se, já a seguir, um pequeno texto de apresentação e, depois, o índice do novo livro, que se espera poder despertar merecido interesse nos leitores da Infohabitar.

     A Infohabitar e o seu editor enviam os parabéns aos autores e organizadores deste novo livro, desejando-lhes o merecido êxito editorial,

Lsiboa e LNEC em 5 de novembro de 2018

António Baptista Coelho
Editor da Infohabitar


Fig: Capa do livro apresentado

     Avaliação Pós-Ocupação (APO) na Arquitetura, no Urbanismo e no Design: da Teoria à Prática leva ao leitor amplo conhecimento conceitual e prático para a aplicação da APO em ambientes construídos e objetos no decorrer de seu uso, de modo a aferir seu desempenho físico, à luz da percepção dos seus usuários.
Trata-se de uma obra que se destina a arquitetos, urbanistas, engenheiros e designers empenhados em embasar o processo decisório de seus projetos, por meio de incorporação de lições aprendidas a partir de edificações e objetos de tipologia semelhante já em uso.

     “Com esta publicação, espera-se aprofundar as pesquisas na área e despertar o interesse de outros importantes grupos que desenvolvem trabalhos em APO no país em compartilhar as suas experiências para contribuir na construção de um corpo coeso de conhecimento científico de evidências para uma efetiva aplicação à prática profissional”
Doris Kowaltowski

Índice de
Avaliação Pós-Ocupação (APO) na Arquitetura, no Urbanismo e no Design: da Teoria à Prática

Parte 1 | A utilização de apo para a melhoria do ambiente construído


1 Avaliação pós‑ocupação (APO) aplicada à realimentação do processo de projeto.
Sheila Walbe Ornstein, Rosaria Ono, Simone Barbosa Villa,
Ana Judite Galbiatti Limongi França

1.1 A interdisciplinaridade e o ambiente construído
1.2 A importância dos estudos das relações entre ambiente construído e comportamento humano
1.3 Da avaliação pré-projeto à avaliação pós-ocupação
1.4 Peculiaridades da APO
1.5 Cronologia das atividades e experiências internacionais
1.6 Cronologia das atividades e experiências no Brasil
1.7 Tendências da APO no mundo e no Brasil
Referências bibliográficas

2 APO, desempenho e suas relações com normas e certificações
Ana Judite Galbiatti Limongi França, Rosaria Ono, Sheila Walbe Ornstein

2.1 Verificando o desempenho dos sistemas construtivos e prediais: comissionamento
2.2 Avaliações de desempenho e referências normativas
2.3 APO e avaliação de desempenho
2.4 Certificações de desempenho ambiental
2.5 Incorporando a retroalimentação ao processo projetual
Referências bibliográficas

3 Ética em pesquisa de APO
Tânia Pietzschke Abate, Rosaria Ono, Sheila Walbe Ornstein

3.1 Conceitos
3.2 Diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas que envolvem seres humanos
3.3 Termo de consentimento livre e esclarecido
3.4 Aspectos éticos em pesquisa com indivíduos legalmente incapazes e o termo de assentamento (TA)
3.5 Algumas considerações
Referências bibliográficas

Parte 2 | Fundamentos de apo


4 Procedimentos metodológicos
Simone Barbosa Villa, Rosaria Ono, Ana Judite Galbiatti Limongi França, Sheila Walbe Ornstein

4.1 Abordagem multimétodo
4.2 Como aplicar uma APO
4.3 Avaliações qualiquantitativas sob o ponto de vista do especialista
4.4 Indicadores de desempenho
Referências bibliográficas

5 Método quantitativo para a aferição da percepção dos usuários – questionário
Rosaria Ono e Sheila Walbe Ornstein

5.1 Procedimentos para a estruturação e a elaboração
5.2 Amostragem
5.3 Processamento inicial dos dados
5.4 Tratamento e análise de dados
5.5 Métodos inferenciais de tratamento e análise de dados
Referências bibliográficas

6 Métodos qualitativos para a aferição da percepção dos usuários
Rosaria Ono, Simone Barbosa Villa, Tania P. Abate, Maria Beatriz Pestana Barbosa, Ana Judite Galbiatti Limongi França, Sheila Walbe Ornstein

6.1 Walkthrough
6.2 Wayfinding
6.3 Entrevistas
6.4 Grupo focal
6.5 Poema dos desejos
6.6 Métodos observacionais
6.7 O discurso do sujeito coletivo (DSC)
Referências bibliográficas

7 Formas de apresentação dos resultados
Rosaria Ono , Ana Judite Galbiatti Limongi França, Sheila Walbe Ornstein

7.1 Apresentação do diagnóstico e das recomendações da APO
7.2 Elaborando o relatório de APO
Referências bibliográficas

Parte 3 | Experiências de aplicação


8 Aplicação em empreendimentos habitacionais
Simone Barbosa Villa e Rita de Cássia Pereira Saramago

8.1 Edifícios de apartamentos: avaliação da qualidade espacial e ambiental de edifícios em cidades médias
8.2 Habitação de interesse social: avaliação de empreendimento do Programa Minha Casa, Minha Vida
8.3 Habitação: sistema de avaliação da qualidade por meios digitais
Referências bibliográficas

9 Aplicação em edifícios institucionais
Sheila Walbe Ornstein, Rosaria Ono, Ana Judite Galbiatti Limongi França, Andrea D Angelo Leitner, Maria Beatriz Pestana Barbosa

9.1 Edificações voltadas ao ensino-aprendizagem
9.2 Edifício hospitalar sob a ótica dos fluxos
9.3 Rede metroferroviária sob a ótica da jornada do usuário
9.4 Museu sob a ótica da acessibilidade e da segurança contra incêndio
Referências bibliográficas

10 Aplicação com enfoques diferenciados

10.1 Elaboração de diretrizes com vistas à requalificação de edificações
Ana Judite Galbiatti Limongi França, Maria Beatriz Pestana Barbosa, Marcelo de Andrade Roméro, Sheila Walbe Ornstein
10.2 Aplicação no contexto da certificação ambiental
10.3 Aplicação para aferição de aspectos de desempenho e usabilidade
Referências bibliográficas

Parte 4 | Disseminação e caminhos futuros

11 Ensino de APO
Rosaria Ono , Sheila Walbe Ornstein , Simone Barbosa Villa, Marcelo de Andrade Roméro

11.1 A experiência da FAU-USP
11.2 A experiência da FAUeD-UFU
11.3 Modelos de programas da disciplina de APO na graduação e na pós-graduação
Referências bibliográficas

12 Avanços e caminhos a seguir
Rosaria Ono, Sheila Walbe Ornstein, Simone Barbosa Villa, Ana Judite Galbiatti Limongi França
Referências bibliográficas

Salienta-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, acolhido no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.


Infohabitar, Ano XIV, n.º 663

Avaliação Pós-Ocupação, na arquitetura, no urbanismo e no design: da teoria à prática



Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.