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segunda-feira, novembro 05, 2018

663 - Avaliação Pós-Ocupação, na arquitetura, no urbanismo e no design - Infohabitar 663

INFOHABITAR N.º 663

Avaliação Pós-Ocupação, na arquitetura, no urbanismo e no design: da teoria à prática

Apresentação do livro intitulado:
"Avaliação Pós-Ocupação, na arquitetura, no urbanismo e no design: da teoria à prática"
Organizadores: Rosaria Ono, Sheila Walbe Ornstein, Simone Barbosa Villa e Ana Judite Galbiatti Limongi França


     É com muita satisfação que a Infohabitar divulga um novo livro, recentemente editado no Brasil, que apresenta, com desenvolvimento, a metodologia e diversos processos associados à teoria e à prática da Avaliação Pós-Ocupação (APO) – em inglês Post-occupancy evaluation (POE).

     A APO tem tido uma extensa e profunda aplicação no Brasil, designadamente, através do empenhado e continuado esforço de diversos professores e pesquisadores, com destaque para vários colegas da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), havendo que registar, entre eles, a Professora Titular Sheila Walbe Ornstein, a quem nos liga uma longa amizade, que já nos deu a honra de participar nesta nossa revista por diversas vezes, que acompanhou uma das nossas práticas de APO (no LNEC), e que tem extensa bibliografia nesta temática.

     Para quem não é, minimamente, conhecedor do que se pretende com as APO, que foram já realizadas em Portugal e no LNEC, no então Núcleo de Arquitectura e Urbanismo, junta-se um pequeno texto explicativo da pesquisadora brasileira Marilice Costi - editado há alguns anos também aqui na Infohabitar.

      “Uma APO é um tipo de avaliação retrospectiva feita em ambientes construídos após certo tempo de ocupação. Surgiu no período de 1940-50 nos EUA, quando, pela primeira vez, a opinião dos usuários passou a fazer parte de pesquisas exploratórias executadas por geógrafos e psicólogos. A partir daí, os antropólogos e os arquitetos passaram a estudar as relações ambiente-comportamento apropriando-se de métodos das áreas da Psicologia, da Geografia, da Antropologia, da Sociologia e da Engenharia.
     “Tal avaliação é adotada para diagnosticar e recomendar novos projetos. Feita de forma sistêmica e realimentadora, pode propor modificações e reformas no ambiente, pois aprofunda conhecimentos sobre ele. Sua aplicabilidade encontra campo tanto em edificações de porte quanto em pequenos prédios, tanto em interiores quanto em pequenos objetos. Feita por especialistas-avaliadores, ela é o estudo da performance do ambiente considerando-se a opinião de seus ocupantes. É o que a diferencia de Avaliações de Desempenho.
     “Uma APO serve para aferir erros e acer­tos para que se possa monitorar a qualidade. Utiliza-se métodos ou multimétodos, avaliações rigorosas e siste­máticas, tanto em ambientes internos quanto em externos. Para faze-la, é necessário conhecer o ser humano e suas fases de vida, seu comportamento ambiental, como ele se apropria dos espaços, como marca território, como faz interferências, como adapta os locais às suas necessidades.”

(Marilice Costi AVALIAÇÃO PÓS-OCUPAÇÃO (APO): MONITORANDO A ARQUITETURA! - Infohabitar n.º 246)

     Como comentário pessoal, muito dirigido à aplicação de APO a conjuntos residenciais, e tendo coordenado três processos de APO – no LNEC designados de Análises Retrospectivas multidisciplinares (realizados já há cerca de 10 anos) – a três extensos conjuntos de bairros e conjuntos de habitação de interesse social financiados pelo então INH – hoje IHRU – gostaria de referir, apenas, que aplicámos uma análise dupla, aos projectos e aos conjuntos habitados, abordando matérias de Arquitectura e Urbanismo, Engenharias e Ciências Sociais, com equipas multidisciplinares, utilizando ferramentas de análise pre´-preparadas, entrevistas a responsáveis e habitantes, levantamentos fotográficos e inquéritos postais a todos os habitantes.

     A idéia-base foi procurar entender como é que um dado conjunto de soluções urbanas e habitacionais, realizadas segundo um conjunto recomendativo específico (Recomendações Técnicas de Habitação Social), projectadas por diversos arquitectos e engenheiros e habitadas pelo menos há cinco anos, respondiam aos seus habitantes em termos de satisfação global e específica no que se refere a um amplo leque de elementos (ex., espaço exterior, edifício, espaços comuns, habitação, compartimentos habitáveis, construção, manutenção, relações de vizinhança  no bairro e no edifício, etc.).
     Os resultados obtidos foram úteis no sentido de se apoiar, então, o INH/IHRU com um amplo conjunto de aspectos avaliativos e caracterizadores que puderam ser usados no acompanhamento e eventual aconselhamento de novas intervenções de habitação de interesse social.

     Mas considera-se que a APO tem outras múltiplas e aprofundadas utilidades, seja numa grande diversidade de análises a diversos tipos de edifícios e espaços urbanos, seja visando-se variados objectivos específicos, mas sempre numa perspectiva básica de se procurar assegurar espaços de “habitar” (no sentido amplo do termo) mais adequados e verdadeiramente mais satisfatórios para os seus utentes, harmonizando-se esta vital satisfação, com a também desejada qualidade arquitectónica e construtiva.

     O livro agora publicado tem o grande interesse de proporcionar uma ampla perspectiva sobre a natureza global, as bases teóricas e práticas e as aplicações específicas da APO, através do testemunho directo de um conjunto de importantes pesquisadores da USP, que dedicaram parte da sua vida ao estudo e à aplicação prática da APO no Brasil em diversos quadros de aplicação: é, assim, uma oportunidade única para conhecer melhor o interesse e oportunidade da APO.

     Salienta-se, portanto, a  publicação do novo livro, intitulado, "Avaliação Pós-Ocupação, na arquitetura, no urbanismo e no design: da teoria à prática", realizado por um amplo conjunto de autores e co-organizado pelas professoras  Rosaria Ono, Sheila Walbe Ornstein, Simone Barbosa Villa e Ana Judite Galbiatti Limongi França.

     Este livro é resultado de mais de 30 anos de estudo teórico-prático da APO na FAU-USP e contempla os seus avanços e desdobramentos em anos recentes.

     Haverá um lançamento no ENTAC 2018 (12.11), Foz do Iguaçu e na Livraria Cultura (29.11) em São Paulo.

     Apresenta-se, em seguida, o link para a editora do livro aqui apresentado:


     Junta-se, já a seguir, um pequeno texto de apresentação e, depois, o índice do novo livro, que se espera poder despertar merecido interesse nos leitores da Infohabitar.

     A Infohabitar e o seu editor enviam os parabéns aos autores e organizadores deste novo livro, desejando-lhes o merecido êxito editorial,

Lsiboa e LNEC em 5 de novembro de 2018

António Baptista Coelho
Editor da Infohabitar


Fig: Capa do livro apresentado

     Avaliação Pós-Ocupação (APO) na Arquitetura, no Urbanismo e no Design: da Teoria à Prática leva ao leitor amplo conhecimento conceitual e prático para a aplicação da APO em ambientes construídos e objetos no decorrer de seu uso, de modo a aferir seu desempenho físico, à luz da percepção dos seus usuários.
Trata-se de uma obra que se destina a arquitetos, urbanistas, engenheiros e designers empenhados em embasar o processo decisório de seus projetos, por meio de incorporação de lições aprendidas a partir de edificações e objetos de tipologia semelhante já em uso.

     “Com esta publicação, espera-se aprofundar as pesquisas na área e despertar o interesse de outros importantes grupos que desenvolvem trabalhos em APO no país em compartilhar as suas experiências para contribuir na construção de um corpo coeso de conhecimento científico de evidências para uma efetiva aplicação à prática profissional”
Doris Kowaltowski

Índice de
Avaliação Pós-Ocupação (APO) na Arquitetura, no Urbanismo e no Design: da Teoria à Prática

Parte 1 | A utilização de apo para a melhoria do ambiente construído


1 Avaliação pós‑ocupação (APO) aplicada à realimentação do processo de projeto.
Sheila Walbe Ornstein, Rosaria Ono, Simone Barbosa Villa,
Ana Judite Galbiatti Limongi França

1.1 A interdisciplinaridade e o ambiente construído
1.2 A importância dos estudos das relações entre ambiente construído e comportamento humano
1.3 Da avaliação pré-projeto à avaliação pós-ocupação
1.4 Peculiaridades da APO
1.5 Cronologia das atividades e experiências internacionais
1.6 Cronologia das atividades e experiências no Brasil
1.7 Tendências da APO no mundo e no Brasil
Referências bibliográficas

2 APO, desempenho e suas relações com normas e certificações
Ana Judite Galbiatti Limongi França, Rosaria Ono, Sheila Walbe Ornstein

2.1 Verificando o desempenho dos sistemas construtivos e prediais: comissionamento
2.2 Avaliações de desempenho e referências normativas
2.3 APO e avaliação de desempenho
2.4 Certificações de desempenho ambiental
2.5 Incorporando a retroalimentação ao processo projetual
Referências bibliográficas

3 Ética em pesquisa de APO
Tânia Pietzschke Abate, Rosaria Ono, Sheila Walbe Ornstein

3.1 Conceitos
3.2 Diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas que envolvem seres humanos
3.3 Termo de consentimento livre e esclarecido
3.4 Aspectos éticos em pesquisa com indivíduos legalmente incapazes e o termo de assentamento (TA)
3.5 Algumas considerações
Referências bibliográficas

Parte 2 | Fundamentos de apo


4 Procedimentos metodológicos
Simone Barbosa Villa, Rosaria Ono, Ana Judite Galbiatti Limongi França, Sheila Walbe Ornstein

4.1 Abordagem multimétodo
4.2 Como aplicar uma APO
4.3 Avaliações qualiquantitativas sob o ponto de vista do especialista
4.4 Indicadores de desempenho
Referências bibliográficas

5 Método quantitativo para a aferição da percepção dos usuários – questionário
Rosaria Ono e Sheila Walbe Ornstein

5.1 Procedimentos para a estruturação e a elaboração
5.2 Amostragem
5.3 Processamento inicial dos dados
5.4 Tratamento e análise de dados
5.5 Métodos inferenciais de tratamento e análise de dados
Referências bibliográficas

6 Métodos qualitativos para a aferição da percepção dos usuários
Rosaria Ono, Simone Barbosa Villa, Tania P. Abate, Maria Beatriz Pestana Barbosa, Ana Judite Galbiatti Limongi França, Sheila Walbe Ornstein

6.1 Walkthrough
6.2 Wayfinding
6.3 Entrevistas
6.4 Grupo focal
6.5 Poema dos desejos
6.6 Métodos observacionais
6.7 O discurso do sujeito coletivo (DSC)
Referências bibliográficas

7 Formas de apresentação dos resultados
Rosaria Ono , Ana Judite Galbiatti Limongi França, Sheila Walbe Ornstein

7.1 Apresentação do diagnóstico e das recomendações da APO
7.2 Elaborando o relatório de APO
Referências bibliográficas

Parte 3 | Experiências de aplicação


8 Aplicação em empreendimentos habitacionais
Simone Barbosa Villa e Rita de Cássia Pereira Saramago

8.1 Edifícios de apartamentos: avaliação da qualidade espacial e ambiental de edifícios em cidades médias
8.2 Habitação de interesse social: avaliação de empreendimento do Programa Minha Casa, Minha Vida
8.3 Habitação: sistema de avaliação da qualidade por meios digitais
Referências bibliográficas

9 Aplicação em edifícios institucionais
Sheila Walbe Ornstein, Rosaria Ono, Ana Judite Galbiatti Limongi França, Andrea D Angelo Leitner, Maria Beatriz Pestana Barbosa

9.1 Edificações voltadas ao ensino-aprendizagem
9.2 Edifício hospitalar sob a ótica dos fluxos
9.3 Rede metroferroviária sob a ótica da jornada do usuário
9.4 Museu sob a ótica da acessibilidade e da segurança contra incêndio
Referências bibliográficas

10 Aplicação com enfoques diferenciados

10.1 Elaboração de diretrizes com vistas à requalificação de edificações
Ana Judite Galbiatti Limongi França, Maria Beatriz Pestana Barbosa, Marcelo de Andrade Roméro, Sheila Walbe Ornstein
10.2 Aplicação no contexto da certificação ambiental
10.3 Aplicação para aferição de aspectos de desempenho e usabilidade
Referências bibliográficas

Parte 4 | Disseminação e caminhos futuros

11 Ensino de APO
Rosaria Ono , Sheila Walbe Ornstein , Simone Barbosa Villa, Marcelo de Andrade Roméro

11.1 A experiência da FAU-USP
11.2 A experiência da FAUeD-UFU
11.3 Modelos de programas da disciplina de APO na graduação e na pós-graduação
Referências bibliográficas

12 Avanços e caminhos a seguir
Rosaria Ono, Sheila Walbe Ornstein, Simone Barbosa Villa, Ana Judite Galbiatti Limongi França
Referências bibliográficas

Salienta-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, acolhido no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.


Infohabitar, Ano XIV, n.º 663

Avaliação Pós-Ocupação, na arquitetura, no urbanismo e no design: da teoria à prática



Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.


domingo, novembro 02, 2014

507 - O livro "Qualidade Ambiental na Habitação" foi premiado; e Seminário Internacional - Planeamento Cultural em Áreas metropolitanas, Almada 2014 - Infohabitar 507

Infohabitar, Ano IX, n.º 507


O livro "Qualidade Ambiental na Habitação : Avaliação pós-ocupação" acabou de ser premiado

NOTA PRÉVIA: DIVULGAÇÃO DE EVENTOS TÉCNICOS E CIENTÍFICOS

Seminário Internacional - Planeamento Cultural em Áreas metropolitanas, Almada 2014

Chama-se a atenção dos leitores e eventuais participantes relativamente ao grande interesse do Seminário Internacional - Planeamento Cultural em Áreas metropolitanas, Almada 2014: Revitalização dos Espaços Pós-Suburbanos, que terá lugar já esta semana em Almada, dias 6 e 7 de Novembro de 2014

“As cidades contemporâneas, que transformaram a sua imagem e economia, pensaram o seu renascimento na perspetiva de um desenvolvimento cultural, em resposta às mudanças económicas e sociais em curso. A arte e a cultura, entendidas em termos gerais, passaram a ser consideradas um requisito direto da qualidade de vida e um direito social. Pode o Planeamento Cultural ser entendido como instrumento da política de ordenamento do território e do urbanismo, ao lado de outras figuras do planeamento e da construção das cidades?
Nas áreas metropolitanas, onde o património construído não possui tradição, pode o património cultural imaterial ser tomado como referência para uma estratégia de formação da identidade do território e das comunidades urbanas?
Sobre estas questões o Seminário "Planeamento Cultural Urbano em Áreas Metropolitanas", pretende ser uma oportunidade de debate técnico e científico na perspetiva da criação de uma engenharia da cultura que usando uma análise contemporânea, examine como e porque as culturas têm sido planeadas e de que forma tem sido considerada a inclusão das condições culturais no planeamento das cidades, visando o desenvolvimento sustentado e a qualificação dos espaços de crescimento rápido e não programado das áreas pós-suburbanas.
A economia cultural das cidades, associada ao turismo, à tecnologia e à mudança social, tende a suportar a produção de uma indústria cultural, a qual cria por sua vez uma poderosa vantagem competitiva que ajuda a reforçar o sentido de identidade entre as comunidades urbanas.”

TÓPICOS: Espaço pós-suburbano, património imaterial e movimento associativo; Arte e cultura, factores de identidade urbana e ativação da economia; Engenharia da cultura e planeamento urbano; Processos de inovação e criatividade na revitalização do espaço pós-suburbano.

COMISSÃO ORGANIZADORA / ORGANIZING COMMITTEE: Carlos Almeida Marques (coordenação geral) - CAPP.ISCSP.UL; Maria da Graça Moreira - CIAUD.FA.UL; Teresa Pereira / Fernanda Marques / Domingos Rasteiro - CMA; Alunos ISCSP: João Luz, Emanuel Silveira, Rui Carreto, Tiago Veloso; Alunos FA: Alexandre Silva, Gabriella Felix, Ivo Nunes.


Caros colegas e caros leitores da Infohabitar,

É com grande alegria e muito orgulho que se anuncia que o livro:
"Qualidade Ambiental na Habitação: Avaliação pós-ocupação” recebeu o prêmio MELHOR LIVRO ORGANIZADO ANPARQ 2014.

A  ANPARQ - Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo -, através do Prêmio ANPARQ, atribui,  bienalmente, prémios a investigadores/pesquisadores em várias categorias reconhecendo e divulgando a produção científica de excelência nas áreas da arquitetura e do urbanismo.


O prêmio foi concedido durante o  III ENANPARQ - III Encontro da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo -, realizado entre os dias 20 e 24 de outubro de 2014 na Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo.


O livro "Qualidade Ambiental na Habitação: Avaliação pós-ocupação”  é organizado pelas Professoras Simone Barbosa Villa e Sheila Walbe Ornstein e participado por um conjunto de outros autores, tal como se aponta no artigo que se segue.

A Infohabitar deu o devido destaque  a esta edição, há cerca de um ano (em setembro de 2013), mas julga-se que é agora bem justificada uma nova divulgação desta obra.

A edição da Infohabitar envia  os mais colorosos parabéns às organizadoras e a todos os autores desta obra recém-premiada.

António Baptista Coelho
Editor da Infohabitar
Coordenador da área de Arquitetura da Universidade da Beira Interior (UBI), Covilhã, Portugal.


Fig 1: Capa do livro premiado, intitulado " Qualidade Ambiental na Habitação: Avaliação pós-ocupação"


O dia em que um novo livro sobre as matérias habitacionais é premiado é sempre especial, e quando o livro em questão associa um grupo muito amplo de especialistas do habitar, será então, sempre, um dia muito muito especial aqui na Infohabitar.

O livro tem o título "Qualidade Ambiental na Habitação: Avaliação pós-ocupação” e as suas organizadoras são as colegas Simone Barbosa Villa e Sheila Walbe Ornstein; sendo a editora a Oficina de Textos, de São Paulo

Gostaria, também, de sublinhar que a temática global deste livro, a "Qualidade Ambiental na Habitação", e a sua temática mais específica, "Avaliação pós-ocupação”, são assuntos cada vez mais na ordem do dia, considerando adequados e portanto amplos aspetos qualitativos, níveis físicos de aplicação – da habitação interiorizada à vizinhança e cidade habitadas –, especializações técnicas envolvidas e, designadamente, metodologias de análise e avaliação dessa qualidade – com destaque para a referida Avaliação pós-ocupação (APO), que foram sendo gradualmente estabilizadas, experimentadas e validadas ao longo de muitos anos e que, portanto, se encontram já eficazmente desenvolvidas e disponíveis nos países da lusofonia e um pouco por todo o mundo (tal como é sintetizado, mais abaixo, na apresentação do livro); e nesta matéria há que dar o devido destaque ao importante papel que foi desempenhado, neste processo, pelas organizadoras deste novo livro, as colegas Sheila Ornstein e Simone Villa.

E realmente a temática deste novo livro é assunto urgente e fundamental: (i) seja pelas necessidades quantitativas do habitar ainda a disponibilizar, em tantas regiões; (ii) seja por estarmos a viver o século das cidades e das megacidades, sendo vital sabermos lidar, positivamente, com tal realidade; (iii) seja pelo fundamental aprofundamento das necessidades qualitativas do mesmo habitar (tão importantes como as quantitativas); (iv) seja ainda pelos reflexos - que cada vez mais estão a ser provados e considerados, pela sociedade - da satisfação de todas essas necessidades na saúde e no bem-estar dos habitantes e, dá vontade de dizê-lo, na própria "saúde" e bem-viver das nossas cidades e vizinhanças.

Neste sentido desenvolve-se, em seguida, uma apresentação pormenorizada no novo livro: primeiro com um texto que foi propositadamente realizado, com este objetivo, pelas organizadoras da obra, agora premiada; e, depois, com uma descrição do livro, de diversas formas e com destaque para os respetivos conteúdos.

António Baptista Coelho
Editor da Infohabitar
Coordenador da área de Arquitetura da Universidade da Beira Interior (UBI), Covilhã, Portugal.




Fig 2: o livro premiado, intitulado " Qualidade Ambiental na Habitação: Avaliação pós-ocupação"

APRESENTAÇÃO DO LIVRO

“QUALIDADE AMBIENTAL NA HABITAÇÃO: AVALIAÇÃO PÓS-OCUPAÇÃO”


Simone Barbosa Villa e Sheila Walbe Ornstein (organizadoras)

Editora Oficina de Textos, São Paulo, Brasil, 400p.
ISBN 978 85 7975 076 2

A produção da arquitetura e do urbanismo destinados ao morar claramente focados na relação entre qualidade e satisfação dos moradores usuários se desenvolveu mais fortemente durante a década de 1970, com abordagens propostas por autores internacionais como John Zeisel, Clare Cooper Marcus, Oscar Newman entre outros.  Em um cenário pós II Grande Guerra os anseios da população mundial por moradia de qualidade fomentaram posturas projetuais mais amplas e de caráter interdisciplinar às tradicionais posturas até então consolidadas da arquitetura dos edifícios e elementos urbanos a eles vinculados como composição artística e formal e seus impactos estéticos no desenho das cidades. Tais debates valorizavam além do desempenho físico pleno das habitações, propiciado não só pela estabilidade estrutural, abrigo das intempéries e beleza estética, mas também pelo conforto e o bem estar de seus usuários –moradores.
No Brasil, os estudos sobre as Relações Ambiente Construído – Comportamento Humano ganham consistência acadêmica a partir dos trabalhos de Avaliação Pós-Ocupação (APO) do Ambiente Construído, iniciados em Cursos de Arquitetura e de Engenharia em meados da década de 1980. Neste cenário, reforça-se o conceito de que diretrizes de projetos habitacionais devam ser estabelecidas por um lado, com base em conjunto de critérios de desempenho físico e, por outro, a partir do (re) conhecimento dos aspectos culturais intrínsecos, das expectativas e dos níveis de satisfação dos usuários de empreendimentos habitacionais semelhantes, constituindo-se assim num processos cíclico realimentador. Este olhar, com vistas ao entendimento do desempenho habitacional no decorrer do uso como insumo para diretrizes de futuros projetos semelhantes, são o princípio básico norteador da APO.
Há aproximadamente trinta anos, a APO no Brasil tem sido discutida e estudada em Universidades nas diversas áreas do conhecimento como: ciências sociais aplicadas, humanas e exatas, destacando-se as áreas da arquitetura e do urbanismo, da psicologia ambiental e da engenharia. Inicialmente aplicadas nas modalidades habitacionais, durante estes anos os trabalhos e  as pesquisas sobre APO se estenderam para outras modalidades da arquitetura e do urbanismo como as corporativas, as institucionais, as área de saúde, entre outras.
Grupos de pesquisa e instituições espalhados pelo Brasil – e no exterior - puderam, neste período, concretizar condutas metodológicas, testar técnicas e definir enfoques teóricos e práticos divulgados em congressos, simpósios e encontros específicos. A APO pôde, por meio destas inúmeras e consolidadas pesquisas, se fortalecer e crescer dentro do âmbito nacional com apoio do CNPq, CAPES, FINEP e Fundações de Amparo à Pesquisa. Com isso extrapolaram seus limites institucionais e foram aplicadas no campo prático contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da sociedade. Nesse sentido, esta publicação pretende divulgar os trabalhos recentes da área em habitações, demonstrando a validade de sua aplicabilidade nos setores públicos e privados e a potencial contribuição da APO com a definição de diretrizes para o aumento da qualidade de vida urbana.
Amparado nesta evolução, este livro teve como objetivo principal apontar avanços metodológicos para a APO aplicada em habitações e suas possíveis aproximações com o campo prático através de exemplos realizados envolvendo setores públicos, privados e institucionais. Dividido em três partes, inicia-se pela conceituação e desenvolvimento de aspectos metodológicos frequentemente utilizados nas APOs em habitações, posteriormente dedica-se em apresentar seus rebatimentos em aplicações práticas e finalmente apresenta a experiência no campo internacional destas avaliações.
A partir desta estruturação os autores foram elencados por seus reconhecidos e consolidados trabalhos de pesquisa com diferentes enfoques e sua vinculação com a prática. Estes grupos de pesquisadores experimentados sediados de Norte a Sul do país são bons exemplos na Academia dos quais órgãos públicos, projetistas, construtores e profissionais em gestão de facilidades podem se valer para realizar pesquisas e consultorias no campo da avaliação de desempenho em uso de sistemas construtivos tradicionais e inovadores em prol da qualidade destes "produtos" ao longo do processo de projeto execução e vida útil. Enriquece de forma contundente a obra, os capítulos de colegas pesquisadores de Portugal, Reino Unido e Holanda.
Esta obra oferece aos projetistas, construtores, docentes, pesquisadores e estudantes as inúmeras vertentes contemporâneas da APO no país, apresentando alternativas metodológicas para um olhar “além do belo ou do feio” inerente a uma crítica mais formal da arquitetura, pois busca suporte em pesquisas aplicadas com foco concreto no projetar e no construir melhor e com pensamento persistente no usuário final da habitação.


Qualidade Ambiental na HabitaçãoAvaliação pós-ocupação
Apresentação editorial

Livro organizado por Simone Barbosa Villa e Sheila Walbe Ornstein

A indústria de construção brasileira experimenta um momento de intensa atividade, com muitos lançamentos habitacionais destinados a diferentes públicos e faixas de renda. Nesse contexto, mais exigentes e atentos, compradores pressionam por produtos que atendam suas necessidades na qualidade da habitação requisitando do profissional de Arquitetura uma boa preparação para avaliar e projetar sempre pensando no usuário final.
A Qualidade Ambiental na Habitação supre, nas suas 400 páginas, este complexo problema de aferir qualidade da habitação, oferecendo um amplo e profundo conhecimento de métodos e técnicas consistentes e atualizadas de avaliação de desempenho e satisfação dos usuários.

Com rigor acadêmico, utilidade prática, abordagem inovadora e multidisciplinar, esta publicação primorosa organizada pelas professoras Simone Villa e Sheila Ornstein, reúne contribuições valiosas dos principais pesquisadores brasileiros e expoentes internacionais na área da Avaliação Pós-Ocupação (APO).

A obra é dividida em três partes: a primeira aprofunda conceitos e métodos; a segunda traz discussões de diversas aplicações do APO e a terceira e última parte apresenta análises dos autores internacionais de casos de seus países de origem. É leitura fundamental para pesquisadores da área de Arquitetura e referência valiosa para os profissionais projetistas e construtores preocupados com a qualidade de sua produção.

Fig. 3

Listagem de conteúdos do livro Qualidade Ambiental na HabitaçãoAvaliação pós-ocupação


PARTE 1: Conceituação e aspectos metodológicos

Analisando a experiência do habitar: algumas estratégias metodológicas. Gleixe Azambuja Elali, José Q. Pinheiro – Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

2 – A avaliação pós-ocupação em empreendimentos habitacionais no Brasil: da reabilitação aos novos edifícios. Walter José Ferreira Galvão – Universidade Nove de Julho. Sheila Walbe Ornstein – Universidade de São Paulo e Rosária Ono – Universidade de São Paulo.

3 – A atuação do observador-pesquisador na avaliação da habitação. Paulo Afonso Rheingantz – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rosa Maria Leite Ribeiro Pedro – Universidade Federal do Rio de Janeiro.

4 – A participação de usuários nos processos avaliativos: metodologias e resultados. César IMai – Universidade Estadual de Londrina.

5 – Avaliação estética de empreendimentos habitacionais de interesse social. Antonio Tarcisio da Luz Reis – Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Maria Cristina Dias Lay -  Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

6 – Multimeios em avaliação pós-ocupação e sua aplicabilidade para o mercado imobiliário habitacional. Simone Barbosa Villa – Universidade Federal de Uberlândia.

7 – Métodos e instrumentos de avaliação de projetos destinados à habitação de interesse social. Doris C.C.K.Kowaltowski, Ariovaldo Denis Granja, Daniel de Carvalho Moreira, Vanessa Gomes da Silva, Silvia A. Mikami G. Pina – Universidade Estadual de Campinas.

8 – Técnicas estatísticas aplicadas à APO em habitações. Fulvio Vittorino -  Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. Rosaria Ono. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.

PARTE 2: Rebatimentos em aplicações práticas

9 – Avaliação da qualidade no projeto de HIS: uma parceria com a Cohab/SC: Carolina Palermo – Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina.

10 – Geração de valor em empreendimentos HIS: parcerias com o Poder Público. Luciana Inês Gomes Miron. : Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Patrícia Tzortzopoulos – University of Salford. Carlos Torres Formoso – Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

11 – A contribuição da APO da gestão de espaços coletivos nos programas habitacionais brasileiros: qualidade obtida ou ainda desejada? Nice Saffer Medvedovski – Faculdade Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pelotas.

12 – APO da habitação com base na teoria das representações sociais. Mauro Cesar de Oliveira Santos – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Helga Santos da Silva – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ivani Bursztyn – Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Luiz Fernando Tura – Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

13 – APO promovidas pela prefeitura de São Paulo: estudo de caso do Programa 3R. Luiz Ricardo Pereira Leite – Secretaria Municipal de Habitação de São Paulo (SEHAB/SP), Aline Cannataro de Figueiredo – Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (COHAB/SP), Heloisa Masuda – Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo  COHAB/SP Josefina Ocanto – Secretaria Municipal de Habitação de São Paulo (SEHAB/SP), Márcia Maria Fartos Terlizzi – Superintendência de Habitação Popular (HABI/SP) e Nancy Cavallete da Silva – Secretaria Municipal de Habitação de São Paulo (SEHAB/SP).


PARTE 3: A experiência Internacional - exemplos

14 – Cinco décadas de pesquisa habitacional no LNEC e a metodologia de APO. Dr. António Baptista Coelho – Laboratório Nacional de Engenharia Civil e Grupo Habitar (Lisboa, Portugal) e Dr. João Branco Pedro – Laboratório Nacional de Engenharia Civil e TUDelft (Lisboa, Portugal).

15 – Eficiência energética no parque habitacional holandês. Henk Visscher – Universidade Tecnológica de Delft, OTB Instituto de Pesquisa em Ambiente Construído (Holanda), Eefje Van Der Werf – SEV Rotterdam & Energiesprong (Holanda) e Theo J. M. Van Der Voordt – Universidade Tecnológica de Delft, Faculdade de Arquitetura, Departamento de Mercado Imobiliário e Habitação, Holanda. Tradução: Rita de Cássia Pereira Saramago, Fabrício Caetano Garcez e Simone Barbosa Villa – Universidade Federal de Uberlândia.

16 – Avaliação de um ambiente planejado e a busca pela sustentabilidade ambiental em moradias. O caso do Reino Unido. Fionn Stevenson – The University of Sheffield / Reino Unido. Tradução: Rita de Cássia Pereira Saramago , Fabrício Caetano Garcez e Simone Barbosa Villa – Universidade Federal de Uberlândia.


Organizadoras (notas curriculares)

Simone Barbosa Villa é doutora pela FAU-USP na subárea Tecnologia da Arquitetura, mestre em Arquitetura e Urbanismo, Tecnologia do Ambiente Construído pela EESC da Universidade de São Paulo, e graduada em Arquitetura e Urbanismo pelo Centro Universitário Moura Lacerda. É Docente e Coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Projeto de Arquitetura, e do [MORA]: Pesquisa em Habitação da Universidade Federal de Uberlândia (UFU-MG). É parecerista ad hoc das Revistas Ambiente Construído e Horizonte Científico. Sua experiência tem ênfase em Projeto de Edificações, atuando principalmente nos seguintes temas: Habitação Unifamiliar e Plurifamiliar (Apartamentos), Avaliação Pós-Ocupação dos edifícios, Habitação de Interesse Social e estudos de viabilidade de projetos para o mercado imobiliário habitacional.

Sheila Walbe Ornstein é arquiteta e urbanista formada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Foi vice-diretora da FAU-USP e atualmente é diretora do Museu Paulista da Universidade de São Paulo. É pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e especialista em Avaliação Pós-Ocupação e gestão na qualidade de projetos, além de autora e co-autora de diversos artigos, capítulos de livros e livros no país e no exterior sobre esses temas.


Página da editora e dados complementares
ISBN: 9788579750762| 20 x 27 cm| 400 páginas

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.

Editor: António Baptista Coelho - abc@lnec.pt

INFOHABITAR Ano IX, nº507

Qualidade Ambiental na Habitação: Avaliação pós-ocupação

Editor: António Baptista Coelho – abc.infohabitar@gmail.com 
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional
Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.