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segunda-feira, setembro 03, 2018

654 - INVESTIGAÇÃO HABITACIONAL E URBANA - Infohabitar 654

INFOHABITAR N.º 654
INVESTIGAÇÃO HABITACIONAL E URBANA

Conjunto de 15 artigos

 

Caros leitores da revista semanal Infohabitar com a presente edição, damos continuidade a uma tipologia editorial, em que se procura voltar a focar e divulgar artigos e séries editoriais já desenvolvidas há algum tempo, mas versando temáticas intemporais.

Julgamos que quando uma revista técnica e científica como a nossa atinge um significativo “tempo de vida” – neste caso 14 anos – e expressão editorial – a caminho dos 700 artigos – corre-se o risco de textos que deixaram de estar numa primeira linha editorial, mas que continuam com o mesmo interesse e oportunidade, poderem ficar um pouco esquecidos “nas prateleiras arquivadoras”, neste caso “na nuvem arquivista” e, a partir desta consideração, surgiu a ideia de voltar a colocar “bem à mão”, à distância de um rápido “clic”, conjuntos temáticos de artigos, por vezes muito bem articulados, entre si, outras vezes marcados por uma salutar diversidade, como é o caso actual.

E é assim que, na presente edição da Infohabitar, se sugere a leitura de uma série de 15 artigos, editados entre 2006 e 2017, realizados por 13 autores e que têm em comum a abordagem do grande tema referido à temática da INVESTIGAÇÃO HABITACIONAL E URBANA, aproveitando-se para lembrar que , em Portugal, o Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) – grupo de investigação estruturado por Nuno Portas em Novembro de 1969 – foi pioneiro na investigação em Arquitetura, Habitação, Urbanismo e numa abordagem integrada destas temáticas com as das Ciências Sociais.

E lembra-se que esta matéria da INVESTIGAÇÃO HABITACIONAL E URBANA constitui um dos 35 temas editoriais da Infohabitar.

Entre os temas abordados nos 15 artigos cujos links se disponibilizam, em seguida, salientam-se os seguintes:

- Uma aproximação a uma linha de estruturação de investigação que integre a área do habitat humano em relação estreita com as matérias da arquitetura urbana.
- A apresentação comentada da excelente metodologia que caracterizou o Prémio INH, um prémio honorífico, que proporcionou ao longo das suas 18 edições, uma aproximação anual sistemática entre promotores, projectistas e construtores de cerca de 600 conjuntos habitacionais de todo o País, e os membros dos respectivos júris de avaliação, caracterizados por uma composição multidisciplinar e multi-institucional.
- Uma reflexão livre sobre a importância do desenvolvimento de um habitat humano humanizado, com o sentido amplo de um habitar positivamente marcado pelo homem e positivamente influenciador da sua vida individual, gregária e cívica. Neste sentido abordam-se, no artigo, as seguintes áreas temáticas: as escalas e os tempos do habitar; as humanidades e o habitar; como habitar cidades mais amigas (segurança e convivialidade); a relação com a história e as tipologias do habitar; a importância do bom desenho do habitar; a integração física e social do habitar; e a importância de um sentido amplo, adequado e interrelacionado de natureza, cidade e lugar habitados.
- A apresentação genérica do muito importante papel desempenhado pelo Gabinete Técnico da Habitação da Câmara Municipal de Lisboa (GTH), no repensar da habitação e do habitar e na tentativa de resolução do problema habitacional em Lisboa, durante um significativo período do século passado.
- Uma apresentação sumária do que foi o convênio/convénio de cooperação técnica e científica, nas áreas do habitar, que foi desenvolvido entre duas prestigiadas instituições da lusofonia, a Universidade de São Paulo (USP) e o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), visando-se, muito especificamente, o aprofundamento dos trabalhos conjuntos, do intercâmbio de professores e investigadores e a realização de eventos e acções comuns entre a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (a FAUUSP) e o Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU) do LNEC.
- A apresentação das bases metodológicas e de alguns dos resultados da aplicação da Análise Retrospectiva, ou de Pós-Ocupação, na área habitacional, desenvolvida no Laboratório Nacional de Engenharia Civil, através dos seus Núcleos de Arquitectura e Urbanismo e de Ecologia Social. Esta Análise Retrospectiva foi realizada ao parque habitacional financiado pelo Instituto Nacional de Habitação – habitação apoiada pelo Estado (Habitação de Custos Controlados, HCC) – e foi já aplicada em três campanhas abrangendo, assim, um período temporal significativo.
- Um relato de apresentação sumária, feito com base directa em textos desenvolvidos por diversos membros do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU) e do Núcleo de Ecologia Social (NESO), das áreas de estudo e de actuação destas duas unidades de investigação do LNEC, e, designadamente, dos livros e publicações relativos à investigação em arquitectura e urbanismo e em ecologia social, que estão, actualmente, disponíveis na livraria do LNEC.

Fiquem, então, com algumas das muitas páginas da nossa pequena história editorial,
tratando-se, neste caso, do que se julga ser uma muito estimulante selecção de casos de referência urbanos e residenciais.


Boas leituras,

António Baptista Coelho
Editor da Infohabitar, Presidente da GHabitar, investigador principal com habilitação em Arquitectura e Urbanismo (LNEC), doutor em Arquitetura (FAUP), Arquiteto (ESBAL).

Notas práticas:
. a listagem dos artigos mantém a respetiva ordem cronológica editorial (dos mais recentes para os menos recentes);
. os artigos são disponibilizados no seu formato editorial original;
. para aceder ao artigo basta fazer ctrl + click sobre o seu endereço eletrónico (disponibilizado a seguir ao respetivo título); ou sobre o próprio título (quando este está ligado diretamente ao respetivo ebdereço eletrónico – ao passar o rato/mouse sobre o título essa ligação fica evidente).  


(Tema geral)

INVESTIGAÇÃO HABITACIONAL E URBANA

Infohabitar, Ano XIII, n.º 600, domingo, janeiro 01, 2017, De 1980 a 2016: um percurso nos estudos sobre Habitat Humano e Arquitetura– por António Baptista Coelho  http://infohabitar.blogspot.pt/2017/01/de-1980-2016-um-percurso-nos-estudos.html (10 pp.,  10 figg.).

Infohabitar, Ano X, n.º 486, domingo, Junho 01, 2014 – O Silêncio e a Arquitetura : da socialização às ruínas – por António Baptista Coelho. (4 pp., 3 figg.) http://infohabitar.blogspot.pt/2014/06/o-silencio-e-arquitetura-da.html

Infohabitar, Ano X, n.º 485, domingo, Maio 25, 2014 – O silêncio como base de projeto e quadro natural – por António Baptista Coelho. (3 pg, 2 figg.) http://infohabitar.blogspot.pt/2014/05/o-silencio-como-base-de-projeto-e.html

Arquitetura em estado crítico – artigo de Carlos Almeida Marques – Infohabitar n.º 453, Segunda-feira, Setembro 16, 2013 (5 pp., 1 figg.) http://infohabitar.blogspot.pt/2013/09/arquitetura-em-estado-critico.html

O prémio INH/IHRU, um processo de referência - António Baptista Coelho (n.º 423, 20 JAN. 13, 11 págs., 6 figs.).

"Habitação em Lisboa: Memória do GTH – 50 ANOS", seguido de "O GTH e o papel do engenheiro Jorge Carvalho de Mesquita" - artigos de Jorge Mangorrinha (n.º 300 - II, 6 Jun. 10, 10 págs., 8 figs.).

Um(a) NAU com 40 anos, III- de 1969 a 2009, 40 anos de investigação do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do LNEC : Parte III, sobre a investigação programada do NAU - António Baptista Coelho com os membros do NAU do LNEC (Infohabitar, Ano V n.º 276, Dezembro 21, 2009, 10 págs., 18 fig.)

Um(a) NAU com 40 anos, II - de 1969 a 2009, 40 anos de investigação do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do LNEC : Parte II, sobre os últimos estudos do NAU - António Baptista Coelho com os membros do NAU do LNEC (Infohabitar, Ano V n.º 277, Dezembro 13, 2009, 12 págs., 23 figs.)

De 1969 a 2009, 40 anos de investigação do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do LNEC: Parte I, sobre a Conferência em 24 de Novembro de 2009 - António Baptista Coelho, com a colaboração de todos os membros do NAU (Infohabitar, Ano V n.º 276, Dezembro 6, 2009, 6 págs., 12 figs.).

Cooperação entre o LNEC e a USP nas áreas da Arquitectura e do Habitar - Notas sobre a cooperação entre o Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil e a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo nas áreas da Arquitectura e do Habitar - António Baptista Coelho (Infohabitar Ano V n.º 274 , Novembro 29, 2009, 7 págs., 5 figs.).

Algumas definições I, da “habitação” ao “engenho”– artigo de António Baptista Coelho (n.º 180, 24 Janeiro 2008 7 págs., 6 figs.)

A investigação em arquitectura e urbanismo e em ecologia social no LNEC, parte I – António Baptista Coelho e Marluci Menezes (n.º 112, 9 Nov. 06, 18p. 10 fig.).



Finalmente salienta-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, acolhido no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.


Infohabitar, Ano XIV, n.º 654
INVESTIGAÇÃO HABITACIONAL E URBANA
 Conjunto de 15 artigos

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

segunda-feira, novembro 03, 2008

220 - Sobre as fundamentais vizinhanças amigáveis I - Infohabitar 220

Artigo de António Baptista Coelho

Infohabitar 220

Sobre as fundamentais vizinhanças amigáveis I 


Continua a notar-se nos espaços públicos uma crítica dificuldade ao nível da sua essencial qualificação, desde o projecto urbano e paisagístico a uma adequada execução e equipamento, visando a sua durabilidade e o estímulo a uma ampla diversidade de actividades exteriores. O que importa salientar é que, hoje em dia, não há um conhecimento verdadeiramente adequado e muito menos sedimentado sobre como fazer, por exemplo, uma praceta ou rua residencial, verdadeiramente amigável e apropriável.

E aqui se sublinha que os conhecimentos continuam a estar, a este nível, mais dirigidos e mal dirigidos, designadamente, para os aspectos funcionais do tráfego de veículos. Estamos agora apenas a começar a ultrapassar a medo uma tal estrita e fictícia funcionalidade numa perspectiva de simples defesa da segurança pedonal, falta-nos todo um caminho de humanização de conteúdos funcionais e de imagens; e é neste caminho que se encontrarão muitas das virtualidades em termos de novas ou renovadas soluções tipológicas aqui numa perspectiva urbana.

Em todas estas matérias é fundamental tornar o exterior residencial útil, portanto equipado, apelativo, portanto adequadamente projectado e executado e, também, naturalmente convivial, porque afinal o convívio na vizinhança é motivo e consequência de muitas actividades exteriores, desde o recreio infantil, ao desporto e ao simples, mas fundamental, lazer.



Fig. 01


Um último aspecto, a este nível, refere-se à exigência de uma perfeita e contínua manutenção do espaço público, condição extremamente favorecida pelas referidas condições de uso intenso e de sentido efectivo de vizinhança, num afirmado espaço público de lazer, recreio e convívio que tem de ligar os edifícios e que deve corresponder a grupos favoráveis no incentivo de um agradável e seguro conhecimento mútuo, servidos por uma cuidadosa pormenorização das vizinhanças de proximidade (espaços comuns e espaços públicos), porque os espaços exteriores de vizinhança são espaços muito próximos do nosso olhar directo e do olhar a partir das habitações e estamos a abordar escalas comuns e públicas com exigências fortíssimas, entre as quais se destaca o privilegiar da global funcionalidade e da convivialidade natural, a introdução do “verde urbano” e a clara definição de zonas de influência/gestão.

Apenas a título de exemplo do muito que é possível fazer nesta perspectiva de criação de vizinhanças residenciais amigáveis referem-se edifícios geradores de ruas equipadas enquanto no interior dos quarteirões permitem humanizados espaços públicos de convívio e recreio, numa eficaz aliança com os sempre estimulantes pátios privados (servindo os pisos mais baixos, e não apenas o R/C), proporcionando ainda extensões térreas privativas bem enquadradas (ex. para espaços conviviais dos condomínios como salas de jogos), e proporcionando, ainda, eventualmente, o aproveitamento inferior como garagem comum. Este tipo de espaços é também ideal para se desenvolver um arranjo "natural" dos espaços exteriores: com menos asfalto e zonas impermeáveis, com grande variedade de plantas povoando fachadas varandas e terraços e criando um microclima muito favorável em zonas urbanas.

É interessante ponderar aqui que mais do que prever uns tantos metros quadrados por habitante, ou uns tanto equipamentos padronizados e frequentemente muito exigentes em área e especificações técnicas, o que talvez interessa, pelo menos logo numa “primeira linha”, num entorno residencial é a criação de um espaço exterior verdadeiramente incentivador do seu uso diversificado e visual, ambiental e caracterizadamente agradável e atraente para um amplo leque de gostos e de modos de uso e/ou a previsão de um pequeno espaço destinado a um equipamento expressivamente convivial, como por exemplo um pequeno “café”, estrategicamente colocado num local onde apeteça estar e/ou onde até por vezes “dê jeito” estar.

Embora haja aspectos fundamentais a considerar na previsão dos equipamentos – ex., distâncias desejáveis para crianças até 9 anos: 100/200m, vigilância natural a partir das habitações só é eficiente em grupos de 20/30 alojamentos e na contiguidade de zonas pedonais muito usadas e relativamente centrais; nesta matéria é interessante considerar que mesmo numa perspectiva de previsão de acessibilidades e de raios de influência há diferenças “abissais” entre soluções que respeitam os mesmos aspectos regulamentares e recomendativos, a não ser que as recomendações avancem numa muito cuidadosa proposta de soluções globais, provavelmente um caminho da “regulamentação” fortemente qualitativo.

Afinal áreas de jogos atraentes evitam que as crianças usem espaços viários para brincar; as crianças estão sentadas com frequência e são atraídas pelas escadas; há que servir os gostos das crianças e não um objectivo de decoração espacial e as zonas de circulação pedonal devem considerar o recreio livre das crianças usando variados tipos de elementos. Todas estas constatações fortemente qualitativa.

E tudo isto até levanta a questão objectiva de para quem se fazem conjuntos residenciais e com que objectivos fundamentais? E nestas matérias não devia haver quaisquer dúvidas, pois há que proteger ao máximo e incentivar ao máximo o uso do exterior público por crianças e por idosos, seja porque isso é fundamental para esses usos e designadamente para a formação da criança e para o lazer diário do idoso, mas também porque são eles os habitantes que mais vitalizam o exterior público; são, afinal, as fundamentais vizinhanças urbanas amigas. Mas há muitas dúvidas quando funcional e objectivamente se multiplicam metros quadrados e se “despacha” a desejável vitalização do espaço público apenas através de soluções de catálogo, que por vezes são implantadas verdadeiramente “à martelada”.


Fig. 02: o constante retorno ao exemplar Alvalade, em Lisboa


Ainda outro aspecto eminentemente qualitativo e crucial nesta escala da vizinhança é a questão da fundamental presença do verde urbano, e aqui não devemos ter quaisquer tipos de dúvidas nem resvalar para qualquer tipo de desculpa, até, porventura, formal: a cidade e a vida na cidade e o habitar na cidade precisa de um verde urbano efectivo e afectivo, portanto intenso e apropriável, pois tratamos aqui de uma matéria cuja importância dita funcional, em termos de amenização e de conforto ambiental e cuja importância para a saúde física e psíquica do habitante não merecem discussão (até as empresas privadas o reconhecem e os hospitais psiquiátricos o reconhecem); e atente-se que nem se referiu a importância em termos visuais e estéticos, aliás uma importância que está na própria razão de ser do jardim urbano. E que não haja desculpas por eventual incompatibilidade formal com determinada solução de desenho, pois a diversidade do verde urbano é riquíssima nos mais diversificados aspectos formais, espaciais e de exigências vitais.

Há ainda que considerar que tipos de equipamentos são os mais desejados e os mais eficazes nas vizinhanças? equipamentos conviviais, como pequenos cafés, equipamentos funcionais como lojas de comércio diário, pequenos e íntimos jardiins de vizinhança, eventualmente, na contiguidade de escolas básicas (como acontece na Fig. 03). Esta é, novamente, um matéria expressivamente qualitativa, pois uma opção é programar metros quadrados de equipamentos de apoio diário ou ocasional, e outra será privilegiar equipamentos que, pelas suas condições de localização, configuração, imagem e funcionamento, possam constituir verdadeiros pólos de convívio natural e, simultaneamente, de dinamização do uso do exterior público; não se indica aqui que não são necessários esses tais equipamentos de apoio “diário e ocasional”, de que nos lembramos dos velhos “planeamentos” dos anos setenta do Século. XX, só que não deve ser possível fazer mais frentes de equipamentos vazias e tendencialmente deterioradas e é, de facto, especialmente importante prever os “terceiros espaços” entre a casa e a rua pública, são eles que fazem muita da vivência da cidade.


Fig. 03: e novamente um “recanto” de Alvalade, neste caso um jardim de vizinhança.


Um último aspecto, a este nível, refere-se à exigência de uma perfeita e contínua manutenção do espaço público, condição extremamente favorecida pelas referidas condições de uso intenso e de sentido efectivo de vizinhança, num afirmado espaço público de lazer, recreio e convívio que tem de ligar os edifícios e que deve corresponder a grupos favoráveis no incentivo de um agradável e seguro conhecimento mútuo, servidos por uma cuidadosa pormenorização das vizinhanças de proximidade (espaços comuns e espaços públicos), porque os espaços exteriores de vizinhança são espaços muito próximos do nosso olhar directo e do olhar a partir das habitações e estamos a abordar escalas comuns e públicas com exigências fortíssimas, entre as quais se destaca o privilegiar da global funcionalidade e da convivialidade natural, a introdução do “verde urbano” e a clara definição de zonas de influência/gestão.

Apenas a título de exemplo do muito que é possível fazer nesta perspectiva de criação de vizinhanças residenciais amigáveis referem-se edifícios geradores de ruas equipadas enquanto no interior dos quarteirões permitem humanizados espaços públicos de convívio e recreio, numa eficaz aliança com os sempre estimulantes pátios privados (servindo os pisos mais baixos, e não apenas o R/C), proporcionando ainda extensões térreas privativas bem enquadradas (ex. para espaços conviviais dos condomínios como salas de jogos), e proporcionando, ainda, eventualmente, o aproveitamento inferior como garagem comum. Este tipo de espaços é também ideal para se desenvolver um arranjo "natural" dos espaços exteriores: com menos asfalto e zonas impermeáveis, com grande variedade de plantas povoando fachadas varandas e terraços e criando um microclima muito favorável em zonas urbanas.


Lisboa, Encarnação – Olivais Norte, 2 de Novembro de 2008

quinta-feira, dezembro 20, 2007

175 - O Grupo Habitar, primeiros quatro anos e um pouco de futuro - II - Infohabitar 175

 - Infohabitar 175

O Grupo Habitar, primeiros quatro anos e um pouco de futuro

Um relato de António Baptista Coelho

Esta semana e na semana passada marcando os primeiros quatro anos de vida e de iniciativas do Grupo Habitar (GH) editou-se e edita-se um relato informal do que o GH tem feito e algumas notas sobre o que queremos vir a fazer.

A apresentação geral refere-se às seguintes oito matérias, cinco das quais editadas na passada semana e naturalmente sempre disponíveis e outras três na presente semana (a bold):

. Apresentação geral do GH
. Composição do Grupo Habitar
. Temas disciplinares do Grupo Habitar
. Reuniões, Sessões e Conferências do GH
. Visitas Técnicas do GH

. Dinamização da revista Infohabitar
. Outras inciativas do GH
. Notas finais sobre a dinamização do GH

Nota: a ilustração desta parte do artigo é feita, informalmente, com recurso a imagens pouco divulgadas de uma grande diversidade de iniciativas do Grupo Habitar.

Dinamização da revista Infohabitar







Fig. 01: exemplo de um período de grande dinamização nas consultas da revista Infohabitar

Evolução das leituras do infohabitar ao longo dos anos de 2006/2007
Com mais de 14.000 consultas de artigos individuais, apenas durante Maio de 2007, o que se deseja no Infohabitar é, pelo menos, manter este tipo de nível de difusão, visando-se a diversificação dos autores e dos perfis dos artigos semanalmente editados. Sublinha-se, no entanto que já editaram no Infohabitar mais de 30 autores, e que as consultas estão a chegar já próximo do limiar das 100.000 consultas de artigos isolados (os chamados page-views, pois cada artigo tem uma “página” específica); e tudo isto em menos de três anos de edição (iniciada em Fevereiro de 2005).

Sublinha-se ainda a disponibilização, na margem do Infohabitar:
- De um catálogo interactivo, que é periodicamente actualizado, e onde constam, distribuídos por 18 temas, e em texto completo, os mais de 150 artigos já editados, que correspondem a cerca de 1500 páginas ilustradas.

- E de um amplo conjunto de listagens de links de sites ligados directa ou indirectamente às temáticas do habitar, organizados em diversas categorias – e estão já disponíveis mais de 100 links.

O que se pretende para o Infohabitar é que ele continue a assegurar a fundamental aliança com as actividades de discussão e informação do Grupo Habitar, seja publicitando, semanalmente, estas actividades, seja continuando a garantir, em alguns seus artigos, o relato técnico dos temas abordados nas sessões e visitas do GH.

Em termos de conteúdos, salienta-se que já se iniciou a edição no Infohabitar da análise e divulgação de boas práticas habitacionais e urbanas, e considera-se que esta actividade poderá vir a ser dinamizada, designadamente, através das contribuições de um amplo leque de colaboradores, que poderão desenvolver as suas análises sob diversas perspectivas temáticas.
Em termos de impacto pretende-se realizar a curto prazo um redesenho do próprio Infohabitar, dotando-o com uma imagem que se deseja mais coerente com o seu perfil de revista interactiva sobre as temáticas abordadas, de modo a que o leitor possa encontrar um cenário editorial e uma página ainda mais amigável e estimulante.






Fig. 02: a página de abertura do catálogo interactivo do Infohabitar, bem aqui na margem da revista.


Fig. 03: na margem, exemplo de uma das muitas listagens de links para organizações e instituições ligadas ao habitar.


Fig. 04: uma das Visitas Técnicas do GH, neste caso ao conjunto de realojamento municipal projectado por Paulo Tormenta Pinto na Travessa do Sargento Abílio em Lisboa.

Apontam-se, em seguida, os temas editoriais do Infohabitar:
. Memória
. Análise de casos habitacionais e urbanos de referência (novo)
. Investigação habitacional e urbana
.Grupo Habitar e Infohabitar
. Sustentabilidade no habitar
. Habitar de interesse social e habitar cooperativo
. Intervir e construir no construído
. Gestão da cidade habitada
. Escalas e tempos do habitar
. Humanidades e habitar
. Cidades amigas – conviviais, acessíveis, para todos, e seguras
. História(s) e tipologias do habitar
. Desenho e a humanização do habitar
. Integrar o habitar
. Natureza, tempo, cidade e lugar
. (Novas) formas/soluções de habitação
. Actualidades, comentários, notícias, informações

Aponta-se, ainda o crescente peso dos leitores brasileiros – uma distribuição de leituras que vai variando durante o ano e até com as horas do dia.






Fig. 05: repartição das leituras do Infohabitar: um exemplo de um período em que as leituras baseadas no Brasil foram praticamente metade de todas as leituras.


Outras inciativas do GH



Para além das já referidas actividades de realização de Sessões, Visitas e Conferências Alargadas e de edição do Infohabitar, pretende-se, ainda, apostar: (i) seja em actividades com um formato mais reduzido e circunscrito em termos de participantes, designadas como “Reuniões de discussão sobre temas específicos” e que poderão dar origem a documentos técnicos, que poderão ser depois devidamente encaminhados; (ii) seja em encontros mais alargados e com maior visibilidade, que poderão vir a ter uma periodicidade bienal e que poderão ser associados a outras iniciativas a definir.






Fig. 06: o GH conseguiu realizar acções técnicas de grande ligação e diálogo entre projectistas, promotores e técnicos e investigadores desde sempre ligados às áreas do habitar e espera-se desenvolver, proximamente, o aprofundamento e divulgação das matérias abordadas neste tipo de encontros; na imagem uma destas discussões técnicas na visita à cooperativa Caselcoop, no Bairro de Caselas em Lisboa, vendo-se o projectista Arq. Justino Morais, o Arq. Vasco Folha e o Presidente da cooperativa Carlos Coradinho.





Fig. 07: mas o GH deve também esforçar-se no sentido de promover encontros mais alargados e com maior visibilidade, onde seja possível conjugar a participação de diversas entidades, trazendo para o espírito prático e multidisciplinar de discussão das matérias do habitar, que nos caracteriza, um número gradual mas firmemente crescente de técnicos e outros responsáveis, com natural destaque para o universo das autarquias, como foi o caso em Coimbra num excelente encontro que marcou o início das actividades do GH em 2007.


Dinamização do GH – notas finais






Fig. 08: um gráfico que sintetiza o número de Sessões, Visitas, Assembleias e Conferências do GH realizadas, anualmente, pelo GH; note-se que o Grupo habitar iniciou formalmente as suas actividades em Janeiro de 2004, tendo conseguido realizar em 2007 um total de 12 iniciativas desse tipo o que corresponde à excelente “meta” de uma iniciativa em cada mês (sublinha-se que aos 11 eventos registados no gráfico em 2007 há que juntar a 2.ª Assembleia Geral Eleitoral que se realizou em 13 de Dezembro de 2007).


Terminada a fase de consolidação do GH, e na oportunidade de se aproximarem as nossas segundas eleições, há que privilegiar uma nova fase de crescimento, o mais possível sustentado, pois só assim será possível aproximarmo-nos do cumprimento dos objectivos que nos propusemos.

De certa forma o “segredo” da dinamização das actividades do Grupo Habitar está na replicação de actividades já desenvolvidas, realizando-as, segundo certas regras de boa prática, em parte já identificadas, em variados sítios do país, e segundo uma adequada distribuição temporal e territorial.

Pensa-se, por exemplo, na possibilidade de duplicar as actividades:
replicando as acções que mais êxito tiveram, por exemplo, associando, no mesmo dia, Visitas e Sessões Técnicas, realizadas em estreita parceria com um dado município.

- passando-se, assim, de uma promoção de cerca de 3 sessões/reuniões técnicas por ano, por exemplo, para cerca de 6;

- passando-se de cerca de 3 visitas técnicas por ano, também para cerca de 6;
provavelmente, associando-se ou alternando-se as sessões e as visitas de modo a cobrir-se o melhor possível todo o ano; e uma forma muito prática de assegurar esta actividade é distribuir responsabilidades específicas de organização dos diversos eventos, considerando-se que o seu enquadramento será assegurado pela direcção do GH e a sua divulgação feita com o apoio das nossas mailing lists e dos meios de divulgação dos parceiros com quem, em cada caso, unirmos esforços;

- e no que se refere ao Infohabitar o que mais importa é assegurar três aspectos: um deles é continuar a edição semanal; outro é diversificar o corpo redactorial (condição para a qual bastará um pequeno esforço de muitos potenciais “redactores”); e o terceiro disseminar intensamente a divulgação do Infohabitar, e este é um trabalho fácil de fazer se verdadeiramente desmultiplicado; e afinal basta manter a tendência actual de crescimento das leituras, hoje já praticamente em cima das 100.000 page views .

Palavras finais
Para terminar vale bem a pena lembrar o nosso nome, que começa pela palavra “grupo”: o que significa a nossa vontade básica de sermos uma associação activa e verdadeiramente colegial, assegurando actividades em conjunto, mas em que cada elemento do grupo traga um valor acrescido e específico a essas iniciativas, e assim aqui fica o desafio para que todos nós os que já integram o GH, sejam um pouco mais participantes, e para todos aqueles que se sintam motivado para estas actividades, connosco contactarem e poderem começar a participar com o GH nas suas actividades, que se desejam cada vez mais diversificadas, dinamizadas e estimulantes.

Por outro lado, mas também de forma estruturante, será muito importante que o GH possa tornar-se, cada vez mais, num grande sítio de encontro e de dinamização de muitas daquelas pessoas que ainda consideram ser possível ligar teoria e prática, ligar temas e disciplinas e ligar boas-vontades e desígnios que não sejam os ditados apenas por razões financeiras e os marcados por estratégias pessoais que pouco interessam à comunidade; queremos falar de problemas e de potencialidades e queremos divulgar ideias e caminhos de futuro e sempre fazendo-o num caminho triplo que harmonize ensinamentos de casos práticos, ideias estruturadoras e raciocínios disciplinares abertos entre si e totalmente sensíveis a quem habita e a um habitar totalmente aliado da cidade e de uma cidade amiga da cultura.
Termina-se, como se deve, com uma referência geral a todas as pessoas e instituições que têm apoiado o funcionamento do GH e com uma referência destacada de agradecimento:

- ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC);

- ao Instituto Nacional de Habitação (INH), hoje Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU);
- e à Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).



Fig. 09: um dos diversos encontros técnicos do GH desenvolvidos em cooperação com o INH (hoje IHRU).


Quem tem apoiado o Grupo Habitar
O Grupo Habitar tem a sua sede no Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU) do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa, e tem merecido fundamentais apoios periódicos, designadamente, ao nível de aspectos organizativos e de acções conjuntas, do Instituto Nacional de Habitação (INH), da Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) e do próprio LNEC.

Mas nesta matéria há que sublinhar que a Delegação no Porto do INH/IHRU, dirigida pelo Eng. Defensor de Castro, que é Vice-presidente do GH, tem cumprido sempre um papel, informal, de sede gémea do Grupo Habitar no norte do país; foi aliás um dos objectivos fundadores do GH, que este nunca fosse um grupo ligado a uma cidade e a um círculo tendencialmente fechado, mas sim uma associação ligada, tendencialmente, a todas as cidades e sítios de Portugal e que honre um conjunto de associados cujo alargamento apenas tem e terá como motivo a valia humana e profissional e naturalmente a concordância com a natureza e a razão de ser do Grupo Habitar, acima apontadas.




Fig. 10: um dos últimos encontros técnicos do GH realizado em cooperação com o Departamento de Arquitectura e Urbanismo do ISCTE.

E por isso se referem aqui algumas das entidades que connosco já colaboraram em diversos eventos e a quem o GH deve agradecimentos, numa ordem temporal apenas aproximada: Câmaras Municipais de Lisboa, Porto, Matosinhos, Évora, Faro, Tavira e Coimbra, Gebalis, SRU do Porto, CIN, Fundação Calouste Gulbenkian, Universidade de Évora, Grupo MCH Algarve, Universidade do Algarve, GAT de Faro, Cooperativas As Sete Bicas, Coobital e Caselcoop, Ordem dos Engenheiros – Região Centro, Gabinete para o Centro Histórico da CM de Coimbra, Inválidos do Comércio, Imperalum, e ADENE – Agência para a Energia.

E entre as muitas pessoas que connosco cooperaram há que sublinhar alguns, cujas intervenções foram fundamentais nas actividades do Grupo Habitar (igualmente, numa ordem cronológica apenas aproximada): Duarte Nuno Simões, Vasco Folha, Paulo Alzamora, Paulo Tormenta Pinto, Guilherme Vilaverde, José Teixeira Monteiro, António Madureira, José Coimbra, Luís Anglin, Carlos Coradinho, Justino de Morais, Gonçalo Ribeiro Telles, José Vasconcelos Paiva, Orlando Vargas, José Lopes da Costa, Rogério P. Inácio, José Brito, Nuno Teotónio Pereira, Alberto Soares, José Clemente Ricon, Manuel Correia Fernandes, A. Leça Coelho, António Santos, Carlos Coelho, Hermano Vicente, Paulo Machado, António Reis Cabrita, Duarte Nuno Gonçalves, Raúl Hestnes Ferreira, José Teixeira Trigo, João Soares, Fernando Pinto, Elisabete Arsénio, Luís Bramão, Amélia Santos, Manuela Rosa, Celestino Flórido Quaresma, João Bigotte de Almeida, Sidónio Simões, Leopoldo da Cunha Matos, Nuno Figueiral, António Azenha, Isabel Lucena, Maria Alexandra Nunes, Sílvia Soares, Maria João Freitas, Rui Loza, Fausto Simões, Pina dos Santos, Alexandre Fernandes e Jorge Ramos.




Fig. 11: o início da Visita Técnica na Gulbenkian com Gonçalo Ribeiro Telles.

E naturalmente há que registar o grupo, já extenso, cujas contribuições construíram o Infohabitar (em ordem referida à ordem de edição): Duarte Nuno Simões; Celeste d'Oliveira Ramos; Marilice Costi; Sheila Walbe Ornstein; José Walter Galvão; Maria João Eloy; António Reis Cabrita; Nuno Teotónio Pereira; Sara Eloy; António Baptista Coelho; Paulo Machado; João Carvalhosa; Guilherme Vilaverde; Maria Luiza Forneck; Khaled Ghoubar; José Coimbra; Pedro Baptista Coelho; Sidónio Simões; José L. M. Dias; Manuel Tereso; António Novais; Rita Abreu; Teresa Heitor; Ana Tomé; Fausto Simões; Carlos Pina dos Santos, João Cantero.

Mas aqui mal estaria o GH se não fizesse um agradecimento público e evidenciado à Arq.ª Paisagista Maria Celeste Ramos, cujos inúmeros e muito qualificados artigos têm contribuído fortemente para o dinamismo do nosso Infohabitar.

E deixa-se um sincero pedido de desculpas por algum “imperdoável” esquecimento, que provavelmente aconteceu mesmo.

Últimas acções do Grupo Habitar

Dia 11 de Outubro de 2007, o Encontro sobre “Promoção da qualidade do habitar”, em Coimbra, com o Gabinete para o Centro Histórico da Câmara Municipal de Coimbra e integrado na Quinzena da Habitação, realizada no âmbito da Presidência Portuguesa da União Europeia, e apoiada pela Secretaria de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, pelo Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana e pelo CECODHAS.P/ Comité Português de Coordenação da Habitação Social. Com intervenções do Arq. Manuel Correia Fernandes (FAUP), Eng. José Teixeira Trigo (LNEC), Arq. Paulo Tormenta Pinto (ISCTE), Eng. Sidónio Simões (GCH-CMC), Dr. Luís Ferreira da Silva (AECOPS)e Guilherme Vilaverde (FENACHE).

Dias 12 e 13 de Outubro de 2007, a 1.ª Visita Alargada do GH, sobre “o Habitar e a História” e a “Rota do Românico”, com a Câmara Municipal de Paços de Ferreira, e com a intervenção do Presidente da C.M. de Paços de Ferreira, Dr. Pedro Pinto e, entre outros, dos investigadores, doutora Lúcia Rosas e dos doutores Armando Coelho, Lino Tavares Dias e Mário Varela Gomes. No dia 12 im econtro técnico e uma visita comentada à Citânia de Sanfins, e no dia 13 a “Rota do Românico”.

A 12.ª Sessão Técnica do GH, em 15 de Novembro de 2007, com uma palestra de João Alberto Cantero, Arquiteto e Urbanista, Mestre pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e Superintendente de Obras da COHAB-SP (Companhia Metropolitana de Habitação), que teve lugar no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), também com apoios do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do LNEC e da Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).

E no passado dia 13 de Dezembro de 2007, no recém inaugurado Auditório Dr, Barreiros Mateus, da sede da Nova Habitação Cooperativa (NHC), na Quinta do Património, Sacavém teve lugar a 2ª Assembleia Geral Eleitoral do Grupo Habitar que elegeu os seguintes corpos sociais:
Mesa da Assembleia Geral
Presidente: Duarte Nuno Gomes Simões (Arq.)
Vice-Presidente: Hermano Manuel da Silveira Vicente (Eng.)
Secretário: Manuel Ezequiel Vargas dos Santos (Gestor)

Direcção

Presidente: António Júlio Marques Baptista Coelho (Arq.)
Vice-Presidente: Defensor Fernando Gomes de Castro (Eng.)
Secretário: José Clemente Beira Peres Ricon de Oliveira (Arq.)
Tesoureiro: Jorge Amável da Silva Quintela (Econ.)
Vogal: António Manuel da Silva Rocha Reis Cabrita (Arq.)
Vogal: Manuel Correia Fernandes (Arq.)
Vogal: Bruno Armando Gomes Marques (Arq.)

Conselho FiscalPresidente: António Carlos de Oliveira Coelho (Arq.)
Vogal: Dâmaso Lopes de Sousa Silva (Geól.)
Vogal: Luís Filipe Ferreira da Silva (Gestor)

Contactos do GH

Sede do Grupo Habitar, Av. do Brasil 101, 1700 – 066 Lisboa.

Contactos: Lisboa: António Baptista Coelho, abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com Tel. 218443679/Fax. 218443028, Tm. 914631004 Porto: José Clemente Ricon, mailto:jroliveira@inh.pt Tel. 226079670.

Para qualquer informação complementar bastará um contacto telefónico ou por e-mail. Notar que a adesão ao Grupo Habitar está prevista nos seus estatutos e depende de uma inscrição prévia a realizar em ficha própria, que pode ser enviada por mail ou solicitada na sede do GH. Posteriormente a Direcção do GH apreciará a proposta de inscrição.

Editado por José Romana Baptista Coelho, Encarnação e Olivais Norte, 20 de Dezembro de 2007

quinta-feira, maio 03, 2007

138 - Cidade e Habitação Apoiadas (I): Alguns aspectos de enquadramento – artigo de António Baptista Coelho - Infohabitar 138

 - Infohabitar 138


Da Habitação Apoiada à Cidade e Habitação Apoiadas

António Baptista Coelho


Considerando-se que a integração física e social dos diversos grupos socioculturais e das diversas actividades que fazem cidade é provavelmente o melhor e o único caminho para a recuperação e para a redenção do bem viver (n)a cidade de hoje, que se quer seja a cidade de amanhã, talvez que um dos principais “mistérios” que há que resolver, no que se refere à constituição habitacional e urbana de novos bairros e novas partes de cidade, seja considerar-se que toda a habitação é apoiada, ou deve ser apoiada, pela cidade, nas múltiplas facetas habitacionais e urbanas, e que toda a cidade é apoiada, ou deve ser apoiada, pela habitação, também em todas essas facetas.

Pode parecer um lugar comum esta ideia, mas não o é, pois ao assumir-se este conceito, fica de pé uma noção essencial: é que todos nós precisamos de apoio habitacional e de apoio citadino, em variados níveis e em diversas modalidades, e tal apoio é provavelmente a razão de ser “primeira” e fundamental da cidade, pois foi por necessidade de tais apoios e pelo valor acrescido de tais apoios mútuos e do associado convívio que surgiu a vizinhança e a cidade das vizinhanças; e esta é uma verdade que importa sempre lembrar e sublinhar.



Fig. 01



Fig. 02



Fig. 01 e Fig. 02: Alfama, a habitação e a cidade aliadas.

Mas há uma outra verdade que importa salientar nesta ideia de habitação e cidade globalmente e diversificadamente apoiadas: é que ao assumir-se esta ideia, dela decorre uma fundamental capacidade integradora da cidade e das suas vizinhanças e, para além dela, fica evidente a ideia de que a diferença entre um cidadão “dito comum”, no pleno uso das suas capacidades físicas e psíquicas, que tem muitos apoios potenciais a encontrar na cidade e nas suas vizinhanças - por exemplo, convívio, cultura, lazer, funcionalidade, etc. - e um cidadão “especial”, por exemplo, com algumas deficiências nas suas capacidades físicas e psíquicas, e que tem outros e provavelmente mais complexos apoios potenciais a encontrar na cidade e nas suas vizinhanças – por exemplo, ajuda nos serviços domésticos, apoios específicos nas deslocações, serviços especializados de ginástica, etc. -, entre um e outro cidadão há, apenas, diferenças no leque e na intensidade dos apoios habitacionais e urbanos desejáveis por um e por outro, mas há em qualquer dos casos o sentido da fundamental importância de uma cidade e de uma habitação apoiadas ou até verdadeiramente apoiantes de um projecto de vida individual e de um projecto de vida social.

Como se disse não se julga ser esta noção um lugar comum, pois ela comporta em si interessantes caminhos de resolução dos graves problemas de desintegração social e urbana e, em si também incorpora ideias com alguma e bem consistente novidade em termos de uma habitação considerada como serviço individual, adaptável, positivamente continuado e mutante, marcado por fundamentais e equilibrados aspectos de privacidade, liberdade de vivência, vizinhança e sociabilidade.

Trata-se, assim, de uma ideia com grande sentido prático na sociedade actual e futura, tão caracterizada pelo individualismo e pelo consumismo “cego”, e que tanto serve aspectos de integração de grupos socioculturais específicos e problemáticos, como aspectos do modo de viver a habitação e a cidade de grandes grupos etários e/ou caracterizados por formas de viver específicas.
Afinal trata-se de encarar não só a habitação como um conjunto de serviços, mas a própria cidade também como um conjunto de serviços e, ao fazê-lo:
  • conjugar a possível ligação entre esses leques de serviços numa diversidade, teoricamente ilimitada, de misturas de serviços que dêem resposta a uma enorme diversidade de leques de procura;
  • enriquecer a cidade de conteúdos e de imagens;
  • e proporcionar, paralelamente, a activação de um significativo leque de novas e renovadas actividades económicas muitas delas com cariz local e marcadas pela mão de obra intensiva.
Nesta matéria há ainda um aspecto muito ligado à faceta da concepção da arquitectura urbana e do desenho pormenorizado de uma cidade bem qualificada e bem habitada, é que ao dissociar o serviço habitacional e o serviço citadino num grande leque de elementos constituintes e diversificadamente agregáveis estamos a aproximarmo-nos de uma “nova” e estimulante forma de geração de novas e bem fundamentadas soluções tipológicas habitacionais e urbanas, bem distinta da estafada, enfadonha e inadequada repetição sem sentido dos modelos tipológicos correntes, e frequentemente desintegrados, quando não desagregadores das suas zonas de implantação.



Fig. 03



Fig. 04

Fig. 03 e Fig. 04: (2002) promoção da Câmara Municipal do Funchal, no Funchal, oito habitações apoiadas (Habitação a Custo Controlado) do tipo T0 para idosos que vivem sozinhos; um projecto da Arq.ª Susana Fernandes em que também se realizou a reabilitação e a reconversão de uma antiga moradia.

Em próximos artigos sobre a “cidade e a habitação apoiadas” ou apoiantes serão abordados, pontualmente, assuntos específicos, por exemplo, ligados à habitação para pessoas com determinadas necessidades ou com determinadas fragilidades, no entanto o que se quer, desde já, salientar é que uma atitude que considera e que sublinha que todos precisamos de uma habitação e de uma cidade que nos apoie num variado leque de aspectos e serviços, é um excelente ponto de partida para se visar com eficácia, quer a integração social, quer a adaptabilidade e a melhor apropriação proporcionadas por diversos tipos de habitação em diversas localizações e quadros urbanos, quer a fundamental diversidade imagética e funcional dos referidos quadros urbanos.
Esta é a ideia fundamental, mas há, como se viu, muito trabalho a fazer em termos de estudo de tipologias e de tipos de misturas tipológicas considerando seja o tipo habitacional seja o tipo urbano. E trata-se de um trabalho extremamente aliciante.

Sobre a “Habitação apoiada” numa “cidade apoiada”


É essencial, porque é simultaneamente humano e estratégico, considerar a “Habitação Apoiada” (HA) como uma forma perfeitamente integrada e natural de habitação.
Lembremos a família alargada e a cidade das vizinhanças conviviais e solidárias e não tentemos reconstituir o que é difícil ou mesmo impossível de reconstituir, mas usemos as novas formas de actuar, as potencialidades actuais e naturalmente as tecnologias actuais no sentido de se tentar proporcionar aos mais sensíveis, aos mais carenciados e a todos aqueles em situações sociais críticas, um máximo de cuidados integrados de vivência e convivência. E a medida em que o fizermos será a medida em que conseguiremos reconstituir uma (so)ci(e)dade mais verdadeira e solidária; e não tenhamos dúvidas: desta forma e só desta forma teremos muito mais cidade, muito mais daquela cidade de que todos gostamos, mais atraente, mais rica em conteúdos e imagens, mais convivial, mais culta, mais segura.

De certa forma há que reconstituir a cidade da diversidade integrada e em tal desígnio é fundamental uma nova oferta de um serviço de habitação diversificado e integrado, feito de elementos físicos e sociais; e apenas a título exploratório podemos imaginar novos tipos de oferta, já “filtrados” pela obrigatória necessidade de padronização e que terão, sem qualquer dúvida, muito a ver e a dever a uma fundamentada capacidade de redescoberta e inovação tipológica, capacidade esta que deve criar resultados específicos considerando todos os factores arquitectónicos e socioculturais potencialmente mobilizáveis – o que é, sem dúvida, um muito amplo e riquíssimo campo de actuação da arquitectura, aqui super-apoiada em outras disciplinas interpretativas do modo de habitar e do gosto de habitar.

E, como se disse, e apenas a título de exemplo exploratório, poderemos ter:
  • condomínios com reforço de espaços e serviços comuns;
  • condomínios fortemente individualizados nos seus elementos constituintes e essencialmente com serviços comuns;
  • habitações funcionalmente capacitadas para a integração de várias pessoas ou casais vivendo com autonomia;
  • unidades residenciais funcional e ambientalmente aproximadas de unidades de hotelaria, embora marcadas por rígidos critérios de economia;
  • soluções mistas de associação entre soluções habitacionais relativamente correntes e pequenas unidades com características como aquelas antes apontadas;
  • etc., etc.


Fig. 05


Fig. 06

Fig. 05 e Fig. 06: (2006) Monte Espinho, um conjunto de Habitação a Custos Controlados da Câmara Municipal de Matosinhos, caracterizado por uma forte e diversificada aliança entre habitação e cidade – que se apoiam mutuamente; projecto da Arq.ª Paula Petiz.

Em tudo isto há que considerar, por um lado, aspectos básicos, designadamente, de segurança, de integração urbana e social, de apropriação, e de funcionalidade (pois há aspectos que, por si só, anulam o interesse social e humano de determinadas soluções) e, por outro lado, aspectos igualmente básicos de sustentabilidade socio-económica, pois não podemos suportar mais “elefantes brancos” que se revelem ineficazes ou soluções sem-saída a médio e longo prazos.

Notas finais sobre outros desenvolvimentos do tema da HA
Cabe aqui referir que o Grupo Habitar desenvolveu, durante 2006, variadas acções em diversos sítios do País, não directamente sobre a temática da “habitação apoiada”, mas sim sobre o crítico problema dos idosos na cidade envelhecida, uma questão que, como todos sabemos, tem uma ligação muito forte com as saídas que é necessário criar e diversificar seja para os cada vez mais e mais idosos idosos, seja para os cada vez mais idosos e desabitados centros urbanos.

E lembra-se aqui que na última sessão sobre esta temática, que teve lugar a 22 de Junho de 2006 no Instituto nacional de Habitação em Lisboa, e para além de uma excelente intervenção de enquadramento e clarificação dessa realidade do envelhecimento pelo colega Investigador do LNEC e sociólogo, Paulo Machado, a Dr.ª Isabel Lucena Dir. Técnica dos “Inválidos do Comércio”, apresentou ideias novas sobre como aprofundar o que se faz nessa meritória instituição, afinal, em termos de “habitação apoiada”, e o amigo e colega cooperativista Guilherme Vilaverde, Presidente da Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE), revelou um pouco do que começa a ser a iniciativa cooperativa nestes domínios; e digo “começa a ser”, porque acredito que as cooperativas terão muito a dizer no que pode e poderá ser uma excelente e sustentável realidade de uma “habitação apoiada”, que também apoie e se apoie n(a) cidade, uma “habitação apoiada” verdadeiramente motivadora e ao alcance de muitos.
Falta apenas dizer que esta articulação entre diversas modalidades de “habitação apoiada”, dirigidas para diversas necessidades em termos de serviço habitacional, é o caminho certo para se fazer boa habitação, diversificada, integrada, integradora, humanizada e vitalizadora da cidade e mesmo da sociedade.

Na próxima semana será editado um segundo artigo desta série sobre as temáticas da “habitação apoiada” que integrará um resumo informal de parte da conferência intitulada “Habitação apoiada - Casas individualizadas em alternativa às instituições de acolhimento, hospitais psiquiátricos, sem abrigo e outras situações de exclusão social”, promovida pela Associação para o Estudo e Integração Psicossocial (AEIPS), http://www.aeips.pt/, e que teve lugar em 14 de Março de 2007 na Fundação Calouste Gulbenkian, com apoios da própria FCG, da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e do British Council. Os elementos de conteúdo do artigo que aqui já se anuncia muito devem às seguintes duas intervenções que integraram a referida conferência da AEIPS: “Supported housing: Theory and research”, por Priscilla Ridgway, PhD – Yale University (EUA); e “Housing first: Ending homelessness and recovering lives for people to live independently”, por Sam Tsemberis, PhD – New York University.

Salienta-se ainda que a forma de abordagem adoptada nesta série de artigos sobre a “Habitação Apoiada/apoiante” numa “Cidade Apoiada/apoiante” será bastante informal, também, em termos da sequência de facetas do tema que foi adoptada.E fica aqui, assim, a promessa firme de se continuar a voltar no Infohabitar a estas matérias conjugadas da “habitação apoiada” e da “cidade apoiada”, em artigos que irão, provavelmente, tratar de uma “habitação apoiada” mais generalista, e dos aspectos qualitativos que a poderão caracterizar (ex., o espaço mínimo mas super-apropriável e muito adaptável, a ligação entre a maximização de serviços de apoio disponíveis e a maximização do ambiente residencial, etc.); e deixa-se já aqui o desafio à participação dos muitos leitores do Infohabitar e de muitas disciplinas neste tema integrador e urgente de uma “habitação apoiada” numa “cidade apoiada”; e para tal bastará enviarem as vossas contribuições e opiniões para a edição da nossa revista.