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terça-feira, julho 21, 2020

Notas sobre a importância do silêncio na Arquitectura – Infohabitar # 739

Ligação direta (clicar) para:  725 Artigos Interactivos, edição revista, ilustrada e comentada - 38 temas e mais de 100 autores.

Infohabitar, Ano XVI, n.º 739

Notas sobre a importância do silêncio na Arquitectura – Infohabitar # 739

Por António Baptista Coelho (texto e imagens)

 

Edição: terça-feira, 21 de julho de 2020

 

Editorial:

Caros leitores da Infohabitar, estimados amigos,

Ainda um pouco numa sequência genérica de últimos artigos, aqui editados, em que refletimos sobre paisagem urbana baseada em misturas diversificadas de tipologias edificadas e sobre aspetos de identidade, apropriação e escala humana, que devem estar bem presentes e marcar os espaços que habitamos interior e exteriormente,

dedicamo-nos no presente artigo a uma qualidade ambiental e urbana, até no sentido amplo do termo “urbana”, o silêncio, cuja presença, mais ou menos intensa, ou cuja ausência, parecem ser aspetos expressivamente qualificadores na experimentação do espaço arquitectónico e urbano; além do aspeto essencial associado à qualificação do silêncio como exigência/matéria básica na conceção arquitetónica e numa sua aprofundada e sentida fruição.

Continuando a "tradição" da Infohabitar referida à divulgação de iniciativas merecedoras de atenção, salienta-se a chamada de artigos para o novo número da revista Gestão & Tecnologia de projetos, que abordará o emprego de tecnologias digitais no campo do patrimônio, envolvendo ações nacionais ou cooperações internacionais; neste sentido, no final da presente edição anexa-se o respetivo conjunto de elementos de divulgação e informação enviados por um dos editores, o amigo e colega Prof. Eng.º Márcio Minto Fabrício do IAU-USP.

Lembrando que serão sempre muito bem-vindas eventuais ideias comentadas a propósito dos artigos aqui editados e propostas de novos artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com ao meu cuidado),

despeço-me, até à próxima semana, com saudações calorosas e desejos de muita força e de boa saúde,

Lisboa, Encarnação, em 20 de julho de 2020

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar

 

Notas sobre a importância do silêncio na Arquitectura – Infohabitar # 739

António Baptista Coelho

 

No presente artigo aborda-se, em primeiro lugar, o silêncio como matéria de base vital do espaço projetado e que, depois, se quer vivo; portanto base da conceção e objetivo essencial qualitativo, importante, entre outros, mas frequentemente esquecido.

Desenvolve-se, em seguida, uma natural reflexão sobre a relação entre o silêncio e o meio natural, sítio óbvio de potencial e “alimentador/apaziguador” silêncio, passando-se, depois, para uma menos óbvia natureza do silêncio como veículo de intimidade e de urbanidade; a relação com a intimidade é razoavelmente natural, enquanto o sentido de uma urbanidade calma, protetora e mesmo potencialmente introspetiva será sempre menos direta, mas considera-se que é de extrema relevância; importância esta que vai ganhando tanto maior relevo quanto mais urbana e densificada for a sociedade – como acontece com o atual habitat humano.  

Passa-se, em seguida, para uma pequena reflexão talvez mais disciplinar a propósito de se encarar e defender, mesmo, o silêncio como verdadeira matéria ou motivo da Arquitectura; naturalmente não única, mas, frequentemente, como ampla e amigável base habilitadora de outras matérias e motivos de conceção; para além de ser, sempre, matéria própria e motivo específico de conceção.           

E avançando-se nesta matéria específica de conceção associada ao silêncio, surge o “velho” e sempre pouco considerado tema das ruínas e do silêncio das/nas ruínas como estimulante motivo de perceção e criação arquitectónica.

O silêncio como base vital do espaço projetado e que, depois, se quer vivo

            Falar um pouco sobre o silêncio na arquitectura, considerando esta, naturalmente, como conjunto articulado de espaços interiores, exteriores e de transição, com presença doméstica e urbana e importantes ligações com o bem-estar que deve caraterizar os nossos cenários de vivência, será, talvez, falar de uma qualidade arquitectónica que acompanha e valoriza:

·        seja, numa primeira linha, os respetivos atos de conceção desses espaços e ambientes, que têm de se fazer sempre num relativo silêncio, de concentração e de diálogo íntimo com os diversos aspetos em que se fundamenta essa concepção, esse projeto;

·        seja, um silêncio que, numa segunda linha, embebe e caracteriza as primeiras vivências directas desses espaços logo que recém-concluídos, e atraentemente vazios e expectantes, produzindo-se, assim, imagens quase que estranha e eloquentemente silenciosas.

            Produzem-se, assim, imagens que acabam por ser projetos quase feitos realidade, e daí ainda tão calmas, numa primeira apresentação real da obra, que é sempre única e estimulante, em termos de uma fruição íntima do resultado real desse projeto de arquitectura; e talvez daqui resulte boa parte da importância que se dá à ilustração fotográfica dessa primeira fase de obra concluída e de certo modo vazia dos seus posteriores e essenciais conteúdos vivenciais, sociais e conviviais.


 

Fig. 01: Centro das Artes Casa das Mudas, na Calheta, Madeira., Arq.º Paulo David; e à direita, em silêncio, sentindo a obra, Raúl Hestnes Ferreira.

            Temos, assim, o silêncio como base de preparação do espaço que se quer vivo e como uma espécie de condição de prova de fogo, individualmente sentida, de como resulta esse espaço, quando construído, uma prova caraterizada por uma certa disponibilidade desse espaço ser entendido, globalmente, como algo que apresenta um certo potencial de acolhimento, que depois será, ou não, comprovado, quando habitarmos esse espaço; e sendo que tudo isto, da fase de projeto à fase final de vivência preliminar da obra acabada, obriga a um quadro básico de silêncio, ou de silêncio preenchido pela boa música, por exemplo, e será sempre impossível num quadro marcado pelo ruído e pela desordem que está frequentemente associada ao ruído.

            Talvez que por isso tantos amadores de fotografia, e tantos arquitectos, privilegiem os espaços vazios, desabitados e de certa forma silenciosos, não numa negação da sua essencial utilidade como quadros da vida humana nos seus mais variados aspetos, mas sim numa facilitação ou clarificação da leitura global e, depois, mais detalhada desses espaços, quase uma sua apresentação prévia, quase um cenário mesmo cenário ainda que provisoriamente cenário, e afinal quase um verdadeiro desenho em escala natural e volume, um desenho que sempre nos traz novidades relativamente ao desenho em papel que o antecedeu; mas um desenho real que, tal como o desenho-desenho, obriga a uma sua leitura silenciosa, e cuidadosamente vagarosa, num vagar que também se liga ao silêncio e que provavelmente tem clara expressão nas sempre tão apreciadas calmas e sóbrias imagens a preto, branco e cinzentos.

O silêncio e o meio natural

            Dito isto, que pretendia fazer, apenas, um enquadramento esquemático e global da matéria que aqui se propõe, mas que, tal como sempre acontece, foi tema que avançou por si próprio e que deixou outros caminhos de desenvolvimento, deve-se, talvez, agora voltar atrás, ao meio natural, que é aquele onde fundamentamos, quase sempre, direta ou indiretamente, os projectos de Arquitectura.

            Salienta-se que nos sítios naturais ou expressivamente naturalizados, o silêncio é base de quase tudo e nem é silêncio, pensa-se no silêncio natural e no silêncio na natureza, marcado por sons naturais e que acabamos por considerar como integrando o silêncio; e esta é matéria interessante pois, entre muitos outros aspetos, um dos objetivos de uma boa arquitetura é proteger e servir o homem em termos de um seu conforto amplo, em termos de um adequado equilíbrio com as condições naturais e não será por acaso que está provado que o meio natural, o seu quadro ambiental e o sossego que o marca são aspetos essenciais no bem-estar humano, sendo por exemplo usados, objetivamente, no tratamento de determinados problemas de saúde e na suavização do tão conhecido stress urbano.

            Temos então, assim, o silêncio como virtude natural que, conjuntamente com outras condições de conforto ambiental, procuramos proporcionar estrategicamente nas nossas casas, nas nossas vizinhanças urbanas e mesmo até, pontualmente, em determinados espaços urbanos mais intensos, onde é sempre possível e desejável que existam oportunidades de gozar um pouco de silêncio ou de significativa redução do ruído; e estas pequenas ilhas de calma, rodeadas de ruído e bulício urbano, serão tanto mais estimulantes, quanto mais associadas estiverem a condições naturais de estabelecimento dessa acalmia do ruído envolvente, sendo o contrário exemplificado por soluções muito condicionadas e associadas a instalações com essa finalidade específica.

 

        

Fig. 02: os meios naturais ou expressivamente naturalizados são como que "geradores de silêncio"

 

            E é interessante lembrar que os meios naturais ou expressivamente naturalizados são como que "geradores de silêncio", porque captam e amortecem os ruídos envolventes e próprios, porque produzem ruídos naturais de camuflagem, e porque associam condições de silêncio e conforto a vistas e quadros naturais, marcados pelo verde, pelas árvores e até pela água naturalizada.

            De certa forma tais quadros naturais diretamente indutores de condições mais silenciosas e indiretamente associados a memórias de ambientes silenciosos, são, depois, ferramentas que o projetista deve usar quando projeta ou reprojeta arquitetura; naturalmente não de uma forma solta e por vezes cega, mas sim integrada nos diversos aspetos de conforto ambiental que tantas pontes comuns apresentam – aspetos acústicos, higro-témicos e de conforto visual – uma integração que precisa, urgentemente, de avanços e de sínteses facilmente aplicáveis por não especialistas – e perdoem esta espécie de divagar técnico não muito adequado ao perfil da temática, ou será que é adequado e então estaremos numa reflexão extremamente sensível onde se tentam abordar, integradamente, aspetos mais objetivos e outros ainda considerados menos objetivos.

O silêncio como veículo de intimidade e de urbanidade

            Falou-se, um pouco, do enquadramento do silêncio como matéria da própria conceção arquitetónica básica e, em seguida, do mesmo silêncio como qualidade natural, ou da natureza, associada a múltiplos aspetos do conforto, e por sua vez matéria da referida conceção arquitetónica; e assim até parece que não nos conseguimos dele libertar; mas há ainda e naturalmente outras perspetivas a considerar no silêncio como quadro base de arquiteturas e pano de fundo do habitat humano, e nestas uma há cuja importância é basilar e que se refere ao silêncio como veículo de intimidade e de urbanidade.

            Nesta matéria é extremamente interessante, por um lado, encarar a possibilidade de viver o espaço doméstico com relativa autonomia em termos de vivência acústica, não prejudicando vizinhos e familiares com os nossos ruídos e música e não sendo muito prejudicados por eles pelas mesma razões, e diz-se relativamente, mas poderia dizer-se absolutamente, em termos de determinados espaços onde possa ser realmente possível ouvir música alto ou trabalhar sem limitações de ruído pela noite fora; e engana-se quem acha ser de pouca importância o fator do silêncio no quadro mais amplo da essencial privacidade doméstica e entre vizinhos do mesmo edifício ou de edifícios próximos; e está, por exemplo, provado que a falta de silêncio, que também se pode dizer falta de isolamento e conforto acústico, é aspeto que produz problemas graves e/ou frequentes entre vizinhos e habitantes das mesmas unidades de uso (por exemplo, habitações e escritórios) e dos mesmos edifícios, podendo chegar a más influências na respetiva saúde física e psíquica, e indiretamente no bem-estar social dos respetivos edifícios e vizinhanças.

         E será, aqui, estratégico referir que para o desenvolvimento, atualmente tão estimulante e necessário, de vizinhanças e edifícios funcionalmente mistos (ex., incluindo habitação, escritórios e lojas conviviais) é de grande importância o objetivo específico no sentido de se poderem gozar excelentes condições de isolamento sonoro nessas unidades, sejam quais forem as suas contiguidades e continuidades.

          Ainda nessa matéria da associação entre silêncio, intimidade e urbanidade, é, por outro lado, necessário referir que ao nível do espaço urbano também a quietude e o sossego são sinónimos de bem-estar, de proteção, de uma certa intimidade e apropriação positiva das vizinhanças que habitamos, e se referem ao desenvolvimento de espaços urbanos que articulam zonas animadas e até, eventual e razoavelmente ruidosas, com recintos urbanos estrategicamente localizados e marcados pelo sossego e pela acalmia do tráfego, recintos estes frequentemente caraterizados por uma expressiva componente verde e natural, ainda que muito urbana, e que entre outros aspetos nos proporciona viver mais intensa e prolongadamente o exterior e quase a natureza à porta de casa, de certa forma prolongando usos domésticos sobre partes desse exterior e permitindo que esse exterior calmo e envolvente, e mesmo esse silêncio que, de certa forma, "se ouve",  preencha os vãos das nossas habitações e nos entre agradavelmente casa dentro.

            Falou-se, assim, um pouco do silêncio como fator de projeto de arquitectura, algo óbvio mas raramente lembrado; depois do silêncio natural ou da natureza como elemento com importância própria e associada ao projeto de arquitetura; e, finalmente, do silêncio como veículo de intimidade e de urbanidade

 

Fig. 03: no Centro Histórico de Guimarães.

Sobre o silêncio como verdadeira matéria ou motivo de Arquitectura           

            Falta falar de muita coisa, nesta temática do silêncio como base de preparação e de vital experimentação do espaço que se projecta e que, depois, se quer vivo, falta sempre falar de muita coisa, quando começamos a aprofundar estas matérias da conceção arquitectónica, e, designadamente, falta falar do silêncio como verdadeira matéria ou motivo da Arquitectura, sem derivações, sem relações indirectas, pois parece haver obras que capturam um positivo silêncio local, ou que criam um positivo quadro local de acalmia e de sossego, um remanso e um quadro que propiciam, naturalmente, a contemplação e a reflexão sobre essas obras e as suas paisagens pormenorizadas ou amplas de integração e enquadramento; e, indiretamente, tal introspeção acaba por ser catalisadora das mais diversas atividades privadas (ex., leitura, escrita e trabalho online) e de um estimulante e prolongado convívio limitado, assegurando-se, assim, condições para longas e intensas permanências no exterior de uso público.

 

Fig. 04: Casa Pacheco de Melo, Arq.º Pedro Maurício Borges, Canada dos Barões, S. Miguel.

 

Mas podemos sempre colocar, paralelemente a tais reflexões, a “velha” e boa questão da possibilidade de tal condição, de certa forma, geradora de um sossego local, de uma certa acalmia local, grande aliada da boa caraterização de cada obra e de cada local ser (também?) caraterística própria de toda a boa arquitectura? Reflexão que nos levará/levaria muito longe e para a qual o autor confessa ter reduzida habilitação teórica.

            Questões bem estimulantes, que talvez tenham sido, ou venham a ser, aqui tratadas e que se espera poder, pelo menos, aflorar em outras oportunidades.

Sobre o silêncio das ruínas

            No entanto não se poderia terminar esta reflexão sobre a privilegiada relação entre arquitetura e silêncio, sem falar, ainda que apenas um pouco, e mais como apontamento final e prospetivo, do silêncio das ruínas: um silêncio bem ligado àquelas construções reduzidas, “apenas”, aos seus conteúdos formais e mesmo estes já “estilizados” pelo abandono e pelo tempo; um silêncio quase palpável, que todos sentimos e que ,de certa forma, corresponde ao sentido de um silêncio que parece ser libertado pelas ruínas de edifícios e construções, quando estes iniciam o seu retorno ao caos natural originário.

            Lembrando a sequência de reflexão aqui feita será como imaginarmos que o silêncio, que usámos como meio integrador e caracterizador de uma da obra, e um pouco como ponte de ligação à sua envolvente natural e urbana, é devolvido ao seu quadro prévio local e natural.  

            Sobre esta matéria, parece que as ruínas acabam por resgatar o silêncio, de que tínhamos, nós, embebido algumas construções e espaços, devolvendo-o à natureza, associando o silêncio das construções abandonadas ao silêncio do meio natural.

            Evidentemente que a nostalgia e até a cenografia são também importantes aspetos nesta sensibilidade que todos temos para com as ruínas, por vezes até simuladas estrategicamente em jardins e espaços cenicamente naturalizados, mas por alguma razão até assim acontece e realmente as ruínas são verdadeiramente silenciosas; uma matéria interessante e estimulante, mas que, evidentemente, tem contornos bem negativos quando as ruínas ou quase-ruínas se referem a espaços urbanos abandonados e sem vida.

 

Fig. 05: ruínas perto de Melgaço.         

O silêncio na Arquitetura

            Assim se conclui, sempre provisoriamente, uma pequena e sempre preliminar viagem iniciada pela reflexão sobre o silêncio como base de preparação da obra de arquitectura, continuada por apontamentos das relações entre silêncio e meio natural e entre sossego, intimidade e urbanidade, apontada, depois, no realçar do papel do silêncio como matéria ou motivo da Arquitectura e, finalmente, em alguns apontamentos sobre as ruínas como quadros privilegiados de um silêncio arquitectónico fortemente caraterizado.

            Tentou-se, assim, abordar, o mundo emotivo do silêncio, em alguns dos seus aspetos, salientando-se a importância da interiorização e da reflexão sobre estas verdadeiras bases de reflexão sobre uma arquitectura que tem de estar, sempre, muito para além de simples cascas visuais mudas e sem carácter; e o silêncio, na sua calma e no seu remanso, é sempre rica base de conceção e essencial quadro de perceção de edifícios e espaços urbanos.


O presente artigo corresponde a uma nova versão, revista e aumentada, dos artigos publicados nos números 485 e 486 da Infohabitar, repetivamente, em 25 de maio e em 1 de junho de 2014.

 


Chamada de artigos para o novo número da revista

Gestão & Tecnologia de projetos:  Tecnologias Digitais e Cooperações Internacionais na Gestão do Patrimônio Cultural, Arquitetônico e Urbanístico


Caro(a) Sr(a) pesquisador(a)/investigador(a),

Revista Gestão & Tecnologia de projetos:  Tecnologias Digitais e Cooperações Internacionais na Gestão do Patrimônio Cultural, Arquitetônico e Urbanístico

Editor Convidado: Prof. Dr. Giacomo Pirazzoli- Università degli Studi di Firenze. Scuola di Architettura.

Editor GTP: Prof. Dr. Márcio M. Fabricio – Universidade de São Paulo. Instituto de Arquiteto e Urbanismo.

Esta chamada especial aborda o emprego de tecnologias digitais no campo do patrimônio, envolvendo ações nacionais ou cooperações internacionais, dentro dos seguintes temas:

  • Casos de cooperação internacional no campo das tecnologias digitais empregadas à documentação e gestão do patrimônio arquitetônico e urbanístico;
  • Levantamento com uso de técnicas fotogramétricas digitais, varredura a laser, luz estruturada ou outras técnicas digitais;
  • Aprendizado de Máquina e Interpretação de dados digitais do patrimônio arquitetônico;
  • Bancos de dados aplicados à documentação arquitetônica ao patrimônio cultural;
  • Fabricação digital aplicada ao patrimônio cultural.
  • Integração de sistemas de captura de imagens terrestres e aéreas;
  • Internet das Coisas (IoT) aplicado ao patrimônio arquitetônico e urbanístico;
  • Métodos para processamento automatizado de fotografias;
  • Modelagem da Informação da Construção em edifícios históricos (HBIM);
  • Modelagem paramétrica aplicada ao patrimônio arquitetônico e aos centros históricos;
  • Plataformas Unificadas de Gestão da Manutenção de patrimônio arquitetônico e urbanístico;
  • Processamento e segmentação de nuvens de pontos;
  • Reconstruções digitais de edificações de interesse histórico-cultural.
  • Registros digitais de patologias construtivas;
  • Sistemas de Gestão de Legado do Patrimônio Cultural ou Heritage Information Systems (HIS);
  • Tecnologias imersivas, Realidade Aumentada e Realidade Virtual. 

CCaracterísticas dos Trabalhos:

Serão avaliados manuscritos originais redigidos em português ou inglês. As regras de submissão e formatação de manuscrito estão disponíveis pelo link: http://www.revistas.usp.br/gestaodeprojetos/information/authors

Cronograma:

  • Lançamento da Chamada: 25 fevereiro de 2020;
  • Prazo para submissão de trabalhos: até 10 de setembro de 2020;
  • Prazo máximo para avaliação preliminar pelos editores e distribuição para revisores: 30 de setembro de 2020;
  • Prazo para retorno aos autores com o resultado da primeira rodada de avaliação: 15 outubro de 2020;
  • Prazo máximo para os autores submeterem versão revisada, caso seja demandado pelos revisores: 15 novembro de 2020;
  • Prazo para retorno aos autores com o resultado da segunda rodada de avaliação: 15 dezembro de 2020;
  • Prazo par eventuais ajustes de formatação pelos autores: 20 de janeiro de 2021;
  • Publicação: fevereiro de 2021.

Muito Obrigado.

Atenciosamente,

Márcio Minto FABRICIO

Professor

Instituto de Arquitetura e Urbanismo

Universidade de Sao Paulo

 Editor da Revista:

Gestão & Tecnologia de Projetos
http://www.revistas.usp.br/gestaodeprojetos


Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 739

 

Notas sobre a importância do silêncio na Arquitectura – Infohabitar # 739

 

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

 

abc.infohabitar@gmail.com

abc@lnec.pt

 

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).


segunda-feira, agosto 10, 2009

258 - Revista Ambiente Construído - Vol. 9, N.º 2: artigos - Infohabitar 258

Infohabitar, Ano V, n.º 258

Porque se considera ser assunto de grande interesse, faz-se, em seguida, a divulgação pormenorizada de uma recente e importante edição na WWW de um novo número de uma excelente revista técnica em língua portuguesa:
o Ambiente Construído, Vol. 9, N.º 2 (2009)
A revista online Ambiente Construído editada sob responsabilidade da Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído cujo último número (especial, Vol. 9 N.º 2) trata a temática da "Qualidade do Projeto".

Os editores deste número do Ambiente Construído são a Prof.ª Arq.ª Sheila Walbe Ornstein da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – que, como é sabido, foi um dos primeiros autores a editar no nosso Infohabitar – e o Prof Dr. Carlos Torres Formoso da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Como fica bem evidente no tema "Qualidade do Projeto", trata-se de uma matéria de grande actualidade e que é abordada, nesta revista, num amplo e estimulante leque de interessantes artigos, cujas quase 200 páginas de pdf (s) estão disponíveis, facilmente, já aqui, no link. da revista Ambiente Construído:
http://www.seer.ufrgs.br/index.php/ambienteconstruido/index

Sublinha-se, ainda, uma vez mais a estimulante relação entre esta edição do Ambiente Construído dedicada à Qualidade do Projeto e o próximo I Simpósio Brasileiro de Qualidade do Projeto no Ambiente Construído [SBQP 2009], que será realizado em São Carlos, São Paulo, de 18 a 20 de Novembro de 2009, em conjunto com o IX Workshop Brasileiro de Gestão do Processo de Projeto na Construção de Edifícios.



E informa-se que o Site deste evento está disponível em:
http://www.arquitetura.eesc.usp.br/ocs/index.php/SBQP2009/SBQP2009

Em seguida e com a devida autorização, que muito se agradece, dos editores deste número do Ambiente Construído, editam-se no Infohabitar os resumos de todos os artigos que integram a revista, sublinhando-se, uma vez mais o interesse bem evidente destes artigos para um ambiente construído que tudo tem a ganhar com uma qualidade de projecto devidamente enquadrada, informada, aprofundada e verificada, designadamente em termos de avaliações pós-ocupação e estudos de caso que identifiquem situações globalmente exemplares e significativamente replicáveis.

O editor do Infohabitar
António Baptista Coelho

Ambiente Construído, Vol. 9, No 2 (2009)
. (excerto do) Editorial
“Este número especial da Revista Ambiente Construído tem como tema a Qualidade do Projeto. Pretende celebrar o início das atividades do Grupo de Trabalho em Qualidade do Projeto (GTQP) da ANTAC, constituído em outubro de 2008.

Na chamada de trabalhos para este número foram destacados os seguintes temas: briefing e gestão de requisitos; natureza do processo de projeto; criatividade no processo de projeto; definição do escopo de projeto; avaliação de projetos; desenvolvimento do produto na construção civil; práticas profissionais de projeto; coordenação e compatibilização de projetos; modelagem do processo do projeto; processos colaborativos e engenharia simultânea; gestão da qualidade e certificação na atividade de projeto; tecnologia da informação para apoiar o processo de projeto; avaliação pós-ocupação e indicadores de qualidade do projeto.
...”
Sheila Walbe Ornstein, Co-editora convidada, FAUUSP
Carlos Torres Formoso, Editor-chefe, NORIE - UFGRS

Artigos e respectivos resumos:
. Flexibility as a design aspiration: the facilities management perspectiveautor: Edward Finch

O conceito de flexibilidade como aspiração de projeto é discutido com freqüência na literatura sobre Arquitetura. No entanto, é invariavelmente os profissionais de gestão de facilities que herdam a solução da edificação: estes são os que acabam sofrendo as conseqüências das soluções flexíveis ou insolúveis. Neste sentido, os edifícios não são soluções acabadas, mas em desenvolvimento.

Um projeto de edificação flexível é aquele que pode se adaptar a situações que se alteram. No entanto, o dilema do projetista é antecipar-se às prováveis mudanças. Como tal, o projetista assume o papel de futurólogo”, ”vidente tecnológico” ou analista de mega-tendências.
O objetivo deste artigo é apresentar a perspectiva de flexibilidade da gestão de facilities. Sugere-se como os projetistas podem ajudar a produzir uma solução de projeto mais “maleável” e que o conceito de flexibilidade universal é técnica e economicamente inatingível. Projetar para a flexibilidade requer o conhecimento de múltiplos estados futuros, tanto os possíveis, como os prováveis.

. Quality of design and usability: a vetruvian twin
autor: Theo J. M. van Voordt
Este artigo explora diferentes indicadores de qualidade do projeto arquitetônico usados em debates e avaliações de projetos na Holanda. Além da antiga tríade vitruviana da utilitas, firmitas e venustas, é defendida uma visão mais ampla quanto à qualidade do projeto arquitetônico.

Como as construções vão muito além da “arte livre”, a usabilidade e a opinião do usuário, em especial, devem ser incluídas entre os indicadores de qualidade do projeto. O marco teórico dos indicadores de qualidade foi utilizado para refletir sobre os critérios que foram aplicados para selecionar o projeto da nova prefeitura e biblioteca de Deventer.

Uma comparação entre a teoria e a prática mostra que há divergências entre uma avaliação integral da qualidade usando múltiplos critérios, preferências e interesses pessoais e restrições, como limitação de tempo, dinheiro e informação. Ao mesmo tempo, avaliações integradas de projetos (ex ante) ou de construções em uso (ex post) são essenciais para acumular um corpo de conhecimento sobre como sintetizar forma, função e construção dentro dos limites das restrições do projeto.

. Discussão sobre a importância do programa de necessidades no processo de projeto em arquitetura
autores: Daniel de Carvalho Moreira, Doris Catherine Cornelie Knatz Kowaltowski


O programa de necessidades cumpre um importante papel no projeto de
arquitetura e contribui para que o projetista considere a complexidade envolvida na concepção de espaços urbanos e de edifícios.

Durante a década de 1950, arquitetos e engenheiros, atentos ao panorama procuravam aplicar novas técnicas ao desenvolvimento do projeto em arquitetura. Organizaram-se, a partir de várias conferências, grupos de estudo sobre métodos de projeto e o assunto tomou rumos diversos nos quarenta anos seguintes, inclusive uma vertente dedicada ao programa arquitetônico.
No Brasil, tais métodos de projeto não tiveram repercussão direta na atividade profissional dos escritórios de projeto, tampouco sobre programas de ensino ou pesquisa das escolas de engenharia e arquitetura. Este trabalho discute o programa de necessidades e sua contribuição no processo de projeto em arquitetura, através da discussão de métodos para seu desenvolvimento, das normas que definem seus conteúdos e da sua forma de apresentação, visando a efetiva aplicação dos seus conceitos.

. The gaps between healthcare service and building design: a state of the art review
autores: Patrícia Tzortzopoulos, Ricardo Codinhoto, Mike Kagioglou, John Rooke, Lauri Koskela

Os edifícios hospitalares tem diversos objetivos, dentre os quais a provisão de um ambiente apropriado à realização dos serviços de saúde, que contribua para o aumento da eficiência destes serviços e para a melhoria do fluxo de pacientes e da experiência dos mesmos.
A melhoria na eficiência dos serviços está relacionada a edifícios modernos, com melhor layout e adjacências entre departamentos, bem como a processos clínicos eficientes e sistemas de informação adequados. No entanto, muitas vezes esses objetivos não são atingidos devido à complexidade dos requisitos de projeto e da gestão dos intervenientes.

O presente artigo tem como objetivo buscar entender, através da literatura existente, como os processos de projeto dos serviços de saúde e da edificação para saúde podem ser melhor integrados, e como a melhoria do desempenho dos serviços está relacionada à flexibilidade de adaptação da edificação em relação a futuras alterações ou mudanças.
Os resultados indicam que barreiras funcionais no processo de projeto restringem tal integração, assim como a adoção de soluções inovadoras. Além disto, existe a necessidade de uma abordagem que apoie o desenvolvimento integrado dos projetos dos serviços e da edificação com foco nas questões operacionais (e.g. flexibilidade e durabilidade) que satisfaçam diversas necessidades ao longo do tempo.

. Desenvolvimento integrado de projeto, gerenciamento de obra e manutenção de edifícios hospitalaresautores: Michele Caroline Bueno Ferrari Caixeta, Alexandra Figueiredo, Márcio Minto Fabrício
As edificações hospitalares são complexas e possuem uma grande importância social e econômica. Além disto, o rápido avanço da tecnologia e dos procedimentos médicos fazem com que a produção destas edificações demandem novas formas de gerenciamento e desenvolvimento.
Esta pesquisa busca investigar e caracterizar novos modelos de estruturação e integração das atividades de desenvolvimento do produto para esse tipo de edificação, considerando a sua inerente complexidade. Assim, o objetivo do presente trabalho é analisar o processo de desenvolvimento de edifícios hospitalares de médio porte, considerando-se as macrofases de projeto, gerenciamento da obra e gerenciamento de manutenção, através de um estudo de caso descritivo realizado numa empresa especializada em projetos hospitalares. Desta forma, pode-se obter uma visão integrada do processo de desenvolvimento desse tipo de produto.

Como resultado, são apresentados os modelos de cada uma das macrofases do processo de desenvolvimento dos empreendimentos estudados de forma a constituir uma referencia genérica para o desenvolvimento integrado de novos empreendimentos hospitalares. Assim, o trabalho contribui para discussão sobre a gestão do processo de projeto em geral e, particularmente, das práticas de desenvolvimento de projetos hospitalares.

. Indicadores de qualidade ambiental para hospitais-diaautores: Patrícia Biasi Cavalcanti, Giselle Arteiro Nielsen Azevedo, Vera Helena Moro Bins Ely
O presente artigo apresenta os resultados de visitas exploratórias realizadas em 31 unidades de hospital-dia e de quimioterapia do Rio e Janeiro, São Paulo e Florianópolis. Esta pesquisa teve como objetivo definir aspectos determinantes da qualidade ambiental e da apropriação na percepção de seus usuários. Foram realizadas observações diretas e entrevistas semi-estruturadas, focando em aspectos organizacionais, perceptivos, comportamentais e ambientais.

O trabalho fundamenta-se no conceito de distrações positivas, interpretando-o como a possibilidade de proporcionar uma postura mais ativa ao paciente de forma que ele possa desviar seu pensamento do processo de tratamento e da própria dor. As visitas confirmaram que os ambientes de hospital-dia não costumam estar capacitados para atividades de interesse dos pacientes.
Além disto, os resultados permitiram identificar atributos ambientais de grande relevância para os usuários, tais como: privacidade, controle das condições ambientais, polivalência e variabilidade da organização e arranjos espaciais. Estes resultados podem assim contribuir para a humanização destes ambientes . Discute-se sobre a possibilidade de que o hospital-dia torne-se uma extensão dos locais que o indivíduo vivencia em seu cotidiano, permitindo usos que são parte de sua rotina.

. A natureza do valor desejado na habitação socialautores: Ariovaldo Denis Granja, Doris Catharine Cornelie Knatz Kowaltowski, Silvia Aparecida Mikami Gonçalves Pina, Patricia Stella Pucharelli Fontanini, Lia Barros, Dina de Paoli, Ana Mitsuko Jacomit, Rafaela Massei Rodrigues Maçans
Aumentar a qualidade e a entrega de valor no ambiente construído pressupõe um processo contínuo de aperfeiçoamento para a presença efetiva de benefícios aos ocupantes.
Este artigo apresenta um estudo obre a natureza do valor desejado de usuários de conjuntos de interesse social, que adota como referencia sua natureza subjetiva e multidimensional na percepção do morador.

O objetivo da pesquisa é verificar a potencialidade do conceito de valor desejado para a introdução de melhorias nos projetos habitacionais. No método de pesquisa foram utilizadas a técnica de pesquisa declarada com cartões ilustrados e entrevistas semi-estruturadas sobre questões socioeconômicas como instrumentos de coleta de dados. A amostra consistiu de 195 respondentes em quatro conjuntos habitacionais na região de Campinas, SP. Seguiram-se inferências estatísticas com base em intervalos de confiança para a determinação da importância dos itens de valor e análise de conglomerados para se determinarem as associações entre os itens em grupos maiores.
O resultado do estudo evidenciou a prioridade do item segurança para agregação de valor, seguido da convivência com a natureza, gastos operacionais menores e diminuição de nível de ruído.

. O processo projetual e a percepção dos usuários: o uso de modelos tridimensionais físicos na elaboração de projetos de habitação socialautor: César Imai
O presente artigo examina as relações existentes entre o projetista e o futuro morador residencial dentro de um processo projetual que tem como proposta facilitar a comunicação por meio de sistemas de representação que utilizam modelos físicos tridimensionais flexíveis (maquetes).

Busca-se uma melhor compreensão sobre a percepção espacial do usuário leigo e investigar como a representação pode contribuir ou dificultar um processo projetual participativo. O método de pesquisa utilizado baseia-se em análises comportamentais registradas durante o processo projetual, por meio de gravações em vídeo, pelo estudo dos esboços dos projetos desenhados previamente pelos futuros moradores (com seus aspectos de compreensão espacial), da presença (ou ausência) de domínio técnico nessa representação e, finalmente, pela comparação entre esses esboços e os projetos finais.

Os resultados alcançados indicam uma busca da idealização do espaço da moradia, fruto dos modelos pré-concebidos por esses usuários, que foram baseados no seu conhecimento prévio e nas suas experiências de vida em relação à habitação. Esses exemplos indicam mais uma busca em prol do alcance de um sonho concretizado pela edificação, indicando muitas vezes ser uma conseqüência de um modelo de consumo divulgado pelos meios de comunicação ou uma busca de ascensão social representada pelas características da habitação.

. Avaliando a habitação: relações entre qualidade, projeto e avaliação pós-ocupação em apartamentosautor: Simone Barbosa Villa

Este artigo trata da elaboração de metodologia para Avaliação Pós-cupação (APO) em edifícios de apartamentos destinados à classe média edificados em Ribeirão Preto – SP, a partir de 2000, visando contribuir para a criação de ferramentas eficazes para retroalimentação destes projetos.

O objetivo principal da aplicação da APO foi avaliar a qualidade dos espaços internos e coletivos dos apartamentos, buscando estabelecer uma relação entre o comportamento do usuário e o projeto idealizado pelos vários agentes do mercado imobiliário.

A metodologia proposta foi elaborada a partir de ampla revisão bibliográfica sobre avaliação pós-ocupação e processo de projeto, assim como na análise crítica da produção de edifícios de apartamentos nas cidades de São Paulo e Ribeirão Preto no período proposto. A aplicação desta metodologia permitiu concluir que o projeto arquitetônico idealizado para os edifícios de apartamentos atuais não tem atendido de maneira satisfatória às reais necessidades dos usuários, destacando assim a premência de uma ampla revisão no processo de criação e de gestão do processo de projeto, ensejando que se desenvolvam procedimentos que incluam bancos de dados alimentados por APOs e também uma participação mais efetiva do arquiteto a frente deste processo.

. Apartamentos paulistanos: um olhar sobre a produção privada recenteautores: Fábio Queiroz, Marcelo Tramontano
Este artigo focaliza a produção de apartamentos pela iniciativa privada da cidade de São Paulo, entre os anos de 2000 e 2008, procurando entender aspectos do mercado imobiliário que interfiram ou determinem o desenho e as características das unidades.

É realizada uma leitura sobre estratégias para o planejamento e a comercialização de novos produtos, partindo de estudos de diversos autores, de dados de relatórios da EMBRAESP - Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio, da análise de material publicitário de lançamentos e de uma base de dados sobre exemplares paulistanos de apartamentos, além de trabalhos acadêmicos, em especial as pesquisas sobre o tema desenvolvidas no Nomads.usp - Núcleo de Estudos de Habitares Interativos.

Conclui-se que , são priorizadas no mercado estratégias que visam a garantir e agilizar a comercialização das unidades e o retorno financeiro de investidores, em detrimento da observação de características relacionadas à qualidade espacial e arquitetônica e que se relacionem ao uso das unidades por seus futuros moradores.

. Arquitetura e desempenho luminoso: CENPES II, o novo centro de pesquisas da Petrobras, no Rio de Janeiro, Brasil.autores: Norberto Corrêa da Silva Moura, Anna Christina Miana, Joana Soares Goncalves, Denise Silva Duarte
Este artigo apresenta os resultados da avaliação de desempenho de iluminação natural do projeto do novo centro de pesquisas da Petrobras, CENPES II, no clima tropical do Rio de Janeiro, sob as condições de céu típico parcialmente nublado e com grande luminosidade.

O projeto arquitetônico tinha mais de 100.000 m2 de área construída, distribuída entre dez novos edifícios. De acordo com o programa de necessidades, o acesso da iluminação natural deveria ser maximizado em todos os espaços interiores, sempre que permitido pelas exigências da função, oferecendo conforto visual e eficiência energética. Nesse caso, os desafios do projeto no que tange ao desempenho ambiental estão relacionados à necessidade de proteção solar e à não-ocorrência de ofuscamento, devido às condições climáticas e ao céu com grande luminosidade.

Este artigo está focado no desempenho dos dois edifícios principais do complexo. As avaliações de iluminação foram realizadas com o suporte de técnicas de simulação computacional, sendo realizadas comparações com critérios de desempenho nacionais e internacionais. Ao final, os estudos mostraram os efeitos positivos da adoção de algumas estratégias de projeto clássicas, que são pouco comuns na prática da arquitetura comercial brasileira.


Infohabitar, Ano V, n.º 258Lisboa, Encarnação – Olivais Norte, 10 de Agosto de 2009Edição de José Baptista Coelho

segunda-feira, agosto 03, 2009

257 - Revista Ambiente Construído e artigo AS CORRENTES E O CUIDADO por Marilice Costi - Infohabitar 257

Infohabitar, Ano V, n.º 257

NOTÍCIAS INFOHABITAR seguidas do artigo
AS CORRENTES E O CUIDADO, por Marilice Costi

Antes de passar à edição do artigo da semana, faz-se a divulgação de uma recente e importante edição na WWW de um novo número de uma excelente revista técnica em língua portuguesa.
Trata-se da revista online Ambiente Construído sob responsabilidade da Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído cujo último número (especial) sob o tema "Qualidade do Projeto" foi editado pela Prof.ª Arq.ª Sheila Walbe Ornstein – como é sabido um dos primeiros autores a editar no nosso Infohabitar – e pelo Prof Dr. Carlos Torres Formoso da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Como fica bem evidente no tema "Qualidade do Projeto", trata-se de uma matéria de grande actualidade e que é abordada, nesta revista, num amplo e estimulante leque de interessantes artigos, cujos títulos e autores se apresentam em seguida e cujas quase 200 páginas de pdf (s) estão disponíveis, facilmente, já aqui, no link. da revista Ambiente Construído:http://www.seer.ufrgs.br/index.php/ambienteconstruido/index

Apresentação da revista Ambiente Construído, Vol. 9, No 2 (2009)
"Qualidade do Projeto"


. Sumário

. (Parágrafo extraído do Editorial da revista)

“Este número especial da Revista Ambiente Construído tem como tema a Qualidade do Projeto. Pretende celebrar o início das atividades do Grupo de Trabalho em Qualidade do Projeto (GTQP) da ANTAC, constituído em outubro de 2008. Na chamada de trabalhos para este número foram destacados os seguintes temas: briefing e gestão de requisitos; natureza do processo de projeto; criatividade no processo de projeto; definição do escopo de projeto; avaliação de projetos; desenvolvimento do produto na construção civil; práticas profissionais de projeto; coordenação e compatibilização de projetos; modelagem do processo do projeto; processos colaborativos e engenharia simultânea; gestão da qualidade e certificação na atividade de projeto; tecnologia da informação para apoiar o processo de projeto; avaliação pós-ocupação e indicadores de qualidade do projeto.
...”

Sheila Walbe Ornstein, Co-editora convidada, FAUUSP
Carlos Torres Formoso, Editor-chefe, NORIE - UFGRS

Títulos dos artigos editados e respectivos autores:

. Flexibility as a design aspiration: the facilities management perspective
Edward Finch

. Quality of design and usability: a vetruvian twinTheo J. M. van Voordt

. Discussão sobre a importância do programa de necessidades no processo de projeto em arquiteturaDaniel de Carvalho Moreira, Doris Catherine Cornelie Knatz Kowaltowski

. The gaps between healthcare service and building design: a state of the art reviewPatrícia Tzortzopoulos, Ricardo Codinhoto, Mike Kagioglou, John Rooke, Lauri Koskela

. Desenvolvimento integrado de projeto, gerenciamento de obra e manutenção de edifícios hospitalaresMichele Caroline Bueno Ferrari Caixeta, Alexandra Figueiredo, Márcio Minto Fabrício

. Indicadores de qualidade ambiental para hospitais-dia

Patrícia Biasi Cavalcanti, Giselle Arteiro Nielsen Azevedo, Vera Helena Moro Bins Ely

. A natureza do valor desejado na habitação social
Ariovaldo Denis Granja, Doris Catharine Cornelie Knatz Kowaltowski, Silvia Aparecida Mikami Gonçalves Pina, Patricia Stella Pucharelli Fontanini, Lia Barros, Dina de Paoli, Ana Mitsuko Jacomit, Rafaela Massei Rodrigues Maçans

. O processo projetual e a percepção dos usuários: o uso de modelos tridimensionais físicos na elaboração de projetos de habitação socialCésar Imai

. Avaliando a habitação: relações entre qualidade, projeto e avaliação pós-ocupação em apartamentosSimone Barbosa Villa

. Apartamentos paulistanos: um olhar sobre a produção privada recente
Fábio Queiroz, Marcelo Tramontano

. Arquitetura e desempenho luminoso: CENPES II, o novo centro de pesquisas da Petrobras, no Rio de Janeiro, Brasil.
Norberto Corrêa da Silva Moura, Anna Christina Miana, Joana Soares Goncalves, Denise Silva Duarte

Sublinha-se, finalmente, a grande relação entre esta edição e o próximo I Simpósio Brasileiro de Qualidade do Projeto no Ambiente Construído [SBQP 2009], que será realizado em São Carlos, São Paulo, de 18 a 20 de Novembro de 2009, em conjunto com o IX Workshop Brasileiro de Gestão do Processo de Projeto na Construção de Edifícios.




O Site deste evento está disponível em:
http://www.arquitetura.eesc.usp.br/ocs/index.php/SBQP2009/SBQP2009

O editor do InfohabitarAntónio Baptista Coelho


Segue-se o artigo da semana no Infohabitar
AS CORRENTES E O CUIDADO
por Marilice Costi, Arquitecta e Investigadora

A primeira pesquisa urbana desenvolvida pelos meus alunos da disciplina Avaliação Pós-Ocupação (Faculdade de Arquitetura da PUCRS) foi com o intuito de descobrir o grau de satisfação dos pedestres em sete das vias de alto tráfego de Porto Alegre, entre elas, a avenida José de Alencar.

Moradora da região no entorno do Parque Farroupilha, eu vivia inconformada com aquelas correntes nos canteiros – sem sinalização – barreiras sem relação alguma com o desenho urbano. Pintadas de verde, à noite especialmente, tornavam-se invisíveis devido à grama nos canteiros. Sua altura também permitia que os transeuntes saltassem por elas, o que era arriscado, devido ao trânsito intenso. Muitas pessoas corriam risco de se machucarem e isso era visto frequentemente pelos comerciantes das regiões. Soubemos que uma pessoa havia sido atropelada por um ônibus ao saltar em uma daquelas correntes e que teria morrido.

O trabalho discente consistiu em formular questões em linguagem coloquial, que foram pré-testadas, e definiram um questionário a ser aplicado em no mínimo trinta usuários em cada ponto de pesquisa. Mais três técnicas escolhidas pelos grupos para ratificar ou não os resultados. Os alunos foram a campo acompanhados por mim para aprenderem a abordar os transeuntes, e observar o entorno e compreenderem a relação entre os pedestres e os canteiros centrais, lugar que se deve ter segurança, com tais correntes.

O resultado da pesquisa não me surpreendeu. O grau de rejeição era alto (muito mais de 45%) o que justificaria a sua remoção. Minha opinião sempre foi esta: basta uma pessoa a correr riscos e eu as removeria. Naquela data, tal pesquisa, por ser de alunos, não poderia ser aproveitada! Só poderia ser aprendizado dos futuros profissionais.

Alguns semestres depois, as correntes ainda me perturbavam. Eu também me perguntava quem era o responsável pelo desenho urbano do canteiro central entre o Centro Comercial Azenha e a Escola Ildefonso Gomes. Sem critério algum de segurança, desconsiderando totalmente o fluxo natural dos moradores do bairro, as correntes ali também impedem o fluxo comum dos moradores. Ao limitarem áreas com arbustos, que bloqueiam também a visibilidade reduzindo a segurança, criam lugares onde podem se esconder assaltantes. Os alunos descobriram que a sua colocação fora definida por algum funcionário do centro comercial, um “jardineiro” contratado para “embelezar” o canteiro central, de onde se tem uma das mais belas perspectivas das palmeiras imperiais em Porto Alegre.





Figura 01 e 02: finalmente, as correntes foram removidas - na imagem restavam apenas as barras de apoio, entre as quais havia correntes verdes.
É na Arquitetura que, compartilhada com a Sociologia, a Geografia, a Antropologia, a Engenharia e outras áreas do conhecimento, que se aprende a construir ambientes adequados ao uso humano. Portanto, projetos desse tipo devem ser projetados pelo arquiteto devido à sua formação e consequente competência para projetar conforme as necessidades espaciais e de circulação dos cidadãos. E ainda, devido à complexidade urbana, coordenar equipe multidisciplinar composta de profissionais de várias áreas. Neste caso, urbana, portanto de responsabilidade de secretarias municipais. Os alunos se deram conta que tais órgãos públicos decidiam cada um por si: SMAM, SMOV, EPTC e outras eram como feudos.

Retomamos a pesquisa urbana das correntes em canteiros centrais no início do novo século pois a dúvida permanecia. Que arquiteto criara aquelas barreiras metálicas “verdes”? A resposta veio da própria projetista: foi para proteger a grama! Infelizmente, não lembro o nome do aluno, foram tantos, que penetrara no âmago do espírito do pesquisador. Acabara o mistério: a projetista fora uma bióloga!

Abrindo o CP de dois de julho próximo, fiz a conta. Mais de dez anos passaram.

Finalmente, a percepção pública que faltava. Ou a decisão. Vinda de um professor, cujo olhar sensível, espero que também siga até o grande canteiro citado acima.
Fundamental é o trabalho do arquiteto ao projetar ambientes com segurança e conforto para as pessoas. O arquiteto, assim como a Prefeitura devem exercer também o cuidado.

Marilice Costi é mestre em Arquitetura, editora da revista O CUIDADOR, membro da ANTARQ e da ALF-RS - Rua Santana, 666/504 - Porto Alegrehttp://www.sanaarquitetura.arq.br/
CREA 41328
Brevíssimas notas do editor:Por sistema preferimos editar os textos o mais possível como me foram enviados o que também aconteceu em mais esta excelente reflexão de Marilice Costi sobre as razões que estruturam partes significativas dos nossos ambientes urbanos e de vida.
Na próxima semana tentaremos voltar a esta matéria, que é afinal a da urgência de termos cidades verdadeiramente amigáveis e estimulantes.

O editor do InfohabitarAntónio Baptista Coelho


Infohabitar, Ano V, n.º 257
Lisboa, Encarnação – Olivais Norte, 3 de Agosto de 2009
Edição de José Baptista Coelho