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terça-feira, dezembro 01, 2020

Uma habitação ligada à natureza e bem estimulante (bons espaços e ambientes domésticos I) – Infohabitar # 757

Ligação direta (clicar) para:  725 Artigos Interactivos, edição revista, ilustrada e comentada - 38 temas e mais de 100 autores.

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 757

Edição: terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Uma habitação ligada à natureza e bem estimulante (bons espaços e ambientes domésticos I) – Infohabitar # 757

 

Caros leitores da Infohabitar, 

Continuando em um dos temas “centrais” da nossa revista: os espaços do habitar, vamos aprofundando, em cada semana, esta matéria, neste caso específico no âmbito de um global e adequado desenvolvimento dos espaços e ambientes domésticos.

Esta viagem pelos espaços do habitar continuará a ser feita nas próximas semanas editoriais da Infohabitar, apenas com eventuais intervalos mais dedicados à divulgação de iniciativas julgadas especialmente interessantes ou a outras matérias mais ligadas a datas específicas.

Lembra-se, novamente, que serão sempre muito bem-vindas eventuais ideias comentadas sobre os artigos aqui editados e propostas de novos artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com , ao meu cuidado).

Considerando a atual e ainda muito crítica evolução da pandemia, voltar a sublinhar-se a vital importância do distanciamento social, conseguido, designadamente, pelo cumprimentos das obrigações legais agora definidas, através do teletrabalho e do confinamento obrigatório em determinados períodos do dia e da semana e de todas as medidas de proteção própria e dos outros, que são muito favorecidas com o uso sistemático, maximizado e cuidadoso de máscara – seja no interior seja nos espaços públicos – e por um reforço dos cuidados de higiene próprios e relativamente à sistemática  higienização dos ambientes e dos objetos que usamos no dia-a-dia.

Não tenhamos dúvida de que boa parte do combate à pandemia passa por estes nossos esforços pessoais e familiares, que terão de se enraizar nos nossos hábitos diários, mesmo quando no horizonte temos já as vacinas

Despeço-me, até à próxima semana, enviando saudações calorosas e desejos de força e de boa saúde para todos os caros leitores  e seus familiares,    

Lisboa, Encarnação, em 30 de novembro de 2020

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar

 

Uma habitação ligada à natureza e bem estimulante (bons espaços e ambientes domésticos I) – Infohabitar # 757

António Baptista Coelho

(texto e imagens)

Resumo

No presente artigo desenvolve-se uma reflexão sobre os aspetos que caraterizam o que podemos considerar como "bons espaços e ambientes domésticos", abordando-se as matérias “básicas” da relação com a natureza e da previsão de boas condições de conforto ambiental, e de como uma habitação pode ser verdadeiramente agradável e estimulante, numa abordagem que se baseia nos modos como as crianças sentem e vivem o seu espaço doméstico de grande proximidade.

Reflectimos, assim, um pouco, sobre a importância do conforto ambiental e da força imaginativa dos nossos mundos domésticos, numa dupla perspectiva que nos poderá proporcionar uma habitação agradável e globalmente estimulante.

 

1. Em primeiro lugar: respeitar a relação com a natureza no espaço habitacional

É, de certa forma, consensual que para oferecer bons espaços e ambientes domésticos há, em primeiro lugar, que respeitar, nesses espaços, a relação global e múltipla com a natureza e, designadamente, com o movimento aparente do Sol; e se imaginarmos espaços expressivamente isolados/separados de tais relações teremos, sem dúvida, espaços muito desagradáveis e mesmo tendencialmente muito pouco habitáveis (ex., no limite, os odiados calabouços medievais, isolados da natureza, do mundo vivo e mesmo praticamente do passar do tempo e, cumulativamente, sem qualquer conforto e espacialmente mínimos).

Escreveu Ken Kern que:

"as relações com as horas do dia, as estações e a orientação solar formam uma parte inconsciente da experiência do homem, do mesmo modo que a necessidade de isolamento e de sociabilidade.... Uma casa de vidro, por exemplo, com a sua acessibilidade e transparência, conduziria à satisfação do aspecto social e extrovertido da natureza humana e da sua ânsia de expansão. A natureza introvertida do homem, por outro lado, pode procurar os confins das suas origens cavernícolas... em espaços obscuros e misteriosos. De qualquer modo, o encerramento de um espaço não deve entrar em conflito com a expansividade de outro. Ambos são igualmente necessários e essenciais....O espaço não tem de ser necessariamente restringido pelos seis planos de um compartimento desenhado e construído de maneira convencional. O espaço pode ser ilimitado ou pode estar apenas parcialmente confinado". (1)

Estas importantes palavras de Ken Kern levam-nos muito longe e muito fundo, tanto nas matérias, aqui abordadas, da relação global com a natureza e da sua importância essencial na construção do bom habitar, como na matéria mesma da boa arquitectura do habitar e de uma sua exigente e múltipla qualificação, que, para ser ainda mais sensível e sentida, deverá funcionar de forma “una” e especificamente caracterizada em cada intervenção, aliando-se, com grande naturalidade, aspetos múltiplos da composição arquitectónica  com aspetos básicos do bem-estar e da relação com o meio natural e o mundo vivo e cíclico, como é, por exemplo, uma adequada e estimulante insolação dos diversos espaços domésticos ao longo do dia e ao longo do ano.

E é bem interessante ter presente que, por exemplo,  a importância da insolação na satisfação e mesmo na alegria de se habitar uma dada casa é algo de fundamental; e nesta matéria e julga-se a propósito lembra-se que Rodríguez Villasante referiu (2) que num extenso conjunto de empreendimentos de habitação de interesse social na envolvente de Madrid, não se detectaram manifestações de insatisfação para com os espaços/fogo, nem transferência para eles de aspetos de culpa por condições de existência menos agradáveis, mas como única excepção destacaram-se queixas de habitantes que reclamavam por falta de luz e de insolação nas suas habitações, que estavam orientadas a Norte. (3)

E nunca será demais sublinhar que tais aspetos de relação com o meio natural, com a luz do dia, com o luar, com o vento, com os reflexos da luz do Sol nos interiores se têm de casar/integrar com os aspetos da comunicabilidade entre espaços interiores, exteriores e de transição, e ainda com os tão importantes aspetos de relação com as vistas exteriores mais próximas e/ou paisagísticas; e tudo isto num respeito ou num adequado e adaptável serviço ao conjunto das funções residenciais.

Fig. 01: um espaço habitacional (i) que tem de ser concebido em aliança com o espaço naturalizado envolvente e devidamente intervencionado em termos paisagísticos e (ii) tendo em conta os diversos aspetos de conforto ambiental que esse espaço envolvente proporciona diretamente e nas habitações contíguas e próximas.


2. Importância determinante do conforto ambiental no espaço habitacional

A ideia que se quer aqui sublinhar é a importância determinante do conforto ambiental, com destaques específicos para a insolação, a luz natural, a ventilação (4), o isolamento de ruídos e o isolamento térmico, para uma verdadeira satisfação com o espaço doméstico. De certa maneira podemos dizer que tudo o resto se constrói sobre esta base de adequado conforto ambiental de que se conhecem já, bem, os respectivos aspectos técnicos.

São os seguintes os aspectos julgados fundamentais para um adequado conforto ambiental doméstico.

2.1. Máxima, mas cuidada, insolação e iluminação natural abundante e geral

Chama-se a atenção para a influência que têm estas condições no bem-estar físico e psicológico e na alegria de viver, e basta lembrar os dias cinzentos que a muitos deprimem para imaginar a influência que tem uma casa em que mal se veja o Sol e onde se tenha de estar, quase sempre, de luz acesa.

Naturalmente que a luz e a radiação solar não poderão ser em excesso e para isso importa trabalhar, seja em aspetos básicos de orientação e dimensionamento dos vãos exteriores, seja na sua adequada configuração e eventual proteção (ex., palas de sombreamento).

E é interessante referir que a melhor caracterização do habitar em termos de espaço arquitectónico decorre, em grande parte, interior mas também exteriormente, de um adequado e arquitectonicamente bem integrado e pormenorizado aproveitamento e controlo dessas adequadas condições de insolação, luz natural, ventilação, relação com o bem-estar higrotérmico e conjugação com as vistas exteriores, mas evidentemente não esquecendo as vistas próprias.

De certa forma a arquitectura residencial pode e deve retirar boa parte do seu carácter próprio e desejavelmente quase único de uma adequada e sensível habilitação ao meio natural em que se deverá integrar, lembrando, afinal, a sua razão básica e fundadora de abrigo e protecção em total integração na natureza.

2.2. Diversas zonas e compartimentos bem orientados

A orientação dos diversos compartimentos habitacionais deve ser desenvolvida relativamente ao movimento aparente do Sol, respeitando, sempre que possível, a velha e boa estratégia do acordar com o Sol nascente, das cozinhas mais frescas e protegidas e da protecção do Sol poente, designadamente, nos espaços mais ocupados ao final da tarde ou a partir desta altura do dia.

E há muito escrito sobre a importância que tem poder-se viver um dia-a-dia marcado pelos ritmos naturais, um dia-a-dia que, depois, se estende, com agradável naturalidade, ao próximo acompanhamento da mudança das estações do ano, matéria esta que, evidentemente, se liga à existência de uma expressiva componente de verde urbano.

2.3. Ventilação cruzada eficiente e "positiva"

O espaço habitacional deve ser cuidadosamente “varrido” por uma ventilação cruzada, que se desenvolva, portanto, entre duas fachadas opostas, condição esta que é de grande importância para a renovação do ar interior, para o controlo da humidade no ar interior, e para o desejável equilíbrio da temperatura interior, associada também a aspetos de ventilação; e tais “exigências” seriam suficientes para “proibir” a existência de habitações “mono-orientadas”, também narcadas por muito negativas condições de vistas exteriores numa única direção geral.

A referida ventilação cruzada eficiente e “positiva” deve ser assegurada, designadamente, pela localização da cozinha e instalações sanitárias "exteriores" a sotavento, no edifício – fachada do edifício oposta ao lado de onde sopra habitualmente o vento – proporcionando-se que os gases e cheiros nocivos ou desagradáveis sejam estratégica e rapidamente evacuados pelos vãos exteriores, não invadindo a casa); e nesta ventilação é fundamental que ela seja estrategicamente considerada “varrendo” o máximo do volume interno da habitação; uma condição que, por exemplo, no Verão é fundamental para um bem-estar que muito ultrapassa os aspectos apenas físicos.

E naturalmente que esta estratégia de ventilação terá de ser devidamente suportada por vãos exteriores e interiores bem configurados e equipados (ex., "bandeiras" específicas de ventilação, dispositivos de ventilação integrados nos vãos, etc.).

2.4. Ausência de continuidades e contiguidades perturbadoras em termos acústicos

Nesta matéria Dreyfuss e Tribel consideram que o isolamento razoável entre duas partes da mesma habitação só é possível mediante a separação por duas portas, ou por uma parede suficientemente espessa e pesada, por exemplo, entre a sala e um quarto contíguo e que certas contiguidades não devem ser permitidas (5); e há que sublinhar que a ausência de ruído é uma condição básica da satisfação residencial, provada em muitos estudos.

Mas a estratégia de proteção acústica tem de ser muito ampla e associada:

·      aos ruídos produzidos no interior da própria habitação;

·      aos ruídos produzidos em habitações vizinhas (destacando-se habitações superiores) e em espaços e equipamentos comuns do edifício (ex., ascensores e escadas comuns);

·     e aos ruídos exteriores mais diversos.

2.5. Conforto higro-térmico

O conforto higrotérmico tem relações diretas e indiretas com quase todos os aspetos que acabaram de ser apontados e depende de matérias específicas construtivas e de pormenor, com natural destaque para os aspetos de isolamento, sendo importante referir que este conforto tem quadros específicos e bem distintos no Inverno e no Verão, que muitas vezes não são globalmente considerados, e constitui matéria crítica no bem-estar e na saúde dos habitantes, mas com especial incidência naqueles mais sensíveis - crianças, idosos e doentes.


2.6. Nota breve sobre a grande importância específica e da integração dos diversos aspetos do conforto ambiental doméstico

Muito brevemente aqui se registam dois aspetos:

·      O primeiro refere-se à vital importância específica que têm os diversos aspetos do conforto ambiental doméstico, que foram aqui apenas muito sinteticamente apontados, com o objetivo de se disponibilizar uma reflexão de síntese e relacionada com as outras matérias em seguida abordadas.

O segundo tem a ver com a importância destes aspetos de conforto ambiental doméstico serem considerados de forma integrada, nas suas diversas matérias (insolação, higrotérmica, iluminação natural, ventilação, acústica), seja no que se refere ao interior doméstico, seja no que tem a ver com a relação entre este interior e o exterior envolvente, e ainda com a própria vivência estimulante deste exterior; esta matéria parece óbvia, mas não o é, infelizmente, e o projeto de arquitetura tem tudo a ver com tal integração.

Fig. 02: um espaço habitacional (i) que tem de ser concebido em aliança com os diversos aspetos do conforto ambiental e que (ii) é (tem de ser) muito mais do que um espaço de estritas funcionalidades e de "frios" dimensionamentos físicos.

3. Uma habitação verdadeiramente agradável e estimulante - a partir de como as crianças a sentem e vivem (segundo Gilles Barbey)

Vamos, então, em frente neste pequeno mundo doméstico e pensemos, um pouco, globalmente, sobre o que poderá ser o caminho de uma verdadeira satisfação, que ultrapasse os referidos aspectos ambientais; e nesta perspectiva podemos recorrer e generalizar, nos itens seguintes, algumas conclusões de um estudo de Gilles Barbey sobre como as crianças imaginam e lêem as casas. (6)

3.1. Uso dinâmico do espaço habitacional

Barbey salienta o que refere ser um uso dinâmico do espaço, expresso em dimensões de habitações, que embora muito grandes não são monumentais:

·      os quartos individuais têm aspecto agradável e estão ligados e atravessados por túneis e corredores, sugerindo itinerários e direcções, capazes de proporcionarem condições exploratórias e aventurosas nas habitações;

·      e a casa é considerada como um labirinto reconfortante, embora não perdendo alguns aspectos que produzem receios.

Desenvolve-se, assim, uma integração ponderada entre espaços de circulação e outros compartimentos e favorece-se, assim, uma estruturação que joga na surpresa e nas alternativas de ligações entre espaços, assim como na forte caracterização de alguns desses espaços.

Julga-se que esta forma de desenvolver uma habitação é um excelente caminho de positiva subjugação dos aspectos funcionais a valores de caracterização doméstica fundamentais e que têm também a ver com um certo sentido lúdico, estimulante do próprio prazer de usar uma casa que seja um cenário de vida estimulante e curioso, mesmo depois de muitos anos de vivência.

Uma condição que, tal como tem sido apontado, também há que favorecer ao nível do micro-urbanismo de vizinhança e que, naturalmente, deverá transparecer, de forma atraente nas relações entre esses mundos mais domésticos  e estes mundos mais públicos, mas ainda muito íntimos.

3.2. Habitações caracterizadas por uma ambivalência básica

Gilles Barbey aponta, também, que as crianças imaginam casas caracterizadas por uma ambivalência básica, como elemento vertical que se ergue do solo, ou corpo concentrado, que é lugar de lançamento da pessoa na sociedade e concha de abrigo, independência e protecção; portanto, uma casa que é simultaneamente concha protectora e elemento de relacionamento urbano.

E cá temos, novamente, matéria fundamental para uma reflexão prática que sublinha o interesse de uma conjugação maximizada entre um sentido de integração de cada casa na continuidade urbana protectora e sinais sóbrios, mas claros, de identidade e de apropriação de cada sítio que se habita em casa, no café, no jardim de vizinhança, etc.

3.3. Habitações que suscitam sentimentos de permanência e relações de afetividade

E, finalmente, o referido Gilles Barbey evidencia, na imaginação doméstica infantil, as ideias de permanência e de afectividade relacionadas com a de eficácia, porque as casas vernáculas proporcionam, frequentemente, um sentimento agradável e seguro de permanência, relacionado tanto com os valores socioculturais, como com as características locais, topográficas, geológicas e climáticas; e aqui os desenhos referidos por Barbey referem-se a imagens tradicionais confirmando que as crianças procuram, naturalmente, a permanência e a duração encontradas na natureza e nas casas vernáculas.

E não será que todos nós não nos sentimos melhor em habitações e espaços residenciais marcados por tais aspectos de agradabilidade e de permanência?

Notas de remate

Pensou-se, assim, um pouco, sobre a dupla e, desejavelmente, integrável importância do conforto ambiental e da força imaginativa dos nossos mundos domésticos: uma dupla perspectiva que nos poderá garantir uma habitação tão agradável/confortável como imaginativa e estimulante.

Nesta reflexão sobre os aspetos que parecem ser essenciais na concepção arquitectónica residencial iremos, na próxima semana, abordar outras matérias também ligadas ao desenvolvimento de "bons espaços e ambientes domésticos", não nos limitando aos que se podem caraterizar como "simplesmente" funcionais.


Notas:

(1) Ken Kern, "La Casa Autoconstruida", p. 113.

(2) Tomáz Rodríguez Villasante, et al, "Retrato de Chabolista con Piso", p. 135.

(3) Em Portugal recomenda-se que os fogos tenham dupla exposição, sendo uma das fachadas orientada entre E-SE e SW (quartos orientados entre E-SE e S-SE, sala entre S-SE e SW); aceitam-se fogos com exposição simples, desde que a fachada não esteja orientada entre NE e SW (Ministério do Equipamento Social, "Recomendações Técnicas para Habitação Social", Artº 4.2.1.5); no entanto continuam a acontecer situações de não cumprimento desta condição.

(4) "Deverá ficar assegurada a ventilação transversal do conjunto de cada habitação, em regra por meio de janelas dispostas em duas fachadas opostas"; assim se regista no Artº 72, "Regulamento Geral das Edificações Urbanas", e no entanto continuamos a visitar casos de mono-orientação.

(5)  Dreyfuss e Tribel consideram que certas contiguidades não devem ser permitidas: canalizações de água ao longo de paredes de quartos e salas; equipamentos hidráulicos encostados a paredes de quartos; cozinhas sobrepostas a quartos; quartos contíguos a salas de fogos vizinhos e a escadas e galerias comuns. (D. Dreyfuss; J. Tribel, "La Cellule-Logement", p. 25).

(6) Gilles F. Barbey, "Man-Environment Interactions, Evaluations and Applications-Part3, Anthropological Analysis of the Home Concept: Some Considerations Based on the Intrepretations of  Childrens' Drawings", pp. 146 a 149.


O presente artigo corresponde a uma edição ampliada, modificada e revista do artigo que foi editado na Infohabitar, em 22/06/2014, com o n.º 488.

Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XVI, n.º 757

Uma habitação ligada à natureza e bem estimulante (bons espaços e ambientes domésticos I) – Infohabitar # 757 

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

abc.infohabitar@gmail.com

abc@lnec.pt

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).

 

terça-feira, julho 21, 2020

Notas sobre a importância do silêncio na Arquitectura – Infohabitar # 739

Ligação direta (clicar) para:  725 Artigos Interactivos, edição revista, ilustrada e comentada - 38 temas e mais de 100 autores.

Infohabitar, Ano XVI, n.º 739

Notas sobre a importância do silêncio na Arquitectura – Infohabitar # 739

Por António Baptista Coelho (texto e imagens)

 

Edição: terça-feira, 21 de julho de 2020

 

Editorial:

Caros leitores da Infohabitar, estimados amigos,

Ainda um pouco numa sequência genérica de últimos artigos, aqui editados, em que refletimos sobre paisagem urbana baseada em misturas diversificadas de tipologias edificadas e sobre aspetos de identidade, apropriação e escala humana, que devem estar bem presentes e marcar os espaços que habitamos interior e exteriormente,

dedicamo-nos no presente artigo a uma qualidade ambiental e urbana, até no sentido amplo do termo “urbana”, o silêncio, cuja presença, mais ou menos intensa, ou cuja ausência, parecem ser aspetos expressivamente qualificadores na experimentação do espaço arquitectónico e urbano; além do aspeto essencial associado à qualificação do silêncio como exigência/matéria básica na conceção arquitetónica e numa sua aprofundada e sentida fruição.

Continuando a "tradição" da Infohabitar referida à divulgação de iniciativas merecedoras de atenção, salienta-se a chamada de artigos para o novo número da revista Gestão & Tecnologia de projetos, que abordará o emprego de tecnologias digitais no campo do patrimônio, envolvendo ações nacionais ou cooperações internacionais; neste sentido, no final da presente edição anexa-se o respetivo conjunto de elementos de divulgação e informação enviados por um dos editores, o amigo e colega Prof. Eng.º Márcio Minto Fabrício do IAU-USP.

Lembrando que serão sempre muito bem-vindas eventuais ideias comentadas a propósito dos artigos aqui editados e propostas de novos artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com ao meu cuidado),

despeço-me, até à próxima semana, com saudações calorosas e desejos de muita força e de boa saúde,

Lisboa, Encarnação, em 20 de julho de 2020

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar

 

Notas sobre a importância do silêncio na Arquitectura – Infohabitar # 739

António Baptista Coelho

 

No presente artigo aborda-se, em primeiro lugar, o silêncio como matéria de base vital do espaço projetado e que, depois, se quer vivo; portanto base da conceção e objetivo essencial qualitativo, importante, entre outros, mas frequentemente esquecido.

Desenvolve-se, em seguida, uma natural reflexão sobre a relação entre o silêncio e o meio natural, sítio óbvio de potencial e “alimentador/apaziguador” silêncio, passando-se, depois, para uma menos óbvia natureza do silêncio como veículo de intimidade e de urbanidade; a relação com a intimidade é razoavelmente natural, enquanto o sentido de uma urbanidade calma, protetora e mesmo potencialmente introspetiva será sempre menos direta, mas considera-se que é de extrema relevância; importância esta que vai ganhando tanto maior relevo quanto mais urbana e densificada for a sociedade – como acontece com o atual habitat humano.  

Passa-se, em seguida, para uma pequena reflexão talvez mais disciplinar a propósito de se encarar e defender, mesmo, o silêncio como verdadeira matéria ou motivo da Arquitectura; naturalmente não única, mas, frequentemente, como ampla e amigável base habilitadora de outras matérias e motivos de conceção; para além de ser, sempre, matéria própria e motivo específico de conceção.           

E avançando-se nesta matéria específica de conceção associada ao silêncio, surge o “velho” e sempre pouco considerado tema das ruínas e do silêncio das/nas ruínas como estimulante motivo de perceção e criação arquitectónica.

O silêncio como base vital do espaço projetado e que, depois, se quer vivo

            Falar um pouco sobre o silêncio na arquitectura, considerando esta, naturalmente, como conjunto articulado de espaços interiores, exteriores e de transição, com presença doméstica e urbana e importantes ligações com o bem-estar que deve caraterizar os nossos cenários de vivência, será, talvez, falar de uma qualidade arquitectónica que acompanha e valoriza:

·        seja, numa primeira linha, os respetivos atos de conceção desses espaços e ambientes, que têm de se fazer sempre num relativo silêncio, de concentração e de diálogo íntimo com os diversos aspetos em que se fundamenta essa concepção, esse projeto;

·        seja, um silêncio que, numa segunda linha, embebe e caracteriza as primeiras vivências directas desses espaços logo que recém-concluídos, e atraentemente vazios e expectantes, produzindo-se, assim, imagens quase que estranha e eloquentemente silenciosas.

            Produzem-se, assim, imagens que acabam por ser projetos quase feitos realidade, e daí ainda tão calmas, numa primeira apresentação real da obra, que é sempre única e estimulante, em termos de uma fruição íntima do resultado real desse projeto de arquitectura; e talvez daqui resulte boa parte da importância que se dá à ilustração fotográfica dessa primeira fase de obra concluída e de certo modo vazia dos seus posteriores e essenciais conteúdos vivenciais, sociais e conviviais.


 

Fig. 01: Centro das Artes Casa das Mudas, na Calheta, Madeira., Arq.º Paulo David; e à direita, em silêncio, sentindo a obra, Raúl Hestnes Ferreira.

            Temos, assim, o silêncio como base de preparação do espaço que se quer vivo e como uma espécie de condição de prova de fogo, individualmente sentida, de como resulta esse espaço, quando construído, uma prova caraterizada por uma certa disponibilidade desse espaço ser entendido, globalmente, como algo que apresenta um certo potencial de acolhimento, que depois será, ou não, comprovado, quando habitarmos esse espaço; e sendo que tudo isto, da fase de projeto à fase final de vivência preliminar da obra acabada, obriga a um quadro básico de silêncio, ou de silêncio preenchido pela boa música, por exemplo, e será sempre impossível num quadro marcado pelo ruído e pela desordem que está frequentemente associada ao ruído.

            Talvez que por isso tantos amadores de fotografia, e tantos arquitectos, privilegiem os espaços vazios, desabitados e de certa forma silenciosos, não numa negação da sua essencial utilidade como quadros da vida humana nos seus mais variados aspetos, mas sim numa facilitação ou clarificação da leitura global e, depois, mais detalhada desses espaços, quase uma sua apresentação prévia, quase um cenário mesmo cenário ainda que provisoriamente cenário, e afinal quase um verdadeiro desenho em escala natural e volume, um desenho que sempre nos traz novidades relativamente ao desenho em papel que o antecedeu; mas um desenho real que, tal como o desenho-desenho, obriga a uma sua leitura silenciosa, e cuidadosamente vagarosa, num vagar que também se liga ao silêncio e que provavelmente tem clara expressão nas sempre tão apreciadas calmas e sóbrias imagens a preto, branco e cinzentos.

O silêncio e o meio natural

            Dito isto, que pretendia fazer, apenas, um enquadramento esquemático e global da matéria que aqui se propõe, mas que, tal como sempre acontece, foi tema que avançou por si próprio e que deixou outros caminhos de desenvolvimento, deve-se, talvez, agora voltar atrás, ao meio natural, que é aquele onde fundamentamos, quase sempre, direta ou indiretamente, os projectos de Arquitectura.

            Salienta-se que nos sítios naturais ou expressivamente naturalizados, o silêncio é base de quase tudo e nem é silêncio, pensa-se no silêncio natural e no silêncio na natureza, marcado por sons naturais e que acabamos por considerar como integrando o silêncio; e esta é matéria interessante pois, entre muitos outros aspetos, um dos objetivos de uma boa arquitetura é proteger e servir o homem em termos de um seu conforto amplo, em termos de um adequado equilíbrio com as condições naturais e não será por acaso que está provado que o meio natural, o seu quadro ambiental e o sossego que o marca são aspetos essenciais no bem-estar humano, sendo por exemplo usados, objetivamente, no tratamento de determinados problemas de saúde e na suavização do tão conhecido stress urbano.

            Temos então, assim, o silêncio como virtude natural que, conjuntamente com outras condições de conforto ambiental, procuramos proporcionar estrategicamente nas nossas casas, nas nossas vizinhanças urbanas e mesmo até, pontualmente, em determinados espaços urbanos mais intensos, onde é sempre possível e desejável que existam oportunidades de gozar um pouco de silêncio ou de significativa redução do ruído; e estas pequenas ilhas de calma, rodeadas de ruído e bulício urbano, serão tanto mais estimulantes, quanto mais associadas estiverem a condições naturais de estabelecimento dessa acalmia do ruído envolvente, sendo o contrário exemplificado por soluções muito condicionadas e associadas a instalações com essa finalidade específica.

 

        

Fig. 02: os meios naturais ou expressivamente naturalizados são como que "geradores de silêncio"

 

            E é interessante lembrar que os meios naturais ou expressivamente naturalizados são como que "geradores de silêncio", porque captam e amortecem os ruídos envolventes e próprios, porque produzem ruídos naturais de camuflagem, e porque associam condições de silêncio e conforto a vistas e quadros naturais, marcados pelo verde, pelas árvores e até pela água naturalizada.

            De certa forma tais quadros naturais diretamente indutores de condições mais silenciosas e indiretamente associados a memórias de ambientes silenciosos, são, depois, ferramentas que o projetista deve usar quando projeta ou reprojeta arquitetura; naturalmente não de uma forma solta e por vezes cega, mas sim integrada nos diversos aspetos de conforto ambiental que tantas pontes comuns apresentam – aspetos acústicos, higro-témicos e de conforto visual – uma integração que precisa, urgentemente, de avanços e de sínteses facilmente aplicáveis por não especialistas – e perdoem esta espécie de divagar técnico não muito adequado ao perfil da temática, ou será que é adequado e então estaremos numa reflexão extremamente sensível onde se tentam abordar, integradamente, aspetos mais objetivos e outros ainda considerados menos objetivos.

O silêncio como veículo de intimidade e de urbanidade

            Falou-se, um pouco, do enquadramento do silêncio como matéria da própria conceção arquitetónica básica e, em seguida, do mesmo silêncio como qualidade natural, ou da natureza, associada a múltiplos aspetos do conforto, e por sua vez matéria da referida conceção arquitetónica; e assim até parece que não nos conseguimos dele libertar; mas há ainda e naturalmente outras perspetivas a considerar no silêncio como quadro base de arquiteturas e pano de fundo do habitat humano, e nestas uma há cuja importância é basilar e que se refere ao silêncio como veículo de intimidade e de urbanidade.

            Nesta matéria é extremamente interessante, por um lado, encarar a possibilidade de viver o espaço doméstico com relativa autonomia em termos de vivência acústica, não prejudicando vizinhos e familiares com os nossos ruídos e música e não sendo muito prejudicados por eles pelas mesma razões, e diz-se relativamente, mas poderia dizer-se absolutamente, em termos de determinados espaços onde possa ser realmente possível ouvir música alto ou trabalhar sem limitações de ruído pela noite fora; e engana-se quem acha ser de pouca importância o fator do silêncio no quadro mais amplo da essencial privacidade doméstica e entre vizinhos do mesmo edifício ou de edifícios próximos; e está, por exemplo, provado que a falta de silêncio, que também se pode dizer falta de isolamento e conforto acústico, é aspeto que produz problemas graves e/ou frequentes entre vizinhos e habitantes das mesmas unidades de uso (por exemplo, habitações e escritórios) e dos mesmos edifícios, podendo chegar a más influências na respetiva saúde física e psíquica, e indiretamente no bem-estar social dos respetivos edifícios e vizinhanças.

         E será, aqui, estratégico referir que para o desenvolvimento, atualmente tão estimulante e necessário, de vizinhanças e edifícios funcionalmente mistos (ex., incluindo habitação, escritórios e lojas conviviais) é de grande importância o objetivo específico no sentido de se poderem gozar excelentes condições de isolamento sonoro nessas unidades, sejam quais forem as suas contiguidades e continuidades.

          Ainda nessa matéria da associação entre silêncio, intimidade e urbanidade, é, por outro lado, necessário referir que ao nível do espaço urbano também a quietude e o sossego são sinónimos de bem-estar, de proteção, de uma certa intimidade e apropriação positiva das vizinhanças que habitamos, e se referem ao desenvolvimento de espaços urbanos que articulam zonas animadas e até, eventual e razoavelmente ruidosas, com recintos urbanos estrategicamente localizados e marcados pelo sossego e pela acalmia do tráfego, recintos estes frequentemente caraterizados por uma expressiva componente verde e natural, ainda que muito urbana, e que entre outros aspetos nos proporciona viver mais intensa e prolongadamente o exterior e quase a natureza à porta de casa, de certa forma prolongando usos domésticos sobre partes desse exterior e permitindo que esse exterior calmo e envolvente, e mesmo esse silêncio que, de certa forma, "se ouve",  preencha os vãos das nossas habitações e nos entre agradavelmente casa dentro.

            Falou-se, assim, um pouco do silêncio como fator de projeto de arquitectura, algo óbvio mas raramente lembrado; depois do silêncio natural ou da natureza como elemento com importância própria e associada ao projeto de arquitetura; e, finalmente, do silêncio como veículo de intimidade e de urbanidade

 

Fig. 03: no Centro Histórico de Guimarães.

Sobre o silêncio como verdadeira matéria ou motivo de Arquitectura           

            Falta falar de muita coisa, nesta temática do silêncio como base de preparação e de vital experimentação do espaço que se projecta e que, depois, se quer vivo, falta sempre falar de muita coisa, quando começamos a aprofundar estas matérias da conceção arquitectónica, e, designadamente, falta falar do silêncio como verdadeira matéria ou motivo da Arquitectura, sem derivações, sem relações indirectas, pois parece haver obras que capturam um positivo silêncio local, ou que criam um positivo quadro local de acalmia e de sossego, um remanso e um quadro que propiciam, naturalmente, a contemplação e a reflexão sobre essas obras e as suas paisagens pormenorizadas ou amplas de integração e enquadramento; e, indiretamente, tal introspeção acaba por ser catalisadora das mais diversas atividades privadas (ex., leitura, escrita e trabalho online) e de um estimulante e prolongado convívio limitado, assegurando-se, assim, condições para longas e intensas permanências no exterior de uso público.

 

Fig. 04: Casa Pacheco de Melo, Arq.º Pedro Maurício Borges, Canada dos Barões, S. Miguel.

 

Mas podemos sempre colocar, paralelemente a tais reflexões, a “velha” e boa questão da possibilidade de tal condição, de certa forma, geradora de um sossego local, de uma certa acalmia local, grande aliada da boa caraterização de cada obra e de cada local ser (também?) caraterística própria de toda a boa arquitectura? Reflexão que nos levará/levaria muito longe e para a qual o autor confessa ter reduzida habilitação teórica.

            Questões bem estimulantes, que talvez tenham sido, ou venham a ser, aqui tratadas e que se espera poder, pelo menos, aflorar em outras oportunidades.

Sobre o silêncio das ruínas

            No entanto não se poderia terminar esta reflexão sobre a privilegiada relação entre arquitetura e silêncio, sem falar, ainda que apenas um pouco, e mais como apontamento final e prospetivo, do silêncio das ruínas: um silêncio bem ligado àquelas construções reduzidas, “apenas”, aos seus conteúdos formais e mesmo estes já “estilizados” pelo abandono e pelo tempo; um silêncio quase palpável, que todos sentimos e que ,de certa forma, corresponde ao sentido de um silêncio que parece ser libertado pelas ruínas de edifícios e construções, quando estes iniciam o seu retorno ao caos natural originário.

            Lembrando a sequência de reflexão aqui feita será como imaginarmos que o silêncio, que usámos como meio integrador e caracterizador de uma da obra, e um pouco como ponte de ligação à sua envolvente natural e urbana, é devolvido ao seu quadro prévio local e natural.  

            Sobre esta matéria, parece que as ruínas acabam por resgatar o silêncio, de que tínhamos, nós, embebido algumas construções e espaços, devolvendo-o à natureza, associando o silêncio das construções abandonadas ao silêncio do meio natural.

            Evidentemente que a nostalgia e até a cenografia são também importantes aspetos nesta sensibilidade que todos temos para com as ruínas, por vezes até simuladas estrategicamente em jardins e espaços cenicamente naturalizados, mas por alguma razão até assim acontece e realmente as ruínas são verdadeiramente silenciosas; uma matéria interessante e estimulante, mas que, evidentemente, tem contornos bem negativos quando as ruínas ou quase-ruínas se referem a espaços urbanos abandonados e sem vida.

 

Fig. 05: ruínas perto de Melgaço.         

O silêncio na Arquitetura

            Assim se conclui, sempre provisoriamente, uma pequena e sempre preliminar viagem iniciada pela reflexão sobre o silêncio como base de preparação da obra de arquitectura, continuada por apontamentos das relações entre silêncio e meio natural e entre sossego, intimidade e urbanidade, apontada, depois, no realçar do papel do silêncio como matéria ou motivo da Arquitectura e, finalmente, em alguns apontamentos sobre as ruínas como quadros privilegiados de um silêncio arquitectónico fortemente caraterizado.

            Tentou-se, assim, abordar, o mundo emotivo do silêncio, em alguns dos seus aspetos, salientando-se a importância da interiorização e da reflexão sobre estas verdadeiras bases de reflexão sobre uma arquitectura que tem de estar, sempre, muito para além de simples cascas visuais mudas e sem carácter; e o silêncio, na sua calma e no seu remanso, é sempre rica base de conceção e essencial quadro de perceção de edifícios e espaços urbanos.


O presente artigo corresponde a uma nova versão, revista e aumentada, dos artigos publicados nos números 485 e 486 da Infohabitar, repetivamente, em 25 de maio e em 1 de junho de 2014.

 


Chamada de artigos para o novo número da revista

Gestão & Tecnologia de projetos:  Tecnologias Digitais e Cooperações Internacionais na Gestão do Patrimônio Cultural, Arquitetônico e Urbanístico


Caro(a) Sr(a) pesquisador(a)/investigador(a),

Revista Gestão & Tecnologia de projetos:  Tecnologias Digitais e Cooperações Internacionais na Gestão do Patrimônio Cultural, Arquitetônico e Urbanístico

Editor Convidado: Prof. Dr. Giacomo Pirazzoli- Università degli Studi di Firenze. Scuola di Architettura.

Editor GTP: Prof. Dr. Márcio M. Fabricio – Universidade de São Paulo. Instituto de Arquiteto e Urbanismo.

Esta chamada especial aborda o emprego de tecnologias digitais no campo do patrimônio, envolvendo ações nacionais ou cooperações internacionais, dentro dos seguintes temas:

  • Casos de cooperação internacional no campo das tecnologias digitais empregadas à documentação e gestão do patrimônio arquitetônico e urbanístico;
  • Levantamento com uso de técnicas fotogramétricas digitais, varredura a laser, luz estruturada ou outras técnicas digitais;
  • Aprendizado de Máquina e Interpretação de dados digitais do patrimônio arquitetônico;
  • Bancos de dados aplicados à documentação arquitetônica ao patrimônio cultural;
  • Fabricação digital aplicada ao patrimônio cultural.
  • Integração de sistemas de captura de imagens terrestres e aéreas;
  • Internet das Coisas (IoT) aplicado ao patrimônio arquitetônico e urbanístico;
  • Métodos para processamento automatizado de fotografias;
  • Modelagem da Informação da Construção em edifícios históricos (HBIM);
  • Modelagem paramétrica aplicada ao patrimônio arquitetônico e aos centros históricos;
  • Plataformas Unificadas de Gestão da Manutenção de patrimônio arquitetônico e urbanístico;
  • Processamento e segmentação de nuvens de pontos;
  • Reconstruções digitais de edificações de interesse histórico-cultural.
  • Registros digitais de patologias construtivas;
  • Sistemas de Gestão de Legado do Patrimônio Cultural ou Heritage Information Systems (HIS);
  • Tecnologias imersivas, Realidade Aumentada e Realidade Virtual. 

CCaracterísticas dos Trabalhos:

Serão avaliados manuscritos originais redigidos em português ou inglês. As regras de submissão e formatação de manuscrito estão disponíveis pelo link: http://www.revistas.usp.br/gestaodeprojetos/information/authors

Cronograma:

  • Lançamento da Chamada: 25 fevereiro de 2020;
  • Prazo para submissão de trabalhos: até 10 de setembro de 2020;
  • Prazo máximo para avaliação preliminar pelos editores e distribuição para revisores: 30 de setembro de 2020;
  • Prazo para retorno aos autores com o resultado da primeira rodada de avaliação: 15 outubro de 2020;
  • Prazo máximo para os autores submeterem versão revisada, caso seja demandado pelos revisores: 15 novembro de 2020;
  • Prazo para retorno aos autores com o resultado da segunda rodada de avaliação: 15 dezembro de 2020;
  • Prazo par eventuais ajustes de formatação pelos autores: 20 de janeiro de 2021;
  • Publicação: fevereiro de 2021.

Muito Obrigado.

Atenciosamente,

Márcio Minto FABRICIO

Professor

Instituto de Arquitetura e Urbanismo

Universidade de Sao Paulo

 Editor da Revista:

Gestão & Tecnologia de Projetos
http://www.revistas.usp.br/gestaodeprojetos


Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 739

 

Notas sobre a importância do silêncio na Arquitectura – Infohabitar # 739

 

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

 

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Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).