segunda-feira, março 21, 2005

Da minha janela vejo o mundo e reconheço o meu olhar - Infohabitar 18

 - Infohabitar 18



segue-se um texto da arquitecta paisagista Celeste d'Oliveira Ramos

Da minha janela vejo o mundo e reconheço o meu olhar 


A RUA é a rainha do espaço urbanizado e é património do peão

Calcorrear a rua atravessando o espaço definido pela sucessão das fachadas que se exibem contando a sua arte, o tempo que trabalhou as pedras de que são feitas, o tipo de homem que as desenhou, permite desenrolar perante o olhar uma espécie de filme com uma história e um enredo de formas, de materiais, de funções, de objectos singulares sinalando posições específicas, de esquinas revelando outros caminhos, como uma carta geográfica enriquecida pela presença dos “habitantes” de pedra por vezes rendilhada, de azulejo, de ferro forjado, de vidros e de vitrais, de cores, trabalhando e desdobrando a luz, entretendo o nosso olhar obrigando-nos a ser espectadores activos, críticos, contentes ou descontentes, ao percorrer o museu dinâmico que é qualquer espaço habitacional onde se aprende geografia e história, ecologia e sociologia, e artes, e vida, estampada nos rostos que por nós se cruzam

Caminhar ou deambular por um espaço histórico e cultural a contar a história do tempo e da arte dos homens

Rua, fachadas, esquinas, formas, volumes, luz e escuridão, envolvendo o todo e as partes, nos passeios, nos largos e jardins, e na árvore de sombra benfazeja, de copa volumosa com folhas e pássaros, inserindo a natureza viva dentro do habitar, ou sem folhas, escultura desnudada ainda dando a beleza, a escala da rua e do próprio homem e, ainda, o ritmo das estações do ano

Que bonita e fresca é a minha rua com árvores que dão flores e frutos, cores e perfumes, e me acordam para me obrigar a olhá-las mesmo que de relance porque vou com pressa a um qualquer lugar

Vou à minha vida atravessando este espaço de vida que a rua me obriga a compreender com todos os sentidos despertos, pelo que me deixa ver e consolar o meu próprio espírito, refrescando-me o corpo com a brisa que provoca, o ouvir dos pássaros que nela poisam, o excitar do olfacto com o perfume de suas flores, mesmo olhando para o chão que vou pisando desenhado e construído com as mãos inteligentes de carinho para embelezar o meu caminhar diminuindo a percepção do meu cansaço

A CASA, a habitação, isolada ou integrada num conjunto, é o abrigo do sol e da chuva, do frio e do calor, do olhar dos outros, do nosso cansaço e desespero, é ABRIGO e refúgio do que somos, do corpo e da alma

É a nossa caverna, o nosso buraco onde não queremos partilhar-nos com mais ninguém, a não ser com aqueles que pertencem ao nosso não querer viver connosco sós

Sendo um espaço fechado é no entanto o primeiro espaço de aprendizagem de vida colectiva com a família (e/ou amigos), o primeiro espaço cultural porque casa é mais do que o lugar de habitar porque é espaço onde acontece cultura

É a segunda pele que nos separa e distingue dos outros grupos-família, dos outros moradores de cada casa e de cada rua

Opostamente, os “homeless” são os que ou nunca encontraram esse abrigo, ou os que rejeitaram o que tiveram, ou até nunca tenham tido ou ainda, tendo tido, tudo lhes foi tirado e restou-lhes a rua da cidade

Da janela da minha casa vejo a RUA e as outras habitações e delas poderei pressupor parte do que se passa dentro

Vejo a chuva, vejo o céu e o sol que logo aparece, vejo a lua e as estrelas e os aviões a cruzarem os ares, e vejo as outras casas e também quem passa e se afadiga como se as janelas fossem os OLHOS da Casa

Da janela vejo o MUNDO, e à forma e dimensão desse espaço "vazio" de olhar o mundo, poderá ser acrescentada a qualidade que cada habitante, pessoalizando-a com as cortinas feitas por amor, ou vasos de flores, para que a natureza viva não se afaste do viver, e a minha janela poderá ser mais bonita do que a do vizinho

Não será a janela de uma Catedral, mas se o arquitecto que a desenhou tiver deixado espaço e forma, algo de pessoal se poderá acrescentar que diferencia e humaniza a rua que não será apenas uma sucessão de fachadas sem calor humano, algo que o arquitecto nunca poderá fazer, mas apenas sugerir, e permitir que aconteça, desenhando como quem desenha o sagrado, porque se trata de desenhar para a “vida” de cada um

Se a rua nas suas fachadas fala do tempo e do artífice que a desenhou e construiu prédio a prédio, a janela fala de quem lá vive, da sua alegria manifestada ou mesmo grau de pobreza

A janela que permite ver de dentro para fora tem igualmente essa dimensão de deixar ver o que ela reflecte

E até uma andorinha poderá ali poisar no parapeito na primavera e dar mais uma dimensão de vida do habitar

A janela separa do exterior mas não o elimina completamente – mostra vida de ambos os lados, comunica com a VIDA, dialoga com quem vive nele e por ela passa, e a olha

Abro a minha janela e deixo entrar o Sol e o vento, os perfumes da rua e os ruídos da vida dos homens acordados, quando a cidade se levanta

Esse diálogo da janela é também perceptido pela casa ou conjunto, relativamente ao local e forma como foi implantada, na natureza bruta, fazendo com ela um diálogo também de amor e inteligência ou, pelo contrário, desprezá-lo, ficando o local desmantelado sem ética ambiental, sem estética, desumanizado e destruído e a habitação desqualificada e o habitar penoso

A minha janela como o meu olhar

A minha RUA como a Vida do mundo dos Homens

Maria Celeste d'Oliveira Ramos
Lisboa 12 março 2005
14 fevereito 2005
Maria Celeste d'Oliveira Ramos
Engªsilvicultora
Arquitecta-Paisagista
Universidade Técnica de Lisboa


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Quercus apela ao fim do abate das florestas de carvalho - Infohabitar 17

 - Infohabitar 17

Segue-se um texto integral que me foi enviado por mail e cujo interesse dipensa mais comentários.

António Baptista Coelho
Encarnação, 21 de Março de 2005


Quercus apela ao fim do abate das florestas de carvalho


O Dia Mundial da Árvore, que hoje se comemora, levou os ambientalistas
Da Quercus a exigirem ao governo a protecção legal das florestas de carvalho, à semelhança do que já existe para os sobreiros e azinheiras.


"A lei não tem de ser tão restrita como a dos sobreiros e azinheiras.
Mas, de alguma forma, tem de se impedir o abate dos carvalhais", defendeu Domingos Patacho, da Quercus, em declarações à agência Lusa.

Este responsável justificou que os sobreiros e azinheiras, que estão
protegidos pelo decreto-lei 169/2001, representam cerca de 37 por cento
da área florestal portuguesa.

Os carvalhos autóctones constituem apenas quatro por cento da floresta
portuguesa e, por isso mesmo, devem ser protegidos, segundo Domingos
Patacho


"Estas áreas, muitas vezes de pequena dimensão, apresentam uma elevada
importância ecológica pela diversidade de vegetação e de fauna
silvestre que albergam", acrescentou.

Sem a protecção legal que se exige, os carvalhais portugueses vão
continuara ser destruídos sem que existam instrumentos minimamente adequados para travar o desaparecimento desta importante e singular floresta.

Assim, para além do sobreiro e da azinheira, os carvalhos mais raros
Devem também ser alvo de protecção legal, nomeadamente as espécies e habitats de reconhecido interesse comunitário para conservação.

Para a Quercus, as espécies e habitats que deviam merecer mais
protecção são os carvalhais-portugueses Quercus faginea - uma espécie considerada como uma relíquia da floresta portuguesa porque existe em reduzidas áreas no centro do país - e os carvalhais de Quercus robur e Quercus pyrenaica, no Norte de Portugal.

Domingos Patacho defende que estes carvalhais deverão ser protegidos
Através de um quadro legal simples e eficaz que permita acabar com as situações de abate sem qualquer parecer ou licença das entidades competentes.

Cerca de 38 por cento do território continental português é constituído
por área florestal, fundamental para a produção de oxigénio, a fixação de gases com efeito de estufa (dióxido de carbono), a protecção do solo e a manutenção do regime hídrico.

sábado, março 19, 2005

Sobre os fundamentais concursos de arquitectura urbana – um desabafo - Infohabitar 16

 - Infohabitar 16

Não se trata aqui de criticar o conceito nem o objectivo, que são muito meritórios; encontrar ideias sobre um tema tão importante hoje em dia, nas nossas cidades, como é o (re)ver o centro apostando em novas formas de requalificar e provavelmente regenerar partes fundamentais do centro da cidade, neste caso de Lisboa, dotando-as de aspectos que contribuam activamente para uma sua vivência que se aproxime das 24 h do dia (“formulação de propostas de revitalização da Baixa Pombalina a partir da Rua Augusta em Lisboa. Mantendo-se o edificado e trabalhando os espaços vazios entre os edifícios”) – e, já agora se divulga o respectivo “site” que é o www.tektonica.com.pt.
E vale a pena aqui dizer que a referência aqui feita a este último concurso que está a ser promovido com a designação Prémio Tektónica 05/rua 24h , é uma crítica que, sublinha-se, se aplica, infelizmente, a este concurso, tão potencialmente interessante, mas também a outros concursos de arquitectura.
E a crítica é que, na opinião de quem escreve este comentário, faz muito pouco sentido um calendário de concurso que se inicia com o seu anúncio a 1 de Março de 2005 e com a entrega dos trabalhos a 11 de Abril de 2005. Pessoalmente não entendo este calendário, nem no caso de se tratar de um concurso de ideias esquemáticas, quanto mais quando se refere que a apreciação terá em conta os seguintes critérios (que se citam): “qualidade global da proposta; ideia e conceito; inovação e resolução construtiva; capacidade de comunicação.”
Há matérias e oportunidades que parece merecerem um pouco mais de atenção, esta é a opinião que aqui se expressa; e afinal será que teria custado muito anteceder o prazo de anúncio, por exemplo, cerca de um mês, ou até de dois meses, considerando-se que não se trata de um concurso de obras feitas e que basta apresentar, mas sim de algo que tem de ser pensado e desenhado de raiz?

Lisboa, Olivais, 19 de Março de 2005

Júlio Marques

quarta-feira, março 16, 2005

Por uma cidade habitada - Infohabitar 15

 - Infohabitar 15

Na sequência do desenvolvimento do 1º Congresso de Habitação Social” promovido pelo Comité Português de Coordenação da Habitação Social (Cecodhas.P), em Tomar em 14 e 15 de Março de 2005, e que aí reuniu um impressionante número de participantes, provavelmente na casa das seis centenas, tema a que voltaremos provavelmente noutros textos do infohabitar, junta-se, em seguida, a parte final de uma das intervenções aí apresentadas sobre a temática do património.

Por uma cidade habitada

A cidade deve proporcionar um complemento funcional mas também um verdadeiro suplemento de alma ao habitante, tal como diz Jorge Silva Melo (num artigo saído no Jornal Público de 22 de Janeiro de 2005): “um café aqui, um apartamento em cima, a rua larga, o Tejo ao fundo, passeios, gente que se encontra, gente que se salva, que se reencontra …”
A cidade precisa da vitalidade da habitação, que precisa da vida citadina para que o habitante possa ter verdadeira qualidade de vida urbana. É assim que deve ser, e para tal temos de enfrentar, rapidamente, os actuais problemas de falta de vida urbana em determinados bairros e de falta de bairros vivos em determinadas zonas da cidade.

Neste sentido propõem-se cinco ideias fundamentais:

A primeira é que a cidade, para ser cativante e emocionante tem de ter bairros e conjuntos habitados, vivos e caracterizados, marcados por redes de vizinhança e sentimentos de pertença.

A segunda, é que em qualquer conjunto residencial, por mais pequeno que seja, deve ser configurada uma vizinhança de proximidade e bem ponderada a integração de equipamentos conviviais.

A terceira ideia é privilegiar a qualificação e o potencial de convívio do exterior residencial de proximidade, pois escadas, galerias, passeios, pracetas, lojas e cafés fazem parte do espaço residencial, enriquecendo-o e proporcionando até eventuais compensações. E sublinha-se que foi a vizinhança de proximidade que entrou em crise, seja no centro seja nas periferias da cidade.
E neste espaço publico das vizinhanças de proximidade há que ter atenção muito especial para com os grupos de habitantes mais jovens e mais idosos, que são os mais sensíveis mas também os mais activos no espaço público; e há que controlar os veículos, pois a cidade não foi feita para eles mas para as pessoas, os veículos devem ser elementos funcionais dinamizadores, e não intrusos geradores de insegurança.

A quarta ideia, que é fundamental, é associar, sistematicamente, a resolução dos problemas de carência habitacional à resolução dos problemas de falta de qualidade e de vitalidade urbanas. E isto faz-se através da introdução cuidadosa de conjuntos residenciais de interesse social que actuem como elementos duráveis, vitalizadores e enriquecedores dos respectivos contextos paisagísticos, funcionais, arquitectónicos e sociais, seja nos centros urbanos, seja nas periferias. E aqui fica clara a ligação directa e dinâmica que se propõe entre a promoção habitacional e a requalificação urbana.


No Bairro do Telheiro, S. Mamede de Infesta, num conjunto residencial de realojamento da Câmara Municipal de Matosinhos, projectado pelo Arq. Manuel Correia Fernandes, concretizou-se uma solução positivamente desenhada desde o nível urbano ao do pormenor, e que integra escala humana e urbana, adequação a quem aí habita e revitalização da zona envolvente.
A quinta e última ideia é dar a devida importância aos aspectos de qualidade arquitectónica e urbanística, considerando neles, especificamente, a integração do verde urbano, porque são aspectos fundamentais para a qualidade e felicidade do habitar, e, afinal, são aspectos que resultam de simples perguntas e respostas, tais como aquelas que em seguida servem de exemplo, referidas por Jorge Silva Melo ao pequeno conjunto comercial e residencial projectado por Chorão Ramalho para o Bairro do Restelo em Lisboa.

“Porque é que esta rua é tão humana? Porque é que a dimensão destes prédios, esta descida , tem esta luz? Porque é que esta rua é uma promessa, porque me promete ela uma cidade límpida, prática, espaçosa, calma, modesta, moderna, desinibida, visível, clara como a luz do dia,…?” Afinal não basta ordenar o espaço para se criar um ambiente interessante e motivador; o habitante também necessita de emoção na relação afectiva com o espaço urbano.

Concluindo, e citando Manuel Correia Fernandes, sublinha-se que “o modo mais natural de fazer cidade é (fazê-la) com habitação. Aliás. Cidade sem habitação não faz sentido. E quando faz, é certo estarmos a falar de cidades «únicas» e talvez nem sequer estejamos a falar da cidade dos homens. Não são essas cidades que agora nos interessam. As que nos interessam são as cidades onde vivem os homens e onde podemos ler a sua história.”

E temos de ter bem presente que “o problema da habitação se tornou o problema da cidade … um problema urbano, … de cidadania e político. Precisamos de mais arquitectura; mas, acima de tudo, precisamos de mais cidade.” (Luís Fernández-Galiano, no editorial “Vivienda sin ciudad”, saído há pouco tempo, no último número da revista espanhola “Arquitectura Viva”, centrado na temática “Piezas residenciales”)

Lisboa e Encarnação em 16 de Março de 2005

António Baptista Coelho


Redactor: José Romana Baptista Coelho
Posted by Hello

domingo, março 13, 2005

Habitação sem cidade - Infohabitar 14

 - Infohabitar 14

O grande interesse e a oportunidade do tema leva-me a traduzir algumas partes do editorial do Arq. Luis Fernández-Galiano, intitulado “Vivienda sin ciudad” e saído há pouco tempo, tal como é felizmente hábito, no excelente último número da revista espanhola “Arquitectura Viva”, centrado na temática “Piezas residenciales”, que desde já se recomenda a todos aqueles que se interessam por estas matérias do habitar, não sendo preciso, de todo, serem arquitectos, basta apreciarem belas soluções urbanas e residenciais; e atenção que há belas soluções urbanas e residenciais portuguesas do atelier Promontório, muito bem apresentadas nesta revista.

Lisboa, Encarnação, 13 de Março de 2005
António Baptista Coelho

Habitação sem cidade


“ O problema da habitação tornou-se o problema da cidade. Durante o século XX, a transformação urbana provocada pela mecanização da agricultura e os fluxos migratórios do campo para a cidade provocaram o chamado «problema da habitação»...No princípio do século XXI, e no contexto do mundo desenvolvido, o alojamento não é já uma preocupação quantitativa ou sanitária, mas sim qualitativa e ambiental: garantidas as dimensões mínimas, a ventilação eficaz e a saudável insolação, a habitação contemporânea padece de mediocridade visual, programas rotineiros e envolventes anoréxicas.
...
É inevitável pensar que , independentemente dos nossos desejos, a degradação formal da cidade contemporânea é uma representação fiel da deterioração do organismo colectivo: um tecido doente no qual a beleza singular de algumas peças de arquitectura produz um efeito tão patético como jóias num rosto consumido.
A habitação no é hoje um problema que precise de experimentações estéticas ou inovações estilísticas; é um problema urbano, da civitas ou da polis, o que quer dizer, um problema de cidadania e político. Precisamos de mais arquitectura; mas, acima de tudo, precisamos de mais cidade.

Luis Fernández-Galiano, em “Vivienda sin ciudad”, n.º 97 da revista “Arquitectura Viva”, p. 20.


Apenas como um primeiro comentário a este óptimo texto, que merece ser integralmente lido, e não entrando no cerne da questão, diz-se apenas que mesmo as matérias do conforto funcional e ambiental acima indicadas (dimensões mínimas, ventilação e insolação), consideradas como “dados adquiridos” não o são, infelizmente, entre nós. E por aqui me fico, prometendo voltar a esta temática.
ABC

quinta-feira, março 10, 2005

Sobre as novas ferrovias - Infohabitar 13

 - Infohabitar 13

Na passada segunda-feira tive o grato prazer de ler no jornal Público um artigo de F. Almeida e Castro, que não irei aqui, nem de longe, resumir, mas apenas salientar alguns aspectos:

A Espanha tem uma bitola diferente da europeia, mas na nova rede de Alta Velocidade (AV) vai deixar de a ter, ligando-se aos traçados europeus, enquanto nós parece que pretendemos instalar uns tais "mecanismos de geometria variável" para adaptar as ditas bitolas, e, quem sabe, depois de uns anos de serviço verificar que tais mecanismos (eixos telescópicos) acabam por ter uma prestação menos adequada, não imagino sequer com que tipo de consequências.

O aproveitamento da ligação Lisboa-Porto para a nossa rede de AV não parece levar em devida conta "os encargos com a loja aberta", nem como tão bem diz Almeida e Castro, que provavelmente a AV lisboa-Porto irá retirar apenas meia hora ao tempo de percurso que fariam os Pendulares já existentes, "se os deixassem correr" e dá vontade de perguntar qual o custo dessa meia hora e se mesmo com essa meia hora a mais, e julgo que com cerca de duas horas de pendular não será já este percurso vantajoso relativamente ao feito de avião.

Um terceiro aspecto que me mereceu atenção especial no citado artigo é a importância que teria/terá, espero, uma ligação, pelo menos dupla, e claramente assumida entre Lisboa e Porto, individualmente, e os respectivos traçados mais próximos do lado espanhol; digo pelo menos pois ainda chamo a atenção para a importância que teria a ligação também por Faro, quem sabe talvez noutro tipo de "velocidade" (mas não sou especialista, nem de longe).

Termino com uma clara recomendação para lerem o artigo dp Eng. Almeida e Castro intitulado

"A alta velocidade ferroviária espanhola e Portugal - falando sério sobre coisas sérias (fim)."


Gostaria, no entanto, de meter aqui mais uma colheradazinha pessoal, não sendo, nem de longe, especialista na matéria, a ideia que tenho é que um verdadeiro projecto de AV português, que, por um lado, sirva as nossas principais zonas urbanas e também, se possível (ainda que de forma indirecta se não puder ser directamente), as nossas zonas territoriais mais desfavorecidas (estou a pensar por exemplo da Beira Interior e de Trás-os-Montes) e que proporcione ligações ibéricas e europeias funcionais e estimulantes pode ser um projecto verdadeiramente estruturante para o País, ligando-o "finalmente" a uma nova europa das culturas e da diversidade. E termino novamente com uma referência ao artigo citado quando refere que parece que não estamos interessados numa verdadeira rede de AV.
Imaginem apenas as potencialidades que teriam/espero terão ligações múltiplas de vários pólos do País através de Espanha e além Pirenéus, sobre carris, suavemente, em Alta Velocidade, deslocando-nos entre centros de cidades históricas; julgo que será "o verdadeiro sal" das enormes potencialidades do turismo europeu, só espero que então Portugal não continue a estar impossivelmente distante.

2005 - 03 - 10, Lisboa, Olivais,

Júlio Marques

quarta-feira, março 09, 2005

Dos bairros do crime ao verdadeiro problema da habitação - Infohabitar 12

 - Infohabitar 12

Sob o título “bairros de crime”

no Correio da Manhã de domingo passado, 6 de Março de 2005,o jornalista Henrique Machado traz-nos uma lista do que será uma espécie de roteiro dos “bairros sem ordem” que “fazem lembrar territórios sem lei, onde mandam os senhores do crime que trazem em pânico moradores que ainda resistem à marginalidade.”
A lista é significativa (de sul para norte): Palácio, Portimão; Bela Vista, arredores de Setúbal; Vale da Amoreira, Baixa da Banheira; Pica-pau Amarelo no Monte da Caparica, Almada; Zambujal em Alfragide, Amadora; Estrela de África e Venda Nova, Amadora; Cova da Moura nos arredores de Lisboa e várias zonas do grande bairro de Chelas (e provavelmente de outras zonas com elevados números de realojamentos/notar que este comentário entre parêntesis é meu) em Lisboa; Quintas do Mocho e da Fonte em Loures mas muito próximo de Lisboa; Ingote em Coimbra; Santiago em Aveiro; Paradinha em Viseu; e S. João de Deus e Aleixo no Porto.
Saindo do artigo este tema leva-nos muito longe e, para já, e eventualmente questionando a validade de algumas referências eventualmente não muito justas e a ausência de outras provavelmente bem devidas, aponto apenas que seria muito acertado realizar um estudo prático deste universo da nossa vergonha urbana e para ele tentar e aplicar, de forma expedita, as melhores receitas para lhes aumentar urgentemente a qualidade de vida e naturalmente lhes reduzir a insegurança e a intolerância.
E já agora tal estudo também ajudaria a não repetir os erros, como ainda vai acontecendo, embora menos frequentemente do que aconteceu, entre nós, no período entre o início dos anos 70 e meados dos anos 80.
Fica ainda uma reflexão urgente sobre quantos desses conjuntos têm dimensão excessiva, tipos de edifícios pouco adequados aos seus moradores, espaços públicos pouco acabados ou mesmo quase inexistentes, e deficientes condições de ligação à cidade, seja por reduzida continuidade urbana, seja por reduzido serviço de transportes públicos. E tudo isto é essencial para que a cidade se faça com habitação, como se tem de fazer.
E concluo com duas frases de um sábio colega espanhol, o arq. Luís Fernandez-Galiano:
“O problema da habitação tornou-se o problema da cidade”.
“A habitação ... é um problema urbano, da civitas ou da polis, isto quer dizer, de cidadania e político. Precisamos de mais arquitectura; mas acima de tudo precisamos de mais cidade.”

Lisboa, Encarnação, 09 de Março de 2005
ABC

sexta-feira, março 04, 2005

Onde acaba a identidade e começa o turismo? - Infohabitar 11

 - Infohabitar 11

Onde acaba a identidade e começa o turismo?

(a propósito de um artigo de Bruno Alves no Público de 4 de Março)

No âmbito da actividade do Grupo Habitar no respectivo blog infohabitar, salienta-se a questão acima referida, apontada pela Vereadora da Cultura de Cascais, Ana Justino, no II Fórum Ibérico sobre Centros Históricos, realizado a 3 de Março no Centro Cultural de Cascais (três dias de debate).
Onde acaba a identidade e começa o turismo?
E sobre esta questão cita-se José Noras, Secretário-geral da Associação Portuguesa de Municípios com Centro Histórico, quando disse que “o viajante não é um turista e ao viajante interessa particularmente a imagem de uma cidade desaparecida” (relembrando palavras de José Saramago em “Viagem a Portugal”) e sublinhou a importância da preservação de “toda uma memória.”
Sobre estas matérias gostaria de deixar aqui a seguinte reflexão em duas “partes”:
Parece ser fundamental articular um verdadeiro ordenamento do território com o desenvolvimento de uma actividade turística consistente e com futuro, não deveria ser possível “sofrer” certos tipos de percursos, perfeitamente destruídos na sua imagem e ambiente, para depois e finalmente se chegar a um local “turístico” e digno de atenção e fruição, esta não é a maneira certa de se dinamizar uma actividade que é provavelmente essencial para a nossa economia e, acima de tudo, para a nossa cultura e memória.
Parece ser possível e desejável reduzir a distinção entre espaço de viver e espaço de turismo, provavelmente o habitar do dia-a-dia ganha com algumas técnicas ligadas ao turismo, enquanto o turismo pode ganhar muito com alguma da qualidade espontânea e com o sentir e participar (d)a vida de comunidades residenciais positivamente caracterizadas e activas, e exemplo disto encontra-se, entre outros “centros”, no centro histórico de Guimarães.

Lisboa, Encarnação, 4 de Março de 2005

António Baptista Coelho

segunda-feira, fevereiro 28, 2005

5 passos simples para juntar um comentário - Infohabitar 10

 - Infohabitar 10

5 passos simples para juntar um comentário:


Aos leitores.
Segue-se uma tentativa de tornar o comentário de um dado texto do blog, que é simples, mais simples, em 5 passos.

Depois de, naturalmente, ler o texto que se deseja comentar:

1.º no final desse texto há uma pequena barra:
posted by Fulano BeltranoSicrano @ 17:03 0 comments
isto quer dizer que o texto foi escrito por “Fulano Beltrano” às 17:03 (horas) e que neste caso ainda ninguém o comentou; conforme haja comentários o número vai subindo

2.º clicar com o botão esquerdo do rato sobre o comments

3.º aparece uma janela pequena com o título “Leave your comment: aí dentro da janela que está em branco escreva o que desejar (o seu comentário ou crítica ou reflexão a propósito) e assine se quiser, logo a seguir, no próprio texto, como faz normalmente numa carta.

4.º Em baixo e logo a seguir à janela onde acabou de escrever há o seguinte título “Choose an identity”; aqui há várias possibilidades, mas a mais simples é clicar, outra vez com o botão esquerdo do rato no botão com o título “anonymous” e afinal já assinou antes o seu texto
.
5.º só falta clicar outra vez com o botão esquerdo do rato no título “Login and Publish

E pronto, volte ao infohabitar.blogspot.com e faça ao cimo da página o “refresh” ou as “setinhas azuis” que se referem ao actualizar da página e poderá ler o seu próprio comentário, naturalmente, quando por baixo do texto que comentou voltar a carregar no seu já conhecido botão botão 1 comments (caso não houvesse nenhum comentário antes agora está contabilizado o seu).

Há outras formas com palavra chave, etc., mas julgo que esta é extremamente simples.
Esta “instruções” são para todos os leitores, mas volto a referir que os membros do Grupo Habitar podem enviar-me um mail ou falarem comigo, enviando-me as suas referências em termos de: nomes a publicar (ex., 3 palavras); user name (o que queiram sem espaços) e palavra chave (6 dígitos no mínimo); eu farei o registo e contactarei a dizer que podem editar textos, o que acaba por ser tão ou mesmo mais fácil do que comentar.

Sugere-se que a primeira vez seja facilitada mediante a impressão prévia deste texto.

Saudações respeitosas

Encarnação, 28 de Fevereiro de 2005

ABCoelho

Sobre as cidades e os idosos - Infohabitar 9

 - Infohabitar 9

Sobre as cidades e os idosos


Este pequeno comentário vai no sequência de um estudo publicado num jornal durante o fim de semana e que chama a atenção para o número de idosos que constituem, hoje em dia, a população das zonas mais centrais das nossas cidades; e nestes para o elevado número de pessoas que vive só.
É uma situação que se traduz em problemas para os próprios e problemas para a cidade, designadamente em questões de falta de segurança na vida diária, especialmente nas alturas em que a cidade central se esvazia e, também, numa cada vez maior falta de segurança nas ruas que a partir de certa hora ficam desabitadas.
Não é aqui o lugar nem tenho qualquer tipo de respostas mais ou menos miraculosas para esta complexa situação; a ideia é aqui apenas sublinhar fortemente o problema que se está a avolumar para nós todos, idosos e Deus queira futuros idosos, e para a cidade e que afinal somos também todos nós.
É um tema fundamental que merece não só reflexão urgente e aprofundada, mas também acção apropriada e estratégica, em termos de revitalização urbana, e reforço das acções de apoio aos cidadãos seniores que aí/aqui vivem, pois afinal a cidade também é deles e são eles provavelmente os principais dinamizadores dos espaços públicos urbanos, podem sê-lo ainda mais com vantagens para todos.

ABCoelho

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

HABITARTE 1 - Infohabitar 8

 - Infohabitar 8

HABITARTE 1
Inaugura-se esta “coluna” informal sobre arte, no Infohabitar com a sugestão para passar algumas excelentes horas descontraídas, num final de semana, entre a sede da Gulbenkian e o respectivo Centro de Arte Moderna.
Na sede há uma belíssima exposição de artistas africanos e, julgo que ainda, uma interessante exposição de fotografias de máscaras africanas.
No CAM há duas óptimas exposições de desenhos, uma de Ana Hatherly e outra de Milly Possoz, e julgo que, recém inaugurada, uma excelente exposição de pintura e desenho de Manuel Botelho; esta não vi ainda mas o artigo no Público de 24 de Fevereiro promete.
Naturalmente entre umas e outras exposições temos o sempre excepcional parque da Gulbenkian, que foi há pouco tempo renovado por Ribeiro Telles.

ABC

O conjunto de habitações sociais do Monte de São João - Infohabitar 7

 - Infohabitar 7


O conjunto de habitações sociais do Monte de São João

um texto de análise de Duarte Nuno Simões


Introdução ao texto de Duarte Nuno Simões
Edita-se, em seguida um texto de análise elaborado pelo Arq. Duarte Nuno Simões sobre o conjunto habitacional promovido pela Câmara Municipal do Porto no Monte de São João, Paranhos, Porto, projectado pelos Arquitectos Rui Almeida e Filipe Oliveira Dias, e que foi Prémio do Instituto Nacional de Habitação de Promoção Municipal em 2004.
Sublinha-se que a verdadeira leitura desta análise só ficará completa com a visita a este conjunto de realojamento, visita esta que vivamente se recomenda, no entanto o texto incide seja sobre vários aspectos da desejável “fusão” entre a qualidade arquitectónica e a qualidade residencial, seja sobre os modos que podem e devem ser seguidos para um melhor conhecimento das obras arquitectónicas e residenciais, seja também sobre importantes aspectos elementares do próprio desenho da arquitectura urbana; e sobre todos estes aspectos é muito rico o texto que se segue, com o os qual todos ganharemos a partir de uma leitura e reflexão cuidadas.
António Baptista Coelho


O conjunto de habitações sociais do Monte de São João, ultrapassadas as primeiras impressões de claro agrado, revela uma grande coerência quanto aos objectivos que parece terem norteado os seus autores.
Como todas as obras de qualidade o conjunto não revela de imediato os seus “segredos”, antes apela ao nosso interesse em descobri-los, ou seja, de aceitar o jogo de desvendar o que, estando patente, não podemos de imediato, conscientemente, ver…
Da arquitectura deste conjunto dir-se-á que recusa o auto-comprazimento pela forma como fim último e seu principal objectivo. Aqui a arquitectura assume a sua condição mais nobre de espaço da vida dos homens , onde o livre espraiar dos afectos e da solidariedade entre vizinhos será possível. Tal como foi concebido este conjunto não se fecha autisticamente sobre si próprio, antes estimula o encontro, a troca, a convivência dos moradores não podendo prescindir, também, do interesse pelos valores formais, aqui postos ao serviço de uma proposta que assume, deliberadamente, a construção do espaço dos homens, sua finalidade última e imprescindível.
Então a que valores formais me refiro?
Antes de mais à escala do conjunto, à clareza da imagem proposta, ao tratamento dado à praça interna, mas também à simplicidade dos elementos arquitecturais, independentemente da sua importância e à existência de funções complementares integradas no conjunto edificado.
A recusa do modelo do grande bloco em altura, parede intransponível, objecto-obstáculo no qual as pessoas, os moradores, tendem a isolar-se umas das outras, originou um conjunto cujos elementos se desmultiplicaram em vários volumes, articulados em “três blocos que parecem oito”, como dizem os seus autores. Estes ao desconstruirem o modelo do grande bloco, propõem-nos um conjunto à nossa escala, uma arquitectura surpreendentemente jovem e afável. “Três blocos que parecem oito” testemunha a consciência da importância e do empenhamento dos seus autores de resolverem o problema da escala do conjunto, tomado o homem como referência, assumindo também conscientemente a continuidade da memória da cidade feita de edifícios que, sucessivamente, se encostam a outros edifícios, dando origem a praças e ruas.
Refira-se também a clareza com que o conjunto se apresenta a quem desprevenidamente o veja: oito blocos que afinal não são senão três e que determinam e abraçam uma praça interna, organizada em dois níveis principais, tema originador de grande parte da riqueza espacial do conjunto, caracterizado por uma aparente e deliberada simplicidade dos elementos vários que o compõem.
Cada um dos três blocos é servido por uma escada e um elevador e tem, em cada piso, uma galeria coberta que dá acesso a quatro fogos. Ora, a opção pelo uso de galerias não é inocente: é que as galerias acrescentam à sua função imediata de acesso às habitações, aquela outra de se constituírem como elementos de animação, de sinal de vida do conjunto e também como espaços de transição entre os interiores das habitações, quadro da privacidade das famílias e a praça interna quadro possível das mais variadas formas de sociabilidade dos habitantes.
Por isso, pelo discreto e imprevisível espectáculo que as galerias podem suscitar, as suas guardas não se constituíram como defesas opacas, antes protecções que assumem a transparência garantida pelos painéis de rede metálica.
A praça interna, evolução dos antigos logradouros privados dos quarteirões urbanos tornada aqui espaço comum, é um dos elementos que melhor caracterizam, conceptual e formalmente, o conjunto do Monte de São João. De facto, a praça tem todas as condições para estimular e servir de suporte a modos de conviviabilidade entre os habitantes e até entre estes e os habitantes das proximidades. Pense-se como as crianças poderão usar a praça em segurança para os seus jogos e nos contactos que elas induzirão entre os adultos seus familiares!
Outra das características do conjunto corresponde à simplicidade do desenho dos seus elementos mais significantes como sejam as janelas, as guardas das galerias, os óculos que iluminam e assinalam as escadas, a elegância das entradas dos três blocos, a organização dos vários elementos que integram a praça interna e, ainda, o desenho das entradas de luz da garagem colectiva, sem esquecer o cuidado posto na pormenorização dos interiores dos 55 fogos e dos vários equipamentos que integram o conjunto: um ATL, a sede da associação de moradores e da administração do conjunto e três fracções comerciais.
Não gostaria, também, de deixar em claro dois aspectos que considero muito significativos da minúcia e cuidado com que este conjunto foi projectado e realizado. Um, as paredes de fundo das galerias, pintadas cada uma com sua cor pastel, criam uma referência facilmente apreensível sem prejuízo da unidade do conjunto. O outro, a ligeira inclinação, que as afasta de um aparente paralelismo, das paredes dos corpos avançados que rematam os dois blocos e que assinalam a articulação entre os níveis da praça interna: não sendo paralelas, como parecem, as referidas paredes reforçam a continuidade da praça, delimitada e definida pelas frentes que sobre ela abrem, sendo assim a unidade do conjunto salvaguardada e reforçada.
Tudo aqui transmite-nos uma sensação tão evidente de agrado que um esforço de análise mais apurado do que o que tentei pode parecer inútil ou mesmo fastidioso. No fundo ele não vai acrescentar grande coisa ao prazer sentido: tenho presente a reacção de pessoas tão diferentes de formação e, até, de geração como a dos elementos do Júri do Prémio INH 2004 que não se eximiram a espontaneamente manifestar o seu agrado pelas características observadas deste conjunto de habitações sociais.
Toda a verdadeira arquitectura – a verdadeira, aquela que não só parece, mas que é – é um labirinto, convite não só à curiosidade mas à necessidade da descoberta. E o visitante, qual novo Teseu a quem Ariana deu outra vez o prudente fio, poderá encontrar o caminho da saída, daquilo que, escondido, se encontra bem à vista: o caminho de um maior entendimento.
A arquitectura não pode prescindir da sensibilidade nem da inteligência de quem a imagina. Mas uma e outra têm que ser acrescentadas pelo talento. Só assim se garantirá a passagem de um nível honesto mas banal para o desejável grau superior da verdadeira arquitectura assumindo-se então a sua vocação de obra de arte, de contribuição cultural, de marca significante do tempo em que vivemos. Todas essas qualidades o conjunto do Monte de São João no-las revelou.
Lisboa, 06 de Setembro de 2004
Arq. Duarte Nuno Simões

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

1º Congresso de Habitação Social, sobre o tema geral "Habitação Social: que futuro? - Infohabitar 6

 - Infohabitar 6

Em Tomar, nos próximos dias 14 e 15 de Março de 2005, Segunda e Terça-feira, no Hotel dos Templários terá lugar o

1º Congresso de Habitação Social, sobre o tema geral "Habitação Social: que futuro?


O Congresso é organizado pelo CECODHAS.P - Comité Europeu de Coordenação da Habitação Social, com o inestimável trabalho do Vice-Presidente da Fenache, Dr. Barreiros Mateus, tem o Alto Patrocínio da Presidência da República e conta com o apoio de diversas instituições, com destaque para o Instituto Nacional de Habitação, o IGAPHE, a Federação nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE), a Gebalis (EM-CML)e o Instituto de Habitação da Madeira (IHM).
Entre os temas a tratar e os técnicos e personalidades que irão participar nos trabalhos salientam-se os seguintes:

Abertura: Presidente do CECODHAS.P, Dr. António Paiva/Presidente CM Tomar, Senhor Primeiro-Ministro.

Habitação Social – stricto sensu ou lato sensu? - Vereadora Drª M. Helena Lopes da Costa/CML, Padre Vítor Melícias/União das Misericórdias Portuguesas, Dr. João Zbyszewski/IGAPHE.

Habitação Social - uma cada para a vida? (Prof. Sidónio Pardal, Dr. Edmundo Martinho U. Mutualidades Portuguesas).

Construção social ou guetização? - Arq. Elias Gonçalves, Eng. Fialho de Almeida/Espaço Municipal UPAL, Dr. Moura Carvalho/UPAL.

Acompanhamento Social: qual a proximidade necessária? -Doutora Maria João Freitas/ LNEC, Drª Graça Faria/F. Silva Leal, Dr.ª Zélia Amorim/Gebalis.

Financiamento à construção de Habitação Social - Dr. Jorge Morgado/INH, Dr. Francisco Silva/BPG, Eng. Costa Alemão/AFIImobiliário.

A conservação do edificado - Dr.ª M. Luz Rosinha/Presidente CMVFXira, Eng. José Coimbra/Cooperativa “As Sete Bicas”.

Gestão de conflitos na Habitação Social - Dr. Paulo Sousa/Bragahabit, Vereador Marco Almeida/CMSintra, Dr. Daniel Zaidan/Associação “Mediar”.

Gestão financeira, equilíbrio e solidez - Prof. Dr. Paulo Morais/CMPorto, Dr. Paulo Atouguia Aveiro/Investimentos Habitacionais da MadeiraIHM, Dr. José Mateus/Nova Habitação CooperativaNHC.

Discussão/workshop “Novos desafios da Habitação Social” - Eng. Vieira da Luz/EMGHA Cascais, Dr.ª Margarida Rodrigues/CML, Eng. José ferreira/EMHM Porto.

Qualidade residencial e sustentabilidade – neste tema serão realizadas intervenções sobre: "Para além do fogo - o bairro como um todo”, Arq. Luís de Castro, Gebalis; "A qualidade em cooperativa”, Guilherme Vilaverde/Presidente da FENACHE; "A cidade faz-se com habitação mas não basta habitação para fazer cidade", António Baptista Coelho LNEC/Grupo Habitar/NHC; intervenção do Prof. Vítor Abrantes/FEUP.

Boas práticas na intervenção social - Dr.ª Teresa Jambujo/Presidente CMOeiras, Dr. Pedro do Ó Ramos/INH, Dr. Manuel Correia/SCMFundão.

Administração financeira - Dr. José Calixto/HabÉvora, Dr. Bento Morais/SCMEspinho, Eng. Canto Moniz/FundaçãoDPedroV).

Nacional versus local: Qual o modelo? - Eng. Albuquerque Sousa/IGAPHE, M. Emília Sousa/Presidente CMAlmada, Eng. Macário Correia/Presidente CMTavira.

Conclusões e encerramento: Ministro da Habitação Social, Vice-presidente do CECODHAS; D. Maria José Ritta.

Nota-se que a organização refere haver ainda alguns oradores por confirmar.

Contactos:
eventos.org
Tlm 918 168 451
Fax 214 198 183

info@habitacaosocial.pt
www.habitacaosocial.pt

Será assim com certeza uma jornada com grande interesse, designadamente, pelo amplo leque de temáticas a tratar.

Faz-se notar que há alguns dias havia já cerca de 200 inscrições, o que promete muito para a participação na discussão de um conjunto tão motivador de temas sobre o habitar. Sendo assim não haverá tempo a perder para quem também quiser estar em Tomar.


António Baptista Coelho

Lisboa, Encarnação, 23 de Fevereiro de 2005


PS: faz-se notar que não será este o teor normal das intervenções escritas aqui no *infohabitar, *mas considerou-se que haveria todo o interesse em apoiar a divulgação desta iniciativa.

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Preparar a 3ª Assembleia Geral do GH e dinamizar a Associação - Infohabitar 5

 - Infohabitar 5

Caros colegas e amigos do Grupo Habitar

Nas vésperas da nossa 3ª Assembleia Geral, cuja localização e data serão em breve marcadas, é com satisfação que comunico a criação do nosso site, albergado no servidor do LNEC e que tem o seguinte endereço informático/designação (peço para respeitarem rigorosamente a grafia e designadamente as maiúsculas e minúsculas):
http://www-ext.lnec.pt/GH-APPQH/Site/index.htm


É também com grande satisfação que comunico a criação do blog do Grupo Habitar, que tem o seguinte endereço informático/designação:

http://infohabitar.blogspot.com

Do blog do Grupo Habitar acede-se facilmente ao nosso site.
Do site do Grupo Habitar é possível aceder facilmente ao nosso blog.


Sobre o site do Grupo Habitar apenas aqui se refere que ele servirá para a melhor divulgação da nossa “identidade” e das nossas actividades, podendo constituir assim uma ferramenta para um nosso crescimento seguro e cuidadoso.
O nosso site será actualizado sempre que possível, mas no mínimo acompanhando a evolução das nossas actividades.


Sobre o nosso blog, o http://infohabitar.blogspot.com
pretende-se naturalmente que ele venha a ser um meio de dinamização das nossas discussões sobre as matérias que nos propusemos e que estão nos nossos estatutos.

Relativamente ao modo de funcionar do http://infohabitar.blogspot.com
colocam-se as seguintes ideias:

O http://infohabitar.blogspot.com funcionará, de início, como uma folha informativa/mini-jornal, em que se pretende dar relevo sucinto e comentar notícias e matérias que diária e semanalmente se liguem às temáticas do GH.
Estas características de início de actividade do infohabitar serão naturalmente sujeitas a apreciação e discussão pela próxima Assembleia Geral, podendo vir a ser confirmadas ou alteradas.
Proponho-me como primeiro “redactor”, mas solicito que, na medida do possível, outros membros do GH avancem também para esta função.
Na prática o que se pretende é que haja uma espécie de “corpo redactorial” do infohabitar ao qual poderão pertencer todos os membros do Grupo Habitar: o processo a seguir para tal será oportunamente explicado, mas, na prática, deverá resumir-se a uma manifestação de intenção nesse sentido por parte do associado e dirigida ao meu mail abc@nec.pt, sequencialmente enviarei a esse associado as necessárias referências em termos de “chave” de entrada individual no infohabitar; a partir daqui o associado poderá inserir um texto no infohabitar sempre que o queira fazer.
Falámos dos “redactores”, mas sublinha-se que o grande interesse do infohabitar é que qualquer pessoa com acesso à Internet poderá ler os textos que os “redactores” aí colocaram e comentá-los também com textos assinados ou mesmo anónimos; daqui poderá surgir uma maior dinamização e mesmo visibilidade do GH.

Saudações amigas e estejam por favor com atenção à próxima marcação da nossa 3ª Assembleia Geral.

Em princípio, mas sujeito a confirmação, a 3ª Assembleia Geral do Grupo Habitar, será numa Sala, a definir, do Centro de Congressos do LNEC, em Lisboa, provavelmente no dia 29 de Março de 2005 (é uma Terça-feira).

A ideia é que de manhã seja realizada a 3.ª Assembleia Geral, seguindo-se um almoço muito informalmente organizado, entre quem queira almoçar em grupo, e da parte da tarde, mas acabando relativamente cedo, teremos uma Sessão técnica, também muito informal e que versará sobre temáticas ainda a definir, mas que serão +rovavelmente matérias ligadas à iluminação natural e/ou segurança contra incêndio na habitação. Naturalmente estas iniciativas são reservadas a membros do GH, já inscritos, ou inscritos no decurso da Assembleia Geral.

O dia, o nº da Sala e a hora serão muito proximamente confirmados via mail.

Saudações amigas,

Lisboa, Encarnação, 22 de Fevereiro de 2005

António Baptista Coelho

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Inauguração do INFOHABITAR - Infohabitar 4, 3, 2 e 1

 - Infohabitar 4, 3, 2 e 1

Este texto é apenas "uma linha" de início de uma folha informativa e potencial revista semanal, que se deseja com longa e útil vida. Saudações amigas aos companheiros do GH, bem hajam e não poupem os comentários.

Faz-se notar que anteriormente a esta primeira edição foram desenvolvidas três edições experimentais de que aqui se faz o registo/memória.

O editor da Infohabitar
António Baptista Coelho