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domingo, março 11, 2012

384 - Um país em envelhecimento - artigo de Paulo Machado e divulgação: de Sessão Técnica LNEC; e Visita Técnica e 12.ª Assembleia-geral do Grupo Habitar - Infohabitar 384

Infohabitar, Ano VIII, n.º 384

Nota editorial:
A presente edição do Infohabitar integra, sequencialmente:
(i) a pré-divulgação da 14.ª Visita Técnica do Grupo Habitar, em 23 de Março de 2012;
(ii) um artigo do Doutor Paulo Machado sobre as oportunas questões habitacionais ligadas ao nosso, bem conhecido, contexto de país envelhecido;
(iii) a divulgação de uma Sessão Técnica do LNEC sobre a mesma temática, em 29 de Março de 2012;
e (iv) a divulgação e convocatória da 12.ª Assembleia-geral do Grupo Habitar, que decorrerá em 30 de Março de 2012 em Matosinhos na Sede da Cooperativa de Habitação Económica As Sete Bicas.

Pré-divulgação da 14.ª Visita Técnica do GH - à Casa na Rua Humberto Sousa, 42, Montijo

Divulga-se a próxima Visita Técnica à intervenção de reabilitação de uma casa na Rua Humberto Sousa na Cidade do Montijo, obra realizada sob uma forte contenção orçamental, “através de um gesto cirúrgico que derivou de uma leitura atenta da morfologia urbana do Bairro dos Pescadores”; projecto e obra coordenados pelo Arq.º Paulo Tormenta Pinto.
Esta iniciativa do GH corresponderá à sua 14.ª Visita Técnica, e os interessados ficam, desde já convocados, para o encontro no n.º 42 da Rua Humberto Sousa, perto da zona centra do Montijo, pelas 11h 30 min. da Sexta-feira dia 23 de Março de 2012.
Por uma questão de organização solicita-se que os interessados comuniquem com o editor do Infohabitar para o seu mail ou para o seu tel. 914631004.
Mais elementos sobre esta visita e um artigo referido ao enquadramento desta intervenção, integrarão a edição n.º 385 do Infohabitar, que estará disponível no final da tarde de Domingo dia 18 de Março.

Com as melhores saudações

António Baptista Coelho
Editor do Infohabitar
abc@lnec.pt


Questões habitacionais num país em envelhecimento
Paulo Machado
Sociólogo. Investigador Auxiliar do LNEC
pmachado@lnec.pt

Num quadro de profundas transformações demográficas, sociais, culturais, políticas e económicas, as cidades, as vilas e as aldeias portuguesas acordam, a cada dia que passa, mais envelhecidas.

Causa e efeito dessas mesmas transformações, o envelhecimento populacional não surpreende mas faz pensar sobre:

• A sustentabilidade dos aglomerados humanos num contexto de acelerado esgotamento intergeracional,

• A capacidade de corresponder à satisfação das exigências técnicas (mais ligadas ao edifício e ao fogo), funcionais (de segurança, de mobilidade, de acessibilidade aos bens e serviços) e avaliativas (qualidade de vida auto-percecionada) dos idosos,

• A humanização possível desses aglomerados humanos que (deverão ser sempre entendidos) como património cultural.

Com efeito, numa sociedade com um acentuado envelhecimento populacional e que defende valores humanistas, as questões habitacionais não se colocam apenas em termos quantitativos, mas também qualitativos.

A dimensão quantitativa pode ser precioso auxiliar da ação institucional orientada para a satisfação das necessidades sociais de bem-estar e para a supressão de carências e correção de assimetrias. Mas a dimensão qualitativa não é menos importante e pode, sob determinadas condições, qualificar essa mesma ação institucional. Com efeito, de que vale quantificar necessidades se não soubermos agir sobre elas, erradicando-as e/ou minimizando os seus custos sociais e humanos? E que motivo outro poderá existir na qualificação das respostas técnicas institucionais que não seja o de dar resposta às necessidades captadas no diagnóstico?

Estas interrogações fazem parte de um conjunto mais vasto de questões habitacionais num país em envelhecimento. Simplificadamente, vejamos algumas delas:

1. O envelhecimento demográfico como condição do presente que se projeta no futuro coletivo de médio e longo prazo

Os fenómenos demográficos têm duas caraterísticas: são razoavelmente previsíveis (dentro de cenários tendenciais estáveis) e muito dificilmente irreversíveis (por força da inércia própria da mudança demográfica).

Em finais de 2011, a publicação dos dados provisórios do XII Recenseamento Geral da População trouxe a confirmação métrica do que sabíamos: o País continua a envelhecer, e a ritmo acelerado. Os dados são impressivos:

• 14 freguesias do País não têm um único residente com menos de 15 anos;


[imagem 1]

• 176 freguesias apresentam um Índice de Envelhecimento (IE = idosos/jovens) superior a 1000% (isto é, por cada 100 jovens residentes existem, pelo menos, 1000 idosos) (1);

• Apenas 1 em cada 5 freguesias apresenta um IE igual ou inferior a 100 (ou seja, residem o mesmo número de velhos e jovens, ou mais jovens do que velhos);

Falamos de um País com mais de 2 milhões de pessoas residentes em 2011 com pelo menos 65 anos de idade, quando no início do século XXI (no ano de 2001) eram apenas 1,7 milhões e dez anos antes (em 1991) cerca de 1,3 milhões.

No que respeita à composição das unidades familiares com quem estes 2 milhões de idosos vivem, os valores são igualmente impressivos:

• 400 mil idosos vivem sós e quase outros tantos com pessoas também idosas, revelando uma fratura geracional dentro de casa que nunca teve idêntica expressão;

• Apenas 59% dos idosos vive em alojamentos com outras pessoas não idosas;

• Cerca de 80 mil idosos vivem institucionalizados.

Se quisermos observar o cenário da residencialidade (com quem se vive) dos mais velhos a uma escala mais fina, posto que esse procedimento põe em evidência uma acentuada heterogeneidade nacional, verificamos que:

• Em cerca de 120 freguesias do País, pelo menos 1 em cada 3 idosos vivia só ou com alguém da sua idade;

• Em Lisboa (em freguesias como St.ª Maria dos Olivais, Benfica, São Domingos de Benfica), em Sintra (Algueirão-Mem Martins), Cascais (São Domingos de Rana), Oeiras (São Julião da Barra), Porto (Paranhos), e em Setúbal (São Sebastião) em todas estas freguesias residiam em 2011 mais de 1500 idosos vivendo sós;

• Se o critério da análise se estender às unidades domésticas só com idosos, o fenómeno do isolamento geracional ganha uma amplitude nova: em mais de 730 freguesias, espalhadas um pouco por todo o País, pelo menos metade dos idosos residentes vivem com alguém da sua idade.

Os dados das projeções existentes para os próximos anos não permitem vislumbrar outra realidade demográfica que não seja a de um envelhecimento crescente da sociedade portuguesa. Em 2020, o IE projetado é de 149 idosos por 100 jovens, mas em 2030 o valor deste índice ultrapassará os 194. Qualquer um destes valores reporta-se ao cenário central, que não é, de todo, o mais pessimista.

2. População idosa residente, as suas condições habitacionais e as respetivas implicações para as políticas sociais (de habitação)

Existe um efeito biunívoco entre o envelhecimento demográfico das cidades e as políticas urbanas (OCDE, 1992; 2001). São hoje muitos os governos nacionais e locais que procuram suster o fenómeno da segregação demográfica, através da criação de incentivos para a fixação de populações mais jovens nos bairros antigos ou em zonas de desertificação humana acentuada. Fenómenos como a gentrification podem ser analisados não apenas pela lógica do mercado habitacional, mas também como resultado de uma intervenção política direta, designadamente quando esta cria, através da reabilitação, outras condições de fixação, mais aliciantes face aos padrões culturais dos "novos residentes" (Firmino da Costa, 1991). Colocam-se, todavia, questões pertinentes relacionadas com a coexistência de "ilhas de velhos residentes", e da sua adaptação aos cenários comportamentais reabilitados. Em meio rural, a questão do envelhecimento e da sua acentuação no território já não permite equacionar a existência de ilhas, mas sim de um quasi continuum.

Por outro lado, as políticas urbanas procuram dar resposta ao que equacionam como condições habitacionais críticas através de uma intervenção mais ligada, como já referimos, à manutenção dos fogos, seja através de incentivos financeiros aos proprietários, seja coercivamente (em situações definidas na lei, exigindo a realização de obras ou a demolição), seja através de uma intervenção direta (no próprio património público). Estas experiências não têm sido objeto de uma sistematização e de uma reflexão crítica, e muito menos de uma conceptualização acerca do (re)fazer cidade para uma população idosa. Mas é uma conceptualização pertinente e atual, em face de uma nova geração de políticas sociais que privilegia a permanência do idoso no seu quadro de vida habitual (aging in place), embora pouco se tenha investido no conhecimento da gerontopia (o lugar onde se envelhece).

Neste domínio de análise, em que se procura estabelecer a relação entre as condições de vida das populações idosas, os níveis de exigência funcional do edificado para este grupo social e as respostas políticas e sócio-técnicas propostas pelos poderes, assume particular importância a consideração do estatuto da pessoa idosa na própria conceção do habitat que a ela se destina, e não tanto apenas a gestão da sua vida quotidiana nesse mesmo habitat.



[imagem 2]

Assim, parece pertinente entender a conceção como o processo através do qual são definidos e operacionalizados os espaços de habitar em função dos modos de perceção, de interpretação, de uso, e de transformação que aí se desenvolvem (Sechet, 1989). Há neste domínio um vasto campo a explorar, apesar dos avanços importantes que se têm registado, designadamente em relação à avaliação dos construtos inerentes à avaliação da qualidade da habitação (Baptista Coelho, 1993).

A prioridade concedida à utilização do espaço doméstico como locus privilegiado para o envelhecimento humano reveste-se de um valor simbólico muito ligado à etimologia da palavra lar, e tem vindo a ser identificada pelo discurso político e técnico como a primeira das opções em termos do espaço de habitar das pessoas idosas (Heywood et al., 2002). Os conteúdos discursivos defensores da manutenção em casa das pessoas idosas – que geraram uma importante resposta social conhecida por apoio domiciliário – apoiam-se, fundamentalmente, na discursividade científica que, sob uma perspetiva sócio-ecológica, enfatiza que “To be at home is to know where you are; it means to inhabit a secure center and to be oriented in space. We inhabit home day after day, slowly developing a sense of familiarity with the environment to the degree that it becomes predictable, taken for granted, and comfortable” (Pastalan e Barnes, 1999: página 81).

Mas envelhecer no habitat onde se viveu parte significativa da vida está, essencialmente, condicionado a três fatores: a dependência (física ou psicológica) crescente, a incapacidade em se manter a casa (no sentido da execução das tarefas diárias, incluindo a limpeza, as refeições, o aprovisionamento e os custos económicos) e os riscos de acidentes. Este último aspeto interage com os dois primeiros e é, num certo sentido, consequência deles. Com efeito, a relação entre as pessoas idosas com o espaço doméstico vai-se tornando mais difícil com o passar dos anos. As limitações físicas e sensoriais podem gerar graves acidentes domésticos.

Todavia, quando se invoca a manutenção das pessoas idosas no seu domicílio, raramente se leva em consideração as condições habitacionais dessas pessoas. Whitten e Kailis (1999), apoiados em dados provenientes do Eurostat (referentes a 1995) sublinham que as condições habitacionais dos agregados domésticos das pessoas idosas são piores que as que caracterizam os demais agregados domésticos. Esse desfavorecimento faz-se sentir na ausência de, pelo menos, uma das seguintes condições básicas: instalação sanitária, sistemas de descarga de água na sanita e água quente. Cerca de 9% dos agregados domésticos experimentam este desfavorecimento, e o agravamento desta situação é ainda mais notório quando se trata de pessoas vivendo sós, chegando a atingir 21% do total de pessoas idosas sós. A avaliação do grau de satisfação diante das condições habitacionais é igualmente menos favorável para os idosos, designadamente para aqueles que residem em habitação própria: “Throughout the Union, older persons living on their own are considerably less satisfied than older couples with their housing situation” (página 7). Aguardamos os dados referentes a 2011 para perceber se e quanto se alterou a realidade em Portugal neste domínio.

Os dados apresentados pelos autores estendem-se, igualmente, a outras dimensões de análise que permitem diferenciar geracionalmente as condições de habitação na União Europeia, destacando, de entre elas, a composição dos agregados domésticos.

As consequências sociais do envelhecimento, nomeadamente no domínio da habitação e da organização da vida coletiva são substanciais e exigem um conhecimento cada vez mais abrangente e exigente. Ao longo da última década, o LNEC tem vindo a desenvolver um conhecimento técnico com aplicação direta nas questões habitacionais suscitadas pelo envelhecimento. Destaca-se entre outras, a produção das Recomendações Técnicas para Equipamentos Sociais, em direta articulação com o Instituto da Segurança Social.

É essa experiência acumulada que vai ser agora disponibilizada, num formato de divulgação alargada e com preocupações de natureza didática, na Sessão Técnica de Edifícios, que justamente se designa por "Questões Habitacionais num país em Envelhecimento", cujo programa e intervenientes pode conhecer já a seguir.


Notas:

(1) Em termos teóricos (Machado, 2007), podemos alvitrar que com valores de IE superiores a 530, a probabilidade dos jovens poderem integrar regularmente o suporte informal da vida doméstica dos idosos é quase nula (por ausência de proximidade entre gerações, a que chamamos descontinuidade geracional). Ora, em 2011, quase 540 freguesias (cerca de 1 em cada 9) encontravam-se nessa situação.




Questões habitacionais num país em envelhecimento
SESSÃO TÉCNICA EDIFÍCIOS LNEC, LISBOA, PORTUGAL
2012-03-29 - das 09:30 às 13:00


Síntese temática
Numa sociedade com um acentuado envelhecimento
populacional e que defende valores humanistas, as questões
habitacionais já não se colocam apenas em termos quantitativos,
mas também qualitativos.

Os últimos Censos permitem fazer uma análise atualizada do
envelhecimento demográfico português e perspetivar a sua
evolução futura.

As consequências sociais do envelhecimento, nomeadamente
no domínio da habitação e da organização da vida coletiva
são substanciais e exigem um conhecimento cada vez mais
abrangente e exigente.

Ao longo da última década, o LNEC tem vindo a desenvolver
um conhecimento técnico com aplicação direta nas questões
habitacionais suscitadas pelo envelhecimento. Destaca-se
entre outras, a produção das Recomendações Técnicas para
Equipamentos Sociais, em direta articulação com o Instituto
da Segurança Social.

Destinatários:
Esta Sessão Técnica destina-se a decisores políticos, gestores
de equipamentos sociais para idosos, arquitetos, engenheiros,
economistas, sociólogos, técnicos do serviço social,
animadores sociais, entre outros que pretendam alargar os seus
conhecimentos sobre o envelhecimento e sobre as soluções
residenciais adequadas à população mais idosa.


Docência:
Paulo Machado (LNEC)
Isabel Plácido (LNEC)
João Branco Pedro (LNEC)
Margarida Rebelo (LNEC)
Carla Cachadinha (FAUTL/LNEC)
António Carvalho (UCP - Pólo de Viseu)

LISBOA • LNEC • 29 de março de 2012

Programa detalhado

1º Sessão (40 minutos)
•• Envelhecimento demográfico: situação atual e perspetivas futuras
–– A demografia portuguesa contemporânea e o envelhecimento das estruturas demográficas
–– A situação habitacional dos idosos portugueses: realidades e perspetivas
–– Os cenários de vida do idoso em Portugal: os espaços públicos e os desafios à integridade física e psíquica da pessoa idosa
Interveniente: Paulo Machado

2º Sessão (60 minutos)
•• Habitar em casa: benefícios e desafios
–– Características de um bairro amigo das pessoas idosas
–– Soluções de adaptação das habitações para as adequar às necessidades das pessoas idosas
–– Apoio social ao envelhecimento em casa: serviços domiciliários e atividades diurnas
Intervenientes: João Branco Pedro, Carla Cachadinha e Isabel Plácido

3º Sessão (60 minutos)
•• Outras formas de habitar
–– Características gerais dos equipamentos residenciais para idosos
–– Residências Assistidas: estudos de caso
–– Hotéis: fatores de atratividade para hóspedes idosos
Intervenientes: Isabel Plácido, Margarida Rebelo e António Carvalho

4º Sessão (20 minutos)
•• Para uma visão integrada da intervenção pública, particular, privada e cooperativa
–– Programas de diagnóstico para intervenção
–– Distribuição de documentação técnica
–– Encerramento
Intervenientes: Paulo Machado, Isabel Plácido, João Branco Pedro, Margarida Rebelo e Carla Cachadinha

Entre cada Sessão haverá lugar a um intervalo de 15 minutos, com apoio de cafetaria.

Bibliografia e estudos de referência produzidos no LNEC

CACHADINHA, Carla; PEDRO, J. Branco; FIALHO, J. Carmo.
Functional limitations associated with housing environmental problems among community-living older people. 37th IAHS World Congress on Housing Science (2010). Santander: University of
Cantabria (Spain), International Association for Housing Science, 2010.

MACHADO, Paulo. As Malhas que a (C)idade Tece – mudança social, envelhecimento e velhice em meio urbano. TPI 44. Lisboa: LNEC, 2007. ISBN 978-972-49-2115-0.
MACHADO, Paulo. Vieillissement et vieillesse. Contribution à l’étude de l’impact de la transformation sociodémographique dans la famille. ITECS 3. Lisboa: LNEC, 1990. ISBN 978-972-49-1347-6.

MACHADO, Paulo. O envelhecimento demográfico e as formas de habitar das pessoas idosas – um estudo regional no Baixo-Guadiana, ITECS 37. Lisboa: LNEC, 2012 (no prelo).

MACHADO, Paulo. O desencontro urbano, questões geracionais na humanização da cidade. “Cadernos Edifícios”, n.º 4. Lisboa: LNEC. (2005). pp. 109-129. ISBN972-49-2058-5.

PAIVA, J. Vasconcelos; PLÁCIDO, Isabel; CARVALHO, Fernanda (Coord.). Recomendações Técnicas para Equipamentos sociais (RTES) – Centros de dia. Novos estabelecimentos e
estabelecimentos existentes. Versão final. Relatório n.º397/2007 – NAU. Lisboa: LNEC, 2007. (confidencial). Estudo desenvolvido ao abrigo do Protocolo de Cooperação Científica e Técnica entre o LNEC e o ISS, I.P. (disponível em http://www.seg-social.pt/)

PAIVA, J. Vasconcelos; PLÁCIDO, Isabel; CARVALHO, Fernanda  (Coord.). Recomendações Técnicas para Equipamentos Sociais (RTES) – Lares de idosos. Novos estabelecimentos e
estabelecimentos existentes. Versão final. Relatório n.º 398/2007 – NAU. Lisboa: LNEC, 2007. (confidencial). Estudo desenvolvido ao abrigo do Protocolo de Cooperação Científica e Técnica entre o LNEC e o ISS, I.P. (disponível em http://www.seg-social.pt/)

ZACARIAS, Wilson; PEDRO, J. Branco; REBELO, Margarida; CACHADINHA, Carla. Hotéis atractivos para hóspedes seniores: A experiência da Região do Algarve. Relatório 360/2010 – NAU, Lisboa: LNEC, 2010.


Sessões Técnicas Edifícios
Questões habitacionais num país em envelhecimento
Local, data e horário
A Sessão Técnica terá lugar no Centro de Congressos do LNEC, no dia
29 de março de 2012 entre as 9h30 e as 13h00.
Informações e inscrições, correspondência e pedidos de esclarecimento devem ser dirigidos a: LNEC , Apoio à Organização de Reuniões
Av. do Brasil 101 , 1700-066 LISBOA
tel.: 21 844 34 83 ,  fax: 21 844 30 14
cursos@lnec.pt

STE - Questões habitacionais num país em envelhecimento
LISBOA • LNEC • 29 de março de 2012
inscrição e pagamento
O custo de cada Sessão Técnica é de:
61,50 euros (IVA incluído) – inscrição normal;
30,75 euros (IVA incluído) – para estudantes universitários e de politécnicos.
Pode aceder à respectiva página do site do LNEC em:
http://www.lnec.pt/congressos/eventos/pdfs/STE07.pdf








GRUPO HABITAR (GH)
Grupo Habitar – Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

CONVOCATÓRIA

12.ª Assembleia-geral – a realizar no dia 30 de Março de 2012, em Matosinhos, na Sede da Cooperativa de Habitação Económica As Sete Bicas, situada na Rua António Porto, n.º 42, 4460-353 Senhora da Hora, Matosinhos

Em cumprimento do disposto nos artigos 17º, 27º e 42º dos Estatutos, convoca-se a 12.ª Assembleia-geral, em sessão ordinária, para reunir pelas 15h.00, numa sala da Sede da Cooperativa de Habitação Económica As Sete Bicas, situada na Rua António Porto, n.º 42, 4460-353 Senhora da Hora, Matosinhos

A 12.ª Assembleia-geral do Grupo Habitar decorrerá na morada acima indicada, na tarde da Sexta-feira dia 30 de Março de 2012, pelas 15,00h, com a seguinte Ordem de Trabalhos:

1. Apreciação e aprovação das contas de 2011;
2. Admissão de novos associados, que se convidam a estar presentes;
3. Reflexão geral sobre as actividades desenvolvidas e a desenvolver no âmbito do GH, considerando, objectivamente, a sua dinamização em 2012;
4. Informações.

Se à hora marcada não estiverem presentes metade dos associados, a Assembleia reunirá meia hora depois, às 15h.30, com os membros presentes, de acordo com o disposto no n.º 2 do art. 28.º dos mesmos Estatutos.

Aproveita-se para agradecer à CHE As Sete Bicas e ao seu Presidente e membro fundador da nossa associação, mais este apoio à actividade do Grupo Habitar
Lisboa, NAU/LNEC, Sede do Grupo Habitar, 6 de Março de 2012

O Presidente da Mesa da Assembleia-geral
Duarte Nuno Simões

Nota importante: esta convocatória foi enviada por mail com aviso de recepção a todos os associados do Grupo Habitar (GH) e é editada no n.º 384 da revista/blog http://www.infohabitar.blogspot.com, no Domingo dia 11 de Março de 2012 – o Infohabitar é uma revista com edição semanal e habitualmente divulgada na mailing list do GH.

Nota prática: convidam-se os associados que não conheçam a localização da Sede da Cooperativa As Bicas a visitarem o respectivo site http://www.setebicas.com/ onde poderão encontrar um mapa de localização, para além de poderem aproveitar para conhecer um pouco da actividade desta grande cooperativa.

Notas editoriais:
(i) A edição dos artigos no âmbito do blogger exige um conjunto de procedimentos que tornam difícil a revisão final editorial designadamente em termos de marcações a bold/negrito e em itálico; pelo que eventuais imperfeições editoriais deste tipo são, por regra, da responsabilidade da edição do Infohabitar, pois, designadamente, no caso de artigos longos uma edição mais perfeita exigiria um esforço editorial difícil de garantir considerando o ritmo semanal de edição do Infohabitar.
(ii) Por razões idênticas às que acabaram de ser referidas certas simbologias e certos pormenores editoriais têm de ser simplificados e/ou passados a texto corrido para edição no blogger.
(iii) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.


Infohabitar - Ano VIII - N.º 384 - 11 de Março de 2012
Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte

sexta-feira, julho 14, 2006

93 - A CIDADE QUE SOU E TENHO EM MIM – Maria Celeste Ramos ; REGRA DE OURO: HABITAR – Maria João Eloy - Infohabitar 93

 - Infohabitar 93

Artigo duplo
Introdução
Das propostas do PNPOT (1) destacamos o tema “Portugal: os grandes problemas para o Ordenamento do Território” (2), elegendo o domínio que incide na “Expansão urbana desordenada e correspondentes efeitos na fragmentação e desqualificação do tecido urbano e dos espaços envolventes” para, numa abordagem não institucional, empreendermos uma reflexão sobre o acto de ‘habitar’, a pretexto das louváveis intenções das alíneas seguintes:
Degradação da qualidade de muitas áreas residenciais, sobretudo nas periferias e nos centros históricos das cidades, e persistência de importantes segmentos de população sem acesso condigno à habitação, agravando as disparidades sociais intra-urbanas”; “Insuficiência das políticas públicas e da cultura cívica no acolhimento e integração dos imigrantes, acentuando a segregação espacial e a exclusão social nas áreas urbanas”.
(1) No dia 27 de Abril de 2006, foi publicada em Diário da República a Resolução do Conselho de Ministros que aprova para discussão pública a proposta técnica do Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território, PNPOT. O período de discussão pública ocorre de 17 de Maio a 9 de Agosto de 2006.
(2) http://www.territorioportugal.pt/Proposta.aspx

A CIDADE QUE SOU E TENHO EM MIM

Maria Celeste Ramos



A cidade é como a vida – está dentro de mim e sou dela pertença.
Ao atravessá-la a caminho da escola ou do local de trabalhar ou, simplesmente, de ir daqui para acolá, recolhem-se imagens codificadas que vão para uma zona do cérebro, arquivo da memória imagética, como vão as imagens de qualquer outra vivência no espaço familiar.
A vida é um processo de acumulação de imagens (3) anexando a respectiva emoção que, frequente e tardiamente, já não é uma memória mas uma recordação, baralhando o "tempo" cronológico mas deixando uma sucessão de "pegadas."
A cidade educa e eleva, ensina e informa estabelecendo um relacionamento eu-cidade-espaço-acontecimento, transmite alegria e/ou dor, nem que seja a provocada pelas enxurradas e pelo fogo, porque a cidade não é apenas o espaço físico impessoal e impessoalizado, mas sim o que nele se vive e se troca.
A Cidade como a Casa é palco de-vida-acontecer e tal que, ao viajar-se para longe se traz, igualmente, a memória do lugar habitado por outrém, colhida emocional e culturalmente e vivida como se o homem e o espaço fossem impossíveis de dissociar, tornando-nos mais ricos e conscientes ao adquirir mais experiência vivencial e matéria de troca, porque viajar é por si só aprender.
Uma cidade abandonada pelos habitantes é uma cidade fantasma que o vento e o tempo devoram ficando só ruínas, ou nem isso.
A cidade vive porque nela se habita com-a-vida-toda e será sempre o espelho multi-facetado das vivências humanas e das estações do tempo.
A cidade é o espaço de crescimento e desenvolvimento do ser humano que vai construindo memória colectiva como herança de cada geração, para a legar às gerações que vão nascendo.
Lisboa é a minha Cidade - é a cidade que eu tenho cá dentro – porque a gente pertence às cidade e às vilas e a cidade pertence à gente numa interacção constante.
Como as pegadas que deixamos na vida dos outros, a cidade deixa em nós matéria de identificação do que somos e que transborda para não importa que habitante urbano ou rural.




Lugar que pode ser também cidade do ESQUECIMENTO - cidade que esquece os velhos porque os DESACTIVA, ou não valoriza os que, sendo portadores de handicap, são também cidadãos activos, criativos e produtivos
E porque a cidade é o espaço de abrigo que fornece habitação, cultura, religião, serviços, jardins e bem estar, é também o lugar que dá prioridade ao automóvel sobre o peão – que se limita a fornecer espaços lúdicos só para os teenager e não para os velhos, num ambiente que se torna progressivamente hostil e incomunicável com o habitante, perdendo o sentido de cidade e das funções para que foi contruída – as funções dos cidadãos.
Esta Cidade de hoje é a cidade onde MORA o quê ?? A alienação ? O esquecimento da origem da sua função ?? O esquecimento da criação de lugares com "espírito do lugar" e espírito de criar condições de vizinhança, de bem estar e de alegria e de um orgulho de pertença de nela habitar.
(3) Na esteira de George Steiner: “Não é o passado literal que nos governa, excepto, talvez, muma acepção biológica. São imagens do passado: com frequência tão intensamente estruturadas e tão imperativas como os mitos. As imagens e as construçõs simbólicas do passado encontram-se impressas, quase à maneira de informações genéticas, na nossa sensibilidade. (…)” – “No Castelo do Barba Azul – Algumas Notas para a Redefinição da Cultura” (1971), Relógio d’Água, 1992, p 13
Maria Celeste d’Oliveira Ramos, 4 junho 2006
Fotos: ‘O Rio como Paisagem’, Doca de Santo Amaro, Lisboa, 2006 – MCOR.


REGRA DE OURO: HABITAR

Maria João Eloy



A utilização do termo ‘habitar’ traduz tradições e pressupostos contraditórios, reveladores do estatuto dos habitantes de lugares em regime de paz, que é irreconciliável com o dos que sobrevivem nos lugares em guerra; pensar na qualidade do ‘habitar’, releva o significado de pertencer ou não a uma comunidade, de ser ou não reconhecido como habitante, de viver como deslocado e emigrante ou de, paulatinamente, permanecer há gerações no mesmo território.
Além destas situações, em que os envolvidos se empenham na sua cidadania, sempre se puderam encontrar, no ‘habitar’, os sintomas de não pertencer e não acreditar, reflexo das singularidades da vida nua que ignora o implacável poder soberano da cidade, “a coisa mais universal, a coisa mais partilhada (...)” porque “com a cidade temos a impressão de descobrir o mundo tal qual ele é, ‘em directo’, de sermos actor e observador, exploradores de uma selva viva que constitui o próprio corpo da sociedade.”(4)
Reflectindo sobre a esperança daqueles a quem restam tentativas reiteradas de aceder a condições precárias de ‘habitar’, recorrerei à noção de irreparável de Agamben, que não retira nobreza a esse modo de ‘existir’: “O irreparável não é nem uma essência, nem uma existência, nem uma substância, nem uma qualidade, nem um possível, nem um necessário. Não é propriamente uma modalidade do ser, mas é o ser que se dá desde logo na modalidade, é as suas modalidades. Não é assim, mas é o seu assim.” (5)




À necessidade de transmissão, no mundo civilizado, das regras de ouro de ‘habitar’ – aparentemente ausentes do ‘habitar’ precário de todo o tipo de desalojados – tem-se vindo a contrapor uma valorização do papel da intuição, do imaginário, da sensibilidade e do corpo, numa autoregulação indomável que lança uma disparidade de desafios à pesquisa dos conceitos normalizados para projectar habitação; através de persistentes e trangressoras reconfigurações das regras do ordenamento territorial, do urbanismo e da arquitectura, assiste-se à tentativa de “combater o niilismo do mundo moderno: o abstracto lugar onde não há lugar da metrópole, a destruição do mundo interior do espírito e a impossibilidade de morar de um modo autêntico, no sentido heideggeriano do termo”, como o entende M. Cacciari (6).
É neste sentido que, ao reproduzir a lamentação de Gabriel o Pensador em “O resto do mundo” (7), pretendo ir além da invocação do folclore urbano das metrópoles, interrogando-me sobre o valor dos recursos criativos de grande parte da humanidade; de ‘gente’ que, vivendo fora dos limiares do ‘habitar’ regulamentado dos prósperos centros urbanos, se confronta com a linguagem estrangeira da cidadania participativa, sem lhe poder retorquir, senão através do discurso musical e poético – entre outras formas, das menos violentas, do discurso de ‘existir’:
O resto do mundo
Eu queria morar numa favela (...)
O meu sonho é morar numa favela
Eu me chamo de chêroso como alguém me chamou
Mas pode me chamar do que quiser seu dotô
Eu num tenho nome
Eu num tenho identidade
Eu num tenho nem certeza se eu sou gente de verdade (...)
Eu sou o resto O resto do mundo
Eu sou mendigo um indigente um indigesto um vagabundo
Eu sou... Eu num sou ninguém (...)
Eu sou sujo eu sou feio eu sou anti-social
Eu num posso aparecer na foto do cartão postal
Porque pro rico e pro turista eu sou poluição
Sei que sou um brasileiro Mas eu não sou cidadão
Eu não tenho dignidade ou um teto pra morar (...)
Eu sei que a maioria do Brasil é pobre
Mas eu num chego a ser pobre eu sou podre!
Um fracassado Mas não fui eu que fracassei
Porque eu num pude tentar
Então que culpa eu terei
Quando eu me revoltar quebrar queimar matar
Não tenho nada a perder Meu dia vai chegar
Será que vai chegar? (...)
Eu num sou registrado Eu num sou batizado
Eu num sou civilizado eu num sou filho do Senhor
Eu num sou computado eu num sou consultado
Eu num sou vacinado Contribuinte eu num sou
Eu num sou comemorado eu num sou considerado
Evitando alongar esta interrogação, onde não cabe uma conclusão, escolheria o topos ou clichê que é conhecido na tradição como locus amoenus (lugar ameno, recanto aprazível) para, tentando não-entender e não-classificar os lugares de ‘habitar’ atrás exemplificados, perscrutar neles o ameno, o aprazível e o belo …
(4) Portzamparc, C. de - Prefácio a “ Vers la troisième ville ? ”, Mongin, Olivier; Hachette, 1995 pp. 8, 9.
(5) Agamben, Giorgio – “A comunidade que vem” (1991) - ed.Presença 1993, p 73.
(6) Cacciari, Massimo – “Architecture & Nihilism: on the philosophy of modern architecture”, London, Yale University Press, 1995.
(7) Excertos do texto da faixa 10 “O resto do mundo”, Gabriel o Pensador - CD, Chaos, 1993.
Maria João Eloy, Junho 2006
Fotos:
‘Um rectângulo de ouro no Rio de Janeiro’, 2003 – Vera Eloy.
‘Ordenamento do território entre Pemba e a ilha do Ibo’, Moçambique, 2005 – Margarida Nicolau.
‘O Resto do Abandono’, Ilha do Ibo, Moçambique, 2005 – Margarida Nicolau.

quinta-feira, março 02, 2006

72 - As sociedades envelhecem, mas somos humanos – um artigo de Celeste Ramos e Baptista Coelho - Infohabitar 72

 - Infohabitar 72

As sociedades envelhecem, mas somos humanos

Artigo de Celeste Ramos e Baptista Coelho
Umagens de A. B. Coelho

Até aqui a Sociedade tem institucionalizado a maioria dos problemas ligados à terceira idade sobretudo no que respeita ao alojamento, à saúde e ao encontro, ou tem deixado cair essa realidade no esquecimento, considerando-o um problema resguardado dentro das fronteiras de cada país e de cada cidade.

A declaração de 1999 como o Ano Internacional do Idoso fez desencadear o interesse por este tão "moderno" problema sobretudo nas sociedades em que aumentou extraordinariamente a esperança de vida do cidadão, sobretudo nos países mais ricos e evoluídos.
De entre os cerca de 10 milhões de portugueses, 2 milhões têm mais de 65 anos correspondendo a 17% da população e considerados "os grandes esquecidos", sendo que de entre eles 1 milhão aufere menos do que 300 euros mensais; mas já foram apresentados valores muito diferentes, pelo que esta discrepância informativa esconde que há vários milhares de velhos cujos rendimentos estão muito abaixo do ordenado mínimo, que em Portugal representa cerca de um quinto do ordenado mínimo médio da UE.
Em 2000 o índice de envelhecimento ultrapassou pela primeira vez os 100 idosos por cada 100 jovens entre os 0 e 14 anos, e em 2004 existiam quase 108,7 idosos por cada 100 jovens.
Só em Lisboa existem cerca de 35 mil velhos a viver sozinhos, e de acordo com as projecções para 2050, Portugal será o 4.º país mais velho da Europa dos 25, tendo sido também já considerado um dos três países mais pobres da União Europeia.
Valores mundiais revelavam, há cerca de uma dezena de anos, que apenas 5% da população mundial aufere 75 % da riqueza mundial global e Portugal encontrar-se-á nessa média, apesar de estar na 23.ª posição de uma escala dos 27 países considerados desenvolvidos, de acordo com inquéritos realizados por empresas internacionais especializadas e credíveis, já que com a comunicação global os países parecem aproximar-se mais e, igualmente, comparar-se também nas suas riquezas e misérias.
O presidente da república cessante deu relevo à temática do envelhecimento e da pobreza, por exemplo, em Novembro 2005, no decurso das Jornadas sobre Envelhecimento e Autonomia, promovidas pela Santa.Casa.da.Misericórdia.de.Lisboa, e no Congresso de Gerontologia, também em Novembro de 2005, entre os múltiplos temas apresentados, destacaram-se os respeitantes à arquitectura na cidade, ao impacto do envelhecimento na sociedade e na qualidade de vida e a questão da integração dos mais velhos no actual quadro da União Europeia.



Sabemos que a nossa sociedade, bem ou mal, vai respondendo a muitos dos problemas inerentes à terceira idade, mas estão cada vez mais longe de ser satisfatórias tais respostas, porque o envelhecimento e o empobrecimento avançam mais depressa, e ainda porque há que, no "fim da linha da vida", procurar ser feliz sem se "esperar sentado" até que chegue esse fim, e não há sociedade que possa divorciar-se desse problema sob pena de se ter chegado à situação de uma espécie de “nova escravatura do século XXI."
Sempre os governantes portugueses se mostraram incapazes de solucionar, em tempo, os problemas mais prementes da nossa sociedade. E é agora em pleno século XXI que aos problemas anteriores nunca resolvidos, ou mal resolvidos, se acrescenta o da 3.ª idade e todo o tipo de situações que acarreta e a que a cidade não consegue responder porque nem nunca se reorganizou com as migrações das década de 70 e de 80/90, nem as populações encontraram forma de se instalarem homogeneamente pelas cidades do interior, que foram esquecidas pelo desenvolvimento, mesmo depois da integração na UE, em que se recebia por dia um milhão de contos, que foram utilizados para construção de vias-rápidas que não levaram as populações para o interior, mas apenas facilitaram a sua deslocação mais rápida para o litoral onde se amontoa 70% dos portugueses que, antes, tão bem distribuídos estavam por todo o território, mesmo no local mais montanhoso e inacessível; tão inacessível que o desenvolvimento nunca lá chegou e agora “envelhece e apodrece”, porque os que teimaram lá ficar, até aos anos 80, já envelheceram sem serem renovados.
As cidades e as povoações envelhecem com os cidadão e com a sua juventude se revitalizam. Mas, por exemplo, os quase últimos locais de emprego nas Beiras fecharam desde 2003 a 2005; e assim, que novos e acrescidos problemas de envelhecimento da população irão ser criados e reforçados?
É impressionante dizer que uma das mais importantes cidades de interior como é Bragança tem, actualmente, cerca de 70% de velhos, porque nada se renovou em termos de instalação de sistemas de dinâmica das economias para que as famílias aí se pudessem desmultiplicar, em vez de abandonarem o local de nascimento, restando só os que aí foram envelhecendo.
O povo português anónimo é em geral amável e solidário, e se não fosse assim, o quadro social vigente relativo aos crescentes problemas da terceira idade, atingiria dimensões de catástrofe.
O país envelhece em todos os sentidos, nos monumentos patrimoniais e na habitação antiga que não são restaurados, nas economias que não são renovadas e revitalizadas nos locais onde se nasce e se habita, no planeamento urbano que não acompanha os fenómenos socioeconómicos, caminhando-se para o drástico envelhecimento em todos os aspectos de destruição de paisagens urbanas e rurais, bem como mesmo para a erosão social e, principalmente, para a erosão das próprias ideias, que não se renovam para resolver os grandes problemas de uma sociedade em que as populações quase nunca são chamadas a participar na solução dos problemas que lhes dizem respeito.
Ideias de desenvolvimento de novas formas de actuação sociocultural, habilitando os idosos a serem auto-suficientes em muitas situações, e, mais do que auto-suficientes, a participarem numa grande diversidade de acções socialmente válidas e úteis para eles próprios e para outros grupos socioculturais, que podem sem dúvida obter nas experiências de vida e profissionais dos idosos um apoio inestimável; desde que contando, gratuitamente, com locais físicos municipais ou mesmo particulares e desactivados, para se organizarem e desenvolverem tais acções, pois "terceira idade" deverá, urgentemente, significar também a definição que se lhe quiser dar, em termos de direitos, deveres e, essencialmente, oportunidades de ser útil, de participar. E isto é o que é mais necessário ao país em geral, à população em geral e aos velhos, em particular: oportunidade para viver e ser útil.
E talvez que as universidades de Braga, Viseu, Aveiro, Vila Real, Covilhã e Évora, por exemplo, possam constituir-se não apenas em pólos de saberes, mas também de criação de novas oportunidades de fixação e de repovoamento humano e económico dessas regiões de que são capital, e assim se promova uma nova imigração, que retire, a longo prazo, população de locais saturados e desqualificados, ajudando a povoar, novamente, o interior hoje tão envelhecido, pois o equilíbrio da população e de cada célula familiar conduz ao desenvolvimento e equilíbrio global de cada local.
O problema dos velhos, sobretudo de mãos dadas com o da pobreza e em parte também com o do analfabetismo e o da crítica carência formativa e cultural, é da maior acuidade e requer soluções rápidas, além de outras estruturais, porque se prepara a velhice nas idades de maturidade, porque se prepara a qualidade de vida em geral com os cuidados tidos desde o nascimento, porque se prepara a evolução social com a atitude de alguns, poucos, que são semente de mudança social.
Mas o facto é que não têm os responsáveis, a qualquer nível central e regional, dado uma resposta exaustiva a uma situação tão grave e urgente, limitando-se, com frequência a uma atitude marcada pelo "faz-se o que se pode", como se o poder tivesse, igualmente, envelhecido e desmoronado e ficado sem qualquer ideia de como fixar e dinamizar populações, que sejam agentes e motores de desenvolvimento, nem que seja, por exemplo, confinado apenas ao turismo de todo o ano e à produção dos bens da terra e de artefactos locais e regionais; o que já seria meio caminho andado para a auto-sustentabilidade da actividade económica, desmultiplicadora de muitas outras que lhe tendem a suceder.


Parece que a filosofia não foi apenas sequestrada pela economia e gestão que rege o actual mundo ocidental e o desinteligente e irracional economicismo nacional que, essencialmente, "esconde" os grandes dramas humanos. Parece que a filosofia foi sequestrada também pela impotência e desistência, dada a grandeza da acumulação dos problemas aos quais se foi virando costas nestas curtas décadas de democracia. E curiosamente os meios de comunicação social também se cansaram de expor que problemas haverá por aí e a que portas batem, como se não se passasse nada.
Não se passa nada! Mas passa-se, tal como nos foi dito em Évora, por uma técnica de Serviço Social, numa sessão do Grupo Habitar, que nos disse que há muitos casos de idosos praticamente abandonados pelas respectivas famílias e a viverem, muitas vezes, em condições sub-humanas; abandonados pela família e esquecidos pela sociedade.
E enquanto isto se passa os países europeus “desenvolvidos” estão a aumentar o tempo de trabalho da população activa, num recuo das regalias anteriormente conquistadas (menos tempo de trabalho e mais tempo livre - grande slogan dos anos 80); um recuo que nos países do sul, mais pobres, tem o sabor a um sonho nunca concretizado.
Mas, entre nós, muito mais urgente e crítico do que pensar em sonhos de reformas douradas, hoje provavelmente impossíveis, é dar resposta imediata e adequada a essas situações de abandono, que não podem ser admitidas. É portanto urgente um programa especial dirigido para a eliminação dessas situações e, em segunda linha, um programa especial que vise a maximização do aproveitamento da experiência e da vitalidade dos cidadãos seniores em tantos campos em que podem ser úteis à sociedade, à cidade e a si próprios.
Não é apenas uma questão de bom senso e de boa gestão de recursos humanos, é também uma questão de ética e de justiça social e, acima de tudo, é, na prática, uma questão de sobrevivência, pois uma sociedade que não toma conta dos seus mais frágeis e uma sociedade que não aproveita a experiência onde ela está, em quantidade e com tempo de ser útil, é uma sociedade suicidária.
O homem moderno, o sapiens-sapiens, dominou o mundo, sabe-se hoje, quando passou a contar com a experiência acumulada e complementar dos seus mais velhos, quando estes começaram a tomar conta das crianças e a ensiná-las, provavelmente, enquanto os jovens adultos caçavam e procriavam; a arte nascida nas grutas e depois na cerâmica e na decoração dos utensílios, também não é uma actividade de grupos apressados e sem histórias, e a arte é o fulgor da invenção e da criatividade; e acima de tudo o tomar conta dos mais velhos e o dialogar com eles é um sinal de afectividade, de emoção e de verdadeira humanidade. E sendo assim, o caminho que devemos seguir está claramente traçado.

Este artigo foi elaborado pelos autores entre as seguintes datas
Lisboa, Bairro.de.Santo.Amaro, 21 de Novembro de 2005
Lisboa, Encarnação/Olivais.Norte, 26 de Fevereiro de 2006
Maria Celeste d’Oliveira.Ramos
António Baptista Coelho
As imagens são de António Baptista Coelho

segunda-feira, dezembro 05, 2005

56 - Os idosos na cidade e a cidade envelhecida - um artigo de Paulo Machado - Infohabitar 56

 - Infohabitar 56

Os idosos na cidade e a cidade envelhecida

um artigo de Paulo Machado, Sociólogo, Investigador Auxiliar no LNEC, onde integra o Núcleo de Ecologia Social.

Pensar nas palavras ditas para pensar as pessoas que as proferem... e aquelas a quem respeitam.

Na nossa sociedade é sensível uma alteração vocabular que importa reter: aos velhos de antigamente sucederam os homens e as mulheres da 3ª Idade e da 4ª Idade, os idosos de hoje. A expressão velho ou velha, enquanto designativo, caiu em desuso, salvo quando se pretende caracterizar alguém do ponto de vista do seu estado presente, por comparação ao passado ou por comparação com outrém: “envelheceu de repente”; “está a ficar velho”; “ele está mais velho do que ela”. Caso contrário, a designação socialmente correcta é amaciada (idoso, a mais usada, de preferência a ancião, sénior, geronte, velhote), e o termo velho ganha um sentido quase pejorativo.

A alteração vocabular deixa perceber uma mudança social com um significado próprio. Esta nova opção vocabular não se aplicou aos tecidos inertes (à habitação), embora eles possuam “vida”, façam viver a cidade e preservem a vida de quem neles se abriga. Daqui resulta que um idoso possa ser referenciado numa velha casa, sendo improvável ouvir dizer que um idoso apartamento é morada de uma mulher velha. Sem pruridos, dizemos que um edifício está velho quando revela sinais de deterioração. Mas é afirmação socialmente menos consentida se essa senescência for de alguém que estimamos e respeitamos.

Esta deferência vocabular introduzida nas sociedades Ocidentais contemporâneas quando nos referimos aos mais velhos espelha a nossa própria posição sobre essa condição humana e social (a velhice). É questão que não cabe aqui esmiuçar. Mas pode ter implicações sobre o modo como compreendemos a relação do homem e da mulher idosos com o seu espaço vivido. Por exemplo, pode levar-nos a pensar em soluções residenciais assistidas, dos próprios (apoio domiciliário) ou especialmente construídas para o efeito. Nestes casos, a gama existente vai das pequenas unidades residenciais (condominiais, agrupamento de famílias) aos grandes equipamentos (lares, casas de repouso), numa lógica de descontinuidade geracional mais ou menos radical.

A questão do alojamento das pessoas de maior idade, quando entendida como tal (isto é, questão de uma geração e não da nossa organização social) acaba por ser tributária do mesmo processamento social, que categoriza etariamente e favorece uma estereotipia social baseada na idade. Esse processamento é um fenómeno social normalizador (e normativo) que reduz a complexidade do real e homogeneíza as pessoas e os seus grupos de pertença. As ‘crianças’, os ‘adolescentes’, ‘os jovens adultos’, os ‘adultos’, os ‘idosos’ são produto desse processo, e a organização da vida social é determinada por estas categorizações, retroagindo incessantemente.




Imagem 1: A cidade e os seus equipamentos exigem atenção redobrada para um usufruto em condições adequadas. O “típico” pode ser adverso ao idoso.

As cidades, expoentes máximos da concentração humana e da civilização urbanocêntrica, reproduzem na sua ordem social e espacial este modo segmentado de ver a sociedade. Enquanto as urbes se confundiram com crescimento populacional, pujança económica, sorvedouros de mão-de-obra jovem e espaços de elevada atractibilidade, poucos foram os que imaginaram (e se preocuparam) com os velhos que nelas habitavam, e a questão do envelhecimento demográfico não lhes dizia directamente respeito.

Desenganem-se, porém, aqueles que pensam que as cidades não envelhecem demograficamente, em estreita relação com o envelhecimento do seu edificado e das demais infra-estruturas. Provámo-lo à saciedade em estudos recentes. Entre nós, por exemplo, a maioria da população com mais de 65 anos de idade já não residia, em 2001, maioritariamente, em lugares com menos de 2.000 habitantes (apenas 47,6%, contra 53% dez anos antes), e o maior aumento nas últimas décadas tem-se verificado nos centros urbanos, quer de média, quer de grande dimensão. No início deste século XXI, mais de ⅓ (35%) dos idosos vive em aglomerados considerados urbanos (> 10.000 habitantes). Mais precisamente: 592 mil pessoas idosas.

As cidades, nomeadamente as de maior dimensão, reflectem nas suas estruturas populacionais esta tendência demográfica para o envelhecimento, embora a expressão do peso relativo da população idosa se faça sentir ainda mais, dado que a própria transformação urbana se encarrega de proceder a uma segregação demográfica que expulsa para as periferias as gerações mais novas, criando as condições para o aparecimento de áreas dentro da cidade (freguesias, quarteirões, bairros) em que a proporção de idosos é elevadíssima, em muitos casos ultrapassando 30% da população aí residente. A Cidade de Lisboa reflecte bem este fenómeno.



Imagem 2: A secularização crescente e a desparoquialização das práticas religiosas têm contribuído para o isolamento progressivo do idoso, mesmo na “sua “ Igreja.

A segregação demográfica (ou dissociação etária), entendida neste duplo sentido do envelhecimento populacional das cidades e rejuvenescimento das suas periferias, pode ser definida como a desigual repartição dos diferentes grupos sexo-etários no seio das aglomerações urbanas, e é um fenómeno gerador de importantes disfunções sociais e urbanas. A elas nos poderemos vir a referir em outras ocasiões.

Por agora, fiquemo-nos por uma breve caracterização da cidade de Lisboa e do seu envelhecimento, acompanhada de comentários que sugerem aberta discussão.




Os factos da cidade envelhecida que já foi de muitas e desvairadas gentes.


1. Cidade de pouco mais de meio milhão de habitantes (564 mil em 2001), em Lisboa residem cerca de 134 mil idosos (pessoas com mais de 65 anos de idade). Para que se compreenda a reconfiguração demográfica da cidade-capital, são mais 10.000 do que há dez anos, quase mais 20.000 do que há vinte anos.


NENHUM PROJECTO PARA LISBOA PODE FICAR INDIFERENTE AO FACTO DE A CIDADE REGISTAR, ANUALMENTE, UM ACRÉSCIMO DE SENSIVELMENTE MAIS 1.000 PESSOAS IDOSAS, QUANDO O VOLUME TOTAL DE POPULAÇÃO NÃO PÁRA DE DIMINUIR.


2. O total de residentes idosos em 2001 correspondia, numericamente, e grosso modo, ao volume de residentes de todas as idades que a cidade deixou escapar desde 1940. Parte considerável das suas freguesias perdeu diversidade geracional, envelheceu e não apresenta sinais de “retoma” demográfica sustentada.



O PROBLEMA SOCIAL EM MUITAS FREGUESIAS DA CIDADE NÃO É APENAS O FACTO DE ESTAREM ENVELHECIDAS.
É TAMBÉM, E SOBRETUDO, O FACTO DE CADA VEZ SEREM MENOS OS HABITANTES QUE NÃO SÃO IDOSOS.


3. Dos 134 mil idosos residentes, aproximadamente 43% têm mais de 75 anos de idade. E destes muito idosos, quase 40 mil são mulheres.



NÃO BASTA DIZER QUE A CIDADE ESTÁ ENVELHECIDA. É PRECISO TOMAR CONSCIÊNCIA DE QUE OS IDOSOS ESTÃO MAIS VELHOS, O QUE SIGNIFICA QUE OS CUIDADOS DE QUE CARECEM AUMENTAM E PROLONGAM-SE NO TEMPO.


4. Das 53 freguesias, só em 5 existem mais jovens (até aos 15 anos) do que idosos. Essas freguesias são a Ameixoeira, Carnide, Charneca, Lumiar e Marvila.


5. Estes factos explicam porque Lisboa é a cidade portuguesa mais envelhecida, a capital europeia com maior proporção de idosos e uma das cidades europeias com maior envelhecimento demográfico.


No conjunto da cidade, o número de idosos é o dobro dos jovens (134 mil vs. 66 mil).






6. As projecções demográficas indicam que a tendência para o envelhecimento se manterá e acentuará nas próximas décadas. Lisboa não escapará a esse desígnio demográfico.



A DINÂMICA SOCIAL E DEMOGRÁFICA IMPÕE RESPOSTAS POLÍTICAS QUE NÃO PODEM SER ADIADAS.


7. Mas também a própria Área Metropolitana conhecerá um fenómeno de envelhecimento. Estimam-se que sejam hoje cerca de 326 mil os idosos residentes na AML, mas dentro de 10 anos serão quase 400 mil.



AS QUESTÕES DO ENVELHECIMENTO NÃO DIZEM APENAS RESPEITO A LISBOA MAS A TODA A SUA ÁREA METROPOLITANA E É TAMBÉM NESSE CONTEXTO QUE DEVERÃO SER PENSADAS.


A estes factos demográficos, outros indicadores sociais se podem associar:

8. Pelo menos 34.000 idosos da Cidade (dos 134 mil residentes, i.e., 25%) vivem sós em casa.


9. Pelo menos mais 50.000 viverão apenas com o seu cônjuge, o que significa que cerca de 62% viverão sós ou acompanhados com outro idoso.



O TOTAL ISOLAMENTO OU A DEPENDÊNCIA DE OUTRO IDOSO SÃO FACTOS A QUE NÃO PODEMOS FICAR INSENSÍVEIS E QUE SUGEREM POLÍTICAS SOCIAIS ACTIVAS PARA OS MAIS VELHOS.


10. A relação entre a idade das pessoas e a idade dos alojamentos e as suas más condições habitacionais é fortíssima (e estatisticamente irrefutável), denunciando que a precaridade das condições em que habitam será, em muitos caso, muito elevada.



O PROBLEMA DAS MÁS CONDIÇÕES HABITACIONAIS NÃO ADAPTADAS ÀS NECESSIDADES DOS MAIS VELHOS PODE SER ATACADO.


11. Nem todos vivem no centro da Cidade. Grande parte vive nas avenidas novas, em Alvalade, em Benfica, muitos (cerca de 6.500) em bairros sociais de realojamento.



É ERRADO PENSAR-SE QUE SÓ EXISTEM IDOSOS NAS ZONAS HISTÓRICAS DA CIDADE.


12. Mais de 3.000 vivem em lares e residências para idosos (2 em cada 100).


13. O índice de risco rodoviário (nomeadamente no atravessamento das ruas) é várias vezes superior à média (de todas as idades).


14. O medo (sentimento de insegurança) gerado pelos furtos e roubos de que são alvo é o maior de entre todos os cidadãos.


15. A mobilidade (uso do transporte próprio ou público) é a mais baixa de entre todos os moradores.



OS RISCOS RELACIONADOS COM A UTILIZAÇÃO DA VIA PÚBLICA, O MEDO DE SER ASSALTADO, A AUSÊNCIA DE UMA REDE DE TRANSPORTES ADEQUADA, A FALTA DE RECURSOS MATERIAIS EXIGEM RESPOSTAS.


16. O rendimento mensal médio é dos mais baixos.


17. Pela óptica mais restrita dos índices de pobreza (i.e., em que o critério assegura que as pessoas identificadas nesta categoria possuem rendimentos correspondentes a 60% da mediana do valor da receita líquida total por adulto equivalente), obtém-se um nicho de idosos pobres residentes na Cidade em torno dos 50 mil, ou seja, cerca de 37% do total de idosos residentes.


alguém poderá ficar indiferente a uma estimativa que admite que o número de idosos pobres na cidade ronde os 50 mil?

18. Deverá ter-se em consideração que 92% dos homens e mulheres com mais de 65 anos e residentes na cidade são “inactivos” (o que significa serem reformados, aposentados ou domésticos, não exercendo uma actividade remunerada), e que os 8% que ainda trabalham, a maioria fá-lo apenas até aos 69 anos de idade, predominando (nestes casos), por ordem decrescente de importância, os seguintes grupos sócio-económicos:


Trabalhadores não qualificados (de diferentes sectores) (21%)

Quadros intelectuais e científicos (15,4%)

Empregados administrativos do comércio e serviços (15%)

Pequenos patrões do comércio e serviços (7%)

Directores e quadros dirigentes do Estado e empresas (5,5%)


A INACTIVIDADE PROFISSIONAL DA VELHICE URBANA, SOBRETUDO DAQUELES QUE SE ENCONTRAM PSICOLOGICAMENTE E FUNCIONALMENTE APTOS, PODERIA SER A MAIOR FORÇA DE TRABALHO SOCIAL DISPONÍVEL AO SERVIÇO DE UMA CIDADE SOLIDÁRIA


19. Deverá ter-se também em consideração que 43% das pessoas residentes em Lisboa que foram identificadas como portadores de uma qualquer deficiência e independentemente do grau de incapacidade (motora, auditiva, visual, mental ou outra, cfr. dados de 2001) tinham mais de 65 anos de idade. Aliás 43% dos idosos estavam nessa situação.


Comente você mesmo!





Imagem 3: Há alguma inconvencionalidade no modo de vida do idoso urbano, que o cosmopolitismo não esbate, e pelo contrário acentua.