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terça-feira, agosto 18, 2020

Motivar o uso dos espaços exteriores privados – Infohabitar # 743

Ligação direta (clicar) para:  725 Artigos Interactivos, edição revista, ilustrada e comentada - 38 temas e mais de 100 autores.

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 743


Motivar o uso dos espaços exteriores privados – Infohabitar # 743

Por António Baptista Coelho (texto e imagens)

 

Edição: terça-feira, 18 de agosto de 2020

 

Editorial:

Estimados leitores da nossa Infohabitar,

Continuando em um dos temas “centrais” da nossa revista: os espaços do habitar, vamos aprofundando, semana a semana, esta matéria, praticamente, visando-se, esta semana, a temática da melhor motivação de um uso intenso e prolongado dos espaços exteriores privados, matéria esta cuja importância esteve e está tão evidenciada em virtude do confinamento doméstico a que estivemos e ainda, em parte, estamos “obrigados”, no sentido de se procurar reduzir e, se possível, ajudar a estancar, a pandemia que sofremos.

E aproveita-se a oportunidade para voltar a sublinhar a importância que continua a ter o distanciamento social, conseguido sempre que possível através do teletrabalho e todas as medidas de proteção própria e dos outros, que são muito favorecidas com o uso sistemático, maximizado e cuidadoso de máscara e a continuidade dos cuidados de higiene.

Esta renovada viagem pelos espaços do habitar está a ser e continuará a ser feita, nas próximas semanas.

Lembra-se, finalmente, que serão sempre muito bem-vindas eventuais ideias comentadas a propósito dos artigos aqui editados e propostas de novos artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com ao meu cuidado),

despeço-me, até à próxima semana, com saudações calorosas e desejos de muita força e de boa saúde,

Lisboa, Encarnação, em 17 de agosto de 2020

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar


 

Motivar o uso dos espaços exteriores privados – Infohabitar # 743

António Baptista Coelho

 

Notas de enquadramento sobre um uso mais intenso e prolongado dos espaços exteriores privados

Aproveita-se, aqui, numa aplicação aos espaços exteriores privados, um dos objetivos definidos pelo Arquitecto Jan Gehl para uma adequada vivência do exterior de uso público: proporcionar e apoiar, por todas as formas possíveis, quer um uso mais intenso, diversificado e potencialmente convivial, quer um uso o mais prolongado possível e, portanto, mais adequado, confortável e bem avizinhado (este último termo é meu), por adequadas proximidades e contiguidades, desse mesmo exterior.

Num sentido mais amplo e integrador, que é sempre essencial, poderemos mesmo referir que será de uma maximizada e adequada relação entre usos intensos e prolongados de espaços exteriores de uso público e de espaços e “locais” exteriores privados – considerando nestes até os simples vãos domésticos privados e comuns (janelas e portas) –, que resultará boa parte do sucesso de uns e de outros espaços e locais exteriores; considerando-se, naturalmente, neste relacionamento desde os aspetos de incentivo à relação mútua entre tais espaços, aos aspetos de separação física e/ou de vistas, enquadramento físico e/ou de vistas e transição/passagem caraterizadas entre uns e outros.

Nunca será excessivo registar que tal relacionamento é uma das caraterísticas mais marcantes dos tecidos de arquitetura urbana tradicional com maior longevidade em termos de múltiplas e integradas vivências habitacionais, comerciais, oficinais e culturais. Tecidos estes bem marcados por relações muito diretas entre os múltiplos conteúdos funcionais e formais/visuais que recheiam o interior dos seus edifícios e toda a complexidade da vida que marca os seus espaços com uso público; relações essas que, frequentemente, se “esquivam” ao nível físico do edifício para conjugar espaços interiorizados e tendencialmente privados com espaços exteriopres de uso público, frequentemente, também marcados por uma expressiva escala humana.

Em seguida serão abordados alguns dos subtemas que também se consideram como marcantes na referida e desejada perspetiva de um adequado incentivo do uso dos espaços exteriores privados, tendo-se em conta, designadamente, as seguintes matérias específicas:

Os hábitos e os usos mais ligados e historicamente consistentes com diversas tipologias de exteriores privados.

As condições de conforto e de funcionalidade que se consideram como expressivamente motivadoras do uso do exterior privado.

As opções de encerramento e proteção no exterior privado; matéria esta que, de certa forma, corresponde a uma caraterização mais aberta ou mais protegida desse exterior.

A estratégia de estruturação e enquadramento de vistas nos exteriores privados; matéria esta que, afinal, foi já claramente apontada neste ítem de enquadramento.

E algumas questões exploratórias referidas aos aspetos de apropriação mais e menos desejáveis nos espaços exteriores privados, mas com visibilidade pública ou comum.


Hábitos interessantes no exterior privado

Alexander refere (1) que o jardim, o terraço e o pátio domésticos foram, ao longo da história, espaços realmente habitados, privados e aprazíveis, ainda que pequenos eram verdadeiros “compartimentos” da casa, embora sem tecto construído, constituindo verdadeiras salas de estar e saletas ao ar livre.

Naturalmente que uma tal virtualidade doméstica estava, naturalmente, mais associada aos grupos sociais mais favorecidos – lembremos Roma e a disparidade das condições domésticas entre quem vivia em Villas ou em Insula –, mas que hoje em dia poderá ser “reciclada” para um uso muito mais universal e vulgarizado, até porque espaços sem janelas e quase sem instalações são espaços, em princípio, mais baratos de construir do que os espaços domésticos interiores.

Naturalmente que para se conseguirem bons resultados na criação de verdadeiro espaços domésticos de estar, de convívio e de refeições no exterior privativo há que os orientar e proteger, muito bem, relativamente às condições de insolação e de ventos dominantes, tendo-se em conta as condições de conforto de Inverno, mas também as de conforto de Verão – pois, por exemplo, uma varanda desprotegida e mal ventilada, orientada a poente não será um espaço adequado nos meses mais quentes e influenciará muito negativamente os compartimentos contíguos.

Para além de tais exigências “estruturantes” em termos de conforto ambiental há que pormenorizar muito bem os referidos espaços domésticos de estar, de convívio e de refeições no exterior privativo, caraterizando-os, ainda, adequadamente,  como suficientemente encerrados ou “entreabertos”, marcando-os com configurações bem afirmadas, nomeadamente, nos cantos, e com zonas, dimensionalmente úteis, cobertas ou bem protegidas por toldos e pérgulas.

E complementar mas vitalmente estes ambientes deverão ser expressivamente recatados em relação ao exterior público e claramente revelados e exibidos no interior doméstico, nomeadamente, através de janelas panorâmicas, que propiciem uma estratégica e sempre estimulante fusão e/ou graduação de espaços interiores e exteriores com significativa espaciosidade e impressiva qualidade ambiental.

 





Fig. 01:  pequenos pátios privados no terraço de multifamiliares, mas com todo o caráter de exteriores "térreos" – vita geral do edifício e vista do espaço exterior privado de uma habitação (no último piso do edifício) do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Ralph Erskine.

Entre outros aspetos é muito interessante esta profunda e afirmada integração tipológica de caraterísticas multi e unifamiliares, sempre ao serviço, quer da boa cidade do pormenor, quer da oferta de habitações diversificadas e adequadas a variados modos e desejos de habitar; matéria esta que ultrapassa, claramente, este nível de abordagem, correspondendo sim a um aspeto determinante na própria tipificação do edifício e da respetiva arquitetura urbana.


Condições de conforto e funcionalidade no uso do exterior privado

Como características desejáveis nos espaços para permanência no exterior privado, além de terem uma adequada insolação e estarem protegidos do vento e proporcionarem vistas exteriores agradáveis e úteis, salienta-se a respectiva capacidade para aceitarem conjuntos de mobiliário de exterior e equipamentos para lazer e tempos livres, capazes de motivarem o estar no exterior de pessoas, isoladamente ou em grupo.

Como condições mínimas, por exemplo, uma varanda deve disponibilizar espaço para um pequeno grupo de pessoas sentadas em torno de uma mesa ou para duas cadeiras de repouso lado a lado, enquanto um quintal privado deve proporcionar uma zona pavimentada para se realizarem pequenas festas e convívios domésticos.

Segundo Alexander, os espaços exteriores elevados mais usados são aqueles com dimensões mínimas de cerca de 1.80m (outro patamar ainda mais reduzido é definido pela dimensão mínima de 1.20m), total ou parcialmente reentrantes nos volumes edificados, ou "amparados" em saliências desses mesmos volumes, porque são sentidos como mais privados (relativamente a vizinhos), abrigados e seguros. (2)

Utilizando elementos de um estudo que realizei para o LNEC em 2000 (ITA 2, “Do bairro e da vizinhança à habitação”), e em termos de conforto ambiental no exterior é essencial que os espaços exteriores privativos estejam resguardados dos ventos e tenham agradável exposição ao Sol, essencialmente, de manhã e ao fim da tarde.

Por exemplo, o uso das "loggias", sendo mais satisfatório do que o uso de varandas com idênticas configurações (porque expressivamente mais protegidas e mesmo mais caraterizadas como espaços verdadeiramente domésticos), é também mais sensível à escolha das melhores orientações, relativamente ao Sol, aos ventos dominantes, à proximidade dos ângulos dos edifícios e à altura ao solo (o vento aumenta próximo desses ângulos e com a referida altura) e aos ruídos exteriores.

E sobre esta última temática Lamure é, mesmo, da opinião que não se podendo desenvolver "loggias" com excelentes condições de conforto ambiental mais vale atribuir esses espaços ao interior dos respectivos fogos (3), o que parece ser uma opção a considerar e a discutir.

Naturalmente que a existência de apetecíveis espaços exteriores privados, ambiental e fisicamente “quase interiores” suscita a bem conhecida problemática da “marquisação” anárquica, assunto que merece abordagem específica, mas sobre o qual, desde já, se sublinha que não só não proporciona, quase sempre, espaços domésticos adequados, como prejudica e muito, quase sempre, em termos de conforto ambiental, os respetivos compartimentos contíguos; e para além de tudo isto acaba com a possibilidade da vivência de um adequado espaço exterior privado, anulando, assim, criticamente uma das dimensões de vivência da respetiva habitação, o que é, no mínimo, uma opção expressivamente desvalorizadora desse espaço doméstico.

 


Fig. 02: um exemplo do que pode ser a grande diversidade de espaços exteriores privados, aqui exemplificado através de uma solução muito “ligeira”, quase informal e muito naturalizada em termos de separação entre espaços privado e comum ou de uso público; no extremo oposto poderemos ter pequenos pátios e/ou jardins privados e murados acima da altura do olhar de quem passa – exterior de habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Greger Dahlström.


Opções de encerramento e proteção no exterior privado

As opções de encerramento e proteção no exterior privado correspondem a uma matéria, por um lado, associada diretamente, a uma caraterização mais aberta ou mais protegida desse exterior, tal como tem sido abordada e que é realmente essencial; mas, também, ligada à própria caraterização arquitectónica da respetiva habitação e do respetivo edifício, matéria esta última que irá ficar para abordagem específica em outra oportunidade.

No que se refere  um aspecto fundamental em tudo isto e que pode mesmo anular toda a potencialidade de uso do exterior privativo, caso não seja adequadamente considerado, salienta-se a necessidade de serem disponibilizadas perfeitas condições de segurança nesses espaços para o recreio de crianças; condições estas ligadas, essencialmente, à anulação ou muito expressiva redução dos riscos de queda das crianças para o exterior do respectivo espaço e de intrusão facilitada a partir do exterior.

No que se refere a uma caraterização mais aberta ou mais protegida do exterior privado, julga-se importante destacar, desde já, três opções de actuação muito dirigidas para a crítica questão das “varandas envidraçadas”:

·      uma primeira que passa pela previsão inicial e devidamente concebida/projetada de um encerramento de determinados espaços por “varandas envidraçadas” (“marquises”), ou, se preferirmos, pela judiciosa previsão de espaços ou de um espaço do tipo “jardim de inverno”;

·      uma segunda opção que passa pela oferta de espaços abertos mas cujo encerramento seja opcional, embora esteja perfeitamente pré-clarificado e pré-definido em termos das suas soluções e imagens pormenorizadas, de modo a que em todo o conjunto do edifício seja produzida uma imagem global adequada e programada (eventualmente, com algumas varandas fechadas e outras mantidas abertas);

·      e uma terceira opção referida à essencial tolerância zero relativamente a qualquer encerramento por “marquises” que não esteja convenientemente previsto e que, portanto, resultará sempre na grave deterioração da imagem e do próprio valor cultural e mesmo imobiliário do respectivo edifício e suas “frações”.



Fig. 03:  exemplo de uma “varanda envidraçada” que alia uma excelente vista paisagística a uma excelente e muito digna imagem pormenorizada e urbana da sua própria aparência (uma solução de verdadeira transparência no encerramento de uma varanda) - exterior de habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Johan Nyrén.


Vistas nos exteriores privados

Tal como já se apontou, uma outra matéria determinante no uso dos espaços exteriores privativos refere-se às vistas que eles devem propiciar, que devem ser interessantes e mutuamente vitalizadoras e “pacificadoras” sobre a rua e o ambiente envolvente, e à inexistência de quebras de intimidade doméstica, seja do exterior sobre estes espaços, seja a partir destes espaços sobre idênticos espaços privativos contíguos ou da vizinhança em grande proximidade.

Nesta matéria o principal comentário que há que fazer é o da ausência de sentido que tem qualquer varanda, ou outro espaço exterior privativo, cujo uso prejudique a intimidade e o conforto de outros espaços privados contíguos ou próximos; assim como não tem, também, sentido, nem “futuro” qualquer espaço exterior física e legalmente privado, mas visualmente muito devassado, ou por vizinhos ou por utentes de espaços contíguos comuns ou de uso público.

Trata-se, afinal, de uma estratégia de estruturação e enquadramento de vistas a partir dos e sobre os exteriores privados; matéria esta que foi já apontada no ítem de introdução a esta matéria. Visa-se, assim, um sensível e vital equilíbrio entre vistas vitalizadoras e naturalmente “securizadoras” do espaço de uso público, a partir dos espaços privados, vistas agradáveis a partir destes espaços e ausência de vistas intrusivas sobre estes espaços.


Sobre a apropriação dos/nos espaços exteriores privados

Finalmente e de modo bastante resumido apontam-se algumas questões exploratórias referidas aos aspetos de apropriação mais e menos desejáveis nos espaços exteriores privados, mas com visibilidade pública ou comum.

E resumidamente podemos sublinhar que os espaços exteriores privados constituem-se, por um lado, como elementos estratégicos muito importantes como fatores de apropriação das habitações pelos seus moradores, designadamente, no arranjo de floreiras e outros elementos naturais e no mobilar de tais zonas, mas podem fazer arriscar a imagem global e necessariamente digna do respetivo edifício devido a apropriações excessivas e/ou mal previstas e uniformizadas.

Trata-se, assim, aqui de um equilíbrio sensível e difícil, que importa assegurar e para o qual contará muito a comunicação aos habitantes do que pode vir a ser um edifício com uma imagem global estimulante e atraente, que irá ganhando com as marcas do tempo e da respetiva ocupação, ou, pelo contrário, o que poderá vir a ser um edifício anarquicamente apropriado e, portanto, com uma imagem, no mínimo, desinteressante, mas, por vezes, mesmo dissonante e muito negativa.

 

 

Notas

(1)  Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 672 e 673.

(2) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 687 e 688.

(3) Claude Lamure, "Adaptation du Logement à la Vie Familiale", p. 210.



Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.

 

O presente artigo corresponde a uma nova versão, revista e desenvolvida, do artigo publicado no número 572 da Infohabitar em 5 de março de 2016.

 

Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 743

 

Motivar o uso dos espaços exteriores privados – Infohabitar # 743

 

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

 

abc.infohabitar@gmail.com

abc@lnec.pt

 

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).


terça-feira, agosto 04, 2020

Repensar os espaços exteriores privados – Infohabitar # 741

Ligação direta (clicar) para:  725 Artigos Interactivos, edição revista, ilustrada e comentada - 38 temas e mais de 100 autores. 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 741

 

Repensar os espaços exteriores privados – Infohabitar # 741

Por António Baptista Coelho (texto e imagens)

 

Edição: terça-feira, 4 de agosto de 2020

 

Editorial:

Estimados leitores da nossa Infohabitar,

Continuando em um dos temas “centrais” da nossa revista: os espaços do habitar, vamos aprofundando, semana a semana, esta matéria, praticamente, visando-se, esta semana, um repensar dos espaços exteriores privados, cuja importância esteve e está tão evidenciada em virtude do confinamento doméstico a que estivemos e ainda, em parte, estamos “obrigados”, no sentido de se procurar reduzir e, se possível, ajudar a estancar, a pandemia que sofremos.

E aproveita-se a oportunidade para voltar a sublinhar a importância que continua a ter o distanciamento social, conseguido sempre que possível através do teletrabalho e todas as medidas de proteção própria e dos outros, que são muito favorecidas com o uso sistemático, maximizado e cuidadoso de máscara e a continuidade dos cuidados de higiene.

Esta renovada viagem pelos espaços do habitar é e será feita, nas próximas semanas, com novos artigos e também através do revisitar, do recomentar e do expressivo desenvolvimento de artigos já editados, há alguns anos, na nossa revista.

Lembra-se, finalmente, que serão sempre muito bem-vindas eventuais ideias comentadas a propósito dos artigos aqui editados e propostas de novos artigos(a enviar para abc.infohabitar@gmail.comao meu cuidado),

despeço-me, até à próxima semana, com saudações calorosas e desejos de muita força e de boa saúde,

Lisboa, Encarnação, em 4 de agosto de 2020

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar

 

Repensar os espaços exteriores privados –Infohabitar # 741

António Baptista Coelho

Oportunidade atual para se repensarem os espaços exteriores privados 

Depois de muitos anos em que pensámos, frequentemente, o habitar quase apenas como o espaço habitacional que fica da porta de entrada do nosso espaço privado para dentro e, ainda mais do isso, o pensámos, essencialmente, quando não exclusivamente, como espaço interior – até, por vezes e durante muitos anos com poucas janelas, porque estas eram caras – parece ser tempo de o repensarmos como espaço partilhado, naturalmente, em grande parte interior, mas também com pequenas e estratégicas parcelas exteriores, outras de transição interior/exterior e outras bem marcadas por excelentes vãos exteriores.

E nunca será demais salientar que é também a partir da existência de bons espaços de ligação e transição ou passagem entre ambientes interiores e a possibilidade de uma adequada e expressiva fruição do exterior, em espaços exteriores privados e através de excelentes vãos exteriores que acabamos por poder usufruir, mais plenamente e de modo mais sensível dos ambientes interiores mais “protegidos”; condição esta que, naturalmente, é cumulativa de um conjunto de atividades e mesmo de “estados de espírito” que apenas são possíveis através do uso dos espaços exteriores privados e das estratégicas zonas de transição entre estes e interior doméstico.

Importará, assim, repensar e privilegiar o desenvolvimento de espaços exteriores privados, objetivo este que ganha oportunidade evidente numa altura em que por todos foi sentida, na pele e durante longos períodos, a sensação de confinamento doméstico, quando não mesmo de uma certa quase “claustrofobia” doméstica, quando (i) na vivência de espaços habitacionais pouco desafogados em termos de espaciosidade (ii) e/ou mal organizados em termos espaciais e funcionais (iii) e/ou mal servidos de vãos exteriores (iv) e/ou não dispondo de exteriores privados minimamente adequados; situações estas tantas vezes cumulativas.

Será neste sentido que, de seguida, serão abordados os seguintes subtemas:

·     Relação do espaço exterior privado com o restante espaço doméstico; condição esta evidentemente essencial, mas tantas vezes ignorada.

·     Integração da natureza nos edifícios e especificamente nos espaços exteriores privados; condição que pode ser estratégica tanto em termos de expressiva integração do edifício, como de reforçada apropriação pelos seus moradores.

·     Desenvolvimento de tipologias de edifícios e habitacionais muito marcadas por espaços exteriores privados; condição esta aplicável a um extenso leque tipológico e extremamente interessante no sentido de uma melhor adequação a modos e gostos de habitar específicos.

·     Relação entre acessos e espaços exteriores privados; condição esta talvez já de maior pormenor, mas muito importante pela sua influência, quer nos usos da “casa”, quer na sua imagem.

·     Consideração do grande potencial e da devida importância do exterior privado em termos de adequação climática e sustentabilidade ambiental doméstica.

·     Consideração de aspetos específicos ligados a associações preferenciais entre espaços domésticos interiores e exteriores, e, naturalmente, dos respetivos espaços de transição e ligação.

Finalmente, chama-se a atenção para a condição de, em seguida, não se ter tentado “esgotar” casa um dos referidos subtemas, mas, apenas, lançar algumas ideias sobre cada um deles, frequentemente, tirando-se partido de observações e comentários  prático-teóricos de conhecidos autores sobre essas matérias.

Relação do espaço exterior privado com o restante espaço doméstico

Num estudo de Claude Lamure conclui-se que a utilização da varanda é, frequentemente, considerada como uma espécie de paliativo à ausência de um pequeno quintal privado, possibilidade esta que terá alguma relação com a própria dimensão e organização da varanda e que é provada pelo frequente arranjo da varanda como "pseudo-jardim".

Esta matéria tem relações com outros aspectos associáveis aos diversos aspetos da vivência doméstica, e essencialmente com a vontade de naturalização e apropriação da habitação tão frequentemente presente desde os espaços comuns ou públicos, na vizinhança de portas de entrada, às varandas e janelas e às floreiras que marcam paredes.

É como se a natureza fosse a eleita para marcar o habitar, num sentido contrário ao movimento que levou da natureza ao abrigo “artificial”; e poderá haver boas respostas para esta situação, respostas que harmonizem a força da apropriação privada com a atractividade da imagem comum que é produzida, tudo dependendo, por exemplo, da boa previsão dos espaços e da harmonização dos suportes (vasos e floreiras) para essa naturalização.

Naturalmente que, em muitas situações, os dois pequenos mundos privativos – interior e exterior – não têm, praticamente, qualquer relação verdadeiramente efetiva, o que é muito negativo; para não se dizer que, também em muitas situações, a integração do exterior privado como elemento estruturador da solução e do partido visual externo do respetivo edifício é praticamente nula em verdadeiros termos arquitectónicos.

 

 

Fig. 01:  - Edifícios multifamiliares com forte escala humana, profunda e positivamente marcados pelos respetivos espaços exteriores privados e em que a vegetação envolvente e própria proporciona excelente efeito de integração - exterior de habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Moore, Ruble, Yudell, Bertil Öhrström.

Integrar a natureza nos edifícios  

A integração da natureza nos edifícios e especificamente nos espaços exteriores privados é uma condição que pode ser estratégica tanto em termos de expressiva integração do edifício, como de reforçada apropriação pelos seus moradores – uma integração que, evidentemente, está mais ligada a uma certa “naturalização” da intervenção, mas que pode também marcar pela estratégica concentração de alguns, poucos, elementos naturais em locais marcantes e uma apropriação que é, sempre, condição muito importante para se habilitar a habitação em termos de promoção de uma aprofundada satisfação habitacional e urbana.

Estas matérias ligam-se, também, ao que pode ser uma perspectiva de verdadeira naturalização, quase “integral” ou muito expressiva da globalidade de edifícios uni e multifamiliares, numa opção por uma espécie de camuflagem natural dos espaços edificados, e para esta opção são fundamentais todos os tipos de espaços exteriores privativos diversificadamente associados e configurados – dos quintais e pátios, às pequenas jardinetas de remate da construção, às varandas, balcões e terraços, às simples floreiras elevadas e associadas aos referidos espaços ou simplesmente penduradas de paredes ou associadas a janelas de sacada, janelas estas que facilmente são transformadas em pequeníssimas varandas de assomar.

A questão da “linguagem” de Arquitectura usada e da eventual dificuldade de compatibilização de um desenho depurado com este tipo de soluções é uma questão que se remete, exatamente, para um esforço específico de bom desenho, um desenho que se torna, evidentemente, tanto mais sensível quanto mais numerosos e distintos os elementos em presença.

 


Fig. 02:  - Pátios privados que cooperam integralmente no "fazer" do espaço doméstico - interior e exterior de habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Nils-Olof Ljunggren, Kristofer Swahn, Mima. Neste caso o espaço exterior privado acaba por ser, também, verdadeiro espaço “interior” doméstico, tanto em termos “ambientais” ou visuais, como até funcionais.

Tipologias habitacionais e espaços exteriores privados

O desenvolvimento de tipologias de edifícios e habitacionais muito marcadas por espaços exteriores privados é uma condição aplicável a um extenso leque tipológico e extremamente interessante no sentido de uma melhor adequação a modos e gostos de habitar específicos.

No que se refere a associações privilegiadas entre a extensa família de espaços e elementos de exterior privado com tipos habitacionais e edificados específicos, salienta-se o facto, provado em numerosos inquéritos (1), de que a preferência por edifícios unifamiliares é, muitas vezes, associada à existência de um espaço exterior privativo e, muito especificamente, de um pequeno jardim privado, que possa ser, em parte, utilizável para fins utilitários; e sobre este facto salientam-se duas ideias de âmbito genérico, e que se considera serem muito curiosas:

·     a primeira que não é, evidentemente, necessário fazer edifícios unifamiliares “correntes” para se disponibilizar um pequeno espaço ajardinável a cada habitação, pois há múltiplas soluções multifamiliares e de transição uni-multifamiliar densificada que podem disponibilizar condições deste tipo e com elas caracterizarem atraentes soluções urbanas pormenorizadas e estratégica e equilibradamente densificadas;

·     e a segunda ideia é que, mais uma vez, a faceta limitadamente “utilitária” aparece, aqui em segundo plano na concepção doméstica; surgindo, sim, numa relação estimulante com a criação de ambientes t\ao exteriores e pontualmente “naturais” como bem conjugáveis no prolongamento de atividades interiores ou sedes de atividades exteriores carismáticas.

Lembra-se a forte e “tradicional” relação entre pátios ou pequenos jardins privativos e uma estimulante diversificação tipológica residencial e urbana e importa sublinhar que é esta ampla e muito diversificada virtualidade associativa e fortemente caracterizadora que marca um extenso leque de soluções multifamiliares e de transição uni-multifamiliar densificada:

·     seja pelo evidenciar de tais espaços e do seu conteúdo em termos de naturalização (árvores, grandes e pequenos arbustos, trepadeiras, coberturas de solo, plantas rasteiras);

·     seja também pelo evidenciar da ausência estratégica dessa mesma naturalização – pois o desenho irá marcar cada solução e sítio específicos.

Mas não haja dúvidas sobre o enorme potencial de protagonismo de todos esses elementos na geração de diversificadas e estimulantes tipologias habitacionais; assim o bom desenho exista.

 

Fig. 03:  - Interessantes acessos realizados através de quintais privados em que a vista pública é razoavelmente permitida, sendo, no entanto, estrategicamente condicionada; e contribuindo ainda a vedação para a dignidade e o interesse dos espaços públicos contíguos - exterior de habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Greger Dahlström.

Relação entre acessos e espaços exteriores privados

A relação entre a tipificação e a configuração pormenorizada de acessos habitacionais e espaços exteriores privados é muito importante pela sua influência, quer nos usos da “casa”, quer na sua imagem, podendo, por exemplo, “transformar” o caráter de uma habitação integrada até num grande multifamiliar, marcando-o quase como sendo o ambiente/imagem de um unifamiliar em banda cerrada.

Esta matéria liga-se a um outro e fundamental elemento de composição tipológica residencial e urbana, de pormenor, que é a estruturação, associação, e evidenciação ou camuflagem de acessos comuns e privativos, relativamente aos referidos espaços exteriores privativos.

Matéria esta cujo interesse fica evidente, por exemplo, pelo interesse que sempre terá poder-se entrar “em casa” através de um espaço exterior privativo, que pode ser um quintal ou pátio privativo em soluções unifamiliares e de transição uni-multifamiliar densificada, mas que pode ser até, por exemplo, um pequeno pátio/terraço alongado em soluções multifamiliares densificadas e em altura, associando-se, neste caso, uma estimulante ambiguidade entre o “viver em altura” e a vivência “natural” mais ligada ao solo.

E não se pense que tais diversificações de soluções são, necessariamente, caras ou luxuosas: são sim e obrigatoriamente soluções que têm de ser extremamente bem desenhadas, pormenorizadas e urbanisticamente integradas.

Exterior privado e adequação climática ou sustentabilidade ambiental doméstica

Em todas estas reflexões importa sublinhar que é urgente privilegiar, cada vez mais, o exterior e, neste caso, especificamente, o exterior privativo no desenvolvimento de soluções habitacionais num sul da Europa, climaticamente agradável em boa parte do ano.

Mas mesmo mais a norte na Europa têm sido desenvolvidas soluções marcadas por espaços exteriores privativos associados às entradas principais de habitações incluídas em grandes condomínios verticalizados, numa opção que, desta forma, pretende caracterizar estas habitações como se fossem “moradias” agregadas num conjunto em altura, reforçando-se os respectivos aspectos de individualidade e de apropriação, através de plantas e outros arranjos do exterior.

E a ideia que se quer deixar é que se isto é possível e tem sido praticado, com êxito, a caminho do norte da Europa, será muito adequado quer em países mais a sul, quer em soluções menos altas e densificadas, proporcionando-se um muito amplo leque de resultados formais e funcionais, que serão, também, muito estimulantes nas suas imagens urbanas.

Fig. 04:  - Um exterior doméstico que prolonga o respetivo interior e que tem, mesmo, presença/força própria (e atenção, que, neste caso, estamos no Norte da Europa) - exterior de habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Stella Eriksson, Ellica Stare, Sven Gustafsson.

Associações preferenciais entre espaços domésticos interiores e exteriores

Considerando, agora, a matéria das associações preferenciais entre espaços domésticos interiores e exteriores, e salientando-se, desde logo, neste aspeto, o protagonismo dos espaços e elementos de relação e transição entre interior e exterior, sublinha-se que, por exemplo, as varandas e os terraços podem privilegiar:

·     o desenvolvimento de  entradas principais ou de serviço na habitação;

·     o “prolongamento” das salas;

·     e, numa gradação de relações preferenciais, os quartos de dormir e as saletas.

Tais relações entre espaços domésticos interiores e exteriores, podem também assumir um carácter de varanda ou terraço de serviço, junto da cozinha e da zona de tratamento de roupa.

A ideia é, naturalmente, de se poder servir melhor todos os habitantes e apoiar, eventualmente, reuniões e convívios mais alargados; e há soluções que compatibilizam espaço mais social e mais de serviço, naturalmente, com uma mais desafogada disponibilidade de espaço.

Uma outra associação funcional que pode ser muito explorada, designadamente, em zonas com microclimas mais amenos é a existência de espaços privativos exteriores do tipo varandas, pátios e alpendres que constituam ligações activas entre vários compartimentos da habitação, podendo constituir ligações alternativas, que são sempre úteis, por exemplo, quando se realizam festas em casa, ou que poderão constituir elas próprias as únicas circulações disponíveis, essencialmente em soluções habitacionais muito caracterizadas e desde que estes espaços de circulação tenham uma protecção climática reforçada.

Uma associação funcional que começa a ser frequente noutras zonas do mundo é o desenvolvimento no exterior privativo de uma verdadeira e espaçosa sala de estar e de refeições aberta ao exterior, habitualmente associada, por exemplo, a condições para grelhar alimentos; uma possibilidade que estará naturalmente mais associada a condições de espaciosidade acima da média ou de fácil desenvolvimento em piso térreo e sem se prejudicar, ambientalmente, habitações vizinhas.

Notas

(1) M. Imbert, "Mission d'Études de la Ville Nouvelle du Vaudreil", p. 18.

 

 Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.


O presente artigo corresponde a uma nova versão, revista e aumentada, do artigo publicado no número 571 da Infohabitar em 28 de fevereiro de 2016.

 

Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações. 

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 741

 

Repensar os espaços exteriores privados –Infohabitar # 741

 

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil(LNEC), em Lisboa.

 

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abc@lnec.pt

 

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).