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terça-feira, setembro 08, 2020

Inovar nos espaços exteriores privados – Infohabitar # 746

Ligação direta (clicar) para:  725 Artigos Interactivos, edição revista, ilustrada e comentada - 38 temas e mais de 100 autores.


Infohabitar, Ano XVI, n.º 746

Edição: terça-feira, 8 de setembro de 2020

 

Caros leitores da Infohabitar,

Continuando em um dos temas “centrais” da nossa revista: os espaços do habitar, vamos aprofundando, semana a semana, esta matéria, neste caso no âmbito dos espaços exteriores privados, matéria esta cuja importância esteve e está tão evidenciada em virtude do confinamento doméstico a que estivemos e ainda, em parte, estamos “obrigados”, no sentido de se procurar reduzir e, se possível, ajudar a estancar, a pandemia que sofremos.

Neste sentido, na presente semana iremos, “apenas”, iniciar uma reflexão sobrte a importância da inovaçãoo na conceção dos espaços exteriores privados.

E aproveita-se a oportunidade para voltar a sublinhar a importância que continua a ter o distanciamento social, conseguido sempre que possível através do teletrabalho e todas as medidas de proteção própria e dos outros, que são muito favorecidas com o uso sistemático, maximizado e cuidadoso de máscara e a continuidade dos cuidados de higiene.

Esta renovada viagem pelos espaços do habitar está a ser e continuará a ser feita, nas próximas semanas.

Lembra-se, finalmente, que serão sempre muito bem-vindas eventuais ideias comentadas a propósito dos artigos aqui editados e propostas de novos artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com ao meu cuidado),

despeço-me, até à próxima semana, com saudações calorosas e desejos de muita força e de boa saúde,    

Lisboa, Encarnação, em 7 de setembro de 2020

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar

 

Inovar nos espaços exteriores privados Infohabitar # 746

António Baptista Coelho

Textos e fotografias


 

Introdução sobre a inovação no exterior privado

Nos últimos artigos já se abordaram muitos aspectos associados a esta matéria dos novos caminhos no desenvolvimento de espaços exteriores privativos.

Importa, no entanto, fazer aqui mais algumas notas específicas para algumas matérias que estão actualmente na primeira linha da atenção pública e por isso iremos comentar, brevemente, alguns aspectos que articulam o desenvolvimento de espaços exteriores privados diversificados, multiformes e multifuncionais com as temáticas que se julgam bem atuais, da pormenorização da densificação urbana, da intensificação da naturalização do espaço urbano e da integração doméstica de marquises/estufas – matérias estas abordadas no livro do LNEC, intitulado “Do bairro e da vizinhança à habitação”.


Brevíssimas notas sobre o pátio residencial

Segundo Claude Lamure, o pátio faz aumentar a densidade e a intimidade do habitat unifamiliar proporcionando uma utilização múltipla (desde trabalhos ligados ao serviço doméstico, até horticultura e jardinagem limitadas e funções de estar e recreio); segundo o autor, as respectivas áreas mínimas variam entre 30 e 40m², devendo crescer sensivelmente nas habitações com maior número de quartos, caso contrário, defende o autor, produzem-se conflitos entre recreio de crianças e outras actividades (1).

Podemos e devemos ampliar esta reflexão sobre a integração de pátios residenciais considerando-os no quadro de edifícios multifamiliares de baixa e mesmo média altura, formalmente bem desenvolvidos, designadamente, no sentido de se ampliar e reforçar visualmente a relação destes edifícios com o solo envolvente e fazendo com que tais pátios possam servir pisos térreos e mesmo pisos em 1.º andar e reconsiderando, mesmo, o seu dimensionamento e as suas características de vedação.

Os resultados atingidos teráo a ver com imagens conjugadas de pátios, terraços e balcões fundos, promovendo-se, quer uma aparente redução de escala dos respetivos edifícios – que ficarão muito mais associados à escala humana – quer uma sua habilitação para um leque de atividades muito mais amplo do que aquele habitualmente possível em multifamiliares.


Fig. 01:  pátio privado de habitação unifamiliar e/ou de habitação integrada em piso térreo de edifício multifamiliar; neste caso a opção por vedações altas em madeira proporciona proteção de vistas e um ambiente exterior expressivamente naturalizado - exterior de habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Henrik Haremst.

Exterior privado construindo exterior público aliciante

O estar exterior exige, simultaneamente, insolação, abrigo dos ventos dominantes e uma ponderada e graduável intimidade ; devidamente ponderada, porque, por exemplo, os idosos apreciam, por vezes, vistas diretas sobre atividades e boa perceção de alguma animação no exterior de uso público.

A graduação da intimidade pode realizar-se, simplesmente, pela opção entre diferentes tipos e alturas de vedações, desde que com imagens públicas prévia e adequadamente coordenadas em termos de imagem urbana; diferentes tipos de sebes e de vedações podem proporcionar essas condições, para além de estimularem o convívio natural entre vizinhos ocupados na sua manutenção.

Um outro processo simples de se conseguir essa diferenciação é a existência de uma marcada diferença de nível entre o espaço público e os terraços ou pátios privados contíguos; num jogo de níveis/desníveis que pode ser bem aproveitado pelo desenvolvimento de tipologias residenciais intermédias – entre edifícios uni e multifamiliares –, que proporcionem a maximização do contato direto entre margens de espaços privados (interiores, exteriores e de relação interior/exterior) e espaços exteriores de uso público.

Naturalmente que um projecto urbano e habitacional densificado, designadamente, através de uma abundante introdução de balcões fundos, terraços, pátios e pequenos quintais privados, exige um extremo cuidado de pormenorização, sendo possíveis estimulantes misturas tipológicas uni e multifamiliares, assim como a conjugação entre diversas tipologias habitacionais nos mesmos edifícios; desde já se sublinha que tais opções de conceção só estarão ao alcance de uma arquitetura muito qualificada – caso contrário correremos muitos riscos –, mas são soluções extremamente aliciantes pela aliança que nos oferecem entre privacidade e apropriação de cada “mundo” privado – onde por exemplo se entre através de um pequeno pátio murado e privativo – e potenciais agregações densificadas e orgânicas ou racionalizadas de elevados números de habitações, num acentuar de um “mundo” público também muito estimulante e, potencialmente, muito diversificado.

E não podemos deixar de referir que tais opções de projeto acabam por se “aproximar”, pelo menos em termos visuais, das ideias que basearam a conceção dos primeiros núcleos urbanos, marcados por conjuntos imbricados de edificações e de espaços de uso público “entremeando-as”.


Exterior privado como verdadeira “segunda dimensão” da vivência residencial e doméstica

Esta consideração decorre de inúmeras reflexões que têm sido feitas nos últimos textos que abordam a importância do exterior privado, pois não tenhamos qualquer dúvida que a existência de um exterior privado verdadeiramente positivo e afirmado, bem concebido, visualmente atraente e multifuncionalmente apetecível, é um fator que qualifica uma dada habitação, proporcionando-lhe como que uma dupla “capacidade dimensional”, seja no apoio direto a atividades interiores e ao seu conforto ambiental, seja pelo propiciar de um leque específico de outras atividades, até, eventual e agradavelmente “paralelas” às mais interiores; e evidentemente que tal condição é tanto mais efetiva quanto mais adequadas forem as condições climáticas gerais e específicas desses exteriores privados, sendo que no nosso País temos excelentes condições de conforto ambiental exterior em muitas regiões e durante boa parte do ano.


Exterior privado e dinamização do convívio vicinal

Um aspeto que se considera ser de grande importância e que é, frequentemente, esquecido, refere-se à positiva influência que tem o desenvolvimento de assinaláveis continuidades de pequenos quintais, pátios e balcões privados, na promoção de condições propícias ao desenvolvimento do convívio vicinal em espaços de uso público contíguos a esses pequenos  espaços privados.

Tal possibilidade proporciona resultados bem interessantes, designadamente, no que se refere ao estímulo das relações vicinais e mesmo de um certo sentido e identidade local – por exemplo marcando espaços de uso público mas com sentido comunitário e vicinal contíguos aos espaços exteriores privados -, mas deve ser desenvolvida com grandes cuidados, seja no sentido da proteção de vistas pelo menos  em parte dos exteriores privados, seja no que se refere à maximizaçãoo do controlo visual dos usos nos respetivos exteriores públicos contíguos


Intensificação do exterior privado e reforço do verde urbano

Quanto ao potencial de intensa naturalização do espaço urbano, por introdução de multifacetados elementos de verde urbano, numa estratégia de fixação de carbono, amenização climática, redução de poluição, melhoria multifacetada do bem-estar e da saúde dos habitantes, apoio à apropriação dos diversos espaços e suavização do ambiente citadino, numa sintética referência às múltiplas vantagens do verde urbano, essa intensa naturalização encontra nos espaços exteriores privativos e comuns os seus locais de eleição, desde as estreitas jardinetas frontais, aos profundos quintais traseiros, às floreiras nas fachadas e às filas de vasos e floreiras em varandas, terraços e pátios; e isto para não falar nas coberturas “verdes”.

Tal como se apontou, há alguns anos, no livro do LNEC intitulado “Do bairro e da vizinhança à habitação”, são muito variadas as formas que podem assumir as plantas nos edifícios (ex., floreiras mais ou menos salientes, pequenos jardins de cobertura, trepadeiras, vasos evidenciados, caramanchões, pérgulas protegendo zonas exteriores, etc.), e, naturalmente, os respectivos conteúdos de expressão, que contribuem para as imagens gerais dos edifícios onde se integram, são, pelo menos tão variados e sempre muito ricos, porque relativamente livres (uma planta nunca é igual a outra, quanto muito é idêntica).

De certo esta matéria corresponde a uma composição de arquitetura urbana com duas variáveis básicas:

·      tipo de dispositivo de suporte da vegetação;

·      e características formais e vegetativas das plantas usadas.

Um interessante exemplo desta variedade de soluções é proporcionado pelas "floreiras interiores" ("internal closed window boxes") (2), que parecem ser capazes de produzir uma belíssima conjugação de planos contíguos, marcando a profundidade dos vãos; e uma atraente e estimulante sensação de continuidade entre verde “interior” e exterior.

Fig. 02: um projecto urbano e habitacional densificado, designadamente, através da introdução de pátios privados, exige um extremo cuidado de pormenorização, sendo possíveis estimulantes misturas tipológicas uni e multifamiliares; e neste caso uma rica pormenorização em termos de um verde “de uso público”, em boa parte assegurado pelo verde privado e com caraterísticas tridimensionais (superfícies de solo, superfícies de paredes e mesmo teto arbóreo) - exterior de habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Greger Dahlström.


O interesse da natureza no meio urbano

É muito interessante verificar o importante efeito bilateral que podem ter, com alguma facilidade, as floreiras que rematam espaços exteriores privados e elevados:

·      pelo lado privado, e ao nível das respectivas habitações, aumentam a segurança da varanda, "loggia" ou terraço e diminuem ou anulam possíveis efeitos de vertigem, para além de terem uma imagem envolvente que simula a contiguidade com um jardim (nas vistas a partir do interior do fogo);

·      pelo lado público vicinal, fazem descer a vegetação sobre a rua, humanizando-a, em escala e em conteúdo residencial de proximidade;

·      enquanto pelo lado público com mais escala urbana podem caraterizar vizinhanças e pequenos bairros como marcadamente naturalizados;

·      e, globalmente, e em conjunto com os restantes elementos do verde urbano, contribuem para um adequado conforto ambiental nos espaços privados e públicos contíguos.

Tal como refere Cliff Tandy (3) "as plantas de interior (e as situadas no limiar exterior/interior) têm as seguintes funções: relacionar espaços interiores; ligar espaços interiores e exteriores; proporcionar privacidade, filtros e barreiras visuais; demarcar fronteiras; e complementar ou contrastar, formal, textural e cromaticamente materiais, superfícies e objectos contíguos ou próximos."

Há, portanto, um enorme leque de soluções de integração do verde nos edifícios habitacionais e suas envolventes. Não é, evidentemente, “obrigatória” uma tal integração, e a sua ausência também é, por vezes, motivo de excelência urbana, mas não é possível fingir-se que não existem tais possibilidades e que uma tal integração do verde nos edifícios habitacionais e suas envolventes tem inúmeras vantagens, tal como acima se salientou.

Fig. 03: o interesse, privado e público, da natureza no meio urbano, uma matéria que tem muito a desenvolver  - exterior de habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Kai Wartiainem, Ingrid Reppen.


Varandas envidraçadas

Considerando, agora, o espaço “interior” doméstico, e apostando, agora, no aproveitamento de todas as opções possíveis em termos de espaço exterior/interior doméstico, abordam-se alguns dos bons aspetos que podem ser cumpridos por espaços de varanda envidraçados, evidentemente, bem planeadas como tal, ao nível do projeto inicial, talvez um pouco na tradição dos “jardins de Inverno”, embora a escala reduzida.

segundo Luc Bourdeau (4), a existência de uma varanda envidraçada profunda, concebida de raiz como estufa/solário, é um elemento que contribui para a poupança energética no aquecimento da habitação, durante o tempo frio, e além disto está provado que fomenta a criação de plantas em casa e, cumulativamente, proporciona a prática de diversas actividades (como por exemplo, tomar refeições, repousar, realizar passatempos, trabalhar), num espaço exterior/interior, e portanto, em agradável contacto com o exterior ambiental, paisagístico e urbano; e salienta-se, ainda, que uma parte significativa destas actividades continuam a ser praticadas também, na estufa/solário, durante o Inverno, garantindo-se, assim, uma continuidade de relacionamentos com o exterior.

Para o bom funcionamento das estufas/solários ao longo de todo o ano, considerando a sua contribuição para uma boa temperatura interior, é necessário que nelas existam vãos exteriores e dispositivos de sombreamento reguláveis, e que sejam mantidos vãos envidraçados e controláveis entre elas e os compartimentos contíguos; o que permitirá aos habitantes a escolha, diária, entre o aproveitamento do calor acumulado na estufa, ou o seu bloqueio nesse espaço, seguido de simples operações de ventilação que o rejeitem para o exterior.

Comenta-se, ainda, que esta opção de falar das varandas envidraçada ou estufas como espaços exteriores privativos é, naturalmente, discutível, pois elas são, exactamente, espaços de limiar e de transição entre exterior e interior.

Breves notas conclusivas

E conclui-se, neste conjunto de textos, esta matéria dos espaços exteriores privados, referindo-se que quem nunca teve o privilégio de habitar um jardim privado, ainda que pequeno, mas bem orientado e dimensionado, ou uma ampla varanda bem desenhada, dimensionada e orientada – recebendo o sol matinal e fresca ao final da tarde -, não sabe realmente as vantagens em termos de ambiente e de vivência que tais espaços do habitar nos proporcionam; uma matéria a desenvolver, sem dúvida, e que ficou, infelizmente, bem evidenciada com a crise que vivemos, designadamente, pela exigência de um confinamento doméstico, que é bem diferente quando tais espaços exteriores privados existem.

 

Notas

(1) Claude Lamure, "Adaptation du Logement à la Vie Familiale", p. 210.

(2) Cliff Tandy (Ed.), "Handbook of Urban Landscape", p. 256.

(3) Cliff Tandy (Ed.), "Handbook of Urban Landscape", p. 252.

(4) Luc Bourdeau, "Satisfaction and Behavior of the Occupants of Buildings with Sunspaces, Influence on the Energy Savings", p. 107.


 

Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.

 

O presente artigo corresponde a uma edição ampliada, modificada e revista do artigo que foi editado na Infohabitar, em 20/03/2016, com o n.º 574.

 

 

Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.


Infohabitar, Ano XVI, n.º 746


Inovar nos espaços exteriores privados Infohabitar # 746


Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

 

abc.infohabitar@gmail.com

abc@lnec.pt

 

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).

segunda-feira, agosto 24, 2020

Apropriação e caracterização dos exteriores privados – Infohabitar – Infohabitar # 744

 Ligação direta (clicar) para:  725 Artigos Interactivos, edição revista, ilustrada e comentada - 38 temas e mais de 100 autores.

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 744

 

Apropriação e caracterização dos exteriores privados – Infohabitar Infohabitar # 744

Por António Baptista Coelho (texto e imagens)

 

Edição: terça-feira, 25 de agosto de 2020

 

Editorial:

Caros leitores da Infohabitar,

Continuando em um dos temas “centrais” da nossa revista: os espaços do habitar, vamos aprofundando, semana a semana, esta matéria, neste caso no âmbito dos espaços exteriores privados, matéria esta cuja importância esteve e está tão evidenciada em virtude do confinamento doméstico a que estivemos e ainda, em parte, estamos “obrigados”, no sentido de se procurar reduzir e, se possível, ajudar a estancar, a pandemia que sofremos.

E aproveita-se a oportunidade para voltar a sublinhar a importância que continua a ter o distanciamento social, conseguido sempre que possível através do teletrabalho e todas as medidas de proteção própria e dos outros, que são muito favorecidas com o uso sistemático, maximizado e cuidadoso de máscara e a continuidade dos cuidados de higiene.

Esta renovada viagem pelos espaços do habitar está a ser e continuará a ser feita, nas próximas semanas.

Lembra-se, finalmente, que serão sempre muito bem-vindas eventuais ideias comentadas a propósito dos artigos aqui editados e propostas de novos artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com ao meu cuidado),

despeço-me, até à próxima semana, com saudações calorosas e desejos de muita força e de boa saúde,

Lisboa, Encarnação, em 24 de agosto de 2020

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar



Apropriação e caracterização dos exteriores privados Infohabitar # 744

António Baptista Coelho



Notas de enquadramento

Relativamente às matérias associadas ao desejável equilíbrio entre apropriação e positiva caraterização dos espaços exteriores privados – portanto, fazermos dos nossos quintais e varandas espaços marcados pelas nossas ideias de uso e de ocupação e mesmo, um pouco, “espelhos” dos nossos gostos em termos de uso do exterior e, simultaneamente, elementos positivos em termos de visibilidade pública ou comum – serão, em seguida, abordados os seguintes subtemas:

·      Problemas correntes no exterior privado

·      Questões de apropriação e de uso do exterior privado

·      Opções essenciais no exterior urbano privado

·      Caraterização do exterior urbano privado

 

 

 

Problemas correntes no exterior privado

Os problemas mais correntes em espaços exteriores privados ligam-se a aspectos de desconforto ambiental, insegurança no uso por crianças, apropriação indevida desses espaços com marquises envidraçadas e criação de problemas de falta de privacidade relativamente a vizinhos.

Sobre os aspectos de desconforto por negativa exposição solar e reduzida protecção relativamente aos ventos dominantes, trta-se de matérias muito ligadas quer à orientação, quer à pormenorização da proteção desses espaços; podendo resumir-se que no que toca à insolção e no hemisfério Norte a referida orientação preferencial deverá ser entre E e SSW, no sentido de se poder ter insolação abundante, mas não excessiva, designadamente, quando a exposição é muito direcionada a poente – tendo-se em conta que é muito difícil reduzir a exposição solar a poente já se falou acima; no que toca aos ventos dominantes é matéria que tem de ser considerada caso a caso, mas aqui a pormenorizaçãoo da proteção pode ter efeito razoavelmente eficaz.

Ainda em termos de conforto ambiental importa salientar a questão do ruído, uma condição que pode reduzir muito oy mesmo inviabilizar o uso do exterior privado, sendo matéria que terá de ser considerada também logo no início da conceção pois torna-se muito difícil melhorar o conforto sonoro de zonas exteriores ruidosas – muito expostas a fontes de ruído.

Relativamente à insegurança no uso por crianças e tal como se apontou no estudo do LNEC que tem sido citado, frequentemente (ITA 2), nunca é demais chamar a atenção para o espaço livre mínimo que deve ser previsto nos orifícios ou faixas livres nas guardas dos espaços exteriores privados e elevados (varandas, "loggias" e terraços), para a altura do seus parapeitos, para a inexistência de elementos horizontais nas guardas (facilitando a subida) e para o perigo que representam as guardas opacas, excitando a natural curiosidade das crianças; e nunca é demais salientar que tais condições devem ser igualmente cumpridas em todos os vãos exteriores e elevados das habitações.

Nestes aspectos associados ao conforto ambiental e à segurança no uso Dreyfuss e Tribel referem que há que ter em conta que as varandas/balcões (1): diminuem a iluminação natural dos compartimentos contíguos, o que implica a previsão de amplos vãos envidraçados; e podem provocar sensações de vertigem muito negativas, a compensar não só pela altura dos parapeitos e pelo desenho das guardas, mas também por espessuras, recuos e elementos intermédios (ex., floreiras largas). Portanto prever baterias verticais de varandas/balcões implica um cuidado acrescido no desenho dos compartimentos que lhes são contíguos.

É, portanto, extremamente importante a questão das quedas de altura (ex., de crianças, idosos) devido ao deficiente desenho de guardas de varandas e outros espaços exteriores privados elevados, deve ser devidamente considerado, evitando-se, designadamente, guardas baixas e que as crianças possam usar estas guardas e outros elementos construídos (ex., foreiras) para subir (escalar), ou possam passar entre elementos das mesmas guardas; não faz qualquer sentido que o desenho destes elementos não seja devidamente considerado tendo em conta estes aspetos.

Importa ainda sublinhar que todos este tipo de cuidados em termos de pormenorização de espaços exteriores privados deve ser harmonizado, por um lado, com a boa visibilidade paisagística (ampla ou de “grande plano”) que deve ser possível a partir de espaços exteriores privados elevados e tendo-se em conta a visibilidade a partir de posições sentadas nos próprios espaços e nos espaços interiores contíguos, por outro lado e naturalmente com a proteção da privacidade que deve ser sempre cuidadsamente considerada e ainda, por outro lado, com o respeito do conforto ambiental em habitações e espaços comuns ou de uso público contíguos e próximos.

 


Fig. 01:  é essencial que o exterior privado seja tão agradável como seguro, estimulando-se, assim um seu uso intenso e prolongado como verdadeira extensão do interior doméstico  e/ou mesmo como espaço onde são possíveis usos domésticos exteriores muito específicos - exteriores privados muito bem protegidos de vistas comuns ou públicas, de habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Kim Dalgaard, Tue Traerup Madsen.

 

Questões de apropriação e de uso do exterior privado

No que se refere à apropriação indevida dos espaços exteriores privados com marquises envidraçadas, considera-se que ou esta ocupação está devidamente programada e prevista em projecto, ou deve ter “tolerância zero”, e há aliás regulamentação específica, pois não faz qualquer sentido o verdadeiro “assassínio” que se faz de excelentes fachadas com o caos inestético da intervenção livre de cada um nas suas varandas e outros espaços exteriores privativos.

No que toca aos potenciais problemas de privacidade estes são, naturalmente, essenciais para o uso intenso do exterior privado, assim como a matéria associada à regulação e clarificação do seu uso, por exemplo para diversas atividades, como criação de animais e outras atividades com caráter mais rural.

Considera-se que há pormenorizações que tornam mais difíceis tais encerramentos caóticos de varandas e balcões com marquises envidraçadas, assim como há soluções que os facilitam.

Sublinha-se que com esta tomada de posição não se está a negar o interesse, mesmo arquitectónico, das marquises envidraçadas – aliás bem provado em múltiplos exemplos da história da Arquitetura –, mas apenas a sublinhar-se que elas devem ter uma previsão específica, seja através de uma conceção prévia, como elementos activos e positivos nos respetivos alçados e nos diversos espaços da habitação e, por exemplo, com papel positivo no aproveitamento passivo da energia solar, seja através de um projecto-tipo, obrigatoriamente respeitado por todos aqueles que pretendam encerrar um dos balcões ou varandas do edifício, e sempre que o efeito final de uma tal acção esteja devidamente acautelado.

Naturalmente que esta forma de actuar tem de ter aplicação em todos os tipos de espaços exteriores privativos, não se limitando aqueles mais evidentes a partir dos espaços públicos; tem de haver sempre projectos-tipo que harmonizem as intervenções de ocupação parcial e de apropriação desses espaços exteriores e tem de haver uma estratégia de contínua visibilidade mútua e de vigilância “oficial” periódica mas activa capaz de garantir ordem e civismo na ocupação destes espaços.

Frequentemente a razão para não se desenvolverem espaços destes tipos é que eles depois serão anarquicamente ocupados, mas, também frequentemente, pouco se faz para garantir o ordenamento nessa ocupação.



Fig. 02: a "velha" e extremamente crítica questão da "marquisação" deveria ter respostas perfeitamente claras e "obrigatórias" de modo a salvaguardar-se a dignidade e a qualidade da imagem urbana dos edifícios, por exemplo, através de soluções perfeitamente definidas (pré-definidas)  e bem harmonizadas com os respetivos projetos (realizadas pelos projetistas dos edifícios) - exterior de habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Johan Nyrén.



Opções essenciais no exterior urbano privado

O que podemos considerar como opções essenciais em termos de previsão de espaços exteriores privados corresponde:

·      ao nível dos edifícios, ao desenvolvimento de adequadas tipologias edificadas e domésticas que integrem bem esses espaços, em termos de imagem pública e em termos de adequada complementaridade com os respetivos espaços interiores domésticos;

·      e ao nível do espaço público, ou talvez melhor dito, ao nível da própria arquitetura urbana, ao desenvolvimento de tipologias urbanas pormenorizadas, quase sempre em termos de quarteirões fechados ou semi-abertos, em que parte significativa do exterior está ocupado por prquenos quintais ou pátios privativos, ligados aos pisos térreos e mesmo a outros pisos mais elevados – tendo que existir, naturalmente, regras bem definidas em termos da ocupação e das imagens públicas aqui produzidas.

Sobre esta última matéria há, ainda, que sublinhar o interesse que tem a escolha entre rodear edifícios de verdadeiras “manchas de óleo” de espaços públicos “áridos”, desvitalizados e quase abandonados – pois é impossível trabalhar para uma vitalização global de uma tal quantidade de espaços públicos – e optar-se por uma ocupação térrea significativamente marcada por quintais e pátios privativos, que concentra o espaço público em continuidades muito mais reduzidas, controláveis, equipáveis e vitalizáveis ( e portanto com um arranjo e uma manutenção mais económicos) e que atribui às habitações do rés-do-chão uma outra dimensão vivencial e de leque de actividades possíveis – desde a horticultura e floricultura ao convívio com animais domésticos.

Esta escolha parece lógica e há formas de controlar e harmonizar a intervenção apropriadora dos habitantes, seja tapando parte da vista pública e privatizando, agradavelmente, tais espaços de pátio ou quintal, seja obrigando à referida disciplina dos projectos-tipo de quaisquer equipamentos e anexos a introduzir, seja dinamizando o arranjo de tais espaços que tenham vista pública, por exemplo, através da participação pública nesse arranjo, e, até, por exemplo, mediante concursos que dinamizem a estima privada e pública de cada rua, de cada praceta e de cada quintal.

E sublinha-se o interesse que todas estas medidas acrescentam ao objetivo principal destas reflexões que é fazer uma habitação mais apropriável, mais satisfatória e mais estimulante.





Fig. 03: os espaços exteriores privados não podem caracterizar-se por quaisquer características de “residualidade”, têm de ser verdadeiros e muito positivos elementos protagonistas do conjunto integrado dos respectivos espaços domésticos e das suas influências públicas, em termos de uma adequada e rica caraterização da imagem urbana local, tal como aqui acontece nesta verdadeira zona de estar doméstica ao ar livre  - exterior de habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Henrik Haremst.



Caraterização do exterior urbano privado

Segundo Alexander, os terraços, pátios e jardins contíguos e privativos dos pisos térreos habitacionais devem caracterizar-se sem ambiguidades, por uma clara abertura ao exterior público ou por um forte bloqueio da comunicação visual com esse exterior (2) (mas respeitando a comunicabilidade do interior privado sobre o exterior).

Mas é perfeitamente possível associar uma tal abertura, em zonas frontais, a um recato mais marcado em zonas de traseiras, uma variação que só enriquecerá as respectivas imagens urbanas.

A permanência no exterior privativo pode ser motivada ou pode ser desmotivada e tudo tem a ver com a localização, o dimensionamento e a pormenorização de cada espaço exterior privativo.

Preverem-se espaços exteriores privativos apenas porque “ficam bem” numa determinada fachada de um dado edifício, não faz qualquer sentido, sendo, provavelmente, muito preferível a opção por janelas de sacada ou mesmo por mínimas varandas de assomar, soluções estas que irão permitir aquela liberdade “mínima” de se poder “sair”, facilmente, do espaço privado doméstico, por exemplo, para fumar um cigarro ou simplesmente para se apreciar o ar exterior, o que é sem dúvida importante como liberdade fundamental no uso de um espaço doméstico.

Mas ao optar-se por se fazer um espaço exterior privativo elevado ou térreo, então há que o projectar com um máximo de atenção e de cuidado, considerando, designadamente, os aspectos que foram aqui apontados e tendo presente que estes espaços não podem caracterizar-se por quaisquer características de “residualidade”, têm de ser verdadeiros elementos protagonistas do conjunto integrado dos respectivos espaços domésticos e das eventuais influências públicas que estes espaços tenham; e acredite-se que havendo aspectos de residualidade e de menor atenção a estes espaços o resultado será a sua transformação em verdadeiros espaços residuais, mal usados e abandonados.

 

Notas

(1) D. Dreyfuss; J. Tribel, "La Cellule-Logement", p. 29.

(2) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 590 e 591.

 

Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.

 

O presente artigo corresponde a uma nova versão, revista e desenvolvida, do artigo publicado no número 573 da Infohabitar em 13 de março de 2016.

 

Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 744

 

Apropriação e caraterização dos exteriores privados Infohabitar # 744

 

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

 

abc.infohabitar@gmail.com

abc@lnec.pt

 

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).

terça-feira, agosto 18, 2020

Motivar o uso dos espaços exteriores privados – Infohabitar # 743

Ligação direta (clicar) para:  725 Artigos Interactivos, edição revista, ilustrada e comentada - 38 temas e mais de 100 autores.

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 743


Motivar o uso dos espaços exteriores privados – Infohabitar # 743

Por António Baptista Coelho (texto e imagens)

 

Edição: terça-feira, 18 de agosto de 2020

 

Editorial:

Estimados leitores da nossa Infohabitar,

Continuando em um dos temas “centrais” da nossa revista: os espaços do habitar, vamos aprofundando, semana a semana, esta matéria, praticamente, visando-se, esta semana, a temática da melhor motivação de um uso intenso e prolongado dos espaços exteriores privados, matéria esta cuja importância esteve e está tão evidenciada em virtude do confinamento doméstico a que estivemos e ainda, em parte, estamos “obrigados”, no sentido de se procurar reduzir e, se possível, ajudar a estancar, a pandemia que sofremos.

E aproveita-se a oportunidade para voltar a sublinhar a importância que continua a ter o distanciamento social, conseguido sempre que possível através do teletrabalho e todas as medidas de proteção própria e dos outros, que são muito favorecidas com o uso sistemático, maximizado e cuidadoso de máscara e a continuidade dos cuidados de higiene.

Esta renovada viagem pelos espaços do habitar está a ser e continuará a ser feita, nas próximas semanas.

Lembra-se, finalmente, que serão sempre muito bem-vindas eventuais ideias comentadas a propósito dos artigos aqui editados e propostas de novos artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com ao meu cuidado),

despeço-me, até à próxima semana, com saudações calorosas e desejos de muita força e de boa saúde,

Lisboa, Encarnação, em 17 de agosto de 2020

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar


 

Motivar o uso dos espaços exteriores privados – Infohabitar # 743

António Baptista Coelho

 

Notas de enquadramento sobre um uso mais intenso e prolongado dos espaços exteriores privados

Aproveita-se, aqui, numa aplicação aos espaços exteriores privados, um dos objetivos definidos pelo Arquitecto Jan Gehl para uma adequada vivência do exterior de uso público: proporcionar e apoiar, por todas as formas possíveis, quer um uso mais intenso, diversificado e potencialmente convivial, quer um uso o mais prolongado possível e, portanto, mais adequado, confortável e bem avizinhado (este último termo é meu), por adequadas proximidades e contiguidades, desse mesmo exterior.

Num sentido mais amplo e integrador, que é sempre essencial, poderemos mesmo referir que será de uma maximizada e adequada relação entre usos intensos e prolongados de espaços exteriores de uso público e de espaços e “locais” exteriores privados – considerando nestes até os simples vãos domésticos privados e comuns (janelas e portas) –, que resultará boa parte do sucesso de uns e de outros espaços e locais exteriores; considerando-se, naturalmente, neste relacionamento desde os aspetos de incentivo à relação mútua entre tais espaços, aos aspetos de separação física e/ou de vistas, enquadramento físico e/ou de vistas e transição/passagem caraterizadas entre uns e outros.

Nunca será excessivo registar que tal relacionamento é uma das caraterísticas mais marcantes dos tecidos de arquitetura urbana tradicional com maior longevidade em termos de múltiplas e integradas vivências habitacionais, comerciais, oficinais e culturais. Tecidos estes bem marcados por relações muito diretas entre os múltiplos conteúdos funcionais e formais/visuais que recheiam o interior dos seus edifícios e toda a complexidade da vida que marca os seus espaços com uso público; relações essas que, frequentemente, se “esquivam” ao nível físico do edifício para conjugar espaços interiorizados e tendencialmente privados com espaços exteriopres de uso público, frequentemente, também marcados por uma expressiva escala humana.

Em seguida serão abordados alguns dos subtemas que também se consideram como marcantes na referida e desejada perspetiva de um adequado incentivo do uso dos espaços exteriores privados, tendo-se em conta, designadamente, as seguintes matérias específicas:

Os hábitos e os usos mais ligados e historicamente consistentes com diversas tipologias de exteriores privados.

As condições de conforto e de funcionalidade que se consideram como expressivamente motivadoras do uso do exterior privado.

As opções de encerramento e proteção no exterior privado; matéria esta que, de certa forma, corresponde a uma caraterização mais aberta ou mais protegida desse exterior.

A estratégia de estruturação e enquadramento de vistas nos exteriores privados; matéria esta que, afinal, foi já claramente apontada neste ítem de enquadramento.

E algumas questões exploratórias referidas aos aspetos de apropriação mais e menos desejáveis nos espaços exteriores privados, mas com visibilidade pública ou comum.


Hábitos interessantes no exterior privado

Alexander refere (1) que o jardim, o terraço e o pátio domésticos foram, ao longo da história, espaços realmente habitados, privados e aprazíveis, ainda que pequenos eram verdadeiros “compartimentos” da casa, embora sem tecto construído, constituindo verdadeiras salas de estar e saletas ao ar livre.

Naturalmente que uma tal virtualidade doméstica estava, naturalmente, mais associada aos grupos sociais mais favorecidos – lembremos Roma e a disparidade das condições domésticas entre quem vivia em Villas ou em Insula –, mas que hoje em dia poderá ser “reciclada” para um uso muito mais universal e vulgarizado, até porque espaços sem janelas e quase sem instalações são espaços, em princípio, mais baratos de construir do que os espaços domésticos interiores.

Naturalmente que para se conseguirem bons resultados na criação de verdadeiro espaços domésticos de estar, de convívio e de refeições no exterior privativo há que os orientar e proteger, muito bem, relativamente às condições de insolação e de ventos dominantes, tendo-se em conta as condições de conforto de Inverno, mas também as de conforto de Verão – pois, por exemplo, uma varanda desprotegida e mal ventilada, orientada a poente não será um espaço adequado nos meses mais quentes e influenciará muito negativamente os compartimentos contíguos.

Para além de tais exigências “estruturantes” em termos de conforto ambiental há que pormenorizar muito bem os referidos espaços domésticos de estar, de convívio e de refeições no exterior privativo, caraterizando-os, ainda, adequadamente,  como suficientemente encerrados ou “entreabertos”, marcando-os com configurações bem afirmadas, nomeadamente, nos cantos, e com zonas, dimensionalmente úteis, cobertas ou bem protegidas por toldos e pérgulas.

E complementar mas vitalmente estes ambientes deverão ser expressivamente recatados em relação ao exterior público e claramente revelados e exibidos no interior doméstico, nomeadamente, através de janelas panorâmicas, que propiciem uma estratégica e sempre estimulante fusão e/ou graduação de espaços interiores e exteriores com significativa espaciosidade e impressiva qualidade ambiental.

 





Fig. 01:  pequenos pátios privados no terraço de multifamiliares, mas com todo o caráter de exteriores "térreos" – vita geral do edifício e vista do espaço exterior privado de uma habitação (no último piso do edifício) do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Ralph Erskine.

Entre outros aspetos é muito interessante esta profunda e afirmada integração tipológica de caraterísticas multi e unifamiliares, sempre ao serviço, quer da boa cidade do pormenor, quer da oferta de habitações diversificadas e adequadas a variados modos e desejos de habitar; matéria esta que ultrapassa, claramente, este nível de abordagem, correspondendo sim a um aspeto determinante na própria tipificação do edifício e da respetiva arquitetura urbana.


Condições de conforto e funcionalidade no uso do exterior privado

Como características desejáveis nos espaços para permanência no exterior privado, além de terem uma adequada insolação e estarem protegidos do vento e proporcionarem vistas exteriores agradáveis e úteis, salienta-se a respectiva capacidade para aceitarem conjuntos de mobiliário de exterior e equipamentos para lazer e tempos livres, capazes de motivarem o estar no exterior de pessoas, isoladamente ou em grupo.

Como condições mínimas, por exemplo, uma varanda deve disponibilizar espaço para um pequeno grupo de pessoas sentadas em torno de uma mesa ou para duas cadeiras de repouso lado a lado, enquanto um quintal privado deve proporcionar uma zona pavimentada para se realizarem pequenas festas e convívios domésticos.

Segundo Alexander, os espaços exteriores elevados mais usados são aqueles com dimensões mínimas de cerca de 1.80m (outro patamar ainda mais reduzido é definido pela dimensão mínima de 1.20m), total ou parcialmente reentrantes nos volumes edificados, ou "amparados" em saliências desses mesmos volumes, porque são sentidos como mais privados (relativamente a vizinhos), abrigados e seguros. (2)

Utilizando elementos de um estudo que realizei para o LNEC em 2000 (ITA 2, “Do bairro e da vizinhança à habitação”), e em termos de conforto ambiental no exterior é essencial que os espaços exteriores privativos estejam resguardados dos ventos e tenham agradável exposição ao Sol, essencialmente, de manhã e ao fim da tarde.

Por exemplo, o uso das "loggias", sendo mais satisfatório do que o uso de varandas com idênticas configurações (porque expressivamente mais protegidas e mesmo mais caraterizadas como espaços verdadeiramente domésticos), é também mais sensível à escolha das melhores orientações, relativamente ao Sol, aos ventos dominantes, à proximidade dos ângulos dos edifícios e à altura ao solo (o vento aumenta próximo desses ângulos e com a referida altura) e aos ruídos exteriores.

E sobre esta última temática Lamure é, mesmo, da opinião que não se podendo desenvolver "loggias" com excelentes condições de conforto ambiental mais vale atribuir esses espaços ao interior dos respectivos fogos (3), o que parece ser uma opção a considerar e a discutir.

Naturalmente que a existência de apetecíveis espaços exteriores privados, ambiental e fisicamente “quase interiores” suscita a bem conhecida problemática da “marquisação” anárquica, assunto que merece abordagem específica, mas sobre o qual, desde já, se sublinha que não só não proporciona, quase sempre, espaços domésticos adequados, como prejudica e muito, quase sempre, em termos de conforto ambiental, os respetivos compartimentos contíguos; e para além de tudo isto acaba com a possibilidade da vivência de um adequado espaço exterior privado, anulando, assim, criticamente uma das dimensões de vivência da respetiva habitação, o que é, no mínimo, uma opção expressivamente desvalorizadora desse espaço doméstico.

 


Fig. 02: um exemplo do que pode ser a grande diversidade de espaços exteriores privados, aqui exemplificado através de uma solução muito “ligeira”, quase informal e muito naturalizada em termos de separação entre espaços privado e comum ou de uso público; no extremo oposto poderemos ter pequenos pátios e/ou jardins privados e murados acima da altura do olhar de quem passa – exterior de habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Greger Dahlström.


Opções de encerramento e proteção no exterior privado

As opções de encerramento e proteção no exterior privado correspondem a uma matéria, por um lado, associada diretamente, a uma caraterização mais aberta ou mais protegida desse exterior, tal como tem sido abordada e que é realmente essencial; mas, também, ligada à própria caraterização arquitectónica da respetiva habitação e do respetivo edifício, matéria esta última que irá ficar para abordagem específica em outra oportunidade.

No que se refere  um aspecto fundamental em tudo isto e que pode mesmo anular toda a potencialidade de uso do exterior privativo, caso não seja adequadamente considerado, salienta-se a necessidade de serem disponibilizadas perfeitas condições de segurança nesses espaços para o recreio de crianças; condições estas ligadas, essencialmente, à anulação ou muito expressiva redução dos riscos de queda das crianças para o exterior do respectivo espaço e de intrusão facilitada a partir do exterior.

No que se refere a uma caraterização mais aberta ou mais protegida do exterior privado, julga-se importante destacar, desde já, três opções de actuação muito dirigidas para a crítica questão das “varandas envidraçadas”:

·      uma primeira que passa pela previsão inicial e devidamente concebida/projetada de um encerramento de determinados espaços por “varandas envidraçadas” (“marquises”), ou, se preferirmos, pela judiciosa previsão de espaços ou de um espaço do tipo “jardim de inverno”;

·      uma segunda opção que passa pela oferta de espaços abertos mas cujo encerramento seja opcional, embora esteja perfeitamente pré-clarificado e pré-definido em termos das suas soluções e imagens pormenorizadas, de modo a que em todo o conjunto do edifício seja produzida uma imagem global adequada e programada (eventualmente, com algumas varandas fechadas e outras mantidas abertas);

·      e uma terceira opção referida à essencial tolerância zero relativamente a qualquer encerramento por “marquises” que não esteja convenientemente previsto e que, portanto, resultará sempre na grave deterioração da imagem e do próprio valor cultural e mesmo imobiliário do respectivo edifício e suas “frações”.



Fig. 03:  exemplo de uma “varanda envidraçada” que alia uma excelente vista paisagística a uma excelente e muito digna imagem pormenorizada e urbana da sua própria aparência (uma solução de verdadeira transparência no encerramento de uma varanda) - exterior de habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Johan Nyrén.


Vistas nos exteriores privados

Tal como já se apontou, uma outra matéria determinante no uso dos espaços exteriores privativos refere-se às vistas que eles devem propiciar, que devem ser interessantes e mutuamente vitalizadoras e “pacificadoras” sobre a rua e o ambiente envolvente, e à inexistência de quebras de intimidade doméstica, seja do exterior sobre estes espaços, seja a partir destes espaços sobre idênticos espaços privativos contíguos ou da vizinhança em grande proximidade.

Nesta matéria o principal comentário que há que fazer é o da ausência de sentido que tem qualquer varanda, ou outro espaço exterior privativo, cujo uso prejudique a intimidade e o conforto de outros espaços privados contíguos ou próximos; assim como não tem, também, sentido, nem “futuro” qualquer espaço exterior física e legalmente privado, mas visualmente muito devassado, ou por vizinhos ou por utentes de espaços contíguos comuns ou de uso público.

Trata-se, afinal, de uma estratégia de estruturação e enquadramento de vistas a partir dos e sobre os exteriores privados; matéria esta que foi já apontada no ítem de introdução a esta matéria. Visa-se, assim, um sensível e vital equilíbrio entre vistas vitalizadoras e naturalmente “securizadoras” do espaço de uso público, a partir dos espaços privados, vistas agradáveis a partir destes espaços e ausência de vistas intrusivas sobre estes espaços.


Sobre a apropriação dos/nos espaços exteriores privados

Finalmente e de modo bastante resumido apontam-se algumas questões exploratórias referidas aos aspetos de apropriação mais e menos desejáveis nos espaços exteriores privados, mas com visibilidade pública ou comum.

E resumidamente podemos sublinhar que os espaços exteriores privados constituem-se, por um lado, como elementos estratégicos muito importantes como fatores de apropriação das habitações pelos seus moradores, designadamente, no arranjo de floreiras e outros elementos naturais e no mobilar de tais zonas, mas podem fazer arriscar a imagem global e necessariamente digna do respetivo edifício devido a apropriações excessivas e/ou mal previstas e uniformizadas.

Trata-se, assim, aqui de um equilíbrio sensível e difícil, que importa assegurar e para o qual contará muito a comunicação aos habitantes do que pode vir a ser um edifício com uma imagem global estimulante e atraente, que irá ganhando com as marcas do tempo e da respetiva ocupação, ou, pelo contrário, o que poderá vir a ser um edifício anarquicamente apropriado e, portanto, com uma imagem, no mínimo, desinteressante, mas, por vezes, mesmo dissonante e muito negativa.

 

 

Notas

(1)  Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 672 e 673.

(2) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 687 e 688.

(3) Claude Lamure, "Adaptation du Logement à la Vie Familiale", p. 210.



Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.

 

O presente artigo corresponde a uma nova versão, revista e desenvolvida, do artigo publicado no número 572 da Infohabitar em 5 de março de 2016.

 

Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 743

 

Motivar o uso dos espaços exteriores privados – Infohabitar # 743

 

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

 

abc.infohabitar@gmail.com

abc@lnec.pt

 

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).