Mostrar mensagens com a etiqueta bairros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta bairros. Mostrar todas as mensagens

domingo, junho 20, 2010

301 - 1.º CIHEL – Congresso Internacional Habitação no Espaço Lusófono 22 a 24 de Setembro 2010 Lisboa ISCTE-IUL, - Infohabitar 301

Infohabitar, Ano VI, n.º 301
1.º CIHEL – Congresso Internacional Habitação no Espaço Lusófonosobre o tema: Desenho e realização de bairros para populações com baixos rendimentos - 22, 23 e 24 Setembro 2010, Lisboa, Centro de Congressos do ISCTE – IUL - de 20 a 22 de Setembro decorrerá um Workshop sobre o tema
autoria dos textos de divulgação do 1.º CIHEL
António Baptista Coelho (Grupo Habitar e LNEC)
Paulo Tormenta Pinto (ISCTE-IUL e CIAAM)
António Reis Cabrita (Coordenador da Comissão Científica)



Prezados leitores,

Na continuidade da edição nº 300 do Infohabitar, a revista do Grupo Habitar, e na sequência de uma extraordinária 19.ª Sessão Técnica, com mais de 120 inscritos em 16 de Junho de 2010, sobre Reabilitação Urbana e Habitacional, com o apoio da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e da CidadeGaia SRU - Sessão à qual dedicaremosuma próxima reportagem - é com uma satisfação e um entusiasmo muito especiais que hoje, aqui, fazemos a primeira divulgação do 1.º CIHEL – Congresso Internacional Habitação no Espaço Lusófono, a realizar entre 22 a 24 Setembro 2010, em Lisboa, no centro de Congressos do ISCTE – IUL.

Em próximas edições do Infohabitar daremos a devida divulgação às temáticas específicas que irão ser abordadas nas cerca de duas dezenas de palestras a apresentar no Congresso, e às entidades e empresas que apoiam este 1.º CIHEL.

Em seguida faz-se a apresentação da temática do congresso e dos seus principais objectivos, bem como dos conferencistas previstos, salientando-se, desde já, que as inscrições estão abertas e que o primeiro prazo de inscrição termina no próximo dia 30 de Junho.



Fig. 01: o 1.º CIHEL – 1.º Congresso Internacional Habitação no Espaço Lusófono


1.º CIHEL – Congresso Internacional Habitação no Espaço Lusófono
Desenho e realização de bairros para populações com baixos rendimentos
22, 23 e 24 Setembro 2010, Lisboa, Centro de Congressos do ISCTE – IUL
de 20 a 22 de Setembro decorrerá um Workshop sobre o tema

INSCRIÇÕES ABERTAS, CONSULTE O ENDEREÇO
http://cihel01.wordpress.com/

1.ª data de inscrição até dia 30 de Junho - Pede-se uma especial atenção para o cumprimento das indicações referidas no site do 1.º CIHEL, essenciais para se identificarem, rigorosamente, os pagamentos realizados no âmbito das incrições no Congresso.

Organização do Congresso: Grupo Habitar - Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional (GH); Centro de Investigação em Arquitectura e Áreas Metropolitanas (CIAAM); Departamento de Arquitectura e Urbanismo do ISCTE – IUL Instituto Universitário de Lisboa.

Presidente do Congresso: Arq.ª Helena Roseta, Vereadora da Habitação da Câmara Municipal de Lisboa

Comissão de Honra do Congresso: Dr. António Costa, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa; Dr. Domingos Simões Pereira, secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP); Arq. João Rodeia, Presidente da Ordem dos Arquitectos; Eng.º Carlos Matias Ramos, Bastonário da Ordem dos Engenheiros; Prof. Luís Reto, Presidente do ISCTE-IUL; Presidente do Conselho Directivo do IHRU; Presidente do Conselho Directivo do LNEC.

Direcção do Congresso: António Baptista Coelho - Grupo Habitar (GH) e NAU/LNEC; Paulo Tormenta Pinto - ISCTE-IUL e CIAAM

Comissão Científica do Congresso: Prof. Arq.º António Reis Cabrita (coordenador) - GH e LNEC ap.; Prof.ª Arq.ª Ana Vaz Milheiro - ISCTE-IUL e CIAAM; Eng.º Defensor de Castro - GH e CidadeGaia – SRU; Prof. Arq.º José António Bandeirinha - UC e CES; Investigador Coordenador, Eng.º José Vasconcelos Paiva - GH e LNEC ap.; Prof. Arq.º Manuel Correia Fernandes - GH e FAUP; Prof. Arq.º Manuel Correia Guedes - DECA/IST; Prof.ª Arq.ª Sheila Walbe Ornstein - FAU/USP

Este 1.º CIHEL é realizado pelo Grupo Habitar (GH) em parceria com o Centro de Investigação em Arquitectura e Áreas Metropolitanas (CIAAM) e com o Departamento de Arquitectura e Urbanismo do ISCTE – IUL Instituto Universitário de Lisboa.



Fig. 02: Grupo Habitar (GH) em parceria com o Centro de Investigação em Arquitectura e Áreas Metropolitanas (CIAAM) e com o Departamento de Arquitectura e Urbanismo do ISCTE – IUL

O 1.º CIHEL Conta, desde já, com a cooperação institucional de diversas entidades destacando-se o Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (NAU – LNEC) e o Centro de Estudos Africanos do ISCTE – IUL, mas também o Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto, a Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE), a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL), o Centro de Investigação Arquitectura e Modos de Habitar da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (CIAMH-FAUP), o Instituto para a Inteligência Territorial e Urbana (IITU) e professores e investigadores do Instituto Superior Técnico, da Universidade de Aveiro e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP).

Em termos dos apoios existentes destacam-se, nesta fase de preparação dos trabalhos, os do ISCTE – IUL Instituto Universitário de Lisboa, com as cedências do seu Grande Auditório (com 500 lugares) e de outras salas para reuniões e acções complementares.

Outros apoios e patrocínios encontram-se, actualmente, em diversas fases de estruturação e serão devidamente referidos em próximos artigos do Infohabitar dirigidos para a divulgação do 1.º CIHEL – Congresso Internacional Habitação no Espaço Lusófono.




Fig. 03: salienta-se que a linha gráfica do 1.º CIHEL e designadamente o seu símbolo foram realizados por alunos do 12.º ano do Curso Profissional de Design Gráfico da Escola Secundária de Sacavém, incluindo um concurso de ideias para o respectivo símbolo.




Apresenta-se, em seguida, sinteticamente, o 1.º Congresso Internacional Habitação no Espaço Lusófono, o 1.º CIHEL.

Com este Congresso pretende-se alargar o debate sobre a Habitação, em sentido amplo, a outras realidades sociais fisicamente distantes mas afectivamente próximas, em que se destaca o mundo dos países lusófonos em geral e os de África em particular, incluindo-se uma reflexão sobre soluções muito económicas para situações especiais.

Dada a dimensão e complexidade do tema a debater no Congresso o Grupo Habitar rodeia-se de um conjunto de entidades nacionais, com destaque para o Departamento de Arquitectura e Urbanismo do ISCTE-IUL, ligadas ao conhecimento e realização das múltiplas áreas do habitar, numa perspectiva que quer iniciar um processo de discussão e divulgação desta matérias, de uma forma expressivamente participada, visando-se criar um sítio de abordagem destas áreas temáticas, em português, de uma forma multidisciplinar e multi-institucional.
Visa-se, também, a obtenção de resultados práticos úteis e bem fundamentados, numa altura em que, já no século das cidades, encaramos, provavelmente, também, uma fase de grandes carências habitacionais, motivadas não só pela actual tendência de concentração urbana, como também pelo fortíssimo acréscimo populacional que acontece em países em desenvolvimento e, naturalmente, pela actual escassez de recursos financeiros; todos estes aspectos que recomendam procurar-se aproveitar todos os recursos disponíveis em termos de se poder habitar melhor e considerando-se a enorme importância desse melhor habitar em termos de desenvolvimento humano e social.

Este 1.º CIHEL é um Congresso que se debruça sobre a qualidade do habitat residencial promovido para populações com baixos rendimentos e mobilizando portanto recursos modestos.
Trata-se portanto de um desafio porque não abdica de satisfazer as necessidades essenciais ao pleno desenvolvimento social das populações, nomeadamente em termos de habitabilidade e de serviços urbanos e sociais, mas pretende fazê-lo com sustentabilidade e dignidade, e, portanto, com qualidade em termos de uma expressivamente positiva arquitectura urbana.



Fig. 04: ... sobre a qualidade do habitat residencial promovido para populações com baixos rendimentos e mobilizando portanto recursos modestos ...

O campo de aplicação de tal objectivo tanto pode ser o das pequenas comunidades urbanas periféricas da Europa, nomeadamente mediterrânica, que lutam com problemas de isolamento e escassez de recursos, como pode ser o de todas as comunidades urbanas dos países em desenvolvimento (não incluindo, por ora, as comunidades rurais destes países que poderão ter especificidades complexas). Afinal, as futuras exigências de sustentabilidade ambiental, social e económica aproximam cada vez mais estes dois grupos de populações.

A abordagem através de um evento amplo sobre tais desafios recomenda realismo, humildade e sentido prático, mas também ambição. Estes desafios têm diversas vertentes disciplinares, científicas, sociais, políticas, económicas, mas entre elas avulta a da concretização do habitat, nomeadamente do habitat residencial, a do desenho e realização dos bairros para populações com baixos rendimentos. É sobre este tema central, que é, ou deve ser, concretizado através da arquitectura e do projecto urbano, envolvendo o desenho do espaço público, das habitações e dos equipamentos colectivos de proximidade, que se pretende desenvolver o 1º CIHEL.

Este tema central do desenho e realização de bairros e agrupamentos residenciais para populações com baixos rendimentos será abordado, no 1.º CIHEL, em 5 conferências e 16 a 20 comunicações/palestras práticas e pouco extensas, por um grupo de oradores provenientes de diversos países da lusofonia, organizadas nas seguintes temáticas mais específicas, que serão objecto de adequado desenvolvimento em próxima circular de divulgação:

• Tema A: políticas e programas – considerando situações de escala relativamente reduzida e a importância da reabilitação e da gestão, tudo isto numa perspectiva de desenvolvimento marcado, frequentemente, por necessidades críticas.

• Tema B: infraestruturas e equipamentos locais – considerando perfis de habitabilidade e de infraestruturação, funções e potencialidades do espaço público e dos serviços urbanos e sociais.

• Tema C: soluções habitacionais e modos de vida – considerando velhas e novas formas de habitar, desejos e necessidades e relações entre família e vizinhança e entre vizinhança e cidade.

• Tema D: materiais e tecnologias – considerando aspectos ligados à escassez de recursos, às técnicas disponíveis e à adequação tipológica, bem como a associação às diversas facetas da sustentabilidade – ambiental, económica e sociocultural.

De forma integrada com o Congresso decorrerá uma Exposição, organizada com painéis ilustrativos de casos práticos e de estudo integrados nas referidas temáticas e que assim terão a devida divulgação, também por contacto com os respectivos responsáveis, sendo que nesta exposição será dado relevo a casos/estudos considerados especialmente significativos.

Simultaneamente e em contiguidade com 1º CIHEL decorrerá uma pequena exposição de materiais e serviços direccionados para as temáticas da concepção e da construção do habitar.

Na véspera e/ou na sequência do Congresso poderão decorrer outras actividades, a definir, como será, por exemplo, o caso de visitas técnicas a instituições, indústrias e casos de referência dentro da temática do 1º CIHEL.

O congresso irá, assim, abranger contribuições de arquitectura residencial associadas aos diversos níveis físicos do habitat e às suas relações mais importantes, considerando, sempre que possível, a satisfação dos habitantes: da cidade e, designadamente, do pequeno bairro às vizinhanças urbanas, edifícios residenciais e habitações. Os trabalhos do congresso deverão poder ser úteis no apoio à concepção arquitectónica e na análise de um amplo leque de espaços residenciais, do bairro à pequena banda de edifícios e ao espaço doméstico, servindo como catalizador de ideias sobre grande conjunto dos espaços do habitat humano, e no âmbito do habitat humano que fala português.


Fig. 05: ... painéis sobre casos práticos e de estudo integrados nas referidas temáticas ...

Há, no entanto, neste 1.º CIHEL, e tal como foi já apontado, uma circunscrição temática em áreas urbanas ou peri-urbanas relativamente recentes, numa limitação prática decorrente da grande especialização requerida por zonas urbanas antigas e por zonas rurais ou semi-ruralizadas, umas e outras exigindo abordagens específicas e urgentes reabilitações. Outra razão para esta circunscrição temática é o objectivo de uma mais intensa utilidade desta discussão no apoio ao desenvolvimento de habitações com qualidade e custos controlados, cujos empreendimentos se situam, correntemente, em zonas urbanas ou peri-urbanas recentes.

Trata-se, assim, fundamentalmente, de apresentar e discutir, em português, neste 1.º CIHEL, opções e ideias sobre espaços residenciais e urbanos, considerando a sequências vivas entre os pequenos mundos domésticos, as nossas casas, e os nossos bairros ou partes de cidade, percorrendo e parando nas ruas e pracetas onde moramos e convivemos, num estimulante ritmo de cenários urbanos vivos e bem projectados à escala da arquitectura urbana, mas nunca arriscando quaisquer tipos de "receitas" formais e funcionais, e tendo-se mesmo o cuidado de se salientar que cada realidade é específica, cada sítio é um sítio único e cada novo empreendimento, para além desta sua identidade básica, deve ter intenções de projecto e vivência específicas, integrando identidade e intenções num carácter único e bem apropriável.

Não há dúvida que este tema cheio de desafios e de uma certa aventura onde o trabalho comunitário de jovens ou de experientes arquitectos se combina com a imaginação, a racionalidade e a inovação técnica. Para enriquecer e animar um evento desta natureza está previsto mobilizar os seguintes tipos principais de intervenientes:

• arquitectos que tiveram uma vida cheia de acções de pioneirismo e de criatividade, com obras que são marcos históricos, e que nos podem dar o seu testemunho, directamente ou por interposta pessoa;
• jovens, ou talvez mesmo muito jovens, arquitectos que estão, fora dos grandes centros urbanos, a fazer trabalho básico para o habitat residencial e urbano;
• técnicos que em actividades de projecto de edifícios habitacionais e de bairros e suas infra-estruturas e equipamentos, mas também na actividade de planeamento e de gestão, estão a resolver problemas e a concretizar obras com qualidade apesar de poucos recursos;
• técnicos e investigadores que estudam e promovem soluções inovadoras para a habitação, para o habitat residencial e para o meio urbano em termos de sustentabilidade.

O Congresso a realizar em Setembro de 2010 nas instalações do ISCTE-IUL, em terá a duração de três dias, mas apenas com uma sessão no final do primeiro dia. Tem-se promovido a adesão e participação de entidades portuguesas e dos países de língua portuguesa ligados à problemática da habitação de baixo custo, bem como de escolas e associações profissionais nomeadamente as de arquitectura.

Pretende-se neste 1º Congresso uma especial adesão de jovens arquitectos e de alunos e por isso o Congresso será antecedido por um “Workshop” prático dirigido a eles sobre este tema, a realizar em cooperação com a licenciatura em Arquitectura do ISCTE - IUL e, eventualmente, com outras unidades de ensino e investigação que queiram cooperar. Este Workshop decorrerá entre o início do Congresso e a segunda-feira que o antecede, terá o seu âmbito e condições de inscrição adequada e atempadamente definidas. Os resultados deste Vorkshop serão apresentados no Congresso. O Workshop será iniciado com Conferências de projectistas e/ou estudiosos nas matérias objecto do 1º CIHEL.

Mais de 60 comunicações/palestras passaram já um primeiro crivo de análise, das quais 16 a 20 serão seleccionadas para apresentação oral, sendo que as outras serão editadas nas actas e apresentadas em posters; em próximos artigos de divulgação do 1.º CIHEL, aqui no Infohabitar, daremos a devida divulgação aos temas abordados nessas comunicações/palestras.

Os cinco conferencistas previstos são os seguintes:

• Conferência de abertura na tarde de dia 22 de Setembro, pelo Arquitecto João Filgueiras Lima (Lelé) ; sobre o tema do congresso.

Professor Doutor Arquitecto António Gameiro, Bastonário da Ordem de Arquitectos de Angola, Consultor do Ministro do Urbanismo e Habitação da República de Angola e Presidente da Junta Directiva do CIALP, Conselho Internacional de Arquitectos de Língua Portuguesa – conferência sobre o actual desenvolvimento urbano e habitacional em Angola.

Professor Arquitecto Paulino Pires, professor da Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico da Universidade Eduardo Mondlane, Director-Adjunto de Infra-estruturas para a área de Estudos e Projectos do Conselho Municipal de Maputo – conferência sobre a problemática habitacional em Moçambique.

Arquitecto Estanislau da Silva Ferreira, Assessor do Ministro das Infra-estruturas da Guiné-Bissau e Director do Serviço de Viabilização de Terrenos e da Habitação Social, coordenou o projecto de Habitação Social SERVITAS – conferência sobre a problemática da habitação sob o ponto de vista social na Guiné-Bissau.

Arquitecto José Dias, em Moçambique foi consultor municipal em várias cidades e director da Empresa Estatal de Projectos de Arquitectura, durante cerca de 20 anos desenvolveu actividades na área da habitação social no Instituto da Habitação de Macau– conferência sobre o tema pensar a habitação a partir da experiência de habitação social em Macau.



Fig. 06: este é um 1º CIHEL, a que, sem dúvida, se seguirão outros ...


Este é um 1º CIHEL, a que, sem dúvida, se seguirão outros sobre outros enfoques complementares (mais sociais, metodológicos, políticos, económicos ou produtivos, etc.), ou com o mesmo tema mas tratado de forma mais abrangente.
Pretende-se criar, na sequência deste 1º Congresso, um grupo, uma rede, e/ou um Secretariado Permanente, para assegurar o próximo CIHEL e desenvolver outros eventos de discussão, divulgação e aprofundamento destas matérias.

O CIHEL corresponde, assim, a uma iniciativa que poderá e deverá acontecer, em edições posteriores, eventualmente, em outros locais do espaço lusófono, dentro e fora de Portugal, com os mesmos e/ou com outros parceiros; esta é uma ideia que resulta da própria natureza participativa, aberta e multidisciplinar que marca o Grupo Habitar e que, desde o início desta ideia, marcou a razão organizativa e os objectivos do CIHEL.

Todas as informações sobre o Congresso constam do site do 1.º CIHEL:
http://cihel01.wordpress.com/

Informações complementares serão dadas pelo Secretariado do 1.º CIHEL:

Departamento de Arquitectura e Urbanismo ISCTE – IUL
Ala Autónoma, Sala 335
Avenida das Forças Armadas
1649-026 Lisboa

ou pelo telefone
+351 21 7903060

ou pelo mail
cihel01@gmail.com

(Congresso Habitação Espaço Lusófono)
Infohabitar, Ano VI, n.º 301
Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte, 19 de Junho de 2010

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

69 - Hestnes.Ferreira, Teotónio.Pereira e Teixeira.Trigo: sessão do Grupo Habitar com o Instituto Nacional de Habitação - Infohabitar 69

 - Infohabitar 69

Hestnes Ferreira, Teotónio Pereira e Teixeira Trigo: sessão do Grupo Habitar com o Instituto Nacional de Habitação


(habitação, bairros, casa, casa popular, habitação social, habitação social em Portugal, construção, espaços da casa, Bairro de Alvalade, Olivais Norte, Beja, Cooperativa Lar para Todos, SAAL, INH)

Notas breves sobre o “Encontro sobre prática profissional em projectos e reflexão para o futuro na promoção de habitação”,

com Raúl Hestnes Ferreira, Nuno Teotónio Pereira e José Teixeira Trigo
Artigo de António.Baptista.Coelho
O Instituto Nacional de Habitação (INH) e o Grupo Habitar (GH) – Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional promoveram em Lisboa, em 24 de Janeiro de 2006, no Auditório do Edifício Sede do INH, um “Encontro sobre prática profissional em projectos e reflexão para o futuro na promoção de habitação”, no qual os Arquitectos Nuno.Teotónio.Pereira e Raúl.Hestnes.Ferreira e o Engenheiro José.Teixeira.Trigo abordaram essa temática, sublinhando nela os temas que consideram com importância actual, naturalmente associados às suas longas e meritórias experiências como projectistas nas amplas áreas do habitar.
A ideia, concretizada neste encontro, moderado pelo Arquitecto Vasco.Folha e que constituiu também a 4ª Sessão Técnica do Grupo Habitar, foi proporcionar um tempo de reflexão sobre a prática profissional de três projectistas essenciais na intervenção no domínio da habitação de interesse social em Portugal ao longo de um período temporal significativo. Pensou-se proporcionar essa reflexão partindo de uma apresentação individual de cada um dos três projectistas convidados, em que cada um dissesse o que considera mais interessante e oportuno, no que se refere ao projecto e construção de habitação, e/ou ao projecto e construção de habitação de interesse social e e/ou ao projecto e construção do habitar em termos globais.
Em forma de notas articuladas, mas sem intenção de ser exaustivo relativamente a tanto do que foi dito na tarde do dia 24 de Janeiro apontam-se, em seguida, e seguindo a ordem das intervenções (escolhida devido a aspectos práticos ligados a meios de projecção de imagens), alguns dos aspectos então referidos, bem ligados ao título da sessão, e que, como muitos entenderão têm uma enorme riqueza no que se refere à reflexão sobre o projecto, a construção e a gestão do habitar.
Raúl.Hestnes.Ferreira falou-nos sobre os aspectos que podem ser identificados como fundamentais no habitar a casa, falou-nos sobre as raízes do habitar e sobre os essenciais espaços domésticos polarizadores da vida em comum e em família.

01: arquitectura popular
Iniciou a sua galeria de imagens com a planta de uma casa simples de Rio de Onor, retirada da “Arquitectura Popular Portuguesa” e falou sobre o projecto e a sua ponderação, sobre os espaços domésticos mais correntes e sobre outros recantos, que são os principais obreiros do habitar interior, como foi o caso da entrada desnivelada que criava um espaço de transição na entrada do escritório da casa que projectou para o seu pai.
Falou-nos com exemplos ilustrados sobre o estar junto ao fogo e à televisão que reúnem as pessoas à sua volta, mas antes disso falou-nos do viver simples junto ao chão e em torno do fogo, da mesa como espaço familiar e unificador de actividades, lembrando hábitos orientais de usar a mesa para um grande leque de actividades, num encadeamento natural de usos, utentes e horários, e também nos falou do grande quarto/sala com uma ampla mesa de Jorge Luís Borges, onde ele trabalhava, recebia, conversava, vivia.
Continuando a reflectir sobre estas matérias dos espaços domésticos essenciais e envolventes e a propósito da pequena casa de férias de Francisco Keil do Amaral, Hestnes Ferreira disse-nos que era uma casa muito amigável, uma casa pequena mas que reflectia e envolvia o modo muito informal/simples, humano e caloroso que caracterizava o modo diário de viver daquela família, dando-lhe um bom suporte, até naquela mesa estrategicamente situada sob a janela e sobre a vista exterior.
Passou depois para as sempre novas questões do dia/noite doméstico, uma forma interessante de colocar uma eventual distinção de duas zonas, que serão provavelmente tanto dia/noite como, por exemplo, comuns/privadas; e aqui defendeu opções de adaptabilidade, em que através de uma adequada concepção estrutural e de um cuidadoso dimensionamento, se possa alterar a disposição das zonas de dormir e de estar, entre outras.

02: Fonsecas e Calçada, década de 70 (séc. xx)
Sobre o exterior urbano e relativamente ao Bairro das Fonsecas.Calçada, em Lisboa, referiu que os fogos tiveram uma relação directa com a génese da forma edificada, proporcionando flexibilidade na sua integração e que a tipologia de acessos foi influenciada, no esquerdo/direito predominante, por uma opção dos próprios habitantes, que foram convidados pelos projectistas a visitarem (nos Olivais, Lisboa) uma outra bem diversa forma de circulação comum através de galerias, e seguidamente a expressarem a sua tipologia preferida, que, como se deduz, foi o esquerdo/direito; que aliás é bem matizado por pequenas galerias/varandas de distribuição nos cantos interiores dos edifícios. Sobre este bairro Hestnes Ferreira chamou ainda a atenção para a sobriedade da sua envolvente, que contrasta com pequenos interiores de quarteirão mais diversificados. E, quanto aos fogos, salientou que se ouviram os moradores, projectando-se organizações habituais.

03: Unidade João Barbeiro, década de 80 (séc. xx)
Sobre a diversificada experiência residencial em Beja – a Unidade João.Barbeiro e a Cooperativa Lar Para Todos – começou por salientar a importância da harmonização construtiva em sede de projecto e numa relação aberta com a obra, e com as potenciais e específicas qualidades de execução que aí muitas vezes se detectam e que têm a ver, por exemplo, com capacidades técnicas concretas de determinadas empresas e mesmo de determinados operários.
Depois falou da caracterização pública e também comum do grande pátio da Unidade João Barbeiro, do modo como, a partir dele, se pode aceder com naturalidade aos fogos, motivando-se o convívio, e da forma como o conjunto se integra solidamente na sua envolvente directa através de uma base de betão em que se integram galerias públicas comerciais, harmonizando-se, assim, um espaço de vizinhança assumido e eficaz com a tal sobriedade urbana, já acima apontada.

04: Cooperativa Lar Para Todos, década de 80 (séc. xx)
Relativamente à Cooperativa Lar Para Todos referiu, no exterior, os pátios alongados sempre que possível vitalizados pelos acessos directos a fogos térreos, e salientou o investimento ambiental e caracterizador que foi desenvolvido nos amplos espaços comuns de cada edifício (com distribuição esquerdo/direito), trespassados e matizados pela luz natural de cima abaixo e em cada entrada dos fogos. Nestes espaços procurou-se realizar uma agradável e muito graduada transição com a rua, estimular o convívio possível e proporcionar uma cuidadosa transparência da vida dos fogos (nesta caso através de um pano de tijolo de vidro no hall).
Finalmente, ao nível dos fogos, há uma clara e muito estimulante inovação na criação de um amplo espaço familiar de cozinha/refeições, mas também a rara possibilidade de toda a continuidade entre esse espaço, a entrada e a sala, poder ser vivido praticamente como um único grande espaço.
E fica aqui um desafio para quem não conheça estas obras habitacionais excelentes, se deslocar a Beja e as percorrer com vagar; uma óptima visita, não tenham dúvidas.
Depois de uma intervenção marcada, como se pode perceber, por alguns dos fundamentos da concepção habitacional, Nuno.Teotónio.Pereira privilegiou-nos com uma pequena história vivida do projecto e da promoção da habitação apoiada em Portugal, desde o princípio dos anos quarenta do século passado até à actualidade. E basta saber que um dos primeiros “Bairros Sociais”, o do Arco do Cego, em Lisboa, foi concluído no início dos anos trinta, embora com outros tenha sido iniciado em 1918, para entender a amplitude e o significado da história viva a que tivemos oportunidade de assistir.

05: Alvalade, década de 40 (séc. xx)
No final dos anos quarenta Teotónio.Pereira e Costa.Martins fazem assessoria a Miguel.Jacobetty na construção das células sociais do bairro de Alvalade em Lisboa (em que se destacou o construtor António.Veiga), uma malha urbana e residencial, que constituiu um verdadeiro e um dos únicos planos integrados feitos entre nós e cujo plano urbano foi desenvolvido por Faria.da.Costa. Integrado desde o nível do planeamento da intervenção, ao seu conteúdo físico e ao seu conteúdo social; mas também integrado no que se refere à conjugação em obra de um máximo de inovações tecnológicas e construtivas no sentido de se aliar qualidade e rapidez de construção. Ficam para o presente e o futuro as fundamentais aprendizagens com os positivos segredos e avanços que em Alvalade se conquistaram para o grande objectivo de fazer cidade viva com habitação humanizada e através de uma obra multidisciplinarmente participada e que visava o futuro.
Falou depois dos seus vinte e dois anos de trabalho de projecto e promoção ligado aos conjuntos habitacionais e urbanos da Federação das Caixas de Previdência, salientando os aspectos de organização central e regional dos que então eram os poucos arquitectos portugueses ligados a esta importante tarefa, e de como foi conciliando o trabalho na Federação, com a actividade de projectista e com a participação em iniciativas internacionais que então despontaram sobre as temáticas do habitar – por exemplo a União Internacional dos Arquitectos (UIA) tinha uma comissão especial para o habitat.
Entre muitos outros aspectos referidos, destaca-se uma grande exposição do Inquilinato Cooperativo, organizada pela então pujante Associação dos Inquilinos Lisbonenses e associada a uma exposição na Sociedade Nacional de Belas Artes e naturalmente, chegados a 1960, o desenrolar de uma década que Teotónio considera ter sido fundamental para a habitação e para a habitação apoiada em Portugal.

06: Olivais Norte, década de 60 (séc. xx)
E aqui se destaca, novamente, um bairro, neste caso Olivais Norte, em Lisboa, fundado num excelente plano urbano de Sommer.Ribeiro e Falcão.e.Cunha, com intervenção de J. Rafael.Botelho (ex., todos os edifícios foram implantados e projectados considerando a geometria da insolação, de forma a usar ao máximo a energia solar passiva), e onde se integraram tipologias edificadas/habitacionais muito variadas, realizadas por entidades muito diferentes, e destinadas a grupos sociais muito diversos, marcando-se em Olivais Norte uma grande diferença relativamente ao que até aí tinha sido a regra de fazer uma espécie de “aldeias na cidade”.
Podemos considerar que todos estes aspectos, para além da fundamental construção simultânea dos variados tipos de edifícios para os diversos grupos sociais, configuram uma promoção pioneira numa ampla perspectiva de sustentabilidade – e em Alvalade também se podem identificar muitos ensinamentos nesta matéria.
Na apresentação de Nuno.Teotónio sobre Olivais Norte teve de ficar, quem sabe, para uma outra sessão, um fundamental passeio comentado pelas torres habitacionais, cujo projecto foi por si desenvolvido com António.Pinto.de.Freitas e Nuno.Portas, ligadas a uma primeira atribuição de um Prémio Valmor a habitação multifamiliar e dita “social”, e em que se privilegiou a largueza, o conforto e a dignidade dos espaços comuns (marcados em cada piso por uma peça de arte); mas também nos edifícios mais baixos de Olivais Norte se inovou, sustentadamente, como hoje é possível ver, antecipando-se o átrio do edifício num espaço exterior convivial.

07: Olivais Norte, década de 60 (séc. xx)
Nuno Teotónio salientou também que a experiência muito positivamente qualificada dos Olivais ficou a dever-se à acção, que considerou exemplar, do Gabinete Técnico de Habitação (GTH) da Câmara Municipal de Lisboa, numa actividade de contratação de projectistas com reconhecida competência, mas com a obrigação de associarem um jovem arquitecto em cada equipa. E a propósito foi também destacada a importância da estreita cooperação técnica sempre prosseguida com engenheiros altamente qualificados e sensíveis aos aspectos da arquitectura, e aqui houve a referência específica a Ruy Gomes, mas também poderia ter havido a outros nomes de engenheiros, tal como o próprio José.Teixeira.Trigo, que aliás colaborou com Teotónio e com Hestnes em variadas obras.
Chegou depois, naturalmente, ao pós 25 de Abril com as experiência do SAAL e de outras iniciativa de participação com a população no projecto do seu habitar mais urbano ou mais rural, que levou à noção, já antes sentida no contacto com aos primeiros avanços da ligação entre a arquitectura do habitar e a sociologia – onde se destacam os contactos com Paul Chombart de Lauwe – de que as pessoas tendem a desejar casas como “toda a gente tem”; talvez, digo eu, caiba ao arquitecto a função de advogado da inovação quando esta parece ser valiosa.
E sobre esta matéria ficou claro, aquilo que Teotónio considera ter sido uma evolução entre os projectos dos Olivais com galerias em que chegou a haver realmente convívio, tal como era o objectivo do projecto (ex., visível numa imagem de habitantes preparando refeições na galeria comum), e a transformação dessa galeria comum convivial, numa galeria que se queria rua, por exemplo, no bairro da EPUL no Restelo, Lisboa, voltando-se depois, novamente, ao esquerdo/direito (mais corrente), mas no entanto integrando pequenos edifícios multifamiliares bem agarrados à terra e com quintais privados nos mais recentes bairros em Oeiras, projectados por Nuno Teotónio e Pedro Botelho, um dos quais foi Prémio INH.
Das experiências mais próximas Teotónio destacou duas intervenções distintas, uma delas ligada a uma Bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian que lhe permitiu estudar e publicar, em colaboração com a sua mulher Irene Buarque, um livro sobre os prédios e as vilas de Lisboa, hoje infelizmente esgotado; enquanto no projecto e entre outros destacam-se, tal como foi acima referido, dois bairros de habitação apoiada, construídos em Oeiras – Laveiras e Alto da Loba – e projectados em conjunto com Pedro Botelho, que foram sumariamente apontados na sessão, mas que merecem toda uma atenção específica, pelo seu interesse urbano, doméstico e humano e pelas suas positivas novidades, em termos de uso do solo, escala e misturas funcionais.

08: Alto da Loba, década de 90 (séc. xx)
O desafio atrás feito para uma visita é aqui renovado, neste caso, designadamente, aos edifícios referidos em Olivais Norte (Lisboa); um tempo bem aproveitado por quem decida assim actuar.
Chegou a vez de José.Teixeira.Trigo, que concentrou a atenção da sua intervenção em três temas principais: as questões ligadas às anomalias da construção, os problemas associados às anomalias de uso, e o enunciar de recomendações para a respectiva correcção prática.
Teixeira.Trigo praticamente sublinhou, como ponto de partida das suas palavras, o muito que se aprende com a patologia construtiva e com a fiscalização de empreitadas, considerando que entre o que era o mundo da construção e o que é hoje, uma das mudanças mais significativas são os intervenientes no projecto e na obra: há cada vez mais projectos, os projectos são cada vez mais complexos, as apreciações e os intervenientes no processo de elaboração e aprovação dos projectos constituem uma sequência cada vez mais complicada, e do lado de quem constrói o empreiteiro geral quase desaparece, num enorme leque de subempreiteiros, remetendo-se essencialmente a uma função de controlo de custos.
E ironizou referindo as figuras de tantos “responsáveis”, afirmando, depois, que conhece as funções dos profissionais e que não entende bem o que será a “profissão” de “responsável.”
Salientou, em seguida, que tudo isto, em termos de complexidade, tem ainda de viver, seja com a cada vez mais significativa introdução da inovação arquitectónica e construtiva, seja com a crescente dinamização do próprio processo da obra. Trigo.concordou com Teotónio considerando “os Olivais (Lisboa) a época de ouro da nossa construção”, no edificado e nos espaços públicos, e demonstrou esta afirmação lembrando que grande parte dos betuminosos e pavimentos exteriores dos Olivais são ainda os originais.
Desenvolveu, em seguida, algumas considerações sintéticas sobre a matéria regulamentar, e sublinhou que considera haver falta de coerência e de compatibilidade na regulamentação; um problema que, defende, marca todo o processo que se inicia na elaboração dos diversos regulamentos até à própria regulamentação da construção.
Finalmente centrou-se na matéria da formação e especificamente na formação nas ciências da construção, salientando que hoje em dia há uma falta, cada vez maior, de pessoas que possam/saibam fazer sínteses de projecto e construção adequadas.
Usou como exemplos concretos quer a fundamental harmonização entre as estruturas de betão armado, que se deformam com o passar do tempo, e os panos de alvenaria (cada vez mais rígidos), quer a execução das coberturas em terraço, que exigem a união de esforços de um amplo leque de intervenções especializadas. E concluiu esta matéria reforçando a necessidade de se privilegiarem urgentemente as visões de conjunto nos processos construtivos.
Relativamente aos problemas levantados pelo uso sublinhou as graves situações que têm sido identificadas no que se refere à vital temática da ventilação doméstica, onde defende existir um grave problema de falta de coerência entre as diversas soluções mais usadas e as formas de uso da casas e dos seus elementos funcionais – desde as janelas quase estanques aos exaustores que, por vezes, levam a que o sistema de ventilação previsto funcione ao contrário.

09: Olivais Norte, painel de azulejos de Lima de Freitas, década de 60 (séc. xx)
Teixeira.Trigo rematou a sua intervenção com um pequeno conjunto de recomendações:
- Acabar com a regulamentação dispersa, mediante uma concentração regulamentar que seja o mais coerente possível com a nossa prática de construção.
- Introduzir e privilegiar na prática profissional sínteses construtivas, de segurança, económicas e processuais.
- Assegurar o aperfeiçoamento e o aprofundamento das ciências da construção.
- Valorizar o saber no sector da construção.
Seguiu-se um animado debate em que foram tratados variados assuntos aqui apenas telegraficamente apontados:
- As tipologias com galerias comuns de acesso são hoje pouco adequadas pois hoje “não é esse o espírito”, há um reforço do individualismo da casa, uma espécie de “enriquecimento” do papel da casa de cada um.
- Os ritmos e modos de vida mudam e talvez o uso das galerias seja ainda possível no que se refere às crianças, mas no que se refere aos adultos é difícil aí a convivialidade até porque são espaços socialmente muito controlados.
- Os fogos de hoje têm reduzida capacidade de aceitação de famílias sem serem as famílias “tipo” e isto prejudica, por exemplo, a capacidade de integração dos nossos idosos.
- Os projectos habitacionais têm de visar mais do que uma geração.
- A dúvida sobre se, hoje em dia, o grande público está a ter respostas adequadas a um desejável desígnio sobre a temática do habitar, tal como houve no passado – por exemplo para os dias de hoje seria bem oportuno um desígnio sobre a sustentabilidade/”durabilidade”.
- A importância de se fazer uma formação no projecto e na construção em vários níveis e com ritmo/continuidade.
- A importância que deveria ter a oferta de diversidade e de flexibilidade no habitar, estimulando-se a mudança de casa e diversas formas de “ter” casa.
O debate teve, de certa forma, o seu remate natural com duas curtas intervenções.
A primeira, de Hestnes.Ferreira, em que ele referiu ter havido uma época em que se acreditou que a arquitectura poderia mudar o mundo; hoje sabe-se que a arquitectura pode contribuir para tornar o mundo um pouco melhor, mas há que medir todas as circunstâncias neste processo e tentar, sempre, fazer um pouco melhor.
A segunda, de Teixeira.Monteiro, Presidente do INH, em que foi defendida a enorme importância que tem a aprendizagem com a experiência, e nesta aprendizagem o papel que têm sessões deste tipo, onde são identificados temas e linhas de aprofundamento a desenvolver, mas também a verdadeira escola que pode constituir um continuado processo de visitas técnicas realizadas em diálogo com os vários intervenientes na promoção de habitação, como é o caso do processo seguido anualmente no Prémio INH.
Conclui-se este artigo informal de registo das matérias tratadas na 4ª sessão do GH, realizada em estreita colaboração com o INH, com três citações e uma dedicatória, que foram lidas no início da sessão:
A primeira citação é de Le Corbusier que diz não acreditar “que todas as arquitecturas que falem à alma sejam sempre o produto de indivíduos. Um homem aqui, outro ali, percebe, compreende, toma uma decisão e procede para actuar, para criar. E como resultado uma solução emerge, proporcionando que outros homens encontrem os seus próprios caminhos.”
A segunda é de Robert Stern e nela ele sublinha que “a arquitectura não pode desenvolver-se enquanto os arquitectos acreditarem que se encontram diante de uma tábua rasa, enquanto acreditarem que o edifício individual é essencialmente o produto do talento individual e da personalidade individual. A arquitectura é uma síntese de valores tradicionais e de circunstâncias imediatas.”
A última é de Fernando.Távora e diz-nos que “projectar, planear e desenhar devem significar encontrar a forma justa, a forma correcta... projectar, planear, desenhar não deverão traduzir-se para o arquitecto na criação de formas vazias de sentido” e que além da especialização o arquitecto deve aplicar na sua actividade “um profundo e indispensável humanismo.”
E falando de humanismo, termino com a dedicatória desta sessão e deste artigo a um querido companheiro e dirigente cooperativista, fundador da minha cooperativa a NHC – Nova Habitação Cooperativa, que sempre esteve presente e que hoje continua connosco em espírito e em obras, o Dr. José.Barreiros.Mateus.
Lisboa e Encarnação/Olivais.Norte, em 8 de Fevereiro de 2006
António Baptista Coelho