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terça-feira, maio 08, 2018

640 - Lugares secretos, sítios-lareira e sítios-TV - Pequenos sítios domésticos II – Infohabitar 640

Infohabitar, Ano XIV, n.º 640

Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor” n.º CXIII


por António Baptista Coelho (texto e imagens)

Lugares secretos, sítios-lareira e sítios-TV - - Pequenos sítios domésticos II – Infohabitar 640

Introdução sobre os pequenos sítios domésticos

(Nota prévia: por uma questão de autonomia de leitura a introdução será repetida nos vários artigos sobre esta temática dos pequenos sítios domésticos)
Para além dos habituais espaços domésticos globalmente associados a compartimentos mais de estar ou mais de circulação e/ou recepção e que bem conhecemos, uma boa habitação, que nos “diga” realmente algo, para além de, simplesmente, nos abrigar, deve integrar, de forma muito natural, diversos tipos de sítios domésticos, entre os quais se contam os “lugares janela”, já desenvolvidos, mas cuja variedade dependerá da capacidade de quem bem projecta e de quem bem habita esse espaço doméstico.
Mas não tenhamos quaisquer dúvidas de que essa capacidade de adequada e estimulante integração de múltiplos pequenos sítios domésticos, propícios a variadas conjugações de microfunções e microapropriações depende em boa parte de um adequado, pormenorizado e rico/imaginativo projecto de Arquitectura, que facilitará e até incentivará tais condições, enquanto, se não existir esse projecto bem qualificado, quando o mundo doméstico é “manejado” de forma “maquinal” e rigidamente “unificada”, os resultados no uso e apropriação da habitação tenderão a ser muito “áridos” e funcional e formalmente muito pobres.
De certa forma aquilo que se aplica/acontece ao nível urbano e relativo aos aspectos de localização/integração, que têm enorme importância na satisfação dos habitantes – resumindo-se, por vezes, na ideia de que o que interesse primeiro é o sítio, depois o sítio e ainda depois o sítio … -  é algo que acontecerá, depois, ao nível do edifício, quando ele integra habitações com a riqueza da conjugação de variados sítios domésticos, e, depois, ao próprio nível doméstico, considerado, e bem, como a conjugação de variados e ricos pequenos sítios que nos servem, marcam e que apropriamos.
Em seguida iremos comentar diversos “pequenos sítios domésticos”, sem a ambição de os esgotarmos a todos, naturalmente; pois a sua diversidade está apenas dependente da sensibilidade e da imaginação de quem os projecta e de quem os habita – mas mesmo a este último nível é de grande importância o desenvolvimento da reflexão dos projectistas sobre estas matérias, reflexões estas que naturalmente, sendo feitas de forma clara/acessível, irão municiar/influenciar uma grande e adequada riqueza nessa apropriação pelos habitantes.



Lugares secretos e acessos domésticos alternativos

Designam-se, aqui, como "lugares secretos", mas poderiam ser também referidos como aqueles lugares que nas nossas casas não são, directamente, visíveis, e/ou estão sempre em reserva e disponíveis para uma "retirada estratégica", e bem oportuna em termos de podermos ter um período de descanso, de lazer ou de trabalho, em expressivas condições de sossego “funcional” (concentração) e de estratégico afastamento relativamente à entrada na habitação e à restante vida doméstica.
Importa referir que esta possibilidade tem apenas a ver com o propiciar de alternativas de convívio e relativo isolamento funcional na habitação, alternativas estas que, na prática, irão viabilizar esse mesmo convívio “familiar” e o leque de actividades que são realizadas individualmente; e cumulativamente tais condições propiciam também excelentes condições de apropriação colectiva e individual da habitação, dos seus espaços principais e dos seus “cantos” e “recantos” ou “lugares secretos”.    
Pode-se, ainda, referir que há habitações avessas a quaisquer "lugares secretos", situação que tem a ver, naturalmente, com condições de exiguidade ou de abundância espacial, mas que não se fica por aí, pois há espaços domésticos muito amplos e que se desenvolvem, praticamente, como um único espaço sem regulação de privacidades e de potencialidades de apropriação específica e bem localizada, e sem quaisquer jogos de visibilidade, responsáveis pelo sentido lúdico e estimulante que caracteriza os ambientes domésticos onde há sempre mais um pequeno espaço de forte apropriação e estrategicamente reservado dos olhares de quem entra na habitação e mesmo de quem entra no compartimento onde se integra o respectivo "lugar secreto".
A utilidade dos "lugares secretos" nos compartimentos pode ser muito grande desde que o espaço assim o permita e as justificações (ambientais, funcionais, vistas, etc.) estejam claramente evidenciadas; o caso limite é o compartimento ser, todo ele, ou em grande parte, configurado como um "lugar secreto", situação que pode e deve levar a formas específicas de acesso e da sua visualização (por exemplo, porta do compartimento integrada e bem camuflada numa continuidade de portas de roupeiro).
Pode, também, ser o próprio “mobiliário” a criar o "lugar secreto", um pouco como sendo um outro compartimento dentro do "compartimento-mãe".
E apenas a título de aprofundamento do tema e segundo Alexander(1), um "lugar secreto" deve caracterizar-se por ter, ou simular, paredes grossas e um tecto baixo; mas com todo o respeito pelo autor, a quem se deve boa parte da ideia de base relativa a este “lugar secreto”, poderemos aqui apontar que um “lugar secreto” poderá ser bem embebido no miolo da habitação, pouco evidente aos estranhos, mas sendo configurado, por exemplo, com um duplo pé-direito parcial (por exemplo, as galerias de acesso aos livros de uma pequena biblioteca doméstica).
Salienta-se, ainda, que a estratégia de criação de alguns "lugares secretos", em cada habitação, pode passar pela disponibilização de acessos alternativos na circulação doméstica, uma possibilidade que constitui uma forma de se proporcionar um "uso secreto" da referida habitação, que assim se poderá ela própria assumir, na sua totalidade, também como um grande "lugar secreto", pois só os seus habitantes sabem dessa possibilidade alternativa de circulação, condição esta muito estimulante no uso diário do espaço doméstico, e que será, muito provavelmente, motivo de brincadeira para as crianças que usem essa habitação; condição esta que, cada vez mais, parece ao autor ser igualmente condição para a criação de uma habitação que nos motive e alegre na vida diária e ao longo dos anos.

Sítios com lareiras ou fogões de sala

Os sítios com lareiras ou fogões de sala são locais tradicionais de reunião, convívio, repouso, lazer e leitura, marcados por um sentido focal em torno do fogo, que deve ser aproveitado na organização do espaço do respectivo compartimento.
É também muito interessante o efeito gregário destes sítios no que se refere à conjugação de diversas formas de sentar e ao acesso a aparelhagens de som; e neste sentido importa ter cuidada atenção no que se refere ao dimensionamento das respectivas zonas funcionais e “ambientais”, designadamente, quando se deseja que a lareira ou o fogão tenham reais objectivos de aquecimento para além dos objectivos de convívio, lazer e estar, pois há uma zona contígua ao “fogo” que se torna pouco agradável quando há esse objectivo funcional de aquecimento, que naturalmente se recomenda.
Outro aspecto a ter em conta, quando a lareira ou o fogão tiverem os referidos objectivos funcionais em termos de aquecimento, refere-se à relativa posição no respectivo compartimento e mesmo na habitação, sendo, naturalmente, recomendadas as posições mais centrais e estratégicas.
Ainda outro aspecto funcional a considerar é a exigência de espaço contíguo ou bem próximo para acumular um mínimo de lenha de abastecimento, a respectiva acessibilidade para aprovisionamento de lenha a partir do respectivo depósito e, finalmente, as condições de limpeza da lareira ou do fogão e da sua zona contígua, que devem ser facilitadas e expressivamente apoiadas.
O tema da integração da lareira ou do fogão a lenha na habitação é de tal forma “estrutural” nas reflexões sobre o habitar que, em Portugal,  chamamos “fogos” às habitações, sendo, portanto, matéria que por si só impulsiona extensas e diversificadas reflexões, que aqui não serão desenvolvidas; no entanto, há desde já que registar o grande interesse que marca diversas associações domésticas funcionais, ambientais e mesmo simbólicas, entre as quais e a título de exemplo se apontam as combinações entre espaços domésticos de lareira ou fogão e: escadas; pequenas bibliotecas; conjuntos variados de lugares de sentar, panos de alvenaria de pedra e de tijolo maciço, lambris de madeira; etc.
Um “problema” a resolver é o da eventual relação entre o "foco" da atenção na lareira/fogão e/ou na televisão, sempre que não seja possível separar radicalmente estes dois "focos" em subzonas domésticas distintas, ou então arrumar/esconder o "foco" televisão, tornando-o visível apenas quando desejado. 

Sítios-TV

Com a evolução da televisão doméstica para ecrãs muito grandes (à escala do espaço doméstico) e potencialmente espectaculares em termos da respectiva qualidade de imagem e som, a televisão torna-se realmente "cinema em casa", e assim e tal como acima já se sugeriu, será aconselhável que lhe seja dedicado, sempre que possível, um espaço com condições específicas, designadamente, em termos de controlo da luz natural e de reduzido impacto na vivência da restante habitação; para que ela possa ser fruída plenamente e para que a vida doméstica possa decorrer agradável e habitualmente sem a sua “concorrência”.
À medida que os ecrãs crescem em tamanho e impacto visual, embora tornando-se mais fáceis de integrar numa sala, por exemplo, pendurados de paredes e funcionando até eventualmente como janelas virtuais ou quadros virtuais, torna-se mais importante que quem não queira assistir aos respectivos programas e filmes, possa exercer esse seu direito, sem ter que se enclausurar no seu quarto; de certa forma estamos a chegar à situação de termos em casa um “cinema” e de haver, naturalmente, pessoas que não querem assistir às respectivas “sessões” (e imagine-se a impossibilidade de estarmos no cinema e não desejarmos ver cinema): teríamos assim de sair da sala onde está a TV, e numa habitação pode não haver outro espaço disponível, imaginando-se, por exemplo, uma cozinha e quartos  mínimos; e então se juntarmos a esta situação a necessidade/vontade de trabalhar em casa a situação ainda se complica; e vai complicar-se, ainda, mais se o exterior residencial não existir, em termos de proporcionar adequadas condições de vizinhança.
Naturalmente que os habitantes são livres de instalarem grandes televisões em espaços que lhes sejam pouco adequados, mas o projectista deve ter sempre em conta esta “nova” realidade, bem diferente dos relativamente pequenos ecrãs que existiram até há pouco tempo.


Notas:
(1) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 815 e 816.
Lugares secretos, sítios-lareira e sítios-TV - - Pequenos sítios domésticos II – Infohabitar 640
Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIV, n.º 640

Lugares secretos, sítios-lareira e sítios-TV - - Pequenos sítios domésticos II – Infohabitar 640

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
abc@lnec.pt

Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC.
Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

segunda-feira, abril 30, 2018

639 - Pequenos sítios domésticos I: dos lugares de sentar e mesa aos (re)cantos “activos” – Infohabitar 639

Infohabitar, Ano XIV, n.º 639

Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor” n.º CXII


por António Baptista Coelho (texto e imagens)

Introdução sobre os pequenos sítios domésticos

(Nota prévia: por uma questão de autonomia de leitura a introdução será repetida nos vários artigos sobre esta temática dos pequenos sítios domésticos)
Para além dos habituais espaços domésticos globalmente associados a compartimentos mais de estar ou mais de circulação e/ou recepção e que bem conhecemos, uma boa habitação, que nos “diga” realmente algo, para além de, simplesmente, nos abrigar, deve integrar, de forma muito natural, diversos tipos de sítios domésticos, entre os quais se contam os “lugares janela”, já desenvolvidos, mas cuja variedade dependerá da capacidade de quem bem projecta e de quem bem habita esse espaço doméstico.
Mas não tenhamos quaisquer dúvidas de que essa capacidade de adequada e estimulante integração de múltiplos pequenos sítios domésticos, propícios a variadas conjugações de microfunções e microapropriações depende em boa parte de um adequado, pormenorizado e rico/imaginativo projecto de Arquitectura, que facilitará e até incentivará tais condições, enquanto, se não existir esse projecto bem qualificado, quando o mundo doméstico é “manejado” de forma “maquinal” e rigidamente “unificada”, os resultados no uso e apropriação da habitação tenderão a ser muito “áridos” e funcional e formalmente muito pobres.
De certa forma aquilo que se aplica/acontece ao nível urbano e relativo aos aspectos de localização/integração, que têm enorme importância na satisfação dos habitantes – resumindo-se, por vezes, na ideia de que o que interesse primeiro é o sítio, depois o sítio e ainda depois o sítio … -  é algo que acontecerá, depois, ao nível do edifício, quando ele integra habitações com a riqueza da conjugação de variados sítios domésticos, e, depois, ao próprio nível doméstico, considerado, e bem, como a conjugação de variados e ricos pequenos sítios que nos servem, marcam e que apropriamos.
Em seguida iremos comentar diversos “pequenos sítios domésticos”, sem a ambição de os esgotarmos a todos, naturalmente; pois a sua diversidade está apenas dependente da sensibilidade e da imaginação de quem os projecta e de quem os habita – mas mesmo a este último nível é de grande importância o desenvolvimento da reflexão dos projectistas sobre estas matérias, reflexões estas que naturalmente, sendo feitas de forma clara/acessível, irão municiar/influenciar uma grande e adequada riqueza nessa apropriação pelos habitantes.


Lugares de sentar suplementares e agradáveis

Praticamente tão importante como criar determinadas quantidades de espaço interior doméstico é criar espaços que integrem naturalmente sítios onde, depois de se introduzirem os elementos de mobiliário correntes se possam colocar lugares de sentar suplementares e agradáveis, porque, por exemplo, perto de uma janela ou de uma mesa, ou bem orientados relativamente à televisão.
A suplementaridade destes lugares de sentar deve ser considerada em relação com o programa funcional corrente numa dada habitação, pois considera-se que deve haver uma disponibilização constante destes lugares de sentar e, inclusivamente, um seu cuidadoso tratamento, que os torne aliciantes.
Uma outra possibilidade bastante versátil é proporcionada por cadeiras dobráveis, que sejam usadas apenas quando necessárias, mas para tal é importante haver espaço para as arrumar de forma a que estejam sempre "à mão".

Lugares-mesa

Tal como referiu o arquitecto Hermann Hertzberger, numa palestra no LNEC em Maio de 2010, na concepção arquitectónica interior é fundamental proporcionar os mais diversos tipos de condições de integração de mesas dos mais diversos tipos. Afinal, as mesas são parceiras essenciais na dinamização e apoio ao desenvolvimento das mais diversas actividades, desde as refeições, às lides domésticas, ao trabalho profissional, ao lazer e à leitura.
De certa forma as mesas nunca serão de mais numa habitação, mas há que as integrar de forma adequada e elas consomem realmente espaço, mesmo quando escamoteáveis.
E os lugares-mesa obrigam naturalmente a cadeiras ou bancos de apoio, que eventualmente se poderão recolher debaixo das respectivas mesas.
Os conjuntos mesa/cadeiras escamoteáveis são, provavelmente, dos mais antigos elementos de mobiliário criados no apoio a uma vida doméstica que era marcada pelo nomadismo.

(Re)cantos "activos"

Por (re)cantos activos pretende-se definir um conceito de subespaços domésticos, que se integram noutros espaços ou compartimentos de maior dimensão, e cujas dimensões, configuração e proximidades específicas, designadamente, a determinadas zonas de actividades e a vãos de janela, lhes confere excelentes potencialidades para o exercício de variados usos funcionais ou de lazer, produzindo-se, em consequência, um evidente enriquecimentos do conjunto de actividades realizado nesse espaço ou compartimento em que o (re)canto se integra.
Salienta-se que estas condições não obrigam, nem a uma subdivisão do espaço principal, nem à demarcação física do (re)canto, que deverá ser marcado, essencialmente, pelo conjunto de elementos de mobiliário que o integram e por um determinado sentido de "cenário" funcional e/ou ambiental mais adequado à sua caracterização.
Assim se aplica, naturalmente, o referido fazer “de cada casa ... uma porção de lugares", objectivo que, aqui, será fazer de cada compartimento e espaço doméstico uma porção de lugares, bem conjugados, mas individualmente caracterizados e sempre carregados de sentido doméstico. E não tenhamos dúvida de que uma habitação constituída por espaços, cada um deles, integrados por uma "porção de lugares", será uma verdadeira habitação/cidade, adequada a cada um dos elementos do agregado, mas também à sua totalidade e às suas ampliações periódicas, com outros familiares e amigos.
A existência de (re)cantos em espaços e compartimentos, pode ser adequadamente fundamentada, nomeadamente, por critérios: funcionais (ex., desenvolvimento de actividades de apoio a usos estruturantes, como é o caso da instalação de uma pequena mesa de apoio a uma biblioteca) ; ambientais (ex., condições específicas de ventilação, insolação e iluminação natural, extremamente adequadas para determinados tipos de actividades); formais (ex., poder integrar mobiliário de família ou antiguidades); e paisagísticos (ex., proporcionar determinadas vistas, muito "dirigidas" e/ou "enquadradas" sobre o exterior próximo ou longínquo).
A adequada fundamentação, aqui considerada, para os (re)cantos domésticos, pode e deve ser reforçada por acumulações/concentrações desses critérios, acumulações estas que muito reforçam a imagem e o carácter de certos elementos/(re)cantos, o exemplo disto é dado pelas "bay-windows" que são justificáveis "à luz" de todos os tipos de critérios, que foram acima referidos.
Segundo Alexander conseguem-se ambientes atraentes e espaços muito íntimos, quando se faz variar a alturas do tecto, proporcionando-se arrumações sob zonas elevadas e sobre zonas rebaixadas (ex., criação de recantos de estar com um tecto falso bem rebaixado, aproveitando-se o desvão assim criado para arrumações e prateleiras - a altura útil conseguida nesses desvãos, para um pé-direito corrente, é de cerca de 0.60m - e previsão de zonas com pés-direitos muito altos, onde seja possível desenvolver zonas em galeria).
E não devemos esquecer que, tal como apontam Claire e Michel Duplay, o próprio mobiliário, quando atingindo grandes dimensões, pode criar "nichos" bem interessantes; uma possibilidade que é, actualmente, mais usada na concepção de espaços para crianças. ...
Finalmente sublinha-se que o emprego do termo (re)canto não significa que tais espaços tenham de ser desenvolvidos em zonas reentrantes dos compartimentos, referindo-se, assim, esse termo a uma sub-zona dimensionalmente reduzida e que não tem existência doméstica autonomizada do funcionamento do compartimento ou espaço principal em que se integra.
Notas:
(1) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 770 a 772.
(2) Claire e Michel Duplay, "Methode Ilustrée de Création Architecturale", p. 136.
Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIV, n.º 639

Pequenos sítios domésticos I: dos lugares de sentar e mesa aos (re)cantos “activos” – Infohabitar 639

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
abc@lnec.pt

Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC.
Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.



segunda-feira, março 19, 2018

635 - Pequenos grandes mundos do pormenor doméstico - Infohabitar 635


Infohabitar, Ano XIV, n.º 635



Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor” n.º CVIII

Pequenos grandes mundos do pormenor doméstico

por António Baptista Coelho (texto e imagens)

Sobre o mundo do detalhe doméstico

O que aqui se irá comentar, em seguida, sobre o detalhe doméstico refere-se, essencialmente, a matérias suplementares, ou melhor dito, paralelas, às directamente associadas aos espaços da habitação,  globalmente bem distintas dos aspectos funcionais domésticos, que se considera terem sido já amplamente visados em diversos estudos, e privilegiando determinadas notas associadas ás opções de Arquitectura interior e ao seu diálogo com os habitantes, sempre ao serviço das opções gerais de adequação, adaptação/versatilidade e apropriação/identificação, que se considera serem objectivos fundamentais a redescobrir nas soluções domésticas.

Os mundos do pormenor doméstico

Pela sua importância serão primeiro abordados os aspectos ligados à criação de vários tipos de "lugares" ou "sítios" domésticos específicos, quase sempre, não coincidentes com determinados compartimentos ou espaços da habitação.
Em próximos artigos desta série serão abordados, com o mercido desenvolvimento, os vãos exteriores, considerando-se a sua enorme importância na qualidade arquitectónica e vivencial habitacional, seguindo-se os diversos aspectos que apoiam na criação de “sítios” domésticos muito específicos, depois os aspectos cruciais e por vezes insuspeitados do cromatismo residencial, em seguida, os aspectos de maior pormenor ligados à arrumação doméstica, depois, algumas pontes de ligação com a construção, os equipamentos e as instalações e, finalmente, uma abordagem complementar e sempre necessariamente "em aberto" de outros aspectos de pormenorização, que, conjuntamente com aqueles aspectos e em grande integração com espaços domésticos considerados como bem desenvolvidos.
Todos estes elementos constituintes do espaço habitacional privado são protagonistas na construção de um estimulante mundo de interioridade doméstica, marcado pela apropriação, pelo bem-estar, pela identidade pessoal e familiar, e por um "sentido doméstico" ou de verdadeira "concha", tal como tão bem referiu Amália Rodrigues, que não é fácil de desenvolver mas que tem enorme importância na felicidade que podemos gozar na nossa habitação.
De certa forma parece haver elementos que, apondo-se, caracterizando e marcando os espaços domésticos, ao nível do pormenor, são muito importantes para fazer passar o nível de satisfação doméstica de um patamar meramente adequado/funcional para um outro patamar que é em boa parte responsável pelas tais casas felizes e que nos ajudam a ser felizes.
Sob este tema iremos aqui paulatinamente considerando, essencialmente, aspectos de arquitectura de interior, associados ao desenvolvimento de: paredes; pavimentos; vãos de porta; guardas, parapeitos e peitoris; isolamentos; equipamentos; instalações; bay-windows e outros "lugares-janela"; floreiras; mobília encastrada; e outros pormenores.
E a ideia é apontar, aqui, aspectos de pormenor que mais fácil e naturalmente proporcionam ambientes domésticos estimulantes, e não realizar uma abordagem sistemática de todos os elementos que aqui podem ser previstos.


Calma no uso pormenorizado da habitação

Toda esta faceta de abordagem à qualidade habitacional depende da possibilidade de haver alguma calma na apropriação da habitação pelos seus habitantes, uma calma que fica evidenciada no seguinte texto, que foi escrito algumas semanas após uma mudança de casa.
"Fim de tarde. Sentado no sofá  de canto, por trás da mesa de abas, leio, finalmente o jornal matinal. Um lugar preferido, os meus filhos definiram outros sítios de preferência mais na ponta do sofá  grande ou no cadeirão estofado, a Isabel sente-se melhor no maple repousando os braços e gozando, também, a luz quente e baixa do cavalo/candeeiro em ferro forjado. Os sítios da casa vão, gradualmente, tendo nomes e chamando por certos usos, mas é preciso dar um certo tempo redondo para que a nova casa nos reconheça e para que nós também a possamos conhecer."
E uma calma no uso intenso da casa que estará, sempre e naturalmente, ligada a algum desafogo espacial, ou a um desafogo pelo menos mínimo no usufruto doméstico, que tem a ver não apenas com o respectivo espaço interior, mas também com adequadas condições de relação com o exterior (bons vãos de janela), de conforto ambiental (boa luz natural e bom isolamento térmico e sonoro) e de possibilidade de uso do próprio exterior contíguo; estando este, pelo menos, minimamente composto, equipado e limpo, e sendo o exterior, pelo menos, minimamente motivador do seu próprio uso, e aqui podemos citar Alain Sarfati, quando este  explicita o prazer que espera oferecer aos habitantes propondo percursos embebidos no habitat: “o convite à descoberta, à exploração exprime-se no atravessar de diferentes passagens, ligações, escadas, galerias, áleas e caminhos”. (1)

Vários tipos de "lugares" ou "sítios" domésticos específicos

Tal como refere o arquitecto Herman Hertzberger, nas suas Lições de Arquitectura (2), citando Aldo van Eyck, é fundamental fazer “de cada casa e de cada cidade uma porção de lugares, pois uma casa é uma cidade em miniatura e uma cidade é uma casa enorme”; e como se partilha inteiramente esta ideia, de uma casa, uma habitação, serem verdadeiras cidades “em miniatura”; a casa tem de ser realmente uma porção de lugares, mutuamente bem integrados, mas individual e positivamente caracterizados, porque úteis, mas também carregados de sentido doméstico.
E não tenhamos dúvidas de que este mosaico de sítios/lugares constituintes de uma habitação não se esgota nos respectivos espaços e compartimentos, tem de ter uma "célula" mais fina, naturalmente mais fácil de concretizar em grandes habitações, mas que tem, obrigatoriamente de se verificar até nas habitações mínimas, e podemos mesmo dizer que nestas habitações tal qualidade de "grão fino", composto por pequenos lugares domésticos, é fundamental até, também, para suavizar e se tornar muito mais aceitável até a eventual escassez espacial.
Por estas razões iremos, em próximos artigos desta série editorial, numa viagem informal e de "sentido aberto" ou dinâmico por alguns dos sítios/lugares domésticos que nos fazem parar para pensar, para sentar e para olhar, quando visitamos uma habitação que vale a pena; pois nas outras um relance rápido chega!
E há, ainda, que sublinhar ser possível "montar" uma habitação "funcionalmente mínima", porque composta por poucos espaços e compartimentos principais e correntes - como quartos e corredores -, através de um amplo espaço multifuncional, caracterizado por excelentes condições de conforto ambiental, pormenorização e durabilidade, em que as diversas funções domésticas se associem muito mais a lugares/sítios dimensionalmente reduzidos e pouco ou nada compartimentados, do que a espaços e compartimentos "clássicos"; e sublinha-se o interesse que esta perspectiva de desenvolvimento doméstico tem quando pensamos no habitar privado de pessoas sós, casais e eventualmente pessoas idosas que optem por este tipo de habitar.
Esta associação entre habitações pouco compartimentadas e integradas por variados lugares/sítios  e o habitar privado de pessoas sós ou casais, prende-se ao desenvolvimento da habitação como uma verdadeira segunda pele, que sirva o modo como gostamos de viver/habitar e que sirva e evidencie, naturalmente, a nossa identidade, sendo aqui exemplificada, nas palavras de José Pacheco Pereira (2005), sobre a casa/sala/biblioteca, bem viva e caracterizada, onde vivia Eugénio Andrade:
“Uma sala coberta de livros, ao mesmo tempo sala de ler, escrever, de comer, com uma cozinha incrustada, … o quarto, com janela para a Duque de Palmela, uma rua silenciosa quase sem trânsito, numa parte do Porto perdida do centro, mesmo estando perto do centro... Um desenho de Jean Cocteau no corredor… Esta foi sempre a sua verdadeira casa.” (3)
E, já agora, o grande Jorge Luís Borges,  também tinha uma sala com uma grande mesa onde tudo acontecia - vida, trabalho e convívio - tal como salientou Raúl Hestnes Ferreira, na 4.ª Sessão Técnica do Grupo Habitar. (4)

Notas:
(1) Monique Eleb e Anne Marie Chatelet, “Urbanité, sociabilité et intimité des logements d’aujourd’hui”, p. 239
(2) Herman Hertzberger, Lições de Arquitetura, São Paulo, Martins Fontes, 1996 (1991),p.193.
(3) José Pacheco Pereira, “Rua Duque de Palmela 111 (Eugénio de Andrade); «Uma sala coberta de livros…»”, Abrupto, Early Morning Blogs n.º 520, 17-06-2005, http://abrupto.blogspot.com/ 1045bqi e 269c
(4) 4ª Sessão Técnica do Grupo Habitar, em 22 de Janeiro de 2006 no Auditório da sede do INH em Lisboa.
Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIV, n.º 635

Pequenos grandes mundos do pormenor doméstico

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
abc@lnec.pt

Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC.

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.


segunda-feira, abril 25, 2016

579 - Espaços domésticos privados - Infohabitar n.º 579


Infohabitar, Ano XII, n.º 579

Espaços domésticos privados - Infohabitar n.º 579

Artigo XCVI da Série habitar e viver melhor
António Baptista Coelho

Nas próximas semanas, aqui nesta série editorial, viajaremos, mais um pouco, pelos espaços domésticos privativos e pessoais, portanto aqueles mais amigos de um uso individual, ou muito ligado ao casal, e onde, também não há que excluir os outros, mas sim acolhê-los marcando, aqui, ainda mais fortemente, aspectos de identidade e de abrigo.

O que pode ajudar a caracterizar a nossa casa como um sítio diferente de um simples espaço de estadia/abrigo é, exactamente, a associação entre as actividades correntes da habitação e inúmeras outras actividades ligadas, quer ao trabalho diversificado, quer ao lazer, quer ao colecionismo (nas sua mais variadas formas), quer a características e modos de habitar específicos e bem distintos dessas actividades referidas como correntes e que se associam, frequentemente, a tipos específicos de compartimentos (sala/estar, quartos/dormir, casa de banho/higiene pessoal, vestíbulo/entrar, etc.).

Realmente, o que poderá ajudar a identificar positivamente uma dada habitação será a capacidade por ela oferecida para que em cada um dos seus espaços, mais correntes, possam ser realizadas muitas outras actividades diferentes daquelas que, habitualmente, aí são realizáveis.

Cumulativamente, uma tal diversidade de potenciais identificações numa dada habitação também dependerá da capacidade, por ela oferecida, para se “transmutar” ou converter no “reino” doméstico mais apropriado para as mais distintas e específicas formas de habitar.

E o que apetece comentar sobre isto é que esta perspectiva é sem dúvida muito mais aliciante do que a que é pobremente oferecida por habitações “unifuncionais” e mesmo “uniformais”, onde em cada um dos seus espaços dificilmente é possível desenvolver outras actividades do que aquelas consideradas correntes pela “família tipo” da “cultura dominante”, e com formas idênticas.

São os seguintes os diversos tipos de espaços domésticos pessoais de que aqui “falaremos”, caso a caso, nas próximas semanas:

- Quartos
- Espaço de lazer/trabalho
- Pequenos escritórios e espaços de trabalho profissional em casa
- Outros espaços privativos e diferenciados
- Recantos vários
- Alcovas em espaços domésticos comuns

Mas para fazer avançar, desde já, um pouco uma matéria que se julga bem aliciante, apontam-se em seguida, exploratoriamente, alguns aspetos gerais sobre alguns desses espaços e recantos domésticos.

Quartos não apenas para dormir, espaços de apropiação, intimidade e sossego
O quarto pode ser o quarto de dormir clássico, praticamente estruturado pelo espaço/cama, sem grandes ambientes/actividades complementares ou paralelas, ou pode constituir um conjunto de zonas de actividade entre as quais as associadas ao espaço/cama terão algumas preponderâncias, mas proporcionando pequenas áreas de lazer, estar e trabalho.
Durante anos e ainda hoje, muita da promoção habitacional "comercial", propôs uma “zona íntima” doméstica, onde se agregavam muitas vezes com carácter quase segregado do resto da habitação, todos os quartos da habitação, um sítio quase isolado, onde afinal acabava por se desenvolver uma espécie de desprivatização ou proximidade excessiva, muitas vezes associada a um exíguo corredor ou vestíbulo interior para o qual dão todos os quartos e as principais casas de banho.

Escritórios e espaços de trabalho profissional em casa

Esta temática do trabalho profissional ou não-doméstico em casa – habitual e globalmente designado por home-office – poderia inaugurar um outro grande tema desta série editorial, o que não se pretende, pensando-se no tema numa perspectiva suplementar às actividades mais directamente ligadas à habitação.

Os espaços para trabalho profissional ou não-doméstico em casa devem ser razoavelmente separados dos restantes espaços da casa e estarem próximos do vestíbulo de entrada, tanto porque podem apoiar actividades que exigem algum sossego e isolamento (escrita, estudo e leitura) ou porque podem ser pouco compatíveis com a habitação (produzem ruídos e lixos), ou porque essas actividades podem incluir a recepção de estranhos à família.

Espaços de lazer domésticos que sejam atraentes e estimulantes
O que se referiu para os espaços de trabalho em casa aplica-se, em boa parte, aos espaços de lazer domésticos, até porque frequentemente serão ténues as fronteiras entre trabalho e lazer em casa, havendo, por exemplo, passatempos que sendo acções de lazer exigem verdadeiros espaços especializados e, frequentemente, oficinais.

Casas de banho e espaços de banho privativos

Importa sublinhar a possibilidade de desenvolvimento da “figura” do espaço de banho com um sentido caracterizador e caracterizado por determinadas formas de viver a habitação. Situação que poderá ligar-se ao desenvolvimento de associações entre espaços de banho e outros espaços de estar, dormir e lazer com forte carácter identitário e relativamente privativo, embora espacialmente pouco controlado em termos dimensionais. O exemplo de um tal espaço é o sítio de banho de uma das grandes casas projetadas pelo Arq.º Charles Moore, que se integra num espaço de estar e assume mesmo uma posição destacada neste espaço.

Os pequenos grandes mundos do pormenor doméstico
O que se irá comentar sobre o detalhe doméstico serão, essencialmente, matérias suplementares, ou melhor dito, paralelas, às já referidas sobre os espaços da habitação,  e praticamente não dedicadas aos aspectos funcionais, já amplamente visados em diversos estudos, mas privilegiando determinadas notas associadas às opções de Arquitectura interior e ao seu diálogo com os habitantes ao serviço das opções gerais apontadas nas respectivas soluções domésticas.

·         Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:
As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.
Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.
A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.
Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.
·        Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Espaços domésticos privados

Infohabitar, Ano XII, n.º 579
Artigo XCVI da Série habitar e viver melhor

- Infohabitar n.º 579

Editor: António Baptista Coelho – abc@ubi.pt, abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional
Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.