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terça-feira, novembro 03, 2020

SOBRE OS ESPAÇOS DOMÉSTICOS PRIVADOS, UMA INTRODUÇÃO – INFOHABITAR # 753


Infohabitar, Ano XVI, n.º 753

Edição: terça-feira, 3 de novembro de 2020

Sobre os espaços domésticos privados, uma introdução – Infohabitar # 753

 


Caros amigos e colegas,

Antes do nosso artigo semanal

É com muito gosto que partilho a divulgação do webinar, que decorrerá hoje, e que, em seguida, se descreve, 

Com amizade e consideração,

 

António Baptista Coelho

 

A editora Oficina de Textos convida a todos para o webinar gratuito:


Tema:  Morar em Apartamento: um olhar sobre a organização do espaço doméstico, suas características tipológicas e sua evolução

Palestrante: Prof.ª Drª. Simone Barbosa Villa

da FAUeD da Universidade Federal de Uberlândia, MG, Brasil

 

Quando:  3 de novembro de 2020 - terça-feira - às 15h

(Em Portugal continental às 18h)

 

INSCRIÇÃO: http://bit.ly/Inscricao-Morar-em-Apartamento-Simone-Villa



Caros leitores da Infohabitar,

Continuando em um dos temas “centrais” da nossa revista: os espaços do habitar, vamos aprofundando, semana a semana, esta matéria, neste caso específico no âmbito do, julgado, bem oportuno tema de um adequado desenvolvimento e de uma fundamentada inovação na temática dos espaços domésticos expressivamente privados, uma matéria que, por motivos críticos ligados à pandemia que vivemos desde há meses, ganhou grande importância, designadamente, no que se refere a muitas habitações em sobreocupação e/ou minimamente dimensionadas e/ou mal projetadas em termos arquitectónicos; e chama-se a atenção para estes três aspetos.

Esta viagem pelos espaços do habitar continuará a ser feita nas próximas semanas editoriais da Infohabitar, apenas com eventuais intervalos mais dedicados à divulgação de iniciativas julgadas especialmente interessantes.

E lembra-se, julga-se a propósito, que serão sempre muito bem-vindas eventuais ideias comentadas sobre os artigos aqui editados e propostas de novos artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com , ao meu cuidado),

Considerando a atual e muito crítica evolução da pandemia, voltar a sublinhar-se a vital importância que neste momento tem o distanciamento social, conseguido, designadamente, através do teletrabalho e de todas as medidas de proteção própria e dos outros, que são muito favorecidas com o uso sistemático, maximizado e cuidadoso de máscara – seja no interior seja nos espaços públicos mais usados – e por um reforço dos cuidados de higiene próprios e relativamente à sistemática  higienização dos ambientes e dos objetos que usamos no dia-a-dia.

Não tenhamos dúvida de que boa parte do combate à pandemia passa por estes nossos esforços pessoais e familiares,

Despeço-me, até à próxima semana, com saudações calorosas e desejos de força e de boa saúde para todos os caros leitores,    

Lisboa, Encarnação, em 2 de novembro de 2020

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar


Sobre os espaços domésticos privados, uma introdução - Infohabitar n.º 753

António Baptista Coelho


Pequena introdução aos espaços domésticos “mais privados”

A ideia-base desta abordagem específica e relativamente destacada aos espaços domésticos aqui designados como “mais privados”, sendo que estes integram e, de certa forma, qualificam, pela sua natureza básica de espaços privados, o desenvolvimento, a caraterização e a própria designação da habitação como “espaço privado”, tem a ver, essencialmente, com dois aspetos, já de seguida, “apenas” apontados e que contamos vir a individualizar e a desenvolver em próximos textos.

O primeiro aspeto refere-se ao importante desenvolvimento de um mundo doméstico com três distintas, enriquecedoras e mutuamente estimulantes facetas: (i) um sentido de global privacidade, identidade, conforto e estratégica separação de outros mundos mais comuns e públicos, sentido este bem natural num espaço doméstico, bem protegido e caraterizado de acordo com tal natureza espacial/ambiental, física e psicológica; (ii) um sentido de potencial de convívio familiar ou doméstico que pode e deve trazer para esta esfera mais íntima atividades de partilha e de interação social com expressiva diversidade e que poderão ela próprias contrastar agradavelmente com esse sentido de privacidade global e com a natureza de privacidade pessoal, em seguida apontada; e (iii) o referido sentido de privacidade pessoal, de identidade pessoal e de caraterização pessoal, que constitui talvez a base do sentido doméstico e que, no entanto, se carateriza por alguma ambiguidade no que se julga deveria ser o adequado serviço à individualidade de cada um dos membros de um casal – serviço este só verdadeiramente possível quando existem especiais condições de espaciosidade e de estruturação doméstica, mas que pode e deve ser sempre considerado, designadamente, ao nível do detalhe e do desenvolvimento de subespaços domésticos “superprivados”.

O segundo aspeto refere-se ao igualmente importante desenvolvimento de um “pequeno” mundo doméstico expressivamente privado, no sentido da criação de um ambiente físico e psicológico bem caraterizado e caraterizador da individualidade de cada um de nós, que nos sirva o melhor possível em termos do amplo leque das nossas necessidades, gostos e desejos e que se constitua mesmo como uma nossa “segunda pele” até no sentido de nos poder ajudar a caraterizar em termos da nossa própria identidade e história de vida; tudo isto num sentido que também se pode e deve prolongar por toda  “nossa” habitação, mas aqui talvez de uma forma mais consensualizada e partilhada com os membros do nosso agregado familiar, quando existam evidentemente – o que evidencia a importância da capacidade de apropriação e de identidade de toda a habitação, tratando-se de habitações para pessoas sós.

Tendo-se abordado esta matéria que, repete-se, se considera de grande interesse, designadamente, numa inovadora abordagem atualmente tão necessária aos espaços domésticos mais privados, saliente-se que  nas próximas semanas editoriais viajaremos, aqui na Infohabitar, mais um pouco, pelos espaços domésticos privativos e pessoais, portanto aqueles mais amigos de um uso individual, ou muito ligado ao casal, e onde, também não há que excluir os outros, mas sim acolhê-los marcando, aqui, ainda mais fortemente, aspectos de identidade e de abrigo.

O que pode ajudar a caracterizar a nossa casa como um sítio diferente de um simples espaço de estadia/abrigo é, exactamente, a associação entre as actividades correntes da habitação e inúmeras outras actividades ligadas, quer ao trabalho diversificado – tanto profissional como de passatempos, como de verdadeiras “segunda atividades” –, quer ao lazer, quer, por exemplo, ao colecionismo (nas sua mais variadas formas), quer a características e modos de habitar específicos e bem distintos dessas actividades referidas como correntes e que se associam, frequentemente, a tipos específicos de compartimentos (sala/estar, quartos/dormir, casa de banho/higiene pessoal, vestíbulo/entrar, etc.).

Realmente, o que poderá ajudar a identificar e a caraterizar positivamente uma dada habitação será a capacidade por ela oferecida para que em cada um dos seus espaços, mais correntes, possam ser realizadas muitas outras actividades diferentes daquelas que, habitualmente, aí são realizáveis como “concha” de simples alojamento funcional; e de certa forma até esse simples “alojamento funcional” nos seus diversos aspetos(ex., refeições, dormir, descansar, etc.) devem poder “rodear-se” e “transfigurar-se” de múltiplos modos consoante variados desejos, necessidades e evolução de tais desejos e necessidades.

Cumulativamente, uma tal diversidade de potenciais identificações numa dada habitação também dependerá da capacidade, por ela oferecida, para se “transmutar” ou converter no “reino” doméstico mais apropriado para as mais distintas e específicas formas de habitar.

E o que apetece comentar sobre isto é que esta perspectiva é sem dúvida muito mais aliciante do que a que é pobremente oferecida por habitações “unifuncionais” e mesmo “uniformais”, onde em cada um dos seus espaços dificilmente é possível desenvolver outras actividades do que aquelas consideradas correntes pela “família tipo” da “cultura dominante”, e com formas idênticas.

São, designadamente, os seguintes os diversos tipos de espaços/elementos domésticos pessoais de que aqui “falaremos”, caso a caso, nas próximas semanas:

- Quartos privados

- Espaço de lazer/trabalho

- Pequenos escritórios e espaços de trabalho profissional em casa

- Outros espaços privativos e diferenciados

- Recantos vários

- Alcovas em espaços domésticos comuns

- Detalhes domésticos

Nestas matérias é evidentemente essencial estudar e aprofundar a história dos espaços domésticos e os seus usos e costumes.

Mas para fazer avançar, desde já, um pouco uma matéria que se julga bem aliciante, apontam-se em seguida, apenas exploratoriamente, alguns aspetos gerais sobre alguns desses espaços, recantos e elementos domésticos.

Quartos não apenas para dormir, espaços de apropriação, intimidade e sossego

O quarto pode ser o quarto de dormir clássico, praticamente estruturado pelo espaço/cama, sem grandes ambientes/actividades complementares ou paralelas, ou pode constituir um conjunto de subzonas de actividades entre as quais as associadas ao espaço/cama terão, eventualmente, algumas preponderâncias, mas proporcionando pequenas áreas de lazer, estar e trabalho.

E até pode acontecer que se deseje dormir, por exemplo, na sala ou numa biblioteca, reduzindo-se, relativamente, a importância do espaço/cama.

Durante anos e ainda hoje, muita da promoção habitacional "comercial", propôs uma “zona íntima” doméstica, onde se agregavam muitas vezes com carácter quase segregado do resto da habitação, todos os quartos da habitação, um sítio quase isolado, onde afinal acabava por se desenvolver uma espécie de desprivatização ou proximidade excessiva, muitas vezes associada a um exíguo corredor ou vestíbulo interior para o qual dão todos os quartos e as principais casas de banho.

Escritórios e espaços de trabalho profissional em casa e espaços domésticos de lazer e trabalho não doméstico nem profissional

A temática do trabalho profissional ou não-doméstico em casa – habitual e globalmente designado por home-office – poderia inaugurar um outro grande tema desta série editorial, o que não se pretende, pensando-se no tema numa perspectiva suplementar às actividades mais directamente ligadas à habitação.

Os espaços para trabalho profissional ou não-doméstico em casa devem ser razoavelmente “separados” dos restantes espaços da casa e estarem próximos do vestíbulo de entrada, tanto porque podem apoiar actividades que exigem algum sossego e isolamento (escrita, estudo e leitura) ou porque podem ser pouco compatíveis com a habitação (produzem ruídos e lixos), ou porque essas actividades podem incluir a recepção de estranhos à família.

Este sentido de separação entre espaço expressivamente mais doméstico e subespaços ou espaços dedicados a uma prática profissional poderá ser, naturalmente atenuado, quando existam condições assinaláveis de espaciosidade e/ou de acessibilidade domestica alternativa, e/ou quando se desenvolvam grandes espaços multifuncionais e bem projetados em termos de conforto ambiental; sendo que tal sentido de multifuncionalidade e de integração de atividades mais domésticas e mais profissionais está atualmente muito bem servido pelas novas tecnologias de trabalho informatizado e de partilha de informação – e neste sentido é sempre interessante lembrar o elevado número de pessoas que, hoje em dia, trabalham “à distância” em múltiplas localizações também fora de casa (por exemplo à ,aesa de um café).

O que se referiu para os espaços de trabalho em casa aplica-se, em boa parte, aos espaços de lazer domésticos, até porque frequentemente serão ténues as fronteiras entre trabalho e lazer em casa, havendo, por exemplo, passatempos que sendo acções de lazer exigem verdadeiros espaços especializados e, frequentemente, oficinais.

Globalmente os espaços de lazer domésticos deve, ser atraentes e estimulantes e, essencialmente, devem ser múltiplos, diversificados e disseminados por toda a habitação; sendo que, por exemplo, uma banheira bem localizada e ergonómica pode e deve ser também um excelente espaços de leitura, e um recanto de sofá muito confortável pode tornar-se num local preferido de repouso e reflexão.

Quando os espaços globalmente designáveis como de lazer doméstico crescem em especialização, por exemplo numa gradação que poderá ter as exigências do colecionismo numa fase intermédia e, depois, as necessidades específicas de conforto ambiental exigidas, por exemplo, por um estúdio de pintura, então, poderemos chegar a uma situação em que todo o espaço doméstico se estruture e desenvolva em função de tais necessidades e desejos.

E não tenhamos quaisquer dúvidas de que o sentido da adaptabilidade espacial e ambiental doméstica é sempre aquele que mais situações servirá em termos diretos de adequação a múltiplas vontades e necessidades e de natural evolução, no tempo, de tais vontades e necessidades.

Casas de banho e espaços de banho privativos

Globalmente, importa sublinhar a possibilidade de desenvolvimento da “figura” do espaço de banho com um sentido caraterizador e caracterizado por determinadas formas de viver a habitação.

Situação que poderá ligar-se ao desenvolvimento de associações entre espaços de banho e outros espaços de estar, dormir e lazer com forte carácter identitário e relativamente privativo, embora espacialmente pouco controlado em termos dimensionais. Um exemplo expressivo de um tal espaço é o sítio de banho de uma das grandes casas projetadas pelo Arq.º Charles Moore, que se integra num espaço de estar e assume mesmo uma posição destacada neste espaço.

E lembremo-nos que a história do banho fundamenta especificamente esta ideia, e não só a vontade individual da mesma.

Outros espaços privativos e diferenciados, recantos vários e alcovas em espaços domésticos comuns

A esta matéria dedicaremos uma próxima e específica reflexão escrita, bastando apenas para já referir aqui que a “revolução” funcionalista praticamente erradicou tais elementos da gramática da construção dos mundos domésticos,  esquecendo tudo o que, afinal, tinha constituído a base da construção do viver doméstico nómada e depois, por exemplo, medieval, numa perspetiva de simplificação formal e funcional do mundo habitável, assim reduzido a espaços maiores monofuncionais ocupados por elementos de mobiliário também frequentemente monofuncionais.

Depois da bem justificada revolução “higienista” sucedeu uma revolução pobremente funcionalizadora de um mundo doméstico em que a função nunca foi a razão única e fundamental; e uma revolução funcionalizadora que apenas se “libertou” pela criatividade de grandes arquitectos.

 

Os pequenos grandes mundos do pormenor doméstico

O que se irá comentar sobre o detalhe doméstico serão, essencialmente, matérias suplementares, ou melhor dito, paralelas, às já referidas sobre os espaços da habitação,  e praticamente não dedicadas aos aspectos funcionais, já amplamente visados em diversos estudos, mas privilegiando determinadas notas associadas às opções de Arquitectura interior e ao seu diálogo com os habitantes ao serviço das opções gerais apontadas nas respectivas soluções domésticas.

Sobre o pormenor e o detalhe doméstico vale a pena comentar, ainda, a título de introdução, que é matéria que abre todo um outro “novo” mundo de conceção e projeto, tantas vezes injustamente “menorizado” a título de “decoração” e que reganhou alguma importância com a designação de “arquitectura de interiores”.

 

O presente artigo corresponde a uma edição ampliada, modificada e revista do artigo que foi editado na Infohabitar, em 25/04/2016, com o n.º 579.


Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 753

Sobre os espaços domésticos privados, uma introdução – Infohabitar # 753

 

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

abc.infohabitar@gmail.com

abc@lnec.pt

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).

 

terça-feira, julho 28, 2020

Dar importância aos pequenos espaços exteriores privados – Infohabitar # 740

Ligação direta (clicar) para:  725 Artigos Interactivos, edição revista, ilustrada e comentada - 38 temas e mais de 100 autores.


Infohabitar, Ano XVI, n.º 740

Dar importância aos pequenos espaços exteriores privados  Infohabitar # 740

Por António Baptista Coelho (texto e imagens)

 

Edição: terça-feira, 28 de julho de 2020

 

Editorial:

Estimados leitores da nossa Infohabitar,

Continuando com os espaços do habitar, um dos temas “centrais” da nossa revista, vamos aprofundando, sistematicamente, esta matéria, praticamente, tipo de espaço a tipo de espaço, visando-se, em primeiro lugar a existência e as diversificadas tipologia e qualificação dos espaços exteriores privados, cuja importância esteve e está tão evidenciada em virtude do confinamento doméstico a que estivemos e ainda, em parte, estamos “obrigados”, no sentido de se procurar reduzir e estancar, verdadeiramente, a pandemia que sofremos.

Aproveita-se  para voltar a sublinhar a importância que continua a ter o distanciamento social, conseguido sempre que possível através do teletrabalho e todas as medidas de proteção própria e dos outros, que são muito favorecidas com o uso sistemático de máscara e a continuidade dos cuidados de higiene.

Esta renovada viagem pelos espaços do habitar é e será feita, nas próximas semanas, com novos artigos e também através do revisitar, do recomentar e de um expressivo desenvolvimento de artigos já editados, há alguns anos, na nossa revista.

Lembra-se, finalmente, que serão sempre muito bem-vindas eventuais ideias comentadas a propósito dos artigos aqui editados e propostas de novos artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com ao meu cuidado),

despeço-me, até à próxima semana, com saudações calorosas e desejos de muita força e de boa saúde,

Lisboa, Encarnação, em 27 de julho de 2020

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar

 

Dar importância aos pequenos espaços exteriores privados Infohabitar # 740

António Baptista Coelho

 

Sobre a outra e bem importante dimensão doméstica exterior, que é possível, mas tão pouco frequente, nos nossos balcões/varandas, pátios e pequenos jardins

        O presente artigo desenvolve-se na temática dos espaços exteriores privados, considerados estes não como pequenas zonas suplementares da habitação, quando não mesmo quase residuais, mas sim como espaços, relativamente pequenos, mas expressivamente positivos na sua presença, nas suas funções próprias e na complementaridade por eles proporcionada aos outros espaços domésticos mais interiorizados.

        Cabe aqui, desde já, sublinhar que tal caminho do desenvolvimento, quase, residual, dos espaços exteriores privados é diretamente fomentado pela dimensão regulamentar habitacional, que, quase sempre, faz pesar a existência de tais espaços, diretamente, na espaciosidade interior, isto é: existindo, por exemplo, uma varanda com 4m2, o espaço interior da habitação terá menos esses 4m2 – considerando-se áreas máximas regulamentares para a habitação de interesse social; matéria que nos levará, sem dúvida, muito longe em termos de reflexão e discussão, mas qua passou a assumir, sem qualquer dúvida, outro tipo de presença e de importância quando confinados uns em apartamentos com varandas de estar e outros sem qualquer tipo de espaço exterior privado ou com varandas tão exíguas e/ou tão mal colocadas na habitação e/ou relativamente à vizinhança e/ou relativamente a aspetos de insolação e ventos dominantes, que o seu uso é/era quase impossível.

        Tendo-se presente que esta problemática vale bem diversos artigos, sob diversas perspetivas, será, desde já, oportuno relevar as referidas e infelizmente bem frequentes condições dos espaços exteriores privados em termos de má integração funcional doméstica, má disposição relativamente aos fatores climáticos e má configuração em termos de microatividades proporcionadas; condições estas que, por vezes, acabam por influenciar usos impróprios de tais espaços, por exemplo, como caóticas arrumações visíveis do espaço público.  

        Sobre os espaços exteriores e/ou de transição e ligação  interior/exterior que podem constituir os nossos “pequenos” mundos domésticos e privativos, eles serão, em seguida , abordados:

       . em termos da sua importância e mesmo protagonismo como espaço exterior privado que marque a própria estruturação e a vivência de uma habitação;

       . no sentido do aproveitar e mesmo tirar partido da variedade formal e funcional do exterior privado na geração de tipologias habitacionais renovadas, “inesperadas” e com forte sentido de identidade e apropriação;

       . com o objetivo de se ganhar, verdadeiramente, outra dimensão exterior para o habitar privado – uma dimensão própria em determinados usos e ambientes e indireta, mas igualmente importante, nos ambientes e limiares de transição que assim serão conseguidos para os espaços interiores contíguos;

       . para se ter em conta a muito significativa variedade de aspetos funcionais e formais que são possíveis no exterior privado, tanto influenciando a intensidade do seu uso, como e expressivamente a imagem dos respetivos edifícios;

       . no sentido de se aproveitarem, ao máximo, as vantagens diretas e indiretas que podem ser proporcionadas pelo exterior privado;

       . e, finalmente, porque ao avançarmos neste sentido do privilegiar habitações com espaços exteriores privados estamos, verdadeiramente, a proporcionar mais “casa” para além das nossas janelas.

 

 

Fig. 01: a paisagem urbana de pormenor ganha tanto ao nível público, como ao nível privado com sequências densas e com boa imagem pública de pequenos quintais privados; e o que ganham os moradores na multiplicidade de usos “domésticos” acrescentados? Na imagem o exterior de habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura:  Karmebäck e Krüger    

Importância e protagonismo do exterior privado

           O título deste artigo não faz justiça à ideia que se tem sobre a importância potencial dos espaços exteriores privados, salientando-se que se considera que estes espaços podem ter uma importância estruturadora da própria organização da habitação, essencialmente no caso das habitações isoladas, mas igualmente em conjuntos habitacionais coesos e mesmo em edifícios multifamiliares em altura.

Em qualquer destes casos, com uma tal opção projetual, naturalmente, quando adequadamente desenvolvida – e não tenhamos dúvida que se trata de uma opção arquitetonicamente exigente – poderemos obter um excepcional ganho em termos de caracterização da solução habitacional, embebendo-se esta solução com um sentido “diferente” ou com uma outra dimensão que pode influenciar:

       . seja usos específicos exteriores (lazer exterior em condições muito agradáveis e estimulantes, floricultura, etc.) e a possibilidade de se desenvolverem exteriormente actividades habitualmente interiores (leitura, convívio, refeições, trabalho profissional, banhos, etc.);

       . seja uma muito mais intensa relação com o exterior e com a natureza com evidentes ganhos para o conforto ambiental (luz e ventilação naturais) e para a apropriação e caracterização da habitação (grandes floreiras e pequenos pátios ajardinados).

           A ideia que aqui se aponta é que o exterior privado possa ser, inteiramente, espaço útil e mesmo espaço habitável, servindo, por exemplo, seja para circulações correntes, seja para zonas de estadia e de diversas actividades domésticas, como será, por exemplo, o caso do estar, do lazer e da recepção.

Naturalmente que esta possibilidade será mais efectiva em soluções de edifícios unifamiliares (moradias), mas considera-se que pode ser extensível a variadas soluções multifamiliares, considerando-se as limitações associadas a diversas zonas climáticas e tendo-se em conta, como bases de fundamentação directas, as soluções encontradas na habitação popular (exemplo, pátios e alpendres) e, evidentemente, na tão rica quanto esquecida história do habitar.

Exterior privado e geração de tipologias habitacionais renovadas

           É possível criar e recriar novas formas de exteriores em edifícios multifamiliares, fundindo atraente e funcionalmente, espaços públicos, semi-públicos, comuns e privados, numa perspectiva volumetricamente diversificada, que transforma as habituais soluções, tantas vezes, sem forma(s) e sem "história(s)" em divertidos espaços que articulam a rua com uma habitação que acaba por ser uma "casa" integrada numa estrutura ou cenário espacial, verdadeiramente, em três dimensões e cuja capacidade de apropriação individual e de grupo se conjuga com um frequente e bem expressivo potencial de identidade, essencialmente, vicinal, mas também, indiretamente, urbana.

           Nestas matérias o que aqui também se salienta é a ausência de sentido que tem a tripla e simultânea situação de:

               . esquecimento a que se têm votado tantas soluções de relação entre espaços domésticos interiores e exteriores e específicas e bem pormenorizadas soluções de transição entre interior e exterior;

       . de certa forma em favor de uma estruturação doméstica que tende a considerar, por um lado, o exterior doméstico como uma dimensão claramente suplementar e “descartável”;

       . a não ser, quando em soluções consideradas “luxuosas”, esse exterior ou esse espaço de transição entre interior e exterior é aplicado como sendo uma qualidade de “luxo”.

E tudo isto quando em tantas soluções de habitação popular os espaços exteriores privados ou de uso mais privado, são, por vezes, dos mais usados na habitação; condição esta que deve ter em conta, naturalmente, as limitações regionais e climáticas, que serão sempre estruturantes, designadamente, nos aspectos de adequada protecção destes espaços relativamente a ventos dominantes e de adequada orientação solar e cuidadoso sombreamento destes mesmos espaços.

           O que aqui seria interessante fazer, neste ponto da reflexão, era apontar soluções específicas que concretizam este tipo de preocupações e averiguar o custo das mesmas, pois não podemos esquecer que a existência de uma dimensão de espaço exterior privado tem, para além do seu específico “sobrecusto” relativamente a uma solução “rasa”, sem exterior privado, sempre, um fundamental aspecto qualitativo em qualquer solução habitacional; e poderíamos, mesmo, falar de um quase suplemento de alma residencial e de relacionamento urbano – e importa não esquecer este último e muito importante aspeto.

Não tenhamos, no entanto, dúvidas de que há um grande leque de soluções de espaços exteriores privados, verdadeiramente efectivos e, portanto, bem distintos daquelas soluções de varandas mal dimensionadas, mas pormenorizadas, sombrias e desabrigadas, que para pouco ou nada servem: basta passear na cidade para as ver e nelas imaginar viver.

E é ainda importante procurarmos e imaginarmos, “no limite”, soluções de habitar que não sejam, “apenas”, ativamente complementadas por exteriores privados, mas que sejam , sim, fortemente estruturadas por espaços exteriores privados, desenvolvidos, provavelmente, na continuidade de atraentes espaços exteriores comuns, ou públicos – de certa forma vivendo aqui os espaços interiores domésticos quase num ativo complemento de exteriores privados “centrais” e marcantes ( e a história do habitar é pródiga em exemplos deste tipo).


Fig. 02: o exterior privado pode e deve existir sob variadas formas, como neste espaço em terraço de um edifício multifamiliar, mas há que o tratar como espaço exterior privado, verdadeiramente “domesticado”, seja em termos de condições específicas de conforto ambiental, seja no seu potencial de apropriação, arranjo e equipamento/mobiliário. Na imagem o  exterior, em terraço privado, de uma habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Bengt Hidemark.     

Ganhar outra dimensão exterior para o habitar privado

           Basicamente do que aqui tratamos é da possibilidade de se ganhar uma outra dimensão exterior para o habitar privado, que pode ser naturalizada – ligada à natureza através de floreiras e pequenos pátios e jardins – e/ou razoavelmente aberta às vistas envolventes ou, agradavelmente, intimista e polarizadora da própria identidade protectora da habitação – em balcões e pátios cuidadosamente “fechados” e climaticamente agradáveis – nos quais se pode estender a vida na habitação; e em qualquer dos casos há o ganhar de uma “nova/velha” verdadeira dimensão exterior, mas para um tal êxito há que saber manejar a concepção do habitar harmonizando e enriquecendo mutuamente espaços privados e até para-privados interiores e exteriores.

Parece oportuno apontar aqui que esta reflexão e este estudo leva ao aprofundamento da investigação sobre diversos tipos de edifícios com conteúdo habitacional, que pode não ser exclusivo, pois, afinal, os usos mistos estão aí para ficar e marcar.

Com base num essencial estudo de Nuno Portas aponta-se, em seguida, um leque possível de diversos espaços exteriores privados: (1)

       . Varanda ou balcão, espaço predominantemente saliente do plano de fachada; o balcão é uma "varanda de peitoril" (provavelmente com guarda opaca).

            .  "Loggia", espaço predominantemente reentrante no volume do edifício (espécie de varanda ou balcão total ou parcialmente reentrante).

       . Marquise (bem planeada), varanda ou "loggia" em grande parte envidraçada – é discutível esta inclusão no domínio dos espaços exteriores privados, nomeadamente, quando são projectadas de raiz, e quando não o são, não deveriam ser permitidas pois desfiguram os respectivos edifícios.

       . Terraço ou grande varanda habitualmente situada na parte superior do edifício ou aproveitando, em diversos níveis, o seu escalonamento topográfico.

       . Pátio central (aberto no interior do fogo).

       . Quintal e/ou jardim, frontal, de traseiras ou lateral.

Sobre os variados aspetos funcionais e formais do exterior privado

           Não considerando, evidentemente, que estamos a esgotar este subtema e ee nos limitarmos às mais simples formas de exterior privado, como é o caso das varandas e terraços, alguns autores, como Claude Lamure (2), M. Imbert (3) e Dreyfuss e Tribel (4), salientam as principais actividades que são aí realizadas, sublinhando-se as consideradas mais importantes (indicadas numa ordem de possível e sempre discutível, porque muito variável, importância decrescente):

        . criar plantas e flores;

                . repousar, descontrair e estar ao sol ou ao fresco (nas tardes e noites estivais);

        . vigiar as crianças no exterior;

        . secar roupa;

        . proporcionar que as crianças brinquem;

        . permitir que os bébés tomem ar;

        . tomar certas refeições.

A relação com a natureza e o lazer assumem, como se vê, uma clara importância no uso do exterior privado, mas alguns autores destacam, também, naturalmente, a importância deste tipo de espaço como elementos de enquadramento visual do exterior e de protecção climática da restante habitação.

Fig. 03: um pequeno quintal/pátio privado pode e deve ser um pequeno mundo em termos de imagens e de potenciais apropriações, como é aqui bastante evidente. Na imagem o pátio privado de uma habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Jan Christer Ahlbäck.

A propósito das vantagens diretas e indiretas do exterior privado

           Numa perspectiva de utilidade dos espaços exteriores privativos como elementos de apoio ao interior doméstico e de sua relação com o exterior Rob Krier aponta algumas finalidades específicas para bay windows, espaços estes que parecem ser exemplares ou de referência no desenvolvimento de uma tão afirmada como harmonizada e gradual ou matizada relação entre interior e exterior: (5)

                . São alargamentos dos espaços interiores, proporcionando um sentimento de estar no exterior, mas ainda dentro da influência directa do interior doméstico.

       . Permitem vistas melhoradas do ambiente envolvente e podem mesmo “transportá-lo” para o interior enriquecendo-o e caracterizando-o – e nesta matéria há que considerar especificamente a interessante capacidade de naturalização do interior doméstico, podendo quase trazer-se o jardim para dentro de casa.

       . Enriquecem o espaço interior contíguo, porque dividem-no em subespaços diferenciados, considerando o seu relacionamento mais forte ou menos forte com vãos e espaços exteriores mais, ou menos, fechados e mais, ou menos, amplos.

       . Podem criar verdadeiras “zonas tampão” controláveis em termos de conforto ambiental, e, naturalmente, com boas influências no maior conforto doméstico e na poupança energética.

A bay window é no interior, e no transporte que faz, para o interior, do ambiente exterior, o que é o caramanchão e o telheiro isolado no exterior, neste caso como transporte do interior para uma envolvente exterior.

Os espaços exteriores privativos têm, assim funções específicas e estimulantes (por exemplo criar plantas), proporcionam a extensão de actividades domésticas interiores (como por exemplo o estar e o convívio), e enriquecem e protegem o interior doméstico através de vistas bem enquadradas e de protecções e sombreamentos estratégicos.

De certa forma os espaços exteriores privativos criam uma dimensão doméstica suplementar e complementar da dimensão doméstica interior, uma espécie de cintura de protecção e de relação da habitação com a sua envolvente natural e urbana, e uma cintura que, para além dessas funções, apoia atividades específicas; criando-se, assim, um “outro” espaço doméstico que é de grande interesse para a plena satisfação de quem habita uma casa com esses atributos e que, para além de tudo isto, ainda proporciona uma relação privilegiada e bem dominada com a vizinhança e o espaço urbano envolvente.

Ter mais “casa” para além das janelas

De certa forma havendo, por exemplo, varandas, ainda que pequenas, há mais casa para além das janelas, uma perspectiva que até é também (pres)sentida nos vãos de janela fundos, preenchidos por soleiras e peitoris largos, e que se podem ocupar com vasos de plantas e até pequenos móveis, criando-se espaços de transição com características de iluminação e de vistas específicas.

Criam-se, assim, sequências de vãos domésticos fundos e úteis e de varandas contíguas, definindo verdadeiros espaços tão de limiar como de transição, tornando o outro interior mais “interior” e protegido e qualificando o exterior em camadas sequenciais e gradualmente mais públicas, e, portanto, tornando-o muito mais apetecível do que um exterior, como que “cortado à faca”, logo ali, ao rés de uma pobre janela de peito, mal desenhada e aberta numa parede fina.

Um exterior que não existindo em termos de espaço exterior privado deixa de existir e de ser objetivamente sentido, logo que passamos a soleira da nossa porta, numa espécie de “obrigação” de interioridade e de afastamento ou separação do exterior, do espaço de uso geral/público, da natureza e, até, quase de um “ar livre” bem sentido a toda a nossa volta; numa condição que é claramente limitadora a de sensações e atividades, quando não mesmo um pouco claustrofóbica.

E, no caso contrário, quando existe algum exterior privado, ou quando este é mesmo muito significativo – por exemplo, em termos de um pátio, de um pequeno quintal, ou de uma grande e funda varanda – então o “voltar” a casa não corresponde ao cortar com essa fruição do exterior, mas sim ao ter, realmente,  mais “casa” e mais casa funcional e ambientalmente diferenciada para além das janelas; condição esta tão enriquecedora das potencialidades domésticas, como do estímulo ao relacionamento com a cidade e a natureza.

 

NNotas:

(1(1)     Baseado no Estudo de Nuno Portas, "Funções e Exigências de Áreas da Habitação", LNEC, p. 71.

(2(2) Claude Lamure, "Adaptation du Logement à la Vie Familiale", p. 209.

(3(3) M. Imbert, "Mission d'Études de la Ville Nouvelle du Vaudreil", p. 18.

(4(4) D. Dreyfuss; J. Tribel, "La Cellule-Logement", p. 29.

(5(5) Rob Krier, "Elements of Architecture", pp. 64 e 65.



NNota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.


O presente artigo corresponde a uma nova versão, revista e aumentada, do artigo publicado no número 569 da Infohabitar em 14 de fevereiro de 2016.

 

Notas editoriais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

 

Infohabitar, Ano XVI, n.º 740

Dar importância aos pequenos espaços exteriores privados – Infohabitar # 740

 

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

 

abc.infohabitar@gmail.com

abc@lnec.pt

 

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).