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quarta-feira, novembro 03, 2021

Introdução à sala-comum doméstica – infohabitar # 796

Introdução à sala-comum doméstica – infohabitar # 796 

Ligação direta (clicar) para:  760 Artigos Interactivos, edição revista, ilustrada e comentada em janeiro de 2021- 38 temas e mais de 100 autores


Introdução à sala-comum doméstica – infohabitar # 796

Infohabitar, Ano XVII, n.º 796

Edição: quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Artigo integrado na série editorial da Infohabitar “Habitar e viver melhor”


Caros leitores da Infohabitar,

Com o presente artigo retomamos a série editorial da Infohabitar especificamente dedicada a uma viagem sistemática pelos diversos espaços do habitar, que iniciámos na vizinhança, avançando, depois para os edifícios e seus espaços comuns (disponível no catálogo interativo da Infohabitar, no seu tema 6 intitulado Série habitar e viver melhor”) e “terminando” numa reflexão sobre os diversos tipos de organizações, opções e espaços domésticos.

Reflexão esta que esta semana é dedicada à, designada, sala-comum doméstica; matéria que nos irá ocupar, aqui na Infohabitar, durante três artigos, devido à sua evidente importância na estruturação e na vivência das nossas habitações.

E numa abordagem em três partes da matéria da sala-comum doméstica começamos por uma introdução, bastante livre, a esta matéria.

Depois da sala-comum os artigos desta série editorial irão abordar outros espaços específicos das nossas habitações.

 

Lembra-se, novamente, que serão sempre muito bem-vindas eventuais ideias comentadas sobre os artigos aqui editados e propostas de novos artigos (a enviar para abc.infohabitar@gmail.com , ao meu cuidado).

Considerando a continuidade de evolução da pandemia, e a grande capacidade de contágio da mais recente variante do vírus, mesmos entre vacinados, continuamos a reforçar a vital importância de cumprir com rigor os protocolos de vacina (n.º de doses e períodos temporais posteriores às mesmas) e de continuar com os cuidados de proteção próprios e dos outros, designadamente, em termos de limpeza de mãos, uso de máscara e distância social.

Despeço-me, até à próxima semana, enviando saudações calorosas e desejos de força e de boa saúde para todos os caros leitores,    

 

Lisboa, em 3 de novembro de 2021

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar


Introdução à sala-comum doméstica – infohabitar # 796

António Baptista Coelho

(texto e fotografias)


Resumo

Neste artigo, dedicado à temática geral de um adequado desenvolvimento das salas-comuns domésticas, faz-se, de início, um enquadramento e uma breve introdução geral ao tema; passa-se, depois, para uma abordagem às grandes opções e às associações mais frequentes nas salas-comuns; registando-se, a seguir, os usos e hábitos considerados mais frequentes naqueles espaços da habitação; seguindo-se a consideração dos “novos” usos a ter em conta na sala-comum, com destaque para o teletrabalho; e terminando-se o artigo com uma pequena reflexão sobre a importância da motivação do uso da sala-comum.

 

1. A modos de introdução à “noção” de sala-comum doméstica

Parece ser interessante refletir aqui, brevemente, sobre a própria “noção” de sala-comum, que resulta de ser um espaço que, por um lado, “é de todos” os moradores de uma dada habitação, é comum a todos eles – matéria esta que imediatamente nos leva para aspetos de espaciosidade e de apoio ao convívio doméstico –, mas também, talvez, por outro lado, de ser um espaço razoavelmente indiferenciado/comum, talvez um pouco “casual” e mesmo informal, associando diversas funções principais, como as referidas às refeições e o estar, e outras múltiplas talvez, habitualmente, menos importantes, como o lazer individual, a leitura, o trabalho em casa, a prática de passatempos específicos, etc.

Segundo esta perspetiva seremos levados a privilegiar na sala-comum soluções espacial e funcionalmente versáteis e adequadas a essas diversas atividades, desenvolvendo-se ambientes interiores, basicamente, muito adaptáveis em termos passivos, isto é, aceitando variadas ocupações funcionais e de mobiliário, bem como um elevado potencial de apropriação (ex., quadros e outros elementos murais). E, desde já, esta reflexão põe em causa, imediatamente, espaços de sala-comum dimensionalmente exíguos, e tendencialmente monofuncionais e pouco apropriáveis, designadamente, por mobiliário.

Outro dois aspetos parecem ser ainda pertinentes numa discussão mais global sobre a conceção das salas-comuns: sendo um deles associado à possibilidade de não haver um único compartimento doméstico vocacionado para sala-comum, proporcionando-se escolhas entre, por exemplo, duas opções (de localização, de dimensão e de ambientes interiores); e sendo o outro a discussão, sempre possível, entre a partição dos principais conteúdos funcionais da sala-comum entre as “tradicionais” “sala de estar” e “sala de jantar” e/ou entre uma sala-comum mais formal e uma “sala de família”, que se pode associar, por exemplo, a uma zona de cozinha.


2. Sobre algumas das bases de previsão  e desenvolvimento da sala-comum doméstica

Como introdução à abordagem qualitativa e arquitectónica da sala-comum doméstica poderemos optar por registar que se trata de um compartimento da habitação e mesmo de um “atributo” espacial e ambiental muito valorizado na apreciação de qualquer habitação no que se refere, designadamente, à sua espaciosidade – associada,  por vezes, às noções de uma sala “desafogada” e com importante capacidade de arrumação de mobiliário –, e a aspetos paradigmáticos do seu conforto ambiental e de vistas exteriores, com destaque, julga-se, para a iluminação natural e a insolação, por um lado, e para a disponibilidade de vistas urbanas e paisagísticas agradáveis e estimulantes, por outro.

E é, desde já, essencial registar que estes aspetos estão mutuamente conjugados (luz, sol e vistas) e dependem não só de condições gerais de previsão (ex., orientação, contiguidade a zonas verdes, etc.), mas também das soluções e da pormenorização dos respectivos vãos exteriores (ex., janelas de sacada, peitoris não muito elevados, etc.); soluções estas que, por sua vez têm, habitualmente, críticas implicações em termos de segurança no uso (ex., risco de quedas).

E, assim, a qualidade global e real de uma sala-comum depende de um elaborado novelo de variados aspetos funcionais, ambientais e de apropriação, produzindo-se um resultado final que escapa ou derrapa, frequentemente, de um patamar desejavelmente bem qualificado, para situações e quadros qualitativos insatisfatórios, designadamente, a médio e longo prazos; quando houve já tempo para os habitantes experimentarem bem, “na pele” e na mente, esses condicionalismos específicos, passado o período de “estado de graça” que sempre acontece quando se habita uma “nova casa” e no qual, temporariamente, a habitação e o seu enquadramento são positiva e benevolentemente aceites pelos seus habitantes.

Numa outra perspetiva, talvez mais formal, de introdução à abordagem da sala-comum doméstica poderemos considerar e discutir, tal como foi já sinteticamente apontado neste artigo, a própria designação de “sala-comum”, assim referida talvez como proposta de síntese de dois espaços domésticos razoavelmente distintos, entre si, que são a “sala de estar” e a “sala de jantar”.

E nesta matéria será interessante considerar que o que unifica, em boa parte, as salas “de estar” e “de jantar” é a prática do estar e do convívio domésticos, sendo que, tradicionalmente e numa habitação com algum desenvolvimento: as refeições eram, com frequência, o tempo privilegiado de um convívio mais formal na sala de jantar e mais informal na cozinha, estando, frequentemente, associado à entrada na habitação; enquanto o estar, mais específico  muitas vezes não existia, ou existia associado a outras funções, como por exemplo as ligadas a uma zona de trabalhos domésticos e multifunções, ou a um escritório doméstico e/ou a uma saleta de visitas, espaço este praticamente nunca utilizado.

E ainda nesta matéria, muito referida à própria “natureza básica” da sala-comum doméstica, importa ter em conta que, recentemente, aconteceu uma pequena revolução nos conteúdos funcionais e espaciais de muitas salas-comuns, que tiveram de integrar condições (pelo menos mínimas) para o teletrabalho e para o tele-estudo, de, por vezes, famílias inteiras e isto, por vezes, em salas-comuns pouco mais do que mínimas e com dimensionamentos muito pouco versáteis em termos de uma integração de novos elementos de mobiliário e de alteração dos arranjos de mobiliário; e lembremos que assim, muitas vezes, aconteceu, porque nos restantes espaços da habitação, frequentemente, também aconteciam essas mesmas dimensões quase-mínimas e pouco versáteis em termos de capacidade de utilização e mudanças de utilização – ex., cozinhas estritamente “de preparação”, sem espaços complementares e multifuncionais; quartos também quase-mínimos e agora, por vezes, quase globalmente ocupados por camas sobredimensionadas; corredores estritamente para circular, não proporcionando margens para outros usos, e mesmo casas de banho também plenamente ocupadas pelas respetivas peças sanitárias e não permitindo, assim, uma sua “desmultiplicação” funcional com a instalação de parte do tratamento de roupas (ex., máquina de lavar roupa, máquina de secar roupa).

E assim acontece que as disponibilidades ou indisponibilidades funcionais e espaciais das diversas zonas domésticas interagem, mutuamente, influenciando, neste caso uma maior ou uma menor capacidade das zonas associadas à sala-comum para responderem melhor, ou pior, a variadas solicitações funcionais e de apropriação, para lá das mais diretamente ligadas às funções de estar e de refeições.

 

3. Sala-comum: grandes opções e associações frequentes

A sala-comum pode constituir-se ou, talvez, deva constituir-se como elemento estruturador e/ou caracterizador da respectiva solução doméstica, imprimindo-lhe, por exemplo, um sentido mais informal ou mais formal e/ou uma tónica marcada por uma perspectiva mais convivial ou mais “repartida” na atribuição das variadas zonas ambientais e funcionais da habitação.

Tais opções podem realmente marcar o carácter de uma dada habitação, um carácter que deve, sempre, assumir aspetos formais e funcionais e que poderá influenciar na sua apropriação e, consequentemente, na sua identidade.

Globalmente e com um certo sentido de história recente podemos considerar a previsão de diversas condições espaciais, funcionais e ambientais no desenvolvimento dos espaços de estar e de jantar/refeições formais que acabaram por se fundir na designada “sala-comum”:

(i) sala de estar e sala de refeições separadas e mutuamente autonomizadas, podendo estar, até, mutuamente afastadas;

(ii) sala dupla, ou em dois espaços, em que, habitualmente a sala de estar e a sala de jantar comunicam por um amplo vão marcado por uma gola, mas mantendo-se cada um dos espaços, mais de estar e mais de refeições, com autonomia e idênticas condições de importância na habitação – em termos de localização, de dimensionamento e de pormenorização e conforto ambiental;

(iii) “sala-comum”, uma sala unificada nos seus espaços mais de estar e mais de refeições, que podem ser definidos apenas por instalaçãoo de mobiliário ou podem corresponder a determinadas configurações espaciais que acolham essas duas zonas formais e funcionais; esta situação é aquela atualmente generalizada e frequentemente subdimensionada, quer em termos de dimensões lineares, quer em termos de áreas gerais, numa situação que se tende a agravar pela tendência dimensional crescente que tem caracterizado alguns elementos de mobiliário e de equipamentos (ex., grandes sofás e televisões panorâmicas).

Tal como aqui se acabou de referir, a principal associação que caracteriza a sala é desenvolvida com a mais importante zona de refeições domésticas, passando, assim, da designação de sala de estar para a de sala-comum, o que corresponderá a uma certa vulgarização das funções desta sala, e que, na prática, acaba por tender a fazer menorizar as funções de estar e/ou de refeições formais sempre que há limitações de áreas, o que é frequente,  pois as mesas de refeições não podem “encolher” significativamente – a não ser que se utilizem soluções estratégicas com mesas dobráveis e que mudam de posição quando fechadas ou abertas – enquanto o estar pode reduzir-se de um conjunto de vários sofás até, por exemplo, um simples sofá duplo frente à incontornável TV.

Esta situação dá que pensar e poderá levar à previsão, de forma mais sistemática, de uma alternativa à zona de refeições integrada na sala-comum, por exemplo, num espaço próprio, ou numa cozinha ampla e convivial, permitindo-se, assim, a possibilidade do exercício de um verdadeiro estar, quem sabe, até harmonizável com a prática de outras atividades como será o caso do teletrabalho.

Uma outra frequente relação da sala acontece com a entrada na habitação, situação que obriga a uma efetiva privatização visual destas entradas diretas, sem o que se perderá, praticamente, a totalidade das funções de estar em sossego e em convívio familiar que devem caracterizar as salas, mantendo-se, apenas, as funções de convívio mais alargado, que não se ressentem com tais acessos diretos.

Nesta matéria há ainda e sempre que referir que quanto menor for o espaço disponível, mais cuidado deve ser investido na privatização das entradas diretas na habitação, através da sala-comum, pois o desafogo espacial é uma condição que pode substituir, em boa parte, as soluções de privatização e de encerramento.



Fig. 01: Sala espacialmente estimulante em termos de sub-espaços e relações com outras zonas domésticas de uma habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H 13-14, Arquitetura: Charles Moore, Ruble, Yudell, Bertil Öhrström; neste caso assume-se a sala-comum como verdadeiro espaço "central" e distribuidor da habitação, fortemente marcado pela escada.


Continuando nesta perspetiva de uma sala-comum que serve também como espaço de comunicação, ela pode servir de acesso aos quartos, através de uma zona de circulação obrigatória que, tal como foi atrás comentado, não inviabilize a adequada vivência de diversas zonas da sala-comum; uma solução que dificilmente se harmoniza com espaços pouco desafogados e que, por outro lado, inviabilizará um acesso aos quartos recatado e independente do uso da zona de estar.

Esta situação parece, no entanto, aceitável em situações de reduzidos números de quartos numa dada habitação, de certo modo configurando soluções de grande relação entre a sala-comum e um quarto, uma solução que é sempre muito interessante numa perspetiva de eventual conversão destes dois espaços num único e amplo compartimento multifuncional.

E esta situação pode configurar, “no limite”, uma solução doméstica de grande convivialidade e sentido gregário, marcando uma zona “central” de sala comum multifuncional, que serve como coração de vivência e de circulaçãoo da habitação.

Naturalmente, quando existe um compartimento aberto para a sala, as suas utilizações devem ser bem ponderadas (por exemplo, prolongamento da sala, quarto de reserva, sala de jantar, escritório, etc.).

Em termos de pormenor há que garantir uma comunicabilidade muito específica da sala com o exterior, nomeadamente, através de peitoris baixos e de janelas de sacada para varandas (1); e esta é uma daquelas condições de conceção que, por vezes, parecem ser inacreditavelmente esquecidas pelos projetistas.


4. Usos e hábitos frequentes na sala-comum

Na designada sala-comum desejamos praticar múltiplas atividades ou sub-atividades, mas tratando-se de um espaço comum a diversas pessoas há que cuidar da respectiva harmonização mútua, o que dificilmente se consegue: (i) sem uma adequada espaciosidade global; (ii) sem adequadas condições específicas de dimensionamento “linear”; (iii) e sem adequadas condições de múltipla e/ou comum apropriação (por mobiliário e “parietal”), proporcionadas por uma positiva pormenorização arquitectónica.

E, naturalmente, uma tal complexidade funcional, espacial, ambiental e de caracterização agrava-se em condições de menor espaciosidade e no quadro de intervenções arquitectónicas menos positivas.

Afinal, a sala-comum é, de certo modo, o lugar onde tudo pode/poderia acontecer e onde, frequentemente, pouco acontece:

.     porque nela se concentram múltiplas atividades – poderá e deverá haver alguma diversificação de espaços de estar;

.     porque o espaço não é, frequentemente, abundante e porque os dimensionamentos lineares e de sub zonas funcionais são, frequentemente, críticos – dimensões mínimas, espaço muito alongado, espaço inutilizado por circulações obrigatórias – condições estas que são difíceis ou mesmo impossíveis de ultrapassar, mesmo com uma criatividade muito forte em termos de decoração/ arquitectura de interiores, e/ou dependem de soluções muito complexas e dispendiosas (projeto e execução), designadamente, através de mobiliário e elementos de apropriação feitos especificamente e por medida.

  porque a omnipresente televisão anula muito do que poderia acontecer na sala seja em termos de convívio, seja em termos de multiplicidade de atividades – o que levará a imaginar por um lado que é positivo a disponibilização de diversos monitores de TV e que será de ponderar a própria estruturação da sala-comum favorecendo-se decididamente duplos espaços que proporcionem a simultaneidade de outras atividades com o ver televisão; e atente-se que o atual e crescente crescimento dos écrans de TV, para dimensões por vezes cinematográficas, acrescenta uma enorme “presença” e monofuncionalidade a salas-comuns pouco espaçosas e dificilmente organizadas em mais do que uma ou duas zonas;

  porque, hoje em dia, para lá da TV outros ecrãs existem, designadamente, no apoio ao teletrabalho;

  e porque o complexo de subactividades associadas ao estar e às refeições poderá ter de “conviver” com um outro complexo de atividades associada ao teletrabalho e/ou ao tele-estudo.



Fig. 02: Sala espacialmente estimulante em termos de sub-espaços e relações com outras zonas domésticas de uma habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H 13-14, Arquitetura: Charles Moore, Ruble, Yudell, Bertil Öhrström; neste caso salienta-se a solução de partição ligeira e amovível para criar uma subzona de estar.


5. Os “novos” usos da sala-comum e o teletrabalho

Esta é uma temática que, como outras, nos leva longe, pois o tele-trabalho e o tele-estudo, para serem harmonizáveis no ambiente doméstico e designadamente na sala-comum, que é provavelmente o sítio da habitação onde existirá, ainda, alguma margem de espaciosidade e versatilidade, deverão ser, pelo menos, razoavelmente compatíveis com as principais funções da sala-comum e, designadamente, com o estar, pois considera-se que as refeições constituem períodos de intervalo do trabalho e do estudo, embora se estas atividades acontecerem na mesa de refeições haverá que solucionar a respetiva simultaneidade de ocupações (por refeições e por trabalho e estudo).

Uma forma adequada e razoavelmente tipificável de resolver esta situação será considerar no elenco “mínimo” de mobiliário de uma sala-comum uma peça do tipo mesa de trabalho, ou escrivaninha (que pode ser rebatível ou embutida); e neste caso prever possibilidades de introdução desta “nova” peça de mobiliário da sala-comum numa subzona que pode ser pequena, mas que deve ter adequadas condições de conforto ambiental e de vistas e não estar integrada no fluxo das circulações domésticas; e este será sempre um “trunfo” funcional e ambiental da sala-comum pois integra um conteúdo multifuncional e enriquecedor da própria caracterização deste espaço.

E ao teletrabalho e ao tele-estudo dedicaremos, provavelmente, um artigo específico desta série editorial que o enquadre numa perspetiva doméstica ampla e funcionalmente mista de habitar, trabalhar, gozar o lazer, realizar passatempos, etc.


6. Motivar o uso da sala-comum

O presente subtítulo parecerá, numa primeira leitura, talvez um pouco forçado, mas, no entanto, todos conhecemos salas-comuns cujas características gerais são, evidentemente, muito pouco adequadas para a motivação de um seu uso/habitar intenso e diversificado.

E tal acontece, habitualmente, devido a muitos dos aspetos já apontados neste artigo com destaque para os problemas dimensionais, de capacidade de apropriação de pisos e de paredes e de reduzido conforto ambiental e ligação estratégica com o exterior.

Tal como apontei num livro editado no LNEC - "Do bairro e da vizinhança à habitação - ITA2 - que tenho citado com frequência nesta série editorial, entre as características mais desejáveis nas salas ou zonas de estar salientam-se as seguintes:

.    Possibilitarem variadas conjugações de peças de mobiliário (atender às dimensões e tipos de sofás e de estante de sala existentes ou pretendidos, se são de corpo único ou por elementos) e a correta instalação dos equipamentos e aparelhos para lazer e tempos livres (por exemplo a posição ideal da televisão não deve refletir a luz das janelas).

.    Poderem receber o mobiliário necessário e uma ou outra peça de mobília mais volumosa, sem ficarem com um "ar  atravancado" e sem prejudicarem a circulação das pessoas.

.    Terem um carácter polivalente (em ambiente e zonas de atividade), permitindo diversos tipos de ocupação; sala só para estar e conviver ou também para atividades de leitura, jogo, ouvir música e ver televisão, estudo e trabalho em "recantos" próprios e, até, brincadeiras de crianças, quando a casa é pequena.

.    Aceitarem variados números de ocupantes; salas adaptáveis e espaçosas que acolham tão bem a respetiva família, no seu dia a dia, como, esporadicamente, as festas e as reuniões alargadas.

.    Serem relativamente independentes do resto dos compartimentos da casa, não recebendo nem transmitindo ruídos incómodos.

.    Serem servidas por casas de banho, sem que para isso as visitas sejam obrigadas a penetrar nas zonas mais íntimas (quartos) da habitação.

.    Estarem próximas dos vestíbulos de entrada nas casas e formando, com eles, amplos conjuntos de espaços de receção e convívio.

E acrescentam-se, agora, mais algumas características:

.    Os aspetos de um amplo e exigente conforto ambiental, designadamente, em termos de luz natural e artificial, existência e controlo da insolação, ventilação natural, equilíbrio higrotérmico e conforto acústico; pois o espaço da sala-comum deve constituir-se como uma reserva de conforto na vivência da habitação.

.    Uma adequada relação visual e física com o exterior, em termos de vistas e de contiguidade com espaço exterior privado; pois o espaço da sala-comum é o lugar privilegiado para uma extensão da vida doméstica sobre o exterior.

.    E a existência de um potencial leque de condições específicas no que se refere à prática do trabalho profissional e do estudo em casa, designadamente, num quadro de teletrabalho – condições estas diversificadas, seja em termos de espaço, seja de posicionamento e conforto ambiental desse espaço, seja de redes disponíveis nesse espaço.

 

Notas:

(1) MHOP; LNEC, "Instruções para Projectos de Habitação Promovidos pelo Estado - IPHPE/Fundo de Fomento da Habitação - FFH, Documento 5", p. 29.

 

Notas editoriais ao artigo:

O presente artigo corresponde a uma edição ampliada e modificada do artigo que foi editado na Infohabitar, em 15/02/2015, com o n.º 520.


Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.


Notas editoriais gerais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

 

 

Introdução à sala-comum doméstica – infohabitar # 796

Infohabitar

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa.

abc.infohabitar@gmail.com

abc@lnec.pt

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).


segunda-feira, fevereiro 01, 2016

567 - Renovada abordagem das casas de banho domésticas - I, Infohabitar 567

Infohabitar, Ano XII, n.º 567

Série editorial: Habitar e Viver Melhor

Artigo LXXXV
António Baptista Coelho

Renovada abordagem das casas de banho domésticas - I

Quando falamos de “casas de banho”, falamos dos espaços que incluem mais instalações de águas e esgotos embebidas na construção, mas faz muito pouco sentido, numa habitação que se deseja possa ser geradora de verdadeira satisfação, fazerem-se “instalações sanitárias”, ostensivamente marcadas pela funcionalidade, pela frieza ambiental e pela “objectividade” das respectiva “peças sanitárias”, tal peças de catálogo em tamanho real.

Numa habitação que se deseja possa ser geradora de verdadeira satisfação há que fazer “casas de banho” ou “quartos de banho” ou “salas de banho”, com tudo o que funcional, ambiental e pormenorizadamente implica este tipo de objectivo, designadamente, em condições de conforto ambiental (por exemplo luz e ventilação naturais), em escolha de acabamentos e de elementos sanitários caracterizados por uma afirmada domesticidade (por exemplo revestimentos e tintas com texturas agradáveis e tons de cor quentes), elementos estes em que a função do banho seja claramente destacada e valorizada, e pela existência de espaços minimamente mobiláveis e apropriáveis (por exemplo pequenos móveis de madeira e vasos com plantas); desta forma teremos a percepção que nestes “quartos de banho” continuamos bem “em casa” em casa nossa, por nós habitada e marcada, e não numa espécie de espaço “marciano”, frio e duro.

E já aqui referimos a ideia de ter havido, há cerca de um século, a necessidade de higienizar estes tipos de espaços, agregando a função do banho, uma função nobre, que sempre aconteceu em casa, às novas funções domésticas sanitárias, que antes aconteciam essencialmente no exterior ou no interior em condições de recurso (por exemplo com vasos de noite); e nesta fusão funcional, que foi depois, marcada pelo nascente funcionalismo, ficou a perder a referida nobre função do banho e da higiene pessoal, sacrificadas ao objectivo único da higiene, da facilidade de limpeza e da impermeabilização; e depois, depois, veio a especulação imobiliária defender que as “instalações sanitárias” poderiam ser interiores e mínimas, marcadas pela largura da banheira, e servidas pela famosa “ventilação forçada”, e lá se perderam as janelas e se transformaram estes espaços numa espécie de despensas sanitárias úteis, entre outros usos, para “câmaras escuras” fotográficas.

Mas hoje em dia é altura de voltar a colocar estas matérias de acordo com a sua verdadeira importância doméstica, aproveitando as tantas inovações tecnológicas para simplificar o que é simplificável e devolver o carácter doméstico, atraente e acolhedor aos “quartos de banho”; e até é possível associar tal caracterização com aspectos de maior eficácia funcional, por exemplo, em soluções com muita arrumação em "lambril" saliente, que também serve para a passagem da canalização, que assim fica mais acessível para posteriores intervenções.

Em termos gerais fazer casas de banho que contribuam para um habitar mais feliz tem a ver com dois aspectos distintos.

Um primeiro aspecto refere-se ao funcionamento eficaz e optimizado das diversas instalações de águas e esgotos, de ventilação e de impermeabilização que asseguram a uma casa de banho o seu adequado funcionamento e com uma máxima redução de eventuais incómodos e más influências na restante habitação; esta matéria é realmente do âmbito funcional e tem de ser garantida “a 100%” e hoje em dia os avanços tecnológicos podem garantir esta condição; e associa-se a este aspecto funcional um fundamental bom senso na localização doméstica de instalações e espaços sanitários, bom sendo este que por vezes é bem necessário em situações marcadas por grandes casas de banho privativas, enquanto os restantes habitantes têm de usar casas de banho espacialmente mínimas e pouco equipadas.

Um segundo aspecto refere-se ao fazer das casas de banho verdadeiros e atraentes espaços domésticos, através de boas condições de desafogo espacial, agradáveis condições de luza natural e calorosas condições de acabamento (por exemplo tipos de revestimentos e paleta de cores), de equipamento fixo (exemplo, com imagem geral e pormenores associados a um espaço habitado, apropriado e humanizado) e de margem para algum mobiliário capaz de marcar e apropriar, claramente aquele espaço.

E aqui há que sublinhar que uma casa de banho não tem de ser, quase com sentido de obrigatoriedade, um espaço “frio”, impessoal e “lavável”, funcionando quase como um “alien” em termos da arquitectura de interiores de uma dada habitação, e lembremos a altura em que surgiram as casas de banho interiores, quando elas ainda tinham espaço e luz natural e elementos sanitários bem marcados pelas suas funções originárias, do lavar as mãos e a cara e do banho, e tenhamos presente as quase gerais actuais situações sanitárias domésticas marcadas pelos espaços mínimos, por uma interioridade tantas vezes depressiva e por uma maquinal associação dos elementos sanitários à própria construção, numa associação quase sempre sem qualquer graça e sem qualquer humanidade.

Um outro aspecto que importa considerar quando reflectimos sobre os melhores tipos de casas de banho domésticas, refere-se à possibilidade de elas serem espaçosas e desafogadas desde que os seus revestimentos não tenham de ser obrigatoriamente em azulejos e mosaicos, soluções estas que são sempre relativamente dispendiosas; poderá haver, portanto, aqui também uma margem de opções por mais espaço com soluções de revestimento mais baratas e julga-se que, por exemplo, a indústria de tintas, é já capaz de oferecer excelentes soluções para estes casos e com eventuais ganhos no tal sentido mais doméstico caracterizando as casas de banho.

Haverá, assim, mais opções a serem feitas, opções estas que terão de levar em conta a intensidade de uso e a diversidade de usos esperados nas casas de banho.
Relativamente a este assunto refere-se o caso de habitações sociais actualmente com quase 50 anos e ainda com uma solução de tinta tipo Kerapas aplicada em cozinhas e casas de banho e em excelentes condições funcionais e de aspecto. 

(Fig. 01) Uma casa de banho não tem de ser, nem deve ser, um espaço "escuro", triste e mal pormenorizado; e esta opção nada tem a ver com questões de custo. Interior de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H39, Arquitetura: Ralph Erskine.

Associações interessantes com casas de banho domésticas

As casas de banho devem ser estrategicamente acessíveis em toda a habitação, mas não sendo directamente visíveis do “hall” de entrada, nem dos diversos espaços funcionais da sala-comum e da cozinha.

No caso de haver uma única casa de banho esta deve servir, privilegiadamente o(s) quarto(s), sendo de admitir, até, a sua integração como privativa do quarto, no caso de existir apenas um quarto; solução esta que não deixa de ser um pouco de recurso e, assim, associada, essencialmente, a soluções de habitação com áreas reduzidas e com orçamentos controlados. Mas fica aqui a ideia-chave que em pequenas habitações é fundamental que a casa de banho sirva, privilegiadamente, a zona de dormir.

A questão da opção por casas de banho privativas está, essencialmente, ligada ao orçamento disponível, pois, no limite, teremos, sempre, a solução de um “tipo funcional” designável por “hotel residencial”, na qual cada membro do agregado familiar dispõe de uma “suite” muito completa, onde pode desenvolver boa parte da sua vida doméstica com uma privacidade e autonomia maximizadas, e nesta família de soluções domésticas, naturalmente, cada quarto deverá ter uma casa de banho completa, espaçosa e muito agradável.

Mas como essa será, realmente, uma solução-limite poderemos ter um enorme leque de soluções desse tipos mas menos desenvolvidas e, por exemplo, Neufert ilustra-nos (1) diversos modos de conciliação do serviço privativo de uma casa de banho relativamente a um quarto de casal, com o serviço comum desta mesma casa de banho em relação a outros quartos da habitação.

Uma outra associação funcional/ambiental perfeitamente adequada e com interessante potencial próprio e nas suas influências em outros espaços da habitação refere-se ao apoio a diversas actividades de lavandaria doméstica integradas em casas de banho. Uma solução que será agradável desde que a casa de banho tenha luz e ventilação naturais e que exige, naturalmente, uma espaciosidade própria e suplementar àquela ligada aos usos próprios da casa de banho, salientando-se o interesse que uma tal espaciosidade poderá ter na disponibilização de melhores condições de acessibilidade e movimentação na casa de banho, pois as actividades de tratamento de roupa são periódicas e pouco críticas relativamente ao uso corrente da casa de banho, e salientando-se, também, o interesse que uma tal possibilidade sempre terá numa caracterização mais humana e mais apropriada da casa de banho, designadamente, por introdução de elementos de elementos de arrumação e mobiliário específicos ligados ao tratamento e à arrumação de roupas.

Finalmente, sublinha-se o interesse que uma tal solução terá na positiva discriminação de máquinas eventualmente ruidosas relativamente a outros espaços da casa, como a cozinha, que poderão assumir, como se apontou atrás, perfis funcionais mais amplos e ligados ao estar e ao convívio domésticos.

E é sempre fundamental que as casas de banho tenham reservas espaciais, pelo menos, mínimas utilizáveis como espaços de integração de pequenos elementos de mobiliário que poderão ser de grande utilidade seja para arrumações diversas e muito úteis nesses espaços, seja para o apoio à própria utilização diversificada desses espaços e por pessoas com dificuldades de movimentação; e nem é difícil ter em conta esta reserva espacial, pelo menos, mínima. (2)

(Fig. 02) Uma casa de banho não tem de ser, nem deve ser, um espaço "escuro", triste e mal pormenorizado; e esta opção nada tem a ver com questões de custo. Interior de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H25 – 26, Arquitetura: Gorän Mansson e Marianne Dahlbäck.

Hábitos interessantes na conceção de casas de banho domésticas

Continuando nas temáticas associadas às casas de banho salienta-se o elevado potencial de transformação, decoração, e de alteração de equipamento e de mobiliário que sempre esteve associado às casas de banho, embora, frequentemente, em condições de espaciosidade extremamente reduzidas e que muito dificultam e reduzem essas transformações e apropriações. Há nestes compartimentos, frequentemente, um forte investimento no respectivo arranjo visual e em mudanças de equipamentos, o que poderia ser considerado e apoiado, por exemplo, através de uma maior facilidade na ligação de novos equipamentos e mesmo de conjuntos de novos equipamentos, condição esta que seria muito facilitada pela disponibilização das canalizações à vista ou sua “arrumação” em “armários” facilmente visitáveis.

Ligados a esta matéria do gradual e habitual enriquecimento das casas de banho em mobiliário e equipamento, sempre que tal é dimensionalmente possível, devemos chamar a atenção para a actual redescoberta de “o banho” como hábito doméstico polifacetado e muito positivo, com facetas de interesse ligadas à saúde - o conceito novo/velho conceito da saúde pela água (SPA) é o exemplo evidente desta redescoberta -, assim como outras facetas ligadas ao próprio prazer do banho (em cabinas com cabeças de duche múltiplas e em grandes banheiras com "hidromassagem") e á sua componente de acto de estadia associável a um razoavelmente amplo leque de outras actividades domésticas; e afinal todas estas facetas provavelmente tão importantes para uma vida doméstica mais estimulante e agradável do que a bem conhecida e “funcional” faceta da higiene pessoal.

Julga-se ser esta uma matéria muito importante seja pelas razoáveis exigências dimensionais que uma tal redobrada importância do banho acarreta para as casas de banho “correntes”, seja pelas claras exigências ambientais também associadas a “o banho” – muito mais agradável numa casa de banho com luz natural e plantas, do que num cubículo mínimo e claustrofóbico –, seja potencial influência “re”-estruturadora que “o banho”, agora assumido como elemento de grande importância doméstica, pode implicar em novas associações funcionais e ambientais domésticas, por exemplo, associado de forma “nobre” a um quarto ou até a uma zona de estar com características muito específicas.

Naturalmente que tudo isto, assim como outros temas de organização e caracterização doméstica aqui estudados, nos pode levar bastante longe, e há que definir alguns limites de abordagem, pelo que ao que acabou de se apontar apenas se acrescenta que para se poderem acolher estes tipos de   desenvolvimento há que atribuir à casa de banho uma nova importância, há que ter a liberdade de poder considerar espaço de banho e espaço sanitário (que integra o WC) com alguma ou com total independência ( e aqui é interessante lembrarmos uma solução preconizada pelo Regulamento Geral de Edificações Urbanas - RGEU - e que tinha o espaço de banho autonomizado), e há que acabar, de vez, com a “mania” de que as casas de banho têm a sua dimensão marcada pela dimensão minimizada do comprimento de uma pequena banheira – atenção não se preconiza acabar com tais soluções mínimas, naturalmente, mas usá-las como mínimas e apenas quando se pretende um espaço mínimo, e nunca como uma espécie de “regra” tantas vezes associada à outra “regra”, sem sentido, da casa de banho ser interior e com “ventilação forçada”.

Notas
([1])      Ernest Neufert, "Arte de Projetar em Arquitetura", p. 184.
(2) Como indica Sven Thiberg ("Housing Research and Design in Sweden", p. 180), a maioria das casas de banho não têm um espaço de arrumações bem organizado, e um simples recanto com cerca de 0.60x0.60m de área permite a instalação de um armário alto com variadas e úteis utilizações (ex., toalhas, papel, artigos de higiene e beleza, roupa suja, etc.); caso não se use para este fim, o referido espaço permite a instalação de uma cadeira, sempre útil no apoio aos banhos e a outros usos da casa de banho.


Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XII, n.º 567
Artigo LXXXV da Série habitar e viver melhor
Infohabitar n.º 567

Verdadeiras casas de banho e não simples e frias “instalações sanitárias” - I


Editor: António Baptista Coelho – abc@ubi.pt, abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional, Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade da Beira Interior - MIAUBI
Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

segunda-feira, janeiro 18, 2016

566 - A renovada importância das zonas de refeições domésticas – Infohabitar n.º 566


Infohabitar, Ano XII, n.º 566

A renovada importância das zonas de refeições domésticas – Infohabitar n.º 566

Artigo LXXXIV da Série habitar e viver melhor
António Baptista Coelho

Depois de um significativo intervalo editorial retomamos, em seguida, a Série editorial sobre "habitar e viver melhor" (o último artigo da série foi o n.º 543), na qual temos acompanhado uma sequência espacial desde a vizinhança de proximidade urbana e habitacional até ao edifício multifamiliar.
Estamos agora a abordar, com algum detalhe, os espaços que constituem os nossos “pequenos” mundos domésticos e privativos, refletindo sobre as diversas facetas que os qualificam; e passamos, agora, a uma reflexão sobre a importância das zonas de refeições domésticas, considerando matérias diversas que lhes estão associadas.

A renovada importância das zonas de refeições domésticas

Numa civilização urbana marcada pela falta de tempo e de convívio, tudo o que se faça para privilegiar o encontro familiar é muito positivo; e como todos temos a noção que as refeições estimulam o encontro e o convívio, então não deve haver quaisquer dúvidas sobre o interesse de se privilegiarem condições domésticas estimulantes para a prática de refeições familiares potencialmente alargadas e conviviais, importando pouco se tais condições são possíveis na sala-comum, na cozinha ou, eventualmente, num espaço específico próximo da cozinha; importa, sim, que em cada habitação sejas bem aparentes condições específicas de integração de um desafogado espaço de refeições e não que se consiga, apenas, uma tal integração, em condições espaciais, funcionais e ambientais exíguas.

Refeições domésticas: associações interessantes

As refeições especiais realizam-se num espaço específico ou numa zona da sala-comum, mas também podem ser desenvolvidas numa grande cozinha familiar, numa sala de família e, até, numa grande varanda protegida, ou numa zona específica de um pátio ou quintal privado.
A “tradicional” exigência de proximidade entre este espaço de refeições e a zona de preparação de refeições, poderá ser compensada por uma posição muito agradável do espaço de refeições, por exemplo junto a uma grande janela. Já a exigência associada à ausência de ruídos e cheiros incómodos deverá manter-se o mais possível.
Nesta perspectiva Claude Lamure considera que a proximidade entre zonas de refeições e de preparação é secundarizada devido às seguintes razões (1): necessidade de um quadro formal representativo para certas refeições e funções festivas/comemorativas; necessidade de separação, pelo menos visual, entre as funções de recepção e de preparação de refeições; e necessidade de uma protecção sensorial (vistas, ruídos, cheiros e vapores) relativamente às zonas de preparação de refeições e de depósito de louça e apetrechos sujos.
No caso de uma forte integração entre a principal zona de refeições e o espaço de preparação, haverá que cuidar com grande atenção dos aspectos de ventilação e de redução de ruídos.

Fig. 01: Zona de refeições informais das Habitações H21 – 24 da Exposição BO01 (ver notas abaixo); Arq.ºs Mario Campi, Arne Jönsson e Jan Telving. A informalidade das refeições e a sua funcional proximidade às diversas zonas da cozinha pode ser "equilibrada" por um aspeto muito digno e formalmente depurado (ou, por exemplo, afirmadamente rústico) da mesa/cadeiras de refeições.

Refeições domésticas: hábitos interessantes

Claude Lamure sublinha que ver televisão, durante as refeições, é uma situação real e frequente, de tal forma que é devidamente assinalada pela definição dos "horários nobres" da programação, precisamente durante as horas das refeições, e nomeadamente à hora do jantar. (2)
Embora não se aprecie a actual estratégia e qualidade televisiva, que provavelmente se manterá por muitos anos, considera-se que numa habitação com dimensões correntes será aceitável considerar a relação entre televisão e espaço de refeições …

Refeições domésticas: aspectos motivadores

O ambiente da zona de jantar deve ser aprazível e cómodo, produzindo um sentimento de união, sem nada a ver com um carácter de "comer rápido" para depois ir descansar para outro lado, deve, assim, caracterizar-se, segundo Alexander, por (3): mesa centrada, ampla e forte; luz sobre a mesa; recinto de instalação relativamente fechado por paredes ou diferentes tonalidades de sombras contrastantes; suficiente espaço para se poder puxar a cadeira para trás e ficar à vontade a conversar; bancadas/aparadores e prateleiras envolventes proporcionando objectos ao alcance da mão, enquanto se está à mesa, uso de tons de cor escuros e confortáveis, especialmente de noite; assentos cómodos instalados na proximidade da mesa.
Ainda nesta perspectiva de identificação de aspectos motivadores do uso, até multifuncional, do principal espaço e da respectiva mesa de refeições sublinha-se a importância de se poder ter uma grande proximidade a um amplo vão sobre o exterior, o que permitirá tomar refeições com abundante luz natural e alguma vista; aponta-se esta ideia porque há, frequentemente, dúvidas entre que zona da sala-comum deve ser mais beneficiada pela luz natural, numa opção que poderá assim conciliar mais luz na zona de refeições e menos no espaço de estar, onde se situará, frequentemente a televisão, o que parece ser uma condição adequada para a ausência de reflexos no respectivo monitor.

Refeições domésticas: problemas correntes

Os problemas correntes em zonas de refeições têm a ver, frequentemente, com a falta de espaço próprio e na sua envolvente, obrigando a condições pouco motivadoras, quer do convívio à mesa, quer do respectivo serviço, que, nas actuais condições de ausência de pessoal de serviço doméstico, deve ser facilitado e agilizado ao máximo; e este é um problema que tem de ser resolvido na própria concepção do espaço doméstico, aproveitando-se, eventualmente, a contiguidade com espaços de circulação para se desafogar a envolvente da mesa. Tal como referi há alguns anos, num trabalho do LNEC, tem de se garantir grande funcionalidade nas actividades de pôr e levantar a mesa e de servir as várias pessoas à mesa, devendo ser possível aceder a boa parte da mesa com as pessoas sentadas e ser razoavelmente cómodo o sentar e o levantar-se da mesa nessas condições, e há que proporcionar um espaço de refeições adequado às potenciais necessidades da família com uma folga de ocupação – espaço à mesa e número de cadeiras para os habitantes da casa (considerando o número de quartos) mais alguns convidados.
Fig. 02: Zona de refeições formais/informais das Habitações H21 – 24 da Exposição BO01 (ver notas abaixo); Arq.ºs Mario Campi, Arne Jönsson e Jan Telving. Uma zona de refeições muito cuidada pode constituir como que um elemento de transição formal/informal entre uma bancada de cozinha e a zona de estar (na imagem em primeiro plano).

Refeições domésticas: questões levantadas (dimensionais e outras)

Numa habitação mínima as questões levantadas pela principal zona de refeições domésticas têm a ver com a sua eventual, mas provável, exiguidade para um grupo convivial alargado; uma questão que poderá ter uma solução razoável concentrando-se espaço para uma mesa razoavelmente espaçosa, alternativamente, na sala-comum ou na cozinha – por exemplo a cozinha poderá ser tornada mais ampla de forma a aceitar uma mesa de refeições corrente, enquanto na sala-comum poderá ser arrumada, estrategicamente, num canto, uma mesa de abas fechada, que em situações festivas será aberta, centrada na sala, após uma re-arrumação provisória dos restantes elementos de mobiliário. Fig
As questões levantadas, numa habitação corrente, são, essencialmente, de natureza dimensional e “ambiental”, e geradas pela situação de poder existir uma mesa ampla, apenas periodicamente usada, por exemplo, ao jantar e no final da semana. Situação que não parece ser negativa desde que a mesa esteja estrategicamente situada de modo a permitir que nela se desenrolem outras variadas actividades domésticas. Numa habitação corrente pode colocar-se a questão do posicionamento único ou múltiplo da(s) zona(s) de refeições domésticas, uma questão que se resolve na ideia de que uma mesa é sempre um pólo potencial de convívio e um local de múltiplas actividades e, portanto, nunca está a mais – por exemplo na cozinha uma pequena mesa central será útil para refeições rápidas e também oferece um plano de trabalho suplementar para a preparação de refeições e o apoio diversificado às refeições.

Refeições domésticas: novidades, dúvidas e tendências (ex., trabalho em casa; idosos, etc.)

Claude Lamure (4) estudou as vantagens e desvantagens de diversos tipos de posicionamentos, únicos ou múltiplos, das zonas de refeições domésticas e concluiu que as disposições mais interessantes articulam cozinha e zona de estar em torno de um espaço de refeições bem aberto tanto sobre a sala, como sobre a cozinha; e aponta que a distinção entre diversos tipos de refeições poderá realizar-se, simplesmente, pelo cuidado posto no seu arranjo e desenvolvimento (ex., toalhas e louças especiais), pelo uso específico de elementos de “cenário” e encerramento (ex., cortinas, portas de correr) e/ou pela variada disposição e extensão da mesa (chegada mais à parede e à cozinha ou mais centrada e integrada com a sala).

Notas
(1) Claude Lamure, "Adaptation du Logement à la Vie Familiale", p. 201.
(2) Claude Lamure, "Adaptation du Logement à la Vie Familiale", p. 200.
(3) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 741 e 742.
(4) Claude Lamure, "Adaptation du Logement à la Vie Familiale", p. 202.


Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XI, n.º 566
Artigo LXXXIV da Série habitar e viver melhor

A renovada importância das zonas de refeições domésticas - Infohabitar n.º 566

Editor: António Baptista Coelho – abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.