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terça-feira, abril 02, 2019

681 - Tipologias da arrumação doméstica – Infohabitar 681

Infohabitar, Ano XV, n.º 681                      
Tipologias da arrumação doméstica – Infohabitar 681
Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor”
por António Baptista Coelho (texto e imagem)


Sobre as tipologias da arrumação doméstica

No que se refere às escolhas básicas a considerar em termos de tipologias de arrumações domésticas, podemos ter duas soluções distintas, uma mais urbana e outra mais rural: (i) a arrumação em "roupeiros de cozinha", que permite grande acessibilidade a todos os géneros e produtos guardados, uma fácil monitorização do seu estado de conservação e de eventuais faltas, assim como uma forte capacidade de arrumação num espaço relativamente reduzido, mas que tem de ser formalmente regular; (ii) e no caso de predominância de um modo de vida mais rural, há a necessidade de apoiar capacidades de arrumação culinária centradas em despensas amplamente dimensionadas, e que podem ser integradas em espaços mal orientados, e até com configurações irregulares e acabamentos sumários, cuja capacidade de arrumação será tanto maior, quanto mais elevado for o grau de auto-suficiência da habitação.

Em tudo isto há que dar a devida atenção à grande quantidade de produtos comestíveis que, cada vez mais, são adquiridos, de uma vez só, em grandes acções de abastecimento, que exigem elevada capacidade de arrumação doméstica.

Aponta-se, em seguida, uma síntese tipológica de arrumações domésticas desenvolvida por Sven Thiberg (1) : armário vestibular multifuncional no “hall” de entrada do fogo; arrumação geral, numa posição central e funcionalmente neutra; roupeiros nos quartos ou em pequenas circulações comuns equipadas com grandes roupeiros e configurando zonas íntimas; armário de lavandaria, com diversos espaços específicos para diversos usos; armário para produtos alimentares, com diversos espaços específicos para diversos usos - equipamento alternativo à tradicional despensa de cozinha e que pode ter uma utilidade ampla, podendo até servir também como copa.


Fig. 01: é sempre possível e desejável inovar na definição de usos domésticos, incluindo as respectiva tipologias de arrumação - na imagem o que poderemos designar como "corredor/sala", incluindo recantos de estar e múltiplas soluções para arrumação de livros.  

A arrumação na cozinha, talvez o "nó górdio" da arrumação doméstica

A elevada pressão funcional que se exerce na cozinha não deve obrigar a que este espaço tenha, obrigatoriamente, um carácter de espaço de "arrumação" ou de "montra" de máquinas electrodomésticas ou de exercício de actividades quase laboratoriais. Se estas forem as opções dos habitantes, naturalmente, tudo bem, mas a cozinha pode ser um compartimento muito caloroso e amigável, onde as máquinas se integrem sem se dar por elas, e onde se desenvolve a apropriação doméstica através de diversos tipos de acabamentos.

Refere-se, ainda, que alguns electrodomésticos poderão emigrar para outros espaços de serviço próximos – por exemplo, no caso de uma pequena lavandaria doméstica – ou serem concentrados num pequeno espaço próprio, acusticamente isolado, que liberta a cozinha para a sua função culinária e convivial.

A  arrumação em armários fixos de cozinha é “regra” em todas as habitações, mas as condições de capacidade, diversidade e funcionalidade da respectiva arrumação, com destaque para a ergonomia e segurança no seu uso, podem ser e são habitualmente muito distintas, exigindo, portanto, um adequado projecto bem pormenorizado e que tenha, também, em conta a respectiva “imagem” criada: mais funcional/racional; mais “doméstica”/”quente”; mais integrável com mobiliário móvel, etc.

A despensa de cozinha, a “velha” despensa de cozinha, que estava e pode continuar a estar associada, geralmente, à arrumação de comestíveis diversos e exigindo preparação elaborada, pode ser, eventualmente, substituída por um despenseiro integrado no mobiliário fixo da cozinha e com uma eficaz estruturação dos diversos espaços de arrumação disponíveis – despenseiro este que, se diga, praticamente nunca existe. Salienta-se, ainda, a excelente adequação de uma pequena despensa, fresca e sem luz natural, para a existência de uma garrafeira.

A arrumação, dita, geral

A arrumação, dita, geral parece estar, desde há bastante tempo, esquecida, pois na realidade ocupa espaços, teoricamente, “melhor” utilizados directamente como espaço habitável.

No entanto uma “despensa geral”, adequadamente dimensionada e funcionalizada pode ser um trunfo na arrumação doméstica, libertando espaço para outras funções e/ou sendo utilizada para as mais diversas funções (ex., arrumação: estruturada de livros menos usados, do vestuário de Inverso ou de Verão, de ferramentas diversas, de brinquedos fora de uso, etc.).

As funções de arrumação geral podem, naturalmente, também serem cumpridas em armários embutidos e com diversas partes e elementos disponibilizados para arrumações específicas, devendo cumprir-se, aqui, globalmente, o tipo de exigências assinaladas para os roupeiros dos quartos, mas talvez com redução da importância da arrumação específica de roupas de vestir.

A arrumação nos quartos: reflexões complementares

Já se abordou, nesta série editorial, a matéria da arrumação nos quartos e a ideia aqui é apenas sublinhar que a sua disponiblização deve tender para o desenvolvimento de verdadeiros quartos de vestir e de apoio a diversas tipologias de arrumação pessoal, sempre que haja disponibilidade para tal, pois assim se liberta a zona de dormir e de outras actividades pessoais de lazer e trabalho de um teor funcional específico, pois não tenhamos dúvidas que a melhor arrumação é aquela mais ergonómica e mais pormenorizada no apoio às inúmeras necessidades de arrumação - por exemplo, desde as camisas, aos casacos longos e desde os sapatos às malas e sacos variados.

O quarto de hotel é a prova da adequação do que acabou de ser apontado e nele temos, quase sempre, a zona de vestir "destacada" da zona principal onde se integra a cama ou camas; naturalmente que este exemplo deverá crescer, funcional e dimensionalmente,  num programa doméstico.

Quando há condicionantes económicas uma possibilidade é disponibilizar uma ampla e complementar capacidade de arrumação num espaço neutral e comum a todos os habitantes do respectivo fogo, por exemplo, num corredor.

Em termos de aproveitamento espacial os roupeiros são excelentes desde que ocupando o máximo da altura disponível e estando organizados em diversas valências de arrumação, sendo, assim necessariamente caracterizados por adequadas condições de capacidade, diversidade e funcionalidade da respectiva arrumação, com destaque para a ergonomia e segurança no seu uso, exigindo, portanto, um adequado projecto bem pormenorizado e que tenha, também, em conta a respectiva “imagem” criada, sendo, provavelmente, desejável uma imagem “neutral”, talvez com acabamentos naturais ou idênticos aos da paredes contíguas. Quando esse tipo de cuidados de adequada estruturação pormenorizada da arrumação não existem, os roupeiros podem vir a tornar-se em sítios de potencial "arrumação" caótica, que, a prazo, se torna mais num problema do que numa vantagem.

Notas:
(1) Sven Thiberg(Ed.), "Housing Research and Design in Sweden", p. 186.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 681
Tipologias da arrumação doméstica – Infohabitar 681

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo/LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil



Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

terça-feira, março 26, 2019

680 - Pormenorização da arrumação doméstica – Infohabitar 680

Infohabitar, Ano XV, n.º 680
Pormenorização da arrumação doméstica – Infohabitar 680
Artigo da Série “Habitar e Viver Melhor”
por António Baptista Coelho (texto e imagem)

Nota editorial: continua-se, com este artigo, a publicação da Série editorial “Habitar e Viver Melhor”, cujo último artigo foi publicado, aqui na Infohabitar,  em fevereiro último, com o título: “O cromatismo residencial - Infohabitar 676”.


Pormenorização da arrumação doméstica

A arrumação doméstica já foi estudada, nesta série editorial, naturalmente integrada na abordagem dos espaços domésticos de uso basicamente comum, desta forma e em seguida apenas se irão referir alguns aspectos da arrumação muito associados a matérias de pormenorização.

Tal como salienta Claude Lamure "a disposição dos volumes de arrumação fixos e a sua incorporação no edifício permitem melhorar muito a economia de espaço habitável, a facilidade de manutenção e o conforto nas circulações". (1)

Fig. 01: a pormenorização da arrumação doméstica pode e deve ser uma forma de caracterização positiva dos respectivos espaços.


A arrumação relaciona-se com a área da habitação: cresce em fogos maiores e menores

A necessidade de arrumação cresce, naturalmente, consoante cresce a ocupação da habitação; uma condição raramente cumprida, tendendo-se a manter a capacidade de arrumação doméstica muito constante.

De certa forma a arrumação deve ser proporcional ao número de quartos da habitação, à semelhança do que acontece, regulamentarmente, com o número de casas de banho. 
Interessa, ainda, considerar que, no caso das habitações serem muito reduzidas, em termos de número de compartimentos e da sua área verdadeiramente habitável, também há que exigir a existência de uma significativa capacidade de arrumação, neste caso talvez mais “embutida” (ex., roupeiros integrados, mobiliário fixo), pois, de outra forma, essa reduzida espaciosidade poderá ficar, rapidamente, “obstruída” e infuncional, pela disposição dos mais diversos elementos de uso diário e ocasional.


Uma arrumação formalmente neutral

A capacidade de arrumação deve ser disponibilizada, por regra, através de soluções formais e funcionais extremamente neutrais e de grande sobriedade ou então de forma "camuflada", ou mesmo escondida, sendo sobriamente disponibilizada nos sítios certos e com as condições funcionais adequadas. Uma condição que deveria ser generalizada pois, por vezes, um determinado elemento de arrumação condiciona o tipo de arranjo doméstico do respectivo espaço, o que faz pouco sentido, afectando o potencial de apropriação da habitação, a partir da sua “mobilaridade”.

E, nesta perspectiva, sublinha-se, por exemplo, a integração entre portas normais e portas de roupeiros, que resulta, habitualmente, em soluções de grande continuidade e sobriedade, desenvolvendo-se um ambiente agradavelmente unificado e íntimo, por exemplo, no acesso a quartos e a casas de banho realizados como que através de roupeiros, como se se tratasse de passagens secretas.

Esta é uma matéria que pode inaugurar uma outra pequena faceta de desenvolvimento destas temáticas que influenciam um habitar mais feliz, pois trata-se de uma possibilidade de se conceberem habitações muito lúdicas no sentido de proporcionarem usos bem apropriados e múltiplos, e o desenvolvimento de vários níveis de uso gradativamente mais secretos, ou então inusitados na sua conjugação com outros espaços domésticos.


Uma arrumação atraente

Mas, no entanto, é sabido que uma boa capacidade de arrumação judiciosa e atraentemente disseminada pelos diversos compartimentos, com "pontes fortes" e tipologicamente bem distintos, na cozinha, copa, casas de banho, entrada, quartos e escritório, é um forte argumento na atractividade de uma dada proposta doméstica.

Teremos assim uma arrumação sóbria e atraente, o que nos conduz, com naturalidade, a soluções caracterizadamente funcionais ou mesmo funcionalistas.


A arrumação no mobiliário

Nunca será excessivo registar que a principal parte de uma arrumação doméstica deve ser cumprida, de forma integrada, em diversos elementos de mobiliário que equipam os diversos compartimentos e espaços domésticos; sendo que o principal factor para uma boa capacidade de mobiliário, na habitação, tem a ver com a disponibilidade de muitos metros de paredes lineares, sem vãos próprios e livres de manobras de vãos contíguos.

E a propósito deste aspecto, ou desta importante qualidade doméstica ligada à respectiva capacidade para integrar mobiliário, há que sublinhar que ela é cumulativamente determinante da capacidade de apropriação que toda a habitação deve proporcionar e em “quantidade”; sendo que, no limite, ela poderá ser suficiente para as necessidades de arrumação domésticas, afinal, cumprindo-se a velha tradição de não haver grandes elementos fixos, sendo tudo ou quase tudo arrumado em “móveis”.

E ainda a propósito deste assunto não se resiste a comentar que mesmo um aspecto “tão funcional” como a arrumação doméstica, tem uma dimensão tão humana e qualitativa como aquela associada à apropriação.


E, porque não, uma arrumação multifuncional?

Esta é uma temática cuja abordagem terá de ficar, aqui, um pouco pelos aspectos mais gerais, mas será sempre interessante reflectir em soluções espaço-funcionais em que determinados “recantos” domésticos possam ser apropriados por arrumações ou por outros usos domésticos, numa opção que pode marcar períodos específicos da “vida” da habitação, e que deve ter suporte em soluções construtivas que sejam facilmente reversíveis.


A arrumação: habitual parente pobre, mas, realmente, o grande aliado de uma boa estruturação doméstica

Embora a arrumação tenda a ser um pouco esquecida nas soluções domésticas importa sublinhar que uma sua adequada e estratégica provisão proporciona o adequado funcionamento da habitação e confere-lhe um elevado potencial de adaptabilidade funcional e a diversos modos de vida.

E nunca é de desperdiçar, tal como sublinha Christopher Alexander, o reforço do isolamento acústico entre compartimentos e espaços contíguos (quartos/quartos, quartos/salas, quartos/circulações e circulações/salas) que pode ser proporcionado pela interposição de roupeiros embutidos. (2)

Nas pequenas habitações, dimensionalmente muito contidas, será aconselhável que a integração dos dispositivos de arrumação se faça numa total aliança com a pormenorização arquitectónica responsável pela própria configuração da espacialidade e da ambiência interior.

Referimo-nos s uma estruturação doméstica que seja verdadeiramente “resiliente”, apoiando e facilitando excelentes e bem evidentes condições de arrumação e “limpeza” espacial, associadas a estimulantes condições de clareza e atractividade na leitura dos diversos espaços e subespaços; e que aceite um grau bastante sensível de desarrumação corrente (resultante de uma casa bem “vivida”), mas sem perder o essencial dessa clareza e atractividade de leitura de espaços razoavelmente arrumados e estruturados.


Notas:
(1) Claude Lamure, "Adaptation du Logement à la Vie Familiale", p. 195.
(2) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 799 e 800.




Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 680
Pormenorização da arrumação doméstica – Infohabitar 680

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo/LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil



Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

segunda-feira, novembro 06, 2017

617 - Arrumações e máquinas domésticas: da adequação à inovação - Infohabitar 617


 Infohabitar, Ano XIII, n.º 617

Inovar na arrumação doméstica – 5 artigos sobre o tema e um novo texto

por António Baptista Coelho

No início de setembro de 2017 a Infohabitar retomou as suas edições regulares, através da edição de um novo artigo em cada semana, logo à segunda-feira, aproveitando-se para, mais uma vez, enviar um amigável desafio aos leitores no sentido de poderem enviar para o editor (mail referido no final do artigo) propostas de artigos para edição (a enviar para abc@lnec.pt).

Considerando que, durante um número muito significativo de semanas a Infohabitar editou artigos integrados no âmbito da série designada “Habitar e Viver Melhor”, lembrámo-nos de proporcionar uma desenvolvida e comentada revisão desta matéria, antes de prosseguirmos na edição desta série; uma revisão que inclui, sublinha-se, sistematicamente, novos textos de síntese de comentário sobre cada uma das matérias específicas tratadas em cada edição.

Neste sentido e neste artigo apresentam-se, em seguida, os títulos interactivos dos artigos da série “Habitar e Viver Melhor”, que abordam as temáticas do interior da habitação e, designadamente, de uma adequada inovação nos espaços de arrumação e instalação de máquinas domésticas, aproveitando-se para acrescentar, no final do artigo, uma nova nota de reflexão sobres estas matérias; e salienta-se que todos os artigos qui editados, desde início de Setembro de 2017, integram, logo a seguir à listagem interactiva dos artigos, novos textos de reflexão sobre a envolvente habitacional, as novas tipologias residenciais, a estrututação dos respectivos edifícios e a organização e estruturação habitacional.

Em próximos artigos iremos continuar a disponibilizar reflexões sobre os diversos tipos de espaços habitacionais e domésticos, mais comuns, ou mais privados e personalizados, que integram e caracterizam cada fogo/habitação, através de artigos nunca editados.

Lembra-se que bastará ao leitor “clicar” no título do artigo que lhe interessa para o poder consultar.

Lembra-se, ainda, que por motivos totalmente alheios à Infohabitar, que muito lamentamos e que já apontámos, na Infohabitar, a maior parte dos artigos desta série editorial não conta, neste momento, com as respectivas ilustrações; estando, no entanto, disponíveis todos os seus textos, que se caracterizam por expressiva autonomia relativamente às referidas imagens; em tempo procuraremos ir repondo as referidas ilustrações, agora através de uma ferramenta integrada no próprio processo editorial do nosso blog/revista.

Finalmente regista-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sedeado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.

São os seguintes os cinco (5) artigos disponibilizados sobre o tema “inovar na arrumação doméstica:

Arrumação domésticas: aspetos gerais

Versatilidade da arrumação doméstica

As máquinas domésticas

Arrumações domésticas: aspetos inovadores

Lavandaria doméstica


Sobre as temáticas associadas e associáveis à matéria geral do interior da habitação e, designadamente, sobre a matéria específica associada às arrumações e máquinas domésticas, sua adequação e inovação uma primeira reflexão está associada ao “partido” que pode/deve ser seguido quando se desenvolve a capacidade doméstica nos seus aspectos ligados às necessidades de arrumação e de integração de máquina domésticas; e, desde já, se sugere que esse “partido” deva privilegiar o subjugar das respectivas funcionalidades, em termos visuais e de expressão/presença na habitação, a uma caracterização dos respectivos espaços e pormenores como sítios de habitar de uma pessoa e/ou de uma família, bem humanizados, marcados por um sentido de habitar “não maquinal” e por variados aspectos associáveis à identidade desses locais/elementos e à sua expressiva apropriação como espaços “únicos”, verdadeiramente amigáveis, envolventes, aprazíveis e veículos da identidade de cada um de nós e dos nossos agregados familiares.


Esta atitude ou opção não significa que não possamos optar por uma arquitectura de interiores fortemente minimalista e racionalizada, e eventualmente pontuada por algumas elaboradas peças de mobiliário e por peças/máquinas domésticas marcadas igualmente por idêntico minimalismo ou racionalismo, sendo esta uma entre múltiplas opções possíveis, mas sendo aqui este carácter “limpo” ou racional tomado como uma forma específica e própria de se entender e viver a referida “domesticidade”, e sendo esta uma opção totalmente distinta de intervenções em que espaços e elementos de arrumação e soluções de integração de máquinas domésticas são, claramente, desenvolvidos como elementos “colados”, suplementarmente, aos respectivos espaços domésticos, sem um mínimo de cuidados de boa integração, visual e até por vezes funcional, e bem longe de serem considerados como elementos verdadeiramente integradores da respectiva proposta arquitectónica.

Um outro aspecto, ou um outro novelo de aspectos, liga-se à(s) natureza(s) da “arrumação” e da capacidade de arrumação, sendo importante considerar que ela se deve subdividir e disseminar, estrategicamente, pela habitação e, depois e também estrategicamente em cada compartimento e espaço específico habitacional; uma matéria que tem sido, longamente, desenvolvida por muitos estudos funcionais.

É, no entanto, oportuno ter bem em conta a estruturação da arrumação doméstica em quatro grandes categorias, que são, em seguida, relembradas:

(i) A capacidade de mobilar os diversos compartimentos e espaços, associada, designadamente, à expressiva disponibilização de paredes para encostar mobiliário, mas também associada a questões de dimensionamentos versáteis, que proporcionem, por exemplo, mobilar e circular, e ainda associada a adequadas relações geométricas entre paredes e vãos de janela e de porta, proporcionando a sua manobra mas também a boa integração de mobiliário (ex., aproveitando bem os cantos dos compartimentos).

(ii) A capacidade para arrumações “especializadas” em equipamentos domésticos específicos como são os roupeiros embutidos e os armários fixos, equipando, designadamente, quartos, cozinhas e casas de banho; trata-se, na prática, de uma espécie de “mobiliário fixo”, sendo, por isso importante considerar, adequadamente, a sua capacidade e versatilidade de associação com elementos de mobiliário escolhidos pelos habitantes e que devem poder marcar a apropriação e identificação de todos os espaços da habitação; e esta categoria de arrumação doméstica leva-nos longe nas suas subcategorias mais ligadas às cozinhas e à tradicional despensa de apoio à cozinha, aos quartos, aos corredores, etc.

(iii) A capacidade para a boa integração de um expressivo leque de maquinarias domésticas, habitualmente instaladas em forte integração com os armários de cozinha, mas que poderão ser, também, em parte, instaladas, positivamente, em outros espaços da habitação, como acontece com as máquinas associadas ao tratamento de roupas, que poderão ser eventualmente integradas em espaços próprios de lavandaria ou mesmo em armários de grandes casas de banho, com a vantagem no sentido de se separarem estas funções das de preparação de refeições.

(iv) E ainda a capacidade de arrumação geral doméstica, por sua vez repartível no apoio ao interior ou ao exterior da habitação; uma capacidade que pode ter expressiva diversidade e especialidades.

De uma forma geral há que sublinhar a grande importância da boa disponibilização de uma boa capacidade de arrumação para a boa vivência funcional e ambiental do conjunto dos espaços da habitação, municiando as diversas funções domésticas, em cada sítio, com os respectivos apoios funcionais e libertando os espaços domésticos para a sua adequada e variada fruição de uma forma “solta” da convivência com uma enorme quantidade de elementos e objectos que vamos acumulando, praticamente de forma involuntária nas nossas habitações.

Estas matérias evidenciam a importância da versatilidade da arrumação doméstica, sendo que uma tal versatilidade deve ser sempre marcada por uma expressiva ergonomia nos seus aspectos mais gerais e de pormenor.

De certa forma e mesmo que se defenda uma vida doméstica o mais possível racionalizada e liberta de muitos objectos e elementos acessórios há que ter em conta que eles vão existir, uns mais necessários e outros menos, e que, à medida que envelhecermos iremos juntar mais outros elementos desses vários tipos e se não existir capacidade de arrumação e mesmo potencial para um gradual aumento dessa capacidade tenderemos, frequentemente, para espaços domésticos excessivamente preenchidos e consequentemente pouco funcionais e mesmo difíceis de habitar e harmonizar, designadamente, com situações em que os habitantes tenham dificuldades de movimentação e de manuseio.

Chegámos, assim, a uma matéria que exige abordagem específica e que corresponde às características espaciais e funcionais domésticas mais adequadas para pessoas idosas ou condicionadas na sua movimentação; uma matéria que encontra na capacidade de arrumação doméstica um tema crítico: seja pela importância que tem um ambiente doméstico bem arrumado e desafogado para a boa vivência de pessoas com tais condicionalismos; seja porque estes habitantes têm exigências específicas no manusear dos mais diversos elementos de arrumação (ex., alturas para aceder a prateleiras e usar máquinas), e dos associados planos de trabalho (ex., bancadas de cozinha e de casa de banho); seja porque podem existir necessidades específicas para mobilar compartimentos e outros espaços domésticos (ex., camas articuladas). E em tudo isto importa considerar que uma adequada funcionalidade para pessoas com movimentação condicionada corresponde, por regra, a uma excelente funcionalidade para todos.

Finalmente faz-se uma nota específica para a necessidade de se harmonizar toda esta desejavelmente excelente, diversificada e versátil capacidade de arrumação doméstica, com uma igualmente excelente capacidade de apropriação doméstica, um equilíbrio que pode ter múltiplas respostas (ex., casos-limite de grandes extensões de parede falsa que na prática correspondem a longas baterias de armários altos, visualmente escondidos), mas que, na prática não deve obrigar, a partir de opções formais muito expressivas, a leques apertados de opções formais em termos de mobiliário e elementos de decoração a escolher pelos moradores; defendendo-se, assim, um partido neutral e muito sóbrio nas escolhas arquitectónicas associadas a elementos de “mobiliário fixo”, ou, opcionalmente, à escolha dos habitantes entre um dado leque de opções apresentadas pelo projectista; e, sempre, uma adequada e ampla disponibilização de “boas paredes” potencialmente mobiláveis e apropriáveis.

e a estas matérias relativas às arrumações, apropriações e máquinas domésticas, voltaremos (mas nos artigos acima disponibilizados encontrarão, desde já, um amplo conjunto de reflexões).

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIII, n.º 617
Inovar na arrumação doméstica – 5 artigos sobre o tema e um novo texto
Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).
Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

domingo, julho 19, 2015

542 - Arrumações domésticas: aspetos inovadores – Infohabitar n.º 542


http://labhab.fau.usp.br/3cihel/ 

O 3.º CIHEL recebeu 118 propostas de artigos.

Infohabitar, Ano XI, n.º 542

Arrumações domésticas: aspetos inovadores – Infohabitar n.º 542

António Baptista Coelho
Artigo LXXXIII da Série habitar e viver melhor


Continuamos, em seguida, a Série editorial sobre "habitar e viver melhor", na qual temos acompanhado uma sequência espacial desde a vizinhança de proximidade urbana e habitacional até ao edifício multifamiliar.
Estamos agora a abordar , com algum detalhe, os espaços que constituem os nossos “pequenos” mundos domésticos e privativos, refletindo sobre as diversas facetas que os qualificam; e continuamos a desenvolver uma reflexão sobre os espaços de arrumação domésticos, agora considerando matérias diversas que ficam para desenvolvimento futuro, como aquelas associadas a áreas mínimas e a novas formas de habitar.

Arrumação doméstica: hábitos interessantes e críticos

Como já se apontou em artigos desta série, uma maior e mais diversificada capacidade de arrumação tem a ver com hábitos residenciais marcados por modos de vida não-urbanos, no entanto a vivência da cidade é também caracterizada pela profusão dos mais diversos e numerosos gadgets, elementos de comunicação e consumíveis, que invadem as nossas casas, diariamente, e que obrigam, cada vez mais, a uma grande e sistemática disciplina de triagem, rejeição, arrumação e, eventual arquivamento, se não se quiser assumir o risco de se viver, constantemente, num ambiente doméstico desarrumado e confuso.
Há, ainda, que sublinhar que a intensificação do trabalho profissional e do estudo em casa é um aspecto que marca o habitar de hoje e que muito agrava a referida invasão doméstica de gadgets, elementos de comunicação e consumíveis; de certa forma trata-se de associar à casa boa parte ou a totalidade das valências de um escritório doméstico.
Naturalmente que a disseminação de uma adequada capacidade de arrumação, por toda a habitação, tal como acabou de se apontar, muito ajuda nesta “batalha” diária contra a desarrumação, seja pela arrumação disponibilizada, seja, indirectamente, pela capacidade de “esconder” a desarrumação com alguma facilidade.
Uma coisa é certa, quanto menor for a capacidade de arrumação doméstica oferecido, tanto maior a necessidade de sistematização e de disciplina nessa luta diária contra a desarrumação.



Fig. 01: interior de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H21 – 24, Arquitetura: Mario Campi, Arne Jönsson, Jan Telving.

Arrumação doméstica: problemas correntes

A arrumação eficaz e bem disseminada ao longo dos diversos espaços domésticos é um factor fundamental para a funcionalidade, a agradabilidade e a satisfação do desenrolar das actividades que aí são frequentes, sublinhando-se que a ocorrência de uma situação distinta terá como consequência a ocorrência dos mais diversos tipos de problemas nessas actividades, e o avolumar de um sentimento de insatisfação com as respectivas condições domésticas. 

A afirmação que acabou de se fazer não deve ser considerada um “lugar comum” pois nos tempos de hoje, que vão passando com um sentido crítico de velocidade e urgência, tudo e mesmo tudo aquilo que se possa fazer para garantir um máximo de funcionalidade doméstica é essencial para se ganhar uma espécie de “lastro”, em termos de adaptabilidade no uso da casa; e neste lastro tem uma importância vital a existência de uma significativa, bem disseminada e multifuncional capacidade de arrumação doméstica. 


Podemos aprofundar ainda, um pouco mais, esta reflexão considerando que, actualmente, há três tipos de tarefas críticas num uso doméstico “autonomizado”, porque realizado praticamente sem ajudas profissionais (por exemplo empregadas) ou com tais ajudas reduzidas ao mínimo:
. as tarefas associadas à preparação de refeições e ao tratamento de roupas, que poderão e deverão ter um apoio funcional específico e maximizado, tal como foi e será aqui apontado;
. as tarefas associadas à arrumação doméstica, que poderão ser grandemente facilitadas através da estratégia que acabou de ser referida;
. e as tarefas associadas à limpeza doméstica, às quais dedicaremos, mais à frente, um parágrafo específico.
Tudo o que se faça, em termos de concepção de espaços, acabamentos e equipamentos para agilizar estas tarefas constitui uma vantagem determinante para o melhor e mais satisfatório uso da casa; e se considerarmos o uso da casa pelo grupo, cada vez mais alargado, de pessoas idosas, então estas vantagens assumem, ainda, uma importância mais determinante e que obriga a cuidados ergonómicos, funcionais e dimensionais específicos.



Fig. 02: interior de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H21 – 24, Arquitetura: Mario Campi, Arne Jönsson, Jan Telving.

Arrumação doméstica: questões levantadas por áreas mínimas

Como já se apontou, em artigos desta série, a existência de áreas habitacionais mínimas não é compatível com a ausência de adequadas capacidades de arrumação, pois face a esta ausência a arrumação tenderá a ser assegurada, muito provavelmente através de soluções improvisadas e funcionalmente negativas, em espaços que estão já nos mínimos funcionais, com resultados, que, frequentemente produzirão situações domésticas atravancadas e sem quaisquer condições de agradabilidade e de satisfação.
Conclui-se, assim, que quanto mais reduzido for o dimensionamento doméstico, tanto maior deverá ser o cuidado investido na previsão dos respectivos espaços e elementos de arrumação.
E quando há áreas mínimas e, frequentemente, dimensões mínimas, há que cortar no mobilar, o que até é também lógico em termos das poupanças financeiras associadas, e deveria haver uma tipologia de mobiliário específica, eventualmente marcada com um símbolo específico, que fosse caracterizada, seja por um dimensionamento funcional mas mínimo, e por dispositivos funcionais, de integração e de durabilidade muito adequados (exemplo, pequenas mesas rebatíveis, cadeiras dobráveis e bem arrumáveis em conjuntos compactos, sofás confortáveis mas pouco volumosos, camas cujo estrado funciona como grande espaço de arrumação, zonas domésticas com tecto rebaixado e aproveitado como espaço de arrumação, lavatórios dimensionalmente reduzidos, etc.).
Caso contrário e caso frequente, como os habitantes não têm nem têm de ter uma formação em aspectos de espacialidade e de integração dimensional, irão arranjar elementos de mobiliário que são adequados a habitações com mais 50% a 100% da área de que dispõem realmente.
E o exemplo prático do que se está a referir é a opção de mobiliário e equipamento embutido, multifuncional, versátil, subdimensionado, muito durável e facilmente limpável de autocaravanas e de iates; embora a comparação com as unidades habitacionais "mínimas" não possa ser directa, na prática esta é uma reflexão que sempre nos levará longe .



Fig. 03: interior de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H21 – 24, Arquitetura: Mario Campi, Arne Jönsson, Jan Telving.

Arrumação doméstica: novidades e tendências (ex., trabalho em casa; idosos, etc.)

Uma boa capacidade de arrumação doméstica é uma condição essencial no uso flexibilizado e adaptativo de uma habitação a diversos modos de vida e composições familiares, o que constitui um aspecto de grande importância quando hoje em dia cada vez mais há que favorecer uma máxima diversificação das características residenciais pormenorizadas.
Uma casa com uma boa capacidade de arrumação pode, praticamente, converter-se em diversos cenários domésticos com um mínimo de alterações significativas, mas quando não há tal capacidade tudo o que se altera tem reflexos muitas vezes críticos na vivência de toda a habitação, num crescendo de problemas que se agrava com a existência de áreas e dimensões mínimas.
Estes aspectos têm relação directa com a actual tendência de se intensificar o trabalho profissional em casa, que obriga naturalmente a condições específicas de arrumação e à sua compatibilização com os espaços e as arrumações domésticas...
E a existência de uma boa capacidade de arrumação doméstica é um dos aspectos determinantes da adequação de uma casa à sua vivência prolongada por habitantes idosos, proporcionando o gradual “arquivamento” dos mais diversos elementos, o que é duplamente útil, seja no sentido em que se disponibilizam condições de arrumação diversificadas, para os mais diversos bens acumulados ao longo da vida, seja no sentido em que a boa arrumação pode proporcionar um apreciável desimpedimento dos espaços domésticos, condição positiva para a vivência dos idosos.

References/Referências/notas


Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XI, n.º 542
Artigo LXXXIII da Série habitar e viver melhor
Arrumações domésticas: aspetos inovadores - Infohabitar n.º 542

Editor: António Baptista Coelho 
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GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.