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sexta-feira, agosto 30, 2019

700 - Esboços urbanos livres e recentes – Infohabitar 700

Esboços urbanos livres e recentes – Infohabitar 700

Por António Baptista Coelho (imagens e textos)

(nota prévia: a Série “Habitar e Viver Melhor” será retomada  em breve)
E chegámos ao n.º 700 da nossa revista semanal:
Parabéns a todos os leitores!

Retomando-se o que é já uma tradição da Infohabitar continua-se a edição de alguns esboços recentes, associando-se, por regra, sintéticos comentários informais, julgados oportunos, seja numa perspetiva de Arquitectura/Habitar (quando adequado), seja considerando notas informais no sentido do próprio fazer do esboço/desenho, aqui, sublinha-se, numa perspetiva de clara informalidade e sentido prático - eventualmente útil a quem, como o autor, continua a desenhar numa base diária, procurando, sempre, alguma melhoria –ainda que esta, sendo sempre relativa, discutível e sensível, exigisse bastante mais paciência, calmo sentido de observação prévia e de “projeto” do próprio esboço, e isto tudo, naturalmente, obrigasse a muitas mais horas de prática (sempre agradável, há que o confessar).

Nota específica ao presente artigo: 
Os esboços que se seguem abordam um tema que nos é caro, referido à ligação, desejavelmente íntima e estimulante, entre edifícios e vizinhanças de proximidade, construindo "unidades" cujos projectos raramente foram desenvolvidos como tal, como verdadeiras unidades.
Mas boa parte dos esboços que se seguem focam-se em esquissos muito livres de "amálgamas" de edifícios entre os quais haverá espaço "livre", mas confinado, e desejavelmente tão acolhedor como funcional.
Trata-se, naturalmente, de um tema que iremos aprofundar e desenvolver em outros artigos.  

Fig. 01: mais do que o esboço que apenas se entrevê, é o próprio ambiente que suscita o esboço destas temáticas, num interior tão "urbano", como outros exteriores deverão ser "Íntimos" ou mesmo "domésticos". 

 
Fig. 02: a partir de uma imagem extremamente gráfica e depurada, existente num cartaz (relativo ao 4.º CIHEL), procurou-se libertar um esboço tão focado num exterior público bem caracterizado e à escala humana, como nos interiores domésticos que o confinam e também o caracterizam.

Fig. 03: este esboço estava-me prometido há muito tempo, baseado em muitas, dispersas e extremamente diversificadas observações - desde imagens de zonas clandestinas a pequenas miniaturas em casa de árvore trazidas do Brasil; trata-se de uma espécie de jogo urbano e doméstico de pequena escala (e msmo o esquisso é bem pequeno).

Fig. 04: uma cena urbana, ou paisagística, ou doméstica ou préexistencial ("ruína"), tudo integrado numa cena urbana, paisagística, doméstica e preexistencial; em termos de técnica de desenho usou-se um papel de aguarela bem grosso e razoavelmente texturado; o formato é A4.  

Fig. 05: uma excepção ao desenho no local real ou imaginado; um desenho feito em parte de memória em parte a partir de um postal - Guadalupe, Espanha.

Fig. 06: voltamos a uma espécie de jogo urbano e doméstico de pequena escala, aqui levado um pouco à saturação de uma expressiva densidade e diversidade edificada e até cromática, num "jogo/esquisso", que procura apontar alguma perspectiva (em termos de "ponto de fuga" e de nitidez/difusão entre primeiros e últimos planos). 

Fig. 07: novamente o jogo urbano e doméstico de pequena escala, mas aqui mais equilibrado e pacífico; procurando-se um grafismo bem definido e contrastado entre edifícios e árvores ("imitado" da miniatura de casca de árvore que serviu de modelo/inspiração)

 Fig. 08: um dos apontamentos mais esboçados (até agora) desse jogo urbano e doméstico de pequena escala, aqui muito delimitado ao apontar dos diversos elementos: água/azul; pavimento/terra; edifícios de habitação separados/evidenciados por pequenas travessas urbanas; verde/árvores; céu/novamente em azul.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XV, n.º 700

Esboços urbanos livres e recentes – Infohabitar 700


Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
Arquitecto/ESBAL, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo no
Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) –, em Lisboa



Revista da GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

domingo, novembro 29, 2015

560 - Esquissos rápidos com aguadas – I, Infohabitar 560

Infohabitar, Ano XI, n.º 560

Esquissos rápidos a tinta e com aguadas – I
António Baptista Coelho

 Apresentam-se, em seguida, alguns apontamentos/desenhos livres, ou esquissos realizados com tinta e aguadas, habitualmente cinzentas; esquissos rápidos (máximo de cerca de 5 minutos por desenho) e diretamente a partir dos respetivos “modelos” (sem recursos a fotografia), por vezes tratados a aguada posteriormente.


Desenho 1: tinta e aguadas posteriores num esquisso recorrente (na minha prática de desenho) que procura capturar o essencial da relação equilibrada e "modernista", entre verde urbano e edifícios, em Olivais Norte, Lisboa.



Desenho 2:  tinta e aguadas num esquisso muito rápido que procura fixar essencialmente a ideia de relação/diálogo próximo entre verde urbano e edifícios; os traços de tinta são feitos com um máximo de continuidade sobre o papel. 



Desenho 3: breve apontamento a tinta de uma estação de metropolitano, onde se procurou fixar, essencialmente, as principais formas e os volumes gerais, mas também os principais e mais contrastantes valores de luz/sombra.




Desenho 4: novamente a relação/diálogo próximo entre verde urbano e edifícios, agora apenas a traço, num apontamento "super-rápido", onde se tenta evidenciar o contraste entre linhas rectilíneas do edificado e orgânicas/curvilíneas das árvores.


Desenho 5: tinta e aguadas num esquisso muito rápido da parte de baixo de uma árvore com rebentos; o esquisso vale mais talvez pelo enquadramento e síntese do essencial de forma e sombra.




Desenho 6: tinta e aguadas rápidas, num apontamento de uma paragem de autocarros e praceta na Encarnação; procurou-se captar o ambiente e alguma da profundidade, fazendo o branco do papel "trabalhar".



Desenho 7: procurou-se captar o enquadramento, sempre fugaz, de um gato sobre uma árvore; o essencial foi "capturado" no local (com relevo para a posição do animal e para o essencial da árvore); o enqudramento foi cuidado de modo a não dar excessiva importância à própria árvore.




Desenho 8: tinta e aguadas rápidas, num apontamento muito rápido de um conjunto de elementos de mobiliário urbano, tentando-se captar as formas essenciais e um certo sentido de criação de um "recanto" urbano bem habitável. Procurou-se apontar com simplicidade o essencial de duas tonalidades de sombra.



Desenho 9: tinta e aguadas posteriores novamente num esquisso recorrente (na minha prática de desenho) que procura capturar o essencial da relação equilibrada e "modernista", entre verde urbano e edifícios, em Olivais Norte, Lisboa.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.


Infohabitar, Ano XI, n.º 560
Esquissos rápidos com tinta e aguadas – I
Editor: António Baptista Coelho abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional 


Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

domingo, novembro 08, 2015

557 - Esquissos rápidos – o caderno e os esquissos, Infohabitar 557

 
Infohabitar, Ano XI, n.º 557

Esquissos rápidos – o caderno e os esquissos

António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns apontamentos/desenhos livres, ou esquissos realizados, sob várias temáticas, com alguma rapidez (máximo de cerca de 5 minutos por desenho) e diretamente a partir dos respetivos temas (sem recursos a fotografia); por vezes, no caso dos desenhos a cor, esta foi dada, posteriormente, “em casa”.
Apresentam-se, por vezes, as imagens dos respetivos cadernos para se poder ter a noção do tamanho destes esquissos.
Pontualmente fazem-se alguns comentários sobre o próprio esquisso ou sobre o seu tema.

Desenho 1: o caderno é sítio de muitos apontamentos e desenhos: uma verdadeira companhia que dá jeito para quase tudo.


Desenho 2: o caderno como ferramenta multifunções para esquissos e apontamentos, que assim nunca se perdem; e a prática do desenhar a vegetação e as árvores ao longo do ano e com um mínimo de "meios", neste caso traços negros e manchas cinza.

 
Desenho 3: o caderno como base de apontamento de esquissos que valem por si e eventualmente como projetos para desenhos maiores.


Desenho 4: novamente o caderno multifuncional e o tema dos pássaros, outro tema recorrente,


Desenho 5: desenhar pássaros, naturalmente sempre quase apenas de memória, quando em movimento, é excelente como exercício de memória de formas e movimentos e como sintetização do que é essencial na forma/cor em movimento.


Desenho 6: um pequeno esquisso do Largo do Pelourinho na Covilhã. 



Desenho 7: o Largo do Pelourinho na Covilhã. 



Desenho 8: a prática do desenhar árvores: uma "escola"! 



Desenho 9: as torres S. Rafael e S. Gabriel e o C. Vasco da gama em Lisboa, um esquisso de cerca de 5 minutos, não mais, aguardando o comboio para a UBI na Covilhã.





Desenho 10: as torres S. Rafael e S. Gabriel e o C. Vasco da gama em Lisboa, um esquisso de cerca de 5 minutos, não mais, aguardando o comboio para a UBI na Covilhã; fixa-se o que se julga ser o essencial, em termos de perspetiva, volumes e sombras.





Desenho 11: um caderno que passa a ter vida própria!




Desenho 12:
A relação entre edifícios e verde urbano e a importância protagonista deste verde, a relação entre circulação de peões e de veículos motorizados, a disponibilidade de espaço e a própria arquitetura solar passiva dos edifícios e a muito assinalável qualidade arquitetónica e urbanística, são todas qualidades bem evidentes no nosso bairro modernista por excelência. Olivais Norte, em Lisboa (abraçado pelo Bairro da Encarnação).

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.


Infohabitar, Ano XI, n.º 557
Esquissos rápidos – o caderno e os esquissos
Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.


sábado, abril 04, 2015

527 - Mais alguns desenhos e alguns conselhos - Infohabitar 527

http://labhab.fau.usp.br/3cihel/

Infohabitar, Ano XI, n.º 527

Mais alguns desenhos e alguns conselhos

Aproveitando a breve paragem letiva e a probabilidade de alguns dos meus alunos de Desenho 1 - II, do mestrado Integrado em Arquitetura da Universidade da Beira Interior na Covilhã, estarem a trabalhar nos seus diários gráficos, e naturalmente considerando que outros leitores também se interessem por estas matérias - sei de alguns colegas no Brasil que têm contatado comigo nesse sentido e a quem saúdo calorosamente - , editam-se mais alguns apontamentos urbanos e naturais e aproveita-se para registar alguns aspetos de base da prática do desenho livre; interessa praticar, praticar, praticar, e ajuda repetir as temáticas, lembrando-nos de aspetos essenciais, como:

  1.       procurar um excelente ponto de vista que nos atraia verdadeiramente;
  2.       ter um mínimo de conforto e de sossego para desenhar;
  3.       arriscar naturalidade e rapidez na relação entre observação e o "traço" (daí a vantagem de se repetirem as temáticas);
  4.      usar o espaço da folha, mas lembrar que o espaço branco também é desenho;
  5.      procurar proporções equilibradas;
  6.      tentar acertar pontos de fuga/linhas de vista (a altura a que estamos a observar), mas não "bloquear" por causa disto;
  7.      fazer vários desenhos rápidos no mesmo sítio e do mesmo tema (vão ver que os "segundos" ou "terceiros" apontamentos vão sair melhor, porque a cabeça e a mente "aqueceram");
  8.      deixar o lápis e/ou a caneta desenharem quase por si, quase "brincando" na folha e desenhando quase com autonomia e o mais possível em contato contínuo com a folha, não levantando a ponta do papel;
  9.      deixar a folha branca (não suja) e ousar contrastes fortes branco, cinzento (exemplo dois tons) e preto/preto, não esquecendo que o espaço branco que se deixa também é desenho;
  10.      esquecer que se pode apagar, desenhar a lápis e/ou a caneta e/ou a aguada, sem apagar;
  11.      não esperar que todos os apontamentos fiquem bem; desenhar mais e depois mostrar apenas os melhores desenhos;
  12.      e tentar desenhar com prazer e mesmo com um certo sentido lúdico - tirar o "sentido sério" ao desenhar, procurando desenhar cada vez melhor, mas como que brincando.

E muitos desenhos: menos bons, razoáveis e bons, é o que desejo!

António Baptista Coelho

Nota prática: os apontamentos que se seguem foram escolhidos por serem muito diversos nas técnicas usadas (lápis, caneta/marcador, aguada), na respetiva duração (entre cerca de 5 minutos a maior parte deles e um máximo de 30 minutos, os mais elaborados) e nos temas escolhidos.












Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XI, n.º 527

Mais alguns desenhos e alguns conselhos

Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.



domingo, setembro 28, 2014

502 - SOBRE O DESENHO À MÃO LIVRE, NOTAS GERAIS - Infohabitar 502



Infohabitar n.º 502
A revista da GHabitar - Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

SOBRE O DESENHO À MÃO LIVRE, NOTAS GERAIS

António Baptista Coelho

Um texto prático sobre o desenho à mão livre

Este texto foi, inicialmente, elaborado para enquadrar e justificar, em grande parte, o desenvolvimento temático, mas também o programático, em 2014/15, da Disciplina de Desenho I do Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade da Beira Interior, na Covilhã; disciplina esta estruturada pelo autor do texto. 


Fig. 1

Duas perspetivas para a prática do Desenho Livre e da Arquitectura: o gosto pelo desenho e a necessidade/oportunidade de desenhar  

Mais do que iniciar um processo de aproximação ao desenho à mão livre e/ou ao desenho globalmente aplicado à arquitetura e ao seu ensino e aprendizagem e não descurando situações em que tal caminho seja necessário, considera-se do maior interesse aprofundar o "desenho livre", em geral, nas duas perspetivas que, emseguida, se desenvolvem minimamente e que se ligam, quer ao gosto natural pelo desenho, que se vê e que se faz, quer ao papel prático, de ferramenta, que o desenho livre sempre cumpriu e cumprirá na aproximação, na "fixação" e na modelação do projeto e da obra arquitetónica.
Mas um tal desenvolvimento não quer dizer que entre o desenho livre a a arquitectura não existam outras relações íntimas, por exemplo, associadas a matérias como, por exemplo, a cenografia, a ilustração e a própria ficção desenhada; no entanto e para já queremos sublinhar a importância de duas matérias tão distintas como o gosto/prazer de ver/fazer desenhos e a necessidade/utilidade de desenhar ao projetar.
Para as outras perspetivas aqui voltaremos em futuros artigos desta pequena série.



Fig. 2

O gosto pelo desenho livre
Desenhar ou gostar do desenho ou de ver desenhos liga-se a uma perspetiva de verdadeiro gosto pelo desenho, de prazer do desenho, como algo que se aprecia e de que se gosta e acompanha, em exposições, ou no dia-a-dia, e mesmo eventualmente até como prazer de rabiscar e desenhar, naturalmente, acompanhando outras atividades e ajudando, até, na concentraçãoquando .
Nesta perspetiva há que ter em conta que o desenho à mão livre, mais ou menos apoiado e imaginativo, sempre esteve na base do projetar ou do compor o espaço do habitat humano, e que esse habitat e os quadros naturais em que se integra, assim como a própria história viva da cultura humana, sempre estiveram intimamente ligados à prática e ao gosto pelo desenho, em si próprio e em tudo aquilo em que ele serve como ferramenta prospectiva e imaginativa.
E nesta perspetiva parece ser hoje oportuno fazer reviver o gosto pelo desenho, no sentido em que ao desenhar, se vê melhor o que nos rodeia, que entendemos melhor e vivemos melhor o que nos rodeia, e não será por acaso que assistimos a um crescimento claro do gosto pelo desenho e pelas artes plásticas, que nos fazem bem numa sociedade cheia de pressa, de individualismo e de stress e que se revela, por exemplo, nos cada vez mais frequentes grupos conhecidos como "esboçadores urbanos" (urban sketchers), que a pé usam e apreciam os espaços da cidade e, porque não, da natureza, vulgarizando, muito positivamente, as capacidades desenhísticas e associando-as ao puro gosto do usufruto da cidade e da natureza em grupos de amigos e conhecidos.
E nesta matéria será interessante fazer alargar o perfil optado pelos referidos "esboçadores urbanos", também para matérias mais diretamente ligadas à paisagem e à natureza, seja pelo interesse desenhístico de uma tal opção, seja porque será este um meio de alargar o interesse, aprofundado e detalhado, pelo nosso habitat, conseguido expressivamente quando nos concentramos para desenhar, à natureza e ao ambiente mais global que habitamos e onde a cidade e o espaço urbanizado se deveriam integrar positivamente.

Fig. 3

O desenho livre como ferramenta do projeto  

O desenho livre e à mão livre liga-se também a uma perspetiva de natural necessidade de desenhar, que visa o projeto de arquitetura, uma ferramenta e um caminho marcados pelas diversas fases sequenciais de análise mais sentida e/ou mais objetiva, de experimentação continuada e reflexiva, de representação com vista à fixação do projeto, depois à sua construção e, ainda depois, de interpretação da obra feita e vivida.
Nesta perspetiva de um desenho útil ao projeto de arquitetura há também diversas facetas de interpretação e de utilização do desenho livre, sempre as houve e sempre existirão, mesmo quando, hoje em dia, as ferramentas digitais estão a marcar, cada vez mais, o processo de projeto (por exemplo com o processo Building Information Module ou Modeling), pois para conceber, para identificar e depois aprofundar aquela que se considere ser a melhor solução ou o melhor "partido" de projeto, é extremamente adequado e muito rico imaginar com uma base visual e desenhada, de esboços e apontamentos preliminares e depois de pormenorização; e podemos até sustentar que será quem o faz que retirará  os maiores benefícios das referidas ferramentas digitais, pois conseguirá imaginar e antever melhor o resultado final de uma dada ideia projetada.
E quando entra em jogo o levantamento patrimonial e a intervenção em contextos históricos, então está ainda para ser devidamente reconhecida a importância e a utilidade de um desenho à mão livre, neste caso devidamente rigoroso, numa perspetiva que se julga ficar bem apontada e exemplificada pela prática dos levantamentos de arquitetura regional/local e mesmo de contextos arqueológicos.
O desenho livre nunca pode ser uma obrigação
Importa agora sublinhar que em nenhuma destas duas perspetivas tem e terá lugar o sentido do "desenho livre" como obrigação, ou "obrigatório", afinal um sentido pouco ou nada adequado à própria "liberdade" anunciada na referência a este desenho; mas atenção que esta vital consideração de "não obrigatoriedade" nada tem a ver com qualquer tipo de falta de disciplina, de reduzida prática do desenho à mão livre e de menor exigência no desenhar à mão livre.


Fig. 4

O desenho livre como prática intensa e continuada

Antes pelo contrário , e tal como muitos grandes artistas salientaram, o bom desenho, a boa arte se se quiser, provém de quase 100% de trabalho e de alguma vocação para desenhar, ou designação que queira dizer o mesmo; por exemplo, e entre muitos outros grandes artistas, Picasso e van-Gogh dizem-no ou exemplificam-no em termos de práticas artísticas e experiência de vida.
São tantos aqueles que salientam que o desenho se ganha no desenhar, numa prática tendencialmente diária e natural, mas sempre intensa e concentrada, em que o olhar e o pensar se fazem numa natural aliança com o esboço, uma aliança que acaba por ser um mútuo apoio e uma sequência de clarificação; e evidentemente que um tal caminho é muito importante para quem faz e quer fazer a sua vida nas áreas da visualização e formalização do espaço interior e exterior do habitat humano e da natureza em que se integra.
E ainda nesta matéria dá vontade de dizer que uma certa capacidade de desenho é útil para muitos caminhos profissionais, ajuda a ver melhor, a compreender melhor o que se vê, a situarmo-nos melhor, a apreciar melhor os cenários que usamos, mas, não haja dúvida, que é algo de essencial para quem quer ser arquiteto, para quem quer entender bem e atuar bem no quadro construído e natural do nosso habitat.

Fig. 5

Desenhar por gosto e por necessidade de melhor projetar

É, portanto, essencial, que quem deseja seguir um caminho adequado no projeto de arquitetura, considere o desenho livre, naturalmente, seja como algo a apreciar com gosto  e periodicamente, um gosto que existe ou que acabae por se sedimentar e desenvolver, ao longo do tempo, favorecido por e favorecendo bases culturais mais ricas e uma experiência de vida mais estimulante, seja numa relação instrumental com a prática do projeto de arquitetura, aprofundando-se e melhorando-se, pela prática, um processo de desenho, que se irá associar, gradual e naturalmente, a outras práticas - como, por exemplo, a fotografia e os diversos meios informáticos de desenho e pintura - como meio de tradução de ideias projetadas/imaginadas e de arquiteturas já realizadas, numa relação com lugar cativo e sempre enriquecedor na associação com as existentes e inovadoras práticas digitais de projeto de arquitetura.
  
Notas editoriais:
·       (i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
·       (ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

SOBRE O DESENHO À MÃO LIVRE, NOTAS GERAIS
Infohabitar, Ano X, n.º 502
Editor: António Baptista Coelho – abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional
Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.