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quarta-feira, março 22, 2017

606 - Agradecimentos da Semana CIHEL2017

Infohabitar, Ano XIII, N.º 606




Caros amigos e colegas participantes na semana CIHEL2017, e nos seus principais eventos: as 1as Conferências CIHEL, no Porto; o 4.º CIHEL na Covilhã; e as visitas técnicas no Porto, em Viseu, no Fundão e nas Aldeias Históricas e do Xisto,

Não substituindo próximos contatos a realizar, desejavelmente, a curto prazo e que levem em frente a excelente dinâmica que foi atingida na Semana CIHEL2017, que podemos desde já definir como um “Super CIHEL”, capaz de alavancar um grupo de excelentes novas ideias, e que pensamos ter concretizado a ideia-base que tínhamos de poder aliar uma série de realizações científicas e técnicas à oportunidade de um essencial convívio, ele próprio gerador de muitas outras ideias e realizações futuras,

Queremos agradecer a excelente participação de todos, desejar que, sendo o caso, todos tenham feito uma óptima viagem de volta e dizer um até breve bem caloroso,

E, finalmente, aproveitar para deixar aqui um sincero agradecimento público:

§        aos conferencistas inscritos no 4.º CIHEL, que entregaram e apresentaram mais de 180 comunicações originais;
§       aos presidentes da Semana CIHEL 2017, 1as Conferências CIHEL no Porto e 4.º CIHEL;
§        ao Secretariado do CIHEL e aos principais responsáveis pelos CIHEL anteriores, abarcando-se nesta referência todas as pessoas e entidades que organizaram os três CIHEL anteriores, em Portugal e no Brasil;
§  a todos os membros das Comissões do 4.º CIHEL – Comissão de Honra, Comissão Científica e Comissão Dinamizadora Internacional;
§        às entidades que mais apoiaram a semana CIHEL2017: a Câmara Municipal do Porto, à sua Presidência e Vereação e à sua Empresa Municipal, a Domus Social; à Universidade da Beira Interior, ao seu Magnífico Reitor e ao Departamento de Engenharia Civil e Arquitetura (DECA) da UBI; à Câmara Municipal do Fundão à sua Presidência e aos Coordenadores das Aldeias Históricas de Portugal e das Aldeias de Xisto – ADXTUR; à Câmara Municipal de Viseu à sua Presidência e à SRU de Viseu; ao Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) e ao seu Presidente; e ao Centro de Investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design (CIAUD) da FAUL e ao seu Presidente.
§        a entidades que foram essenciais no adequado desenrolar da Semana CIHEL2017, entre as quais há que destacar: em primeiro lugar, a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP), que muito apoiou, institucionalmente e com a presença de muitos dos seus professores, e de forma extremamente positiva o desenvolvimento das 1as Conferências CIHEL no Porto; aos futuros colegas Arquitetos do Núcleo de Estudantes de Arquitetura da UBI (NAUBI), que foram decididamente vitais na estruturação e na excelente dinamização do 4.º CIHEL na UBI; e à Câmara Municipal da Covilhã que marcou uma positiva presença no 4.º CIHEL.
§        aos conferencistas que foram essenciais nas sessões de trabalho e deram uma excelente vida às 1as Conferências CIHEL no Porto e ao 4.º CIHEL e a quem nos acompanhou nas óptimas visitas no Porto e nas Aldeias Históricas e do Xisto.
§        a pessoas/entidades que foram determinantes no muito adequado desenrolar de uma iniciativa de elevada complexidade organizativa como foi a Semana CIHEL2017; e aqui há que destacar: o Senhor Administrador da UBI; aos responsáveis pelos excelentes conteúdos gráficos da Semana e, designadamente, ao atelier CNLL; e ao Secretariado do DECA da UBI e outros serviços da UBI que estiveram bem presentes nesta iniciativa.
§        e, por fim, a entidades que estiveram, estão e estarão sempre presentes nesta excelente aventura do CIHEL: a GHabitar; a TAP; a FENACHE – Federação nacional de Cooperativas de Habitação Económica; o recente, mas deseja-se de longa vida CIARCHE-UBI; o CIALP, Conselho Internacional dos Arquitetos de Língua Portuguesa, com o qual o CIHEL irá fazer parcerias bem úteis; a Ordem dos Arquitectos de Angola, a Ordem dos Arquitectos de Cabo Verde e a bem recente Ordem dos Arquitectos de Moçambique; o Conselho dos Arquitetos e Urbanistas do Brasil (CAU-Br); e o LNEC, Laboratório nacional de Engenharia Civil, entidade sempre presente e ativa desde o início do CIHEL e na respetiva promoção.

A lista é longa, mas é bem verdadeira e aqui se deixam, desde já, as devidas desculpas, por algum (humano) esquecimento.

Muito obrigado a todos os que proporcionaram esta inesquecível Semana CIHEL2017.
Em breve daremos notícias, mas lembramos que o CIHEL será, realmente, aquilo que todos quisermos que ele seja, e para isso o Secretariado está já a ganhar uma nova vida,

A Comissão organizadora da Semana CIHEL 2017
António Baptista Coelho
Carlos Almeida Marques
Nuno Lacerda Lopes
Inês Daniel de Campos
José António Ferreira
Rogério Galante

Editado por
António Baptista Coelho



Aproveita-se para lembrar a próxima realização da
3.ª Assembleia Geral da GHabitar - APPQH 
devidamente divulgada no artigo n.º 605 da Infohabitar e que terá lugar na Sede da FENACHE, em Lisboa, no final da tarde do dia 31 de março.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.


Infohabitar, Ano XIII, n.º 606
Agradecimentos da Semana CIHEL2017
Editor: António Baptista Coelho – abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional
Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade da Beira Interior - MIAUBI

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

terça-feira, fevereiro 14, 2017

603 - O habitat humano no espaço da lusofonia na Semana CIHEL2017 de 5 a 10 de março – Infohabitar 603

Infohabitar, Ano XIII, N.º 603

O habitat humano no espaço da lusofonia na Semana CIHEL2017 de 5 a 10 de março – Infohabitar 603

Semana do Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono (CIHEL): 1. as Conferências CIHEL no Porto, 5 e 6 de março; 4.º CIHEL, na Covilhã, 7 a 10 de março




É com muito gosto que salientamos que a Semana CIHEL2017 e os seus principais eventos estão já numa fase muito avançada de preparação, com um estimulante e diversificado conjunto de intervenções previstas para as 1. as Conferências CIHEL no Porto, dias 5 (visitas) e 6 de março, no Auditório da Biblioteca Almeida Garrett, ao Palácio de Cristal, numa iniciativa diretamente apoiada pela Câmara Municipal do Porto e pela sua Domus Social EM – como poderão ver, em seguida –, e, no âmbito do 4.º CIHEL, com cerca de 180 comunicações originais e um conjunto muito significativo de palestrantes previstos para o Departamento de Engenharia Civil e Arquitetura da Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, entre 7 e 9 de março, próximos.
No Porto, em Viseu e a partir do Fundão serão, ainda, desenvolvidas várias visitas técnicas – apontadas também neste artigo.


1. as Conferências CIHEL no Porto


Visitas Técnicas: Domingo, 5 de março:
14h30 - Receção na Câmara Municipal do Porto (Praça General Humberto Delgado - Porto)
15h00 – Visitas técnicas (Bairros Sociais/de Interesse Social)
Visita A (habitação de interesse social: 2 operações públicas + 2 cooperativas): Cooperativa de Massarelos (Arq.ºs Francisco Barata Fernandes e Manuel Fernandes de Sá); Bairro Rainha D.ª Leonor (Arq.ª Inês Lobo); Cooperativa de Aldoar (Arq.º Manuel Correia Fernandes); Bairro de Ramalde (Eng.º Vasco Peixoto de Freitas, Arq.º Nuno Valentim).
Visita B (habitação de interesse social: 3 operações públicas + 1 cooperativa): “Ilha” da Bela Vista (Cerejeira Fontes / Layout Serviços de Engenharia, Lda.); Cooperativa da Bouça / Águas Férreas (Arq.os Álvaro Siza e António Madureira); São João de
Deus (Arq.º Nuno Brandão Costa); Lagarteiro (Arq.º Paulo Tormenta Pinto). 
20h30 – Boas-vindas, Câmara Municipal do Porto (local a definir)

Segunda-feira, 6 de março - Grande Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett (Palácio de Cristal), Porto
09h00 – Abertura institucional com organizadores e responsáveis da Câmara Municipal do Porto
10h00 – Temas/Intervenções:
A Cidade Habitada na América do Sul (Brasil) – Héctor Vigliecca, com apresentação de Carlos Almeida Marques;
A Cidade Habitada e a Cidade por Habitar - Valdemar Cruz; António Figueiredo, Pedro Ramalho, Vítor Abrantes.
13h30 /15h00 – Almoço livre
15h00 – Temas/Intervenções:
Novos e Velhos Modos de Habitar - Nuno Lacerda Lopes, Nuno Brandão Costa, Álvaro Domingues, Virgílio Borges Pereira, Paulo Tormenta Pinto;
A Construção do Habitar - Manuela Álvares, Luís Soares Carneiro, Francisco Barata, Ricardo Carvalho, Ana Vaz Milheiro;
A Cidade Habitada na Europa do Sul (Portugal) - Raúl Hestnes Ferreira, com apresentação de Manuel Correia Fernandes.
18h00 – encerramento das Conferências




Terça-feira, 7 de março – viagem Porto – Viseu, com receção e visitas nesta cidade
Paragem/Visitas livres – Viseu, 7 de março de 2017
Coordenação: Carlos Almeida Marques
8h 15/8h30 - saída em autocarro do Porto (local a definir)
10h30/11h00 – receção na Câmara Municipal de Viseu
12h00 - visitas no Centro Histórico; possibilidade de pequena refeição livre.


4.º CIHEL na UBI/Covilhã

Terça-feira dia 7 de março – Grande Auditório da Faculdade de Engenharia da Universidade da Beira Interior (UBI), Covilhã:
18h30/19h00 (horário previsto/a confirmar) - Abertura institucional do 4.º CIHEL; 20h00 (horário previsto/a confirmar), com intervenções institucionais - Boas-vindas à UBI


Quarta-feira dia 8 de março – Auditórios da Faculdade de Engenharia da Universidade da Beira Interior (UBI), Covilhã:
8h30 – 1as Sessões temáticas simultâneas
10h30 - intervalo para café (feira do livro e exposições)
11h00 – 2as Sessões temáticas simultâneas
13h00 – almoço livre (possibilidade de opção programada)
14h30 – 3as Sessões temáticas simultâneas
16h30 – intervalo para café
17h00 – 1ª Mesa Redonda (em plenário): sobre as temáticas do Território (três palestrantes e um moderador)
Nuno Francisco (moderador, Prof. UBI, Diretor Jornal do Fundão)
Eugénio Soriano (Prof. Universidade Complutense de Madrid)
Héctor Vigliecca (Prof. Arquiteto e Urbanista)
Paulo Fernandes (Presidente C.M. Fundão)
19h00 – jantar livre (possibilidade de opção programada)
21h00 – 4as Sessões temáticas (tema concreto) ou Reunião do Secretariado do CIHEL
(22h30/23h00 – encerramento dos trabalhos)

Quinta-feira dia 9 de março: Auditórios da Faculdade de Engenharia da Universidade da Beira Interior (UBI), Covilhã:
8h30 – 5as Sessões temáticas simultâneas
10h30 - intervalo para café (possíveis lançamentos editoriais)
11h00 – 6as Sessões temáticas simultâneas
13h00 – almoço livre (possibilidade de opção programada)
14h30 – 7as Sessões temáticas simultâneas
16h30 – intervalo para café
17h00 – 2ª Mesa Redonda (em plenário): sobre as temáticas do habitat humano (três palestrantes e um moderador)
Angélica Benatti Alvim (moderadora, Prof. Dir. FAU-Universidade Presbiteriana Mackenzie)
Jaime Comiche (Prof. Arq. Coordenador da Ordem dos Arquitectos de Moçambique)
Leandro Medrano (Prof. Arq. Diretor Revista Pós FAU – Universidade de São Paulo)
Vítor Reis (Arquiteto, Presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana)
19h00/19h30 – Encerramento do 4.º CIHEL e intervenções institucionais (em plenário)

Sexta-feira dia 10 de março: Visitas – Aldeias Históricas e do Xisto com apoio da CM Fundão
Coordenação:
Inês Daniel de Campos [DECA-UBI, CIARCHE-UBI, CIAUD]
Colaboração:
Dalila Dias, Coord. Aldeias Históricas de Portugal
Rui Simão, Coord. Executivo da ADXTUR- Agência para o desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto
Programa preliminar:
8h30 – saída locais de hospedagem/ ou de local a combinar
9h00 – Fundão, sessão de boas-vindas pela CM do Fundão n’A Moagem - Cidade do Engenho e das Artes; apresentação das “Aldeias Históricas de Portugal” e  das “Aldeias do Xisto”.
11h00 – Visita a Castelo Novo (Aldeia Histórica)
14h00 – Almoço de convívio e de conclusão do Congresso
15h30 – Visita a Janeiro de Cima (Aldeia do Xisto)
17h30/18h00 – retorno à Covilhã e conclusão dos trabalhos do Congresso.

4.º CIHEL Prémio Universidades – A Cidade Habitada
No âmbito do 4.º CIHEL está a ser desenvolvido um Concurso de Arquitetura para Trabalhos Académicos sobre Habitação, dirigido para alunos de Escolas de Arquitetura. O regulamento do concurso está divulgado no Site do 4.º CIHEL.
Presidente do Júri do Concurso: Paulo Tormenta Pinto

No âmbito do CIHEL estão previstas exposições e uma pequena Feira do Livro de Arquitetura

Comissão Organizadora da Semana CIHEL2017
António Baptista Coelho [DECA-UBI,CIARCHE, CIHEL, GHabitar]
Carlos Almeida Marques [CIHEL, ISCSP, CAPP, CIAUD]
Carlos Nuno Lacerda Lopes [CIAMH-FAUP, CIHEL, GHabitar]
Inês Daniel de Campos [DECA-UBI, CIARCHE-UBI, CIAUD];
José António Ferreira [Domus Social, EM – CMPorto, CIHEL]
Rogério Galante  [DECA-UBI, CIARCHE-UBI];

Artigo editado por:
António Baptista Coelho
Coordenador do CIHEL

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIII, n.º 603
O habitat humano no espaço da lusofonia na Semana CIHEL2017 de 5 a 10 de março – Infohabitar 603

Editor: António Baptista Coelho – abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional
Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade da Beira Interior - MIAUBI

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.


quinta-feira, março 08, 2007

129 - O conjunto de habitações sociais do Monte de São João – artigo de Duarte Nuno Simões - Infohabitar 129

- Infohabitar 129

Introdução ao texto de Duarte Nuno Simões

Reedita-se, em seguida um texto de análise elaborado pelo Arq. Duarte Nuno Simões sobre o conjunto habitacional promovido pela Câmara Municipal do Porto no Monte de São João, Paranhos, Porto, projectado pelos Arquitectos Rui Almeida e Filipe Oliveira Dias, e que foi Prémio do Instituto Nacional de Habitação de Promoção Municipal em 2004. Este artigo foi um dos primeiros editados no Infohabitar, mas é agora acompanhado por uma sequência fotográfica que não pretende acompanhar o texto, mas sim desenvolver uma outra leitura, naturalmente “paralela”, mas feita por outros olhos e numa outra sequência de “passeio” relativamente ao conjunto em análise.

Sublinha-se que a verdadeira leitura desta análise só ficará completa com a visita a este conjunto de realojamento, visita esta que vivamente se recomenda, no entanto o texto incide seja sobre vários aspectos da desejável “fusão” entre a qualidade arquitectónica e a qualidade residencial, seja sobre os modos que podem e devem ser seguidos para um melhor conhecimento das obras arquitectónicas e residenciais, seja também sobre importantes aspectos elementares do próprio desenho da arquitectura urbana; e sobre todos estes aspectos é muito rico o texto que se segue, com o os qual todos ganharemos a partir de uma leitura e reflexão cuidadas.

Lisboa, Encarnação – Olivais Norte, 7 de Março de 2007
António Baptista Coelho





O conjunto de habitações sociais do Monte de São João, um texto de análise de Duarte Nuno Simões,
com fotografias de António Baptista Coelho




O conjunto de habitações sociais do Monte de São João, ultrapassadas as primeiras impressões de claro agrado, revela uma grande coerência quanto aos objectivos que parece terem norteado os seus autores.


Como todas as obras de qualidade o conjunto não revela de imediato os seus “segredos”, antes apela ao nosso interesse em descobri-los, ou seja, de aceitar o jogo de desvendar o que, estando patente, não podemos de imediato, conscientemente, ver…




Da arquitectura deste conjunto dir-se-á que recusa o auto-comprazimento pela forma como fim último e seu principal objectivo. Aqui a arquitectura assume a sua condição mais nobre de espaço da vida dos homens , onde o livre espraiar dos afectos e da solidariedade entre vizinhos será possível. Tal como foi concebido este conjunto não se fecha autisticamente sobre si próprio, antes estimula o encontro, a troca, a convivência dos moradores não podendo prescindir, também, do interesse pelos valores formais, aqui postos ao serviço de uma proposta que assume, deliberadamente, a construção do espaço dos homens, sua finalidade última e imprescindível.

Então a que valores formais me refiro?

Antes de mais à escala do conjunto, à clareza da imagem proposta, ao tratamento dado à praça interna, mas também à simplicidade dos elementos arquitecturais, independentemente da sua importância e à existência de funções complementares integradas no conjunto edificado.




A recusa do modelo do grande bloco em altura, parede intransponível, objecto-obstáculo no qual as pessoas, os moradores, tendem a isolar-se umas das outras, originou um conjunto cujos elementos se desmultiplicaram em vários volumes, articulados em “três blocos que parecem oito”, como dizem os seus autores. Estes ao desconstruirem o modelo do grande bloco, propõem-nos um conjunto à nossa escala, uma arquitectura surpreendentemente jovem e afável. “Três blocos que parecem oito” testemunha a consciência da importância e do empenhamento dos seus autores de resolverem o problema da escala do conjunto, tomado o homem como referência, assumindo também conscientemente a continuidade da memória da cidade feita de edifícios que, sucessivamente, se encostam a outros edifícios, dando origem a praças e ruas.




Refira-se também a clareza com que o conjunto se apresenta a quem desprevenidamente o veja: oito blocos que afinal não são senão três e que determinam e abraçam uma praça interna, organizada em dois níveis principais, tema originador de grande parte da riqueza espacial do conjunto, caracterizado por uma aparente e deliberada simplicidade dos elementos vários que o compõem.

Cada um dos três blocos é servido por uma escada e um elevador e tem, em cada piso, uma galeria coberta que dá acesso a quatro fogos. Ora, a opção pelo uso de galerias não é inocente: é que as galerias acrescentam à sua função imediata de acesso às habitações, aquela outra de se constituírem como elementos de animação, de sinal de vida do conjunto e também como espaços de transição entre os interiores das habitações, quadro da privacidade das famílias e a praça interna quadro possível das mais variadas formas de sociabilidade dos habitantes.




Por isso, pelo discreto e imprevisível espectáculo que as galerias podem suscitar, as suas guardas não se constituíram como defesas opacas, antes protecções que assumem a transparência garantida pelos painéis de rede metálica.

A praça interna, evolução dos antigos logradouros privados dos quarteirões urbanos tornada aqui espaço comum, é um dos elementos que melhor caracterizam, conceptual e formalmente, o conjunto do Monte de São João. De facto, a praça tem todas as condições para estimular e servir de suporte a modos de conviviabilidade entre os habitantes e até entre estes e os habitantes das proximidades. Pense-se como as crianças poderão usar a praça em segurança para os seus jogos e nos contactos que elas induzirão entre os adultos seus familiares!



Outra das características do conjunto corresponde à simplicidade do desenho dos seus elementos mais significantes como sejam as janelas, as guardas das galerias, os óculos que iluminam e assinalam as escadas, a elegância das entradas dos três blocos, a organização dos vários elementos que integram a praça interna e, ainda, o desenho das entradas de luz da garagem colectiva, sem esquecer o cuidado posto na pormenorização dos interiores dos 55 fogos e dos vários equipamentos que integram o conjunto: um ATL, a sede da associação de moradores e da administração do conjunto e três fracções comerciais.


Não gostaria, também, de deixar em claro dois aspectos que considero muito significativos da minúcia e cuidado com que este conjunto foi projectado e realizado. Um, as paredes de fundo das galerias, pintadas cada uma com sua cor pastel, criam uma referência facilmente apreensível sem prejuízo da unidade do conjunto. O outro, a ligeira inclinação, que as afasta de um aparente paralelismo, das paredes dos corpos avançados que rematam os dois blocos e que assinalam a articulação entre os níveis da praça interna: não sendo paralelas, como parecem, as referidas paredes reforçam a continuidade da praça, delimitada e definida pelas frentes que sobre ela abrem, sendo assim a unidade do conjunto salvaguardada e reforçada.




Tudo aqui transmite-nos uma sensação tão evidente de agrado que um esforço de análise mais apurado do que o que tentei pode parecer inútil ou mesmo fastidioso. No fundo ele não vai acrescentar grande coisa ao prazer sentido: tenho presente a reacção de pessoas tão diferentes de formação e, até, de geração como a dos elementos do Júri do Prémio INH 2004 que não se eximiram a espontaneamente manifestar o seu agrado pelas características observadas deste conjunto de habitações sociais.




Toda a verdadeira arquitectura – a verdadeira, aquela que não só parece, mas que é – é um labirinto, convite não só à curiosidade mas à necessidade da descoberta. E o visitante, qual novo Teseu a quem Ariana deu outra vez o prudente fio, poderá encontrar o caminho da saída, daquilo que, escondido, se encontra bem à vista: o caminho de um maior entendimento.




A arquitectura não pode prescindir da sensibilidade nem da inteligência de quem a imagina. Mas uma e outra têm que ser acrescentadas pelo talento. Só assim se garantirá a passagem de um nível honesto mas banal para o desejável grau superior da verdadeira arquitectura assumindo-se então a sua vocação de obra de arte, de contribuição cultural, de marca significante do tempo em que vivemos. Todas essas qualidades o conjunto do Monte de São João no-las revelou.




Lisboa, 06 de Setembro de 2004
Arq. Duarte Nuno Simões

Texto ilustrado e revisto para reedição em 2007-03-07