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quarta-feira, setembro 24, 2025

Contribuições para a Habitação de Interesse Social, hoje, em Portugal – infohabitar # 950

Contribuições para a Habitação de Interesse Social, hoje, em Portugal infohabitar # 950

Informa-se que para aceder (fazer download) do mais recente Catálogo Interativo da Infohabitar, que está tematicamente organizado em mais de 20 temas e tem links diretos para os 922 artigos da Infohabitar, existentes em janeiro de 2025 (documento pdf ilustrado e com mais de 80 pg), usar o link seguinte:

https://drive.google.com/file/d/1vw4IDFnNdnc08KJ_In5yO58oPQYkCYX1/view?usp=sharing

Infohabitar, ano XXI, n.º 950

Edição: quarta-feira 24 de setembro de 2025


Fig. 1: legenda mais abaixo com imagem repetida

 

Importante nota prévia e  informativa

Tal como temos divulgado A GHABITAR promove, a 25 de setembro no CIUL, em Lisboa, das 17:00 às 19:00, um encontro sobre Cooperação na Habitação.

Num tempo de crise habitacional, urge repensar políticas e práticas centradas na solidariedade e na ação coletiva e, por isso, o modelo cooperativo surge como uma das alternativas mais óbvias à especulação e à exclusão. Pretendemos, assim, debater como o ecossistema Estado, privados e terceiro setor olham para esta orientação constitucional e como se pode sair deste impasse em que parece que caímos e que a todos preocupa.

https://www.facebook.com/susana.machado.9047/posts/pfbid0pmriuupFo9MiYGJFXcXPG9JRDwDTTyh3QWGVkWp4686wcUV6A2ATs545Mar6RG7dl


Editorial do n.º 950 da Infohabitar

Caros leitores da Infohabitar,

Estamos juntos há mais de 20 anos e há mais de 950 edições semanais, praticamente sem falhas, sendo a presente edição “oficialmente” a 950ª, pois outras houve não numeradas.

É com uma especial emoção que escrevo estas linhas e é com muita especial emoção que passo os olhos pelos nomes dos 102 amigos e colegas que contribuíram com artigos para esta excelente aventura editorial; uma listagem que está sempre presente na margem esquerda da nossa revista.

O número 950 não é o n.º 1000 de uma revista/publicação, mas aproxima-se “perigosamente” desse marco histórico, que provavelmente acontecerá em inícios de 2027 e que penso deverá merecer uma “festa de arromba”.

Mas 950 edições são realmente um “número redondo”, que dá gosto dizer: 950 edições da Infohabitar - revista semanal – E-zine magazine – sobre o habitat humano, editada à quarta feira, ligada à GHabitar - Associação Portuguesa Promoção Qualidade Habitacional.

Quanto ao artigo de hoje, intitulado “Contribuições para a Habitação de Interesse Social, hoje, em Portugal – infohabitar # 950”, ele mantém (porque houve no último ano outros artigos, que julgo estruturantes, sobre a matéria e que são registados no final do presente artigo com os respectivosblinks) e desenvolve uma reflexão informal sobre este assunto hoje finalmente tão discutido, e uma reflexão que se procurou ser aditiva, cuidadosa e informada, sobre o que julgo dever ser a nova habitação de interesse social portuguesa, apresentando um conjunto de reflexões cujo perfil é identificável no respetivo índice e onde, na prática, tento fazer algumas sínteses possíveis ou “naturais” sobre este assunto.

Quero fazer, ainda, uma nota ,muito especial, para o “artigo/legenda”, que abre esta edição, acompanhando uma imagem do grande, único e atualmente carenciado de reabilitação e divulgação “Olivais Norte Modernista”; uma imagem que quer ilustrar e antecipar, na prática e informalmente, boa parte dos aspetos desenvolvidos no artigo, e cuja legenda foi crescendo, tornando-se um artigo/legenda e antecipando um próximo artigo especifico sobre este excelente bairro lisboeta e português, que muito merece a nossa atenção.

Recebam os meus agradecimentos sinceros pela atenção dedicada a esta linhas e a tantas outras aqui publicadas ao longo de mais de vinte anos da nossa revista semanal infohabitar, que tal como aqui acabou de ser apontado é “nossa” e portanto continua sempre aberta a novas propostas de artigos,

 e recebam, também as saudações muito calorosas, do vosso

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar

Presidente da MAG do GHabitar

Coordenador do CIHEL

Vogal Dir. NHC Social Coop. de Solidariedade


Lisboa, 24 de setembro de 2025


Fig.1

Legenda/artigo a propósito do grande Olivais Norte Modernista 

Como única ilustração deste artigo, mas com uma extensa legenda, que acaba por se assumir como um pequeno artigo dentro do artigo “mãe”, pois acaba por abordar, neste caso na prática, boa parte dos assuntos tratados neste artigo 950, que sintetiza um conjunto de contributos para a melhoria da habitação de interesse social portuguesa, apresenta-se uma imagem que corresponde a um enquadramento fotográfico geral de arquitectura urbana e residencial entre os muitos excelentes enquadramentos fotográficos que são possíveis no Bairro de Olivais Norte em Lisboa (não confundir com Olivais Sul, como por vezes acontece): um enquadramento fotográfico em que surgem duas “categorias” habitacionais entre as quatro (mais uma: I, II, III, IV e HR) aplicadas entre nós até cerca de 1970, e que variavam, essencialmente, na tipologia edificada (alta e baixa altura e respetivamente com e sem ascensores), dimensionamento das respetivas áreas domésticas e na elaboração da respetiva pormenorização, mas “não”, sublinhe-se, nos respetivos aspetos de qualidade arquitectónica global.

Voltando à imagem, na primeira linha de vista temos partes de duas correntezas de edifícios baixos, cuja extrema economia dimensional (fogos e espaços comuns) e construtiva, que integravam a Categoria I, “mínima” (entre quatro mais uma “categorias” de habitação económica, então existentes e até cerca de 1970), não arriscou a sua evidente dignidade e qualidade de imagem urbana – Arquitectura de Braula Reis e João Matoso – e em segunda linha, na imagem, uma torre residencial, que integrava a Categoria II (intermédia nas quatro “categorias” existentes e muito aplicada), uma torre que corresponde a um dos melhores edifícios residenciais jamais construídos entre nós e cuja solução, repetida no bairro, recebeu um Prémio Valmor – Arquitectura de Nuno Teotónio Pereira, António Freitas e Nuno Portas.

Olivais Norte – o “O. Norte Modernista” como irei intitular um próximo artigo – é uma malha urbana e paisagística paisagística com cerca de 1900 habitações, em 40 hectares (cerca de 200 habitantes/hectare, atente-se), teve o seu processo de planeamento pormenorizado dirigido pelo arquitecto-urbanista José Rafael Botelho – baseado num plano anteriormente elaborado pelos arquitectos José Sommer Ribeiro e Pedro Falcão e Cunha – e foi uma intervenção pública e municipal onde se aliaram os esforços dos promotores e técnicos das HE-FCP e do Gabinete Técnico de Habitação da CML, mais alguns outros promotores institucionais e associativos.

Olivais Norte – o “O. Norte Modernista” – é, passados quase 70 anos da sua construção, um exemplo vivo (i) de qualidade da arquitectura urbana residencial e das suas soluções pormenorizadas e diversificadas (em tipologias de edifícios e de fogos), (ii) qualidade da integração sociocultural atingida, (iii) adequação à satisfação residencial já de várias gerações de habitantes, (iv) integração de arte urbana (tão rara mas efetiva e quase generalizada neste bairro), (v) inovadoras soluções urbanas pormenorizadas (espaços mistos peões-veículos entre outros aspetos), (vi) integração valorizada de preexistências, (vii) qualidade construtiva do edificado e dos exteriores, (viii) adequação ecológica e solar dos edifícios (reparem: nos anos de 1960), (ix) e inovadora, mas fundamental, participação da arquitectura paisagista na organização geral da implantação de edifícios e no arranjo pormenorizado dos seus espaços exteriores, ainda hoje inovadores e muito humanizados em muitos aspetos, hoje infelizmente muito deficientes de manutenção.

Quero concluir este pequeno artigo/grande legenda defendendo que este "único" Olivais Norte Modernista é (i) um bairro que merece uma atenção patrimonial e profunda urgente nos vários aspetos das sua imagem urbana (por exemplo, designadamente, através de uma estratégia de gestão que procure aliar moradores, intervenção pública e adequada informação), podendo e merecendo assumir uma importante divulgação europeia como conjunto urbano modernista exemplar (e atente-se nos frequentes visitas que já acontecem frequentemente no bairro) e ainda por cima de habitação de interesse social e (ii) um bairro que não merece a grave deterioração que incide sobre uma parte significativa das suas caraterísticas de imagem urbana e arquitetónica, deterioração essa que decorre, por um lado, das infelizmente bastante generalizadas e negativas apropriações dos moradores em edifícios que são realmente “patrimoniais” (ex., “marquises” sem qualquer uniformidade e cuidado de desenho), e, por outro lado, da crítica deterioração e ausência de cuidados que marca grande parte dos respetivos espaços exteriores públicos, que evidenciam a ausência dos essenciais cuidados regulares públicos de manutenção e, atualmente, mesmo de reabilitação do que eram os seus exemplares espaços exteriores “verdes” e construídos;  e uma situação de grave deterioração de boa parte do exterior público dos Olivais Norte que tem acontecido, de modo evidenciado, nas últimas dezenas de anos; uma situação que deve começar a ser urgentemente revertida com uma gestão adequada e participada e o esforço de todos, públicos e privados, seguindo-se, até, exemplos que penso terem sido já desenvolvidos em Lisboa (em situações que julgo similares, ex., Av.ª do Brasil, numa intervenção praticamente simultânea em edifícios privados e pracetas públicas adjacentes) e, se possível, utilizando-se apoios patrimoniais específicos que porventura existam disponíveis no País e a nível da UE, e desenvolvendo-se intervenções estrategicamente faseadas em diversas áreas do bairro, aproveitando-se para procurar resolver, cuidadosamente, problemas pontuais existentes (ex., falta local de estacionamentos, falta de mobiliário urbano e falta de equipamentos de campos de jogos, bem como  outros aspetos a identificar e onde se salienta a necessidade de um cuidadoso replantio das espécies vegetais originariamente escolhidas, apenas com alterações bem justificadas por aspetos de saúde, como as alergias).

Quem queira visitar o O Norte Modernista, ainda bem impactante na sua vivência e imagem, não ficará desiludido e pode até ir de Metro até à estação da Encarnação que se situa no centro de Olivais Norte e onde poderia e deveria ser instalado um pequeno e prático “centro” informativo e de divulgação sobre o Bairro, desde que, naturalmente, integrado numa sua urgente ação de reabilitação, regeneração e divulgação. 


Contribuições para a Habitação de Interesse Social, hoje, em Portugal infohabitar # 950

António Baptista Coelho


Índice

1. Breve introdução a uma abordagem específica sobre a habitação de interesse social

2. Importância da consensualização sobre as caraterísticas básicas ou essenciais do habitar/ habitação

3. Sobre o vital combate à uniformização e consequente estigmatização da habitação de interesse social, fazendo-se boa habitação de interesse social

(i)             Gestão

(ii)           Tecnologia e industrialização da construção

(iii)          Durabilidade construtiva e “no uso”

(iv)         Projeto

(v)           Tipologias

(vi)         Aspetos regulamentares

(vii)        Reabilitação habitacional

(viii)      Acesso à habitação de interesse social

4. Sobre a aliança  entre satisfação residencial e qualidade arquitectónica e como a garantir

5. Breves notas sobre a urgência da disponibilização de novas formas de habitar

6. Algumas poucas notas práticas sobre a atualidade da urgente promoção de habitação de interesse social em Portugal

Anexo: Artigos do autor sobre habitação de interesse social em Portugal editados na Infohabitar em 2025

 

1. Breve introdução a uma abordagem específica sobre a habitação de interesse social

Numa altura em que todos falam de habitação e de “habitação social”, sendo que alguns dos que delas falam pouco mais sabem do que aquilo que perguntaram “oportunamente” a assessores eles próprios frequentemente muito mal informados sobre essas matérias, parece valer a pena continuar a editar várias reflexões sobre o assunto habitacional e sobree a atual crítica carência de habitação de interesse social portuguesa e europeia, privilegiando-se a experiência adquirida, no meu caso ao logo de uma vida de trabalho, e numa perspectiva ponderada, portanto, teórico-prática (ou vice-versa) e baseada em diversas facetas de abordagem.

Neste sentido têm sido editados, “desde sempre” (desde há cerca de 20 anos), na Infohabitar artigos de muitos autores e designadamente de colegas do GHabitar (antigo Grupo Habitar) sobre as matérias habitacionais e sobre as questões mais específicas ligadas à urgente promoção de habitação de interesse social em Portugal e ao papel dos arquitectos ou da Arquitectura nesta urgente problemática.

O presente artigo é também uma contribuição com esse objetivo geral e enquadrado na perspetiva do que que se julga poder ser a utilidade dos conhecimentos habitacionais condensados nos membros do GHabitar; mas, evidentemente, não deixando de ser uma reflexão fortemente pessoal e realizada num sentido da minha experiência pessoal e de vida no âmbito do estudo teórico-prático da qualidade habitacional e dos aspetos que julgo deverem caracterizar a habitação de interesse social, procurando-se uma faceta de análise ampla, onde deve prevalecer o duplo objetivo da satisfação dos habitantes e da qualidade arquitetónica culturalmente valorizadora. A minha formação em Arquitectura está, evidentemente, sempre presente, mas procuro, sempre, algum equilíbrio com a condição de habitante e mesmo de participante ativo na valorização do habitar, neste caso aplicando naturalmente a minha ligação, de longa data, à Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).

Falta dizer que esta é mais uma reflexão, aditiva a uma série de muitos artigos que  já publiquei; mas talvez seja uma reflexão especialmente abrangente e que procurei ser identificadora de renovados caminhos de análise, estudo e divulgação.

2. Importância da consensualização sobre as caraterísticas básicas ou essenciais do habitar/habitação

Penso que, em primeiro, lugar seria muito importante haver uma reflexão, o mais possível, consensual sobre o que entendemos por “habitação” ou “habitar”, no sentido de, por uma vez:

(i)  por um lado, afastarmos os “fantasmas” da repetição “nauseante” de soluções de alojamento tendencialmente “todas iguais”, interior e exteriormente, fortemente uniformizadas, tendencialmente uniformizadoras dos modos de habitar de quem lá vai viver, e sem quaisquer aspetos de incentivo à identidade local, e o que dizer à apropriação pessoal dos conjuntos e espaços residenciais;

(ii)  e, por outro lado, entendermos a habitação como algo que se passa entre o espaço pessoal de cada um em sua casa e o espaço urbano citadino que é de cada um mas também é de todos, e entre estes dois “pontos” do “tabuleiro” do jogo urbano, que deve ser um “jogo”, bem conjugado e sequenciado, a habitação deverá também passar-se nas vizinhanças e nos vitais espaços de relação, transição e coesão entre todas essas dimensões residenciais; os tais espaços que só existem na arquitectura de qualidade e que aliás são os elementos fundamentais da Arquitectura, na opinião de grandes mestres.

Antes de avançar mais um pouco nestas matérias que são vitais para (i) a coesão urbana física/funcional, (ii) para a integração/coesão social e para a (iii) própria coesão de imagens e caraterísticas específicas de cada sequência e de cada sítio urbanos, penso que é essencial contribuir para a construção, consolidação e consensualização desta base de entendimento geral sobre o que pode e deve ser entendido como habitação e habitar; um habitar cuja caraterização geral e aspetos essenciais de constituição valham para todos nós “habitantes”, desde o mais rico e autónomo ao mais pobre e carente de apoios; e não tenhamos qualquer dúvida que é possível fazer habitação de interesse social com uma qualidade arquitectónica residencial equiparável à existente numa habitação dita de luxo, onde, aliás, por vezes, tal qualidade é, até, muito discutível, pois ela não depende apenas de quantidades de áreas e de custos de acabamentos.

Pormenorizando um pouco matérias, cada uma delas apaixonante e muito ampla, lembremos que é essencial sentirmo-nos identificados com o sítio onde habitamos, com o edifício que habitamos e com os espaços domésticos que habitamos, para que tais condições influenciem, positivamente, a nossa vida individual, familiar e de vizinhança, e por aqui chegamos à bem discutida e fundamentada noção de que o “habitar” tem a ver com “apropriar/marcar” e ser, “mutuamente” e também, bem marcado pelos aspetos que caraterizam especificamente os sítios que habitamos. E, naturalmente que tal não é possível com repetições “doentias” e tantas vezes mal concebidas, de edifícios, de agrupamentos de edifícios e de soluções de fogos onde apenas varia a “ala” de quartos (mais ou menos alongada), estando o resto da casa funcionalmente imutável desde há cerca de um século, imagine-se; repetições estas que, no limite, irão fazer apagar qualquer sentido de pertença e de identidade e que anularão qualquer possível perspetiva de influência positiva desse quadro arquitectónico no nosso dia-a-dia e na nossa perspectiva vivencial e urbana.

E atenção que não se quer discutir aqui a bem conhecida questão da influência, maior ou menor, do nosso meio de vida diário no comportamento; que, sabemos, será maior ou menor consoante diversas variáveis socioculturais, de integração global urbana e de boa acessibilidade da intervenção, da sua gestão local e da respetiva qualidade física e visual concreta do espaço arquitectado (incluído evidentemente as questões de acessibilidade); mas julgo que ninguém discute que tal influência existe realmente e que um conjunto residencial bem qualificado em todos esses aspetos terá sempre influências (muito) positivas nos seus moradores; assim como a situação contrária terá, naturalmente, influências sociais e comportamentais (muito) negativas e pouco antecipáveis.

Por outro lado, por favor não se usem as velhas desculpas da repetição das soluções ser a panaceia da habitação de interesse social, porque redutora dos seus custos; porque, evidentemente, não se defendem projetos individualizados, mas apenas conjuntos de projetos específicos para cada intervenção, bem integrados em termos das suas componentes edificadas e de espaços de uso público, e com uma dimensão social (n.º de fogos) não excessiva em cada intervenção – ainda que, por exemplo, a mesma intervenção possa até ser repartida por diversas localizações mais ou menos próximas e utilizando, basicamente, os mesmos projetos.

E nada disto é novo, a Federação de Caixas de Previdência (FCP) e o Instituto Nacional de Habitação (INH/IHRU) fizeram-no, em Portugal. em dois quartos de século, a primeira a partir de cerca de 1940/5 e o segundo a partir de 1984/5; sendo que no caso do INH este instituto assegurou a concretização de uma grande quantidade de conjuntos habitacionais em colaboração com o Estado Central, mas diretamente promovidos, com estratégica autonomia, por Cooperativas, Municípios e Empresas, desmultiplicando, diversificando e adequando localmente as soluções habitacionais e assegurando, então, a resolução do que na altura era uma muito crítica falta de habitação em Portugal.

3. Sobre o vital combate à uniformização e consequente estigmatização da habitação de interesse social, fazendo-se boa habitação de interesse social

Repete-se que a habitação não fica mais barata por ser “doentiamente” repetida, fica mais barata se for bem projetada, e usando-se, por exemplo, soluções repetidas de vãos exteriores muito bem concebidos, bem como um amplo leque de outras soluções construtivas bem desenvolvidas e aplicadas e, sim, repetidas, mas em conjuntos não quantitativamente excessivos e/ou concentrados e/ou muito próximos, e bem caraterizados por aspetos formais cuidadosamente variados em diversos elementos estruturantes e pormenorizados como são, por exemplo, as agregações modulares, as cores e as texturas, os tipos de revestimentos, os elementos “anexados” especializados e ainda outros elementos que fazem o abecedário dos bons projectistas, que por vezes os consideram “pequenos segredos” de conceção com os quais fazem soluções residenciais de baixo custo, com repetições que não parecem sê-lo e até, por vezes, inventando novos elementos e aplicando fortes ligações com a escala humana.

Esta matéria liga-se, ainda, a outros aspetos/questões fundamentais na promoção de habitação dita de baixo custo, que aqui serão apenas minimamente apontados, mas cuja importância pode ser, provavelmente, idêntica aos aspetos projetuais acima salientados – e naturalmente, assume-se o cumprimento de aspetos essenciais de conforto ambiental, poupança energética e segurança geral e contra incêndios:

(a ordem dos seguintes aspetos, “i a ix”, é razoavelmente aleatória)

(i) A questão estruturante da gestão, o mais possível integrada, de todo o processo do chamado “realojamento” ou da promoção de habitação de interesse social, que deveria aprender com o processo cooperativo da FENACHE, com algumas soluções de aliança com o setor privado em Contratos de Desenvolvimento de Habitação e, naturalmente, com alguns processos exemplares de promoção municipal por parte de determinados municípios perfeitamente identificáveis; pois não faz sentido segmentar todo este processo quando muito ganhamos com a máxima relação entre as suas diversas etapas, incluindo naturalmente a gestão de proximidade a realizar após a ocupação – e sobre esta matéria chama-se a atenção para o artigo sobre o bairro cooperativo do Vale Formoso de Cima em que colaborei com o Presidente da FENACHE, Manuel Tereso e cujo link se encontra no final deste artigo.

(ii) A questão bem atual de uma adequada tecnologia e industrialização da construção, ligada ao mundo dos aspetos da falta de mão de obra qualificada e mesmo de opções essenciais em termos de tipologia construtiva (mais mão de obra pouco qualificada ou menos mão de obra mais qualificada e aplicando processos menos “rústicos”); e nesta matéria há soluções “antigas” de industrialização construtiva, como as aplicadas pela Icesa, que importa revisitar, assim como outros caminhos de prefabricação total ou parcial; e tudo isto numa ligação íntima com os novos processos de projeto e provavelmente com as soluções BIM.

(iii) A questão, essencial, da durabilidade construtiva e “no uso” da habitação de interesse social, não sendo mesmo de admitir que em qualquer promoção residencial apoiada pelo Estado estes níveis de durabilidade construtiva e no uso e de associados excelentes critérios de funcionalidade e economia na manutenção não sejam garantidos a um nível de grande exigência e tendo-se em conta potenciais usos muito deficientes e até agressivos; e isto tem tudo a ver com os aspetos anteriormente apontados da gestão e da tecnologia e industrialização da construção e respetivos custos, pois estes custos devem ser considerados numa perspectiva de longo prazo, incluindo portanto respetivos aspetos de manutenção e eventual reabilitação, e tendo em conta usos potencialmente agressivos no que se refere à funcionalidade e ao aspeto dos respetivos elementos construtivos e de equipamento da habitação.

(iv) A questão do projeto e aqui não me refiro ao de Arquitectura especificamente, mas a todo o projeto que pode e deve aproveitar, ao máximo, as novas ferramentas digitais, tanto num evidente sentido de essencial eficácia, rigor e, consequente, controlo de qualidade e de custos finais, mas também do grande potencial que existe para uma relativa mas expressiva diversificação de soluções finais, mas usando “módulos” e “pacotes” de “micro-soluções” residenciais e construtivas estes sim racionalmente tão repetidos, como fiáveis, provados e eficazes; criando-se soluções aparentemente únicas e bem caraterizáveis feitas com elementos estandardizados e portanto económicos e qualitativamente garantidos, e com  bases de projeto bem provadas e experimentadas, o que sem dúvida reduzirá custos sem se reduzir a qualidade geral e final das soluções; antes pelo contrário.

(v) Relacionada com o projeto mas também com a gestão geral e com o ordenamento territorial temos a questão das opções básicas por tipologias de edifícios em altura ou, preferencialmente e, quando em ações de realojamento mais complexas, sempre que possível, de baixa altura e densificados, proporcionando-se, com estes últimos, soluções mais apropriáveis, menos dependentes de dispendiosos equipamentos como ascensores, muito mais amigas de uma gestão mais económica a prazo e, suplementarmente, proporcionando, tendencialmente soluções urbanas com maior relação entre espaços públicos e vistas domésticas, o que é, sem dúvida, uma condição de maior segurança natural no uso do exterior público. Tais opções também têm a ver com a coragem de se alterarem regulamentações locais, mudando-se tipologias edificadas, e densificando-se estrategicamente, aproveitando-se para vitalizar localmente e avançando-se na essencial integração e “dispersão” de variados grupos socioculturais, e diversificação de vários tipos e soluções de habitação de interesse social, caminho este que deveria ser, finalmente, seguido em Portugal – penso que nunca o foi de forma sistemática nas últimas dezenas de anos, mas esta é mais uma daquelas matérias que nos leva longe e há que fazer justiça aos mais de 25 anos de dispersão de pequenos conjuntos de habitação de interesse social apoiados pelo INH/IHRU.

(vi) Esta última grande questão ligada às opções tipológicas da habitação de interesse social prende-se, como é evidente, com aspetos regulamentares gerais – desde os de ordenamento urbano aos construtivos e dimensionais; uma perspetiva que nos levaria muito longe, mas onde ficamos, para já, apenas, com os seguintes apontamentos práticos e, repito, pessoais:

(a) as alterações na ocupação urbana são vitais, não só porque permitirão fazer habitação de interesse social onde será mais bem-vinda em termos urbanos, mais integrada, mais acessível relativamente a transportes públicos e potencialmente muito mais ligada à cidade, porque inserível em “pequenos conjuntos” e até em edifícios que preencham pequenos vazios urbanos, diluindo-se positivamente os novos habitantes em vizinhanças preexistentes e que, por sua vez, ganhem equipamentos com estas novas intervenções; este tipo de alterações que também pode e deve poder modificar tipologias de edifícios previstas em cada local é já um dado adquirido em muitos países europeus: “ver para crer”, e não tenhamos dúvida que este caminho é essencial no sentido de se proporcionarem terrenos a custos reais que viabilizem a promoção de habitação de interesse social financeira e socialmente sustentável;

(b) no que se refere às questões de regulamentação geral da construção de habitação de interesse social, julga-se que esta terá de ser drasticamente simplificada não perdendo, evidentemente, quaisquer aspetos essenciais de qualidade e de segurança, mas proporcionando, talvez, diversos níveis de soluções finais em termos de áreas e de tipos de acabamentos – e afinal tal condição já quase existe atualmente por exemplo com o designado Estatuto Fiscal Cooperativo que proporciona fogos um pouco maiores e naturalmente com menores apoios oficiais. Não se trata aqui, penso eu, de voltar às antigas Categorias (I a IV, mais HR) realizadas pelas Habitações Económicas, mas se olharmos para o que então foi feito encontramos extraordinárias soluções residenciais feitas com áreas realmente mínimas e que resultaram de forma esplêndida e aliás servindo já várias gerações. Por aqui fico, para já, nesta sensível matéria que muito tem a discutir, mas julgo que exigir o que atualmente se exige, globalmente, à habitação de interesse social e simultaneamente querer baixar-lhe o custo por metro quadrado, só numa história de ficção, é o que penso.

(vii) Importa ainda acrescentar como aspeto/questão fundamental na promoção de habitação dita de baixo custo a positiva aplicação de boas soluções de espaços públicos, desde a sua estruturação geral e clara ao seu adequado acabamento, lembrando-se aqui que esta questão foi uma das essenciais na elaboração da nova fase de habitação de interesse social portuguesa com o INH em 1984. Não deveria ser possível e não é realmente possível habitar espaços residenciais inacabados, assim como não é nada recomendável fazerem-se conjuntos ditos urbanos cujos espaços públicos não tenham “forma”, continuidade, usos concretos, ligações urbanas, visibilidade natural a partir das habitações contíguas, verde urbano expressivo e viável e adequada gestão corrente; e além de tudo isto é possível avançar em tipologias de exteriores de relação entre espaços privados e espaços públicos. O que não é aceitável é que o exterior dito público seja tendencialmente residual e/ou contenha espaços residuais, “escondidos” e facilmente deteriotados.

(viii) Neste conjunto de questões/aspetos fundamentais na promoção de habitação dita de baixo custo quero ainda referir, sinteticamente, que na minha opinião será muito difícil aplicar a tão necessária reabilitação habitacional na resolução do urgente problema de necessidades quantitativamente críticas de habitação de interesse social, isto porque não temos, ainda, parâmetros verdadeiramente confiáveis sobre o custo da reabilitação, e se na construção nova sabemos com o que contamos e temos o problema que temos, o que dizer da reabilitação? Isto não inviabiliza o avanço nesta área mas enquadra-o de forma estratégica e neste mesmo sentido seria, de uma vez, essencial fazer em Portugal o que foi feito há anos em Espanha no sentido de se apurarem e de forma extremamente prática o que podem ser as “condições básicas de habitabilidade” de fogos reabilitados e atenção, consulte-se a legislação espanhola (regionalmente elaborada) pois o que foi considerado “básico” é MESMO básico. Mas de qualquer forma e embora este caminho do uso da reabilitação na satisfação das urgentes necessidades de habitação de interesse social seja bem importante, designadamente na revitalização social diversificada do centro mais antigo das povoações e cidades, ele será sempre marginal face aos deficits de habitação de baixo custo existentes.

(ix) Julgo, ainda, que o acesso à habitação de interesse social deve ser geral e possível a qualquer pessoa ou agregado familiar, independentemente do seu rendimento, sendo que as respetivas condições de pagamento (renda ou compra), deverão ser adequadamente fixadas e as condições de “reserva” da propriedade deverão também ser claramente definidas e cumpridas, não sendo de aceitar qualquer tipo de especulação realizado com base em habitações desenvolvidas com apoios do Estado central e dos Municípios. Naturalmente que determinados tipos de promoção de habitação de interesse social, como os desenvolvidos por cooperativas e por empresas, serão mais adequados a esta faceta da oferta de habitação de interesse social, tal como foi aliás atrás apontado para o caso existente do Estatuto Fiscal Cooperativo – provavelmente habitações um pouco mais espaçosas e pormenorizadas em termos de acabamentos, mas também com maior custo e igualmente com as semelhantes limitações em termos de propriedade.

Quanto ao escalonamento da atribuição de habitação penso que, em situações correntes (ex., que não de “calamidade” por exemplo), todas as pessoas e agregados familiares dos mais diversos grupos socioculturais e etários com carências habitacionais críticas, que não tenham condições próprias suficientes para solucionarem a sua falta de habitação devem ser apoiados em total igualdade de condições, considerando-se, designadamente, o que poderemos resumir como a data da respetiva inscrição no município respetivo e os respetivos regulamentos de atribuição de fogos, não sendo aceitáveis quaisquer alterações a essa ordem de indicação de carência. O que aliás penso ser a situação vigente.

(x) (perdoem esta inserção, mas é apenas para reforçar que considero este conjunto de aspetos/questões que fundamentais na promoção de habitação dita de baixo custo como um tema razoavelmente “em aberto”)

4. Sobre a aliança entre satisfação residencial e qualidade arquitectónica e como a garantir

Voltando, agora, mais à área especificamente arquitectónica do habitar e especificamente da habitação de interesse social, quero avançar um pouco na relação entre o que se “oferece” em termos de habitar aos moradores de conjuntos de habitação de interesse social, ou o que se lhes tem proporcionado em termos por um lado de satisfação habitacional global (do fogo(habitação à integração urbana) e, por outro, do que podemos considerar como uma qualidade arquitectónica mais específica e mais ligada ao próprio “desenho” destas soluções.

É daqueles temas sobre os quais se devem fazer “teses” e boas “teses”, e será aqui apenas aflorado no sentido de podermos considerar, até, que a satisfação habitacional integra totamente a questão da qualidade arquitectónica, e sou levado a defender esta posição, que é complexa, sem dúvida, mas que adianta para a mesa da concepção (estirador e monitor) os equilíbrios possíveis e os equilíbrios propostos entre o que sabemos satisfazer uma boa parte dos habitantes – e sabemos ainda pouco sobre o assunto – e as matérias mais do “desenho”, da forma e seus equilíbrios, que são também matéria bem efectiva da Arquitectura, como é evidente.

Podemos apontar que será sempre essencial considerar o que sabemos sobre as questões da satisfação residencial - por exemplo nas análises pós ocupação realizadas desde C. Alexander cerca de 1975 até muitos colegas arquitectos brasileiros com uma natural destaque para a Prof.ª Sheila Ornstein, passando também pelas análises que coordenei no saudoso Núcleo de Arquitectura do LNEC há cerca de 20 anos, e que aqui várias vezes tenho lembrado; e será também sempre essencial LER a sério os escritos dos bons projetistas arquitectos que escreveram sobre o assunto e são alguns, leituras estas que não são possíveis através de “resumos” informatizados disponíveis na WWW, mas que existem em “livros” que é urgente ler: e evidentemente ler também outras especialidades que abordam a satisfação habitacional com autores nas áreas da medicina, da engenharia, da filosofia, da geografia e da sociologia, por exemplo; e estes também não se encontram nas súmulas rápidas existentes na WWW; perdoem-me esta posição mas é preciso pôr “os pontos nos is”, sobre aspetos tão importantes como estes.

E é também igualmente importante ASSUMIR plenamente as matérias intimamente ligadas ao projeto arquitectónico residencial e à concepção de arquitectura habitacional, como? Lendo os respetivos projetistas que escreveram sobre o assunto, estudando os seus projetos, visitando as melhores obras, considerando uma essencial lógica de projetos de referência e procurando discutir, divulgar e consensualizar conclusões ainda que parciais e temporárias; e nada disto é novo, mas dá trabalho e é urgente.

E em seguida fazer a fusão possível entre satisfação e “desenho” e ter a coragem para depois “voltar ao local do crime” (o conceito não é meu) e tirar daí as devidas ideias, divulgá-las e aplicá-las nas próximas obras.

Se perguntarem como será possível avançar num processo deste tipo, que procure assegurar o melhor equilíbrio possível entre satisfação e desenho, que procure assegurar o melhor possível a melhor qualidade residencial a partir de uma dada atribuição projetual? Não penso que existam soluções garantidas, mas talvez existam soluções fiavelmente aproximadas, talvez num caminho essencialmente “curricular”, devidamente matizado pela introdução de novos projetistas e devidamente equilibrado no que se refere à atribuição de agrupamentos residenciais de maior ou menor dimensão consoante a respetiva relevância curricular e prática residencial e designadamente em habitação de baixo custo (e isto faz-se por essa Europa fora, desde há muito tempo e também por cá se fez). Agora não tenho dúvida que é matéria que não podemos deixar quase “ao Deus dará”, e há excelentes exemplos de concursos cuidadosos e muito bem fundamentados que resultaram de forma extraordinária, tal como aconteceu há bem pouco tempo em Lisboa nos mais de 800 fogos do  Bairro Cooperativo do Vale Formoso de Cima e em outros grandes conjuntos cooperativos em todo o País – e aqui na Infohabitar há artigos sobre este assunto específico.

5. Breves notas sobre a urgência da disponibilização de novas formas de habitar

Não poderia concluir esta reflexão sem uma referência específica à importância de se avançar corajosamente no apoio e na disponibilização de novas ou renovadas formas de habitar em privado e em coletivo, numa perspetiva que é essencial após mais de um século de “regulamentação” habitacional estritamente funcionalista, sendo que quando estas ferramentas funcionalistas são estudadas e aplicadas por especialistas com uma adequada e ampla formação cultural e/ou por arquitectos projetistas com idênticos conhecimentos, essa funcionalidade fica traduzida num respeito pelo essencial dessa funcionalidade, que dá até, por vezes, primazia a outros aspetos organizadores domésticos e edificados, como os hábitos e os desejos e modos de habitar específicos; mas quando tais aspetos “funcionalistas” são aplicados correntemente por projetistas sem essa formação e/ou preocupação, o resultado é quase sempre maquinal e estereotipado, tornando-se, por exemplo, as recomendações “regras” e os mínimos as medidas “obrigatórias”.

Sendo assim e como devemos avançar para ideias que tenham um máximo de aplicação prática será muito desejável que se desenvolvam recomendações técnicas específicas direcionadas para uma “crítica” ponderada e exemplificada aos excessos funcionalistas  e para o apoio concreto a “novas formas de habitar”; caminho este que fica ainda mais atual quando acolhemos tanta gente de tantos sítios do mundo.

E há uma renovada forma de habitar que merece atenção urgente e específica, antes que se torne mais uma nova “mergência”, trata-se da “habitação intergeracional”, uma solução de habitação que alia fogos privados e diversificados a um conjunto de espaços e equipamentos comuns de apoio diverso pessoal e social e que deverão acolher uma parte significativa das pessoas que integram a “revolução grisalha”, mas de um modo perfeitamente integrado com outros grupos etários, outros gostos e necessidades habitacionais e, até, outras tipologias habitacionais, sendo essencial que esta nova oferta habitacional seja também integrada no âmbito da habitação de interesse social; e aliás há já, felizmente, excelentes exemplos práticos nacionais deste tipo de soluções de habitar.

6. Algumas poucas notas práticas sobre a atualidade da urgente promoção de habitação de interesse social em Portugal

Um aspeto bem importante que ainda gostaria de abordar neste artigo “de síntese”, é a questão da urgência da falta de habitação de interesse social ligada à continuidade da sua discussão em termos de objetivos de qualidade; discussão esta que aqui tenho estado a desenvolver.

Penso, sinceramente, que é ainda bem oportuno continuar a refletir sobre os aspetos que se julga deverem marcar a conceção e o desenvolvimento da habitação de interesse social em Portugal; temo-lo feito desde sempre aqui na Infohabitar, revista semanal que iniciou a sua edição há cerca de 20 anos, e temos redinamizado tais edições desde há cerca de dois/três anos, quando a urgência da promoção de habitação de interesse social se revelou publicamente mais evidente.

Não é portanto de agora, nem de “ontem”, que aqui tentamos proporcionar ideias e exemplos de como melhor fazer habitação de interesse social em Portugal, nem este artigo será o último a abordar estas matérias: longe disso; nem a discussão sobre esta matéria se esgotará proximamente: longe disso; nem infelizmente as carências habitacionais portuguesas mais urgentes serão magicamente resolvidas em poucos anos; e há portanto tempo para melhorar, fundamentadamente, na promoção de habitação de interesse social; mas há que ter vontade política e técnica para assim avançar; há que ter vontade política e técnica para revisitar o que de melhor se fez no passado em habitação em Portugal; há que ter vontade política e técnica para não mais repetir os erros feitos em habitação de interesse social, entre nós, especialmente na década de 1970 e também pontualmente em casos posteriores; e há que ter a vontade política e técnica para avançar com um pacto de regime sólido que garanta este caminho quantitativo e qualitativo na habitação de interesse social portuguesa através de várias legislaturas, mantendo-se a promoção de habitação de interesse social ativa anualmente e cumprindo regras estáveis  e utilizando renovadas e eficazes estruturas operacionais de enquadramento, talvez à imagem de  como se montou o INH em 1984.

E a Infohabitar acolhe aqui as vossas contribuições sobre esta matéria e este problema que são de todos nós.

 

Lisboa/Encarnação e Casais de Baixo/Azambuja

Setembro de 2025

António Baptista Coelho

 

Artigos de ABCoelho sobre habitação de interesse social em Portugal editados na Infohabitar em 2025; o primeiro artigo tem como primeiro autor Manuel Tereso

(Lista bibliográfica com links para os respetivos artigos na Infohabitar)

Entre a gestão global e o projeto de arquitectura urbana, o caso do Vale Formoso de Cima em Lisboa, um Bairro de Habitação a Custos Controlados de Promoção Cooperativa - Infohabitar # 926

Sobre os “anos dourados” das cooperativas de habitação económica, antes do INH (ed. revista e aumentada) – infohabitar # 932

Os Anos Dourados da Habitação a Custos Controlados (HCC) apoiada pelo INH/IHRU – nova edição, revista, com Editorial sobre a importância das Cooperativas de Habitação Económica – infohabitar # 937

Contribuir para a qualidade da nova Habitação de Interesse Social Portuguesa – nova edição, revista, com novo Editorial – infohabitar # 939

Do bairro aos espaços domésticos da Nova Habitação de Interesse Social Portuguesa – nova edição, revista, com novo Editorial – infohabitar # 940

Recomendações para a Nova Habitação de Interesse Social Portuguesa – edição revista com Editorial – infohabitar # 941

Notas recomendativas para a Nova Habitação de Interesse Social Portuguesa – infohabitar # 942

Habitação de Interesse Social e Verdadeiro Direito à Habitação e à Cidade – Infohabitar # 943

 

Notas editoriais gerais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

(iv) Oportunamente haverá novidades no sentido do gradual, mas expressivo, incremento das exigências editoriais da Infohabitar, da diversificação do seu corpo editorial e do aprofundamento da sua utilidade no apoio à qualidade arquitectónica residencial, com especial enfoque na habitação de baixo custo.

Contribuições para a Habitação de Interesse Social, hoje, em Portugal infohabitar # 950

Informa-se que para aceder (fazer download) do mais recente Catálogo Interativo da Infohabitar, que está tematicamente organizado em mais de 20 temas e tem links diretos para os 922 artigos da Infohabitar, existentes em janeiro de 2025 (documento pdf ilustrado e com mais de 80 pg), usar o link seguinte:

https://drive.google.com/file/d/1vw4IDFnNdnc08KJ_In5yO58oPQYkCYX1/view?usp=sharing

Infohabitar, ano XXI, n.º 950

Edição: quarta-feira 24 de setembro de 2025

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo pelo LNEC.

abc.infohabitar@gmail.com

 Os aspetos técnicos do lançamento da Infohabitar e o apoio continuado à sua edição foram proporcionados por diversas pessoas, salientando-se, naturalmente, a constante disponibilidade e os conhecimentos técnicos do doutor José Romana Baptista Coelho.

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).

quarta-feira, março 12, 2025

Desafios e Vantagens das Cooperativas de Habitação Económica em Portugal - Infohabitar # 930

Desafios e Vantagens das Cooperativas de Habitação Económica em Portugal - Infohabitar # 930 

Informa-se que para aceder (fazer download) do mais recente Catálogo Interativo da Infohabitar, que está tematicamente organizado em mais de 20 temas e tem links diretos para os 922 artigos da Infohabitar, existentes em janeiro de 2025 (documento pdf ilustrado e com mais de 80 pg), usar o link seguinte:

https://drive.google.com/file/d/1vw4IDFnNdnc08KJ_In5yO58oPQYkCYX1/view?usp=sharing

Infohabitar, ano XXI, n.º 930

Edição: quarta-feira 12 de março de 2025

 

Fig. 0: a partir de cerca de 1976, projeto-tipo que integra o excelente “bairro jardim” da Cooperativa As Sete Bicas em Matosinhos, Carriçal, Arq.os Eduardo Iglésias e Pedro Mesquita – a Cooperativa As Sete Bicas celebra 50 anos de vida em 2025.

 

Editorial

Caros leitores da Infohabitar,

Lembrando que em 2025 se comemora o Ano Internacional das Cooperativas, e citando: “Ao longo de 2025, a ONU pretende incentivar os países-membros da organização a adotarem medidas que fortaleçam o movimento cooperativista, dando visibilidade para ser reconhecido como o caminho para a distribuição de renda, geração de empregos e aumento da prosperidade de pessoas no mundo todo”, sendo que se recomenda o acesso ao portal da Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES), em https://cases.pt/aic25/ onde informações mais completas sobre esta matéria estão disponíveis,

faz-se no presente artigo um comentário, que se pretende que seja bastante prático, sobre o papel que as Cooperativas de Habitação Económica – organizadas no âmbito da Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) – podem ter, em Portugal, no combate à falta de habitação com qualidade e custos controlados, um papel com muitos benefícios, em primeiro lugar, para os habitantes cooperativistas que assim podem obter melhor habitação e melhor habitar (habitação, vizinhança e cidade) com melhores custos, mas também para o Estado que assim consegue desmultiplicar a promoção de habitação com verdadeira qualidade e custos controlados e, finalmente, para a sociedade, que assim consegue obter um crescimento consolidado de bom habitar e de melhor cidade, com excelentes vizinhanças e adequada gestão.

O artigo está sinteticamente ilustrado, com alguns casos de referência habitacionais e urbanos de promoção cooperativa, que evidenciam a cada ano que passa uma melhor qualidade residencial, organizados cronologicamente, sendo o último um caso de promoção cooperativa ainda em acabamento no que se refere à sua última fase construtiva (zona Poente do Bairro Cooperativo do Vale Formoso de Cima, em Lisboa); muitos outros bons exemplos existem, naturalmente, disseminados por todo o Portugal.

Azambuja e Lisboa, editado em 12 de março de 2025

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar, Presidente da MAG da GHabitar, investigador principal com habilitação em Arquitectura e Urbanismo (LNEC), doutor em Arquitetura (FAUP), Arquiteto (ESBAL), Vogal Dir NHC Social Cooperativa de Solidariedade.


Nota editorial: as matérias ligadas à Habitação Intergeracional Participada serão retomadas muito em breve.


Desafios e Vantagens das Cooperativas de Habitação Económica em Portugal -Infohabitar # 930 

Manuel Tereso (Presidente da Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica FENACHE)

António Baptista Coelho (arq.º, doutor em Arquitectura, investigador habitacional e cooperativista)

Objetivos da promoção Cooperativa de Habitação Económica e sua história recente em Portugal

No que se refere aos objetivos que podem ser assegurados por uma cooperativa de habitação eles são múltiplos e vão corresponder aos perfis específicos que as caracterizam, desde a simples associação de um conjunto de cooperantes que se associam para poderem poupar na construção das suas habitações e, talvez tão importante como isso, poderem formatar um edifício e uma solução habitacional às suas necessidades, às suas disponibilidades financeiras e aos seus modos de vida e  mesmo até, um pouco, aos seus sonhos residenciais, mas naturalmente desenvolvendo um processo que fica concluído quando a respetiva obra termina, até soluções mais institucionais e adequadas a apoios do Estado, e portanto regulamentadas, designadamente, em termos de áreas máximas e custos máximos, em que Cooperativas de Habitação Económicas, que são entidades sem fins lucrativos, promovem conjuntos residenciais onde se procura maximizar uma aliança entre aquele tipo de objectivos – habitação mais barata do que a disponível no mercado, porque sem margem de lucro, e com características vivenciais adequadas – , mas caraterizados por um processo promocional que não se esgota em cada conjunto residencial concluído, marcado, assim, por um evidente objetivo social amplo, oficialmente regulado pelo Estado num amplo leque de aspetos com destaque para as respetivas áreas e custos finais, e um processo que é de “portas abertas”, sendo as únicas regras a ordem de inscrição e as quotas mensais, mais os respetivos regulamentos cooperativos bem clarificados, assegurando-se, deste modo que cada uma destas cooperativas cumpre uma finalidade social contínua, no âmbito da disponibilização de habitação regulada, que pode servir, em diversos conjuntos, diversas gerações; e não se limitando à disponibilização de habitação pois pode também assegurar a gestão de todo o processo, desde a pré-ocupação à gestão corrente da obra concluída.

As cooperativas de habitação estão, assim, ligadas a vários tipos de promoção possíveis,  uma bastante corrente que corresponde a associações voluntárias entre futuros moradores que desta forma conseguem poupanças específicas no na construção das suas habitações e que podem também estar associados devido a objetivos habitacionais muito específicos em termos de soluções arquitectónicas residenciais e temos depois as cooperativas de habitação económica que estão vocacionadas para a construção de habitação de interesse social e que tiveram e podem ter um papel determinante na disponibilização deste tipo de habitação e no âmbito de uma oferta habitacional com qualidade e com custo controlado: portanto com bom nível de qualidade e com uma poupança garantida e fazendo este tipo de habitação em quantidade muito significativa, tal como está provado em Portugal no passado recente do pós 25 de Abril e durante o quarto de século que se seguiu, com as muitas dezenas de milhares de habitações – cerca de 160.000 – que foram construídas e constituindo vizinhanças e bairros muito agradáveis e que hoje em dia têm, frequentemente, melhor qualidade global do que quando fora pela primeira vez habitadas, pois o verde urbano cresceu e as atividades citadinas surgiram e floresceram.

 

Fig. 1: 1988 e anteriormente, Gondomar Rio Tinto Lugar do Forno, uma parte do excelente bairro da Cooperativa Mãos à Obra, Arq.os Alfredo Brandão João Sarabando.

 

Vantagens concretas da promoção pelas cooperativas de habitação económica

Em termos de vantagens concretas e pormenorizadas muitas existem no âmbito da promoção habitacional das cooperativas de habitação económica desde o próprio processo de poupança  que os cooperadores desenvolvem previamente logo que se associam a uma cooperativa de habitação económica, começando essa poupança anteriormente à compra da sua habitação, e desenvolvendo assim excelentes hábitos que os preparam para o esforço que irão fazer a seguir, quando da respetiva compra,  até ao desenvolvimento de uma solução projetual de habitação que é discutida, desde o princípio do processo, com os futuros habitantes;  sendo que assim existe na prática uma excelente informação sobre o tipo de promoção que será desenvolvida e que esta participação se vai desenvolvendo ao longo do processo da construção do edifício e da respetiva vizinhança, concluindo-se este processo com a escolha de alguns pormenores alternativos, devidamente apresentados aos futuros habitantes pela Cooperativa.

Para além de tudo isto há, evidentemente, a grande vantagem de podermos ter, numa cooperativa habitacional de interesse social, custos mais reduzidos do que os custos correntes, pois não há fins lucrativos no processo, e custos que não se refletem em menor qualidade, pois as cooperativas vão sempre aplicando a sua experiência anterior e melhorando as soluções em termos de custo e benefício. Neste momento temos um conjunto de cooperativas a construir um empreendimento em Lisboa, junto á estação ferroviária de Braço de Prata, em que um T2 com cerca de 100 m2 custará cerca de 204 mil euros, incluindo um parqueamento e arrecadação. E sublinha-se que o público-alvo são cidadãos sem capacidade financeira para aceder ao mercado habitacional, mas também não sem requisitos para se poderem candidatar a habitações de promoção pública.

Um outro aspeto que marcou e bem, o passado recente da promoção de habitação de interesse social – a tal bem regulamentada pelo Estado, designadamente, em termos de áreas e de custos finais – foi o frequente apoio público realizado através da cedência de terrenos públicos bem localizados e disponibilizados em condições adequadas e portanto não especulativas; o que faz uma enorme diferença e pode tornar possível muitas promoções, pois o terreno deixa de “pesar” quase tanto ou até mais do que a construção no custo final: a regulamentação oficial aponta para cerca de 20% do custo global, sendo, frequentemente este custo do terreno liquidado pelas cooperativas através da cedência aos municípios de equipamentos coletivos funcionais e/ou de habitações concluídas, condição esta que também contribui para a integração social local.

Evidentemente que tais apoios públicos têm de ter condições bem regulamentadas no sentido de as habitações que deles gozaram deverem continuar a ter uma adequada função social, sendo-lhes vedada a entrada no mercado habitacional corrente, pelo menos, durante um período temporal realmente eficaz para esse objetivo; havendo, provavelmente, trabalho a fazer nesta matéria.

Um outro aspeto que marca muito bem a utilidade específica e o perfil socio-financeiro da promoção cooperativa habitacional com apoios públicos é que o seu público-alvo são cidadãos que não possuem meios financeiros para resolverem as suas necessidades habitacionais através do mercado, mas que também não reúnem os requisitos para se poderem candidatar a habitações de promoção pública; e não tenhamos dúvidas que estamos a referir-nos, aqui, a uma tranche habitacional extremamente numerosa, socialmente muito diversificada – o  que é excelente em termos de potencial de integração social – e que tem tido muito poucas respostas concretas e adequadas, em Portugal, nos últimos anos.

Como complemento destas vantagens temos também um enfoque num amplo leque de aspetos, que podemos designar como realmente de “interesse social”, associados, quer à natural, mas muito rica,, integração social de vários estratos e grupos socioculturais nos mesmos edifícios e nas mesmas vizinhanças, até mesmo a um a verdadeiro sentido convivial espontâneo entre os participantes na cooperativa; aspeto este que consideramos ser hoje em dia de enorme valia, num sociedade tão marcada pelo individualismo e pelo isolamento de cada um em sua casa e nas suas redes sociais.

Ainda para além destes vantagens há também uma outra bem interessante que é a questão da gestão habitacional pelas cooperativas não se limitar à entrega da habitação, estando as cooperativas vocacionadas para assumir a respetiva gestão posterior o que proporciona também muitas vantagens, quer práticas no dia-a-dia dos residentes, quer  na respetiva influência  na vida útil dos próprios conjuntos assim realizados e bem geridos. Exemplos deste tipo de vantagens das cooperativas de habitação económica podem encontrar-se por todo o país sendo possível obter a confirmação destes factos, muito facilmente, em estudos de satisfação habitacional que podem ser realizados e que aliás já foram realizados várias vezes por entidades tecnicamente tão importantes como o LNEC; e que digamos provam que estes tipos de vantagens são reais, pois aconteceram já muitas vezes e beneficiaram um amplo e diversificado grupo sociocultural que é aquele que nem tem dinheiro para ir ao mercado comprar digamos a chamada habitação de luxo, mas que também não se pode candidatar à habitação de interesse social de apoio camarário.

 

Fig. 2: 1988, o excelente quarteirão residencial da Cooperativa Coohafal na Madalena, Funchal, Arq.º Guilherme Barreiros Salvador (100 fogos).


Atual escassez da promoção habitacional cooperativa de habitação de interesse social

Tendo-se em conta todas estas caraterísticas sociais e promocionais que se julgam se claramente apetecíveis, não parece fazer sentido a atual e evidente escassez de uma promoção habitacional cooperativa dirigida para a habitação de interesse social apoiada pelo Estado.

A explicação desta escassez tem a ver, em primeiro lugar, com o atual reduzido número de cooperativas de habitação económica, porque a crise do imobiliário aconteceu e estas cooperativas, não sendo entidades com fins lucrativos, não tinham reservas financeiras significativas e portanto foram muito afetadas por essa mesma crise do imobiliário; mas há também uma rotação geracional natural nos próprios responsáveis pelas cooperativas de habitação económica, que na prática começaram a sua atividade a seguir ao 25 de abril e que acabaram por atingir, naturalmente, a idade da aposentação e isto também afeta nessa redução do número e atividade das cooperativas de habitação económica, na medida em as novas gerações não têm demonstrado o mesmo entusiasmo para darem continuidade a esses projetos, ou criarem novas cooperativas.

Mas se formos um pouco mais fundo nesta atual e eventual redução da vitalidade cooperativas de habitação económica, importa lembrar que, quando do “boom” destas cooperativas, que marcou o final da década de 1970 e a de 1980, foi o próprio Estado que apoiou, de facto, a sua criação e o seu funcionamento inicial, por exemplo, até através da formação internacional dos seus dirigentes (a eficaz Cooperação Luso-Sueca nesta área apoiada pelo Fundo de Fomento de Habitação), formação esta depois replicada nacionalmente; e na altura estas cooperativas conseguiram bolsas de terrenos a custos equilibrados, num mercado pouco dinamizado, e mereceram, frequentemente, apoios substanciais de muitos municípios em termos de disponibilização de bons terrenos a custos adequados, tal como acima se apontou: portanto, repete-se, o entusiamo cooperativista de então também teve um excelente apoio municipal, a esse nível, e também por parte do então Instituto Nacional de Habitação, nova entidade pública mas com características de eficácia idênticas à da melhor gestão privada (fundada no tempo do Bloco Central), que tinha substituído o FFH e que tinha trazido ao sector da promoção de habitação a custo controlado uma enorme eficácia, tanto no financiamento habitacional, como no respetivo apoio técnico e mesmo técnico-científico – neste caso através do apoio corrente do LNEC.

Concluindo-se esta matéria da falta de cooperativas e de alguma desmotivação existente é claro que a falta de terrenos e financiamentos adequados, a falta de apoio “oficial” específico às cooperativas e até a falta de um adequado e esclarecido acompanhamento técnico também contribuem para desmotivar os mais jovens e mais carentes de soluções habitacionais participadas a envolverem-se de corpo e alma com as cooperativas; e isto prova-se por uma simples análise do passado recente desta promoção, tal como se procurou sintetizar.

Mas há um aspeto que se julga realmente determinante no que se julga ser a elementar justiça que tem esse apoio múltiplo Estatal à atividade das cooperativas de habitação económica em Portugal: é que as habitações, os edifícios, as vizinhanças e os pequenos bairros por elas realizados constituem soluções residenciais e urbanas eficazes e resilientes, que, com o passar do tempo, só ganham interesse, riqueza vivencial e mesmo valor, sendo modelos de integração social natural e verdadeiros “elevadores sociais” para muitas pessoas e famílias, e tudo isto com um mínimo de trabalho oficial e apoios do Estado, desde a preparação do alojamento, à gestão da construção e à gestão corrente diária posterior; condições estas facilmente provadas em análises pós-ocupação e de satisfação residencial (após um mínimo de 5 anos de habitação), estudos estes já realizados e que podem ser facilmente replicados; e condições estas que, infelizmente, não caraterizam muitos conjuntos e bairros de promoção municipal, que poucos anos depois de feitos têm de ser, em boa parte, refeitos e sempre com grande esforço Estatal.

 

Fig. 3: 1990, o belíssimo bairro bem equipado e vivo da Cooperativa As Sete Bicas, Matosinhos, Arq.ºs Pedro Ramalho e Luís Ramalho,  (516 habitações).


Os tempos atuais e as Cooperativas de Habitação Económica

Para além de todos estes aspetos há, hoje em dia, uma realidade social e imobiliária muito diferente daquela que vivemos no pós 25 de abril, sendo natural que assim aconteça e as novas cooperativas de habitação económica têm que responder a essa nova realidade e estão preparadas para isso, sendo possível digamos que elas apareçam exatamente na resposta a novas necessidades com soluções renovadas, muito adequadas e inovadoras em variados aspetos residenciais e urbanos. Aliás foram também as cooperativas de habitação económica quem mais inovou em termos de soluções residenciais e urbanas no pós 25 de Abril, fazendo-o, quase sempre, com grande qualidade Arquitectónica e vivencial através da contribuição de muitos dos então jovens arquitectos da grande geração portuense que tantos nomes trouxe para a nossa história da Arquitectura; numa tradição de participação entre cooperativas de habitação e excelentes projectos de Arquitectura que tudo tem para se poder replicar.

E será, aqui, oportuno comentar que se não forem as cooperativas habitacionais a assegurarem uma tal dinâmica de inovação fundamentada e participada em termos de processos de promoção habitacional e de soluções residenciais específicas, não nos parece que possa ser a inovação do mercado ligado ao lucro a avançar nestes sentidos, nem a inovação por parte de uma promoção Estatal central rígida e tendencialmente formal e institucional.

Tal como se apontou e se reafirma, para o retomar de uma adequada dinâmica cooperativa de habitação de interesse social, que seja capaz de participar decididamente na atual falta de habitação a custos controlados, faltam variados tipos de apoio e essencialmente falta um apoio específico na disponibilização de terrenos que sejam adequados em termos de localização e adequados em termos de custo; julgamos mesmo que isto é extremamente importante porque atualmente podemos dizer que para um terreno bem localizado, praticamente o custo final da habitação que aí se constrói é dividido quase em partes iguais em termos do valor da construção e do valor do respetivo terreno, e isto inviabiliza logo à partida a disponibilização de habitações a um preço realmente adequado em termos da sua finalidade de interesse social.

Para além do que atrás se aponta, e que a lei 56/2023 parecia querer inverter, mas que por falta de regulamentação não deu em nada, até ao momento, é necessário que as entidades públicas e o próprio Estado aproveitem as múltiplas vantagens das cooperativas de habitação económica; que permitem ganhos para todos: os cooperantes e o Estado, que assim desmultiplica a promoção da habitação de interesse social por entidades com raízes locais e com eficaz capacidade de gestão, muito maior do que quando a promoção é feita “impessoalmente” através de entidades oficiais; conseguindo-se garantir não apenas a boa construção habitacional, mas também a participação dos cidadãos na resolução das suas necessidades habitacionais, e garantindo-se, ainda, uma sua gestão eficaz ao longo de um extenso período temporal, com as consequentes poupanças na manutenção.

Para  além disto seria muito importante que por parte das entidades públicas e do próprio Estado houvesse uma real divulgação e um eficaz esclarecimento público sobre a natureza e as múltiplas vantagens da promoção de habitação por parte de cooperativas de habitação económica; parecendo que há a tudo a tudo a ganhar neste com esta atitude, pois ganha o Estado porque consegue de certa forma desmultiplicar a promoção da habitação e interesse social por uma série de entidades com raízes locais específicas e com adequada capacidade de gestão, muito maior do que quando a promoção é feita “impessoalmente” através de entidades oficiais, conseguindo-se que essas  promoções sejam asseguradas em termos não só da sua boa construção, mas sim também em termos de uma adequação maximizada aos seus moradores específicos e garantidas em termos de uma sua gestão eficaz ao longo de um prolongado período temporal, condição esta que é determinante da sua adequada e económica manutenção.

 

Fig. 4: 1991, o exemplar quarteirão urbano habitacional e equipado da Cooperativa Coobital, em Faro, Arq.º José Lopes da Costa e Arq.º pais. José Brito, (115 habitações).


A promoção habitacional pelas Cooperativas de Habitação Económica

No que se refere à dinâmica evolutiva do processo de promoção habitacional pelas Cooperativas de Habitação Económica (CHE) este pode vir a ser, naturalmente, revisto em termos de estrutura financeira do processo cooperativo habitacional e visando especificamente o seu contributo para a criação de um adequado parque de habitação pública, atualmente reduzido, mas também em termos de novos e urgentes modelos habitacionais apoiados pelo Estado, aproveitando-se as vantagens cooperativas em termos de participação, convívio, integração social natural e apoio a novas necessidades habitacionais, hoje em dia cada vez mais frequentes e sem respostas adequadas no mercado corrente habitacional, relacionadas, não só com a falta de habitação, mas também com a falta de habitação adequada, uma habitação e uma vizinhança verdadeiramente amigáveis em relação com tantos novos modos de vida, que não encontram respostas minimamente adequadas  no mercado corrente habitacional (em termos de natureza global da intervenção e seu custo e qualidade)

Referimo-nos, neste caso, a muitas necessidades habitacionais e urbanas e a muitos modos de vida atualmente dinamizados (ex. vários tipos de famílias, diversos contextos culturais, etc.), mas sublinham-se, pela sua atual e em breve crítica importância, as necessidades dos idosos, que poderão ter novas formas de habitação intergeracional apoiada, convivial e bem localizada. Abordamos aqui as velhas e novas necessidades e exigências pessoais, habitacionais e urbanas dos idosos que poderão ter novas formas de habitação apoiada e convivial, que conjugue os espaços privados com espaços comuns mais desenvolvidos, com serviços de apoio domiciliário e pessoal  e com atividades diversificadas e tudo isto em localizações urbanas adequadas; esta nova oferta habitacional está extremamente vocacionada para a promoção e gestão cooperativas; e os seus moradores não se limitam aos idosos – num tempo em que Portugal está cada vez mais envelhecido e cheio de idosos que têm de viver sozinhos e muitas vezes dolorosamente em solidão -, mas abrangendo também muitas pessoas que vivem sozinhas, por opção, ou em pequenos agregados familiares, que são também cada vez mais numerosas, e que também encontrarão neste novo tipo de soluções residenciais respostas muito adequadas a uma vivência, por exemplo, muito urbana e muito libertada do conjunto de atividades domésticas correntes, assim como contextos residenciais que privilegiam a interação social natural e até o encontro entre pessoas com interesses comuns; e tudo isto num meio residencial saudavelmente intergeracional e socialmente integrado, diversificado e que combate naturalmente uma solidão que tão frequentemente é verdadeiro flagelo entre os mais idosos, mas não só entre eles.

 




Fig. 5: 1992, os excelentes edifícios da Cooperativa Nova Ramalde, no Porto, 129 fogos com projeto do Arq. Manuel Correia Fernandes; que integram um dos melhores fogos já realizados com áreas e custos controlados.


As vantagens, também na gestão, associadas à atividade das Cooperativas de Habitação Económica

Um aspeto que não foi, aqui, ainda suficientemente salientado no âmbito das vantagens associadas à atividade das Cooperativas de Habitação Económica é  a questão da gestão, pois as cooperativas não se limitam a fazer a promover  habitação, mas, por um lado, fazem a preparação da respetiva gestão na pré-construção, asseguram uma construção sensível às necessidades e gostos dos futuros habitantes e asseguram, depois, e naturalmente não com carácter obrigatório, a boa gestão corrente diária de proximidade dos respetivos conjuntos de habitação concluídos, condição esta  que lhes vai proporcionar excelentes condições (con)vivenciais e uma sua vida útil prolongada e com menores custos de manutenção; isto  porque sabemos que se a manutenção for feita rápida e eficazmente, a vida útil de uma construção é muito mais prolongada e é mais económica e racional em termos de manutenção programada. Para além disto as cooperativas também podem fazer, e fazem em muitos casos, uma gestão das respetivas vizinhanças, chegando mesmo a ter a responsabilidade da gestão ao nível do bairro e com excelentes resultados em termos de satisfação, segurança e custos; estes casos de gestão urbana são frequentes na Europa do Norte, mas também existiram e existem em soluções cooperativas portuguesas, por exemplo nas Sete Bicas e na Mão à Obra, entre outras, onde se pratica uma gestão global do bairro, com resultados evidentes tanto ao nível da satisfação dos moradores como das poupanças publicas.

Tendo em conta o que acabou de ser referido em termos da gestão residencial cooperativa e da eficácia de uma sua gestão diária de proximidade, que acompanha todo o processo de vida de um conjunto habitacional, desde a sua primeira habitação às suas fases de manutenção e mesmo de reabilitação parcial,  o resultado que temos presente em termos do estado de conservação das vizinhanças dos edifícios e dos bairros cooperativos é globalmente muito positivo; e só o pode ser porque a melhor gestão é aquela que é feita dessa maneira, com regularidade, eficácia, proximidade, informação continuada e participação.

 

Fig. 6: 1995, a Cooperativa Massarelos, no Porto, Arq.ºs Francisco Barata e Manuel Fernandes Sá; uma cooperativa que teve raízes numa associação de moradores.

 

Sobre a promoção habitacional, as novas regulamentações e a atividade das Cooperativas de Habitação Económica

Passando, agora, para alguns aspetos mais pormenorizados, designadamente, quanto à aplicação dos aspetos ligados às novas regulamentações, que têm sido têm sido introduzidas em termos de construção de habitação, podemos apontar que as cooperativas de habitação económica foram inovadoras, em Portugal, em termos da introdução de uma série de matérias ligadas à regulamentação térmica e aos aspetos de sustentabilidade na construção, desenvolvendo empreendimentos, premiados a nível Internacional (por exemplo p Projecto SHE, Sustainable Housinh in Europe), onde estes aspetos foram foram introduzidos, não comprometendo o respetivo carácter de “habitação de interesse social” e a “custos controlados”; houve, portanto, conjuntos como os da Ponte da Pedra, em Matosinhos, em que com os custos praticados em termos de habitação e interesse social as pessoas puderam ter acesso a uma série de inovações em termos de sustentabilidade quando tal não acontecia praticamente em mais nenhum tipo de promoção incluindo a promoção privada.

Interessa também considerar que este nível as cooperativas também foram pioneiras na reabilitação de edifícios de habitação de interesse social com importância histórica e cultural, em casos em que os aspetos de reabilitação térmica foram introduzidos em situações complicadas e muito condicionadas, e até com as pessoas a habitarem.

Continuando nestas matérias mais ligadas à qualidade construtiva e à manutenção do edificado a promoção de habitação cooperativa não se distingue, globalmente, dos outros  tipos de promoção; mas há aspetos em que também  se destaca pela positiva, um deles ligado à tradicional associação das cooperativas de habitação económica a uma escolha muito cuidadosa das equipas de projeto e um outro aspeto ligado à aplicação, pelas cooperativas associadas na sua Federação Nacional (FENACHE), sem haver necessidade legal, de um seguro decenal de construção, que  garante a manutenção dos respetivos edifícios habitacionais e a sua qualidade estrutural e construtiva durante um período alargado.

 

Fig. 7: 2006 a 2025, o Vale Formoso de Cima , Lisboa, mais de 800 habitações para um conjunto amplo de 23 cooperativas, no âmbito de um protocolo com a Câmara Municipal de Lisboa, projeto urbano Arq.ºs António Piano e Eduardo Campelo.

 

As cooperativas de habitação económica portuguesas como importante parceiro na promoção de habitação de interesse social em Portugal

Para concluir esta reflexão considera-se que as cooperativas de habitação económica portuguesas, estruturadas no âmbito da FENACHE, podem ser um parceiro de grande importância na promoção de habitação de interesse social em Portugal e na disponibilização de um número significativo de novas habitações económicas, tal como o fizeram há poucos anos e contribuindo assim para a redução da crítica falta de habitação deste tipo, que existe em Portugal.

As cooperativas de habitação económica portuguesas estão extremamente vocacionadas para um extenso e diversificado conjunto de moradores que integram um amplo leque de sociocultural de pessoas que não conseguem aceder a um valor aos valores habitacionais praticados pelo mercado (onde não existe realmente uma oferta de “habitação económica”) e que, “no entanto”, têm rendimento que não lhes permitem aceder a apoios estatais e municipais específicos para pessoas com reduzidos rendimentos; continua, portanto, a haver um grande e diversificado grupo social que não tem uma adequada oferta de habitação “económica”, tal como aconteceu em Portugal num passado bem recente, quando mais de 160.000 habitações e respetivos espaços de vizinhança foram sendo realizados, em todo o País,  ao longo de mais de um quarto de século, pelas cooperativas da FENACHE.

As cooperativas de habitação económica estão presentes e disponíveis para ajudar na resolução do atual problema habitacional português, assim existam terrenos a custos adequados e que não inflacionem logo à partida o custo da construção e aí o Estado é essencial.

Sobre a qualidade da promoção habitacional das cooperativas de habitação económica portuguesas os tantos e tão bons casos “falam por si”, com uma qualidade vivencial que muitas vezes é agora melhor do que quando foram habitados pela primeira vez; e não tenhamos dúvida que só assim se deve fazer uma nova fase e um novo parque público de “Habitação com Qualidade e Custos Controlados”, que tenha verdadeiro “interesse social”.

 

Breve bibliografia sobre o tema das Cooperativas de Habitação Económica em Portugal

- www.fenache.com

- Fenache - Audição da Fenache na Assembleia da República em 27 de abril de 2023, no âmbito da discussão do programa Mais Habitação (proposta de lei nº 71/XV/1ª(GOV)), com publicação no site www.fenache.com – (pasta noticias).

- Fenache - Manifesto “A Fenache e as eleições legislativas de 10 março 2024”, com publicação no site www.fenache.com – (pasta noticias).

- A propósito dos “anos dourados” das cooperativas de habitação económica, entre 1974 e 1984, ainda antes da criação do INH (série editorial: artigo 3/8) – infohabitar # 765. António Baptista Coelho – Infohabitar, Ano XVII, n.º 765 – Lisboa, terça-feira, fevereiro, 16, 2021. (20 p., 15 fig.)

- COELHO, António Baptista – Infohabitar, Ano XIV, n.º 656, segunda -feira, setembro 17, 2018,O HABITAR DE INTERESSE SOCIAL E O HABITAR COOPERATIVO Conjunto de 13 artigos (3 pp.).

- COELHO, A. Baptista – Qualidade arquitectónica residencial.  Rumos e factores de análise.  Lisboa : LNEC, 2000.  500 p.  (Informação Técnica de Arquitectura, ITA 8).  ISBN 972-49-1857-2.

- COELHO, A. Baptista – INH, Instituto Nacional de Habitação 1984-2004 20 Anos a Promover a Construção de Habitação Social. INH, Lisboa, 456 pp. Ilustrado, ed. Bólingue, 2006 (edição institucional não disponível em livraria)

 

 

Nota editorial: uma versão mais discursiva e menos ilustrada do conteúdo que integra o presente texto tem edição prevista numa outra revista – o presente texto resultou de um tratamento e desenvolvimento, pelos autores, de uma entrevista a ser editada na referida revista.

 

Notas editoriais gerais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

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(iv) Brevemente haverá novidades no sentido do gradual, mas expressivo, incremento das exigências editoriais da Infohabitar, da diversificação do seu corpo editorial e do aprofundamento da sua utilidade no apoio à qualidade arquitectónica residencial, com especial enfoque na habitação de baixo custo.


Desafios e vantagens das Cooperativas de Habitação Económica em Portugal -Infohabitar # 930 

Informa-se que para aceder (fazer download) do mais recente Catálogo Interativo da Infohabitar, que está tematicamente organizado em mais de 20 temas e tem links diretos para os 922 artigos da Infohabitar, existentes em janeiro de 2025 (documento pdf ilustrado e com mais de 80 pg), usar o link seguinte:

https://drive.google.com/file/d/1vw4IDFnNdnc08KJ_In5yO58oPQYkCYX1/view?usp=sharing

Infohabitar, ano XXI, n.º 930

Edição: quarta-feira 12 de março de 2025

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo pelo LNEC.

abc.infohabitar@gmail.com

 Os aspetos técnicos do lançamento da Infohabitar e o apoio continuado à sua edição foram proporcionados por diversas pessoas, salientando-se, naturalmente, a constante disponibilidade e os conhecimentos técnicos do doutor José Romana Baptista Coelho.

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).