Mostrar mensagens com a etiqueta Guilherme Vilaverde. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Guilherme Vilaverde. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, fevereiro 04, 2026

Prémio António Sérgio 2025 – Honra Personalidade da Economia Social – para Guilherme Vilaverde – infohabitar # 964

Prémio António Sérgio 2025 – Honra Personalidade da Economia Social – para Guilherme Vilaverde – infohabitar # 964 

Informa-se que para aceder (fazer download) do mais recente Catálogo Interativo da Infohabitar, que está tematicamente organizado em mais de 20 temas e tem links diretos para os 960 artigos da Infohabitar, existentes em janeiro de 2025 (documento pdf ilustrado e com mais de 80 pg), usar o link seguinte:

https://drive.google.com/file/d/1FGRm5wfskdl54Lf7BhoDTmojcBDiveSf/view?usp=sharing

Infohabitar, ano XXII, n.º 964

Edição: quarta-feira 4  de Fevereiro de 2026




Editorial

Caros leitores e

Caros amigos e colegas do GHabitar+, do GHabitar e do CIHEL,

É com grande satisfação que aqui divulgamos a notícia da atribuição do Prémio António Sérgio 2025 – Prémio de Honra Personalidade da Economia Social 2025 – a Guilherme do Nascimento de Macedo Vilaverde, o  nosso companheiro de sempre Guilherme Vilaverde, atual Presidente da Mesa da Assembleia Geral da FENACHE – Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica – e seu anterior Presidente da Direção.

O Prémio António Sérgio será entregue em cerimónia pública solene, a realizar pelas 15h, no dia 5 de fevereiro de 2026, na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto - com indicação de inscrição prévia no Site da CASES.

O referido Prémio Cooperação e Solidariedade António Sérgio 2025 foi atribuído pela CASES - Cooperativa António Sérgio para a Economia Social – que refere que esta distinção: “reconhece pessoas e entidades que se destacam pela sua intervenção na promoção da Economia Social em Portugal… reforçando o reconhecimento do papel do cooperativismo no desenvolvimento económico e social do país.”

A lista dos vencedores pode ser consultada em cases.pt/pas25.

É também muito interessante registar os aspetos que baseiam, especificamente, a atribuição do Prémio de Honra Personalidade da Economia Social, (e volto a citar da CASES) que “ visa distinguir pessoas singulares pela sua dedicação, ação e estudo na área da Economia Social, designadamente, pela sua carreira na gestão de entidades e/ou estudo do setor; promoção de ações inovadoras e sustentáveis; criação ou reforço de dinâmicas interinstitucionais; divulgação e contribuição para a relevância pública do tema; capacidade de mobilização social e melhoria das relações do setor com o Estado.”

A atual Direção da FENACHE, presidida por Manuel Tereso, (e cito) "deliberou candidatar ao Prémio Cooperação e Solidariedade António Sérgio 2025 – Prémio de Honra Personalidade da Economia Social 2025, o atual Presidente da Mesa da Assembleia Geral e anterior Presidente da Direção. «Trata-se de um Prémio que simboliza o reconhecimento pelo papel ímpar que Guilherme Vilaverde teve e continua a ter no setor cooperativo em geral e no ramo da habitação em particular, não deixando de ter tido também e em paralelo, uma importante ação no setor sindical e do poder local. Uma vida dedicada às causas sociais, liderando pelo exemplo um setor de enorme relevo na construção de habitação cooperativa e equipamentos sociais em prol das comunidades.»”

Por este meio aqui deixamos um caloroso abraço de parabéns ao nosso Guilherme Vilaverde, que bem merece mais este reconhecimento público.

António Baptista Coelho, Editor da Infohabitar

Em nome pessoal e das entidades acima apontadas, 

 

E, julga-se, bem a propósito ficamos em seguida, com algumas imagens que exemplificam e relembram, minimamente, a essencial atividade do Vilaverde como participante do GHabitar e verdadeiro “amador” das matérias residenciais e, depois,  com um pequeno texto ilustrado sobre a importância habitacional do Guilherme Vilaverde, da Cooperativa As Sete Bicas e da FENACHE; e há grandes e saudosos amigos nestas imagens.


Guilherme Vilaverde (em primeiro plano) com o GHabitar numa Visita Técnica às obras do Conjunto da Bouça.

 

Guilherme Vilaverde com o GHabitar numa Visita Técnica ao Centro Histórico do Porto

 

 

Guilherme Vilaverde e um conjunto de líderes da FENACHE numa excelente visita técnica a cooperativas habitacionais alemãs ligadas a habitação de interesse social; uma grandeciniciativa desenvolvida pela FENACHE.

 

 

A propósito do Prémio António Sérgio 2025 – Honra Personalidade da Economia Social – para Guilherme Vilaverde – infohabitar # 964

 

António Baptista Coelho

(texto e imagens)

Fiquemos, então, mais uma vez por uma singela e simbólica visita a alguns pormenores urbanos e residenciais dos muitos conjuntos habitacionais de interesse social, que são realmente de referência, e que foram promovidos, sempre com a incontornável coordenação do Guilherme Vilaverde pela “sua” grande Cooperativa As Sete Bicas – isoladamente ou associada a outras cooperativas – ao longo de mais de 50 anos de atividade ininterrupta – e quem queira aprofundar basta uma consulta ao  site de As sete Bicas – https://www.setebicas.com/empreendimentos-historico

 

E temos assim, e tal como acima se sublinhou, apenas a título de alguns exemplos:

 

O Carriçal das moradias tão dignas como humanizadas, onde se conjugam espaços públicos e privados, integrados por espaços pedonais arborizados e marcados pela verticalidade do belo edifício da sua segunda fase.

(Arqs., Eduardo Iglésias e Pedro Q. Mesquita)

 

A Barranha, onde se harmonizam grandes bandas edificadas com atraente continuidade, que abraçam uma expressiva malha de moradias e equipamentos térreos marcados por pátios.

 (Arq., Jorge Teixeira de Sousa)


O Bairro da Azenha de Cima, inovador desde o seu traçado ao desenho das fachadas e à organização e pormenorização dos fogos, complementado pela modelar eficácia da gestão local e por uma qualidade arquitetónica e humana únicas.

 (Arq., Pedro Ramalho)


O bairro da Ponte da Pedra onde se conjugaram regeneração territorial, coesão urbana, sustentabilidade ambiental, dignidade de imagem e introdução evidenciada de arte urbana; premiado nacional e internacionalmente.

 (Arq., António Carlos Coelho)


O conjunto da Bouça, que inovou pela difícil, mas exemplar reabilitação, complementação e adequado remate urbano de uma peça patrimonial da nossa história da habitação de interesse social.

 (Arqs., Siza Vieira e António Madureira)


E a intergeracional rua de Guifões, onde um cuidoso e atraente projeto edificado, bem marcado por diversos níveis habitacionais, é naturalmente rematado por um equipamento para idosos.   

 (Arqs., Fernando Rocha e Celestino Machado)


Breves reflexões “finais”, naturalmente, ligadas a estes exemplos de referência, mas expressivamente generalizadas à promoção habitacional e urbana desenvolvida no âmbito da FENACHE e no que se refere à importância de uma habitação cooperativa bem regulada e estruturada

Os exemplos  apontados estão ligados à atividade direta do Guilherme Vilaverde e da Cooperativa As sete Bicas, isoladamente e associada a outras entidades cooperativas, mas tudo têm a ver com muitos outros casos de promoção residencial das muitas Cooperativas da FENACHE, cooperativas estas que provaram ser possível fazer “Habitação de Interesse Social” em Portugal em grande quantidade e com excelente e sempre inovadora qualidade arquitetónica residencial, bem harmonizada com uma gestão eficaz e participada, num trabalho muito sério e consistente ao longo de mais de 50 anos; e um trabalho realizado sempre em várias e renovadas frentes, do desenho arquitetónico, à criação de vizinhanças bem equipadas, à satisfação dos moradores e a uma gestão urbana inovadora.

Importa salientar que as cooperativas da FENACHE partilharam uma visão: um inconformismo social e habitacional aliado ao objetivo de criar espaços para todos, mas com a qualidade que qualquer um de nós deseja e exige para si próprio. A grande diferença da promoção cooperativa reside exatamente nisso: não se trata de fazer  habitação para os "outros", mas sim de construir espaços onde qualquer pessoa quer viver; numa abordagem que também se carateriza pela participação ativa em todo o processo, desde o projeto até à gestão, garantindo-se, suplementarmente, a tão importante diversidade residencial e a tão difícil mas vital integração sociocultural em cada vizinhança.

E atente-se a que tudo isto foi devidamente estruturado. Acompanhado e apoiado pelas estruturas e pelos líderes da Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE), num trabalho vital de harmonização da grande diversidade de realidades cooperativas existentes com as exigências sociais, normativas e de gestão ligadas à complexa promoção de uma habitação de interesse social com qualidade; num processo que provavelmente explica uma boa parte do êxito que teve esta promoção e que também se liga à excelente parceria que então marcou a atividade conjunta da FENACHE e do INH/IHRU.

E neste trabalho conjunto FENACHE-INH/IHRU que foi realmente fundamental para o êxito de uma parte muito significativa da muita habitação de interesse social que se fez após o 25 de Abril, importa sempre registar e sublinhar, entre outras vitais contribuições e para além da essencial atividade do Guilherme Vilaverde, a ação fundamental de alguns amigos saudosos e bem presentes nas primeiras imagens desta edição, com natural destaque para aquela que foi a incontornável ação de grande dinamismo e inovação do então Vice-Presidente da FENACHE, o Dr. José Barreiros Mateus, e também para a ação inovadora de Carlos Coradinho com o Arq. Justino Morais (este ausente das referidas fotografias) no velho Bairro de Caselas, e para a sempre presente e eficaz ação do Eng.º Defensor de Castro (no INH do Porto) e do Eng.º Hermano Vicente (no INH de Lisboa e este também ausente das referidas fotografias e ainda bem presente na atividade do GHabitar).

E já agora também há que referir que estes companheiros também integraram o grupo da primeira hora na dinamização do Grupo Habitar/GHabitar, do Infohabitar e do CIHEL.

Breves apontamentos sobre a atualidade da promoção de Habitação de Interesse Social ou Económica em Portugal

Hoje em dia, a promoção de habitação de interesse social enfrenta, como sabemos,  desafios significativos e novamente quantitativos. E para agravar a situação o processo de promoção habitacional tornou-se  complexo, sendo vital simplificar radicalmente a regulamentação, reduzir a burocracia e reforçar uma cuidada responsabilização técnica, que tenha em conta um essencial perfil curricular habitacional.  Outro aspeto fundamental é a qualidade da construção aliada à facilidade de manutenção, porque os futuros moradores terão modos de vida diversos, e não podemos aceitar soluções que levem a reabilitações frequentes e dispendiosas; e a  promoção cooperativa habitacional esteve na linha da frente deste equilíbrio, combinando boas soluções construtivas com uma gestão de proximidade eficaz e humana.

Sabemos que não  é fácil fazer habitação de interesse social em grande quantidade e com qualidade, mas muitas cooperativas fizeram-no, alguns municípios também, e muitas empresas também, assegurando a construção desses conjuntos residenciais cooperativos e municipais e mesmo em  casos de  promoção própria, bem enquadrada pelos respetivos municípios. Mas as cooperativas distinguem-se, ainda, porque descentralizam e qualificam todo o processo habitacional, evitando o modelo centralizado e padronizado que tantas vezes resultou em fracassos habitacionais. E é, ainda, bem oportuno referir que as cooperativas já provaram, e muitas vezes, que são capazes de transformar os chamados vazios urbanos subaproveitados em projetos de grande valor humano e citadino; num processo que está, atualmente, a ser aplicado em todo o mundo, e dirigido para uma adequada regeneração e redensificação de áreas urbanas consideradas estratégicas.

Permitam-me agora, com a liberdade que sempre tem o autor do artigo e com a vossa desejada licença, um pequeno "desabafo" final, e aliás já em parte antecipado no parágrafo em que se lembraram companheiros essenciais deste período muito importante de promoção de habitação económica no Pós 25 de Abril, é que nada se faz por "geração espontânea",  sem QUEM o faça com vontade, iniciativa, inovação, inteligência e coragem, e nada de bom se consegue fazer sem raízes, sem se beber no que de melhor se faz antes e procurando-se, sempre, melhorar e aperfeiçoar em continuidade; eu sou apenas um daqueles que tenta registar o que foi feito de melhor nas áreas da habitação de interesse social em Portugal, mas muitos ousaram fazer, realmente, habitações, vizinhanças e bairros, e correram riscos, e passaram períodos de vida complicados e foram para sempre afetados nas sua vida pessoal e familiar e tudo porque ousaram e fizeram muita da melhor habitação de interesse social algumas vez feita em Portugal; e estes todos merecem o nosso respeito e a nossa profunda consideração e, já agora, que tentemos, com eles, aprender a fazer melhor a muita habitação económica de que ainda precisamos entre nós; e mais uma vez há que sublinhar que nada se faz sem boas bases, sem boas referências e sem se ter aprendido com o que antes se fez. 

 

Notas editoriais gerais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

(iv) Brevemente haverá novidades no sentido do gradual, mas expressivo, incremento das exigências editoriais da Infohabitar, da diversificação do seu corpo editorial e do aprofundamento da sua utilidade no apoio à qualidade arquitectónica residencial, com especial enfoque na habitação de baixo custo.

 

Prémio António Sérgio 2025 – Honra Personalidade da Economia Social – para Guilherme Vilaverde – infohabitar # 964

Informa-se que para aceder (fazer download) do mais recente Catálogo Interativo da Infohabitar, que está tematicamente organizado em mais de 20 temas e tem links diretos para os 960 artigos da Infohabitar, existentes em janeiro de 2025 (documento pdf ilustrado e com mais de 80 pg), usar o link seguinte:

https://drive.google.com/file/d/1FGRm5wfskdl54Lf7BhoDTmojcBDiveSf/view?usp=sharing

Infohabitar, ano XXII, n.º 964

Edição: quarta-feira 4 de Fevereiro de 2026

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo pelo LNEC.

abc.infohabitar@gmail.com

 Os aspetos técnicos do lançamento da Infohabitar e o apoio continuado à sua edição foram proporcionados por diversas pessoas, salientando-se, naturalmente, a constante disponibilidade e os conhecimentos técnicos do doutor José Romana Baptista Coelho.

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).

 

 

 

quarta-feira, abril 09, 2025

Os muitos casos de referência habitacional da Cooperativa As Sete Bicas, no seu 50.º Aniversário – Infohabitar # 934

Os muitos casos de referência habitacional da Cooperativa As Sete Bicas, no seu 50.º Aniversário – Infohabitar # 934 

Informa-se que para aceder (fazer download) do mais recente Catálogo Interativo da Infohabitar, que está tematicamente organizado em mais de 20 temas e tem links diretos para os 922 artigos da Infohabitar, existentes em janeiro de 2025 (documento pdf ilustrado e com mais de 80 pg), usar o link seguinte:

https://drive.google.com/file/d/1vw4IDFnNdnc08KJ_In5yO58oPQYkCYX1/view?usp=sharing

Infohabitar, ano XXI, n.º 934

Edição: quarta-feira 9 de abril de 2025 

 

 


Editorial

Caros leitores da Infohabitar, 

A presente edição da nossa revista constitui uma pequena homenagem ao enorme trabalho da Cooperativa de Habitação As Sete Bicas, que comemorou 50 anos de vida e de atividade continuada no passado dia 6 de abril de 2025.

A promoção de Habitação de Interesse Social Portuguesa (HISP) não teria sido o que foi desde o 25 de Abril se não tivesse existido As Sete Bicas, tanto na sua atividade específica e na dinamização de conjuntos de cooperativas de habitação, como na vitalização da própria Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE), e em toda esta atividade a coordenação do Guilherme Vilaverde foi, como bem sabemos, essencial: porque, meus caros leitores, julgo que há mesmo pessoas que são insubstituíveis.

Quem conhece a história da HISP sabe bem que isto é a pura verdade, e quem não a conhece pode ter uma aproximação a esta realidade através, por exemplo, dos artigos aqui editados, designadamente, na passada semana e na semana que vem; entre outros.

Ao conjunto dos cooperantes de As Sete Bicas e ao grande amigo Guilherme Vilaverde ficam aqui os meus parabéns sentidos por estes primeiros 50 anos de vida e os parabéns do antigo Grupo Habitar, hoje GHabitar, que o Guilherme também ajudou a fundar e a fazer viver desde há 20 anos.

Bem hajam,

António Baptista Coelho

Lisboa, Encarnação, em 9 de abril de 2021

António Baptista Coelho

Editor da Infohabitar, PMAG do GHabitar APPQH, Coordenador do CIHEL, arquitecto e cooperativista habitacional

 

Os muitos casos de referência habitacional da Cooperativa As Sete Bicas, no seu 50.º Aniversário – Infohabitar # 934

António Baptista Coelho

(imagens do autor, exceto as indicadas, que são do Site de As Sete Bicas)

 

A “ideia central” para este texto sobre os primeiros 50 Anos da Cooperativa As Sete Bicas surgiu do retrato desenhado de um grande amigo, que me foi sugerido por outro grande amigo, ambos cooperativistas na área da habitação de interesse social.

Não foi fácil esse retrato, feito passo a passo, primeiro as proporções, e depois os muitos pormenores: a força da testa, o ângulo do nariz, a expressão dos olhos, a atitude da boca, a vitalidade dos cabelos, etc.; fui tentando dar-lhe presença, pormenor a pormenor, procurando a essencial expressão do carácter e da força interior.

E assim encontrei o “motivo central” deste esboço de retrato da grande As Sete Bicas: marcado pelos seus tantos, tão ricos e tão importantes pormenores humanos, sociais, habitacionais e arquitetónicos dos seus conjuntos urbanos; e passo a salientar alguns deles ( indico 10 conjuntos em 23 intervenções realizadas pela Sete Bicas – ver https://www.setebicas.com/empreendimentos-historico/ e ilustro alguns deles com imagens retiradas do site de As Sete Bicas):

 


O Carriçal das moradias tão dignas como humanizadas, onde se conjugam espaços públicos e privados, integrados por espaços pedonais arborizados e marcados pela verticalidade do belo edifício da sua segunda fase.

Carriçal, Senhora da Hora, Matosinhos, Cooperativa As Sete Bicas, 1.ª fase: projecto de Eduardo Iglésias e Pedro Q. Mesquita; 264 fogos (unifamiliares do tipo T3) e diversos equipamentos sociais e conviviais; datas aproximadas de estudo/realização, 1978-1982.

 


A Barranha, onde se harmonizam grandes bandas edificadas com atraente continuidade, que abraçam uma expressiva malha de moradias e equipamentos térreos marcados por pátios.

Barranha, Matosinhos, Cooperativa As Sete Bicas, projecto de Jorge Teixeira de Sousa; 118 unifamiliares T3 positivamente densificados e 206 fogos multifamiliares com garagens individuais mais parque infantil, Creche, estabelecimentos comerciais, café Snack Bar e Complexo Desportivo.


O muito digno edifício na Senhora da Hora, primeiro de muitos Prémios INH das Sete Bicas, e que prova pela sua imagem urbana e domésticos interiores que a habitação a custos controlados pode ser melhor do que a privada.

Carriçal, Senhora da Hora, Matosinhos, Cooperativa As Sete Bicas, 3.ª fase: 1987 a 1989, 32 fogos com garagens individuais, projeto de Jorge Teixeira de Sousa; Prémio INH 1990.

1987 e 1989. Os 32 fogos com garagens individuais


(Fig. retirada do Site de As Sete Bicas)

A Cidade Cooperativa da Prelada, exemplo de que o setor consegue fazer cidade atraente e durável com habitação económica e numa grande escala.


 



O Bairro da Azenha de Cima, inovador desde o seu traçado ao desenho das fachadas e à organização e pormenorização dos fogos, complementado pela modelar eficácia da gestão local e por uma qualidade arquitetónica e humana únicas.

O conjunto da Azenha de Cima tem 516 fogos com garagens coletivas e parqueamento coberto, zonas ajardinadas e diversos equipamentos de lazer, comerciais e conviviais, o projeto foi realizado por Pedro Ramalho e o empreendimento mereceu o Prémio INH 1991.


 


O bairro da Ponte da Pedra onde se conjugaram regeneração territorial, coesão urbana, sustentabilidade ambiental, dignidade de imagem e introdução evidenciada de arte urbana; premiado nacional e internacionalmente.

O conjunto da Ponte da Pedra, com cerca de 250 fogos, foi promovido pela Cooperativa Norbiceta, integrada pela As Sete Bicas, teve projecto de António Carlos Coelho e foi distinguido com o Prémio INH/IHRU 2007 e com o Prémio SHE, Sustainable Housing in Europe.



O conjunto da Bouça, que inovou pela difícil, mas exemplar reabilitação, complementação e adequado remate urbano de uma peça patrimonial da nossa história da habitação de interesse social.

O conjunto da Bouça (reabilitação  conclusão de 128 fogos dos quais 56 já existentes), que foi reabilitado e concluído (nova construção) pela Cooperativa Águas Férreas onde se integrou As Sete Bicas, teve obra terminada em 2006 e foi Prémio INH/IHRU 2007, com projeto de Siza Vieira e António Madureira.


 


A intergeracional rua de Guifões, onde um cuidoso e atraente projeto edificado, bem marcado por diversos níveis habitacionais, é naturalmente rematado por um equipamento para idosos. 

Conjunto habitacional de 40 fogos T1 a T3, com variadas soluções domésticas, integra também um equipamento para idosos com 30 quartos; o conjunto foi Prémio IHRU 2008 e foi projetado por Fernando Rocha e Celestino Machado.


 

(Fig retirada do Site de As Sete Bicas)

A inovação convivial e a integração paisagística do conjunto residencial de Rio Mau, que oferece, coletivamente, um grande leque equipamentos de lazer.

O conjunto de Rio Mau, em Penafiel, integra 70 unifamiliares e 36 fogos com garagens individuais, mais um amplo conjunto de equipamentos sociais geridos pelo Clube Social Sete Bicas de Rio Mau.


(Fig retirada do Site de As Sete Bicas)

E finalmente a novidade e oportunidade da bem recente Residência Universitária Casa do Estudante.

Ultimada em 2024 na Alameda Azenha de Cima, Senhora da Hora, frente à estação de metro Pedro Hispano, portanto bem central, esta Residência tem capacidade para 21 estudantes e para além dos quartos integra áreas de serviço, sala de convívio e zonas de estudo e disponibiliza um amplo leque de serviços.


Pormenores estes que provam ser possível HCC com excelente e sempre inovadora qualidade arquitetónica residencial, bem harmonizada com uma gestão eficaz e participada.

Sobre o carácter e a força interior que deu expressão única a este riquíssimo conjunto de grandes pormenores habitacionais, ele estará sempre vivo e chama-se Guilherme Vilaverde.

A Habitação de Interesse Social Portuguesa dos últimos 50 anos seria muito pouco sem o que as cooperativas da FENACHE fizeram, e no que elas fizeram o quinhão de As Sete Bicas é incontornável, tanto em quantidade, como em qualidade, como em sensibilidade social.

Bem Hajas Guilherme

E uma longa vida para a grande As Sete Bicas

 

Notas editoriais gerais:

(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.

(ii) No mesmo sentido, de natural responsabilização dos autores dos artigos, a utilização de quaisquer elementos de ilustração dos mesmos artigos, como , por exemplo, fotografias, desenhos, gráficos, etc., é, igualmente, da exclusiva responsabilidade dos respetivos autores – que deverão referir as respetivas fontes e obter as necessárias autorizações.

(iii) Para se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

(iv) Brevemente haverá novidades no sentido do gradual, mas expressivo, incremento das exigências editoriais da Infohabitar, da diversificação do seu corpo editorial e do aprofundamento da sua utilidade no apoio à qualidade arquitectónica residencial, com especial enfoque na habitação de baixo custo.


Os muitos casos de referência habitacional da Cooperativa As Sete Bicas, no seu 50.º Aniversário – Infohabitar # 934

Informa-se que para aceder (fazer download) do mais recente Catálogo Interativo da Infohabitar, que está tematicamente organizado em mais de 20 temas e tem links diretos para os 922 artigos da Infohabitar, existentes em janeiro de 2025 (documento pdf ilustrado e com mais de 80 pg), usar o link seguinte:

https://drive.google.com/file/d/1vw4IDFnNdnc08KJ_In5yO58oPQYkCYX1/view?usp=sharing

Infohabitar, ano XXI, n.º 934

Edição: quarta-feira 9 de abril de 2025

Editor: António Baptista Coelho

Arquitecto/ESBAL – Escola Superior de Belas Artes de Lisboa –, doutor em Arquitectura/FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto –, Investigador Principal com Habilitação em Arquitectura e Urbanismo pelo LNEC.

abc.infohabitar@gmail.com

 Os aspetos técnicos do lançamento da Infohabitar e o apoio continuado à sua edição foram proporcionados por diversas pessoas, salientando-se, naturalmente, a constante disponibilidade e os conhecimentos técnicos do doutor José Romana Baptista Coelho.

Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional Infohabitar – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE).

sexta-feira, outubro 19, 2007

162 - Promoção da Qualidade do Habitar, Coimbra 11 de Outubro de 2007 - Infohabitar 162

  - Infohabitar 162

Promoção da qualidade do habitar


O Grupo Habitar (GH) e o Gabinete para o Centro Histórico (GCH) da Câmara Municipal de Coimbra asseguraram na passada tarde do dia 11 de Outubro de 2007, na Sala Polivalente da Casa Municipal da Cultura um encontro técnico sobre o tema “promoção da qualidade do habitar”.

Este encontro integrou o programa da "Quinzena Portuguesa da Habitação" desenvolvida no âmbito da Presidência Portuguesa da UE com o apoio da Secretaria de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades e Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), e o enquadramento do CECODHAS.P/ Comité Português de Coordenação da Habitação Social e seus associados.

Neste nosso Infohabitar e desde a passada semana já está disponível uma das intervenções deste encontro onde se aborda a matéria da promoção da qualidade do habitar, hoje em dia, nesta nossa Europa, ainda no início do século XXI é que pondera um pouco, de forma sintética, sobre aspectos, uns mais quantitativos e outros mais qualitativos, uns mais globais e temáticos e outros mais práticos, mas todos bem ligados à “qualidade do habitar”.

Esta semana e bem na tradição do Grupo Habitar, que quer sempre acrescentar/registar mais um pouco relativamente ao que se vai discutindo e sublinhando em sessões e visitas técnicas, faz-se um apontamento, que é sempre pessoal, de algumas das matérias e ideias que foram apresentadas e discutidas neste encontro técnico, aproveitando-se para acompanhar com algumas imagens do mesmo encontro – algumas destas imagens foram gentilmente facultadas pelo Gabinete para o Centro Histórico (GCH) da Câmara Municipal de Coimbra.



Fig. 01

Desde já se sublinha que, em seguida, não se faz nenhum relato circunstanciado do que foi dito pelos diferentes intervenientes, mas somente um “passar a limpo” de notas tiradas na altura, mas naturalmente “filtradas” por quem as ouviu e apontou; procurou-se, naturalmente e no entanto, a maior fidelidade às opiniões expressas nas diversas intervenções e, por facilidade de trabalho, associaram-se às intervenções muitos aspectos que decorreram dos amplos períodos de debate que marcaram a conclusão dos dois períodos de trabalho em que se dividiu o Encontro/Workshop.

Pelas imperfeições, faltas de fidelidade ao que foi referido e esquecimento de aspectos considerados importantes pelos autores, este relator informal apresenta, desde já, as devidas desculpas e, evidentemente, coloca esta revista, à disposição dos mesmos para uma adequado esclarecimento e desenvolvimento destas e de outras ideias. Ao longo do texto que se segue e entre aspas procurou-se sublinhar algumas opiniões e ideias específicas que foram expressas pelos intervenientes; e desde se apresentam a estes intervenientes as devidas desculpas pelas imperfeições e inexactidões que caracterizam estas notas, bem como pelo seu carácter sintético que, de forma alguma, é fiel ao discurso corrido e bem articulado que caracterizou as suas intervenções.


A sessão foi aberta com a intervenção do Dr. Carlos Encarnação, Presidente da Câmara Municipal de Coimbra.

Fig. 02


O Dr. Carlos Encarnação sublinhou que tudo o que se refere ao habitar tem a sua atenção pessoal e que nesta matéria se destaca actualmente a questão da reabilitação, para a qual defendeu que o Estado tem que desenvolver um leque completo de mecanismos de apoio, também do ponto de vista fiscal e associados, designadamente, ao acto de reabilitação voluntária.

Salientou também a grande importância que para ele têm os aspectos de desenvolvimento de um adequado conforto ambiental e de uma adequada dignidade nas condições de habitabilidade. E afinal “é no Centro Histórico que está o grande tesouro da cidade de Coimbra” e o “grande objectivo é a rebilitação do Centro Histórico”, uma tarefa muito grande que o Governo tem de apoiar num registo de melhoria e de continuidade de medidas de apoio, e com um mínimo de demoras legislativas.

Seguiram-se as palavras do Eng. Defensor de Castro, Director da Delegação no Porto do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, que representou a Secretaria de Estado do Ordenamento do Território e Cidades.

A sequência de intervenções temáticas foi iniciada com a intervenção do Presidente da Direcção do Grupo Habitar e Chefe do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, intervenção esta que está já disponível no Infohabitar desde 11 de Outubro e que se refere a um panorama global, mas objectivo, sobre uma série de aspectos a ter em conta na qualidade do habitar, neste novo século nesta nossa Europa.


Fig. 03

A promoção da qualidade do habitar, na perspectiva da investigação e do projecto foi o tema apresentado pelo Professor Arq. Manuel Correia Fernandes, da FAUP, Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto e membro fundador do Grupo Habitar.

Manuel Correia Fernandes sublinhou que “a primeira reinvidicação do homem é ter espaço”; o ter mais espaço é um desejo que se mantém inciso no adn de todos nós, mas o espaço não é o mesmo para todos nós e em todo o mundo, pois a “casa refúgio” pode ter 50m2 desde que, por exemplo, a 20 minutos a pé existam diversos elementos citadinos; o que leva a considerar o que poderão ser/ter uns tais 20 minutos a pé aqui em Portugal, em diversos locais do País, em outras zonas da Europa (ex., na Dinamarca), e na África, por exemplo.

Referiu a possibilidade de se estar a assistir, actualmente, a um possível retorno da referência à necessidade de “um habitar para o grande número”, um conceito que ele prefere ao de “habitação social”.

Defende que os tempos mudaram, as coisas mudaram, as pessoas mudaram, e é assim importante mudar, também, o conceito de “um habitar para o grande número”, acrescentando-se novas noções qualitativas à “velha” quantidade, e portanto ultrapassando os aspectos essencialmente quantitativos de uma qualidade do habitar que sempre esteve muito associada ao que se passava na casa de cada um, acrescentando-se/sublinhando-se, designadamente, a crucial noção de se habitar, de facto, a rua, o bairro e a cidade.

Porque “a rede que sustenta o espaço do habitar é um contínuo”, e este contínuo está hoje em risco. Porque há aspectos que devem ser considerados e lidados com grande cuidado e efectividade (diria eu também afectividade), e entre os quais se destacam as matérias da segurança e da felicidade, segurança e felicidade que fazem sociabilidade e que estão ou devem estar na rua da cidade; e foi lá que ele também viveu a sua infância e juventude (assim como tantos de nós).

E Correia Fernandes lembrou o comentário de um habitante de Beirute, quando esta cidade se transformou em cenário de guerra e de insegurança, e que dizia que “hoje as crianças aprendem na rua porque a escola já não existe.”

Mas hoje a praça foi em grande parte substituída pela rotunda, o mar pelo resort, o quarteirão e o bairro pelo condomínio.

E, hoje, outras culturas chegam até nós o que leva à necessidade de disponibilização de diferentes espaços adequados a diferentes necessidades.

E “as novas tipologias estão constrangidas por morfologias estáticas” que não proporcionam saídas; um aspecto que, pessoalmente, considero crítico.

E assim assiste-se a a “uma nova guetização das cidades”, que, pelo contrário, deveriam “abrir espaços à/para a diferença”, pois “precisamos de novos paradigmas ... precisamos de voltar á estaca zero” numa activa recusa de uma sociedade consumidora excessivamente massificada num contexto aparente de plena liberdade.

E entre tais novos paradigmas salienta-se a fraternidade, e aqui há que questionar se a rua é ou não é o espaço mais paradigmático da cidade; e é preciso rever conceitos de concepção, de desenho e de uso desse espaço “que é o que faz passar da casa para a sociedade”. “E continuamos a desenhar a rua para os automóveis e, no entanto, a afirmar que a rua é para as pessoas.”

E aqui não resisto a citar um pequeno texto de Allan Jacobs inserido numa recente newsletter do PPS – Project for Public Spaces:

“If we can develop and design streets so that they are wonderful, fulfilling places to be – community-building places, attractive for all people – then we will have successfully designed abou tone-third of the city directly and will have had na immense impact on the rest.”


Fig. 04

A promoção da qualidade do habitar, na perspectiva da investigação e da construção foi a matéria desenvolvida pelo Eng. José Teixeira Trigo, especialista do LNEC e membro de honra do Grupo Habitar.

José Teixeira Trigo sublinhou a importância que tem a satisfação das exigências do cliente/utilizador na promoção da qualidade do habitar.
Defendeu que tudo deve confluir em tal sentido: da experiência, ao ensino, à investigação e ao projecto ligados à obra nova e à reabilitação. E há também um aspecto essencial que é a verdadeira identificação e caracterização dos utilizadores, assim como do período de utilização.

E aqui há uma noção do habitar “como um bem construído” que convém mudar para um conceito de bem associado ao serviço de habitação ou ao serviço do habitar, resultando num produto (que terá muito pouco a ver, digo eu, com um produto de consumo).

Como é que vamos propiciar que este bem preste o serviço mais adequado? É nesta questão que se situa a matéria da busca pela qualidade do habitar, que há que tratar não como objecto, mas como serviço. Por exemplo “ao nível municipal há que assegurar que as habitações existentes numa dada povoação prestam o serviço social que delas se espera”.

Trata-se, assim, não apenas de “construir” mas de satisfazer expectativas legítimas: do utente/cliente; dos trabalhadores associados ao sector; e dos responsáveis pelo sector (ex., os sócios accionistas no caso de se tratar de uma empresa). No caso do habitar há que satisfazer as expectativas dos habitantes (utilizadores), dos proprietários e da sociedade (da vizinhança e do bairro) – interesses que se expressam em períodos entre 10 a 30 anos. E nesta matéria sublinha-se que as pessoas com mais reduzido nível económico são as que mais são agredidas no pensar “apenas” as suas necessidades consideradas, essencialmente, como aquelas necessidades mais directas.

E nas escolhas que há que fazer por vezes tem de haver coragem para demolir partes do existente para que o que fica tenha uma qualidade adequada, “para que o resto, possa ter qualidade” ou converter realidades em novas realidades (ex., fogos que se agregam e geram novos fogos).

Afinal é preciso que algo mude para que o essencial e fundamental se possa manter, e há que realizar alianças estratégicas entre a ciência, a tecnologia e a sociedade, diversificando respostas e tendo naturalmente presente que a casa nada tem a ver, por exemplo, com um telemóvel que dura dois anos, é algo que estará cá pelo menos 50.

Nesta matéria é necessário alargar o conceito de ciências bem para além das consideradas exactas, e bem dentro das matérias humanas, de gestão, jurídicas, etc. E nesta matéria há que ter muito cuidado com o modo como se fazem leis, tantas vezes num divórcio da prática e sem acompanhamento da sua aplicação.

Considerando a realidade das nossas cidades Teixeira Trigo defende que houve uma densificação constante do casco histórico das mesmas ao longo dos séculos XIX e XX ; e, consequentemente, há problemas específicos de acessibilidade, segurança contra risco de incêndio e salubridade que têm de ser encarados, considerando que cada caso é um caso e que, por exemplo, há casos de intervenções em determinadas ruas que são inviáveis a não ser num quadro mais vasto – opinião que foi também partilhada por Manuel Correia Fernandes.

E Correia Fernandes também referiu que há também o próprio “direito à ruína”, pois há edifícios que podem ter um excelente papel urbano como ruínas.

Seguiu-se um debate e um pequeno intervalo.



Fig. 05

A segunda parte da sessão foi iniciada com o tema da promoção da qualidade do habitar na perspectiva do projecto de arquitectura e da investigação, tema abordado pelo Professor Arq. Paulo Tormenta Pinto, Presidente do Departamento de Arquitectura e Urbanismo do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa e membro fundador do Grupo Habitar.

Paulo Tormenta Pinto apresentou um caso concreto no Montijo de reabilitação e total reconversão interior de três pequenas casas, numa acção realizada com um orçamento muto contido, “num olhar renovado sobre a fotografia” e numa acção sobriamente exemplar que tem lugar “nos recônditos da cidade” da “cidade que herdamos”; uma cidade marcada pela especulação e pela cidade periférica.

Tormenta Pinto também sublinhou que a reabilitação não se esgota na reabilitação habitacional, pois faltam na cidade histórica espaços para integrar elementos urbanos que são necessários à cidade e aos cidadãos, e nestes aos grupos de cidadãos mais sensíveis como os idosos e as crianças.

Referiu ainda que importa estudar o impacto da reabilitação na vida moderna, percebendo-se, por exemplo, o que é o habitar dos idosos nos seus sítios de vida, nas suas dificuldades em termos de acessibilidades e de movimentação, em casas espacialmente exíguas e mal equipadas e em zonas, por exemplo, sem Centros de Dia e com reduzidas acessibilidades e sem espaços para introdução de novos equipamentos.


Fig. 06

Seguiu-se a intervenção sobre a temática da promoção da qualidade do habitar, na perspectiva municipal de vitalização dos centros urbanos, uma intervenção que coube ao Eng. Sidónio Simões, Director do Gabinete para o Centro Histórico (GCH) da Câmara Municipal de Coimbra – Gabinete este que foi o principal parceiro do GH na organização desta sessão técnica.

Sidónio Simões falou sobre a acção diária do GCH da CM de Coimbra, sublinhando a vontade de se contribuir para acabar “com a fúria construtiva”. Têm sido muito pragmáticos, têm usado a ficha do NRAU, feita pelo LNEC, privilegiaram a consolidação do edificado (coberturas e paredes), feita pela CM, mas que depois induz investimentos por parte dos proprietários.
Referiu também a grande importância que tem o poder usar uml eque de boas soluções práticas e salientou a importância da ventilação e da qualidade do ar quando se trata de espaços domésticos e públicos frequentemente exíguos.
Sobre as tipologias salientou que os pequenos T0 e T1 não são adequados para fixar famílias.

Globalmente defendeu que os custos da reabilitação dos centros históricos podem ser reflectidos na comercialização de fogos sem lucros,isto numa primeira fase de actuação. Procurando-se a aproximação a fases seguintes em que os centros históricos possam entrar numa lógica de valorização (como já acontece em muitas cidades europeias como por exemplo Pádua).

Relativamente ao espaço para equipamentos uma acção integrada no âmbito de uma estrutura do tipo SRU poderia ser uma solução, procurando-se a escala do quarteirão para este tipo de actuação (como acontece por exemplo em Toulouse e em Paris).

Em todas estas matérias e considerando que, realmente, a decadência leva à criminalidade, o Estado acabará por poupar em acessibilidades, em segurança pública e em recursos, se optar por um claro poio à reabilitação urbana, pois se calhar a política da reabilitação é a mais transversal actualmente.

Reabilitar é: não gastar novo solo; é reduzir emissão de gases em acessos diários a partir e para a periferia; é melhor gestão de recursos, pois basicamente fundações e paredes estão já lá; é dinamizar turismo; é potenciar adesão ao transporte público; é apoiar a revitalização do comércio tradicional; e é aumentar a segurança natural no espaço urbano. E Sidónio Simões propõe a ideia de 25% de apoios a fundo perdido para a reabilitação; pois os custos da reabilitação dos centros urbanos acabam por ser globalmente menores do que os custos associados à construção nas periferias. E sublinhou que em Coimbra há já acções integradas (ex., Pantufinhas/pequenos veículos de transporte público gratuitos, com Parques auto localizados).

Na frente do licenciamento municipal foi sublinhado que no GCH se aprecia um projecto no Centro Histórico mais rapidamente do que na periferia da cidade, através de um coordenador que acompanha tora a tramitação do respectivo processo. E assegura-se a coordenação de todas as obras no Centro Histórico, em termos globais, pois ele só aceita 12 estaleiros em simultâneo.


Fig. 07

Seguiu-se a intervenção sobre a temática da promoção da qualidade do habitar, na perspectiva da iniciativa empresarial, uma intervenção assegurada pelo Dr. Luís Ferreira da Silva, membro da Direcção da AECOPS, Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas e membro fundador do Grupo Habitar.

Luís Ferreira da Silva sublinhou que a reabilitação é um processo complexo, designadamente, no próprio desenvolvimento das obras, uma situação que está, felizmente, cada vez mais simples e associada a menores custos, através de novos materiais e sistemas de construção.

Relativamente ao habitar em geral defende que continua a haver discrepâncias entre o que é frequentemente oferecido em termos de condições habitacionais e o que as pessoas desejam – por exemplo ao nível da espaciosidade.
A questão das acessibilidades em termos da articulação entre automóvel privado e transportes públicos é algo que está ainda bastante mal resolvido, sendo crítica nos cascos históricos.

Luís Ferreira da Silva também sublinhou que a crise que afecta a construção nova e periférica leva a um potencial de descida de preços na habitação, condição esta que ainda mais afecta a oferta de habitar reabilitado em zonas históricas. E a isto ainda acresce uma tendência dos locais de trabalho saírem das zonas urbanas.

Os impostos afectam muito fortemente a construção de habitação e se juntarmos o preço do terreno então é fácil encontrar situações em que estes dois factores ultrapassam claramente o custo de construção. A especulação acontece essencialmente no passar de solos rústicos a urbanos e muito pouco em solos urbanos.

A sustentabilidade tem de ser: económica; humana/social; ambiental; funcional; e urbana, relativamente aos potenciais impactos nas áreas vizinhas. E, finalmente, em termos de novas formas de habitar há aspectos a considerar, po exemplo ter em atenção matérias funcionais fundamentais (ex., tratamento de roupa), envidraçados generosos, ventilação adequada, acessibilidade, etc.



Fig. 08


A promoção da qualidade do habitar na perspectiva da iniciativa cooperativa foi o tema da intervenção de Guilherme Vilaverde, Presidente da FENACHE, Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica e membro fundador do Grupo Habitar.

Guilherme Vilaverde fez uma viagem sobre a realidade da cooperação habitacional portuguesa, no âmbito das cooperativas filiadas na FENACHE, apontando os muitos fogos feitos e em desenvolvimento. A Federação conta com 72 cooperativas e realizou 160.000 fogos para 600.000 pessoas, portanto cerca de 6% da população; as cooperativas integradas na FENACHE contam, actualmente, com cerca de 50.000 inscritos, que aguardam novos programas habitacionais.

Sublinhou que, em cada cooperativa, os membros participam e definem soluções de habitar com a respectiva Direcção e seus técnicos relativamente à promoção em que estão inscritos e visando-se um serviço habitacional completo e alargado a equipamentos sociais e serviços, incluindo ainda actividades que valorizam a vivência habitacional, designadamente, nas matérias do convívio e da cultura.

Sublinhou também o carácter não lucrativo do movimento cooperativo habitacional e as suas múltiplas potencialidades cívicas, bem como todo o leque de serviços habitacionais e urbanos que têm sido oferecidos pelas cooperativas de habitação.

Referiu ainda o recente esforço do movimento cooperativo nas áreas da sustentabilidade ambiental e da reabilitação urbana e habitacional, neste caso aliada à completação e regeneração de um símbolo da história da arquitectura habitacional de interesse social, em Portugal, o conjunto da Bouça com projecto de Siza Vieira. Mas também sublinhou as grandes dificuldades que as cooperativas têm atravessado para tentar harmonizar este caminho da reabilitação com o do fundamental controlo de custos.

E partilhou a opinião de Sidónio Simões relativamente a uma contabilização de vantagens associadas à intervenção na cidade histórica, uma contabilização que deve levar á conclusão sobre o verdadeiro investimento que o Estado pode e deve fazer se apoiar especificamente a reabilitação em Centros Históricos.

Seguiu-se um debate alargado.



Fig. 09

O encerramento dos trabalhos foi assegurado pelo Dr. Paulo Atouguia Aveiro, Presidente do CECODHAS P , Comité Português de Coordenação da Habitação Social e Presidente dos Investimentos Habitacionais da Madeira (IHM).

Paulo Atouguia referiu, entre outras ideias, que ao promoverem-se encontros sobre a qualidade do habitar não se deve esquecer a quantidade de habitação que é ainda necessária, porque o mercado não conseguiu resolver as carências de habitação de interesse social; e sublinhou também que há que equilibrar as carências quantitativas com uma fundamental qualidade, não mais se aceitando situações como as que estão hoje evidentes em “habitação social” apenas com cerca de 30 anos e que, provavelmente, acabará por ser demolida; pois “o que for feito tem de ser bem feito”.


Termina-se este relato informal com os necessários agradecimentos públicos:

- ao Dr. Carlos Encarnação, Presidente da C. M de Coimbra, ao Eng. Defensor de Castro Director da Delegação no Porto do IHRU, ao Eng. Sidónio Simões, Director do GCH da C.M. de Coimbra, ao Dr. Paulo Atouguia Aveiro, Presidente do CECODHAS P, e dos Investimentos Habitacionais da Madeira (IHM), à Drª Luísa Ganho do GCH e ao Dr. António Mesquita do IHRU;

- e a cinco membros fundadores do Grupo Habitar, que refiro na ordem das suas intervenções: o Arq. Manuel Correia Fernandes, professor na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, o Eng. José Teixeira Trigo, ilustre especialista do LNEC, o Arq. Paulo Tormenta Pinto, Presidente do Departamento de Arquitectura e Urbanismo do ISCTE, o Dr. Luís Ferreira da Silva, membro da Direcção da AECOPS, Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas e Guilherme Vilaverde, Presidente da FENACHE, Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica.

Sem todos eles não teria sido possível a excelente tarde de debate vivo que aconteceu em Coimbra.